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Sandra Mara Dobjenski

XXV EXAME DA OAB


DIREITO CONSTITUCIONAL
11. Todos os dispositivos da Lei Y, promulgada no ano de 1985, possuem total
consonância material e formal com a Constituição de 1967, com a redação dada
pela Emenda Constitucional nº 1/1969.
No entanto, o Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso extraordinário,
constatou que, após a atuação do Poder Constituinte originário, que deu origem à
Constituição de 1988, o Art. X da mencionada Lei Y deixou de encontrar suporte
material na atual ordem constitucional.
Sobre esse caso, segundo a posição reconhecida pela ordem jurídico-constitucional
brasileira, assinale a afirmativa correta.
A Ocorreu o fenômeno conhecido como “não recepção”, que tem por
consequência a revogação do ato normativo que não se compatibiliza
materialmente com o novo parâmetro constitucional.
B Ao declarar a inconstitucionalidade do Art. X à luz do novo parâmetro
constitucional, devem ser reconhecidos os naturais efeitos retroativos (ex tunc)
atribuídos a tais decisões.
C Na ausência de enunciado expresso, dá-se a ocorrência do fenômeno
denominado “desconstitucionalização”, sendo que o Art. X é tido como inválido
perante a nova Constituição.
D Terá ocorrido o fenômeno da inconstitucionalidade formal superveniente, pois o
Art. X, constitucional perante a Constituição de 1967, tornou-se inválido com o
advento da Constituição de 1988.
FUNDAMENTAÇÃO: Fenômeno da recepção é quando uma norma de uma
constituição velha tem compatibilidade MATERIAL com a constituição nova,
ocorrendo a recepção, caso contrário ocorrerá a não recepção da norma.
Para ter controle de constitucionalidade, é necessário que a norma esteja em
vigor, se ela não estiver em vigor o fenômeno é da recepção ou da não
recepção.
Não existe desconstitucionalização e nem inconstitucionalidade superveniente
no Direito Brasileiro.
Sandra Mara Dobjenski

Todas as normas infraconstitucionais que forem compatíveis com a nova


Constituição serão recepcionadas.
Todas as normas infraconstitucionais que forem compatíveis com a nova
Constituição serão recepcionadas. A contrário sensu, caso sejam
incompatíveis, serão revogadas por ausência de recepção.
O processo de recepção analisa o conteúdo material e o tempo em que o ato
foi promulgado (antes ou depois da constituição).
Recepção: Quando uma nova Constituição entra em vigor ela recebe como
válida as normas infraconstitucionais preexistentes que forem materialmente
compatíveis com ela.
Não recepção: Quando uma nova Constituição entra em vigor as normas
infraconstitucionais preexistentes que com ela não forem materialmente
compatíveis não serão recebidas como válida pelo nova ordem constitucional.
Obs: Para o STF a não recepção equivale a revogação.
Desconstitucionalização: A nova ordem constitucional recebe disposições da
Constituição anterior, porém com “status” de lei ordinária.
Requisitos: - Previsão Expressa.
- O dispositivo a ser desconstitucionalizado deve ser apenas
formalmente constitucional: pois este sempre foi “disposição própria de lei
ordinária” por seu conteúdo. Obs: Logo, as normas materialmente
constitucionais não podem ser desconstitucionalizadas.
Prorrogação (recepção material de normas constitucionais): A nova ordem
constitucional recebe disposições da Constituição anterior com “status” de
norma constitucional.
Requisitos: - Previsão Expressa.
- Caráter Precário: as normas objeto da prorrogação somente
podem ter caráter temporário, pois servem como meio de transição entre a
ordem constitucional anterior e a nova.
O STF não admite a teoria da inconstitucionalidade superveniente de ato
normativo produzido antes da nova Constituição e perante o novo paradigma.
12. O chefe do Poder Executivo do município Ômega, mediante decisão
administrativa, resolve estender aos servidores inativos do município o direito ao
Sandra Mara Dobjenski

