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AS NOTAS DO KINDLE PARA:

O custo do discipulado: A doutrina da imitação de Cristo


de Jonas Madureira

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16 destaques | 1 nota

Destaque (Amarelo) | Posição 186

Em geral, no contexto cristão, a palavra “discipulado” tem dois sentidos. Um refere-se ao ato de seguir Jesus
(imitar Cristo); o outro, ao ato de ajudar alguém a seguir Jesus (ajudar outros na imitação de Cristo).

Destaque (Amarelo) | Posição 205

um pressupõe o outro: o ato de ajudar alguém a seguir Jesus pressupõe o ato de seguir Jesus. Isso quer dizer que
quem não segue Jesus não pode ajudar pessoas a seguirem Jesus.

Destaque (Amarelo) | Posição 219

Em seu célebre Pensamentos, Blaise Pascal, filósofo e matemático francês, apresentou um interessante
argumento acerca de cálculo de custo, conhecido como Aposta de Pascal.6 O argumento é aparentemente
simples de entender. Considere o seguinte: “se você apostar em X e acertar, ganhará tudo; se apostar em Y e
errar, não ganhará nada nem perderá nada”. Ora, trata-se de uma aposta entre ganhar tudo com X ou não ganhar
nem perder nada com Y. Em qual das opções seria mais racional apostar? Por que escolher Y se só temos a
ganhar com X? Vejamos essa questão a partir de um exemplo mais concreto. Imagine uma discussão entre um
cristão e um materialista filosófico, ou seja, um ateu. De um lado, está o cristão, que defende a existência de vida
após a morte e, por isso, acredita que aquele que morrer sem crer em Jesus será condenado ao inferno. De outro
lado, está o ateu, que diz que não existe vida após a morte e, por isso, a condenação ao inferno não faz sentido.
Nesse caso, diria Pascal, o cristão deveria perguntar ao ateu se ele calculou o custo de sua decisão espiritual. Por
quê? Ora, se o ateu tiver razão, então não haverá vida eterna, tampouco condenação. Tanto o cristão como o ateu
entrarão em um estado de decomposição após a morte e ponto-final. Observe que, nesse cenário, tanto o cristão
como o ateu não ganham nem perdem nada depois da morte. Entretanto, se o cristão tiver razão, crer em Jesus
Cristo e na vida eterna fará toda a diferença. Ou seja, se o cristão tiver razão, haverá um ganho para o cristão e
um prejuízo irreparável para o ateu.

Destaque (Amarelo) | Posição 232

Levando em conta esses dois cenários, o ateu estaria fazendo uma escolha arriscada e calculando mal o custo de
sua decisão. Em suma, de acordo com os cálculos de custo, o cristão faz uma escolha mais prudente que a do
ateu. Ora, a despeito de ser mais prudente, a decisão de seguir Jesus inevitavelmente implica um custo.
Destaque (Amarelo) | Posição 236

Lucas 14.25-35,

Destaque (Amarelo) e nota | Posição 241

Pois qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro para calcular as despesas, para ver se tem
como acabá-la? 29 Para não acontecer que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os
que a virem comecem a zombar dele, 30 dizendo: Este homem começou uma construção e não conseguiu
terminá-la. 31 Ou qual é o rei que, antes de entrar em guerra contra outro rei, não se senta primeiro para
consultar se com dez mil pode ir de encontro ao que vem contra ele com vinte mil? 32 Mas, pelo contrário,
enquanto o outro ainda está longe, manda emissários e pede condições de paz.

Seguir Cristo de verdde pra nao ser mal testemunho

Destaque (Amarelo) | Posição 272

Em diversas passagens dos Evangelhos, o verbo “seguir” pode significar mero movimento físico (Mc 14.13; Jo
11.31), movimento físico de aproximação a Jesus, equivalente a pseudodiscipulado (Mc 14.54), movimento
físico exprimindo adesão íntima a Jesus (Mc 1.18; 2.14; Mt 8.19-22; Jo 1.43) e, em casos relativamente raros,
adesão íntima sem qualquer movimento físico (Jo 8.12).

Destaque (Amarelo) | Posição 277

Jesus tinha muitos seguidores. Mas será que todos os seus seguidores eram realmente seus discípulos? Por
exemplo, se você observar o comportamento das multidões, representadas pelo círculo mais externo, descobrirá
que elas seguiam Jesus mais por interesse e curiosidade do que por consciência do discipulado e do custo
envolvido.

