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Qual o conceito de Direito Penal?

A doutrina costuma conceituar Direito Penal sob três perspectivas, quais sejam:
1- a formal;
2- a material ou social;
3- a analítica.
Conceito formal: O direito penal é um conjunto de normas jurídicas pelas
quais o Estado proíbe determinadas condutas (ativas ou omissivas), sob a
ameaça da aplicação de uma sanção penal.
Conceito social: Trata-se de um modo de controle social que o Estado faz
uso. Este tipo de controle somente deve ser utilizado quando outras formas de
controle falharem, como por exemplo a família, moral, religião, bem como os
demais ramos do direito (Civil e o Administrativo), daí decorre o caráter
subsidiário do Direito Penal.
Analítico (dogmático ou formal analítico): É o que enfoca os elementos,
substraros ou requisitos do crime. O delito é concebido a partir da
convergência de uma conduta típica, antijurídica e culpável (conceito
tripartido), ou apenas como conduta típica e antijurídica (conceito bipartido).

Qual a diferença entre o Direito Penal Objetivo e Direito Penal Subjetivo?

O Direito Penal Objetivo constitui-se das normas penais, que podem ser:


→ Incriminadoras: descrevem os crimes e suas respectivas sanções;
→ Não incriminadoras: são as que tornam lícitas determinadas condutas;
afastam a culpabilidade do agente; esclarecem determinados conceitos;
fornecem princípios gerais para a aplicação da lei penal.
Direito Penal Subjetivo também conhecido como o jus puniendi doEstado,
traduz-se no direito de punir do Estado, concretizando a aplicação da norma
penal.

O que se entende pela expressão jus puniendi?


Resposta
É uma expressão latina que pode ser entendida como o DIREITO DE PUNIR
DO ESTADO.

Quais os momentos que o Estado exerce o seu jus puniendi (chamado de


Direito Penal Subjetivo)?
Resposta
O Estado exerce o jus puniendi em três momentos, vejamos: 
1º- Momento: Ameaça da Pena (Pretensão Intimidatória- prevenção geral);
2º- Momento: Aplicação da Pena (Pretensão Punitiva- prevenção especial);
3º- Momento: Execução da Pena (Pretensão executória).

Podemos dizer que o Direito Penal objetivo também confere direitos ao


cidadão?
Resposta
Sim, pois o Direito Penal também tem a função limitativa do próprio jus
puniendi do Estado, assegurando ao cidadão somente ser punido se realizar
fatos previstos como crimes. Um belo exemplo é o art. 5°, XXXIX da
Constituição, que traduz os princípios da anterioridade e da legalidade, confira; 
"Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação
legal". 

Qual a diferença entre o Direito Penal de Culpabilidade e Direito Penal da


Periculosidade?
Resposta
O Direito Penal da culpabilidade concebe o homem como um ser com
capacidade de entendimento da norma e de autodeterminação de acordo  com
tal compreensão,  garantindo assim que a pena seja uma retribuição pela
reprovação da conduta. Assim, para Zaffaroni, se a pessoa pode escolher
agir ou deixar de agir conforme a norma, pode ser censurada (culpabilidade).
Por sua vez, para o Direito Penal da periculosidade, o homem é determinado,
não possuindo capacidade de escolha, a pena tem por isso a única
finalidade cessar a periculosidade. 

Qual a diferença entre o direito penal do fato para o direito penal do autor.

O direito penal do fato parte da ideia de as leis penais devem incriminar


condutas que causem lesões aos bens juridicamente tutelados ou ao menos o
exponham a um risco.
Por seu turno, o direito penal do autor se caracteriza por punir determinadas
pessoas pelo que são, por suas condições pessoais, e não por suas condutas.
Em outras palavras, o DP do fato pune a pessoa pelo que ela fez, enquanto o
DP do autor, pune a pessoa pelo que ela é. 

Seria correto dizer que o direito penal da periculosidade é um direito


penal do autor?
Resposta
Sim, segundo Zaffaroni, "todo direito penal de periculosidade é um direito penal
de autor; enquanto o direito penal de culpabilidade pode ser de autor ou "de
ato" (que é o seu oposto)".

No Brasil, vige o direito penal do fato ou o direito penal do autor?


Resposta
No Brasil, como em todo ordenamento jurídico democrático, está fulcrado no
direito penal do fato. O direito penal do autor é característico de regimes
totalitários como o regime nazista, que punia o cidadão por sua condição
pessoal (judeus, negros, ciganos, homoafetivos) e não por ter sido autor de fato
criminoso.

Qual a diferença entre o direito penal primário e o direito penal


secundário? Resposta
O direito penal primário é o contido nos códigos penais, ao passo que o direito
penal secundário está previsto nas leis extravagantes (leis penais fora dos
códigos).
- Direito Penal primário - Código Penal;
- Direito Penal secundário - Legislação Extravagante (ex. Lei de drogas,
crimes de trânsito, crimes contra o meio ambiente...).

O que se entende por bem jurídico protegido pelo direito penal?


Resposta
Segundo a doutrina de Regis Prado, o bem jurídico protegido pelo direito
penal vem a ser um ente (dado ou valor social) material ou imaterial,
haurido do contexto social, de titularidade individual ou
metaindividual, reputado como essencial para a coexistência e o
desenvolvimento do homem em sociedade e, por isso, jurídico-penalmente
protegido.

O que se entende por garantismo penal?


O garantismo penal, que tem como precursor o autor italiano LUIGI
FERRAJOLl (Direito e Razão), pode ser entendido como técnica de reduzir a
violência e maximizar a liberdade (aspecto político). Na perspectiva jurídica,
trata-se de uma busca de limitação do poder punitivo e a maximização das
garantias e dos direitos fundamentais do cidadão.

O que se entende por velocidades do direito penal?


Resposta
Pode ser entendido como uma proposta de modelo dualista para o sistema
penal, que tem o objetivo de conter a expansão do direito penal, pensado
pelo criminalista espanhol Jesús-María Silva Sánchez, (na obra A Expansão
do Direito Penal).
Em seu modelo dualista, o direito penal teria duas velocidades, de acordo com
o seu nível de intensidade.
A primeira velocidade é exatamente o sistema clássico de direito penal,
protege os bens jurídicos individuais, e no âmbito processual penal, defende
as máximas garantias processuais, permitindo ao fim, a pena de prisão
(Direito Penal Nuclear).
A segunda velocidade é dirigida aos novos riscos da sociedade moderna,
aceitando a flexibilização das garantias penais e processuais penais,
utilizando-se de penas restritivas de direito que não a prisão. Tem o objetivo
de proteger os bens jurídicos supraindividuais. (ex. Lei 9.099/ 05). 

O que se entende por terceira velocidade do Direito Penal?


Podemos dizer que a terceira velocidade do Direito Penal é a síntese da
primeira e da segunda. Desta, segunda velocidade, utiliza a relativização de
garantias políticos-criminais, já da primeira velocidade, herda a previsão da
pena de prisão. É o chamado direito penal do inimigo.
Importante aqui esclarecer que Silva Sanchez reconhece a existência de tal
forma de concepção do Direito Penal nas legislações modernas, no entanto, o
autor é contrário à sua aplicação, defendendo a existência e legitimidade das
duas primeiras velocidades.

O que é o Direito Penal do inimigo?


Resposta
Trata-se de uma expressão do penalista alemão Günther Jakobs, para quem
existe na sociedade dois tipos de pessoas, o cidadão e o delinquente. Sustenta
Jakobs que o Estado deve tratar de forma diferente estas pessoas. Quando se
tratar do cidadão, aplica-se o Direito Penal do cidadão- observância do devido
processo legal e de todas as garantias-. Contrariamente, ao inimigo, que não
respeita o Estado, deve ser aplicado o Direito Penal do inimigo, quer seria a
terceira velocidade do Direito Penal, ou seja, supressão de garantias
processuais e aplicação de pena de prisão, defendendo, inclusive, a pena
capital. Por fim, importante frisar que o Direito penal do inimigo guarda estreitas
relações com o Direito Penal do autor.

O que se entende pela quarta velocidade do Direito Penal?


Resposta
Ah professor, já está de brincadeira né? isso não existe...quarta velocidade do
direito penal?? Existe sim, e é também conhecida por neopunitivismo,
segundo alguns autores, seria um modelo de sistema penal utilizado
pelo Tribunal Penal Internacional, onde haveria a restrição e até mesmo a
supressão de garantias penais de réus que no passado ostentaram a função de
chefes de Estado e violaram gravemente tratados internacionais sobre direitos
humanos.

Sabemos que o titular do jus puniendi é o Estado, no entanto, esse poder


é limitado, quais são os limites?

Três são os limites, vejamos:


a) Limite temporal: representado pela prescrição (Arts. 109 e seguintes do
CP);
b) Limite espacial: princípio da territorialidade, em regra, só se aplica a lei
penal brasileira no Brasil;
c) Limite modal: Em obediência ao art. 1º, III, dignidade da pessoa humana,
fundamento da República Federativa do Brasil. Com base em tal princípio,
veda-se a pena de morte e outras penas degradantes. 

Podemos dizer que excepcionalmente, nos crimes de ação penal privada


o Estado, momentaneamente transfere ao particular o jus puniendi?

Não, a afirmação está errada, fique esperto, o que ocorre é a concessão à


vítima do direito de exercer o jus accusationis, ou seja, transfere a iniciativa da
ação penal, o poder de punir continua com o Estado.

O que se entende por funcionalismo no Direito Penal?


Trata-se de uma corrente de pensamento que entende que o Direito Penal
deve ser estruturado e aplicado com os olhos voltados à sua função, busca
questionar a missão do direito penal  na sociedade.

Segundo a doutrina, quais são as duas funções do Direito Penal?


Podem ser resumidas em:
→ FUNÇÃO MEDIATA: O DP serve como forma de controle social, limitando
tanto os direitos dos cidadãos, como também o jus puniendi do próprio Estado.
→ FUNÇÃO IMEDIATA: Há divergência na doutrina; a primeira corrente,
majoritária, defende que a função imediata do Direito Penal é a proteção
dos bens jurídicos mais relevantes (Funcionalismo teleológico- Claus
Roxin).
Já para uma segunda corrente, a função do direito penal seria assegurar a
vigência da norma ou ordenamento jurídico (Funcionalimo Sistêmico-
Günter Jakobs).

Sabemos que há dois enfoques sobre o funcionalismo, surgidos na


Alemanha na década de 70. O funcionalismo moderado, teleológico,
valorativo (teleológico-racional) de Claus Roxin e funcionalismo radical,
normativo, Günther Jakobs, o que defende cada um desses penalistas?

Para Roxin, a missão do DP é a de resguardar os bens jurídicos mais


relevantes à harmonia social. Segundo este autor, o Direito Penal deve ser o
último recurso de controle social da sociedade (ultima ratio).
Por seu turno, Jakobs sustenta que a finalidade do Direito Penal é a afirmação
da autoridade da norma, ou seja, resguardar a norma jurídica, reforçando as
expectativas dos seus destinatários na vigência da lei. Para Jakobs, a proteção
do bem jurídico seria uma consequência efetiva aplicação da pena.

O que se entende por Direito Penal de Emergência?


É uma expressão utilizada para destacar as hipóteses nas quais o Estado
utiliza legislação excepcional para limitar ou derrogar garantias penais e
processuais, com a falsa ideia de ter um maior controle sobre alta
criminalidade. Com base nesse movimento, por exemplo, foram criadas as Leis
8.072/ 90 (crimes hediondos) e a Lei 12.850/ 2013 (organizações criminosas).

O que se entende por Direito Penal Simbólico?


É um recurso utilizado pelo Estado, face a sua ineficácia no combate à
criminalidade, que consiste na tipificação de condutas (criação de
crimes) sem qualquer fundamento criminológico ou criminal. Assim, cria-se
uma ilusão de segurança pública.

O que se entende por Direito Penal Promocional?


É a utilização do Direito Penal para consecução dos fins do Estado, de forma
promocional por ser um poderoso instrumento de desenvolvimento e
transformação social.

O que são fontes para o direito?


Fonte é o lugar de criação e também forma de revelação do DP, divide-se em:
1- Fonte material: Órgão* constitucionalmente encarregado da produção das
normas;
2- Fonte Formal: Relacionado ao modo de conhecimento e revelação do DP.
* Seria mais adequado a doutrina usar a expressão ente federativo (União,
estados e DF e municípios). 

Qual a fonte material do Direito Penal?


A fonte material do Direito Penal (ente constitucionalmente encarregado de
produzir a norma) é a União, conforme descrito no artigo 22, I, CF 88, confira: 
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo,
aeronáutico, espacial e do trabalho";

Podemos afirmar que somente a União pode legislar sobre Direito Penal?
Cuidado, nosso primeiro impulso é responder afirmativamente à questão, no
entanto, precisamos observar que, conforme disposto no parágrafo único do
art. 22, excepcionalmente a CF autoriza, mediante lei complementar,
que estados membros e o DF legislem sobre matérias específicas
relacionadas no artigo, confira:  
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo,
aeronáutico, espacial e do trabalho" (...);
Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre
questões específicas das matérias relacionadas neste artigo.

Já vimos que as fontes formais informam de onde provêm o conhecimento e a


revelação do Direito Penal. Estas se dividem em imediatas e mediatas, quais
são as imediatas e quais as mediatas?
A fonte imediata é a Lei, segundo a doutrina tradicional.
Importante saber que, para a doutrina moderna, as fontes formais imediatas
podem ser leis incriminadoras e não incriminadoras. Se forem incriminadoras,
somente a lei. Por outro lado, na hipótese de leis penais não
incriminadoras, as fontes podem ser a Constituição, os Tratados
Internacionais sobre Direitos Humanos e a jurisprudência (restrita às
Sumulas Vinculantes).
A fonte mediata ou secundárias é somente a doutrina.
Há doutrinadores que consideram ainda os costumes como fonte formal
mediata, no entanto, assiste mais razão a quem os considera como fontes
INFORMAIS DO DIREITO PENAL.

Podemos definir os costumes como a reiteração de condutas, de forma


constante e uniforme pela convicção de sua obrigatoriedade e
necessidade jurídica. Sabemos que os costumes não são fontes formais
do Direito Penal (são INFORMAIS).
Daí surge a pergunta: qual a utilidade dos costumes para o Direito Penal?
Uma das utilidades dos costumes  é auxiliar o intérprete a aclarar elementos
ou circunstâncias do tipo penal, como por exemplo, acerca do conceito de
mulher honesta ou repouso noturno, dentre outras expressões constantes na
lei penal.

Sabemos que em razão do princípio da legalidade, somente a lei pode


criar crimes. Em se tratando de descriminalização de condutas, podemos
afirmar que o costume pode tornar um fato atípico, como no caso do jogo
do bicho, prática amplamente aceita na sociedade?
Não, segundo o STJ, não existe costume abolicionista. Desta forma,
enquanto os fatos típicos não forem revogados por outra lei, a norma
continuará tendo eficácia. Assim, o jogo do bicho, apesar da falta de repressão
do estado, continua a ser contravenção penal, em observância ao art. 2º da
LINDB, que diz: "A lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue".

O que se entende por mandamento constitucional de criminalização?


Podemos definir como o poder que a Constituição dispõe para estabelecer
balizas que impõe a intervenção do Direito Penal, são hipóteses de
obrigatória intervenção do legislador penal, vedando ao legislador a
descriminalização de condutas que afetem bens juridicamente tutelados pela
Constituição, como direito à vida (homicídio), dignidade da pessoa humana
(crimes contra a honra), liberdade (sequestro) dentre outros bens jurídicos... É
o que a doutrina chama de GARANTISMO POSITIVO.

O que se entende pelo princípio da legalidade no Direito Penal?


O princípio da legalidade está previsto no art. 5º, XXXIX da Constituição
Federal (não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia
cominação legal), e no art. 1º do Código Penal (Não há crime sem lei anterior
que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal).
O princípio da legalidade estabelece a necessidade da existência de lei, em
sentido estrito, descrevendo a conduta típica e a cominação de pena, sendo
imperativo ainda que a lei seja anterior à ocorrência do fato.

Como a medida provisória tem força de lei, então uma MP também pode
criar crime?
De jeito nenhum... crimes somente podem ser criados por lei em sentido
estrito, ou, como prefere a doutrina, vige o princípio da reserva legal, conforme
estabelece o art. 62 da Constituição, com redação dada pela EC 32/2001, que
dispõe sobre a proibição da edição de medida provisória em matéria penal,
seja ela prejudicial (o que já era pacífico em sede jurisprudencial) ou mesmo
favorável ao réu. Segundo a doutrina, o texto constitucional é cristalino e não
autoriza conclusão em sentido contrário.
Por fim, segundo Capez, nenhuma outra fonte subalterna pode gerar a norma
penal, uma vez que a reserva de lei proposta pela Constituição é absoluta, e
não meramente relativa. Nem seria admissível que restrições a direitos
individuais pudessem ser objeto de regramento unilateral pelo Poder Executivo.
Assim, somente a lei, na sua concepção formal e estrita, emanada e aprovada
pelo Poder Legislativo, por meio de procedimento adequado, pode criar tipos e
impor penas.
Pode-se afirmar que fere o princípio da reserva legal a criação de crimes e
a cominação de pena por meio de medida provisória?
Sim... o tema várias vezes já foi explorado em concursos, medida provisória
jamais pode criar crimes ou estabelecer penas, sob pena de ferir o princípio da
reserva legal.

Podemos afirmar que princípio da legalidade e princípio da reserva de lei


é sinônimo?
Fiquem esperto, as expressões não são sinônimas, a legalidade abrange
várias espécies normativas, como leis ordinárias, complementares,
delegadas, medidas provisórias, decretos legislativos e resoluções. Tal
princípio tem previsão no 5°, II da Constituição Federal (II- ninguém será
obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei)-
princípio da legalidade em sentido amplo.
Por sua vez, o princípio da reserva legal (legalidade estrita) possui um
sentido mais restrito, abrange apenas lei ordinária ou complementar
aprovada pelo Congresso Nacional, previsto no art. 5º XXXIX (não há crime
sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal). 

Como as medidas de segurança não são penas, podemos afirmar que não
estão submetidas ao princípio constitucional da reserva legal em matéria
penal?
Errado, para a doutrina majoritária, bem como as principais bancas de
concursos, tal princípio também se aplica às medias de segurança, ao
argumento de que a Constituição Federal proclama que não há “crime” sem lei
anterior ou “pena” sem prévia cominação legal; ao fazê-lo, porém, emprega tais
vocábulos como sinônimos de “infração penal” (crime ou contravenção penal) e
“sanção penal” (pena ou medida de segurança).

O que vem a ser o princípio da fragmentariedade?


Tal princípio impõe que o Direito Penal deva ser fragmentário, ou seja, deve
tipificar o menor número de condutas dentre as inúmeras observadas na
sociedade. Neste sentido, somente as condutas capazes de atingir bens
jurídicos mais valorizados pela sociedade devem ser tipificadas
(criminalizadas).
Importante notar que o princípio da fragmentariedade guarda estreita relação
com o da intervenção mínima, que assevera que o Direito Penal só se faz
presente quando absolutamente necessário.

O que vem a ser o princípio da subsidiariedade?


Preceitua o princípio da subsidiariedade que o Direito Penal deve atuar de
forma subsidiária (Direito Penal de ultima ratio), isto é, somente deve ser
utilizado quando insuficientes as demais formas de controle social, como
família, igreja e, principalmente, outros ramos do direito como o civil (multas) e
o administrativo (sanções administrativas e multas).

O princípio da intervenção mínima (fragmentariedade) estabelece a


atuação do direito penal como ultima ratio, orientando e limitando o poder
incriminador do Estado. Assim, podemos afirmar que, com base em
nesse princípio, deve ser criminalizada o maior número de condutas
possível para melhor proteção da sociedade?
Errado, é justamente o contrário, o princípio da intervenção mínima
preconizando que a criminalização de uma conduta somente se justifica
quando constitui meio necessário para a proteção dos bens jurídicos mais
relevantes para a sociedade, como vida, dignidade sexual, a administração
pública etc. 
O que se entende por princípio da ofensividade?
Segundo o princípio da ofensividade, não haverá crime que não cause lesão
efetiva ou ao menos ameaça concreta ao bem jurídico tutelado, tal princípio
também é conhecido pelo brocardo latino nullum crimen sine injuria.
Em outras palavras, trata-se da exigência do resultado jurídico concreto na
avaliação da tipicidade penal.

O que é o princípio da exteriorização ou materialização do fato?


Segundo tal princípio, também conhecido por "nullum crimen sine actio",
o Estado somente pode incriminar condutas humanas VOLUNTÁRIAS, isto é,
atos.  Logo, estabelece tal princípio que ninguém poderá ser punido por seus
desejos, pensamentos, meras cogitações ou estilo de vida.

O que preceitua o princípio da pessoalidade ou intranscendência da


pena?
É princípio que estabelece que a pena somente pode ser aplicada ao autor
do fato, não podendo atingir terceiros (filhos, pais...ninguém mais). Tem
assento constitucional no art. 5º, XLV (nenhuma pena passará da pessoa do
condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra
eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido). 
Em suma, de acordo com este princípio a pena aplicada só pode ser cumprida
pelo réu condenado, não podendo ser transferida a um sucessor ou coautor do
delito.

O que se entende pelo tão falado princípio da insignificância?


Quando analisamos um fato típico*, devemos verificar a tipicidade formal
(adequação do fato à norma incriminadora) e a tipicidade material (desvalor da
conduta e efetiva lesão causada ao bem juridicamente protegido). Nesta última
que incide o princípio da insignificância, que acaba afastando o próprio crime.
Ou seja, ainda que a conduta seja formalmente típica, se esta conduta não
atingir expressivamente o bem jurídico, o julgador pode considerar a conduta
atípica.
Segundo a doutrina, o Direito Penal, num ambiente jurídico fundado na
dignidade da pessoa humana, em que a pena criminal não constitui
instrumento de dominação política ou submissão cega ao poder estatal, mas
um meio para a salvaguarda dos valores constitucionais expressos ou
implícitos, não deve criminalizar comportamentos que produzam lesões
insignificantes aos bens juridicamente tutelados.
* Veremos detalhadamente sobre fato típico quando analisarmos o conceito
analítico de crime.

Podemos afirmar que o princípio da insignificância é uma excludente de


ilicitude?
Não, TRATA-SE DE EXCLUDENTE DE TIPICIDADE, torna o fato atípico por
lhe faltar tipicidade material. A conduta é formalmente crime, mas não ofende
significativamente o bem jurídico protegido.

Segundo os Tribunais Superiores, quais os requisitos para a aplicação do


princípio da insignificância?
1- Mínima ofensividade da conduta do agente;
2-Nenhuma periculosidade social da ação;
3- Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento;
4- Inexpressividade da lesão jurídica provocada.
Utilize essa ferramenta mnemônica para guardar as iniciais dos requisitos (se
você tiver um amigo mineiro fica mais fácil). MI-NE-R-IN.

O princípio da insignificância é aplicável nos crimes contra a


administração pública?
Devemos ter cuidado ao responder... Para o STF1 é aplicável, pois considera
tratar de um princípio geral do direito. Já o STJ2 não, considera este tribunal
que o bem jurídico tutelado é a moralidade administrativa, que jamais pode ser
considerada insignificante.
1- Princípio da insignificância e Administração Pública. A 2ª Turma, por maioria,
concedeu habeas corpus para reconhecer a aplicação do princípio da
insignificância e absolver o paciente ante a atipicidade da conduta. Na situação
dos autos, ele fora denunciado pela suposta prática do crime de peculato, em
virtude da subtração de 2 luminárias de alumínio e fios de cobre. HC 107370
SP, 26.4.20112-(...)
2- Quanto à aplicação do princípio da insignificância, Vasco Della Giustina
ressaltou que a jurisprudência do STJ firmou entendimento de ser inaplicável
tal princípio aos delitos praticados contra a administração pública, uma vez
que, nesses casos, além da proteção patrimonial, deve prevalecer o resguardo
da moral administrativa.HC 109639 SP, 27 09 2011.

Aplica-se o princípio da insignificância nos caso de crimes caso


falsificação de moeda?
Aqui as jurisprudências do STF e do STJ caminham juntas, entendem que não
se aplica o princípio da insignificância, ainda que a nota falsificada seja
de ínfimo valor. Entendem os tribunais se tratar de delito contra a fé pública,
que são incompatíveis com a aplicação de tal princípio, pois nesses casos,
sempre há interesse estatal na repressão do crime.

Sabemos que as leis penais são classificadas em LEI PENAIS


INCRIMINADORAS e NÃO INCRIMINADORAS. A incriminadora possui um
preceito primário (a ação ou omissão ilícita) e um secundário (sanção
penal).
Como são chamada as leis penais que não possuem o preceito primário
completo?
São as chamada de LEIS PENAIS EM BRANCO, são leis cujo preceito primário
é incompleto, embora o preceito secundário seja determinado. A lei penal em
branco necessita de complemento de outra norma, já existente ou futura, da
mesma hierarquia ou de hierarquia inferior. Segundo Binding, "a lei penal em
branco é um corpo errante em busca de sua alma".

O que se entende por lei penal em branco em sentido amplo (imprópria,


homogênea ou homóloga)?
É a lei cujo complemento do preceito primário é formulado pela mesma
instância legislativa que elaborou a lei penal em branco, como visto, o Poder
Legislativo da União.
Ex.: O art. 237 do Código Penal pune quem contrai casamento, conhecendo a
existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta. Esses
impedimentos estão previstos no art. 1.521, I a VII, do Código Civil. (Código
Penal e Código Civil, ambas leis ordinárias). 

Qual a diferença entre lei penal em branco em sentido amplo (imprópria,


homogênea ou homóloga) e a lei penal em branco homovitelínea?
A diferença é que na primeira, homóloga, o complemento do preceito primário
deve ser formulado pela mesma instância legislativa que formulou a lei penal
em branco, no Brasil, somente o Poder Legislativo da União.
Já a homovitelínea estará presente quando a norma que a complementa for
da mesma instância legislativa (Poder Legislativo) e estiver na mesma
estrutura normativa da descrição típica.
Ex.: os crimes funcionais e o conceito de funcionário público integram a mesma
estrutura (Código Penal). No caso em tela, lei penal em branco complementada
pela própria lei penal. 

O que é a Lei penal em branco heterovitelínea?


A lei penal homogênea heterovitelínea é aquela em que a norma complementar
se origina da mesma instância legislativa (Poder Legislativo), sendo que a lei
penal em branco é complementada por lei extrapenal.
Ex.: Art. 184 do CP prevê como crime a violação dos direitos autorais, mas a
definição desses direitos estão em lei extrapenal.

O que é lei penal em branco em sentido estrito (própria ou heterogênea)?


É aquela em que a complementação do preceito primário é em instância
legislativa diversa da que formulou a lei penal em branco, em outras palavras,
por norma não originada do poder legislativo.
Exemplo: Crime de tráfico ilícito de drogas (art. 33 da Lei no 11.343/ 06) no
qual o preceito primário do tipo penal não discrimina as espécies de drogas
proibidas, tendo esta função o Poder Executivo, no caso por meio de
Portaria da ANVISA , em específico a nº 344/ 98 , (instância diversa do Poder
Legislativo).

O que é a lei penal em branco inversa ou ao avesso?


São as que, embora o preceito primário esteja completo, e o conteúdo
perfeitamente delimitado, o preceito secundário, isto é, a cominação da pena,
fica a cargo de uma norma complementar. Se o complemento for um ato
normativo infralegal, referida norma será reputada inconstitucional, pois
somente a lei pode cominar pena.

Quais são as características da lei Penal?


As características são:
1- Exclusividade;
2- Imperatividade;
3- Impessoalidade;
4- Generalidade.

Vimos que as características da lei Penal são exclusividade,


imperatividade, impessoalidade e generalidade. O que quer dizer cada um
desses princípios?
O princípio da exclusividade estabelece que somente a lei penal pode definir
crimes e as respectivas penas.
O princípio da imperatividade se traduz na autorização estatal de aplicação
da sanção a quem descumprir mandamento previsto na lei penal.
O princípio da impessoalidade estabelece que a lei é criada para ser
aplicada a uma situação concreta, mas dirige-se abstratamente a fatos futuros.
Ressalvando-se as leis de anistia e abolitio crimines.
O princípio da generalidade quer dizer que o preceito primário da lei penal
dirige-se a todas as pessoas abstratamente, ao passo que as sanções, preceito
secundário, apesar de também se dirigir a todos, mais especificamente se
destinam aos juízes, encarregados de aplicá-lo nos casos concretos.

Quanto à origem ou ao sujeito, como pode ser classificada a


interpretação da lei penal?
Classificam-se em interpretação autêntica, judiciária (ou jurisprudencial) e
doutrinária.

A interpretação judiciária ou jurisprudencial é a realizada pelos juízes e


tribunais ao aplicar a norma aos casos concretos. Por seu turno, a
interpretação doutrinária é a realizada pela doutrina, ou seja, pelos
teóricos do direito.
Mas quem realiza a interpretação autêntica?
Como o próprio nome sugere, a interpretação autêntica é a realizada pelo
próprio legislador, ou seja, por quem elaborou a norma.
Divide-se ainda em autêntica textual, quando ocorre no próprio texto da lei, e
em interpretação autêntica posterior, quando uma norma posterior lhe dá a
devida interpretação.

A exposição de motivos do Código Penal se trata de uma interpretação


autêntica?
Não, a Exposição de Motivos do Código Penal deve ser encarada como
interpretação doutrinária, e não autêntica, por não fazer parte da estrutura da
lei.

O que é a interpretação analógica?


A interpretação analógica consistente em estabelecer uma regra geral, seguida
de hipóteses casuísticas, nas quais o juiz deve se basear na aplicação da lei.
Exemplo recorrente utilizado pela doutrina é a hipótese do art. 121, § 2º, IV, do
CP, in verbis, "à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro
recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido”.
Segundo a doutrina, tal método exige do magistrado a fundamentação de suas
escolhas quando não vinculadas ao texto expresso na lei. 

A Interpretação Analógica e a Analogia são sinônimos?


Não, a analogia não é uma forma de interpretação, mas sim uma forma de
suprir lacunas legais, é a técnica de aplicar uma lei que regula determinado
fato a outro não regulado.
Por seu turno, a interpretação analógica consistente em estabelecer uma regra
geral, seguida de hipóteses casuísticas, nas quais o juiz deve se basear na
aplicação da lei. 

A analogia é vedada no Direito Penal?


Cuidado! Na verdade  uma espécie de analogia é proibida, a chamada
analogia in malam partem, que é aquela utilizada para prejudicar o réu. Seria
um exemplo deste tipo de analogia considerar o crime de associação para o
tráfico como crime hediondo. Repelindo tal entendimento, o STJ entendeu pela
impossibilidade de tal analogia, confira: "O crime de associação para o tráfico
não integra a listagem legal de crimes equiparados a hediondos. Impossível
analogia in malam partem com o fito de considerá-lo crime dessa natureza"
(STj-HC177.220 Rj,6ª T, j. 02 06 2011).
A analogia in bonam partem pode ser aplicada no Direito em benefício do réu
em situações de omissão legislativa. 

Três são as teorias que buscam definir o tempo do crime:


(1) Teoria da atividade: considera praticado o crime no momento da
conduta (ação ou omissão), ainda que outro seja o momento do
resultado.
(2) Teoria do resultado: considera o momento da produção do resultado.
(3) Teoria mista: considera tanto o momento da conduta como o do
resultado. Nesse diapasão, que teoria foi adotada pelo nosso Código
Penal?
Foi adotada a teoria da ação, conforme podemos extrair do art. 4º do Código
Penal. Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou
omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.
Considere a seguinte situação: Tício, adolescente com dezessete anos e
onze meses de idade, a tiros de revólver, atinge seu desafeto, e este vem
a falecer dois meses depois em consequência do disparo, assim Tício,
por já contar com mais de 18 anos (sendo já maior de idade) estará
sujeito às normas do Código Penal?
Errado, vimos que o Brasil adota a teoria da ação, como na data do disparo
Tício era adolescente, será julgado nos termos das normas estabelecidas no
Estatuto da Criança e do Adolescente.

Sabemos que, em regra, os fatos praticados na vigência de uma lei devem


ser regidos por ela, (tempus regit actum). Qual é a exceção prevista no
Direito Penal?
A exceção está prevista na Constituição e no próprio Código (CF, art. 5°, XL,e
CP, art. 2°), possibilitando a nova lei mais benéfica ao réu seja aplicada
retroativamente (aplicação da lei penal a fato ocorrido antes de sua vigência)
ou que continue a ser aplicada após revogada, desde que ainda não esgotadas
as consequências jurídicas do fato.

O que se entende por conflito de leis no tempo?


É a situação que ocorre quando uma lei é alterada, mas as consequências
jurídicas continuam por ela regida.
Exemplo: alguém é condenado por um crime, cumpre pena, neste curso, a
pena é reduzida por outra lei.

Como é solucionado o conflito de leis no tempo?


É solucionado pelo art. 5°, XL, da CF: "a lei penal não retroagirá, salvo para
beneficiar o réu". Importante destacar que é dessa norma constitucional, extrai-
se os seguintes princípios:
Princípio da irretroatividade da Lei penal mais gravosa;
Princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica.

Lei excepcional é aquela vigente em situação transitória emergencial,


como em épocas de guerra, calamidade pública, tragédias naturais, e
persistirá enquanto não cessar a situação que motivou a sua criação.
Nessa linha de raciocínio, o que é uma lei temporária?
É a que possui a vigência previamente determinada, são leis autorrevogáveis e
criadas para atender situações anômalas. Oportuno aqui trazer o teor do art. 3°
do CP, que diz; "a lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período
de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se
ao fato praticado durante sua vigência". Trata-se de excepcional hipótese de
ultra-atividade da lei mais gravosa, sob pena de não ostentar a coercitividade
necessária.

De acordo com o princípio da irretroatividade, podemos afirmar que a lei


penal não retroagirá, salvo disposição expressa em lei?
Errado, tratando de lei penal mais benéfica (novatio legis in mellius - lex mitior)
retroagirá para beneficiar o réu, conforme a previsão no p. único do art. 2º do
CP, in verbis: "a lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-
se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória
transitada em julgado".

O que se entende por Abolitio Criminis?

Trata-se da descriminalização de uma conduta. Tal fato tem previsão no art. 2º


do CP, confira:" Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de
considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da
sentença condenatória".

Determinados crimes podem atingir o território de dois ou mais países, o


estudo da lei penal no espaço busca estabelecer as hipótese de aplicação
da lei penal brasileira, considerando tais premissas, qual a teoria adotada
pelo Código Penal?
O Código Penal adotou, como regra, a TEORIA DA TERRITORIALIDADE,
conforme podemos verificar no caput do 5º Aplica-se a lei brasileira, sem
prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime
cometido no território nacional.

A partir da leitura do caput do artigo 5ª do CP (Aplica-se a lei brasileira,


sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao
crime cometido no território nacional), podemos dizer que seria possível a
aplicação de lei estrangeira em nosso território?
Correto, segundo CAPEZ, a lei estrangeira é aplicável a delitos cometidos total
ou parcialmente em território nacional, quando assim determinarem tratados e
convenções internacionais. Tal situação é denominada de
INTRATERRITORIALIDADE, que quer dizer a aplicação da lei estrangeira no
território brasileiro.

Sabendo que a teoria adotada é a da territorialidade, podemos dizer que


sua aplicação é absoluta?
Não, perceba que o próprio caput do art. 5º do CP ressalva as hipóteses em
que não será aplicada a lei brasileira, vejamos: Aplica-se a lei brasileira, sem
prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime
cometido no território nacional. Para a doutrina, o art. 5º é temperado pelo
princípio da intraterritorialidade, que permite que em algumas hipóteses a lei
penal estrangeira seja aplicada no território brasileiro. (exemplo: imunidades
diplomáticas).

O que quer dizer o princípio do pavilhão ou bandeira?


Tal princípio estabelece que as embarcações e aeronaves privadas são
extensões do território do país em que se achem registrados ou matriculados,
nas hipóteses em que estiverem em alto-mar ou no espaço aéreo
correspondente, sendo aplicado em tais situações a lei do país cujo pavilhão
(bandeira) o veículo ostentar.

De acordo com o princípio da bandeira pavilhão, será considerado


praticado no estrangeiro o homicídio ocorrido no interior de aeronave
mercantil de bandeira brasileira, durante sobrevôo em alto-mar.
Errado, tal princípio estabelece que as embarcações e aeronaves privadas são
extensões do território do país em que se achem registrados ou matriculados,
nas hipóteses em que estiverem em alto-mar ou no espaço aéreo
correspondente, assim, aplica-se a lei brasileira.

O § 1º do art. 5º diz que para os efeitos penais, consideram-se como


extensão do território nacional:
As embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço
do governo brasileiro onde quer que se encontrem;
As aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade
privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo
correspondente ou em alto-mar.
Assim, acaso seja cometido um crime a bordo de um navio mercante
brasileira em águas argentinas, deverá ser aplicada a lei penal brasileira?
Errado, navio mercante não é de natureza pública, e não estando a serviço do
governo brasileiro, não será considerado extensão do território brasileiro. Aqui
também não cabe falar em princípio do pavilhão ou da bandeira, haja vista que
tal princípio se aplica às situações em que o navio/ aeronave se encontra em
alto mar ou espaço aéreo correspondente. No caso em análise, aplicar-se-á a
lei penal argentina. 
Acaso um peruano, a bordo de uma embarcação da Marinha Mercante
Brasileira, ancorada em porto holandês (local onde, em tese, não se pune
o aborto), contribua para que sua esposa, boliviana, pratique o
abortamento, o território brasileiro não será considerado local de
ocorrência da conduta, pois o navio estava ancorado em águas
estrangeiras.
Correto, navio da marinha mercante brasileira em águas estrangeiras não é
extensão do território brasileiro.

A tripulação de determinado navio japonês de propriedade privada,


quando a embarcação já se encontrava em águas territoriais brasileiras,
percebeu a presença de um passageiro clandestino que, jogado ao mar
antes de a embarcação atracar no porto de Salvador, morreu afogado. Em
tal situação, a partir dessa situação hipotética, deve ser aplicada ao caso
a lei penal do país de origem do navio, já que não se trata de embarcação
que estava a serviço de país estrangeiro.
Errado, deve ser aplicada a lei brasileira, já que o navio, de propriedade
privada, é considerado extensão do território brasileiro. (art. 5ª, §2°- É também
aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou
embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em
pouso no território nacional (...) Nesse caso, deve ser aplicada a lei penal ainda
que todos sejam de nacionalidade estrangeira.

Se em um barco pesqueiro brasileiro de propriedade particular ocorrer


um homicídio em águas territoriais estrangeiras, será aplicada a lei
brasileira?
Errado, nessa situação, o crime não ocorreu no território brasileiro, em regra,
não seria aplicada a lei brasileira. Seria aplicada a lei brasileira se o crime
ocorresse em águas internacionais, pois estas não estão sob a soberania de
qualquer país.

Mário comete um crime de homicídio a bordo de um navio brasileiro de


grande porte em alto mar, que faz o trajeto direto entre Santos (São Paulo
Brasil) e Cape Town (África do Sul). Podemos dizer que Mário será
processado e julgado pela justiça de qual comarca?
Primeiramente há que se destacar que o crime fora cometido no território
brasileiro por extensão, confira: Art. 5º, §1º in fine:Aplica-se a lei brasileira, sem
prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime
cometido no território nacional. § 1º - Para os efeitos penais, consideram-se
como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras,
de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se
encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes
ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo
correspondente ou em alto-mar(destacamos). Por fim, a comarca competente
será o lugar do último porto em que o navio tocou, conforme prevê o Código de
Processo Penal, confira:Art. 89. Os crimes cometidos em qualquer embarcação
nas águas territoriais da República, ou nos rios e lagos fronteiriços, bem como
a bordo de embarcações nacionais, em alto-mar, serão processados e julgados
pela justiça do primeiro porto brasileiro em que tocar a embarcação, após o
crime, ou, quando se afastar do País, pela do último em que houver tocado.

O art. 6º do CP trata do lugar do crime e tem a seguinte redação:


Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou
omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria
produzir-se o resultado. Podemos dizer então que o Brasil adotou a teoria
da ubiquidade?

Correto, para definir o lugar do crime o CP adotou a teoria mista ou da


ubiquidade, sendo considerado o lugar do crime tanto o local da ação ou
omissão quanto o local do resultado.

O que se entende pelo princípio da extraterritorialidade da lei brasileira?


É aplicação da lei brasileira aos crimes cometidos fora do Brasil, está previsto
no art. 7º do CP. Veja o que diz o artigo. Ficam sujeitos à lei brasileira, embora
cometidos no estrangeiro: I - os crimes: a) contra a vida ou a liberdade do
Presidente da República; b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do
Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública,
sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder
Público; c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; d) de
genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil; II - os
crimesa) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; b)
praticados por brasileiro; c) praticados em aeronaves ou embarcações
brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território
estrangeiro e aí não sejam julgados. § 1º - Nos casos do inciso I, o agente é
punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no
estrangeiro.§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende
do concurso das seguintes condições: a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; c) estar o crime
incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; d) não
ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; e)
não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar
extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável. § 3º - A lei brasileira aplica-
se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil,
se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: a) não foi pedida ou
foi negada a extradição; b) houve requisição do Ministro da Justiça.
As formas de aplicação do princípio da extraterritorialidade dividem-se
em incondicionada e condicionada, as incondicionadas não subordinam
qualquer condição para a aplicação da lei brasileira, ao passo que as
condicionadas estabelecem algumas condições para aplicação da lei
brasileira. Nesse sentido, no caso de crimes praticados contra a vida do
Presidente da República, aplica-se a lei brasileira de forma
incondicionada?
Correto, todas as hipóteses do inciso I do art. 7º do CP são incondicionadas,
quais sejam: a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; b)
contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de
Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista,
autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público; c) contra a administração
pública, por quem está a seu serviço; d) de genocídio, quando o agente for
brasileiro ou domiciliado no Brasil; Importante notar o que diz o § 1º do art. 7º:
Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que
absolvido ou condenado no estrangeiro.

Imagine que um cidadão brasileiro tenha praticado o delito de genocídio


na Argentina, tendo matado membros de um grupo étnico daquele país,
onde foi condenado definitivamente à pena máxima de oito anos de
reclusão, segundo a legislação argentina. Após ter cumprido
integralmente a pena, esse cidadão, retornando ao Brasi,l não poderá
mais ser julgado e condenado, por que já cumpriu pena no estrangeiro.
Está correta tal afirmação?
Errado, o crime de genocídio é uma das hipóteses de extraterritorialidade
incondicionada, de forma que, independentemente de qualquer condição,
ainda que o acusado seja absolvido ou condenado no estrangeiro, será
aplicada a lei brasileira.

Uma brasileira, a bordo de uma embarcação estrangeira de propriedade


privada registrada em um país onde não se pune o aborto, navegando em
alto-mar, consente que terceiro provoque o aborto. Neste caso, quando a
mulher desembarcar no Brasil poderá ser condenado por tal crime.
Errado, mesmo se tratando de fato considerado crime pela lei penal brasileira
(art. 124 do CP), a prática não ocorreu em território brasileiro, mas sim em local
onde não se pune o aborto, de sorte que faltará a condição disposta no art. 7°,
§ 2°, alínea "b", qual seja a dupla tipicidade.

Se em um barco pesqueiro brasileiro de propriedade particular ocorrer


um homicídio em águas territoriais estrangeiras, não sendo julgado no
respectivo país, seria possível a aplicação da lei brasileira.
Correto, seria a aplicação da extraterritorialidade condicionada, (também
conhecida como princípio da representação) conforme previsto no art. 7º, II, c
do CP penal, vejamos:
Art. 7º Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: (...)
II os crimes:(...)
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de
propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados.

Acaso uma pessoa seja condenada no estrangeiro e no Brasil pela prática


do mesmo crime, ainda que cumpra a pena no estrangeiro, quando
regressar ao Brasil, deverá cumprir a totalidade da pena imposta pela
justiça brasileira.
Errado, nesses casos, em regra, para que não haja dupla punição (non bis in
idem), estabelece o art. 8º do CP que "a pena cumprida no estrangeiro atenua
a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é
computada, quando idênticas".

Podemos dizer que, em decorrência da soberania do Brasil, a sentença


penal estrangeira não pode ser homologada no Brasil para obrigar o
condenado a reparar o dano causado pelo crime cometido no exterior.
Errado, a sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na
espécie as mesmas consequências, pode ser homologada no Brasil para:
I obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos
civis;
II sujeitá-lo a medida de segurança. (art. 9º do Código Penal).

Considerando a contagem de prazo no Código Penal, uma pena de 01 ano


iniciada no dia 04 de janeiro de 2012, às 18 horas, terá seu término no dia
04 de janeiro de 2013, às 24 horas.
Errado, segundo o art. 10 do Código Penal, o dia do começo inclui-se no
cômputo do prazo. Saliente-se que o prazo no direito penal, cuja importância
relaciona-se ao cumprimento da pena, favorece o acusado, uma vez que o
primeiro dia é computado. Nesse sentido, a pena estaria cumprida no dia 03 de
janeiro de 2013 às 24h.

O que é um crime simples?


É o correspondente à descrição básica da conduta, que não contém causa
ou circunstância que o modifique.
Ex. é o homicídio simples, Art. 121. Matar alguém: Pena - reclusão, de seis a
vinte anos.
O que é um crime qualificado?
É o tipo penal que contém uma circunstância que torna a pena mais elevada
do que à correspondente ao do tipo básico.
Ex. Art. 121. Matar alguém: (...) Homicídio qualificado:
§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
II - por motivo fútil;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que
dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de
outro crime:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos. 
Lembre-se que o homicídio simples comina a pena de 6-20 anos.

O que é um crime privilegiado?


É aquele que possui alguma circunstância que torna a pena menor que a do
que a do tipo básico.
Ex. Art. 242 - Dar parto alheio como próprio; registrar como seu o filho de
outrem; ocultar recém-nascido ou substituí-lo, suprimindo ou alterando direito
inerente ao estado civil:
Pena - reclusão, de dois a seis anos. Parágrafo único -
Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza: Pena -
detenção, de um a dois anos, podendo o juiz deixar de aplicar a pena.

O crime simples é o que pode ser cometido por qualquer pessoa?


Não, este é o conceito de crime comum, no qual o tipo penal não exige
nenhuma qualidade especial do sujeito ativo, de modo que qualquer pessoa
poderá praticá-lo (ex.: homicídio, lesão corporal, calúnia, estupro, furto, roubo,
estelionato).
O crime simples é aquele não contém nenhuma cláusula de aumento
(qualificado) ou diminuição de pena (privilegiado).
Perceba que o crime simples se contrapõe ao crime qualificado ou ao crime
privilegiado. 

Crime próprio é aquele que o tipo penal exige alguma qualidade


específica do sujeito ativo.  Cite dois exemplos dessa espécie de crime.
1- Infanticídio (somente a mãe pode praticar);
2- Crimes praticados por funcionários públicos contra a administração pública
(somente funcionário público praticar).*
3- Receptação qualificada pelo exercício de atividade comercial ou industrial,
delito previsto no art. 180, § 1.º, do Código Penal (somente pode ser praticado
pelo comerciante ou industrial).
* Como você verá em breve, existem alguns crimes contra a administração
pública podem ser cometido por particulares. 

Crime de mão própria (de atuação pessoal ou de conduta infungível) é


aquele que somente pode ser cometido pelo sujeito pessoalmente e que
não admite coautoria, dê um exemplo desta espécie de crime.

1- Falso testemunho;
2- Autoaborto.

Qual a diferença entre crime próprio e crime de mão própria?


Primeiro vamos destacar uma semelhança. Em ambas as hipóteses os crimes
somente podem ser cometidos por determinadas pessoas.
Agora vamos às Diferenças. No crime de mão própria a conduta somente pode
ser cometida pelo sujeito pessoalmente.
A segunda é que os crimes próprios admitem coautoria, autoria mediata e
participação. Por seu turno, os crimes de mão própria somente admitem o
concurso de agentes na modalidade participação, uma vez que não se pode
delegar a terceiros a execução do crime.

Crimes militares são aqueles previstos no Código Penal Militar.


Qual a diferença entre um crime militar próprio e crime militar impróprio?
Os crimes militares próprios são os previstos no Código Penal Militar e que não
encontram descrição semelhante na legislação penal comum, como crimes de
deserção e insubordinação. 
Crime militar próprio: Está previsto apenas no Código Penal Militar.
Ex.: art. 187- deserção.
Crime militar impróprio: Está previsto tanto no CPM quanto no Código
Penal ou em legislação extravagante.
Ex.: o crime de furto é previsto tanto no CPM quanto no CP.
Destaca-se que a condenação anterior por crime militar impróprio gera
reincidência (ex.: estupro ou furto cometidos por militar em serviço), ao passo
que se a condenação definitiva anterior for por crime militar próprio, a prática
de crime comum não leva à reincidência.  

O crime instantâneo é aquele que se consuma imediatamente, como por


exemplo o homicídio. Por seu turno, o crime permanente é aquele em que
a consumação se protrai no tempo, a exemplo do crime de sequestro.
O que é o crime instantâneo de efeitos permanentes?
É o tipo em que a consumação é imediata, mas o resultado se prolonga no
tempo independente da vontade do agente. O homicídio, por exemplo, é crime
instantâneo de efeitos permanentes. Sua consumação se dá no exato instante
em que a vítima perde sua vida, mas os efeitos desse crime são sentidos de
modo longo e duradouro (por óbvias razões).
Perceba pro fim que prorrogação dos efeitos não depende do agente,
sendo inerente ao fato típico, ao contrário do que ocorre nos crimes
permanentes, que o autor tem o controle da prorrogação.

Qual a diferença entre o crime permanente e o crime habitual?

Para a caracterização do crime permanente basta única ação do agente,


mas o bem jurídico permanece agredido por um período determinado pelo
agente, como por exemplo no sequestro.
Já no crime habitual, para que reste configurado, há necessidade
dareiteração de condutas, reveladora de um estilo de vida do agente, de
forma que, se praticar a conduta somete uma vez não haverá crime, são
exemplos (ex.: art. 284- curandeirismo; art. 282- exercício ilegal de medicina,
arte dentária ou farmacêutica).

O CRIME COMISSIVO é aquele que descreve uma ação proibida pela norma
penal (Ex. Art. 129- Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem).
O CRIME OMISSIVO PRÓPRIO é o praticado por meio de uma omissão
(abstenção de comportamento), sendo que sua consumação dispensa qualquer
resultado naturalístico. (Ex.: art. 135- omissão de socorro).
A par de tais informações, o que seria o crime omissivo impróprio?

Também conhecido como comissivo por omissão, é aquele em que


oomitente tem o dever jurídico de evitar o resultado, caso não o faça, deve
responder pelo crime. Citando CAPEZ, é o caso da mãe que descumpre o
dever legal de amamentar o filho, fazendo com que ele morra de inanição, ou
do salva-vidas que, na posição de garantidor, deixa, por negligência, o banhista
morrer afogado. Nestas hipóteses, ambos respondem por homicídio culposo e
não por simples omissão de socorro.
Os crimes omissivos impróprios estão disciplinados no art. 13, § 2º, do CP,
confira:
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é
imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem
a qual o resultado não teria ocorrido. (...) Relevância da omissão.
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia
agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.
* Estudaremos este artigo de forma mais aprofundada.

Como se classifica o crime que exige somente um agente para a


consumação do resultado?

É o chamado crime monossubjetivo ou unissubjetivo, lembrando que em tais


crimes é possível o concurso de pessoas.

Como se classifica o crime que exige dois ou mais agentes para que reste
configurado?

Trata-se do crime plurissubjetivo, que se divide em:


1- Conduta paralela (mesmo objetivo - ex.: quadrilha);
2- Conduta divergente (ações são dirigidas de uns contra os outros - ex.:
rixa);
3- Conduta convergente (ex.: bigamia).

Podemos dizer que o crime unissubsistente ou monossubjetivo é o que


se consuma com um único ato? 

Não, importante não confundir as classificações. O crime UNISSUBSISTENTE


é o que se consuma com um só ATO.
Monossubjetivo ou unissubjetivo é o que só exige um sujeito para realizar a
conduta típica.
Dica: Subjetivo- Sujeito.
UnisubsiTente- aTo. 

O crime unissubsistente é o que se consuma com um único ato, nesse sentido,


o que são os crimes plurissusistentes?

São aqueles que consumam-se com a prática de um ou vários atos, como por
exemplo, o crime de lesões corporais (art. 129 do CP).

Qual a diferença entre crime consumado, tentado e exaurido?

O crime consumado ocorre quando nele se reúnem todos os elementosde sua


definição legal (art. 14, I);
O Crime tentado (Tentativa) ocorre quando, iniciada a execução, não se
consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente (art. 14, II);
Por fim, o crime exaurido é quando continua lesando o bem jurídico,
implicando em consequência mais grave após a consumação. Ex.
Recebimento da vantagem após a extorsão mediante sequestro - o crime já
havia se consumado com a exigência do sequestrador, após a consumação
deste crime, ocorre o recebimento da vantagem que exaure o crime.

Como os próprios nomes sugerem, o crime de ação única é aquele em


que o tipo prevê apenas uma forma de conduta (um verbo), já o crime de
ação múltipla, é aquele em que o tipo prevê várias formas de conduta.
Cite um exemplo de cada tipo de crime.

Crime de ação única: Art. 121. Matar alguém; Art. 129. Ofender a integridade
corporal ou a saúde de outrem, Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a
dignidade ou o decoro.
Crime de ação múltipla: Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou
prestar-lhe auxílio para que o faça; e o mais interessante tráfico de drogas, que
prevê 17 condutas alternativas que podem configurar o crime, confira:
Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir,
vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo,
guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda
que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal
ou regulamentar. 
Os crimes materiais são aqueles em que o tipo descreve a conduta e o
resultado naturalístico. Cite um exemplo de um crime de tal espécie.

São exemplos de crimes materiais, o homicídio, leões corporais, furto, roubo,


estupro dentre outros.

Os crimes formais ou de consumação antecipada são aqueles em que o


tipo descreve uma conduta que possibilita a produção de um resultado
naturalístico, mas este resultado não precisa ocorrer para que o crime
reste configurado. Cite exemplo de tal crime:

Exemplo de crime formal é a extorsão mediante sequestro, pois nesse


crime o tipo descreve a conduta de sequestrar, bem como descreve o
resultado, que é o recebimento da vantagem, mas consuma-se ainda que não
haja o recebimento do resgate. 
Outros exemplos são, uso de documento falso, (Art. 304. Fazer uso de
qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a
302);  falsidade ideológica (Art. 299. Omitir, em documento público ou
particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir
declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar
direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante)
dentre outros). 

o crime de mera conduta é aquele em que o tipo descreve apenas a


conduta, da qual não decorre nenhum resultado naturalístico externo
a ela. Cite um exemplo.

Alguns exemplos de crimes de mera conduta são:


Porte ilegal de arma de fogo: Art. 14 da Lei 10.836/ 03, in verbis: Portar,
deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que
gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar
arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em
desacordo com determinação legal ou regulamenta);
Crime de desobediência: Art. 330 do CP - Desobedecer a ordem legal de
funcionário público;
Ato obsceno: Art. 233 do CP- Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto
ou exposto ao público:
Violação de domicílio: Art. 150 do CP-  Entrar ou permanecer, clandestina ou
astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito, em
casa alheia ou em suas dependências. Tal crime consuma-se no momento em
que o sujeito ingressa completamente na casa da vítima (“entrar” – crime
instantâneo), ou então quando, ciente de que deve sair do local, não o faz por
tempo juridicamente relevante (“permanecer” – crime permanente). 
Obs.: Para alguns autores não existe diferença entre crimes formais e de mera
conduta, já que em ambos não é exigida a produção de nenhum resultado
naturalístico.

Qual a diferença entre crime de dano e crime de perigo?

Preste bastante atenção que essa diferença é importantíssima.


- No crime de dano, o crime se consuma com a efetiva lesão ao bem
jurídico (ex.: art. 121 - homicídio).
- No crime de perigo, consuma-se com a possibilidade de lesão ao bem
jurídico (ex.: art. 132 - periclitação, crime de maus tratos.
Maus tratos: Art. 136. Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua
autoridade, guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou
custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer
sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de
correção ou disciplina. 

O crime de dano consuma-se com a efetiva lesão ao bem jurídico, ao


passo que o crime de  perigo estará consumado com a possibilidade de
lesão. Como se subdivide o crime de perigo?

Divide-se em crime de perigo concreto e de perigo abstrato.


Para que reste configurado o crime de perigo concreto,  há a necessidade
da comprovação do perigo, como por exemplo prevê o art. 309 do CTB:
Dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida Permissão para Dirigir
ou Habilitação ou, ainda, se cassado o direito de dirigir, gerando perigo de
dano.
Por seu turno, no crime de perigo abstrato presumido, há a dispensa a
comprovação do perigo, como por exemplo o crime de porte de arma (Lei
10.826 2005, Art. 6º), confira:
É proibido o porte de arma de fogo em todo o território nacional, salvo para os
casos previstos em legislação própria e para (...).
O crime complexo em sentido estrito é aquele que reúne condutas típicas
distintas, ou seja, consiste na fusão de crimes, como por exemplo o crime de
extorsão mediante sequestro, que é a soma da extorsão (Art. 158) mais
sequestro (art. 148) que dá origem ao crime de extorsão mediante sequestro
(art. 159).

A par de tais informações, o que seria o crime complexo em sentido


amplo?

Crime complexo em sentido amplo (ou complexo impuro): reunião de uma


conduta típica e outras circunstâncias que não são típicas.
Ex.: constrangimento ilegal (ameaça + outro fato não tipificado).

Qual a diferença entre crime mono-ofensivo e pluriofensivo?

Para responder a pergunta temos que levar em consideração o o número de


bens jurídicos protegidos, de forma que o crime será
- Mono-ofensivo: é aquele em que o tipo protege apenas um bem jurídico.
Ex.: Art. 124- praticar aborto em si ou permitir que outrem lho provoque. No
aborto tutela-se a vida.
- Crime pluriofensivo: visa à proteção de mais de um bem jurídico no mesmo
tipo penal.
Ex.: art. 159- extorsão mediante sequestro, a tipificação busca tutelar mais de
um bem jurídico, a liberdade, a integridade corporal e o patrimônio. 

O crime funcional é aquele que possui como agente o funcionário


público. Subdivide-se em próprio e impróprio, o que diferencia um do
outro?

A diferença é que, no crime funcional próprio, a condição de funcionário


público é essencial para configuração do crime, não presente esta
circunstância, a conduta não será crime, ou seja, a conduta será atípica.
Exemplo: Prevaricação: Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar,
indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei,
para satisfazer interesse ou sentimento pessoal.
Por seu turno, o crime funcional impróprio, se ausente a condição de
funcionário público a conduta será típica, no entanto, a conduta
caracterizará outro tipo penal.
Exemplo: Peculato: Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro,
valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse
em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio.

Qual a diferença entre crime transeunte e não transeunte?

A diferença consiste na existência ou não de vestígios na conduta


criminosa. 
São transeuntes os crimes que não deixam vestígios, o
que impossibilitando a realização de perícia. Ex. crimes contra a honra.
Já o crime não transeunte é o que deixa vestígios (crimes materiais) em que
a realização da perícia é essencial para a comprovação do crime.
Ex.: homicídio, lesão corporal.

O que é um crime de atentado ou de empreendimento?

É aquele em que a própria tentativa já configura o crime, como por exemplo


o crime de evasão mediante violência contra a pessoa, que tem a seguinte
descrição: Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo
submetido a medida de segurança detentiva, usando de violência contra a
pessoa.

O que é um crime acessório?

É aquele que pressupõe a existência de um delito anterior, como por exemplo o


crime de receptação, que consiste em Adquirir, receber, transportar, conduzir
ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de
crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte (art.
180 do CP).

Conduta é um agir humano (comissiva), ou um deixar de agir (omissiva),


de forma consciente e voluntária, dirigido a determinada finalidade. A
conduta deve ser concebida como um ato de vontade com conteúdo
(finalidade querer interno). Para que a conduta seja típica deverá ser
dolosa (crime doloso) ou culposa (crime culposo).
Do conceito acima exposto, quais são as características da conduta?

As principais da conduta são:


a) comportamento humano, consistente num movimento ou abstenção de
movimento corporal;
b) voluntariedade.

Segundo predomina na doutrina, qual teoria da conduta adotou o Código


Penal?

O Código Penal adotou a TEORIA FINALISTA da conduta de Hans Welzel.


Nunca se esqueça disso, o CP adotou a teoria FINALISTA DA AÇÃO!

Preconiza o Art. 13 do Código Penal:


O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a
quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o
resultado não teria ocorrido.
Da leitura de tal dispositivo, podemos afirmar que todo crime tem um
resultado?

Sim, de fato, todo crime possui resultado, pois, segundo a teoria normativa ou
jurídica, resultado é a lesão ou a possibilidade de lesão a um bem jurídico
tutelado pela norma penal.
Mas fique esperto, pois o que você não não pode afirmar é que todo crime tem
resultado naturalístico, pois como sabemos, os crimes de mera conduta não
apresentam resultados naturalísticos, ao passo que os crimes formais podem
ou não ter resultado naturalístico. 

Nos termos do art. 13, caput, do CP, considera-se causa a conduta sem a
qual o resultado não teria ocorrido. No que se refere ao nexo de
causalidade, qual teoria adotada pelo CP?
O CP adotou a teoria da EQUIVALÊNCIA DOS ANTECEDENTES
CAUSAIS (conditio sine qua non), uma vez que se considera causa qualquer
condição que contribua para a produção do resultado naturalístico.

O nexo causal é a ligação entre uma conduta e um resultado naturalístico, ou


seja, uma modificação no mundo exterior.
Podemos afirmar que o nexo causal naturalístico (que causa modificação
no mundo exterior) está presente em todos os crimes?

Não, o nexo causal naturalístico somente guarda relação com os crimes


materiais, pois somente se consumam com um resultado naturalístico
(comprováveis por perícia), diferentemente dos crimes formais e de mera
conduta, que não exigem a produção desse resultado.

O Art. 13, § 1º do CP informa que a superveniência de causa relativamente


independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado;
os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.
O que são causas relativamente independentes?

São causas que se ligam com a conduta do autor e que contribuem na


produção do resultado. Tal causa se insere na linha natural de desdobramento
da conduta.

Como se dividem as causas relativamente independentes, e quais as suas


consequências?

Causa PREEXISTENTE relativamente independente em relação à conduta do


agente (CP, art. 13, caput);
Causa CONCOMITANTE relativamente independente em relação à conduta do
agente (CP, art. 13, caput);
Causa SUPERVENIENTE relativamente independente que NÃO CAUSA, por si
só, o resultado.
Causa SUPERVENIENTE relativamente independente que causa, por si só,
causa o resultado (art. 13, § 1º).
Nas três primeiras hipóteses, o resultado será imputado ao agente.
Já na causa superveniente relativamente independente que causa, por si só, o
resultado , o agente somente responderá pelo atos praticados (art. 13, § 10).

A superveniência de causa relativamente independente exclui a


imputação quando, por si só, produziu o resultado. Mas quanto aos fatos
anteriores, está correto que serão imputados a quem os praticou?

Correto, como a causa relativamente independente, POR SI SÓ, causou o


resultado, o agente somente responde pelos atos até então praticados.

Se a causa for absolutamente independente, qual a consequência para o


agente?

As causas absolutamente independentes, por romperem com o nexo causal,


fazendo com que o resultado se origine de outra causa que não a conduta do
agente, impõem que o agente apenas responda pelos atos então praticados.

No Direito Penal a omissão é irrelevante?

No Direito Penal a omissão pode ou não ser irrelevante, a depender do tipo de


crime. 
Levando em conta a forma pela qual o crime pode ser realizado, de forma que
a conduta pode ser:
1- Crimes comissivos ou de ação: São os praticados mediante , um
fazer, uma conduta positiva tal como se dá no estupro (CP, art. 213). Nessa
categoria se enquadra a ampla maioria dos crimes;
2- Crimes omissivos ou de omissão: são os cometidos por meio de uma
conduta negativa, de uma inação, de um não fazer. 
a)  Crimes omissivos próprios ou puros: a omissão está contida na própria
descrição da conduta criminosa, ou seja, o tipo penal prevê a realização do
crime por meio de uma conduta negativa;
b) Crimes omissivos impróprios, espúrios ou comissivos por omissão: A
conduta típica está descrita em uma ação, exige uma conduta positiva, mas a
omissão do agente, que descumpre seu dever jurídico de agir, acarreta a
produção do resultado naturalístico e a sua consequente responsabilização
penal.
Por todo o exposto, fica claro que a omissão pode ter ou não relevância para a
ocorrência de uma crime. 

Quais são as fases da realização do delito?

Segundo a maioria da doutrina, quatro são as fases, quais sejam:


1- Cogitação;
2- Preparação;
3- Execução;
4- Consumação.
Para alguns autores, o exaurimento também seria uma fase.

Das fases do crime (inter criminis)- cogitação, preparação, execução e


consumação- quais são as internas e quais são as externas?

Somente a cogitação é interna, logo, por não agredir qualquer bem jurídico,
jamais será punível.

Das fases do crime (inter criminis)- cogitação, preparação, execução e


consumação- da mesma forma que a cogitação, a preparação também
não será jamais punível?

A preparação, via de regra, também será impunível, no entanto, pode


configurar outro delito, acaso não seja absorvido pelo delito que o agente
intenciona cometer, como o exemplo do agente que porta ilegalmente arma de
fogo para matar alguém. Se consumar o homicídio, ou ao menos, o crime for
tentado, o porte poderá ser absorvido. Entretanto, acaso a agente seja flagrado
antes de cometer o crime, estará caracterizado o crime de porte de arma de
fogo. 
Para finalizar, importante destacar que há situações em que o legislador
transforma atos preparatórios em tipos penais especiais, quebrando a regra
geral, são exemplos petrechos para falsificação de moeda (art. 291), que
constituiria apenas ato preparatório do crime de moeda falsa (art. 289).  São os
chamados  crimes de atentado, que são aqueles que a lei pune de forma
idêntica o crime consumado e a forma tentada, isto é, não há diminuição da
pena em face da tentativa. 

Qual a diferença entre crime consumado e crime exaurido?

Segundo o inciso I do art. 14 do CP, crime consumado é aquele em que foram


realizados todos os elementos constantes de sua definição legal.
Cabe aqui esclarecer que a consumação é um conceito técnico formal, pois
muitos crimes podem ser consumados mesmo que o agente não obtenham o
resultado esperado, a exemplo da corrupção passiva (art. 317 do CP) que pode
se consumar com a mera solicitação da vantagem indevida.
Por seu turno, o crime exaurido, segundo Capez, é aquele no qual o
agente, após atingir o resultado consumativo, continua a agredir o bem
jurídico, procura dar-lhe uma nova destinação ou tenta tirar novo proveito,
fazendo com que sua conduta continue a produzir efeitos no mundo concreto,
mesmo após a realização integral do tipo.

Pode-se dizer que a consumação de crime, segundo a definição dada pelo


artigo 14, inciso I, do Código Penal , é o mesmo que o seu exaurimento e
com este se confunde.

Errado, os institutos não se confundem, o exaurimento ocorre após a


consumação do crime.

O exaurimento de um crime pressupõe a ocorrência de sua consumação.

Exatamente isso, o exaurimento é um pós-fato à consumação do crime. Por


sua vez, ocorrerá a consumação quando estiverem reunidos todos os
elementos definidos no tipo penal.
O chamado exaurimento do crime está no pós-fato, decorrente da mesma
conduta, que enseja outra punição, porque lesiona bem jurídico distinto
do ofendido pelo fato anterior?

Errado, o exaurimento continua a tingir o mesmo bem jurídico. Está certa a


assertiva quando afirma que está no pós-fato.

Podemos dizer que o exaurimento do crime, por ser posterior à


consumação, não tem qualquer relevância pra o direito penal?

Errado, quando não prevista como causa específica de aumento, o


exaurimento funcionará como circunstância judicial na primeira fase da
aplicação da pena (CP, art. 59*, caput consequências do crime), ou prevista
como causa de aumento de pena, como no art. 317, §1º**.
* Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta
social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias
e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima,
estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e
prevenção do crime.
** Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou
indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão
dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem: (...) § 1º - A
pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da vantagem ou
promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o
pratica infringindo dever funcional.

O que é um crime tentado?

Haverá um crime tentado quando, iniciada a execução, o crime não se


consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. 

Quais são os elementos da tentativa?

São os seguintes:
1- Prática de um ato de execução (realiza-se parte do tipo objetivo);
2- Presença dos elementos subjetivos do tipo doloso (realiza-se o tipo
subjetivo);
3- Não-consumação do crime por circunstâncias alheias à vontade do agente.
 

Ocorre a TENTATIVA PERFEITA (acabada ou crime falho) ocorre quando


todos os atos executórios do crime são realizados pelo agente, não ocorrendo
a execução por circunstâncias alheias a sua vontade.
Quando teremos a Tentativa Imperfeita?

Ocorrerá a TENTATIVA IMPERFEITA quando houver interrupção da fase


executória antes desta ser esgotada.
Tentativa Imperfeita = Interrupção. 

O que se entende por tentativa branca?

Tentativa branca ou incruenta ocorre quando a vítima não é


atingida. Segundo Capez, tentativa branca pode ser perfeita ou imperfeita.
No primeiro caso, o agente realiza a conduta integralmente, sem, contudo,
conseguir ferir a vítima (erra todos os tiros); no segundo, a execução é
interrompida sem que a vítima seja atingida (após o primeiro disparo errado, o
agente é desarmado).
 
O que é tentativa vermelha?

A tentativa cruenta ou vermelha, ocorre quando a vítima é atingida.

Como é punida a tentativa de um crime?


Segundo o parágrafo único do art. 14, Salvo disposição em contrário, pune-se
a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado,diminuída de um
a dois terços.
Lembre-se, tentativa diminuição entre 1/ 3 e 2 /3.

Vimos que a tentativa é punida com a pena correspondente ao crime


consumado, diminuída de um a dois terços. Como o juiz deve proceder
para chegar à reprimenda ideal?

Mesmo a lei não dispondo, a jurisprudência e a doutrina entendem que o juiz


deve levar em consideração a espécie de tentativa no momento de dosar a
pena, pois, quanto mais próxima da consumação, menor será a redução (mais
próxima de 1/ 3), e vice-versa.

Existem duas teorias sobre a tentativa, a subjetiva e a objetiva. Para a


primeira, a tentativa deve ser punida da mesma forma que o crime
consumado, prevalecendo intenção do agente. Por seu turno, para a
teoria objetiva, a tentativa deve ser punida de forma mais branda que o
crime consumado, porque objetivamente produziu um mal menor.
Qual a teoria adotada pelo Código Penal?

No Brasil, o que é punido é o efetivo percurso do iter criminis e não a intenção.


Daí decorre que adotamos a teoria realística ou objetiva.

Todos os crimes admitem a tentativa?

Não, existem algumas espécies de crimes que não admitem a tentativa, veja
quais são:
1- Crimes Culposos;
2- Preterdolosos;
3- Crimes de mera conduta (omissivos próprios);
4- Crimes habituais;
5- Crimes em que só haverá punição se ocorrer o resultado resultado. 
Exemplo: participação em suicídio (art. 122);
6- Crimes de atentado (a lei pune a tentativa da mesma forma que o crime
consumado).
Exemplo: Crime de evasão mediante violência contra a pessoa. Art. 352 -
Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a medida de
segurança detentiva, usando de violência contra a pessoa.
Por fim, lembre-se que as contravenções penais não admitem tentativa. 

O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou


impede que o resultado se produza, responderá da mesma forma que o
crime tentado?

Não, vimos que a tentativa ocorre quando o resultado não se produz por
circunstâncias alheias à vontade do agente.
Na situação em análise o agente, voluntariamente desiste de prosseguir ou
impede que o resultado seja produzido, fazendo-se presente a DESISTÊNCIA
VOLUNTÁRIA, na primeira hipótese, ou o ARREPENDIMENTO EFICAZ, na
segunda. Nesses casos, o agente só responderá pelos atos praticados.
Exemplo: A, com Animus Necandi, atira contra B o ferindo, mas, mesmo
dispondo de munição, desiste de matar a vítima. Nesse caso, não ocorrendo a
morte de B, A responderá por lesões corporais e não por tentativa de
homicídio.

O que é a tentativa qualificada?

Temos a tentativa qualificada nas hipóteses de arrependimento


eficaz edesistência voluntária, hipóteses nas quais o agente responderá
pelos atos já praticados.

Qual a diferença entre desistência voluntária e arrependimento eficaz?

A desistência voluntária ocorre quando o agente desiste voluntariamente de


prosseguir nos atos executórios e não ocorre a consumação do crime.
Por seu turno, o arrependimento eficaz se dá depois de finalizados os atos
executórios e antes da consumação do crime anteriormente pretendido. Em
outras palavras:
Desistência Voluntária- O agente não conclui os atos executório.
Arrependimento Eficaz- O agente conclui os atos executório, mas o crime não
chega a se consumar.  

Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, se


reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou
da queixa, por ato voluntário do agente, qual será o benefício deste?

A pena será reduzida de um a dois terços, conforme previsto no artigo 16 do


CP. Temos aqui a hipótese de arrependimento posterior, que é uma causa
pessoal e obrigatória de diminuição da pena, confira a redação do art. 16 do
Código Penal: 
Art. 16. Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,
reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.

O que é um crime impossível e qual a consequência?

O crime impossível é o que se verifica quando, por ineficácia absoluta do meio


ou por absoluta impropriedade do objeto, for impossível consumar o crime.
Nestes casos, a consequência do crime impossível é a exclusão da
tipicidade, ou seja não haverá crime.
Como bem destaca a doutrina, o crime impossível guarda afinidade com o
instituto da tentativa. Em ambas hipóteses, o agente inicia os atos executórios,
mas não alcança a consumação. No entanto, as diferenças são claras. Na
tentativa é possível atingir a consumação, pois os meios empregados pelo
agente são idôneos, e o objeto material contra o qual se dirige a conduta
constitui-se em bem jurídico suscetível de sofrer lesão ou perigo de lesão. Por
seu turno, no crime impossível, o emprego de meios ineficazes ou o ataque a
objetos impróprios inviabilizam a produção do resultado. Se na tentativa há
efetiva exposição de perigo ao bem jurídico, na hipótese de crime impossível
inexiste situação de perigo. 

Como a doutrina também costuma se referir ao crime impossível?


O crime impossível também é chamado de quase crime, tentativa inidônea,
tentativa inadequada, tentativa inútil, crime oco.

O crime impossível ocorre quando, por absoluta impropriedade do meio


ou absoluta impropriedade do objeto, o crime não se consuma. Havendo
relativa impropriedade do meio, poderíamos afirmar que se trata de crime
tentado?

Correto, se o meio for relativamente ineficaz haverá a tentativa, pois o bem


jurídico foi exposto a um perigo concreto.
O meio será relativamente ineficaz  é aquele que, embora idôneo a macular o
bem jurídico, falhou por razões acidentais, como por exemplo no caso do
revólver apto e municiado que, no instante do disparo falha. 
Por seu turno, objeto material é relativamente inidôneo é o que apresenta
alguma condição circunstancial que impeça a ação danosa do agente ou,
ainda, se presente no início do ataque, deixa o local antes de ser vulnerado,
como por exemplo na hipótese do atirador que dispara no peito da vítima que,
precavida, encontrava-se com colete à prova de balas oculto sob suas vestes.

O sistema eletrônico de vigilância torna impossível a consumação do


crime de furto?

O tema ainda não se encontra pacificado, mas prevalece no STJ que não,
segundo o tribunal, não se trata a hipótese de crime impossível, por ineficácia
absoluta do meio, não incidindo o art. 17 do Código Penal, uma vez que ao teor
da jurisprudência da Corte, o fato do paciente estar sendo vigiado por fiscal
do estabelecimento comercial ou a existência de sistema eletrônico de
vigilância não impede de forma completamente eficaz a consumação do
delito, de modo a se reconhecer caracterizado o crime impossível, pela
absoluta ineficácia dos meios empregados".
Crime impossível – sistema de vigilância – não caracterização: “O sistema de
vigilância instalado nos estabelecimentos comerciais, seja eletrônico, seja
mediante fiscais de prevenção e perda, não se mostra infalível a prevenir
delitos de furto, pois a despeito de dificultar a ocorrência da inversão da posse
quanto ao bem jurídico protegido pela lei penal, não é capaz de impedir, por si
só, a ocorrência do fato delituoso” (STJ: HC 181.138/MG, rel. Min. Gilson Dipp,
5ª Turma, j. 08.11.2011).

Diz-se que o crime é doloso quando o agente quis o resultado ou assumiu


o risco de produzi-lo. A doutrina conceitua o dolo como a vontade e a
consciência de realizar os elementos constantes do tipo legal.
De posse de tais informações, quais os elementos do dolo?

Para a maioria da doutrina, o dolo é composto de dois elementos, quais sejam: 


1- Consciência: elemento cognitivo (conhecimento do fato que constitui a ação
típica);
2 -Vontade: elemento volitivo (elemento volitivo de realizar esse fato).

Três são as teorias sobre o dolo:


1- Teoria da Vontade: dolo é a vontade de realizar a conduta e produzir o
resultado;
2- Teoria da Representação: para a existência do dolo é suficiente a previsão
do resultado;
3- Teoria do Assentimento ou Consentimento: dolo é o assentimento do
resultado, isto é, a previsão do resultado com a aceitação dos riscos de
produzi-lo.

Qual(is) a teoria(s) adotada (s) pelo Código penal?


 

As teorias adotadas foram a teoria da vontade (1) e a teoria do


assentimento (3), conforme podemos extrair da leitura do artigo 18, I, in
verbis:
Art. 18 - Diz-se o crime: Crime doloso I - quando o agente quis o
resultado (teoria da vontade) ou assumiu o risco de produzi-lo (teoria do
assentimento). 

O dolo se divide em várias espécies, diferencie o dolo direito do indireto.


1- Dolo DIRETO, também chamado de DETERMINADO, configura-se quando
o agente prevê um resultado e direciona sua conduta para realiza-lo.
2- Dolo INDIRETO ou Indeterminado configura-se quando o agente, com a
sua conduta, não busca realizar um resultado certo e determinado.
Divide-se em duas subespécies:
2.1- DOLO ALTERNATIVO: O agente prevê pluralidade de resultados. O
agente quer um ou outro resultado previsto.
Ex.: o agente desfere golpe de faca na vítima com intenção alternativa: ferir ou
matar.
2.2- DOLO EVENTUAL: é a modalidade em que o agente não quer o resultado
por ele previsto, mas assume o risco de produzi-lo

O dolo direto se subdivide em dolo direto de primeiro grau e de segundo


grau, qual a diferença entre eles?

O dolo direito de primeiro grau consiste na vontade de produzir as


consequências primárias do delito, ou seja, o resultado típico inicialmente
visado. É o dolo direto em si mesmo.
O dolo direto de segundo grau ocorre quando o autor não pretende produzir
determinado resultado, mas se dá conta de que não pode chegar à meta
traçada sem causar tais efeitos acessórios. 
Exemplo: o agente, para matar seu inimigo (fim proposto), coloca uma bomba
no avião em que ele se encontra, vindo a matar, além de seu inimigo (dolo
direto de primeiro grau), todos os demais que estavam a bordo como
consequência necessária do meio escolhido (dolo direto de segundo grau).

O que se entende por dolo geral ou dolus generalis?

Trata-se de um erro acerca do nexo causal ("desvio" do nexo causal). Ocorre


nas situações em que o sujeito pratica uma conduta e imagina que alcançou o
resultado pretendido, no entanto pratica uma nova conduta, sendo
efetivamente esta a que causa o resultado anteriormente visado.
Exemplo: o sujeito desfere facadas na vítima. Após, pensando que ela já se
encontrava morta, empurra seu corpo no rio, causando--lhe a morte por
afogamento.
Segundo o postulado do dolo geral, o agente responderá por homicídio doloso
consumado, uma vez que o erro do curso causal é irrelevante.
O que é dolo cumulativo?

É aquele em que o agente pretende alcançar dois resultados em sequência, é


o que se encontra presente na progressão criminosa.

Qual a diferença entre dolo de dano e dolo de perigo?

Dolo de dano: A vontade do agente é causar efetiva lesão ao bem jurídico


tutelado.
Dolo de perigo: O agente atua com a intenção de expor a risco o bem jurídico
tutelado.

Segundo o art. 18 , II do CP, diz-se o crime culposo quando o agente dá causa


ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia.
Em que consiste cada uma destas modalidades de culpa?

Imprudência: Consiste em uma atitude arrojada, sem o devido cuidado.


(comportamento positivo).
Exemplos*: ultrapassagem proibida, excesso de velocidade, trafegar na
contramão, manejar arma carregada etc.
Negligência: é a falta de precaução, de cuidado, é uma conduta omissiva,
consistente em deixar de fazer o devido. (comportamento negativo).
Exemplos*: deixar de reparar os pneus e verificar os freios antes de viajar, não
sinalizar devidamente perigoso cruzamento, deixar arma ou substância tóxica
ao alcance de criança etc.
Imperícia: É a falta de aptidão técnica para o exercício de ofício ou profissão.
É necessário que o fato seja praticado pelo sujeito no exercício de sua
atividade profissional.
Exemplos*: médico vai curar uma ferida e amputa a perna, atirador de elite que
mata a vítima, em vez de acertar o criminoso etc.
*(exemplos de Capez).

A imperícia pode advir de pessoa que não exerce arte ou profissão?

Não, nestes casos haveria imprudência, pois a pessoa sem a habilitação


necessária realiza tarefas que não tem condições técnicas de fazer.

Segundo o art. 18 , II do CP, diz-se o crime culposo quando o agente dá causa


ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia.
Diante de tais informações, quais os elementos do crime culposo?

Segundo a doutrina, são seis: 


1- Conduta voluntária;
2- Inobservância do dever jurídico de cuidado;
3- Previsibilidade do resultado;
4- Resultado naturalístico (Involuntário)*;
5- Nexo causal;
6-› Tipicidade.
Excepcionalmente existe um crime culposo não material, é o previsto no art. 38
da Lei de Drogas, confra: "prescrever ou ministrar culposa droga sem que dela
necessite o paciente na modalidade prescrever, o crime se consuma com a
entrega da receita para o paciente é crime culposo sem resultado naturalístico".

Está correto afirmar que qualquer crime admite a modalidade culposa?

Errado, segundo o p. único do art. 18, salvo os casos expressos em lei,


ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica
dolosamente. Logo, podemos concluir que a regra é que os crimes sejam
dolosos, excepcionalmente, se previstos em lei, admitirão a modalidade
culposa. 
Diferencie a culpa consciente da culpa inconsciente.

Culpa consciente (culpa ex lascivia): É a que o agente representa a


possibilidade de ocorrer o resultado, mas não assume o risco de produzi-lo,
pois confia sinceramente que não ocorrerá.
Culpa inconsciente (culpa ex ignorantia): Nesta modalidade o agente, ao
praticar a conduta, não prevê o resultado previsível ao homem médio, nem
mesmo representa a sua possibilidade.
Ambas são CULPAS PRÓPRIAS ou propriamente ditas, pois o agente não
quer e nem assume o risco de produzir o resultado.

O que é culpa imprópria?

A classificação entre culpa própria e culpa imprópria  se funda naintenção de


produzir o resultado naturalístico.
Nesse sentido, a culpa própria é a que se verifica quando o agente não quer
o resultado nem assume o risco de produzi-lo. Por outras palavras, a culpa
própria ou propriamente dita é a que se dá quando o sujeito produz o resultado
por imprudência, negligência ou imperícia e se funda no art. 18, II, do CP.
Por seu turno, culpa imprópria, por extensão, por equiparação ou por
assimilação, é aquela em que o sujeito, após prever o resultado, e desejar sua
produção, realiza a conduta por erro inescusável quanto à ilicitude do fato.
Ou, nas palavras de Capez, "a chamada culpa imprópria é aquela que decorre
do erro vencível sobre a legitimidade da ação realizada".
São exemplos de culpa imprópria no Código Penal o erro de tipo permissivo
inescusável (art. 20, § 1º, parte final) e o excesso culposo nas excludentes
de ilicitude (art. 23, parágrafo único, parte final).
Lembre-se: Imprópria- erro Inescusável-Ilicitude do fato.

