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CURRÍCULO

Currículo

Dito de forma resumida, o currículo é a organização do conhecimento escolar.

Essa organização do currículo se tornou necessária porque, com o surgimento da escolarização em


massa, precisou-se de uma padronização do conhecimento a ser ensinado, ou seja, que as
exigências do conteúdo fossem as mesmas.

No entanto, o currículo não diz respeito apenas a uma relação de conteúdos, mas envolve também:

“questões de poder, tanto nas relações professor/aluno e administrador/professor, quanto em todas


as relações que permeiam o cotidiano da escola e fora dela, ou seja, envolve relações de classes
sociais (classe dominante/classe dominada) e questões raciais, étnicas e de gênero, não se
restringindo a uma questão de conteúdos”. (HORNBURG e SILVA, 2007, p.1)

Veiga (2002) complementa

“Currículo é uma construção social do conhecimento, pressupondo a sistematização dos meios para
que esta construção se efetive; a transmissão dos conhecimentos historicamente produzidos e as
formas de assimilá-los, portanto, produção, transmissão e assimilação são processos que compõem
uma metodologia de construção coletiva do conhecimento escolar, ou seja, o currículo propriamente
dito.” (VEIGA, 2002, p.7)

Assim, isso implica que essa organização – feita principalmente no projeto-político-pedagógico de


cada escola – deve levar em conta alguns princípios básicos da sua construção. Entre eles o fato de,
como já dito, o processo de desenvolvimento do currículo ter sido cultural e portanto, não neutro.
Sempre visa privilegiar determinada cultura e, por isso, há a necessidade de uma criteriosa análise e
reflexão, por parte dos sujeitos em interação, no caso as autoridades escolares e os docentes com o
mesmo objetivo, baseando-se em referenciais teóricos.

O currículo não é estático, pelo contrário, ele foi e continua sendo construído. A reflexão sobre isso é
importante, porque, conforme Veiga (2002, p. 7) afirma, “a análise e a compreensão do processo de
produção do conhecimento escolar ampliam a compreensão sobre as questões curriculares”.

Hoje em dia, a organização do currículo escolar se dá de forma fragmenta e hierarquica, ou seja,


cada disciplina é ensinada separadamente e as que são consideradas de maior importância em
detrimento de outras recebem mais tempo para serem explanadas no contexto escolar.

Vários autores apontam para a possibilidade de o currículo não ser organizado baseando-se em
conteúdos isolados, pois vivemos em um mundo complexo, que não pode ser completamente
explicado por um único ângulo, mas a partir de uma visão multifacetada, construída pelas visões das
diversas áreas do conhecimento. A organização do currículo deve procurar viabilizar uma maior
interdisciplinaridade, contextualização e transdisciplinaridade; assegurando a livre comunicação entre
todas as áreas

Visto que o currículo é uma questão tão importante no aspecto escolar, este passou então a ser visto
“como um campo profissional de estudos e pesquisas” (HORNBURG e SILVA, 2007, p.1). Por isso,
surgiram muitas teorias curriculares.

Correia e Dias (1998, p. 115) mostram que apesar de essas teorias não serem perspectivas
acabadas, “elas convertem-se em marcos orientadores das concepções sobre a realidade que
abarcam, e passam a ser formas, ainda que indiretas, de abordar os problemas práticos da
educação.”

Citando diversos autores com teorias curriculares distintas, Correia e Dias nos fornecem uma visão
mais ampla dos papéis que o currículo ou curriculum pode abarcar:

“a teoria técnica do curriculum expressa o curriculum como um plano estruturado de aprendizagem


centrado nos conteúdos ou nos alunos ou ainda nos objetivos previamente formulados, com vista a
um dado resultado ou produto (Pacheco, 1996). De acordo com a primeira perspectiva,
o curriculum centra-se nos conteúdos como produtos do saber culto e elaborado sob a formalização
de diferentes disciplinas. Mas o curriculum pode também expressar-se, de acordo com as

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concepções de curriculum propostas por Gimeno Sacristán (1991), através das experiências e dos
interesses dos alunos, sendo entendido como um meio de promoção da sua autorrealização. E, por
último, o curriculum pode ser entendido como um plano de orientação tecnológica que se prende com
aquilo que deve ser ensinado e como deve ser, em ordem a um máximo de eficiência. Neste sentido,
o professor é um mero "operário curricular" que tem a tarefa de executar um plano.” (CORREIA e
DIAS, 1998, p. 115).

O currículo escolar é tema de constantes reflexões entre todos que constituem a escola no Brasil.
Cercados por vários problemas sociais, os gestores pensam em muitas formas de combater a
violência, a intolerância étnico-racial, de gênero e de orientação sexual, e muitos desejariam ter
autonomia diante das situações enfrentadas pela sua escola. Os temas transversais vieram para que
as instituições permeiem os assuntos juntamente com o currículo existente, mas o que consta como
facultativo no processo escolar muitas vezes deixa a desejar, exigindo que uma nova concepção
esteja presente entre os profissionais da educação.

Com as transformações ocorridas nos últimos anos, aceleradas pela evolução tecnológica, algumas
escolas passaram a adicionar, em sua carga horária, disciplinas relevantes para enriquecer o
currículo e torná-las um diferencial da instituição. A concepção e organização curricular para a
Educação Básica segue o Parecer n° 07/2010 da Câmara de Educação Básica e Conselho Nacional
da Educação, instâncias vinculadas ao Ministério da Educação. A Portaria especifica que o currículo
é um conjunto de valores e práticas que proporcionam a produção e a socialização de significados no
espaço social, e contribuem intensamente para a construção de identidades sociais e culturais.

Assim, certamente muitos especialistas em Educação defendem que temas como


empreendedorismo, ética e cidadania, valores, direitos humanos e educação financeira se tornem
disciplinas curriculares. Mas enquanto não chega essa determinação oficial, cabe aos gestores
incorporarem-nas ou não dentro do seu sistema educacional, porque mais do que preparar para o
Enem, a escola atual necessita conectar os conteúdos à dinâmica do mundo.

