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Os Sete Passos para a

Eficiência Energética
Ênfase em Sistemas Elétricos

MÓDULO 5
PERFIL DE DEMANDA

2001
DIRETORIA EXECUTIVA
Efetivos
Presidente Sistema FIEMG:
Stefan Bogdan Salej
Vice-Presidentes:
Benjamin Steinbruch, Cyro Cunha Melo, Emir Cadar, Guilherme Emrich, Luiz Adelar Scheuer,
Luiz Alberto Garcia, Luiz de Paula Ferreira, Murilo Araujo, Osmani Teixeira de Abreu, Paulo
Sérgio Ferreira, Petronio Machado Zica, Rinaldo Campos Soares, Robson Braga de Andrade,
Romeu Scarioli, Santiago Ballesteros Filho
Vice-Presidentes Regionais:
Alberto César de Mello (Regional Sul), Antônio Valério Cabral de Menezes (Regional Pontal do
Triângulo), Ariovaldo de Melo Filho (Regional Norte), Carlos Alves de Araújo (Regional Centro-
Oeste), Efthymios Panayotes Emmanuel Tsatsakis (Regional Vale do Paranaíba), José Maria
Barra (Regional Vale do Rio Grande), Lisandro de Queiroz Bicalho (Regional Alto Paranaíba),
Luiz Alberto Jardim (Regional Rio Doce), Luiz Campelo Filho (Regional Vale do Aço), Luiz Geraldo
Soranço (Regional Zona da Mata), Romeu Scarioli (Regional Metropolitana).
1º Diretor-Secretário:
Olavo Machado Júnior
2º Diretor-Secretário:
Anderson Lemos Birman
3º Diretor-Secretário:
Luiz Carlos Dias Oliveira
1º Diretor-Tesoureiro:
Edson Gonçalves de Sales
2º Diretor-Tesoureiro:
Cláudio Arnaldo Lambertucci
3º Diretor-Tesoureiro:
Raymundo de Almeida Vianna
Suplentes
David Travesso Neto, Edson Batista de Assis, Guilherme Moreira Teixeira, Lázaro Batista de
Andrade, Lourival Gonçalves Caldeira, Luiz André Rico Vicente, Luiz Custódio Cotta Martins,
Magda Regina Zambelli Regatos, Marconi da Silva Santos, Paulo César de Castro, Paulo César
Rodrigues da Costa, Petrônio José Pieri, Renato Travassos Martins da Silva, Roberto Lago Clark,
Roland Von Urban, Rozani Maria Rocha de Azevedo, Sílvio Diniz Ferreira, Tarcísio Cardoso de
Sousa, Teodomiro Diniz Camargos, Wilson José Rios.
Diretores
Arnaldo de Andrade Guerra, Aurélio Marangon Sobrinho, Britaldo Silveira Soares, Celso Costa
Moreira, Edgard Danilo Alves da Silva, Elias Árabe Filho, Giancarlo André Rossetti, Heraida
Maria Caixeta Borges, Jolmar de Oliveira Martins, José Augusto Bahia Figueiredo, José Narciso
Leite, José Perrella de Oliveira Costa, José Roberto Schincariol, Milson Sebastião de Souza
Mundim, Murilo de Sá Albernaz, Odorico Pereira de Araújo, Pedro José Lacerda do Nascimento,
Ronan Eustáquio da Silva.
Conselho Fiscal
Efetivos
Edwaldo Almada de Abreu, Geraldo Jair Lebourg, Marcos Antônio Gonçalves Salomão
Suplentes
Leonídio Pontes Fonseca, Marco Antônio Torres, Sérgio Augusto Pícoli
DELEGADOS JUNTO AO CONSELHO DE REPRESENTANTES DA CNI
Efetivos
Stefan Bogdan Salej, José Alencar Gomes da Silva
Suplentes
Robson Braga de Andrade, Santiago Ballesteros Filho
Os Sete Passos para a
Eficiência Energética
Ênfase em Sistemas Elétricos

MÓDULO 5
PERFIL DE DEMANDA

2001
Diretor Regional do SENAI e Coordenador de Educação e Tecnologia do Sistema FIEMG
Victor Motta
Gerente Geral de Operações
Alexandre Magno Leão dos Santos
Gerente de Tecnologia Industrial/Núcleo de Educação a Distância
Carlos Roberto Rocha Cavalcante
Elaboração do Trabalho
Cristiano Ribeiro Ferreira Jácome
Luiz Augusto Nogueira Silva
Ronaldo José de Oliveira
Produção
Rodrigo Tito Moura Valadares

SENAI. Departamento Regional de Minas Gerais.