Cite um exemplo de culpa imprópria (culpa por extensão, por assimilação ou


por equiparação).
Exemplo 1- Agente, supondo-se na eminência de uma injusta agressão, atira
contra o imaginário agressor (legítima defesa putativa evitável).
Exemplo 2- José está assistindo a um programa de televisão, quando seu
primo Marcos entra na casa pela porta dos fundos. Pensando tratar-se de um
assalto, José atira em direção ao ladrão, certo de que está praticando uma
ação perfeitamente lícita, amparada pela legítima defesa.

Imagine a seguinte situação: Um motorista ultrapassa o sinal vermelho e


atropela uma pessoa que cruzava a rua fora da faixa de pedestre. Nessa
hipótese, como ambos agiram culposamente, quando do julgamento, o juiz
poderá realizar a compensação de culpa? 

Errado, ao contrário do Direito Civil, na esfera penal não é cabível a


compensação de culpas. Nesse sentido, podemos afirmar que a parcela de
culpa do ofendido não exclui a do agente.
Por fim, destaca-se que, havendo culpa exclusiva da vítima, não haverá
imputação.

É possível concurso de pessoas em crime culposo?

É impossível o concurso de pessoas em crimes culposos, face à ausência de


vínculo subjetivo, ou seja, a convergência de vontades para a realização co
crime.

O que é um crime preterdoloso ou preterintencional?

É uma espécie de crime qualificado pelo resultado.


Consiste em uma conduta dolosa e resultado agravador culposo, ocorre
quando o agente quer praticar um crime, mas acaba excedendo-se e
produzindo culposamente um resultado mais gravoso do que o desejado.
É o caso da lesão corporal seguida de morte, na qual o agente quer ferir, mas
acaba matando (CP, art. 129, § 3º). Diz-se tradicionalmente que existe “dolo no
antecedente e culpa no consequente”. Tem previsão no artigo Art. 19 do CP,
confira:
Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o
houver causado ao menos culposamente.
Por fim, como destaca a doutrina, é possível ter ainda crimes dolosos,
agravados por resultados dolosos (ex.: latrocínio, no qual a morte pode derivar
de culpa ou dolo), ou crimes culposos, agravados por resultados igualmente
culposos (ex.: incêndio culposo agravado pelo resultado morte).

Segundo o art. 20 do CP, o erro sobre elemento constitutivo do tipo legal


de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se
previsto em lei.
Acerca do erro de tipo essencial, transcrito no dispositivo acima,
podemos afirmar que nessa situação o agente pratica um crime, mas sem
a devida consciência estar praticando? Ou seja, pratica um crime sem
querer?

Exatamente, no erro de tipo o sujeito apesar de realizar uma conduta


formalmente tipica, não possui a consciência nem a vontade de cometer um
crime, não havendo portando a vontade de violar a lei penal, de forma que
haverá tipicidade objetiva (os elementos objetivos do tipo se realizam), no
entanto, inexistirá a tipicidade subjetiva (elementos subjetivos do tipo- dolo). De
fato pratica o crime sem querer.

Erro de tipo essencial é aquele que recai sobre os elementos


constitutivos do tipo penal (art. 20, caput). 
Cite exemplo de situações que correspondem a tal erro de tipo.

EX. 1- O sujeito subtrai coisa alheia móvel pensando que a coisa é própria.
Ocorre o erro sobre a elementar alheia (CP, art. 155).
Ex. 2- Uma sujeito se depara com a carcaça de um carro, imaginando se tratar
de a coisa abandonada, apodera-se e leva a lata-velha para casa. Porém é
acusado de furto. No entanto, nesta situação, não responderá por crime algum,
pois não cometeu furto porque estava equivocado quanto à elementar coisa
alheia móvel, considerando que não há previsão de furto culposo.
Ex. 3- O agente pega uma caneta alheia, supondo-a de sua propriedade. Seu
erro não incidiu sobre nenhuma regra legal, mas sobre uma situação fática, daí
também não haver furto.
Ex. 4- O sujeito, pretendendo matar um animal, vem a matar uma pessoa
imaginando que seu alvo era um animal. Ocorre o erro sobre a elementar
alguém (CP, art. 121). Não responderá por homicídio doloso, pois não possuía
consciência e vontade de matar alguém (não tinha dolo). Neste caso,
importante destacar que poderá responder por homicídio culposo caso o erro
seja evitável.

Quais os efeitos da incidência do erro de tipo essencial?

Depende, pois o erro de tipo pode ser INEVITÁVEL ou EVITÁVEL. 


Se inevitável, invencível ou escusável (perdoável): Haverá a exclusão do
dolo e da culpa.
Se evitável, vencível ou inescusável: A lei presume que houve a
inobservância do dever de cuidado. Como consequência haverá a exclusão
do dolo, podendo subsistir o crime culposo, desde que seja prevista a forma
culposa no tipo penal.

Imagine a seguinte situação: Motorista que em estacionamento se


apodera de veículo pertencente a terceiro supondo-o seu em decorrência
de absoluta semelhança entre os automóveis.
Podemos dizer que o motorista incorreu em erro de tipo?

Sim, não resta dúvida, visto que sujeito não possui a consciência nem a
vontade de cometer um crime.

Considere a seguinte situação hipotética. Lúcio manteve relação sexual


com Márcia, após conhecê-la em uma boate, cujo acesso era proibido
para menores de 18 anos, tendo ela afirmado a Lúcio ter 19 anos de idade,
plenamente compatível com sua compleição física.
Na situação descrita, constatado posteriormente que Márcia era menor de
14 anos, podemos dizer que Lúcio incorreu em erro de tipo, de forma que
não será punido por crime de estupro de vulnerável?
Da leitura da questão, possível afirmar que Lúcio não possuía a consciência
nem a vontade de cometer o crime, de forma que, segundo entendimento
pacífico da doutrina, há a presença de erro de tipo, afastando assim sua
culpabilidade.
Segundo Vítor Eduardo Rios Gonçalves, a Lei n. 12.015/2009 abandonou o
sistema de presunções de violência, que tantas controvérsias geravam, e
estabeleceu objetivamente como crime o ato de manter relacionamento sexual
com uma das pessoas vulneráveis elencadas no tipo penal. Assim, pouco
importa que uma moça de 12 anos seja prostituta e já tenha se relacionado
com outros homens. Aquele que for flagrado com ela mantendo relação sexual,
ciente de sua idade, responderá pelo crime. "(...) nova redação do dispositivo
não deixa qualquer margem de dúvida no sentido de que se quis afastar o
entendimento jurisprudencial que vinha prevalecendo de que a presunção de
violência era relativa, e considerar, objetivamente, como crime de estupro de
vulnerável a conjunção carnal ou a prática de qualquer outro ato libidinoso com
pessoa menor de 14 anos, doente mental ou que não possa oferecer
resistência. Apenas o erro de tipo (que não se confunde com presunção
relativa) é que pode afastar o delito, quando o agente provar que, por
erro plenamente justificado pelas circunstâncias, pensava que a moça,
que concordou em ter com ele relação sexual, já tinha 14 anos ou mais,
por ter ela, por exemplo, mentido a idade e ter desenvolvimento corporal
precoce." (Direito Penal Parte Especial. Ed Saraiva). 
 

O que é erro de tipo acidental?

É aquele que recai sobre dados acessórios ou secundários do crime e não


sobre o crime em si mesmo.
Tal modalidade de erro não exclui o dolo nem a culpa. 

Quais são as modalidades de erro de tipo acidental?

O erro de tipo acidental pode ser:


1- Se incidir sobre a pessoa - "error in persona"; tem previsão no art. 20, §
3°, "O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de
pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima,
senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime".
2- Erro que recai sobre o objeto - "error in objecto"- objeto material de um
crime é a pessoa ou a coisa sobre a qual recai a conduta. O erro sobre o objeto
é o erro sobre a coisa, objeto material do delito. 
3- Erro acerca do nexo causal- desvio do nexo causal- É o equívoco em
relação ao meio de execução do crime, que acaba por determinar o resultado
almejado pelo agente. Exemplo: o sujeito desfere facadas na vítima, pensa que
esta já faleceu. Posteriormente, empurra seu corpo no rio, vindo esta morrer
em decorrência do afogamento.
4- Quando recai sobre a execução- "aberratio ictus"- Ocorre quando o agente,
por acidente ou erro no uso dos meios de execução, atinge pessoa diversa da
pretendida (não há erro de representação, mas sim de execução). O agente
representa corretamente a vítima, mas erra a execução, diferente do que
ocorre no erro sobre a pessoa, em que há erro na representação.
5- Resultado diverso do pretendido - "aberratio criminis ou delicti"- O
agente, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, provoca lesão
jurídica em bem jurídico diverso do pretendido.

Qual a diferenças entre o "error in persona" e aberratio ictus?

No erro sobre a pessoa (error in persona), o agente faz uma confusão


mental: pensa que a vítima efetiva é a vítima virtual.
Na aberratio ictus (desvio no golpe ou erro na execução), o sujeito não faz
qualquer confusão, dirigindo sua conduta contra a pessoa que quer atingir, no
entanto , por errar o ataque, atinge a pessoa errada, ou seja, deriva
da inabilidade do sujeito ou o acidente no emprego dos meios executórios faz
com que se atinja pessoa diversa da pretendida.
Em outras palavras, no erro sobre a pessoa, o agente pensa que A é B; o erro
está na representação mental do agente. Por seu turno, no erro na execução,
ele sabe que A é A, mas acerta B. 

No erro sobre a pessoa, há uma representação errada da vítima, mas a


execução do crime é certeira. Já o erro na execução, ocorre a
representação correta da vítima, mas a execução é falha.
Quais as conseqüências para o agente em cada hipótese?

As consequências são as mesmas, quais sejam:


- não exclui dolo;
- não exclui culpa;
- não isenta o agente de pena.
Podemos concluir então que em ambas as situações o agente responderá pelo
crime considerando as qualidades da vítima pretendida.

Considere a seguinte situação: A, com a intenção de matar B, erra a


pontaria e acaba por matar C. O caso em tela é hipótese de aberratio
ictus?

Correto, perceba que A representou corretamente a vítima, mas, por erro na


execução (erro de pontaria no caso), acertou a vítima errada.

Considera a seguinte situação: Abdon, com a intenção de matar Batuíra,


matando-o, no entanto, mata também Creonte, que estava próximo à vitima
mas não foi visualizado por Abdon. Nesse caso, responderá por dois
homicídios dolosos.

Cuidado. De fato responderá por dois crimes de homicídio, mas A responderá


por um homicídio doloso em relação a B e um homicídio culposo em relação
à C.
Perceba que a morte de C foi decorrente de um acidente, um erro cometido por
A. 

O que se entende por Discriminantes Putativas?

Trata-se de causa de exclusão da ilicitude que só está na imaginação do


agente. A previsão legal está no art. 20, § 1º, que diz;
É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação
legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é
punível como crime culposo. 
Suponha que um médico, com intenção de matar um paciente desafeto
seu, entrega a uma enfermeira injeção contendo veneno, que é aplicada
no paciente, vindo este a morrer.
No caso hipotético acima, quem deveria responder pelo homicídio?

Temos aqui uma hipótese de erro determinado por terceiro, nesses casos,
aplica-se o §2º do art. 20, que tem a seguinte redação:
Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.
Desta forma, como a enfermeira agiu sem dolo ou culpa, somente o médico
deverá responder.

Quando o agente tem consciência e vontade de praticar determinado


fato, pensando que o mesmo não é típico (crime), incide em erro de tipo?

Errado. Nessa hipótese teremos ERRO DE PROIBIÇÃO, cuja previsão


consta no artigo 21 do CP. Art. 21, que diz:
"O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se
inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um
terço.
Ex.: agente acha que está autorizado a ter conjunção carnal com a esposa,
mesmo tendo que usar a violência para constrangê-la.
Lembre-se que no erro de tipo há uma falsa noção da realidade, que retira do
agente a capacidade de perceber que pratica determinado crime. Em outras
palavras, o agente pratica um crime sem querer. 

Erro de proibição pode ser inevitável (invencível ou escusável) ou evitável


(vencível ou inescusável).
Qual a consequência jurídica de cada uma das hipóteses?

Se inevitável, isenta de pena;
Se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.
Conforme art. 21 do CP, confira: 
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do
fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a
um terço.
Quando o erro é considerado evitável?

Considera-se evitável o erro que provém da culpa do agente, ou seja, se ele


empregasse a cautela e a prudência do homem médio, poderia evitar o erro,
uma vez que seria capaz de compreender o caráter criminoso do fato. A
natureza do erro (escusável ou inescusável) deve ser aferida na análise do
caso concreto, levando-se em consideração as condições em que o fato foi
praticado. Veja o tratamento legal referente ao erro evitável. 
Art. 21, Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se
omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas
circunstâncias, ter ou atingir essa consciência.

No erro de proibição direto o agente pratica a conduta desconhecendo ou


interpretando de forma errônea a norma de proibição (crimes comissivos)
ou a norma mandamental (crimes omissivos), cite exemplo de tais
condutas:

Exemplo 1: mulher que pratica auto aborto (de forma consciente e voluntária)
sem ter conhecimento de que a conduta é típica. (Art. 124 - Provocar aborto em
si mesma ou consentir que outrem lho provoque).
Exemplo 2: o sujeito deixa de prestar socorro porque acredita que não está
obrigado, uma vez que não tem nenhum vínculo com a vítima, ou porque
acredita que não está obrigado a socorrer. (Art. 135 - Deixar de prestar
assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada
ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e
iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública).
Exemplo 3: Registro de menor, filho de outrem, como filho próprio praticado por
motivo de reconhecida nobreza e não ocultado pelo agente que tinha a plena
convicção de estar atuando licitamente (Art. 242 - Dar parto alheio como
próprio; registrar como seu o filho de outrem; ocultar recém-nascido ou
substituí-lo, suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil).

O ERRO DE PROIBIÇÃO DIRETO o agente pratica a conduta


desconhecendo ou interpretando de forma errônea a norma de proibição
(crimes comissivos) ou a norma mandamental (crimes omissivos).
O que se entende por erro de proibição indireto?
Também conhecido como erro de permissão, ocorre nas hipóteses em que o
agente se equivoca sobre as causas de exclusão de ilicitude (estado de
necessidade, legítima defesa e estrito cumprimento do dever legal) e não sobre
as normas proibitivas ou mandamentais. Daí também serem conhecidas
como descriminantes putativas imaginárias.
Exemplo: o sujeito pratica eutanásia supondo que a lei prevê essa situação
como sendo uma causa de exclusão da ilicitude (descriminante).

Imagine a seguinte situação: Abelardo, mediante emprego de arma de


fogo, obriga Bino a furtar o carro de Caio, ameaçando-o morte caso não o
faça. Para salvar-se, Bino realiza a conduta (CP,art. 155). Neste caso, está
correto afirmar que Bino, apesar de cometer fato típico e ilícito, não será
punido?

Correto, pois na hipótese Bino agiu mediante coação moral


irresistível,conforme prescrito no art. 22, primeira parte, confira:
Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a
ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor
da coação ou da ordem.

Abelardo, mediante emprego de arma de fogo, obriga Bino a furtar o carro


de Caio, ameaçando-o morte caso não o faça. Para salvar-se, Bino realiza
a conduta (CP, art. 155).
Neste caso Abelardo deverá responder pelo crime.

Correto, pois na hipótese Bino agiu mediante coação moral irresistível


praticada por Abelardo, quem deve responder pelo crime, conforme prescrito
no art. 22, confira:
Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a
ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor
da coação ou da ordem.
Aqui cabe destacar que responderá pelo crime com a pena aumentada,
conforme inciso II do art. 62, confira:
Art. 62 - A pena será ainda agravada em relação ao agente que:
I - promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos
demais agentes;
II - coage ou induz outrem à execução material do crime;
III - instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade ou
não-punível em virtude de condição ou qualidade pessoal;
IV - executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou promessa de
recompensa.

Podemos afirmar que coação moral IRRESISTÍVEL exclui a culpabilidade,


por inexigibilidade de conduta diversa.
Se a coação for resistível, qual será a consequência para o coator e para
o coagido?

O coator responderá pelo crime, e o coagido, embora não tenha a culpabilidade


excluída, terá a seu favor uma atenuante da pena.

A coação moral IRRESISTÍVEL exclui a culpabilidade; A coação moral


RESISTÍVEL atenua a pena. Podemos afirmar que a coação física irresistível
também exclui a culpabilidade?

Não. A coação física elimina totalmente a vontade do agente, exclui


aconduta, não há sequer crime. Como na coação moral irresistível, o coator
responde pelo seu próprio crime.
Por fim, a coação física é chamada de vis absoluta ou vis corporalis.

Analise as seguintes assertivas:


-A coação física irresistível exclui a ação;
-A coação moral exclui a culpabilidade;
-A coação física ou moral, sendo resistível, atenua a pena.
Estão corretas?

Sim, é exatamente isso. 


A coação física irresistível exclui a ação;
A coação moral exclui a culpabilidade. 
A coação física ou moral, sendo resistível, atenua a pena.

A segunda parte do art. 22 do CP estabelece que, se o fato é cometido em


estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico,
só é punível o autor da ordem.
Nesta hipótese, a obediência hierárquica se aplica às relações de direito
privado, (ex.: pai e filho) ou de trabalho (empregador e empregado)?

Não, é pacífico o entendimento que a ordem ilegal deve ser emanada de um


superior hierárquico e dirigida a um subordinado, na esfera dasrelações de
direito administrativo.

A segunda parte do art. 22 estabelece que se o fato é cometido em estrita


obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é
punível o autor da ordem.
No caso de um subordinado cometer um crime em obediência a ordem legal,
qual será a consequência?

Se a ordem é legal, o superior e o subordinado estão no estrito cumprimento do


dever legal, não havendo assim qualquer punição.

A segunda parte do art. 22 estabelece que se o fato é cometido em estrita


obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é
punível o autor da ordem.
Diante de tal assertiva questiona-se, e se a ordem não for claramente ilegal?

Nesta hipótese, ordem não manifestamente ilegal, o superior será


responsabilizado pelo crime, na condição de autor mediato, sendo que o
subordinado será isentado de pena.

O rol de excludentes de culpabilidade é taxativo ou exemplificativo?


Segundo a doutrina, o rol de excludentes de culpabilidade é
exemplificativo, aberto, pois, por mais prudente que seja o legislador, é
impossível antever todas as situações de inexigibilidade de conduta diversa.
Daí a ampla aceitação das causas supralegais de exclusão de
culpabilidade.

O que são causas supralegais de exclusão de culpabilidade?

São aquelas que, mesmo não previstas em lei, excluem a culpabilidade do


agente. Três são as mais conhecidas:
Cláusula de consciência;
Ex.: marido, por motivos religiosos, incentiva a esposa a não se submeter à
transfusão de sangue, vindo a esposa a falecer.
Desobediência civil;
Ex.: Bloqueios de estrada, manifestações de presidiários visando à proteção
dos direitos humanos; ocupações do MST com o fim de implementar a reforma
agrária, marcha da maconha.
Conflito de interesses. (Tem como fundamento a escolha do mal menor);
Ex.: empresário que, visando manter o funcionamento da empresa, deixa de
recolher as contribuições previdenciárias em virtude da precária situação
financeira.

Segundo o art. 23 do CP, quatro são as hipóteses legais que excluem a


ilicitude da conduta, quais sejam:
(1) estado de necessidade;
(2) legítima defesa;
(3) estrito cumprimento de dever legal e 
(4) exercício regular de direito.
O ESTADO DE NECESSIDADE está previsto no art. 24, cuja redação é a
seguinte:
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para
salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro
modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não
era razoável exigir-se.
Da análise do dispositivo, quais são os requisitos devem estar presente para
que tal excludente seja aplicada?
O requisitos são os seguintes:
-Perigo atual;
- Não provocado voluntariamente pelo agente;
- Salvar direito próprio ou alheio;
- Inevitabilidade da prática do fato lesivo (nem podia de outro modo
evitar);
- Inexigibilidade de sacrifício do direito ameaçado (cujo sacrifício, nas
circunstâncias, não era razoável exigir-se).
Inclui-se ainda a inexistência do dever legal de enfrentar o perigo. 

Duas teorias explicam o estado de necessidade, quais sejam:


Teoria Diferenciadora: Segundo tal teoria, o estado de necessidade poderá
ser causa de exclusão da ilicitude ou de exclusão da
culpabilidade. Fundamenta-se na análise dos valores dos bens jurídicos em
conflito (balanço dos bens), de forma que, acaso o bem protegido pelo agente
apresente valor superior sacrificado, haverá exclusão da ilicitude (estado
de necessidade justificante). Ao passo que, sendo o bem protegido seja
de valor inferior ou igual ao bem sacrificado poderá haver a exclusão da
culpabilidade (estado de necessidade exculpante).
Teoria Unitária: O estado de necessidade sempre será causa de exclusão da
ilicitude, não há referência ao balanço de bens, exigindo-se apenas o critério
da razoabilidade.
Qual a teoria adotada pelo Código Penal?

Da própria leitura do art. 23, é possível extrair que o CP adota a TEORIA
UNITÁRIA, pois todo estado de necessidade é justificante.
Destaca-se, por fim, que o Código Penal Militar (Decreto-lei n. 1.001/69)
acolheu a teoria diferenciadora do estado de necessidade, em face dos arts. 39
e 43.

O perigo atual é um dos requisitos do estado de necessidade. Mas na hipótese


de PERIGO IMINENTE, ou seja, o que ainda não ocorreu, será possível que o
agente atue em estado de necessidade?

Parte majoritária da doutrina entende que, muito embora a lei só se refira à


defesa do bem em face de um perigo atual, seria possível admitir o estado de
necessidade quando iminente o perigo (analogia in bonam partem). 
No entanto, há entendimento que o perigo iminente não autoriza o estado de
necessidade, pois, se fosse esta a vontade da lei, o teria incluído
expressamente no art. 24, caput, do Código Penal, tal como fez em seu art. 25
relativamente à legítima defesa.

Está correto afirmar que atuará em estado de necessidade quem pratica o fato
para salvar de perigo atual direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas
circunstâncias, não era razoável se exigir, que não provocou por sua vontade
nem podia de outro modo evitar?

Correto, é esta a exata definição do estado de necessidade.

Podemos afirmar que um bombeiro em serviço não pode alegar estado de


necessidade para eximir-se de seu ofício, visto que tem o dever legal de
enfrentar o perigo?

Exatamente, relembre que os requisitos do estado de necessidade são:


- Perigo atual;
- Não provocado voluntariamente pelo agente;
- Para salvar direito próprio ou alheio;
- INEXISTÊNCIA DO DEVER LEGAL DE ENFRENTAR O PERIGO;
- Inevitabilidade da prática do fato lesivo (nem podia de outro modo evitar);
- Inexigibilidade de sacrifício do direito ameaçado (cujo sacrifício, nas
circunstâncias, não era razoável exigir-se).
Desta forma, o bombeiro, por ter o dever legal de enfrentar o perigo, não pode
alegar estado de necessidade. Correta a assertiva!

Imagine a seguinte situação: Uma celebridade contrata Kevin como segurança


particular. Em um momento de perigo, Kevin, ao invés de salvar a vida da
celebridade, a mata para salvar-se. Está correto afirmar que Kevin pode alegar
estado de necessidade?
Novamente aqui a doutrina diverge sobre o entendimento, confira as duas
correntes que tratam do tema: 
1ª corrente: Quanto à expressão “dever legal de enfrentar o perigo”, deve ser
interpretada restritivamente. Portanto, “dever legal” abrange somente o dever
decorrente da lei em sentido amplo (lei, medida provisória, decreto,
regulamento, portaria etc.). É o entendimento de Nélson Hungria. 
2ª corrente: Dever legal abrange o garantidor do art. 13, §2º, letras a, b e c.
Logo, dever legal abrange também o dever contratual. Assim, Kevin não
poderia alegar estado de necessidade e deveria ter enfrentando o perigo
enquanto este comportar enfrentamento. É, entre outros, o entendimento de
Bento de Faria, Costa e Silva e Galdino Siqueira.
Essa última posição nos parece mais acertada. De fato, não pode invocar o
estado de necessidade quem tem o dever jurídico de enfrentar o perigo. Veja o
que diz Cléber Masson: "o dever resultante de contrato e outros mais, como o
decorrente da posição de garantidor e da situação de ingerência, foram
previstos expressamente no art. 13, §2º, do CP, merecendo ser tratados como
deveres legais".

Segundo o art. 25 do Código Penal, está em situação de legítima defesa quem,


usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual
ou iminente, a direito seu ou de outrem.
Da análise da redação do artigo, quais são os requisitos de tal excludente de
ilicitude?

Os requisitos são os seguintes:


a) agressão injusta; 
b) atual ou iminente;
c) a direito próprio ou de terceiro;
d) repulsa com meios necessários;
e) uso moderado de tais meios;
f) conhecimento da situação justificante.

Está correto afirmar que quem, usando moderadamente dos meios


necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem, não comete crime por está agindo acobertado pelo estado de
necessidade?
Errado, aí não estamos diante de estado de necessidade, trata-se de hipótese
de legítima defesa. Fique atento, é muito comum as bancas misturarem os
conceitos dos institutos. 
 Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para
salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro
modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não
era razoável exigir-se.
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos
meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou
de outrem.

Imagine a seguinte situação: Em rebelião em presídio, Abdon é ameaçado de


morte por Bino, conhecido homicida no presídio, de forma que Abdon não tem
dúvidas de que será a próxima vítima. Sabendo disso, Abdon, algumas horas
antes de vencer o prazo dado por Bino, acaba com a vida deste.
Nesta situação, podemos dizer que Abdon agiu em legítima defesa?

Não, somente há legitima defesa se a agressão for atual ou iminente. No caso


narrado na assertiva, a hipótese é de agressão futura. Assim, a legítima defesa
antecipada não exclui a ilicitude, sendo, eventualmente considerada causa
supralegal de exclusão de culpabilidade, hipótese de inexigibilidade de conduta
diversa, a excluir a culpabilidade.

José, supondo estar em perigo atual, não causado voluntariamente, para salvar
seu patrimônio de pequeno valor, mata uma pessoa. Nesta hipótese, podemos
dizer que José agiu em estado de necessidade.

Não, no caso apresentado, seria razoável exigir de José o sacrifício do seu


patrimônio, de forma que não será reconhecida a excludente da ilicitude. No
entanto, o juiz poderá diminuir a pena de um a dois terços, conforme  do art.
21 caput e §2º, in verbis:
"Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para
salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro
modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não
era razoável exigir-se.
(...)
§2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena
poderá ser reduzida de um a dois terços".
Observe que tal hipótese cuida de causa de diminuição da pena que ocorre
quando o agente, visando proteger bem jurídico próprio ou de terceiro, sacrifica
outro bem jurídico de maior valor.
Não há exclusão do crime nem isenção de pena. É mantida a tipicidade, mas é
possível a diminuição da pena, dependendo das condições concretas em que o
fato foi praticado. Essa norma só se aplica nos casos de estado de
necessidade exculpante, desde que não tenha restado configurada uma
situação de inexigibilidade de conduta diversa (excludente da culpabilidade).

Para que se configure a legítima defesa, faz-se necessário que a agressão


sofrida pelo agente seja antijurídica, contrária ao ordenamento jurídico, ou, em
outras palavras, precisa a agressão ser criminosa?

Não, não se exige que a agressão injusta seja necessariamente um crime.


Capez nos dá os seguintes exemplos: legítima defesa pode ser exercida para a
proteção da posse (novo CC, § 1º do art. 1.210) ou contra o furto de uso, o
dano culposo etc.

Analise a seguinte assertiva.


A, sofrendo injusta agressão de B, desfere tiros em direção ao agressor, no
entanto, por ser péssimo atirador, acerta letalmente C, terceiro inocente.
Nessa situação, está correto afirmar que A está acobertado por causa
excludente de ilicitude, visto que agira em legítima defesa?

Correto. Segundo Magalhães Noronha, caracteriza legítima defesa porque


considera-se a vítima virtual, e não a vítima real, de forma que não haverá
crime na hipótese. 
É a posição adotada pelo CESPE e FCC.

É possível legítima defesa real contra "legítima defesa putativa" (imaginária)?

Sim, uma vez que o agente agindo em legítima defesa imaginária pratica
realmente uma agressão injusta. Perceba que a legítima defesa real pressupõe
uma agressão injusta, e essa agressão injusta estará presente na legítima
defesa putativa, pois aquele que assim atua, atacando terceira pessoa, o faz de
maneira ilícita, permitindo a reação defensiva.
É possível a legítima defesa simultânea? Ou seja, legítima defesa contra
legítima defesa?

Não é possível. Necessariamente, se há legítima defesa, o requisitoagressão


injusta atual ou iminente deve estar presente.

Bob Pai percebe uma pessoa na iminência de desferir uma facada em Bob
Filho, antecipando-a, efetua um disparo de arma de fogo, matando o suposto
agressor. Momentos depois, verifica-se que o autor da agressão era Bob Filho,
e que a vítima era quem estava em legítima defesa.
Nesta situaçõa hipotética, admite-se a legítima defesa?

Na verdade não, no caso em tela, a situação de Bob Pai se amolda ao instituto


do erro de tipo permissivo, presente quando a falsa percepção da realidade
recai sobre situação de fato descrita como requisito objetivo de uma excludente
de ilicitude, ou, em outras palavras, quando o equívoco incide sobre os
pressupostos fáticos de uma causa de justificação. No caso a consequência
será a isenção de pena e não a exclusão de ilicitude. 
Veja a previsão legal de tal instituto:
 Art. 20, § 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação
legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é
punível como crime culposo. 

É possível legítima defesa real contra legítima defesa culposa?

Sim, pois o que importa é a injusta agressão, sendo indiferente os motivos, ou


seja, é irrelevante o elemento subjetivo do agressor. 

A legítima defesa putativa exclui a ilicitude?


Errado, a legítima defesa putativa exclui a culpabilidade. Na legítima defesa
putativa o agente imagina uma injusta agressão que não há na realidade. Pode
decorrer das hipóteses de erro de tipo permissivo (art. 20, § 1º) ou erro de
proibição indireto (art. 21). Veja um exemplo de cada hipótese:
Erro de Tipo Permissivo: A ameaça B, prometendo matá-lo no primeiro
encontro. Ao se encontrarem posteriormente, A põe a mão no bolso,
aparentando que irá sacar uma arma de fogo, de imediato, B saca sua arma e
mata A.
Erro de Proibição Indireto: O sujeito ao ser preso, em virtude de uma ordem
legal, vem a agredir o policial, imaginando que está sofrendo uma agressão
injusta.

É possível legítima defesa de estado de necessidade?

Não é possível, pois quem age em estado de necessidade não pratica


agressão injusta. O que poderia ocorrer, em verdade, seria uma situação de
estado de necessidade contra estado de necessidade.

O agente que, em legítima defesa, disparar contra seu agressor, mas, por erro,
alvejar um terceiro inocente, não responderá nem no âmbito penal ou civil. 

Segundo Magalhães Noronha, caracteriza legítima defesa porque considera-se


a vítima virtual, e não a vítima real, de forma que não haverá crime na hipótese.
No entanto, segundo Assis Toledo, trata-se de hipótese em que a
responsabilidade penal não exclui a civil. É a posição do CESPE.

José e João foram pescar em alto-mar, quando sofreram naufrágio. Nenhum


deles sabia nadar, de forma que disputaram a única tábua que restou do barco,
ficando João, por fim, com a tábua, o que permitiu sua sobrevivência. José
morreu afogado. Nessa hipótese temos um legítimo caso de legítima defesa.

Não, de jeito nenhum, a assertiva descreve uma situação de estado de


necessidade. Lembre-se que o elemento INJUSTA AGRESSÃO sempre deve
estar presente na legitima defesa, o que não se verifica no caso em tela. 
Sabemos que agressão injusta só pode ser conduta humana. Então podemos
afirmar que em casos de ataques de animais jamais teríamos hipótese de
legítima defesa?

Não, cuidado, não podemos responder assim de forma direta. Se for um ataque
espontâneo do animal, esse ataque configura perigo atual e, portanto, enseja
estado de necessidade.
No entanto, se o dono de um animal delibera o ataque, tal fato passa a ser
considerada uma agressão injusta, passando a permitir a incidência da legítima
defesa. 

Inimputáveis (menores, ébrios, doentes mentais) por não terem discernimento


de conduta, somente podem sofrer a repulsa do estado de necessidade e não
legítima defesa.

Errado. A injustiça da agressão deve ser aferida de forma objetiva,


independentemente da capacidade do agente.

Quem matar alguém em um duelo, previamente acordado e em igualdade de


armas, estará albergado pela excludente de ilicitude da legítima defesa?  

Errado. Não age em legítima defesa aquele que aceita desafio para
luta,respondendo os contendores pelos ilícitos praticados. Segundo
destaca Bitencourt, se a agressão injusta constitui o pressuposto da legítima
defesa, não é possível admitir uma defesa lícita em relação a ambos os
contendores, como é o caso típico do duelo, no qual ambos são agressores
recíprocos.

O estrito cumprimento do dever legal, causa de exclusão da ilicitude, consiste


na realização de um fato típico por força do desempenho de uma obrigação
imposta diretamente pela lei.
Está correto afirmar que a expressão dever legal não compreende os decretos
e regulamento?
Errado, a expressão Lei aqui deve ser entendida em seu aspecto
geral,podendo constar de decreto, regulamento ou qualquer ato
administrativo infralegal, desde que originários de lei.

Agem em estrito cumprimento do dever legal o policial que mata um criminoso


em fuga?

Errado, segundo o STJ, a lei proíbe à autoridade, aos seus agentes e a quem
quer que seja, desfechar tiros contra pessoas em fuga (Resp. 402.419/RO).
Veja que a hipótese aqui narrada também não se trata de legítima defesa em
face de agressão do perseguido. 

Agem em estrito cumprimento do dever legal policiais que, ao terem de prender


indiciado de má fama, atiram contra ele para dominá-lo. No caso em tela,
havendo injusta agressão, poderia restar configurado a legítima defesa?

Errado, segundo o STJ, a lei proíbe à autoridade, aos seus agentes e a quem
quer que seja desfechar tiros contra pessoas em fuga (Resp. 402.419/RO). 

O crime culposo admite a excludente estrito cumprimento de dever legal?

Não. A lei não obriga à imprudência, negligência ou à imperícia.


No entanto, como destaca Capez, é possível haver estado de necessidade na
hipótese de motorista de uma ambulância, ou de um carro de bombeiros, que
dirige velozmente e causa lesão a bem jurídico alheio para apagar um incêndio
ou conduzir um paciente em risco de vida para o hospital.

O conhecimento da situação justificante deve estar presente em todas as


hipóteses de exclusão de ilicitude?
Sim, as excludentes de ilicitude exigem o elemento subjetivo por parte do
agente, ou seja, o sujeito deve ter conhecimento de que está praticando
um fato permitido ou imposto pela lei.

Maguila, lutador de boxe, dentro das regras do esporte, desfere um violento


golpe contra o adversário, matando-o no ringue. Nesta hipótese, haverá a
excludente de ilicitude estrito cumprimento do dever legal, de forma que não
haverá crime?

Errado, na hipótese narrada temos um caso de exercício regular de direito.


Segundo a doutrina tradicional, a violência esportiva configura exercício regular
do direito, desde que o resultado danoso seja decorrente da prática regular do
esporte, desde que haja observância das regras e limites aceitáveis do jogo.

As lesões provocadas no paciente no decorrer do procedimento cirúrgico como


meio necessário ao seu tratamento, a exemplo de amputação de membros
(mãos, pés, pernas etc.), cortes na barriga etc. não configuram crimes.
Tal afirmação, correta, se justifica porque se trata de hipótese de exercício
regular de direito?

Correto. De acordo com a doutrina tradicional, há exclusão da ilicitude pelo


exercício regular de direito. Destacando contudo que em tais hipóteses será
indispensável o consentimento do paciente ou de seu representante legal. Nas
hipóteses em que a obtenção do consentimento não for possível, poderá
caracterizar o estado de necessidade em favor de terceiro.

O Código Penal em seus artigos 26 e 27 tratam da IMPUTABILIDADE, o que


significa tal instituto?

A doutrina conceitua a imputabilidade como a capacidade de entender o


caráter ilícito de um fato e de determinar-se de acordo com esse
entendimento.
Para Capez, o agente deve ter condições físicas, psicológicas, morais e
mentais de saber que está realizando um ilícito penal, e vai mais, afirma que,
além dessa capacidade plena de entendimento, deve ter totais condições de
controle sobre sua vontade.
Por fim, lembre que a imputabilidade é um dos elementos da culpabilidade,
juntamente com a exigibilidade de conduta diversa e o potencial conhecimento
da ilicitude. 

Segundo o Art. 26 do Código Penal, é isento de pena o agente que, por doença
mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da
ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato
ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Da leitura do dispositivo acima, responda quais são as causas que excluem a
imputabilidade?

Causas que excluem a imputabilidade são:


1ª) desenvolvimento mental incompleto;
2ª) desenvolvimento mental retardado;
3ª) embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior. (Esta
prevista no art. 28, §1° do CP). 
Destacando que o ERRO DE PROIBIÇÃO, como hipótese de exclusão da
potencial consciência da ilicitude, também pode excluir a pena.
"Art. 21 do CP- O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a
ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de
um sexto a um terço".

A dependência patológica de substância psicotrópica, como drogas, configura


doença mental?

Sim, desde que retire totalmente a capacidade de entender e querer do agente.


Tal previsão consta nos art. 45 e seguintes da Lei de Drogas (lei 11.343/ 2006),
confira o que diz o Art. 45:
"é isento de pena o agente que, em razão da dependência, ou sob o efeito,
proveniente de caso fortuito ou força maior, de droga, era, ao tempo da ação
ou da omissão, qualquer que tenha sido a infração penal praticada,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se
de acordo com esse entendimento".

O agente que em razão da dependência ou sob o efeito proveniente de caso


fortuito ou força maior de droga era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se
de acordo com esse entendimento, será isento de pena?

Sim, como vimos, tal previsão consta do Art. 45 e seguintes da Lei de Drogas
(Lei 11.343/ 2006):
Art. 45, é isento de pena o agente que, em razão da dependência, ou sob o
efeito, proveniente de caso fortuito ou força maior, de droga, era, ao tempo da
ação ou da omissão, qualquer que tenha sido a infração penal praticada,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se
de acordo com esse entendimento.

O desenvolvimento mental incompleto caracteriza-se pelo desenvolvimento que


ainda não se concluiu, seja em virtude da menoridade ou da falta de
convivência em sociedade, ocasionando imaturidade mental e emocional.
Do exposto, podemos afirmar que os índios se enquadram na segunda
categoria?

Não, fique esperto, a condição de indígena, por si só, não induz a esta
condição, sendo necessário, em regra, laudo pericial para aferir a
inimputabilidade. 

Estaria correto afirmar que os menores de 18 anos, por não poderem sofrer
sanção penal pela prática de ilícito penal, não serão punidos?

Errado, os adolescentes (maiores de 12 anos) estão sujeitos ao procedimento


e às medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do
Adolescente (Lei n. 8.069/90), acaso a conduta praticada seja típica, ao teor
do art. 27, que diz: 
"Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando
sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial".

Está correto afirmar que se o agente, em virtude de perturbação de saúde


mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado, não for
inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de
acordo com esse entendimento, será considerado inimputável?
Não, no caso acima o agente será semi-imputável e não inimputável. 
Lembra quais são as causas de exclusão de culpabilidade (inimputabilidade)?
Vamos lá:
1ª) doença mental;
2ª) desenvolvimento mental incompleto;
3ª) desenvolvimento mental retardado;
4ª) embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior.
Leia o artigo 26 e depois novamente a questão e veja como fica fácil.
  Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença
mental oudesenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo
da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do
fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Veja que o enunciado fala em não for inteiramente incapaz, o que quer dizer
que há algum entendimento, daí porque ocorrer hipótese de semi-
imputabilidade. 

Quais são os três sistemas utilizados para definir inimputabilidade (excludentes


de imputabilidade)?

São três os critérios:


1º - Sistema biológico ou etiológico: De acordo com o critério biológico, leva-
se em conta apenas o desenvolvimento mental do agente. Foi adotado para a
menoridade, sendo esta presunção absoluta de imputabilidade.
2º - Sistema psicológico: De acordo com o critério psicológico, leva-se em
conta a capacidade de entendimento e autodeterminação no momento da
conduta. É só isso que interessa.
3º - Sistema biopsicológico ou misto (adotado pelo art. 26 do CP):verifica-
se se o agente, de acordo com sua anomalia psíquica, era, ao tempo da
conduta, incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de
acordo com esse entendimento.

Está correto afirmar que o marco temporal da maioridade penal aos dezoito
anos é determinado pela lei civil, não cabendo interpretação diversa na
legislação penal.
Correto, o estabelecimento da maioridade é afeta ao Direito Civil. Destaca-se
que no que concerne à menoridade, foi adotado o sistemabiológico,
considerando a menoridade como presunção absoluta de inimputabilidade.

Caracteriza a doença metal, apta a afastar a imputabilidade, a simples


comprovação de que o agente padece de alguma enfermidade mental e que a
referida doença seja comprovada mediante prova pericial para isenção de pena
ou de culpabilidade?

Atenção, não é assim que funciona, a perturbação mental ou psíquica, que


podem ser de qualquer ordem, deve ter a capacidade de eliminar ou afetar a
capacidade de entender o caráter criminoso do fato ou a de comandar a
vontade do agente de acordo com esse entendimento.
Em relação ao doente mental, o CP adotou o sistema biopsicológico ou
misto (adotado pelo art. 26 do CP), verifica-se se o agente, de acordo com sua
anomalia psíquica, era, ao tempo da conduta, incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

Durante processo movido contra Vitor, por tentativa de homicídio, o MP


requereu a instauração de incidente de insanidade mental, pedido que foi
deferido pelo juiz. No laudo final, foi atestada a sanidade mental de Vitor à
época dos fatos. Anteriormente à juntada do laudo aos autos, entretanto, a
defesa comprovou que Vítor havia sido interditado, o que acarretou, inclusive,
sua aposentadoria no serviço público.
Nessa situação, Vitor poderá ser considerado plenamente imputável?

Sim, conforme decidiu o STF, a existência de laudo específico de sanidade


mental sobrepõe-se à interdição, confira a ementa do julgamento:
Ementa: PROCESSO PENAL - IMPUTABILIDADE - DOENÇA MENTAL -
PREVALÊNCIA DE LAUDO ESPECÍFICO CONSIDERADA A INTERDIÇÃO. A
existência de laudo específico de sanidade mental sobrepõe-se ao fato
de, anteriormente, o agente haver sido interditado, logrando aposentadoria
no serviço público.PENA - FIXAÇÃO. A referência à qualificação de policial do
agente e ao inferno causado às vítimas de extorsão justifica a fixação da pena-
base em seis anos, tendo em vista o mínimo de quatro e o máximo de dez
previstos no artigo 158 do Código Penal. (HC 89572/RJ- RIO DE JANEIRO).
Observe que embora tenha sido reconhecida a incapacidade civil do agente,
prevaleceu o laudo específico oriundo do processo penal, de forma que Vítor
deverá cumprir pena. Veja que temos mais uma hipótese de independência das
instâncias cível e penal. 
Estará isento de pena o agente que, por embriaguez culposa, seja, ao tempo
da ação ou omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato
ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

Errado, para que a embriaguez seja considerada causa de exclusão de


imputabilidade, ela deve ser oriunda de caso fortuito ou foça maior. 

As hipóteses de semi-imputabilidade também isentam o réu de pena?

Errado, o semi-imputável possui certa capacidade de entender a ilicitude do


fato e de autodeterminar-se de acordo com esse entendimento, desta
forma não haverá a exclusão da culpabilidade, havendo no entanto a
incidência de uma causa de diminuição de pena, conforme o parágrafo único
do art. 26, in verbis: 
A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de
perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou
retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.

Conforme dispõe o Código Penal, em referência à culpabilidade, a situação do


agente pode ser:
Imputável: sofre a pena em sua inteireza;
Semi-imputável: terá a pena reduzida de um a dois terços ou a pena será
substituída por medida de segurança;
Inimputável: terá a pena excluída.
Do exposto, o Código adotou o sistema Vicariante, que permite a substituição
da pena por medida de segurança ou Duplo Binário, que prevê a
compatibilização entre a aplicação da pena e da medida de segurança?

Sistema Vicariante ou unitário: Prevê a hipótese de substituição da pena


por medida de segurança para o semi-imputável.
Sistema Duplo Binário: É o que prevê a aplicação cumulativa e sucessiva de
pena e medida de segurança ao semi-imputável.
Da análise do conteúdo de cada sistema, podemos concluir que o
sistemavicariante foi o adotado pelo Código Penal, pois o semi-imputável
cumpre pena diminuída ou medida de segurança, ou seja, ambas não são
cumuláveis.

Considere a seguinte situação hipotética.


Em uma festividade de calouros de determinada faculdade, João foi obrigado
por vários veteranos, mediante coação física, a ingerir grande quantidade de
bebida alcoólica, ficando completamente embriagado. Nesse estado, João
praticou lesões corporais e atentado violento ao pudor contra uma colega que
também estava na festa.
Nessa situação hipotética acima descrita, está correto afirmar que se trata de
hipótese de embriaguez acidental decorrente de força maior, de forma que
João deverá ser considerado inimputável? 

Correto, tá aí um belo exemplo de tal hipótese, neste caso, nos termos do art.
28, §1º, João deverá ficar isento de de pena, confira:
"Art. 28, § 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa,
proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da
omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento".

Está correto afirmar que a embriaguez incompleta, resultante de caso fortuito


ou de força maior, é hipótese de elisão da imputabilidade penal, haja vista que
afeta a capacidade de compreensão, o que tornaria o agente isento de pena?

Errado, a embriaguez que elide a imputabilidade penal é a COMPLETA, desde


que decorrente de caso fortuito ou de força maior.

Em matéria penal, a embriaguez incompleta, resultante de caso fortuito ou de


força maior, mas que não suprima a imputabilidade penal, mas diminua a
capacidade de entendimento, seria apta a gerar diminuição de pena?
Correto, é a dicção do art. 27, § 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois
terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força
maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.

Segundo o artigo 28, I do CP, a emoção e a paixão não excluem a


imputabilidade penal.
Segundo a doutrina, a emoção é uma forma de perturbação da consciência
de curta duração, ao passo que a paixão é uma perturbação crônica e
duradoura.
Nesse sentido, tais estados mentais, como não excluem a imputabilidade
penal, são irrelevantes para o Direito Penal?

Não, ao contrário, a emoção e a paixão influenciam sim na aplicação do


Direito Penal, haja vista que podem, aliados a outros requisitos, servirem
como atenuantes ou como causas de diminuição de pena.
Veja alguns exemplos nos casos de homicídio doloso e nas lesões corporais
dolosas (CP, arts. 121, § 1º, e 129, § 4º). 
a) deve ser violenta (a emoção ou a paixão);
b) o agente deve estar sob o domínio dessa emoção, e não mera influência;
c) a emoção deve ter sido provocada por um ato injusto da vítima;
d) a reação do agente deve ser logo em seguida a essa provocação.  
Presente tais requisitos, a pena será reduzida de 1/6 a 1/3.
Obs.: Segundo José Frederico Marques, a embriaguez, a emoção e a paixão,
quando patológicas, podem enquadrar-se no art. 26 do Código Penal,
possibilitando, assim, a exclusão da imputabilidade penal.

A embriaguez voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos


análogos, que cause ao agente plena incapacidade de entender o caráter ilícito
do fato, é motivo de isenção de pena?
Errado, segundo a teoria actio libera in causa (ação livre na causa),
aembriaguez não acidental jamais exclui a imputabilidade do agente, seja
ela voluntária, culposa, completa ou incompleta. Isso porque o agente, no
momento em que ingeria a substância, encontrava-se livre para escolher fazer
ou não o ato.
ATENÇÃO: A teoria da actio libera in causa deve ser analisada em conjunto
com a vontade do agente (dolo e culpa), evitando-se, desse modo, a
responsabilidade penal objetiva. 

A embriaguez preordenada, aquela em que o agente se embriaga com a


finalidade de vir a delinquir, constitui agravante genérica?

Sim, tal previsão consta no art. 62, II, l do CP, confira.


Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não
constituem ou qualificam o crime:
II - ter o agente cometido o crime:
(...) l) em estado de embriaguez preordenada.

Segundo o Art. 29 do CP, quem, de qualquer modo, concorre para o crime


incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade.
Da leitura de tal dispositivo podemos afirmar que o Código adotou a teoria
monista?

Exatamente, da análise do dispositivo, podemos perceber que todos os


agentes responderão pelo mesmo crime (teoria monista).
No entanto, em referência à pena, esta deve ser aplicada de acordo com
culpabilidade do agente (teoria pluralista), de forma que o juiz deverá fixar a
reprimenda considerando a situação concreta.
Por fim, interessante perceber que na doutrina, a exemplo de Luiz Regis Prado,
há entendimento que o Código Penal adotou a teoria monista "de forma
mitigada ou temperada, já que estabeleceu certos graus de participação e um
verdadeiro reforço do princípio constitucional da individualização da pena.

Conforme já estudado no capítulo referente à classificação dos crimes, os


crimes plurissubjetivos são de concurso necessário?
Correto, são os crimes de concurso necessário, ou seja, o concurso de agentes
é elementar do tipo.

Os crimes de concurso necessário (plurissubjetivos) são a regra no CP?

Não, via de regra os crimes previsto no CP são monossubjetivos ou de


concurso eventual, pois a grande maioria dos crimes ali previstos podem ser
cometidos por somente um agente.
Excepcionalmente o CP traz crimes plurissubjetivos que podem ser de de três
espécies, confira: 
1) De condutas paralelas: quadrilha ou bando (art. 288);
2) De condutas convergentes: bigamia (art. 235);
3) De condutas contrapostas: rixa (art. 137).

Quando teremos concurso de pessoas?

Ocorrerá concurso de pessoas quando, no cometimento da mesma infração


penal, concorrer duas ou mais pessoas. Em outras palavras, o concurso de
pessoas consiste na reunião de vários agentes concorrendo de forma relevante
para a realização do mesmo evento, agindo todos com identidade de
propósitos.

Podemos dizer que a contribuição para o crime deve ocorrer antes da


consumação?

Em regra sim, haja vista que, ocorrendo após a consumação, não há que se
falar em contribuição para o crime já consumado. O que poderia ocorrer seria
um crime autônomo, como por exemplo a pessoa que oculta um cadáver para
encobrir o homicídio praticado por seu amigo ou hipótese de receptação após a
ocorrência do crime de furto.

Imagine a seguinte situação: Larápio furta um veículo, no entanto, não tinha


onde esconder o bem. Por um acaso, encontra seu velho amigo Quinzinho, e
conversando, solicita a este sua garagem emprestada para esconder o carro
até que a situação tranquilizasse... Neste caso, podemos afirmar que temos um
concurso de pessoas?
No caso narrado não há concurso de pessoas, considerando que a conduta
de Quinzinho foi irrelevante para a ocorrência do furto. Quinzinho na hipótese
teria cometido o crime de favorecimento real.

Como são chamados os agentes que participam do concurso de pessoas?

As pessoas que concorrem para o crime são chamadas autor/coautor; e


partícipe.

O que diferencia o autor/coautor do partícipe?

O autor, de acordo com a teoria objetivo-formal (adotada pelo CP), é aquele


que realiza o núcleo (“verbo”) do tipo penal, ou seja, a conduta criminosa
descrita pelo preceito primário da norma incriminadora. 
Por seu turno, a conduta do partícipe tem natureza acessória, pois não realiza
o núcleo do tipo penal.
Na visão do Superior Tribunal de Justiça: “A participação penalmente
reprovável há de pressupor a existência de um crime, sem o qual descabe
cogitar punir a conduta acessória”
Oportuno destacar que  a conduta acessória do partícipe somente adquire
eficácia penal quando adere à conduta principal do autor. A adequação típica
da participação tem subordinação mediata, por força da norma de extensão
pessoal prevista no art. 29, caput, do Código Penal. 

Acerca da Autoria, qual a teoria adotada pelo Código Penal?

Prevalece na doutrina que o CP adotou a TEORIA OBJETIVO-FORMAL,


segundo a qual autor é aquele que realiza todos ou alguns elementos do
tipo (realiza o núcleo do tipo).
Já o partícipe contribui para o crime, auxiliando, instigando ou induzundo, sem
no entanto realizar os elementos do tipo.
Por fim, coautores são aqueles que conjuntamente realizam o núcleo do tipo.
Segundo o Art. 29 do CP, quem, de qualquer modo, concorre para o crime
incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade.
A partir da análise do artigo acima transcrito, quais são os requisitos para o
concurso de pessoas?

- Pluralidade de agentes e de conduta;


- Relevância causal das condutas;
- Liame subjetivo entre os agentes (agentes atuam conscientes de que estão
reunidos para a prática do mesmo evento);
- Identidade de infração penal.

Um dos requisitos para o concurso de pessoas é o liame subjetivo. Desta


forma, podemos afirmar que é necessário o ajuste prévio entre os agentes?

Errado, de fato o liame subjetivo ou convergência de vontades, é um requisito


para a caracterização do concurso de pessoas, no entanto, a norma não exige
a prévia combinação entre os agentes (pactum sceleris).

É possível a participação culposa em crimes dolosos?

Para a maioria da doutrina, não é possível a participação dolosa em crime


culposo e nem participação culposa em crime doloso. Nesses casos, cada um
dos envolvidos responde por crime autônomo. Ou seja, não se trata de
concurso de pessoas.

Imagine o seguinte exemplo, "José, com intenção de matar seu desafeto João,
induz Pedro Bó a acreditar falsamente que um revólver está desmuniciado,
induzindo-o a atirar e passar um susto em João. Pedro Bó assim o faz, e para a
sua surpresa acaba matando João com o disparo. Podemos afirmar que nessa
situação houve concurso de agentes?

Não, o que houve foi a ocorrência de dois crimes autônomos, homicídio


culposo causado por Pedro Bó e doloso praticado por José , neste caso por
autoria mediata.
E por que não houve concurso? Justamente porque não houve identidade de
liame subjetivo.  

Apesar de não ser a teoria majoritariamente aceita, a teoria do domínio do fato


é bastante difundida no Brasil, em que consiste tal teoria?

Segundo a teoria do domínio do fato, baseada na teoria finalista desenvolvida


por Welzel, autor é aquele que possui o domínio final do fato, dessa forma, não
é autor de uma ação dolosa somente quem causa um resultado, também o
será aquele que tem o domínio consciente do fato dirigido para o fim.
Segundo tal teoria, também deve ser considerado autor  o “autor mediato”, que,
apesar de não realizar a conduta típica, pode ser assim considerado porque
manipula terceiro, que não possui capacidade de discernimento, para que este
realize a conduta típica, de modo que essa pessoa serve como instrumento
para a efetivação do delito. No dizer de Capez, “o executor atua sem vontade
ou consciência, considerando-se, por essa razão, que a conduta principal foi
realizada pelo autor mediato”.
Ex.: pessoa entrega veneno para uma criança e pede para ela colocar no copo
da vítima, sendo, assim, autora mediata do homicídio doloso.

Segundo a teoria do domínio do fato, autor é aquele que possui o domínio final
do fato, ou seja, além de quem executa o fato, também é autor aquele que tem
o domínio consciente do fato dirigido para o fim, em outras palavras, tem as
rédeas da conduta criminosa.
Tal teoria se aplica aos crimes culposos?

Não, não se aplica aos crimes culposos, justamente porque o agente de


crime culposo não tem o domínio do fato, de forma que a teoria do domínio do
fato ser inaplicável neste tipo de crime. Lembre-se que nos crimes culposos
será autor aquele que poderia ter evitado o resultado, mas não observou o
dever objetivo de cuidado.

Na autoria imediata, o próprio agente executa o fato. Na autoria mediata, um


agente utiliza uma pessoa, que atua sem dolo ou de forma não-culpável, como
instrumento para a execução do fato típico.
Do exposto, podemos afirmar que nas hipóteses de autoria mediata, há
concurso de pessoas?
Não, não há que se falar em concurso de pessoas, pois, segundo a doutrina,
embora haja pluralidade de sujeitos, não há concurso de pessoas, pois o
executor do crime é mero instrumento da vontade do agente.

Nos crimes próprios, que exigem uma condição especial do agente, é possível
a ocorrência de autoria mediata?

Prevalece que sim, desde que o autor mediato tenha as condições especiais


exigidas pelo tipo penal.

Nos crimes de mão própria, nos quais o tipo penal exige do sujeito ativo
qualidade específica e, ainda, que realize a conduta pessoalmente, seria
possível a ocorrência de autoria mediata?

Ao contrário dos crimes próprios, os crimes de mão própria não admitem a


autoria mediata, justamente por exigir que o próprio sujeito que ostente a
especial condição execute o crime.

O que se entende por autoria colateral ou paralela?

É a que ocorre na hipótese em que duas ou mais pessoas, uma


desconhecendo a intenção da outra, praticam determinada conduta visando ao
mesmo resultado, que efetivamente vem a ocorrer em razão do comportamento
de apenas uma delas.

Nas hipóteses de autoria colateral ou paralela há concurso de pessoas?

Não há, justamente por faltar um dos requisitos para o concurso de pessoas,


qual seja, o liame subjetivo.

O que se entende por autoria colateral incerta?

É a que ocorre quando na autoria colateral, não se sabe qual dos autores
causou o resultado. Nesse sentido, a conseqüência é que, não sendo possível
descobrir quem é ou autor, aplica-se o princípio in dúbio pro reo, de forma que
na autoria colateral incerta ambos responderão por crime tentado.

O que diferencia a conduta do partícipe da do autor?

Segundo a maioria da doutrina, o traço distintivo é que, enquanto o autor


realiza o fato típico, o partícipe contribui para a ocorrência deste com a prática
de atos que não se amoldam diretamente à figura típica, ou, com base na
teoria do  domínio do fato, não tem as "rédeas" do crime.

Vimos que o partícipe não realiza a conduta típica, apenas contribui para a
ocorrência desta. Quais as formas de participação?

O partícipe contribui para o crime, concorre induzindo, instigando ou auxiliando


o autor.
- Induzimento:  agir sobre a vontade do autor, fazendo nascer o propósito
delituoso:
- Instigação: agir sobre a vontade do autor, reforçando ou estimulando a ideia
criminosa já existente;
- Auxílio: por meio de um comportamento, tanto na preparação quanto na
execução do delito.

Qual a natureza jurídica da participação?

Nas palavras do próprio CESPE, trata-se de hipótese de tipicidade mediata


ou indireta, de forma que conduta do partícipe, a priori, seria atípica, pois sua
ação não se subsume ao tipo penal, no entanto,aplicando-se a norma de
ampliação espacial e pessoal da figura típica(art. 29 do CP) o fato típico
passa a abranger a conduta acessória.

É possível a participação por omissão?

Para a maioria da doutrina sim, desde que o partícipe não tenha o co-domínio
do fato (é mero participante), como por exemplo, na hipótese em que um
policial, ao presenciar um furto, deixa de agir, aderindo subjetivamente ao
crime.
Em que consiste a participação negativa (crimen silenti)?

É a oposta à participação por omissão, ou seja, ocorre nas situações em


que o sujeito não tem o dever jurídico de agir, de forma que se mantém
inerte durante a execução do crime, mesmo tendo condições de impedi-lo.
No entanto, destaca-se que, por não estar inserta no nexo causal, esta
modalidade de participação não é punível.

Imagine a seguinte situação: três bandidos combinam furtar uma residência,


sendo que um dos criminosos ficou aguardando, na área externa, os demais
cometerem o furto para depois fugirem. No decorrer do furto, o morador acorda
e um dos ladrões, que portava uma arma sem o conhecimento dos demais,
comete latrocínio, ao invés de fugir como fez o outro comparsa. Nesse caso os
três bandidos devem responder pelo crime de latrocínio.

Quanto ao concurso de crimes sabemos que o CP, como regra, a teoria


unitária, também conhecida como monista, de forma que todos os agentes,
coautores e partícipes, devem responder por único crime.
No entanto, o §2º do art. 29 do Código Penal  prevê hipótese de exceções
pluralísticas ou desvio subjetivo de conduta, de forma que afasta a
possibilidade de responsabilidade objetiva, confira:
Art. 29, § 2°- Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave,
ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na
hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave.
Desta forma, somente o criminoso que atirou responderá por latrocínio, os
demais por furto tentato.

Segundo o §2º do art. 29 do CP, se algum dos concorrentes quis participar de


crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; tratando assim o
dispositivo da chamada cooperação dolosamente distinta.
Desta forma, podemos dizer que em tais hipóteses haverá quebra da unidade
do crime?

Exatamente, a cooperação dolosamente distinta acarreta uma quebra na


unidade de crime, de forma que o partícipe pode responder por um crime e o
autor por outro.
Seria possível a aplicação de menor importância (art. 29, §1º, CP) ao coautor
do delito?

Não, haja vista que o coautor realiza o núcleo do tipo ou tem o controle da
situação, e tal instituto somente é direcionado ao partícipe, confira o texto legal:
Art. 29, § 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser
diminuída de um sexto a um terço. 

Há outras exceções pluralísticas previstas no Código Penal?

Sim, como por exemplo no tipo previsto no Art. 126, provocar aborto com o
consentimento da gestante, em que o agente provocador responde por este
crime, ao passo que a gestante que consentiu reponde pela figura do art. 124,
qual seja, provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque.

Segundo o CP, as condições e circunstâncias pessoais do agente comunicam-


se aos autores ou partícipes.

Em regra não, conforme estabelece o art. 30 do CP, não se comunicam as


circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares
do crime (excepcionalmente sim).

O que é Sanção Penal?

Sanção Penal é a resposta do Estado, no exercício do seu direito de punir (jus/


ius puniendi), e com observância do devido processo legal, ao envolvido na
prática de uma infração penal.

Quais as espécies de sanção penal?

A sanção penal comporta duas espécies:


1- Pena;
2- Medida de segurança.
Os pressupostos para aplicação da pena e da medida de segurança são os
mesmo?

Não. A aplicação da pena tem como pressuposto a culpabilidade, ao passo


que o pressuposto da medida de segurança é a periculosidade do agente.
Em síntese:
1- Pena- Culpabilidade;f
2- Medida de Segurança- Periculosidade.

Os destinatários das Penas e da Medida de Segurança são os mesmos?

Não.
Penas » Imputáveis e Semi-imputáveis;
Medidas de Segurança » Semi-imputáveis e Inimputáveis.
Perceba que ambas modalidade de sanção penal são aplicáveis aos semi-
imputáveis, daí porque são chamados de fronteiriços.

Qual o conceito de pena?

A pena é a espécie de sanção penal, imposta pelo Estado após o término de


um processo, consistente na privação de determinados bens jurídicos, cujo
pressuposto é a culpabilidade do agente.

Três teorias buscam explicar a finalidade da pena, a teoria absoluta, a relativa


e a mista, em que se baseia cada uma delas?

Teoria absoluta ou da retribuição: Como o próprio nome sugere, a finalidade


da pena é punir o autor de uma infração penal, baseia no brocardo punitur quia
peccatum est, ou seja, a pena é a retribuição do mal injusto, praticado pelo
criminoso, pelo mal justo previsto no ordenamento jurídico. Kant e Hegel foram
os grandes nomes dessa teoria. O maior exemplo de finalidade retributiva é a
pena de morte.
 
Teoria relativa, finalista, utilitária ou da prevenção: Tal concepção parte da
premissa que a pena tem a finalidade de prevenir delitos como meio de
proteção aos bens jurídicos, de forma que, ao revés das teorias absolutas, a
finalidade da pena não é a retribuição, mas sim a prevenção, ou seja, o estado
quer evitar a prática de novos crimes.
 
Teoria mista, eclética, intermediária ou conciliatória: A pena tem adupla
função de punir o criminoso e prevenir a prática do crime, pela reeducação
e pela intimidação coletiva (punitur quia peccatum est et ne peccetur). 

Para a teoria relativa (preventiva/ utilitária), a pena possui a finalidade de


prevenir delitos como meio de proteção aos bens jurídicos. Nesse sentido, a
prevenção pode ser dividida em geral e especial. A quem é dirigida cada uma
dessas modalidades?

Na prevenção geral, a finalidade da pena é direcionada à sociedade. Por seu


turno, a prevenção especial é dirigida ao criminoso. Sintetizando:
Geral » Sociedade;
Especial » Criminoso.

A teoria relativa (preventiva/ utilitária) é dividida em geral (direcionada à


sociedade) e especial (direcionada ao indivíduo). Qual a diferença entre a
prevenção geral positiva e negativa?

A Prevenção Geral Negativa: Consiste na intimidação coletiva e tem como


ideólogo Feuerbach. Tal teoria busca criar nos potenciais criminosos um
contra-estímulo, visando assim afastá-los da delinquência. Tal teoria guarda
estreita relação com o Direito Penal do Terror e da Emergência.
Prevenção Geral Positiva: É a reafirmação do direito, reafirmar a existência,
validade e eficácia do direito penal.

A teoria relativa (preventiva/ utilitária) é dividida em geral (direcionada à


sociedade) e especial (direcionada ao indivíduo). Qual a diferença entre a
prevenção especial positiva e negativa?

Prevenção Especial Positiva: a importância da pena está na ressocialização


do condenado.
Prevenção Especial Negativa: visa à carcerização, inocuização ou a anulação
do indivíduo, quando outros meios menos lesivos não se mostrarem eficazes
para sua ressocialização.
Relembrando, Consideram-se absolutas as teorias que concebem a pena como
um fim em si mesma, ou seja, como uma retribuição pela prática de um crime; 
Consideram-se relativas as teorias utilitaristas, que concebem e justificam a
pena enquanto meio para a realização do fim utilitário da prevenção de futuros
delitos.

Estaria correto afirmar que para a teoria da prevenção geral negativa, a pena
constitui um instrumento de infusão, na consciência geral, da necessidade de
respeito a determinados valores, como forma de exercício da fidelidade ao
direito e promoção da integração social?

Não, na verdade o enunciado traz as características da teoria da prevenção


geral POSITIVA, visto que busca a reafirmação do direito, reafirmar a
existência, validade e eficácia do direito penal. A prevenção geral negativa
opera por meio da intimidação coletiva. 

Quais as espécies de penas previstas no Código Penal?

Segundo o art. 32 do CP as penas são:


I - privativas de liberdade;
II - restritivas de direitos;
III - de multa.

Segundo o art. 32 do CP, as penas são privativas de liberdade; restritivas de


direitos e por fim, de multa. Quais são as espécies de penas privativas de
liberdade?

Podem ser das seguintes espécies:


→ Reclusão (Código Penal);
→ Detenção (Código Penal);
→ Prisão simples (para as contravenções penais).

O que diferencia a pena de reclusão da de detenção?


Segundo o artigo 32 do CP:
→ Pena de Reclusão » Regime fechado, semi-aberto ou aberto.
→ Pena de Detenção » Regime semi-aberto, ou aberto, salvo necessidade de
transferência a regime fechado (Regressão de regime). 
Observe que não há diferença ontológica entre uma e outra espécie de pena
restritiva de liberdade.

Qual a diferença entre o regime fechado, semiaberto e aberto?

→ Fechado » A pena deve ser cumprida em estabelecimento penal


desegurança máxima ou média;
→ Semiaberto » Deve ser cumprida em colônia penal agrícola, industrial ou
em estabelecimento similar;
→ Aberto » Nesse caso, o condenado trabalha ou frequenta cursos em
liberdade, durante o dia, e recolhe-se em Casa do Albergado ou
estabelecimento similar à noite e nos dias de folga.

Como se dá o regime inicial de cumprimento de pena?

Segundo o art. 110 da Lei de Execução Penal, é o juiz quem determina  na
sentença o regime inicial de cumprimento da pena, com observância do art. 33
do Código Penal, confira: "A pena de reclusão deve ser cumprida em regime
fechado, semi-aberto ou aberto. A de detenção, em regime semi-aberto, ou
aberto, salvo necessidade de transferência a regime fechado". Nesse sentido,
4 são os fatores:
1- Tipo de pena aplicada: reclusão ou detenção;
2- Quantum de pena aplicada;
3- Se o condenado é reincidente;
4- Circunstâncias judiciais (art. 59 do CP).

Estaria correto afirmar que no Brasil temos os seguintes regimes de


cumprimento de pena privativa de liberdade: Fechado, Semiaberto, Aberto e o
Regime Disciplinar Diferenciado (RDD)? 

Errado, os regimes são somente os três primeiros- Fechado, Semiaberto e


Aberto- sendo que o RDD é uma modalidade de uma sanção disciplinar
previsto na Lei de Execuções Penais- LEP (Art. 53, V da Lei 7.210/ 84).
Quais os critérios devem ser observados para a o início da execução das
penas?

Segundo o §2º do art. 33 do CP, as penas devem ser cumpridas de modo


progressivo, observando-se o seguinte critério:
Regime Fechado: Condenado a pena superior a 8 (oito) anos; Pena > 8. 
Regime Semiaberto: Condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4
(quatro) anos e não exceda a 8 (oito); 4< e ≥8;
Regime Aberto: Condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a
4 (quatro); 4≥
Destaca-se ainda que o § 3º do art. 33 dispõe que a determinação do regime
inicial de cumprimento da pena far-se-á com observância dos critérios previstos
no artigo 59 do Código Penal, quais sejam, análise das circunstâncias judiciais
para fixação da pena necessária e suficiente para a reprovação e prevenção do
crime.

É possível o regime inicial fechado par os condenados à pena de detenção?

Não, não existe regime inicial fechado na pena de detenção (CP, art. 33,
caput), a qual começa obrigatoriamente em regime semiaberto ou aberto.

Podemos afirmar que um condenado à pena de detenção jamais cumprirá pena


em regime fechado?

Não, diz o art. 33 do CP é que o regime inicial será semiaberto ou aberto, não


vedando a possibilidade de regressão, conforme entendimento do Superior
Tribunal de Justiça,  que admite o regime fechado nos casos de regressão de
regime.

Considera-se como regime fechado a execução da pena em estabelecimento


de segurança máxima ou média; regime semiaberto, em casa de albergado ou
estabelecimento adequado; e regime aberto, a execução da pena em colônia
agrícola, industrial ou similar. Está correto o que se afirma?
A assertiva inverte o modo de cumprimento de pena do regimes semiaberto e
aberto, confira:
Fechado » A pena deve ser cumprida em estabelecimento penal de segurança
máxima ou média;
Semiaberto » Deve ser cumprida em colônia penal agrícola, industrial ou em
estabelecimento similar;
Aberto » Nesse caso, o condenado trabalha ou frequenta cursos em liberdade,
durante o dia, e recolhe-se em Casa do Albergado ou estabelecimento similar à
noite e nos dias de folga.

Se a sentença for omissa quanto ao regime inicial do cumprimento da pena,


deverá ser imposta ao acusado o regime mais severo?

Não, se não houver expressa menção quanto ao regime inicial, a dúvida deve
ser resolvida em prol do regime mais benéfico, desde que juridicamente
cabível.

Está correto afirmar que o condenado por crime contra a administração pública
terá a progressão de regime do cumprimento da pena condicionada à
reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado,
com os acréscimos legais?

Correto, é o teor do art. 33, 4º.

Seria possível que A, réu primário, condenado a uma pena de 6 (seis) anos de
reclusão, inicie a execução da pena em um regime mais rigoroso que o previsto
para a quantidade de pena aplicada?

Sim, excepcionalmente, o juiz pode impor regime fechado mesmo que a pena
não seja superior a 8 anos (art. 33, § 2º, letra a, do CP), considerando que a
imposição de regime inicial fechado depende de fundamentação adequada em
face do que dispõem as alíneas b, c e d do mesmo parágrafo 2º e também o §
3º c.c. o art. 59 do CP. Não por outro motivo, o STF editou a súmula sobre o
assunto, confira:
SÚMULA Nº 719: A IMPOSIÇÃO DO REGIME DE CUMPRIMENTO MAIS
SEVERO DO QUE A PENA APLICADA PERMITIR EXIGE MOTIVAÇÃO
IDÔNEA.
A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime constitui
motivação idônea para a imposição de regime mais severo que o permitido
conforme a pena aplicada?

Não, e o STF já sumulou o assunto, confira:


SÚMULA Nº 718:A OPINIÃO DO JULGADOR SOBRE A GRAVIDADE EM
ABSTRATO DO CRIME NÃO CONSTITUI MOTIVAÇÃO IDÔNEA PARA A
IMPOSIÇÃO DE REGIME MAIS SEVERO DO QUE O PERMITIDO SEGUNDO
A PENA APLICADA.

A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui


motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido
segundo a pena aplicada. Quais seriam as motivações idôneas a permitir o
início do cumprimento da pena em um regime mais severo?

A motivação idônea está relacionada às circunstâncias judiciais do art. 59


da CP, quais sejam: Art. 59 - O juiz, atendendo à
culpabilidade, aosantecedentes, à conduta social, à personalidade do
agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem
como aocomportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e
suficiente para reprovação e prevenção do crime:
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de
pena, se cabível.

Na hipótese da aplicação de pena privativa de liberdade no mínimo legal, seria


possível a fixação de regime mais severo que o relativo à pena aplicada?

Não, é o que diz a Súmula 440 do STJ, confira:


Súmula 440 STJ: Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o
estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão
da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito.

O art. 2º, §1º da Lei 8.078/ 90 (Lei de Crimes Hediondos) prevê que aos
condenados por crimes hediondos ou equiparados iniciarão o cumprimento da
pena em regime fechado, tal previsão legal é constitucional?
Não, o plenário do STF, em 27/06/2012, no julgamento do Habeas Corpus
111.840/ES ,  decidiu que o § 1º do art. 2º da Lei n.° 8.072/90, com a
redação dada pela Lei n.°11.464/2007, ao impor o regime inicial fechado, é
INCONSTITUCIONAL, de forma que o regime inicial nesses casos (hediondos
e equiparados, como tráfico de drogas) poderá ser além do fechado, o
semiaberto ou o aberto, desde que observados os requisitos do art. 33, §2º do
CP. 

José foi condenado a cumprir pena em regime semiaberto, no entanto, na


localidade em que mora não há vagas nem em colônia agrícola ou industrial,
desta forma, José, já que foi condenado, deverá cumprir a pena em
penitenciária ou cadeia pública.

Errado, segundo posicionamento do STFe do STF,é inaceitável frustrar o


exercício do direito do condenado sob tais argumentos, de forma que a
inexistência de vaga no estabelecimento penal adequado ao cumprimento da
pena permite ao condenado aguardar em regime mais benéfico até a abertura
da vaga, ou, até mesmo, permanecer em liberdade.

Nos termos do art. 33, § 2°, do CP e do art. 112 da LEP, a pena privativa de
liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para
regime menos rigoroso. Quais critérios devem ser observado?

Em regra, dois são os requisitos, um objetivo e outro subjetivo, confira:


Requisito Objetivo » cumprimento de ao menos um sexto da pena no regime
anterior;
Requisito Subjetivo » ostentar bom comportamento carcerário, comprovado
pelo diretor do estabelecimento.

O exame criminológico é obrigatório para a progressão do regime?

Não, desde a edição da Lei nº 10.792/03, que alterou o art. 112 da Lei de
Execução Penal, não mais se exige o exame criminológico.

Como a edição da Lei nº 10.792/03, que alterou o art. 112 da Lei de Execução
Penal, não mais se exige o exame criminológico para a progressão do regime.
Desta forma, está correto concluir que este passou a ser proibido para a
progressão do regime?

Errado, o exame criminológico deixou de ser obrigatório, no entanto pode o juiz


determinar a sua realização, desde que haja motivação, observe o que diz
súmula 439 do STJ: "Admite- -se o exame criminológico pelas
peculiaridades do caso, desde que em decisão motivada".

Está correto afirmar que somente após o trânsito em julgado da sentença


condenatória poderá haver a progressão do regime?

Não, é permitida a progressão do regime antes do trânsito em julgado da


sentença condenatória, conforme entendimento sumulado do STF, confira: 
Súmula 716 do STF: Admite-se a progressão de regime de cumprimento da
pena ou a aplicação imediata de regime menos severo nela determinada,
antes do transito em julgado da sentença condenatória.

Se o réu estiver em prisão especial, a progressão do regime será vedada?

Não, não impede a progressão de regime de execução da pena, fixada em


sentença não transitada em julgado, o fato de o réu se encontrar em prisão
especial, conforme súmula 717 do STF. Logo, errada a assertiva. 

O texto original da Lei de Crimes Hediondos (Lei 8.072/90) determinava que a


pena para os crimes hediondos e equiparados deveria ser cumprida
integralmente em regime fechado, ou seja, sem a possibilidade de progressão.
No entanto, no dia 23.02.2006, por seis votos a cinco, o Plenário do Supremo
Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 2°, § 1°, da Lei
8.072/90 (HC82.959/SP). Posteriormente, em 28/03/2007, a Lei nº11.464/07
deu nova redação ao artigo 2° da Lei 8.072/90, possibilitando a progressão,
desde que observados critérios mais rígidos, quais sejam, o cumprimento de
2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado for primário, e de 3/5 (três quintos), se
reincidente. Desta forma, como se dá a progressão do regime no caso de
hediondos e equiparados praticados antes da edição da Lei 11.464/ 2007?

A progressão do regime em tais casos terá os mesmos requisitos exigidos do


CP, ou seja, cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento.
Explica-se: A previsão original contida no art. 2°, § 1°, da Lei nº 8.072/90 foi
declarada inconstitucional pelo STF. Esta decisão produziu efeitos ex tunc,
logo, dever-se-ia aplicar o prazo previsto no CP, qual seja, cumprimento de um
sexto da pena até a edição de lei estabelecendo prazo maior. Com a edição da
Lei nº 11.464/07, os prazo foram aumentados para 2/5 e 3/5, agravando
portanto a situação dos condnados por crimes hediondos, de forma que tal lei
não poderá retroagir, logo, quem cometeu crime até 29 de março de 2007 terá
direito à progressão do regime após o cumprimento de, em regra, 1/6 da pena. 

Qual o limite máximo de pena privativa de liberdade que pode ser cumprida no
Brasil?

Segundo o CP, em regra, tempo de cumprimento das penas privativas de


liberdade não pode ser superior a 30 (trinta) anos (Art. 75).

Nas hipóteses em que o agente for condenado a penas privativas de liberdade


cuja soma seja superior a 30 anos, devem elas ser unificadas para atender ao
limite máximo de 30 anos?

Sim, conforme previsto no art. 70, §1º, in verbis: Quando o agente for


condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a 30 (trinta)
anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo.

Seria possível algum condenado cumprir mais de 30 anos de pena?

Sim, acaso sobrevenha condenação por fato posterior ao início do


cumprimento da pena, devendo ser feita nova unificação da pena,
desprezando-se o período de pena já cumprido, nos termo do §2º do art. 70.
Veja o exemplo do sempre elucidativo Capez:
A é condenado a 150 anos de reclusão. Procedida a unificação, deve cumprir
30. Após cumprir 12 anos, é condenado por fato posterior ao início do
cumprimento da pena. Nessa nova condenação, é-lhe imposta pena de 20
anos. Somam-se os 18 que faltavam para cumprir os 30 anos com os 20 anos
impostos pela nova condenação. Dessa soma resultará a pena de 38 anos.
Procede-se a nova unificação para o limite de 30 anos. Agora, além dos 12 já
cumpridos, terá de cumprir mais 30.
A pena unificada para atender ao limite de 30 anos deve ser levada em
consideração para a concessão de benefícios tais como progressão de regime
e livramento condicional?

Não. Segundo a Súmula nº 715 do STF, "A pena unificada para atender ao
limite de trinta anos de cumprimento, determinado pelo art. 75 do Código
Penal, não é considerada para a concessão de outros benefícios, como o
livramento condicional ou regime mais favorável de execução".

Quais os pressupostos da medida de segurança?

São dois:
1- Prática de um fato típico e ilícito;
2- Periculosidade social (análise feita em relação ao futuro).

A periculosidade social do agente que pratica um fato típico deve ser real ou
presumida?

Depende, será presumida em relação aos inimputáveis, conforme prevê o


art. 26 do CP.
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou
desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da
omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.
Será real em relação aos semi-imputáveis, nos termos do p. único do art. 26
do CP, confira:
Art. 26, p. único- A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente,
em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental
incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

Ao lado das penas, a medida de segurança é a outra espécie de sanção penal.


Quais são as espécies de medida de segurança?

Segundo o art. 96 do Código Penal, duas são as espécies de medidas de


segurança:
1- Internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à falta, em
outro estabelecimento adequado;
2- Sujeição a tratamento ambulatorial.

Quando será cabível a internação em hospital de custódia e tratamento e


quando será cabível o tratamento ambulatorial?

Internação em HCT - inimputável ou o semi-imputávelpraticou crime punido


com reclusão;
Tratamento Ambulatorial- inimputável ou o semi-imputável a
tratamentopraticou crime punido com detenção.

É possível que o condenado por crime punido com reclusão venha a cumprir a
medida de segurança de tratamento ambulatorial?

Há dissídio jurisprudencial sobre o tema, o STF entende pela possibilidade,


confira:
Execução. Condenação a pena de reclusão, em regime aberto. Semi-
imputabilidade. Medida de segurança. Internação. Alteração para tratamento
ambulatorial. Possibilidade. Recomendação do laudo médico. Inteligência do
art. 26, caput e §2º do Código Penal. Necessidade de consideração do
propósito terapêutico da medida no contexto da reforma psiquiátrica. Ordem
concedida. Em casos excepcionais, admite-se a substituição da internação por
medida de tratamento ambulatorial quando a pena estabelecida para o tipo é a
reclusão, notada mente quando manifesta a desnecessidade da internação".
Por seu turno, o STJ entende não ser possível.

Acaso ao condenado sobrevenha doença mental, será possível a substituição


da pena por medida de segurança?

Sim, nos termos do art. 183 da LEP, sobrevindo doença mental o juiz poderá
substituir a pena por medida de segurança. Havendo recuperação de sua
saúde mental, deverá voltar a cumprir a pena.

Qual o prazo mínimo da medida de segurança?


Segundo o §1º do art. 97, prazo mínimo deverá ser de 1 (um) a 3 (três) anos.

Segundo o art. 97, § 1º do CP, a internação, ou tratamento ambulatorial, será


por tempo indeterminado, perdurando enquanto não for averiguada, mediante
perícia médica, a cessação de periculosidade. O prazo mínimo deverá ser de 1
(um) a 3 (três) anos. Desta forma, como o CP não definiu o tempo máximo,
isso significa que não há qualquer limite?

Errado. segundo o STJ, com base nos princípios da isonomia e da


proporcionalidade, o tempo de duração da medida de segurança não deve
ultrapassar o limite máximo da pena abstratamente cominada ao delito
praticado (6ª Turma, HC 174342, j. 11/10/2011; 5ª Turma, REsp 964247, j.
13/03/2012).
Também entendendo pela impossibilidade de caráter perpétuo o STF, em
posição mais conservadora que o STJ, o prazo máximo de duração da medida
de segurança é o previsto no art. 75 do CP, ou seja, trinta anos (1ª Turma, HC
107432, j. 24/05/2011; 2ª Turma, HC 97621, j. 02/06/2009).
 

Qual o conceito de concurso de crimes?

A expressão concurso de crimes é utilizada para designar as hipóteses em que


o agente, mediante uma, duas ou mais condutas, comete duas ou mais
infrações penais. 
Como veremos adiante, no concurso de crimes pode haver unidade ou
pluralidade de condutas, no entanto, sempre ocorrerá duas ou mais infrações
penais. Por outras palavras, quando se fala em concurso de crimes, significa
que o agente efetivamente cometeu diversas infrações.

Quais as espécies de concurso de crimes?

São de três espécies: 


1- Concurso formal;
2- Concurso material;
3- Crime continuado. 

Quando teremos um concurso material?


Caracteriza-se o concurso material ou real quando o agente, mediantemais de
uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não (CP, art.
69).

Quando teremos concurso formal?

Caracteriza-se o concurso formal quando o agente, mediante uma só conduta


(ação ou omissão), pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não (CP, art. 70).

Quando teremos um crime continuado?

Teremos um crime continuado quando o agente, mediante mais de uma ação


ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições
de tempo (conexão temporal), lugar (conexão espacial),maneira de execução
(modus operandi) e outras semelhantes. Nessas hipóteses, devem os crimes
subsequentes ser havidos como continuação do primeiro.
No que concerna á aplicação da pena, aplicar-se-á a pena de um só dos
crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer
caso, de um sexto a dois terços.

