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Manual

UFCD 6234 – Noções Básicas do Sistema de


Normalização Contabilística (SNC)
(50h)

Formador: Mário Quintas

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Noções Básicas do Sistema de Normalização Contabilística

1. As Empresas e os Profissionais de Contabilidade

1.1 - A Empresa e o Circuito Económico

Empresa

É um conjunto organizado de meios materiais e humanos virados para a

produção de bens e serviços.

A sua constituição, salvo raras excepções, é sempre por tempo indeterminado.

Apesar disso podemos considerar que qualquer empresa tem um ciclo de vida limitado e

que normalmente se divide em três fases (Institucional, Funcionamento e Liquidação).

Contabilidade

A contabilidade surge como um sistema de informação, onde os dados (factos

contabilísticos) são processados com a finalidade de fornecer, aos vários utilizadores

(internos ou externos), informação de natureza financeira, sob a forma de

demonstrações financeiras (tais como o Balanço e a Demonstração de Resultados), e

que lhes permita apoiar a tomada de decisões.

A contabilidade é a técnica de registo e de representação de todas as

transformações sofridas pelo património de qualquer entidade económica durante o

exercício da sua actividade, de modo a saber, a qualquer momento, a sua composição e

o seu valor.

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1.2 – Os profissionais de contabilidade

Os profissionais de contabilidade, sejam de formação académica (Contabilistas,

Técnicos Oficiais de Contas (TOC)), ou de cursos técnicos (Técnicos de Contabilidade ou

Secretariado), têm um papel fundamental e de extrema importância no seio empresarial.

Neste sentido, importa salientar que as possibilidade de trabalho desses profissionais

são bastante alargadas, visto que a contabilidade está presente em todas as entidades

económicas e é lhes imprescindível.

Sendo assim, um curso de Técnico de Contabilidade ou Secretariado permite a

obtenção de trabalho em:

- Gabinetes de Contabilidade, Fiscalidade e Auditoria;

- Gabinetes de Contabilidade Empresarial;

- Gabinetes de Contabilidade e Tesouraria de empresas Públicas e Privadas;

- Departamentos ou Secções de Contabilidade em empresas Públicas ou

Privadas;

- Atendimento e recepção de clientes e fornecedores no âmbito empresarial.

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2. Organização do SNC

2.1 – Conceitos e Organização

Normalização Contabilística

É um conjunto de princípios e critérios que devem ser seguidos pelas unidades

económicas, com vista à:

- Elaboração de um quadro de contas e respectiva nomenclatura;

- Definição do conteúdo, regras de movimentação e relações entre as contas;

- Concepção de modelos de mapas para as demonstrações financeiras;

- Definição de regras uniformes sobre mensuração dos elementos patrimoniais e

determinação dos resultados de cada período;

- Princípios contabilísticos e critérios valorimétricos.

A normalização contabilística tem como objectivo a comparabilidade:

- No tempo – os mesmos procedimentos adoptados ao longo dos vários

exercícios económicos;

- No espaço – utilização pelas diversas empresas de métodos e terminologias

comuns.

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O SNC (Sistema de Normalização Contabilística) surge de um modelo de

normas adoptadas na EU e que deram origem às NCRF (Normas Contabilísticas de

Relato Financeiro)

Organização do SNC

SNC

Empresas dos sectores Pequenas Microentidades Entidades do sector


não financeiros Entidades não lucrativo

NCRF NCRF - PE NC - ME NCRF - ESNL

3. Conceitos Contabilísticos

3.1 – Património

Podemos definir património como um conjunto de bens e obrigações de uma

empresa, em determinada data, devidamente valorado e utilizado para atingir

determinados objectivos.

Cada componente de um dado património chama-se elemento patrimonial.

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O património é composto por duas massas patrimoniais:

São todos os bens e direitos da empresa, com os quais


Ativo exerce a sua actividade, são valores positivos.