Na verdade, os conteúdos clássicos não precisam ser determinantes ao currículo, mas ponto de
partida para a exploração do saber, preparando os jovens para compreender e transformar a si
mesmos. Veja por exemplo a mudança processada sobre o currículo nas escolas de Ensino
Fundamental e Médio do Distrito Federal, que as nomeou como Currículo Movimento da Educação
Básica. A composição se dá, entre outros, da seguinte forma:

I – Bloco Inicial de Alfabetização (BIA)

II – Sistema semestral por área de conhecimento para Ensino Médio

Este, por sua vez, está assim formatado:

Essa é uma tendência em discussão junto ao Governo Federal, visando a uma reestruturação do
Ensino Médio. Mas muitos outros problemas e opiniões surgirão. Considero a aprendizagem um
processo contínuo, focar em cada disciplina é aprofundar conhecimento, porém não está evidente
que seja a solução. O novo painel da organização curricular propõe uma articulação interdisciplinar
voltada para o desenvolvimento das competências, saberes, valores e práticas. A viabilidade do
avanço da qualidade da educação brasileira, lastreado em um currículo consistente, dependerá do
compromisso político e profissional, da autonomia das instituições sobre o PPP (Projeto Político
Pedagógico), além do respeito às diversidades dos estudantes.

“SUCESSO NA MATEMÁTICA”, BOM EXEMPLO DE INOVAÇÃO

Em sondagem com algumas escolas brasileiras, obtive variações de nomenclatura e adaptação na


forma como estão organizando seus horários mediante esses novos desafios. Em Guaratinguetá, por
exemplo, o professor de uma instituição criou o programa “Sucesso na Matemática”, com o objetivo
de melhorar o aprendizado da disciplina e fazer com que os alunos conheçam sua real importância. O
processo é realizado em horário facultativo, mas com muita determinação, ele conseguiu conquistar o
interesse dos alunos.

A iniciativa atinge inclusive o Ensino Fundamental I uma vez por semana, em aula de no mínimo 50
minutos, onde o professor polivalente, de acordo com o conteúdo de cada ano, utiliza recursos como
jogos, equipamentos multimídia e de informática para trabalhar eventuais dificuldades dos alunos. No

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ensino fundamental II, o projeto auxilia nos trabalhos pós- -aulas, através de atividades e exercícios
resolvidos juntos com o mediador, buscando resgatar o interesse dos alunos na aprendizagem. A
aula é de 50 minutos. E no 8º e 9º anos, o projeto consiste em prepará-los desde cedo para o Enem,
através de atividades de raciocínio lógico, também em um encontro semanal de 50 minutos.

Em outras escolas, temas significantes têm sido abordados nas aulas de Sociologia e Filosofia do
Ensino Médio, para não sobrecarregar a carga horária. Mas tem sido frequente ainda a introdução da
Filosofia no Ensino Fundamental I, através de dinâmicas variadas. Também a Educação para a Paz
vem compondo o currículo de algumas instituições brasileiras desde que o Brasil lançou, em 1999, a
Convocação Nacional pela Educação para a Paz, programa sensível às diretrizes da Unesco e
transversal a questões como valores, cidadania e ética.

Outro filão é o empreendedorismo, que salta os olhos dos gestores, são mais de 200 escolas que já o
adicionaram em seu currículo como disciplina. Eu mesma já o introduzi no Ensino Médio do Colégio
Ômega de Santos e do Guarujá, a fim de obter alguns ganhos para melhorar a qualidade de vida do
aluno, a partir do desenvolvimento da autoestima, comunicação, organização pessoal, e,
principalmente, da construção de seu projeto de vida, traçando a busca da felicidade e o valor da
liberdade.

Para lidar com esse acréscimo curricular, a organização de atividades extras após o horário das aulas
regulares tem sido outra opção adotada pelas escolas. Em geral, no horário invertido, são oferecidas
aulas relacionadas aos esportes, línguas e informática. Os alunos aderem, pois seus colegas da
escola estão juntos nas atividades, facilitando a interação e o prazer. A robótica educacional também
ganha espaço, estimulando a criatividade, o desenho e a programação, podendo estar integrada ao
cotidiano das pessoas e alinhada aos conteúdos das disciplinas curriculares.

O estudo realizado tem por objetivo analisar a importância do currículo escolar no meio educacional,
social e cultural, sendo o currículo, um conjunto benéfico de saberes/conhecimentos, os quais devem
ser analisados eticamente no contexto escolar, como também, a influência do currículo na
concretização de objetivos no ensino-aprendizagem dos discentes. É necessário que a escola,
juntamente com os professores/educadores, pais e a comunidade escolar em geral, sejam capazes
de refletir, analisar, compreender e verificar, que o currículo escolar é um elemento de suma
importância no âmbito escolar e no planejamento concreto das atividades elaboradas pelo
professor/educador.

Certamente, é o currículo escolar que permite uma melhor organização dos conteúdos e das
atividades a serem trabalhadas pelo docente de forma ética e democrática. Desde então, deve-se
haver o entendimento por parte daqueles que compõem a equipe escolar, que o currículo vai além da
compreensão de disciplinas isoladas, de conteúdos, conhecimentos passivos e fragmentados. Não se
pode negar, que os conhecimentos fragmentados estão inseridos em muitas escolas da atualidade,
onde muitas vezes, escolas antidemocráticas buscam oferecer esse saber manipulável aos seus
discentes.

Observa-se, que quando o ensino curricular é valorizado pela equipe escolar, certamente o currículo
oportuniza pontos significativos na ampliação e na concretização de saberes construtivos,
contribuindo para uma aprendizagem crítica, ativa, reflexiva e estruturada nos diversos contextos
sociais.

O tema proposto resultou de estudo, investigação, interesse, análise e reflexão crítica sobre o
assunto abordado (currículo escolar), assim, como de pesquisa ativa, e compreensão das ideias de
estudiosos que aprofundaram os estudos sobre o tema, na busca de verificar quais soluções e
conhecimentos pode-se obter para desenvolver uma consciência mais sólida e abrangente sobre a
importância do currículo escolar no contexto educacional e na aprendizagem qualitativa dos
discentes.

Em análise a pesquisa, verificou-se a importância e a abrangência do currículo escolar, na vida


social, cultural e educacional dos discentes em processo de ensino-aprendizagem, assim como, na
construção de conhecimentos sólidos, críticos, reflexivos, e fluentes para o viver bem, e interpretar a
sociedade. A abordagem metodológica é de natureza qualitativa, sendo desenvolvida através de
pesquisa bibliográfica exploratória (livros, metodologia científica, revistas, jornais, cadernos, jornais,
etc.). Em relação à pesquisa exploratória, Gil (2010, p.27), descreve que, as pesquisas exploratórias

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têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais
explícito ou a construir hipóteses.

Com base nos estudos sobre o currículo no contexto escolar e sua função social, elaborou–se o
seguinte problema de pesquisa.

Por que contemporaneamente muitas escolas utilizam o currículo escolar apenas para a apropriação
de conteúdos e disciplinas isoladas?