Qual a diferença entre o concurso material e o concurso formal?

A diferença consiste basicamente no número de condutas praticadas pelo


agente (ações ou omissões), haja vista que a expressão concurso traz a ideia
de mais de um crime. Nesse sentido, teremos concurso formal quando o
agente praticar somente uma conduta, ao passo que será material ou real o
concurso quando o agente realizar mais de uma conduta. 

O concurso material ou real restará caracterizado quando o agente, mediante


mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não
(CP, art. 69). Face ao exposto, o que vem a ser o concurso material
homogêneo e o concurso material heterogêneo?
No concurso material homogêneo, o agente comete mais de um crime
idêntico;
No concurso material heterogêneo, o agente comete mais de um crime só
que de espécies diferentes.

Podemos afirmar que se João, mediante diversas ações, praticasse vários


crimes, em lugares diversos, executando-os de maneira diferente e com largo
intervalo de tempo, estará caracterizado o crime continuado?

Errado, haverá crime continuado ou continuidade delitiva,  que é a modalidade


de concurso que se verifica quando o agente, por meio de duas ou mais
condutas, comete dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições
de tempo, local, modo de execução e outras semelhantes, devem os
subsequentes ser havidos como continuação do primeiro.

Para a ocorrência do concurso de crimes, ato e conduta são considerados


como sinônimos?

Não, as expressões não se confundem, haja vista que uma conduta pode ser
formada por vários atos.
Veja o exemplo do sujeito que subtrai vários bens da mesma vítima, praticou
vários atos mas somente uma conduta.

Para que haja concurso material de crimes, as condutas devem ser praticas no
mesmo contexto fático?

Não, o concurso material exige a pluralidade de condutas e a pluralidade de


resultados. Ou seja, o agente, por meio de duas ou mais condutas, pratica dois
ou mais crimes, pouco importando se os fatos ocorreram ou não no mesmo
contexto fático.

É correto dizer que no caso de concurso material a pena será aplicada pelo
sistema de cúmulo material (soma das penas de cada crime)?
Correto, segundo tal sistema, cada delito corresponde a uma pena, que será
somada às demais.
É o adotado pelo CódigoPena nas seguintes hipóteses:
Art. 69 (concurso material);
Art. 70, caput, 2º parte (concurso formal impróprio ou imperfeito);
Penas de multa (art. 72).

Nas hipóteses de concurso material, os crimes devem ser apreciados no


mesmo processo e as penas devem ser somadas.
Por sua vez, se os delitos não são conexos, cada qual deve ser apurado em
um processo distinto e receber pena isoladamente (uma sentença para cada
crime). A soma só acontecerá posteriormente, no juízo das execuções
criminais.
Considerando as afirmativas acima, pergunta-se: Se o acusado for condenado
a mais de uma pena restritiva de direitos, será possível o cumprimento
simultâneo de ambas as penas?

Sim, segundo o art. 69, §2º do CP, quando forem aplicadas penas restritivas de
direitos, o condenado cumprirá simultaneamente as que forem compatíveis
entre si e sucessivamente as demais.

Como será aplicada a pena nos casos de concurso formal?

No concurso formal, bem como nas hipóteses de crime continuado, a aplicação


da pena se dará pelo sistema de exasperação, de forma que será aplicada
a pena do crime mais grave, aumentada de certo percentual.

É possível concurso de crimes culposos?

Sim, não há qualquer vedação, o que importa é que a(s) conduta(s) constitua
(m) mais de um crime.

Acaso seja aplicada pena privativa de liberdade por um dos crimes, para os
demais será possível a aplicação das penas restritivas de direito?
Somente será possível se a PPL estiver suspensa, ao teor do art. 69, §1º do
Código Penal, confira: quando ao agente tiver sido aplicada pena privativa de
liberdade, não suspensa, por um dos crimes, para os demais será incabível a
substituição de que trata o art. 44 do Código Penal.

Em todas as modalidades de concurso de crimes, a aplicação da pena de


multa segue a regra da aplicação da pena privativa de liberdade.

Não, fique esperto, as penas de multa em todas as modalidades de concurso


de crimes, serão aplicadas de forma integral e isoladamente (art. 72 do CP).

No caso de concurso material de crimes, a contagem do prazo prescricional


tem por base a soma das penas ou é contado de acordo com a pena de cada
crime isoladamente?

Segundo o art. 119 do CP, o prazo prescricional deve ser contado


separadamente para cada uma das infrações penais, confira: no caso de
concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada
um, isoladamente.

Analise a seguinte situação: João, dependente químico, com intenção de


subtrair valores em dinheiro para aquisição de substâncias entorpecentes,
entrou em um ônibus estadual e, munido de uma arma de brinquedo, anunciou
assalto, ordenando que todos os presentes colocassem, em uma sacola que
deixara no chão, os valores em espécie que possuíssem, ameaçando matá-los
caso se recusassem a fazê-lo. Todos obedeceram à sua ordem e ele
conseguiu subtrair, ao todo, R$ 500,00.
Em tal situação, podemos dizer que, para fins do cálculo da prescrição dos
crimes praticados por João, será indiferente o acréscimo que se realize em
face do concurso formal de crimes, haja vista que, em tais situações, a extinção
da punibilidade incide sobre a pena de cada um dos crimes, isoladamente? 

Sim, considerando que nos termos do art. 119 do CP, o prazo prescricional
deve ser contado separadamente para cada uma das infrações penais, confira:
"no caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a
pena de cada um, isoladamente". 
Imagine a seguinte situação: Dois policiais torturam uma vítima para que ela
confesse um crime, em seguida, a levam a um local ermo onde a matam com
um disparo de arma de fogo a fim de assegurar a impunidade do crime de
tortura. Nesse caso temos um concurso material de crimes?

Sim, pois houve duas condutas que geraram a ocorrência de dois crimes
diversos. 

A conexão teleológica é assim denominada porque o agente comete um crime


para depois cometer outro, como no exemplo do seqüestrador que mata o
segurança para sequestrar seu patrão. Nesses casos há a ocorrência de
concurso material de crimes?

Sim, houve mais de uma conduta que resultou em mais de um crime (homicídio
e sequestro).

Restará caracterizado o concurso formal quando o agente, mediante uma só


ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não (CP, art. 70).
Qual a diferença entre concurso formal homogêneo e heterogêneo?

Da mesma forma do concurso material, o concurso formal homogêneo ocorrerá


nas hipóteses em que o agente, mediante uma só conduta criminosa cometerá
vários crimes da mesma espécie, como no exemplo de um motorista que
atropela e mata no mesmo instante várias pessoas.
No mesmo caso teríamos concurso formal heterogêneo se além de mortes o
motorista também causasse lesões corporais em outras pessoas.

Qual a diferença entre o concurso formal perfeito do concurso formal


imperfeito?

A diferença reside no número de desígnios.


No concurso formal perfeito, o agente, por meio de um só impulso volitivo,
dá causa a dois ou mais resultados.
Por seu turno, o concurso formal imperfeito é resultate de desígnios
autônomos. Em outras palavras, aparentemente, há uma só ação, mas o
agente intimamente deseja os outros resultados ou aceita o risco de produzi-
los.

É possível a verificação da hipótese de concurso formal imperfeito nos crimes


culposos?

Não, haja vista que nos crimes culposos o agente não quer o resultado, daí
somente ser possível em crimes dolosos, pois o agente, mediante desígnios
autônomos quer ou aceita os resultados.

Como será a aplicação das penas na hipótese de crimes praticados mediante


concurso formal imperfeito?

As penas devem ser somadas, da mesma forma que é feita nos casos de
concurso material.

Tanto nos casos de concurso formal homogêneo como heterogêneo as penas


deverão ser aplicadas da mesma forma, ou seja, aplicar-se-á a pena de
qualquer dos crimes acrescida de 1/6 até a metade?

Cuidado! Essa forma de aplicação será utilizada nos casos de concurso formal
homogêneo (crimes iguais).
Nos casos de concurso formal heterogêneo (crimes diferentes) deverá ser
aplicada a pena do crime mais grave, aí sim acrescida de 1/6 até a metade.

É correto dizer que, no caso de concurso formal de crimes, aumento da pena


deve variar de acordo com o número de resultados produzidos?

Sim, este é o entendimento jurisprudencial, e tal aumento pode se dar de


acordo com a seguinte tabela, confira:
Número de crimes      Percentual de aumento  ou 
            2                                        1/6    
            3                                        1/5    
            4                                        1/4          
            5                                        1/3
            6                              +Metade da pena

Está correto afirmar que o percentual de aumento decorrente do concurso


formal de crimes deve ser aferido à luz das circunstâncias judiciais analisadas
na primeira fase da dosimetria da pena, e não em razão do número de delitos
praticados.

Não, o aumento da pena deve variar de acordo com o número de resultados


produzidos. Ou seja, quanto mais crimes cometidos, maior será a exasperação
da pena. 

O que é concurso material benéfico?

É o que ocorre nos casos em que a aplicação da pena no concurso formal, em


face do número de crimes, supera o montante que seria cabível se tivesse
havido concurso material. Veja o seguinte exemplo:
Jack comete o crime de estupro de vulnerável (art. 217-A) em concurso
formal com o de perigo de contágio de moléstia venérea (art. 130, caput),
expondo a vítima ao contágio com sífilis. Na fixação da pena, o juiz
estabelece a pena mínima para os dois delitos. No estupro, o mínimo é de 8
anos, e, no crime de perigo, é de 3 meses. Se as penas fossem somadas,
atingiríamos o total de 8 anos e 3 meses, mas, se aplicássemos a regra do
concurso formal, chegaríamos a uma pena de 9 anos e 4 meses (8 anos mais
1/6). Na hipótese em tela, a regra do concurso formal, criada para beneficiar o
acusado e evitar penas desproporcionais, estaria a prejudicá-lo. 
Com o fim de evitar tão situação, o Código Penal no parágrafo único do art. 70,
trouxe a seguinte regra: 

Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois


ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas
cabíveis
ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um
sexto
até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou
omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos,
consoante o disposto no artigo anterior.
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela
regra do art. 69 deste Código.
Há duas teorias sobre o concurso formal, a objetiva e a subjetiva, qual a
diferença entre cada uma delas? 

Pela teoria subjetiva, exige-se unidade de desígnios na conduta do agente


para a configuração do concurso formal.
Já pela teoria objetiva, bastam a unidade de conduta e a pluralidade de
resultados para a caracterização do concurso formal, pouco importa se o
agente agiu ou não com unidade de desígnios.  
Esta última foi a acolhida pelo Código Penal, uma vez que o art. 70, caput, 2.ª
parte, admite o concurso formal imperfeito, em que despontam os desígnios
autônomos.

Imagine a seguinte situação hipotética. Um assaltante entra em um ônibus com


um revólver e exige de todos os doze passageiros seus pertences. O agente
deve responder por que conduta?

Deve responder por roubo majorado conforme o art. 157, §2º, I emconcurso
formal, pois o agente, mediante uma só ação, praticou crimes de roubo contra
vítimas diferentes.

Na situação em que um assaltante entra em um ônibus com um revólver e


exige de todos doze passageiros seus pertences comete crime de roubo
circunstanciado em concurso formal. Tal situação é de concurso formal próprio
ou impróprio?

Segundo o STJ, cuida-se de concurso formal próprio, pois somente se verificou


uma ação, ainda que contra vítimas distintas.

Imagine a seguinte situação hipotética. Um assaltante entra em um ônibus com


um revólver e exige de todos doze passageiros seus pertences. Como deverá
ser aplicada a pena?
Como se trata de concurso formal, o aumento será proporcional ao número de
crimes praticas, conforme tabela abaixo.
 Número de crimes      Percentual de aumento  ou 
           2                                        1/6    
           3                                        1/5    
           4                                        1/4          
           5                                        1/3
           6                              +Metade da pena

Segundo o art. 71 do CP, haverá crime continuado quando o agente, mediante


mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie
e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras
semelhantes.
Em se tratando de crime continuado, podemos dizer que será aplicada a lei
penal mais benéfica caso surja lei penal posterior mais grave antes da
cessação da continuidade ou permanência da conduta criminosa?

Errado, segundo a súmula 711 do STF, a lei penal mais grave aplica-se ao
crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à
cessação da continuidade ou da permanência.

Imagine a seguinte situação hipotética: No dia 20 de outubro de 2013, nas


dependências do banco Y, Carlos, com o objetivo de prejudicar direitos da
instituição financeira, preencheu e assinou declaração falsa na qual se
autodenominava Maurício. No mesmo dia, foi até outra agência do mesmo
banco e, agindo da mesma forma, declarou falsamente chamar-se Alexandre.
Neste caso, as ações de Carlos correspondem a concurso formal de crimes?

Errado, cuida-se da hipótese de crime continuado, visto que as condições de


tempo, lugar e modo de execução foram as mesmas em ambos os casos,
tendo a ação subsequente dado continuidade à primeira.

Podemos dizer que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça entende


ser ilegal a utilização do critério do número de infrações penais praticadas para
calcular o percentual de aumento da pena fundado no crime continuado?
Não, justamente pelo contrário, entende o STJ que tal critério é válido, inclusive
o tribunal entende ser válida a tabela abaixo.
Número de crimes      Percentual de aumento  ou 
            2                                        1/6    
            3                                        1/5    
            4                                        1/4          
            5                                        1/3
            6                              +Metade da pena
 
 

Segundo o art. 71, quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão,
pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo,
lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os subsequentes ser
havidos como continuação do primeiro. Temos aí o conceito de crime
continuado.
A par destas informações, quais os requisitos para a ocorrência do crime
continuado?

1- Pluralidade de condutas;
2- Pluralidade de crimes da mesma espécie;
3- Similitude de circunstâncias objetivas (tempo lugar maneira de execução).

Para a ocorrência do crime continuado são necessários três requisitos:


Pluralidade de condutas, pluralidade de crimes da mesma espécie e similitude
de circunstâncias objetivas. Podemos dizer que crimes da mesma espécie são
aqueles previstos no mesmo tipo penal?

Sim, segundo posicionamento dominante na doutrina, crimes da mesma


espécie são os previstos no mesmo tipo penal, ou seja, aqueles que
possuem os mesmos elementos descritivos, abrangendo as formas simples,
privilegiadas e qualificadas, tentadas ou consumadas. É a posição do STF,
colaciona-se:
A Turma reafirmou jurisprudência da Corte no sentido de não haver
continuidade delitiva entre os crimes de roubo e de furto. (...) Considerou-
se que os referidos delitos são de espécies distintas, uma vez que o furto tem
como bem jurídico violado somente o patrimônio, enquanto o roubo, crime
pluriofensivo e complexo, ofende o patrimônio, a liberdade individual e a
integridade física da vítima, o que afasta o nexo de continuidade e enseja a
aplicação da regra do concurso material. (HC 97.057/RS, rel. Min. Gilmar
Mendes, 2.ª Turma, j. 03.08.2010, noticiado no Informativo 594).
No entanto, cabe destacar que parte da doutrina, como Basileu Garcia e
Heleno Cláudio Fragoso, sustenta serem crimes da mesma espécie aqueles
que tutelam o mesmo bem jurídico, pouco importando se estão ou não
previstos no mesmo tipo penal. Exemplificativamente, furto mediante fraude e
estelionato – crimes contra o patrimônio – seriam da mesma espécie. 

Para a ocorrência do crime continuado são necessários três requisitos:


1- pluralidade de condutas,
2- pluralidade de crimes da mesma espécie e
3- similitude de circunstâncias objetivas.
Crimes da mesma espécie são aqueles previstos no mesmo tipo penal,
devendo possuir os mesmos elementos descritivos, abrangendo as formas
simples, privilegiadas e qualificadas, tentadas ou consumadas.
Desta forma, podemos afirmar que roubo e latrocínio são crimes da mesma
espécie e, portanto, caracterizam crime continuado?

Errado, não são crimes da mesma espécie, de forma que não haverá crime
continuado. Prevalece o entendimento doutrinário que tais  tipos visam proteger
bens jurídicos diversos. Veja o que diz Capez:

"roubo e latrocínio não são crimes da mesma espécie, pois no roubo ocorrem a


subtração e o constrangimento ilegal, enquanto no latrocínio, subtração e a
morte da vítima"

Para a ocorrência do crime continuado são necessários três requisitos:


Pluralidade de condutas, pluralidade de crimes da mesma espécie e similitude
de circunstâncias objetivas. Crimes da mesma espécie são aqueles previstos
no mesmo tipo penal, devendo possuir os mesmos elementos descritivos,
abrangendo as formas simples, privilegiadas e qualificadas, tentadas ou
consumadas.
Desta forma, podemos afirmar que roubo e latrocínio são crimes da mesma
espécie e, portanto, caracterizam crime continuado?
Para uma primeira corrente, seguida pelo Superior Tribunal de Justiça, crimes
da mesma espécie são aqueles tipificados pelo mesmo dispositivo legal,
consumados ou tentados, seja na forma simples, privilegiada ou qualificada.
Segundo esta corrente, roubo e latrocínio, embora previstos no art. 157 do
Código Penal (são crimes do mesmo gênero), não são crimes da mesma
espécie.
Por seu turno, há outra corrente doutrinária, a exemplo de Basileu Garcia e
Heleno Cláudio Fragoso, que sustenta serem crimes da mesma espécie
aqueles que tutelam o mesmo bem jurídico, pouco importando se estão ou
não previstos no mesmo tipo penal. Exemplificativamente, furto mediante
fraude e estelionato – crimes contra o patrimônio – seriam da mesma espécie.

Configura-se o crime continuado - seja no caso de crime culposo, tentado ou


consumado - quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão,
pratica dois ou mais crimes da mesma espécie. Consideradas, então, as
condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, os
crimes subsequentes devem ser havidos como continuação do primeiro.

Correto, tá aí uma definição de crime continuado proposto pelo próprio CESPE


na prova para Agente da Polícia Federal na prova aplicada em 2012.

Qual a natureza jurídica do crime continuado?

Segundo a maioria da doutrina, trata-se hipótese de ficção jurídica, vez que na


realidade há uma pluralidade de delitos, mas o legislador, por questão de
política criminal, presume que eles constituem um só crime, apenas para efeito
de sanção penal.

O que vem a ser crime continuado específico?

O crime continuado específico é o crime doloso praticado com violênciabou


grave ameaça contra vítimas diferentes, conforme previsto no parágrafo único
do art. 71, do CP, Confira:
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica
dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar,
maneira de execução e outras semelhantes, devem os subsequentes ser
havidos como continuação do primeiro (...)
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes,
cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz,
considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a
personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias,
aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se
diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único do art. 70
e do art. 75 deste Código.
 

Imagine a seguinte situação hipotética: Anastácio, no dia 10 de Janeiro de


2012, durante a madrugada, praticou quatro roubos consumados, com
emprego de arma de fogo, contra Postos de Gasolina, situados em bairros
diversos na cidade de Farrapos, nesse caso, pode-se dizer que houve
concurso material de crimes?

Errado, trata-se de hipótese de crime continuado específico, já que o agente,


mediante mais de uma ação, mediante grave ameaça,  praticou mais de um
crime da mesma espécie nas condições de tempo, lugar, maneira de execução.

Imagine a seguinte situação hipotética: Anastácio, no dia 10 de Janeiro de


2012, durante a madrugada, praticou quatro roubos consumados, com
emprego de arma de fogo, contra Postos de Gasolina, situados em bairros
diversos na cidade de Juazeiro, posteriormente, atravessou a ponte que separa
as duas Cidades e assaltou mais um posto em Petrolina. Nesse caso, o crime
praticado na segunda cidade não configura crime continuado.

Errado, o requisito lugar, para a configuração do concurso de crime pode


mesma cidade ou cidades próximas. Desta forma, há sim a incidência de crime
continuado. 

Imagine a seguinte situação hipotética: Anastácio, no dia 10 de Janeiro de


2012, durante a madrugada, praticou um roubo consumado, com emprego de
arma de fogo, contra um Posto de Gasolina, no dia seguinte consumou mais
um roupo, em outro posto da mesma cidade. Posteriormente, na semana
seguinte, atravessou a ponte que separa as duas Cidades e assaltou mais um
posto em Petrolina.
Nesse caso, a hipótese não pode ser crime continuado, dada que entre o
primeiro e o terceiro crime passou mais de uma semana. Esta correta a
assertiva?

Errado, segundo orientação jurisprudencial, o tempo somente não pode ser


superior a 30 dias.

Qual a teoria adotada pelo CP em relação ao crime continuado?

A doutrina ainda não chegou a um acordo sobre o tema, havendo duas


correntes, confira: 
1.ª Teoria objetivo-subjetiva: Não basta a presença dos requisitos objetivos
previstos no art. 71, caput, do Código Penal. Reclama-se também a unidade de
desígnio, isto é, os vários crimes resultam de plano previamente elaborado
pelo agente.
2.ª Teoria objetiva pura ou puramente objetiva: Basta a presença dos
requisitos objetivos elencados pelo art. 71, caput, do Código Penal. Entende
ainda esta corrente que, como o citado dispositivo legal apresenta apenas
requisitos objetivos, as “outras semelhantes” condições ali admitidas devem ser
de natureza objetiva, exclusivamente. Sustentam ainda que item 59 da
Exposição de Motivos da Nova Parte Geral do Código Penal: “O critério da
teoria puramente objetiva não revelou na prática maiores inconvenientes, a
despeito das objeções formuladas pelos partidários da teoria objetivo-
subjetiva”.
A primeira teoria é a adotada pelo Supremo Tribunal Federal, confira: 
Para configurar o crime continuado, na linha adotada pelo Direito Penal
brasileiro, é imperioso que o agente: a) pratique mais de uma ação ou omissão;
b) que as referidas ações ou omissões sejam previstas como crime; c) que os
crimes sejam da mesma espécie; d) que as condições do crime (tempo, lugar,
modo de execução e outras similares) indiquem que as ações ou omissões
subsequentes efetivamente constituem o prosseguimento da primeira. É
assente na doutrina e na jurisprudência que não basta que haja similitude entre
as condições objetivas (tempo, lugar, modo de execução e outras similares). É
necessário que entre essas condições haja uma ligação, um liame, de tal modo
a evidenciar-se, de plano, terem sido os crimes subsequentes continuação do
primeiro. O entendimento desta Corte é no sentido de que a reiteração
criminosa indicadora de delinquência habitual ou profissional é suficiente para
descaracterizar o crime continuado.  RHC 93.144/SP, rel. Min. Menezes Direito,
1.ª Turma, j. 18.03.2008. Em igual sentido: STF – HC 109.730/RS, rel. Min.
Rosa Weber, 1.ª Turma, j. 02.10.2012). 
Como se dá a aplicação da pena nas hipóteses de crime continuado?

É feita pelo sistema de exasperação da pena, de forma semelhante ao


concurso formal.

Como deve ser aplicada a pena nos casos de crime continuado específico?

Da mesma forma do crime continuado simples, no entanto, considerando a


culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente,
bem como os motivos e as circunstâncias,deve-se aumentar a pena de um só
dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo. Apesar
de não haver previsão legal, o aumento mínimo deve ser de 1/6 (um sexto).

Segundo o art. 72 do CP, no concurso de crimes, as penas de multa são


aplicadas distinta e integralmente, ou seja, pelo sistema de cúmulo material.
Tal entendimento também se aplica às hipóteses de crime continuado?

Não, segundo jurisprudência dominante do STJ, a aplicação da hipótese do art.


72 do Código Penal, restringe-se aos casos dos concursos material e
formal, não lhe estando no âmbito de abrangência da continuidade
delitiva. (STJ-REsp909.327/ PR, 6ª T, j. 07/10/2010).

Os juizados especiais criminais são competentes para julgar as infrações de


menor potencial ofensivo, assim consideradas as contravenções penais e os
crimes cuja lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou
não com multa (Art. 61 da Lei 9.099/95).
Nesse sentido, havendo concurso de crimes de menor potencial ofensivo, para
saber se a competência será do JECRIM, as penas devem ser analisadas
isoladamente?

Errado, segundo entendimento pacífico do STJ, no caso de concurso de


crimes, a pena considerada para fins de fixação da competência do
Juizado Especial Criminal será o resultado da soma, no caso de concurso
material, ou a exasperação, na hipótese de concurso formal ou crime
continuado, das penas máximas cominadas aos delitos; destarte, se desse
somatório resultar um apenamento superior a 02 (dois) anos, fica afastada a
competência do Juizado Especial.
Observe o art. 89 da Lei 9.099/99 (JECRIM): Art. 89. Nos crimes em que a
pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não por
esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a
suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não
esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime,
presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da
pena.
Nesse sentido, nas hipóteses de concurso material, formal ou crime
continuado, se a pena mínima cominada for dentro do limite acima indicado,
caberá a suspensão condicional do processo?

Perfeitamente, é o que diz o STJ, confira:


Segundo orientação deste Superior Tribunal de Justiça, quando configurada a
concorrência de concurso formal e crime continuado, aplica-se somente um
aumento de pena, o relativo à continuidade delitiva. Precedentes. 2. Ocorre bis
in idem quando há majoração da reprimenda primeiramente em razão do
concurso formal, haja vista o cometimento de um delito roubo contra duas
vítimas diferentes num mesmo contexto fático, e, em seguida, em função do
reconhecimento do crime continuado em relação ao terceiro assalto cometido."
(HC163.591/SP' 5a T.,j. 24/05/2011).

Ocorre aberratio ictus (erro na execução) quando o agente, por acidente ou


erro no uso dos meios de execução, o agente atinge pessoa diversa. Em outras
palavras, o agente "erra o alvo", atingido pessoa diversa, ou atinge quem
pretendia ofender e pessoa diversa. Nesse caso, o agente deve responder
como se tivesse praticado o crime contra a pessoa pretendida?

Correto, segundo o art. 73 do CP, quando, por acidente ou erro no uso dos
meiosde execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa quepretendia
ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime
contra aquela (pessoa quepretendia ofender), atendendo-seao disposto no § 3°
do art. 20. No caso de sert ambém atingida a pessoa que o agente pretendia
ofender,aplica-se a regra do concurso formal.
* Art. 20, § 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da
vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.

Segundo o art. 73 do CP, quando, por acidente ou erro no uso dos meios de
execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge
pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela
(pessoa que pretendia ofender), atendendo-se ao disposto no § 3° do art. 20*.
No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender,
aplica-se a regra do concurso formal. Desta forma, quais são as espécies
de aberratio ictus?

São duas as espécies:


Aberratio ictus com unidade simples: ocorre quando o agente, não atinge a
pessoa que pretendia ofender, mas somente pessoa diversa. Responderá
como se tivesse praticado o crime contra aquela, sendo consideradas então as
condições e qualidades da pessoa que se pretendia ofender.
Aberratio ictus com unidade complexa: Aqui há resultado duplo, de forma
que, ao agente, será aplicada a regra do concurso formal de crimes.
*Art. 20, § 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da
vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.

Analise a seguinte assertiva:


No caso de aberratio ictus com unidade complexa, aplica-se a regra do
concurso formal de crimes, isto é, aplica-se-lhe a mais grave das penas
cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso,
de um sexto até metade da pena.

Correto, conforme preceitua o §3º do art. 20 do CP.

Seria correto afirmar que somente ocorrerá aberratio ictus, em relação a


pessoa que não se queria atingir, se este for atingido de forma culposa?

Sim, é o entendimento que predomina na doutrina. O resultado causado por


erro deve ser causado somente a título de culpa, tendo havido o risco de
produzir o resultado, (dolo eventual), deve ser aplicado o concurso formal
imperfeito, que ocorre quando os resultados diversos derivam de desígnios
autônomos. Segundo Capez, ocorre uma só conduta, que produz dois ou mais
resultados, todos queridos ouaceitos pelo agente (dolo eventual).

Imagine a seguinte situação. Ada, por questões passionais, arma-se com um


revólver e mata Maria, pensando tratar-se de Rosa, sua rival em relação a
Pedro.
Podemos afirma que se trata de hipótese de aberratio ictus?

Não, haverá aberratio ictus (erro na execução) nas situações em que , por


acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente atinge pessoa
diversa. Na questão em análise, Ada fez uma confusão mental, atingiu quem
mirou, errando, no entanto, a pessoa que desejava matar, tratando a hipótese
desta forma de erro quanto à pessoa.

O que vem a ser aberratio criminis?

Também chamado de resultado diverso do pretendido, ocorre nas situações


em que o agente quer atingir um bem jurídico, mas, por erro na
execução, acerta bem jurídico diverso.
Sua previsão consta do art. 74 do CP, in verbis: Art. 74 - Fora dos casos do
artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime, sobrevém
resultado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é
previsto como crime culposo; se ocorre também o resultado pretendido, aplica-
se a regra do art. 70 deste Código (concurso formal).

Pode-se afirma que configura aberratio criminis, ou resultado diverso do


pretendido, o fato de o agente, por acidente ou erro no uso dos meios de
cometimento do crime, atingir pessoa diversa da que pretendia ofender?

Não, tal descrição se amolda ao aberratio ictus. Ocorrerá aberratio


criminis quando o agente quer atingir um bem jurídico, mas, por erro na
execução, acerta bem jurídico diverso.

Podemos afirmar que, de acordo com o Código Penal, salvo exceção, quando,
por acidente ou erro na execução do crime, sobrevém resultado diverso do
pretendido, o agente responde por culpa caso o fato seja previsto como crime
culposo. Entretanto, se ocorrer, também, o resultado pretendido, o agente
responderá por ele segundo a regra do concurso formal?

Sim, o enunciado está em conformidade com o que preceitua o art. 74 do CP,


confira mais uma vez: Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por
acidente ou erro na execução do crime, sobrevém resultado diverso do
pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como crime
culposo; se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70
deste Código (concurso formal)".
A exemplo do aberratio ictus, o aberratio criminis, também pode ser dividido em
unidade simples e complexa?

Sim, perfeitamente, aplica-se o mesmo raciocínio, confira:


Com unidade simples ou resultado único: só atinge bem jurídico diverso do
pretendido.
Com unidade complexa ou resultado duplo: são atingidos tanto o bem visado
quanto um diverso.

Imagine a seguinte situação: Anastácio, com objetivo de estraçalhar a vidraça


da casa de seu desafeto Teobaldo, atira uma pedra em direção aquela,
estraçalhando-a, atingindo também Teobaldinho, que assistia TV. Nesse caso
Anastácio responderá somente pelo crime de lesões corporais, sendo o crime
de dano absorvido por este?

Errado. A assertiva trouxe hipótese de aberratio criminis com unidade


complexa, vez que fora atingido tanto o bem visado - vidraça- quanto bem
jurídico diverso - integridade física de Teobaldinho- aplicando-se a regra
do concurso formal, com a pena do crime mais grave aumentada de 1/6 até
metade, de acordo com o número de resultados diversos produzidos.

Imagine a seguinte situação: Anastácio, com objetivo de estraçalhar a vidraça


da casa de seu desafeto Teobaldo, atira uma pedra em direção aquela, errando
o alvo, vindo a atingir Teobaldinho, que assistia TV. Nesse caso Anastácio
responderá somente pelo crime de lesões corporais, sendo o crime de dano
absorvido por este?

Correto, deve responder somente por lesões corporais culposa, ficando a


tentativa de dano absorvida. 

Imagine a seguinte situação: Anastácio atira em seu desafeto Teobaldo uma


pedra, errando o alvo e destruindo uma vidraça. Podemos dizer que nesse
caso, Anastácio deverá responder por crime de dano?

Errado. Não se aplica aberratio criminis no caso de o resultado não


pretendido (dano) ser menos grave que o resultado visado (lesões
corporais), ou quando não houvera previsão da forma culposa (não há dano
culposo) do resultado não pretendido. Desta forma, a conduta será atípica.

Imagine a seguinte situação hipotética: Capitão Nascimento atira para matar


Fraga, acertando-o. No entanto, por culpa, acaba também por atingir Zé
Azarado, causando-lhe lesões corporais. Nessa hipótese, aplicada a pena do
homicídio simples (pena mínima de 6 anos) acrescentada e 1/6 (um sexto)
devido ao concurso formal de crimes, somando ao final, 7 anos. Está correto o
que se afirma?
Penas: Homicídio simples- de 6 a 20.
Lesão corporal culposa: 2 meses a 1 ano.
 
 
 

Errado, nesse exemplo, cabe a aplicação do concurso material benéfico,


conforme previsto no p. único do art. 70 (Não poderá a pena exceder a que
seria cabível pela regra do art. 69 deste Código), de forma que a pena deverá
ser, em tese, de 6 anos e 2 meses (pena mínima referente às lesões corporais
culposas). 

O que é o livramento condicional?

O livramento condicional é um incidente na execução da pena privativa de


liberdade, que consiste na antecipação provisória da liberdade do
condenado, desde que este satisfaça os requisitos e aceite determinadas
condições.

Como é denominado o período em que o condenado está em livramento


condicional?

Tal fase é chamada de período de prova.

Qual a diferença entre o sursis penal e o livramento condicional?


A diferença é que no sursis o condenado não inicia o cumprimento da
pena privativa de liberdade, ou seja, esta é suspensa.
Já o livramento condicional o condenado cumpre ao menos 1/3 (um terço)
da pena, e somente após o cumprimento é posto em liberdade.
Quanto ao período de prova, no livramento corresponderá ao restante da pena,
enquanto na suspensão condicional esse período não corresponde à pena
imposta.

Quais os requisitos para que o condenado obtenha o livramento condicional?

Os requisitos são de duas espécies, objetivos e subjetivos, confira:


Requisitos objetivos:
1- Condenado à pena privativa de liberdade superior a dois anos;
2- Cumprimento de mais de 1/3 da pena, em regra, e ostentar bons
antecedentes e não for reincidente;
3- Reparação do dano causado pela infração, salvo efetiva impossibilidade de
fazê-lo.
Requisitos subjetivos:
1- Comportamento satisfatório (menos do que bom) durante a execução da
pena;
2- Bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído: a omissão do Poder
Público na atribuição de trabalho ao condenado não impede a concessão do
benefício;
3- Aptidão para prover à própria subsistência mediante trabalho honesto;
4- Nos crimes dolosos cometidos mediante violência ou grave ameaça à
pessoa, o benefício fica sujeito à verificação da cessação da periculosidade do
agente;
5- Nos crimes previstos na Lei n. 8.072/ 90 (Crimes Hediondos), não ser
reincidente específico. 
 

Os requisitos objetivos para a concessão do livramento condicional são:


cumprimento de mais de  1/3 da pena, ostente bons antecedentes e que não
seja reincidente.
No caso de réu reincidente em crime doloso, qual o período mínimo de
cumprimento de pena?
O réu reicidente em crime doloso deve cumprir mais da metade da pena, nos
termos do art. 83, I do CP.

Dentre os requisitos objetivos para a concessão do livramento condicional, está


o cumprimento de mais de 1/3 (um terço) da pena, ostentar bons antecedentes
e que não ser reincidente. Se o réu for reincidente em crime doloso, deve
cumprir mais da 1/2 (metade) da pena.
Nos casos de condenação por crimes hediondos e afins, qual será o período
mínimo de cumprimento da pena?

Nos casos de condenação por crime hediondo, prática da tortura, tráfico ilícito


de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, desde que o apenado não for
reincidente específico em crimes dessa natureza, devem cumprir mais
de 2/3 dois terços da pena.

O cometimento de falta grave pelo apenado obsta o direito ao livramento


condicional?

Não, segundo a Súmula 441 do STJ, falta grave não interrompe o prazo


para obtenção delivramento condicional.

Sobrevindo nova condenação ao apenado no curso da execução da pena -


seja por crime anterior ou posterior- a contagem do prazo para a concessão do
livramento condicional deve ser interrompida?

Sim, será interrompida, devendo novamente ser recalculado o prazo com


base na soma das penas restantes a serem cumpridas.

Segundo o Art. 86, I,  do Código Penal, "Revoga-se o livramento, se o liberado


vem a ser condenado a pena privativa de liberdade, em sentença
irrecorrível por crime cometido durante a vigência do benefício". 
Com base no artigo acima transcrito, pergunta-se, se o crime tiver sido
cometido antes da concessão do livramento condicional também haverá a
interrupção do benefício?

Sim, conforme prevê o art. 86, II, se o beneficiário vem a ser condenado, por
sentença transitada em julgado, a pena privativa de liberdade, por crime
cometido antes do benefício. Atente-se que nesta hipótese, o Código Penal
permite que seja descontado o período em que o condenado esteve em
liberdade, podendo, ainda, ser somado o tempo restante à pena referente à
segunda condenação para fim de obtenção de novo benefício (conforme o art.
84 do CP).

Revoga-se obrigatoriamente o livramento condicional se o liberado for


condenado a pena privativa de liberdade em sentença irrecorrível por crime
cometido antes ou durante a vigência do benefício.
Na condenação à pena não privativa de liberdade, podemos dizer que o juiz
pode deixar de revogar o benefício?

Sim, segundo o art. 87 do CP, o juiz poderá revogar o livramento, se o


liberado deixar de cumprir qualquer das obrigações constantes da sentença, ou
for irrecorrivelmente condenado, por crime ou contravenção, a pena que não
seja privativa de liberdade.

Podemos afirmar que, tanto a hipótese de revogação obrigatória por


cometimento de crime antes, como durante o período de prova, as
consequências para o condenado serão as mesmas? Ou seja, terá descontado
do montante da pena o tempo em que o sentenciado esteve solto em virtude do
livramento condicional?

Não, as consequências são distintas, segundo a doutrina, aqui tem aplicação a


regra ao traidor nada, de forma que:
Se o crime praticado durante o benefício: não se desconta o tempo em que
o sentenciado esteve solto e deve cumprir integralmente a sua pena, só
podendo obter novo livramento com relação à nova condenação;
Por crime anterior ao benefício: Será descontado o tempo em que o
sentenciado esteve solto, devendo cumprir preso apenas o tempo que falta
para completar o período de prova. Além disso, terá direito a somar o que
resta da pena com a nova condenação, calculando o livramento sobre esse
total (CP, art. 84, e LEP, art. 141).
 

Se o réu descumprir as condições impostas no livramento condicional,


podemos dizer que os dias em que esteve solto não serão descontados da
pena?
Correto, mais uma vez tem lugar aqui a regra ao traidor nada, assim, o tempo
em que esteve solto não será descontado, bem como não poderá obter novo
livramento em relação a essa pena, uma vez que traiu a confiança do juízo.

Está correto dizer que para conceder o livramento condicional ao condenado à


pena privativa de liberdade de vinte e cinco anos de reclusão e, ainda, à pena
privativa de liberdade de doze anos de reclusão, o juiz procederá ao cálculo da
soma das penas, atento ao limite legal de trinta anos de cumprimento como
critério para a concessão do benefício?

Errado, conforme vimos no capítulo referente às penas, a Súmula nº 715 do


STF diz que "A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de
cumprimento, determinado pelo art. 75 do Código Penal, não é
considerada para a concessão de outros benefícios, como o livramento
condicional ou regime mais favorável de execução". Desta forma, no caso
da assertiva acima, para a concessão do livramento condicional deve-se fazer
o cálculo a partir de 37 anos (pena de 25 anos somada à pena de 12 anos) .

É correto dizer que segundo o CP, o juiz poderá concedê o livramento


condicional quando comprovado comportamento satisfatório do condenado
durante a execução da pena, bom desempenho no trabalho que lhe foi
atribuído e aptidão para prover à própria subsistência mediante trabalho
honesto? 

Correto, o item cobra os requisitos subjetivos básicos para que o juiz conceda o
livramento condicional, confira:
- Comportamento satisfatório (menos do que bom) durante a execução da
pena;
- Bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído (a omissão do Poder
Público na atribuição de trabalho ao condenado não impede a concessão do
benefício);
- Aptidão para prover à própria subsistência mediante trabalho honesto;
Relembrando ainda que:
Nos crimes dolosos cometidos mediante violência ou grave ameaça à pessoa,
o benefício fica sujeito à verificação da cessação da periculosidade do agente;
Nos crimes previstos na Lei n. 8.072/90 (Crimes Hediondos), não ser
reincidente específico.
Seria correto afirmar que o livramento condicional pressupõe a inexistência de
reincidência específica em crimes hediondos ou assemelhados.

Correto, a Lei n. 8.072/90 (Lei de crimes hediondos) acrescentou o inciso V ao


art. 83 do CP, o qual vedou o livramento condicional para os reincidentes
em qualquer dos crimes previstos na Lei dos Crimes Hediondos. Assim, o
reincidente específico em crimes dessa natureza não terá direito algum ao
benefício.
Obs. Cumpre aqui destacar que reincidente específico, aqui, não quer dizer em
crimes previstos no mesmo tipo legal, mas em crimes previstos na mesma lei.

Seria correto afirmar que o livramento condicional pressupõe que o condenado


esteja em regime prisional semiaberto ou aberto? 

Não, não há qualquer previsão neste sentido, de forma que, mesmo que o
condenado esteja no regime fechado será possível a concessão de benefício.

Quais são as condições impostas no livramento condicional?

As condições estão previstas na Lei de Execuções Penais Lei 7.210/ 84, e


dividem-se em obrigatórias e facultativas, confira:
Obrigatórias: art. 132, § 1º, da LEP:
a) Proibição de se ausentar da comarca sem comunicação ao juiz;
b) Comparecimento periódico a fim de justificar atividade;
c) Obter ocupação lícita dentro de prazo razoável.
Facultativas: art. 132, § 2º, da LEP:
a) não mudar de residência sem comunicação ao juiz e à autoridade incumbida
de fiscalizar;
b) recolher-se à habitação em hora fixada;
c) não frequentar determinados lugares.
 

Qual é o principal efeito da condenação?


O principal efeito da condenação é a imposição de sanção penal, que pode
ser uma pena ou medida de segurança.

O que diferencia a pena da medida de segurança?

Como já vimos no capítulo "Das Penas", são diferenciadas pelodestinatário.


As penas são aplicadas ao imputável ou semi-imputável, ao passo que
amedida de segurança pode ser aplicada ao inimputável (art. 97) ou aosemi-
imputável (art. 26). 

O principal efeito da condenação é a imposição da sanção penal. Nesse


sentido, quais são os efeitos secundários da condenação?

Os efeitos secundários da condenação são os seguintes:


a) induz a reincidência;
b) impede, em regra, o sursis;
c) causa, em regra, a revogação do sursis;
d) causa a revogação do livramento condicional;
e) aumenta o prazo da prescrição da pretensão executória;
f) interrompe a prescrição da pretensão executória quando caracterizar a
reincidência;
g) causa a revogação da reabilitação;
h) leva à inscrição do nome do condenado no rol de culpados (CPP, art. 393,
II).

A condenação penal gera efeitos penais principais e secundários. No entanto, a


condenação também gera efeitos extrapenais, que também se subdividem em
genéricos e específicos.
Cite dois efeitos genéricos.

São exemplos de efeitos extra penais genéricos (Art. 91 do CP):


a) Tornar certa a obrigação de reparar o dano causado pelo crime;
b) Perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de
boa-fé:
I-dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico,
alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito;
II- do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito
auferido pelo agente com a prática do fato criminoso.
c) Suspensão dos direitos políticos, enquanto durar a execução da pena (CF,
Art. 15, III);

A respeito dos efeitos da condenação, é correto afirmar que acarreta a perda


em favor da União dos instrumentos do crime independente do direito do
lesado ou de terceiro de boa-fé?

É um efeito extrapenal genérico da condenação obrigatório a perda dos


instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação,
uso, porte ou detenção constitua fato ilícito. No entanto, deve ser ressalvado
o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé. Daí o erro da questão. 

Em relação aos efeitos extrapenais da sentença condenatória, o que diferencia


os efeitos genéricos dos específicos?

A diferença é que os efeitos extrapenais genéricos são automáticos, decorrem


de qualquer condenação criminal e não precisam ser expressamente
declarados na sentença.
Por seu turno, os específicos devem ser motivadamente declarados na
sentença condenatória (art. 92, p. único do CP).

Quais são os efeitos extrapenais específicos da condenação?

Segundo o art. 92 do CP, os efeitos extrapenais específicos são os seguintes:


1- A perda de cargo, função pública ou mandato eletivo: quando aplicada pena
privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes
praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração
Pública; Quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a
4 (quatro) anos nos demais casos.
2- Incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela, nos crimes
dolosos, sujeitos à pena de reclusão, cometidos contra filho, tutelado ou
curatelado;
3- Inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática
de crime doloso.
Por fim, cabe destacar o teor do parágrafo único do art. 92, in verbis: Os
efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo ser
motivadamente declarados na sentença.

A respeito dos efeitos da condenação, é correto afirmar que acarreta perda


automática de cargo ou função pública?

Não, tal afirmação está errada, uma vez que a perda do cargo ou função
pública é um efeito extrapenal específico, de forma que deve ser
devidamente declarada e motivada na decisão condenatória (art. 92, p.
único do CP).
 

Imagine que o servidor público Astrogildo foi denunciado por crime praticado
com abuso de poder, antes da condenação a 6 anos de reclusão, Astrogildo se
aposenta.
Nessa caso, como uma das consequências da pena seria a declaração da
perda da função pública, seria possível afirmar que a aposentadoria do
condenado pode ser cassada?

Aqui reside grande controvérsia do STJ.


Para a 5ª Turma seria possível, desde que o réu seja condenado por crime
cometido durante a atividade. REsp. 914.405-RS, 23/ 11/ 2010).
Já a 6ª Turma entende que não, haja vista a falta de previsão legal (Ag Rg no
1227116-PR, 19/03/2013.
Caso o tema seja cobrado em prova objetiva mais aconselhável seguir o
entendimento da 6ª turma, por ser mais consolidada e mais recente, julgada
em 19/ 03/ 2013.

É correto afirmar que é um efeito extrapenal específico da condenação a


inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática de
crime culposo?

Não! Percebeu o erro?? Isso... a assertiva fala em crime culposo, enquanto no


art. 92, II diz que o crime tem que ser DOLOSO!  Confira:  
"Art. 92- São também efeitos da condenação: III - a inabilitação para dirigir
veículo, quando utilizado como meio para a prática de crime doloso".  

É efeito extrapenal genérico da condenação a inabilitação para dirigir veículo,


quando utilizado como meio para a prática de crime doloso, de forma que não
precisa ser motivadamente declarada na sentença?

Errado, a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a
prática de crime doloso é um efeito específico da condenação, de forma
que, nos termos do art. 92, p. único, deve ser motivadamente declarados na
sentença.

Seria correto afirmar que a perda de cargo, como efeito da condenação,


ocorrerá apenas quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo
superior a quatro anos?

Não, pois nos casos não de crimes praticados com abuso de poder ou


violação de dever para com a administração pública basta que a pena seja
igual ou superior a um ano. Nos demais casos é que a quantidade de pena
levada em consideração será de quatros anos. 

O que se entende por reabilitação?

Segundo Capez, a reabilitação é o benefício que tem por finalidaderestituir o


condenado à situação anterior à condenação, retirando as anotações de
seu boletim de antecedentes.

Qual a natureza jurídica da reabilitação?

É uma causa suspensiva de alguns efeitos secundários da condenação e


dos registros criminais, conforme se extrai do art. 92 do CP.

Podemos afirmar que a reabilitação tem o condão de tornar sigiloso as


anotações criminais do condenado?
Sim, a reabilitação torna impõe o dever de sigilo dos registros criminais do
reabilitado, que não serão mais objeto de folhas de antecedentes ou certidões
dos cartórios.

A reabilitação tem por fim assegurar ao condenado o sigilo dos registros sobre
seu processo e condenação (CP,art. 93), bem como extinguir os efeitos
secundários extrapenais específicos da sentença penal condenatória, vedada
reintegração na situação anterior, nos seguintes casos: I - a perda de
cargo, função pública ou mandato eletivo; II- a incapacidade para o exercício
do poder familiar, tutela ou curatela, nos crimes dolosos, sujeitos à pena de
reclusão, cometidos contra filho, tutelado ou curatelado.
É correto dizer que se o condenado obtiver o benefício da reabilitação não
poderá mais ser considerado reincidente?

Não, não podemos afirmar que a reabilitação impede que o condenado seja
considerado reincidente, pois se este vier a praticar novo delito durante o
período do art. 64, I, do CP (cinco anos) será considerado reincidente.

Quais são os pressupostos para a reabilitação?

Os pressupostos são os seguintes:


1- Decurso de 2 anos da extinção da pena, ou da audiência admonitória, no
caso de sursis ou livramento condicional;
2- Bom comportamento público e privado durante esses 2 anos;
3- Domicílio no país durante esses 2 anos;
4- Reparação do dano, salvo absoluta impossibilidade de fazê-lo ou renúncia
comprovada da vítima.

A reabilitação será revogada, de ofício ou a requerimento do Ministério público,


se o reabilitado for condenado, como reincidente, por decisão definitiva, a pena
que não seja de multa (CP,art. 95).
Do exposto, qual o prazo máximo para que a reabilitação seja revogada?

A revogação somente pode ocorrer no prazo de cinco anos, previsto no art. 64,
I do CP, mesmo prazo para que o condenado seja considerado reincidente.
Nas concisas palavras de Capez, a reincidência não é apagada pela
reabilitação, pois só desaparece após o decurso de mais de 5 anos entre a
extinção da pena e a prática do novo crime.
O que são causas extintivas da punibilidade?

São fatos que tem o poder de extinguir o direito de punir do Estado, no Código
Penal estão enumeradas no art. 107, confira:
Art. 107 - Extingue-se a punibilidade:
I - pela morte do agente;
II - pela anistia, graça ou indulto;
III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso;
IV - pela prescrição, decadência ou perempção;
V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de
ação privada;
VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite;
VII Revogado.
VIII -Revogado.
IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.

As causas extintivas da penalidade estão exaustivamente previstas no art. 107


do Código Penal?

Não, existem outras causas previstas tanto na parte especial do CP como


também na legislação esparsa. Temos como exemplo na árte especial (CP, art.
312, § 3º, peculato culposo) em que o ressarcimento do dano, antes do trânsito
em julgado da sentença, extingue a punibilidade. Na legislação esparsa, o
pagamento do tributo ou contribuição social também extinguem a punibilidade
em determinados crimes de sonegação fiscal. 

De acordo com preceito expresso no Código Penal, incluem-se entre as causas


extintivas de punibilidade as escusas absolutórias?

Negativo, as escusas absolutórias são causas vinculadas à especial condição


do agente que excluem a punibilidade (e não extinguem). Confira os
exemplos previstos no Art. 181 do CP:
 É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em
prejuízo:
I- do cônjuge, na constância da sociedade conjugal;
II- de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja
civil ou natural.

É correto afirmar que a extinção da punibilidade pressupõe trânsito em julgado


da decisão condenatória?

Não, pois estas causas podem surgir, antes ou após o trânsito em julgado da
sentença, de forma que não há qualquer relação implicacional nesse sentido. 

Podemos afirmar que a morte do agente extingue os efeitos penais principais e


secundários da sentença condenatória?

Sim, a morte do agente extingue todos os efeitos penais da condenação,


considerando que a pena não pode passar da pessoa do condenado. Confira o
que diz o art. 5°, XLV da CF: "nenhuma pena passará da pessoa do
condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra
eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido". 

Podemos afirmar que, com base no art. 5º, XLV da CF, a pena não pode
passar da pessoa do condenado. Com base neste dispositivo constitucional
podemos afirmar que a morte do agente extingue também todos os efeitos
extrapenais da sentença condenatória?

Não, cuidado aqui, é cediço que a morte extingue todos os efeitos penais, no
entanto, quanto aos efeitos extrapenais, a morte não os atinge, de forma que
nada impedirá a execução da sentença penal no juízo cível contra os
sucessores do falecido, desde que realizada a prévia liquidação do valor do
dano.

Podemos afirmar que a morte do agente não extingue a pena de multa, por
esta ser dívida de valor?

Não, a morte do agente também extingue a pena de multa, uma vez que esta
não poderá ser cobrada dos seus herdeiros, considerando mais uma vez o
preceito constitucional de que a pena não passará da pessoa do condenado,
pois a pena de multa é uma pena. 
Destaca Capez que, mesmo em face da Lei nº 9.268/96, segundo a qual
amulta passou a ser considerada dívida de valor para fins de cobrança,
permanece a impossibilidade de a pena pecuniária ser executada dos
herdeiros, uma vez que subsiste sua natureza de pena.

Como se comprova a morte do agente para fins de extinção da punibilidade?

Somente pode ser provada mediante certidão de óbito, conforme previsto no


Código de Processo Penal, confira: "Art. 62.  No caso de morte do acusado, o
juiz somente à vista da certidão de óbito, e depois de ouvido o Ministério
Público, declarará extinta a punibilidade".

Conforme chama a atenção Cléber Masson, alguns doutrinadores, tais como


Nélson Hungria e Magalhães Noronha, entendiam que a declaração judicial de
ausência (Código Civil, art. 6.º) ou da extrema probabilidade de morte de quem
estava em perigo de vida ou prisioneiro ou desaparecido em campanha não
encontrado até dois anos após o término da guerra (Código Civil, art. 7.º) teria
o mesmo efeito de extinção da punibilidade. 

Acaso a extinção da punibilidade seja decretada com base em certidão de óbito


falsa qual será a conseqüência?

Para boa parte da doutrina, no caso em análise, a decisão que extinguiu a


punibilidade não mais poderá ser revista, considerando a vedação à revisão
criminal pro societate, devendo o responsável ser punido por falsificação e pelo
uso do documento público falso (arts. 297 e 304 do CP). 
Destaca-se, no entanto, que prevalece o entendimento nos tribunais superiores
que a ação penal poderá ser retomada apesar do trânsito em julgado da
decisão, na medida em que fundada em fato inexistente, considerando que o
fato gerador da extinção da punibilidade é a morte e não uma certidão que a
comprove. Nesse sentido, a decisão deve ser regovada, pois fundada em fato
inexistente e prossegue-se no feito do ponto onde havia sido paralisado.
 

A morte do agente dá ensejo à extinção da punibilidade, ainda que


posteriormente à sentença declaratória da extinção se comprove a falsidade da
certidão de óbito, a sentença será mantida, uma vez que não cabe revisão
criminal em prejuízo do réu. Tal entendimento encontra suporte na
jurisprudência dos tribunais superiores?

Não, malgrado tenha havido este entendimento, o STF já afirmou que o


suposto óbito do paciente seria fato inexistente e que, portanto, não poderia
existir no mundo jurídico. Por essa razão, reputou não haver óbice à
desconstituição da coisa julgada”. (HC 104.998/SP, rel. Min. Dias Toffoli, 1.ª
Turma, j. 14.12.2010, noticiado no Informativo 613). E também: HC 84.525/MG,
rel. Min. Carlos Velloso, 2.ª Turma, j. 16.11.2004.
Na mesma linha entende o STJ, HC 143.474/SP, rel. Min. Celso Limongi
(Desembargador convocado do TJ-SP), 6.ª Turma, j. 06.05.2010, noticiado no
Informativo 433. E ainda: “O desfazimento da decisão que, admitindo por
equívoco a morte do agente, declarou a extinção da punibilidade, não constitui
ofensa à coisa julgada” (HC 31.234, rel. Min. Felix Fischer, 5.ª Turma, j.
16.12.2003).

A anistia a graça e o indulto são causas extintivas da punibilidade. O que se


entende por anistia?

A anistia consiste no esquecimento jurídico da infração. A anistia atinge


fatos e não pessoas. Consiste em lei penal de efeito retroativo que retira as
consequências de alguns crimes já praticados, promovendo o seu
esquecimento jurídico.

Qual a diferença entra a anistia própria e a imprópria?

Própria: antes do trânsito em julgado;


Imprópria: após o trânsito em julgado.

Qual a diferença entre a anistia comum e a especial?

Especial: para crimes políticos;


Comum: para crimes não políticos;
Qual a diferença entre a anistia condicionada e a incondicionada?

Incondicionada: não exige a prática de nenhum ato como condição;


Condicionada: exige a prática de algum ato como condição (p. ex.: deposição
de armas).

É correto afirmar que a anistia exclui todos os efeitos penais e extrapenais da


condenação?

Não, a anistia retira todos os efeitos penais, principais e secundários, no


entanto, subsiste os efeitos extrapenais, de forma que a sentença condenatória
definitiva, mesmo em face da anistia, pode ser executada no juízo cível, haja
vista constituir título executivo judicial.

Está correto afirmar que a anistia, causa extintiva da punibilidade, somente


poderá ser concedida antes da sentença penal condenatória?

Não, vimos que a anistia se refere a fatos e que a anistia imprópria é concedida
antes da condenação criminal.

A anistia pode extinguir qualquer crime?

Não, segundo o art. 5º XLIII, 'a lei considerará crimes inafiançáveis e


insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como
crimeshediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os
que, podendo evitá-los, se omitirem'.

Não é possível a concessão de anistia, graça ou indulto àqueles que tenham


praticado crimes hediondos.

Correto, conforme previsto no art. 5º, XLIII. Item adaptado da prova CESPE,
AJAJ do TJ_DF, aplicada em 2013.
Qual a principal diferença entre a graça e o indulto?

A graça é um benefício individual concedido mediante provocação da parte


interessada;
O indulto é de caráter coletivo e concedido espontaneamente.

Da mesma forma que a anistia, a graça e o indulto são atos privativos do Poder
Legislativo?

Não, a concessão de indulto é de competência privativa do presidente da


República (CF, art. 84, XII), que pode delegá-la aos ministros de Estado, ao
procurador-geral da República ou ao advogado-geral da União (parágrafo único
do art. 84).
 

É correto dizer que a anistia é dirigida aos fatos, enquanto o indulto e a graça
se dirigem à pessoa?

Sim, é exatamente isso, a anistia exclui o fato criminoso, ao passo que agraça
e o indulto são benefícios concedidos aos indivíduos diretamente.

É correto afirmar que as causas de extinção da punibilidade, como a


prescrição, a morte do autor do fato e a decadência do direito de queixa,
podem ser reconhecidas de ofício pelo juiz?

Sim, considerando que se trata de matérias de ordem pública.

A anistia exclui os efeitos penais primários e secundários. A graça e o indulto


também produz tais efeitos?
Não, a graça e o indulto somente extinguem a pena (efeito principal da
condenação), persistindo os efeitos secundários (penais e extrapenais) da
sentença penal condenatória irrecorrível, tais como tornar certa a obrigação de
indenizar o dano causado pelo crime, e implica na perda em favor da União,
ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé dos instrumentos do
crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou
detenção constitua fato ilícito e do produto do crime ou de qualquer bem ou
valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato
criminoso.

Podemos afirmar que o indultado que cometer novo delito não será
considerado reincidente?

Não, haja vista que o indulto somente extingue os efeitos penais principais, de
forma que persiste a reincidência, que como vimos, é um efeito penal
secundário da condenação.

Está correto afirmar que o momento para a concessão do indulto é depois do


trânsito em julgado da decisão condenatória?

Em regra sim, pois guarda relação com a pena aplicada ao agente. No entanto,
a jurisprudência do STF já não reclama o trânsito em julgado da condenação
nem para a concessão do indulto, nem para a progressão de regime de
execução, nem para o livramento condicional (HC 76.524).

A revogação formal da lei é causa de abolitio criminis?

Não podemos assim afirmar, pois pode não haver a descontinuidade normativa
típica, que ocorre quando uma lei altera o nome de um crime, mas a conduta
permanece típica, só que abrigada em outro tipo penal.
Ilustramos com o exemplo do crime de atentado violento ao pudor (CP, art.
214), que, com o advento da Lei 12.015/2009, o art. 214 do CP foi formalmente
revogado, mas não a conduta, que passou a ser considerado como estupro
(CP, art. 213).
É correto afirmar que somente a revogação formal e material da lei será causa
de abolitio criminis?

Exatamente, somente ocorrerá a abolitio criminis quando não houver, na nova


lei, a manutenção da previsão da mesma conduta, ocorrendo desta forma o
que se chama de revogação material e formal da lei.

Além de conduzir à extinção da punibilidade, a abolitio criminis faz cessar todos


os efeitos penais e cíveis da sentença condenatória.

Errado, a abolitio criminis não exclui os efeitos extrapenais da condenação.

O que se entende por decadência no Direito Penal?

Consiste na perda do direito de propor, mediante queixa, na ação penal privada


ou ação privada subsidiária, ou de oferecer representação nos crimes de ação
penal pública condicionada, em virtude do decurso do prazo legal.

É possível haver decadência nos crimes de ação penal pública incondicionada?

Em regra não, bem como também não ocorrerá nos crimes de ação penal
pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça.
Lembrando que a decadência poderá ocorrer na ação penal privada subsidiária
da pública, que é a ação proposta pela vítima em crime de ação pública,
possibilidade que só existe quando o Ministério Público, dentro do prazo que a
lei lhe confere, não apresenta qualquer manifestação.
 

Está correto afirmar que a decadência é o instituto jurídico mediante o qual o


Estado perde o seu direito de punir ou de executar a sentença penal
condenatória transitada em julgado.
Errado, a assertiva trouxe o conceito de prescrição. Vimos que a decadência
consiste na perdado direito de ingressar com a ação em face do decurso do
prazo sem o oferecimento da queixa. Essa perda do direito de ação por parte
do ofendido atinge também o jus puniendi, gerando a extinção da punibilidade
do autor da infração. Por fim, a decadência ocorre sempre antes do início da
ação penal, haja vista que pois o legitimado tinha um prazo para ajuizar a
queixa-crime ou lançar a representação, mas assim não o fez.

Segundo o art. 103 do CP, salvo disposição expressa em contrário, o ofendido


decai do direito de queixa ou de representação se não o exerce dentro do
prazo de 6 (seis) meses. Qual o marco inicial deste prazo?

O prazo é contado do dia em que veio a saber quem é o autor do crime, nos
crime de ação privada ou do dia em que se esgota o prazo para oferecimento
da denúncia na ação penal privada subsidiária da pública.

A renúncia é um ato voluntário do ofendido desistindo do direito de propor ação


penal privada (CP, art. 104). Pode ser expressa ou tácita (prática de ato
incompatível com a vontade de exercer o direito de queixa). Dadas tais
informações, pergunta-se, a renúncia necessita aceitação do acusado?

Não, não requer a aceitação do acusado, trata-se de ato unilateral.

O perdão judicial consiste na possibilidade de o juiz deixar de aplicar a sanção


penal ao autor do crime se evidenciadas certas circunstâncias. Presente as
circunstâncias legais, pode ser aplicada em qualquer crime? 

Errado, somente pode ser concedido em algumas hipóteses legais, tais como:
Art. 121, § 5º, do CP: homicídio culposo em que as consequências da infração
atinjam o agente de forma tão grave que a sanção penal se torne
desnecessária;
Art. 129, § 8º, do CP: lesão corporal culposa com as consequências
mencionadas no art. 121, § 5º;
Art. 140, § 1º, I e II, do CP: injúria, em que o ofendido de forma reprovável
provocou diretamente a ofensa, ou no caso de retorsão imediata consistente
em outra injúria. 
É correto afirmar que a pretensão punitiva e executória não atingirá os crimes
de racismo e de tortura?

Não, pois somente o crime de RACISMO e AÇÃO DE GRUPOS ARMADOS,


CIVIS OU MILITARES, CONTRA A ORDEM CONSTITUCIONAL E O ESTADO
DEMOCRÁTICO, conforme previsto no art. 5º, XLII e XLIV.
TORTURA É PRESCRITÍVEL!
CUIDADO, o CESPE adora tentar lhe confundir. 

Está correto afirmar que o período de suspensão do prazo prescricional é


regulado pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada em abstrato
para o crime?

Sim, este é o atual entendimento dos tribunais superiores. Conforme decidido


no HC 84.982/SP, confira: “Consoante orientação pacificada nesta Corte, o
prazo máximo de suspensão do prazo prescricional, na hipótese do art. 366 do
CPP, não pode ultrapassar aquele previsto no art. 109 do Código Penal,
considerada a pena máxima cominada ao delito denun-ciado, sob pena de ter-
se como permanente o sobrestamento, tornando imprescritível a infração penal
apurada” (STJ: HC 84.982/SP, rel. Min. Jorge Mussi, 5.ª Turma, j. 21.02.2008).

Está correto afirmar que o instituto da perempção não se aplica nas ações
penais de iniciativa pública incondicionada ou condicionada à representação do
ofendido, de forma que somente é aplicável às ações penais de iniciativa
privada?

Correto, a perempção consiste em uma sanção processual imposta ao


QUERELANTE omisso na ação penal exclusivamente privada, impedindo o
prosseguimento da mesma.

Qual o conceito de prescrição?

Resumidamente, podemos conceituar a prescrição como perda do direito-


poder-dever de punir do Estado em face do não exercício da pretensão
punitiva (interesse em aplicar a pena) ou da pretensão executória (interesse
de executá-la)  em decorrência do decurso de certo tempo.

Quais as diferenças entre a prescrição e a decadência? 

 
Prescrição Decadência
Atinge o direito do ofendido
Extingue o direito de punir do Estado de promover a ação penal
privada  
Atinge, portanto, em primeiro lugar o direito de
A decadência ao contrário,
punir do Estado e, em consequência, extingue o
alcança primeiro o direito de
direito de ação (a ação se iniciou para a
ação, e, por efeito, o Estado
satisfação do direito não existindo mais jus
perde a pretensão punitiva. 
puniendi, o processo perde seu objeto)
;

A lei pode prever hipóteses de crimes imprescritíveis?

Não, somente a Constituição pode.

Todos os crimes hediondos são imprescritíveis?

Não, não há qualquer relação direta entre a hediondez do crime e a prescrição,


tanto é assim que a a Constituição Federal não prevê como imprescritíveis a
tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo nem os
definidos como crimes hediondos.

Quais são os crimes que a Constituição prevê a imprescritibilidade?

A constituição previu somente duas hipóteses de crimes imprescritíveis, quais


sejam: RACISMO, assim definidos na Lei nº 7.716/89 (CF, art. 5º, XLII); e a  As
ações de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem
constitucional e o Estado Democrático, assim definidas na Lei n. 7.170/83, a
chamada nova Lei de Segurança Nacional (CF, art. 5º, XLIV). Dessa forma,
resta evidenciado que a regra é que todos os crimes sejam prescritíveis. 

Seria correto sustentar que somente a Constituição poderia ampliar as


hipóteses de crimes imprescritíveis?

A questão não pode ser respondida de forma objetiva. De fato, sustenta


doutrina amplamente majoritária que a Constituição consagrou a regra da
prescritibilidade como direito individual do agente, de forma que, por se tratar
de direito individual, as hipóteses de imprescritibilidade não poderão ser
ampliadas, nem mesmo por meio de emenda constitucional, por se tratar de
cláusula pétrea (núcleo constitucional intangível), conformese verifica da
vedação material explícita ao poder de revisão, imposta pelo art. 60, § 4º, IV,
da CF. A par de todo o embasamento doutrinário, o STF, em sentido contrário,
tem julgado aceitando a criação de novos casos de imprescritibilidade penal,
conforme julgado no RE460971/RS, confira: 
I. Controle incidente de inconstitucionalidade: reserva de plenário (CF, art. 97).
"Interpretação que restringe a aplicação de uma norma a alguns casos,
mantendo-a com relação a outros, não se identifica com a declaração de
inconstitucionalidade da norma que é a que se refere o
art. 97 da Constituição.." (cf. RE 184.093, Moreira Alves, DJ 05.09.97). II.
Citação por edital e revelia: suspensão do processo e do curso do prazo
prescricional, por tempo indeterminado - C.Pr.Penal, art. 366, com a redação
da L. 9.271/96.
1. Conforme assentou o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ext.
1042, 19.12.06, Pertence, a Constituição Federal não proíbe a suspensão da
prescrição, por prazo indeterminado, na hipótese do art. 366 do C.Pr.Penal.
2. A indeterminação do prazo da suspensão não constitui, a rigor, hipótese de
imprescritibilidade: não impede a retomada do curso da prescrição, apenas a
condiciona a um evento futuro e incerto, situação substancialmente diversa da
imprescritibilidade.
3. Ademais, a Constituição Federal se limita, no art. 5º, XLII e XLIV, a excluir os
crimes que enumera da incidência material das regras da prescrição, sem
proibir, em tese, que a legislação ordinária criasse outras hipóteses.
4. Não cabe, nem mesmo sujeitar o período de suspensão de que trata o art.
366 do C.Pr.Penal ao tempo da prescrição em abstrato, pois, "do contrário, o
que se teria, nessa hipótese, seria uma causa de interrupção, e não de
suspensão."
5. RE provido, para excluir o limite temporal imposto à suspensão do curso da
prescrição.
Estado possui duas pretensões: a de punir o fato criminoso e a de executar a
punição do delinquente. Nesse sentido, quais as espécies de prescrição?

Existem duas modalidades de prescrição, quais sejam:


1- Prescrição da pretensão punitiva (PPP);
2- Prescrição da pretensão executória (PPE). 

O que se entende por prescrição da pretensão punitiva (PPP)?

É perda do poder-dever de punir, em face da inércia do Estado durante


determinado lapso de tempo.

O que se entende por Prescrição da pretensão executória (PPE)?

É a perda do poder-dever de executar a sanção imposta, em face da inércia do


Estado, durante determinado lapso.

Quais os efeitos da PPP?

1- Impede o início (ou interrompe a persecução penal em juízo;


2- Afasta todos os efeitos, principais e secundários, penais e extrapenais da
condenação;
3- Proíbe que a condenação conste em folha de antecedentes, exceto quando
requisitada por juiz criminal.

Quais os efeitos da PPE?

Extingue somente pena principal, permanecendo inalterados todos os


demais efeitos secundários, penais e extrapenais, da condenação, aocontrário
da PPP, que extingue afasta todos os efeitos principais e secundários,
penais e extrapenais da condenação.

O título I da parte especial do Código Penal trata dos CRIMES CONTRA A


PESSOA (crimes contra a vida, integridade física, honra e liberdade). A par de
tal informação, podemos afirmar que em todos os crimes previstos no
mencionado título têm como sujeito passivo (vítima) a pessoa humana?

Não, apesar de a maioria das infrações trazer o ser humano como sujeito
passivo, em alguns casos a vítima pode ser a pessoa jurídica, como nos crimes
de difamação.

Quais são os crimes contra a vida?


 

Basicamente são quatro, quais sejam:


- Homicídio (doloso e culposo) (art. 121);
- Participação em suicídio (art. 122);  
- Infanticídio (art. 123); 
- Aborto (arts. 124 a 128).
Veja que o delito é PARTICIPAÇÃO em suicídio e não suicídio, que não
constitui crime. 

Diz o artigo 5º, XXXVIII da Constituição que é reconhecida a instituição do júri,


com a organização que lhe der a lei, assegurados:
a) a plenitude de defesa;
b) o sigilo das votações;
c) a soberania dos veredictos;
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;
Desta forma, podemos afirmar que todos os crimes contra a vida serão
julgados pelo Tribunal do Júri? 

Não, a afirmação não estaria correta, observe que a Constituição fala


emCRIMES DOLOSOS CONTRA A VIDA, e como veremos, alguns crimes
contra a vida admitem modalidade culposa, como por exemplo o homicídio (art.
121, §3º).
Ocorrendo a morte do feto durante o parto (feticídio), o crime será homicídio,
infanticídio ou aborto?

Antes de responder à pergunta, importante traçar algumas linhas introdutórias.


Segundo informa a doutrina, a medicina considera que o parto tem quatro
fases:
1- Período de dilatação: ocorre com as contrações do útero, em alguns casos
inicia-se com a ruptura do saco amniótico;
2- Período expulsivo: ocorre com o colo do útero completamente dilatado e
termina com a expulsão do feto;
3- Período de secundamento ou dequitadura: é a expulsão da placenta e
membranas;
4- Período de Greenberg: que é a primeira hora depois da expulsão da
placenta.
Para o STJ, iniciado o trabalho de parto não há que falar mais em aborto,
confira a ementa do HC 22.998/ 2012:
HOMICÍDIO CULPOSO POR INOBSERVÂNCIA DE REGRA TÉCNICA. 4.
INICIADO O TRABALHO DE PARTO NAO HÁ FALAR MAIS EM ABORTO. 5.
TRANCAMENTO DA AÇAO PENAL. MEDIDA EXCECIONAL. 6. ORDEM NAO
CONHECIDA.
No mesmo sentido é a posição amplamente majoritária da doutrina, para quem
a vida extrauterina se inicia a partir da primeira fase em diante, de forma
que a morte já pode ser considerada homicídio ou infanticídio. 

Para que haja o homicídio é necessário que a vida seja viável?

Não, basta a prova de que o indivíduo nasceu com vida, de forma que qualquer
antecipação da morte será considerada homicídio.

Podemos afirmar que a prova do nascimento com vida se dá com a


respiração? 

Apesar de este ser o entendimento mais difundido, para Nelson Hungria, e para
o CESPE, o neonato apneico (recém nascido que não respira) já possui vida
mesmo antes de respirar, pois a vida pode se manifestar por movimento
circulatório, pulsações do coração dentre outros sinais. Logo, tão afirmação
não está correta. 

Quando se dá a consumação do homicídio?


Hoje está praticamente pacificado que o momento é o da morte encefálica (e
não morte cerebral), chegou-se a este entendimento a partir da análise do art.
3º da Lei nº 9.434/ 97, que dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes
do corpo humano para fins de transplante. Por fim, por ser crime que deixa
vestígios, a prova será feita por exame de corpo de delito. 

Quais as espécies de homicídio previstas no Código Penal?

As espécies são:
Simples (art. 121, caput);
Privilegiado (art. 121, §1º);
Qualificado (art. 121, §2º);
Culposo (art. 121, §3º);
Culposo majorado (art. 121, §4º);
Doloso majorado (art. 121, §4º, segunda parte);  
Doloso com aumento de pena (art. 121, §6º);

Seria correto dizer que o homicídio simples só admite forma dolosa?

Sim, pois o CP colocou o homicídio culposo como um crime próprio. 

Podemos afirmar que no caso de tentativa branca (aquela em que a vítima


sequer é atingida) não será necessária perícia?

Sim, de acordo com o STJ, uma vez que não ocorrendo dano, não há corpo de
delito a ser examinado (RHC 22.433, julgado em 23/03/2010). 

É possível a ocorrência de tentativa de homicídio qualificado?

Sim, há compatibilidade da tentativa com o homicídio qualificado, desde que as


hipóteses qualificadoras sejam de ordem objetiva, como por exemplo as
qualificadoras previstas no inciso III, §2º do art. 121, in verbis:  Homicídio
qualificado: § 2° Se o homicídio é cometido:"com emprego de veneno, fogo,
explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa
resultar perigo comum". 
 

Na hipótese de uma terceira pessoa desviar a mão do homicida no exato


instante em que este efetuava disparos de arma de fogo em direção ao peito
da vítima, vindo apenas a lhe gerar lesão corporal, podemos afirmar que o
agente responderá por tentativa de homicídio?

Sim, trata-se de clássica hipótese de tentativa, porque, muito embora tenha o


agente tenha dado início à execução do crime, este não se consumou por
circunstâncias alheias à sua vontade.

A conduta de dirigir embriagado e causar morte de alguém em regra é dolosa,


na modalidade dolo eventual?

Não, em regra, doutrina e jurisprudência são pacíficas nisso. Quem dirige


embriagado, por si só, não assume o risco de matar alguém. Sendo assim, a
regra é se tratar do crime de homicídio culposo previsto no art. 302 do CTB.
Para a caracterização de homicídio doloso (art. 121, §3º do CP) a análise deve
ser concreta, verificando outras circunstâncias para a comprovação de que a
conduta do agente configura a assunção do risco de produzir o resultado
morte. Confira a ementa do STJ sobre o tema:
PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. 1. HOMICÍDIO. CRIME
DE TRÂNSITO. EMBRIAGUEZ. DOLO EVENTUAL. AFERIÇÃO
AUTOMÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. 2. ORDEM CONCEDIDA.
1. Em delitos de trânsito, não é possível a conclusão automática de ocorrência
de dolo eventual apenas com base em embriaguez do agente. Sendo os crimes
de trânsito em regra culposos, impõe-se a indicação de elementos concretos
dos autos que indiquem o oposto, demonstrando que o agente tenha assumido
o risco do advento do dano, em flagrante indiferença ao bem jurídico tutelado. 
2. Ordem concedida para, reformando o acórdão impugnado, manter a decisão
do magistrado de origem, que desclassificou o delito para homicídio culposo e
determinou a remessa dos autos para o juízo comum. 

Senhor Barriga, embriagado, percorria a 180 km/h, trecho de movimentada via


pública onde a velocidade máxima permitida era de 50 km/h, atropelou e feriu
gravemente um pedestre que circulava pela calçada, que posteriormente veio a
óbito, nessa situação hipotética podemos afirmar que Senhor Barriga cometeu
homicídio culposo? 
Não, na hipótese em tela, resta evidenciada a presença de elementos
concretos de que o agente tenha assumido o risco do advento do dano
(embriaguez + alta velocidade + via movimentada) em flagrante indiferença ao
bem jurídico tutelado, daí porque deve responder por dolo, na modalidade
eventual (o agente prevê o resultado mesmo assim assume o risco de produzi-
lo). Assim também já decidiu o STJ, confira:
 
PROCESSUAL PENAL. SENTENÇA DE PRONÚNCIA. ART. 408 DO CPP.
CRIME DE HOMICÍDIO DA COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI
POPULAR. DOLO EVENTUAL. ART. 18, I DO CPB. EXCLUSÃO DA
QUALIFICADORA DE PERIGO COMUM (ART. 121, § 2o., III DO CPB) PELO
JUIZ PRONUNCIANTE.  IMPOSSIBILIDADE, SALVO SE MANIFESTA OU
INDISCUTÍVEL A SUA INADMISSIBILIDADE. LIÇÕES DA DOUTRINA
JURÍDICA E DA JURISPRUDÊNCIA DOS TRIBUNAIS DO PAÍS.
1. Não se permite ao Juiz, na sentença de pronúncia (art. 408 do CPP), excluir
qualificadora de crime doloso contra a vida (dolo eventual), constante da
Denúncia, eis que tal iniciativa reduz a amplitude do juízo cognitivo do Tribunal
do Júri Popular, albergado na Constituição Federal; tal exclusão somente se
admite quando a qualificadora for de manifesta e indiscutível impropriedade ou
descabimento. Lições da doutrina jurídica e da Jurisprudência dos
Tribunais do País.
2. Caracteriza-se o dolo do agente, na sua modalidade eventual, quando este
pratica ato do qual pode evidentemente resultar o efeito
lesivo (neste caso, morte), ainda que não estivesse nos seus desígnios
produzir aquele resultado, mas tendo assumindo claramente, com a realização
da conduta, o risco de provocá-lo (art. 18, I do CPB).
3. O agente de homicídio com dolo eventual produz, inequivocamente, perigo
comum (art. 121, § 2º, III do CPB), quando, imprimindo velocidade excessiva a
veículo automotor (165 km/h), trafega em via pública urbana movimentada
(Ponte JK) e provoca desastre que ocasiona a morte do condutor de automóvel
que se deslocava em velocidade normal, à sua frente, abalroando-o pela sua
parte traseira.
4. Recurso do Ministério Público a que se dá provimento. (REsp. 912.060-DF, j.
14/11/07). 

Se um motorista dirigir seu automóvel em velocidade compatível com a via


pública utilizando as cautelas necessárias e o pedestre se jogar contra o carro
o motorista cometerá homicídio culposo?

Não, nesta situação o motorista não praticou nenhum crime, pois lhe era
impossível prever tal comportamento da vítima. 
O homicídio cometido na direção de veículo automotor em virtude de pega ou
racha é hipótese de homicídio doloso, previsto no art. 121, §3º do CP?

Correto, esse é o entendimento do STF, confira a ementa do julgado.  


(...) PARTICIPAÇÃO EM COMPETIÇÃO NÃO AUTORIZADA EM VIA PÚBLICA
MOVIMENTADA. FATOS ASSENTADOS NA ORIGEM. ASSENTIMENTO QUE
SE DESSUME DAS CIRCUNSTÂNCIAS. DOLO EVENTUAL CONFIGURADO.
AUSÊNCIA DE REVOLVIMENTO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO.
REVALORAÇÃO DOS FATOS. ORDEM DENEGADA. (HC 101.698, j. em
06/09/2011). 

Imagine a seguinte situação: João e Maria são casados e residem em uma


fazenda. Maria está no final de sua gestação e terá seu filho na maternidade de
um município próximo. Quando Maria entra em trabalho de parto, João a leva
de carro para a maternidade. Contudo, como Maria sente muita dor, e João
está nervoso, ele dirige seu veículo na rodovia imprimindo velocidade superior
à permitida. Ao fazer uma ultrapassagem perigosa, João provoca um acidente
e mata o motorista do outro veículo. Desta forma, podemos afirmar que João
cometeu homicídio culposo na direção de veículo automotor?

Correto, pois João foi imprudente ao realizar a ultrapassagem, por mais que
tivesse motivos para chegar logo, a situação não caracteriza estado de
necessidade.
 
Mas observe, trata-se da hipótese do crime previsto no art. 302 do CTB. 

Podemos afirmar que o CTB somente prevê hipótese de homicídio culposo?

Sim, CTB somente prevê hipóteses de homicídio e lesões corporais culposas,


jamais dolosas, de forma que, se o agente com dolo, direto ou eventual, utilizar
veículo automotor para cometer tais crimes, este serão punidos com base no
Código Penal. 

O homicídio é crime material, logo deixa vestígios. Com base nessa afirmação
podemos afiurmar que somente pode ser provada a materialidade deste crime
por meio de exame de corpo de delito? Ou seja, é válido o brocardo popular
que diz que há homicídio se houver corpo!
Errado, mais uma vez a sabedoria popular e o direito não se harmonizam...
Veja o que diz o STJ no julgamento do HC nº 170.507/2012:
HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO. PRONÚNCIA MANTIDA
PELO TRIBUNAL ESTADUAL. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. FALTA DE
MATERIALIDADE. AUSÊNCIA DO CORPO DA SUPOSTA VÍTIMA. ART. 167
DO CPP. SUPRIMENTO DA PROVA PERICIAL. EXAME APROFUNDADO
DAS PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. ORDEM DENEGADA.
1. Nos termos do art. 167 do Código de Processo Penal, a prova testemunhal
pode suprir a falta do exame de corpo de delito, caso desaparecidos os
vestígios. Esta Corte já decidiu que tal situação se aplica inclusive aos casos
de homicídio, se ocultado o corpo da vítima.

Imagine a seguinte situação. Caim, com a intenção de matar Abel, dá três


facadas em seu desafeto, mas, mesmo podendo prosseguir no crime, não o
faz, permitindo que Abel procure socorro. Neste caso, Caim responderá por
tentativa de homicídio.
 

Errado, a cena acima descrita nos traz a figura da desistência voluntária,


prevista no art. 15 do CP, de forma que Caim deverá responder por lesões
corporais. Confira: 
          Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na
execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já        
praticados. 
Conforme já destacamos em outro capítulo, a desistência voluntária é hipótese
de causa geradora de atipicidade (relativa ou absoluta), que, segundo Capez,
provoca a exclusão da adequação típica indireta, fazendo com que o autor não
responda pela tentativa, mas pelos atos até então praticados, salvo quando
não configurarem fato típico. É a chamada “ponte de ouro”, pois provoca uma
readequação típica mais benéfica para o autor.

Imagine a seguinte situação. Caim, com a intenção de matar Abel, descarrega


o tambor da arma em seu desafeto, depois, se arrepende e leva a vítima ao
pronto socorro e este vem a se salvar. Neste caso, responderá por lesões
corporais.

Correto, aqui está presente o instituto do arrependimento eficaz, previsto no art.


15 do CP. 

O Código Penal traz a hipótese de homicídio privilegiado. Em quais situações


será possível reconhecer este crime?
O CP lista três situações:
- Relevante valor moral;
- Relevante valor social; 
-Sob domínio de violenta emoção logo em seguida a injusta provocação da
vítima (é o chamado crime de ímpeto). 

Qual a consequência imediata do reconhecimento do homicídio privilegiado?

A consequência será a diminuição da pena de 1/6 a 1/3, daí porque a


doutrina entender que o correto seria falar homicídio minorado.

Imagine a seguinte situação: José, ao saber que sua noiva Jocasta, grávida de
8 meses, abortou o filho que iriam ter em comum, sob a influência de violenta
emoção, matou-a quando recebeu a notícia de que o bebê havia morrido.
Podemos afirmar que José cometera um homicídio privilegiado?

