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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA

Portal Educação

CURSO DE
ALFABETIZAÇÃO

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

AN02FREV001/REV 4.0

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CURSO DE
ALFABETIZAÇÃO

MÓDULO III

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do
mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são
dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA


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MÓDULO III

3 PRÁTICA E AVALIAÇÃO EM SALA DE AULA - A ESCOLHA DOS


INSTRUMENTOS, RECURSOS E CONTEÚDOS.

A discussão em torno da avaliação expõe, neste trabalho, a preocupação


com o real aproveitamento do processo de ensino-aprendizagem, tanto para o aluno
quanto para o professor. Ela atingirá sua função ao auxiliá-los com eficácia no
resgate de elementos que enfraquecem, bem como apontar elementos que tonificam
esse processo e possibilite a reorientação do trabalho do professor.
No entanto, o maior desfavor que a avaliação encontra em prol de sua
eficácia é a forma como ela, determinadas vezes, é aplicada, seus instrumentos e
recursos utilizados, bem como na forma de utilização dos resultados. Ao realizar um
trabalho avaliativo, o professor deve utilizar seu resultado como parte de um
processo apreciativo, comparando o desenvolvimento da criança desde o início do
processo, conjeturando a respeito de sua evolução qualitativa.
Neste processo a avaliação pode tornar-se um componente útil, que
antecede a reflexão da prática docente e possibilita conhecer a criança, bem como
formular materiais condizentes com suas reais necessidades e que, por sua vez,
lhes permitam avançar.
Considerando todos os períodos estudados, referidos por Piaget e sua
propensão em sublinhar a prontidão genética do sujeito, sem a qual a criança não se
desenvolveria naturalmente, o professor necessita também compreender e dominar
os aspectos evolutivos que contribuem para que a aprendizagem ocorra, como por
exemplo, o desenvolvimento emocional e o desenvolvimento motor infantil.
Assim, o profissional formará, a partir de estruturas fragmentadas, uma rede
de informações complementares e relevantes para se instrumentalizar, avaliar e
distinguir uma situação normal de uma possível situação de distúrbio de
aprendizagem. A respeito da evolução emocional infantil encontramos, em uma

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revisão psicossocial da psicóloga Maria H. Ferreira Pinto Machado, a correlação
entre as etapas do aprendizado e os estágios do desenvolvimento emocional
baseado em Freud:

Fase oral – esta fase é primordial para a construção da confiança no mundo


exterior pela criança. Em suas ações destaca-se sua capacidade de ação a partir de
objetos externos, sua capacidade de distinguir entre o familiar e o que ainda não é
reconhecido, e sua organização de reações ao meio externo. A constância do objeto
desenvolverá a curiosidade e a capacidade de incorporar e fixar experiências, que é
a interiorização de um padrão de reconhecimento de mundo que, por sua vez,
possibilitarão a estruturação da memória e planejamento de ação.
Fase anal – nessa fase o controle motor é adquirido, especialmente o
controle fisiológico. Observam-se, também, maiores habilidades na manipulação e
locomoção. Essas conquistas físicas proporcionam uma ampla exploração do
mundo ao redor e sua importância psíquica revela-se no sentimento de
competência, autonomia, confiança em si mesmo, pois suas habilidades permitem-
lhe as primeiras produções que dependem de seu controle fisiológico.
A criança descobre que a mãe ausenta-se, saindo de sua esfera visual,
porém retorna, concebendo, então, suas primeiras noções espaços-temporais.
Quando, em detrimento de reações adversas, houver uma desestruturação ao
passar por esta fase, a criança poderá incorporar vergonha e dúvida em seu
comportamento. Obstáculo severo para o fluir da aprendizagem.
Outras noções também são severamente prejudicadas, como sua
organização pessoal, com seus materiais, em relação aos trabalhos escolares, bem
como as noções fundamentais de espaço – análise, síntese, integração perceptiva,
orientação espacial.
Período Genital – agora a criança possui parâmetros para a identificação de
papéis, possibilitado pela elaboração da fase edípica, quando o masculino e
feminino distinguem-se. É um período cognitivo caracterizado pela estruturação da
lógica causal. Dificuldades nesta etapa desenvolvem uma inibição e diminuição de
iniciativa, de criação da criticidade e raciocínio lógico.

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A dificuldade de aprendizado, caracterizada por limitações na assimilação
alfabética, pode estar ligada às dificuldades de superação da fase edípica, bem
como o sentimento de culpa sem motivação aparente.
Período de Latência – Esse período correspondente ao momento da
educação formal, a criança experimenta sentimentos de admiração, empatia,
aprovação, afeição, que surgem em concordância e dependência de seu senso de
realização. Os sentimentos de inferioridade e impotência poderão surgir de acordo
com sua (in) capacidade de realizar algo, de produzir.
Dificuldades emocionais podem acarretar sintomas escolares, facilmente
observados pelos profissionais que trabalham diretamente com a criança, como:
inquietude, desatenção, memória enfraquecida, má elaboração de seus trabalhos,
dificuldades de associação (união das letras do alfabeto, conteúdos, textos...), falta
de comprometimento com suas tarefas, desinteresse geral pelos estudos, apatia e
indiferença escolar e, ainda, incapacidade de relacionar-se, demonstrando um
comportamento agressivo com a turma.
Baseando-se em orientações a respeito do conhecimento amplo de seus
alunos, o professor terá condições de administrar seu trabalho, o que oportunizará
um melhor planejamento anterior à sua prática. Entretanto, a característica
mediadora da avaliação requer do professor uma postura flexível e dinâmica, que
guie sua rotina, conteúdos, recursos e planejamentos voltados ao conhecimento
construído pela criança diariamente.
Jussara Hoffmann, em seu livro “Avaliação Mediadora – Uma Prática em
Construção” defende a avaliação como um ato contínuo, levantando em torno do
assunto debates, questionamentos e ponderações atuais. Segundo a escritora,
determinados pontos deverão abranger qualificação à avaliação:
- Oportunizar aos alunos muitos momentos de expressar suas ideias;
- Oportunizar discussão entre os alunos a partir de situações desencadeadoras;
- Realizar várias tarefas individuais, menores e sucessivas, investigando
teoricamente, procurando entender razões para as respostas apresentadas pelo
educando;
- Ao invés do certo/errado e da pontuação tradicional, fazer comentários sobre
as tarefas dos alunos, auxiliando-os a localizar as dificuldades, oferecendo-lhes a
oportunidade de descobrir melhores soluções;

