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Tema: Palavra do Diretor

Antes de começar nossos estudos, quero agradecer por ter se matriculado


no nosso Seminário Maior de Estudos Teológicos, quero dar-te as boas vindas e te
desejar bons estudos. Quero que saiba que estarei aqui pra te auxiliar no que for
necessário, contudo, quero que se esforce com toda dedicação pra obter um bom
estudo.

Fazer um estudo teológico não é algo difícil, mas também não é tão fácil,
contudo, quando buscamos a direção do Espírito Santo, com toda dedicação e
devoção, somos levados a ter toda revelação que necessitamos.

Tenho total confiança em você, querido aluno, confiança essa que me leva a
saber que no futuro próximo, será um grande defensor da fé, e quem sabe um grande
obreiro capaz de pregar o evangelho com toda excelência e amor.

Quero aqui fazer uma aliança com você, uma aliança a qual primeiramente
será feita com o Senhor JESUS CRISTO, filho de Deus. A aliança é que irá estudar com
desejo de aprender mais de Deus, com intenção de ser edificado, com amor e alegria,
e quando possível, poder falar e compartilhar tudo quanto tem aprendido a outros
para a glória de Deus.

Busquem estudar a Bíblia todos os dias com a intenção de conhecer


intimamente seu autor, o Espírito Santo, que a Palavra de Deus seja seu alimento
constante, isso fará que venhas a ter um conhecimento e crescimento espiritual.

Não estude e não leia a Bíblia somente com um objeto de estudo, mas
estude com os olhos espirituais pedindo sempre a revelação de Deus e aplicando tudo
que aprender e ler em sua vida, tudo que ler, veja como um espelho pra você e não
como algo que somente serve pra outras pessoas, e o mais importante, leia crendo
sem duvidar. (Hebreus 11.1)

Diretor: Pr.Clesilvio de Castro Sousa


ÍNDICE

1. Introdução

2. Objetivo
3. A prática do aconselhamento pastoral
4. Como deve ser feito?
5. Considerações Finais
6. Notas bibliográficas
Introdução:

Um ministério somente para pastores?

O termo "aconselhamento pastoral" não é encontrado na Bíblia em


nenhuma tradução. Mas, no original grego existem outras palavras que
descrevem o mesmo processo que se entende por aconselhamento pastoral:
paracalein, paraclesis. Aliás, estas palavras têm uma mesma raiz que vem de
parácleto, que conceitua o Espírito Santo como consolador e orientador.

Uma outra palavra na linguagem original da Bíblia é poimênica, e


define "a ciência do agir do pastor". Poimênica é, portanto, o ministério de
ajuda da igreja cristã para seus membros e outras pessoas que buscam ajuda
espiritual, emocional, relacional e de saúde.

Aconselhamento Pastoral procura ajudar através da conversação


pastoral, de conselhos baseados na Bíblia e de uma metodologia que se
desenvolveu a partir da psicologia.

Talvez a melhor definição bíblica que temos para explicar o que é


Aconselhamento Pastoral achamos em Salmos 139. 23-24: "Sonda-me, ó
Deus, e conhece o meu coração: prova-me e conhece os meus pensamentos;
vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno".

Aconselhamento Pastoral pode ser exercido somente por


pastores?

Não! Aconselhamento Pastoral pode ser exercido por todas as


pessoas que tiveram um encontro pessoal e transformador com Jesus Cristo,
que estejam inseridas no trabalho de uma igreja, que conheçam a Bíblia e
que tenham recebido de Deus a convocação de ajudar pessoas através do
aconselhamento ou outras formas de apoio. Assim, líderes de jovens, de
grupos familiares, de união de senhoras ou mesmo porteiros poderão ser
conselheiros pastorais. Pois, estando em contato com as pessoas serão
solicitadas para ajudar.

Aconselhamento Pastoral não é simplesmente passar conselhos.


Aconselhar é saber ouvir, entender e fazer-se entender, tendo em vista o
fundamento bíblico e a estrutura emocional/psíquica do ser humano.

Para muitas pessoas esta atividade parece ser muito difícil. Mesmo
alguns pastores não a exercem por terem a impressão que o
Aconselhamento Pastoral não surte os efeitos esperados. Mas, o
Aconselhamento Pastoral pode ser aprendido e aperfeiçoado.
Objetivo

O aconselhamento pastoral é a área mais sublime do cuidado pastoral


(poimênica), que objetiva a ajudar indivíduos, famílias ou grupos a lidarem
com as pressões e crises existenciais. O cuidado pastoral se refere aos
ministérios de cura, apoio, orientação e reconciliação das pessoas com Deus
e com o próximo. No exercício do aconselhamento pastoral o agente de
pastoral deverá sempre se orientar por estas perguntas:

Qual é o problema?

Será que eu devo intervir e tentar ajudar?


O que eu deveria fazer para ajudar?
Será que existe alguém mais qualificado para atuar neste caso?
Segundo pesquisas recentes as técnicas empregadas são mais
abrangentes quando o conselheiro é afetuoso, sensível, compreensivo,
demonstra interesse sincero e tem disposição para confrontar as pessoas,
mantendo uma atitude de amor.

Na Igreja o conselheiro pastoral visa libertar, potencializar e


sustentar a integralidade das pessoas centrada no espírito, utilizando
experiências psicológicas e teológicas sobre a situação humana e a cura das
pessoas. Integralidade é uma jornada de crescimento, não a chegada a um
objetivo fixo e imóvel.

O objetivo do aconselhamento pastoral é a integralidade em relação a


si mesma, aos outros e a sociedade. Tanto a cura quanto o crescimento
dependem da qualidade de nossos relacionamentos significativos, por isso,
aptidões de cura e crescimento relacionais são essenciais para um ministério
de integralidade, com seu estilo de vida, uma paixão por crescimento pessoal
– espiritual, com igual paixão por transformação social.

O trabalho e o sucesso de um conselheiro pastoral são medidos em


termos de vidas transformadas.
O conselheiro deve ser o exemplo máximo de atitude. Alguém que
impacta, influencia e nunca se conforma com menos do que pode ser, fazer
ou ter. Um criador de possibilidades, capaz de aproveitar todas as
circunstâncias para inspirar pessoas. Alguém que sabe como mobilizar e
utilizar as potencialidades de seu grupo para realizar o extraordinário.

Aconselhamento pastoral que não reentroduz o aconselhando à


comunhão, que não reaproxima familiares e conjugues, não é
aconselhamento completo. Nem haverá alegria completa. A pessoa que
resolve seus conflitos interiores, que ousa encarar a si mesma sob a luz de
Deus não teme mais os outros, pelo contrário, busca a comunhão, se
beneficia dela e promove o bem estar de outros nesta mesma comunhão.

O evangelista Lucas identificou o nascimento de João Batista como


visita de Deus. Quando escreve o cântico profético de Zacarias, o pai de João
Batista, diz: “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e redimiu o
seu povo”. Depois que o filho da viúva de Naim foi ressuscitado por Jesus, o
povo conclui: “Grande profeta se levantou entre nós; e: Deus visitou o seu
povo”. Ao descrever a destruição de Jerusalém porque Judá não reconheceu,
nem aceitou Jesus como filho de Deus, matando-o, Lucas diz: “Não deixarão
em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste a oportunidade de tua
visitação”. Conclusão: Deus visita o ser humano através de seu Filho Jesus
Cristo e através de seus profetas. A visita de Deus às pessoas ainda hoje
acontece através de Jesus e através dos seus conselheiros.