Errado, pois para a configuração do homicídio privilegiado José deveria ter


agido sob DOMÍNIO de violenta emoção e não sob influência. Cabe destacar
no entanto que o agente praticar um crime sob influência de violenta emoção é
uma hipótese de atenuante genérica prevista no art. 65, III do CP, confira:
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena:
I - ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do fato, ou maior de 70
(setenta) anos, na data da sentença;
II - o desconhecimento da lei;
a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral;
b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime,
evitar-lhe ou minorar-lhe as consequências, ou ter, antes do julgamento,
reparado o dano;
c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de
ordem de autoridade superior, ou sob a influência de violenta emoção,
provocada por ato injusto da vítima;
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime;
 
e) cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o
provocou.

O agente que, para se livrar de um doente terminal sem possibilidades de cura,


de graves sofrimentos físicos e morais, pratica a eutanásia com o
consentimento da vítima. Nessa hipótese podemos dizer que houve o
cometimento de um homicídio privilegiado?

Sim, pois agiu já que agiu por relevante valor moral, que compreende
também os interesses individuais do agente, entre eles a piedade e a
compaixão.

Configura hipótese de crime de homicídio privilegiado-qualificado o homicídio


eutanásico praticado com emprego de veneno?

Correto, trata-se de uma hipótese de homicídio privilegiado, praticado por


motivo de relevante valor moral, e mediante circunstância qualificadora
objetiva.
A propósito, trazemos uma decisão do STF nesse sentido: “A jurisprudência do
Supremo Tribunal Federal é firme no sentido do reconhecimento da conciliação
entre homicídio objetivamente qualificado e ao mesmo tempo subjetivamente
privilegiado. Noutro dizer, tratando-se de circunstância qualificadora de
caráter objetivo (meios e modos de execução do crime), é possível o
reconhecimento do privilégio (sempre de natureza subjetiva)” (STF: HC
98.265/MS, rel. Min. Carlos Britto – decisão monocrática, j. 25.08.2009). No
mesmo sentido: STF: HC 81.748/RJ, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, 1.ª Turma,
j. 02.04.2002".

 
Se para defender-se de uma injusta agressão atual a sua vida, o agente agride
o ofensor, vindo este a morrer. Nessa situação, podemos falar que ocorreu um
homicídio privilegiado? 

Não, nesta hipótese há a legítima defesa, e não haverá crime algum, pois se
trata de uma causa de exclusão de antijuridicade. Veja o que diz o art. 23 do
CP: 
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: I - em estado de
necessidade; II - em legítima defesa; III - em estrito cumprimento de dever legal
ou no exercício regular de direito(...)
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos
meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou
de outrem.

 Quais os requisitos do homicídio emocional (crime de ímpeto)?


Tal forma de homicídio privilegiado (art. 121, §1º), requer três requisitos, quais
sejam:
1- Injusta provocação da vítima;
2- Esteja sob DOMÍNIO de violenta emoção; 
3- Reaja imediatidade à provaocação da vítima. 

Quais as circunstâncias que qualificam o homicídio?

As causas qualificadoras do homicídio estão previstas no §2° do artigo 121,


confira:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
II - por motivo fútil;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que
dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;  
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de
outro crime. 
VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino:      (Incluído
pela Lei nº 13.104, de 2015) ;
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição
Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança
Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge,
companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa
condição:     (Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015).

O parricídio e o matricídio (matar o próprio pai ou a própria mãe) qualifica o


crime de homicídio?

Não, em verdade se trata de hipótese de agravante genérica prevista no art.


61, II, e, do Código Penal, por ter o crime sido cometido contra ascendente. No
entanto, destaca-se que eventualmente poderá haver qualificação da conduta. 

Imagine que Caim, por motivo torpe, mata Abel utilizando um lança chamas
enquanto este dormia. Podemos afirmar que o homicídio será triplamente
qualificado? 
No Trinunal do Juri é comum o reconhecimento por parte dos jurados de duas
ou mais situações qualificadoras. No entanto, cabe destacar que se trata de
apenas um crime, considerando que há somente uma vítima, de forma
que basta uma só qualificadora para que seja aplicada a pena do crime
qualificado, no caso em tela de 12 a 30 anos. No entanto, como destaca Vítor
Eduardo Rios Gonçalves, não seria justo que o réu condenado por mais de
uma figura qualificada tenha a mesma daquele em relação ao qual só se
reconheceu uma delas. Por isso, embora os Jurados tenham reconhecido duas
ou mais qualificadoras, o Juiz, no momento da aplicação da pena, usa a
primeira delas para fixar a pena-base dentre os limites de 12 a 30 anos,  e, em
seguida, utiliza as demais como circunstâncias agravantes do art. 61, II, "a" a
"d", do Código Penal que, à exceção da asfixia, são as mesmas hipóteses que
qualificam o homicídio.  (Direito Pewnal Esquematizado, Vol 1, Ed. Saraiva). 
Veja alguns julgados sobre o tema: “Concorrendo várias as qualificadoras em
um mesmo tipo penal, só uma delas deve incidir como aumento. A outra, ou as
demais, apenas devem servir como circunstância agravante, ..., quando
enquadráveis nas hipóteses previstas nos arts. 61 e 62 do CP” (STF — HC
71.293-2/RJ — Rel. Celso de Mello, RT 726/555);
“Penal. Homicídio duplamente qualificado. Dosimetria da pena. Ocorrendo o
reconhecimento de mais de uma qualificadora do delito, uma só deve forrar a
fixação da pena-base, remetendo-se 118 Direito Penal Esquematizado — Parte
Especial Victor Eduardo Rios Gonçalves as demais ao campo das agravantes
consideradas para o encontro da pena definitiva” (STJ — 5ª turma — Rel.
Ministro José Dantas, DJ de 18.05.1998);

Analise as seguintes situações e ao fim responda qual hipótese não qualifica o


crime de homicídio.
1- Emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso
ou cruel.
2- Para assegurar a ocultação de outro crime.
3- Motivo fútil.
4- Abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou
profissão.  
5- Mediante dissimulação.

A única hipótese que não qualifica o homicídio é a opção Abuso de poder ou


violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão.(FGV/
Delegado-AC-2010). 
 
Gabarito: Correto. 
 
 

A violenta emoção e o motivo de relevante valor social ou moral são causas de


redução da pena prevista para o homicídio?

 
Atenção... a violenta emoção deve ser causada por injusta provocação da
vítima e imediata, não bastando a violenta emoção por si só, logo a afirmação
está incorreta!

O homicídio será qualificado se for praticado por milícia privada, sob o pretexto
de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio?

Não, esta hipótese constitui homicídio simples com a pena aumentada em


um terço, nos termos do artigo 121, §6º do Código Penal. 

 Quais as circunstâncias OBJETIVAS que qualificam o homicídio?


 

São as hipóteses dos incisos III e IV, confira:


III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que
dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;

Podemos dizer que é compatível o homicídio privilegiado com a qualificadora


do motivo fútil? 
 

Não, pois para que haja o homicídio qualificado-privilegiado, a qualificadora


deve ser objetiva. (FCC/ Juiz- TJ-PE/ 2013) 
Podemos dizer que é incompatível o homicídio privilegiado com a qualificadora
do emprego de asfixia? 

Errado, há compatibilidde, considerando que o meio empregado pelo agente


-asfixia- é uma qualificadora objetiva, logo, eventualmente, compatível com o
homicídio híbrido, ou seja, o privilegiado qualificado. 

A forma privilegiada do homicídio é compatível com a qualificadora da


motivação torpe, em face da ausência de contradição lógica? 

Errado, a qualificadora motivação torpe é de ordem subjetiva, daí afastar a


possibilidade de homicídio qualificado-privilegiado. (CESPE/ Promotor- MPE-
RO/ 2013).

O agente que toma conhecimento do estupro de sua filha e, sob a influência de


violenta emoção, no dia seguinte encomenda a terceiro a morte do estuprador -
fato que se concretiza posteriormente - pratica o denominado homicídio
privilegiado, previsto no § 1º, do art. 121, do Código Penal.

Não, nesta hipótese o agente não cometeu um homicídio privilegiado, pois


ausentes os requisitos, quais sejam: 
1- Injusta provocação da vítima; (presente)
2- DOMÍNIO de violenta emoção; (ausente, influência é diferente de domínio)
3- Imediatidade (ausente, a morte foi no dia seguinte).
Há que destacar que a situação acima poderá ser considerada como causa de
diminuição de pena do art. 65.
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena:  
I - ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do fato, ou maior de 70
(setenta) anos, na data da sentença; 
II - o desconhecimento da lei;
III - ter o agente: 
a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral; 
b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime,
evitar-lhe ou minorar-lhe as conseqüências, ou ter, antes do julgamento,
reparado o dano; 
c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de
ordem de autoridade superior, ou sob a influência de violenta emoção,
provocada por ato injusto da vítima; 
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime; 
e) cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o
provocou.

É correto afirmar que dentre os tipos de homicídio somente o homicídio


privilegiado não é crime hediondo? 

Errado, são considerados hediondos o homicídio qualificado e o simples


praticado em atividade típica de grupo de extermínio, de forma que tanto o
homicídio privilegiado, homicídio culposo, quanto o simples, inclusive o
praticado por milícia privada (em regra) não são considerados hediondos.
A relação dos crimes de hediondos estão no art. 1º da Lei 8.072/90, confira:
I- homicídio quando praticado em atividade típica de extermínio, ainda
que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121,
parágrafo 2º, incisos I,II, III,IV e V).
II- latrocínio;
III- extorsão qualificada pela morte;
IV- extorsão mediante sequestro e na forma qualificada;
V- estupro;
VI- epidemia com resultado morte;
VII- falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a
fins terapêuticos ou medicinais crime de genocídio previsto nos artigos 1º, 2º e
3º da Lei 2889/56.  
São crimes equiparados a hediondos: tráfico ilícito de entorpecentes; tortura;
terrorismo. 

Estaria correto afirmar que o homicídio simples jamais será considerado crime
hediondo?

Não, em regra o homicídio simples não será hediondo, no entanto, se praticado


por grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente, incidirá a
hediondez. 
Confira a doutrina de Capez: O crime de homicídio não é um delito
plurissubjetivo, no entanto, com a nova redação do art. 1º, I, da Lei n. 8.072/90,
determinada pela Lei n. 8.930, de 6-9-1994, o homicídio simples (tentado ou
consumado), quando cometido em atividade típica de grupo de extermínio,
ainda que por um só executor, será considerado crime hediondo.
 O homicídio qualificado-privilegiado é crime hediondo?  

Prevalece que não, por falta de previsão legal e incompatibilidade axiológica, é


o entendimento da doutrina majoritária, do STF e do STJ (HC 153.728/ 2010).
Pode marcar tranquilo nas provas!!!

Seria correto dizer que o homicídio praticado mediante paga ou promessa de


recompensa classifica-se doutrinariamente como crime bilateral?

Sim, é um crime bilateral ou de concurso necessário, já que envolve duas


pessoas. O executor também é conhecido como sicário. 
 

O motivo fútil, que qualifica o homicídio, é aquele motivo abjeto, indigno,


desprezível, que provoca acentuada repulsa.
 

Cuidado, os motivos acima enumerdos se referem à TORPEZA e não à


futilidade, as bancas costuma misturar o significado fútil e torpe.

No crime de homicídio a vingança é um motivo torpe, daí podermos afirmar que


quem mata ou manda matar por vingança comete homicídio qualificado.

Errado, com relação ao motivo torpe, a vingança pode ou não configurar a


qualificadora, a depender da causa que a originou. Veja como já decidiu o
STJ no julgamento do HC 126.884/ 2010, inclusive mencionando entendimento
do STF, confira:
 (...) III - A verificação se a vingança constitui ou não motivo torpe deve ser feita
com base nas peculiaridades de cada caso concreto, de modo que, não se
pode estabelecer um juízo a priori , seja positivo ou negativo. Conforme
ressaltou o Pretório Excelso : a vingança, por si só, não substantiva o
motivo torpe; a sua afirmativa, contudo, não basta para elidir a imputação de
torpeza do motivo do crime, que há de ser aferida à luz do contexto do fato
"( HC 83.309/MS, 1ª Turma , Rel. Min. Sepúlveda Pertence , DJ de
06/02/2004).
A qualificadora "mediante paga ou promessa de recompensa" deve ser
aplicada restritamente ao executor do crime (é simples circunstância) ou deve
ser estendida ao mandante (elementar do tipo)?

Há grande divergência na doutrina e na jurisprudência.


1ª Corrente: a qualificadora não é elementar do tipo e sim uma circunstância,
de sorte que não se comunica. Na doutrina Fragoso, Bittencourt, Greco e
Masson. Nesse sentido já decidiu o STJ no REsp. 1.171.788, confira:
(...) Da mesma forma, muito embora apenas ao executor possa ser atribuída a
qualificadora da primeira parte do inciso I do dispositivo em comento (mediante
paga ou promessa de recompensa), não se pode desconsiderar que os
recorrentes tenham agido por outro motivo torpe, o que caracterizaria a
segunda hipótese do art. 121, § 2º, I, do CP. J. 10/12/2010.
 
2ª Corrente: São circunstâncias elementares do crime, de forma que se
comunicam. Entendem assim Mirabete e Hungria. Assim também já julgou o
STJ:
              (...) Dessarte, num primeiro momento, não há como ser afastada a
qualificadora referente à promessa de recompensa, pois, por ser o suposto
autor intelectual, referida qualificadora a ele se comunica. (REsp. 912.491, j em
27/10/2010).
O STF também já entendeu pela comunicabilidade no julgamento do HC
69.940, julgado em 09/03/93.

Para a configuração de homicídio qualificado por paga ou promessa de


recompensa a vantagem deve ser necessariamente econômica?

Prevalece na doutrina que a promessa deve ter motivo econômico, no entanto,


não há julgados de tribunais superiores sobre o tema, nem encontramos
questão cobrando tal conhecimento. 

É qualificado o homicídio praticado por motivo fútil, assim entendido como


motivo pequeno, insignificante, assim reconhecido quando houver total
desproporção entre o ato homicida e sua causa. Desta forma, a ausência de
motivo configura homicídio qualificado por motivo fútil?

Prevalece na doutrina que a ausência de motivo não é motivo fútil, assim


entendendo Fragoso, Damásio, Bitencourt, Nucci e Masson. O STJ também
segue essa orientação, confira: 
(...) Na hipótese em apreço, a incidência da qualificadora prevista no art. 121,
2º, inciso II, do Código Penal, é manifestamente descabida, porquanto motivo
fútil não se confunde com ausência de motivos, de tal sorte que se o crime for
praticado sem nenhuma razão, o agente somente poderá ser denunciado por
homicídio simples (Precedentes STJ) HABEAS CORPUS Nº 152.548 - MG
(2009/0216319-8). 

A discussão por motivo de futebol entre as partes antes do crime será


considerada como motivo fútil, apto a incidir a qualificadora?
 

Prevalece que não, ao argumento de que a futilidade indireta ou mediata não


faz incidir a qualificadora, pois não se tem poderia reconhecer a qualificadora
do motivo fútil quando a razão do crime é uma forte discussão entre as partes,
ainda que a confusão tenha se originado de motivo de somenos importância.
Neste último caso, entende-se que a razão de um ter matado o outro foi a troca
de ofensas e não o motivo inicial da discussão. 

Para a configuração da qualificadora relativa ao emprego de veneno, é


indiferente o fato de a vítima ingerir a substância à força ou sem saber que o
está ingerindo? 

Errado, para a configuração desta qualificadora pressupõe que o veneno seja


introduzido no organismo da vítima de forma dissimulada, sem que a vítima
perceba. De forma que se o veneno for injetado no organismo da vítima com
emprego de violência restará configurada qualificadora do meio cruel. (CESPE/
Delegado- PC-PB/ 2009)

Caim, sabendo que Abel é diabético em estado avançado, com o fim de lhe
ceifar a vida, insere grande quantidade de glicose em seu suco. Abel, logo
após ingerir a bebida, vem a óbito. Neste caso, mesmo a glicose não sendo
considerada tecnicamente veneno, qualifica o crime de homicídio pelo emprego
de veneno?

Sim, haja vista que uma substância não considerada veneno às pessoas em


geral, deve ser considerada veneno no caso concreto.

Segundo o §1º da Lei 9.455/ 97, que cuida dos crime autônomo de Tortura, se
desta resultar morte, a reclusão será de oito a dezesseis anos.
Dessa forma, podemos dizer que a qualificadora relativa ao emprego de tortura
foi tacitamente revogada pela lei específica que previu o crime de tortura com
resultado morte?

Errado, o dispositivo mencionado trata da tortura com resultado morte, ou seja,


a morte foi resultado da tortura, sendo hipótese de crime preterdoloso. Por seu
turno, o Código Penal no art. 121,§2°, II, trata do homicídio realizado mediante
tortura, ou seja, desde o início a intenção do agente era a morte, utilizando a
tortura como meio de execução. 

É correto afirmar que a pena pode ser aumentada de um terço no homicídio


culposo, se o crime é praticado contra pessoa menor de quatorze anos ou
maior de sessenta anos? 
 

Errado, esta previsão do art. 121, §4º, segunda parte, somente se refere ao
homicídio doloso, confira:
 § 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime
resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o
agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as
conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo
doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é
praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta)
anos. 

A suspensão condicional do processo (sursis processual), prevista no art. 89 da


Lei 9.099/ 05, permite ao Ministério Público, nos crimes em que a pena mínima
cominada for igual ou inferior a um ano, ao oferecer a denúncia, propor a
suspensão do processo por dois a quatro anos, desde que o acusado não
esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime,
presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da
pena.
Desta forma, será cabível a suspensão condicional do processo no homicídio
culposo, se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte
ou ofício?

Errado, embora seja cabível o sursis processual para o homicídio culposo


simples (Pena - detenção, de um a três anos) a hipótese em tela constitui
homicídio culposo majorado, por de inobservância de regra técnica de
profissão, arte ou ofício,  a pena é aumentada de 1/3 (um terço), de forma que
a pena mínima será maior que 1 ano, a afastar o sursis processual. 
 

O ato de se desferir, no ímpeto, golpes reiterados com instrumento


perfurocortante em indivíduo, com a intenção de matá-lo, causando-lhe a morte
por hemorragia, incide a qualificadora do meio cruel. 

Errado, segundo a doutrina, meios cruéis são aqueles em que o ato executório
é breve, mas provocam forte sofrimento físico na vítima, como por exemplo o
espancamento mediante socos e pontapés, golpes no corpo da vítima com
martelo, barra de ferro, apedrejamento, atropelamento intencional dente
outros. (CESPE/ Promotor- MPE-RO/ 2013).

A prática do crime de homicídio sob o estado de embriaguez afasta o


reconhecimento da motivação fútil, haja vista que a embriaguez pode reduzir a
capacidade do autor de entender o caráter ilícito de sua conduta?

Errado, nos termos do art. 28, II, a embriaguez não exclui a imputabilidade
penal. (CESPE/ Promotor- MPE-RO/ 2013)

Seria correto afirmar que no homicídio o emprego de veneno, fogo, explosivo


ou outro meio cruel consiste em causa de aumento de pena?
 

Não, na verdade são qualificadoras (majoram a pena mínima e a máxima) e


não causas de aumento de pena.
(FUNCAB/ Perito- PC-ES/ 2013) Sobre o homicídio, é correto afirmar: (b) o
emprego de veneno, fogo, explosivo ou outro meio cruel consiste em causa de
aumento de pena.
Gabarito: Errado. 

O homicídio cometido contra maior de 60 (sessenta) anos é necessariamente


qualificado?

Errado, segundo o art. 121, §4º, segunda parte, o homicídio praticado contra
menores de 14 anos e maiores e sessenta é causa de aumento de pena e
não qualificadora.
O homicídio praticado à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou
outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido é hipótese
de homicídio qualificado. Desta forma, seria à traição o homicídio praticado
pelas costas da vítima logo após discussão acalorada com o agente?

Não, para que haja homicídio à traição (homicidium proditorium) a vítima não
pode ter motivos para desconfiar do agressor, pois a vítima tem que estar
desprevenida. 

A superioridade de armas constitui qualificadora objetiva por tronar impossível


a defesa da vítima? 

Errado, segundo a doutrina Nelson Hungria, a superioridade de armas ou


superioridade de força, não se refere ao inciso em questão. Na verdade tal
qualificadora deve ser verificada no caso concreto.

 O que se entente por homicídio qualificado por conexão? 

    É aquele que guarda vínculo, ligação, conexão com outro crime a ser
realizado. Pode ser: 
    -Conexão teleológica- para assegurar a execução de outro crime a ser
realizado ou já realizado;
    -Conexão consequencial- assegurar a ocultação, impunidade ou vantagem
de outro crime.

No homicídio por conexão, o outro crime pode ter sido praticado tanto pelo
agente quanto por terceiro?
 
 

Sim, é perfeitamente possível, como na hipótese de alguém que mata uma


testemunha para assegurar que seu irmão que cometera o crime não seja
descoberto. 
Se o crime praticado for para assegurar a execução, ocultação, impunidade ou
vantagem de uma contravenção, será considerado qualificado por conexão? 

Não, a lei fala em crime, no entanto, em se tratanto de contravenção, a


situação poderá ser qualificada pela torpeza. 

Para a ocorrência de homicídio doloso majorado, quando praticado contra


vítima menor de 14 anos e maior de 60, é indispensável que o autor tenha
consciência dessas circunstâncias? 

Sim, pois assim não sendo incorreria no risco da responsabilidade penal


objetiva.

Seria correto afirmar que o aumento de pena previsto no art. 121, §4º
(homicídio doloso majorado) se aplica tanto ao homicídio simples, privilegiado e
ao qualificado? 

Correto, a majorante é aplicável nas três hipóteses, confira:  


§ 4º- No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o
crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou
se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as
consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo
doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é
praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta)
anos.

No homicídio doloso majorado (contra vítima maior de 60 anos) deve ser


considerada a idade vítima no momento da ação ou da consumação do
resultado? 

Como vimos, o CP adotou a teoria da atividade, logo, a idade deve ser


considerada no momento da ação. 

A premeditação constitui qualificadora do homicídio?


 
Não, a lei não previu qualquer majorante ou qualificação para o homicídio
premeditado. Conforme bem destaca Vítor Eduardo Rios Gonçalves, existem
algumas qualificadoras, como a emboscada e a dissimulação, que exigem um
mínimo de premeditação pelas próprias peculiaridades da figura qualificada. De
se ressaltar, contudo, que a qualificadora se deve à emboscada ou à
dissimulação e não à premeditação nelas contida.

Constitui causa de aumento de pena o homicídio praticado por atividade típica


de grupo de extermínio ou milícia privada?

Sim, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for
praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de
segurança, ou por grupo de extermínio, confira: "Art. 121, § 6o  A pena é
aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia
privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de
extermínio". 
 

O artigo 121, §3º do Código Penal prevê o crime de homicídio culposo, que
ocorre nas hipóteses em que o agente não quer e não assume o risco de
provocar a morte, mas por sua conduta, acaba dando causa a ela. Quais são
tipos de culpa previstas no Código? 

São três: 
-  Imprudência (agir culposo); 
-  Negligência (omissão culposa); 
-  Imperícia (culpa profissional).

 A imperícia é sinônimo de erro profissional?

Não, os institutos não podem ser confundidos. Na imperícia o agentenão


detém os conhecimentos específicos que deveria, ao passo que aculpa
profissional está ligada a evolução da técnica, ou seja, são empregados os
conhecimentos normais da arte ou ofício, porém, o agente chega a uma
conclusão errada. Nas palavras de Cléber Masson, na culpa profissional e
culpa pelo resultado naturalístico não é do agente, mas da ciência, que se
mostra inapta para enfrentar determinadas situações. 
 
 É possível a concorrência de culpas no homicídio culposo? 

Sim, desde que duas ou mais pessoas atuem culposamente causando a morte
de alguém.

Culpas recíprocas não se compensam no Direito Penal. Partindo desta


afirmação, na hipótese em que duas pessoas agem culposamente, mas uma
morre e a outra sobrevive, o sobrevivente responderá por homicídio culposo?

Correto, destacando que se a culpa fosse exclusiva do outro agente não


haveria culpa do sobrevivente. 

O art. 121, §3º é aplicável ao homicídio culposo praticado na direção de veículo


automotor?

Não, nesta hipótese incide o art. 302 da Lei 9.503/ 97 (CTB), confira:
Dos Crimes em Espécie
        Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor: 
        Penas - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se
obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.
        Parágrafo único. No homicídio culposo cometido na direção de veículo
automotor, a pena é aumentada de um terço à metade, se o agente:
        I - não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;
        II - praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada;
        III - deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal,
à vítima do acidente; 
        IV - no exercício de sua profissão ou atividade, estiver conduzindo veículo
de transporte de passageiros.
 

Quais são as circunstâncias que aumentam a pena do homicídio culposo?

Segundo o § 4º do Art. 121, no homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3


(um terço), se o crime resulta de:
-   Inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício;
-   Se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima;
-   Não procura diminuir as consequências do seu ato;
-   Foge para evitar prisão em flagrante*.
 
Observação. A parte final do mencionado dispositivo informa que nos
homicídios DOLOSOS a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime
é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60
(sessenta) anos. As bancas costumam tentar lhe confundir.
* Parte da doutrina entende que esta causa é inconstitucional, pois viola o art.
8º, 2, g da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, pois a pessoa tem
o direito de não ser obrigada a depor contra si mesma, nem confessar-se
culpada.
 
 

Se o crime resultar de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou


ofício, restará configurado o homicídio culposo na modalidade imperícia?

Não, segundo o §4º do art. 121 do CP, no homicídio culposo, a pena é


aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de regra
técnica de profissão, arte ou ofício. Tal causa de aumento de pena não se
confunde com a imperícia, pois na hipótese do §4º o agente é apto ao
desempenho da função, ocorrendo o resultado em decorrência de seu
descaso, ou seja, age contrariamente à regra técnica da profissão.
 Por fim, predomina o entendimento que esta causa de aumento só se aplica
ao profissional. 

Se o agente que causou a situação de perigo deixar de prestar imediato


socorro à vítima, vindo esta a falecer, responderá em concurso formal por
homicídio culposo circunstanciado em concurso com o crime de omissão de
socorro (art. 135)? 

Não, o agente responderá tão somente por homicídio culposo com aumento de
pena, pois foi ele quem criou a situação, de forma que afasta o delito de
omissão de socorro.  

Está correto afirmar que se o socorro não for prestado porque o agente teve
que fugir para não ser linchado por parte de amigos ou familiares da da vítima,
não incidira o aumento de pena? 

Correto, pois o motivo do abandono do local foi legítimo. 


O art. 121, §5º traz a figura do Perdão Judicial, presente na hipótese de
homicídio culposo, quando o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as
consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a
sanção penal se torne desnecessária. Qual é a natureza jurídica do Perdão
Judicial? 

É uma causa de EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE, prevista no art. 107, IX do


CP, confira: Extinção da punibilidade.
Art. 107 - Extingue-se a punibilidade:
I - pela morte do agente;
II - pela anistia, graça ou indulto;
III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso;
IV - pela prescrição, decadência ou perempção;
V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de
ação privada;
VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite;
VII - (Revogado);
VIII - (Revogado);  
IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.

Em relação ao homicídio, é correto afirmar que admite o perdão judicial, se


privilegiado?

Errado, só será cabível o perdão judicial nas hipóteses de homicídio


CULPOSO! (FCC/ Promotor- AP/ 2012).  
 

O instituto do perdão judicial somente terá aplicação nos casos em que a vítima
do homicídio culposo for ente querido do agente, como por exemplo familiar
próximo, cônjuge ou companheiro? 

Não, para a aplicação do perdão judicial nem sempre as condições da vítima


são determinantes, considerando que o perdão judicial pode incidir tanto em
casos em que a vítima do homicídio culposo é ente querido do agente —
familiar próximo, cônjuge ou companheiro— como naqueles em que ele próprio
fica gravemente ferido em decorrência do evento por ele provocado e que
causou a morte de outrem.
Podemos afirmar que as consequências sofridas pelo beneficiário do perdão
podem ser tanto psicológicas quanto físicas? 

Sim, psicológicas quando a vítima for parente próximo e físicas quando


também se ferir gravemente. 

Podemos afirmar que a relação de parentesco é requisito para a concessão do


perdão judicial?

Não, segundo o STJ será possível a não concessão do perdão na situação


em que pai mate a filha (HC 166.792-SP, j. 11/10/2011). 

Será possível a concessão de perdão judicial na hipótese do Art. 302 do


Código de Transito Brasileiro? 

Sim, já está pacificado que se aplica o perdão judicial também ao art. 302 do
CTB. 
Cumpre destacar que na  menciona lei não há a possibilidade de aplicação de
perdão judicial, sendo certo que o art. 291, caput, refere-se apenas à
possibilidade de aplicação subsidiária das regras gerais do CP, que, em
princípio, não abrangem o perdão judicial. No entanto, na redação originária
constava a possibilidade de sua aplicação, dispositivo que acabou sendo
vetado (art. 300), sob o fundamento de que o CP disciplina o tema de forma
mais abrangente. As razões do veto, portanto, demonstram que o perdão
judicial pode ser aplicado também aos delitos da lei especial.

O artigo 122 do Código Penal tipifica a conduta de Induzir ou instigar alguém a


suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça. Da análise de tal dispositivo
podemos concluir que se alguém tentar suicídio e sobreviver a conduta será
atípica? 

Sim, a lei penal não pune aquele quer se matar, pois segundo a doutrina, a
punição poderia servir somente como um reforço a ideia de dar cabo à própria
vida. Inclusive parte da doutrina sustenta que quem comete o ato suicida é a
vítima do delito. 
Qual a diferença entre induzimento, instigação e auxílio para a caracterização
do crime de suicídio? 

- Induzimento: O agente faz surgir a ideia do suicídio na vítima, sugerindo a


ela tal ato e a incentivando a realizá-lo;
- Instigação: Consiste em reforçar a intenção suicida que já exise na cabeça
da vítima;
- Auxílio: É a participação material, pois o agente colabora com o ato
executório do suicídio. A vítima já está convicta de que quer se matar, e o
agente a ajuda a concretizar o ato.

Seria correto dizer que o crime do art. 122, também chamado de participação
em suicídio, não admite participação?

Errado, a conduta criminosa é a participação em suicídio, nesse crime o


autor, por meio de induzimento, instigação ou auxílio comete o crime. No
entanto, é possível que o autor cometa o crime porque anteriormente fora
instigado por outrem instigar a vítima a cometer suicídio.
Exemplificando: Aderbal convence Bianor a procurar Curió e o induzir/ instigar
a cometer suicídio, neste caso, Bianor será o autor e Aderbal será partícipe do
crime de participação em suicídio.

O crime de participação em suicídio admite a modalidade culposa? 

Não, somente será punido a título de dolo (direto ou eventual).

Como se consuma o crime de participação em suicídio? 

Predomina na doutrina que a consumação ocorre com a morte da vítima


ou com a produção de lesão corporal grave. Os que defendem esta corrente
afirmam que não ocorre tentativa no crime de participação em suicídio, uma
vez que a lei exige a produção de um destes dois resultados. Defendem essa
corrente Nucci, Masson e Paulo Costa Jr.
Para Hungria consuma-se com o induzimento, instigação ou o auxílio,
independente da produção de qualquer lesão, sendo a morte ou lesão corporal
grave condição objetiva de punibilidade.
Por fim, para Bitencourt, o crime consuma-se apenas com a morte da vítima,
sendo tentativa se produzir lesão corporal grave.
 
 

Considere que Maria, de vinte e cinco anos de idade, instigue e auxilie


Mariana, de vinte e dois anos de idade, a suicidar-se, fornecendo-lhe frasco de
veneno, e que Mariana ingira a substância e logo a seguir a vomite
espontaneamente, sem sofrer qualquer sequela. Nessa situação, se
denunciada, Maria responderá por instigação e auxílio a suicídio? 

Errado, na hipótese acima a conduta de Maria será atípica, pois para a


consumação do crime crime de induzimento, instigação ou auxílio a
suicídio é necessário o resultado morte ou lesão corporal grave.

Somente será típica a participação em suicídio se a vítima conseguir tirar a


própria vida?

Errado, vimos que, conforme predomina na doutrina, a consumação ocorre


com a morte da vítima ou com a produção de lesão corporal grave. 

Imagine a seguinte situação. Romeu e seu amor Julieta resolveram, sob


juramento, morrer na mesma ocasião. Romeu, com o propósito de livrar-se da
esposa, finge que morreu, enquanto Julieta, fiel ao juramento assumido,
suicida-se. Nesta hipótese, que crime Romeu cometeu?
(A) auxílio ao suicídio culposo. 
(B) homicídio doloso.
(C) homicídio culposo.
(D) induzimento ao suicídio.
(E) tentativa de homicídio.
 
 
 

Romeu praticou o crime de Participação em suicídio na modalidade


induzimento. 
Maria Paula, sabendo que sua mãe apresentava problemas mentais que
retiravam dela a capacidade de discernimento e visando receber a herança
decorrente de sua morte, induziu-a a cometer suicídio. Nessa situação Maria
Paula cometeu que crime? 

Falou homicídio qualificado por autoria mediata? Acertou... Veja que não há
falar em tentativa de suicídio pois o item fala que a vítima não tinha qualquer
discernimento. 

Imagine a seguinte situação. Pedro, a pedido de José, que desejava suicidar-


se, efetua disparo de arma de fogo contra o mesmo, causando-lhe a morte.
Podemos afirmar que Pedro responderá pelo crime de participação em suicídio,
na modalidade auxílio? 

Não, afirmar que Pedro cometeu o crime de participação em suicídio seria um


equívoco, haja vista que José cometeu o crime de homicídio doloso, pois ele
próprio quem executou os atos. Se apenas tivesse emprestado a arma seria
participação em suicídio. 

Imagine a seguinte situação. Bianor, desgostoso com a vida, cortou os pulsos


com a intenção de se suicidar. Arrependido, liga 193 e chama o SAMU.
Aderbal, seu desafeto, sabendo das intenções suicidas de Bianor, impediu
dolosamente que o socorro chegasse, vindo consumar-se a morte. Nessa
hipótese, Aderbal responderá pelo crime consumado de participação em
suicídio? 

Errado, terá praticado homicídio doloso.


 

José e Maria estavam enamorados, mas posteriormente vieram a descobrir


que eram irmãos consanguíneos, separados na maternidade. Extremamente
infelizes com a notícia recebida, que impedia por completo qualquer
possibilidade de relacionamento, resolveram dar cabo à própria vida. Para
tanto, combinaram e executaram o seguinte: no apartamento de Maria, com
todas as portas e janelas trancadas, José abriu o registro do gás de cozinha.
Ambos inspiraram o ar envenenado e desmaiaram, sendo certo que somente
não vieram a falecer porque os vizinhos, assustados com o cheiro forte que
vinha do apartamento de Maria, decidiram arrombar a porta e resgatá-los.
Ocorre que, não obstante o socorro ter chegado a tempo, José e Maria
sofreram lesões corporais de natureza grave.
Por qual crime José deverá responder, e Maria?
 

O item cobre o chamado pacto de morte ou ambicídio. Na situação


apresentada, José responderá pelo crime de tentativa de homicídio, pois foi ele
quem abrira o registro de gás. Já Maria, deverá responder por tentativa de
participação em suicídio, modalidade instigação ou induzimento.

Em quais hipóteses o induzimento, instigação e auxílio a suicídio será


majorado? 

Segundo o art. 122, p. único, a pena será duplicada se o crime for praticado:
I - se o crime é praticado por motivo egoístico;  
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de
resistência.

Imagine a seguinte situação. Getúlio, a fim de auferir o seguro de vida do qual


era beneficiário, induziu Maria a cometer suicídio, e, ainda, emprestou- lhe um
revólver para que consumasse o crime. Maria efetuou um disparo, com a arma
de fogo emprestada, na região abdominal, mas não faleceu, tendo sofrido lesão
corporal de natureza grave. Nessa hipótese, Getúlio deve responder por crime
de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, por uma única vez, com pena
duplicada pela prática do crime por motivo egoístico?
 

Correto. Vimos que predomina que o crime de participação em suicídio ocorre


com a produção da morte ou lesão corpora grave. Logo na hipótese resta
consumado o crime. Sabemos também que se trata de um crime de múltipla
conduta, pois pode ser cometido mediante induzimento, instigação e auxílio, de
forma que se o agente praticar os três núcleos somente responderá por um
crime. Por fim, nos termos do inciso I do p. único do art. 122, a pena será
duplicada por ter sido praticado por motivo egoístico.  
 

João induziu José, criança de 5 anos de idade, a cometer suicídio. Diante


desse induzimento, José se atirou de um prédio e milagrosamente sofreu
apenas lesões corporais leves em razão da queda. Nessa situação, João
deverá responderá pela prática do crime de participação em suicídio com a
pena majorada ao dobro? 
Errado. observe que o inciso II do p. único do art. 122 fala em vítima é menor
ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência. Malgrado a
redação ruim do dispositivo, no caso de vítima que não tenha nenhuma
capacidade de resistência não estará presente o crime de participação em
suicídio majorado, mas sim a figura do homicídio (tentado ou consumado).
 

Diz o art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho,
durante o parto ou logo após. Podemos dizer que se trata de um crime
próprio? 

Sim, pois somente pode ser cometido pela mãe que estiver sobre influência do
estado puerperal.

Será possível o concurso de pessoas no crime de infanticídio? 

Predomina que sim, pois para a doutrina dominante a qualidade de mãe e


estado puerperal são elementares do crime (Art. 30 do CP- não se comunicam
as circunstâncias e condições de caráter pessoal, salvo quando elementares
do crime), daí se comunicarem com coautor e partícipe.

Imagine a seguinte situação. Uma mulher grávida, prestes a dar à luz, chorava
compulsivamente na antessala de cirurgia da maternidade quando uma
enfermeira, condoída com a situação, perguntou o motivo daquele choro. A
mulher respondeu-lhe que a gravidez era espúria e que tinha sido abandonada
pela família. Após dar à luz, sob a influência do estado puerperal, a referida
mulher matou o próprio filho, com o auxílio da citada enfermeira. As duas
sufocaram o neonato com almofadas. Nesse caso, ambas responderão pelo
crime de infanticídio, devendo a enfermeira responder em coautoria? 

Correto, segundo a doutrina majoritária, a condição de mãe sob influência do


estado puerperal, por serem elementos do tipo, é comunicável.
Cabe destacar que a FCC, na prova aplicada em 2008, seguiu a corrente
minoritária, entendendo que as circunstâncias não se comunicam. 

Estado puerperal é o conjunto de alterações físicas e psíquicas que ocorrerem


no organismo da mulher em razão do fenômeno do parto. A par dessa
informação, tratando-se de delito de infanticídio, dispensa-se a perícia médica
caso se comprove que a mãe esteja sobre influencia do estado puerperal, por
haver presunção juris tantun de que a mulher, durante ou logo após o parto, aja
sob influência do estado puerperal?
 

Apesar de gerar acirrado debates sobre a necessidade ou não de comprovação


o estado puerperal por meio de perícia, o CESPE entende que não será
necessária a perícia.

O infanticídio poderá ser praticado durante o parto?


 
 

Não, se praticado durante o parto haverá o crime de aborto. 

Quando se consuma o crime de infanticídio, é admissível tentativa?


 
 

O infanticídio se consuma com a morte do recém nascido e admite tentativa.

 O infanticídio admite modalidade culposa? 

O elemento subjetivo do infanticídio é o dolo, não existindo infanticídio por


culpa.
Imagine a seguinte situação. Mãe, sob a influência do estado puerperal,
estando sonolenta pela medicação que lhe fora ministrada, ao se revirar na
cama, acaba matando seu filho por sufocamento, que estava ao seu lado.
Para a maioria da doutrina haverá o crime de homicídio na forma culposa,
nesse sentido Mirabete, Capez, Hungria, Magalhães Noronha Luiz Régis Prado
e Alexandre Salim.
Já para Damásio, e Frederico Marques, o fato deve ser considerado atípico, ao
argumento de que mãe sob a influência do estado puerperal, não se pode dela
exigir os cuidados normais, inerentes a todos os seres humanos.
 Aborto é a interrupção da gravidez com a consequente morte do produto da
concepção. Quais são as hipóteses de abortamentos criminosos previstos no
Código Penal?
 

Quatro são as figuras do abortamento, conforme tabela abaixo.


 
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma: 
Autoaborto-
Pena - detenção, de um a três anos.
Consentimento para o (...) ou consentir que outrem lho provoque:
aborto (art. 124, 2ª parte) Pena - detenção, de um a três anos.
Aborto provocado porArt. 125 - Provocar aborto, sem o
terceiro (sem o consentimentoconsentimento da gestante:
da gestante) Pena - reclusão, de três a dez anos.
Aborto provocado porArt. 126 - Provocar aborto com o
terceiro (com o consentimentoconsentimento da gestante:
da gestante) Pena - reclusão, de um a quatro anos.
 
 

A assertiva a seguir está correta? O crime de aborto pode ser cometido pela
própria gestante e por terceiro, sendo, nesse caso, uma a pena para o caso de
o terceiro provocar o aborto com o consentimento da gestante e outra para o
caso de o terceiro provocar o aborto sem o consentimento da gestante.
 
 

Correto, é exatamente isto que diz o Código Penal.

Quando se dá a consumação do aborto? 

Consuma-se com a interrupção da gravidez seguida da morte do produto da


concepção. 

Haverá o crime de aborto se o feto nascer com vida e posteriormente morrer


em decorrência do abortamento?
Sim, considerando que a causa da morte se deu em razão da conduta
abortiva. 

Imagine a seguinte situação. Após ter ciência da gravidez de sua namorada


Viramunda, Zeca a convence a praticar aborto, orientando-a a procurar a
clínica clandestina do Dr. Herodes. Durante o procedimento abortivo, praticado
pelo médico, Viramunda sofre grave lesão, decorrente da imperícia do
profissional, perdendo, pois, sua capacidade reprodutiva. Nesse contexto,
considerando que a intervenção cirúrgica não era justificada pelo risco de
morte para a gestante ou em virtude de estupro prévio, Viramunda, Zeca e
Herodes responderão, respectivamente, por quais crimes?
 
 

Viramunda: consentimento para o aborto (artigo 124, 2ª parte, CP);


Zeca: participação em consentimento para aborto, pois não pratica fisicamente
as manobras abortivas.
Herodes: aborto praticado por terceiro com consentimento, em concurso de
crimes com o delito de lesão corporal qualificada (artigo 126 c/c artigo 129, §
2º, III, ambos do CP).
 

Na espécie de aborto provocado com o consentimento da gestante, esta


responderá pelo crime de consentimento para o abordo (art. 124 segunda
parte), ao passo que o terceiro responderá pelo crime de provocar aborto com
o consentimento da gestante. Nesta situação temos hipótese de exceção à
teoria monista do concurso de agentes?
 
 

Exatamente, pois pela mesma conduta os agentes responderão por crimes


diferentes. Diz-se exceção porque o CP adotou a teoria monista como regra,
pois autor e partícipes respondem pelo mesmo crime. 

O que é o aborto necessário ou terapêutico?  

É aquele praticado por médico quando não há outro meio de salvar a vida da
gestante. 
No aborto terapêutico o consentimento da gestante é obrigatório?
 

Não, nos termos do art. 128, I c/c o §3º do art. 146 não há necessidade de
consentimento da gestante, confira este último dispositivo.
Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois
de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a
não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda:
§ 3º - Não se compreendem na disposição deste artigo:
I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de
seu representante legal, se justificada por iminente perigo de vida; 
II - a coação exercida para impedir suicídio.

No aborto terapêutico não é necessário o consentimento da gestante, mas será


necessária autorização judicial.
 

Errado, nem o consentimento da gestante nem autorização judicial será


necessária para o médico realizar o abortamento terapêutico.
 

Não se caracteriza o crime de aborto provocado por terceiro aquele praticado


pelo médico, se a gravidez resulta de estupro, ainda que sem o consentimento
da gestante capaz. 

Errado, o aborto sentimental, ético, humanitário ou piedoso exige o


consentimento prévio da gestante ou de seu representante legal quando esta
for incapaz. 

No aborto sentimental, ético, humanitário ou piedoso há a exigência de


autorização judicial? 

Não, é dispensável, pois a lei não exige. Para parte da doutrina basta o boletim
de ocorrência. 
Não se caracteriza o crime de aborto provocado por terceiro aquele praticado
pelo médico, se a gravidez resulta de estupro, ainda que sem o consentimento
da gestante capaz.
 

Errado, a hipótese de aborto sentimental exige o consentimento da gestante,


sem este, a conduta será típica. 

Quais crimes comete aquele que mata uma mulher sabendo da sua condição
de grávida?
 
 

Deverá responder pelos crimes de homicídio em concurso formal com aborto


sem o consentimento da gestante, pois o agente teve no mínimo dolo eventual
em relação ao feto. 

O aborto em caso de anencefalia constitui crime? 

Não, segundo o STF no julgamento da ADPF- 54, o aborto de feto anencefálico


não é crime. 

Quais são as categorias de lesões corporais?


 
 

São duas categorias, quais sejam:


1- Culposas;
2- Dolosas, que se subdividem em:
 2.1- Leves;
 2.2- Graves;
 2.3- Gravíssimas;
 2.4- Seguida de morte. 
O crime lesões corporais - Ofender a integridade corporal ou a saúde de
outrem- somente atinge a integridade física ou pode também atingir a
integridade mental? 

Atinge ambas, a saúde mental também pode ser atingida, vindo a ser objeto do
crime, pois a lei fala sem integridade física (escoriações, fraturas) e saúde,
contemplando a saúde mental. 

Está correto afirma que a incolumidade física, por ser bem indisponível, torna
irrelevante o consentimento do ofendido, de forma que toda lesão corporal será
de ação penal publica incondicionada.
 

Errado. De fato, para a doutrina tradicional, a incolumidade física é bem


indisponível, consequentemente entendem que, eventual  consentimento do
ofendido não excluiria o crime, ressalvando as situações socialmente aceitas,
como a colocação de piercing, brincos etc.
Obs. No entanto, é inegável que após a Lei 9.099/ 95 (Lei dos Juizados
Especiais), ao menos nas lesões corporais leves o consentimento do ofendido
exclui o crime, veja o que diz a mencionada Lei: Art. 88. Além das hipóteses
do Código Penal e da legislação especial, dependerá de representação a
ação penal relativa aos crimes de lesões corporais leves e lesões
culposas.

É cabível a aplicação do princípio da insignificância nos crimes de lesões


corporais? 

Há o registro de um julgado no STF afirmando por tal possibilidade,  no


entanto, por ser relativamente antigo, não se pode afirmar taxativamente
acerca do cabimento ou não. 
A Turma deferiu habeas corpus para declarar atípica a conduta de militar que
desferira um único soco contra seu colega, também militar, após injusta
provocação, absolvendo-o da imputação de lesão corporal leve (CPM, art.
209). Assentou-se que o desferimento de um único soco, após injusta
provocação da vítima, tal como reconhecido pela sentença (CPM, 209, § 4º:
“Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor moral ou
social ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta
provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena, de um sexto a um terço”),
permitiria, por suas características, a aplicação do princípio da insignificância.
HC 95445/DF, rel. Min. Eros Grau, 2.12.2008. (HC-95445). 
O tipo penal lesão corporal exige que o ato agressivo perpetrado contra a
vítima lhe tenha provocado ofensa à integridade corporal ou à saúde. Havendo
agressão por empurrões, por exemplo, sem a intenção de ferir a vítima, podes
dizer que a conduta será atípica?
 
 
 

Apesar de não se tratar do crime de lesão corporal, haverá a contravenção de


vias de fato (art. 21 da LCP), logo, a conduta permanece típica. 

A dor física constitui ofensa a integridade corporal apta a caracterizar o crime


de lesões corporais?
 
 

Não, a dor física, por si mesma, desacompanhada de alteração anatômica ou


ofensa à saúde, não constitui lesão corporal. 

Quando a lesão corpora será leve?  

A lesão corporal leve é subsidiária, de forma que, não sendo grave, gravissima
ou seguida de morte, será leve. 

Quando a lesão corporal será grave? 

Será grave se resultar:


I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;
II - perigo de vida;
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função;  
IV - aceleração de parto. 
(Art. 129, §1º- Lesão corporal de natureza grave...)

Quando a lesão corporal será gravíssima?


 

Art. 129, §2º Será gravíssima quando resultar:


I - Incapacidade permanente para o trabalho;
II - enfermidade incurável;
III perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
IV - deformidade permanente;  
V- aborto. 

Está correto dizer que os §§ 1º e 2º do Art. 129 somente podem ser aplicados
às lesões corporais dolosas? 

Exatamente, de forma que se de uma lesão culposa ocorrer qualquer das


situações mencionadas naqueles parágrafos (§1º- Incapacidade para as
ocupações habituais, por mais de trinta dias, perigo de vida, debilidade
permanente de membro, sentido ou função, aceleração de
parto) ou(§2º- Incapacidade permanente para o trabalho; enfermidade
incuravel; perda ou inutilização do membro, sentido ou função; deformidade
permanente;aborto) o crime permanecerá como lesão corporal culposa.
Em outras palavras, não há lesão corporal culposa grave nem gravíssima,
somente há lesão corporal culposa, independente do resultado do crime.

A gravidade das lesões será irrelevante nas lesões corporais dolosas?  

A princípio, nas lesões corporais culposas, não há qualquer distinção quanto à


gravidade das lesões, ou seja, se leves, graves ou gravíssimas. No entanto,
nos termos do art. 59 do CP,  a gravidade deve ser levada em conta no
momento da fixação da pena-base pelo juiz, pois diz respeito às consequências
do crime. 
Veja o que diz Victor Eduardo Rios Gonçalves:  
Ao contrário do que ocorre nas lesões dolosas, na modalidade culposa não
há distinção no que tange à gravidade das lesões. A capitulação é sempre no
mesmo dispositivo — art. 129, § 6º — e a gravidade da lesão só deve ser
levada em consideração pelo juiz na fixação da pena-base (art. 59 do CP).

Podemos dizer que a autolesão, em observância ao princípio da ofensividade,


é atípica?
 
Depende, a princípio sim. No entanto, quem se auto lesiona para receber o
valor de seguro incorre no crime de fraude para recebimento de seguro (art.
171, § 2º, V, do CP), se o objetivo for não prestar serviço militar, comete o
crime do art. 184 do Código Penal Militar.
 

Se a lesão corporal resultar incapacidade da vítima, por mais de trinta dias,


para as suas ocupações habituais, será considerada de natureza gravíssima? 

Errado, será considerada grave. 

Como deve ser feita a comprovação para fins de caracterização das lesões
corporais como grave ou gravíssima? 

Deverá ser feita por meio de exame complementar, nos termos do art. 168,
§2º do CPP, logo que decorridos os 30 dias da data do crime. Dessa
forma, trata-se crime a prazo, porque sua configuração depende do
transcorrer de determinado prazo, no cso em tela, mais de trinta dias.

Como será comprovado o perigo de vida para fins de caracterização de lesões


corporais graves? 

Deve ser provada por meio de perícia médica. 

A comprovação da lesão corporal grave se faz por meio de exame


complementar ou laudo pericial. Nesse sentido, a ausência de laudo pericial
impede a materialização da lesão corpora grave? 

Errado. Segundo o STF (HC 114567, j 16/10/1012), a ausência do laudo


pericial não impede seja reconhecida a materialidade do delito de lesão
corporal de natureza grave por outros meios, como por exemplo mediante
prova testemunhal e laudo médico.

É correto dizer que o perigo de vida causado no crime de lesões corporais


graves somente pode ter sido criado a título de culpa? 
Sim, pois se o risco tiver sido causado a título doloso, o crime será tentativa de
homicídio, dai porque o crime de lesões corporais culposas com perigo de vida
ser crime preterdoloso ou preterintencional. 

Para a configuração da agravante da lesão corporal de natureza grave em face


da incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias, não é
necessário que a ocupação habitual seja laborativa, podendo ser assim
compreendida qualquer atividade regularmente desempenhada pela
vítima. (CESPE/ Defensor-DPU/ 2012)
 
 

Correto, a incapacidade não precisa ser para trabalho nem lucrativa. 

A prostituta, por exercer atividade imoral, não pode ser vítima de lesões
corporais graves, porque a lei diz que a atividade habitual deve ser lícita. 

Errado, conforme já decidiu o TJSP, A meretriz exerce atividade imoral, mas


não ilícita. Pode, pois, ser vítima de lesão grave, que lhe acarrete incapacidade
para as ocupações habituais por mais de 30 dias. 

A debilidade que caracteriza a lesão corporal grave é a redução ou


enfraquecimento da capacidade funcional. Essa debilidade deve ser
permanente? 

Não, não precisa que seja permanente, basta que seja duradoura. 

Em se tratando de órgãos duplos, a perda de um deles caracteriza lesão


corporal grave? 

Sim, pois caracteriza debilidade permanente de função. 

A perda de um dedo da mão torna a lesão corporal grave pela ocorrência da


debilidade permanente de membro? 
Sim, a perda de um dedo, se gerar a ocorrência da debilidade permanente,
qualifica o crime de lesões corporais. (FCC/ AJAJ- TRE-RN/ 2012)

A perda de um dos rins constitui lesão gravíssima? 

Errado, causa debilidade permanente de função, logo gera lesão corporal


grave.

Caim dá um soco em Abel, que em consequência da porrada perde um dente.


Abel procura um odontólogo e este, mediante laudo, constata a debilidade
permanente da capacidade mastigatória de Abel. Neste caso, a lesão corporal
será grave? 

Sim, segundo o STJ (REsp. 609.590), a perda de um dente se fundada em


laudo pericial que causou debilidade permanete da função mastigatória,
configura lesão corporal grave. 
PENAL. LESÃO CORPORAL GRAVE. PERDA DE DENTE.
FUNDAMENTAÇÃO DO LAUDO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.
POSSIBILIDADE DE TRATAMENTO ODONTOLÓGICO. IRRELEVÂNCIA.
DEBILIDADE PERMANENTE DA FUNÇÃO MASTIGATÓRIA CONFIGURADA.
RECURSO ESPECIAL CONHECIDO PARCIALMENTE E, NESSA PARTE,
IMPROVIDO. 

Caim dá um soco em Abel, que em consequência da porrada perde de um


dente. Abel procura um odontólogo e este, mediante laudo, constata a
debilidade permanente da capacidade mastigatória de Abel, no entanto, após
por uma prótese no paciente a debilidade desaparece. Nesta hipótese, a lesão
deixará de ser grave?
 

Errado, segundo o STJ (REsp. 609.590), constatada mediante laudo pericial a


debilidade permanente da função mastigatória em razão da perda de canino
superior esquerdo, é irrelevante, para fins de tipificação penal, a
possibilidade de restauração mediante tratamento odontológico, pois,
para o reconhecimento da gravidade da lesão, não é preciso que ela seja
perpétua e impassível de tratamento.
 
Logo, qualquer tipo de prótese não tem o condão de afastar a qualificação da
lesão corporal.

Caim, com a intenção de lesionar Abel, desferiu golpes de foice, resultando na


decepação de seu braço esquerdo. A hipótese trata de lesão corporal
gravíssima. 

Correto, será lesão corporal gravíssima, pois causou a perda de um membro.

 As qualificadoras graves ou gravíssimas podem se causadas a título de culpa


ou de dolo? 

Vimos que somente as lesões dolosas podem ser graves ou gravíssimas, pois
as culposas não admitem tais qualificações. Desta forma, no que tange às
consequências das lesões corporias dolosas, o dano agravador tanto pode ser
causado a título de dolo, exemplo, o agente intenciona amputar o dedo de
outrem, ou o resultado agravador pode ocorrer de forma culposa, A dá um soco
em B, vindo este cair e perder um dente... 

Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou


companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido o agente, ou, ainda,
prevalecendo-se este das relações domésticas, de coabitação ou de
hospitalidade, tal fato será considerado como circunstância agravante? 

Errado, trata-se de lesão qualificada pela violência doméstica de familiar,


prevista no art. 129, §º do CPP. (CESPE/ Juiz- TJ-PA/ 2012)

Caim, movido pela intenção de matar seu desafeto Abel, atraiu-o para local
ermo e lhe desferiu um golpe de faca, causando-lhe grave ferimento no
abdome, com intensa hemorragia. Arrependido, Caim levou Abel ao hospital.
Abel, apesar de ter corrido perigo de vida, foi operado e sobreviveu. Nesta
situação Caim responderá por tentativa de homicídio com redução de pena. 

Errado, aqui cabe o instituto arrependimento eficaz, previsto no art. 15 do CP,


de forma que somente responderá pelos atos praticados, na situação, lesões
corporais graves, por ter havido perigo de vida (art. 129, §1º, II).
Caim, em mais uma briga com Abel, desfere socos e joelhadas na região
abdominal deste, que cai, bate com a cabeça no meio-fio e morre. O laudo
comprovou que a causa da morte foi a ruptura de um aneurisma cerebral e não
do choque da cabeça. Neste caso Caim deverá responder por lesão corporal
seguida de morte? 

Não, será condenado por lesões corporais simples, pois Caim não causou o
resultado morte nem por culpa, pois ausente o nexo de causalidade entre sua
conduta e o resultado.
Segundo o STJ, não há a configuração do crime de lesão corporal seguida de
morte se a conduta do agente não foi a causa imediata do resultado morte,
estando ausente o necessário nexo de causalidade (REsp. 1.094.458- RS, j.
01/03/2012). Por fim, cabe lembrar aqui o teor do art. 13 do CP, confira: Art. 13
- O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a
quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o
resultado não teria ocorrido.

Comprovado o animus laedendi na conduta do réu e a sua culpa no resultado


mais grave, qual seja, a morte da vítima, ainda que esse resultado seja
previsível, restará configurado o delito preterdoloso de lesão corporal seguida
de morte. 

Correto, o resultado morte decorreu de culpa no consequente, visto que o dolo


do agente era lesionar (animus laedendi) a previsibilidade do resultado não
afasta a culpa do agente, indicando que este agiu com culpa consciente. 

Considere que Antônio, com a intenção de provocar lesões corporais, tenha


agredido José com uma barra de ferro. Posteriormente, ficou comprovado que
José veio a falecer em consequência das lesões provocadas pelo agressor.
Nesse caso, está correto afirmar que Antônio responderá pelo delito de
homicídio, ainda que não tenha desejado a morte de José nem assumido o
risco de produzi-la?
 
 

Errado, nesta hipótese, o crime será de lesão corporal seguida de morte, pois
se trata de um crime preterintencional, pois o resultado morte adveio a título de
culpa. 
Na hipótese de lesão corporal culposa, o juiz poderá deixar de aplicar a pena
se as consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave
que a sanção penal se torne desnecessária.

Correto, segundo o art. 129, §8º, aplica-se à lesão corporal culposa o perdão
judicial previsto no Art. 121, §9º.
 
 

No crime de lesões corporais será irrelevante o fato de o agente cometer o


crime impelido por motivo de considerável valor social ou moral? 

Não, tal situação diminuirá a pena de um sexto a um terço, conforme previsto


no art. 129, §4º, confira: Art. 129, § 4° Se o agente comete o crime impelido por
motivo de relevante valor social ou moral ou sob o domínio de violenta
emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a
pena de um sexto a um terço.

Nas lesões corporais culposas, há a previsão do aumento de 1/3 (um terço) da


pena se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou
ofício, da mesma forma do homicídio culposo?

Correto, segundo o art. 129, §7º, aplica-se o disposto no art. 121, §4° se o
crime resulta: 
-  De inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício; 
-  Se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir
as consequências do seu ato; 
-  Foge para evitar prisão em flagrante. 

Nas lesões corporais culposas há previsão de aumento de pena de o crime for


praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta)
anos?

Sim, da mesma forma que se dá com as majorantes previstas no art. 121, §4º.
 
 
Observe o que diz o CP, com redação dada pela Lei Maria da Penha, sobre as
lesões corporais que caracterizam violência doméstica:
Art. 129, § 9º- Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão,
cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda,
prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de
hospitalidade:
Pena- Detenção de 3 meses a 3 anos.
Do exposto, podemos afirmar que tal qualificadora somente tem aplicação se a
vítima for mulher?
 

Não, de fato a Lei Maria da Penha é destinada à proteção da mulher, no


entanto, a qualificadora em tela visa também proteger as demais
desigualdades encontradas nas relações domésticas, de forma que não há
irregularidade ne aplicação desta qualificadora quando a vítima dor homem, a
propósito, veja o que decidiu o STJ em um caso em que o filho teria ferido o pai
ao empurrá-lo.  
1. Não obstante a Lei n. 11.340/06 tenha sido editada com o escopo de tutelar
com mais rigor a violência perpetrada contra a mulher no âmbito doméstico,
não se verifica qualquer vício no acréscimo de pena operado pelo referido
diploma legal no preceito secundário do § 9º do artigo 129 do Código Penal,
mormente porque não é a única em situação de vulnerabilidade em tais
relações, a exemplo dos portadores de deficiência.
2. Embora as suas disposições específicas sejam voltadas à proteção da
mulher, não é correto afirmar que o apenamento mais gravoso dado ao delito
previsto no § 9º do artigo 129 do Código Penal seja aplicado apenas para
vítimas de tal gênero pelo simples fato desta alteração ter se dado pela Lei
Maria da Penha, mormente porque observada a pertinência temática e a
adequação da espécie normativa modificadora. (HC 27.622-RJ, j em
16/02/2012).
Por fim, há que ser destacado que os institutos previstos na Lei Maria da
Penha somente são aplicáveis às vítimas mulheres. 

Se a vítima da violência doméstica for pessoa portadora de deficiência, a pena


deverá ser aumentada?
 
 

Correto, segundo o art. 129, §11º, a pena será aumentada de um terço se o


crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência. 
Se da violência doméstica decorrer lesão corporal grave, gravíssima ou morte,
a pena deve ser aumentada?
 
 

Sim, segundo o §10 do art. 129, nos casos previstos nos §§ 1º a 3º, se as
circunstâncias de violência doméstica, a pena deverá ser aumentada em 1/3.

Para a caracterização de lesões corporais gravíssimas em que resulte aborto,


este deve ter sido causado a título de culpa?

Correto, trata-se de crime preterdoloso, ou seja, há dolo no antecedente (lesão


corporal) e culpa no resultado qualificador (aborto) esse é o entendimento que
prevalece. 

Para a caracterização de lesões corporais gravíssimas em que resulte aborto, a


gravidez deve ser conhecida? 

Correto, pois entendimento contrário seria admitir a responsabilidade penal


objetiva, o que é vedado em nosso ordenamento, mas cabe destacar que o
agente deve intencionar somente lesionar a mãe e não causar o aborto, senão
haveria concurso de crimes. 

O crime de lesões corporais gravíssimas que resulte aborto admite tentativa? 

Não, não é admitida a tentativa, pois se o sujeito intencionar o aborto incorrerá


no crime de aborto sem o consentimento da gestante. 

Se a lesão corporal for praticada contra um agente da polícia civil ou sua


esposa incidirá aumento de pena? 

Atenção, se o crime tiver sido cometido enquanto o agente público exercia sua
função sim, igualmente se o crime tiver sido cometido contra parentes do
agente em razão dessa condição. Tal novidade foi implementada pela Lei
13.142/ 2015, que incluiu mais uma hipótese de aumento de pena nos crimes
de lesões corporais, confira: 
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts.
142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força
Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência
dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até
terceiro grau, em razão dessa condição, a pena é aumentada de um a dois
terços. 

Sempre que o crime de lesões corporais for praticado contra um dos agentes
elencados nos artigos 142 e 144 da Constituição incidirá aumento de pena?
* Art. 142- Membros das Forças Armadas.
* Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de
todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das
pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I - polícia federal;
II - polícia rodoviária federal;
III - polícia ferroviária federal;
IV - polícias civis;
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.

Cuidado, observe que a incidência da causa de aumento de pena está


condicionada ao crime cometido contra os agentes quando estes estão
exercendo a função ou em razão dela e não pelo simples fato da pessoa
policial ou militar. 

Podemos dizer que os tipos penais do gênero DA PERICLITAÇÃO DA


VIDA E DA SAÚDE
-  Perigo de contágio venéreo (Art. 130);
-   Perigo de contágio de moléstia grave (art. 131);
-   Perigo para a vida ou saúde de outrem (art. 132);
-   Abandono de incapaz (art. 133);
-   Exposição ou abandono de recém-nascido (art. 134);
-  Omissão de socorro (art. 135);
-  Condicionamento de atendimento médico-hospitalar emergencial (art.
135-A);
-  Maus-tratos (art. 136).
São crimes de perigo?
 
Sim, os crimes da lista acima são de perigo, não exigem propriamente o dano
para a caracterização.
Lembrando que o crime de perigo pode ser:
-  Perigo Abstrato: lei descreve uma conduta e presume a existência do perigo
sempre que tal conduta ocorra, independentemente da comprovação de que
alguém foi atingido.
-  Perigo Concreto: cuja caracterização pressupõe prova efetiva de que uma
pessoa correu risco de ser atingida pela conduta.
 
Por fim, destaca-se que o perigo pode ser:
-  Individual: como no caso em tela, em que os indivíduos atingidos são
determinado;
 
-  Coletivo; quando atinge um número indeterminado de pessoas. 

O tipo de Perigo de contágio venéreo (Art. 130) é uma norma penal em


branco? 

Sim, pois as doenças que tipificam a conduta devem estar contidas nos
regulamentos do Ministério da Saúde. 

O artigo 130 do CP traz o crime Perigo de contágio venéreo, cuja


descrição segue: Art. 130 - Expor alguém, por meio de relações sexuais
ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea, de que sabe
ou deve saber que está contaminado. Comete esse crime aquele que, com
intenção de matar, mantém relação sexual forçada e dirigida à
transmissão do vírus da AIDS, idônea para a caracterização do crime de
periclitação contra a vida?
 

Errado, segundo a doutrina, a AIDS, por não estar contida nos regulamentos do
Ministério da Saúde, não é entendida como doença venérea, daí porque em
relação à entende-se que pode haver hipótese de contágio de moléstia grave
(art. 131), lesão corporal gravíssima ou homicídio. No caso em tela, resta claro
que houve tentativa de homicídio, pois o próprio enunciado indica o animus
necandi do autor. 
O tipo de Perigo de contágio venéreo (Art. 130) é de ação livre ou
vinculada?
 
 

Trata-se de crime de ação vinculada, que é cometido pela prática de


qualquer tipo de relação sexual apta à transmissão da moléstia venérea. 

Para a caracterização do crime em análise é necessário que a relação


sexual seja consentida?
 

Sim, pois se a vítima sofre violência ou grave ameaça o agente deverá


responder por estupro em concurso formal com o com o crime em tela,
concretizando a transmissão, a pena aumentada de um sexto até a metade,
nos termos do art. 234, IV do CP.
 

Se o agente, ciente de que está acometido de doença venérea, constrange


a vítima ao coito vaginal, sem intenção, no entanto, de transmitir a
doença, responde pelo crime de Estupro em concurso formal com o de
Perigo de contágio venéreo.
 

Questão interessante, que precisa ser analisada com calma.


Primeiramente importante destacar que o crime de perigo de contágio venéreo
possui três modalidades de elemento subjetivo:
1- O agente sabe que está contaminado (caput): É o dolo direto, nesta hipótese
o agente visa somente criar a situação de perigo, não querendo transmitir o
contágio venéreo;
2- O agente deve saber que está contaminado: é o dolo eventual;
3- O agente sabe que está contaminado e tem a intenção de transmitir a
moléstia (§ 1º): é o crime de perigo com dolo de dano. Nessa situação, mais
que expor a vítima à perigo, o agente pretende transmitir a doença venérea, dai
o porque da majoração da pena.
A primeira vista o agente cometeu a figura qualificada, mas quanto à hipótese
do concurso de crimes, esta deve ser afastada, pelo princípio da subsunção,
devendo o agente responder por estupro majorado, confira:
Art. 234-A. Nos crimes previstos neste Título (TÍTULO VI- DOS CRIMES
CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL) a pena é aumentada:
I (VETADO); II (VETADO);
III - de metade, se do crime resultar gravidez; e
 
IV - de um sexto até a metade, se o agente transmite à vitima doença
sexualmente transmissível de que sabe ou deveria saber ser portador.

O crime de perigo de contágio venéreo somente restará caracterizado se


a vítima desconhecer que o agente esteja contaminado?
 
 

Não, o consentimento da vítima é irrelevante, entende a doutrina que se cuida


de interessa indisponível, supra individual. (TJ-MG/ Juiz/ 2006)

Gení, conhecida prostituta da cidade, consciente que é portadora de


doença sexualmente transmissível, contaminou Don, que usufruiu de
seus serviços. Nessa situação, Gení não deverá responder pelo crime de
perigo de contágio venéreo, já que sua profissão exclui o delito. 

Errado, a prostituição não exclui o delito.

Gení, conhecida prostituta da cidade, consciente que é portadora de


doença sexualmente transmissível, procurada por Don para prestar seus
serviços, Gení exigiu o uso de preservativo, nesta hipótese, com esta
conduta, excluiu a tipicidade do crime perigo de contágio venéreo? 

Sim, a utilização de preservativo exclui o tipo. 

O crime de perigo de contágio venéreo admite a modalidade culposa? 


Não, o art. 130, caput, só pode ser praticado por meio do dolo de manter a
relação sexual, mesmo ciente de que poderá transmitir a doença. Na figura
qualificada, Art. 130, § 1º - Se é intenção do agente transmitir a moléstia, há o
dolo de dano. 

O crime de perigo de contágio venéreo consuma-se com a efetiva


contaminação da vítima? 

Não, restará consumado com a prática de relações sexuais ou atos libidinosos


capazes de transmitir a moléstia venérea, sendo dispensável o efetivo
contágio.

O artigo 131 do Código traz o crime de Perigo de contágio de moléstia


grave, cuja descrição é a seguinte: Art. 131- Praticar, com o fim de
transmitir a outrem moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de
produzir o contágio. Podemos dizer que se trata de um crime de ação
livre?

Sim, porque admite qualquer meio de execução apto a transmitir as doenças.

Se da conduta do crime de perigo de contágio venéreo for praticada com


a intenção de transmitir a moléstia, vindo a vítima efetivamente a sofrer
lesões corporais graves, por que crime deverá responder o autor? 

Depende. Se as lesões forem leves, responderá apenas pelo crime de perigo.


No entanto, se as lesões forem graves ou gravíssimas, o crime de perigo
será absorvido pelo crime de lesão corporal grave ou gravíssima (art. 129,
§§ 1º e 2º), pois o perigo se concretizou no dano.
 
Havendo, morte, a depender do caso concreto, haverá lesão corporal seguida
de morte ou homicídio, este, a depender do caso concreto, será culposo ou
doloso. 

Os crimes de Perigo de contágio de moléstia grave e de Perigo de


contágio venéreo são de ação penal pública incondicionada. 
Errado, o primeiro, Perigo de contágio de moléstia grave, sim, o
segundo, Perigo de contágio venéreo, por envolver a intimidade da vítima
(relação sexual) é pública condicionada a representação. 

Relativamente ao crime de perigo de contágio venéreo, se a vítima já está


contaminada, o crime será impossível? 

Correto, tratar-se-á de crime impossível por absoluta impropriedade do


meio (TJ-MG/ Juiz/ 2006). 

O crime de Perigo de contágio de moléstia grave é de perigo concreto ou


abstrato?
 
 

Trata-se de crime de perigo concreto, porque deve ser demonstrado que o


ato do agente era capaz de transmitir a moléstia grave, ao contrário do crime
de perigo de contágio venéreo que é de perigo abstrato, bastando que haja a
relação sexual. 

O crime de perigo para a vida ou saúde de outrem (Art. 132. Expor a vida


ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente: Pena detenção, de três
meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave), constitui crime
de perigo concreto ou abstrato?
 
 

Há necessidade de perigo concreto, pois para a caracterização do delito será


imprescindível que a conduta do agente tenha exposto a perigo a vida,
integridade corporal ou saúde da vítima. 

O crime de perigo para a vida ou saúde de outrem (Art. 132. Expor a vida


ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente: Pena detenção, de três
meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave), o perigo tem
que ser iminente? 
Sim, tem que ser aquele prestes a ocorrer, se for uma possibilidade futura não
haverá o crime. 

A profissão intrinsecamente perigosa afasta a incidência deste tipo penal,


como por exemplo, profissionais de saúde, paraquedistas por exemplo,
excluem a incidência do crime de perigo do art. 132? 

Sim, pois para a doutrina mais moderna o Direito Penal somente deve tutelar
condutas que criem ou aumentem os riscos proibidos. 

O crime de perigo para a vida ou saúde de outrem (Art. 132. Expor a vida ou a
saúde de outrem a perigo direto e iminente: Pena detenção, de três meses a
um ano, se o fato não constitui crime mais grave), traz implícito a
subsidiariedade expressa ou explícita?
 
 

Sim, pois o legislador deixou expresso tratas de delito subsidiário, cuja


configuração pressupõe que o fato não constitua ilícito mais grave. Confira: Art.
132. Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente: Pena
detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais
grave. 

O disparo de arma de fogo próximo em local público e próximo a


transeuntes configura a hipótese do crime de perigo para a vida ou saúde
de outrem? 

Não, nesta hipótese o crime será de disparo de arma de fogo, previsto no art.
15 da Lei 10.826/ 2003, confira: Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar
munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em
direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de
outro crime: Pena reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Art. 132, parágrafo único prevê hipótese de aumento de pena, confira: A
pena é aumentada de um sexto a um terço se a exposição da vida ou da
saúde de outrem a perigo decorre de transporte de pessoas para a
prestação de serviços em estabelecimentos de qualquer natureza, em
desacordo com as normas legais. Por seu turno, o CTB, tipifica a seguinte
conduta Art. 309- Dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida
Permissão para Dirigir ou Habilitação ou, ainda, se cassado o direito de
dirigir, gerando perigo de dano: Penas - detenção, de seis meses a um
ano, ou multa.
Nesse caso, podemos dizer que deve prevalecer o principalmente da
especialidade, aplicando-se o CTB?
 
 

Correto, este é o entendimento da doutrina. 

O CRIME de abandono de incapaz, consistente em Abandonar pessoa que


está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer
motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono exige
sujeito ativo próprio? 

Correto, pois somente será autor do delito aquele que exerce cuidado, guarda
vigilância ou autoridade sobre a vítima. Consequentemente somente quem está
sob esta condição pode ser o sujeito passivo. 

O crime de abandono de incapaz pode ser praticado de forma omissiva? 

Sim, trata-se de delito de forma livre, pois, segundo Fragoso, o crime pode ser
praticado mediante um deslocamento no espaço, por meio de ação (levar a
vítima a um determinado lugar e dela se afastar) ou por omissão (deixar a
vítima no lugar onde se encontra).

O crime de abandono de incapaz se consuma com o mero abandono? 

Não, o simples abandono não consuma o crime, deve haver uma situação de
perigo concreto para a vítima, situação esta que caberá ao juiz analisar em
cada caso se houve efetiva situação de perigo. Trata-se de crime instantâneo
de efeitos permanentes. 

Se do crime de abandono de incapaz resultar morte, o agente deve


responder por homicídio? 

Depende do elemento subjetivo, havendo animus necandi, haverá o crime de


homicídio tentado ou consumado.
 
Por seu turno, se a intenção era somente o abandono, o crime será
preterdoloso, restará consumado a figura qualificada do art. 133, §§ 1º e 2º, se
do abandono resulta lesão corporal de natureza grave (pena reclusão, de 1 a 5
anos) ou, resultando morte (pena reclusão, de 4 a 12 anos).

Se o agente, por culpa, abandonar o incapaz, vindo este a sofrer lesões


corporais graves em consequência do abandono, incidirá a figura
qualificada? 

Não, a qualificadora se refere somente à modalidade dolosa, de forma que


advindo lesões corporais ou morte, o agente deve responder pelos crimes de
lesão corporal ou morte na modalidade culposa.

Quais são as causas de aumento de pena no crime de abandono de


incapaz? 

As causas estão previstas no §3º do art. 133, quais sejam:


I - se o abandono ocorre em lugar ermo;
II - se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador
da vítima.
III se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos.
 
Obs. O Estatuto do Idoso prevê o crime de Abandonar o idoso em hospitais,
casas de saúde, entidades de longa permanência, ou congêneres, ou não
prover suas necessidades básicas, quando obrigado por lei ou mandado (Art.
98), que não se confunde com o crime que estamos tratando. 
A mãe que abandona o filho recém-nascido em um local ermo para
ocultar a própria desonra pratica o delito de abandono de incapaz?
 
 

Errado, trata-se do crime de exposição ou abandono de recém-nascido,


confira: Art. 134. Expor ou abandonar recém-nascido, para ocultar desonra
própria (Pena detenção, de 2 (dois) a 6 (seis) anos), observe que este crime é
uma forma privilegiada do crime de abandono de incapaz (Pena reclusão, de 4
(quatro) a 12 (doze) anos). (CESPE/ Oficial-PM-DF/ 2010)

Com se consuma o crime de abandono de recém nascido?


 

Consuma-se o abandono, desde que resulte perigo concreto para o recém-


nascido. Trata-se de crime instantâneo de efeitos permanentes.  
 

O crime de crime de exposição ou abandono de recém-nascido é um


crime próprio?

 
Sim, pois somete somente a genitora que concebeu o filho fora do matrimônio,
isto é, solteira, adúltera, viúva, comete esse crime para ocultar desonra
própria. 

No crime de abandono de recém-nascido, o sujeito ativo só pode ser a


mãe e o sujeito passivo é a criança abandonada? 

Correto, é isso aí, próprio inclusive quanto ao sujeito passivo.

O crime de crime de exposição ou abandono de recém-nascido admite


coautoria ou participação?
Sim, pois haveria comunicação da condição pessoal entre os participantes,
conforme previsto no art. 30 do CP.

Quais hipótese qualificam o crime de abando de recém nascido?


 

São as prevista nos §§ 1º e 2º do art. 134, quais sejam:


-   Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave (pena detenção, de 1 a 3
anos);
-   Se resulta morte (pena detenção, de 2 a 6 anos).

Veja o conduta descrita como crime de omissão de socorro: Art.


135- Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco
pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou
ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses
casos, o socorro da autoridade pública. Podemos afirmar que se trata de
crime omissivo próprio?

Sim, segundo Bitencourt, os crimes omissivos próprios ou puros consistem


numa desobediência a uma norma mandamental, norma esta que determina a
prática de uma conduta que não é realizada. Há, portanto, a omissão de um
dever de agir imposto normativamente, é a hipótese do crime em tela. 

Quando se dá a consumação do crime de omissão de socorro? 

Como os demais crimes omissivos, a consumação ocorre no momento da


abstenção do comportamento, independentemente da ocorrência de qualquer
resultado. Destaca-se contudo que a pena é aumentada de metade, se da
omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a
morte (§§ 1º e 2º do Art. 134 do CP).

Maria, ao encontrar, abandonado, na porta de sua residência, um recém-


nascido desconhecido, deixou de prestar-lhe assistência, quando podia
tê-lo feito sem risco pessoal. Além da vontade de omitir-se e consciente
da situação de perigo em que a vítima se encontrava, Maria sequer pediu
socorro à autoridade pública. Nessa situação Maria cometeu o crime de
omissão de socorro?
 

Correto. 

No crime de omissão de socorro, se A, podendo prestar socorro e não o


faz, mas pede imediatamente socorro à autoridade pública. Seria correto
dizer que nesta situação não houve a ocorrência do crime?

Errado, o sujeito somente está autorizado a buscar auxílio da autoridade


pública nas hipóteses em que não puder por si só pedir. Veja que a parte final
do dispositivo diz caso o indivíduo não possa prestar imediato socorro, sem
risco pessoal. 

O crime de omissão de socorro admite tentativa? 

Não, este crime é omissivo puro, daí ser inadmissível a tentativa. 


 

No crime de omissão de socorro (CP, art. 135), a pessoa que está


obrigada a prestar o socorro pode ser a mesma que tenha causado o
dano?

Não, o crime de omissão de socorro pode ser praticado por qualquer


pessoa, exceto pela pessoa que tenha dolosa ou culposamente criado a
situação de perigo para a vítima.
Se o dano foi causado de forma intencional, ocorrerá a subsunção da omissão
pelo crime de dano (homicídio ou lesão corporal), sendo a conduta culposa, a
omissão posterior ensejará a figura qualificada do homicídio, ou da lesão
corporal-culposa (art. 129, § 7º).
 
* Art. 121, §4º- No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço),
se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou
ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura
diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. 

A resistência da vítima em ser socorrida descaracteriza, exclui o crime de


omissão e socorro? 

Não, subsiste o crime, visto se tratar de bem jurídico indisponível (vida e


integridade física). Situação diversa ocorrerá se a resistência da vítima
impossibilitar a prestação de socorro. 

Se a vítima for idosa (maior que 60 anos) deverá incidir o crime do art. 135
ou o crime próprio previsto no art. 97 da Lei 10.741/ 03?
 

Pelo princípio da especialidade, incidirá o crime previsto no estatuto do idoso,


confira:
Art. 97. Deixar de prestar assistência ao idoso, quando possível fazê-lo sem
risco pessoal, em situação de iminente perigo, ou recusar, retardar ou dificultar
sua assistência à saúde, sem justa causa, ou não pedir, nesses casos, o
socorro de autoridade pública:
Pena - detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa.
 
Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão
corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.

A omissão de socorro classifica-se como crime omissivo próprio e


instantâneo? 

Correto.  

Imagine a seguinte situação: Os irmãos Caim e Abel, sem qualquer


acordo prévio, estão nadando em águas profundas. Abel, de repente,
acometido de câimbras, começa a afogar-se, Caim nada faz para ajudá-lo,
vindo Abel a falecer. Neste caso, Caim será responsabilizado pelo
resultado morte?
 
Errado. Caim deverá responder somente por omissão de socorro majorada,
confira a preciosa lição de Bitencourt.
Nestes crimes omissivos basta a abstenção; é suficiente a desobediência ao
dever de agir para que o delito se consume. O resultado que eventualmente
surgir dessa omissão será irrelevante para a consumação do crime, podendo
apenas configurar uma majorante, que alguns doutrinadores, sem primar pela
correção técnica, denominam, genericamente, como uma qualificadora.
Exemplo típico é o da omissão de socorro, quando o agente deixa de prestar
assistência nas condições previstas no art. 135: com a simples abstenção
consuma-se o crime de omissão de socorro. Pode acontecer, porém, que a
pessoa em perigo, à qual foi omitido socorro, venha a sofrer uma lesão
grave ou até morrer, concretizando uma consequência danosa, produzida
por um processo causal estranho ao agente, no qual se negou a interferir.
Nesse caso, o agente continua sendo responsabilizado por crime
omissivo próprio, isto é, pela simples omissão, pela mera inatividade. O
eventual resultado morte ou lesão grave, nessa hipótese, constituirá somente
uma majorante a ser considerada no momento da aplicação da pena. 

Restará caracterizado o crime de omissão de socorro se a vítima já


estiver falecido? 

Não, pois será hipótese de crime impossível pela impropriedade absoluta do


objeto (CP, art. 17), pois não há falar em socorro sem pessoa que precise ser
socorrida.
Observação:
O CTB prevê a configuração do crime de omissão de socorro pelo condutor de
veículo, ainda que se trate de vítima com morte instantânea ou com ferimentos
leves (parágrafo único do art. 304). Este também é o entendimento do STJ,
confira: Irrelevante o fato de a vítima ter falecido imediatamente, tendo em vista
que não cabe ao condutor do veículo, no instante do acidente, supor que a
gravidade das lesões resultou na morte para deixar de prestar o devido socorro
(STJ, AgRg no Ag 1140929/MG, j. 13-8-2009).

No crime de omissão de socorro é indispensável a presença da vítima no


local do fato?

A doutrina se divide sobre a possibilidade, confira:


1ª Corrente: A presença do sujeito ativo é indispensável, conclusão extraída
da natureza do delito (omisso). Adotada por Magalhães Noronha e Cezar
Roberto Bittencourt. É a corrente que predomina.
2ª Corrente: A presença do sujeito ativo é DISPENSÁVEL. Se tinha condições
de se deslocar ao local do perigo, haverá crime em caso de omissão. Aníbal
Bruno, Damásio e FCC adotam essa tese.
 
 

O Crime de maus tratos - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob


sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino,
tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados
indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado,
quer abusando de meios de correção ou disciplina- é crime próprio?
 