Destaque (Amarelo) | Posição 290

Por outro lado, é óbvio que Jesus não estava interessado nas multidões como hoje um youtuber está interessado
nos zilhões de seguidores de seu canal e de suas redes sociais. A procura de Jesus era por “comprometimento”, e
não meramente por números.

Destaque (Amarelo) | Posição 294

Ora, a manutenção do anonimato é o que faz de qualquer multidão um lugar confortável para aqueles que
desejam seguir Jesus sem compromisso. Isso vale tanto para as multidões dos tempos de Jesus como para as
multidões de nossos dias. Naquele tempo — e também hoje —, associar-se a Jesus significava enfrentar uma
reação quase sempre negativa, e que frequentemente começava em casa, na família, e poderia facilmente tornar-
se uma oposição sistemática dos líderes religiosos, como os fariseus e escribas, por exemplo.
Destaque (Amarelo) | Posição 318

1. O custo do amor A primeira demanda do discipulado é o amor. Não o amor em geral, mas um amor
específico. Em geral, os filósofos concordam que o que determina o tipo de amor que vivenciamos é o objeto
que amamos. Por exemplo, quando amo um time de futebol, como o Palmeiras, por exemplo, eu jamais poderia
amá-lo da mesma forma que amo minha esposa, meus filhos, um animalzinho de estimação e assim por diante.
Para objetos distintos, existem amores distintos. O mesmo vale com relação a Deus. Por exemplo, Agostinho de
Hipona, em Confissões, Livro X, afirma: “Senhor, minha consciência não duvida, antes tem a certeza de que te
amo. Feriste-me o coração com Tua Palavra, desde então te amei. Mas o que amo quando te amo?”.9 A pergunta
de Agostinho é crucial porque podemos amar determinadas coisas como se elas fossem o que de fato não são. É
possível amar de maneira equivocada. Por exemplo, um náufrago numa ilha deserta poderia encontrar, entre os
destroços do avião, uma bola de vôlei, chamá-la de “Wilson” e, em seguida, passar a amá-la como se fosse uma
pessoa, um amigo de longa data. As pessoas podem amar a Deus como se ele fosse de barro ou de metal, ou
como mais uma pessoa importante que disputa nossa atenção em relação às outras. Quando isso acontece — de
alguém amar a Deus como se ele fosse meramente mais uma coisa entre outras ou mais uma pessoa entre outras
—, Deus não está sendo priorizado. Ele é apenas mais um item na agenda. E o que tudo isso tem a ver com
discipulado? O ponto é que o discipulado exige que amemos a Jesus como Deus, e não apenas como uma pessoa
qualquer. Ele certamente é uma pessoa, mas, por ser também Deus, deve ser mais amado do que qualquer outra
pessoa neste mundo. Sem dúvida, ele é homem, mas, porque também é Deus, deve ser o homem mais amado
entre todos, mais amado do que qualquer coisa que exista neste mundo, que ele mesmo criou (Jo 1.1-14; Cl
1.15-20).

Destaque (Amarelo) | Posição 334

Jesus sempre tem a primazia. Como diz Tomás de Kempis: “Jesus quer ser amado acima de tudo [...] ele não
admite rival” (Imitação de Cristo, II,7). Nosso pecado é não reconhecer sua primazia e suas implicações para a
vida. Dito isso, voltemos à afirmação de Jesus, no versículo 26: Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe,
sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu
discípulo. O verdadeiro discípulo ama Jesus como Deus, ou seja, acima da família e de sua própria vida. Só
Deus deve ser amado mais do que amamos nossa família e a nós mesmos. Imagine você que muitos daqueles
que seguiam Jesus anonimamente, no meio daquela grande multidão, estavam hesitando em ter tal
comprometimento com Jesus e com seu ensino porque estavam sob constante ameaça de sua própria família.
Imagine que muitos deles poderiam ter ouvido de seus pais, de seus cônjuges ou até mesmo de toda a família o
seguinte: “Você precisa decidir entre continuar seguindo Jesus ou viver nesta casa. Se você optar pelo Nazareno,
será banido de uma vez por todas dessa família e passaremos a te tratar como inimigo”. Ora, isso não é muito
diferente do que acontece hoje em alguns países de maioria islâmica, onde aqueles que se tornam cristãos são
banidos de suas famílias, perseguidos por causa de sua fé e, por vezes, até martirizados.

