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Segurança em Serralheria e os Aspectos Ergonômicos

1 INTRODUÇÃO

Os ambientes de trabalho são formados por uma grande diversidade de


instrumentos, ferramentas e recursos que estabelecem um nível ambiental salubre ou
insalubre dependendo de fatores físicos, climáticos e ergonômicos que envolvem o
bem estar dos trabalhadores.

As atividades realizadas no setor de serralheria, em condições


precárias de trabalho, trazem riscos à saúde do trabalhador (MARTINS;
SOUZA, 2012). Para prevenir a saúde do trabalhador com corretas diretrizes
de segurança, as normas da Associação brasileira de Normas Técnicas –
ABNT trazem as ações que deverão integrar a prevenção de riscos de
acidentes e doenças ocupacionais, em diversos ambientes produtivos.

A pesquisa trata da Segurança do Trabalho em serralherias,


considerando que há uma carência de fiscalização das condições de trabalho
que tornam o setor com muitas empresas atuando de forma irregular e
insegura.

A falta de implantação de Programas de Prevenção de Riscos


Ambientais - PPRA e de Controle Médico e Saúde Ocupacional – PCMSO
obrigatórios para efetivos cumprimentos de regras das normas de segurança e
condições de trabalho adequado.

O objetivo deste trabalho é analisar os riscos ergonômicos referentes


às atividades em serralheria, bem como, o potencial de riscos de acidentes
envolvendo esse ambiente de trabalho insalubre e esforços físicos
inadequados à saúde do colaborador serralheiro.
2 ASPECTOS ERGONÔMICOS E RISCOS DE ACIDENTES NO
TRABALHO EM SERRALHERIAS

As atividades em serralherias são caracterizadas por atividades com


metais, mão de obra familar, produtos sobre encomenda e entre outras. Nas
suas instalações são realizadas serviços de soldagem, corte, montagem e
pinturas. Tradicionalmente, os aspectos ergonômicos são negligenciados
devido a condições de trabalho deficitárias e precárias.
Os maiores índices de acidentes em serralherias estão relacionados a
aspectos ergonômicos. Motivo pelo qual, se deve aos trabalhos manuais que
envolvem carregamento de peso, com frequência. Em, praticamente, toda
atividade profissional de serralheria envolve postura corporal. Onde, condições
de qualidade, conforto e adaptação do profissional são primordiais para
execução correta de tarefas em atendimento à ergonomia (COSTA; Rotta,
2018).
Uma postura correta numa atividade profissional evita acidentes de
trabalho e contribui para a prevenção de doenças. Tais como podemos citar:
fadiga, LER (Lesão por Esforço Repetitivo), diminuição da capacidade de
trabalho, abalo psicológico e entre outras.
Além da postura, outro aspecto ergonômico importante a atender numa
serralheria é a estrutura de trabalho adequada para o foco ergonômico. Mas
infelizmente, por falta de fiscalização efetiva e deficiência de recursos
financeiros das empresas de serralherias, a estrutura de trabalho é precária e
insalubre. Mesmo que o setor, de certo modo, apresente tecnologias
ferramentais avançadas e mão de obra qualificada na atividade em tela, muitas
atividades são realizadas de maneira manual pesada.
O manuseio incorreto de materais pesados e robustos alavancam os
riscos ergonômicos e danificam a saúde ocupacional do trabalhador. A
ergonomia, se implementada com qualidade, trará preservação à vida do
trabalhor (RBSO, 2015).
A NR 17 – Ergonomia regulamenta as condições ergonômicas.
Segundo a Norma Regulamentadora N° 17, a ergonomia visa:

Estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de


trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de
modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e
desempenho eficiente.

Ainda segundo a Norma Regulamentadora N° 17:

As condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao


levantamento, transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos
equipamentos e às condições ambientais do posto de trabalho e à
própria organização do trabalho.