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- Transformar os registros de avaliação em anotações significativas sobre o
acompanhamento dos alunos em seu processo de construção do conhecimento.

3.1 DINÂMICA DO PLANEJAMENTO

As estratégias a serem adotadas para favorecimento do processo de ensino-


aprendizado não se esgotam no ato de avaliar, estendendo-se, entretanto, no
Planejamento do Ensino que depende do professor. Esse, por sua vez, também
dependerá do Planejamento Curricular elaborado pela escola. Uma vez
selecionados os conteúdos e os objetivos destinados à sua escola, o professor
possui em mãos um material, a partir do qual se guiará para desempenhar sua
função.
O próximo passo diz respeito às escolhas de estratégias e recursos para
oportunizar que a turma alcance os objetivos do conteúdo proposto e, só então, os
critérios avaliativos são adotados. Precisamos recordar, entretanto, das
características de flexibilidade e espaço, dadas às oportunidades que surgem no
decorrer da realização prática da aula, que devem estar previstas no momento que o
professor moldar seu planejamento.
A avaliação também poderá ter seu lugar garantido, no decorrer da aula, em
forma de observação, e não somente após o término dos trabalhos avaliativos,
transformando-se também em uma bússola orientadora da estruturação e
reestruturação do trabalho corrente. Em suma, o professor possui ampla autonomia
para direcionar, esquematizar, planejar, escolher a melhor forma de transformar o
aluno em sujeito participativo do processo e garantir que esse seja proveitoso para
ambos.
Conteúdos - Os critérios para a seleção de conteúdos básicos são
elaborados em âmbito nacional, desenvolvido pelo governo, de forma que haja um
ponto em comum, padrão para todos os níveis equivalentes de ensino, e que,
concomitante a isso, haja garantias de que o conhecimento regional seja valorizado.
Essa estratégia tem a finalidade de permitir ao aluno que haja o mínimo de

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consenso no processo de ensino-aprendizagem desenvolvido em todas as escolas
de seu município, de sua região ou país.
A respeito dessa função, de embasar a construção de conteúdos mínimos a
partir de um plano comum, o MEC tem para si o compromisso de oportunizar
debates, pesquisas e outras estratégias que viabilizem um amplo estudo
abrangendo a aplicação curricular. Em 2006 promoveu o Seminário Nacional,
realizado em duas edições, com variadas temáticas versando a respeito do
currículo, conforme veremos no texto a seguir:

Não é recente a abordagem curricular como objeto de atenção do MEC. Em


cumprimento ao Artigo 210 da Constituição Federal de 1988, que determina
como dever do Estado para com a educação fixar “conteúdos mínimos para
o Ensino Fundamental, de maneira a assegurar a formação básica comum e
respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais”, foram
elaborados e distribuídos pelo MEC, a partir de 1995, os Referenciais
Curriculares Nacionais para a Educação Infantil/RCNEI, os Parâmetros
Curriculares Nacionais/PCN’s para o Ensino Fundamental, e os
Referenciais Curriculares para o Ensino Médio. Posteriormente, o Conselho
Nacional de Educação definiu as Diretrizes Curriculares para a Educação
Básica. As indagações sobre o currículo presentes nas escolas e na teoria
pedagógica mostram um primeiro significado: a consciência de que os
currículos não são conteúdos prontos a serem passados aos alunos. São
uma construção e seleção de conhecimentos, e práticas produzidas em
contextos concretos e em dinâmicas sociais, políticas e culturais,
intelectuais e pedagógicas. Conhecimentos e práticas expostos às novas
dinâmicas e reinterpretados em cada contexto histórico. As indagações
revelam que há entendimento de que os currículos são orientados pela
dinâmica da sociedade. (MEC: Seminário Nacional, 2006).

3.2 OS PLANOS DE ATIVIDADES

Essas são as anotações que dependem exclusivamente do professor, pois é


um documento que lhe permite organizar seu planejamento de uma forma
estritamente particular. Devem constar: objetivos, conteúdo, estratégias de
aprendizagem, recursos materiais, estratégias de avaliação.
Este plano particular deve ter conexão próxima com o plano curricular
elaborado pela escola; ser flexível quanto às necessidades da turma e às situações
não previstas no decorrer da atividade; compreender atividades que realmente
constituam meios de alcançar os objetivos propostos; prever tempo necessário para

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assimilação do conteúdo; e, finalmente, viabilizar uma avaliação condizente com o
objetivo em questão.