 

Sim, trata-se de crime próprio, pois somente pode ser praticado por quem
ostente a condição especial, qual seja, exercer a autoridade, guarda ou
vigilância, para fins de educação (atividade destinada a aperfeiçoar a
capacidade individual), ensino (ministrar conhecimentos visando a formação
básica cultural), tratamento (cura e subsistência) ou custódia (detenção de uma
pessoa para fim autorizado em lei). Consequentemente, somente será sujeito
passivo a pessoa que se encontre subordinada para tais fins (educação,
ensino, tratamento ou custódia). 

A relação entre marido e mulher faz incidir o crime de maus tratos?


 
 

A princípio não, pois não há nenhuma relação de autoridade, guarda ou


vigilância entre os cônjuges. 

O crime de maus tratos traz as seguintes figuras qualificadas:


Art. 135, § 1º Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena
reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§ 2º Se resulta a morte: Pena reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.
§ 3º Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa
menor de 14 (quatorze) anos.
Está correto dizer que a pena será aumentada de um terço se o crime for
cometido contra criança ou adolescente?
 
 

Não, essa afirmação não é correta, a lei fala em menor de 14 anos e não
adolescente.
Cabe aqui lembrar que adolescente é o menor que tem entre 12 e 18 anos.
Logo, nem sempre o crime de maus tratos praticado contra adolescente será
qualificado. 

Quando ocorre a consumação do crime de maus tratos? 

Ocorre com a efetiva exposição da vítima ao perigo, sendo absolutamente


irrelevante a ocorrência de qualquer resultado material.Cabe destacar que se
trata de perigo concreto, cuja ocorrência deve ser comprovada, sendo
inadmissível mera presunção.

O art. 137 prevê o crime de rixa (Art. 137. Participar de rixa, salvo para
separar os contendores) para a caracterização desta conduta, há a
necessidade mínima de quanto brigões?
 
 

São necessárias três pessoas.

Para a configuração do crime de rixa é exigido no mínimo três rixosos. Há


a necessidade de que todos sejam maiores? 

Não, basta que ao menos um seja. 


A rixa é crime de perigo concreto ou abstrato?

Trata-se de crime de perigo abstrato, pois a lei presume o perigo em razão do


entrevero.

O crime de rixa é de concurso necessário?


 
 

Sim, pois se caracteriza pela pluralidade de participantes, cujo número nunca


poderá ser inferior a três.

A conduta de exigir cheque-caução, nota promissória ou qualquer garantia,


bem como o preenchimento prévio de formulários administrativos, como
condição para o atendimento médico-hospitalar emergencial configura espécie
qualificada de omissão de socorro?

Errado, a conduta descrita tipificou o crime de Condicionamento de


atendimento médico-hospitalar emergencial, Art. 135-C (Incluído pela Lei nº
12.653, de 2012). 

O crime de condicionamento de atendimento médico-hospitalar emergencial


(art. 135-C) é um crime próprio. Quem pode ser o sujeito ativo desse crime? 

Os sujeitos ativos somente podem ser os administradores ou funcionários de


hospitais particulares. Na hipótese de o funcionário apenas cumprir ordens de
superior hierárquico responderá em concurso com este. 

O crime de condicionamento de atendimento médico-hospitalar emergencial é


um crime próprio que somente  podem ter como sujeitos ativos os
administradores ou funcionários de hospitais particulares. Se o
condicionamento de atendimento em hospital público o fato será atípico? 
Não, nessa hipótese o crime será de concussão (Art. 316 - Exigir, para si ou
para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de
assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida). 

Quem é o sujeito passivo do crime de condicionamento de atendimento


médico-hospitalar?

O sujeito passivo será a pessoa em situação de emergência. 

Como se consuma o crime de condicionamento de atendimento médico-


hospitalar?
 
 

Prevalece que se consuma com a exigência das garantias ou com a exigência


do preenchimento de formulários. 

O crime de condicionamento de atendimento médico-hospitalar é exemplo de


uma norma penal em branco?
 

Sim, pois a definição da situação de emergência está prevista na art. 35-C da


Lei 9.656/ 98 com a redação dada pela Lei 11.395/ 09, confira:
 
Art. 35-C. É obrigatória a cobertura do atendimento nos casos:
I - de emergência, como tal definidos os que implicarem risco imediato de
vida ou de lesões irreparáveis para o paciente, caracterizado em declaração
do médico assistente;
 
II - de urgência, assim entendidos os resultantes de acidentes pessoais ou de
complicações no processo gestacional;
Se o ato de condicionar o atendimento se der face a ocorrência de situação de
URGÊNCIA, a conduta será considerada crime?
 

Ainda não há jurisprudência sobre o tema, considerando-se que a lei é de


2012. Mas prevalece na doutrina que não, em obediência ao princípio da
legalidade.
No entanto, para Rogério Greco, deve-se fazer uma interpretação analógica,
abrangendo também as situações de urgência.

Segundo a doutrina, a honra é valor imaterial, insuscetível de apreciação,


valoração ou mensuração de qualquer natureza, inerente à própria dignidade e
personalidade humana.
Nesse sentido, quais são os crimes contra a honra definidos no Código Penal?
 

Previstos no Código Penal são três, quais sejam: 


- Calúnia; 
- Injúria; 
- Difamação.

A legislação extravagante traz outros crimes contra a honra?


 

Sim, inclusive, os previstos no CP têm natureza subsidiária e somente serão


aplicados se não houver a previsão de crimes contra a honra na legislação
especial. São as seguintes hipóteses: 
- Motivação Eleitoral (arts. 324 a 326 do Código Eleitoral); 
- Interesse Militar (arts. 214 e seguintes do CPM); 
- Se houver motivação política (art. 26 da Lei 7.170/ 83). 

A honra é um bem jurídico constitucionalmente protegido no art. 5º, X, da CF


(são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,
assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de
sua violação). De igual modo também é protegida pela Convenção Americana
sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica).
A par dessas informações, quais são as espécies de honra?
 

Segundo a doutrina, a honra pode ser: 


- Objetiva ou externa: é a que se refere à reputação do agenteperante a
sociedade, aquilo que as pessoas pensam a respeito do indivíduo no tocante
às suas qualidades físicas, intelectuais, morais etc.  
- Subjetiva ou interna: Refere-se ao sentimento de cada pessoa acerca de
seus atributos morais, intelectuais e físicos, ou seja, a sua dignidade e decoro.

Qual a natureza da ação penal nos crimes contra a honra?


 

Nestes crimes a natureza da ação penal, como regra geral, será deexclusiva


iniciativa privada (art. 145 do CP), no entanto será: 
- Condicionada a requisição do Ministro da Justiça se o crime for praticado
contra Presidente da República ou contra chefe de governo estrangeiro; 
- Pública condicionada à representação da vítima, concorrente com a
privada, se o crime for praticado contra funcionário público, em razão de
suas funções. 
- Pública condicionada à representação da vítima se a injúria consiste na
utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a
condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. 

Está correto dizer que os parlamentares são imunes aos crimes contra a
honra?
 

Sim, há expressa previsão constitucional prevendo a imunidade dos


parlamentares, confira:
Deputados e Senadores: Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis,
civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos;
Deputados Estaduais: Art. 27, § 1º. Será de quatro anos o mandato dos
Deputados Estaduais, aplicando- sê-lhes as regras desta Constituição sobre
sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de
mandato, licença, impedimentos e incorporação às Forças Armadas.
Vereadores  art. 29, VIII.  Inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões,
palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município;
Obs. No caso do vereador, o STF entende que a proteção constitucional
inscrita no art. 29, VIII, da Carta Política limita-se aos limites da
circunscrição territorial do Município, de forma que incide sobre atos do
Vereador praticados ratione officii, qualquer que tenha sido o local de sua
manifestação, desde que no âmbito do município. STF, HC 74201/MG, DJ 13-
12-1996.

Calúnia: Art. 138. Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido


como crime: Pena – detenção, de seis meses a dois anos, e multa. 
O crime de calúnia tem como objeto a honra objetiva ou subjetiva? 

O bem jurídico que tal crime visa proteger é a honra objetiva, pois atinge a
reputação da pessoas perante a sociedade.

Art. 138- Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
Da análise do dispositivo legal, quais são os requisitos para a configuração do
crime de calúnia? 

Os requisitos são os seguintes:


- Imputação de fato determinado qualificado como crime;
- Falsidade da imputação (o réu deve saber que a imputação é falsa);
- Elemento subjetivo animus caluniandi.
Somente se presentes os elementos acima descritos teremos o crime de
calúnia. 
Parte da doutrina faz menção à calúnia equívoca ou implícita, que é aquela
que não exige a afirmação categórica, direta acerca da imputação do fato, pois
também é possível caluniar alguém colocando em dúvida a sua autoria,
questionar a sua existência, supô-lo duvidoso ou até mesmo negar-lhe a
existência; essas também são formas de caluniar alguém, ainda que de forma
simulada ou até dissimulada, frases requintadas de habilidades retóricas, de
ironias equívocas ou antíteses afirmativas.

A calúnia consiste em imputar falsamente a alguém fato definido como crime


ou contravenção penal? 

Não, se a imputação falsa for de contravenção penal haverá difamação e não


calúnia. Somente haverá calúnia se a imputação falsa se referir a CRIME! 

Agindo dolosamente, Abel referiu-se a Caim, dizendo tratar-se de indivíduo que


exercia atividade contravencional como bicheiro.
No caos acima narrado Abel cometeu o crime de calúnia? 

Errado, para que seja calúnia o fato imputado deve ser tipificado como CRIME,
se for contravenção será o crime de difamação. 

Se a calúnia for irrogada em acalorada discussão, ainda assim restará


caracterizado o crime?
 
 

Segundo Bitencourt, não haverá calúnia se o fato for produto de incontinência


verbal decorrente de acirrada discussão, quando impropérios são proferidos
irrefletidamente e sem avaliação do conteúdo que encerram. 

Quando se consuma o crime de calúnia? 

Segundo a doutrina, consuma-se no instante em que TERCEIRO, que não o


ofendido, toma ciência da afirmação que macula a reputação. Tal
entendimento decorre da premissa de que o bem jurídico protegido por este
crime é a honra objetiva, ou seja, a reputação da vítima.
É imprescindível que várias pessoas tomem conhecimento da imputação
caluniosa para a consumação do crime?
 
 

Não, basta que somente outra pessoa (terceiro) tome conhecimento para que o
crime esteja consumado. Destaca-se ainda que é irrelevante se a vítima tomou
ou não ciência do fato.

Está correto afirmar que quem ouve imputação de fato criminoso a alguém,
sabidamente falso, e mesmo assim o leva a diante, não comete o crime de
calúnia, pois não foi quem criou as imputações.
 

Errado, segundo o §1º do artigo 138, incorre na mesma pena da calúnia


quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga.
 
 

Se o agente está convencido de que a imputação é verdadeira, e a divulga ou


propala, cometerá o crime de calúnia? 

Não, pois incorre em erro de tipo, por ignorar a elementar do tipo "falsamente". 

 Será punível a calúnia contra os mortos? 

Sim, conforme previsto no art. 138, §2º, É punível a calúnia contra os


mortos. 
Observe que, conforme preconiza a doutrina, os sujeitos passivos em hipótese
serão o cônjuge, o ascendente, o descendente ou o irmão do falecido.

 O morto pode ser sujeito passivo de calúnia?


 
Não, sei que você acertou, se não, preste atenção, no caso de calúnia contra
os mortos, os sujeitos passivos serão o cônjuge, o ascendente, o descendente
ou o irmão do falecido. 

De acordo com o Código Penal, será punível os crime contra a honra de


pessoa morta? 

Não, em relação aos mortos, o CP somente prevê a punição na hipótese de


crime de calúnia, não havendo previsão para os crimes de difamação e injúria. 

Se Caim, por ter caluniado Abel, e em decorrência deste fato se der


investigação policial ou processo judicial, estaria correto afirmar que Caim
deverá responder pela calúnia em concurso de crimes com denunciação
caluniosa? 
Denunciação caluniosa:
"Art. 339. Dar causa à instauração de investigação policial, de processo
judicial, instauração de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de
improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe
inocente:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa".
 

Errado, nesta hipótese, pelo princípio da subsunção, responderá somente


por denunciação caluniosa, sendo a calúnia absorvida por esta.
Jurisprudência: Calúnia e denunciação caluniosa: Se o agente der causa à
instauração de investigação policial, processo judicial, investigação
administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra
alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente, responderá pelo delito de
denunciação caluniosa (CP, art. 339), que atinge os interesses da
Administração da Justiça. Ademais, a calúnia só existe quando ocorre
imputação falsa de crime, ao passo que a denunciação caluniosa pode referir-
se a imputação falsa de crime ou de contravenção. Se tiverem como base os
mesmos fatos, a denunciação caluniosa absorve o crime de calúnia.
STJ: Direito Penal. Calúnia e denunciação caluniosa. Código Penal, arts. 138 e
339. uando fundadas no mesmo fato, como no caso, ‘calúnia e denunciação
caluniosa constituem impetração em que uma é excludente da outra’ (STF, HC
59.311, de 26-3-82, p. 2562). II Queixa rejeitada (STJ, APn 32/RS, Corte
Especial, Rel. Min. Antônio de Pádua Ribeiro, j. 9-4-1992, DJ 4-5-1992, p.
5838). 
 

 O CP prevê o instituto da EXCEÇÃO DA VERDADE para os crime decalúnia,


ressalvando três hipótese:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi
condenado por sentença irrecorrível;
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141*;
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por
sentença irrecorrível.
 Mas o que é a exceção da verdade? 

 * Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se


qualquer dos crimes é cometido:
        I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo
estrangeiro;
        II - contra funcionário público, em razão de suas funções;
        III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação
da calúnia, da difamação ou da injúria.
        IV – contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de
deficiência, exceto no caso de injúria. 

        Parágrafo único - Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de


recompensa, aplica-se a pena em dobro.
 
 

Exceção da verdade significa a possibilidade que tem o sujeito ativo de poder


provar que o fato criminoso que imputou é verdadeiro, haja vista que a calúnia
é, por definição, a imputação falsa, ou seja, é da essência da calúnia a
falsidade da acusação.

Qual a consequência da exceptio veritatis (exceção da verdade)? 

Exclui o próprio crime, pois provada pelo agente que a imputação que faz é
verdadeira, não se há que falar em calúnia. 
Para todos os crimes contra a honra será cabível a exceção da verdade? 

Não, em regra, a exceção da verdade será cabível na calúnia, ressalvadas


as hipóteses mencionadas no art. 138, §3º, confira:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi
condenado por sentença irrecorrível;
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141;
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por
sentença irrecorrível.
Excepcionalmente, caberá para o crime de difamação, se o ofendido for
funcionário público e a ofensa for relativa ao exercício das funções.

Segundo o Código Penal, a chamada exceção da verdade é admitida apenas


nas hipóteses de calúnia?

Errado, em regra será cabível para o crime de calúnia, excepcionalmente


caberá para o crime de difamação, desde que o ofendido seja funcionário
público e a ofensa seja relativa ao exercício de suas funções.
Jamais caberá para o crime de injúria! A exceção se refere a fatos, na
injúria, como será visto adiante, a conduta consiste em atribuir qualidade
negativa à pessoa. 

Difamação: Art. 139- Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua


reputação: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Quais as duas principais diferenças entre este crime e o crime de calúnia? 
 

Na difamação a conduta consiste em imputar fato não definido como crime.


Esse fato pode ser verdadeiro ou falso.
Por fim, oportuno destacar que ambos os crimes protegem a honra objetiva.  
Crime Calúnia Difamação
Conduta Imputar falsamente fato Imputar fato ofensivo à
definido como crime reputação (verdadeiro ou
falso)
(Bem Jurídico Protegido)  Honra Objetiva Honra Objetiva
 

Cabe exceção da verdade para o crime de difamação? 

Em regra, somente é cabível na hipótese de calúnia. Caberá entretanto, no


caso de difamação se o ofendido for funcionário público e a ofensa esteja
relacionada ao exercício de suas funções. (P. único do art. 139). 

Quem pode ser sujeito passivo da difamação?

Qualquer pessoa pode ser sujeito passivo desse crime, inclusive os


inimputáveis, desde que tenham capacidade suficiente para entender que
estão sendo ofendidos em sua honra pessoal.

Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro.


O crime de injúria ofende a honra objetiva ou subjetiva?
 

Ofende a honra subjetiva, ou seja, a dignidade ou o decoro. 

A injúria protege a honra subjetiva da vítima. Quanto ao elemento subjetivo, o


delito se consumará ainda que o agente tenha agido com simples animus
jocandi? 

Não, para a configuração do crime é exigido o animus injuriandi (intenção de


ofender, agredir), de forma que, se este for praticado, por exemplo,
com animus jocandi (fim de fazer gracejo) haverá a exclusão do crime. 

Quais as principais diferenças entre os crimes de calúnia, difamação e injúria? 


 
Crimes Conduta Honra Atingida
Imputar falsamente fato
Calúnia Objetiva
criminoso Crime
Imputar fato desonroso
Difamação Objetiva
(verdadeiro ou falso)
Emitir conceito negativo
Injúria Subjetiva
contra a vítima
 
 

O ordenamento reconhece que a pessoa jurídica tem honra objetiva (externa),


inclusive tendo o STJ editado súmula afirmando (Súmula - 227- A pessoa
Jurídica pode sofre dano moral).
Nesse sentido, podemos afirmar que a PJ sempre poderá ser sujeito passivo
de crimes contra a honra?

Vamos com calma. Por lhe faltar possuir honra subjetiva (interna) a PJ


jamais será sujeito passivo de crime de injúria. Veja o que diz Bitencourt
sobre a PJ e injúria: 
"Ainda predomina o entendimento segundo o qual a pessoa jurídica não possui
honra subjetiva e, por isso, não pode ser sujeito passivo do crime de injúria,
embora se admita que os titulares da pessoa jurídica podem ter a honra lesada,
nessas circunstâncias, passando à condição de vítimas do crime".
No entanto, calúnia e difamação não há consenso nem na doutrina nem na
jurisprudência.
Para o STF, a pessoa jurídica pode ser vítima de difamação, mas não de
injúria e calúnia. A imputação da prática de crime a pessoa jurídica gera a
legitimidade do sócio-gerente para a queixa-crime por calúnia (STF, RHC
83091/DF, DJ 26-9-2003). No mesmo sentido: STF, Pet-AgR 2491/BA, DJ 14-
6-2002). É a corrente majoritária.
Para uma segunda corrente, com base nos arts. 225, § 3º, e 173, § 5º, da
Constituição Federal, é possível que a PJ pratique crime,
consequentemente seja vítima de calúnia. Nesse sentido, o STJ passou a
admitir a responsabilidade penal das pessoas jurídicas nos crimes contra a
ordem econômica e financeira, economia popular e meio ambiente, estes
regulamentados pela Lei n. 9.065/98 (arts. 3º e 21 a 24). Pois, segundo o
Ministro Gilson DIPP, a responsabilidade penal desta, à evidência, não poderá
ser entendida na forma tradicional baseada na culpa, na responsabilidade
individual subjetiva, propugnada pela Escola Clássica, mas deve ser
entendida à luz de uma nova responsabilidade, classificada como
social (STJ, REsp 564960).

Será punível a injúria contra os mortos? 

Os mortos, ao contrário do que ocorre com o crime de calúnia, não podem


ser injuriados nem difamados.

Quando ocorre a consumação do crime de injúria?

O crime consuma-se no momento em que a VÍTIMA toma ciência da


imputação ofensiva. Diferentemente dos crimes de difamação e calúnia, para
consumar-se não é necessário que terceiros além da vítima tome
conhecimento da imputação ofensiva.

O crime de injúria admite exceção da verdade? 

Jamais a injúria admitirá exceção da verdade. A regra é que calúnia admita,


na difamação, somente quando praticada contra funcionário público em razão
do exercício de suas funções. Observe que a exceção da verdade se refere a
fatos, daí porque ser inadmissível no caso de injúria. 
Vítor Eduardo Rios Gonçalves ilustra bem a inadmissibilidade da exceção da
verdade relacionada ao crime de injúria,dizendo que seria absurdo, alguém
chamar outro de burro e querer provar a veracidade da imputação,
propondo testes de inteligência a ele.

A injúria sempre será cometida por um xingamento ou insulto verbal? 

Não, trata-se de crime de forma livre, que pode ser cometido de qualquer
forma, tais como: gestos, palavras, símbolos, atitudes, ou seja, pode ser
praticada por qualquer meio  idôneo para manifestar o pensamento.
 
No crime de injúria, em quais hipóteses poderá haver perdão judicial? 

Segundo o § 1º do art. 140, - O juiz pode deixar de aplicar a pena:


I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.  

O perdão judicial também será possível para os crimes de calúnia e


difamação? 

Não, relativamente aos crimes contra a honra, o Código Penal prevê a


possibilidade de o juiz deixar de aplicar a pena (perdão judicial) somente
para a injúria. 

O que se entende por injúria real? 

A injuria real é aquela caracterizada pelo emprego de violência ou vias de


fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, sejam considerados
aviltantes.
Sua previsão está no art. 140, §2º do CP, confira: 
§ 2º- Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza
ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes: Pena - detenção, de três
meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

O que diferencia a injúria real das lesões corporais leves? 

Na injuria real, a violência ou as vias de fato devem ser empregadas com o


nítido propósito de injuriar (animus injuriandi), ou seja, como meio
para humilhar a vítima. Nesse crime, a contravenção (vias de fato), se existir,
será naturalmente absorvida pela injúria real.
Por seu turno, nas lesões corporais, a intenção da vítima é lesionar a vítima.
Desta forma, ocorrendo injúria real e caracterizada a lesão, haverá concurso
formal de crimes. 
Segundo a doutrina, a violência os as vias de fato podem ser consideradas
aviltantes por duas formas:
1- Por sua própria natureza: p. ex., a bofetada, o corte ou puxão de barba, a
apalpação de certas partes do corpo sem fim libidinoso, o levantar as saias a
uma mulher ou rasgar-lhe as vestes, o cavalgar o ofendido, o pintar-lhe a cara
com piche, o virar-lhe o paletó pelo avesso);
2- Pelo meio empregado: p. ex., o bater em alguém com chicote ou rebenque,
ou dar-lhe palmatoadas, ou atirar-lhe excremento ou outra imundice etc.

Em que consiste a injúria preconceituosa? 

É a injúria que consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor,


etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora
dedeficiência. 

A injúria preconceituosa confunde-se com o crime de racismo? 

Não, não se confundem, na injúria preconceituosa o agente buscaofender a


vítima, por meio de agressão referente à raça, cor, etnia, religião, idade ou
deficiência física.
Já o crime de racismo, previstos na Lei 7.716/ 89, o objetivo do autor é
asegregação, discriminação, como por exemplo, a recusa em hospedar
alguém pela cor da pele. Veja uma hipótese de crime de racismo: 
Art. 3º- Impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a
qualquer cargo da Administração Direta ou Indireta, bem como das
concessionárias de serviços públicos.
Parágrafo único.  Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação
de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, obstar a promoção
funcional.  
Essa diferenciação é super importante, fique ligado!!

Quais são as causas que aumentam a pena nos crimes contra a honra? 

Segundo o Art. 141, as penas cominadas aos crimes contra a hora


serãoaumentas de um terço, se qualquer dos crimes é cometido:
I- contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;
II- contra funcionário público, em razão de suas funções;
III- na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da
calúnia, da difamação ou da injúria;
IV-  contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência,
exceto no caso de injúria (já há injúria qualificada).  
Atenção aqui!  O parágrafo único diz que se o crime for
cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena em
dobro. 

Para que incida a majorante prevista no art. 141, II, (presença de várias
pessoas) a doutrina e jurisprudência entendem que deve ser no mínimo três.
Neste cômputo entram os incapazes? 

Não, para a configuração da majorante será indispensável que as várias


pessoas possam ouvir, perceber, entender ou presenciar a manifestação
ofensiva. Assim, não integram o cômputo mínimo aquelas pessoas que, por
deficiência de sentidos, forem incapazes de testemunhar a ofensa, por
exemplo, o cego, o surdo, o louco, a criança inocente etc.

As penas cominadas aos delitos contra a honra serão aplicadas em dobro no


caso do crime cometido mediante promessa de recompensa? 
 

Exatamente, conforme previsão do art. 141, parágrafo único, confira: 


Se o crime for cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-se
a pena em dobro. 

Está correto afirmar que as penas cominadas aos crimes de calúnia, difamação
e injúria aumentam-se de um terço se qualquer dos crimes é cometido contra
pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência?
 

Cuidado! Cuidado! Muita atenção aqui, esta majorante genérica não incide


sobre a injúria, pois esta quando cometida contra idoso ou deficiente será
considerada forma qualificada pelo art. 140, § 3º, do Código Penal, com
pena elevada de 1 a 3 anos de reclusão.  Então fique esperto, somente incide
nos crimes de calúnia e injúria. 
Quais causas excluem os crimes de difamação e injúria ? 

As causas estão no art. 142 do CP, confira:


Art. 142. Não constituem injúria ou difamação punível:
I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu
procurador;
II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo
quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar;
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em
apreciação ou informação que preste no cumprimento de dever do ofício.
Parágrafo único. Nos casos dos incisos I e III, responde pela injúria ou pela
difamação quem lhe dá publicidade.
 

As causas de exclusão de crime contra a honra alcançam a calúnia? 

Não. Atenção aqui, as causas de exclusão incidem somente sobre os crimes


de difamação e injúria, a calúnia está fora! Mais uma vez, as causas de
exclusão não incidem sobre a calúnia. 

Constitui causa de exclusão especial a ofensa irrogada em juízo, na discussão


da causa, pela parte ou por seu procurador (Art. 142, I).
Face a tal informação pergunta-se:  Se a ofensa for irrogada no âmbito de
processo administrativo, incidirá a excludente? 

O STF já entendeu que sim, incide a exclusão, confira:


Na hipótese de as expressões tidas por ofensivas serem proferidas em
representação penal, na defesa de seu cliente e no exercício de sua
profissão, mesmo que em sede de procedimento administrativo, incide a
imunidade material do advogado (art. 7º, § 2º, da Lei n. 8.906/94) (STF, RHC
82033/AM, j. 29-10-2002).
Doutrina: Destaca ainda Bitencourt que a Lei nº 8.906/94, inegavelmente,
ampliou a imunidade do advogado, que, pelo Código Penal, limitava-se às
ofensas irrogadas em juízo. No entanto, a atividade postulatória é exercida em
todos os pleitos em que alguém precise ou queira fazer-se representar por
advogado, em juízo ou fora. Não se trata de inviolabilidade ilimitada; ao
contrário, o seu limite está contido na própria lei, qual seja, no exercício da
atividade profissional.

O Art. 143 do CP prevê o instituto da retratação, que constitui causa extintiva


da punibilidade (CP, art. 107, VI).
A retratação será possível em todos os crimes contra a honra?

Não, somente será possível para os crimes de calúnia e difamação, confira:


Art. 143. O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente
da calúnia ou da difamação, fica isento de pena.
Destaca a doutrina que em relação à injúria a retratação do agente não leva
à extinção da punibilidade, pois a lei não admite e também porque não há
imputação de fato, mas atribuição de qualidade negativa e atentatória à honra
subjetiva da vítima.

Segundo o artigo 143 do CP, O querelado que, antes da sentença, se retrata


cabalmente da calúnia ou da difamação, fica isento de pena.
Podemos afirmar que a retratação será incabível nos crimes de ação penal
pública condicionada à representação ou à requisição do Ministro da Justiça?

Sim, este é o entendimento do STF e STJ. O art. 143 emprega expressamente


o vocábulo querelado*; logo, a retratação é incabível na ação penal pública
condicionada à requisição ou representação (CP, art. 145, parágrafo único),
uma vez que, nessas hipóteses, há denúncia e não queixa. Nesse sentido:
STJ, RT 751/553 e STF, RT 590/449. 
* Querelado é aquele contra quem é ajuizado uma queixa crime. Lembre-se
que a queixa se refere a ação penal privada. 

O que se entente por retratação? 

Significa desdizer-se, retirar expressamente o que foi dito. Lembre-se de Raul


Seixas... Eu quero dizer agora o oposto do que disse antes... rs

A retratação depende da aceitação do ofendido? 


Não, trata-se de ato unilateral. 
Veja o interessante diferenciação entre a retratação e o perdão judicial, confira:
Trata-se de ato unilateral que independe de aceitação do ofendido. Não se
deve confundir a retratação com o perdão do ofendido, que é o ato pelo qual,
iniciada a ação penal privada, o ofendido ou seu representante legal desiste de
seu prosseguimento (CP, arts. 105 e 107, V), até porque o perdão é ato jurídico
bilateral, que depende da aceitação do ofendido para produzir efeitos. Trata-se
também de circunstância subjetiva incomunicável, de modo que a retratação
realizada por um dos coautores não se comunica aos demais. (Bitencourt.
Curso de Direito Penal, Vol. 2).  

O ato de retratação é comunicável aos demais réus no concurso de pessoas?

Não, trata-se de circunstância subjetiva incomunicável, de forma que realizada


por um dos coautores, não se comunica aos demais. 

Até que momento o réu pode apresentar a retratação? 

Deverá apresentar antes da sentença de 1ª instância.

A representação exige alguma forma especial?

Não, basta que seja por escrito seja e juntada aos autos, lembrando que deve
ser completa, cabal, abrangendo tudo o que o ofensor disse contra o
ofendido, e incondicional. Por fim, pode ser feita pelo próprio ofensor ou por
procurador com poderes especiais para tal fim.

 Em que hipóteses caberá pedido de explicação nos crimes contra a honra? 

Será cabível se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação


ou injúria. Desta forma, nos termos do art. 144 do CP, quem se julgar ofendido
pode pedir explicações em juízo. Ainda segundo o mencionado artigo, aquele
que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde
pela ofensa nas hipóteses previstas no art. 144 do CP. 
Nas palavras de Bitencourt, sempre que houver dúvida na manifestação de
alguém, quem se julgar ofendido pode pedir explicação em juízo, nos precisos
termos do art. 144. Quem se recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá
satisfatoriamente responde pela ofensa.

Constitui o crime de constrangimento ilegal:


Art. 146. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou
depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de
resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não
manda:
Pena detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.
O bem jurídico protegido pela norma é a liberdade individual ou pessoal
de autodeterminação.
Face ao exposto, pergunta-se, tal norma protege somente a liberdade
física ou a psíquica também?
 

Protege-se a autodeterminação, compreendendo a liberdade de pensamento,


de escolha, de vontade e de ação, ou seja, protege tanto a liberdade psíquica
quanto a física.

Ares, objetivando passear com a bicicleta de Ártemis, desfere contra esta


um soco. Ártemis cai, Ares pega a bicicleta e a utiliza durante todo o resto
do dia, devolvendo-a ao anoitecer. Além do crime de constrangimento
ilegal, Ares poderá responder por outro crime?

Sim, é possível que responda também por lesões corporais (leve, grave ou
gravíssima), pois, segundo o § 2º do art. 146, além da pena cominada ao crime
de constrangimento ilegal, aplicar-se-á correspondentes à violência.
Cabe aqui destacar que se trata de concurso formal, pois não há desígnios
autônomos de constranger e lesionar, no entanto, ainda assim haverá o cúmulo
material por expressa disposição legal.
 Há autores que entendem que se trata de concurso material porque a lei prevê
a aplicação do cúmulo material de penas. 

Quem pode ser sujeito ativo e sujeito passivo do crime de


constrangimento ilegal? 
Quanto ao sujeito ativo, trata-se de crime comum, que pode ser cometido por
qualquer pessoa. Sendo o agente funcionário público, a conduta pode
caracterizar o crime de violência arbitrária (Violência arbitrária - Art. 322 -
Praticar violência, no exercício de função ou a pretexto de exercê-la) ou
Exercício arbitrário ou abuso de poder (Art. 350 - Ordenar ou executar medida
privativa de liberdade individual, sem as formalidades legais ou com abuso de
poder).
 Quanto ao sujeito passivo, segundo Magalhães Noronha, pode ser qualquer
pessoa, desde que tenha consciência de que sua liberdade de querer está
sendo tolhida. 

Crianças de tenra idade e portadores de doença metal grave podem ser


vítimas do crime de constrangimento ilegal?

Não, justamente por não possuírem capacidade de discernimento. No entanto,


poderão figurar como objeto do crime quando o constrangimento recair sobre o
seu representante, que se verá obrigado a fazer algo em relação ao
representado. 

Se a conduta constrangedora ou vexatória for praticada contra criança ou


adolescente, sob autoridade, guarda ou vigilância do autor, haverá o
crime de constrangimento ilegal? 

Não, pois se o agente submeter criança ou adolescente, sob sua autoridade,


guarda ou vigilância, a vexame ou constrangimento, o crime será o previsto no
art. 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8.069/90).

O crime de constrangimento é de forma livre? 

Sim, pois pode ser cometido de várias formas, tais como:


-  Mediante violência (força física, real);
-  Grave ameaça (violência moral, intimidação, vis compulsiva);
 -  Qualquer outro meio (ingestão de álcool, drogas, hipnose etc.), reduzindo a
capacidade de resistência da vítima.

Quando restará consumado o crime de constrangimento ilegal? 

Consuma-se no momento em que a vítima faz ou deixa de fazer alguma


coisa, de forma que se trata de crime material. 

Será possível tentativa no crime de constrangimento ilegal? 

Sim, haverá tentativa acaso o ofendido não se submeta à vontade do agente,


apesar da violência, grave ameaça efetivamente realizada. 

Quais causas aumentam a pena do crime de constrangimento ilegal? 

A pena será majorada se houver utilização de armas ou se reunirem mais de


três pessoas para a execução do crime (art. 146, §1º).

O simples fato do agente portar arma já será capaz para majorar a pena


do delito de constrangimento ilegal? 

Não, segundo Bitencourt, somente haverá incidência da majorante se as armas


forem efetivamente empregadas na execução do crime, para o autor, emprego
significa uso real, efetivo, concreto.

Quais causas excluem a tipicidade do constrangimento ilegal?


 

Conforme o § 3º art. 146 do CP, excluem a tipicidade do crime de


constrangimento ilegal:
I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de
seu representante legal, se justificada por iminente perigo de vida;
II - a coação exercida para impedir suicídio.

O crime de ameaça se constitui em ameaçar alguém, por palavra, escrito ou


gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave (Art.
147).
 Já o crime de constrangimento ilegal, consiste na conduta de constranger
alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido,
por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei
permite, ou a fazer o que ela não manda.
O que essencialmente diferencia um crime do outro? 

Constrangimento Ilegal Ameaça


A ameaça é utilizada como meio de
submeter a vontade da vítima à A finalidade do agente é direcionada à
vontade do ofendido para atingir outro própria intimidação e violação da
fim, representado pelo fazer ou não tranquilidade e paz do ofendido.
fazer.
o sujeito ativo objetiva determinada O objetivo é somente amedrontar,
conduta da vítima, positiva ou negativa. apavorar.
 
 

Qualquer pessoa pode ser autor do crime de ameaça? 

Sim, no entanto, se o autor for funcionário público, o crime será de abuso de


autoridade (art. 3º da Lei n. 4.898/65). 
Quando restará consumado o crime de ameaça?
 

Por ser um crime formal, restará consumado no momento em que a vítima


toma conhecimento da ameaça, independentemente de sentir-se ameaçada
e de vir a ser concretizado o mal prenunciado.

No crime de ameaça, os meios que a lei enumera para anúncio do mal injusto
intimidativo não abrangem as formas mímica e simbólica, mas só a oral e a
escrita. (TRT-2/ Juiz/ 2011) 

Errado, segundo o art. 147 do CP, constitui o crime de ameaça ameaçar


alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de
causar-lhe mal injusto e grave.  (Art. 147).

Qual a natureza da ação pena prevista para o crime de ameaça? 

A ação pública condicionada à representação do ofendido. 

Constitui o crime de sequestro e cárcere privado:


Privar alguém de sua liberdade, mediante sequestro ou cárcere privado (Art.
148).
Neste crime, o consentimento da vítima exclui o crime?
Prevalece em doutrina que o consentimento da vítima, desde que validamente
manifestado, exclui o crime. Segundo Bitencourt, o consentimento do titular de
um bem jurídico disponível afasta a contrariedade à norma jurídica, ainda que
eventualmente a conduta consentida se adeque a um modelo abstrato de
proibição. Nesse caso, o consentimento opera como causa justificante
supralegal, afastando a proibição da conduta. 

 Quando se consuma o crime de sequestro e cárcere privado? 

A consumação ocorre no momento em que a vítima é privada de sua


liberdade de locomoção, bastando somente que tenha certa duração.

A criança ou adolescente o adolescente podem ser sujeitos passivos do


crime de sequestro? 

Não, sendo os sujeitos passivos criança ou adolescentes, poderá ocorrer um


sequestro sui generis, disciplinado no Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA), em seus arts. 230, 234 e 235 (Lei n. 8.069/90).
Art. 230. Privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua
apreensão sem estar em flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem
escrita da autoridade judiciária competente:
Art. 234. Deixar a autoridade competente, sem justa causa, de ordenar a
imediata liberação de criança ou adolescente, tão logo tenha conhecimento da
ilegalidade da apreensão.
 
Art. 235. Descumprir, injustificadamente, prazo fixado nesta Lei em benefício
de adolescente privado de liberdade:

O crime de extorsão mediante seqüestro (Art. 159 - Sequestrar pessoa


com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como
condição ou preço do resgate) absorverá o crime de sequestro?
 

 
Exatamente, o sequestro do art. 147 é um crime subsidiário em relação à
extorsão mediante sequestro (art. 159) haja vista que este crime contra o
patrimônio utiliza como meio o sequestro. 

Em quais hipóteses o crime de sequestro será qualificado?

Será qualificado, cuja pena será de reclusão de 2 a 5 anos, nas seguintes


situações (art. 148,§1º):
I se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro do agente
ou maior de 60 (sessenta) anos;
II - se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou
hospital;
III - se a privação da liberdade dura mais de quinze dias;
IV se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos;  
V se o crime é pratica praticado com fins libidinosos.

O crime de redução a condição análoga à de escravo (art. 142) consiste


em: Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o
a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a
condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio,
sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou
preposto: Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena
correspondente à violência.
Diante da análise do crime supracitado, e considerando que a maioria da
doutrina considera a liberdade como um bem jurídico disponível, é
correto sustentar que o consentimento do ofendido exclui o crime?

Não, diferentemente do que ocorre em relação ao crime de sequestro, a


indisponibilidade no crime de redução à condição análoga à de escravo, não se
refere propriamente à liberdade, mas ao status libertatis em sentido amplo, que
abrange aqueles valores dignidade, amor próprio. 

Quando se consuma o crime de redução à análoga à de escravo? 

Por ser crime material, a consumação se dá no momento em que o sujeito


reduz a vítima a condição análoga à de escravo. Destacando que, por se tratar
de crime permanente será possível o flagrante enquanto durar a conduta. 
Quais são as formas equiparadas ao crime de redução à condição
análoga à de escravo? 

São as previstas no §1º do art. 149, que estabelece, incorre na mesma pena
quem:
o   cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com
o fim de retê-lo no local de trabalho;
 
o    mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de
documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local
de trabalho.

Quais as causas que majoram a pena do crime de redução a condição


análoga à de escravo? 

Segundo o §2º do art. 149, a pena será aumentada de metade, se o crime for
cometido: I contra criança ou adolescente; II por motivo de preconceito de raça,
cor, etnia, religião ou origem.

Constitui o crime de violação de domicílio (Art. 150) a conduta de entrar ou


permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou
tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências. Qual o
fundamento constitucional de tal crime?
 

O fundamento é a inviolabilidade do domicílio, previsto no artigo V, XI da CF, in


verbis: A casa é o asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar
sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre,
ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial.

Constitui o crime de violação de domicílio (Art. 150) a conduta de entrar


ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade
expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas
dependências. Para a configuração deste crime, o que deve ser
considerado casa? 
 

A resposta é encontrada no §4º do art. 150, confira:


§ 4º - A expressão "casa" compreende:
I - qualquer compartimento habitado;
II - aposento ocupado de habitação coletiva;
III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou
atividade.
Cabe destacar que a lei também define o que não compreende casa: 5º - Não
se compreendem na expressão "casa":
I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto
aberta, salvo a restrição do n.º II do parágrafo anterior;
 
II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero.

Podemos afirmar que não caracteriza o crime de violação de domicílio a


entrada clandestina em uma barraca de camping que seja habitada por
uma família por alguns dias visto que seus habitantes não a ocupam em
caráter permanente? 
 

Não, pois a lei não exige que a ocupação seja em caráter permanente, basta
que o compartimento seja habitado.  

Constitui crime de violação de domicílio a entrada clandestina em


compartimento habitado de hotel?
Sim, é uma hipótese de compartimento habitado protegido pela norma.
 

(MP/ Promotor-SP/ 2010) Constitui crime de violação de domicílio a entrada


em aposento ocupado de habitação coletiva, pertencente a terceiro, contra a
vontade expressa ou tácita de quem de direito.
 
Gabarito: Correto.
Está correto dizer que o crime de violação de domicílio é essencialmente
subsidiário?
 
 

Sim, pois sempre que sempre que a violação de domicílio for meio para
executar crime mais grave, restará absorvida pelo crime-fim, como nas
hipóteses em que ingressar em casa alheia para cometimento de crime contra
o patrimônio, contra a dignidade sexual, contra a vida etc.
Destaca Capez que, sendo o crime menos grave, Se o crime-fim for menos
grave, por exemplo, no caso de contravenção penal, o agente responderá
apenas pelo crime do art. 150.

Qual o momento consumativo do crime de violação de domicílio?


 

Depende da modalidade, será de mera conduta quando o agente adentra a


residência alheira, na modalidade permanecer, será crime permanente. Cabe
chamar a atenção que a permanência no imóvel requer certa duração, sendo
insuficiente um mero momento hesitação do agente.

Quais são as causas que aumentam a pena do crime de violação de


domicílio?
 

Segundo o art. 150,§ 2º, aumenta-se a pena de um terço, se o fato é


cometido: Por funcionário público, fora dos casos legais, ou com
inobservância das formalidades estabelecidas em lei, ou com abuso do poder.

Quais circunstâncias qualificam o crime de violação de domicílio?


 

Segundo o § 1º do art. 150 são as seguintes:


-  - Se o crime é cometido durante a noite;
-  - Se o crime é cometido lugar ermo;
-  - Se o crime é cometido ou com o emprego de violência ou de arma;
 
-   - Se o crime é cometido ou por duas ou mais pessoas:

Quais situações excluem o crime de violação de domicílio?


 

Segundo o art. 150, 3º - Não constitui crime a entrada ou permanência em casa


alheia ou em suas dependências:
-  durante o dia, com observância das formalidades legais, para efetuar prisão
ou outra diligência;
-  a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali
praticado ou na iminência de o ser.
Cabe aqui lembrar outras hipóteses trazidas pela CF, confira:
 
Art. 5º, XI- A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo
penetrar sem o consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito
ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação
judicial.

O crime de violação de correspondência (art. 151 do CP) foi revogado pela


Lei 6.538/78, que dispõe sobre os crimes contra o serviço postal e o
serviço de telegrama.
 

Revogação: O art. 151, caput, do CP, que trata do crime de violação de


correspondência, foi tacitamente revogado pelo art. 40 da Lei n. 6.538/78
(dispõe sobre os crimes contra o serviço postal e o serviço de telegrama).
Atenção. Na imensa maioria das vezes os editais não cobram tal
conhecimento. 

O Crime de correspondência comercial (art. 152 do CP), consistente em


abusar da condição de sócio ou empregado de estabelecimento comercial
ou industrial para, no todo ou em parte, desviar, sonegar, subtrair ou
suprimir correspondência, ou revelar a estranho seu conteúdo é um crime
próprio?
 

Sim, pois somente pode ser praticado pelo sócio ou empregado de


estabelecimento comercial ou industrial remetente ou destinatário.

O crime de divulgação de segredo (Art. 153 do CP), consistente em


divulgar alguém, sem justa causa, conteúdo de documento particular ou
de correspondência confidencial, de que é destinatário ou detentor, e cuja
divulgação possa produzir dano a outrem é hipótese de crime próprio?
 

Sim, pois somente pode ter como sujeito ativo o destinatário do documento
particular ou da correspondência confidencial, assim como o detentor da
correspondência.

Quando se consuma o crime de divulgação de segredo?


 

A consumação ocorre com a divulgação do segredo a um número


indeterminado de pessoas, independentemente da produção de dano a outrem,
pois basta a potencialidade lesiva, haja vista se tratar de crime formal.

O crime de violação do segredo profissional (Art. 154), consistente em


revelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de
função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir
dano a outrem, é crime próprio?

Sim, pois somente a pessoa que tiver conhecimento de um segredo em razão


do exercício de função, ministério, ofício ou profissão pode cometer esse
crime. 

Constitui o crime de furto subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel
(Art. 155 do CP).
Da análise do tipo penal, quem pode ser o sujeito ativo do crime de furto?

O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, exceto o proprietário, mesmo que


este aja em relação ao possuidor, pois faltará à coisa a elementar normativa
“alheia”, já que é impossível furtar “coisa própria”.  
A conduta do proprietário poderá se adequar ao crime de exercício arbitrário
das próprias razões do art. 346 "Tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa
própria, que se acha em poder de terceiro por determinação judicial ou
convenção). 

O furto famélico (praticado em extrema penúria para saciara  fome) constitu


hipótese de estado de necessidade?

Sim, no furto famélico não haverá crime em razão da presença da exclusão da


ilicitude pelo estado de necessidade (CP, art. 24, caput), pois há o sacrifício de
um bem de menor valor (patrimônio) para salvaguardar um bem de maior valor
(vida humana). 

Qual o elemento subjetivo do crime de furto? 

É o dolo, isto é, a vontade livre e consciente de efetuar a subtração somada à


finalidade específica de assenhoramento definitivo, consubstanciado na
expressão “para si ou para outrem”.

Quem pode ser o sujeito passivo do crime de furto?


 

Podem ser sujeitos passivos: 


- O proprietário;
- O possuidor;  
- O Eventualmente, até mesmo o detentor da coisa alheia móvel, desde que
tenha algum interesse legítimo sobre a coisa subtraída.
A res nullius – é a coisa sem dono;
A res derelicta – é coisa abandonada;
A res deperdita – é a coisa perdida.
Tais coisas podem ser objetos de furto?

Não, é elemento normativo do tipo que a coisa móvel seja alheia. Lembrando


que o apoderamento por terceiro de res deperdita (coisa perdida) poderá
constituir o crime de apropriação de coisa achada (CP, art. 169, parágrafo
único, II). 

Segundo a doutrina, coisa, para fins penais, é tudo que possa constituir objeto
da ação física de subtrair, isto é, coisa corpórea passível de ser deslocada,
removida, apreendida ou transportada de um lugar para outro.
A intangibilidade da coisa (impossibilidade de tocar) afasta o crime de furto?

Não, a intangibilidade da coisa não afasta o crime, considerando que o próprio


CP enumera a energia elétrica (infungível) e qualquer outra que tenha valor
econômico, como "objeto" passível de furto (Art. 155, §3º). 

Se o agente “furtar” o bem apenas para seu uso transitório e depois devolvê-lo
no mesmo estado e local em que se encontrava, restará configurado o crime?

Não, o "furto de uso" é atípico, ou seja, não é crime.


Segundo a doutrina, o furto de uso se caracteriza pela ausência do fim de
assenhoreamento definitivo, de forma que a apropriação no furto de uso
resume-se em exercer sobre a coisa atos de apoderamento temporário. 

Observe os seguintes crimes:


Violação de Domicílio: Art. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou
astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito, em
casa alheia ou em suas dependências: Pena - detenção, de um a três meses,
ou multa.
Dano: Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia: Pena - detenção,
de um a seis meses, ou multa.
O crime de furto absorve condutas descritas nos crimes acima indicados?
Sim, o princípio da consunção (ou absorção), incidirá quando entre duas
normas houver uma que se constitui em ato preparatório, meio necessário, fase
da execução ou mero exaurimento de outro fato descrito por norma mais
ampla.

Constitui furto a subtração de folhas de cheque ou cartão de crédito?

O STF já decidiu que a subtração de folhas de cheques em branco não


caracteriza crime de furto, diante da insignificância do valor econômico.
Quanto ao cartão de crédito, prevalece que não há crime de furto, em
decorrência do princípio da insignificância, haja vista que a mera comunicação
do fato à administradora que o cartão estará bloqueado. 

Constitui o crime de furto subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia


móvel (Art. 155 do CP).
Para a caracterização do furto, a mencionada coisa alheia móvel precisa ter
valor econônico?

 Prevalece que sim, no entanto, a questão está longe de ser pacificada, veja o
que diz a doutrina:
- 1ª Corrente: Para Heleno Fragoso, não pode existir crime patrimonial se não
houver lesão a interesse jurídico apreciável economicamente. Também é a
posição de Capez e Nucci.
- 2ª Corrente: Já para Nélson Hungria, reconhecendo que, embora a nota
predominante do elemento patrimonial seja seu caráter econômico, deve-se
advertir que, “por extensão, também se dizem patrimoniais aquelas coisas que,
embora sem valor venal, representam uma utilidade, ainda que simplesmente
moral”.
Cabe aqui ressaltar que no HC 107.615-2011 o STF denegou ordem no caso
do furto do disco de ouro de Milton Nascimento, dentre outros argumentos, o
de que o caso envolve valor imaterial, adotando assim a primeira corrente. 

É correto afirmar que ladrão que rouba ladrão não comete o crime de furto, já
que o possuidor não tem a posse legítima? 
Errado, haverá o crime de furto, no entanto, o sujeito passivo será o possuidor
original e não o ladrão que primeiro roubou.  

Quanto à consumação do crime de furto, há basicamente quatro teorias,


quais sejam:
- Contrectatio (tocar): Consuma-se quando o agente toca a coisa, põe a mão
na res furtiva;
-Amotio ou apprehensio (remover/ apreensão): consuma-se quando o agente
desloca/ remove a coisa, mesmo que esta ainda não tenha saído da esfera de
vigilância da vítima;
-Ablatio (tirar): Há a consumação com o afastamento da esfera de vigilância do
sujeito passivo;
-Ilatio (transporte) consuma-se quando além de retirada da esfera de proteção
da vítima a coisa esteja em posse tranquila, ainda que momentânea.
Qual a teoria adotada pelo Código Penal?

Para o STF e o STJ, consuma-se o furto no momento em que o agenteobtém


a posse da coisa, sendo desnecessária que esta seja pacífica. Nesse sentido,
podemos afirmar que e teoria adotada no Brasil
é amotio ou apprehensio (remover/ apreensão), pois restará consumado o
crime no momento em que o agente desloca/ remove ainda que não tenha
saído da esfera de vigilância da vítima. Confira o que decidiu o STF no HC
92.922-RS:
“É firme a jurisprudência deste Supremo Tribunal no sentido de que, para
a consumação do crime de furto, basta a verificação de que, cessada a
clandestinidade ou a violência, o agente tenha tido a posse do objeto do
delito, ainda que retomado, em seguida, pela perseguição imediata”. No
mesmo sentido o STJ (AgRg no REsp. 1.245.318):
“O tipo penal classificado como furto consuma-se no momento, ainda que
breve, no qual o agente se torna possuidor da res, não se mostrando
necessária a posse tranquila”.

 O crime de furto admite tentativa? 

Sim, é perfeitamente possível, e com base na teoria da amotio, adotada pelo


STF e STJ, estará caracterizada a tentativa quando o agente não consegue,
por circunstâncias alheias á sua vontade, obter a posse da coisa, ainda que
momentaneamente. 
A presença de sistema eletrônico de vigilância em estabelecimento comercial
torna crime impossível a tentativa de furto por absoluta ineficácia do meio? 

A doutrina amplamente majoritária entende no sentido de que há crime de


tentativa de furto. Em posição de divergência, Nucci entende que "Se um
indivíduo é vigiado num supermercado o tempo todo por seguranças e câmeras
internas, de modo a tornar, naquela situação concreta, impossível a
consumação do delito de furto, trata-se da hipótese do art. 17. Mas se a
vigilância for falha ou incompleta, cremos ser cabível falar em tentativa". 
Na jurisprudência predomina o entendimento da maioria da doutrina, admitindo
a tentativa, no entanto, há alguns julgados em sentido oposto, reconhecendo o
crime impossível.
STF: “Havendo possibilidade, ainda que remota, de burlar a vigilância exercida
sobre a coisa e, por conseguinte, de ofender o bem jurídico tutelado pela
norma penal, não se configura o crime impossível. Precedentes” (HC
107.577/MG, 1.ª T., rel. Cármen Lúcia, 10.05.2012, m.v.);
STJ: “A vigilância exercida no interior de estabelecimento comercial, seja por
seguranças seja pela existência de circuito interno de monitoramento não
afasta, de forma peremptória, a potencialidade lesiva de condutas que visem à
subtração ou dano do patrimônio de estabelecimentos com esta característica.
Precedentes” (REsp 1.306.229-RS, 5.ª T., rel. Gilson Dipp, 17.05.2012, v.u.). 
Para fins de provas objetivas, é mais prudente seguir o entendimento dos
tribunais e da maioria da doutrina.

Em que hipótese será majorado o crime de furto? 

Segundo o § 1º do art. 155, a pena aumenta-se de um terço, se o crime


é praticado durante o repouso noturno.
Fique esperto, NÃO SE TRATA DE QUALIFICADORA!

 Aplica-se a majorante do furto noturno nas hipóteses de furto qualificado? 

Muita atenção aqui pessoal. Até recentemente, predominava amplamente o


entendimento da não incidência. No entanto, com o julgamento do HC 306.450-
SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 4/12/2014, o STJ
passou a entender que a causa de aumento de pena prevista no § 1° do art.
155 do CP (repouso noturno) é aplicável tanto na forma simples (caput) quanto
na forma qualificada (§ 4°) do delito de furto. Segundo o mencionado julgado,
não existe nenhuma incompatibilidade entre a majorante prevista no § 1° e as
qualificadoras do § 4º, ao argumento de que são circunstâncias diversas, que
incidem em momentos diferentes da aplicação da pena.
Por fim, também recentemente o STJ considerou que o § 2º do art. 155 poderia
ser aplicado não apenas para o caput, mas também as hipóteses do § 4º do
art. 155 (EREsp 842.425-RS). Isso significa que a posição topográfica do § 1º
(vem antes do § 4º) não é fator que impede a sua aplicação para as situações
de furto qualificado (§ 4º).

O repouso noturno que majora a pena no furto se confunde com o conceito de


noite?

Segundo a doutrina não, pois a expressão durante o repouso noturno não se


refere ao período posterior ao pôr do sol, mas ao período de recolhimento,
aquele em que a população deve dormir. Para Bitencourt, essa circunstância,
de natureza puramente sociológica, deve ser analisada, casuisticamente,
considerando os hábitos e costumes da localidade onde o fato ocorreu.

Para que a majorante referente ao repouso noturno seja aplicada há a


necessidade de que a casa esteja desabitada?

Segundo julgou o STJ, é irrelevante que a casa esteja habitada, confira:


“Para a incidência da causa especial de aumento prevista no §1º do art. 155 do
Código Penal, é suficiente que a infração ocorra durante o repouso noturno,
período de maior vulnerabilidade para as residências, lojas e veículos.  É
irrelevante o fato de se tratar de estabelecimento comercial ou de
residência, habitada ou desabitada, bem como o fato de a vitima estar, ou
não, efetivamente repousando. Ordem denegada”. (HC 29.153/MS, Ministro
Gilson Dipp, DJ de 3.11.03).

Quais os requisitos que tornam o furto privilegiado (art. 155, §2º)?

-Primariedade do agente (Primário é todo aquele que não é reincidente); 


            +
-Pequeno valor da coisa subtraída. 
 Lembrando que a presença de maus antecedentes não impede a aplicação
dessa causa de diminuição de pena.

 O que se entende por pequeno valor da coisa para fins de furto privilegiado?

Segundo a jurisprudência, considera-se pequeno valor a coisa subtraída


que não alcança o valor correspondente a um salário mínimo vigente à
época do fato.

As expressões coisa de pequeno valor e de valor ínfimo são sinônimas?

Não, as expressões não se confundem. A coisa de pequeno valor é aquela


avaliada em até um salário mínimo, ao passo que valor ínfimo se refere a valor
insignificante, apto a fazer incidir o princípio da insignificância. 

Qual será o efeito do reconhecimento do furto privilegiado? 

Os efeitos serão os seguintes: 


- Substituição da pena de reclusão por detenção; 
- Diminuição da pena privativa de liberdade de um a dois terços; 
- Aplicação somente a pena de multa.

 Será possível a ocorrência do furto privilegiado-qualificado?

Atualmente STF e STJ pacificaram o entendimento admitindo a possibilidade,


desde que a qualificadora seja de ordem objetiva.  Confira o julgado do STJ:
1. O Superior Tribunal de Justiça, acompanhando a jurisprudência do Supremo
Tribunal Federal, pacificou entendimento no sentido de serpossível o
reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 155 do Código Penal
nos casos de furto qualificado (CP, art. 155, § 4º).
2. Registre-se que o único requisito exigido para aplicação do benefício é que
as qualificadoras sejam de ordem objetiva, como no caso  de concurso de
agentes , e que o fato delituoso não seja de maior gravidade.
3. Desse modo, sendo o réu primário e de pequeno valor a res furtiva, não há
óbice à concessão do referido privilégio na hipótese de furto qualificado pelo
concurso de agentes. (EREsp 842.425/RS, DJe 02/09/2011).

Para fins de caracterização do crime de furto, o que se entende por coisa


móvel por equiparação?

Segundo o §3º do art. 155 do CP, coisa móvel por equiparação é a energia
elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico.  

A conduta de realizar ligação clandestina de TV à cabo pode ser entendida


como furto de energia elétrica?

Segundo o STF não, ao argumento de que o objeto do aludido crime não seria
“energia” e ressaltou-se a inadmissibilidade da analogia in malam partem em
Direito Penal, razão pela qual a conduta não poderia ser considerada
penalmente típica. HC 97261/RS, 12.4.2011.
É o mesmo entendimento que prevalece na doutrina, como podemos ver na
clara explanação de Bitencourt: 
Certamente, “sinal de TV a cabo” não é energia elétrica; deve-se examinar, por
conseguinte, seu enquadramento na expressão genérica “qualquer outra”
contida no dispositivo em exame. A locução “qualquer outra” refere-se, por
certo, a “energia” que, apenas por razões linguísticas, ficou implícita na
redação do texto legal; mas, apesar de sua multiplicidade, energia solar,
térmica, luminosa, sonora, mecânica, atômica, genética, entre outras,
inegavelmente“sinal de TV” não é nem se equipara a “energia”, seja de
que natureza for. Na verdade, energia se consome, se esgota, diminui, e
pode, inclusive, terminar, ao passo que “sinal de televisão” não se gasta, não
diminui; mesmo que metade do País acesse o sinal ao mesmo tempo, ele não
diminui, ao passo que, se fosse a energia elétrica, entraria em colapso.
Não se pode adotar interpretação extensiva para sustentar que o § 3º
equiparou a coisa móvel “a energia elétrica ou qualquer outra coisa”, quando
na verdade se refere a “qualquer outra energia”. Se a pretensão do legislador
fosse essa, equiparar coisa móvel a coisa que tenha valor econômico, poderia
ter utilizado uma forma mais clara, por exemplo: “equipara-se à coisa móvel
qualquer outra que tenha valor econômico". 

 Quais são as hipóteses que qualificam o crime de furto?


O furto qualificado está previsto no art. 155, § 4º, cuja pena será de reclusão de
dois a oito anos, e multa. São as seguintes hipóteses:
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
III - com emprego de chave falsa;
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.
Por fim, há a hipótese de furto de veículo automotor que venha a ser
transportado pra outro Estado ou exterior. (art. 155, § 5º - A pena é de reclusão
de três a oito anos, se a subtração for de veículo automotor que venha a ser
transportado para outro Estado ou para o exterior).

André, visando subtrair bens deixados no interior de um veículo automotor


estacionado em frente a sua residência, durante a madrugada, arrombou um
vidro lateral do automóvel, nele ingressou e subtraiu objetos de seu interior.
Tendo encontrado a chave reserva no interior do veículo, André levou o carro.
A conduta de André ajusta-se ao delito de furto de veículo automotor
qualificado pela prática durante o repouso noturno? (CESPE/ Defensor-RR/
2013 - Adaptada)

 Correto, fique esperto, até recentemente, predominava amplamente o


entendimento da não incidência. No entanto, com o julgamento do HC 306.450-
SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 4/12/2014, o STJ
passou a entender que a causa de aumento de pena prevista no § 1° do art.
155 do CP (repouso noturno) é aplicável tanto na forma simples (caput) quanto
na forma qualificada (§ 4°) do delito de furto. Segundo o mencionado julgado,
não existe nenhuma incompatibilidade entre a majorante prevista no § 1° e as
qualificadoras do § 4º, ao argumento de que são circunstâncias diversas, que
incidem em momentos diferentes da aplicação da pena. Por fim, também
recentemente o STJ considerou que o § 2º do art. 155 poderia ser aplicado não
apenas para o caput, mas também as hipóteses do § 4º do art. 155 (EREsp
842.425-RS). Isso significa que a posição topográfica do § 1º (vem antes do §
4º) não é fator que impede a sua aplicação para as situações de furto
qualificado (§ 4º).

André, visando subtrair bens deixados no interior de um veículo automotor


estacionado em frente a sua residência, durante a madrugada, arrombou um
vidro lateral do automóvel, nele ingressou e subtraiu objetos de seu interior.
Tendo encontrado a chave reserva no interior do veículo, André levou o carro.
Deverá responder por furto qualificado pelo rompimento de obstáculo - vidro
lateral - à subtração da coisa? (CESPE/ Defensor-RR/ 2013 - Adaptada)
Errado, trata-se de furto simples o rompimento do obstáculo em relação ao
furto de veículo automotor, por este modo ser inerente a tal crime. Cabe
destacar que a jurisprudência tende também a considerar simples o furto
quando o rompimento se dá para subtração do som automotor, ao argumento
de que seria ilógico considera-lo qualificado e simples para a hipótese em que
o rompimento ocorre para a subtração do próprio carro (AgRG Resp. 922.395,
j. 03/02/2011). 

O furto cometido no decorrer de relação empregatícia, por si só, torna o crime


qualificado por abuso de confiança?

Não, para que incida a qualificadora na relação empregatícia, deve-se


comprovar o vínculo especial de confiança e lealdade entre o empregador e o
empregado. 

O furto qualificado por fraude é aquele em que o agente utiliza o ardil, meio
fraudulento ou o engodo para burlar a vigilância da vítima e se apoderar da
coisa, sem o conhecimento dela. O que diferencia este crime do crime de
estelionato? 

Furto Mediante Fraude Estelionato


A fraude burla a vigilância da vítima A fraude induz a vítima a erro
A vítima não percebe que a res lhe A vítima voluntariamente, entrega seu
está sendo subtraída patrimônio ao agente
Visa desviar a atenção do dono da
Objetiva o consentimento da vítima
coisa
Há o dissenso Há a aquiescência
 

Se o furto for cometido mediante a passagem do autor por túnel subterrâneo,


será hipótese de furto qualificado mediante escalada?

Sim, segundo a doutrina, Capez, Bitencourt e outros,  a escalada em direito


penal consiste na penetração no local do furto por meio anormal, que exige
esforço incomum, não implicando somente subida, será escalada galgar
alturas quanto saltar fossos, rampas ou mesmo túneis subterrâneos.
A expressão chave falsa prevista no art. 155, §3, III, dever ser entendida como
qualquer instrumento de que se sirva o agente para abrir fechaduras, tendo ou
não formato de chave, como por exemplo, grampo de cabelo, prego, chave de
fenda, gazua, dentre outros instrumentos?

Exatamente, chave falsa aqui será qualquer instrumento desde que não


seja a verdadeira. Veja o que diz o STJ:
“A jurisprudência desta Corte tem pontificado que o emprego de gazuas,
mixas, ou qualquer outro instrumento, ainda que sem a forma de chave, mas
apto a abrir fechadura ou imprimir funcionamento em aparelhos e máquinas, a
exemplo, automóveis, caracteriza a qualificadora do art. 155, § 4º, inciso III, do
Código Penal”.(HC 119524- MG, Dje 22/11/2010).  

Para qualificar o furto por concurso (2 ou + pessoas), os inimputáveis e os


indivíduos não identificados devem ser considerados?

Correto, este é o entendimento do STJ e do STF, que entende que sendo


algum dos agentes menor, os demais responderão em concurso com o crime
de corrupção de menores.  
Corrupção de Menores: Art. 244-B do ECA: “Corromper ou facilitar a corrupção
de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando infração penal ou
induzindo-o a praticá-la: Pena — reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.

Está correto afirmar que se o furto for de veículo automotor incidirá


qualificadora especial, cuja pena será de 3 a 8 anos?

Errado, segundo o §5º do art. 155, a pena será de reclusão de três a oito anos,
se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para
outro Estado ou para o exterior. 

 Quando se consuma o furto qualificado especial?


(Art. 155, § 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de
veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o
exterior). 
Consuma-se com a efetiva transposição dos limites territoriais do estado ou
do país.

O furto de coisa comum (Art. 156 - Subtrair o condômino, coerdeiro ou sócio,


para si ou para outrem, a quem legitimamente a detém, a coisa comum) é um
crime próprio? 

Sim, pois somente pode ser praticado por aqueles que compartilham a
propriedade ou posse da coisa móvel (condômino, coerdeiro ou sócio). 

O furto da coisa comum é de ação penal privada? (VUNESP/ Advogado-ITESP/


2013)

Não, trata-se de crime de ação penal pública condicionada (art. 156, § 1º -


Somente se procede mediante representação).

Será punível a subtração de coisa comum fungível cujo valor não exceda a
quota a que tiver direito o agente? (CESPE/ Juiz-TRT-5ª/ 2013).

Não, segundo o art. 156, § 2º, não é punível a subtração de coisa comum


fungível, cujo valor não excede a quota a que tem direito o agente.

No crime de roubo (Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para
outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la,
por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência) eventuais lesões
corporais leves serão absorvidas?

Sim, as lesões corporais leves são absorvidas, considerando que somente as


lesões corporais graves e gravíssimas qualificam o crime.
Observe o que diz o art. 157, §3° do Código Penal: "Se da violência resulta
lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de sete a quinze anos, além da
multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da
multa".
Qual a diferença entre o roubo próprio e o roubo impróprio?

 
Roubo Próprio Roubo Impróprio (Art. 157, §1º)
A violência ou grave ameaça são
A violência, grave ameaça ou
empregados logo depois da subtração,
qualquer outro meio que reduza a
a fim de assegurar a detenção do bem,
capacidade de resistência são
para si ou para outrem, ou assegurar a
empregados contra a vítima antes ou
impunidade do crime, isto é, evitar a
durante a subtração do bem, pois se
prisão em flagrante ou a sua
destinam à sua apreensão.
identificação
 
 

No crime de roubo (Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para
outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la,
por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência), o que se
entende por violência imprópria?

É aquela em que o agente retira da vítima o seu poder de resistência, como


por exemplo, fazendo com que esta ingira drogas. Está previsto na parte final
do tipo “por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência”. 

Está correto afirmar que o crime de ameaça é crime meio para roubo, sendo
por este absorvido, de forma que deve ser aplicado o princípio da consunção? 

Correto, para que haja roubo necessária a ocorrência da ameaça.

Empregando o agente grave ameaça ou violência, e ainda assim não


subtraindo qualquer valor da vítima, pois esta não trazia nada consigo, haverá
a ocorrência de qual delito?

Segundo entendimento do STF e do STJ, haverá a tentativa de roubo, pois o


delito não se consumou por circunstâncias alheias à vontade do agente.
 Quais as circunstâncias que majoram a pena no crime de roubo?

São as previstas no art. 156, §2º, confira:  


A pena aumenta-se de um terço até metade:
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece
tal circunstância;
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado
para outro Estado ou para o exterior;  
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.

O emprego de simulacro de arma de fogo majora a pena do crime de roubo?

Não, o STJ há muito já pacificou o entendimento que o emprego de arma de


brinquedo no delito de roubo não se presta para fazer incidir a causa especial
de aumento prevista no Código Penal. 

O emprego de arma de fogo desmuniciada majora a pena do crime de roubo?

Segundo o STJ, a utilização de arma desmuniciada, como forma de intimidar


a vítima do delito de roubo, caracteriza o emprego de violência, porém, não
permite o reconhecimento da majorante de pena, já que esta está vinculada
ao potencial lesivo do instrumento, pericialmente comprovado como ausente no
caso, dada a sua ineficácia para a realização de disparos. (HC 190.067-MS)

Deve ser aplicado o princípio da consunção no caso de concurso aparente de


normas com os crimes de porte de arma de fogo e roubo circunstanciado com
arma de fogo?

Sim, em regra, este é o entendimento do STJ (HC 199031-RJ). 

Será circunstanciado por concurso o roubo na hipótese do agente maior


realizar a conduta juntamente com um inimputável?
Sim, perfeitamente, o STJ e o STF têm entendimento pacificado. Sendo algum
dos agentes menor, os demais responderão em concurso com o crime de
corrupção de menores. 
244-B do ECA: “Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito)
anos, com ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la: Pena —
reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos".

No crime de roubo, havendo também lesão corporal grave, o agente


responderá pelos dois crimes em concurso? 

Não, trata-se de hipótese de roubo qualificado, confira: Art. 157, §3º- Se da


violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de sete a quinze
anos, além da multa. 

O que se entente por latrocínio?

É o crime de roubo qualificado pelo resultado morte (Art. 157, §3º parte final),
trata-se de espécie de crime complexo (roubo + morte), sendo que o resultado
morte pode decorrer tanto de culpa quanto de dolo.

Como se consuma o crime de latrocínio?

Prevalece que a consumação está vinculada à morte da vítima. (Súmula 610


do STF: “Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que
não realize o agente a subtração de bens da vítima”).
 
 

O crime de latrocínio é considerado hediondo?

Sim, conforme previsto na Lei 8.072/ 90, art. 1º, II, confira:
Art. 1º- São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no
Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados
ou tentados: 
I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de
extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art.
121, § 2º, I, II, III, IV, V e VI);     (Redação dada pela Lei nº 13.104, de 2015)
II - latrocínio (art. 157, § 3º, in fine); 
III - extorsão qualificada pela morte (art. 158, § 2º);
IV - extorsão mediante sequestro e na forma qualificada (art. 159, caput, e §§
lo, 2º e 3º);    
V- estupro (art. 213, caput e §§ 1º e 2º);    
VI - estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1º, 2º, 3º e 4º);     
VII - epidemia com resultado morte (art. 267, § 1º).  
VII-A – (VETADO) 
VII-B - falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a
fins terapêuticos ou medicinais.
VIII - favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de
criança ou adolescente ou de vulnerável (art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º).    
(Incluído pela Lei nº 12.978, de 2014) 
Parágrafo único. Considera-se também hediondo o crime de genocídio previsto
nos arts. 1o, 2o e 3o da Lei no 2.889, de 1o de outubro de 1956, tentado ou
consumado. 

A conduta de subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante


grave ameaça ou violência a pessoa, e mantendo a vítima em seu poder,
restringindo sua liberdade, caracteriza o crime de extorsão mediante
sequestro? (VUNESP/ Investigador-PC-SP/ 2013)
 
 

Errado, é hipótese de roubo circunstanciado, prevista no art. 157, §2º, V,


confira:
Art. 157. Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave
ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio,
reduzido à impossibilidade de resistência: (...) 
§ 2º A pena aumenta-se de um terço até metade:
I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;
II – se há o concurso de duas ou mais pessoas;
III – se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece
tal circunstância. IV – se a subtração for de veículo automotor que venha a ser
transportado para outro
Estado ou para o exterior;
V – se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua
liberdade.
O crime de extorsão (Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou
grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida
vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma
coisa) é um crime pluriofensivo?

Sim, pois ofende mais de um bem jurídico, a saber, o patrimônio e a


integridade física (violência à pessoa), ou a liberdade individual (grave
ameaça).

Se a intenção do agente era somente matar a vítima e, consumando o crime,


aproveita-se para furtar seus bens, haverá latrocínio?

Não, nesta hipótese haverá o crime de homicídio em concurso com furto.

Ocorrendo o latrocínio, a competência será do tribunal do júri?

Não, latrocínio é crime contra o patrimônio. O STF editou inclusive súmula


sobre o assunto: 
Súmula 603- A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do
juiz singular e não do Tribunal do Júri.

O crime de extorsão é descrito na seguinte forma pelo Código Penal: "Art. 158 -


Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de
obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que
se faça ou deixar fazer alguma coisa”.
Está correto afirmar que restará consumado com a efetiva obtenção da
vantagem econômica?

Não, segundo o entendimento amplamente majoritário, a extorsão é crime


formal ou de consumação antecipada, não se exigindo a obtenção da indevida
vantagem econômica para sua consumação. Inclusive o STJ editou súmula
neste sentido, confira: 
Súmula 96- Extorsão é crime formal ou de consumação antecipada, não
se exigindo a obtenção da indevida vantagem econômica.

O crime de extorsão admite tentativa?


 

É admissível, ocorrendo quando a vítima não cede à exigência do autor, como


por exemplo, na hipótese em que o agente envia uma carta ameaçadora com
uma exigência e a vítima ignora ou procura a polícia. Há que destacar que se o
meio for inidôneo a intimidar, não há que se falar em tentativa.
 
Veja recente julgado do STJ nesse sentido: “Não se consuma o crime de
extorsão quando, apesar de ameaçada, a vítima não se submete à vontade do
criminoso, fazendo, tolerando que se faça ou deixando de fazer algo contra a
sua vontade, nesse caso haverá tentativa de extorsão” (REsp. 1.094.888. j em
21/08/2012).

O que distingue a extorsão do roubo?

A diferença está assentada na colaboração da vítima para a obtenção da


vantagem econômica, observe a tabela abaixo:  
Roubo Extorsão
Ocorrerá sempre que a exigência for
feita a distância.
O agente subtrai o bem ou pode, deEx.  Por telefone, ou quando réu
imediato, subtraí-lo. e vítima estão no mesmo ambiente,
Ex. Ao apontar uma arma e manda amas a vantagem econômica do agente
vítima entregar a carteira. depende de algum ato da vítima (ex.
fornecer a senha do cartão bancário).
 
A colaboração da vítima em entregar
A colaboração da vítima é
o bem é dispensável, ou seja, se ela
imprescindível para a obtenção da
não entregasse o ladrão facilmente
vantagem naquele momento.
poderia pegar.
 
 
 Na extorsão o constrangimento sempre deverá buscar vantagem econômica?

Sim, não sendo a exigência de vantagem econômica deverá ser outro crime,
como por exemplo, constrangimento ilegal ou assédio sexual. 

 Quais as hipóteses majoram a pena do crime de extorsão?


 

A pena será majorada de um terço até a metade nas seguintes hipóteses:  


1- Cometido por duas ou mais pessoas;  
2- Emprego de arma. 

 O Código Penal prevê hipótese de extorsão qualificada por lesão corporal ou


morte?

Sim, da mesma forma que o previsto para o crime de roubo, diz o art. 157, §3º
do CP: “Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de
sete a quinze anos, além da multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a
trinta anos, sem prejuízo da multa”.

 A extorsão qualificada pela morte constitui crime hediondo?

Sim, haja vista a previsão do art. 1º, III, da Lei n. 8.072/90, que prevê como
crime hediondo a extorsão qualificada pela morte, consumada ou tentada. 

O sequestro relâmpago é espécie de extorsão qualificada?

Sim, a previsão do "sequestro relâmpago" consta no 158, §3º, cuja redação


segue: “Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da
vítima, e essa condição é necessária para a obtenção da vantagem
econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa;
se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art.
159, §§ 2º e 3º, respectivamente”. 
Se o sequestro relâmpago for cometido por duas ou mais pessoas ou mediante
emprego de arma, tais circunstâncias aumentarão a pena do crime?

A resposta é negativa, pois tais causas de aumento estão previstas no § 1º do


art. 158, de modo que a opção do legislador em inserir o sequestro relâmpago
em dispositivo posterior (§ 3º) é indicativo da intenção de não ver o aumento
incidindo sobre ele. Destaca-se ainda que a pena do sequestro relâmpago é
consideravelmente maior que a da extorsão simples. 

Quanto ao crime de extorsão mediante sequestro, tanto a forma simples quanto


as qualificadas são considerados hediondos?

Exatamente, nos termos do art. 1º, IV da Lei n. 8.072/90, é considerado crime


hediondo, tanto a forma simples (caput), quanto nas suas formas qualificadas
(§§ 1º a 3º).

 Em quais situações será qualificado o crime de extorsão mediante sequestro


(art. 159 do CP)?
 

São as seguintes: 
1- Se o seqüestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas (§1º); 
2- Se o sequestrado é menor de 18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta)
anos (§1º); 
3- Se o crime é cometido por bando ou quadrilha (§1º).
Também será qualificado se do fato resulta lesão corporal de natureza grave
(§2º) ou morte (§3º). 
 

A extorsão mediante sequestro permite a delação premiada?

Sim, tal previsão está no §4º do art. 159 e o agente poderá ter redução da pena
de 1 a dois terços, desde que preenchido os seguintes requisitos: 
1-  Crime é cometido em concurso; 
2- O concorrente que o denunciar à autoridade; 
3- Facilitar a libertação do sequestrado.

Qual o objeto de proteção da extorsão mediante sequestro?

O objeto jurídico é o patrimônio e, indiretamente, a liberdade individual e a


incolumidade pessoal. 

A extorsão mediante sequestro se consuma com a efetiva restrição da


liberdade da vítima, independente do pedido de resgate?

Exatamente, consuma-se com a privação de liberdade da vítima, mesmo antes


do pedido de resgate, por se tratar de  crime formal, de consumação
antecipada ou de resultado cortado.

A extorsão mediante sequestro admite tentativa?

É possível, como bem justifica Capez, “se o agente não logra privar a vítima de
sua liberdade de locomoção por circunstâncias alheias à sua vontade, provada
a sua intenção específica de obter vantagem econômica, haverá o crime de
tentativa de extorsão mediante sequestro”.

A vantagem exigida na extorsão mediante sequestro deve ser econômica?

O tipo penal diz “qualquer vantagem”, no entanto a doutrina diverge acerca do


alcance desta expressão.
Para uns, por se tratar de crime contra o patrimônio, a vantagem deve ser
econômica.  Confira a lição de Cláber Masson: 
A esmagadora maioria dos penalistas sustenta a necessidade de tratar-se de
vantagem econômica e indevida. A interpretação sistemática da lei penal leva a
esta conclusão. Como se sabe, a lei precisa ser analisada em harmonia com
todo o ordenamento jurídico, não se podendo separar a parte do todo. Se a
extorsão mediante sequestro ingressa no rol dos crimes contra o patrimônio, a
vantagem buscada pelo sequestrador tem que ser econômica e, sobretudo,
indevida, já que não basta a ele fazer justiça pelas próprias mãos, pois em
caso contrário estaríamos diante de um crime contra a administração da
Justiça. Além de econômica, a vantagem deve ser também indevida. Se a
vantagem for devida estará caracterizado o delito de sequestro (CP, art. 148) e
exercício arbitrário das próprias razões (CP, art. 345), em concurso formal. A
vantagem (econômica e indevida) almejada pelo criminoso serve como fator de
permuta para a liberdade da vítima. Na redação legal, funciona como “condição
ou preço do resgate”.
No entanto, para o STJ, o tipo penal não impõe que a perseguida vantagem
seja de natureza financeira nem deva ser obtida diretamente dos
sequestrados ou de seus familiares (REsp. 1.102.270). 

Qualquer pessoa pode figurar como sujeito passivo do crime de extorsão


indireta? (Art. 160 - Exigir ou receber, como garantia de dívida, abusando da
situação de alguém, documento que pode dar causa a procedimento criminal
contra a vítima ou contra terceiro).

Os sujeitos podem ser qualquer pessoa, desde que haja uma relação de débito
e crédito entre elas.

Configura o delito de extorsão indireta o ato de exigir, como garantia de dívida,


abusando da situação de alguém, documento que pode dar causa a
procedimento civil contra a vítima ou contra terceiro? (FCC/ Juiz-TJ-PE/ 2013)
 
 

Errado, é exigência do tipo que o documento seja apto a dar causa a


procedimento criminal e não civil, confira:
Art. 160 - Exigir ou receber, como garantia de dívida, abusando da situação de
alguém, documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a
vítima ou contra terceiro:
 Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

Quais as formas de usurpação previstas no Código Penal?

Ø   Alteração de limites
Art. 161 - Suprimir ou deslocar tapume, marco, ou qualquer outro sinal
indicativo de linha divisória, para apropriar-se, no todo ou em parte, de coisa
imóvel alheia:
 
Ø   Usurpação de águas;
Art. 161, I - desvia ou represa, em proveito próprio ou de outrem, águas
alheias;
 
Ø   Esbulho possessório;
Invadir, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou mediante concurso
de mais de duas pessoas, terreno ou edifício alheio, para o fim de esbulho
possessório.
§ 3º - Se a propriedade é particular, e não há emprego de violência,
somente se procede mediante queixa.
 
Ø   Supressão ou alteração de marca em animais
Art. 162 - Suprimir ou alterar, indevidamente, em gado ou rebanho alheio,
marca ou sinal indicativo de propriedade:
 
 

O crime de dano , quando praticado como meio para o furto, será absorvido por
este? (Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia)

Sim, é exemplo típico da aplicação do princípio da consunção. 

É punível o dano a título de culpa?

Não, o dano só é punível a título dolo. Na verdade o único crime contra o


patrimônio punido a título de culpa é a receptação culposa. 

Quais situações qualificam o crime de dano?

Será qualificado (pena de detenção de 6 meses a três anos) se cometido nas


seguintes hipóteses: 
1- Violência à pessoa ou grave ameaça;
2- Emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime
mais grave; 
3- Contra o patrimônio da União, Estado, Município, empresa concessionária
de serviços públicos ou sociedade de economia mista; (O DF está excluído). 
4- Por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima.  
 

 Em quais hipóteses o crime de dano exige ação penal privada?

Será cabível ação penal privada no dano simples (caput) e na hipótesemotivo


egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima. 

O crime de introdução ou abandono de animais em propriedade alheia, previsto


no art. 164 do CP é de ação penal privada?

Sim, conforme previsão do art. 167. 

A apropriação indébita consiste em se apropriar de coisa alheia móvel, de que


tem a posse ou a detenção (art. 167 do CP).
Quem pode ser o sujeito ativo de tal crime?

Pode ser sujeito ativo aquele que tem a posse ou detenção lícita do bem,
como por exemplo, o condômino, sócio ou coerdeiro, desde que se apropriam
com exclusividade da coisa comum. 
Consequentemente, o sujeito passivo será a pessoa física ou jurídica, titular do
direito patrimonial diretamente atingido pela ação criminosa ou o possuidor do
bem.
Obs. Em se tratando de vítima idosa, o Estatuto do Idoso (Lei n. 10.741/2003)
em seu artigo 102, prevê a conduta de apropriar-se ou de desviar bens,
proventos, pensão ou qualquer outro rendimento do idoso, dando-lhes
aplicação diversa da de sua finalidade, punido tal conduta com pena de
reclusão de um a quatro anos e multa. Prevê ainda que aação será pública
incondicionada.
Quando ocorre a consumação da apropriação indébita?

Restará consumado o crime quando o sujeito passa a se comportar como se


fosse proprietário da coisa ou se nega a restituí-la após o vencimento do prazo
de entrega.
 
 

No crime de apropriação indébita a restituição do dano, ou seja, a devolução da


coisa, extingue a punibilidade?

Não, implicará na redução da pena, e não a extinção da punibilidade, nos


termos do art. 16 do CP, in vebrbis: Art. 16 - Nos crimes cometidos sem
violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até
o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena
será reduzida de um a dois terços). 

Quais as circunstâncias que aumentam a pena da apropriação indébita?

São as previstas no §1º do art. 168, confira:


§ 1º - A pena é aumentada de um terço, quando o agente recebeu a coisa:
I - em depósito necessário;
II - na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante,
testamenteiro ou depositário judicial;
III - em razão de ofício, emprego ou profissão.

O Art. 168-A, descreve o crime de apropriação indébita previdenciária: “Deixar


de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes,
no prazo e forma legal ou convencional”.
Quem pode ser o sujeito ativo de tal crime?