A visitação é um método utilizado pelo apóstolo Paulo no fortalecimento


dos cristãos nas várias partes do mundo. Somente na epístola aos Romanos ele
fala cinco vezes a respeito de querer visitá-los. Ela é um recurso que possibilita
proximidade, aprofundamento de relações e pessoalidade.
E a técnica que facilita essa transformação? A visita!

A revolução que transforma o mundo se dá entre pessoas, no cantinho


sossegado onde o indivíduo é tratado. Jesus tinha a fama de grande orador.
Multidões o seguiam mesmo sem ter o que comer e onde descansar. Mas, ele
gastou a maioria dos seus dias na interação com 12 homens. Aliás, aquilo
mais parecia ser a escória da sociedade, pessoas sem representatividade.
Mas, a visita os transformou.

A poimênica e o aconselhamento pastoral é sem dúvida um método


eficaz e significativo de lntegralizar as pessoas neste sistema neoliberal em
que vivemos.
A prática do aconselhamento pastoral
Uma análise de modelos de cuidado pastoral
aplicada à realidade brasileira

Problemas é que não nos faltam nos dias atuais. E de toda ordem.
Financeiros, políticos, emocionais, familiares, espirituais, de relacionamento,
de saúde, de segurança, de moradia... Seu grau de agravamento decorre das
influências das circunstâncias em que vivem ou trabalham as pessoas. E
sobre eles ainda incide a pressão das mudanças éticas, morais, de costumes,
de hábitos, deixando as pessoas confusas, a tal ponto que, na hora da
angústia, não sabem qual é o melhor caminho a seguir. Assim, todos
precisam de ajuda para sobreviver, de auxílio para conseguir enxergar seus
problemas e de cuidado para melhor solucioná-los.

Método libertador: liberdade em tempo oportuno.

Libertar é uma sucessão de ações e reações com o objetivo de


trabalhar com as pessoas para que sejam socorridas em tempo oportuno,
tornem sabedoras das origens e desenvolvimentos da opressão e da
dominação na sociedade em que vivem (1). Isso contribui para que entendam
melhor sua vida profissional, financeira, social, psicológica e religiosa. Libertar
não implica apenas em ações que tirem a pessoa da influência negativa do
reino das trevas, mas também do reino dos seres humanos.

Todo processo de cuidado pastoral é uma ação ou realização


continuada e prolongada de alguma atividade que vise, ao final, o bem-estar
daquele que necessita de cuidados (2). Porém, trilhar esse caminho de auxílio
ao outro exige uma análise critica dos fatores que envolvem a vida da pessoa
em questão. Isso pode revelar as diversas origens do problema e, também,
direcionar para os melhores caminhos a fim de solucioná-los.

Os problemas de origens pessoais podem ser identificados na história


de vida do aconselhado e têm muito a revelar sobre quem é a pessoa, como
chegou ao ponto em que está. Identificadas as raízes das questões que a
atormentam, ficará mais fácil desenvolver um trabalho de acompanhamento,
de cuidado pastoral, até que haja libertação dos sentimentos negativos, dos
pensamentos ruins e da forma de vida que prejudica a si mesmo e aos outros.

Quando um indivíduo nasce, já encontra uma estrutura pronta para


recebê-lo. No decorrer de seu crescimento, ele não se adaptará a muitas
questões que são consideradas normais para outras pessoas. Isso lhe trará
conflitos interiores entre aquilo que pensa ser o correto e aquilo que todos
dizem ser o certo. A estrutura política, social, financeira, familiar e outras
vigentes durante o tempo de existência de uma pessoa poderão trazer
problemas que exigirão maiores cuidados pastorais.
As relações, os processos e as estruturas sociais, enquanto formas de
dominação política e apropriação econômica, produzem uma história de vida
de muitas pessoas plena de diversidades, disparidades, desigualdades,
antagonismos. As condições de sobrevivência, o trabalho das diversas
categorias profissionais e as classes sociais são de fundamentais
importâncias para uma análise e identificação dos problemas de origens
sociais. A libertação social precisa fazer parte da visão de quem faz um
trabalho de orientação, pois a raiz dos problemas poderá estar lá.
Identificada a origem das dificuldades da pessoa que busca ajuda
pastoral, é necessário avaliar as opções de soluções existentes que
favoreçam uma mudança de vida por parte de quem precisa passar pelo
processo de libertação. A militância política pode auxiliar na derrubada de
sistemas que oprimem e destroem o ser humano. O cuidado pastoral
orientado por este modelo pensa em uma teologia da libertação que vise à
melhoria de vida em todos os aspectos da população. É um grande caminho
para cuidar daqueles que almejam uma libertação.

Método empoderador: poder para lutar e vencer.

Empoderar significa admitir que cada cidadão tem dentro de si forças


necessárias para encarar certos problemas. É encorajá-lo a colocar seu
potencial, sua inteligência, sua força interior em prática de forma justa e útil para
si mesmo e para os outros (3). Significa promover a iniciativa e a participação das
pessoas na sociedade e na igreja. Constitui em tirar das mãos de poucos e
colocar nas mãos de muitos o poder de decidir os rumos da sociedade. O
cuidado pastoral orientado por este modelo é a base do processo de
reestruturação psicológica, mobilização social e participação religiosa.

Não se podem atender pessoas eternamente, como se elas não


tivessem as menores condições de assumir suas responsabilidades da vida e
superar suas dificuldades. As pessoas precisam aprender que têm condições
de resolver muitos problemas sozinhas, basta que passem a acreditar no
potencial que têm.

A vida é composta de problemas que precisam de auxílios para serem


resolvidos e de situações difíceis que exigem uma ação particular por parte
de quem está enfrentando a fase negativa. O conselheiro cristão pode
empoderar seus aconselhados para que eles consigam caminhar sozinhos
pelas estradas da vida.

Os problemas e as coisas boas que existem na sociedade não são


obras dos deuses. A vida em sociedade é o resultado da ação do ser humano
que compõe essa sociedade. Isso significa que toda ação ou omissão faz do
ser humano o sujeito da história e não um simples espectador. Por isso, o
conselheiro não pode pensar apenas na fragilidade humana, mas em dar
mais atenção à capacidade pré-existente nas pessoas. O conselheiro terá de
promover a iniciativa das pessoas, acreditando que elas são capazes de
resolver os problemas que afetam diretamente suas vidas.

Quando Deus criou o homem, concedeu-lhe a capacidade de dominar


e administrar. Isso implica em que a pessoa está dotada de meios para gerir
sua vida e transformar o que for necessário para que tenha uma vida melhor.
Essa capacidade administrativa é como uma chama que a pessoa carrega
dentro de si. O cuidado pastoral orientado por esse modelo implica em dar
vigor a essa chama, a essa energia que a história e as circunstâncias, às
vezes, conseguem enfraquecer.

Os processos de marginalização criam um forte sentimento de impotência,


de franqueza, nas pessoas a tal ponto que elas se acomodam, não acreditam
mais em si mesmas, não conseguem mais visualizar mudanças no presente e
nem no futuro, pensam que a vida é assim mesmo e desistem de tudo. Mas “o
cuidado pastoral orientado por este modelo „extrai e constrói‟, apartir das forças e
recursos amortecidos de indivíduos e de comunidades, estratégias e métodos
que minimizem ou eliminem o sentimento de impotência
política e incapacidade pessoal” (4). Assim, haverá pessoas e igrejas
queconstruam a democracia e a participação; construam um país em que
seus cidadãos promovam uma vida digna para todos.