EXEMPLO DE PLANO DE ATIVIDADE I:

BIMESTRE I PLANO DE ATIVIDADE Nº 1


A HISTÓRIA DO NOME
CONTEÚDO
- A criança deverá reconhecer seu nome e escrevê-lo com fluência;
OBJETIVOS - Ela deverá reconhecer o nome dos outros componentes da sua
família.
1) Construção de crachás com o nome escrito em letra maiúscula de
ATIVIDADES imprensa;
2) Construção da árvore genealógica da família.
Materiais Utilizados: revistas, jornais, cola, lápis, folha de ofício, tesoura
RECURSOS E e canetas coloridas.
PREVISÃO DE Duração das atividades:
DURAÇÃO 1) previsão de um dia letivo;
2) previsão de três dias letivos.
Tempo total estimado: quatro dias letivos.
1) O professor põe à disposição dos alunos revistas e jornais,
REALIZAÇÃO juntamente com uma placa constando o nome escrito pela criança; em
DAS seguida, solicita que ela recorte as letras correspondentes e monte seu
ATIVIDADES nome no crachá, colando-as;
2) Cada um trará de casa uma história a respeito do seu nascimento,
escolha do nome, alguma curiosidade e os nomes de seus familiares e
seu respectivo grau de parentesco. As histórias serão lidas pelo
professor; em seguida, é solicitado que cada um desenhe uma árvore
com a quantidade exata de galhos para abrigar cada familiar; cada um
deles será desenhado pela criança e os seus nomes deverão identificá-
los.
Observações e registros - por esta ser uma das tarefas iniciais, muitas
AVALIAÇÃO crianças ainda não saberão escrever seus nomes sem auxílio; esse é o
momento de averiguar quais delas já possuem este conhecimento

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trazido de casa. A avaliação, nesse caso, servirá para organizar
atividades mais elaboradas, como por exemplo, ao invés de recortar as
letras do nome, o próximo passo será escrevê-lo e recortá-lo para
formar um quebra-cabeça.
A leitura das histórias é recomendada, observando as reações da
turma. O professor deverá ficar atento às questões relevantes, como
motricidade, noção espaço-temporal, vocabulário, memorização,
atenção, organização, cuidado com os materiais, capacidade de
trabalhar em grupo, entre outras questões que surgem e indicam com
que aluno, o que, como e com que material trabalhar.

EXEMPLO DE PLANO DE ATIVIDADE II


PLANO DE ATIVIDADE
BIMESTRE I
CONSTRUÇÃO DO NÚMERO
CONTEÚDO
- Desenvolver noções da relação entre o número e suas quantidades
OBJETIVO respectivas;
- Desenvolver habilidades específicas para a operação de adição.
Jogo das tampinhas coloridas
ATIVIDADE
- Aproximadamente 100 tampinhas de refrigerantes e água mineral de
RECURSOS E diversas cores;
PREVISÃO DE - Previsão – aproximadamente duas aulas.
DURAÇÃO
1) Separar a turma em pequenos grupos, constituídos de quatro a cinco
REALIZAÇÃO componentes. Propor a seguinte competição: cada criança deverá pegar
o maior número de tampas utilizando somente uma das mãos. Ao final,
após todas realizarem a tarefa, o professor auxilia os alunos na
contagem e registra quem foi o vencedor da rodada, valendo três
rodadas. Quem obtiver o maior número de tampinhas será o vencedor;
2) Após o jogo, o professor distribuirá as tampinhas para cada criança e
pedirá que eles separem-nas por cores, em seguida as crianças contam

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quantas possuem de cada cor e registram numa tabela;
3) Finalmente, as crianças deverão “unir” as tampinhas vermelhas com
as verdes e realizar a contagem, seguido do registro. A atividade termina
quando todas as cores forem somadas entre si.
O professor observará diretamente o conhecimento da criança, devendo
AVALIAÇÃO repetir a atividade ao final de cada bimestre para averiguar os avanços
da turma.

3.3 CONSTRUÇÃO DO PLANO POLÍTICO PEDAGÓGICO

Inicialmente, a inserção do tema aqui apontado significa ir ao encontro do


ponto inicial da dinâmica entre a teoria e a prática. A origem das ações do
alfabetizador perpassa pela proposta da escola elaborada em comunhão com a
comunidade escolar – equipe diretiva, professores, funcionários, etc. Enfim, com
todas as pessoas que convivem diariamente e possuem estreita relação com a
escola.
A construção do Projeto Político Pedagógico é, antes de tudo, uma
construção coletiva que direcionará as ações correntes no ano letivo, ratificando a
metodologia da escola, seus objetivos e serviços oferecidos em sua estrutura. Não
seria exagero dizer que o processo de construção do PPP e seu resultado (ele
próprio constituído) são a identidade da escola, a sua “cara” impressa em um
importante documento. Lembremos que, historicamente, a construção do PPP pelos
membros da comunidade escolar é uma conquista social, educacional e cultural.
Esse estreitamento entre a teoria e a prática possui suas bases a partir dos
Parâmetros Curriculares Nacionais, que por sua vez oportuniza alicerces teóricos
para a construção do PPP que, finalmente, direcionará a elaboração do
planejamento de trabalho do educador. Esta dinâmica, finalmente, sinaliza a
sobreposição da democracia e autonomia à comunidade escolar.
No artigo “Um Pesadelo que Perturba Nossos Sonhos”, ARROYO aponta
uma nova concepção que dimensiona novos compromissos sociais para o espaço
escolar.

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O sonho de democratizar a escolarização básica passou a ser dada a todos
(...) a oportunidade de dominar as mesmas armas, as mesmas credenciais,
para se valer em uma sociedade cada vez mais seletiva, sem questionar o
caráter seletivo e excludente, antidemocrático e antipedagógico, do
credencialismo a que nosso sistema sempre foi atrelado. (ARROYO, 2000,
p. 15)

Portanto, a viabilidade de oferecermos um espaço de construção


sociocultural que contemple o desenvolvimento humano e educacional dos
educandos, transforma nossas práticas cotidianas em sala de aula em ações
consolidadoras de uma nova concepção de escola. Na visão de VEIGA (1995, p.
13):

O conhecimento escolar é dinâmico e não uma mera simplificação do


conhecimento científico, que se adequaria à faixa etária e aos interesses
dos alunos. Daí a necessidade de se promover, na escola, uma reflexão
aprofundada sobre o processo de produção do conhecimento escolar (...) o
currículo não é um instrumento neutro (...) passa ideologia (...)