Temos aqui mais uma espécie de crime próprio, somente poderá ser cometido
pelo responsável tributário, ou seja, o responsável legal para repassar à
Previdência Social as contribuições recolhidas dos contribuintes. 
O sujeito passivo a apropriação indébita previdenciária é o segurado
previdenciário? 

Errado, em verdade o sujeito passivo será o órgão estatal responsável pela


arrecadação das quantias. 

É aceito o princípio da insignificância no crime de apropriação indébita


previdenciária?

Sim, o princípio é aceito. No entanto, cabe ressaltar que a divergência no que


se refere aos valores.
 
Para o STJ, o valor está limitado à R$ 10 mil reais (Precedentes: AgRg no
REsp 1383221/PR, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, QUINTA TURMA,
julgado em 11/03/2014, DJe 18/03/2014; STJ, AgRg no AREsp 331.852/PR,
Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA, julgado em
11/02/2014, DJe 18/02/2014)
Por seu turno, o STF, em sentido diverso, a Primeira Turma do STF decidiu em
04.02.2014, considerou o patamar de R$20.000,00 (vinte mil reais) como
parâmetro de aplicação do princípio da insignificância.
O entendimento do STF é que o valor a ser considerado é o expresso na
Portaria nº 75, de 22/03/2012 do Ministério da Fazenda, pois o Governo
Federal estipula como limite para o ajuizamento ou não da execução fiscal.
 
 

Em qual hipótese haverá a extinção da punibilidade no crime apropriação


indébita previdenciária?

Segundo o art. 169, §2º, será extinta se o agente, espontaneamente, declara,


confessa e efetua o pagamento das contribuições, importâncias ou valores e
presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou
regulamento, antes do início da ação fiscal.

Admite-se a apropriação indébita privilegiada?


Sim, conforme prevê o art. 170 c/c o art. 155, §2º, sendo o criminoso é
primário, e de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de
reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente
a pena de multa.

Cabe perdão judicial no caso de apropriação indébita previdenciária?

Sim, veja o que diz o §3º do Art. 169: 


§ 3º É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa
se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que:
I – tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a
denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive
acessórios; 
 II – o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou
inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como
sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. 

Aquele que se apropria de coisa por erro, caso fortuito ou força da natureza,
não comete qualquer crime. Está correta a afirmação?

Não, o art. 169 criminaliza a conduta daquele que se apropria de coisa alheia
vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza(Apropriação de
coisa havida por erro, caso fortuito ou força da natureza): Pena –
detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou multa. 

O ditado popular “achado não é roubado” tem respaldo no ordenamento


jurídico?

De fato tem, quem acha e fica com a coisa para si não pratica roubo, mas isso
que quer dizer que sua conduta será atípica, já que restará caracterizado o
crime de apropriação de coisa achada, consistente em achar coisa alheia
perdida e dela se apropriar, total ou parcialmente, deixando de restituí-la
ao dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente,
dentro no prazo de 15 (quinze) dias (art. 1169, II) 
Podemos dizer que o estelionato (Art. 171 - Obter, para si ou para outrem,
vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro,
mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Pena - reclusão, de
um a cinco anos, e multa, de quinhentos mil réis a dez contos de réis) é crime
de resultado duplo?

Sim, pois para a sua configuração, além da vantagem ilícita, tem que
haver prejuízo para a vítima. 

Qual a principal diferença entre o estelionato e a apropriação indébita?

No estelionato o agente possui dolo desde o início de auferir a vantagem, já na


apropriação indébita, o agente tem a coisa de boa-fé, passando a agir com o
dolo de ter a coisa em momento posterior. 

Qual a diferença entre estelionato e o furto mediante fraude?

No art. 171, a fraude é utilizada para que a vítima entregue, ao autor a coisa,
em decorrência da fraude ou ardil perpetrado, ao passo que no furto mediante
fraude o autor faz com que a vítima diminua a vigilância sobre a coisa,
facilitando a subtração. 

Quando se consuma o estelionato?

Estará consumado o crime com a obtenção da vantagem indevida em


prejuízo alheio. Dessa forma, podemos concluir que se trata de crime material.
Veja o que diz a súmula 48 do STJ: Compete ao juízo do local da obtenção da
vantagem ilícita processar e julgar crime de estelionato cometido mediante
falsificação de cheque.

O estelionato admite tentativa?

Sim, desde que o agente, mesmo tendo empregado a fraude não consiga obter
a vantagem indevida. 
Se o agente for primário, e de pequeno valor o prejuízo, haverá o estelionato
privilegiado?

Sim, sendo o criminoso primário, e de pequeno valor a coisa furtada, o juiz


pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois
terços, ou aplicar somente a pena de multa.

Está correto afirmar que ocorrência de torpeza bilateral afasta o crime de


estelionato, pois a vítima também agiu com o dolo de obter vantagem indevida?

Segundo já decidiu o STF e STJ não, no mesmo sentido é a posição da


doutrina majoritária. 
“Fraude bilateral. Embora reprovável a conduta da vítima que participa da
trama de outrem, visando vantagem ilícita, a sua boa-fé não é elemento do tipo
previsto no art. 171 do Código Penal. Sanciona-se a conduta de quem arquiteta
a fraude, porque o Direito Penal tem em vista, primordialmente, a ofensa
derivada do delito. (RHC 65.186/SP).
Desde que a ação amolde-se à figura típica do art. 171 do Código Penal, não
há como excluir o crime por eventual torpeza bilateral, sendo irrelevante para
configuração do delito a participação, maliciosa ou não, da vítima. (REsp
1,055.960) 

Será possível a aplicação do princípio da insignificância ao crime de


estelionato?

Sim, o STJ reiteradamente vem aceitando, veja as seguintes ementas:


 “Há que se aplicar o princípio da insignificância quanto ao estelionato
praticado, em tese, para a obtenção de vantagem de valor monetário ínfimo.
(Precedentes)” (STJ, HC 34626/MG)
“Considera-se como delito de bagatela o estelionato praticado, em tese, para a
obtenção de vantagem de ínfimo valor monetário, consistente em apenas R$
3,00 (três reais) – hipótese dos autos. Ordem concedida para determinar o
trancamento da ação penal instaurada em desfavor do paciente, por ausência
de justa causa” (STJ, HC 18314/RJ).
“Em sede de estelionato, não se pode considerar ínfimo, irrisório, o valor
de R$ 1.178,00”. 
Comete estelionato aquele que clona de cartão bancário para efetuar saques
indevidos perante terminal eletrônico de instituição financeira?

Errado, nessa hipótese o crime é de furto. 

Se determinado agente, com o intuito de obter indevida vantagem econômica,


falsifica documento, deverá responder somente pelo crime de estelionato, já
que este crime absorve o crime de falso?

A questão é deveras polêmica, havendo pelo menos 4 posições: 


1ª posição: A falsidade documental absorve o estelionato. É a posição de
Nélson Hungria.  
2ª posição: Haverá concurso material de crimes, pois ofendem bens jurídicos
diversos, de forma que deve ser afastado o fenômeno da absorção.  
3ª posição: Há concurso formal de crimes, pois a conduta é somente uma (é a
posição do STF).  
4ª posição: O estelionato absorve a falsidade documental. Parece ser ao
entendimento dominante, principalmente pela existência da Súmula 17 do
Superior Tribunal de Justiça, confira: “Quando o falso se exaure no estelionato,
sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido”.(Prevalece em provas)

Quais as formas especiais (figuras equiparadas) de estelionato?

Ø  Disposição de coisa alheia como própria (I - vende, permuta, dá em


pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria); 
Ø   Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria (II - vende,
permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada
de ônus ou litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante
pagamento em prestações, silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias); 
Ø  Defraudação de penhor (III - defrauda, mediante alienação não consentida
pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando tem a posse do
objeto empenhado); 
Ø  Fraude na entrega de coisa (IV - defrauda substância, qualidade ou
quantidade de coisa que deve entregar a alguém); 
Ø Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro (V - destrói,
total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a
saúde, ou agrava as consequências da lesão ou doença, com o intuito de haver
indenização ou valor de seguro); 
Ø  Fraude no pagamento por meio de cheque (emite cheque, sem suficiente
provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento). 
 

 O agente que dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável ou


gravada em ônus, silenciando sobre essas circunstâncias, pratica uma das
modalidades do crime de fraude contra credores? (CESPE/ CARTÓRIOS-TJ-
PI/ 2013). 

Errado, trata-se do crime de alienação ou oneração fraudulenta. 

Quando ocorre a consumação do crime de fraude para recebimento de


indenização ou valor de seguro? 
(Art. 171, §2º, V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa
o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as consequências da lesão ou doença,
com o intuito de haver indenização ou valor de seguro)

Diversamente das demais modalidades de estelionato, tal crime é formal, de


forma que estará consumado com a prática da conduta típica (destruir, ocultar,
auto lesionar e agravar), ainda que o sujeito não consiga alcançar a indevida
vantagem econômica pretendida. Segundo Masson, o raciocínio é facilmente
constatado pela análise da expressão “com o intuito de”. Não se exige a
vantagem patrimonial, sendo suficiente a intenção de auferi-la.

Comete crime aquele que emite cheque, sem suficiente provisão de fundos no
momento, mas que acredita que será capaz de cobrir na data aprazada, mas
no entanto o cheque é devolvido?

Não, para que seja típica a conduta deve ser provado que o agente agiu de
má-fé, ou seja, exige dolo ab initio. 
Como bem adverte Cleber Masson, se o crime é legalmente chamado de
“fraude no pagamento por meio de cheque”, esta finalidade específica é a
intenção de fraudar o tomador do título de crédito, também conhecida
como animus lucri faciendi ou “intenção de fraudar”.

No crime de Fraude no pagamento por meio de cheque (art. 171, §2º, VI- emite
cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra
o pagamento), se não for comprovada a existência de fraude não haverá
crime?

Correto, confira o teor da Súmula 246 do Supremo Tribunal Federal:


“Comprovado não ter havido fraude, não se configura o crime de emissão
de cheque sem fundos”.

Quando ocorre a consumação do crime de crime de fraude no pagamento por


meio de cheque?

Consuma-se no momento em que o banco se recusa a efetuar o pagamento do


cheque, pois aí que resta caracterizado o prejuízo para a vítima. 

Qual será o foro competente para o julgamento do crime de fraude no


pagamento por meio de cheque?

De acordo com a súmula 521 do Supremo Tribunal Federal, o foro


competente para o processo e julgamento dos crimes de estelionato, sob
a modalidade da emissão dolosa de cheque sem provisão de fundos, é o
do local onde se deu a recusa do pagamento pelo sacado. 
Observe também a súmula do STJ no mesmo sentido: Súmula 244 do
Superior Tribunal de Justiça: “Compete ao foro do local da recusa
processar e julgar o crime de estelionato mediante cheque sem provisão
de fundos”

A emissão de cheque pós-datado (ou pré-datado) constitui o crime de fraude


por meio de cheque?

O cheque constitui-se em ordem de pagamento à vista (Art. 32, caput, da Lei


7.357/1985 - Lei do Cheque), na situação em que a pessoa aceita o cheque
para descontado futuramente, estará recebendo o título como simples
promessa de pagamento. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça
entende que a emissão de cheques como garantia de dívida (pré-datados), e
não como ordem de pagamento à vista, não constitui crime de estelionato,
na modalidade prevista no art. 171, § 2°, inciso VI, do Código Penal. 
No crime fraude no pagamento por meio de cheque o pagamento de cheque
sem provisão de fundos, até o recebimento da denúncia, impede o
prosseguimento da ação penal?

Correto, tal entendimento decorre da interpretação a contrario sensu da súmula


554 do Supremo Tribunal Federal, que diz: “O pagamento de cheque emitido
sem provisão de fundos, após o recebimento da denúncia, não obsta ao
prosseguimento da ação penal”.

O pagamento de dívida antiga com cheque sem fundos configura o crime de


estelionato?

O STJ entende que não, uma vez que o prejuízo da vítima já era anterior à
emissão, ou seja, a emissão do cheque não propiciou nenhuma vantagem. (HC
96.132, j.07/08/2008).

Caracteriza fraude no pagamento por meio de cheque se o pagamento for feito


com cheque roubado?

Não, tal hipótese é de estelionato na forma simples, da mesma forma que a


emissão de cheque com conta cancelada ou com nome falso ou assinatura
falsa. 

Em que hipótese o estelionato terá a pena majorada?

A pena aumenta-se de um terço, se o crime é cometido em detrimento de


entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência
social ou beneficência.
 
 
 

É típica a conduta do agente que emite duplicata que não corresponda à


mercadoria vendida, em quantidade ou qualidade, o que configura crime de
fraude no comércio. (CESPE/ CARTÓRIOS-TJ-PI/ 2013)
Errado, a conduta é típica, no entanto se trata do crime de duplicata
simulada (Art. 172 - Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que não
corresponda à mercadoria vendida, em quantidade ou qualidade, ou ao serviço
prestado).
O crime de fraude no comércio consiste em (art. 175) “Enganar, no exercício de
atividade comercial, o adquirente ou consumidor: I - vendendo, como
verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou deteriorada; II - entregando
uma mercadoria por outra”. Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou
multa.
Tem como modalidade qualificada “Alterar em obra que lhe é encomendada a
qualidade ou o peso de metal ou substituir, no mesmo caso, pedra verdadeira
por falsa ou por outra de menor valor; vender pedra falsa por verdadeira;
vender, como precioso, metal de ou outra qualidade” Pena - reclusão, de um a
cinco anos, e multa.

Quando se consuma o crime de duplicata simulada?

Segundo entendimento do STJ, a consumação do delito previsto no art. 172 do


Código Penal se dá com a simples e efetiva colocação da duplicata em
circulação, independentemente do prejuízo. 

Quando se consuma o crime de abuso de incapazes (Art. 173. Abusar, em


proveito próprio ou alheio, de necessidade, paixão ou inexperiência de menor,
ou da alienação ou debilidade mental de outrem, induzindo qualquer deles à
prática de ato suscetível de produzir efeito jurídico, em prejuízo próprio ou de
terceiro)?

Consuma-se com a efetiva prática do ato potencialmente lesivo a que ele foi
induzido, independentemente da obtenção de proveito em seu favor ou de
terceiro. Trata-se de hipótese de crime formal. 

Quando ocorre a consumação do crime de induzimento à especulação? (Art.


174 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, da inexperiência ou da
simplicidade ou inferioridade mental de outrem, induzindo-o à prática de jogo
ou aposta, ou à especulação com títulos ou mercadorias, sabendo ou devendo
saber que a operação é ruinosa).
Restará consumado o crime com a prática do jogo, aposta ou especulação com
títulos ou mercadorias. Cuida-se de crime formal, de consumação antecipada. 

Há previsão de estelionato privilegiado?

Parte da doutrina entente que o crime previsto no art. 176 constitui modalidade
privilegiada de estelionato.
Art. 176. Tomar refeição em restaurante, alojar-se em hotel ou utilizar-se de
meio de transporte sem dispor de recursos para efetuar o pagamento: Pena 15
dias a dois meses ou multa. 

O crime de receptação (Art. 180. Adquirir, receber, transportar, conduzir ou


ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou
influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte) restará
consumado se a conduta anterior for contravenção penal?

Não, sendo o fato antecedente contravenção, não haverá receptação,


tornando-se atípica a conduta.

Tanto os bens móveis quanto os imóveis podem ser objeto de receptação?

Na doutrina predomina que somente os bens móveis podem ser produto do


crime, no mesmo sentido tem entendido o STF. Segundo Capez, para que um
bem seja considerado móvel perante o Direito Penal, basta a possibilidade de
seu deslocamento físico. O bem imóvel não pode ser receptado, pois receptar
é o mesmo que “dar esconderijo”, ocultar. 

 O crime de receptação é espécie de crime acessório ou parasitário?

Sim, pois requer a prática de um crime anterior.

A extinção da punibilidade do crime anterior impede a caracterização da


receptação e a punição do seu responsável?
Não. Independentemente da causa da extinção da punibilidade do crime
anterior, não impedirá a caracterização do crime de receptação. Cuida-se da
chamada manifestação da autonomia relativa da receptação, de forma que,
basta a existência do crime para a ocorrência da receptação, fala-se relativa
porque é indispensável a comprovação da existência material do primeiro
crime. 

Há necessidade de prévio ajuizamento de ação penal ou de condenação pela


prática do crime anterior para a caractrização do crime de estelionato?

Não, havendo inquérito policial e comprovação da materialidade do crime já


será possível o MP entrar com a ação criminal da receptação. Lembre-se que
não há necessidade do conhecimento da autoria. 

A autonomia da representação tem previsão legal?

Sim, tal previsão consta do art. 180, § 4º - A receptação é punível, ainda que


desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa. 

É punível a receptação da receptação?

Sim, respondem pelo crime todos aqueles que, nas sucessivas negociações
envolvendo o mesmo objeto material, tenham conhecimento da sua origem
criminosa, ainda que a pessoa que lhe transferiu a coisa ignorasse tal
circunstância.

Qual a diferença entre a receptação própria e a imprópria? 

Ø  A receptação própria é a conduta prevista no art. 180, caput, 1ª parte


(Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou
alheio, coisa que sabe ser produto de crime); 
Ø  A receptação imprópria é a conduta prevista no art. 180, caput, parte final
(influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte coisa que sabe
ser produto de crime).
Tanto a receptação própria (Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar,
em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime), quanto a
imprópria (influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte coisa
que sabe ser produto de crime), são crimes materiais?

A própria sim, já a receptação imprópria é crime formal, de consumação


antecipada ou de resultado cortado e estará consumada com o simples ato de
“influenciar” para que terceiro de boa-fé efetivamente adquira, receba ou oculte
a coisa produto de crime, sendo irrelevante a aquisição da mercadoria. 

A receptação imprópria estará consumada com o simples ato de “influenciar”


para que terceiro de boa-fé efetivamente adquira, receba ou oculte a coisa
produto de crime, sendo irrelevante a aquisição da mercadoria. Quando se
consuma a receptação própria?

Por ser exemplo de tipo misto alternativo, a receptação própria se consuma no


instante em que o sujeito adquire, recebe, transporta, conduz ou oculta a
coisa produto de crime.
 

Para a caracterização do crime de receptação há exigência de que o crime


anterior também seja crime contra o patrimônio?

A lei não exige que o delito antecedente tenha que ser patrimonial.

Considere a seguinte situação: Júnior, advogado, teve o seu relógio furtado.


Dias depois, ao visitar uma feira popular, percebeu que o referido bem estava à
venda por R$ 30,00. Como pagou R$ 2.000,00 pelo relógio e não queria se dar
ao trabalho de acionar as autoridades policiais, Júnior desembolsou a quantia
pedida pelo suposto comerciante e recuperou o objeto. Nessa situação
hipotética Júnior não praticou crime de receptação. (CESPE/ Polícia Civil- PB/
2009).

Errado, embora seja a vítima do crime anterior, Junior adquiriu produto de


crime, de forma que praticou o crime de receptação. 
Na hipótese em que o sujeito desconfia da origem criminosa da coisa, sem ter
certeza de que se trata de crime, na dúvida a adquire, comete o crime de
receptação?

Sim, mas será na modalidade culposa, prevista no art. 180, 3º - Adquirir ou


receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o
preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por
meio criminoso.

Qual circunstância qualifica o crime de receptação?

A receptação será qualificada quando praticada no exercício de atividade


comercial ou industrial, conforme prevê o §1º do art. 180, confira: Receptação
qualificada: § 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em
depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer
forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade
comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime. 

Para que a receptação seja qualificada se exige regularidade ou licitude no


desempenho da atividade comercial ou industrial?

A resposta é negativa, e o próprio legislador responde no art. 180, § 2º--


Equipara-se à atividade comercial, para efeito do parágrafo anterior, qualquer
forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercício em residência.

É possível a aplicação do princípio da insignificância ao crime de receptação


qualificada?

O STF entende que não, confira a ementa do HC 105.963 de 2012: “O


princípio da insignificância, bem como o benefício da suspensão condicional do
processo (Lei 9.099/95, art. 89) não são aplicáveis ao delito de receptação
qualificada (CP, art. 180, § 1º). Com base nesse entendimento, a 2ª Turma
conheceu, em parte, de habeas corpus e, nessa extensão, indeferiu a ordem
impetrada em favor de denunciado pela suposta prática do crime de
receptação qualificada por haver sido encontrado em sua farmácia
medicamento destinado a fundo municipal de saúde. Frisou-se que a pena
mínima cominada ao tipo penal em questão seria superior a um ano de
reclusão, o que afastaria o instituto da suspensão condicional do processo”

O perdão judicial é aplicável ao crime de receptação?

Sim, conforme art. 180,§5º, primeira parte, que diz: “Na hipótese do § 3º
(receptação culposa) se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo em
consideração as circunstâncias, deixar de aplicar a pena”. Cabe destacar que o
perdão somente será aplicável na hipótese de receptação culposa, de forma
que, presentes os requisitos legais, o juiz está obrigado a conceder esse
benefício legal.

O CP prevê a hipótese de receptação privilegiada, art. 180, §5º, parte final, in


verbis: Na receptação dolosa aplica-se o disposto no § 2º do art. 155.
Tal privilégio é extensível à receptação qualificada?

Prevalece na doutrina (Nucci, Rogério Sanches, Cléber Masson) e na


jurisprudência, que o privilégio deve ser aplicável à receptação simples e à
receptação qualificada praticada no exercício de atividade comercial ou
industrial, haja vista a posição topográfica do privilégio (§ 5º), razão pela qual
incide tanto na figura simples (caput) como na modalidade qualificada do § 1º. 
Para Capez, não se aplica ao crime qualificado por incompatibilidade lógica.

Se o crime de receptação for praticado em detrimento de bens e instalações do


patrimônio da União, Estado, Município, empresa concessionária de serviços
públicos ou sociedade de economia mista a pena será aumentada?

Sim, tratando-se de bens e instalações do patrimônio da União, Estado,


Município, empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de
economia mista, a pena prevista no caput deste artigo aplica-se em dobro,
conforme preceitua o art. 180,§6º. 
Observe que o Distrito Federal não consta em tal rol, de forma que pelo
princípio da legalidade estrita, no crime particao contra este ente não incide tal
majorante. Pelo menos é a posição que prevalece. 

O que é escusa absolutória?


A escusa absolutória, também chamada de imunidade penal
absoluta ou condição especial de exclusão de pena, é uma causa extintiva
da punibilidade, tornando impuníveis os delitos patrimoniais não
violentos cometidos entre cônjuges ou parentes próximos, por razões de
política criminal. Sua previsão está no art. 181 do CP, confira:
Art. 181. É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste
título (crimes contra o Patrimônio), em prejuízo:
I – do cônjuge, na constância da sociedade conjugal;
II – de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo,
seja civil ou natural.

Vimos que a escusa absolutória é uma causa extintiva da punibilidade,


tornando impuníveis os delitos patrimoniais não violentos cometidos entre
cônjuges ou parentes próximos, por razões de política criminal. Nesse sentido,
o que é a imunidade relativa ou processual?

Diferentemente da imunidade penal absoluta, a imunidade relativa ou


processual não constitui causa extintiva da punibilidade, mas sim condição
objetiva de procedibilidade, ou seja, os crimes que, a princípio seriam de
ação penal pública incondicionada, passam a ser condicionados à
representação do ofendido.

Em quais hipóteses o código prevê a aplicação das imunidades relativas?

Será possível a aplicação, conforme previsão do art. 182, se o crime for


praticado em prejuízo de:
I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado;
II - de irmão, legítimo ou ilegítimo;
III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita.

Está correto afirmar que somente se procede mediante representação, se o


agente pratica crime de estelionato em prejuízo de irmão?

Correto, conforme previsão do art. 182, II do CP, confira:


        Art. 182 - Somente se procede mediante representação, se o crime
previsto neste título é cometido em prejuízo:
        I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado;
        II - de irmão, legítimo ou ilegítimo; 
        III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita.  
Será isento de pena aquele que comete crime de extorsão contra cônjuge na
constância da sociedade conjugal?

Não! Fique esperto, as escusas somente têm aplicação face aos crimes que
não envolvem violência. 

Em quais situações não será possível a aplicação nem das imunidades


absolutas nem das relativas?

Segundo o Art. 183 do CP, não se aplica as imunidades:  


Ø   I – se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando
haja emprego de grave ameaça ou violência à pessoa;  
Ø   II – ao estranho que participa do crime;  
Ø   III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior
a60 (sessenta). 

Será isento de pena o neto que subtrai, sem violência ou grave ameaça, o
dinheiro de seu avô, que conta com 59 anos de idade?

Correto, a imunidade somente não incidirá de a vítima contar com mais de 60


anos.

Estupro: Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça,


a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro
ato libidinoso. (...)
Atentado violento ao pudor: Art. 214 - (Revogado pela Lei nº 12.015, de
2009).
A revogação do crime de atentado violento ao pudor, por força da Lei nº
12.015, implicou em abolitio criminis de tal conduta?
 

Não, o que ocorreu foi a revogação formal do crime, de forma que a conduta
descrita como atentado violento ao pudor foi abarcada pela crime de estupro,
ou seja, houve uma fusão dos dois crimes. Segundo a doutrina, incide aqui o
princípio da continuidade normativa ou da continuidade típico-normativa,
haja vista que a conduta permanece criminosa, embora disciplinado em outro
tipo penal. 

O crime de estupro é um pluriofensivo, ou seja, ofende mais de um bem


jurídico?
 

Sim, pois além de ofender a liberdade sexual, também ofende aintegridade


corporal e a liberdade individual, pois é cometido mediante violência ou
grave ameaça à pessoa. 

Para a caracterização da violência do crime de estupro, esta tanto pode ser


direta (dirigida contra o ofendido) quanto indireta mediata (voltada contra
pessoa ou coisa ligada à vítima)?

Sim, entende pacificamente a doutrina que a violência tanto pode ser direta ou
imediata quanto indireta ou mediata, por todos, Bitencourt, in verbis:
"A violência poderá ser imediata, quando empregada diretamente contra o
próprio ofendido, e mediata, quando utilizada contra terceiro ou coisa a que a
vítima esteja diretamente vinculada. Não é necessário que a força empregada
seja irresistível: basta que seja idônea para coagir a vítima a permitir que o
sujeito ativo realize seu intento". (Penal Comentado). 

Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do crime de estupro?


 

Sim, trata-se de crime comum, podendo ter como sujeito ativo tanto o homem
quanto a mulher. Mas cabe algumas observações: Reveja a conduta:
“Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a
ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro
ato libidinoso”.
Desta forma, no que se refere à modalidade “constranger alguém, mediante
violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal”, o estupro subsiste como
crime próprio, somente podendo figurar como autor imediato o homem.
Por outro lado, a modalidade “praticar ou permitir que com ele se
pratique outro ato libidinoso” tanto pode ser sujeito ativo homem ou mulher,
de sorte que está correto afirmar que o homem pode ser vítima de estupro.
Obs. Conjunção carnal: Significa cópula vagínica, ou seja, a penetração efetiva
do membro viril na vagina.

Quando ocorre a consumação do crime de estupro?


 

O crime de estupro é material ou causal. Na modalidade “constranger alguém,


mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal”, estará
consumado com a introdução completa ou incompleta do pênis na cavidade
vaginal da mulher.
Já a modalidade “praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato
libidinoso” estará consumada com a prática de qualquer ato libidinoso.  
Por fim, em nenhuma das modalidades a satisfação sexual do agente é exigida
para a consumação. Confira como já decidiu o STF:
“O fato de os laudos de conjunção carnal e de espermatozoides resultarem
negativos não invalida a prova do estupro, dado que é irrelevante se a cópula
vagínica foi completa ou não, e se houve ejaculação. Existência de outras
provas. Precedentes do STF” (STF, HC 74.246-SP, Rel. Min. Carlos Velloso,
DJ 13-12-1996)".

Quais hipóteses qualificam o crime de estupro?

 Três são as hipóteses que qualificam o crime de estupro: 


1-    Estupro qualificado pela lesão corporal de natureza grave (art. 213, § 1º,
1ª parte); 
2-   Estupro qualificado pela morte da vítima (art. 213, § 2º);
3-   Estupro qualificado pela idade da vítima- menor de 18 anos e maior de
14 anos (art. 213, § 1º, 2ª parte); 
 

Está correto afirmar que se o marido, mediante o emprego de grave ameaça,


constrange a mulher à prática de relações sexuais, não comete crime de
estupro, considerando que este atua em  exercício regular de direito?

Errado. Não se descura que no passado já predominou este deplorável


entendimento, ao argumento de que o casamento impunha aos cônjuges
direitos e deveres mútuos, entre os quais o débito conjugal. No entanto, hoje é
pacífico e indiscutível a possibilidade do crime de estupro ser praticado
pelos maridos contra as esposas, pois a mulher tem direito à inviolabilidade
de seu corpo, de forma que jamais poderão ser empregados meios ilícitos,
como a violência ou grave ameaça, para constrangê-la à prática de qualquer
ato sexual. Por fim, destaca-se que em tal hipótese a pena ainda será
aumentada de metade, confira:
Aumento de pena: Art. 226. A pena é aumentada: 
I – de quarta parte, se o crime é cometido com o concurso de 2 (duas) ou mais
pessoas; 
II – de metade, se o agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio,
irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da
vítima ou por qualquer outro título tem autoridade sobre ela; 
 

Se estupro resultar lesão corporal de natureza grave ou se a vítima tiver menos


de dezoito anos de idade e mais de quatorze, será aplicada causa especial de
aumento de pena?

Cuidado, não se trata de causa de aumento de pena e sim de qualificadoras,


observe que os §§ 1º e 2º do art. 213 trazem penas próprias e não aumento de
pena, confira.
Estupro: Art. 213.  Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a
ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato
libidinoso.
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.
§ 1º- Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é
menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: Pena - reclusão, de 8
(oito) a 12 (doze) anos.
§ 2º- Se da conduta resulta morte: 
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
 

O crime de estupro admite tentativa?


 

Sim, o estupro admite tentativa. No entanto, com a nova redação dada pela Lei
12.015/2009, alguns pontos devem ser destacados, pois, conforme destaca
Masson, “é preciso diferenciar os limites tênues da tentativa de estupro,
quando o agente busca a conjunção carnal, mas não alcança o resultado por
circunstâncias alheias à sua vontade, do estupro consumado pela prática de
outro ato libidinoso. Nessa hipótese, o dolo deve ser utilizado como o vetor do
intérprete da lei penal para solução do caso concreto".
 No entanto, o posicionamento do STJ parece não ser este, malgrado o caso
julgado se refira ao crime de estupro de vulnerável, os fundamentos da decisão
parecem ser aplicáveis também às demais modalidade de estupro, confira:
1- A consumação do delito de estupro de vulnerável (art. 217-A do Código
Penal) se dá com a prática de atos libidinosos diversos da conjunção
carnal. Precedentes.
2 - No caso, o recorrido deitou-se por cima da vítima com o membro viril à
mostra, após retirar-lhe as calças, o que, de per si, configura ato libidinoso para
a consumação do delito de estupro de vulnerável.
3 - Impossibilidade de desclassificação do delito para sua forma tentada, com
base no princípio da proporcionalidade, em decorrência da menor gravidade da
conduta, por ser contrário à norma legal. 
4 - O Superior Tribunal de Justiça entende que é "inadmissível que o Julgador,
de forma manifestamente contrária à lei e utilizando-se dos princípios da
razoabilidade e da proporcionalidade, reconheça a forma tentada do delito, em
razão da alegada menor gravidade da conduta (REsp 1313369⁄RS, Rel.
Ministro Og Fernandes, 6T., DJe5.8.2013).

Está correto afirmar que somente o estupro qualificado é considerado crime


hediondo?
 

Não, de acordo com a Lei de Crimes Hediondos (Art. 1º, V, da Lei


8.072/90), o estupro, consumado ou tentado, em qualquer das suas
espécies – simples ou qualificadas – é crime hediondo.

No crime de estupro, se o agente transmite à vítima doença sexualmente


transmissível de que sabe (dolo direto) ou deveria saber (dolo eventual) ser
portador, trata-se de hipótese de concurso formal impróprio entre o crime
contra a dignidade sexual e o delito do art. 131 do CP (perigo de contágio de
moléstia venérea)?
 

Errado, incidirá a causa de aumento de pena prevista no inciso IV do art. 234-A


do CP. Art. 234-A: Nos crimes previstos neste Título a pena é aumentada:
I – (VETADO); II – (VETADO); 
III - de metade, se do crime resultar gravidez; e  
IV - de um sexto até a metade, se o agente transmite à vitima doença
sexualmente transmissível de que sabe ou deveria saber ser portador.

Imagine a seguinte Situação: Bino, desejando praticar conjunção carnal,


mediante emprego de grave ameaça, obriga Geni tirar toda a sua roupa. No
entanto, Bino desiste voluntariamente de seu intento.
Nessa situação, está correto afirmar que Bino responderá pelo crime de
tentativa de estupro?
 

Não, nessa hipótese, como Bino não realizou qualquer contato físico com a
vítima não há que se falar em tentativa, no entanto, como empregou a grave
ameaça, levando Geni a ficar nua, deverá responder pelo crime de
constrangimento ilegal (CP, art. 146), uma vez que, pela regra da desistência
voluntária, o sujeito ativo apenas responde pelos atos até então praticados
(CP, art. 15).

Antes do advento da Lei 12.015/ 2009, os delitos de estupro e atentado violento


ao pudor eram reputados crimes distintos, previstos em tipos autônomos.
Assim, havia dois crimes, sem a possibilidade de aplicação do benefício do
crime continuado, dada a diversidade de espécies entre os dois delitos. No
entanto, após o advento da mencionada lei, o crime de estupro passou a
abarcar também os atos libidinosos diversos da conjunção carnal. A par dessas
considerações, pergunta-se, na hipótese em que o agente constranger a
vítima, mediante o emprego de violência ou grave ameaça, a com ele praticar
conjunção carnal e qualquer outro ato libidinoso, a exemplo do coito anal e oral,
haverá crime continuado* ou será uma hipótese de crime misto alternativo?
* Crime continuado: Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou
omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de
tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os
subsequentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena
de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada,
em qualquer caso, de um sexto a dois terços.
** Tipo misto alternativo: o legislador descreveu duas ou mais condutas
(verbos). Se o sujeito praticar mais de um verbo, no mesmo contexto fático e
contra o mesmo objeto material, responderá por um único crime, não havendo
concurso de crimes nesse caso. Veja como exemplo o crime de tráfico de
drogas: Art. 33.  Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar,
adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer
consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer
drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar. 
Finalmente, após muita polêmica, o STJ chegou a um acordo... confira, julgado
novíssimo e provavelmente será cobrado em concursos...
DIREITO PENAL. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI 12.015/2009. O
condenado por estupro e atentado violento ao pudor, praticados no mesmo
contexto fático e contra a mesma vítima, tem direito à aplicação retroativa da
Lei 12.015/2009, de modo a ser reconhecida a ocorrência de
crime único, devendo a prática de ato libidinoso diverso da conjunção carnal
ser valorada na aplicação da pena-base referente ao crime de estupro. De
início, cabe registrar que, diante do princípio da continuidade normativa, não há
falar em abolitio criminis quanto ao crime de atentado violento ao pudor
cometido antes da alteração legislativa conferida pela Lei 12.015/2009. A
referida norma não descriminalizou a conduta prevista na antiga redação do
art. 214 do CP (que tipificava a conduta de atentado violento ao pudor), mas
apenas a deslocou para o art. 213 do CP, formando um tipo penal misto, com
condutas alternativas (estupro e atentado violento ao pudor). Todavia, nos
termos da jurisprudência do STJ, o reconhecimento de crime único não
implica desconsideração absoluta da conduta referente à prática de ato
libidinoso diverso da conjunção carnal, devendo tal conduta ser valorada na
dosimetria da pena aplicada ao crime de estupro, aumentando a pena-base.
Precedentes citados: HC 243.678-SP, Sexta Turma, DJe 13/12/2013; e REsp
1.198.786-DF, Quinta Turma, DJe 10/04/2014. HC 212.305-DF, Rel. Min.
Marilza Maynard (Desembargadora Convocada do TJ/SE), julgado em
24/4/2014. STJ. 6ª Turma. HC 212.305-DF, Rel. Min. Marilza Maynard
(Des. Conv. TJ/SE), j. em 24/4/2014 (Info 543).
 No mesmo sentido, STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1262650/RS, Rel. Min.
Regina Helena Costa, j. em 05/08/2014.
Do exposto, verifica-se  que o crime de estupro é misto alternativo, podendo
ser praticado por mais de uma conduta. 

Violação sexual mediante fraude: Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar


outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou
dificulte a livre manifestação de vontade da vítima:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. 
Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem
econômica, aplica-se também multa.
O sujeito passivo do crime em tela é a vítima revestida na situação de
vulnerável*?
* (Menor de 14 anos ou quem, por enfermidade ou deficiência mental, não tem
o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra
causa, não pode oferecer resistência).
 
Não, ao contrário, se a vítima for vulnerável, restará cometido o crime de
estupro de vulnerável. Desta forma, qualquer pessoa pode ser sujeito passivo
de tal crime, desde que não se amolde ao conceito penal de vulnerável para
fins sexuais.
 
Estupro de vulnerável
Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso commenor de
14 (catorze) anos:
Pena – reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.
§ 1º Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com
alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa,
não pode oferecer resistência.

Em referência ao delito de violação sexual mediante fraude, acaso seja


cometido com o fim de obtenção de vantagem econômica, o infrator sujeitar-se-
á também à pena de multa?
 

Sim, é o que diz o parágrafo único do art. 215: Se o crime é cometido com o fim
de obter vantagem econômica, aplica-se também multa.

Assédio sexual
Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou
favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior
hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou
função." 

        Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos.


        Parágrafo único.
        § 2o  A pena é aumentada em até um terço se a vítima é menor de 18
(dezoito) anos.
Em se tratando do crime acima descrito, o professor pode ser sujeito ativo de
tal crime em relação aos seus alunos?
 

Não, pois resta ausente a relação derivada do exercício de emprego, cargo ou


função de parte dos discentes, logo, a lei não contemplou tal hipótese.
O líder religioso que assedia sexualmente seus seguidores comete o crime de
assédio sexual?
 

Não, pois resta ausente a relação derivada do exercício de emprego, cargo ou


função de parte dos discentes, logo, a lei não contemplou tal hipótese.

Como se dá a consumação do crime de assédio sexual?


 

Por tratar de crime formal, consuma-se com a prática de um único ato de


assédio, sendo a obtenção da vantagem ou favorecimento sexual mero
exaurimento do crime.

Está correto afirmar que somente mulheres podem ser sujeito passivo de
assédio sexual?
 

Não, é indiferente o sexo da vítima, visto que qualquer pessoa em situação


inferior relativamente a quem ocupa a posição de superior hierárquico ou de
ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.

Menores com idade a partir de 15 anos podem ser sujeitos passivos do crime
de assédio sexual?
 

Sim, considerando que o art. 7º, XXXIII, da CF permite o trabalho das pessoas
com 16 e 17 anos de idade, desde que não seja noturno, perigoso ou insalubre
e para os adolescentes com idade entre 15 e 16 anos, admite-se o trabalho na
condição de aprendiz, logo, como podem trabalhar, nada impede sejam vítimas
de assédio sexual.

Estupro de vulnerável. 
Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de
14 (catorze) anos:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.
Do exposto, podemos afirmar que o sujeito passivo de tal crime é a vítima do
sexo feminino e que a consumação se dá com a conjunção carnal?
 

Não, para ser sujeito passivo de tal crime é irrelevante o sexo da vítima e
caracteriza-se tanto pela conjunção carnal quanto por outro ato libidinoso.

Quem se enquadra no conceito de vulnerável no tipo penal descrito no art. 217-


A?
 Estupro de vulnerável 
Art. 217-A.  Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de
14 (catorze) anos: 
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.
§ 1°  Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com
alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não
pode oferecer resistência. 
 

Três são os sujeitos considerados vulneráveis, quais sejam: 


1-   Menor de 14 (catorze) anos; 
2-   Aquele que, por enfermidade ou deficiência mental, não tenha o necessário
discernimento para a prática do ato; 
3-   Aquele que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.

Para fins penais, considera-se vulnerável o menor entre 14 e 18 anos?


 

Não, o menor de 14 anos é vulnerável, no entanto, se a vítima for pessoa maior


de 14 (catorze) anos e menor de 18 (dezoito) o crime será qualificado. 
Art. 213, § 1º- Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se
avítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: Pena -
reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos.
No crime de estupro de vulnerável violência ou grave ameaça são meios de
execução do delito?
 

Não, o crime de estupro de vulnerável não necessita de violência ou grave


ameaça para se configurar.

A anuência da vítima afasta o crime de estupro de vulnerável?


 

Não, neste crime a anuência da vítima é irrelevante.

O crime de estupro de vulnerável é considerado crime hediondo?


 

Sim, acordo com a Lei de Crimes Hediondos (Art. 1º, V, da Lei 8.072/90), o
estupro, consumado ou tentado, em qualquer das suas espécies – simples ou
qualificadas – é crime hediondo.

A exemplo do que ocorre com o estupro comum, o resultado morte ou lesão


grave qualificam o crime de estupro de vulnerável?

Sim, conforme disposto nos §§ 3º e 4º do art. 217-A do CP, confira:


Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de
14 (catorze) anos:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.
§ 3º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos.
§ 4º- Se da conduta resulta morte:  
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
Está correto afirmar que a prática de conjunção carnal com menor de quatorze
anos em situação de exploração sexual configura crime de favorecimento à
prostituição de vulnerável?
 

Errado, trata-se de crime de estupro de vulnerável.

Corrupção de menores:
Art. 218. Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de
outrem:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.o
Como se consuma este crime?

Estará consumado o crime de corrupção de menores com a realização, pelo


menor de 14 anos, do ato destinado a satisfazer a lascívia de outrem, sendo
irrelevante a satisfação sexual deste. Logo, trata-se decrime material ou
causal.
 
Obs. Diferenciar o crime de corrupção de menores do art. 217 do CP com o
crime de mesmo nome previsto no art. 244-B do ECA. Veja as diferenças.
 
Corrupção de Menores Corrupção de Menores
ECA (Lei 8.069/90) Código Penal

Art. 244-B. Corromper ou facilitar aArt. 218. Induzir alguém menor de 14


corrupção de menor de 18 (dezoito)(catorze) anos a satisfazer a lascívia de
anos, com ele praticando infraçãooutrem:
penal ou induzindo-o a praticá-la:  Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
anos.  
Sujeito Passivo: Menor de 18 Sujeito Passivo: Menor de 14
Crime Formal Crime Material
Súmula 500-STJ: A configuração do
crime previsto no artigo 244-B do
 
Estatuto da Criança e do Adolescente
independe da prova da efetiva 
corrupção do menor, por se tratar de
delito formal.
Na hipótese de A induzir menor de 14 anos a ter conjunção carnal com B, vindo
tal fato se concretizar, A responderá por corrupção de menores e B por estupro
de vulnerável?
 

Errado, B deverá responder pelo crime de estupro de vulnerável (art. 217-A do


CP), e A pelo mesmo crime na condição de partícipe. De se destacar que o
crime de corrupção de menores a satisfação da lascívia há de limitar-se a
atividades sexuais meramente contemplativas, ou seja, a contemplação deve
ser passiva. 

Bino, para atender sua irmã Ilma, por concupiscência desta, convenceu sua
vizinha Vânia, de 12 anos de idade, a assistir Ilma e seu namorado Nestor em
intimidades sexuais. Na hipótese, resta caracterizada o delito de corrupção de
menores?
 

Não, trata-se do crime de satisfação de lascívia mediante presença de


criança ou adolescente, confira: 
Art. 218-A. Praticar, na presença de alguém menor de 14 (catorze) anos, ou
induzi-lo a presenciar, conjunção carnal ou outro ato libidinoso, a fim de
satisfazer lascívia própria ou de outrem.

O crime de satisfação da lascívia mediante a presença de criança ou


adolescente exige dolo específico?
 

Sim, exige-se o especial fim de agir, qual seja, satisfazer lascívia própria ou de


outrem, confira: 
Art. 218-A. Praticar, na presença de alguém menor de 14 (catorze) anos, ou
induzi-lo a presenciar, conjunção carnal ou outro ato libidinoso, a fim de
satisfazer lascívia própria ou de outrem.

O crime de satisfação da lascívia mediante a presença de criança ou


adolescente é crime formal?
 
Sim, pois se consuma no momento em que o menor de 14 anos presencia a
prática da conjunção carnal ou outro ato libidinoso ou, na modalidade induzir,
no instante em que o menor é efetivamente convencido, levado pelo agente a
presenciar o ato sexual. 

Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de


vulnerável.  
Art. 218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de
exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade
ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do
ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone.
Quem pode ser o sujeito passivo do crime de favorecimento à prostituição?
 

Dois são os sujeitos passivos:


1-   Menor de 18 anos;
2-   Aqueles que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato.
Atenção: A Lei n.° 12.978/2014 acrescentou mais um inciso ao art. 1º da Lei
n.° 8.072/90 - Lei de Crimes Hediondos- incluindo também o crime
de  favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de
criança ou adolescente ou de vulnerável, como crime hediondo. 

Está correto afirmar que quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso
com alguém menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) também responde
pelo crime de favorecimento à exploração sexual de vulnerável?

Sim, bem como o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se


verifiquem as práticas de tal crime. Confira: 
Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de
vulnerável: §2º- Incorre nas mesmas penas:
I - quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de
18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste
artigo;  
II - o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem
as práticas referidas no caput deste artigo.

Aquele que pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com menor de que
tem 13 anos de idade comete o crime de favorecimento à prostituição?
 

Não, neste caso haverá o crime de estupro de vulnerável.

Sendo condenado pelo crime de favorecimento da prostituição o proprietário, o


gerente ou o responsável pelo local em que ocorre a prática do, o chamado
proxeneta (cafetão), além da pena cominada, haverá a cassação da licença de
localização e de funcionamento do estabelecimento?
 

Sim, segundo o §3º do art. 218-B do CP, constitui efeito obrigatório da


condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do
estabelecimento.
Por fim, cumpre registrar que se o crime for cometido com a intenção de lucro
também haverá a pena de multa (§1º do art. 218-B do CP).
 

Está correto afirmar que, em regra, os crimes contra a liberdade sexual e


os crimes sexuais contra vulnerável a ação penal será pública
condicionada?
 

Sim, de acordo com o art. 225 do CP, crimes contra a liberdade sexual e os
crimes sexuais contra vulnerável procede-se mediante ação penal pública
condicionada à representação. 
Excepcionalmente, tratando de vítima menor de idade vulnerável, a ação penal
será pública incondicionada (Parágrafo único do Art. 225), confira: 
 Ação penal 
Art. 225.  Nos crimes definidos nos Capítulos I (liberdade sexial) e II (crimes
sexuais contra vulnerável) deste Título, procede-se mediante ação penal
pública condicionada à representação. 
Parágrafo único.  Procede-se, entretanto, mediante ação penal pública
incondicionada se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa
vulnerável. 
Obs. Descata-se que segundo o STJ,   “pessoa vulnerável” de que trata o
parágrafo único é somente aquela que possui uma incapacidade permanente
de oferecer resistência à prática dos atos libidinosos.
Se a pessoa é incapaz de oferecer resistência apenas na ocasião da
ocorrência dos atos libidinosos, ela não pode ser considerada vulnerável para
os fins do parágrafo único do art. 225 do CP, de forma que a ação penal
permanece sendo condicionada à representação da vítima.
STJ. 6ª Turma. HC 276.510-RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
11/11/2014 (Info 553).
 
 

Está correto afirmar que nos crimes contra a dignidade sexual a pena será
aumentada se o crime for cometido por duas ou mais pessoas ou praticado por
ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor,
curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tem
autoridade sobre ela?
 

Cuidado... incidirá aumento de pena nessas hipóteses em relação aos crimes


contra a liberdade sexual e nos crimes sexuais contra
vulnerável. Logo, não incidirá sobre todos os crimes contra a dignidade
sexual. Veja em quais crimes incidirá o aumento de pena.  
Capítulo I- Crimes contra a liberdade Capítulo II- Crimes sexuais contra
sexual vulnerável
Art. 213- Estupro Art. 218- Estupro de vulnerável
Art. 218-A- Satisfação de lascívia
Art. 214- Violação sexual mediante
mediante presença de criança ou
fraude
adolescente
Art. 218-B Favorecimento da
Art. 215- Assédio Sexual prostituição ou outra forma de
exploração sexual de vulnerável
 
Em outras palavras, os crimes contra a liberdade sexual (Cap. I) e os crimes
sexuais contra vulnerável (Cap. II) estão inseridos no Título VI do CP, que trata
dos Crimes contra a dignidade sexual.
 
Qual será o aumento de pena se os crimes contra a liberdade sexual ou crime
sexual contra vulnerável for cometido por ascendente, padrasto ou madrasta,
tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da
vítima ou por qualquer outro título tem autoridade sobre ela?
 

Segundo o art. 226, II, a pena será aumenta da metade se o sujeito ativo for
uma dessas pessoas arroladas acima. Por fim, se tais crimes forem
cometidos mediante concurso de duas ou mais pessoas o aumento será
de quarta parte da pena.

Com se dá a consumação do crime de mediação para servir a lascívia de


outrem?
Art. 227. Induzir alguém a satisfazer a lascívia de outrem:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.

Consuma-se com realização de algum ato sexual pela vítima, voltado à


satisfação da lascívia de alguém, desta forma, trata-se de crime material. 

Ainda sobre o crime de mediação para servir a lascívia de outrem, o §1º do art.
227 qualifica o crime nas hipóteses em que a vítima for maior de 14 (catorze) e
menor de 18 (dezoito) anos, ou se o agente é seu ascendente, descendente,
cônjuge ou companheiro, irmão, tutor ou curador ou pessoa a quem esteja
confiada para fins de educação, de tratamento ou de guarda, cuja pena será de
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
 Sendo a vítima menor de 14 anos, qual será a consequência jurídica?
 

Tratando-se de vítima menor de 14 anos, segundo Capez, haverá a


participação do crime de corrupção de menores (Art. 218. Induzir alguém
menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de outrem: Pena - reclusão,
de 2 (dois) a 5 (cinco) anos).
 
 
Alerta Cléber Masson que, sendo a vítima criança (pessoa com menos de 12
anos de idade) e a instigação relacionar-se a ato libidinoso a ser realizado com
o próprio instigador, estará caracterizado o crime de aliciamento de criança
para fins libidinosos (art. 241-D da Lei 8.069/1990 – ECA). 

Em relação ao crime de mediação para servir a lascívia de outrem, o emprego


de violência, grave ameaça ou fraude qualificam o crime?
 

Sim, segundo o §2º do art. 227, se o crime é cometido com emprego de


violência, grave ameaça ou fraude, a pena será de reclusão de quatro a dez
anos, além da pena correspondente à violência, ao passo que na forma
simples a pena de reclusão será de 1 a 3 anos.
Destaca-se ainda que, se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se
também multa (§3º).

Quais são as ações nucleares do crime de favorecimento da prostituição ou


outra forma de exploração sexual?
Art. 228. Induzir ou atrair alguém à prostituição ou outra forma de exploração
sexual, facilitá-la, impedir ou dificultar que alguém a abandone. 
 

Cinco são os núcleos do tipo:


1- induzir (persuadir);
2- atrair (seduzir, convidar a vítima à prostituição);
3-  facilitar (arrumar clientes);
4-  impedir o abandono (proibir que saia do prostíbulo).
5-  Forma omissiva; o agente tem o dever jurídico de impedir o resultado e não
o faz;
6-  dificultar que alguém a abandone.  
 Desta forma, podemos afirmar que o crime em análise é mais uma hipótese de
tipo misto alternativo ou ação múltipla, nos quais a realização de mais de um
núcleo em relação à mesma vítima configura crime único. 
Está correto afirmar que qualquer pessoa pode ser sujeito passivo do crime de
favorecimento à prostituição?
 

Cuidado, de fato se trata de crime comum, em que o sujeito passivo pode ser
qualquer pessoa. No entanto, no crime em tela, a vítima deve ter idade igual
ou superior a 18 anos e dotada de discernimento para a prática do ato,
pois, se menor que esta idade ou que, por enfermidade ou doença mental,
não tenha o necessário discernimento para a prática do ato, incidirá o
crime de favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração
sexual de vulnerável (art. 218-B do CP).
Atenção. Cabe aqui chamar a atenção que a Lei n.° 12.978/2014 acrescentou
mais um inciso ao art. 1º da Lei n.° 8.072/90, transformando em crime hediondo
o favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de
criança ou adolescente ou de vulnerável, delito previsto no art. 218-B, caput, e
§§ 1º e 2º do Código Penal.

O que se entende por lenocínio mercenário?


 

É a exploração sexual de outrem com o fim de lucro, em outras palavras, é a


figura qualificada do crime de favorecimento da prostituição ou outra forma de
exploração sexual (art. 228, §3º). 

Vimos que o lenocínio mercenário qualifica o crime de favorecimento da


prostituição ou outra forma de exploração sexual. Está correto afirmar que
também qualifica o crime se o agente for ascendente, padrasto, madrasta,
irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou curador, preceptor ou
empregador da vítima, ou se assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de
cuidado, proteção ou vigilância?
 

Sim, além das duas situações mencionadas, também qualifica o crime se este
for cometido mediante violência, grave ameaça ou fraude, confira:
Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual
Art. 228. Induzir ou atrair alguém à prostituição ou outra forma de exploração
sexual, facilitá-la, impedir ou dificultar que alguém a abandone:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
§ 1º- Se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge,
companheiro, tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima, ou se
assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos.
§ 2º - Se o crime, é cometido com emprego de violência, grave ameaça ou
fraude:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, além da pena correspondente à
violência.
§ 3º - Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa.

Acerca do crime “casa de prostituição*”, imagine a seguinte situação: Bino é


proprietário de um bar e propõe sociedade a Bráulio, delegando a este a
administração do estabelecimento. Bráulio, por conta própria, com a intenção
de obter lucros maiores, começa a explorar no local uma casa de prostituição.
Nesse caso, como Bino desconhece a atividade, restará afastada sua
responsabilidade em relação ao crime de casa de prostituição?
 *Casa de prostituição
Art. 229. Manter, por conta própria ou de terceiro, estabelecimento em que
ocorra exploração sexual, haja, ou não, intuito de lucro ou mediação direta do
proprietário ou gerente.
 

Sim, segundo entende a doutrina, a falta de conhecimento da finalidade ilícita


do estabelecimento torna o fato atípico em relação ao proprietário em
decorrência da ausência do dolo. 

Para a caracterização do crime de casa de prostituição, é exigido o intuito de


lucro?
 

Não, o dolo exigido para a caracterização do crime consiste na vontade livre e


consciente de manter a casa de prostituição, não sendo exigido como
especial fim de agir (dolo específico) a obtenção de lucro, conforme disposto no
próprio caput do artigo, confira: 
Art. 229. Manter, por conta própria ou de terceiro, estabelecimento em que
ocorra exploração sexual, haja, ou não, intuito de lucro ou mediação direta do
proprietário ou gerente.  
Para a consumação do crime de casa de prostituição é exigido ao menos a
ocorrência de uma relação sexual?
 

Não, não há tal necessidade. Segundo a doutrina, tal crime é habitual,


consumando-se com a efetiva manutenção do estabelecimento, evidenciada
pela reiteração de atos indicativos de exploração sexual, dispensando-se, no
entanto, a prática de qualquer ato sexual.

Quando se dá a consumação do crime de rufianismo? 


Rufianismo: Art. 230 - Tirar proveito da prostituição alheia, participando
diretamente de seus lucros ou fazendo-se sustentar, no todo ou em parte, por
quem a exerça: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos e multa. 
 

O rufianismo se consuma com o efetivo proveito obtido pelo agente, de


forma que se trata de crime material ou causa. Destaca-se ainda que o crime é
habitual, e só restará caracterizado se a conduta se protrair no tempo.

Está correto afirmar que somente a mulher pode ser sujeito passivo do crime
de rufianismo?
 

Não, qualquer pessoa, independente do sexo, pode ser sujeito passivo de tal
crime. Importante chamar a atenção para o fato de que se a vítima for
pessoa menor de 18 e maior de 14 anos, o crime será qualificado (art. 230, §
1º, primeira parte, do CP).

O crime de rufianismo admite como sujeito passivo menor de 14 anos de idade


ou vulnerável?
 
Não, sendo estes os sujeitos passivos, o crime será o de exploração sexual
de vulnerável, previsto no art. 218-B do CP, com aplicação cumulativa da
pena de multa, nos termos do § 1º, em face da indisfarçável intenção de obter
vantagem econômica. 
Lembrando que o crime de favorecimento da prostituição ou de outra forma de
exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável, delito previsto
no art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º do Código Penal, agora também é
considerado crime hediondo, conforme acrescentado pela Lei 12.978/ 2014.  

Na hipótese em que o rufianismo é exercido pelo pai ou mãe do sujeito passivo


o crime será privilegiado?
 

Não, ao revés, pois além da menoridade da vítima (menor de 18 e maior de


14), também será qualificado o crime se cometido pr ascendente, padrasto,
madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou curador, preceptor
ou empregador da vítima, ou por quem assumiu, por lei ou outra forma,
obrigação de cuidado, proteção ou vigilância. 

Tráfico internacional de pessoa para fim de exploração sexual:


Art. 231. Promover ou facilitar a entrada, no território nacional, de alguém que
nele venha a exercer a prostituição ou outra forma de exploração sexual, ou a
saída de alguém que vá exercê-la no estrangeiro.
 No crime acima, sendo a pessoa prostituída maior e capaz, seu consentimento
torna a ação atípica?
 

Não, como também é no crime de lenocínio, o consentimento do ofendido é


IRRELEVANTE, haja vista que tais crimes têm como objeto de proteção a
moralidade sexual na sociedade, bem jurídico indisponível, além de
proteger as vítimas do crime. 

Podemos afirmar que o crime de tráfico internacional de pessoa para fim de


exploração sexual se consuma com a efetiva prática da prostituição?
 
Não, estará consumado o crime com a entrada no território nacional, ou
com a saída dele, da pessoa que irá exercer a prostituição ou qualquer outra
forma de exploração sexual. Desta forma, podemos afirmar que se trata de
crime formal ou de resultado cortado.

Teobaldo, com a intenção de explorar sexualmente Guadalupe, recém chegada


do Haiti, paga ao dono do navio que a trouxe a quantia de 5 mil reais. Nesta
hipótese, está correto afirmar que Teobaldo incorreu no crime de tráfico
internacional de pessoa para fim de exploração sexual?
 

Sim, pois segundo o §1º do art. 231, incorre na mesma pena aquele


que agenciar, aliciar ou comprar a pessoa traficada, assim como, tendo
conhecimento dessa condição, transportá-la, transferi-la ou alojá-la.

O fato de a vítima ser menor de 18 anos qualifica o crime de tráfico


internacional de pessoa para fim de exploração sexual? 
 
 

Não, segundo o CP, trata-se de causa de aumento de pena, confira:


Art. 231- §2º- A pena é aumentada da metade se:
I - a vítima é menor de 18 (dezoito) anos;
II - a vítima, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato;
III - se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge,
companheiro, tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima, ou se
assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
IV - há emprego de violência, grave ameaça ou fraude.
Fique atento, pois na maioria dos crimes contra a dignidade sexual
taiscircunstâncias qualificam o crime, ou seja, cominam penas próprias,
maiores que as cominadas ao tipo simples.
Por fim, nos termos do §3º, se o crime for cometido com o fim de obter
vantagem econômica, aplica-se também multa. 

Em relação ao crime de tráfico interno para fins de exploração sexual, reclusão


de 2 a 6 anos (art. 231-A), por ser menos grave que o internacional, reclusão
de 3 a 8 anos, está correto afirmar que o consentimento do sujeito passivo
torna atípica a conduta? 
 

Não, o crime de tráfico interno tem basicamente as mesmas características no


tráfico internacional, diferenciam-se, além das penas cominadas em mais dois
pontos:
1-    A área de incidência, considerando que o tráfico internacional exige a
entrada ou saída da vítima do país;
2-   A competência, considerando que em relação ao tráfico internacional é
competente a Justiça Federal, ao passo que no tráfico interno, a competência
será da Justiça Estadual.

Está correto afirmar que os crimes contra a dignidade sexual (Título VI do CP)
correrão em segredo justiça?

Sim, segundo o Art. 234-B do CP, os processos em que se apuram crimes


definidos no Título VI do CP correrão em segredo de justiça, ou seja, todos os
crimes contra a dignidade sexual 

O Título X do Código Penal traz os crimes contra a Fé Pública (dentre eles


moeda falsa, falsidade de títulos e outros papéis públicos, falsidade documental
etc.). Nestes crimes é aceita a aplicação do princípio da insignificância?
 

Segundo a doutrina, a fé pública é a crença na veracidade dos documentos,


símbolos e sinais que são empregados pelo homem em suas relações em
sociedade. Não há, nos dias atuais, como se viver sem o uso de papel-moeda,
cheques, documentos de veículos, Carteira de Habilitação e de identidade,
contratos, notas fiscais etc. Se a falsificação desses papéis não fosse
considerada crime de certa gravidade, ninguém acreditaria quando algum deles
lhe fosse apresentado, prejudicando sobremaneira as relações sociais
e jurídicas.
Dessa forma, tendo em vista a relevância do bem jurídico, é firme o
entendimento de que não é admitido, mesmo na hipótese de moeda falsa,
contrafação ou alteração seja de valores ínfimos a incidência do princípio
da insignificância.
Todos os crimes contra a fé pública somente são punidos a título de dolo? 
 

Sim, o CP não previu qualquer crime contra a fé pública a título culposo. 
Importante destacar aqui que os crimes contra a fé pública possuem os
seguintes requisitos: 
1- Imitação da verdade, se subdivide em : 
a) immutatio veri: mudança do verdadeiro (ex.: modificar o teor de um
documento já existente);
b) imitatio veritatis: imitação da verdade (ex.: criar um documento falso
imitando um verdadeiro).
2- Dano potencial: O prejuízo não precisa efetivamente ocorrer, basta que a
falsificação seja apta a provocar erro. 
3- Dolo. Todos os crimes contra a fé pública são dolosos. Não existe
qualquer modalidade culposa.

Segundo o art. 289 do Código Penal, constitui o crime de moeda


falsa: falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel-moeda
de curso legal no país ou no estrangeiro.
Nesse crime é exigível a intenção de lucro?

Não, basta somente o dolo, consubstanciado na vontade livre e consciente de


falsificar a moeda metálica ou papel-moeda, fabricando-a ou alterando-a,
sendo dispensável o animus lucrandi. 

Para a consumação do crime de moeda falsa, é necessário que o objeto do


crime seja posta em circulação? 

Não, o crime estará consumado com a mera falsificação/ alteração da moeda


metálica ou papel-moeda, desde que idônea a enganar as pessoas em
geral. 

É elemento do tipo do crime de papel moeda a idoneidade para ludibriar


terceiros.
Sendo a falsificação/ alteração inidônea para tal fim, a conduta será atípica?
Depende. Para melhor entendermos, primeiramente importante conhecer a
Súmula nº 73 do STJ, confira:
"A utilização de papel-moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o
crime de estelionato, de competência da Justiça Estadual".
No entanto, segundo o STF, se a falsificação for grosseira a ponto de não
ser hábil a ludibriar terceiros, não há crime de estelionato” (STF, HC
83.526/CE)
Resumindo, se a falsificação/ alteração for: 
1- Apta a enganar as pessoas em geral- Moeda Falsa; 
2- Apta a enganar algum incauto, ingênuo- Estelionato; 
3- Inapta a enganar qualquer pessoa- Fato atípico. 

A competência para julgar o crime de moeda falsa é da justiça federal?


 

Sim, pois há ofensa a interesse da União, pois a esta compete emitir moeda. 

O crime de moeda falsa admite tentativa?


 

Prevalece que sim. Cabe ainda destacar que a simples posse ou guarda de


instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à fabricação de
moeda, enseja o reconhecimento do crime de petrechos para falsificação de
moeda, tipificado no art. 291 do CP.

O § 1º  do art. 289 traz o crime de moeda falsa por equiparação, confira:
Nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia, importa ou
exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz na
circulação moeda falsa.
Do exposto, pergunta-se: aquele que falsifica/ altera a moeda pode ser autor
também deste crime? 

Não, trata-se de conduta posterior à prática do crime de moeda falsa, de forma


que o autor deste crime não pode ter cometido o crime de moeda falsa. 
Está correto afirmar que aquele que recebe de boa-fé, como verdadeira, moeda
falsa e a restitui à circulação, depois de conhecer a falsidade, não comete
nenhum crime?
 

Errado, comete o crime de moeda falsa privilegiada, conforme previsto no art.


289, §2º, confira:
“Quem, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira, moeda falsa ou
alterada, a restitui à circulação, depois de conhecer a falsidade, é punido
com detenção, de seis meses a dois anos, e multa”.

O crime de moeda falsa privilegiado (“Quem, tendo recebido de boa-fé, como


verdadeira, moeda falsa ou alterada, a restitui à circulação, depois de conhecer
a falsidade, é punido com detenção, de seis meses a dois anos, e
multa”) admite modalidade culposa? 
 

Não, sequer é aceito o dolo eventual, somente o dolo direto é elemento


subjetivo do crime. Veja que o tipo penal traz a expressão "depois de conhecer
a falsidade". 

O §3º do art. 289 prevê o crime de moeda falsa qualificado: in verbis:


É punido com reclusão, de três a quinze anos, e multa, o funcionário público
ou diretor, gerente, ou fiscal de banco de emissão que fabrica, emite ou
autoriza a fabricação ou emissão: I - de moeda com título ou peso inferior ao
determinado em lei; II - de papel-moeda em quantidade superior à autorizada.
Podemos dizer que tal conduta pode ser classificada com um crime próprio?
 

Podemos sim, pois somente pode ser praticado pelas pessoas


expressamente indicadas no tipo penal, quais sejam: funcionário público,
diretor, gerente ou fiscal de banco de emissão da moeda.

Aquele que desvia e faz circular moeda, cuja circulação não estava ainda
autorizada, comete o crime de desvio de moeda e circulação antecipada (art.
289, §4º).
A posterior autorização para circulação torna a conduta atípica?
 

Errado, tal crime restará consumado com o desvio/ efetiva circulação


antecipada da moeda, sendo irrelevante posterior autorização, bem como será
irrelevante se sobrevier prejuízo a terceiros. 

Quando se dá a consumação do crime assimilado a moeda falsa do Art. 290 do


CP?
"Art. 290: Formar cédula, nota ou bilhete representativo de moeda com
fragmentos de cédulas, notas ou bilhetes verdadeiros; suprimir, em nota,
cédula ou bilhete recolhidos, para o fim de restituí-los à circulação, sinal
indicativo de sua inutilização; restituir à circulação cédula, nota ou bilhete em
tais condições, ou já recolhidos para o fim de inutilização".
 

Consuma-se com a formação da nota, cédula ou bilhete; ou com a supressão


do sinal indicativo de inutilização ou com a sua restituição à circulação nas
condições referidas no artigo. Por fim, tal crime admite a tentativa. 

Analise a assertiva: A conduta de quem Fabrica, adquire, fornece, a título


oneroso ou gratuito, possui ou guardar maquinismo, aparelho, instrumento ou
qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de moeda comete o
criem de moeda falsa na forma tentada?
 

Errado, comete o crime autônomo de Petrechos para falsificação de


moeda, previsto no art. 291 do Código Penal. Trata-se do chamado crime
obstáculo, nos quais o legislador incrimina, de forma autônoma, atos
preparatórios de outros delitos. 
Petrechos para falsificação de moeda
        Art. 291 - Fabricar, adquirir, fornecer, a título oneroso ou gratuito, possuir
ou guardar maquinismo, aparelho, instrumento ou qualquer objeto
especialmente destinado à falsificação de moeda:
        Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
Como se consuma o crime de emissão de título ao portador sem permissão
legal?
Art. 292. Emitir, sem permissão legal, nota, bilhete, ficha, vale ou título que
contenha promessa de pagamento em dinheiro ao portador ou a que falte
indicação do nome da pessoa a quem deva ser pago. 

Por também se tratar de crime formal, consuma-se com a emissão do título


ao portador, isto é, com sua colocação em circulação, ainda que não cause de
prejuízo efetivo a alguém.

Constitui o crime de falsificação de papéis públicos a conduta do Art. 293.


Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:
I – selo destinado a controle tributário, papel selado ou qualquer papel de
emissão legal destinado à arrecadação de tributo;
II – papel de crédito público que não seja moeda de curso legal;
III – vale postal;
IV – cautela de penhor, caderneta de depósito de caixa econômica ou de outro
estabelecimento mantido por entidade de direito público;
V – talão, recibo, guia, alvará ou qualquer outro documento relativo a
arrecadação de rendas públicas ou a depósito ou caução por que o poder
público seja responsável;
VI – bilhete, passe ou conhecimento de empresa de transporte administrada
pela União, por Estado ou por Município:
Pena – reclusão, de dois a oito anos, e multa.
§ 1º Incorre na mesma pena quem:
I – usa, guarda, possui ou detém qualquer dos papéis falsificados a que se
refere este artigo;
II – importa, exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda, fornece ou
restitui à circulação selo falsificado destinado a controle tributário
III – importa, exporta, adquire, vende, expõe à venda, mantém em depósito,
guarda, troca, cede, empresta, fornece, porta ou, de qualquer forma, utiliza em
proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial,
produto ou mercadoria:
a) em que tenha sido aplicado selo que se destine a controle tributário,
falsificado;
b) sem selo oficial, nos casos em que a legislação tributária determina a
obrigatoriedade de sua aplicação.
§ 2º Suprimir, em qualquer desses papéis, quando legítimos, com o fim de
torná-los novamente utilizáveis, carimbo ou sinal indicativo de sua inutilização:
Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 3º Incorre na mesma pena quem usa, depois de alterado, qualquer dos
papéis a que se refere o parágrafo anterior.
§ 4º Quem usa ou restitui à circulação, embora recebido de boa-fé, qualquer
dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem este artigo e o seu § 2º,
depois de conhecer a falsidade ou alteração, incorre na pena de detenção, de 6
(seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa.
§ 5º Equipara-se a atividade comercial, para os fins do inciso III do § 1º,
qualquer forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em
vias, praças ou outros logradouros públicos e em residências.
A conduta de fabricar, adquirir, fornecer, possuir ou guardar objeto
especialmente destinado à falsificação de qualquer dos papéis mencionados
acima consiste na tentativa de tal crime?
 
 
 

Não, a exemplo do crime de petrechos para falsificação de moeda, trata-se


também de crime autônomo previsto no art. 294 do CP. 

O agente que falsifica selo ou sinal público comete o crime de falsificação de


documento público?

Não, comete o crime de falsificação do selo ou sinal público, previsto no


art. 296.
Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:
I – selo público destinado a autenticar atos oficiais da União, de Estado ou de
Município;
II – selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público, ou a autoridade,
ou sinal público de tabelião:
Pena – reclusão, de dois a seis anos, e multa.
§ 1º Incorre nas mesmas penas:
I – quem faz uso do selo ou sinal falsificado;
II – quem utiliza indevidamente o selo ou sinal verdadeiro em prejuízo de
outrem ou em proveito próprio ou alheio.
III – quem altera, falsifica ou faz uso indevido de marcas, logotipos, siglas ou
quaisquer outros símbolos utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades
da Administração Pública. 

Constitui o crime de falsificação de documento público o ato de “Falsificar, no


todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público
verdadeiro” (art. 297).
O § 2º informa que para os efeitos penais, equiparam-se a documento público: 
1- o emanado de entidade paraestatal; 
2- o título ao portador ou transmissível por endosso; 
3- as ações de sociedade comercial;
4- os livros mercantis; 
5- o testamento particular.  
 Para a caracterização de tal crime será imprescindível (indispensável) a
idoneidade para ludibriar as pessoas em geral? 

Sim, será imprescindível a potencialidade de dano. Logo, a falsificação não


pode ser grosseira, sob pena de exclusão do delito de falso haja vista a
presença de crime impossível. 

A falsificação de testamento particular constitui crime de falsificação de


documento particular?

Não, segundo o §2º do art. 297, equiparam-se a documentos públicos: 


1- emanado de entidade paraestatal; 
2- o título ao portador ou transmissível por endosso; 
3- as ações de sociedade comercial; 
4- os livros mercantis; 
5- o testamento particular.
 

Aquele que insere em Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado


declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita comete o crime de
falsificação de documento público?
 

Sim, no caso, por equiparação, segundo o § 3º do art. 297, incorre nas


mesmas penas de falsificação de documento público quem insere ou faz
inserir:
I – na folha de pagamento ou em documento de informações que seja
destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a
qualidade de segurado obrigatório;
II – na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em
documento que deva produzir efeito perante a previdência social,
declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita;  
III – em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com
as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou
diversa da que deveria ter constado.
Se o crime de falsificação de documento público incidir sobre a CTPS, a
competência será da Justiça Federal?
 

Muita atenção aqui. Até há pouco tempo prevalecia o entendimento de que a


competência seria da Justiça Estadual, confira: STF, "é firme a jurisprudência
do Supremo Tribunal Federal no sentido de que a competência para processar
e julgar o delito de anotação falsa em CTPS é da Justiça Estadual, em casos
como o dos autos, em que não há lesão ao INSS capaz de atrair a
competência da Justiça Federal. (AG.REG. NO RECURSO
EXTRAORDINÁRIO RE 649998 GO, 29/03/2012). 
No entanto, destaca-se que no julgamento CC 135.200-SP, ficou estabelecido
que cabe à Justiça Federal (e não à Justiça Estadual) processar e julgar o
crime caracterizado pela omissão de anotação de vínculo empregatício na
CTPS (art. 297, § 4º, do CP). Segundo ficou estabelecido no acórdão, no delito
tipificado no art. 297, § 4º, do CP, o sujeito passivo é o Estado (Previdência
Social), uma vez que a ausência de anotação de informações relativas ao
vínculo empregatício na CTPS afeta diretamente a arrecadação
das contribuições previdenciárias (espécie de tributo), já que estas são
calculadas com base no valor do salário pago ao empregado. Assim, quando o
patrão omite os dados de que trata o § 4º, ele está lesando, em primeiro lugar,
a arrecadação da Previdência Social, administrada pelo INSS, que é uma
autarquia federal. O empregado é prejudicado de forma apenas indireta,
reflexa. 
(STJ. 3ª Seção, Rel. originário Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min.
Sebastião Reis Júnior, julgado em 22/10/2014 (Info 554). 

O crime de falsificação de documento público se consuma com no momento da


alteração/ falsificação do documento ou com o seu efetivo uso?
 
 

O crime em tela é , conforme já manisfestado pelo STF, confira:


“Falsificação de documento público. Crime formal. Inexistência de prejuízo.
Irrelevância. Consumação no momento da falsificação ou alteração. (...) O
delito de falsificação de documento público é crime formal, cuja consumação
se dá no momento da falsificação ou da alteração do documento” (STF:
RHC 91.189/PR, rel. Min. Cezar Peluso, 2ª Turma, j. 09.03.2010).
O uso de documento falso emitido pela União atrai a competência da Justiça
Federal?
 

Não, segundo o STJ, “é pacífica a jurisprudência desta Corte Superior de


Justiça no sentido de que não havendo ofensa a bens, serviços ou
interesse da União, a competência para processamento e julgamento do
feito é da Justiça Estadual, ficando afastada a competência fixada pelo art.
109, IV, da Constituição Federal. Ao que se tem, os autos dão conta de que
não houve intenção ou tentativa de se causar lesão a bens, serviços ou
interesses da União. O documento supostamente falsificado (teria sido
expedido pela Justiça Federal), entretanto, foi utilizado para fins
particulares, ou seja, celebrar compromisso de compra e venda de
imóvel. Assim, forçoso reconhecer que não há violação a interesses, bens
ou serviços da União, mas, sim, prejuízo a particular, no caso, o promitente
comprador do imóvel, motivo porque é competente para apreciar o suposta
prática do delito de falsificação de documento a Justiça Estadual” (STJ: HC
143.645/SP, rel. Min. Og Fernandes, 6ª Turma, j. 05.08.2010, noticiado no
Informativo 441).

O advogado que altera clandestinamente petição inicial por ele protocolizada,


substituindo uma folha por outra, comete o crime de falsificação de documento
público? 

Não, segundo o STJ, tal conduta não se adéqua  ao crime em tela, confira a
ementa:  
(...) Petição inicial. Caráter propositivo. A exordial (Petição Inicial) não se
equipara a documento, pois as alegações ali deduzidas serão objeto de
análise pelo Poder Judiciário, bem como poderão ser contraditadas pela parte
adversa e por todos os meios de prova admitidos em Direito. HC 222613/ TO
de Superior Tribunal de Justiça, Sexta Turma, 24 de Abril de 2012. 

O cartão de crédito, assim como o cheque, é documento particular equiparado


a documento público por expressa determinação legal (art. 297, § 2º, do CP)?

Errado, o cheque é documento particular equiparado a documento público. Já o


cartão de crédito é documento particular.
Falsificação de documento particular. Art. 298 - Falsificar, no todo ou em parte,
documento particular ou alterar documento particular verdadeiro:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
Falsificação de cartão.
Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, equipara-se a documento
particular o cartão de crédito ou débito. 

O crime de falsidade ideológica exige dolo específico?


Art. 299. Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele
devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da
que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar
a verdade sobre fato juridicamente relevante. 
 

Sim, conforme se depreende da leitura do tipo penal, o dolo deve ser


direcionado a “prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade
sobre fato juridicamente relevante”.

Está correto afirmar que o crime de falsidade ideológica pode ser cometido
tanto de forma comissiva quanto omissiva?
 

 
Correto, confira: 
1- Modalidade Omissiva: Omitir, em documento público ou particular,
declaração que dele devia constar; 
2- Modalidade Comissiva: Fazer inserir declaração falsa ou diversa da que
devia ser escrita (...).

Se a falsidade contida em um documento for juridicamente irrelevante ainda


assim haverá crime de falsidade ideológica?
 

Errado, para a configuração do crime o fato fantasiado deve ser juridicamente


relevante, revestido de potencialidade lesiva.
O crime de falsidade ideológica admite tentativa? 

Sim, desde que na modalidade comissiva (...fazer inserir declaração falsa ou


diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação
ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante). 

Quando se consuma o crime de falsidade ideológica?


 

Por ser crime formal, estará consumado com a omissão, em documento público
ou particular, de declaração que dele devia constar ou com a inserção de
declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita.

Se declaração falsa for utilizada com finalidade de suprimir ou reduzir tributo


haverá crime de falsidade ideológica ou crime tributário?

Na hipótese somente será punido o crime contra a ordem tributária (art. 1º,


I e II, da Lei 8.137/1990), pois tal crime tem como meio de execução a
falsidade ideológica. Em situações como esta, o crime contra a fé pública fica
absorvido, do contrário, haveria dupla punição pelo mesmo fato. Lembremos
que o conflito aparente de leis penais é superado pelo princípio da consunção.

Imagine a seguinte situação. Caim insere sua fotografia na carteira de


habilitação de Abel, já que não possuía habilitação. Na hipótese em tela, há
crime de falsidade ideológica?
 

Não, trata-se de crime de falsidade documental, pois houve alteração física do


documento. Na falsidade ideológica oo documento é materialmente verdadeiro,
sendo falso o seu teor, já que o que ali consta não corresponde à realidade.

Em quais hipóteses será majorada a pena da falsidade ideológica?


 
Segundo o Parágrafo único do artigo 299, a pena seja majorada da sexta
parte: 
Ø   Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do
cargo; 
Ø   Se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumenta-
se a pena de sexta parte.

Falsidade ideológica: Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular,


declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração
falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar
obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e
reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular.
Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime
prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento
de registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte.
A par da análise do dispositivo legal, a inscrição de nascimento inexistente é
causa de aumento de pena prevista no p. único do art. 299 supra transcrito?
 
 

Não, na hipótese de falsificação do registro civil recair sobre a inscrição de


nascimento inexistente, estará caracterizado o crime tipificado no art. 241 do
CP (DOS CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO. Registro de
nascimento inexistente. Art. 241 - Promover no registro civil a inscrição de
nascimento inexistente. Pena: reclusão de 2 a 6 anos).

Quem reconhece, como verdadeira, no exercício de função pública, firma ou


letra que o não seja comete o crime de falsidade ideológica majorado?

Não, nesse caso haverá o crime de falso reconhecimento de firma ou letra:


Art. 300. Reconhecer, como verdadeira, no exercício de função pública, firma
ou letra que o não seja. Pena – reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa,
se o documento é público; e de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa, se o documento
é particular.

O crime de falso reconhecimento de firma ou letra: Art. 300. Reconhecer, como


verdadeira, no exercício de função pública, firma ou letra que o não seja. É
crime próprio?
 
Sim, pois somente pode ser cometido pelo funcionário público dotado de fé
pública, ou seja, com atribuição para o reconhecimento de firma ou letra como
verdadeiras, como no caos dos tabeliães. 

Quando se consuma o crime de falso reconhecimento de firma ou letra?


 

Po ser crime formal, restará consumado no momento em que o funcionário


público, reconhece como verdadeira, no desempenho das suas funções, firma
ou letra que não o seja.

Imagine a seguinte situação. Luizinho, escrivão do cartório do crime, emite


certidão com informação falsa apta a evitar que Márcio sirva como jurado.
Nessa hipótese temos o crime de falsidade ideológica?
 

Errado, trata-se do crime de certidão ou atestado ideologicamente


falso, previsto no Art. 301- Atestar ou certificar falsamente, em razão de
função pública, fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público,
isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem. 

Quem falsifica, no todo ou em parte, atestado ou certidão, ou altera seu teor,


para provar fato ou circunstância que lhe habilite a obter cargo público comete
o crime de falsidade ideológica?
 

Não, na falsidade ideológica o documento não apresenta qualquer rasura,


emenda, acréscimo ou subtração de letra ou algarismo. Há apenas, uma
mentira reduzida a escrito, através de documento que, sob o aspecto material,
é de todo verdadeiro. Na conduta acima descrita, observe o agente altera
fisicamente o documento, sendo a conduta crime de falsidade material de
atestado ou certidão, confira:  
Falsidade material de atestado ou certidão: Art. 301, § 1º - Falsificar, no todo
ou em parte, atestado ou certidão, ou alterar o teor de certidão ou de atestado
verdadeiro, para prova de fato ou circunstância que habilite alguém a obter
cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer
outra vantagem: Pena - detenção, de três meses a dois anos.

Falsidade de atestado médico: Art. 302 -Dar o médico, no exercício da sua


profissão, atestado falso.
Se tal crime for praticado para a prática de fraude à previdência, e conhecendo
o médico esta circunstância, está correto dizer que o médico deverá responder
somente pela fraude na condição de partícipe?
 

Exatamente, temos aí mais um exemplo de consunção, em que o crime mais


grave absorve o menos grave. Cabe aqui informar que se trata de crime
próprio, somente sendo praticado por médico no exercício da profissão. 

O artigo Art. 302 do CP (Dar o médico, no exercício da sua profissão, atestado


falso) criminaliza o médico que dá atestado. No entanto, se o atestado for dado
por dentista, psicólogo, fisioterapeuta a conduta será atípica por falta de
previsão legal?
 

Errado, se o atestado falso for emitido por estes profissionais, o crime será
de falsidade ideológica (art. 299 do CP).
Atenção: Sendo o médico funcionário público e fornecer atestado falso para
alguém que seja habilitado a obter cargo público, isenção de ônus ou de
serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem relacionada ao serviço
público, o crime será de atestado ideologicamente falso, definido no art. 301,
caput, do Código Penal. 
Certidão ou atestado ideologicamente falso: Art. 301 - Atestar ou certificar
falsamente, em razão de função pública, fato ou circunstância que habilite
alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter
público, ou qualquer outra vantagem: Pena - detenção, de dois meses a um
ano.

Se o crime falsidade de atestado médico for praticado com o fim de lucro a


pena será dobrada? 

Não, mas incidirá também multa, confira:


 
Art. 302 - Dar o médico, no exercício da sua profissão, atestado falso
Parágrafo único - Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se
também multa.

O crime de falsidade de atestado médico se consuma quando o atestado


médico é apresentado?
 

Errado, consuma-se no momento em que o médico entrega o falso atestado,


independentemente da sua utilização posterior do documento.
 

Se a pessoa que recebe o atestado médico falso o utiliza para obter vantagem,
cometerá o crime de uso de documento falso?
 