Método terapêutico: a produção de cura interior.

O curso da vida do ser humano o expõe as diversas perdas, a variados


problemas e a muitas frustrações. O resultado é que muitos sentimentos
negativos, em maior ou menor intensidade, ficam registrados no interior da
pessoa. Esse arquivo mental contém registros negativos de problemas não
resolvidos e isso acaba por colocar dificuldades, barreira na vivência diária.
Isso acompanha o indivíduo e, com o tempo, produz uma desarmonia em
muitas questões e desabam sobre as pessoas que estão à sua volta. Esse
condicionamento mental negativo não permite que prossiga sua jornada
diária, pelo contrario, cria diversos obstáculos psicológicos que acabam por
refletir no comportamento (5).

O cuidado pastoral orientado por este modelo tem como objetivo a


produção de cura das doenças da alma a tal ponto que o indivíduo passe por
mudanças e sua vida venha ter estabilidade, equilíbrio, alívio, descanso e paz
em Deus. A psicoteologia, através de terapia, será utilizada com um meio de
elaboração e mudança interna na vida daquele que foi criado à imagem e
semelhança de Deus. Terapia é toda intervenção que visa tratar os problemas
somáticos, psíquicos ou psicossomáticos, suas causas e seus sintomas, com
o fim de obter um restabelecimento da saúde ou do bem-estar (6).

Método ministerial: a utilização das atividades da igreja.

O método ministerial envolve o dia-a-dia da vida cristã através das


diversas atividades da igreja. A metáfora bíblica que mostra essa questão é a do
pastor de ovelhas, que é uma pessoa que cuida do rebanho de Deus. Na prática,
ele lidera, alimenta, consola, corrige e protege. Estas responsabilidades
pertencem a todos os membros da igreja (7). Uma escola de treinamento fará
com que as potencialidades das ovelhas sejam exercitadas para auxiliar o líder a
cuidar do rebanho nas programações da igreja.
O culto é o momento de adoração ao Senhor e pode ser aproveitado para
cuidar das pessoas. A oração pode ser ferramenta para Deus trabalhar no interior
dos ouvintes, o louvor pode entoar cânticos que tenham letras que falem do amor
e da ação de Deus em prol daqueles que o buscam, a pregação pode
desenvolver temas na área de psicoteologia. O culto pode servir de porta de
entrada para que as pessoas problemáticas procurem ajuda pastoral.

A pregação é o momento do culto em que a Palavra de Deus é


explicada para os ouvintes. Muitos possuem problemas e não sabem como
resolver e, pior, têm vergonha de procurar o gabinete pastoral para melhor ser
atendido. A explanação de temas relevantes da atualidade apontará
propostas de soluções de problemas. O sermão é um eficiente recurso eficaz
de aconselhamento e de cuidado pastoral.

O serviço cristão é um meio de fazer com que a ovelha perceba sua


importância dentro da comunidade cristã, resgate sua auto-estima, desenvolva
um sentimento de utilidade, restabeleça o prazer de viver e de se relacionar com
outras pessoas e aprenda a servir seu próximo. Há muitas atividades na igreja
que podem ser delegadas para os membros executarem. O sentimento de
utilidade fortalece a auto-estima, auto-aceitação e auto-imagem.
A comunhão exige que um grupo de pessoas tenha sintonia de
sentimentos, de modo de pensar, agir ou sentir. Eles se identificam com
alguma coisa e têm algo em comum. No caso do Cristianismo, o ponto central
de tudo é Jesus Cristo. Muitas atividades podem ser criadas para
proporcionar momentos de confraternização cristã, principalmente, com
aqueles que estão chegando agora para o meio da comunidade cristã (8).
Muitas estão com problemas de relacionamento e não sabem o que fazer. A
aceitação pela igreja cria o sentimento de acolhimento, a idéia de que ela
pertence a um grupo, de que está sendo recebida da forma como é.

A administração local é liderada pelo pastor, mas muitas funções de


apoio podem ser delegadas aos crentes que possuem formação naquela
área. Por conhecerem melhor certas questões, trarão melhores resultados.
Administrar é um conjunto de princípios, normas e funções que têm por fim
ordenar a estrutura eclesiástica e o funcionamento da igreja. A definição das
atividades semanais, dos horários em que elas acontecerão e a pré-fixação
de todos os detalhes necessários para o bom funcionamento evitarão muitos
problemas e muitas frustrações.

Método de interação pessoal: a bênção da comunhão cristã.

A sociedade atual conseguiu desenvolver uma comunicação superficial


em que se fala muito e, às vezes, animadamente, mas sem interação
pessoal, sem revelar quem realmente é o falante e quem é o ouvinte. Os
relacionamentos atuais são úteis para a manutenção dos vínculos de
amizades dentro de um grupo ou comunidade, mas pouco revelam da
personalidade, do caráter, do jeito de ser dos indivíduos, porque eles se
escondem nas mais diversas formas, não querem se expor.

O cuidado pastoral orientado por este modelo desenvolve a


“interaçãopessoal, em que as habilidades relacionais são utilizadas para
facilitar o processo de exploração pessoal, esclarecimento e mudança em
relação a comportamentos, sentimentos ou pensamentos indesejados. Aqui
se focaliza mais o indivíduo. Valoriza-se a autocompreensão em termos de
interpretação da causa das dificuldades, na perspectiva de escolas
psicoterápicas especificas” (9). A pessoa não fica sozinha, isolada, mas
descobre que seuenvolvimento com a comunidade cristã pode lhe
proporcionar momentos agradáveis em que seus traumas interiores sejam
solucionados através do relacionamento, da comunhão e confraternização
cristã.

O fundamento da interação pessoal é a demonstração positiva da


percepção da presença do outro. Para que exista interação pessoal efetiva é
necessário que as pessoas se reconheçam enquanto sujeitos na relação
comunicativa. Cada indivíduo possui suas características pessoais que
devem ser respeitadas e aceitas pelo outro. As outras questões devem ser
adaptadas. Uma pessoa que deixa o estilo de vida não-cristão adotado pela
sociedade, inicialmente terá algumas dificuldades com o mundo evangélico e
a igreja poderá ajudá-la nessa fase inicial através dos eventos internos que
exijam o envolvimento pessoal.

O conselheiro pode conscientizar as pessoas que um relacionamento


só acontece e se desenvolve quando duas ou mais pessoas, cada uma com
sua existência própria e necessidades pessoais, contatam uma a outra
reconhecendo, respeitando e permitindo as diferenças entre elas. Nas
confraternizações ou em qualquer outro momento de interação pessoal, cada
um é responsável por si, por sua parte do diálogo, por sua parte no
relacionamento. Isso significa que cada um é responsável por se permitir ser
influenciado pelo outro, ou se permitir influenciar. Se ambos permitem, o
encontro pode ser como uma dança, com um ritmo de contato e afastamento.
Então, é possível haver o conectar e o separar, em vez de isolamento (perda
de contato) ou confluência (fusão ou perda da distinção).
Como deve ser feito?