A partir dessa perspectiva poderemos incluir o processo de alfabetização


como a preocupação inicial de construção do Plano Político Pedagógico,
entendendo-se que esta fase seja o início da construção de conhecimento infantil,
oportunizando o acesso necessário para a formação que sustentará sua vida escolar
atual e posterior.
A definição do termo currículo, por SACRISTÁN (1998), compreende “a
palavra latina currere, que se refere à carreira, a um percurso que deve ser realizado
para os alunos/as, e o currículo é seu recheio, seu conteúdo, o guia de seu
progresso pela escolaridade”.
Essa descrição leva-nos a refletir a respeito do valor que deve ser agregado
ao início do caminho. Este é um novo percurso que está sendo construído sob
novas perspectivas e ações, como as discussões a respeito de qualificação e
valorização do profissional, com o intuito de transformá-las em feitos concretos que
reflitam diretamente na escolarização inicial dos alunos. De uma forma sintetizada,
veremos aqui a estrutura dos PCNs para as séries iniciais e atividades elaboradas
de acordo com os objetivos de cada área.

1) Área de Língua Portuguesa;


2) Área de Matemática;

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3) Área de Ciências Naturais;
4) Área de História;
5) Área de Geografia;
6) Área de Artes;
7) Área de Ensino Religioso;
8) Temas Transversais (meio ambiente, saúde, pluralidade cultural, orientação
sexual, ética, trabalho e consumo).

1) Área da Língua Portuguesa – Nas séries iniciais deve ser oportunizado ao


aluno que ele desenvolva suficiência nas habilidades de expressar-se oral e
graficamente, além do aprendizado da leitura. As noções gramaticais também
devem ser levadas em conta, assim como a compreensão do texto e a sua
transposição para a vida prática. Gradualmente o nível de exigência deverá
aumentar, conforme o aluno evolui, estando apto para a próxima etapa.
A leitura e a escrita, geralmente, são experiências que marcam a vida
escolar dos alunos, portanto, é necessário que eles vivenciem esse processo passo
a passo, sem pular etapas.

Alguns passos que podem ser seguidos pelo professor no início do processo
de LEITURA:
 Instigar na criança a curiosidade por algum tema;
 Disponibilizar materiais divertidos, com temas atuais e apropriados para
sua idade, como revistas em quadrinhos, livrinhos, CDs com historinhas e até
mesmo objetos concretos para ilustrar uma história (um barquinho para a história do
Soldadinho de Chumbo, por exemplo); * Anexo nº 1
 Conversar com o aluno a respeito da importância da leitura para sua vida
prática;
 Promover aumento do vocabulário com o uso do dicionário;
 Verificar se o aluno consegue interpretar o que foi lido;
 Suscitar originalidade e criatividade nas composições diárias.

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O desenvolvimento do processo de leitura e escrita deve ser gradual,
sendo posteriormente observados outros aspectos mais elaborados que auxiliam na
avaliação do aluno:
 Limites da folha respeitados de acordo com o tamanho da linha;
 Observação do parágrafo e margens;
 Legibilidade da letra;
 Cuidados de higiene e organização com o material;
 Clareza, coesão e sequência na exposição das ideias;
 Objetividade na interpretação do que foi lido;
 Riqueza de vocabulário;
 Boa pronúncia e postura corporal;
 Ortografia, acentuação, pontuação e concordância nos textos.

Planejamento sugerido
Texto: O Soldadinho de Chumbo * (Anexo nº 2)
SÉRIES INICIAIS

Interpretação e expressão de histórias.


CONTEÚDO
O aluno deve apresentar desenvoltura e organização das ideias ao
expressar-se oralmente, demonstrando que interpretou o conteúdo
OBJETIVO do texto.

1) leitura da história pelo professor aos alunos;


ATIVIDADES 2) discussão a respeito do conteúdo do texto;
3) confecção do barco do Soldadinho de Chumbo.

Materiais Utilizados: modelo de barco em origami, história do


RECURSOS E Soldadinho de Chumbo, retângulo de papel pardo ou ofício (para
PREVISÃO DE confecção do barquinho).
DURAÇÃO Duração das atividades:
Previsão: de um a dois dias letivos

O professor lê a história para a turma e, em seguida, inicia um

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REALIZAÇÃO DAS debate a respeito do texto. Ao término do debate, cada aluno
ATIVIDADES deverá recontar a história adicionando um final diferente.
A última tarefa será a confecção do barquinho, seguindo o modelo
do professor.

Observações e registros: observar se os alunos compreenderam o


AVALIAÇÃO tema e se conseguiram expressar-se com clareza, vocabulário
apropriado e criatividade.

2) Área de Matemática – o ensino da matemática pressupõe que o


professor desenvolva meios para a compreensão de noções, conceitos e
principalmente raciocínio lógico matemático. Alguns pontos que o professor deverá
observar e desenvolver a fim de estruturar o desenvolvimento do conhecimento do
aluno gradualmente:
 Compreensão que o aluno possui da relação entre numeral e
quantidade;
 Compreensão a respeito dos conceitos de adição, subtração,
multiplicação e divisão;
 Noções de aplicação prática da matemática na vida diária do aluno;
 Noções de dimensões;
 Formulação de conceitos: largo, estreito, fundo, raso, cheio, vazio...
 Capacidade de seriação e classificação;
 Capacidade de resolver problemas.