Em organizações que não existem parâmetros de segurança


ergonômicos e, consequentemente, condições irregulares de trabalho. Logo,
podem causar desconforto, lesões e doenças.
A prevenção de lesões e doenças relacionadas com condições
ergonômicas inadequadas demandam processos organizacionais, posturas
corretas e conhecimentos normativos para todos os trabalhadores da empresa.
As diretrizes corretas de segurança são estabelecidas pelas normas da
ABNT (Associação brasileira de Normas Técnicas) com a finalidade de integrar
a prevenção de riscos de acidentes e doenças ocupacionais em diversos
ambientes de trabalho.
A EST (Engenharia de Segurança do Trabalho) tem a responsabilidade
de promover programas que possam reduzir os níveis de acidentes de trabalho
e atender as normas com atividades com riscos ergonômicos, físicos e
psicológicos em que trabalhadores estão expostos.
Numa serralheria, mapear os riscos existentes é fundamental para
diagnosticar os riscos ergonômicos, a partir do levantamento de informações
de trabalhadores, procedimentos de operação de máquinases, tempo de
operação, a postura de trabalho na realização das atividades e o uso de
equipamentos de proteção coletiva e individual.
As empresas devem implantar o PPRA (Programa de Prevenção de
Riscos Ambientais). Elaborar e gerenciar os mapas de riscos, manter ativo o
PCMSO (Controle Médico da Saúde Ocupacional). Ambos com o objetivo de as
condições de salubridade, higiene e segurança, além de qualidade dos
colaboradores.
A norma regulamentadora NR 09 - Programa de Prevenção De Riscos
Ambientais - determina as diretrizes de obrigatoriedade de implementação do
PPRA, a partir do uso de técnicas de gerenciamento de riscos que favorecem a
análise do que representa um ambiente de riscos, bem como a sua
classificação, os tipos de acidentes ocupacionais, a mensuração da gravidade,
da frequência e da ocorrência (BRASIL, 1994).
O empregador cria condições de segurança para serem aplicadas nas
empresas de acordo com os mapas de riscos elaborados na avaliação de
riscos em cada atividade produtiva, conforme a NR 9 estabelece.

Segundo o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – NR 9 visa:

À preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores,


através da antecipação, reconhecimento, avaliação e
consequente controle da ocorrência de riscos ambientais
existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho,
tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos
recursos naturais. O Programa de Prevenção de Riscos
Ambientais (PPRA) tem como finalidade determinar as ações
que visam a eliminação e redução de riscos ambientais no
ambiente de trabalho.

De acordo com suas diretrizes da NR 9:

As ações do PPRA devem ser desenvolvidas no âmbito de


cada estabelecimento da empresa, sob a responsabilidade do
empregador, com a participação dos trabalhadores, sendo sua
abrangência e profundidade dependentes das características
dos riscos e das necessidades de controle. O PPRA é parte
integrante do conjunto mais amplo das iniciativas da empresa
no campo da preservação da saúde e da integridade dos
trabalhadores, devendo estar articulado com o disposto nas
demais NR, em especial com o Programa de Controle Médico
de Saúde Ocupacional - PCMSO previsto na NR-7. Esta NR
estabelece os parâmetros mínimos e diretrizes gerais a serem
observados na execução do PPRA, podendo os mesmos ser
ampliados mediante negociação coletiva de trabalho. Para
efeito desta NR, consideram-se riscos ambientais os agentes
físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de
trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou
intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar
danos à saúde do trabalhador.

O PPRA se desenvolve associado ao cumprimento das seguintes


ações:

 a antecipação e reconhecimentos dos agentes de riscos;


 objetivos do programa;
 objetivos intermediários;
 critérios metodológicos;
 obrigatoriedade da implementação;
 opções de implantação do programa;
 precauções e cuidados em risco com agentes físicos, químicos
e biológicos.

Nas diretrizes de fiscalização, as empresas passam por uma análise dos


documentos trabalhistas e fiscais. E principalmente, por análise de averiguação
de controle de riscos. O setor de recursos humanos deve colaborar com os
trabalhos dos fiscais.

O PCMSO é um programa com a função de evitar os acidentes de


trabalho que podem ser causados por diversos fatores que podem ser
induzidos por um conjunto de causas. Tais como:

 cansaço físico;
 más condições de equipamentos
 más condições de máquinas;
 fatores negativos de interação ambiental.

A NR7 determina a implantação, por parte do empregador e instituições


públicas e privadas, do PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde
Ocupacional).
A NR 07 estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implementação,
por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores
como empregados, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional -
PCMSO, com o objetivo de promoção e preservação da saúde do conjunto dos
seus trabalhadores (BRASIL, 1996).