Em relação a tal problematização, analisa-se em algumas escolas, o descomprometimento político,


social, cultural, pedagógico, e educacional dos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. Há
um descomprometimento por parte da escola para com a comunidade escolar pais/ alunos e
sociedade, pois de fato, muitas escolas consideram o currículo escolar uma simples grade de
disciplinas e nada mais que isso. Infelizmente, quando o currículo é visto dessa forma, certamente o
ensino-aprendizagem dos educandos torna-se fragmentado e desligado de suas realidades sociais,
culturais, étnicas, políticas e religiosas.

Contudo, esse fato, não atende a diversidade cultural presente em nossa sociedade, onde, o currículo
escolar é histórico e não pode ser visto como disciplinas isoladas, e sim, que remete uma série de
valores que devem ser analisados corretamente por cada profissional da educação. A prática
educacional, não pode se distanciar da realidade escolar e da vida dos discentes que a escola
recebe, pois, para haver uma inclusão social concreta, o currículo deve ser pensado para atender e
abranger a diversidade cultural/ social, na busca de valorizar os aspectos físicos, sociais, afetivos,
cognitivos e emocionais de cada aluno. Portanto, o currículo escolar é um conjunto de elementos/
conhecimentos que oportuniza saberes muito preciso e qualitativos. O estudo apresentado visa
contribuir positivamente para com professores, educadores, tutores, diretores, equipe escolar, para
que possam refletir sobre a prática e a teoria curricular estabelecida nas escolas e na formação
social, cultural, afetiva e humana de todos os discentes.

2. CURRÍCULO ESCOLAR: UM CONJUNTO DE CONHECIMENTOS HÁ SER ANALISADOS NO


CONTEXTO EDUCACIONAL

A palavra currículo deriva do latim curriculum (originada do verbo latino currere, que significa correr) e
refere-se ao curso, à rota, ao caminho da vida ou das atividades de uma pessoa ou grupo de pessoas
(GORDON apud FERRAÇO, 2005, p. 54). Já, conforme o Dicionário Aurélio da língua portuguesa,
Ferreira (1986, p. 512), define-se currículo como “a parte de um curso literário, as matérias
constantes de um curso”. De acordo com Zotti (2008), o termo foi utilizado pela primeira vez, para
caracterizar um plano estruturado de estudos, em 1963, no Oxford English Dictionary.

É importante repensar, a função socializadora que o currículo escolar deve exercer no âmbito
educacional. Analisa-se contemporaneamente, que o currículo escolar não pode ser visto e nem
compreendido, como, um “acúmulo” de disciplinas isoladas, fragmentadas, com conteúdos
apresentados de modo tradicional, e transmitidos sem reflexão pelo professor/educador em sala de
aula.

Verifica-se, que o currículo escolar é histórico, e vai além de conteúdos e disciplinas, sendo que o
currículo deve que ser elaborado de forma a oportunizar condições de conhecimentos para os
educandos, na busca de abranger e atender as diversas realidades sociais existentes, de maneira
ampla, real, significativa, reflexiva, dinâmica, democrática, inclusiva, ética e moral.

Discutir sobre o currículo escolar na contemporaneidade, é de fato, analisar profundamente o sistema


educacional, como também, o que o ser humano produziu e contínua produzindo ao longo do tempo,
tempo esse, chamado história. Portanto, é necessário buscar compreender os conhecimentos
elaborados e apropriados por todos os membros da sociedade, assim como, as diversas culturas
existentes, ampliadas gradativamente ou até mesmo modificadas de geração em geração.

O currículo é transformação, não apenas no que se refere a mudar o sentido, de ir por outro caminho,
mas de buscar novas alternativas, novas soluções, novas metas e novas conquistas. O currículo
consiste em transformar o impreciso em conhecido, e tal fato, envolve um ensino-aprendizagem
qualitativo.

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O currículo nunca é simplesmente uma montagem neutra de conhecimentos, que de alguma forma
aparece nos livros e nas salas de aula de um país. Sempre parte de uma tradição seletiva, da
seleção feita por alguém, as visões que algum grupo tem do que seja o conhecimento legítimo. Ele é
produzido pelos conflitos, tensões e compromissos culturais, políticos e econômicos que organizam e
desorganizam um povo. (APLLE, 2000, p. 53)

O currículo representa a caminhada que o sujeito irá fazer ao longo de sua vida escolar, tanto em
relação aos conteúdos apropriados, quanto ás atividades realizadas sob a sistematização da escola.
Nesse sentido, Sácristán e Gómez (1998, p. 125), afirmam que “a escolaridade é um percurso para
alunos/as, e o currículo é seu recheio, seu conteúdo, o guia de seu progresso pela escolaridade”.

No contexto escolar, o currículo deve ter uma função formativa, educativa, social e cultural. O
currículo escolar, como prática de transformação da realidade e do conhecimento concreto, precisa
ser debatido e refletido constantemente, por todos aqueles que compõem a equipe escolar, onde,
todos os profissionais da escola devem estar preparados para entenderem, que o currículo é
essencial na práxis pedagógica e na vida escolar, social e cultural de todos os alunos que chegam
até a escola em busca de conhecimentos significativos. De acordo com Krug (2001, p. 56).

O currículo surge, então, em uma dimensão ampla que o entende em sua função socializadora e
cultural, bem como forma de apropriação da experiência social acumulada e trabalhada a partir do
conhecimento formal que a escola escolhe, organiza e propõe como centro as atividades escolares.

Atualmente, verifica-se que ainda há professores/educadores, que demostram compreender o


currículo escolar, como, uma área meramente técnica, passiva/ neutra. Segundo Moreira e Silva
(1994, p. 7), o currículo tem que possuir uma “tradição” crítica, pois:

O currículo há muito tempo deixou de ser apenas uma área meramente técnica, voltada para
questões relativas a procedimentos, técnicas, métodos. Já se pode falar agora em uma tradição
crítica de currículo, guiada por questões sociológicas, políticas e epistemológicas. Embora questões
relativas ao currículo continuem importantes, elas só adquirem sentido dentro de uma perspectiva
que as considere em sua relação com questões que perguntem pelo “por que” das formas de
organização do conhecimento escolar.

É interessante recordar, que as definições de currículo até o século XIX, referiam-se restritamente á
matéria, conforme indica Zotti (2008):

Inserido no campo pedagógico, o termo passou por diversas definições ao longo da história da
educação. Tradicionalmente o currículo significou uma relação de matérias/disciplinas com seu corpo
de conhecimento organizado numa sequência lógica, com o respectivo tempo de cada uma (grade ou
matriz curricular). Esta conotação guarda estreita relação com o “plano de estudos”, tratado como o
conjunto das matérias a serem ensinadas em cada curso ou série e o tempo reservado a cada uma.