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Planejamento sugerido
Passeio ao Supermercado

SÉRIES INICIAIS

CONTEÚDO Histórias matemáticas.

Desenvolvimento da capacidade de resolver problemas


OBJETIVO matemáticos e conceitos de adição, multiplicação e subtração.

1) Passeio e compras no supermercado;


ATIVIDADES 2) Realização de uma receita de brigadeiro;
3) Resolução de histórias matemáticas. * (Anexo 3)

Materiais Utilizados: encartes publicitários do supermercado


RECURSOS E visitado* (anexo 4), lata de leite condensado, gema de ovo,

PREVISÃO DE chocolate em pó, margarina, forminhas para doces e receita de


brigadeiro.
DURAÇÃO

Duração das atividades:


Previsão de dois dias letivos.

A turma procura no encarte do supermercado os preços dos itens


REALIZAÇÃO que comprarão para fazer a receita e calculam o valor necessário

DAS que devem dispor. No passeio os alunos comparam preços e


fazem contas.
ATIVIDADES
Na realização da receita o professor auxilia as crianças na leitura
dos passos e quantia dos ingredientes.
O último passo do programa será resolver questões matemáticas
relacionadas com a compra e venda dos itens de supermercado.
Observações e registros: O professor deverá observar se as
AVALIAÇÃO crianças compreendem que a dinâmica de compra e venda requer
a internalização de conceitos de adição, multiplicação e subtração.
As crianças deverão saber aplicar tais noções no seu dia a dia,
reconhecendo que as bases podem modificar, porém os conceitos
são os mesmos.

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3) Área de Ciências Naturais – ao estudar as ciências naturais, o aluno
deverá construir valores a respeito da natureza, sua importância e como contribuir
para sua preservação. A compreensão de fenômenos naturais e sua ação no meio
ambiente deverão ser elaboradas pela criança, sendo mediado por informações
científicas adequadas à sua faixa etária.
Desenvolver situações que envolvam alimentação, higiene, saúde e
conhecimento do corpo para manutenção do bem-estar físico, mental e prevenção
de doenças. Promover a compreensão de que os recursos naturais poderão findar
devido ao mau uso e exploração humana.

Planejamento sugerido
Brincadeiras de adivinhação

SÉRIES INICIAIS

CONTEÚDO Os órgãos dos sentidos

Oportunizar que a criança conheça seu corpo e a funcionalidade


OBJETIVO sensorial.

1) Brincadeiras de adivinhação com os olhos vendados;


ATIVIDADES 2) Brincadeiras de adivinhação sem os olhos vendados.

Materiais Utilizados: Venda escura para tapar os olhos dos alunos


RECURSOS E e materiais diversos para serem manipulados.

PREVISÃO DE Duração das atividades:


Previsão de um dia letivo
DURAÇÃO

Na brincadeira número 1 o professor requisita a participação do


REALIZAÇÃO aluno que ficará de olhos vendados. Os outros alunos devem

DAS selecionar material diversificado para que o aluno descreva e diga


o que está manipulando ou experimentando, como por exemplo: “é
ATIVIDADES

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gelado, duro e molhado” (cubo de gelo). “É macio e sua
temperatura é a mesma do corpo” (algodão). “É saboroso, tem
gosto e cheiro de fruta” (geleia de morango).
Na segunda brincadeira o professor solicita que um aluno
posicione-se em pé. Todos os outros deverão observá-lo. Em
seguida o aluno retira-se da aula e modifica algo em sua roupa,
acessórios, etc. Ao entrar na sala, novamente, os demais devem
apontar onde houve a modificação.

AVALIAÇÃO Observações e registros: Ao acompanhar a turma nessas


brincadeiras o professor observará se as crianças apresentaram
algum tipo de dificuldade sensorial.

4 e 5) Áreas de História e Geografia – No ensino fundamental o conteúdo


desenvolvido nestas áreas, necessariamente, remete-se a um cenário constituído
pela experiência de determinado grupo de pessoas com localização específica.
Requer que o estudante compreenda e estude as relações existentes em sua
sociedade local, seus hábitos e seus habitantes (escola, comunidade e cidade), bem
como a sua própria história de vida, identidade e autonomia.

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Planejamento sugerido
Linha do tempo

SÉRIES INICIAIS

CONTEÚDO A história de vida de cada um.

Proporcionar que o aluno construa sua realidade e conheça sua


OBJETIVO história de vida e a de sua família anterior ao seu nascimento.

ATIVIDADES 1) Solicitar aos pais um texto com o testemunho da história do


filho e o que estava acontecendo na cidade, programas de
televisão, notícias variadas que tenham relação com a época do
nascimento da criança;
2) Construir a linha do tempo da vida do aluno.

Materiais Utilizados: fotos dos alunos, desde o nascimento até a


RECURSOS E atualidade, notícias da mesma época do nascimento dos alunos,

PREVISÃO DE folha de ofício e canetas coloridas.


Duração das atividades:
DURAÇÃO
Previsão: de um a dois dias letivos.

As fotos devem ser solicitadas aos pais para que o professor


selecione. O texto deverá ser lido para a turma. Em seguida, com

REALIZAÇÃO a ajuda do professor, o aluno constrói sua linha do tempo,


reconstruindo sua história de vida, de acordo com os
DAS
acontecimentos ao seu redor.
ATIVIDADES
Observações e registros: O professor deverá observar se a
AVALIAÇÃO criança compreendeu a relação de sua história com os
acontecimentos da época.