- Recurso controlado pela empresa,

- como resultado de acontecimentos passados, e

- do qual se espera que se obtenham benefícios


económicos futuros para a empresa.

As obrigações são valores negativos pois representam


Passivo compromissos assumidos.

- Obrigação presente da empresa,

- como resultado de acontecimentos passados, e

- da qual se espera uma saída de recursos que


incorporem benefícios económicos futuros.

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Ativo

- Dinheiro em caixa, depósitos


- Meios financeiros líquidos bancários e instrumentos financeiros
(ex. acções), etc.

- Dívidas a receber de terceiros, como


- Contas a receber
clientes, outros devedores, etc.
Ativo Corrente

- Materiais que a empresa tem em


armazém, seja para utilizar na
fabricação (matérias primas), bens
- Inventários que produz (produtos acabados) ou
bens que adquire para vender
(mercadorias).

- Bens e direitos adquiridos para:

• Utilizar de forma permanente na actividade da


empresa:

- Ativos fixos tangíveis (edifícios, viaturas,


máquinas);

Ativo Não Corrente - Investimentos - Ativos intangíveis (marcas, trespasses,


patentes).

• Para controlo de outras empresas (Investimentos


financeiros):

• Para obter rendimentos (Propriedades de


investimento, ex. edifícios arrendados).

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Passivo

Contas a Pagar - Dívidas a pagar com prazo inferior a um


(Passivo Corrente) ano a fornecedores, pessoal, Estado, etc.

- Dívidas a pagar com prazo superior a um ano, como


Contas a Pagar
(Passivo Não Corrente) por exemplo, financiamentos obtidos nos bancos.

3.2 – Inventário

O inventário é a relação em determinada data, de elementos patrimoniais de

uma empresa, com a indicação do seu valor.

Os inventários são classificados de três formas:

Quanto à disposição: Quanto ao âmbito: Quanto à apresentação:

- Simples - Gerais - Analítico

- Classificado - Parciais - Sintético

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Exemplo de Inventário (classificado sintético) de uma empresa.

ATIVO
Ativos Fixos Tangíveis 150.000,00 €
Investimentos Financeiros 5.000,00 €
Mercadorias 40.000,00 €
Clientes 4.000,00 €
Depósitos à Ordem 6.000,00 €
Caixa 750,00 €
Total do Ativo 205.750,00 €

PASSIVO
80.000,00 €
Financiamentos Obtidos
14.000,00 €
Fornecedores
Estado e outros entes públicos 2.000,00 €

96.000,00 €
Total do Passivo

3.3 – Código de Contas

A Portaria n.º 1011/2009, de 9 de Setembro, aprovou o código das contas


constituído pelas seguintes componentes:

1) Quadro síntese de contas;

2) Código de Contas;

3) Notas de enquadramento.

Este novo código trás algumas diferenças (sobretudo de semântica) em relação


ao anterior:

Agora Antes

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Activos Biológicos (animais e plantas) Existências

Activos Intangíveis Imobilizado incorpóreo

Activos Fixos Tangíveis Imobilizado corpóreo

Ajustamentos Provisões (Activo)

Depreciação Reintegração e Amortização

Gastos Custos e Perdas

Imparidade Não Aplicável

Inventários Existências

Mensuração Valorização/Valorimetria

Reconhecimento (Desconhecimento) Registo

Rédito Proveito

Rendimento Proveito e Ganho

Revalorização Reavaliação

Reversões de Ajustamentos Reposições de Provisões (Activo)

Valor Presente Valor Actual

O Código de Contas (aprovado pela Portaria n.º 218/2015, de 27 de Julho) é

composto por várias contas, que resumidamente se sintetiza, citando apenas as

principais.

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- 1 Meios Financeiros Líquidos

- 2 Contas a Receber e a Pagar

- 3 Inventários e Ativos Biológicos

- 4 Investimentos

- 5 Capital, Reservas e Resultados Transitados

- 6 Gastos

- 7 Rendimentos

- 8 Resultados

4. Lançamentos Contabilísticos

Antes de se efectuar lançamentos contabilísticos, é de fundamental perceber o

conceito de Ativo, Passivo e Capital Próprio, para assim saber distinguir no Código de

Contas, as contas referentes a cada um deles.