Muitos cristãos são conselheiros de corredor, isto é, aproveitam


ocasiões informais para ouvir pessoas e interagir com elas, em busca de
ajuda para questões da vida. Quando alguém é Luz e Sal não tem como
evitar o ser abordado por quem gostaria de saber qual a razão da Esperança
que transparece em seu estilo de vida. A professora que leciona para
crianças, mesmo que não queira, vai precisar ouvir às mães. Ainda que o
líder do grupo de jovens se diga administrador e não conselheiro, será
buscado por jovens em conflito. A atividade conselheira ocasional e
espontânea não demanda tanta organização. Antes, requer prontidão para
atender, disponibilidade para ouvir e presença de espírito, encaminhando
para uma continuidade no aconselhamento. Mas, tão logo o aconselhando
entrar num processo de aconselhamento, torna-se necessário que ele seja
organizado para ser melhor sucedido.

Enfocando o Aconselhamento Pastoral mais formal e tradicional, isto é,


com hora marcada, contrato definido, plano de ação com metas e prazos,
local e forma de trabalhar especificados. A abordagem mais formal traz
algumas vantagens de segurança e previsibilidade. Mas, o conselheiro
pastoral, o professor e a professora, o líder comunitário sabem que a grande
maioria das conversas conselheiras se desencadeiam mediante a dor e o
sofrimento. E estes não têm local, nem hora, nem costumam avisar quando
aparecem. Portanto, ainda que na reflexão a seguir se trata de aspectos
práticos do aconselhamento de maneira mais formal, é preciso enfatizar que
não se percam as “oportunidades de ouro”.

Outra razão para organizar a atividade do aconselhamento se dá


quando o número de atendimentos aumenta. O líder que se tornar conhecido
como conselheiro logo verá sua agenda abarrotada de compromissos e
correrá o perigo de descuidar de si mesmo e de sua própria família. Quando
as pessoas procuram um amigo ou não-profissional para tratar de seus
problemas, elas facilmente se esquecem do tempo, com freqüência abusando
da boa vontade. Não há maldade! Simplesmente a pessoa que sofre está tão
ocupada com a sua dor que não consegue empatizar com a pessoa que a
ouve. Se o conselheiro não delimitar o tempo e o espaço que concede,
poderá sentir-se desrespeitado. Assim, sem perceber, o próprio conselheiro
desencadeará raiva, e sem querer, se tornará agressivo. Portanto, para evitar
reações inconscientes, tanto do conselheiro quanto do aconselhando, convém
organizar a atividade.

Mesmo que o Aconselhamento Pastoral seja executado por “leigos”, é


mais valorizado quando realizado mediante alguns critérios. Quando o
conselheiro organiza as suas atividades com hora marcada, local
especificado, fichas de notas, etc., ele dá um tom de seriedade e
profissionalidade ao seu ministério.
Vejamos a seguir alguns aspectos práticos que requerem ser
organizados para uma ação pastoral mais profícua através do ministério do
aconselhamento.
1. MARCAÇÃO DA ENTREVISTA

Quando as pessoas sabem que o pastor ou algum líder delegam tempo


para aconselhar, se sentem mais à vontade para buscar o referido ministério.
Quem sabe, até haja uma recepcionista para marcar e organizar o horário de
atendimento. Mas, essa não é a realidade da grande maioria das
comunidades eclesiais no Brasil.

A maioria das pessoas iniciam uma conversa à porta do templo, ao


terminar do culto ou num encontro ocasional na casa de um dos membros da
igreja. O telefone serve muitas vezes como possibilidade de iniciar um
aconselhamento ou mesmo um e-mail. O aconselhamento pode ter o seu
início no intervalo da aula na faculdade, no horário do almoço no emprego ou
ao encontrar o vizinho no supermercado.

Quando alguém diz: “Preciso falar algumas palavras contigo”, isso


certamente pode significar duas ou três horas. Portanto, o conselheiro atento
vai imediatamente e amavelmente direcionar a conversa para a questão do
tempo: “Quanto tempo você acha que vai precisar?” Ainda que a pessoa diga
dez minutos e depois gaste vinte, isso desgasta menos do que não ter tratado
do tempo e assim a conversa se estende por uma hora ou mais.

Nessas ocasiões - “oportunidades de ouro” – convém dar toda a atenção

à pessoa. Ela provavelmente realizará uma reação emocional expressiva


(catarse), falando alto, gesticulando e/ou chorando. Isso não tem como ser
evitado. Mas, talvez se possa mover a pessoa para um lugar mais reservado para
que depois não se sinta constrangida pela maneira que reagiu em público. A
seguir é importante ajudar a pessoa a definir o que ela precisa neste primeiro
momento. Atenção! Não queira resolver todos os problemas agora, exceto que
haja um comportamento de risco (suicídio, decisão com graves conseqüências,
etc.). A pessoa de improviso não tem tanto tempo, o conselheiro também foi pego
de surpresa. Tão logo a pessoa tenha expresso seus sentimentos mais fortes e
definido o que ela de fato precisa, pode-se encaminhar o processo de
aconselhamento mais formal através da marcação de um horário. Marcar a
entrevista evita abusos, a falta de limites e a invasão de privacidade.
A marcação da entrevista requer delimitação de alguns aspectos
específicos: horário (início e fim), local, objetivo e a troca dos números de
telefone para avisar quaisquer imprevistos. É importante que a duração da
entrevista fique logo especificada, por algumas razões: Se o aconselhando
sabe quanto tempo tem, se organiza com mais eficácia para tratar de tudo
que é preciso; o conselheiro fica mais tranqüilo e pode prestar mais atenção;
o aconselhando não se sentirá rejeitado quando o conselheiro avisa que o
tempo acabou.

Uma prática muito útil é a pré-entrevista, isto é, a conversa ao telefone


para marcar a consulta. Nesta ocasião o conselheiro poderá deixar que o
aconselhando lhe conte em algumas palavras o que está acontecendo,
fazendo algumas perguntas. Quais são os problemas que ele gostaria de
tratar? O que espera da entrevista? Esses e outros detalhes podem facilitar o
preparo do conselheiro. Assim ele poderá orar, ler e organizar algumas coisas
que podem ser úteis na conversação pastoral.

Embora seja óbvio, convém avisar que em situações de crise essas


formalidades não têm serventia. Em crise o conselheiro precisa estar presente,
acolhedor, ativo, orientador e interventor. Durante a crise, se o próprio
conselheiro não tem condições de acompanhar intensamente a pessoa, ele
deverá estabelecer algum contato com familiares ou amigos, orientando-os,
para que alguém dê assistência enquanto necessário. Alguns exemplos:
ameaça de suicídio; surto psicótico; o cônjuge saiu de casa para separação
matrimonial; acidente de carro com familiares em estado crítico; morte de
familiares; tragédias naturais; etc. Em situações similares o bom senso deve
evitar todas as formalidades.

2. LOCAL DA ENTREVISTA

Os lugares são associados a efeitos sobre o ser humano. Num templo


as pessoas se tornam meditativas, à beira-mar relaxam, numa rodovia ficam
tensas e no hospital angustiadas. O lugar em si não causa tais efeitos, antes,
o que culturalmente se aprendeu sobre esses lugares. Quando o
aconselhando visita seu conselheiro na sala-de-visita deste, ele sente que
está entrando na privacidade domiciliar. Isso pode inibir. Se o encontro
suceder no gabinete pastoral, há mais probabilidade de que ambos se sintam
mais confortáveis, pois, esse é normalmente o lugar onde se trata de
questões pessoais, onde se ora, onde se busca a vontade de Deus, onde se
aconselha. Ao marcar uma entrevista de aconselhamento convém considerar
a influência psicológica do lugar.