S474 Os Sete passos para a eficiência energética: ênfase em
Sistemas Elétrico. Belo Horizonte, 2001.
16p. : il.

Conteúdo: Módulo 1. Apresentação Módulo 2.


Conceitos básicos de energia Módulo 3. Entenda seus
custos com energia Módulo 4. Análise de histórico e de
“benchmark” Módulo 5. Perfil de demanda Módulo 6.
Inventário de carga Módulo 7. Um método para
identificar oportunidades de economia de energia
Módulo 8. Oportunidades específicas de economia de
energia Módulo 9. Uma lista de verificação de
oportunidades

1. Energia Elétrica 2. Máquinas e Equipamentos


Elétricos 3. Controle da Eletricidade I. Título II. Título
dos Módulos.
CDU: 621.31

Todos os direitos reservados ao SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento


Regional de Minas Gerais. É proibida a reprodução ou duplicação deste volume, ou parte do mesmo,
sob quaisquer meios, sem autorização expressa do SENAI.
SUMÁRIO

Introdução .............................................................................. 7
Como Obter um Perfil de Demanda .................................... 12
Leituras Periódicas dos Medidores de Energia das
Concessionárias de Energia Elétrica .............................. 13
Amperímetro de Registro do Tipo “Alicate” .................... 13
Medidores de Demanda - Básicos e Multicanais ........... 16
Interpretando o Perfil de Demanda ..................................... 19
Oportunidades de Economia no Perfil de Demanda .......... 22
Oportunidades de Economia a partir da Correção do
Fator de Potência ................................................................ 24
Os Sete Passos para a Eficiência Energética

Conteúdo:

Á Medição do perfil de demanda.


Á Características do consumo de energia reveladas pelo
perfil de demanda.
Á Oportunidades de economia identificáveis a partir do perfil
de demanda.

Objetivos:

Á Após completar este módulo, você estará apto a:


Á Descrever os benefícios e os métodos para se obter um
perfil de demanda.
Á Iniciar o processo para a obtenção de um perfil de
demanda.
Á Analisar um perfil de demanda de sua fábrica com o
objetivo de entender padrões de consumo e identificar
oportunidades de economia.

Exercícios
Ao final do estudo deste módulo, faça os exercícios disponibilizados
em sua Sala de Aula virtual para verificar os conhecimentos
adquiridos.
Dúvidas
Utilize a ferramenta Fórum presente em sua Sala de Aula virtual
para tirar suas dúvidas com seus colegas e seu Tutor.

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Módulo 5: Perfil de Demanda

INTRODUÇÃO

A parcela da tarifação de energia referente à demanda


é um componente significativo da conta de eletricidade.
Um gerenciamento de demanda eficaz oferece
oportunidades de economia substanciais.

O perfil de demanda para uma fábrica, edificação ou


qualquer outra instalação consumidora de energia é
simplesmente um registro da potência fornecida em um período
de tempo. O seu propósito é fornecer informações detalhadas
sobre como a fábrica, ou uma porção da fábrica medida
separadamente, utiliza energia. Essa é, em essência, a
“impressão digital energética” da fábrica. Para o gestor de
energia, o perfil de demanda é uma ferramenta extremamente
útil para se determinar o consumo de energia na empresa.

O perfil de demanda de energia mais comumente


encontrado nas indústrias é o perfil de demanda de energia
elétrica e por isso o utilizaremos como exemplo. Porém, cabe
ressaltar que esse perfil pode ser aplicado à qualquer espécie
de combustível ou fonte de energia.