Após o século XIX, o significado de currículo vai tomado outra proporção, o que inclui não apenas o
conhecimento escolar, mas também, as experiências de aprendizagem. Sendo assim, o currículo
envolve tanto a construção, quanto o aprimoramento necessário para o desenvolvimento do sujeito.
Segundo Moreira e Candau (2008, p. 18).

Currículo associa-se, assim, ao conjunto de esforços pedagógicos desenvolvidos com as intenções


educativas. Por esse motivo, a palavra tem sido usada para todo e qualquer espaço organizado para
afetar e educar pessoas, o que explica o uso de expressões como o currículo da mídia, o currículo da
prisão etc. Nós, contudo, estamos empregando a palavra currículo apenas para nos referirmos ás
atividades organizadas por instituições escolares. Ou seja, para nos referirmos á escola.

Podemos entender, que ao falarmos de currículo, estamos tratando da escola, ou seja, a maneira
como os conteúdos são dosados e sequenciados no processo pedagógico. Não existe um currículo
único a ser seguido por todas as instituições brasileiras, pois em seu art. 26 a Lei n° 9.394/1996 (Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN), define disciplinas de Base Nacional comum,
àquelas que devem ser ensinada em todo o país, e uma parte diversificada, aquela exigida pelas
características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela. Dessa forma,
a Base Nacional Comum é o conjunto mínimo de conteúdos articulados a aspectos da cidadania. Por
ser obrigatória nos currículos nacionais, a Base Nacional Comum deve predominar em relação à
parte diversificada.

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De acordo com o parecer CNE/CEB 4/98, que estabelece diretrizes curriculares para o Ensino
Fundamental, a parte diversificada “envolve os conteúdos complementares, escolhidos por cada
sistema de ensino e estabelecimentos escolares, integrados à Base Nacional Comum, de acordo com
as características regionais e locais da sociedade, da cultura e da economia, refletindo-se, portanto,
na Proposta Pedagógica de cada escola, conforme o artigo 26”. (BRASIL, 1992)

Além disso, ela constitui uma ampla faixa do currículo em que a escola pode exercitar toda a sua
criatividade, no sentido de atender às reais necessidades de seus alunos, considerando as
características culturais e econômicas da comunidade que atua, construindo-a, essencialmente,
mediante o desenvolvimento de projetos e atividades de interesse. A parte diversificada pode tanto
ser utilizada para aprofundar elementos da Base Nacional Comum, como para introduzir novos
elementos, sempre de acordo com as necessidades. No Ensino Médio, é um espaço em que pode
ser iniciada a formação profissional, mediante o oferecimento de componentes curriculares passíveis
de aproveitamento em curso técnico da área correspondente.

Se para a escola é importante poder contar com uma parcela do currículo livremente estabelecida,
para o aluno essa pode ser uma importante oportunidade de participar ativamente da seleção de um
plano de estudos. Isso pode acontecer na escolha de disciplinas optativas ou facultativas, por
exemplo. “As disciplinas optativas são aquelas que, sendo obrigatórias, admitem que o aluno escolha
entre as alternativas disponíveis, não podendo, porém, deixar de fazê-las […] A disciplinas
facultativas são aquelas que o aluno acrescenta a um plano de estudos que já satisfaz os mínimos
exigidos pela escola.” (BRASIL, 2006). Ou seja, a disciplinas optativas fazem parte da base curricular
obrigatória, enquanto as disciplinas facultativas podem ser escolhidas livremente para complementar
o currículo.

Contudo, a lei indica que compete á escola elaboração de sua proposta pedagógica. Em continuação,
a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), identifica os delineamentos gerais para a
organização do trabalho pedagógico nas escolas. No art. 27 da lei que trata da educação básica,
podemos destacar as seguintes diretrizes no que se refere aos conteúdos dos currículos escolares da
educação básica.

Art. 27. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão ainda, as seguintes Diretrizes:

I – a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deveres dos cidadãos, de
respeito ao bem comum e á ordem democrática:

II – consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada estabelecimento:

III – orientação para o trabalho;

IV – promoção do desporto educacional e apoio ás práticas desportivas não formais.

O currículo escolar é um elemento enriquecedor do trabalho do professor/educador no contexto


formal e no contexto não formal. O currículo é de suma importância para a vida e para o
planejamento do docente, pois é o currículo que possibilita ao professor uma organização fixa dos
conteúdos e das atividades de forma clara, crítica, autônoma, reflexiva, ativa e democrática no
contexto escolar, sendo o currículo, um recurso em prol ao ensino-aprendizagem e ao
desenvolvimento significativo dos discentes na sociedade.

É necessário refletir, sobre as diversas atividades elaboradas em algumas escolas, onde, se observa
a carga horária extensa utilizada para a realização de atividades festivas/ comemorativas no âmbito
educacional. Sabe-se, que há muitas datas comemorativas que as escolas adquirem como uma
“tradição popular”, datas essas, que começam a ser celebradas no início do ano no mês de fevereiro,
no momento em que os alunos voltam ás aulas, sendo que tais celebrações só se encerram no mês
de dezembro, e assim finaliza-se o ano, com um “recheio de festividades, sem reflexão para a vida
humana dos alunos”. É preciso ressaltar, que nem tudo que acontece ou realiza-se na escola, pode
ser considerado do currículo escolar, isso pelo fato, que inúmeras vezes, não há uma reflexão
intencional sobre as atividades elaboradas dentro do contexto educacional.

Saviani (2000), ao tratar sobre os conteúdos que são trabalhados na escola, afirma que, muitas
vezes, os professores dedicam bastante tempo ás questões secundárias em detrimento da real
necessidade da escola. Perde-se, muito tempo com atividades descontextualizadas, como, por

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exemplo, as diversas comemorações realizadas durante o ano letivo, que seguem desde o carnaval
até as festas natalinas. Essas atividades, em sua maioria, partem de ações isoladas, não vinculadas
ao planejamento, e com uma concepção de cunho ideológico que relegam para segundo plano as
questões históricas que permeiam tais festividades.