Todas as operações realizadas por uma empresa provocam alterações na


composição do património (factos patrimoniais), e esses factos patrimoniais podem ser:

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Factos permutativos – provocam uma alteração na composição do património


mas não no seu valor.

Factos modificativos – aqueles que alteram a composição e o valor do


património. Estão neste caso todas as operações que originem um lucro ou prejuízo
(rendimentos ou gastos).

4.1 – Movimentação das Contas

Activo

Débito Crédito

Aumentos Diminuições

Passivo e Capital Próprio


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Débito Crédito

Diminuições Aumentos

Gastos

Débito Crédito

Diminuições Aumentos

Rendimentos

Débito Crédito

Diminuições
Aumentos

11 – CAIXA

11 – Caixa

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(Saldo inicial)

Recebimentos Pagamentos

Nota: o saldo desta conta é sempre positivo!

5. Modelos de Demonstrações Financeiras


Os Modelos de Demonstrações Financeiras têm como objectivo proporcionar

informações sobre a Posição financeira, o Desempenho e as Alterações na posição

financeira da empresa.

Assim podemos afirmar que os modelos de demonstrações financeiras servem

para facilitar a compreensão e leitura da situação patrimonial de uma empresa em

determinado momento, ao mesmo tempo que auxiliam e apoiam a direcção da

empresa, sócios, accionistas e outros interessados, na tomada de decisões como na

divulgação de informação.

5.1 – Balanço

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O Balanço é o mapa da situação patrimonial de uma empresa num

determinado momento.

Também se pode dizer que o balanço é a expressão da relação existente

entre o Ativo, Passivo e a Situação Líquida ou o documento que mostra em

determinada data a composição e o valor do património de acordo com

determinados objectivos ou a Igualdade entre dois membros, referida a uma

determinada data, referente a uma empresa e que nos represente o seu

património quer em composição quer em valor.

O SNC prevê 2 Modelos distintos de Balanço:

Um modelo mais completo para as entidades que apliquem as NCRF;

Um modelo reduzido para as entidades que apliquem a NCRF-PE.

O Balanço é composto pelos seguintes elementos:

Elemento de identificação - nome da entidade que relata Identificação do

balanço individual ou consolidado (grupo), data do balanço ou o período coberto

pelas DF’s, a moeda de relato e o nível de arredondamento;

Período de relato - o balanço deve ser apresentado pelo menos anualmente;

A apresentação dos elementos no balanço de uma entidade é classificada, de

forma separada, como corrente ou não corrente.

Exemplo de Balanço (por preencher):


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5.2 – Demonstração de Resultados

A Demonstração de Resultados, é um mapa contabilístico em que são

expressos todos os custos que uma empresa suporta durante um ano para prosseguir a

sua atividade, bem como os proveitos que obtém com a venda da sua produção.

Consoante a forma como esses custos e proveitos são classificados, uma

demonstração de resultados pode ser por natureza ou por funções.

No primeiro caso, são agrupados pela sua própria natureza (custos das

mercadorias vendidas, custos com o pessoal, impostos, vendas, subsídios, custos e

proveitos financeiros e extraordinários, etc.). Uma demonstração de resultados deste

tipo permite, através de uma operação simples de final de exercício, determinar o

resultado líquido desse exercício (lucro ou prejuízo apurado). É uma demonstração de

elaboração obrigatória na apresentação de contas anual.

Já no caso da demonstração de resultados por funções, a agregação dos

valores é efetuada tendo em conta a função da empresa que originou os custos ou os

proveitos: teremos então, entre outros, custos de distribuição, administrativos,

financeiros, proveitos financeiros ou extraordinários.

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Exemplo de Demonstração de Resultados por natureza (por preencher):

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