O perfil de demanda mais simples consiste numa série de


leituras manuais do medidor de demanda, registradas
mensalmente, diariamente, ou a cada hora (se possível, mais
freqüentemente). O intervalo de tempo definido, dependerá da
finalidade para a qual a informação do perfil de demanda será
utilizada, sendo que a demanda mensal vem registrada
mensalmente nas contas de energia. A Tabela 5.1 é uma
amostra de um perfil de demanda horário, registrado
manualmente.

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Os Sete Passos para a Eficiência Energética

TABELA 5.1
PERFIL DE DEMANDA HORÁRIO (REGISTRADO MANUALMENTE)

Hora kW Hora kW Hora kW


1:00 45 9:00 120 17:00 110
2:00 47 10:00 122 18:00 82
3:00 43 11:00 121 19:00 60
4:00 46 12:00 100 20:00 61
5:00 45 13:00 124 21:00 63
6:00 62 14:00 135 22:00 61
7:00 69 15:00 120 23:00 65
8:00 95 16:00 123 24:00 50

Uma outra representação das leituras de demanda


mostradas na Tabela 5.1 seria um gráfico semelhante ao
mostrado na Figura 5.1. Esse método de representação facilita
a comparação dos níveis de demanda relativos ao longo do dia
e uma rápida identificação das horas de pico de demanda de
energia, junto com as características de acionamento e
desligamento das cargas nas instalações.

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Módulo 5: Perfil de Demanda

Figura 5.1
Gráfico - Perfil de Demanda

A forma de perfil de demanda mais comumente utilizada é


semelhante à ilustrada na Figura 5.2. O perfil cobre um período
de aproximadamente 24 horas (é preferível um pouco mais do
que 24 horas). A demanda de energia aparece no eixo vertical,
enquanto que o tempo, expresso em horas, aparece no eixo
horizontal.

Um registrador de demanda foi utilizado para gerar o perfil


da figura 5.2. As leituras são registradas automaticamente,
com um minuto de diferença entre elas. Em alguns casos, as
leituras podem ser ajustadas pelo instrumento de registro para
ir ao encontro daquelas que seriam obtidas diretamente do
medidor da concessionária de energia.

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Os Sete Passos para a Eficiência Energética

Figura 5.2
Perfil de Demanda com 15 minutos de Intervalo

O perfil mostrado na Figura 5.2 contém informações sobre


potências reais medidas em quilowatts (KW). Medidores de
demanda mais sofisticados são capazes de registrar quilowatts
(KW), quilovolt-amps (KVA), fator de potência, tensão trifásica
e corrente.

A comparação das Figuras 5.1 e 5.2 mostra claramente a


vantagem de se utilizar um medidor de demanda. De uma
maneira significativa, o perfil da figura 5.2 apresenta mais
detalhes, embora o perfil de hora em hora (figura 5.1)
permaneça sendo valioso, como ponto de partida para análise
do perfil energético.

Várias informações úteis podem ser obtidas do perfil:

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Módulo 5: Perfil de Demanda

Informação Descrição
O tempo, a magnitude e a duração do período de
Pico de
m a i o r d e m a n d a o u d o s p e r ío d o s d e m e n o r
Demanda
demanda podem ser determinados
A demanda presente à noite (ou durante horas de
Carga Noturna
não ocupação) é claramente identificada.
O efeito da(s) inicialização(ões) das instalações e
Inicializ ação processos da empresa sobre a demanda de pico
pode ser determinado.
A q ua nt i d a d e d e c a r g a d e s l i g a d a p o d e s e r
Desligamento identificada. Isso deveria ser igual ao incremento
de inicialização.
O e f e i t o d a s c o nd i ç õ e s c l i m á t i c a s s o b r e a
demanda de eletricidade pode ser identificado do
Efeitos
dia para a noite (com temperaturas variáveis) e de
Climáticos
estação para estação, comparando-se os perfis de
demanda em cada estação.
Cargas que se O c i c lo d e ta r e fa s d e m ui ta s c a r g a s p o d e s e r
Repetem em vi s ua li za d o no p e rfi l d e d e ma nd a , p o d e nd o s e r
Ciclos comparado com o que é esperado.
Interações entre si stemas podem ser evi dentes.
P o r e xe mp lo , a d e ma nd a a ume nta d a p o r c a lo r
Interações
e l é t r i c o q ua nd o a s e nt r a d a s d e ve nt i l a ç ã o
estiverem abertas.
Freqüentemente o horário de ocupação para uma
Efeitos de
fábrica é refletido no perfil de demanda; se não for,
Ocupação
isso poderia identificar problemas de controle.
C o mo no ca so d a o cup a çã o , o e fe i to d a ca rg a
Efeitos de a um e nt a d a no s e q ui p a m e nt o s d e p r o d uç ã o
Produção deveria ser evidente no perfil de demanda.
Sua ausência pode ser evidência de problemas.
Um compressor de ci clos curtos, por exemplo, é
Áreas de
normalmente fácil de identificar a partir do perfil de
Problemas
demanda.