Segundo o mesmo autor, a escola poderia dedicar seu tempo para a apropriação do saber científico.
Nas palavras de Saviani (2000, p. 1):

Dou apenas um exemplo: o ano letivo começa em fevereiro e logo temos a semana do índio, a
semana santa, a semana das mães, semana do folclore, as festas juninas, em agosto vem à semana
do soldado, depois a semana da Pátria, a semana da árvore, os jogos da primavera, semana da
criança, festa do professor, do funcionário público, semana da asa, semana da República, festa da
bandeira, e nesse momento já chegamos ao final de novembro. O ano letivo se encerra e estamos
diante da seguinte constatação: fez-se tudo na escola; encontrou-se tempo para toda espécie de
comemoração, mas muito pouco tempo foi destinado ao processo de transmissão-assimilação de
conhecimentos sistematizados. Mas, pode-se perguntar: qual é o problema? Se tudo é currículo, se
tudo o que a escola faz é importante, se tudo concorre para o crescimento e aprendizagem dos
alunos, então tudo o que faz é válido e a escola não deixou de cumprir sua função educativa. No
entanto, o que se constata é que, de semana em semana, de comemoração em comemoração a
verdade é que a escola perdeu de vista a sua atividade nuclear que é a de propiciar aos alunos a
aquisição dos instrumentos de acesso ao saber elaborado.

É imprescindível repensar, a ideia crítica do autor Saviani (2000), ideia essa, que permite analisar de
fato, que a escola dispõe sim, de muito tempo para atividades comemorativas, fragilizadas e
secundárias. É importante acrescentar, que ninguém está afirmando que essas atividades são
desnecessárias no contexto escolar, muito pelo contrário, as atividades comemorativas, históricas e
culturais, tem que ser realizada, vivenciada, praticada e compreendida verdadeiramente pelos
discentes no ambiente escolar, onde tais atividades devem ser praticadas de uma maneira mais real
e reflexiva, e não apenas do professor chegar à sala de aula e disser para os alunos, por exemplo:
“hoje comemoramos o dia do índio, vamos colorir em folha de papel sulfite, a aldeia, a qual
representa a comunidade dos povos indígenas”. Nota-se, que só dos alunos saber que tal data
comemora-se o dia do índio, e que a aldeia representa a comunidade dos povos indígenas, não vai
contribuir para a aprendizagem dos discentes, muito menos para ampliar qualquer conhecimento ou
entendimento, pois, o assunto precisa ser exemplificado, a história precisa ser contada com valores,
ensinamentos, princípios e principalmente com reflexão e análise crítica.

Não há como negar, que há um distanciamento das atividades escolares com a realidade social dos
discentes, a escola e os professores/educadores, precisam propor metodologias de ensino mais
concreta, como também, estar mais abertos ao diálogo, na busca de obter uma conversa
sensibilizada com os pais e com os educandos que chegam até a escola, na tentativa de conhecer
concretamente a realidade dos discentes, para então, poder oferecer uma aprendizagem de
qualidade, sendo que esta aprendizagem deve atender as necessidades e as diversas realidades dos
alunos em processo de escolarização.

Contudo, observa-se que tais atividades comemorativas devem ter certos limites, pois é muitas
comemorações de fevereiro á dezembro na escola. Não há como contrariar a opinião do autor
Saviani (2000), quando o mesmo afirma que a escola desperdiça muito tempo com atividades
comemorativas e secundárias. Se pararmos para refletir, e analisar concretamente cada data festiva
que a escola comemora, e não consegue se “desligar um pouco”, nem mesmo, deixar de lado
nenhuma comemoração, certamente, entenderemos a carga horária esbanjada com atividades
repetitivas todo ano no contexto escolar, ano após ano, as atividades comemorativas seguem o
mesmo padrão, isto é, comemoração de fevereiro há dezembro. Diante desse fato, é possível
entender também, as muitas dificuldades de aprendizagem que tantos alunos enfrentam durante o
ano todo na escola, pois com tantas comemorações e festividades, o tempo para reflexão e para a
assimilação concreta do conhecimento, é limitado.

Exemplo: as comemorações de festas juninas parecem ser simples, rotineiras, com pouco tempo de
ensaio, mas, se vamos á qualquer escola, e acompanhamos a turma, o professor/educador nos
ensaios, nas danças, no entendimento por parte dos alunos sobre como dançar e entender a música
apresentada pelo educador, nesse tempo, pode-se observar quantas horas e quantas aulas se
acabam apenas de explicações que se faz necessário para a concretização da dança e para a

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compreensão da música. Nas festas juninas, é interessante lembrar, que o ensaio por turma pode
levar até um mês, obvio que não é ensaiado todo dia na escola, mas é claro, que é ensaiado pelo
menos duas vezes por semana.

Obviamente, essa cultura curricular instalada dentro das escolas, prejudica gradativamente o
desenvolvimento científico dos alunos, a qual precisa ser modificada tempo ao tempo. É quase
“normal” visualizarmos ou lermos em jornais, livros ou revistas, o quanto é constante em algumas
escolas, os alunos não aprenderem nem o básico dos valores humanos e educacionais, para então,
poderem viver bem em sociedade. Infelizmente, o ensino-aprendizagem está muito fragilizado,
passivo, fragmentado, e precisa sim, de uma reestruturação na aprendizagem escolar de todos os
alunos. A carga horária para atividades comemorativas no contexto escolar deve ser levada em
conta, isto é, precisa ser diminuída, pois, se refletirmos um pouco sobre tantas comemorações o ano
todo, chegaremos à conclusão, que a escola não precisa comemorar cada data festiva, como
destacada no calendário tradicionalmente.

Na estruturação do currículo é importante a apropriada administração do tempo: da escola, no que diz


respeito ao cumprimento do ano letivo, do aluno, otimizando a utilização de sua permanência no
ambiente escolar; e do professor, para o correto aproveitamento da carga horária de seu contrato de
trabalho. Além disso, é necessário distribuir, ao longo dos diferentes anos letivos – seja qual for a
organização adotada na escola, em séries semestrais, anuais, por ciclos, etapas ou módulos – os
conteúdos programáticos, a planejada complexificação de atividades e a crescente autonomia dos
alunos no desenvolvimento de tarefas, aquisição de habilidades e demonstração de competências
(BRASIL, 2006).

A escola quando segue passo a passo o calendário tradicional, e uma grade curricular baseada em
conteúdos e disciplinas isoladas, causa á impressão, que tal escola pouco se preocupa, ou se quer,
reflete sobre a aprendizagem e as dificuldades encontradas no ensino dos alunos, como também, no
desenvolvimento científico, social, cultural, e ativo dos discentes na sociedade, pois além de
atividades comemorativas, os discentes precisam primeiramente de um ensino-aprendizagem
concreto, significativo, qualitativo, democrático, autônomo e inclusivo nos diversos contextos sociais.