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6 e 7) Áreas de Artes e Religião – na educação escolar das séries iniciais
os objetivos do ensino religioso enfocam, principalmente, os conceitos relacionados
às diferentes religiões existentes, como o significado de respeitar, de ter fé,
solidariedade, fraternidade, etc. A área de artes evoca o conhecimento subjetivo,
sua atividade criadora e a originalidade da criança, desenvolvendo sua aptidão para
abstrair, suas habilidades manuais e táteis, bem como sua apreciação estética.

Planejamento sugerido
Visita a uma instituição filantrópica

SÉRIES INICIAIS

CONTEÚDO Relações interpessoais.

Oportunizar a elaboração de conceitos como solidariedade e


OBJETIVOS cooperação em grupo;
Desenvolver a destreza manual.

1) Visita da turma a uma casa que abriga idosos carentes;


ATIVIDADES 2) Confecção de cestas contendo diversidades culinárias.

Materiais Utilizados: cestas de vime, geleias, biscoitos, doces,


RECURSOS E bolos, bombom, sucos, latas de refrigerante, salgadinhos, flores

PREVISÃO DE secas, papel e fitas coloridas (para decorar as cestas).


Duração das atividades:
DURAÇÃO
Previsão de um dia letivo.

As crianças montam as cestas distribuindo os materiais


REALIZAÇÃO DAS arrecadados. Depois, decoram cada uma com papéis, fitas e

ATIVIDADES flores diversas.


Finalmente, as crianças acompanhadas pelo professor visitam um
lar que abriga idosos carentes e entregam as cestas decoradas.
O professor deve solicitar uma palestra do diretor da instituição,
para que ele comente a realidade cotidiana dos idosos.
O professor deverá observar nos alunos atitudes de respeito,

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AVALIAÇÃO solidariedade, cooperação e disponibilidade para realizar as
atividades em grupo.

8) Temas Transversais – Os temas transversais são o meio ambiente,


saúde, pluralidade cultural, orientação sexual, ética, trabalho e consumo. Eles serão
desenvolvidos de acordo com a área trabalhada e com os conteúdos propostos. O
professor deve perceber a oportunidade de introduzir um ou mais temas na atividade
que será realizada.

Planejamento sugerido
A História do Natal

SÉRIES INICIAIS

CONTEÚDO Datas comemorativas.

- Oportunizar a construção de conhecimento a respeito do tema


OBJETIVOS Natal;
- Debater os valores que estão agregados à celebração do Natal.

1) pesquisa do significado do Natal e da origem da data;


ATIVIDADES 2) debate a respeito da troca de presentes e consumo nesta época
do ano;
3) montagem de um presépio.

RECURSOS E Materiais Utilizados: texto e desenhos a respeito do Natal* (anexo

PREVISÃO DE 5) Modelos dos personagens do presépio.* (anexo 6)


Duração das atividades:
DURAÇÃO
Previsão: de um a dois dias letivos.

O professor lê para a turma um texto sobre o Natal e oportuniza um


REALIZAÇÃO debate a respeito dos tópicos relacionados – religião, consumo,

DAS espírito de solidariedade, entre outros que poderão surgir no


decorrer do debate. As crianças preparam o presépio, montando-o
ATIVIDADES

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no final da atividade.
Nesta atividade poderão ser observados os conhecimentos que as
AVALIAÇÃO crianças possuíam anteriormente, bem como a construção de
novos conhecimentos a partir das informações salientadas no
debate.

Nesta fase de alfabetização, convém lembrar que é necessário um


planejamento que oportunize espaço para novos direcionamentos, em função de
situações inesperadas que poderão surgir durante as aulas. As sugestões de
atividades sugeridas acima devem ter, portanto, caráter semiestruturado.

3.4 A TECNOLOGIA A FAVOR DA ALFABETIZAÇÃO

Uma das formas de andar em compasso com a atualidade é usufruir dos


avanços tecnológicos. Utilizar a tecnologia a favor da educação implica em abrir
caminho entre as novidades descobertas em pesquisas direto para a sala de aula.
Ao adicionarmos o uso de recursos tecnológicos no dia a dia escolar não podemos
esperar que, automaticamente, eles por si só desenvolvam a capacidade de
compreensão conceitual dos alunos, sendo necessário contextualizarem uma
história apresentada em DVD, ou abrir um jogo na internet que seja relevante e
condizente com o conteúdo e objetivo programado.
Existem muitos aparelhos que podemos lançar mão no cotidiano, tanto para
crianças “normais” quanto para crianças portadoras de algum problema específico
que possa interferir em sua aprendizagem. A televisão, atualmente, possui a tecla
Closed Caption – que serve para legendar a maioria dos programas ao público
surdo. Os computadores também surgiram com recursos de lupa e outros avanços
para os portadores de cegueira ou baixa visão e para os portadores de paralisia
cerebral.
Há, também, a possibilidade da escola adquirir os telefones para surdos, os
quais funcionam por meio de uma central que passa o recado, digitado pela pessoa
surda, oralmente para o ouvinte do outro lado da linha. Podemos contar com
inúmeros recursos, CDs com canções apropriadas para alfabetização, DVDs com

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personagens que ensinam o “ABC”, joguinhos que ensinam as operações
matemáticas, etc.
Porém, se o professor não possuir criatividade e originalidade na hora de
inseri-los em seu planejamento, corre o risco de que noções importantes, as quais
diferenciam a simples informação do real conhecimento, não sejam devidamente
exploradas. Posteriormente, no módulo IV (ANEXO 7), serão recomendados sites e
espaços pedagógicos que auxiliam o professor, oferecendo recursos para ilustrar
sua prática.
As diretrizes atuais em educação tendem a sugerir a inclusão dos PNEs -
Portadores de Necessidades Especiais em classes comuns do ensino regular,
porém, para tanto, está previsto em leis e pareceres o direito à acessibilidade
dessas pessoas, a fim de garantir-lhes equidade e qualidade de condições.
Conhecerá, a seguir, o aparato tecnológico que possibilita aos educadores
maior diversidade para desenvolvimento de suas atividades por intermédio do
computador nos casos de comprometimentos como: deficiências físicas – paralisia
cerebral ou deficiências adquiridas; deficiência visual – cegueira parcial ou total e
deficiência auditiva.