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As informações que podem ser obtidas aos poucos a partir
Os Sete Passos para a Eficiência Energética

COMO OBTER UM PERFIL DE


DEMANDA

Existem vários métodos para se chegar a um perfil de


demanda, alguns dos quais já foram previamente discutidos.
Este módulo delineará alguns dos métodos, bem como os
procedimentos e os pontos fortes e fracos de cada um.

Os métodos de se fazer um perfil de demanda são:

Á Leituras periódicas do medidor de energia da


concessionária.
Á Registro de medidas de amperímetro do tipo “alicate”.
Á Medidor de demanda (potência) básico.
Á Medidores de demanda do tipo “multicanais “.
Á Um sistema de monitoramento dedicado.

Enquanto o primeiro método acima é o mais barato e o


mais simples de se implementar, os dados produzidos por ele
são limitados. Por outro lado, os gravadores multicanais são
caros e complexos de se utilizar, mas produzem informações
reais e precisas de potência.

Qualquer que seja a técnica utilizada é importante que o


perfil de demanda seja medido num momento em que a
operação da fábrica seja típica e, se possível, a demanda de
pico seja igual àquela registrada pelo medidor de energia para
o período atual de cobrança. Isso é importante uma vez que o
objetivo geral na medição do perfil de carga é o de identificar
quais cargas contribuem para a demanda máxima, ou de pico,
cobrada.

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Módulo 5: Perfil de Demanda

Leituras Periódicas dos Medidores de Energia


das Concessionárias de Energia Elétrica
Normalmente registrado por hora, esse método necessita
de um medidor que seja acessível para leituras. As maiores
limitações desse método manual são a sua resolução de tempo
limitada (o que força aquele que está interpretando a “adivinhar”
a respeito da carga entre as leituras) e a sua intensidade do
trabalho para realização das leituras (embora possa ser uma
boa tarefa para estagiários). As vantagens desse método são
sua simplicidade, ausência de custo e o fato de que as leituras
combinam exatamente com as leituras da concessionária. Atingir
essa combinação é uma questão importante para outros
métodos.

Amperímetro de Registro do Tipo “Alicate”


Um amperímetro de registro é um amperímetro de uma ou
três fases conectado a um dispositivo que armazenará as
leituras periodicamente. Pode ser instalado nos condutores de
entrada de uma fábrica para registrar o fluxo de corrente ao
longo do tempo. Os dados adquiridos podem então ser
combinados com a tensão do sistema e do fator de potência
para produzir uma leitura estimada da demanda.

O dispositivo de registro pode ser uma unidade


computadorizada, mas normalmente é um gravador de bobina.
O gravador é simplesmente conectado à uma tomada de saída
no amperímetro que é semelhante à uma unidade Amprobe(TM)
. A Figura 5.3 ilustra a instalação para uma medida monofásica.

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Os Sete Passos para a Eficiência Energética

Figura 5.3
Instalação do Amperímetro de Registro do tipo Alicate

Etapa - 1 Obtenha um amperímetro de registro capaz de


ser instalado no condutor de entrada da fábrica
em questão. Será necessário um eletricista para a
seleção e instalação do equipamento. Certifique-
se de que a capacidade de corrente da unidade é
apropriada para a fábrica.