auxílio-alimentação, contrariando a Súmula Vinculante nº 55 do Supremo Tribunal


Federal.
Para se insurgir contra a situação apresentada, assinale a opção que indica a
medida judicial que deve ser adotada.
A Ação Direta de Inconstitucionalidade, perante o Supremo Tribunal Federal, com o
objetivo de questionar o decreto.
B Mandado de injunção, com o objetivo de exigir que o Poder Legislativo municipal
edite lei regulamentando a matéria.
C Reclamação constitucional, com o objetivo de assegurar a autoridade da
súmula vinculante.
D Habeas data, com o objetivo de solicitar explicações à administração pública
municipal.
.FUNDAMENTAÇÃO: Art. 103-A, § 3º, da CF : Ato administrativo ou decisão
judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar,
caberá reclamação ao STF .
Enunciado do art. 7º da lei 11.417/2006: “Da decisão judicial ou do ato
administrativo que contrariar enunciado de súmula vinculante, negar-lhe
vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação ao Supremo Tribunal
Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de
impugnação".
Ação Direta de Inconstitucionalidade, perante o Supremo Tribunal Federal,
com o objetivo de questionar o decreto.
Mandado de injunção, com o objetivo de exigir que o Poder Legislativo
municipal edite lei regulamentando a matéria.
Reclamação constitucional, com o objetivo de assegurar a autoridade da
súmula vinculante.
Habeas data, com o objetivo de solicitar explicações à administração pública
municipal.
13. Por entender que o voto é um direito, e não um dever, um terço dos membros da
Câmara dos Deputados articula proposição de emenda à Constituição de 1988, no
sentido de tornar facultativo a todos os cidadãos o voto nas eleições a serem
realizadas no país.
Sandra Mara Dobjenski

Sabendo que a proposta gerará grande polêmica, o grupo de parlamentares resolve


consultar um advogado especialista na matéria.
De acordo com o sistema jurídico-constitucional brasileiro, assinale a opção que
indica a orientação correta a ser dada pelo advogado.
A Não é possível sua supressão por meio de Emenda Constitucional, porque o voto
obrigatório é considerado cláusula pétrea da Constituição da República, de 1988.
B Não há óbice para que venha a ser objeto de alteração por via de Emenda
Constitucional, embora o voto obrigatório tenha estatura constitucional.
C Para que a proposta de Emenda Constitucional seja analisada pelo Congresso
Nacional, é necessária manifestação de um terço de ambas as Casas.
D A emenda, sendo aprovada pelo Congresso Nacional, somente será promulgada
após a devida sanção presidencial.
.FUNDAMENTAÇÃO: Emendas Constitucionais
Conforme dispõe o art. 60 a Constituição poderá ser emendada mediante
proposta:
• I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do
Senado Federal;
• II - do Presidente da República;
• III - de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da
Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus
membros.
Não poderá ser emendada:
§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção
federal, de estado de defesa, estado de sítio.
Votação: § 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso
Nacional, em dois turnos, considerando
se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos
membros.
Promulgação: § 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de
ordem.
Sandra Mara Dobjenski

Limitação Material: Pode ser proposta emenda constitucional tratando de


algum tema, o que não pode é abolir matérias de cláusulas pétreas. Não será
objeto de deliberação tendente a abolir as matérias nas cláusulas pétreas.
Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
• I - a forma federativa de Estado;
• II - o voto direto, secreto, universal e periódico; voto obrigatório não se
enquadra, não é cláusula pétrea
• III - a separação dos Poderes;
• IV - os direitos e garantias individuais.
§ 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por
prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão
legislativa.
Limitação Circunstancial: Não poderá ser emendada:
§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção
federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.
O voto obrigatório não é cláusula pétrea!
Logo poderá ser facultado, a emenda do caso não é para abolir.
Art. 60, CF/88 § 4º Não será objeto de deliberação a proposta
de emenda tendente a abolir:
II - o voto direto, secreto, universal e periódico".
14. Após uma vida dura de trabalho, Geraldo, que tem 80 anos, encontra-se doente
em razão de um problema crônico nos rins e não possui meios de prover a própria
manutenção.
Morando sozinho e não possuindo parentes vivos, sempre trabalhou, ao longo da
vida, fazendo pequenos biscates, jamais contribuindo com a previdência social.
Instruído por amigos, procura um advogado para saber se o sistema jurídico-
constitucional prevê algum meio assistencial para pessoas em suas condições.
O advogado informa a Geraldo que, segundo a Constituição Federal,
A é garantido o amparo à velhice somente àqueles que contribuíram com a
seguridade social no decorrer de uma vida dedicada ao trabalho.
Sandra Mara Dobjenski