Destaque (Amarelo) | Posição 361

O custo do sofrimento A segunda demanda que serve como critério para avaliarmos o custo de seguir Jesus é a
demanda de certo tipo de sofrimento. A passagem do Evangelho de Lucas que estamos analisando reflete a mais
terrível realidade que acompanha o ato de seguir Jesus: a oposição. Desde o início do Evangelho, Lucas parece
chamar a atenção de seus leitores para o fato de que Jesus está, durante todo o tempo, ensinando e enfrentando
oposições ao seu ensino. Essas oposições vêm de todos os lados: das multidões, dos publicanos, dos soldados, de
Herodes, dos religiosos e até mesmo dos demônios. O interessante é que Lucas faz questão de explicitar ao seu
leitor que o próprio Jesus estava consciente da dinâmica dessa oposição, porém, mesmo assim, continuou
ensinando. Isso está bastante evidente no discurso de Jesus após a declaração de Pedro, em Lucas 9.22-25: E
disse: “É necessário que o Filho do homem sofra muitas coisas e seja rejeitado pelos líderes religiosos, pelos
chefes dos sacerdotes e pelos mestres da lei, seja morto e ressuscite no terceiro dia”. Jesus dizia a todos: “Se
alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser
salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a vida por minha causa, este a salvará. Pois que adianta ao homem
ganhar o mundo inteiro, e perder-se ou destruir a si mesmo?” Como podemos notar, Lucas quer que seu leitor
entenda que não apenas Jesus estava consciente da oposição ao seu ensino, mas também que todo aquele que
quisesse seguir Jesus precisaria também estar consciente dos sofrimentos decorrentes desse comprometimento.
Portanto, não é qualquer sofrimento, mas os sofrimentos que decorrem do fato de seguir Jesus. Vejamos o
versículo 27: E aquele que não carrega sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo. Qual era o
significado de “carregar sua cruz” para os primeiros discípulos que ainda não haviam visto Jesus carregar a cruz
até o lugar onde ele seria crucificado? Para eles, a cruz era símbolo de rejeição e humilhação.12 O sujeito que
carregava uma cruz tinha sido banido da sociedade, porque era considerado uma ameaça para todos. Ele deveria
ser eliminado, mas não sem antes passar por um doloroso processo de humilhação e sofrimento. “Carregar sua
cruz” revela que o discipulado de Jesus implica a convivência em um mundo hostil ao evangelho, em uma
cultura que rejeita seus ensinamentos e, por conseguinte, seus discípulos. Por isso, para evitar o enfrentamento
dessa rejeição natural ao discipulado de Jesus, podemos ressignificar a cruz, minimizar o poder confrontador do
evangelho, maquiar a Bíblia e nossas igrejas locais, para que um pseudocristianismo seja aceito pela cultura,
para que sejamos recebidos nas diversas esferas da sociedade, sem “cara feia”, sem sermos tachados de
fanáticos, fundamentalistas e, por que não, de loucos. Quando desprezamos a demanda do sofrimento inerente ao
discipulado, forjamos uma cruz para nós mesmos. Uma cruz que seja do nosso jeito, com as medidas que
julgamos aceitáveis. Medidas que não nos custem nada e que, de preferência, não ofendam a ninguém. Porém,
uma cruz assim, que carregamos segundo nossos termos, não nos humilha o suficiente. A cruz que devemos
carregar é aquela segundo os termos de Jesus e por causa de Jesus. Somente ela nos humilha o suficiente para
nos salvar do amor-próprio. Nas palavras de Lutero: Eis o caminho da cruz: tu não o podes achar; eu tenho que
guiar-te como a um cego. Por isso, nem tu, nem ser humano, nem criatura, mas eu, eu em pessoa, te ensinarei,
através do meu Espírito e Palavra, o caminho que deves trilhar. Não a obra que tu escolhes, não o sofrimento que
tu imaginas, mas sim o caminho e o sofrimento que te é preparado contra a tua escolha, contra teu pensamento e
desejo... A esse segue, a esse te chamo, nele sê discípulo; é tempo oportuno, teu mestre chegou.13 Dito de outra
maneira, para saber se o sofrimento pelo qual estamos passando é a nossa cruz, deveríamos nos perguntar se esse
sofrimento decorre do fato de seguirmos Jesus. Nem todo sofrimento evidencia o verdadeiro discipulado.
Somente o sofrimento que é fruto da obediência a Jesus pode comprovar que somos autênticos seguidores de
Jesus. Mais uma vez: não é o caminho que queremos trilhar, nem o sofrimento que julgamos capazes de
suportar, mas o caminho e o sofrimento que nos foram preparados contra nossa escolha, contra nossa mania de
onipotência, ou seja, contra nosso costume de querer sempre dar as cartas do jogo. Não é Cristo que deve
envolver-se em nossos projetos pessoais. Não é ele que tem de sacrificar seus desejos para se engajar em nossos
empreendimentos. É o contrário. Nós é que devemos nos engajar nos planos que Jesus tem para sua igreja. Nós é
que temos de sofrer ao sacrificarmos nossas agendas em favor da agenda divina. Essa é a segunda demanda, e
ela nos ensina que o custo de seguir Jesus envolve humilhação e sujeição a Deus. Como diz Tomás de Kempis,
“Anda por onde quiseres: não acharás descanso senão na humilde sujeição e obediência” (Imitação de Cristo, I,
9). Antes de concluir seu raciocínio com a terceira demanda, Jesus oferece duas importantes parábolas sobre a
necessidade de avaliarmos o custo do discipulado: as parábolas do construtor e do rei.