Se a fábrica for servida por potência trifásica, um


medidor trifásico é aconselhável.
Alternativamente, se as cargas presentes na
fábrica são predominantemente trifásicas e as
correntes estão razoavelmente equilibradas, um
medidor de fase única conectado a uma fase
representativa seria uma alternativa razoável.

Etapa - 2 Selecione um período típico e faça com que o


amperímetro de registro seja instalado e que a
tensão seja medida. Para um sistema trifásico,
meça cada uma das tensões entre fases e tire
uma média.

14
Módulo 5: Perfil de Demanda

Etapa - 2a Determine o fator de potência no pico pelo


método descrito na Etapa 4 do módulo 3 ou utilize
medidor de fator de potência (cossifímetro).

Etapa - 3 Remova o equipamento de registro e desenhe o


perfil em uma tira de papel ou então por meio de
um software que leia os dados do módulo de
registro e imprima um gráfico.

Etapa - 4 Converta os valores de corrente que você obteve


do gráfico do perfil de demanda para KVA ou KW
conforme necessário:

Para kW e fase única:


kW = (Amps x Volts x FP) ¸ 1000

Para kW e três fases:


kW = (Amps x Volts x FP x ) ¸ 1000

Para kVA e três fases:


kW = (Amps x Volts x ) ¸ 1000

A limitação mais significativa desse método é que ele não


mede a potência ativa (KW) ou a potência aparente (KVA). Em
vez disso, ele assume que a corrente é proporcional à potência.
Isso só é verdade quando existem duas condições:

1) A tensão na entrada é sempre constante. O erro


introduzido, se não for constante, dependerá diretamente
da variação de tensão. Essa é uma suposição razoável
considerando-se a variação de tensão normalmente
esperada.

2) O fator de potência é constante em todos os níveis de


demanda. A única maneira de testar tal suposição é medir
o fator de potência pelo método descrito acima em várias
demandas, digamos 25%, 50%, 75% e 100% da

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Os Sete Passos para a Eficiência Energética

demanda de pico. Se houver uma mudança profunda


no fator de potência, a precisão desse método torna-se
questionável.

Medidores de Demanda - Básicos e


Multicanais
Esses métodos de se medir o perfil de demanda são
praticamente os mesmos com exceção de que o método básico
registraria normalmente apenas um valor, como por exemplo,
quilowatts (KW) ou KVA, enquanto que o método de multi-canais
poderia registrar KW, KVA, corrente de fase, tensão, fator de
potência geral e, possivelmente, outros dados.

O medidor de demanda multicanal mede a corrente e a


tensão simultaneamente em até três fases e eletronicamente
calcula KW, KVA e o fator de potência. Um dispositivo de registro
tal como uma fita magnética, gravador de bobina ou um
microprocessador armazena todas as informações para
utilização posterior. Uma instalação típica é mostrada na Figura
5.4.

Figura 5.4
Instalação do Medidor de Demanda Multicanal

16
Módulo 5: Perfil de Demanda

Ao utilizar-se um medidor de demanda, é altamente


recomendável seguir as instruções de utilização do fabricante
cuidadosamente.

Etapa - 1 Obtenha um medidor de demanda capaz de ser


instalado no condutor principal da fábrica em
questão. Será necessário de um eletricista para a
seleção e instalação do equipamento. Certifique-
se de que a potência máxima que pode ser
medida pelo medidor não seja excedida pelo pico
de demanda esperado. Se a fábrica for servida
por potência trifásica, é aconselhável utilizar um
medidor trifásico. Alternativamente, um medidor
de fase única conectada com a fase
representativa e equilibrada seria um substituto
razoável.

Etapa - 2 Selecione um período de 24 horas durante o qual


a carga é típica e providencie para que o medidor
seja instalado para esse período.

Etapa - 2a Se o medidor de potência não puder medir e


registrar a potência aparente KVA ou o fator de
potência ao mesmo tempo em que a potência real
(KW), então faça uma determinação do fator de
potência no pico pelo método descrito no
Amperímetro de Registro do Tipo “Alicate”, Etapa
4 ou utilize o medidor quando se observar que a
demanda está no pico.