B é assegurado o auxílio de um salário mínimo apenas àqueles que comprovem,


concomitantemente, ser idosos e possuir deficiência física impeditiva para o
trabalho.
C seria garantida a prestação de assistência social a Geraldo caso ele comprovasse,
por intermédio de laudos médicos, ser portador de deficiência física.
D há previsão, no âmbito da seguridade social, de prestação de assistência
social a idosos na situação em que Geraldo se encontra.
FUNDAMENTAÇÃO: Art. 203, I, e V, da CF/88: “A assistência social será
prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à
seguridade social, e tem por objetivos: I - a proteção à família, à maternidade, à
infância, à adolescência e à velhice; V - a garantia de um salário mínimo de
benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem
não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua
família, conforme dispuser a lei”. No caso em questão Geraldo tem direito ao
benefício assistencial mesmo não tendo contribuído para previdência, por ser
idoso com problemas de saúde e sem condições para prover o próprio
sustento.
15. Jean Oliver, nascido em Paris, na França, naturalizou-se brasileiro no ano de
2003. Entretanto, no ano de 2016, foi condenado, na França, por comprovado
envolvimento com tráfico ilícito de drogas (cocaína), no território francês, entre os
anos de 2010 e 2014. Antes da condenação, em 2015, Jean passou a residir no
Brasil.
A França, com quem o Brasil possui tratado de extradição, requer a imediata
extradição de Jean, a fim de que cumpra, naquele país, a pena de oito anos à qual
foi condenado.
Apreensivo, Jean procura um advogado e o questiona acerca da possibilidade de o
Brasil extraditá-lo. O advogado, então, responde que, segundo o sistema jurídico-
constitucional brasileiro, a extradição
A não é possível, já que, a Constituição Federal, por não fazer distinção entre o
brasileiro nato e o brasileiro naturalizado, não pode autorizar tal procedimento.
B não é possível, pois o Brasil não extradita seus cidadãos nacionais naturalizados,
por crime comum praticado após a oficialização do processo de naturalização.
Sandra Mara Dobjenski

C é possível, pois a Constituição Federal prevê a possibilidade de extradição


em caso de comprovado envolvimento com tráfico ilícito de drogas, ainda que
praticado após a naturalização.
D é possível, pois a Constituição Federal autoriza que o Brasil extradite qualquer
brasileiro quando comprovado o seu envolvimento na prática de crime hediondo em
outro país.
FUNDAMENTAÇÃO: Art. 5 º, LI, da CR: nenhum brasileiro será extraditado, salvo
o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou
de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas
afins, na forma da lei. Nesse sentido Jean Oliver, na condição de brasileiro
naturalizado, pode ser extraditado em caso de comprovado envolvimento com
tráfico ilícito de drogas.
Art. 5º, LII - Não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou
de opinião.
Lembre-se: só existe extradição de brasileiro NATURALIZADO.
O naturalizado será extraditado quando:
 praticar crime comum, antes da naturalização
 tráfico de drogas antes ou após a naturalização
16. O Estado Alfa deixou de aplicar, na manutenção e no desenvolvimento do
ensino, o mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida
a proveniente de transferências.
À luz desse quadro, algumas associações de estudantes procuram um advogado e o
questionam se, nessa hipótese, seria possível decretar a intervenção federal no
Estado Alfa.
Com base na hipótese narrada, assinale a afirmativa correta.
A A intervenção federal da União no Estado Alfa pode ser decretada, ex officio, pelo
Presidente da República.
B A intervenção federal não é possível, pois, por ser um mecanismo excepcional, o
rol previsto na Constituição que a autoriza é taxativo, não contemplando a situação
narrada.
C A intervenção da União no Estado Alfa dependerá de requerimento do
Procurador-Geral da República perante o Supremo Tribunal Federal.
Sandra Mara Dobjenski