O currículo escolar quando bem elaborado pela comunidade escolar, esta busca atender há
diversidade cultural presente na escola, e ao mesmo, oferece um conjunto significativo de
conhecimentos, o qual deve ser compreendido de maneira democrática no contexto escolar, pois
quando o currículo apresenta conteúdos passivos, certamente, é porque a escola também é passiva
frente ao processo de aprendizagem. A escola deve lutar incansavelmente pela formação da
consciência humana, científica, e não apenas desempenhar a tarefa de preparar os discentes para às
necessidades do mercado de trabalho, pois nessa ênfase do trabalho, a escola não é capaz de
formar seus alunos para a cidadania, nem mesmo, oportuniza aos educandos, o entendimento e a
compreensão de seus direitos e deveres enquanto pessoas humanas.

Sobre essa questão, Wihby, Favaro e Lima (2007, p. 13) propõem:

A luta pela garantia de uma escola pública da melhor qualidade possível nas condições históricas
atuais, que supere os projetos pedagógicos capitalistas, o paradigma do mercado aplicado á
educação, indo além da função de preparar para o mercado de trabalho ou universidade. O objetivo
deve ser o de assegurar aos indivíduos a apropriação dos conhecimentos sistematizados, ou seja, da
ciência, propiciando o desenvolvimento de uma concepção mais elaborada de mundo, que possibilite
sua compreensão, a apreensão de suas múltiplas e complexas dimensões, para uma atuação
humana mais racional e consciente.

Nesse sentido, analisa-se que currículo escolar deve ser mais bem elaborado na escola, pois o
currículo é um conjunto de conhecimentos em prol ao ensino-aprendizagem dos educandos, e
quando o mesmo é bem planejado, organizado e elaborado coletivamente por todos no contexto
escolar, certamente os conhecimentos serão muito mais abrangentes, qualitativos e gratificantes para
todos que fazem parte do processo do aprender-aprender. O que se analisa muitas vezes são
instituições escolares que não sabem fazer um bom uso do currículo escolar, onde acabam
desvalorizando o mesmo, ou fragmentando-o. Contudo, a escola passiva que não valoriza o currículo
como fundamental na práxis pedagógica, obviamente não consegue formar cidadãos críticos, não
humaniza, não sensibiliza para com o respeito ás diferenças, nem ativa o pensamento crítico/

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CURRÍCULO

reflexivo dos discentes, assim como não atende aos interesses da comunidade, e muito menos, dos
alunos em processo de aprendizagem e conhecimento.

Diante desse fato, pode-se afirmar, que quando há na escola um ensino-aprendizagem sem
estratégia, sem estrutura e sem reflexão para o desenvolvimento humano, certamente tal ensino,
deve ser excluído totalmente da escola e da vida de todos que compõem o espaço formal.

2.1 O CURRÍCULO ESCOLAR COMO UM EIXO NA CONCRETIZAÇÃO DE OBJETIVOS


EDUCACIONAIS

O currículo escolar é muito significativo na prática educativa, no dia-a-dia no âmbito educacional,


sendo o currículo, um eixo para a consecução/realização dos objetivos propostos pela escola. O
currículo escolar faz parte da história da educação brasileira, portanto o currículo é histórico, o qual
passou por debates, transformações, alterações, e modificações inúmeras vezes no contexto
educacional.

Contemporaneamente, o currículo escolar tem um importante papel no ambiente formal, pois o


currículo é uma ferramenta indispensável e essencial ao conhecimento e á transformação social,
cultural, educacional e no ensino de crianças, jovens e adultos. O currículo deve ter uma base e uma
estrutura coletiva, inclusiva e jamais neutra. Por vez, o currículo deve propiciar ao aluno o acesso ao
conjunto de conhecimentos historicamente produzidos, tanto para a vida escolar do educando, quanto
para vida social do mesmo. O currículo tem que ser olhado pelos educadores de forma diferenciada,
bem mais que uma simples grade curricular a ser cumprida, mas um compromisso ético no ensino-
aprendizagem, na busca de investigar e refletir sobre questões de natureza teórica e prática que
norteiam a prática pedagógica voltada a atender as demandas da atualidade, e principalmente a
diversidade cultural presente nas instituições de ensino.

O currículo escolar, sempre foi um elemento fundamental para as decisões e reflexões da prática
pedagógica no contexto escolar. É imprescindível, relatar um pouco da história da educação, onde se
analisa que, o primeiro modelo de educação brasileira foi caracterizado pelos jesuítas, os quais
chegaram ao Brasil no ano de 1549, e trouxeram consigo um programa de educação bem definido,
chamado Ratio Studiorum.

A educação jesuítica era baseada num ensino fragmentado, descontextualizado da realidade, e


ideológico com base no método tradicional, sendo que esse método de ensino tradicional valorizava á
memorização, a aprovação, o rendimento quantitativo e a decoreba dos alunos, onde, apenas o
professor/educador “era o dono do saber”, ou seja, a pessoa que possuía todo e qualquer
ensinamento/ conhecimento, sendo o professor o transmissor dos conhecimentos fragmentados, sem
reflexão nenhuma para com a vida dos discentes.

O período jesuítico durou 210 anos no Brasil, nessa época, o período foi marcado como educação
jesuítica, onde as disciplinas e os conteúdos escolares, já eram organizados de forma a manter certa
distância com realidade dos fatos. É essencial lembrar, que o termo currículo não se falava no ensino
dos jesuítas, pois o termo apareceu somente no ano de 1963, isto é, no tempo jesuítico em 1549, os
mesmos obtinham uma educação tradicional e moral, baseada em uma grade de disciplinas
estabelecidas pelos próprios jesuítas, disciplinas essas, que contemporaneamente, entendemos por
currículo escolar.

É comum ouvirmos, as pessoas mais de idade falar, que no século passado ou nos “tempos mais
severos”, tudo era mais difícil para as pessoas, podemos então pensar no passado, e refletir
nitidamente, como por exemplo: como era a oportunidade de estudo de tantas pessoas há décadas
atrás? Ou, como era a vida das pessoas antigamente era mais benéfica ou mais rigorosa que a nossa
hoje?

Certamente, saberemos as repostas, se um dia questionados, pois, nossos bisavôs, avôs ou qualquer
outra pessoa mais de idade, nos acrescentaram fatos, ou contaram algumas histórias sobre o tempo
vívido por elas e por sua família.

Resumindo a tal reflexão, tantas pessoas não estudaram décadas atrás por falta de oportunidades
concretas no sistema de ensino, da dificuldade de transporte que não existia, da pobreza extrema
que viviam tais pessoas, sendo que hoje, muitos não se dedicam e não estudam por falta de

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CURRÍCULO

interesse e não de oportunidade, essa é uma real e triste situação a qual enfrentamos na sociedade
contemporânea.