Etapa - 3 Remova o equipamento de registro e recupere o


perfil de demanda tanto numa bobina de leitura
como através de um software que leia as
informações do módulo de registro e imprima um
gráfico.

Quando utilizar os resultados do perfil de demanda medidos

17
Os Sete Passos para a Eficiência Energética

pelo medidor de demanda ou amperímetro é importante lembrar


que o medidor de potência processa um grande número de
leituras por minuto. O medidor do tipo amperímetro é capaz de
registrar mudanças muito rápidas na demanda de potência;
medidores de energia das concessionárias não o são. O
medidor padrão da concessionária faz a média da demanda
ao longo dos 15 minutos anteriores. Alguns modelos de
medidores de potência farão essa média, outros não. A
interpretação do perfil de demanda (Interpretando Perfil de
Demanda) deverá levar isso em consideração.

Perfis de pico diários e mensais, gerados com um medidor


de demanda, são mostrados nas Figuras 5.2 e 5.5; esses perfis
foram gerados de dados médios de 15 minutos.

Figura 5.5
Perfil de Demanda com Intervalo de 15 Minutos

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Módulo 5: Perfil de Demanda

INTERPRETANDO O PERFIL DE
DEMANDA

O perfil de demanda é a “impressão digital” dos padrões de


consumo energético de uma instalação. Informações
importantes podem ser obtidas lendo-se ou interpretando-se o
perfil das cargas que operam continuamente e que poderiam
ser desligadas, cargas que contribuem desnecessariamente
para o pico de demanda ou, possivelmente, cargas que estão
operando de uma maneira anormal e necessitam de
manutenção.

Muitas cargas elétricas deixam para trás “impressões


digitais” muito distintas assim que começam a operar. Ao se
reconhecerem os padrões associados a cada componente, é
possível identificar a distribuição de várias cargas para o perfil
de demanda geral.

Interpretar o perfil de demanda não é apenas ciência; há


um pouco de arte interpretativa envolvida também. Um bom
conhecimento da fábrica, suas cargas, padrões operacionais e
os exemplos nesta seção são um bom começo para o
desenvolvimento dessa prática.

Etapa - 1 O pico ocorreu quando esperado e foi igual


àquele obtido da conta de energia? A carga
noturna foi maior, menor ou igual àquela
esperada? A fábrica paralisou suas atividades e
recomeçou como esperado?

Etapa - 2 É útil começar com uma lista ou inventário de


cargas elétricas dentro de uma fábrica. O módulo

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Os Sete Passos para a Eficiência Energética

6 - Entendendo Onde a Energia é Utilizada -


descreve um método de se gerar tal lista.

Etapa - 3 Estude o perfil de demanda e circule ou, faça uma


anotação de todas as ocorrências significativas,
tais como:

Á mudanças abruptas na demanda


Á os três principais picos de demandas
Á padrões repetidos
Á seções uniformes
Á quedas durante períodos de pico e/ou horários
de ponta
Á nível mínimo de demanda

Essa é apenas uma lista parcial; cada perfil de


demanda será diferente. Marque qualquer coisa que
pareça significativa.

Etapa - 4 Marque ao longo da escala de tempo a hora do


dia onde eventos operacionais significativos
ocorrem. Tais eventos deveriam incluir:

Á inicialização e paralisação temporária de


equipamentos
Á pausa para o café
Á hora de almoço
Á mudanças de turno
Á eventos notáveis (operação de um certo
processo)

O propósito aqui é o de achar alguma correlação


entre as características anotadas na Etapa 3 e os

20
Módulo 5: Perfil de Demanda

padrões de trabalho da fábrica.

Etapa - 5 Compile seus perfis de demanda para identificar


eventos conhecidos. Faça circular uma cópia
desse perfil entre outros que possam auxiliá-lo na
explicação dos padrões de comportamento de
equipamentos e/ou setores.