Se o local das conversas puder ser constante, evita-se a necessidade


de constantes novas adaptações. Em lugares novos as pessoas não se
sentem imediatamente seguras, pois, não existe previsibilidade quanto ao o
que acontece ali. Na medida que algumas entrevistas foram bem sucedidas, o
aconselhando deixa de concentrar-se no ambiente e pode concentrar-se
melhor em si e no seu tratamento.

Como aconselhamento requer concentração é preciso evitar


interrupções pelo telefone, pessoas que batam à porta ou que transitam pela
sala. Um quadro na porta pode avisar a que horas o atendimento termina. O
telefone deve ser desligado.

Ainda assim, o local deve ser público, no sentido de que todos


saibam que ali é lugar de aconselhamento. Em algumas ocasiões encontros
de aconselhamento em restaurantes ou lanchonetes podem ser necessários.
Mas, essa prática pode levantar suspeitas, especialmente quando conselheiro
e aconselhando são de sexo oposto. Para evitar calúnias, muitos pastores
atendem pessoas do sexo oposto apenas junto com o cônjuge. Outros
atendem em seus gabinetes, assistidos na recepção por uma secretária.
Ainda outra precaução é a porta com janela, onde qualquer pessoa pode ver
o que acontece no interior do gabinete, mas, sem ouvir o que se fala. Se o
vidro da janela for de espelho unidirecional, o próprio aconselhando se sentirá
ainda mais à vontade.

A luz gera estímulos emocionais interessantes, assim pode facilitar


ou comprometer a ação conselheira. Luz indireta relaxa, luz branca excita, luz
refletida diretamente dentro dos olhos irrita, penumbra pode gerar sonolência.
Em geral os ambientes com luz do dia são indicados. Quando a luz de uma
janela ofusca, recomenda-se mudar a posição da cadeira para descansar.

Aconselhamento Pastoral é encontro verdadeiro. Para tanto, o


conselheiro evita sentar atrás de uma mesa. Mesas de escritório geram
distância, comunicam superioridade ou frieza. Bem, em algumas situações de
aconselhamento isso pode até ser útil. Por exemplo, quando se desenvolveu
uma transferência sentimental (paixão). Mas, normalmente o conselheiro
disporá a mobília de forma que não haja obstáculos entre as pessoas. Uma
postura das cadeiras/dos sofás em 90 graus facilita o olhar um para o outro,
tanto quanto o desviar o olhar quando necessário. Importante é evitar os
constrangimentos.

Lenços de papel, água potável e um lavatório próximo se tornam


necessários num ambiente de aconselhamento. Algumas pessoas precisam
de papel e caneta para se expressar, desenhando esquemas ou rabiscando
imagens que lhes aparecem enquanto falam. Em geral um ambiente para
falar sobre problemas, sobre a vida espiritual e sobre questões existenciais
tem livros. Eles podem inspirar idéias, sugestões, soluções, podem até servir
como tarefas terapêuticas. Livros se tornam interlocutores enquanto não há
gente com quem se possa conversar.

3. DURAÇÃO DA ENTREVISTA

Em geral os primeiros dez minutos de uma consulta pastoral


resumem tudo que há de ser tratado daí em diante, dure a entrevista meia
hora ou três horas. Portanto, não é a extensão da entrevista que define o
sucesso ou o crescimento da pessoa.
Um outro fator que requer ser considerado para determinar a duração
da entrevista é a especialização do conselheiro. Se este tiver sido treinado, se
o assunto tratado é de sua especialidade, então poderá desencadear mais
reflexões e elaborações e gastar mais tempo. Mas, conselheiros leigos em
geral não sabem exatamente como facilitar a abordagem de novos assuntos,
novas maneiras de análise, sem forçar a conversação pastoral diretivamente.
E neste caso, a conversa segue o fio de meada do conselheiro, e não do
aconselhando.

Para iniciantes em Aconselhamento Pastoral se recomenda 3


sessões de 40 a 50 minutos cada. Se o aconselhando não demonstrar algum
crescimento ou mudança objetiva, então se torna necessário o
encaminhamento. Se houver crescimento, o atendimento pode se estender de
6 a 10 sessões. Além dessa quantia de atendimentos o aconselhamento em
geral passa a girar em círculo, por falta de treinamento.

Em síntese, não é a duração da entrevista que garante mudanças


e/ou crescimento. Estas antes são definidas por habilidades do conselheiro,
maturidade pessoal, empatia e criatividade diante das circunstâncias da vida.

No entanto, deve-se considerar também os objetivos do processo


aconselhativo. Se houver a necessidade de uma revisão de vida, ou do que
alguns conselheiros chamam de “batalha espiritual”, é evidente que o tempo
requerido vai aumentar. Mas, note bem, é preciso estar especializado para
trabalhar com revisão de vida ou “batalha espiritual”. E as técnicas citadas são
explicitamente diferentes do que aqui se chama de Aconselhamento Pastoral.
4. DURAÇÃO DO ACONSELHAMENTO COMO UM PROCESSO

TODO

No tópico anterior ficou evidente que a questão do tempo no


aconselhamento não pode ser enquadrado em algumas regrinhas simples.
Embora se possa considerar algumas dicas de procedimento geral, o conselheiro
deve estar atento aos detalhes de sua própria formação e capacitação, do
assunto que o aconselhando traz, das expectativas e objetivos que apresenta, da
cooperação no tratamento, da situação crítica, do vínculo que foi possível
estabelecer, do andamento do processo e muitos outros.

Esclarecidas essas variáveis, se pode considerar que a orientação


vocacional normalmente dura 2 a 5 sessões e a intervenção em crises pode
requerer 6 semanas adaptando o número de sessões às circunstâncias
específicas. Se o processo de aconselhamento trata de problemas relacionais
(família, matrimônio, filhos rebeldes, etc.) deve-se considerar as
recomendações dos especialistas em terapia breve, que recomendam de 6 a
10 sessões em mais ou menos 3 meses. Se não houver alcance dos
objetivos, o encaminhamento certamente se fará necessário.

Quadros de transtornos crônicos, como depressão ou ansiedade,


podem demandar acompanhamento a longo prazo, de meses e/ou anos.
Considere-se, no entanto, que tal acompanhamento pode ser extremamente
extenuante e deveria ser feito por especialistas. Sem um preparo aprimorado
o conselheiro corre o risco de prejudicar o aconselhando e gerar problemas
para si mesmo.

Existe uma diferença evidente entre aconselhamento e discipulado,


mentoreamento, supervisão e couching. Mas, o aconselhamento não deixa de
fazer parte de tais processos de estimulação do crescimento. E estas formas
e modelos de ajuda em geral são realizados a longo prazo. Mas, perceba-se
mais uma vez: Sem um preparo específico mesmo o discipulado se torna
vazio de sentido, evidencia imediatamente a falta de profundidade e com isso
compromete a sua continuidade. Assim é com todas as outras formas e
modelos de ajuda às pessoas.

A interrupção de um acompanhamento pastoral facilmente pode ser


visto pelo aconselhando como uma rejeição ou com descaso. Para evitar tal
interpretação é útil que o conselheiro estabeleça logo de início no contrato
verbal a quantia provisória de atendimentos. Saber que não se tem “todo o
tempo do mundo” mobiliza e acelera a busca de soluções e crescimento.

Todo conselheiro deve estar muito atento à satisfação, ao prazer que


o processo do aconselhamento gera, tanto para o aconselhando quanto para
o conselheiro. Sendo prazeroso, o tempo do processo pode se estender mais
do que necessário. Além disso, freqüentemente está associado a uma
transferência sentimental. Prolongar processos de aconselhamento sem
objetivos especificamente buscados pode facilitar um envolvimento passional.

