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CONVERSANDO SOBRE AS FALHAS

(extraído do livro, “O Propósito da Família”, de Luciano Subirá, publicado por Orvalho.Com)

Para minha esposa a forma de falar tem um poder que, para mim, é
imensurável. A Kelly descobriu (e eu também) que, na defnição de Gary Chapman das
linguagens emocionais em seu extraordinário livro “As Cinco Linguagens do Amor”, ela
se encaixa na linguagem descrita como “Palavras de Afrmação”.
Recordo-me do dia em que descobri o quanto isto era relevante para ela. Éramos
recém-casados e a Kelly estava no último ano da faculdade e tinha que entregar uma
monografa. O prazo estava chegando ao fm mas ela estava com difculdades de concluir
o trabalho; embora tivesse escolhido um excelente tema a ser abordado, respaldado por
muito boas literaturas, corroborado por uma extraordinária pesquisa de campo, ela
simplesmente não conseguia terminar. Ela olhou para mim, profundamente desanimada, e
disse que estava pensando em desistir pois não se achava capaz de levar a monografa ao
fm. Levei um choque com as palavras dela e, sem pensar em nada, sem premeditar
nenhum momento de incentivo ou coisa do gênero, sem usar nem um tipo de psicologia
motivadora, apenas retruquei com indignação:
“Você é elogiada pelos professores em suas apresentações na escola desde a
infância até a faculdade. Já é professora há anos e excelente comunicadora. Escolheu um
dos melhores assuntos possíveis e, respaldou seu argumento com literatura de respeito,
com pesquisas de campo e tantas inovações. Você conseguiu me impressionar e cativar
com o assunto de forma impressionante e deixou sua orientadora ainda mais
impressionada. Meu amor, se há alguém capaz de fazer bem este trabalho nesta terra é
você!”
Chegou a ser divertido a instantânea transformação da sua fsionomia e olhar. É
como se, sem palavra alguma, ela estivesse gritando: “É verdade, eu sou capaz! Eu posso,
eu consigo!” Naquele instante ela correu para o computador do escritório e fcou por ali
algumas horas. Quando levantou-se bradou com ares de celebração: “Terminei! Está
pronta! E fcou muuuuuuito bom!”

A FORMA CORRETA DE FALAR

Ao falarmos sobre os deveres dos cônjuges também precisamos reconhecer que, se


uma responsabilidade é negligenciada por um dos cônjuges o outro tem todo o direito de
reivindicar seus direitos. Mas há uma forma correta de fazê-lo. Críticas contínuas,
reclamações repetitivas e cobrança ininterrupta certamente não irão ajudar o casamento de
ninguém a ser aperfeiçoado. A melhor maneira de ajustar a questão dos deveres de cada
cônjuge é através de conversa franca e de encorajamento!
Portanto, devemos aprender a falar com o cônjuge de forma correta. Não estou
dizendo que nunca podemos criticar o comportamento do outro, pois falar a verdade é
bíblico, bem como repreender a quem está no erro. Contudo, as Escrituras nos ensinam a
seguir a verdade EM AMOR (Ef 4.15) e é justamente aqui que encontramos o grande
diferencial! A orientação bíblica é que nossas palavras sejam SEMPRE agradáveis:
“A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis
responder a cada um”.
Colossenses 4.6

Além de agradável, nossa palavra deve ser temperada com sal. Isto fala da
sabedoria de medir as palavras antes de serem ditas. Temperar a comida é uma arte; com
pouco sal ela fca sem graça, com muito fca ruim. Assim como o sal tem que ser bem
dosado, a nossa forma de falar também o deve. E o “tempero” não é generalizado;
precisamos saber como responder a cada um. Cada pessoa tem a sua própria estrutura e
jeito de ser; cada um tem seus limites e emoções diferenciados. Portanto, o “tempero” na
hora de falar também deve ser personalizado.
Quero destacar que o propósito de compartilhar estas verdades não é trazer peso de
culpa ou condenação a ninguém. Sei que tenho progredido nesta área desde o início do
meu casamento até agora; mas também sei que ainda preciso crescer muito! Porém, se não
chegamos a conhecer estas verdades e não nos mantermos conscientes delas depois de tê-
las conhecido, não seremos moldados por Deus em nossa forma de agir. Precisamos gastar
tempo em meditação nestes assuntos da Palavra do Senhor; precisamos orar para que haja
amadurecimento nesta questão. Portanto, espero encorajá-lo no Senhor a buscar mudança
e transformação em vez de despertar o desânimo por não ter ainda alcançado o alvo.

“Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo”.
Provérbios 16.24

Descobri também, com o tempo, que não eram apenas as palavras de elogio e
incentivo que exerciam grande infuência sobre minha esposa. As críticas eram
devastadoras para sua alma. Eram o tipo de palavras que exerciam o tipo de resultado
inverso ao da monografa. Porém, ainda assim, eu sempre argumentava com ela e
defendia a ideia de que a verdade tem que ser dita e que quem está errado tem que ser
corrigido. A Kelly, por sua vez, dizia que não era contra a crítica e a correção em si, mas
com a maneira como eu fazia aquilo. E repetia sempre:
“Não é o quê você fala que me aborrece, é como você fala”.
Confesso que, para mim, era muito difícil entender isto. Um dia ela me pediu:
“Quando você quiser me corrigir, bem que você poderia começar e terminar com
um elogio. Ficaria bem mais fácil”.
Retruquei imediatamente que isto era psicologia barata e que eu me recusava a
jogar este tipo de jogo e fazer aquilo. Porém, um tempo depois, em meu momento de
oração tive uma experiência constrangedora com Deus. Enquanto orava, tive uma forte
impressão em meu espírito. Uma frase muito nítida ecoava dentro de mim:
“Por que você Me acusou de usar de psicologia barata no trato com as pessoas?”
Rapidamente respondi que não tinha feito aquilo com o Senhor. Mas a impressão
continuava 'falando” dentro de mim:
“Você disse à sua esposa que elogiar antes e depois de corrigir é usar de psicologia
barata. E, se você examinar as sete cartas às igrejas da Ásia no livro de Apocalipse, vai
descobrir que Eu agi exatamente desta forma. Logo, você me acusou de usar de psicologia
barata!”
Fiquei chocado. Pedi perdão a Deus. Fui ler as cartas do Apocalipse e constatei a
forma como Jesus se dirigiu às igrejas da Ásia: elogio primeiro, correção depois e elogio
para fnalizar! Por exemplo, veja a carta dirigida à Igreja de Éfeso:
1) ELOGIO: “Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua perseverança; sei que não podes
suportar os maus, e que puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são, e os achaste
mentirosos; e tens perseverança e por amor do meu nome sofreste, e não desfaleceste” (Ap 2.2,3).
2) CORREÇÃO: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois,
donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e removerei
do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres” (Ap 2.4,5).
3) NOVO ELOGIO: “Tens, porém, isto, que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu
também aborreço” (Ap 2.6).
Você vai encontrar o mesmo princípio do elogio ou encorajamento antes da
correção sendo aplicado por Jesus nas demais cartas às igrejas da Ásia. Precisamos
aprender a usar nossas palavras para produzir encorajamento. Muita gente só causa ruína
quando abre sua boca! Mas os justos tem uma forma de falar que fortalece:

“As palavras dos justos dão sustento a muitos, mas os insensatos morrem por falta de
juízo”.
Provérbios 10.21 (NVI)

Tenho aprendido muito destas verdades com o pastor Abe Huber que, mais do que
apenas ser um cavalheiro, alguém polido e bem educado, refete Jesus na sua forma de
tratar as pessoas. Ele, na condição de líder e discipulador, também tem que corrigir as
pessoas. Mas ensina a melhor forma de fazê-lo dando o exemplo do sanduíche. Ele diz que
a correção deve ser algo parecido com o hamburguer: deve ser servido o meio do pão.
Assim como o hamburguer tem um pedaço de pão de cada lado, a correção deve ser
acompanhada de elogios antes e depois da correção...
Isto, além de nos levar a praticar o falar de modo agrádavel (que é uma ordem
bíblica, não uma mera sugestão – Cl 4.6), também vai encorajar a pessoa corrigida – em
vez de só desanimá-la. Pois como disse Charles H. Spurgeon, conhecido como o príncipe
dos pregadores: “A repreensão não deve ser um balde de água fria para congelar o irmão,
nem água fervente para queimá-lo”.
Nenhum relacionamento sobrevive só de elogios. As pessoas são falhas,
imperfeitas, portanto erram. Quando alguém erra precisa ser corrigido! Porém, ninguém
precisa ser desagradável, mesmo que tenha correção ou críticas a fazer. O orientação
bíblica não limita o quê falar ao seu cônjuge, mas modera como você falará com ele!