Correto, conforme previsto no art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis
falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302. 

Como se consuma o crime de uso de documento falso?


 

Consuma-se com o efetivo uso, apresentação à autoridade, de forma que se o


indivíduo apenas portar o documento não haverá crime. Trata-se de crime
formal ou de resultado antecipado.

Imagine a seguinte situação. Rubinho, por não ter conseguido tirar sua carteira
de habilitação, possui uma CNH falsa. Desta forma, quando Rubinho conduz
veículo automotor, já pratica o uso de documento falso, independentemente de
apresentar ou não o documento falso à autoridade?
 

Prevalece o entendimento que sim, tendo em vista que o CTB determina que
“É obrigatório o porte da Permissão para Dirigir ou da Carteira Nacional de
Habilitação quando o condutor estiver à direção do veículo”. Nesse sentido,
quem conduz veículo automotor já está utilizando a carteira de habilitação. 

Para a caracterização crime de uso de documento falso, tanto a falsidade pode


ser ideológica quanto material?
 

Correto, qualquer documento previsto nos artigos 297 a 301 do CP servem de


meio para o crime de usos de documento falso.
Documento público (art. 297), documento particular (art. 298), documento
público ou particular ideologicamente falso (art. 299), documento contendo
falso reconhecimento de firma ou letra (art. 300), certidão ou atestado
ideologicamente falso (art. 301), atestado ou certidão materialmente falso (art.
301, § 1º) e atestado médico falso (art. 302).

Está correto afirmar que não constitui crime o uso de documento falso quando
o agente o faz com o propósito de ocultar antecedentes criminais ou evitar
medida coercitiva como a prisão em flagrante, haja vista tal conduta estar
protegida pelo princípio da não auto- incriminação? 

Não, malgrado este já tenha sido o entendimento do STJ, hoje está pacificado
que há a ocorrência do crime em tal situação, confira duas ementas do STF
sobre o tema, uma referente ao crime de uso de documento falso e outra, com
repercussão geral, sobre o crime de falsa identidade. Destacando que os
argumentos são aplicáveis em ambas hipóteses.
HABEAS CORPUS. PENAL. USO DE DOCUMENTO FALSO. ATIPICIDADE.
INOCORRÊNCIA.
O fato de o paciente ter apresentado à polícia identidade com sua foto e
assinatura, porém com impressão digital de outrem, configura o crime do art.
304 do Código Penal. Havendo adequação entre a conduta e a figura típica
concernente ao uso de documento falso, não cabe cogitar de que a
atribuição de identidade falsa para esconder antecedentes criminais
consubstancia autodefesa. Ordem denegada. (HC 92763, Rel. Min. EROS
GRAU, PUBLIC 25-04-2008)
 
EMENTA CONSTITUCIONAL. PENAL. CRIME DE FALSA IDENTIDADE.
ARTIGO 307 DO CÓDIGO PENAL. ATRIBUIÇÃO DE FALSA INDENTIDADE
PERANTE AUTORIDADE POLICIAL. ALEGAÇÃO DE AUTODEFESA.
ARTIGO 5º, INCISO LXIII, DA CONSTITUIÇÃO. MATÉRIA COM
REPERCUSSÃO GERAL. CONFIRMAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DA
CORTE NO SENTIDO DA IMPOSSIBILIDADE. TIPICIDADE DA CONDUTA
CONFIGURADA.
O princípio constitucional da autodefesa (art. 5º, inciso LXIII, da CF/88)
não alcança aquele que atribui falsa identidade perante autoridade policial
com o intento de ocultar maus antecedentes, sendo, portanto, típica a
conduta praticada pelo agente (art. 307 do CP). O tema possui densidade
constitucional e extrapola os limites subjetivos das partes. (RE 640139 RG, Rel.
Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 22/09/2011).

O crime de uso de documento falso é espécie de crime remetido?


 

Sim, haja vista que a conduta criminosa faz menção aos arts. 297 a 302 do
Código Penal, confira: Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados
ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302: Pena - a cominada à
falsificação ou à alteração

O crime de uso de documento falso é um crime acessório?


 

Sim, pois para a sua configuração se exige a prática de outro crime anterior,
falsificação de documento ou falsidade ideológica. 

Silas, maior e capaz, foi abordado por policiais militares e, ao ser questionado
acerca do documento de identificação, apresentou, como sendo seu, o único
documento que carregava, um título de eleitor, autêntico, pertencente a terceira
pessoa. Nessa situação hipotética, Silas cometeu crime de uso de documento
falso?
 

Errado, boa pegadinha, mas o CP tipifica de forma autônoma o uso de


documento de terceiros no art. 308, confira: Art. 308 - Usar, como próprio,
passaporte, título de eleitor, caderneta de reservista ou qualquer documento de
identidade alheia ou ceder a outrem, para que dele se utilize, documento
dessa natureza, próprio ou de terceiro.
Na hipótese em que o usuário do documento falsificado ou alterado for a
mesma pessoa ele deverá responder em concurso pelos dois crimes?
 

Não, nesta situação o uso de documento falso será um post factum impunível.


Veja ementa do STJ sobre o tema.
Falsificação e uso do documento falso pela mesma pessoa – crime único: “É
pacífico o entendimento doutrinário e jurisprudencial no sentido de que o
agente que pratica as condutas de falsificar e de usar o documento falsificado
deve responder apenas por um delito. Segundo jurisprudência desta Corte, se
o mesmo sujeito falsifica e, em seguida, usa o documento falsificado, responde
apenas pela falsificação. Em que pese a reprovabilidade do comportamento do
paciente, já que apreendidos em sua residência carteiras de habilitação,
certificados de dispensa de incorporação, carteiras da Ordem dos Advogados
do Brasil e cédulas de identidade, todos falsificados, a condenação pelo falso
(art. 297, CP) e pelo uso de documento falso (art. 304, CP) traduz ofensa ao
princípio que veda o bis in idem, já que a utilização, pelo próprio agente, do
documento que anteriormente falsificara, constitui fato posterior impunível.
Bem jurídico tutelado, ou seja, a fé pública, que foi malferida no momento em
que se constituiu a falsificação. Posterior utilização do documento, pelo próprio
autor do falso, consubstancia, em si, desdobramento dos efeitos da infração
anterior” (STJ: HC 107.103/GO, rel. Min. Og Fernandes,. 19.10.2010).

Qual a principal distinção entre o crime de uso de documento falso (art. 340 do
CP) e falsa identidade?
 
 

A diferença mais relevante é que no crime de falsa identidade o agente não


apresenta qualquer documento, a falsa identidade consiste em auto atribuir
ou atribuir a terceiro falsa identidade, no que se refere ao nome, prenome,
idade, nacionalidade, estado civil, profissão, para obter vantagem, em proveito
próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem (art. 307 do CP). 

Analise a assertiva: Se o agente utilizar o documento falso para cometer o


crime de estelionato, a conduta anterior será absorvida por este crime, e o
agente só responde pelo crime contra o patrimônio.
Apesar de haver polêmica na doutrina, é o entendimento que prevalece,
sobretudo em função da súmula do STJ sobre o caso, confira: Súmula 17 do
STJ: “Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade
ofensiva, é por este absorvido”. 

O crime de uso de documento falso (Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos
papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302: Pena - a
cominada à falsificação ou à alteração) é exemplo de norma penal em branco
ao avesso.
 

Correto, pois o preceito secundário (pena cominada) não estabelece qual a


pena do delito, sendo necessária a complementação por outras normas penais.

O crime de “uso de documento de identidade alheia”, previsto no art. 308 do


Código Penal, cuja descrição típica é “usar, como próprio, passaporte, título de
eleitor, caderneta de reservista ou qualquer documento de identidade alheia ou
ceder a outrem, para que dele se utilize, documento dessa natureza, próprio ou
de terceiro” não comporta inserção de fotografias, pois se adulterado o
documento a conduta será de falsidade documental?
 

Correto, doutrina e jurisprudência entendem que o art. 308 é crime subsidiário,


de forma que somente estará caracterizado se as demais falsidades não
estiverem presentes.
Quem usa documento alheio adulterado, como se fosse próprio, comete o
delito capitulado no art. 304 do Código Penal (uso de documento falso), e não
o do art. 308 do mesmo Codex, posto que este só é aplicável subsidiariamente,
quando não há adulteração no documento” (TRF – 3ª Região, Apelação
98.03.049942-4, Rel. Casem Mazloum, j. 18-5-1999)
Alteração no documento – conduta que ultrapassa a mera apresentação –
falsidade documental: “Substituição de fotografia em documento público de
identidade. Tipificação. Sendo a alteração de documento público verdadeiro
uma das duas condutas típicas do crime de falsificação de documento público
(artigo 297 do Código Penal), a substituição da fotografia em documento de
identidade dessa natureza caracteriza a alteração dele, que não se cinge
apenas ao seu teor escrito, mas que alcança essa modalidade de modificação
que, indiscutivelmente, compromete a materialidade e a individualização desse
documento verdadeiro, até porque a fotografia constitui parte juridicamente
relevante dele” (STF: HC 75.690/SP, rel. Min. Moreira Alves, 1ª Turma, j.
10.03.1998).
O mesmo entendimento é o de Cleber Masson, Bitencourt e Capez dentre
outros.  
No entanto, contrariando posição amplamente majoritária, a FCC entendeu que
se trata de crime de falsa identidade.  
(FCC/ Cartórios- TJ-AP/ 2011) Ao ser parado numa blitz, Tício, em razão de
seus antecedentes criminais, apresentou aos policiais a carteira de identidade
de Élvio, na qual havia inserido a sua fotografia. A conduta de Tício
caracterizou o delito de 
(a) falsificação de documento particular.
(b) falsidade ideológica.
(c) falsificação de documento público.
(d) falsa identidade.
(e) uso de documento falso.
Gabarito oficial: Letra D.
 
Gabarito “correto”: Letra C. 

Se o estrangeiro usar falsa identidade para adentrar ao território brasileiro,


cometerá o crime de falsa identidade?
 

Errado, seno o crime praticado por estrangeiro com tal propósito, o crime será
de fraude de lei sobre estrangeiro (Art. 309 - Usar o estrangeiro, para entrar
ou permanecer no território nacional, nome que não é o seu). 

Art. 311 prevê o crime de Adulteração de sinal identificador de veículo


automotor (Adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal
identificador de veículo automotor, de seu componente ou equipamento: Pena -
reclusão, de três a seis anos, e multa). Está correto afirmar que se o alguém for
surpreendido dirigindo veículo automotor com número de chassi ou sinal
identificador adulterado ou remarcado responderá pelo crime?
 

A princípio não, devendo responder pelo crime de receptação. Somente


responderá pelo crime de adulteração se for comprovada sua participação
neste crime. 
Se o agente público alterar o sinal identificador do veículo automotor a pena
será majorada?
 

Sim, conforme prevê o §1 do art. 311, confira: “Se o agente comete o crime no
exercício da função pública ou em razão dela, a pena é aumentada de um
terço”.
 
Prevê ainda o art. 311 do crime de adulteração de sinal identificador por
equiparação (art. 311, § 2º - Incorre nas mesmas penas o funcionário público
que contribui para o licenciamento ou registro do veículo remarcado ou
adulterado, fornecendo indevidamente material ou informação oficial).

O crime de Adulteração de sinal identificador de veículo automotor (Art. 311-


Adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal identificador de
veículo automotor, de seu componente ou equipamento: Pena - reclusão, de
três a seis anos, e multa). Exige finalidade específica?

Não, o STJ firmou entendimento que não se exige finalidade específica para a
caracterização do crime do art. 311 do Código Penal, bastando para a sua
consumação a adulteração de qualquer sinal identificador do veículo (STJ:
AgRg no Ag 903.555/GP j. 05.05.2009). 

A colocação de fita adesiva na placa de veículo automotor configura o crime


do adulteração de sinal identificador?
 

Prevalece que não, pois predomina o entendimento de que a adulteração deve


ter alguma permanência, apta a afetar a fé pública.
Cabe aqui advertir que situação diversa é o uso de placa adesiva, que segundo
o STF é conduta típica. Confira:  
Colocação de placa adesiva em placa de veículo automotor – tese de
falsidade grosseira – inadmissibilidade – ausência de elemento subjetivo
específico: “A conduta de adulterar a placa de veículo automotor mediante
a colocação de fita adesiva é típica, nos termos do art. 311 do CP
(‘Adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal identificador
de veículo automotor, de seu componente ou equipamento: Pena –
reclusão, de três a seis anos, e multa’). Com base nessa orientação, a 2ª
Turma negou provimento a recurso ordinário em habeas corpus. O recorrente
reiterava alegação de falsidade grosseira, percebida a olho nu, ocorrida
apenas na placa traseira, e reafirmava que a adulteração visaria a burlar o
rodízio de carros existente na municipalidade, a constituir mera irregularidade
administrativa. O Colegiado pontuou que o bem jurídico protegido pela norma
penal teria sido atingido. Destacou-se que o tipo penal não exigiria elemento
subjetivo especial ou alguma intenção específica. Asseverou-se que a conduta
do paciente objetivara frustrar a fiscalização, ou seja, os meios legítimos de
controle do trânsito. Concluiu-se que as placas automotivas seriam
consideradas sinais identificadores externos do veículo, também obrigatórios
conforme o art. 115 do Código de Trânsito Brasileiro” (STF: RHC 116.371/DF,
13.08.2013). 

O CP prevê o crime de Fraudes em certames de interesse público (Art. 311-A.


Utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, ou
de comprometer a credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de
I - concurso público;
II - avaliação ou exame públicos;
III - processo seletivo para ingresso no ensino superior; ou   
IV - exame ou processo seletivo previstos em lei
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.    (Incluído pela Lei
12.550. de 2011)
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem permite ou facilita, por qualquer meio, o
acesso de pessoas não autorizadas às informações mencionadas no caput.
§ 2º Se da ação ou omissão resulta dano à administração pública: Pena -
reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.    (Incluído pela Lei 12.550. de
2011)
 
§ 3º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o fato é cometido por funcionário
público.
O tipo penal também abarca as situações em que a fraude é utilizada para o
ingresso em universidade privada?
 
 

Sim, pois o código não limitou o crime às instituições públicas de ensino


superior.

O CP prevê o crime de Fraudes em certames de interesse público admite


modalidade culposa?
 
Não, o elemento subjetivo deste crime é o dolo (direto ou eventual), sendo
inadmissível a incriminação a título de culpa.

Qual a diferença entre os crimes funcionais próprios e impróprios? 

Esta diferenciação é muito importante, fique atento.


Crimes funcionais próprios: Exigem o atributo funcionário público, de forma
que, ausente tal qualidade, a conduta será atípica;
Crimes funcionais impróprios: São os crimes em que ausente o atributo
funcionário público o crime será desclassificado, de sorte que pode ser
praticado por quem não seja funcionário público.

O título 11 do capítulo 1 do CP traz os crimes Praticados Por


FuncionárioPúblico Contra a Administração Em Geral.Tais crimes são crimes
próprios, ou seja, ausente a qualidade de funcionário público a conduta será
atípica. 
Face a tais informações pergunta-se: Será possível a participação de
particulares em tais crimes?
 

Sim, perfeitamente, é possível a participação em tais crimes, pois, de acordo


com o art. 30 do CP, as circunstâncias de caráter pessoal, quando
elementares do crime, se comunicam a todos os demais agentes do
crime. Desta forma, o particular poderá vir a ser coautor e partícipe.

O conceito de funcionário público, para fins penais, é mais extenso que o


conceito de servidor público do Direito Administrativo. Confira:
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem,
embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou
função pública.
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou
função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de
serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da
Administração Pública.
Cite dois exemplos de serviços temporários e sem remuneração que se
enquadram na situação de funcionário público para fins penais.
Jurado e mesário do serviço eleitoral.

O princípio da insignificância é aplicável aos crimes contra a administração


pública?

Aqui não é possível uma resposta objetiva. Prevalece no STJ a não


possibilidade de aplicação. Por seu turno, STF tem entendido pela
possibilidade (HC 107.370/SP, HC 104.286/SP).

O princípio da insignificância é aplicável aos crimes contra a administração


pública?

Aqui não é possível uma resposta objetiva. Prevalece no STJ a não


possibilidade de aplicação. Por seu turno, o STF tem entendido pela
possibilidade (HC 107.370/SP, HC 104.286/SP).

Segundo o CP, constitui peculato:


"Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer
outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo,
ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio”.
Quais são as duas formas de peculato previstas no mencionado dispositivo?

Na primeira parte está previsto o peculato apropriação. 


Art. 312, caput, 1ª parte — Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor
ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em
razão do cargo.
Na segunda parte, há o peculato desvio. 
Art. 312, caput, 2ª parte — ... ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:

Bem imóvel pode ser objeto de peculato?

Não, somente pode ser objeto deste crime dinheiro, valor ou qualquer outro
bem móvel, público ou particular.
Art. 312- Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro
bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou
desviá-lo, em proveito próprio ou alheio: Pena - reclusão, de dois a doze anos,
e multa.
No crime em tela, está correto afirmar que se o funcionário subtrair bem público
que não esteja em sua posse, mas sim na de outro funcionário público,
cometerá o crime de furto e não peculato?

Não, na hipótese não haverá propriamente o crime de furto, mas sim o crime
de peculato impróprio ou peculato furto, conforme previsão do parágrafo
único do art. 312, confira:
Art. 312 (...)
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.  
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a
posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja
subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe
proporciona a qualidade de funcionário.

O crime de peculato é um crime próprio, pois somente pode ser cometido por
funcionário público. No entanto, está correto afirmar também se trata de um
crime funcional impróprio?

Sim, pois excluído o atributo funcionário público, haverá o crime de apropriação


indébita.

Será possível a ocorrência de coautoria no crime de peculato?

Sim, como já destacado, prevê o art. 30 do CP que as circunstâncias de caráter


pessoal, quando elementares do crime, se comunicam a todos os demais.
Desta forma, o particular pode figurar como coautor do crime de peculato.

Quando se consuma o crime de peculato apropriação e o peculato desvio?

Ambos os crimes são materiais, o peculato apropriação se consuma no


momento em que o agente inverte a posse ou detenção do bem em domínio,
passando a agir como se dono fosse. Já o peculato-desvios e consuma no
instante em que o funcionário público dá à coisa destino diverso do previsto em
lei.
 O peculato doloso admite tentativa?

 
Sim, é completamente possível. 

O peculato de uso é aquele em que o funcionário público se apropria/ desvia/


subtrai bem móvel, público ou particular que se encontra sob a custódia da
Administração Pública, com a intenção de restituí-lo posteriormente. Tal
conduta é punível?
 

Depende, para saber de a conduta é considerada crime ou não, devemos


observar a natureza do bem, em específico, sua fungibilidade. A partir de tal
análise, a jurisprudência e a doutrina diz que só haverá crime se o uso não
autorizado do bem público pelo funcionário referir-se a bem fungível
(consumível). Logo, se o bem for infungível (não consumível), e ausente
a intenção de incorporá-la ao patrimônio pessoal ou de terceiro, seguido da sua
integral restituição a quem de direito, não haverá crime. 
“É atípica a conduta de peculato de uso. Com base nesse entendimento, a
1ª Turma deu provimento a agravo regimental para conceder a ordem de
ofício. Observou-se que tramitaria no Parlamento projeto de lei para
criminalizar essa conduta” (STF: HC 108433. j. 25.06.2013), no mesmo sentido
STJ HC 94.168/MG, rel. Min. Jane Silva. j. 22.04.2008.

O peculato pode ser praticado a título de culpa?

Sim, há previsão legal do peculato culposo (art. 312, §2º)*, destacando que
nesta espécie de peculato a reparação do dano opera os seguintes efeitos: 
1- se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade;
 2- se posterior à sentença irrecorrível, reduz de metade a pena imposta.
* Peculato culposo: Art. 312, §2º- Se o funcionário concorre culposamente para
o crime de outrem. 

Está correto afirmar que o funcionário público somente responderá por peculato
culposo se houver também a prática de crime doloso consumado praticado por
terceiro?
Sim, deve haver a prática de um crime doloso por terceira pessoa. Veja o
que diz o §3º do art. 312, Peculato culposo. Se o funcionário concorre
culposamente para o crime de outrem.
Conforme bem resumido por Cleber Masson, dois são os requisitos para a
ocorrência do peculato culposo, confira: 
1- Conduta culposa do funcionário público, mediante sua inobservância ao
dever objetivo de cuidado da coisa móvel da Administração Pública ou sob sua
vigilância; 
2- Prática de um crime doloso por terceira pessoa, aproveitando-se da
facilidade culposamente proporcionada pelo funcionário público. 

O Peculato mediante erro de outrem, é também conhecido como peculato


estelionato?
Art. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do
cargo, recebeu por erro de outrem

Sim, pois se caracteriza na obtenção indevida, por parte do funcionário público,


de dinheiro ou bem móvel mediante o aproveitamento ou manutenção do erro
de outra pessoa.

O artigo 313-A traz a figura do peculato eletrônico (Inserção de dados falsos


em sistema de informações) confira:
Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, alterar
ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou
bancos de dados da Administração Pública com o fim de obter vantagem
indevida para si ou para outrem ou para causar dano.  
Para a caracterização de tal crime é algum elemento subjetivo específico (dolo
específico)?

Sim, o dolo específico consistente no fim de obter vantagem indevida para si


ou para outrem ou para causar dano.

O crime de peculato eletrônico (Inserção de dados falsos em sistema de


informações):
“Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados
falsos, alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas
informatizados ou bancos de dados da Administração Pública com o fim de
obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano”
É um exemplo de tipo misto alternativo ou de ação múltipla?

Sim, pois pode se consumar com a prática de qualquer um dos quatro núcleos
do tipo:
 “Art. 313-A. Inserir ou facilitar (...) alterar ou excluir (...)”. 

Para a consumação do crime de peculato eletrônico é necessário a efetiva


ocorrência de prejuízo à Administração Pública?
 

Não, trata-se de crime formal, de forma que se consuma com o ato de o


funcionário autorizado inserir ou facilitar a inserção de dados falsos por terceira
pessoa, ou alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas
informatizados ou bancos de dados da Administração Pública. Logo, podemos
concluir que o crime estará consumado independentemente de o funcionário
público obter vantagem para si ou para outrem ou causar dano.

O crime de peculato eletrônico só pode ser praticado por funcionário público


autorizado a operar com sistemas informatizados. Dessa forma, está correto
afirmar que não admite nem coautoria nem participação?

Não, apesar de ser crime próprio ou especial, pois somente pode ser cometido
pelo “funcionário autorizado” admite participação, pois, como já destacado,
prevê o art. 30 do CP que as circunstâncias de caráter pessoal, quando
elementares do crime, se comunicam a todos os demais. Desta forma, o
funcionário público não autorizado e o particular podem figurar como coautor
do crime de peculato.

O crime de modificação ou alteração não autorizada de sistema de


informações, é outra espécie de peculato eletrônico:
“Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de informações ou
programa de informática sem autorização ou solicitação de autoridade
competente”
.Tal crime pode ser cometido por qualquer funcionário público?
Sim, tal crime é próprio ou especial, pode ser cometido por qualquer
funcionário público, ao contrário do crime de inserção de dados falsos em
sistema de informações (art. 313-A), pois essa forma de peculato eletrônico
somente pode ser praticado por funcionário público autorizado.

Quando se consuma o crime de modificação ou alteração não autorizada de


sistema de informações?
“Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de informações ou
programa de informática sem autorização ou solicitação de autoridade
competente”

 
Por ser crime formal, consuma-se com a modificação ou alteração do sistema
de informação do órgão, independente de ter causado lesão à Administração.
Cabe destacar que a ocorrência de lesão será causa de aumento de pena,
confira o p. único do mencionado artigo:
“Art. 314-B-Parágrafo único. As penas são aumentadas de um terço até a
metade se da modificação ou alteração resulta dano para a Administração
Pública ou para o administrado”.

O crime de extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento é um


crime subsidiário?
"Art. 314. Extraviar livro oficial ou qualquer documento, de que tem a guarda
em razão do cargo; sonegá-lo ou inutilizá-lo, total ou parcialmente.
Pena – reclusão, de um a quatro anos, se o fato não constitui crime mais
grave".

 
Sim, como se extrai da expressão “se o fato não constitui crime mais grave”. 

Para fins de caracterização do crime de extravio, sonegação ou inutilização de


livro ou documento deve ser necessariamente escrito?
Art. 314. Extraviar livro oficial ou qualquer documento, de que tem a guarda em
razão do cargo; sonegá-lo ou inutilizá-lo, total ou parcialmente. 
Pena – reclusão, de um a quatro anos, se o fato não constitui crime mais grave.
 
Não o STJ, o verbete ‘documento’, por certo, não está restrito à ideia de
escrito, como em tempos passados. Fitas cassetes, que continham gravações
oriundas de monitoramento telefônico em investigação criminal, se enquadram
na concepção de ‘documento’ para fins da tipificação do crime do art. 314 do
Código Penal. 

Qualquer funcionário público pode ser sujeito ativo do crime de emprego


irregular de verbas ou rendas públicas?
Art. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida
em lei. 

Não, somente pode praticar este crime o funcionário público que tenha poder
de gestão em relação às verbas ou rendas públicas, a exemplo do Presidente
da República e Ministros de Estado, os Governadores dos Estados e do Distrito
Federal e respectivos Secretários etc.  
Obs. Se o a conduta for praticada por prefeito municipal o crime será o previsto
no art. 1º, III, do Decreto-lei 201/1967.

Quem pode ser o sujeito passivo do crime de emprego irregular de verbas ou


valores públicos?

O sujeito passivo principal é Estado, secundariamente, a pessoa física ou


jurídica prejudicada pela conduta criminosa.

O crime de concussão se consuma com a exigência indevida ou com o efetivo


recebimento de tal vantagem?
Concussão: Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente,
ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem
indevida. 

Não, pois se trata de crime formal, de forma que se consuma com a mera
exigência da vantagem indevida, independentemente de sua efetiva
obtenção, que se ocorrer, será exaurimento do crime.
Para a configuração do crime de concussão a mencionada vantagem deve ser
patrimonial? 

Para a doutrina majoritária, de forma esmagadora, não, pois a leisomente diz


vantagem indevida, que pode ser de qualquer espécie, como por exemplo:
sexual, prestígio político... 

Se o funcionário público solicitar ou exigir, para si ou para outrem, direta ou


indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão
dela, vantagem sexual indevida, cometerá o crime de concussão?

Não, o núcleo do tipo do crime de concussão é EXIGIR, se houver


“solicitação”, o crime será corrupção passiva. 

O servidor público que, na qualidade de agente fiscal, exigir vantagem indevida


para deixar de emitir auto de infração por débito tributário e de cobrar a
consequente multa responderá, independentemente do recebimento da
vantagem, pela prática do crime de concussão? (CESPE/ Delegado-PC-BA/
2013)

Cuidado. Na hipótese de conduta cometida por funcionário público


ocupante do cargo de agente fiscal (federal, estadual ou municipal), estará
caracterizado o crime tributário definido no art. 3º, II, da Lei 8.137/1990. Trata-
se de regra especial, que afasta a aplicação do crime em análise.

O excesso de exação é espécie qualificada do crime de concussão?


Excesso de Exação: Art. 316, §1º- Se o funcionário exige tributo ou
contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido,
emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza. 

Não, apesar de estar localizado com parágrafo do art. 316, trata-se de crime
autônomo.

O §1º do art. 316 traz o crime autônomo de excesso de exação. Tal crime pode
ser cometido de duas formas:
1ª- Exigência do tributo que sabe ser indevido;
2ª- Emprego de cobrança vexatória ou gravosa, que a lei não autoriza, o tributo
devido. 
Quando se consuma cada uma das modalidades?
Excesso de Exação: Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que
sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio
vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza. 

A primeira parte do dispositivo restará consumada com a exigência do tributo


ou contribuição social indevidos, independente do efetivo recebimento. Já na
segunda parte se consuma com o emprego do meio vexatório ou gravoso na
cobrança do tributo devido.

Está correto afirmar que não haverá excesso de exação na hipótese de


o funcionário exigir contribuição social que deveria saber indevida?

Errado, se o funcionário público sabe (dolo direito) ou deveria saber (dolo


eventual) que a cobrança é indevida, comete o crime de excesso de exação. 

O crime de excesso de exação somente pode ser cometido por funcionário


público que seja agente fazendário? 

Errado, pode ser cometido por qualquer funcionário público. 

O crime de excesso de exação é crime formal, que se consuma com a


exigência do tributo indevido. Como se consuma o crime de excesso de exação
qualificada?
Art. 316, § 2º- Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que
recebeu indevidamente para recolher aos cofres públicos.

No excesso de exação qualificado, o crime se consuma com o efetivo desvio


do valor ilegalmente recebido, tratando-se portanto de crime material. 

O Art. 317 traz o crime de corrupção passiva: “Solicitar ou receber, para si ou


para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de
assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal
vantagem”.
Qual a diferença entre a corrupção passiva própria e imprópria?

Essa diferenciação é muito importante pessoal, aprenda.


Corrupção passiva própria: Ocorre quando o funcionário público negocia
um ato ILÍCITO/ ILEGAL (ex. Policial que deixa de multar motorista em troca
de propina);
Corrupção passiva imprópria: ocorre com a negociação de um ato LÍCITO/
LEGAL (ex. oficial de justiça que recebe vantagem para antecipar o
cumprimento de uma citação).

Está correto afirmar que o crime de corrupção passiva ocorre quando o


funcionário público exige, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda
que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem
indevida. (CESPE/ DPE-ES-Estagiário/ 2013)

Não, tal afirmação está errado, lembre-se que se houver exigência, o crime


será de concussão.
Veja quais são as ações nucleares do crime de corrupção passiva:
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou
indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão
dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:

Se na corrupção passiva, em conseqüência da vantagem ou promessa, o


funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica
infringindo dever funcional, o crime será qualificado?

Quase isso, mas não se trata de crime qualificado, na verdade incidirá uma
causa de aumento de pena, confira:
“Art. 317, §1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da
vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato
de ofício ou o pratica infringindo dever funcional”. 

Quando ocorre a consumação do crime de corrupção passiva?

O crime estará consumado com a realização de um dos três núcleos do tipo, ou


seja, com a solicitação, recebimento ou aceitação da vantagem indevida,
de forma que se trata de crime formal. Destacando que o fato de um
funcionário público deixar de praticar o ato é causa de aumento de pena.

 Quando ocorre a corrupção passiva privilegiada?

Com previsão no §2º do art. 314, ocorre quando o funcionário público pratica,
deixa de praticar ou retarda o ato de ofício, não em virtude do recebimento
de vantagem indevida, mas cedendo a pedido ou influência de outrem, isto é,
para satisfazer interesse de terceiros ou para agradar ou bajular pessoas
influentes.

Quando se consuma o crime de facilitação de contrabando ou descaminho?


(Art. 318 - Facilitar, com infração de dever funcional, a prática de contrabando
ou descaminho)? (art. 334)

Por se tratar de crime formal, consuma-se com a facilitação,


independentemente da prática efetiva do contrabando ou descaminho.

O crime de facilitação de contrabando ou descaminho? (Art. 318 - Facilitar, com


infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho) é mais
uma hipótese de exceção à teoria unitária ou monista?

Sim, a teoria monista, consagrada no art. 29 do CP, (Quem, de qualquer modo,


concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua
culpabilidade) é a regra no Código. No entanto, no crime em tela, o funcionário
público que facilita o contrabando ou descaminho responde pelo crime mais
grave, tipificado no art. 318 do CP, ao passo que o particular que realiza o
contrabando ou descaminho incide no crime definido no art. 334 do CP. 

Está correto afirmar que o contrabando de arma de fogo, acessório ou munição


não configura o crime do art. 334, mas sim o crime de tráfico internacional de
arma de fogo?

Sim, conforme destaca Capez, com o advento do novo Estatuto do


Desarmamento (Lei n. 10.826, de 22-12-2003), o contrabando de arma de fogo,
acessório ou munição já não configura o crime do art. 334, mas tráfico
internacional de arma de fogo, previsto no art. 18 da lei: “Importar, exportar,
favorecer a entrada ou saída do território nacional, a qualquer título, de arma
de fogo, acessório ou munição, sem autorização da autoridade competente:
Pena – reclusão, de 4 a 8 anos, e multa”.

O Código Penal tipifica o crime de prevaricação no Art. 319 (Retardar ou deixar


de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição
expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal). Em que
momento o crime se consuma?

O crime de prevaricação possui três núcleos do tipo: Retardar ou deixar de


praticar (ato de ofício) e praticá-lo contra disposição de lei. Desta forma, nas
duas primeiras modalidades do delito, a prevaricação se consuma no momento
em que o funcionário público retarda ou deixa de praticar indevidamente o ato
de ofício, ao passo que a terceira hipótese a consumação verifica-se no
instante em que o funcionário público pratica o ato de ofício contra disposição
expressa de lei.

O crime de prevaricação pode ser cometido a título de culpa?

 
Não, somente a título de dolo, exigindo ainda que este seja específico, qual
seja, a vontade de satisfazer ‘interesse’ ou ‘sentimento pessoal’. 

Para a caracterização do crime de prevaricação, o interesse pessoal tem que


se r de ordem patrimonial? 

Não, basta que seja para satisfazer qualquer interesse do servidor público.

O crime de prevaricação se caracteriza quando o ato, apesar da inexistência de


previsão legal a respeito, é praticado contra a moral e os bons costumes.

Errado, o ato tem que ser praticado contra a lei e não contra a moral.
O crime de prevaricação imprópria, ou prevaricação nos presídios é espécie de
crime omissivo próprio?
“Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir
seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou
similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente
externo”.  

Sim, tal crime possui como núcleo do tipo o verbo “deixar”, no sentido de omitir-
se ou não fazer algo (crime omissivo próprio ou puro). Esse verbo está
associado à expressão “de cumprir seu dever de vedar”, isto é, proibir algo em
cumprimento de obrigação legal.

Qualquer servidor público pode praticar o crime de prevaricação imprópria?

Não, somente pode ser cometido pelo diretor do presídio e ou agentes públicos
incumbidos do dever de evitar o acesso a aparelhos de comunicação pelos
presos, como é o caso dos agentes penitenciários, dos carcereiros, dos
policiais responsáveis pela escolta dos presos.

A condescendência criminosa está prevista no art. 320 do CP, “Deixar o


funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu
infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o
fato ao conhecimento da autoridade competente”.
Está correto afirmar que tal crime somente pode ter como sujeito ativo o
funcionário público que tenha posição hierárquica superior ao agente que
cometeu a infração?

Correto, para a caracterização do delito, o agente deve ser necessariamente


superior hierárquico do funcionário público infrator.

Comete o crime de condescendência criminosa o funcionário público que deixa


de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo
com o fim de obter vantagem direta ou indireta.

Errado, o elemento subjetivo do crime de condescendência criminosa o dolo é


específico, consistente na intenção de ser indulgente com o funcionário
público responsável pela infração no exercício do cargo e não a obtenção de
vantagem.
Considere o crime de Advocacia Administrativa:
Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a
administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário.
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo:
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa.
Para a caracterização de tal crime o interesse privado de ser ilegítimo, de
forma que, se legítimo, a conduta será atípica?

Errado, mesmo o interesse legítimo configura o crime, destacando que se o


interesse ilegítimo, incidirá a figura qualificada prevista no parágrafo único do
próprio art. 320.

Para ser sujeito ativo do crime de advocacia administrativa, o funcionário


público bacharel em direito?

Não, basta que ostente a qualidade de funcionário público.

Está correto afirmar que está pacificado na doutrina e na jurisprudência que o


crime de violência arbitrária, previsto no art. 322 do CP, foi revogado pela Lei
n.º 4.898/1965 - abuso de autoridade -, que considera crime desta espécie
qualquer atentado à integridade física do indivíduo?

Errado, segundo Cléber Masson, “prevalece, em doutrina, o entendimento


no sentido de que o crime em análise foi tacitamente revogado pela Lei
4.898/1965 – Crimes de Abuso de Autoridade, por se tratar de diploma
legislativo posterior relativo à idêntica matéria. Na jurisprudência, entretanto,
o cenário é diametralmente oposto. Para o STF: “O artigo 322 do Código
Penal, que tipifica o crime de violência arbitrária, não foi revogado pelo artigo
3º, alínea i, da Lei nº 4.898/1965 (Lei de Abuso de Autoridade)” RHC
95.617/MG. No mesmo sentido é o entendimento do STJ, HC 48.083/MG. 

O crime de abandono de função (Art. 323 - Abandonar cargo público, fora dos


casos permitidos em lei) possui previsão legal na forma dolosa e culposa?

 
Errado, tal crime somente será punível a título de dolo. 

Quando se consuma o crime de abandono de cargo público?

Por ser crime de perigo concreto, ocorrerá a consumação com o abandono do


cargo por tempo juridicamente relevante, capaz de criar uma situação de perigo
à Administração Pública. 

Está correto afirmar que a ocorrência de prejuízo público como resultado do


fato não influencia a pena do crime de abandono de função? (CESP/
Procurador-Banco Central/ 2009).

 
Errado, segundo o §1º do art. 323, se do fato resulta prejuízo público, além da
pena de detenção, será acrescida a pena de multa. 

Qualquer funcionário público pode ser sujeito ativo do crime de abandono de


cargo público?

Não, somente pode ser o funcionário público ocupante de cargo público, ou


seja, por servidor público. Por que? Porque segundo o art. 3º da Lei
8.112/1990, cargo público é “o conjunto de atribuições e responsabilidades
previstas na estrutura organizacional que devem ser cometidas a um servidor”,
se a lei penal fala em cargo público, logo o sujeito ativo somente pode ser o
ocupante deste cargo.

Imagine que Anastácio, Auditor da Receita Federal abandone seu cargo em


Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai. Nesta hipótese, Anastácio
cometeu o crime de abandono de função e a pena será majorada em função do
crime ter sido cometido na faixa de fronteira?

Correto, segundo o §2º do art. 323, se o fato ocorre em lugar compreendido na


faixa de fronteira a pena passará de detenção de três meses a um ano para de
um a três anos, e multa.
Consiste o crime de exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado:
“Art. 324 - Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as
exigências legais, ou continuar a exercê-la, sem autorização, depois de saber
oficialmente que foi exonerado, removido, substituído ou suspenso”. Quando se
consuma tal crime?

Consuma-se no momento em que o sujeito ativo realiza o primeiro ato inerente


à função pública, ainda que não haja qualquer prejuízo à Administração
Pública, haja vista se tratar de crime formal.

Estaria correto afirmar que o crime de violação de Sigilo Profissional (Art. 325 -
Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em
segredo, ou facilitar-lhe a revelação: do CP) foi abolido pelo princípio da
publicidade da atividade administrativa, não existindo mais no ordenamento
jurídico?

Errado, mesmo sendo verdade que os atos da administração pública seja é


orientada pelo princípio da publicidade, um dos princípios expressos da
Administração Pública previstos na Constituição, a própria CF impõe o sigilo
das informações imprescindíveis à segurança da sociedade e do Estado,
conforme previsto no art. 5º, inc. XXXIII, que diz; “todos têm direito a receber
dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse
coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de
responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à
segurança da sociedade e do Estado”

O funcionário público que permite ou facilita o fornecimento e empréstimo de


senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a
sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública também
comete o crime de violação de sigilo profissional?

Sim, tal conduta se trata da figura equiparada à violação de sigilo profissional,


conforme previsto no §1º do art. 32, de igual modo incidirá aquele que se
utilizar, indevidamente, do acesso restrito.
 
Oportuno ainda destacar que se da ação ou omissão resultar dano à
Administração Pública ou a outrem, o crime será qualificado, cuja pena será de
reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
O crime de Violação do sigilo de proposta de concorrência (Art. 326 - Devassar
o sigilo de proposta de concorrência pública, ou proporcionar a terceiro o
ensejo de devassá-lo) foi revogado pela Lei 8.666/93?

Sim, conforme dito por Capez, “Referido preceito legal foi revogado
tacitamente pelo art. 94 da Lei de Licitações (Lei n. 8.666/93), que dispõe:
“Devassar o sigilo de proposta apresentada em procedimento licitatório, ou
proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-lo: Pena – detenção, de 2 (dois) a
3 (três) anos, e multa”. Trata-se de norma penal mais abrangente, uma vez que
se refere genericamente ao procedimento licitatório, o qual engloba outras
modalidades licitatórias que não só a concorrência pública”.

Nos arts. 328 a 337-A, o CP disciplina os crimes praticados por


particularcontra a Administração em geral. Está correto afirmar que tais crimes
são comuns, haja vista que qualquer pessoa pode ser sujeito ativo?
 

Nos arts. 328 a 337-A, o CP disciplina os crimes praticados por particular


contra a Administração em geral. Está correto afirmar que tais crimes são
comuns, haja vista que qualquer pessoa pode ser sujeito ativo?
Sim, ao contrário dos crimes praticados por funcionário público contra a
administração pública, que são crimes próprios, os crimes praticados por
particular contra a administração em geral são crimes comuns, ou seja, podem
ser praticados por qualquer pessoa. Tais crimes são os seguintes: 
Ø   Usurpação de função pública; 
Ø   Resistência; 
Ø   Desobediência; 
Ø   Desacato; 
Ø   Tráfico de Influência; 
Ø   Corrupção ativa; 
Ø   Contrabando; 
Ø   Descaminho; 
Ø   Impedimento, perturbação ou fraude de concorrência; 
Ø   Inutilização de edital ou de sinal; 
Ø   Subtração ou inutilização de livro ou documento;  
Ø   Sonegação de contribuição previdenciária.   

Quando se consuma o crime de usurpação de função pública (Art. 328 -


Usurpar o exercício de função pública)?
 
Tal crime se consuma com a prática do primeiro ato de ofício atribuído ao
agente público, sendo irrelevante a ocorrência de qualquer prejuízo, daí se
tratar de crime formal.

O parágrafo único do art. 328 traz a figura da usurpação qualificada por


obtenção de vantagem, nesta hipótese o crime será material?
 

Sim, pois somente será qualificado o crime de efetivamente o agente obtiver


alguma vantagem. 

Como se dá a consumação do o crime de resistência (Art. 329 - Opor-se à


execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente
para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio)?
 

Consuma-se com o emprego da violência ou ameaça contra o funcionário,


de forma que se trata de crime formal, não sendo exigível que o agente
efetivamente impeça a execução do ato legal.

Está correto afirmar que a não execução do ato legal em virtude da resistência
do particular é mero exaurimento do crime?
 

Não, se o ato, em razão da resistência, não se executar o crime será


qualificado, segundo o §1º do art. 329, cuja pena será de reclusão de 1 a 3
anos. Conforme alerta Capez, na resistência o legislado qualificou o
exaurimento do crime. 

O crime de resistência admite modalidade culposa?


 
Não, a conduta somente pode ser dolosa. No entanto, cabe destacar que a
necessidade de o agente ter ciência da competência do funcionário para a
prática do ato e da legalidade deste. Por fim, prevalece o entendimento de que
o tipo penal exige uma finalidade específica, consistente no fim de opor-se à
execução de ato legal.

Ocorrendo o crime de resistência, eventual lesão corporal por este crime será
absorvida?
 

Errado, nesta hipótese, nos termos do §2º do art. 329, haverá concurso
material obrigatório - sistema do cúmulo material– de forma que o agente
responderá pela resistência somada ao crime resultante da violência, na
hipótese, lesão corpora, sendo incabível falar no princípio da absorção. 

Haverá crime de resistência acaso morador, em sua residência no período


noturno, oponha resistência ao oficial de justiça que deseja realizar busca e
apreensão domiciliar em cumprimento de mandado judicial?
 

 
Não, nesta hipótese não haverá crime, confira como já decidiu o STF: “A
garantia constitucional do inciso XI do art. 5° da Carta da República, a
preservar a inviolabilidade do domicílio durante o período noturno, alcança
também a ordem judicial, não cabendo a cogitar de crime de resistência” (STF,
RE 460.880/RS, rel. Min. Marco Aurélio, 1ª Turma, j. 25.09.2007). 

Se o crime de resistência for cometido contra mais de um funcionário público


haverá concurso de crimes?
 

Não, já que é Estado o sujeito passivo principal do crime, de forma que a


violência praticada em face de mais de um funcionário configura crime único.
Está correto afirmar que o crime de desobediência (Art. 330- Desobedecer a
ordem legal de funcionário público) ocorre independentemente da legalidade da
ordem?
 

Não, para a ocorrência do crime a ordem deve ser legal, sendo ilegal não
haverá crime. 

O crime de desobediência (Art. 330- Desobedecer a ordem legal de funcionário


público) pode ser cometido por omissão?

O crime pode se consumar por ação, quando a ordem do funcionário público


impõe a abstenção de um ato e o particular o faz, ou por omissão, na hipótese
em que o funcionário público ordena um comportamento positivo do sujeito, e
este opta pela omissão.
 
 

O crime de desobediência admite modalidade culposa? 


 

Não, somete admite forma dolosa, entendido como o conhecimento da


legalidade da ordem e da competência do funcionário público emaná-la.

A recusa em fornecer padrões gráficos do próprio punho, para exames


periciais, visando a instruir procedimento investigatório por crime de crime de
falsificação de documento configura crime de desobediência? 

Segundo o STF não, com base no princípio de que ninguém pode ser obrigado
a produzir prova contra si mesmo (nemo tenetur se detegere), confira dois
julgados sobre o tema:
“Diante do princípio nemo tenetur se detegere, que informa o nosso direito de
punir, é fora de dúvida que o dispositivo do inciso IV do art. 174 do Código de
Processo Penal há de ser interpretado no sentido de não poder ser o indiciado
compelido a fornecer padrões gráficos do próprio punho, para os exames
periciais, cabendo apenas ser intimado para fazê-lo a seu alvedrio” (HC 77.135,
Rel. Min. Ilmar Galvão, DJ 6-11-1998).  
 
“O privilégio contra a autoincriminação, garantia constitucional, permite ao
paciente o exercício do direito de silêncio, não estando, por essa razão,
obrigado a fornecer os padrões vocais necessários a subsidiar prova pericial
que entende lhe ser desfavorável” (HC 83.096, Rel. Min. Ellen Gracie, DJ 12-
12-2003). 

Está correto afirmar que o desacato pode caracterizar-se mesmo quando o


funcionário público não esteja no exercício da função, desde que a ofensa
esteja com ela relacionada?
 

Exatamente, conforme disposto no art. 331, confira: “Art. 331 - Desacatar


funcionário público no exercício da função ou em razão dela”. 

Aquele que, ao ser abordada pela polícia, ofender um policial comete o crime
de desacato?
 

Sim, desatacar é qualquer ato ou emprego de palavras que cause vexame,


ofensa ou humilhação a funcionário público no exercício da função ou em razão
dela.
“Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão
dela”.

O crime de desacato pode ser cometido na modalidade culposa?


 

Não, somente com haverá desacato se a conduta for dolosa, consistindo ainda
o dolo em causar desprestígio à função pública, ofendendo a dignidade do
cargo público ocupado pelo agente público.
Constitui o crime de Tráfico de Influência: Art. 332. Solicitar, exigir, cobrar ou
obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto
de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função.
 
Somente se a vantagem for econômica é que haverá tal crime?

Não, o bem jurídico aqui protegido é o prestígio da administração pública, de


forma que a vantagem pode ser de qualquer natureza, como por exemplo
moral ou sexual. 

Pode se dizer que o crime de tráfico de influência é de ação múltipla?


 
 

Sim, pois possui quatro núcleos do tipo, confira:


Tráfico de Influência
“Art. 332. Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem,
vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por
funcionário público no exercício da função.”
 

Como se dá a consumação do crime de tráfico de influência?

Por ser, em regra, crime formal, consuma-se com o ato de solicitar, exigir ou


cobrar a vantagem ou promessa de vantagem. Em relação ao núcleo do
tipo obter, o crime é material ou causal, e consuma-se no instante em que o
sujeito alcança a vantagem esperada.

Comete tráfico de influência aquele que pede dinheiro a pretexto de influir na


decisão de juiz eleitoral incorre em crime de tráfico de influência.

Cuidado aqui, se a solicitação ou recebimento de dinheiro ou qualquer outra


utilidade for realizada a pretexto de influir em juiz, jurado, órgão do Ministério
Público, funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha,
o crime será o de exploração de Prestígio.
Exploração de prestígio
 
“Art. 357 - Solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra utilidade, a pretexto
de influir em juiz, jurado, órgão do Ministério Público, funcionário de justiça,
perito, tradutor, intérprete ou testemunha”. 

Segundo o p. único do art. 332 do CP, constitui causa de aumento de pena no


crime de tráfico de influência se o agente alega ou insinua que o dinheiro ou
utilidade também se destina também ao funcionário. Pergunta-se, para a
incidência de tal majorante a exigência tem que ser explícita?
 

Não, basta a simples insinuação nesse sentido, indiferente se a vítima acredita


ou não no recebimento da vantagem pelo funcionário público. 

Na hipótese do p. único do art. 332, se de fato o funcionário público ser


destinatário da vantagem, este também deve responder por exploração de
prestígio?
 

Não, e restar provado que a vantagem realmente tinha como destinatário o


funcionário público, a este será imputado o crime de corrupção passiva (art.
317 do CP), enquanto o entregador da vantagem e o intermediador da
negociação responderão por corrupção ativa (art. 333 do CP). 

O Código Penal trata da corrupção em dois crimes, corrupção passiva e ativa.


Observe a tabela abaixo.
Corrupção Passiva- Corrupção Ativa-  
Art. 317- Solicitar ou receber, para si
ou para outrem, direta ou Art. 333- Oferecer ou prometer
indiretamente, ainda que fora da vantagem indevida a funcionário
função ou antes de assumi-la, mas em público, para determiná-lo a praticar,
razão dela, vantagem indevida, ou omitir ou retardar ato de ofício.
aceitar promessa de tal vantagem.
Crime próprio. Crime praticado porCrime comum. Praticados por
funcionário público contra aparticular contra a administração em
administração em geral geral
 Da análise de tais crimes, está correto afirmar que se trata de mais uma
hipótese de exceção à teoria monística adotada pelo Código penal*?
 
* Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a
este cominadas, na medida de sua culpabilidade.

Restará caracterizado o crime de corrupção ativa se o particular pedir ao


funcionário público pratique, omita ou retarde ato de ofício?
 

Não, veja que os núcleos do tipo da corrupção ativa são Oferecer ou prometer,
de forma que pedir que o funcionário pratique ato de ofício não é crime.
“Art. 333- Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público,
para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício”.  

Haverá corrupção ativa na situação em que o particular se limita a pedir ao


funcionário público para “dar um jeitinho”? 
 

Não, pois na hipótese não há oferecimento ou promessa de vantagem


indevida. Cabe destacar que se o funcionário atende o pedido, incorre em
corrupção passiva privilegiada.

A corrupção é crime bilateral, ou seja, somente haverá corrupção passiva se


houver corrupção ativa?
 

Não, como bem destaca Capez, a corrupção, em nossa legislação, não é crime
necessariamente bilateral, de forma que nem sempre a configuração da
corrupção passiva dependerá do delito de corrupção ativa e vice-versa.
Assim, por exemplo, o oferecimento ou a promessa de vantagem feita pelo
particular ao funcionário público configura, por si só, o delito de corrupção ativa
(CP, art. 333), independentemente do recebimento da vantagem ou da
aceitação da promessa pelo funcionário público.  

Corrupção ativa pode ser feita por meio de interposta pessoa? 


 
Sim, e nesta hipótese o terceiro será coautor do crime.

Se o particular oferecer ou prometer vantagem indevida ao funcionário público


após este praticar o ato de ofício, estaria correto afirmar que não ocorre o crime
de corrupção ativa?
 

A corrupção ativa exige que a prática, omissão ou retardamento do ato de


ofício seja depois do oferecimento ou promessa de vantagem indevida, jamais
antes. Destacando que restará caracterizada o crime de corrupção passiva e o
particular será partícipe.
Para melhor elucidar, confira o que diz Capez: “Conforme a doutrina, ao
contrário do delito de corrupção passiva, o Código não pune a corrupção ativa
subsequente, isto é, o oferecimento da vantagem após a prática do ato de
ofício, sem que tenha havido qualquer influência do particular na prática,
omissão ou retardamento do ato funcional. É que o próprio dispositivo penal é
expresso no sentido de que o particular deve oferecer ou prometer vantagem
indevida a funcionário para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de
ofício, isto é, o ato deve ser praticado após o oferecimento ou promessa de
vantagem, e não antes”.

Se em razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou omite ato de


ofício, ou o pratica infringindo dever funcional a pena será aumentada em até a
metade?
 

Errado, a pena será aumentada em até um terço, conforme prevê o p. único do


art. 333 do CP.
 

A Lei 13.008/14 desvinculou os crimes de descaminho e contrabando, de forma


que o primeiro crime permaneceu no artigo 334, ao passo que o contrabando
passou a ser previsto no art. 334-A. Está correto afirmar que legislador
manteve a mesma pena abstrata para ambos os crimes?
 
Não, de fato a pena prevista para o crime de descaminho permaneceu a
mesma, qual seja, reclusão de 1 a 4 anos, no entanto, a pena cominada ao
contrabando foi aumentada agora passa a ser de 2 a 5 anos.

O CP tipifica a conduta de do funcionário público que facilita o contrabando ou


descaminho (Art. 318 - Facilitar, com infração de dever funcional, a prática de
contrabando ou descaminho), ao passo que o art. art. 334 prevê o crime de
contrabando e o art. 334-A prevê o crime de contrabando. Temos aqui mais um
exemplo de exceção à teoria monística em relação ao concurso de pessoas
prevista no Código?

Sim, haja vista que o funcionário público que facilitar o contrabando ou


descaminho responderá pelo crime mais grave, de natureza funcional (art. 318)
em decorrência de sua peculiar condição, que torna a conduta reprovável. Por
seu turno, o particular que realiza o contrabando ou descaminho incide no
crime do art. 334.

 Os crimes de contrabando e descaminho têm o mesmo objeto jurídico?

Não, os crimes buscam proteger diferentes bens jurídicos, confira: 


Descaminho (ou contrabando impróprio): O bem jurídico protegido é o
interesse do Estado na arrecadação dos tributos. 
Contrabando: segundo o STJ, o bem juridicamente tutelado vai além do mero
valor pecuniário do imposto elidido, alcançando também o interesse estatal de
impedir a entrada e a comercialização de produtos proibidos em território
nacional (STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 342.598/PR, j. em 05/11/2013). 

Jeremias, ao regressar do Paraguai, trazia consigo 2 armas de fogo, no


entanto, após cruzar a Ponte da Amizade, foi interceptado por policiais
federais. Nessa hipótese, Jeremias cometeu crime de contrabando
Considerando que a entrada de armas no país é proibida?
 

Errado. Jeremias responderá pelo crime de tráfico internacional de armas,


previsto no art. 18 da Lei 10.826/ 03 (Importar, exportar, favorecer a entrada ou
saída do território nacional, a qualquer título, de arma de fogo, acessório ou
munição, sem autorização da autoridade competente).  
Cabe aqui lembrar que o crime de contrabando é residual ou subsidiário, ou
seja, só incidirá tal crime quando a importação ou exportação de mercadoria
proibida não configurar algum crime específico (ex. drogas e armas).

Para a caracterização do crime de descaminho se faz necessário o lançamento


definitivo do tributo devido, ou seja, é necessário a apuração do valor referente
ao tributo iludido (fraudado)?
 

O mais recente entendimento do STJ foi o de que se trata de crime formal, de


forma que se demonstra desnecessária a prévia constituição definitiva do
tributo (lançamento), confira:  
(...) 3. A exigência de lançamento tributário definitivo no crime de descaminho
esvazia o próprio conteúdo do injusto penal, mostrando-se quase como que
uma descriminalização por via hermenêutica, já que, segundo a legislação
aduaneira e tributária, a regra nesses casos é a incidência da pena de
perdimento da mercadoria, operação que tem por efeito jurídico justamente
tornar insubsistente o fato gerador do tributo e, por conseguinte, impedir a
apuração administrativa do valor devido.
4. Em suma: o crime de descaminho se perfaz com o ato de iludir o pagamento
de imposto devido pela entrada de mercadoria no país. Não é necessária a
apuração administrativo-fiscal do montante que deixou de ser recolhido para a
configuração do delito, embora este possa orientar a aplicação do princípio da
insignificância quando se tratar de conduta isolada. Trata-se de crime formal, e
não material, razão pela qual o resultado da conduta delituosa relacionada ao
quantum do imposto devido não integra o tipo legal. Precedente da Quinta
Turma do STJ e do STF. 
5. Recurso desprovido. (STJ. 5ª Turma. REsp 1376031/PR, j. 04/02/2014).  
Logo, prevalece o entendimento que não se aplica a Súmula 24 ao crime de
descaminho.  
Súmula Vinculante 24. NÃO SE TIPIFICA CRIME MATERIAL CONTRA A
ORDEM TRIBUTÁRIA, PREVISTO NO ART. 1º, INCISOS I A IV, DA LEI Nº
8.137/90, ANTES DO LANÇAMENTO DEFINITIVO DO TRIBUTO.

Se o agente, para iludir o auditor fiscal, faz declaração ideologicamente falsa,


ele deverá responder por descaminho em concurso com o crime de falsidade
ideológica?
 
Não, segundo o STJ (RHC nº 31.321), deve-se aplicar o princípio da
consunção, considerando que a declaração falsa foi apenas o meio necessário
para a prática do descaminho, de forma que a falsidade fica absorvida pelo
descaminho. Nesse sentido, também deve ser aplicado o princípio da
consunção do caso de falsidade material. 

 Descaminho: “Art. 334. Iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou


imposto devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoria
(Redação dada pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014). Pena - reclusão, de 1 (um) a
4 (quatro) anos.” Tal dispositivo é uma norma penal em branco?
 

Sim, pois para entender o objeto material do crime (tributos não recolhidos) se
faz necessária a complementação por outra lei que indique quais são os
impostos devidos pela entrada ou saída de mercadorias do território nacional. 

A competência para o julgamento dos crimes de contrabando e descaminho é


da Justiça Federal?
 

Sim, pois ofendem interesses da União, CF, art. 109, IV. Para espancar
qualquer dúvida o STJ editou a súmula nº 151: “A competência para o
processo e julgamento por crime de contrabando ou descaminho define-se
pela prevenção do Juízo Federal do lugar da apreensão dos bens”.

O Código Penal prevê condutas equiparadas ao crime de descaminho, dentre


as quais a prática pratica navegação de cabotagem, fora dos casos permitidos
em lei. O que é a navegação de cabotagem?
 

Navegação de cabotagem é a realizada entre portos ou pontos do território


brasileiro, utilizando a via marítima ou esta e as vias navegáveis interiores (Art.
2º, IX, da Lei 9.432/1997). A navegação de cabotagem é regulamentada em lei
e somente pode ser realizada nos casos ali previstos, haja vista que se não
houvesse qualquer controle, prejudicaria a arrecadação de impostos.
 
Além da prática de navegação de cabotagem, fora dos casos previstos em lei,
e da prática de fato assimilado previsto em lei especial a descaminho, o CP
também equipara a descaminho a seguinte conduta:
Art. 134, §1º, III - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer
forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial
ou industrial, mercadoria de procedência estrangeira que introduziu
clandestinamente no País ou importou fraudulentamente ou que sabe ser
produto de introdução clandestina no território nacional ou de importação
fraudulenta por parte de outrem.
Está correto afirmar que somente o sujeito que traz a mercadoria do
estrangeiro comete tal crime? 

Não, além do agente que trouxe a mercadoria, aquele tem ciência da


importação clandestina ou fraudulenta também deve responder pelo crime,
conforme prevê a parte final do dispositivo.

Segundo o inciso IV do art. 134 do CP, aquele que adquire, recebe ou oculta,
em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial,
mercadoria de procedência estrangeira, desacompanhada de documentação
legal ou acompanhada de documentos que sabe serem falsos comete o crime
equiparado à descaminho. Quem pode ser o sujeito ativo deste crime?
 

Será sujeito ativo a pessoa que pratica atividade comercial ou industrial


envolvendo mercadoria de procedência estrangeira, que foi trazida para o
Brasil de forma clandestina (sem que as autoridades soubessem) ou
fraudulenta (enganando as autoridades). Cabe aqui destacar que nos termos
do §2º do art. 134, equipara-se às atividades comerciais, para os efeitos deste
artigo, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino de mercadorias
estrangeiras, inclusive o exercido em residências. 

Está correto afirmar que a pena será aplicada em dobro se o crime de


descaminho for praticado mediante transporte aéreo, de forma que se for por
outro meio de transporte a pena será simples?
 
Cuidado, até antes da edição da Lei 13.008/014, somente se aplicaria a pena
em dobro se o crime fosse praticado em transporte aéreo, no entanto, após a
edição da mencionada lei, incidirá o aumento de pena também se o
transporte for marítimo ou fluvial. 
Segundo Cléber Masson, a maior reprovabilidade da conduta criminosa reside
na exacerbada dificuldade de fiscalização das mercadorias importadas ou
exportadas pelo transporte aéreo, notadamente quando se faz comparação
com o delito praticado pelas vias terrestres.
 
 

Está correto afirmar que para a incidência da causa de aumento de pena do


crime de contrabando o transporte deve ser clandestino, de forma que se o
crime dor feito em voos de carreira não haverá crime?
 

Sim, conforme afirmam Damásio, Fragoso, Capez e Masson, ao argumento de


que os voos de carreira estão sujeitos à fiscalização alfandegária, o que por si
já dificulta a prática do crime. 

Subtração ou inutilização de livro ou documento.


Art. 337. Subtrair, ou inutilizar, total ou parcialmente, livro oficial, processo ou
documento confiado à custódia de funcionário, em razão de ofício, ou de
particular em serviço público.
Pena – reclusão, de dois a cinco anos, se o fato não constitui crime mais
grave.
 Como se consuma tal crime?
 

Consuma-se com subtração do objeto, da mesma forma que o crime de furto,


ou com a efetiva inutilização. Por ser crime de ação múltipla admite tentativa. 

Cometerá o crime de subtração ou inutilização de livro ou documento o


advogado que deixar de restituir à repartição administrativa os autos de
processo que recebeu na qualidade de procurador?
 
Não. Primeiramente precisamos destacar que o crime em tela é subsidiário, de
forma que somente incidirá se não houver outro previsto em lei, confira:
Art. 337. Subtrair, ou inutilizar, total ou parcialmente, livro oficial, processo ou
documento confiado à custódia de funcionário, em razão de ofício, ou de
particular em serviço público: Pena – reclusão, de dois a cinco anos, se o fato
não constitui crime mais grave.
Desta forma, se o crime é cometido por advogado ou procurador, o crime será
o previsto no art. 356 do CP: Sonegação de papel ou objeto de valor
probatório, espécie de crime contra a administração da justiça.
Art. 356 - Inutilizar, total ou parcialmente, ou deixar de restituir autos,
documento ou objeto de valor probatório, que recebeu na qualidade de
advogado ou procurador:
 
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa.

O crime de sonegação de contribuição pecuniária, abaixo transcrito, é espécie


de crime vinculado?
Art. 337-A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer
acessório, mediante as seguintes condutas:
I – omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações
previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário,
trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe
prestem serviços;
II – deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da
empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo
empregador ou pelo tomador de serviços;
 
III – omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações
pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais
previdenciárias:
 

Sim, pois o crime deve ser praticado por meio de uma das condutas previstas
nos incisos acima.

O crime de sonegação de contribuição pecuniária, somente se consuma com a


efetiva supressão ou redução da contribuição previdenciária?
 
Sim, trata-se de crime material ou causal.

O crime de sonegação de contribuição pecuniária admite tentativa?


 

Não, pois se trata de crime omissivo próprio, unissubsistente, de forma que não
pode ser fracionado.

Segundo o Art. 337-A, § 2º É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena (perdão


judicial) ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons
antecedentes, desde que o valor das contribuições devidas, inclusive
acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social,
administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas
execuções fiscais.
Atualmente qual é o valor a que se refere o mencionado dispositivo?
 

O montante era previsto pelo art. 4º, I, da Portaria MPAS 4.943/1999,


atualizada pela Portaria MPS 296, de 08.08.2007, pela qual se autorizava “o
não ajuizamento das execuções fiscais de dívida ativa do INSS de valor até R$
10.000,00 (dez mil reais), considerada por devedor, exceto quando, em face da
mesma pessoa, existirem outras dívidas que, somadas, superem esse
montante”. No caso dos tributos administrados pela Secretaria da Receita
Federal, atualmente também responsável pelas contribuições previstas na Lei
8.212/1991, o limite encontra-se na Portaria MF 130/2012, na qual restou
autorizado o não ajuizamento das execuções fiscais de débitos com a Fazenda
Nacional de valor igual ou inferior a R$ 20.000,00.
A jurisprudência do STF e do STJ tornou inútil este dispositivo, em face da
amplitude na aplicação do princípio da insignificância aos crimes tributários em
geral, entre os quais se insere a sonegação de contribuição previdenciária.
Para arrematar, ainda há divergência entre os dois Tribunais acerca de qual o
valor será considerado insignificante para fins de crimes Tributários.
Para o STJ, o valor máximo para fins de aplicação do princípio da
insignificância no caso de crimes contra a ordem tributária (incluindo o
descaminho) continua sendo de R$ 10.000,00, não tendo sido aumentado para
R$ 20.000,00 com a Portaria MF nº 75/12 que não teve o condão de produzir
efeitos na seara criminal. (AgRg no AREsp 331.852/PR, j. em 11/02/2014,
AgRg no AREsp 303.906/RS, j. em 06/02/2014).
 
Já para o STF, o fato de as Portarias 75 e 130/2012 do Ministério da Fazenda
terem aumentado o patamar de 10 mil reais para 20 mil reais produz efeitos
penais, implicando o novo valor máximo para fins de aplicação do princípio da
insignificância nos crimes tributários passou a ser de 20 mil reais. (STF. 1ª
Turma. HC 120617, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 04/02/2014).

Quais são os requisitos legais para que o juiz possa conceder o perdão
judicial?
 

1- Agente for primário;


2- Bons antecedentes;
3- O valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior
àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo
o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais.

Está correto afirmar que no crime de sonegação de contribuição previdenciária


que, se o agente, espontaneamente, declarar e confessar as contribuições,
importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social,
na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal será
extinta a punibilidade? 
 

Correto, conforme prevê o art. 337,§1º do CP.

Está correto afirmar que no crime de sonegação de contribuição previdenciária,


extingue-se a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa
as contribuições e presta as informações devidas à previdência social, antes do
recebimento da denúncia?
 

Não, conforme dispõe o §1º do art. 337,§1º do CP, o marco para a extinção da
punibilidade é o início da ação fiscal e não o recebimento da denúncia.
 
 
Está correto afirmar que no crime de sonegação de contribuição previdenciária,
se o empregador não for pessoa jurídica e sua folha de pagamento mensal não
ultrapassar determinado valor fixado em lei, reajustado pelos mesmos índices
dos benefícios da previdência social, o juiz poderá aplicar somente a pena de
multa?

Sim, conforme previsto no §3º do art. 337-A.


Art. 337-A, §3º Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha de
pagamento mensal não ultrapassa R$ 1.510,00 (um mil, quinhentos e dez
reais), o juiz poderá reduzir a pena de um terço até a metade ou aplicar apenas
a de multa.

Para a caracterização do crime de descaminho é necessário que o sujeito se


valha de meio fraudulento?
 

O entendimento amplamente majoritário exige a ocorrência de fraude, confira


recente julgado do STJ nesse sentido:
EMENTA: RECURSO ESPECIAL. DESCAMINHO. CRIME FORMAL.
DESNECESSIDADE DE CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO
TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM O CRIME DE
SONEGAÇÃO FISCAL. TUTELA DE TRIBUTOS REGULATÓRIOS DE
MERCADO. PROTEÇÃO PRIMÁRIA DO NATURAL FUNCIONAMENTO DA
INDÚSTRIA NACIONAL E DO INTERESSE ECONÔMICO-ESTATAL NA
ESTABILIDADE DAS RELAÇÕES DE MERCADO. LANÇAMENTO
DEFINITIVO DO TRIBUTO: EXIGÊNCIA QUE ESVAZIA O CONTEÚDO DO
INJUSTO CULPÁVEL, TORNANDO-O QUASE INAPLICÁVEL POR VIA
HERMENÊUTICA. RECURSO DESPROVIDO.
1. O fato de um dos bens jurídicos tutelados pelo crime de descaminho ser a
arrecadação tributária não leva à conclusão automática de que a sua natureza
jurídica é a mesma do crime previsto no art. 1.º da Lei n.º 8.137⁄90. De rigor
conceder tratamento adequado às especificidades de cada tipo, a fim de lhes
emprestar a iluminação interpretativa mais conivente com a natureza de cada
crime, com o sistema jurídico como um todo, e com a linguagem utilizada pelo
legislador.
2. A norma penal do art. 334 do Código Penal – elencada sob o Título XI: "Dos
Crimes Contra a Administração Pública" – visa proteger, em primeiro plano, a
integridade do sistema de controle de entrada e saída de mercadorias do país,
como importante instrumento de política econômica. Engloba a própria
estabilidade das atividades comerciais dentro do país, refletindo na balança
comercial entre o Brasil e outros países. A fraude pressuposta pelo tipo,
ademais, denota artifícios mais amplos para a frustração da atividade
fiscalizadora do Estado do que o crime de sonegação fiscal, podendo se referir
tanto à utilização de documentos falsificados, quanto, e em maior medida, à
utilização de rotas marginais e estradas clandestinas para sair do raio de visão
das barreiras alfandegárias. (...) (STJ. 5ª Turma. REsp 1376031/PR, j.
04/02/2014).
 
(...) 3. A exigência de lançamento tributário definitivo no crime de descaminho
esvazia o próprio conteúdo do injusto penal, mostrando-se quase como que
uma descriminalização por via hermenêutica, já que, segundo a legislação
aduaneira e tributária, a regra nesses casos é a incidência da pena de
perdimento da mercadoria, operação que tem por efeito jurídico justamente
tornar insubsistente o fato gerador do tributo e, por conseguinte, impedir a
apuração administrativa do valor devido.
4. Em suma: o crime de descaminho se perfaz com o ato de iludir o pagamento
de imposto devido pela entrada de mercadoria no país. Não é necessária a
apuração administrativo-fiscal do montante que deixou de ser recolhido para a
configuração do delito, embora este possa orientar a aplicação do princípio da
insignificância quando se tratar de conduta isolada. Trata-se de crime formal, e
não material, razão pela qual o resultado da conduta delituosa relacionada ao
quantum do imposto devido não integra o tipo legal. Precedente da Quinta
Turma do STJ e do STF.
5. Recurso desprovido. (STJ. 5ª Turma. REsp 1376031/PR, j. 04/02/2014)
 

O princípio da insignificância é aplicável ao crime de descaminho?


 

Sim. Por possuir natureza de crime tributário, prevalece o entendimento pela


incidência do princípio da insignificância, nas hipóteses em que, embora
realizada a conduta típica, não haver risco de lesão ao bem jurídico
penalmente tutelado. 

O crime de contrabando está previsto no art. 134-A do CP, cuja descrição é a


seguinte: Importar ou exportar mercadoria proibida: Pena - reclusão, de 2 (dois)
a 5 ( cinco) anos.Quais as situações em que ocorre o crime?
 
Ocorre em duas situações: 
1-    A pessoa traz uma mercadoria proibida para o Brasil (importa); 
2-    A pessoa manda uma mercadoria proibida para fora do Brasil (exporta).
Por fim, se a importação feita através de navio ou avião, o crime estará
consumado no instante em que a mercadoria ingressa em território nacional, no
entanto, exige-se o pouso da aeronave ou a ancoragem da embarcação, haja
vista que se o navio ou avião estiverem apenas em trânsito pelo país não
ocorrerá o crime. 

O princípio da insignificância é aplicável em relação ao crime de contrabando?


 

Não. Segundo recente julgado do STJ (REsp 1418011/PR., j 03/12/2013), “em


sede de contrabando, ou seja, importação ou exportação de mercadoria
proibida, em que, para além da sonegação tributária há lesão à moral, higiene,
segurança e saúde pública, não há como excluir a tipicidade material tão-
somente à vista do valor da evasão fiscal, ainda que eventualmente
possível, em tese, a exclusão do crime, mas em face da mínima lesão
provocada ao bem jurídico ali tutelado, gize-se, a moral, saúde, higiene e
segurança pública (...)”.
 
 

O bem jurídico que o legislador buscou tutelar com o crime de contrabando é o


interesse da fazenda pública referente à arrecadação de impostos?
 

Cuidado, esse é o bem jurídico protegido pelo criem de descaminho, a


criminalização do contrabando tem o escopo de proteger a moralidade
administrativa, a saúde e a segurança pública, de forma que o bem
juridicamente tutelado vai além do mero valor pecuniário do imposto elidido,
alcançando também o interesse estatal de impedir a entrada e a
comercialização de produtos proibidos em território nacional, conforme decidido
pelo STJ no AgRg no AREsp. 342.598/PR, j. em 05/11/2013. 

Crime equiparado a contrabando:


Art. 334-A, §1º, IV - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de
qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade
comercial ou industrial, mercadoria proibida pela lei brasileira.
 Trata-se de delito próprio? 
 

Sim, haja vista que somente pode ser praticado por quem se encontre “no
exercício de atividade comercial ou industrial”. Cabe ainda destacar que
equipara-se às atividades comerciais, para os efeitos deste artigo, qualquer
forma de comércio irregular ou clandestino de mercadorias estrangeiras,
inclusive o exercido em residências (art. 134-A, §2º).

Para a configuração do crime de contrabando a mercadoria deve ser


necessariamente estrangeira?
 

Não, pode ocorrer o crime em relação à mercadoria fabricada no Brasil à


exportação. Tais mercadorias são proibidas de circular no território nacional, de
forma que, se reintroduzidas, poderá ocorrer o crime de contrabando, como
ocorre demais com os cigarros aqui produzidos e exportados para o Paraguai.
Veja o que diz o CP.
 
Art. 334-A. Importar ou exportar mercadoria proibida: Pena - reclusão, de 2
(dois) a 5 ( cinco) anos. § 1º- Incorre na mesma pena quem:
I - pratica fato assimilado, em lei especial, a contrabando;
II - importa ou exporta clandestinamente mercadoria que dependa de registro,
análise ou autorização de órgão público competente;
III - reinsere no território nacional mercadoria brasileira destinada à
exportação;
IV - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza
em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial,
mercadoria proibida pela lei brasileira;
V - adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício de
atividade comercial ou industrial, mercadoria proibida pela lei brasileira.

Das alternativas abaixo, qual não contém somente crime contra a


Administração da Justiça?
(a) Reingresso de estrangeiro expulso e denunciação caluniosa.
(b) Favorecimento real e favorecimento pessoal.
(c) Motim e arrebatamento de preso.
(d) Patrocínio infiel e tergiversação
(e) Denunciação caluniosa e tráfico de influência.
 
 

Letra E, pois o crime de tráfico de influência está no capítulo que trata dos
crimes praticados por particular contra a administração em geral.
Confira quais são os crimes contra a administração da Justiça. 
Ø Reingresso de estrangeiro expulso (Art. 338); 
Ø Denunciação caluniosa (Art. 339); 
Ø Comunicação falsa de crime ou de contravenção (Art. 340); 
Ø Autoacusação falsa (Art. 341); 
Ø  Falso testemunho ou falsa perícia (Art. 342 e 343); 
Ø  Coação no curso do processo (Art. 344); 
Ø  Exercício arbitrário das próprias razões (Art. 345 e 346); 
Ø  Fraude processual (Art. 347); 
Ø  Favorecimento pessoal (Art. 348); 
Ø  Favorecimento real (Art. 349 e 349-A); 
Ø  Exercício arbitrário ou abuso de poder (Art. 350); 
Ø  Fuga de pessoa presa ou submetida a medida de segurança (Art. 351);
Ø   Evasão mediante violência contra a pessoa (Art. 352);
Ø   Arrebatamento de preso (Art. 353); 
Ø  Motim de presos (Art. 354); 
Ø Patrocínio infiel e Patrocínio simultâneo ou tergiversação (Art. 355); 
Ø Sonegação de papel ou objeto de valor probatório (Art. 356); 
Ø Exploração de prestígio (Art. 357); 
Ø Violência ou fraude em arrematação judicial (Art. 358); 
Ø Desobediência a decisão judicial sobre perda ou suspensão de direito. Art.
359. 

São crimes contra a administração da Justiça: (VUNESP/ Pref. Louveira-


Proc. Jud./ 2007).
(A) sonegação de papel ou objeto de valor probatório; exploração de prestígio;
desobediência.
(B) falso testemunho; exercício arbitrário das próprias razões; resistência.
(C) patrocínio infiel; evasão mediante violência contra a pessoa; desacato.
(D) coação no curso do processo; favorecimento real; tráfico de influência.
(E) reingresso de estrangeiro expulso; favorecimento pessoal; motim de
presos.
 
(A) sonegação de papel ou objeto de valor probatório; exploração de
prestígio; desobediência.
(B) falso testemunho; exercício arbitrário das próprias razões; resistência.
(C) patrocínio infiel; evasão mediante violência contra a pessoa; desacato.
(D) coação no curso do processo; favorecimento real; tráfico de influência.
(E) reingresso de estrangeiro expulso; favorecimento pessoal; motim de
presos.
Resposta correta é a letra E.

O art. 338 do CP pena tipifica o crime de reingresso de estrangeiro:


“Reingressar no território nacional o estrangeiro que dele foi expulso: Pena -
reclusão, de um a quatro anos, sem prejuízo de nova expulsão após o
cumprimento da pena”. Quando se consuma este crime? 
 

Restará consumado no momento em que o estrangeiro anteriormente expulso


reingressar ao Brasil. Segundo o STJ, trata-se de crime permanente, pois seus
efeitos se prolongam no tempo, por vontade do agente, subsistindo a
consumação durante todo o período em que o agente permanece no território
brasileiro.

Está correto afirmar que o crime de reingresso de estrangeiro banido do


território nacional será punido, somente, com expulsão do país?
 

 
Não, conforme prevê o art. 338 do CP, será punido com reclusão de um a
quatro anos, sem prejuízo de nova expulsão após o cumprimento da pena.

O crime de reingresso de estrangeiro expulso pode ser cometido a título de


culpa?
 

Não, somente haverá crime se a conduta for voluntário e consciente. 


Denunciação caluniosa: Art. 339. Dar causa à instauração de investigação
policial, de processo judicial, instauração de investigação administrativa,
inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-
lhe crime de que o sabe inocente. 
Da análise do dispositivo, se a imputação for referente à contravenção, a
conduta será atípica?

Errado. Se a imputação for relativa à contravenção haverá diminuição de


pena. (Art. 339, §2º - A pena é diminuída de metade, se a imputação é de
prática de contravenção). 

O crime de denunciação caluniosa admite modalidade culposa?


 

Não, e tal conclusão pode ser extraída da própria leitura do tipo, confira:


Art. 339. Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial,
instauração de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de
improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe
inocente. 

Denunciação caluniosa: Art. 339. Dar causa à instauração de investigação


policial, de processo judicial, instauração de investigação administrativa,
inquérito civil ou ação de improbidade administrativacontra alguém,
imputando-lhe crime de que o sabe inocente.  
Da análise do dispositivo, é possível afirmar perceber que a falsa imputação
deve ser dirigida à pessoa determinada?
 

Sim, o dispositivo informa que a imputação deve ser contra pessoa


determinada.

Praticará o crime de denunciação caluniosa quem der causa à instauração de


investigação policial contra alguém, imputando-lhe contravenção penal de que
o sabe inocente (CESPE/ Juiz- TRF-2ª/ 2013)? 
Sim, vários são os objetos jurídicos do tipo: investigação policial, o processo
judicial, a investigação administrativa, o inquérito civil ou a ação de
improbidade administrativa. (Art. 339, §2º - A pena é diminuída de metade, se a
imputação é de prática de contravenção).

Se o agente se servir do anonimato ou de nome suposto para a prática do


crime de denunciação caluniosa tal fato será considerado para aumentar a
pena do crime?
 

Sim, segundo § 1º do art. 339, a pena é aumentada de sexta parte, se o agente


se serve de anonimato ou de nome suposto (denunciação caluniosa indireta).

O crime de denunciação caluniosa é um crime material?


 

Sim, somente se consuma com a efetiva instauração da investigação


policial, de processo judicial, de investigação administrativa, inquérito
civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém, em razão da
imputação falsa de crime ou contravenção penal de que o sabia inocente. 

A exemplo do crime de calúnia, havendo a retratação do agente no crime de


denunciação caluniosa, ocorrerá a isenção da pena? 

Não, pois não há previsão do instituto da retratação no crime de denunciação


caluniosa. 

Comunicação falsa de crime ou de contravenção: Art. 340 - Provocar a ação de


autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que
sabe não se ter verificado.
Tal crime muito se assemelha ao crime de denunciação caluniosa, mas o que o
diferencia deste crime?
 
Ao contrário da denunciação caluniosa, que exige que a imputação do crime
seja feita à pessoa determinada (alguém), no delito de comunicação falsa de
crime ou de contravenção, o sujeito se limita a comunicar falsamente a
ocorrência de crime/ contravenção que sabe não se ter verificado, provocando
a ação de autoridade, não havendo contudo qualquer acusação.  

O crime de comunicação falsa de crime ou de contravenção pode ser praticado


a título de culposo?
 

Não, a exemplo do crime de denunciação caluniosa, somente admite o dolo


direto.
Art. 340 - Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de
crime ou de contravenção que sabe não se ter verificado.

Autoacusação falsa: “Art. 341 - Acusar-se, perante a autoridade, de crime


inexistente ou praticado por outrem”.
Cometerá tal crime o sujeito que se autoacusar de contravenção inexistente ou
praticada por outrem?

 
 

Não, segundo Capez, será atípica a conduta de se atribuir falsamente a prática


de contravenção penal inexistente ou praticada por outrem, uma vez que, ao
contrário do delito precedentemente estudado, não há previsão legal nesse
sentido. (CP Comentado).

Quando estará consumado o crime de autoacusação falsa?


 

Consuma-se no momento em que a autoridade toma conhecimento da


autoacusação, não sendo necessária a prática de qualquer ato investigatório.
Segundo a doutrina, o crime é formal.
O crime de falso testemunho ou falsa perícia é exemplo de tipo misto
alternativo (ou ação múltipla)?
Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade
comotestemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo
judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral. 
 

Sim, observe que tal crime pode ser praticado mediante a prática de três
condutas: 
1-   Fazer afirmação falsa; 
2-   Negar a verdade; 
3-   Calar a verdade (reticência).

Está correto afirmar que os crimes de falso testemunho e falsa perícia se


consumam com a efetiva influência no desfecho do processo?

Não, segundo doutrina, o crime de falso testemunho e falsa perícia é crime


formal, consumando-se com o encerramento do depoimento (vide art. 216 do
CPP). No mesmo sentido já julgou o STF, confira:
 
“Quanto ao desvalor da afirmação tida como falsa no deslinde da causa em
que se deu o depoimento do paciente, é firme o entendimento deste Supremo
Tribunal de que ‘o crime de falso testemunho é de natureza formal e se
consuma com a simples prestação do depoimento falso, sendo de todo
irrelevante se influiu ou não no desfecho do processo’ (HC n. 73.976, Rel. Min.
Carlos Velloso)”. 

O contador que nega a verdade no âmbito de juízo arbitral não comete o crime
de falso, pois tal hipótese não está abrangida pelo artigo 342 do CP. Está
correto o que se afirma?
 

Errado, o juízo arbitral está previsto como uma das situações em que pode
ocorrer o delito, confira:
Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha,
perito, contador, tradutor ou intérprete em:
Ø  Processo judicial;
Ø  Processo Administrativo;
Ø  Inquérito policial;
Ø  Juízo arbitral.

O crime de falso testemunho ou falsa perícia é espécie de crime de mão


própria, pois somente pode ser praticado por testemunha, perito, contador,
tradutor ou intérprete. A par de tal afirmação pergunta-se: Tal crime pode ser
praticado mediante concurso de pessoas?
 

Tais espécies de delito delitos são incompatíveis com a coautoria, pois não é


possível transferir a condição indicada no tipo penal. No entanto, será possível
a participação nas três modalidades (induzimento, instigação e auxílio).
Cabe aqui uma observação, conforme destaca Cléber Masson, a possibilidade
de coautoria na hipótese de falsa perícia, confira:
 Na falsa perícia há, curiosamente, uma exceção a esta regra. Somente o
perito, contador, tradutor ou intérprete podem figurar como sujeitos ativos do
delito, mas nada impede que duas ou mais pessoas de igual estirpe, como
coautores, executem o núcleo do tipo penal. (Código Penal Comentado). 