É essencial relembrar, que ao final da Primeira República 80% da população brasileira era
analfabeta. Como comentado acima, esses oitenta por cento, pode-se concluir, que eram pessoas da
classe trabalhadora, do proletariado, as quais não tinham acesso á educação, muito menos
oportunidade para concretizar os seus estudos. Desde então, com a maioria da população sem saber
ler, escrever e fazer cálculos, o espanto e preocupação por parte do governo de Getúlio Vargas foi
ampla, pois o governo desejava a prosperidade/crescimento do país, e com um povo analfabeto,
Getúlio Vargas jamais conseguiria a tão sonhada prosperidade para o Brasil. Portanto, em 1930, o
governo do então Presidente Getúlio Vargas, considerou a educação como fundamental para a
qualificação do trabalho e para a formação da pessoa humana, oferecendo educação pública gratuita
para todos. Contudo, observa-se que a educação escolar começou há se desenvolver com mais
prioridade, durante o governo de Getúlio Vargas, onde, ocorreu o processo de urbanização e
industrialização do Brasil, sendo que o trabalho e a educação passaram a ser necessário para o
crescimento significativo do país.

Percebe-se, então, que o currículo escolar tem finalidades políticas muito precisas. Zotti (2004),
afirma que os currículos oficiais foram elaborados ao longo da história, para atenderem ás demandas
econômicas. Nesse sentido, todas as mudanças no campo curricular que já foram realizadas
seguiram os interesses políticos do modelo econômico vigente. A autora nos conduz a refletir sobre
as implicações político-econômicas que subsidiaram a construção dos currículos oficiais durante toda
a história da educação brasileira. Essa maneira de pensar o currículo dá origem a questionamentos
sobre o que já foi estabelecido no campo curricular, as possíveis ideologias ocultas e as contradições
eminentes, quando se compara o discurso pedagógico com a realidade escolar.

Nesse enfoque, a escola, juntamente com os professores/educadores e a comunidade escolar em


geral, deve analisar a consecução do currículo na busca de objetivos específicos no âmbito
educacional, na intenção de oferecer novas possibilidades, aos alunos, e ao mesmo tempo, criar
oportunidades para todos através da aprendizagem, sendo que o ensino tem que ser comprometido
com os interesses de toda a sociedade, principalmente com os interesses, e as diversas realidades
dos discentes. O professor educador tem um papel fundamental na elaboração do currículo na
escola, sendo que o mesmo deve sempre se envolver nos assuntos escolares. Para Moreira e
Candau (2007).

O currículo é, em outras palavras, o coração da escola, o espaço central em que todos atuamos o
que nos torna, nos diferentes níveis do processo educacional, responsáveis por sua elaboração. O
papel do educador no processo curricular é, assim, fundamental. Ele é um dos grandes artífices,
queira ou não, da construção dos currículos construídos que sistematizam nas escolas e nas salas de
aula. (MOREIRA e CANDAU, 2007, p. 19).

O currículo escolar contemporaneamente está muito fragmentado, e sem relação nenhuma para com
a vida dos discentes que chegam até a escola. Analisa-se em muitas escolas, que o currículo não é
repensado e utilizado para concretizar o ensino-aprendizagem dos alunos de forma diversificada,
ativa, democrática, crítica e social.

Obviamente, muitas escolas insistem em utilizar o método de ensino tradicional no contexto escolar.
Observa-se, que as escolas quando buscam priorizar e oferecer um ensino fragmentado e tradicional
aos seus alunos, certamente são escolas que tem como foco, os conteúdos passivos e as disciplinas
a serem seguidas sem reflexão ativa, e, contudo, se distanciam totalmente da realidade social dos
educandos que frequentam a escola, assim como da população em geral.

Em relação há isso Mantoan declara:

O ensino curricular de nossas escolas, organizado em disciplinas, isola, separa os conhecimentos,


em vez de reconhecer suas inter-relações. Contrariamente, o conhecimento evolui por recomposição,
contextualização e integração de saberes em rede de entendimento. O conhecimento não reduz o
complexo ao simples, para aumentar a capacidade de reconhecer o caráter multidimensional dos
problemas e de suas soluções. (MANTOAN 2006, p. 15).

As escolas, juntamente com seus educadores, precisam se organizar e verificar de forma


diferenciada o currículo escolar, focando a realidade social, e não apenas os conteúdos

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enciclopédicos. Os conteúdos de forma geral devem ser trabalhados de acordo com as diversas
realidades encontradas em cada escola, em cada sala de aula, pois a escola precisa formar cidadãos
de consciência crítica, para o conhecimento humano e científico. Os discentes precisam saber
questionar as diversas realidades existentes, como também, compreender as injustiças muitas vezes
“mascaradas” em nossa sociedade, caso o ensino curricular seja passivo, não teremos como
desenvolver a consciência crítica no ensino-aprendizagem, e, portanto, não atenderemos á
diversidade cultural.

Sabe-se que a construção curricular é um projeto que deve levar em conta muitos fatores da
contemporaneidade, como por exemplo, (classe social, econômica, religião, família, raça, gênero,
valores, dificuldades de aprendizagem, até mesmo o emocional dos educandos), Zotti (2004, p. 229)
defende que:

O educador, então, não pode se limitar a desenvolver o que diversos agentes decidem, mas deve
estar atento aos diversos contextos em que são gestadas as propostas curriculares, pois esse é o
instrumento de intervenção e defesa de propostas coerentes com uma educação e uma sociedade
mais condizentes com os desejos da maioria da população.

A escola deve ter uma função socializadora, e o projeto curricular tem que ser elaborado com base
em ações práticas e educativas, ações essas, voltadas há coletividade, a interatividade, e a
intencionalidade no ensino-aprendizagem, na compreensão dos fatos históricos do passado, como
também, da diversidade cultural presente nos diversos contextos sociais. Em relação ao projeto
curricular, Pacheco (2001) afirma:

[…] um projeto, cujo processo de construção e desenvolvimento é interativo, que implica unidade,
continuidade e interdependência entre o que se decide ao nível do plano normativo, ou oficial, e ao
nível do plano real, ou do processo de ensino e de aprendizagem. Mais ainda, o currículo é uma
prática pedagógica que resulta da interação e confluência de várias estruturas (políticas,
administrativas, econômicas, culturais, sociais, escolares…) na base das quais existe interesses
concretos e responsabilidades compartilhadas. (PACHECO, 2001, p. 20)

Compreender as diferenças e contemplar a multiplicidade de indivíduos que compõem a mesma sala


de aula é de fato saber incluir com valores e princípios como manda há legislação educacional
vigente. O currículo deve ser usado para possibilitar a transformação social e não para ser guardado
em uma gaveta e de vez em quando ser olhado, e verificado a grade de disciplina que no currículo
contém.