“A boca do justo produz sabedoria, mas a língua da perversidade será desarraigada. Os


lábios do justo sabem o que agrada, mas a boca dos perversos, somente o mal”.
Provérbios 10.31,32

ENCORAJAMENTO
Lamentavelmente alguns realmente acreditam que ninguém precisa de incentivo e
encorajamento, mas não é isso que o Criador pensa – e ninguém questiona que Ele entende
bem sobre o homem (melhor que o próprio homem). Basta perceber quantas vezes as
Sagradas Escrituras mostram o próprio Deus encorajando seus servos para entender isto!
Observe, por exemplo, como o Senhor fala com Josué:

“Ninguém te poderá resistir todos os dias da tua vida; como fui com Moisés, assim serei
contigo; não te deixarei, nem te desampararei. Sê forte e corajoso, porque tu farás este povo herdar a
terra que, sob juramento, prometi dar a seus pais. Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas,
nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares”.
Josué 1.5,6 e 9

O que o Senhor está dizendo a Josué, seu servo, é basicamente o seguinte: “Você
pode, você consegue! Você não está sozinho para cumprir esta missão, Eu estou contigo e
te capacito. Seja forte e se atreva a confar que Eu te usarei para levar este povo a desfrutar
da promessa que esta nação aguarda por séculos”... Isso é que é encorajamento! Quase
consigo ouvir o brado dos céus a Josué: “Você é o cara”!
Também deveríamos levar em conta que Deus trabalha a questão motivacional. É só
olhar para as abundantes promessas de recompensa aos que O servem! Além do Senhor
encorajar-nos ao trabalho mostrando-nos que podemos cumprir aquilo que nos foi
confado (nossa capacidade de resultado), Ele também motiva-nos lembrando
continuamente que haverá galardão, recompensa (que ao fnal olharemos para trás
reconhecendo que valeu a pena todo esforço e dedicação).
Se o Senhor demonstra (em suas conversas e promessas) que o ser humano precisa
de encorajamento e motivação para realizar a Sua obra, precisamos entender que isto
revela não apenas uma característica divina – que devemos imitar (Ef 5.1) como também
uma necessidade humana de receber encorajamento e motivação – que devemos
compreender melhor.

O PODER DE NOSSAS PALAVRAS

Nossas palavras tem o poder de curar e de ferir. Mas não podemos usá-las de
qualquer forma. O justo e o ímpio se distinguem em muitas coisas e, de acordo com a
Palavra de Deus, não é só no seu caráter e atitudes, mas também na forma de falar:

“A boca do justo é manancial de vida, mas na boca dos perversos mora a violência”.
Provérbios 10.11

Da boca do justo jorra vida; ou seja, palavras que vivifcam, que comunicam vida
espiritual (e mesmo emocional). Por outro lado, da boca do ímpio fui violência (palavras
que ferem, que matam). De acordo com este texto, a violência no lar não é só física, mas
também verbal. E pior: é uma característica do comportamento do ímpio. Confrmando
esta verdade (que palavras ferem ou curam) a Bíblia ainda afrma:
“Alguém há cuja tagarelice é como pontas de espada, mas a língua dos sábios é
medicina”.
Provérbios 12.18

Nossas palavras possuem um poder maior do que conseguimos mensurar. Elas


podem produzir vida ou morte! E isto se aplica a qualquer área da vida de alguém,
embora aqui estejamos chamando a atenção apenas para o poder das palavras em nossa
relação conjugal:

“A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto”.
Provérbios 18.21

Precisamos ter o cuidado com a forma de falar, pois, a maneira errada de falar não
trará dano só a quem nos ouve. O problema também nos atinge! O livro de Provérbios
mostra que guardar a boca (as palavras) é conservar a alma; por outro lado, o muito abrir
os lábios (falar demais) traz ruína para quem fala:

“Do fruto da boca o homem comerá o bem, mas o desejo dos pérfdos é a violência. O que
guarda a boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios a si mesmo se arruína”.
Provérbios 13.2,3

Há momentos em que o silêncio é a maior expressão de sabedoria. Falar com o


coração irado ou exasperado nunca fará bem a ninguém (nem ao que fala). Na hora das
emoções alteradas devemos reter as palavras; quando o espírito estiver sereno, aí é
inteligente falar:

“Quem retém as palavras possui o conhecimento, e o sereno de espírito é homem de


inteligência”.
Provérbios 17.27

As Escrituras ainda nos revelam que falar de modo sereno traz cura enquanto que a
língua perversa, por sua vez, traz mal trato ao íntimo (quebranta o espírito):

“A língua dos sábios adorna o conhecimento, mas a boca dos insensatos derrama a estultícia.
A língua serena é árvore de vida, mas a perversa quebranta o espírito”.
Provérbios 15.2,4

“O homem se alegra em dar resposta adequada, e a palavra, a seu tempo, quão boa é”.
Provérbios 15.23

CONSEQUÊNCIAS DA NOSSA FORMA DE FALAR

A maneira de falarmos que adotamos produzirá consequências. A consciência deste


fato pode nos ajudar a refetir sobre a forma correta de falar e, assim, evitarmos muitos
transtornos e dissabores nos relacionamentos.

“A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira”.


Provérbios 15.1

Quando alguém já está emocionalmente alterado, a maneira branda de falar irá


aplacar seu sentimento e, de acordo com a Palavra de Deus, desviar seu furor. Por outro
lado, uma palavra dura irá suscitar a ira. Portanto, precisamos aprender com a sabedoria
bíblica (bem como com a humildade de Cristo) a sermos brandos em nossa forma de falar.
É por isso que a maior parte das tentativas de discutir a relação terminam em briga.
As emoções já encontram-se carregadas e, para piorar, as palavras duras só aumentam a
ira já represada dentro do cônjuge.
Depois de muitos anos de ministério pastoral e aconselhamento comecei a entender
um pouco mais do porque as mulheres se queixam tanto com seus maridos sobre a forma
de falar. A célebre frase “não é o quê você fala e sim como fala que incomoda” repetida
pelas esposas em todos os lugares, é mais do que uma grande coincidência. É um fato! A
forma de falar tem sido um grande problema para os relacionamentos, especialmente a
forma de falar dos maridos!
Não adianta ser excessivamente duro em exercitar direitos e opiniões. Muitas vezes,
as consequências de nossa falta de sensibilidade no falar são desastrosas! Como disse
antes, tenho aprendido muito nesta área com o pastor Abe Huber, meu discipulador.
Primeiramente tenho aprendido muito através de sua conduta exemplar nesta área, mas
também tenho crescido por meio dos preceitos ensinados. Nunca esqueço o dia em que,
pela primeira vez, o ouvi ensinando sobre este assunto. Ele falou acerca dos efraimitas e
sua forma tempestiva de agir e também falou sobre como dois líderes em Israel lidaram de
forma tão diferentes com estes homens da tribo de Efraim.
A primeira situação acontece com Gideão, logo depois dele vencer os midianitas e
trazer livramento a Israel. Os homens da tribo de Efraim reclamaram com ele por não
terem sido convocados para a guerra, mas ele os abrandou com a sua palavra:

“Então os homens de Efraim lhe disseram: Que é isto que nos fzeste, não nos chamando
quando foste pelejar contra Midiã? E repreenderam-no asperamente. Ele, porém, lhes respondeu:
Que fz eu agora em comparação ao que vós fzestes? Não são porventura os rabiscos de Efraim
melhores do que a vindima de Abiezer? Deus entregou na vossa mão os príncipes de Midiã, Orebe e
Zeebe; que, pois, pude eu fazer em comparação ao que vós fzestes? Então a sua ira se abrandou para
com ele, quando falou esta palavra.”
Juízes 8.1-3