Em quais hipóteses haverá aumento de pena no crime de falso testemunho ou


falsa perícia?

 
Segundo o §1º do Art. 342, as penas aumentam-se de um sexto a um terço, se
o crime é praticado:
Ø Mediante suborno;
Ø Cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo
penal;
Ø  Em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta
ou indireta.

O crime de falso testemunho ou falsa perícia admite retratação, se sim, qual a


consequência?
 
Sim, segundo o §2ª do art. 342, o fato deixa de ser punível se, antes da
sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou declara a
verdade.

Sabemos que no crime de falso testemunho o fato deixa de ser punível se,
antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou
declara a verdade. Neste caso, qual a natureza jurídica da retratação?

Trata-se de causa de extinção da punibilidade, em conformidade com a regra


traçada no art. 107, inc. VI, do Código Penal.
 Art. 107 - Extingue-se a punibilidade:
I - pela morte do agente;
II - pela anistia, graça ou indulto;
III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso;
IV - pela prescrição, decadência ou perempção;
V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de
ação privada;
VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite;
 
IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.

Art. 343. Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a


testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete, para fazer afirmação falsa,
negar ou calar a verdade em depoimento, perícia, cálculos, tradução ou
interpretação.
 

Tal crime, apesar de não ter sido nominado pelo Código, é chamado de
“Corrupção ativa de testemunha ou perito” pela doutrina e jurisprudência. Tal
espécie de delito é mais uma exceção à teoria monística do concurso de
pessoas consagrada pelo CP?

Coação no curso do processo: Art. 344. Usar de violência ou grave ameaça,


com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou
qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo
judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral.
Tal crime é próprio, de forma que somente pode ser cometido por quem tenha
interesse próprio no processo judicial?
 
Não, se trata de crime simples, pois pode ser praticado por qualquer pessoa.
Veja que o dispositivo fala em favorecer interesse próprio ou alheio. 

Para a consumação do crime de coação no curso do processo é há a


necessidade da obtenção da finalidade almejada pelo agente?
 

Não, trata-se de crime formal, pois se consuma com o uso da violência ou da


grave ameaça com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio contra as
pessoas mencionadas no tipo penal.

Exercício arbitrário das próprias razões.


Art. 345. Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora
legítima, salvo quando a lei o permite:
Pena – detenção, de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês, ou multa, além da pena
correspondente à violência.
Parágrafo único. Se não há emprego de violência, somente se procede
mediante queixa.  
Tal crime é de ação penal pública?
 

Depende, somente será de ação pública se houver violência, caso contrário


será de ação penal privada. 

No crime de Exercício arbitrário das próprias razões (Art. 345. Fazer justiça


pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando
a lei o permite) sendo ilegítima a pretensão, estará excluído automaticamente o
delito?

Errado, é pacífico que a ilegitimidade da pretensão não exclui automaticamente


o delito em estudo, pois pode haver hipóteses em o direito aparenta ser
legítimo, de forma que se a pretensão fosse submetida à apreciação do Poder
Judiciário, o sujeito poderia ter obtido o bem jurídico em disputa. 
Para a ocorrência do crime de violência arbitrária das próprias razões deve
haver a prática de violência?

Não, mas se não houver somente se procederá mediante queixa.

Se o crime de exercício arbitrário das próprias razões for praticado mediante


violência será hipótese de concurso material obrigatório?
 

Sim, pois a lei prevê a soma das penas entre o crime tipificado no art. 345 do
Código Penal e o delito oriundo da violência, qualquer que seja ele (lesão
corporal, leve, grave ou gravíssima, ou homicídio, consumado ou tentado).
Confira:
Art. 345. Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora
legítima, salvo quando a lei o permite:
 
Pena – detenção, de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês, ou multa, além da pena
correspondente à violência.

Quem pode ser sujeito ativo do crime de exercício arbitrário das próprias
razões do art. 346 do CP?
“Art. 346- Tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa própria, que se acha em
poder de terceiro por determinação judicial ou convenção”.
 

O crime é próprio ou especial, pois somente pode ser praticado pelo


proprietário da coisa que está em poder de terceiro por determinação judicial
ou convenção.

Fraude processual
Art. 347. Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou
administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a
erro o juiz ou o perito:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Parágrafo único. Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal,
ainda que não iniciado, as penas aplicam-se em dobro.
Aquele que remove o corpos da vítima do local do crime com o objetivo de
alterar a cena do crime será punido com a pena de 3 meses a 2 anos?

Não, pois se a inovação se der no âmbito do processo penal, a pena deve ser
aplicada em dobro.

O cirurgião plástico que realiza cirurgia estética, fazendo desaparecer


característicos da pessoa de um foragido, sabendo desta condição, comete o
crime de fraude processual?

 
Sim, este é um exemplo clássico trazido por Magalhães Noronha.

O perito pode ser sujeito ativo do crime de fraude processual? 

Não, praticando a conduta, ao perito será imputado o crime de falsa perícia,


em sua modalidade agravada (art. 342, § 1º, do CP).

Aquele que auxiliao autor do crime a subtrair-se à ação de autoridade pública


comete o crime de favorecimento real?

Não, o crime em tela é o de favorecimento pessoal, veja que o enunciado se


refere ao autor do crime, pessoa certa e não coisa.

Para a ocorrência do crime de favorecimento pessoal é exigido que o auxílio


seja prestado somente após o momento consumativo do delito anterior?

Sim, pois se o auxílio for prometido ou prestado antes ou durante a execução


do crime, haverá o concurso de pessoas.

O favorecimento pessoal é um crime parasitário?


 
Sim, trata-se desta espécie de delito, também chamado de crime subsidiário ou
de fusão, pois para a sua configuração é exigido a prática de um crime
anterior. 

Para a ocorrência do crime de favorecimento pessoal, art. 348 do CP, é


necessário que o autor de crime esteja sendo perseguido ou procurado pela
autoridade pública no momento em que o auxílio lhe é prestado?

Não, segundo já decidiu o STJ, para caracterizar o crime de favorecimento


pessoal não é preciso, sequer, que, no momento, a autoridade esteja
procurando o criminoso, pois: ‘basta que, mais cedo ou mais tarde, o
favorecido tenha de ser alcançado pela autoridade como criminoso.
 
 

O crime de favorecimento pessoal pode ser praticado a título de culpa?


 

Não, somente se pune a conduta dolosa, logo, se o alguém auxiliar outrem a


fugir sem saber que este cometera crime, a conduta será atípica.
 

Aquele que presta ajuda a quem cometeu crime punido à pena de detenção
comete o crime de favorecimento pessoal?
 

Sim, mas na modalidade privilegiada, conforme prevê o §1º do art. 348,


confira: §1º - Se ao crime não é cominada pena de reclusão: Pena -
detenção, de quinze dias a três meses, e multa.

Na hipótese em que o crime antecedente praticado somente for de ação penal


privada, está correto afirmar que somente haverá crime de favorecimento
pessoal se houver queixa?
 

Sim, segundo doutrina Nelson Hungria, na hipótese em que o crime


anteriormente praticado somente se procede mediante queixa ou mediante
ação pública sujeita à representação ou requisição, enquanto não forem
apresentadas estas, não se poderá falar em crime de favorecimento pessoal.

Quando se consuma o crime de favorecimento pessoal?


 

O crime se consuma no instante em que o favorecido consegue, mesmo por


um pequeno lapso, em razão do auxílio prestado, subtrair-se à ação da
autoridade pública. Logo, trata-se de crime material.

Imagine a seguinte situação: Agindo em legítima defesa, Bino mata Felizardo e


se evade do local. Tino, amigo de Bino, sabendo do fato empresta o carro a
Bino que foge. Nessa situação há o crime de favorecimento real?
 

Não, não haverá favorecimento pessoal quando o fato estiver encoberto por
causa excludente da ilicitude, de igual modo também não haverá quando o fato
antecedente guardar relação com causa excludente da culpabilidade. 

 Bob Pai, sabendo que Bob filho acabara de cometer um homicídio, providencia
sua fuga do país, dando-lhe veículo e boa quantia em dinheiro. Nessa hipótese,
Bob pai cometeu o crime de favorecimento pessoal?

Haverá o crime, subsistindo também a culpabilidade do agente, no entanto,


incidirá uma imunidade penal absoluta, de forma que o autor não será punido,
conforme preceituado no art. 248, 2º- “Se quem presta o auxílio é ascendente,
descendente, cônjuge (ou companheiro) ou irmão do criminoso, fica isento de
pena”.
 No crime de favorecimento pessoal a pena será reduzida em um terço se for
me favor do cônjuge do agente?

Não, haverá isenção de pena e não diminuição.


 

Favorecimento real: Art. 349. Prestar a criminoso, fora dos casos de coautoria


ou de receptação, auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime.
A exemplo do crime de favorecimento pessoal, o crime de favorecimento real é
modalidade de crime parasitário/ subsidiário?
 

Sim, pois também depende da prática anterior de outro crime. 

Está correto afirmar que o crime de favorecimento real se consuma no


momento em que o criminoso torna seguro o produto do crime, decorrente da
ajuda do agente do crime em tela?
 

Errado, diferentemente do crime de favorecimento pessoal que é crime


material, o delito de favorecimento real é formal ou de resultado antecipado, de
forma que se consuma no instante em que o agente presta auxílio ao criminoso
com o propósito de tornar seguro o proveito do crime, ainda que não obtenha
tal fim. 

 O crime de favorecimento real é punível a título de culpa?


 

Não, a ausência de conhecimento da procedência criminosa do bem exclui o


dolo e, portanto, o próprio crime. 

Se o agente prestar auxílio ao criminoso para tornar seguro o proveito do


crime, com o fim de obter lucro, cometerá o crime de favorecimento real?
 
 
Não, havendo intenção de lucro o crime será o de receptação (art. 180 do CP),
pois o agente está agindo com o intuito de satisfazer interesse econômico
próprio.

O crime de favorecimento real admite escusa absolutória se o crime


antecedente tiver sido praticado por ascendente, descendente ou cônjuge?
 

Não. O favorecimento real não admite a escusa absolutória, ao contrário do


que ocorre com o crime de favorecimento pessoal.

Considere o seguinte crime:


Art. 349-A. Ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de
aparelho telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar, sem
autorização legal, em estabelecimento prisional.
 Trata-se de tipo misto alternativo?
 

Sim, é mais um exemplo de crime de ação múltipla ou de conteúdo variado,


pois traz mais de um núcleo do tipo, quais sejam: cinco núcleos: “ingressar”,
“promover”, “intermediar”, “auxiliar” e “facilitar”.

Quem pode ser sujeito ativo do crime de fuga de pessoa presa ou submetida
a medida de segurança?
 
Art. 351 - Promover ou facilitar a fuga de pessoa legalmente presa ou
submetida a medida de segurança detentiva:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
§ 1º - Se o crime é praticado a mão armada, ou por mais de uma pessoa, ou
mediante arrombamento, a pena é de reclusão, de dois a seis anos.
§ 2º - Se há emprego de violência contra pessoa, aplica-se também a pena
correspondente à violência.
§ 3º - A pena é de reclusão, de um a quatro anos, se o crime é praticado por
pessoa sob cuja custódia ou guarda está o preso ou o internado.
§ 4º - No caso de culpa do funcionário incumbido da custódia ou guarda,
aplica-se a pena de detenção, de três meses a um ano, ou multa.
Trata-se de crime comum e pode ser cometido por qualquer pessoa,
destacando inclusive que os próprios presos ou detentos podem ser sujeito
ativo de tal crime. Por fim, conforme destacam os §§ 3º e 4º, se o agente for
funcionário público incumbido da guarda ou custódia, ou por culpa deste,
haverá a forma qualificada. 

O crime de fuga de pessoa presa ou submetida à medida de segurança pode


ser cometido a título de culpa?
 

Sim, embora em regra seja crime doloso, pode haver modalidade culposa se a
culpa fordo funcionário público incumbido da custódia ou guarda(art. 351, §4º). 

 Quando ocorre a consumação do crime de fuga de pessoa presa ou submetida


à medida de segurança?
 

 
Dá-se com a efetiva fuga do preso.

Se o crime de fuga de pessoa presa ou submetida a medida de segurança for


cometido com emprego de violência teremos hipótese de concurso material
necessário?
 

Sim, prevê o art. 351, §2º, o concurso material obrigatório entre  fuga de


pessoa presa ou submetida a medida de segurança e eventual crime resultante
da violência, qualquer que seja sua espécie (lesão corporal leve, grave ou
gravíssima, homicídio consumado ou tentado). Alertando que havendo
somente vias de fato, tal contravenção será absorvida pelo crime em análise.

O crime de Evasão mediante violência contra a pessoa é espécie de crime


próprio?
Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a
medida de segurança detentiva, usando de violência contra a pessoa: 

Sim, pois somente pode ser praticado pela pessoa submetida à prisão
(provisória ou definitiva) ou à medida de segurança detentiva. 

O preso que foge do presídio, aproveitando-se de um descuido dos policiais,


responde pelo crime de evasão mediante violência?
 

Errado. De acordo com a legislação penal brasileira a fuga, sem emprego de


violência contra a pessoa, não constitui crime. Destaca-se, por oportuno,
que pode ser hipótese de falta grave (LEP, art. 50, II).

Em qual momento se consuma o crime de evasão mediante violência?


 

Consuma-se no momento em que o preso se utiliza de violência contra a


pessoa com o objetivo de fuga. 

O crime de evasão mediante violência é exemplo de crime de ensaio ou de


empreendimento?
 

Sim, pois lei pune de forma idêntica o crime consumado e o fato que seria em
tese uma simples tentativa, de forma que é possível é possível afirmar que
pouco importa se o detento, após utilizar de violência contra a pessoa, evade-
se ou não. 

Quem pode ser sujeito ativo de arrebatamento de preso?


Trata-se de crime comum, de forma que pode ser praticado por qualquer
pessoa.
Art. 353 - Arrebatar preso, a fim de maltratá-lo, do poder de quem o tenha sob
custódia ou guarda:
 Pena - reclusão, de um a quatro anos, além da pena correspondente à
violência.
 

(FCC/ TRF 2ª- TJ- Segurança/ 2012) A ação de várias pessoas, retirando,
mediante violência, pessoa presa da guarda da escolta que o tinha sob
custódia, para fins de linchamento, caracteriza o delito de arrebatamento de
preso.
Gabarito: Correto.
 
(FCC/ TRT-3ª- Juiz/ 2012) Arrebatamento de preso não é crime contra a
administração da justiça.
 
Gabarito: Errado. 

Quando se consuma o crime de arrebatamento de preso?


 

Trata- se de crime formal, consuma-se com a efetiva subtração do preso, ou


seja, com a retirada deste do poder do agente que detém sua guarda ou
custódia. A ocorrência de maus-tratos constitui mero exaurimento do crime.

Se a ação violente de varias pessoas retirar um preso do poder de quem


legalmente o detém, praticar contra esse maus tratos lhe causando a morte,
está correto afirmar que os envolvidos devem responder pelo crime de
arrebatamento de preso e homicídio?

Sim, trata-se de hipótese de concurso material obrigatório, respondendo os


autores por ambos os crimes em cúmulo material.
Reveja o que diz o art. 353:
Art. 353. Arrebatar preso, a fim de maltratá-lo, do poder de quem o tenha sob
custódia ou guarda:
 
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, além da pena correspondente
à violência.
Quando haverá a consumação do crime de motim de presos?
Art. 354 - Amotinarem-se presos, perturbando a ordem ou disciplina da prisão:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da pena correspondente à
violência.
 

Por se tratar de crime material, consuma-se com a efetiva violação da ordem


ou da disciplina do estabelecimento prisional. 

O crime de motim de presos é um crime plurissubjetivo?

Sim, trata-se de hipótese de crime plurissubjetivo, plurilateral ou de concurso


necessário, pois somente pode ser cometido por mais de uma pessoa, no caso
em tela, por também ser crime próprio, somente pode ser praticado por
“presos”. 

Os crimes de patrocínio infiel, patrocínio simultâneo e tergiversação são crimes


próprios, de forma que só podem ser praticados por advogados?
Patrocínio Infiel: Art. 355. Trair, na qualidade de advogado ou procurador, o
dever profissional, prejudicando interesse, cujo patrocínio, em juízo, lhe é
confiado:
Pena – detenção, de seis meses a três anos, e multa.
Patrocínio simultâneo ou tergiversação: Parágrafo único. Incorre na pena
deste artigo o advogado ou procurador judicial que defende na mesma causa,
simultânea ou sucessivamente (tergiversação), partes contrárias.

Sim, trata-se de crime próprio ou especial, pois somente podem ser praticados


pelo advogado, seja ele público ou particular, constituído ou dativo, e também
pelo procurador. Segundo Capez o estagiário de advocacia, inscrito na Ordem
dos Advogados do Brasil também pode praticar tal crime.

Aquele que trair, na qualidade de advogado ou procurador, o dever profissional,


prejudicando interesse, cujo patrocínio, em juízo, lhe é confiado pratica o crime
de crime de tergiversação?
 
Não. A conduta acima descreve o crime de patrocínio Infiel: Art. 355. Trair, na
qualidade de advogado ou procurador, o dever profissional, prejudicando
interesse, cujo patrocínio, em juízo, lhe é confiado.

Quando se consuma o crime de patrocínio infiel?


 

Trata-se de crime material, de forma que se consuma com a prática do primeiro


ato que cause prejuízo ao titular do direito patrocinado em juízo. 

Imagine a seguinte situação: Adeva, advogado regularmente constituído por


"B", ajuíza ação em favor deste (autor) contra "C" (réu). No decorrer da
instrução processual, "C" contrata Adeva por significativo valor, outorgando-lhe
instrumento de mandato. Adeva rescinde o contrato com "B" e, em Juízo,
renuncia à procuração por este outorgada e passa sucessivamente a defender
os interesses de "C" na mesma causa. Adeva praticou que crime?
 

Praticou o crime de tergiversação, pois patrocinou (advogou) sucessivamente


para partes contrárias.

Quais os objetos materiais do crime de sonegação de papel ou objeto de


valor probatório?
Art. 356. Inutilizar, total ou parcialmente, ou deixar de restituir autos,
documento ou objeto de valor probatório, que recebeu na qualidade de
advogado ou procurador:

São três: 
1-   Autos (processo cível ou penal, ou inquérito policial); 
2-   Documento (é o papel destinado a comprovar fato juridicamente
relevante); 
3-   Objeto de valor probatório (é a coisa que serve ou pretende servir a
provar fato juridicamente relevante no processo).

No crime de exploração de prestígio (Art. 357. Solicitar ou receber dinheiro ou


qualquer outra utilidade, a pretexto de influir em juiz, jurado, órgão do
Ministério Público, funcionário da justiça, perito, tradutor, intérprete ou
testemunha) o dinheiro deve ser destinado ao juiz ou às demais pessoas
mencionadas no tipo?

Não, de forma alguma, pois se o dinheiro for repassado àquelas pessoas,


haverá o crime de corrupção ativa e passiva. Destaca-se que as penas serão
aumentas de um terço, se o agente alegar ou insinuar que o dinheiro ou
utilidade também se destina a qualquer das pessoas referidas no artigo.
Art. 357, Parágrafo único - As penas aumentam-se de um terço, se o agente
alega ou insinua que o dinheiro ou utilidade também se destina a qualquer das
pessoas referidas neste artigo.

Considere o crime de Violência ou fraude em arrematação judicial:


Art. 358. Impedir, perturbar ou fraudar arrematação judicial; afastar ou procurar
afastar concorrente ou licitante, por meio de violência, grave ameaça, fraude
ou oferecimento de vantagem.
 
Como se dá a consumação de tal delito?
 

Na primeira modalidade “impedir, perturbar ou fraudar arrematação judicial”,


estará consumado no momento em que a arrematação judicial é impedida,
perturbada ou fraudada. Aqui é possível a tentativa.
 
Na segunda modalidade típica, consuma-se o delito com o emprego da
violência, grave ameaça, fraude ou com o oferecimento da vantagem,
independentemente de o concorrente se retirar da hasta pública, trata-se de
crime formal, de consumação antecipada ou de resultado cortado. 

Desobediência a decisão judicial sobre perda ou suspensão de direito(Art. 359


- Exercer função, atividade, direito, autoridade ou múnus, de que foi suspenso
ou privado por decisão judicial) é um crime próprio?
 

Sim, pois somente pode figurar como sujeito a pessoa que, por decisão judicial,
foi suspensa ou privada relativamente ao exercício de determinada função,
atividade, direito, autoridade ou múnus. 
Como se consuma o crime de desobediência a decisão judicial sobre perda ou
suspensão de direito?
 

A consumação se dá no momento em que o agente inicia o exercício,


afrontando a decisão judicial.

Constituição Federal, art. 5°, XLII “a lei considerará crimes inafiançáveis e


insuscetíveis de graça ou anistia a prática de tortura, o tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes
hediondos, por eles respondendo os andantes, os executores e os que,
podendo evitá-los, se omitirem”.
Da análise do dispositivo constitucional, qual o critério que o legislador
ordinário escolheu para definir quais são os crimes hediondos, o legal o judicial
ou o misto?

Face a tal informação, qual o critério que o legislador ordinário escolheu para
definir quais são os crimes hediondos, o legal o judicial ou o misto?
No Brasil foi adotado o sistema legal, segundo o qual somente a lei pode
estabelecer quais os crimes serão considerados hediondos.
Tal conclusão podemos tirar do próprio dispositivo constitucional acima
descrito, que já inicia afirmando que “a lei considerará crimes inafiançáveis e
insuscetíveis de graça ou anistia (...) os definidos como crimes hediondos”.

Estaria correto afirmar que todos os crimes hediondos são imprescritíveis?

Não, os crimes hediondos são inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou


anistia, observe que a Constituição Federal não prevê como
imprescritíveis tais crimes, confira: 
“art. 5°, XLII da Constituição, “a lei considerará crimes inafiançáveis e
insuscetíveis de graça ou anistia a prática de tortura, o tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes
hediondos, por eles respondendo os andantes, os executores e os que,
podendo evitá-los, se omitirem”.
 Fique atento, segundo a Constituição (Art. 5º, XLII e XLIV), somente a prática
do racismo e a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a
ordem constitucional e o Estado Democrático são crimes inafiançáveis. 

Sabemos que o Brasil adotou o sistema legal para definir os crimes hediondos,
qual a diferença entre esse sistema, o sistema judicial e o misto? 
 

Pelo sistema judicial não haveria nenhuma enumeração da lei, devendoo juiz,


de acordo com as circunstâncias concretas reconhecer ou não a
hediondez do crime. A grande crítica a este sistema é que há excessiva
discricionariedade por parte do julgador.  
 Já o sistema misto contém proposta intermediária. Na lei haveria um rol
exemplificativo, podendo o juiz reconhecer em outras hipóteses a
hediondez de crime não constante da relação.

Quais são os crimes considerados hediondos no Brasil?  

Os crimes hediondos estão enumerados no art. 1° da Lei 8.072/ 90, e são os


seguintes:
I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de
extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art.
121, § 2°, I, II, III, IV , V, VI e VI); 
I-A- lesão corporal dolosa de natureza gravíssima (art. 129, § 2o) e lesão
corporal seguida de morte (art. 129, § 3o), quando praticadas contra autoridade
ou agente descrito nos art. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do
sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da
função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou
parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição; (Incluído
pela Lei n° 13.142 de 2015). 
II - latrocínio (art. 157, § 3°, in fine)
III - extorsão qualificada pela morte (art. 158, § 2º),
IV - extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (art. 159, caput, e §§
1º, 2º e 3º);
V - estupro (art. 213, caput e §§ 1º e 2º);
VI - estupro de vulnerável (art. 217-A,capute §§ 1°, 2°, 3° e 4º)
VII - epidemia com resultado morte (art. 267, § 1º). 
VII-A – (VETADO)
VII-B - falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a
fins terapêuticos ou medicinais (art. 273, caput e § 1º, § 1º-A e § 1°-B). 
VIII - favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração
sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável (art. 218-B, caput, e §§
1º e 2º). (Lei 12.978/ 14). 

Acerca dos crimes hediondos, está correto afirmar que somente serão assim
considerados se consumados, de modo que a tentativa de tais crimes não
serão consideradas hediondas?

Errado, segundo o caput do art. 1° da Lei 8.072/ 90, Art. 1º São considerados
hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no CP, consumados
ou tentados:
I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de
extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art.
121, § 2o, I, II, III, IV e V);
II - latrocínio (art. 157, § 3º,in fine);
III - extorsão qualificada pela morte (art. 158, § 2º);
IV - extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (art. 159,caput, e §§
1º, 2° e 3º)
V - estupro (art. 213,capute §§ 1° e 2°VI - estupro de vulnerável (art. 217-
A,capute §§ 1º, 2º, 3º e 4º)
VII - epidemia com resultado morte (art. 267, § 1º)
VII-B - falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a
fins terapêuticos ou medicinais (art. 273,capute § 1º, § 1º-A e § 1º-B)
VIII - favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de
criança ou adolescente ou de vulnerável (art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º).

O crime de extorsão, abaixo descrito, é considerado crime hediondo?


Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o
intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer,
tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa:

Cuidado, a extorsão simples, acima transcrito, não é crime


hediondo. Observe que será hedionda a extorsão qualificada (§§ 2º e 3º) e a
extorsão mediante sequestro.
Extorsão Simples: Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou
grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida
vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa:
Não é hediondo.
Extorsão Qualificada: § 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais
pessoas, ou com emprego de arma, aumenta-se a pena de um terço até
metade.
Extorsão Qualificada: § 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência
o disposto no § 3º do artigo anterior. 
Extorsão mediante sequestro; § 3°-  Se o crime é cometido mediante a
restrição da liberdade da vítima, e essa condição é necessária para a obtenção
da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos,
além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas
previstas no art. 159, §§ 2° e 3°, respectivamente. 

Está correto afirmar que os crimes de tortura, o tráfico de drogas e o terrorismo


são espécies de crimes hediondos?
 

Cuidado, como vimos, o Brasil adotou o critério legal, e estes crimes não foram
incluídos no rol taxativo do artigo 1º da Lei 7.082/ 90, portanto não são
considerados crimes hediondos. Destaca-se, no entanto, que de acordo com o
art. 2º da Lei, os crimes de tortura, tráfico e terrorismo (“T” “T” “T”) são
crimes equiparados aos hediondos, logo, tais crimes merecem o mesmo
tratamento penal destinado aos crimes hediondos.

O crime de Associação para o tráfico é considerado equiparado a hediondo?


 

Não, segundo o STJ, “crime de associação para o tráfico não é equiparado


a hediondo, uma vez que não está expressamente previsto no rol do artigo
2º da Lei 8.072/90” (STJ, HC 123.945/RJ, 5ª T., rel. Min. Jorge Mussi, j. 6-9-
2011, DJe de 4-10-2011).
No mesmo sentido: “O delito de associação para o tráfico de entorpecentes é
crime autônomo, não sendo equiparado a crime hediondo” (STJ, REsp
1.113.728/SC, 5ª T., rel. Min. Felix Fischer, j. 29.9.2009).

Está correto afirmar que somente os homicídios qualificados são considerados


crimes hediondos?
 

Cuidado, se é verdade que todas as hipóteses de homicídio qualificado são


considerados hediondos, importante também que destacar que há uma
espécie de homicídio simples que também é considerado hediondo, qual
seja, o homicídio simples (art. 121), quando praticado em atividade típica de
grupo de extermínio. 

Vimos que o homicídio simples quando praticado em atividade típica de grupo


de extermínio será considerado hediondo. Para caracterizar a hediondez, é
necessário que seja cometido por grupo de pessoas?
 

Não, e o próprio inciso I do art. 1° estabelece que será hediondo tal crime ainda
que praticado por um só agente, confira:
homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de
extermínio, ainda que cometido por um só agente (...).

Vimos que o homicídio privilegiado é compatível com circunstâncias


qualificadoras objetivas, é o chamado homicídio híbrido (qualificado-
privilegiado). Nesse sentido, o homicídio privilegiado-qualificado é considerado
hediondo?
 

Prevalece que não, por falta de previsão legal e incompatibilidade axiológica,


é o entendimento da doutrina majoritária, do STF e do STJ (HC 153.728/ 2010).
Pode marcar tranquilo nas provas!!!

Está correto afirmar que somente o estupro qualificado é considerado crime


hediondo?
 
 

Não, de acordo com a Lei de Crimes Hediondos (Art. 1º, V, da Lei 8.072/90),
o estupro, consumado ou tentado, em qualquer das suas espécies – simples
ou qualificadas – é crime hediondo.

O crime de genocídio, previsto na Lei 2.889/56, (também designado por


limpeza étnica) consiste no assassinato deliberado de pessoas motivado por
diferenças étnicas, nacionais, raciais, religiosas e (por vezes) políticas. O
genocídio pode se referir igualmente a ações deliberadas cujo objetivo seja a
eliminação física de um grupo humano segundo as categorias já mencionadas.
Tal crime é considerado hediondo?
 

 
Sim, de acordo com o parágrafo único do art. 1º da Lei n. 8.072/90, ocrime de
genocídio é considerado hediondo, seja na sua forma consumada ou
tentada, e consiste na destruição, total ou parcial, de grupo nacional, étnico,
racial ou religioso.
Lei 8.072/ 90, art. 1°, Parágrafo único. Considera-se também hediondo o crime
de genocídio previsto nos arts. 1°, 2° e 3° da Lei no 2.889/ 1956, tentado ou
consumado. 

 Está correto afirmar que os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico


ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são crimes inafiançáveis?

 
Sim, os crimes hediondos e equiparados são inafiançáveis, conforme expressa
previsão do inciso I, art. 2º da Lei 8.072/ 90, in verbis:
 
"Art. 2°- Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de:
I - anistia, graça e indulto;
 
II – fiança." 

O §1º do art. 2º da Lei 8.072/90 estabelece que a pena aplicável aos crimes
hediondosserá cumprida em regime inicialmente fechado. Está correto afirmar
que o STF decidiu que a tal previsão é inconstitucional?

Correto, no dia 27 de junho de 2012 o Plenário do STF decidiu que o § 1º, art.
2º da Lei n° 8.072/90, com a redação dada pela Lei n° 11.464/2007, ao impor o
regime inicial fechado, é INCONSTITUCIONAL.
Segundo a Lei de Execuções Penais (LEP, art. 112 da Lei 7.210/ 84) a pena
privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a
transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando
o preso tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e
ostentar bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do
estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão. No entanto,
está correto afirmar que tal previsão não se aplica aos hediondos e
equiparados?
 

Cuidado. O que não se aplica aos hediondos é a fração de 1/6 (um sexto),
considerando que nos crimes hediondos temos regramento próprio no §2° do
art. 2°, haja vista que a progressão se dará após o cumprimento de 2/5 (dois
quintos) ou 3/5 (três quintos), nas hipóteses de reincidência da pena, e não 1/6
como nos demais crimes.
Art. 2°, § 2° A progressão de regime, no caso dos condenados aos crimes
previstos neste artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da
pena, se o apenado for primário, e de 3/5 (três quintos), se reincidente
Segundo a Lei de Execuções Penais (LEP, art. 112 da Lei 7.210/ 84) a pena
privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a
transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando
o preso tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e
ostentar bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do
estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão. No entanto,
está correto afirmar que tal previsão não se aplica aos hediondos e
equiparados?
 

Cuidado. O que não se aplica aos hediondos é a fração de 1/6 (um sexto),
considerando que nos crimes hediondos temos regramento próprio no §2° do
art. 2°, haja vista que a progressão se dará após o cumprimento de 2/5 (dois
quintos) ou 3/5 (três quintos), nas hipóteses de reincidência da pena, e não 1/6
como nos demais crimes.
Art. 2°, § 2° A progressão de regime, no caso dos condenados aos crimes
previstos neste artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da
pena, se o apenado for primário, e de 3/5 (três quintos), se reincidente

Qual é o prazo da prisão temporária previsto para os crimes hediondos?

Em regra, a prisão temporária terá o prazo de 5 (cinco) dias prorrogáveis por


igual período. No entanto, para os crimes hediondos, o prazo será de 30 (trinta)
dias também prorrogáveis por igual período.  
Crimes Hediondos. Art. 2º, § 4º A prisão temporária, sobre a qual dispõe a Lei
no 7.960, de 21 de dezembro de 1989, nos crimes previstos neste artigo, terá o
prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e
comprovada necessidade.  
 
Prisão Temporária. Lei 7.960/ 89-Art. 2° A prisão temporária será decretada
pelo Juiz, em face da representação da autoridade policial ou de requerimento
do Ministério Público, e terá o prazo de 5 (cinco) dias, prorrogável por igual
período em caso de extrema e comprovada necessidade. 

Está correto afirmar que somente o estupro qualificado é considerado crime


hediondo?
 

Não, de acordo com a Lei de Crimes Hediondos (Art. 1º, V, da Lei 8.072/90), o
estupro, consumado ou tentado, em qualquer das suas espécies – simples ou
qualificadas – é crime hediondo.

O crime de estupro de vulnerável é considerado crime hediondo?

 
Sim, acordo com a Lei de Crimes Hediondos (Art. 1º, V, da Lei 8.072/90), o
estupro, consumado ou tentado, em qualquer das suas espécies – simples ou
qualificadas – é crime hediondo.
 
 

Segundo a Lei 11.343/06, o que será considerado drogas para fins penais? 

Segundo o p. único da Lei 11.343/ 06, drogas são as substâncias ou os


produtos capazes de causar dependência, assim especificados em lei ou
relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo Poder Executivo da
União.
A Lei 11.343/06, conhecida como Lei de Drogas, somente disciplina crimes
relacionados com drogas?
 

Não, nos termos do art. 1° da Lei 11.343 /06, vários aspectos relacionados às


drogas são tratados nessa lei, sendo que somente a quarta e quinta parte trata
efetivamente da matéria penal e processual penal. 
1- Na primeira parte institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre
Drogas — SISNAD;
2- Na segunda parte prescreve medidas de prevenção ao uso indevido;
3- Na terceira prescreve medidas para reinserção social dos usuários e
dependentes;
4- Na quarta prevê os novos crimes relativos às drogas;
5- Pro fim, na quinta e última parte estabelece o novo procedimento
criminal.
Obs. Destacamos desde já que só trabalharemos os itens 4 e 5, considerando
que são estes que tratam da parte penal da lei e são os exigidos em concursos
públicos. 

Segundo o art. art. 28 da lei de drogas, “quem adquirir, guardar, tiver em


depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem
autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será
submetido às seguintes penas: (...)
Tal crime pode ser classificado como misto alternativo?
 

Sim, como vimos na parte geral, o tipo misto alternativo (de ação múltipla ou de
conteúdo variado) ocorre quando a norma descrevevárias formas de
realização da figura típica (vários verbos), em que a realização de uma
conduta, ou mesmo de todas elas, configura um único crime.
Reveja quais são as condutas típicas:
1- Adquirir;
2- Guardar;
3- Tiver em depósito;
4- Transportar;
5- Trouxer consigo. 
Nesse sentido, se o usuário adquirir, guardar e tiver em depósito, responderá
somente por um crime.
Observe que dentre as condutas não prevê como crime o USO de droga.
Os crimes previstos na lei de drogas são exemplos de normas penais em
branco?
 

Sim, podemos dizer que a Lei n. 11.343/2006 adotou o sistema das normas
penais em branco, haja vista que somente será considerada droga
a substância que estiver prevista em portaria própria do Ministério da
Saúde, cabendo destacar que, atualmente, as substâncias ou produtos
considerados drogas estão enumerados na Portaria 344/98 do Serviço de
Vigilância Sanitária. 
Relembrando, A lei penal incriminadora possui:
a) "preceito primário", que descreve a conduta (ação ou omissão) ilícita;
b) "preceito secundário", que comina a sanção penal.
No entanto, algumas leis penais incriminadoras não possuem preceito primário
completo, necessitando da complementação de seu conteúdo por meio de
outra norma.  (Integradora ou complementar, no caso em tela, Portaria n.
344/98 do Serviço de Vigilância Sanitária).
São as chamadas leis penais em branco.  
Segundo Binding, "a lei penal em branco é um corpo errante em busca de sua
alma". 

Sabendo que teria um show de reggae em sua cidade, Bob, além de comprar o
ingresso, compra de Escobar dois baseados para consumir no show. No
entanto, antes de chegar ao local do espetáculo, é interceptado pela polícia e
levado à autoridade competente.
Na situação descrita pergunta-se, é aplicável o princípio da insignificância ao
crime de porte de droga para consumo pessoal?
 

Atenção: Até recentemente, prevalecia o entendimento de que não seria


possível aplicar o princípio da insignificância para nenhum dos delitos da Lei de
Drogas, nem mesmo no caso de porte ou posse para consumo próprio, veja um
julgado:
A pequena quantidade de substância entorpecente, por ser característica
própria do tipo de posse de drogas para uso próprio (art. 28 da Lei
11.343/06), não afasta a tipicidade da conduta.Precedentes.(HC
158.955/RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, 5ª Turma, julgado em
17/05/2011)
No entanto, no dia 14/02/2012, a 1ª Turma do STF, decidiu pela
aplicabilidade do princípio da insignificância para o crime de porte de
drogas para consumo próprio, confira o julgado: 
PENAL. HABEAS CORPUS. ARTIGO 28 DA LEI 11.343/2006. PORTE ILEGAL
DE SUBSTÂNCIA ENTORPECENTE. ÍNFIMA QUANTIDADE. PRINCÍPIO DA
INSIGNIFICÂNCIA. APLICABILIDADE. WRIT CONCEDIDO.
1. A aplicação do princípio da insignificância, de modo a tornar a conduta
atípica, exige sejam preenchidos, de forma concomitante, os
seguintes requisitos: (i) mínima ofensividade da conduta do agente; (ii)
nenhuma periculosidade social da ação; (iii) reduzido grau de reprovabilidade
do comportamento; e (iv) relativa inexpressividade da lesão jurídica.
2. O sistema jurídico há de considerar a relevantíssima circunstância de que a
privação da liberdade e a restrição de direitos do indivíduo somente se
justificam quando estritamente necessárias à própria proteção das pessoas, da
sociedade e de outros bens jurídicos que lhes sejam essenciais, notadamente
naqueles casos em que os valores penalmente tutelados se exponham a dano,
efetivo ou potencial, impregnado de significativa lesividade. O direito penal não
se deve ocupar de condutas que produzam resultado cujo desvalor - por não
importar em lesão significativa a bens jurídicos relevantes - não represente, por
isso mesmo, prejuízo importante, seja ao titular do bem jurídico tutelado, seja à
integridade da própria ordem social. 
3. Ordem concedida. (HC 110.475/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
14/02/2012).

Qual é o elemento normativo do tipo nos crimes de drogas?


 

Segundo Capez, elemento normativo do tipo é aquele cujo significado


exige prévia interpretação pelo juiz. Nas hipóteses da lei de drogas, o
elemento normativo dos crimes de drogas está descrito na seguinte expressão:
“sem autorização” ou “em desacordo com determinação legal ou
regulamentar”. 
Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer
consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:
(...) 

 A Lei 11.343/ 11 prevê alguma hipótese em que o plantio, a cultura, a colheita


e a exploração de vegetais e substratos dos quais possam ser extraídas ou
produzidas drogas não será crime?
 
Sim, segundo o art. 2° da Lei 11.343/2011, nas hipóteses de autorização legal
ou regulamentar a respeito de plantas de uso estritamente utilizadas em
rituais estritamente religiosos. Confira:
“Ficam proibidas, em todo o território nacional, as drogas, bem como o plantio,
a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos dos quais possam
ser extraídas ou produzidas drogas, ressalvada a hipótese de autorização
legal ou regulamentar, bem como o que estabelece a Convenção de Viena,
das Nações Unidas, sobre Substâncias Psicotrópicas, de 1971, a respeito
de plantas de uso estritamente ritualístico-religioso”. 
Logo, por não constar como elemento normativo do tipo, a exploração de
drogas é permitida em situações excepcionais, como no caso de alguns
profissionais da saúde como dentistas e médicos ou em hospitais. 

Segundo o art. 1º da Lei de Introdução ao Código Penal, considera-se crime a


infração penal que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer
isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa, ao
passo que para as hipóteses de contravenção a infração penal a que a lei
comina, isoladamente, pena de prisão simples ou de multa, ou ambas.
alternativa ou cumulativamente.
 
Por seu turno, para o crime de uso de drogas, a lei não prevê hipótese de
pena restritiva de liberdade, confira:
Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer
consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar será submetido àsseguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
À II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso
educativo.
Face a tal situação pergunta-se: O art. 28 da Lei de Drogas, por não punir a
conduta com reclusão ou detenção, descriminalizou a aquisição, guarda,
depósito e transporte ou porte de droga para consumo pessoal?
 

Não, não houve a descriminalização da conduta do usuário, haja vista que o


próprio legislador colocou o art. 28 da Lei de Drogas no Capítulo III intitulado:
“Dos Crimes e das Penas”. Portanto, não houve a descriminalização da
conduta e sim a imposição de uma pena mais leve, que é a alternativa.
Segundo a maioria da doutrina, dando destaque para Luis Flávio Gomes, o fato
de o art. 1° da Lei de Introdução ao Código Penal estabelecer um critério que
permite distinguir quando se está diante de um crime ou de uma contravenção,
não impede que o legislador ordinário adote outros critérios gerais de distinção,
ou até mesmo estabeleça para determinado crime - como o fez o art. 28 da Lei
nº 11.343/06 - pena diversa da privativa de liberdade, a qual é apenas uma das
opções constitucionais passíveis de adoção pela lei incriminadora.

Quais são as penas cominadas a quem adquire, guarda, tenha em depósito,


transporta ou traz consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou
em desacordo com determinação legal? 

Segundo o art. 28 as penas são as seguintes:


I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
 

Quanto ao crime de induzimento, instigação ou auxílio ao uso indevido de


droga, abaixo transcrito, quando ocorre a sua consumação?
Art. 33, §2º Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga:
Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de 100 (cem) a 300
(trezentos) dias-multa.  
 
 

Para a consumação, é necessário que ocorra o efetivo consumo da droga.


Para muitos doutrinadores, seria possível a tentativa, quando o uso não
chega a se efetivar por circunstâncias alheias à vontade do agente, por
exemplo, quando a droga não chega às mãos do consumidor.
 Oportuno trazer aqui a observação de Capez, segundo quem, tal dispositivo
não impede a existência da participação no crime de tráfico, pois aqui a
conduta consiste em contribuir para o uso. Se o sujeito auxilia, induz ou instiga
o autor principal a realizar qualquer das 18 condutas previstas no art. 33,
dentre as quais não consta o uso, responderá como partícipe desse crime (art.
33, caput e § 1º, da Lei n. 11.343/2006 c/c o art. 29, caput, do CP). 
Está correto afirmar que o sujeito passivo do crime de porte de drogas (art. 28
da Lei 11.343/ 11) é o próprio usuário que prejudica sua saúde ao consumir
drogas?
 

Não, o sujeito passivo do crime de porte de drogas é a coletividade, uma


vez que se pune o perigo ao qual a sociedade fica exposta com a detenção
ilegal da substância tóxica, ainda que a finalidade seja a de consumo pessoal.  
Conforme destaca a doutrina, aqui cabe a observância do princípio da
alteridade, que proíbe a incriminação de atitude meramente interna do
agente, que, por essa razão, só faz mal a ele mesmo e a mais ninguém. Nesse
sentido, somente se a conduta transcender a figura do autor e se tornar capaz
de interferir na esfera jurídica de outrem (altero) deve ser punida pelo Direito
Penal. Em outras palavras, o princípio da alteridade impede o Direito Penal de
castigar o comportamento de alguém que está prejudicando apenas a sua
própria saúde e interesse.

Marley, mesmo ciente de que o tráfico de drogas causa grande transtorno


social, mas para manter seu vício, cultiva alguns pés de maconha em seu
quintal para consumo exclusivo. Nesta situação, está correto afirmar que a
conduta descrita é atípica?
 

Não, a Lei 11.343/11 tipifica tal prática, é o delito de plantio para consumo
pessoal (§ 1º) conduta equiparada ao porte de droga, confira: 
Art. 28, §1º Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo
pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena
quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou
psíquica.as penas serem as mesmas. 

Marley, assistindo um show do Planet Hemp, é surpreendido por policiais


fumando maconha. Diante de tal situação está correto afirmar que Marley pode
ser preso em flagrante?
 
Não, por expressa determinação legal, não se imporá a prisão em flagrante
na hipótese do art. 28, confira o que diz o §2° da Lei 11.343/ 11: 
“Não se imporá prisão em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente
encaminhado ao juízo competente ou, na falta deste, assumir o compromisso
de a ele comparecer, lavrando-se termo circunstanciado e providenciando-se
as requisições dos exames e perícias necessários”.

Vimos que as penas previstas para o crime de porte de drogas para uso
pessoal são as de advertência sobre os efeitos das drogas, prestação de
serviços à comunidade e, por fim, medida educativa de comparecimento a
programa ou curso educativo. No caso das últimas duas penas, qual o prazo
máximo para a aplicação?
 

Segundo os §§3º e 4º da Lei 11.343/06, os prazos serão de até 5 meses se o


réu for primário e até 10 meses em caso de reincidência.

Segundo a Lei de Drogas, na incidência do art. 28, a prestação de serviços à


comunidade será cumprida em programas comunitários, entidades
educacionais ou assistenciais, hospitais, estabelecimentos congêneres,
públicos ou privados sem fins lucrativos.
Pergunta-se, tais entidades e devem se ocupar da prevenção do consumo ou
da recuperação de usuários e dependentes de drogas?
 

Cuidado, tais entidades devem PREFERENCIALMENTE se ocupar da


prevenção ou recuperação de usuários de dependentes, logo, em situações
especiais, as entidades podem ter finalidades diferentes. 

No caso do acusado se recusar injustificadamente a cumprir as medidas


cabíveis para o caso de porte de droga para uso pessoal (prestação de
serviços à comunidade, medida educativa de comparecimento a programa e
curso educativo imposta ou comparecer para receber a advertência sobre os
efeitos das drogas) é possível o juiz decretar a prisão?
 

Não. A vedação da pena restritiva de liberdade ao portador de drogas para uso


pessoal é uma das mais importantes novidades da Lei nº 11.343/06, de forma
que, mesmo que o acusado não se apresente injustificadamente, o juiz
somente poderá lhe impor, sucessivamente, a admoestação verbal e depois
multa.

Bob é encontrado portando maconha para uso pessoal. Levado à autoridade


competente, é-lhe imposta medida educativa de comparecimento a programa
ou curso educativo sobre efeitos da droga. No entanto, Bob não se apresenta
para cumprir tal medida. No caso em tela está correto afirmar que Bob cometeu
o crime de desobediência?
(Desobediência: Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário público:
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa).
 

Atenção... Fique esperto, essa é uma pegadinha em que muita gente cai.
A doutrina e a jurisprudência firmaram-se no sentido de que, quando alguma lei
comina determinada sanção civil ou administrativa para o descumprimento de
ordem legal de funcionário público, somente incidirá o crime em análise se a
mencionada lei ressalvar expressamente a aplicação cumulativa do delito de
desobediência. Logo, descumprimento injustificado das penas previstas
nos incisos I, II e III do caput do art. 28 não caracteriza o crime de
desobediência, isso porque a própria Lei de Drogas já prevê em seu art. 28,
§6°, as consequências decorrentes do descumprimento de tais penas-
admoestação verbal e multa, a serem aplicadas de maneira sucessiva - sem
fazer qualquer ressalva expressa quanto à possibilidade de responsabilização
criminal pelo delito de desobediência. 
Para melhor ilustrar um exemplo trazido pela doutrina: se o motorista se
recusar a retirar o automóvel de local proibido, há somente a previsão legal de
sanção administrativa no CTB. O art. 219 do CPP, pelo contrário, prevê
expressamente: “O juiz poderá aplicar à testemunha faltosa a multa prevista no
art. 453 (atualmente prevista no art. 458 c/c o art. 436, § 2º, do CPP, conforme
Lei n. 11.689/2008), sem prejuízo do processo penal por crime de
desobediência, e condená-la ao pagamento das custas da diligência”. (Capez,
Código Penal Comentado). 
Está correto afirmar que no caso de posse de droga para uso pessoal a pena
de serviços à comunidade é substitutiva da pena privativa de liberdade?
 

Não, na verdade as penas de advertência sobre os efeitos das drogas, de


prestação de serviços à comunidade e a medida educativa de comparecimento
a programa ou curso educativo são as penas cominadas para tal crime e não
substitutas de qualquer outra.  

Na imposição da medida educativa de multa (inciso II do § 6° do art. 28) quais


os números máximos e mínimos de dias multa que o juiz poderá aplicar?
 

Segundo o mencionado dispositivo, na imposição da medida educativa de


multa, o juiz, atendendo à reprovabilidade da conduta, fixará o número de dias-
multa, em quantidade nunca inferior a 40 (quarenta) nem superior a 100
(cem), atribuindo depois a cada um, segundo a capacidade econômica do
agente, o valor de um trinta avos até 3 (três) vezes o valor do maior salário
mínimo. 

Qual o prazo prescricional para a imposição das penas previstas no art. 28 da


Lei de drogas?
 

As penas prescrevem em 2 anos, com observância das causas interruptivas


previstas no art. 107 e seguintes do CP, nos termos do art. 30 da Lei 11.343/
06.

Tráfico de Drogas:
Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir,
vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo,
guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda
que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal
ou regulamentar:
Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500
(quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.
 
Podemos dizer que o crime de tráfico também é chamado de crime de múltipla
conduta?
 

Sim, como vimos na parte geral, e da mesma forma que o crime de porte de
droga para consumo pessoal, o crime de tráfico é um tipo misto alternativo,
de ação múltipla ou de conteúdo variado, de forma que ocorre quando a
norma descreve várias formas de realização da figura típica (vários verbos:
importar, exportar, remeter, preparar...), em que a realização de uma ou de
todas configura um único crime.

O crime de tráfico é considerado hediondo?


 

Olha a pegadinha...cuidado, o tráfico de drogas, terrorismo e tortura são


crimes equiparados à hediondos. 

Quais as figuras equiparadas ao tráfico de drogas? 


 

São figuras equiparadas ao tráfico de drogas:


1- tráfico de máquinas para a produção de drogas;
2- associação criminosa para tráfico,
3- financiamento ou custeio;
4- colaboração como informante;
Conforme destaca Capez, “embora a Lei de Drogas não tenha definido,
mediante específico nomen juris, o que vem a ser tráfico doloso de drogas, seu
art. 44 considerou todos os crimes acima mencionados como inafiançáveis e
insuscetíveis de sursis, graça, indulto, anistia e liberdade provisória, além de
proibir a conversão da pena privativa de liberdade em restritiva de direito”.
Para a consumação do tráfico de drogas há a necessidade da ocorrência de
dano?
 

Não, no crime de tráfico de drogas o próprio perigo é presumido em caráter


absoluto (crime de perigo abstrato), bastando para a configuração do crime a
realização de umas das 18 condutas do art. 33 da Lei 11.343/ 06, ou seja, são
infrações de mera conduta. 

Quem é o sujeito passivo do crime de tráfico de drogas?


 

O sujeito passivo principal ou imediato é a coletividade, que se vê exposta a


perigo pela prática de uma das condutas típicas.   
Cabe destacar que também pode haver um sujeito passivo secundário ou
mediato, como no caso da conduta de vender a droga a um dependente,
fornecer ou ministrar a menor ou doente mental. 

O crime de tráfico de drogas admite tentativa?


 

A tentativa é de difícil configuração, uma vez que, diante da grande variedade


de condutas, a tentativa de uma das formas já seria a consumação de outra.
Para ilustrar a dificuldade da tentativa no crime de tráfico, temos o exemplo da
conduta de remeter a droga, há controvérsia acerca do momento exato da
consumação desse delito. Parte da doutrina entende que o crime só estará
consumado quando o destinatário receber a droga, daí por que haveria simples
tentativa quando a droga é apreendida ainda nos correios.  No entanto,
prevalece o entendimento de que já ocorre a consumação do delito no exato
momento em que o agente se despe da posse da droga, enviando-a a um
terceiro. Em todo caso, somente pode remeter algo que se tem, logo estaria
caracterizado o crime de pela conduta de ter depósito, transportar, trazer
consigo, guardar... 
A Lei 11.343/06 aumentou a pena do crime de trafico de drogas, de 3 a 15
anos, passou para 5 a 15 anos e impôs uma multa mais pesada (500 a 1.500
dias-multa).
 Face a tal informação responda, para fixação da pena, quais os critérios que o
juiz deve considerar como preponderantes? 
 

Na fixação da pena, deverá o juiz considerar, com preponderância sobre o


previsto no art. 59 do Código Penal as seguintes circunstâncias:
1- A natureza e quantidade da substância ou do produto;
2- A personalidade e 
3- A conduta social do agente. 

Quais são as condutas equiparadas ao tráfico de drogas?


 

As condutas equiparadas ao tráfico, ou seja, que possuem a mesma pena do


crime de tráfico, vêm listadas no §1º do próprio art. 33, quais sejam: 
1- No inciso I consta o tráfico de matéria-prima, insumo ou produto químico
destinado à preparação de drogas;
2- O inciso II prevê a semeadura, o cultivo e a colheita de plantas que
constituam matéria-prima para a preparação de drogas;
3- Por fim, o inciso III tipifica a conduta de utilizar local ou bem ou consentir
que outrem dele se utilize para o tráfico ilícito de drogas.

Quais as causas que podem diminuir a pena do crime de tráfico (art. 33) e nos
crimes equiparados ao tráfico (art. 33, §1º)?
 

Segundo o §4º do art. 33 da Lei 11.343/06, as penas poderão ser reduzidas de


um sexto a dois terços, vedada a conversão em penas restritivas de direitos,
desde que o agente (cumulativamente):
1- seja primário;
2- possua bons antecedentes;
3- não se dedique à atividades criminosas;
4- não integre organização criminosa.

Está correto afirmar que se o agente for primário, de bons antecedentes e não
se dedicar à atividades criminosas, nem integrar organização criminosa, haverá
a figura do tráfico privilegiado?
 

Cuidado, de fato o §4º da Lei 11.343/06 estabelece que a pena poderá ser
reduzidas de um sexto a dois terços, vedada a conversão em penas restritivas
de direitos, desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se
dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa. Ou seja,
tais situações propiciam a diminuição da pena. Logo, cuidado, não se trata de
uma figura privilegiada, pois o legislador não inseriu um novo mínimo e um
novo máximo de pena privativa de liberdade.
No entanto, imperioso destacar que, mesmo não sendo o mais técnico,
normalmente é comum a referência a tal dispositivo como “tráfico privilegiado”.

 Está correto afirmar que o tráfico privilegiado, face a sua menor gravidade, não
é considerado crime hediondo?
 

Não, incidência de uma causa de diminuição de pena em relação a tal


delito não tem o condão de afastar sua natureza hedionda, outro não é o
entendimento do STJ, confira:
"a aplicação da causa de diminuição de pena prevista no § 4°, do art. 33, da Lei
nº 11.343/2006 não tem o condão de afastar a equiparação
constitucionalmente estabelecida entre o delito de tráfico ilícito de drogas e os
crimes hediondos. Consequentemente, deve a execução da reprimenda,
nesses casos, pautar-se pela Lei nº 8.072/90" (STJ, 5ª Turma, HC 169.036/MS,
Rei. Min. Laurita Vaz, j . 16/06/2011, DJe 28/06/201).

Está correto afirmar que a confissão da prática do crime de “tráfico privilegiado"


é um requisito para a redução da pena?
 

Não, a lei não estabeleceu tal exigência, de forma que os únicos requisitos são:
1- Réu primário;
2- possua bons antecedentes;
3- não se dedique às atividades criminosas;
4- não integre organização criminosa.

Os requisitos para a incidência das causas de diminuição de pena do art. 33,


§4º da Lei de drogas são cumulativos?
 

Sim, são cumulativos, ou seja, todos devem estar presentes, relembre-os:


Primariedade, bons antecedentes, não se dedicar às atividades criminosas e
por fim, não integre organização criminosa.

É possível a aplicação da causa de diminuição de pena do §4° do art. 33 às


denominadas "mulas do tráfico" (pessoas recrutadas para fazer o transporte de
drogas)?
 

Até recentemente, prevalecia o entendimento que a “mula” integrava a


organização criminosa, o que acaba por inviabilizar a aplicação da referida
minorante, conforme já decidido pelo STF no caso concreto em que "mula" que
foi flagrada transportando 951,2 g (novecentos e cinquenta e um gramas e dois
miligramas) de cocaína, na ocasião, a 2ª Turma do Supremo concluiu que, por
mais que se trate de cidadão primário, com bons antecedentes, e que não se
dedicasse à atividade criminosa, seria inviável a aplicação da causa de
diminuição depena do art. 33, §4°, da Lei nº 11.343/06, já que tais pessoas
geralmente integram organizações criminosas, na medida em que seu trabalho
é condição sine qua non para a narcotraficância internacional.  
No entanto, recentemente, a 1ª Turma STF, no julgamento do RHC 118008,
24/09/2013 entendeu que a causa especial de diminuição da pena prevista
no art. 33, § 4º, da Lei 11343/2006 aplica-se ao agente considerado “mula”
quando frágeis forem os indícios de sua dedicação às atividades
criminosas. No mesmo sentido  HC 124107/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado
em 4/11/2014 (Info 766). 
Por fim, registre-se que o STJ (5ª Turma, AgRg no HC 226549, j. 07/08/2012;
6ª Turma, HC 201119, j. 12/06/2012), não vem aplicando a minorante citada ao
agente considerado “mula”.
Logo, fique tranquilo, se cobrar em provas, pode marcar sem errar que
é possível aplicar o benefício do § 4º do art. 33 da Lei de Drogas às “mulas”.

Sabemos que o §4º da Lei 11.343/ 06 autoriza a diminuição da pena aos


condenados pelos crimes do art. 33 caput e §1º, no entanto, o mesmo
dispositivo veda a conversão das penas privativas de liberdade em restritivas
de direito. Tal vedação é eficaz?
 

Não, tal previsão encontra-se suspensa, conforme Resolução nº 5 do Senado


Federal, confira:
Art. 1º É suspensa a execução da expressão "vedada a conversão em penas
restritivas de direitos" do § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de
2006, declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal
Federal nos autos do Habeas Corpus nº 97.256/RS.

O agente que transporta matéria-prima destinada à preparação de drogas


comete crime equiparado ao tráfico?
 

Cuidado, vimos que o crime de tráfico de drogas requer um elemento normativo


do tipo, que segundo Capez, é o elemento cujo significado exige prévia
interpretação pelo juiz. Nas hipóteses da lei de drogas o elemento normativo
dos crimes está descrito na seguinte expressão: “sem autorização” ou “em
desacordo com determinação legal ou regulamentar”, de forma que se o
agente transportar droga com autorização ou de acordo com determinação
legal ou regulamentar não está incurso em qualquer crime.

Qual a diferença entre o crime do caput do art. 33 (tráfico) e a dos seus incisos
(crimes equiparados ao tráfico)?
 
A diferença está no objeto material, uma vez que o objeto do tráfico é a
própria droga, ao passo que o objeto das condutas equiparadas é a matéria -
prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas,
uma vez que as condutas são praticamente as mesmas.
Em resumo:
Tráfico: Drogas;
Equiparados: Matéria prima, insumo ou produtos químicos para a produção de
drogas.

O crime de tráfico de maquinário, abaixo descrito, exige dolo específico de


obtenção de vantagem econômica?
Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender,distribuir,
entregar a qualquer título, possuir, guardar ou fornecer, ainda que
gratuitamente, maquinário, aparelho, instrumento ou qualquer objeto destinado
à fabricação, preparação, produção ou transformação de drogas, sem
autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos,e pagamento de 1.200 (mil e
duzentos) a 2.000 (dois mil) dias-multa. 

Não, este crime, a exemplo dos crimes que já vimos até aqui, não exige o dolo
específico de lucro. Lembre-se que os crimes relacionados às drogas são de
perigo abstrato. 

Observe o crime de associação para o tráfico:


Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar,
reiteradamente ou não, qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e §
1º, e 34 desta Lei:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 700 (setecentos)
a 1.200 (mil e duzentos) dias-multa.
Sabemos que tal crime é plurissubjetivo ou de concurso necessário, ou seja,
exige mais de uma pessoa para a sua consumação.
A par de tais informações pergunta-se: Menores de idade e doentes mentais
podem ser computados para o fim de caracterizar o crime?
 
Sim, menores inimputáveis e doentes mentais podem ser computados
para o fim de caracterizar o crime; logo, um adolescente e um doente mental
são contados para fins de associação criminosa.

Está correto afirmar que somente haverá o crime de associação criminosa se


houver o animus associativo, ou seja, o mínimo de permanência e
estabilidade?
 

Exatamente, segundo o STF, a parceria ocasional, transitória ou casual


configura concurso eventual de agentes, e não crime de associação criminosa,
pois permanência e estabilidade deve existir ainda que ainda que a intenção
dos agentes seja a de cometer um único delito de tráfico.
No mesmo sentido o STJ, in verbis:
 “O delito previsto no art. 35 da Lei 11.343/2006 não se configura diante de
associação eventual, mas apenas quando estável e duradoura, não se
confundindo com a simples coautoria. Precedentes. No caso dos autos, em
nenhum momento foi feita referência ao vínculo associativo permanente
porventura existente entre os agentes, mas apenas àquele que gerou a
acusação pelo tráfico em si. Inviável, pois, manter a condenação pela
associação, pois meramente eventual. Ordem concedida para se excluir da
condenação a figura do art. 35 da Lei 11.343/2006” (HC 149.330/SP, rel. Min.
Nilson Naves, 6ª Turma, j. 06.04.2010, noticiado no Informativo 429).

Para a caracterização do crime de associação para o tráfico, há a necessidade


de ajuste prévio entre os envolvidos?
 

Sim, conforme bem destaca Alberto Silva Franco, são necessários os seguintes
requisitos para a tipificação do delito:
1- duas ou mais pessoas;
2- vínculo associativo (aqui entra o ajuste prévio);
3- finalidade de traficar tóxicos.
Quais as principais diferenças entre os crimes de associação para o tráfico (art.
35 da Lei 11.343/06) e a associação criminosa do (art. 288 do CP)?  

Duas são as principais diferenças, quais sejam: 


1- Número de pessoas;
2- Espécie de crimes cometidos.  
Observe o gráfico para uma melhor fixação:  
 
Art. 35 da Lei 11.343/2006 – Art. 288 do Código Penal –
Associação para o tráfico Associação criminosa
Mínimo de 2 (duas) pessoas Mínimo de 3 (três) pessoas
Prática dos crimes definidos nos arts.
33, caput e §1º, 34 e 36 da Lei de Prática de crimes em geral
Drogas

Obs. Em relação aos crimes hediondos, prevê o art. 8º, caput, da Lei


8.072/1990 – Lei dos Crimes Hediondos: “Será de três a seis anos de reclusão
a pena prevista no art. 288 do Código Penal, quando se tratar de crimes
hediondos, prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins ou
terrorismo”.
Este dispositivo legal abre espaço para uma modalidade qualificada de
associação criminosa, aplicável unicamente aos agrupamentos ilícitos
constituídos com a finalidade de praticar delitos hediondos ou
assemelhados, com exceção do tráfico de drogas, pois em relação a este
crime incide a figura contida no art. 35 da Lei 11.343/2006 – Lei de Drogas
(associação para o tráfico de drogas). 

O crime de associação para o tráfico exige elemento subjetivo do tipo (especial


fim de agir)? 

Sim, para a caracterização do crime do art. 35 da lei de Drogas não basta a


simples vontade de reunir-se (o antigo dolo genérico), é exigível o elemento
subjetivo no tipo (finalidade especial do agente), ou seja, somente restará
configurado o crime de associação criminosa se houver a vontade livre e
consciente de duas ou mais pessoas de se reunirem com estabilidade, tendo a
finalidade especial de cometer um ou mais delitos de tráfico.

Quando ocorre a consumação do crime de associação para o tráfico?


 

O crime de associação para o tráfico, por ser crime formal ou de resultado


cortado, estará consumado com a mera formação da associação para fins de
tráfico de drogas, ou, em outras palavras, o delito independe da prática de
qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 da Lei de
Drogas. 

Caim e Abel se associam para trazer grande quantidade de maconha do


Paraguai para o Brasil. Há meses vão com regularidade a Ciudad del Este 
para negociar com contrabandistas paraguaios. Depois de certo tempo montam
uma rota e de fato conseguem trazer várias cargas da droga para o Brasil.
Na situação acima narrada, está correto afirmar que Caim e Abel praticaram o
crime de associação para o tráfico e tráfico de drogas em concurso material?
 

Sim, considerando que o crime de associação para o tráfico já estava


consumado mesmo antes dos autores conseguirem trazer qualquer droga para
o Brasil. Então Caim e Abel cometeram os crimes de tráfico e associação para
o tráfico. 

Está correto afirmar que aquele que custeia ou financia o tráfico de drogas
deverá responder como participe de tal crime?
 

Não, com a Lei 11.343/06, o financiamento ou custeio do tráfico de


drogas passou a ser um crime autônomo, confira: 
Art. 36. Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previstos nos
arts. 33, caput e § 1º, e 34 desta Lei: 
Pena – reclusão, de 8 (oito) a 20 (vinte) anos, e pagamento de 1.500 (mil e
quinhentos) a 4.000 (quatro mil) dias-multa.

O crime do art. 36 da Lei de Drogas, “Financiar ou custear a prática de


qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 da Lei
11.343/06”, exige habitualidade, ou seja, condutas reiteradas, ou restará
consumado mesmo que o agente financie somente uma “empreitada”? 
 

Segundo Capez, a lei não exigiu habitualidade, nem empregou núcleos cuja
natureza exija tal requisito. Sustenta o autor que “custear” é
açãoperfeitamente compatível com ação instantânea, de forma que o
agente pode, perfeitamente, efetuar em um só instante o pagamento de todas
as despesas ou parte delas, relacionadas ao tráfico. Ainda segundo o autor, o
mesmo se diga de um empréstimo ou financiamento, o qual pode também se
revestir de eventualidade, pois nada impede um neófito que reuniu suas
economias para esse fim, de efetuar em um único momento o financiamento de
traficantes.
As condutas, portanto, não se revestem em sua natureza do caráter
necessariamente eventual, não havendo que se fazer essa exigência, quando a
lei não o fez, ainda mais em um caso como o do tráfico, cujos efeitos malignos
corroem toda a estrutura legal, ética e moral da sociedade. 

A tipificação da conduta de financiamento ou custeio de tráfico de drogas


surgiu com a Lei 11.343/06. Com base nessa informação, estaria correto
afirmar que quem, antes da edição da nova lei, financiava ou custeava o tráfico
de drogas ou maquinários não cometia qualquer delito?
 

Não, antes do advento da Lei n. 11.343/2006, quem financiava ou custeava o


tráfico de drogas ou maquinários, era considerado partícipe do crime de tráfico
de drogas ou maquinários (revogada Lei n. 6.368/76, arts. 12 e 13, c/c o art. 29
do CP), cuja pena era menos severa, de forma que a nova lei não poderá
retroagir para atingir fatos praticados antes de sua entrada em vigor.
 Imagine a seguinte situação. Astrolábio recebe R$ 600,00 por semana para
manter bem informado acerca da movimentação da polícia a quadrilha que
trafica drogas no morro em que mora. Na situação descrita, está correto afirmar
que Astrolábio é partícipe no crime de tráfico de drogas?
 

Não, considerando que a Lei 11.343/06 também criou o crime autônomo


de colaboração como informante, descrevendo-o no art. 37 da Lei de
Drogas, confira:
Art. 37. Colaborar, como informante, com grupo, organização ou associação
destinados à prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e §
1º, e 34 desta Lei: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e pagamento
de 300 (trezentos) a 700 (setecentos) dias-multa.

O art. 37 da Lei 11.343/06 tipificou de forma autônoma a conduta de quem


colabora como informante de grupo, organização ou associação. Logo,
poderíamos afirmar que quem colabora com o único traficante não comente o
crime em tela, bem como nenhum outro crime? 
 

Não, vamos por parte. De fato, em obediência ao princípio da legalidade, a


hipótese narrada não caracteriza o crime do art. 37, uma vez que este exige a
colaboração com grupo, organização ou associação. No entanto, não se pode
afirmar que tal conduta seria atípica, considerando que restará presente, em
tese, a participação em tráfico de drogas (art. 29 do CP c/c art. 33 da Lei
11.343/016).

A lei de drogas traz alguma hipótese de crime culposo?


 

Sim, observe o art. 38 da Lei de Drogas:


“Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem que delas
necessite o paciente, ou fazê-lo em doses excessivas ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pagamento de 50
(cinqüenta) a 200 (duzentos) dias-multa.
Parágrafo único. O juiz comunicará a condenação ao Conselho Federal da
categoria profissional a que pertença o agente.

Está correto afirmar que somente o médico pode ser sujeito ativo de tal crime?
 

Não, de fato trata-se de crime próprio que pode ser cometido por profissional
de qualquer categoria cuja função inclua a prescrição ou aplicação de drogas
dentro das exigências legais. Nesse sentido, pode incorrer como sujeito ativo
desse delito quaisquer profissionais da área de saúde de um modo geral,
como médico, dentista, farmacêutico ou profissional de enfermagem no
exercício regular de sua profissão.
 Observe que o par. único do art. 38 estabeleceu que o “juiz comunicará a
condenação ao Conselho Federal da categoria profissional a que pertença o
agente”, não deixando dúvidas quanto à exigência de que o autor seja um
profissional da área da saúde.

O crime de prescrever ou ministrar culposamente drogas em excesso ou


irregularmente admite tentativa?
 

Não. Lembre-se que a conduta de tal crime deve ser culposa, e os crimes
culposos não admitem tentativa. 

Quando restará consumado o crime de prescrever ou ministrar, culposamente,


drogas, sem que delas necessite o paciente, ou fazê-lo em doses excessivas
ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar?
 

Trata-se de crime formal, de forma que a consumação ocorre no momento em


que é feita a prescrição ou a aplicação culposa, mesmo que não ocorra a
aquisição da substância.
Marley, após fumar cinco cigarros de maconha em alto-mar, liga os motores de
sua pequena lancha e cautelosamente regressa para terra firme, passando
distante dos banhistas. Na hipótese narrada está correto afirmar que Marley
cometeu o crime de condução de embarcação ou aeronave após consumo de
drogas, previsto no art. 39 da Lei de Drogas?
 

Não, o crime em tela, “conduzir embarcação ou aeronave após o consumo de


drogas, expondo a dano potencial a incolumidade de outrem”, exige que o
agente exponha a dano potencial a incolumidade de outrem”, ou seja, exige
que além do agente se encontrar drogado, também que dirija de forma anormal
(ziguezague, em alta velocidade, passe perto das pessoas etc.), causando
risco à terceiros.
Segundo Capez, o tipo em tela exige os seguintes elementos:
 1- CONDUÇÃO DE EMBARCAÇÃO OU AERONAVE;
 2- DE MODO PERIGOSO;
 3- SOB O EFEITO DE DROGA;
 4- POSSIBILIDADE DE RISCO (BASTANDO QUE O RISCO NÃO SEJA
IMPOSSÍVEL).

A conduta de conduzir embarcação ou aeronave após o consumo de drogas,


expondo a dano potencial a incolumidade de outrem (art. 39 da Lei 11.343/06)
é de perigo abstrato?
 

Como já vimos na parte geral do Código Penal, nos crimes de perigo abstrato o
risco é presumido pelo legislador, não permitindo prova em sentido contrário
(basta à acusação provar a realização da conduta). Por seu turno, os crimes de
perigo concreto exigem, caso a caso, a demonstração da real ocorrência de
probabilidade de dano a pessoa certa e determinada.
No caso em tela, segundo a doutrina, não se trata nem de um caso nem de
outro, pois se a condução for feita sob efeito de droga, estará configurado o
crime, a menos que se demonstre a absoluta impossibilidade de dano a
terceiro, daí não ser de perigo abstrato, pois o perigo impossível torna a ação
atípica.

 De acordo com a redação original do art. 44, “os crimes previstos nos arts. 33,
caput e § 1º, e 34 a 37 desta Lei são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis,
graça, indulto, anistia e liberdade provisória, vedada a conversão de suas
penas em restritivas de direitos”.
Tal dispositivo ainda está vigente?
 

Não, pois, como cediço, em 1º de setembro de 2010, o Plenário da Suprema


Corte, ao julgar o HC 97.256/RS, Rel. Min. Ayres Britto, declarou, por maioria, a
inconstitucionalidade incidental da parte final do art. 44 da Lei n. 11.343/2006,
bem como da expressão “vedada a conversão em penas restritivas de direitos”,
prevista no §4º do art. 33 do mesmo diploma legal. A decisão do STF ficou na
dependência da Resolução do Senado para que sua decisão tivesse validade
para todos. Editou-se em 15 de fevereiro de 2012 a Resolução nº 5, que
suspendeu a eficácia da Lei de Drogas no ponto declarado inconstitucional pelo
Pleno do STF. 

Segundo o Art. 40 da Lei de Drogas, as penas previstas nos arts. 33 a 37 serão


aumentadas de um sexto a dois terços, se a natureza, a procedência da
substância ou do produto apreendido e as circunstâncias do fato evidenciarem
a transnacionalidade do delito.
Nesse sentido, está correto afirmar que para a incidência desta causa de
aumento de pena deve haver a efetiva transposição da fronteira?
 

Não, para caracterização da transnacionalidade do tráfico de drogas basta


a intenção inequívoca da transferência da droga para outro país, sendo
dispensável para a caracterização a efetiva ocorrência do resultado. Nesse
sentido, o STJ, no julgamento do CC 109.646/SP, Rei. Min. Og Fernandes, já
decidiu que uma vez demonstrada que a intenção do agente era a de remeter
drogas a outro país, e tendo sido concretizados todos os atos de execução do
delito, caracterizada está a internacionalidade da conduta, ainda que a
substância entorpecente não tenha chegado ao destinatário situado em país
estrangeiro.
Para que reste caracterizado o tráfico internacional é indispensável que a
substância seja considerada drogas ilegal nos países envolvidos?
 

Sim, em se tratando de tráfico internacional, é indispensável que a droga


apreendida no Brasil também seja considerada ilícita no país de origem (ou de
destino). Do contrário, ter-se-á mero tráfico interno, de competência da Justiça
Estadual. Daí o motivo pelo qual decidiu o STJ que a importação de cloreto de
etila (vulgarmente conhecido como "lança-perfume") da Argentina não é crime
de competência da Justiça Federal, pois lá não há a proibição de uso dessa
substância. (STJ, 5ª Turma, HC 179.519/SP, Rei. Min. Laurita Vaz, j.
18/12/2012, DJe 01/02/2013). 

Segundo o art. 40, II da Lei de drogas, a pena será aumentada de um sexto a


dois terços se o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou
no desempenho de missão de educação, poder familiar, guarda ou vigilância.
Nesse sentido, podemos dizer que pena será aumentada toda vez que o crime
de tráfico que equiparado for praticado por funcionário público?
 

Não, observe que a Lei faz referência ao agente que pratica o


crime prevalecendo-se de função pública, de forma que a incidência dessa
majorante somente poderá recair sobre aquele agente que tirar proveito de
suas funções públicas para a prática do delito, ou seja, deve haver um nexo
funcional entre a prática do delito e a atividade funcional desenvolvida pelo
agente.

Segundo o art. 40, III da Lei de drogas, a pena será aumentada de um sexto a
dois terços se o agente praticar tráfico de drogas nas dependências ou
imediações de estabelecimentos prisionais, de ensino ou hospitalares, de
sedes de entidades estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou
beneficentes, de locais de trabalho coletivo, de recintos onde se realizem
espetáculos ou diversões de qualquer natureza, de serviços de tratamento de
dependentes de drogas ou de reinserção social, de unidades militares ou
policiais ou em transportes públicos. Tal rol é taxativo?
 

Sim, conforme destaca Renato Brasileiro, na medida em que não se admite o


emprego de analogia in malam partem no Direito Penal, forçoso é concluir que
se trata de rol de natureza taxativa. Por isso, se o local onde o crime de tráfico
de drogas não constar do art. 40, inciso III, da Lei nº 11.343/06, não será
possível a incidência da referida majorante, ainda que se trate de local de
grande aglomeração de pessoas (v.g., praça pública).

Para a incidência do inciso III do art. 40 da Lei de Drogas é indispensável que


reste comprovado que o acusado visava à comercialização de drogas com
seus frequentadores?
 

Não, o STJ já se pronunciou entendendo que "não há constrangimento ilegal


no reconhecimento da causa especial de aumento prevista no art. 40, III, da Lei
nº 11.343/2006, uma vez que restou devidamente comprovado que o paciente
atuava próximo a estabelecimentos hospitalares e de ensino, pouco
importando se ele estava ou não visando especialmente atingir estudantes
desse estabelecimento ou efetivamente comercializando entorpecentes
diretamente com os alunos das escolas". (HC 197.653/SP, Rei. Min. Sebastião
Reis Júnior, j. 02/10/2012). 

Para a incidência da causa de aumento de pena prevista no inciso III do art. 40


da Lei de Drogas, especificamente no transporte público, é imprescindível que
o agente ofereça a drogas aos passageiros?

Cuidado, até recentemente prevalecia o entendimento que a causa deveria


incidir nos casos em que o agente se utiliza de transporte público com grandes
aglomerações de pessoas para passar desapercebido, tornando a traficância
mais fácil e ágil, bastando, para sua incidência, o simples uso desse tipo de
transporte, independentemente da distribuição da droga naquele local. (STJ, 6ª
Turma, H C 199.417/MS, STF, 2ª Turma, HC 108.523/MS).
No entanto, tanto o STF quanto o STJ vêm entendendo que NÃO. A majorante
do art. 40, II, da Lei n.° 11.343/2006 somente deve ser aplicada nos casos
em que ficar demonstrada a comercialização efetiva da droga em seu
interior. STF. 1ª Turma. HC 122258-MS, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em
19/08/2014. STF. 2ª Turma. HC 120624/MS, Red. p/ o acórdão, Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 3/6/2014 (Info 749). STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp
1.295.786-MS. 
 

Na hipótese em que traficantes que ocupam determinada comunidade,


utilizando-se de armamento de fogo para fins de proteção da droga contra a
ação de outros criminosos ou das autoridades policiais, incide causa de
aumento de pena?
 

Sim, tal previsão consta no IV do art. 40, in verbis:


“o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, emprego de arma
de fogo, ou qualquer processo de intimidação difusa ou coletiva”.

Para fins de aplicação da causa de aumento de pena do art. 40, V, tráfico entre
Estados da Federação ou entre estes e o Distrito Federal, há a necessidade da
efetiva transposição das divisas?
 

Da mesma forma do entendimento acerca do tráfico transnacional, é dominante


o entendimento no sentido de que não é necessária a  efetiva transposição da
divisa interestadual, sendo suficiente a presença de evidências deque a
substância entorpecente tinha como destino qualquer ponto além das linhas
divisórias estaduais. É a posição a ser adotada em concursos públicos.  
Destaca-se entretanto, que o STJ tem um isolado entendimento em sentido
contrário (EDcl no AgRg no AREsp 8.831/MS).

Se um traficante tentar vender drogas para criança ou adolescente deverá


responder pelo crime de tráfico com o a pena aumentada?
 
Sim, é a previsão do inciso VI do art. 40, logo, se a traficância envolver ou visar
a atingir criança ou pessoas que tenham, por qualquer causa, diminuída ou
suprimida a sua capacidade de entendimento ou de determinação, ou seja,
esteja desprovida de normal elemento intelectivo (capacidade de entender), v.
g., ébrios, pessoa senil, débil mental, a pena será aumentada. 

A última causa de aumento de pena do art. 40 ocorre quando o agente


financiar ou custeara prática do crime. Tal artigo diz que as causas de aumento
de penas se aplicam aos arts. 33 a 37 desta Lei de drogas.
Por seu turno, consta no art. 36 um tipo penal autônomo para aquele que
financia ou custeia a prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33,
caput e §1°, e 34 da Lei de Drogas.
Nesse sentido, tal causa de aumento se aplica ao crime do mencionado art.
36?
 

Não, o entendimento correto é que como o art. 36 criou um tipo penal


autônomo para aquele que financia ou custeia a prática de qualquer dos crimes
previstos nos arts. 33, caput e §1°, e 34 da Lei de Drogas, de modo a se evitar
uma dupla punição pelo mesmo fato, esta causa de aumento de pena do inciso
VII do art.40 não se aplica ao crime do art. 36.

A Lei de Drogas lista algumas causas que aumentam de um sexto a dois terços
as penas previstas para os crimes dos art. 33 ao 37. Você pode listar ao menos
duas destas causas?

Sete são as causas de aumento de pena elencadas pela Lei 11.343/ 06.
I - a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido e as
circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade do delito;
II - o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no
desempenho de missão de educação, poder familiar, guarda ou vigilância;
III - a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de
estabelecimentos prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes de entidades
estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou beneficentes, de locais
de trabalho coletivo, de recintos onde se realizem espetáculos ou diversões de
qualquer natureza, de serviços de tratamento de dependentes de drogas ou de
reinserção social, de unidades militares ou policiais ou em transportes públicos;
IV - o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, emprego de
arma de fogo, ou qualquer processo de intimidação difusa ou coletiva;
V - caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o
Distrito Federal;
VI - sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou a quem
tenha, por qualquer motivo, diminuída ou suprimida a capacidade de
entendimento e determinação;  
VII - o agente financiar ou custear a prática do crime.

 Segundo o art. 41 da Lei de Drogas, o indiciado ou acusado que colaborar


voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal na
identificação dos demais co-autores ou partícipes do crime e na recuperação
total ou parcial do produto do crime, no caso de condenação, terá pena
reduzida de um terço a dois terços.
Para que incida a causa especial de aumento de pena, deverá ocorrer a
identificação dos demais coautores ou participes?
 

O artigo supracitado trata da delação eficaz, que pode ocorrer tanto no curso
do inquérito (indicado) ou no curso do processo (acusado). A delação eficaz,
além de voluntária, como o próprio nome indica, deve ser eficaz, dessa
forma, somente incidirá a minorante se houver a identificação dos demais
coautores ou partícipes do crime e a recuperação total ou parcial do
produto do crime.

A diminuição de pena decorrente da delação eficaz é um direito subjetivo do


acusado?
 

Sim, de fato se trata de um direito subjetivo do indiciado ou acusado, de


maneira que, preenchidos os requisitos legais, a redução da pena é obrigatória.
Conforme bem adverte Capez, o art. 41 é peremptório em sua redação,
determinando que o indiciado ou acusado “terá pena reduzida”.
 Por fim, tal minorante não se confunde, com a causa de diminuição de pena
prevista no art. 33, § 4º, a qual trata da redução de um sexto a dois terços para
o crime de tráfico de drogas e figuras equiparadas. Neste último dispositivo, a
Lei n. 11.343/2006 diz que “as penas poderão ser reduzidas”.

Está correto afirmar que fará jus à causa especial de redução de pena o agente
que, em razão da dependência, ou sob o efeito, proveniente de caso fortuito ou
de força maior, de droga, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento?
 

Não, na verdade tal situação configura inimputabilidade, tendo como


consequência a isenção de pena. Confira:
Art. 45. É isento de pena o agente que, em razão da dependência, ou sob o
efeito, proveniente de caso fortuito ou força maior, de droga, era, ao tempo da
ação ou da omissão, qualquer que tenha sido a infração penal praticada,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se
de acordo com esse entendimento.

 Está correto afirmar que a isenção de pena prevista no art. 45 da Lei de


Drogas somente é aplicável ao crime de tráfico de drogas?
 

Não, tal previsão se aplica a todas as infrações previstas na Lei 11.343/2006.

Está correto afirmar que terá a pena reduzida de um a dois terços o agente não
possuía, ao tempo da ação ou da o missão, a plena capacidade de entender o
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento?

Sim, trata-se da hipótese de semi-imputabilidade, prevista no art. 46 da Lei


11.343/ 06, in verbis:
Art. 46. As penas podem ser reduzidas de um terço a dois terços se, por força
das circunstâncias previstas no art. 45 desta Lei, o agente não possuía, ao
tempo da ação ou da o missão, a plena capacidade de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.