Desde então, como verificado no desenvolvimento do trabalho, o currículo escolar deve ser visto
como, “o coração da escola”, isto é, o currículo tem que ser respeitado, valorizado coletivamente e
democraticamente no âmbito educacional e social, pois é o currículo que oportuniza a concretização
de ações sociais, culturais e educacionais nas instituições de ensino.

3. METODOLOGIA

Na procura de entender a importância do currículo escolar na concretização de objetivos específicos


no âmbito educacional, a realização e conclusão desde artigo baseou–se, em pesquisa bibliográfica
exploratória, realizada em bibliotecas e escolas públicas do município de Bela Vista da Caroba – PR
e Realeza – PR. Onde, utilizou-se de (livros de metodologia científica, obras literárias e didáticas,
artigos científicos, dicionários, revistas, jornais etc.).

Na pesquisa identificou-se, a necessidade da escola juntamente com os professores/educadores,


rever práticas pedagógicas, assim como, compreender nitidamente a influência e importância do
currículo escolar nos diversos contextos sociais. É imprescindível, que a escola perceba a função
significativa que o currículo exerce dentro do espaço escolar, pois a função do currículo é ampla, e
não se trata apenas de conteúdos, mas sim, de experiências, valores, atitudes, saberes sociais,
econômicos, culturais, e uma aprendizagem qualitativa, baseada nas diversas realidades de cada
aluno que chega até escola. A pesquisa bibliográfica como citada acima, foi realizada com base em
material bibliográfico referente ao assunto abordado, analisado em escritos meramente pedagógico
sob a visão de vários autores, assim como em suas obras.

Na busca por obter respostas aos questionamentos suscitados pela consecução das metas
estabelecidas, optou-se pelo estudo de natureza qualitativa, que de acordo com Silva e Menezes

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(2005, p.20), a pesquisa qualitativa “considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o
sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não
pode ser traduzido em números”.

O estudo de natureza qualitativa possibilitou um aprofundamento significativo e construtivo sobre o


currículo escolar e o conjunto de atividades desenvolvidas pela escola nos diversos contextos sociais.

A pesquisa foi desenvolvida através de ações e investigações concretas, assim como de leitura,
conhecimentos precisos, reflexão, e com base em análise crítica sobre o tema norteador do trabalho.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Durante o desenvolvimento do artigo científico, analisou-se, que o currículo escolar é muito mais que
uma simples grade de disciplinas há ser trabalhada/estudada ou engavetada no ambiente escolar. O
currículo é uma ferramenta que permite clareza e lucidez na organização de conhecimentos,
métodos, recursos, adaptações, entre outros. Portanto, o currículo escolar envolve questões
ambientais, políticas, econômicas, sociais, culturais e educacionais, por este motivo, o currículo não
pode ser utilizado pela escola como um modelo de reprodução do conhecimento, nem mesmo, como
um discurso de alienação sobre as questões escolares.

É preciso haver o entendimento por parte de toda a equipe escolar, que o currículo não deve ser
organizado em matérias/disciplinas isoladas, pois tal forma de organização, separa, fragmenta e
empobrece as inter-relações entre professores, estudantes e comunidade escolar, assim como
empobrece o ensino-aprendizagem.

As escolas, juntamente com os professores/educadores, precisam rever práticas pedagógicas e


reverter alguns modelos tradicionais de ensino e conteúdos baseados em métodos de memorização,
decoreba, alienação e sem relação nenhuma com a vida dos discentes. Percebe-se, a necessidade
de adequar o currículo escolar á realidade sócio-histórica dos educandos que chegam até a escola,
na busca de valorizar as diferenças culturais e sociais de tais alunos. A adaptação curricular é
essencial, sendo que a mesma favorece a compreensão das diferenças no âmbito educacional, onde
se analisa, que as escolas quando buscam adquirir tais adaptações curriculares, de fato, são escolas
capazes de contemplar e respeitar a multiplicidade de sujeitos que compõem ou não a sala de aula,
de forma democrática, inclusiva, ética e moral.

Observa-se, que o currículo escolar é um instrumento indispensável na organização do trabalho


pedagógico (formativo). Nota-se ainda, que não há uma compreensão exata em relação ao currículo
escolar, pois, quando falamos em currículo em qualquer ambiente educacional, ou, por exemplo, em
uma reunião, muitas pessoas têm em mente, que currículo significa a grade de disciplinas que devem
ser estudadas, isto é, os conteúdos a serem repassados aos discentes em sala de aula, mas, se
analisarmos melhor a verdadeira função curricular, veremos que não é bem isso, há um equívoco
nesse pensamento que, (o currículo é grade de disciplinas escolares), pois o currículo é o alicerce da
escola, e não apenas conteúdos há serem ensinados, transmitidos e memorizados. No entanto, a
escola como função social, deve fornecer base necessária para o entendimento, para a reflexão, para
a apropriação do currículo de forma sensibilizada e adequada.

Os resultados da pesquisa foram meramente qualitativos/ significativos, onde foi possível verificar,
que o currículo escolar é “o coração da escola”, isto é, se o currículo é bem planejado e elaborado
coletivamente com a participação da comunidade escolar, certamente a escola conseguirá
desenvolver uma aprendizagem crítica, reflexiva, autônoma, e intencional com base em saberes
pedagógicos precisos e epistemológicos. Diante disso, é fundamental que todos os agentes que
participam da elaboração do currículo, obtenham alguns cuidados na hora da elaboração, pois,
elaborar um currículo, não é apenas selecionar conteúdos passivos, centralizados, prontos e
acabados para serem trabalhados em sala de aula.

Contudo, posso acrescentar que, o assunto abordado necessita de novos estudos científicos, pois,
não há como negar que os currículos em algumas escolas públicas buscam atender aos interesses
da classe dominante, sendo, que tais interesses são ideológicos, e de fato causam a exclusão social
de milhares de crianças das escolas, pois quando a escola busca atender aos interesses de uma
dominada classe, como a burguesia, certamente essa mesma escola, não atende a ampla
diversidade que existe no espaço formal, sendo que a escola nesse momento passa a inverter seu
papel, isto é, ao invés da escola incluir os discentes que seria sua obrigação enquanto educadora, a

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escola passa a excluir a maioria dos alunos, certamente os educandos filhos da classe do
proletariado.

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