3.5 ACESSIBILIDADE DO SISTEMA OPERACIONAL LINUX

O sistema operacional LINUX permite alterações de acesso ao teclado a


partir de modificações no painel de controle, semelhantes às descritas no sistema
operacional Windows:

 Trava teclas com SHIFT e CTRL para serem usadas apenas com uma das
mãos;
 Operação do mouse a partir de teclas do teclado;
 Modificação da sensibilidade do teclado no pressionamento das teclas;
 Sinais sonoros para a tecla caps lock, por exemplo;
 Regulagem do teclado para uso de pessoas com limitações na
coordenação dos movimentos.

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APLICATIVOS ACESSÍVEIS PARA DEFICIÊNCIA FÍSICA
Nome Função Informações

GTkeyboard Teclado de tela http://opop.nols.com/gtkeyboard.html

GNOME Onscreen Teclado de tela http://www.gok.ca


Keyboard (GOK)

Adaptação do Teclado para http://www.eklhad.net/linux/app/onehand.


teclado LINUX para uma mão html
usuários que
utilizam apenas uma
mão

APLICATIVOS ACESSÍVEIS PARA DEFICIÊNCIA VISUAL


Nome Função Informações
Leitor de tela
Emacspeak http://www.cs.cornell.edu/home/raman/e
macspeak/
Leitor de tela
Jupiter Speech http://www.eklhad.net/linux/jupiter/
System

Festival Sintetizador de http://www.cstr.ed.ac.uk/projects/festival/


voz

Mbrola Sintetizador de http://tcts.fpms.ac.be/synthesis/mbrola.ht


voz ml

SVGATextmode Ampliadores de http://freshmeat.net/projects/svgatextmod


tela e/

Dynamag Ampliadores de http://www.cs.rpi.edu/pub/unwindows/


tela

X Big Cursor Cursores de http://www.icewalk.com/doclib/howtos/mi


mouse ni/X-Big-Cursor.html

Locktones Sons de alerta http://leb.net/pub/blinux/

Sinais auditivos para Sons de alerta http://leb.net/pub/blinux/bootmeup/


saber quando
escrever uma senha

APLICATIVOS ACESSÍVEIS PARA DEFICIÊNCIA AUDITIVA


Nome Função Informações

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Visual Bells mini- Avisos visuais http://www.ibiblio.org/pub/Linux/docs/HO
HOWTO WTO/mini/
Comunicação
Zapata via telefone http://www.zapatatelephony.org/project.ht
utilizando o ml
computador
como terminal
de texto

3.6 A IMPORTÂNCIA DA CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA NA ALFABETIZAÇÃO

Inicialmente, situaremos que o “Ato de Conscientizar” significa pôr a par de


algo, fazer perceber o que se passa ao redor. No caso em questão, fazer refletir a
respeito dos sons da palavra. É com esse caráter de conscientização que a proposta
de uma alfabetização embasada em atividades que permitam ao aluno conhecer e
refletir sobre a sonoridade da palavra (ligando esse conhecimento a sua forma
escrita) é, atualmente, pesquisada.
Em recente artigo, “Alfabetização e Letramento: Refletindo Sobre As Atuais
Controvérsias”, Lúcia Lins Browne Rego dispõe de amplo estudo a respeito da
eficácia da utilização desta estratégia, conforme veremos a seguir.

Para alguns pesquisadores a capacidade de refletir sobre fonemas é uma


consequência da exposição à aprendizagem de sistemas alfabéticos de
escrita, pois sendo o fonema uma unidade abstrata, as escritas alfabéticas
só poderiam ser aprendidas por meio do ensino explícito sobre essas
unidades e sua relação com as letras do alfabeto. (Lúcia Lins Browne Rego,
2007).

A maioria dos estudos que discorrem a respeito da escrita e da alfabetização


considera a consciência fonológica o resultado do processo, e não o próprio recurso
do processo, um meio facilitador de se chegar aos objetivos. Atualmente, alguns
pesquisadores realizam estudos para provar o aproveitamento da utilização de
atividades baseadas na reflexão do som da palavra em relação à sua escrita e seus
resultados equivalem-se nos benefícios alcançados.

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A capacidade para segmentar e, sobretudo, para categorizar essas
unidades, percebendo semelhanças e diferenças entre as mesmas, se
desenvolve antes de a criança se tornar alfabetizada e seria preditora do
sucesso na aprendizagem posterior da leitura e da escrita. (BRADLEY e
BRYANT 1987, GOSWAMI e BRYANT 1990, apud REGO).