Um simples paradigma quer facilitar o manejo do tempo no processo


do aconselhamento:
- Quanto maior a crise; mais encontros por semana necessita o
aconselhando; menor pode ser a duração da sessão.
- Quanto menor a crise; menos encontros por semana são
necessários; maior pode ser a duração de cada sessão.
Talvez a grande dificuldade quanto à duração do aconselhamento
enquanto processo seja a dependência emocional. Pessoas carentes, inseguras
e deprimidas, com problemas sexuais podem pressionar para que o processo
continue, sem que haja necessidade, ou até, desenvolvendo (inconscientemente)
mais problemas e sofrimentos. São poucos os conselheiros que conseguem
conduzir um processo de dependência de maneira a não manifestar raiva e
agressividade ou a não se submeter à dependência, mantendo-a. “Amor e
Firmeza” é o paradigma, amor de Deus e a firme convicção de que é Deus quem
salva e cura, não o conselheiro. Deus está presente sempre, o conselheiro não. E
o aconselhando precisa aprender a depender de Deus, a depositar sua vida
completamente nas mãos de seu Criador. Se o conselheiro mantém uma
dependência, ele se torna co-responsável por não desenvolver uma experiência
de fé e confiança em Deus.

5. AS ANOTAÇÕES

Em charges humorísticas todo analista senta de pernas cruzadas e faz


anotações em seu caderninho, enquanto o paciente fala sem parar (monólogo).
Conselheiros leigos e/ou pastorais normalmente confiam em suas memórias para
o registro das informações recebidas. Nas últimas décadas pesquisas
neuropsicológicas identificam que a memória absoluta não existe. O que o ser
humano faz é recontar a sua história, a partir de algumas imagens e conceitos
retidos na memória. Assim sendo, é preciso suspeitar que a recontagem é
colorida pelas emoções momentâneas, por experiências e descobertas novas,
por fatos e dados da atualidade. O que se diz ser uma lembrança é a composição
de alguns dados da memória com a interpretação desses dados a partir de
vivências e aprendizagens atuais. Portanto, a história contada pode tornar-se
sempre mais dramática e sofrida, se o presente for sofrido; pode também se
tornar menos dramática, se a vida estiver tomando um rumo de tranqüilidade e
crescimento. Em essência, esses dados a respeito da memória que é colorida
seletivamente por informações úteis ou inúteis, não é totalmente nova. Há
milênios o profeta Jeremias já disse: “Quero trazer à memória o que me pode dar
esperança”. Mas, e o que fazer com os fatos trágicos da vida? É possível vê-los
sob nova ótica: de fé, de esperança e de amor.

Essas considerações querem nos levar à importância das anotações


no aconselhamento, mesmo por conselheiros pastorais e/ou leigos. Os dados
que a memória registra na presença de uma pessoa que sofre, que foi tratada
com injustiça, que está agressiva ou até desrespeitosa são impregnados por
respectivos sentimentos. Se alguém quer ajudar a mudar tais atitudes, é
preciso poder pensar e orar sobre o que ouviu sem estar sob influência
daqueles sentimentos. Se houver algumas anotações, o conselheiro poderá
refletir mais tarde com menos envolvimento emocional sobre tudo que ouviu,
e assim, adotar uma postura nova. Sem anotações, sem posterior reflexão e
oração, sem apresentação da história do aconselhando a Deus, mesmo o
mais hábil dos conselheiros terá dificuldades em gerar soluções criativas
enquanto depender apenas daquilo que foi registrado em sua memória.

Aconselhamento pressupõe que o conselheiro pesquise em livros a


respeito dos assuntos tratados, que leve o caso ao seu supervisor, que ore a
Deus. Mas, o que vai pesquisar se depender apenas de sua memória? Aquilo
que seletivamente registrou. E a chave de resolução pode estar justamente
num pequeno detalhe, que normalmente não chama atenção, que portanto, a
memória não registra. As anotações durante a conversação pastoral podem
parecer indefinidas, não importantes, a esmo. Mas, quando se trabalhar sobre
as anotações, surgem aspectos fundamentais justamente pelas anotações de
margem e rodapé.

Normalmente o próprio aconselhando se sente levado a sério quando


observa que são feitas anotações. Nas situações em que o aconselhando der
sinais de insegurança, o conselheiro precisa falar a respeito das anotações.
Dirá qual a finalidade das mesmas, quais providências toma para dar um
caráter de reserva e sigilo ao material, qual o destino final, etc. Por fim, pode
perguntar ao aconselhando se prefere que não se registre a conversa. Caso
afirmativo, o conselheiro anota logo após a sessão do que lembra ou então,
sob responsabilidade do aconselhando, trabalha apenas mediante o registro
da memória.

Mas, o que se deve registrar? Aparecem tantas informações! Quais


são de fato importantes e úteis para o aconselhamento? Depende do foco
teórico do conselheiro. Ninguém consegue observar e pensar o ser humano
em todas as suas interfaces, ele foi criado de “modo assombrosamente
maravilhoso”. Por isso, cada conselheiro escolherá a sua interface a partir da
qual observa o seu interlocutor e conseqüentemente registra tais dados.

O que quer dizer foco teórico?

É a perspectiva a partir da qual se analisa o ser humano e a sua


conduta. Por exemplo: O conselheiro pode ter o foco bíblico, isto é, tudo que
ouve passa pelo crivo do que ele sabe que a Bíblia diz. Se a pessoa está
ansiosa, o conselheiro de foco bíblico lembra o que está escrito sobre
ansiedade, quais as causas, como lidar e vencer, etc. As intervenções
também são construídas a partir desse foco. Se o conselheiro tiver um foco
sistêmico, ele atenta para os relacionamentos da pessoa: de quem está
próximo, quem está distante, com quem faz alianças, tem conflitos, desvia
conflitos, com quem faz triângulos, a quem deve lealdades, etc.
Conseqüentemente, as anotações se concentrarão nesses assuntos.
Na psicologia se fala de escolas teóricas, por exemplo, a psicanálise,
a analítica, a comportamental, a gestáltica, a centrada na pessoa, a cognitivo-
comportamental, etc. Se especialistas em comportamento humano precisam
selecionar o que vão observar e anotar, o conselheiro leigo/pastoral também
pode sentir-se à vontade para trabalhar a partir de um só foco teórico. Na
medida que desenvolve suas habilidades ministeriais, ele poderá sobrepor
alguns focos teóricos. Para o conselheiro cristão o foco teórico principal é o
bíblico, mas, devemos nos esforçar para desenvolver um foco complementar
que é o foco de consideração das emoções. Ao conselheiro que continua
investindo em seu aprimoramento, sugere-se o terceiro foco teórico que é a
visão sistêmica do ser humano.

Lawrence Crabb Jr. arrisca uma sugestão bem prática quando sugere
que o conselheiro cristão desenvolva leituras na proporção de 50% por 50%.
A metade das leituras devem ocupar-se com a Bíblia e a outra metade com
livros específicos na área de Aconselhamento Pastoral.
O material para anotações pode ser variado: pranchetas com papel
A4; notebook sobre o colo, fichas de resumo (médias ou pequenas). Porém, o
conselheiro não pode esquecer de “ouvir com os olhos”, pois, a expressão
facial transmite mais informações e de valor íntimo do que o discurso verbal.
Para tanto é preciso olhar para o aconselhando.