Destaque (Amarelo) | Posição 404

i. O tolo construtor A primeira parábola trata do projeto de construção de uma torre. Nas palavras de Jesus, Qual
de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro
suficiente para completá-la? Pois, se lançar o alicerce e não for capaz de terminá-la, todos os que a virem rirão
dele, dizendo: “Este homem começou a construir e não foi capaz de terminar”. Observe que a parábola trata da
importância de avaliar os custos da construção de uma torre antes de iniciar a construção. Antes de começar a
construir a torre, o sábio calcula os gastos que terá. Somente o tolo começa a construir sem avaliar se terá
dinheiro suficiente. Ele simplesmente fica entusiasmado com o projeto e se põe a construir a torre, mesmo sem
avaliar os custos. Resumo da ópera: o dinheiro do tolo acaba antes mesmo de terminar a obra e seu
empreendimento fica como um projeto inacabado, um monumento que celebra seu breve entusiasmo e sua
imensa tolice. Já o sábio é capaz de pensar antes de decidir. Em outras palavras, o que Jesus está dizendo é que a
decisão sábia de segui-lo envolve reflexão, e não apenas entusiasmo. Será que, em nome do crescimento
numérico, temos contribuído para que, em nossas igrejas, haja mais pessoas entusiasmadas com Cristo do que
autênticos discípulos de Jesus? Parece que sim. Entretanto, o que deve estar claro, a esta altura do campeonato, é
que “seguir Jesus” não é o mesmo que, para usar os termos de Darrell Bock, “um convite para todo mundo
participar de um churrasco coletivo”.14 Trata-se, antes, de uma decisão importante na vida. Não é a simples
decisão de mudar de grupo ou de time. É sujeitar-se a Jesus, ao seu senhorio, à sua Palavra, ao seu ensino.
Discipulado é submeter-se a Cristo e não mais viver como se todas as coisas orbitassem ao nosso redor.
Discipulado é autoesquecimento.15

Destaque (Amarelo) | Posição 421

ii. O rei prudente A segunda parábola trata do projeto de construção de uma torre. Nas palavras de Jesus: Ou,
qual é o rei que, pretendendo sair à guerra contra outro rei, primeiro não se assenta e pensa se com dez mil
homens é capaz de enfrentar aquele que vem contra ele com vinte mil? Se não for capaz, enviará uma delegação,
enquanto o outro ainda está longe, e pedirá um acordo de paz. Nessa passagem, Jesus apresenta outro exemplo
da importância de se examinar uma situação antes de se tomar uma decisão. A mudança com relação à primeira
parábola revela-se no tipo de projeto. Enquanto o projeto do construtor é pessoal, o projeto do rei é político e
pressupõe um contexto de conflito. Na primeira parábola, o acento está na tolice do construtor, que não faz o
cálculo dos custos e passa vergonha diante de sua torre inacabada. Na segunda parábola, o acento está na
sabedoria do rei, que, depois de calcular os custos da batalha, percebendo que não venceria a guerra, resolveu
fazer um acordo de paz com o outro rei. Afinal, é melhor render-se e permanecer vivo do que não se render e
morrer no campo de batalha. A sabedoria do rei está em refletir sobre o que é mais importante. Em ambos os
casos, o rei perderia algo: ou a vida ou o domínio. Ele decidiu perder o domínio porque considerava a vida mais
importante do que o poder de governar. Será que o discipulado com Jesus não é assim? Uma decisão em que nos
rendemos, nos submetemos e desistimos de nossa vontade de poder, em prol de algo muito mais valioso? O
discipulado não é tanto sobre como ganhar, mas sobre como perder.