Em outra ocasião, Jefté, também juiz em Israel, teve que lidar com a mesma atitude
dos efraimitas. Porém, sua maneira de falar com eles e lidar com a questão foi bem
diferente da de Gideão. O resultado? Uma tragédia nacional! Uma guerra civil que custou
a morte de mais de quarenta mil pessoas:
“Então os homens de Efraim se congregaram, passaram para Zafom e disseram a Jefté: Por
que passaste a combater contra os amonitas, e não nos chamaste para irmos contigo? Queimaremos
a fogo a tua casa contigo. Disse-lhes Jefté: Eu e o meu povo tivemos grande contenda com os
amonitas; e quando vos chamei, não me livrastes da sua mão. Vendo eu que não me livráveis,
arrisquei a minha vida e fui de encontro aos amonitas, e o Senhor mos entregou nas mãos; por que,
pois, subistes vós hoje para combater contra mim? Depois ajuntou Jefté todos os homens de Gileade,
e combateu contra Efraim, e os homens de Gileade feriram a Efraim; porque este lhes dissera:
Fugitivos sois de Efraim, vós gileaditas que habitais entre Efraim e Manassés. E tomaram os
gileaditas aos efraimitas os vaus do Jordão; e quando algum dos fugitivos de Efraim dizia: Deixai-
me passar; então os homens de Gileade lhe perguntavam: És tu efraimita? E dizendo ele: Não; então
lhe diziam: Dize, pois, Chibolete; porém ele dizia: Sibolete, porque não o podia pronunciar bem.
Então pegavam dele, e o degolavam nos vaus do Jordão. Cairam de Efraim naquele tempo quarenta e
dois mil.”
Juízes 12.1-6

Gideão, com sabedoria, conseguiu abrandar o coração dos efraimitas e evitou


derramamento de sangue. Jefté se viu na obrigação de se defender e sustentar o seu direito
e causou um grande banho de sangue.
No Novo Testamento também vemos que a infexibilidade trouxe grande dano à
Igreja de Jesus, separando dois gigantes do apostolado aos gentios: Paulo e Barnabé...

“Decorridos alguns dias, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar os irmãos por todas as
cidades em que temos anunciado a palavra do Senhor, para ver como vão. Ora, Barnabé queria que
levassem também a João, chamado Marcos. Mas a Paulo não parecia razoável que tomassem consigo
aquele que desde a Panfília se tinha apartado deles e não os tinha acompanhado no trabalho. E
houve entre eles tal desavença que se separaram um do outro, e Barnabé, levando consigo a Marcos,
navegou para Chipre. Mas Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu encomendado pelos irmãos à graça
do Senhor. E passou pela Síria e Cilícia, fortalecendo as igrejas.”.
Atos 15.36-40

Barnabé queria dar uma segunda chance a João Marcos, uma vez que, na primeira
viagem missionária, ele havia desistido logo no começo. Paulo, por sua vez, acreditava
que, justamente por ter desistido, Marcos não poderia ir nesta segunda viagem
missionária. Vejo gente advogando a causa dos dois lados. Há quem defenda o coração de
Barnabé como quem acredita nos outros e há quem defenda a coerência de Paulo de que
viagem missionária não é brincadeira e que, pelo comportamento errado da primeira
viagem, Marcos ainda não estava pronto para a nova convocação.
Eu, particularmente, vejo um pouco de razão em cada um. Mas a questão não é
quem tem a razão; trata-se de sensibilidade. Cada um foi infexível em seu posicionamento
e, pela discussão de quem seria (ou não) um ajudante a mais, perderam a companhia
principal, a parceria que Deus havia gerado desde o início (At 13.2). É preciso entender
que o relacionamento vale mais do que se ter a razão na discussão.
Sabemos que depois houve algum concerto entre eles, pois Paulo, muitos anos
depois, fala de Marcos como tendo sido reintegrado à equipe: “...Toma a Marcos e traze-o
contigo, porque me é muito útil para o ministério” (2 Tm 4.11).
Que o Senhor nos dê graça e nos ensine a comunicar com nosso cônjuge segundo o
Seu coração e os princípios da Sua Palavra!