6. O INÍCIO DA ENTREVISTA

Para conselheiros iniciantes o início da entrevista normalmente gera


algum desconforto. Como será? O que o aconselhando vai trazer hoje? Como
posso ajudar para que ele se sinta à vontade? O que devo fazer para evitar
que ele entre por uma trilha de assuntos que não leva ao crescimento? Quem
fala primeiro?

Como latinos, somos bons anfitriões. Nos preocupamos em receber


bem e que o nosso convidado se sinta à vontade. No aconselhamento, no
entanto, esse não é o objetivo. Em muitas ocasiões até se torna necessário
que o aconselhando passe por alguma tensão para aprender a lidar com as
suas emoções. Se não o fizer num gabinete pastoral seguro, onde vai arriscar
uma vivência nova?

É importante que a recepção seja calorosa (mais na expressão facial,


do que em muitas palavras), que se conduza o aconselhando até o ambiente
de trabalho. Mas, logo a seguir convém direcionar a responsabilidade pelo
trilho de assuntos para o aconselhando. Com objetividade e tranqüilidade o
conselheiro pode dizer: “Então, o que devemos tratar hoje?”, “O que te traz
aquí?” ou “Conforme você me disse por telefone, teríamos que conversar
sobre o teu matrimônio! Quer começar, por favor?” Essa abordagem mais
direta aos assuntos orienta ao aconselhando de que ele é co-responsável
pelo processo, que ele está livre para se apresentar, que tudo que ele traz é
importante. O próprio aconselhando também deve estar muito ansioso por
tratar logo do assunto que o aflige. Portanto, ele ficará bem se puder começar
imediatamente. Além disso, uma abordagem direta evita perda de tempo.
Mas, em se tratando da primeira consulta! Parece lógico que se ajude
ao aconselhando a relaxar, a se sentir bem, para que possa trazer sua dor
com objetividade! Correto! Para tanto não é necessário falar da família, do
tempo, do hobby e do time de futebol. Essa acomodação terapêutica é
favorecida mediante a técnica empático-reflexiva. Ao refletir os sentimentos,
validando-os e aceitando a pessoa, se facilita o encontro e a vinculação de
aconselhamento. Ao demonstrar que o conselheiro percebe o que o
aconselhando sente, este desenvolve segurança e certeza de aceitação.

Ainda assim, deve-se levar em conta a cultura do aconselhando. O


sulista de origem européia certamente prefere mais diretividade e
objetividade. O nordestino provavelmente vai precisar de alguma socialização
para abordar a questão central que o mobiliza ao aconselhamento.

7. A CONCLUSÃO DA ENTREVISTA

Tal qual o início de uma entrevista, para iniciantes a conclusão pode


ser um problema. Uma hora proveitosa e construtiva de diálogo pode ser
quebrada através uma ação ou palavra infeliz no final. Como conduzir, então,
a conclusão da entrevista?
Inicialmente o conselheiro assume a responsabilidade pela observação
do tempo. Ele o faz, definindo já na marcação da entrevista a duração, começo
e fim, da mesma. A seguir tentará observar a entrevista segundo alguns
passos: apresentação do tema, exploração do tema, busca de soluções,
sugestão de alguma ação (conselho) e tarefa.
Cada etapa será notificada pelo conselheiro. Por exemplo, a etapa da
exploração: “Você deveria contar um pouco mais sobre a comunicação de
vocês”; a etapa da busca de soluções: “O que você pensou em fazer a respeito?”;
a etapa da sugestão de ação: “Qual seria o mínimo sinal de melhora para você?
O que deveria acontecer para que você voltasse a ter esperança?” Quando o
tempo chegar ao fim, o conselheiro poderá sugerir: “Bem, depois dessa
caminhada, acho que devemos pensar em alguma ação ou tarefa, antes de nos
despedirmos!” Assim, o aconselhando percebe que está inserido na dimensão do
tempo e que precisa orientar-se segundo o combinado.

Em consultas subseqüentes o conselheiro vai deixar que o


aconselhando cuide do tempo, para observar se ele consegue se orientar
dentro de seus limites. A partir da segunda sessão, delegará subjetivamente
(não precisa dizer isso) responsabilidade ao aconselhando, especialmente se
a questão tempo tiver sido especificada anteriormente.

A reação do aconselhando pode dar indicativos de sua capacidade


de iniciativa, de maturidade, do controle das emoções, da tendência à
dependência emocional, do perfeccionismo e muitos outros aspectos da
personalidade do mesmo.

Assim, a finalização de uma entrevista pode ser conduzida através de


resumos, conclusões, planos e tarefas. Procedendo assim, a conclusão da
entrevista não será abruptamente cortada, nem percebida como descaso ou
rejeição.

8. AS TAREFAS

Como partimos do pressuposto de que o ser humano é uma


complexidade espiritual, emocional (psicológica), biológica e social, o
Aconselhamento Pastoral deve levar em conta todas essas dimensões. Portanto,
por mais importante que seja levar a pessoa a orar e buscar crescimento em
Deus através da sua Palavra, o conselheiro que busca ver o ser humano como
um todo incluirá outras perspectivas na sua ação ministerial. A psicologia social
comprovou extensivamente que não é somente o que pensamos que nos faz agir
como agimos, mas, o que fazemos também nos faz pensar como pensamos.
Tiago deixou isso claro quando afirma que a ação é a comprovação de nossa fé.
Tendo a ação tal importância no tratamento da conduta humana, torna-se
inconcebível fazer aconselhamento sem tarefas.

Ao planejar a tarefa em conjunto com o aconselhando, o conselheiro


mantém alguns objetivos em vista: conectar o aconselhamento com a vida
prática e diária; exercitar o que se pretende para crescer e alcançar
resultados objetivos; avaliar o comprometimento do aconselhando; objetivar e
deixar mais concreto o assunto tratado; fortalecer a auto-estima através da
ação bem sucedida; delegar responsabilidade ao aconselhando; observar as
reações do aconselhando, e outros.
Mas, que tarefas se deve desenvolver? Quais os tipos de tarefas úteis
em cada situação? As tarefas devem ser construídas a partir dos assuntos que
foram tratados durante a sessão; elas devem ser simples e práticas; é importante
que o aconselhando demonstre interesse ao planejar uma tarefa; é
importante que o aconselhando se disponha a cumprir a tarefa, comprometendo-
se; depois de acordada a tarefa, será útil que o aconselhando diga o que ele
deverá executar como tarefa e que descreva o como.

A idéia de que tarefas grandiosas são mais terapêuticas é falsa. Pelo


contrário, tarefas complexas podem levar a frustrações, o que inibe a
evolução satisfatória do processo. Pequeno também é grande, um passo
pequeno também leva para frente, enquanto um pulo grande pode terminar
numa queda. Portanto, se escolhe tarefas que ofereçam mais probabilidade
de darem certo, de poderem ser desenvolvidas com êxito.

Para o aconselhando será fundamental que a tarefa seja objetiva,


concreta, descritível em atos e passos verificáveis. Tarefas de reflexão, de
desenvolvimento de sentimentos e sensações são subjetivas, dificilmente podem
ser verificadas e avaliadas porque cada pessoa as vivencia de maneira
diferenciada. Assim, as tarefas devem ser mensuráveis para poderem ser
claramente avaliadas. Tarefas mensuráveis ajudam a evitar conflitos gerados por
expectativas diferenciadas. Por exemplo, o marido que decide beijar a sua
esposa durante a semana, o fez três vezes, pode desencadear uma frustração da
esposa porque ela esperou três beijos por dia, todos os dias da semana.