21
Os Sete Passos para a Eficiência Energética

OPORTUNIDADES DE ECONOMIA NO
PERFIL DE DEMANDA

Freqüentemente várias oportunidades de economia podem


ser encontradas no Perfil de Demanda. Os seguintes exemplos
são típicos:

Á Um pico de demanda, que é significativamente maior do


que o restante do perfil para um curto período de tempo,
é uma oportunidade para se reduzir a demanda através
de programação.
Á Uma elevada carga noturna numa fábrica sem operações
noturnas apresenta uma oportunidade de economia de
energia através de um melhor controle ou, possivelmente,
através da utilização de “Timers”.
Á Cargas que freqüentemente operam em ciclos “on/off”
durante períodos de não ocupação sugerem que elas
possivelmente poderiam ser desativadas completamente.
Á Demandas altas durante intervalos de produção ou
quedas insignificantes em períodos de intervalo sugerem
que a ociosidade do equipamento pode ser cara.
Considere a possibilidade de desligá-lo.
Á Certifique-se de que os sistemas não estão sendo
inicializados antes do necessário e a paralisação ocorra
após a necessidade ter passado. Mesmo ½ hora de
paralisação por dia pode economizar uma quantidade
significativa se a carga for alta.
Á Períodos de pico de demanda em horários de inicialização
sugerem uma oportunidade para se cogitar uma

22
Módulo 5: Perfil de Demanda

inicialização gradativa e planejada de modo a evitar o


pico.
Á Se o pico de demanda cobrada não for evidente num
perfil de demanda típico, isso sugere que a carga (ou as
cargas) que determina a demanda pode não ser
necessária (se operarem apenas de vez em quando).
Verifique a possibilidade de programar essas cargas.
Também confira o histórico de cobrança para verificar se
o pico de demanda é consistente.
Á Uma carga cíclica grande (ou seja, que é freqüentemente
ligada e desligada) pode resultar num maior pico de
demanda e uma eficiência de utilização mais baixa do
que uma máquina menor operando continuamente.
Considere a utilização de unidades ou máquinas
menores. Tal estratégia pode também reduzir a
manutenção uma vez que o ligar e desligar de uma
máquina resulta em um desgaste maior.
Á Cargas cíclicas curtas são uma pista para economia de
manutenção em potencial e prevenção de falhas.

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Os Sete Passos para a Eficiência Energética

OPORTUNIDADES DE ECONOMIA A
PARTIR DA CORREÇÃO DO FATOR DE
POTÊNCIA

Para clientes cobrados sobre a demanda, existe uma


oportunidade de redução do pico ou da demanda máxima (em
KVA) aumentando o seu Fator de Potência. Como detalhado
no Módulo 2, o Fator de Potência é a razão da potência real em
quilowatts (kW) em relação à Potência Aparente em
quilovoltamps (kVA). Com a aplicação de um capacitador ou
banco de capacitadores é possível reduzir a demanda de kVA
enquanto se mantém o consumo de Potência Real (kW).

Á Fator de Potência corrigido

Na prática, sob a perspectiva de custos de demanda,


apenas o fator de potência no horário de ponta é
realmente importante.

Á Fator de Potência corrigido na entrada da instalação.

Isso pode ser feito com a adição de um banco de


capacitores, contanto que a carga e o Fator de Potência
sejam constantes. Se não, um banco variável (um que
se auto-ajuste à carga e ao Fator de Potência) será
necessário.

Á Fator de Potência corrigido no sistema de distribuição

Quando grandes bancos de carga são ligados como uma


unidade dentro do sistema de distribuição, a instalação
de capacitadores no ponto de ligação pode ser uma

24
Módulo 5: Perfil de Demanda

vantagem. Isso apresenta um benefício secundário


adicional sendo que também pode aliviar a capacidade
de carregamento da corrente dentro do sistema de
distribuição.

Á Fator de potência corrigido no ponto de utilização

Quando um grande número de motores iniciam e param


freqüentemente ou são apenas parcialmente carregados
pode ser operacionalmente vantajoso instalar
capacitadores de correção de Fator de Potência no ponto
de utilização (por exemplo: no motor). Dessa maneira os
capacitadores de correção são trazidos “on-line” com o
motor e removidos assim que o motor pára.

25
Os Sete Passos para a Eficiência Energética

ANOTAÇÕES

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Módulo 5: Perfil de Demanda

ANOTAÇÕES

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Os Sete Passos para a Eficiência Energética

ANOTAÇÕES

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