Destaque (Amarelo) | Posição 433

3. O custo do desapego A terceira demanda desfere o último golpe. Trata-se de um golpe fatal em nossa
dependência de todas as coisas que criam em nós um vínculo de pertencimento ao mundo. Os vínculos com as
coisas que possuímos são potencialmente a razão pela qual muitos são incapazes de seguir Jesus. O objetivo do
discipulado é nos conduzir para o reino de Cristo, transformando-nos em peregrinos neste mundo, libertando-nos
da crença de que somos o que possuímos e que temos o domínio sobre nossa família, nossas coisas e até sobre
nós mesmos. Por essa razão, o discipulado é um movimento que deve começar com rendição e submissão a
Jesus e sua Palavra. Os discípulos de Jesus são como plantas que foram removidas com raízes de sua cultura
egocêntrica e que, em seguida, foram transplantadas para a cultura cristocêntrica do reino de Deus: Pois ele nos
resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do seu filho amado, em quem temos a redenção, a
saber, o perdão dos pecados. Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram
criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou
autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas e nele tudo subsiste.
Ele é a cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a
supremacia. (Cl 1.13-18.) Jesus tem a supremacia. Ele é o rei a quem devemos nos render e perder nele todos os
vínculos que nos fazem acreditar que somos senhores de nós mesmos e de tudo à nossa volta. Nas palavras de
Jesus, em Lucas 14.33: Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser
meu discípulo. Como é difícil renunciar a algo que acreditamos possuir. Mas não deveria ser assim. No final das
contas, as coisas que dizemos possuir não nos pertencem. Neste mundo, todas as posses são mera ilusão. Não
possuímos nada daquilo que dizemos possuir. Tudo é dádiva. Tudo que temos vem dele e é para ele. Essa é a
grande diferença entre um cristão e um materialista filosófico. No final do dia, ao ver o pôr do sol, o ateu não
tem a quem agradecer. Sua vida gira em torno de uma mentira. A mentira que o leva a acreditar que ele tem o
que diz que tem. Mas e se ele perder tudo o que diz que tem? O que o manteria vivo? Pense nisto: e se você
perder tudo o que acha que possui? O que será de você sem sua família e seus bens? Imagine que você não
possua mais nenhum tostão. Não tenha mais herança, patrimônio, nem imóveis — imagine que você não tenha
mais nada disso. Tudo o que lhe restou é Jesus apenas. Você acha que, mesmo assim, conseguiria viver feliz? As
respostas que dermos a essas perguntas sinalizarão se estamos seguindo Jesus ou se estamos perdidos no meio de
uma multidão que segue e observa Jesus sem, contudo, se comprometer com ele (Lc 23.27 e 35). Observe o que
Tomás de Kempis diz: “Procura a Jesus em todas as coisas, e Jesus acharás. Se te buscas a ti mesmo, também te
acharás, mas para a tua ruína” (Imitação de Cristo, II,7). Em Cristo, nossa identidade e personalidade são
redimidas. E isso tem muito a ver com nossos desejos, com o que realmente amamos. Somos o que desejamos.
Somos o que amamos. O apego que temos pelas coisas que nos custam a vida, digamos assim, é o que nos define
(Sl 115.8). Por isso, nossa verdadeira identidade aguarda pelo desapego de tudo o que nos deforma. E, por mais
que as coisas que amamos sejam maravilhosas, se nossa vida depender delas, então nossa identidade e
personalidade estarão deformadas. E, mesmo depois de nos desapegarmos de todas as coisas, ainda assim haverá
a última coisa. Aquela da qual mais sentiremos dificuldade de nos desapegar: nosso eu. Não nosso verdadeiro
eu, mas nosso falso eu; aquele eu que não passa de uma quimera, uma paródia narcisista de nossa verdadeira
identidade. Quando isso acontecer, quando o falso eu for negado, veremos que o conhecimento de Deus salvará
nossos rostos. O discipulado já não será mais uma mera assimilação de doutrinas desconectadas da vida, mas, ao
contrário, doutrina e vida se tornarão uma só carne.

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