Quantificar os beijos é deixar a tarefa mensurável. A objetividade das


tarefas facilita a comunicação das pessoas envolvidas e a percepção do
crescimento.

Por fim, não é possível não realizar uma tarefa: mesmo a não
realização é uma resposta à tarefa e tem algum significado útil. Pensando
assim, o próprio conselheiro se protege de frustração e dá uma conotação
positiva às tarefas. Por exemplo, se o marido não beijou sua esposa conforme
combinado, o conselheiro poderá dizer: “Ora, você deve ter feito um esforço
grande para não beija-la, sendo que tinha tomado esse propósito. Vocês
devem ter aprendido algumas coisas sobre o que facilita ou dificulta o carinho
entre o casal. O que seria?” A interpretação da tarefa não realizada pode
fornecer excelentes descobertas a respeito do funcionamento do casal.

9. O COMPROMETIMENTO PARA O RETORNO

Mesmo entre muitos pastores brasileiros ainda não existe o hábito e a


cultura de fazer do Aconselhamento Pastoral um processo de começo, meio e
fim. Com muita freqüência o aconselhamento é constituído apenas por uma
só conversa, alguns conselhos e oração. Não se faz, nem se sabe fazer o
acompanhamento durante algumas sessões seguidas. Assim sendo, os
próprios membros deixam de solicitar um processo de aconselhamento ou
resistem em querer uma continuidade, ainda que o conselheiro a proponha
como processo.

Para que o Aconselhamento Pastoral possa transformar-se em ação


restauradora é preciso que o próprio conselheiro esteja disposto e preparado
para tanto. Além disso, o sucesso da primeira sessão facilita um
comprometimento de retorno. Se a vivência não foi boa, haverá resistência
explícita ou implícita na ausência do próximo horário marcado.
Nem todas as pessoas que buscam ajuda se dispõe a mudar. Elas
gostariam de que o mundo ao redor delas mudasse. Se a primeira sessão foi
contra as expectativas básicas do aconselhando, se a atividade conselheira
lhe impõe um ônus que ele não queria, se implica em confrontos e mudanças,
então um retorno para um processo de aconselhamento não será desejado e
pode desencadear a fuga.

O que o conselheiro pode fazer para facilitar o compromisso de


retorno? Definir junto com o aconselhando os objetivos do aconselhamento
atendendo atenciosamente para os itens que este gostaria de resolver;
especificar alguma metodologia inicial de trabalho; projetar uma duração
inicial de apenas 5 sessões para o processo todo; apresentar uma proposta
clara de trabalho, resumindo objetivos, métodos, procedimentos, critérios de
avaliação e prazo de conclusão; avaliar a disponibilidade do aconselhando;
obter seu comprometimento verbal, quem sabe, até escrever algumas linhas
de um contrato; marcar já a próxima consulta e avisar que esta será
confirmada no dia anterior por telefone; combinar que o aconselhando
desmarcará a entrevista se acontecer algum imprevisto. Em geral esse
procedimento garante que a pessoa retorne ou que decida sem maiores
rodeios que não quer um processo de aconselhamento.

10. O CONTRATO DO ACONSELHAMENTO PASTORAL

A idéia do contrato soa muito profissional. E de fato pode transmitir


um sentimento de estranheza para o aconselhando, especialmente advindo
de um líder comunitário ou leigo. Mas, o contrato de aconselhamento pastoral
não necessita ser formal. É importante que o conselheiro especifique alguns
itens que organizem o trabalho e perguntar se o aconselhando concorda que
por hora se proceda tal qual.

Alguns itens úteis a serem abordados: a intenção de sigilo por parte


do conselheiro; o aviso prévio se uma das partes não puder comparecer à
entrevista; o tempo provisoriamente planejado para cada sessão e para o
processo todo; como proceder se outras pessoas forem incluídas no
aconselhamento; previsão de alguns critérios e algumas formas para a
interrupção do processo. Esses itens não precisam ser escritos, nem
necessitam ser denominados de contrato. Depois de terem sido
apresentados, basta perguntar se o aconselhando aceita trabalhar mediante
tais critérios. Pronto! Esse é o contrato!

Um contrato se escreve enquanto se é amigo, e se lê quando


aparecem questões para inimizade. Se não houver critérios que norteiam um
relacionamento durante um conflito, cada parte agirá conforme seus
sentimentos, o que pode tornar-se trágico.
Considerações Finais:

A prática do aconselhamento pastoral é fundamental na sociedade em


que vivemos. As pessoas continuam com problemas, mas a igreja pode
ajudá-las a vencer a si mesmas, às dificuldades interiores e aos obstáculos
que se formaram no decorrer de sua existência. As pessoas precisam ser
cuidadas, necessitam de apoio para continuar sobrevivendo e há métodos
que podem ser utilizados pelo conselheiro pastoral.

Esse conselheiro não precisa ser necessariamente o pastor da igreja.


Membros da igreja podem receber treinamento teórico e prático para auxiliar
a liderança da igreja e ajudar aqueles que necessitam ser cuidados.

A organização dos aspectos práticos do ministério da misericórdia quer


ser uma ajuda, não um peso. Cada conselheiro tem de descobrir o que precisa
organizar para funcionar adequadamente e o que atrapalha no trabalho.

Acima de toda a organização está o amor, o respeito às pessoas e as


habilidades relacionais. Um procedimento burocrático não garante bons
resultados no Aconselhamento Pastoral. O Espírito Santo quer guiar os
servos de Cristo quando estes não souberem o que fazer: “Porque o Espírito
Santo vos ensinará, naquela mesma hora, as coisas que deveis dizer”.
Notas bibliográficas

(1) SATHLER-ROSA, R. Cuidado Pastoral em Tempos de Insegurança, p. 39.

(2) COLLINS, G. R. Ajudando Uns aos Outros pelo Aconselhamento, p .15.

(3) COLLINS Fary R. Aconselhamento Cristão, p. 58-59.

(4) SATHLER-ROSA, R. Cuidado Pastoral em Tempos de Insegurança, p. 39.

(5) MAY, Rollo. A Arte do Aconselhamento Pastoral, p. 32.

(6) STONE, D. J & KEEFAUVER, L. Terapia da Amizade, p. 19.

(7) MacARTHUR, John Jr. Redescobrindo o Ministério Pastoral..., p. 14.

(8) ROSSI, Luiz Henrique Solano. A Vocação Terapêutica da Igreja, p. 120.

(9) SATHLER-ROSA, R. Cuidado Pastoral em Tempos de Insegurança, p. 40.

Referencias bibliográficas

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Vida Nova, 2002.

COLLINS Fary R. Aconselhamento Cristão. São Paulo: Vida Nova, 1984.

MacARTHUR, John Jr. Redescobrindo o Ministério Pastoral: moldando o

ministério contemporâneo aos preceitos bíblicos. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.

MAY, Rollo. A Arte do Aconselhamento Psicológico. Petrópolis: Vozes, 1982.

ROSSI, Luiz Henrique Solano. A Vocação Terapêutica da Igreja. IN:


Aconselha-mento Pastoral Transformador. MANFRED, W. Kohl;
BARRO, Antônio C. (Orgs). Londrina: Descoberta, 2006.

SATHLER-ROSA, Ronaldo. Cuidado Pastoral em Tempos de Insegurança:


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Atos, 2006.
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