Segundo a NR 7:

O Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional -


PCMSO, tem como objetivo de promoção e preservação da
saúde do conjunto dos seus trabalhadores. A NR estabelece os
parâmetros mínimos e diretrizes gerais a serem observados na
execução do PCMSO, podendo os mesmos ser ampliados
mediante negociação coletiva de trabalho. Caberá à empresa
contratante de mão-de-obra prestadora de serviços informar a
empresa contratada dos riscos existentes e auxiliar na
elaboração e implementação do PCMSO nos locais de trabalho
onde os serviços estão sendo prestados. (Alterado pela
Portaria n.º 8, de 05 de maio de 1996). O PCMSO é parte
integrante do conjunto mais amplo de iniciativas da empresa no
campo da saúde dos trabalhadores, devendo estar articulado
com o disposto nas demais e deverá considerar as questões
incidentes sobre o indivíduo e a coletividade de trabalhadores,
privilegiando o instrumental clínico-epidemiológico na
abordagem da relação entre sua saúde e o trabalho.

O PCMSO tem a finalidade de evitar as doenças e acidentes


ocupacionais se apresentam como uma situação que está envolvendo diversas
esferas da vida social e do trabalho que necessitam de estratégias e métodos
de qualidade de vida no trabalho no ambiente de trabalho.

A NR 7 determina que:

O PCMSO deverá ter caráter de prevenção, rastreamento e


diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao
trabalho, inclusive de natureza subclínica, além da constatação
da existência de casos de doenças profissionais ou danos
irreversíveis à saúde dos trabalhadores e deverá ser planejado
e implantado com base nos riscos à saúde dos trabalhadores,
especialmente os identificados nas avaliações previstas nas
demais NR.
Diante da obrigação, prevista em normas, de implementar os dois
programas (PPRA e PCMSO) para assegurar um ambiente de saúde
ocupacional. Ambos deverão ser implantados de modo efetivo nas serralherias
e em suas atividades. Em conjunto com os aspectos de qualidade e
gerenciamento ambiental, em um processo integrado e contínuo de melhoria
relaciona a postura dos trabalhadores.

Com o PCMSO e PPRA instaurado na empresa com propriedade, as


funções de saúde, segurança e higiene do trabalho poderão obter um ambiente
de trabalho saudável. Onde riscos ergonômicos causadores de doenças
ocupacionais são equalizados e controlados. Desgaste físico nas atividades
trabalho, peso das ferramentas no trabalho, frequência de trabalho exaustiva e
entre outros serão combatidos com eficiência.

3 CONCLUSÃO

...(em elaboração)

.
Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria n° 24, de 29 de dezembro de 1994 -


NR 07. Norma Regulamentadora NR-7 - Programa De Controle Médico De
Saúde Ocupacional. Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho, Brasília, p.
12, 01 de out. 1996.

BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria GM n° 3.214, de 08 de junho de 1978-


NR 09. Norma Regulamentadora NR-9 - Programa De Prevenção De Riscos
Ambientais. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, p. 26, 29
de dez. 1994.

BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria GM n° 3.214, de 08 de junho de 1978-


NR 17. Norma Regulamentadora NR-17 - Ergonomia. Diário Oficial da
República Federativa do Brasil, Brasília, p. 01, 23 de nov. 1990.

MARTINS, Yago Beserra Marinho; SOUZA, Diego de Oliveira. A precarização


do trabalho dos serralheiros: reflexões acerca de sua condição de saúde sob a
óptica marxiana. 2012. 15 f. TCC (Graduação) - Curso de Enfermagem,
Universidade Federal de Alagoas, Franca/sp, 2012. Disponível em:
<http://www.proceedings.scielo.br/pdf/sst/n8/15.pdf>. Acesso em: 21 jan. 2020.

OLIVEIRA, Stener Camargo ; FELIX, Milene de Freitas; LOPES, Tassiane Leite


;KUHN, Daiane Cristine; SEABRA, Lucelia Gomes; Kemerich, Pedro Daniel da
Cunha. Avaliação da Segurança de Trabalhadores em Serralheria no Município
de Caçapava do Sul. 2018. Disponível em:
<http://www.proceedings.scielo.br/pdf/sst/n8/15.pdf>. Acesso em: 23 jan. 2020.

COSTA, Guilherme Lourenço da Costa; ROTTA, Ivana Salvagni. Análise


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http://aprepro.org.br/conbrepro/2018/down.php?id=4491&q=1 . Acesso em: 23
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Revista Brasileira de Saúde Ocupacional. Ergonomia da Atividade aplicada à
Qualidade de Vida no Trabalho: lugar, importância e contribuição da Análise
Ergonômica do Trabalho (AET).2015. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rbso/v40n131/0303-7657-rbso-40-131-18.pdf. Acesso
em: 23 jan. 2020.

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