Os autores mencionados acima realizaram uma pesquisa envolvendo um


grupo de 65 crianças, propondo que essas refletissem a respeito de semelhanças e
diferenças entre os sons iniciais e finais das palavras, após o aprendizado da
relação entre som e letra. A contribuição final dessa experiência foi a constatação de
que as crianças que participaram das atividades de estímulo à consciência
fonológica obtiveram melhor desempenho em atividades de leitura e escrita.
Outra experimentação foi realizada por Lundberg, Frost e Petersen (1988)
apud Rego, com crianças da Dinamarca matriculadas na pré-escola, que
participaram de atividades lúdicas embasadas na consciência fonológica. Jogos e
brincadeiras compostos por rimas e aliteração foram aplicados por um ano e, ao
final, o grupo avaliado apresentou desempenho superior na realização de tarefas de
leitura e escrita.
Esses estudos que versam a respeito de atividades embasadas na
conscientização fonológica são abordagens recentes em alfabetização, porém, os
resultados são antigos e sempre benéficos. As músicas com rimas e aliteração
fazem parte do planejamento de qualquer professor que queira envolver seu aluno
na pedagogia lúdica do cotidiano escolar. Entretanto, a conscientização fonológica
vai além dos cânticos infantis, conforme veremos a seguir.

3.7 ALGUNS EXEMPLOS DE ATIVIDADES DE CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA

Palavras
Atividade: Texto Vazado
Objetivo: A criança deve perceber que os textos e as músicas são feitos de
um conjunto de frases e as frases, por sua vez, feitas por palavras. A criança deverá
perceber a importância de cada palavra no seu devido lugar para a leitura de um
texto ou canto de uma música.

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Realização da atividade: O professor lê um pequeno texto (uma história
conhecida). Em seguida, solicita que um aluno voluntário recorte algumas palavras
em cada frase (demarcadas anteriormente pelo professor), dando o efeito vazado no
texto. Finalmente, o professor lê o texto sem as palavras e elabora questionamentos
aos alunos a respeito das palavras que estão faltando: Onde estão as palavras? Por
que é importante que cada uma esteja no lugar certo?

Atividade: Cantigas de Roda


Realização da atividade: cantar uma música conhecida das crianças. Em
seguida o professor deve cantá-la com a ausência da última palavra da frase;
finalmente, solicitar que o aluno complete a palavra que está faltando.

Rimas – o objetivo é fazer a criança perceber que algumas palavras


terminam com o mesmo som.
Atividade: Pintura das Rimas
Realização da atividade: Deve ser dada para os alunos uma lista com várias
palavras que rimam. O professor solicita que as crianças pintem com a mesma cor
as terminações idênticas.
Exemplo - CAFÉ MULA SOCA CHULÉ BOCA PULA

Atividade Musical – escolher uma música conhecida pelas crianças e


cantar com a turma, batendo palmas a cada rima que surgir.

Aliteração – o objetivo é fazer o aluno reconhecer que as palavras


apresentadas possuem o mesmo som no início de sua composição.

Atividade com figura e palavra – escrita e oralizada


Realização da atividade: apresentar uma lista de palavras escritas e lê-las
em voz alta para a turma. Apresentar as figuras correspondentes de cada palavra e
pedir que as crianças indiquem as sílabas que iniciam idênticas nas palavras.
Exemplo:

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LATA LÁPIS LUA LÂMPADA

Consciência silábica – oportunizar que o aluno perceba a presença da sílaba


na constituição da palavra.

Atividade: Completar Frases - O professor oraliza frases sugestivas, de fácil


compreensão, sendo que na última palavra ele diz apenas a primeira sílaba,
deixando a criança terminá-la como quiser.
Exemplo:
1) O céu é A – professor - ZUL – aluno;
2) A menina está muito BO – professor – NITA – aluno;
3) Hoje iremos todos jantar JUN – professor – TOS – aluno;
4) Minha mãe pediu que eu comprasse BA – professor – LA, NANA, TATA –
aluno.

IDENTIFICAÇÃO DE FONEMAS

Atividade: O objetivo dessa atividade é fazer o aluno perceber que diversas


palavras iniciam com o mesmo som.
Exemplo:
Solicitar ao aluno que memorize uma lista de três palavras com o mesmo
som no início da pronúncia – xícara, chinelo, chicote. Pedindo em seguida que ele
cite mais uma palavra com a mesma sonoridade. (Chifre, Chimarrão).
Xampu, chave, chato (Chácara, Chance, Chaminé, Chafariz).
Sino, cidade, cinema (Cimento, Silva, Simão).
Após a brincadeira, o professor deve explicar que, embora as palavras
acima produzam o mesmo som inicial, elas são escritas com letras diferentes.

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Atividade: Troca de vogais na canção infantil – O Sapo Não Lava o Pé
Canção original: (Folclore)

O Sapo não lava o pé,


Não lava porque não quer;
Ele mora lá na lagoa,
não lava o pé porque não quer.
Mas que chulé!

Canção com a vogal “A” no lugar de todas as outras:

A Sapa nãa lava a pá,


Nãa lava parqaa nãa qaar;
Ala mara lá na lagaa,
nãa lava a pá parqaa nãa qaar.
Mas qaa chalá!

O professor poderá utilizar a canção que a turma costuma ouvir, ou a que


ele preferir chamando a atenção para a importância de utilizarmos a letra certa para
que a palavra tenha sentido.

Atividade – contagem dos fonemas da palavra. O objetivo é fazer o aluno


contar os fonemas, enumerando-os e marcando-os com o bater de palmas.

Exemplo:
EU – (duas batidas de palmas)
TAPETE – (três batidas de palmas)
SACI – (duas batidas de palmas)
PÉ – (uma batida de palmas)

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Atividade – placa de vocalização das vogais* (anexo 8). O objetivo dessa
atividade é familiarizar o aluno com a sonoridade das vogais e realizar sua
articulação correta.
Exemplo: solicitar que o aluno module sua voz em uma entonação grave
nas vogais salientes e, nas demais, oralizar uma de cada vez, normalmente.
Essas foram algumas atividades adaptadas do livro “Consciência Fonológica
– Atividades Práticas”, de Elizabeth Crepaldi de Almeida e Patrícia Moreira Duarte.

FIM DO MÓDULO III

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