D A intervenção federal não seria possível, pois a norma constitucional que exige a
aplicação de percentual mínimo de receita na educação nunca foi regulamentada.
FUNDAMENTAÇÃO: União=> Estados
Procurador Geral da República + Ação Interventiva junto ao STF, este
requisitará o Presidente da República para decretar a intervenção.
Estados=>Municípios
Procurador Geral de Justiça + Ação interventiva junto ao TJ, este requisitará
ao Governador do Estado para decretar a intervenção.
Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto
para:
I - manter a integridade nacional;
II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra;
III - pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;
IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da
Federação;
V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que:
a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos
consecutivos, salvo motivo de força maior;
b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta
Constituição dentro dos prazos estabelecidos em lei;
VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial;
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:
a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático;
b) direitos da pessoa humana;
c) autonomia municipal;
d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta.
Art. 36. A decretação da intervenção dependerá: [...]
I - no caso do art. 34, IV, de solicitação do Poder Legislativo ou do Poder
Executivo coacto ou impedido, ou de requisição do Supremo Tribunal Federal,
se a coação for exercida contra o Poder Judiciário; (Se para garantir o livre
exercício de qualquer dos poderes das unidades da Federação (PODER
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LEGISLATIVO OU EXECUTIVO) = SOLICITAÇÃO do próprio poder coacto ou


impedido).
II - no caso de desobediência a ordem ou decisão judiciária, de requisição do
Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do Tribunal
Superior Eleitoral; (Se para garantir o livre exercício de qualquer dos poderes
das unidades da Federação (PODER JUDICIÁRIO) = REQUISIÇÃO DO STF).
III - de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de representação do
Procurador-Geral da República, na hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa
à execução de lei federal. (No caso de desobediência à ordem ou decisão
judiciária= REQUISIÇÃO DO STF ou do STJ ou do TSE)
No caso de assegurar a observância dos princípios constitucionais ou recusa
à lei federal= PROVIMENTO DO STF + PROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA.
REGRA: Não intervenção.
Exceção:
Para assegurar a observância dos princípios constitucionais.
No caso de não aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos
estaduais, caberá intervenção.
Porém, para que haja a decretação é preciso PROVIMENTO pelo STF, com
representação do PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS + STF: GUARDIÃO DA CF + PROCURADOR
GERAL DA REPÚBLICA
17. Policiais militares do estado Y decidiram entrar em greve em razão dos atrasos
salariais e por considerarem inadequadas as condições de trabalho. Em razão desse
quadro, a Associação de Esposas e Viúvas dos Policiais Militares procura um
advogado para saber da constitucionalidade dessa decisão dos policiais militares.
Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta.
A Compete aos referidos policiais militares decidir sobre a oportunidade de exercer o
direito de greve, que lhes é assegurado pela CRFB/88.
B O direito de greve pode ser livremente exercido pelos policiais militares estáveis,
mas aqueles que estiverem em estágio probatório podem ser demitidos por falta
injustificada ao serviço.
Sandra Mara Dobjenski

C O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é-lhes


vedado, pois sua atividade é essencial à segurança da sociedade, tal qual
ocorre com os militares das Forças Armadas.
D O direito de greve dos servidores públicos ainda não foi regulamentado por lei
específica, o que torna a decisão constitucionalmente incorreta.
FUNDAMENTAÇÃO : Ao militar são proibidas a sindicalização e a greve. Em
contrapartida, É garantido ao servidor público civil o direito à
livre associação sindical;
“O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado
aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na
área de segurança pública”.
Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela
Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas
com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do
Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos
poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.
§ 3º Os membros das Forças Armadas são denominados militares, aplicando-
se-lhes, além das que vierem a ser fixadas em lei, as seguintes disposições:
IV - ao militar são proibidas a sindicalização e a greve;
DIREITOS HUMANOS
18. Você foi procurado, como advogado(a), por representantes de um Centro de
Defesa dos Direitos Humanos, que lhe informaram que o governador do estado,
juntamente com o ministro da justiça do país, estavam articulando a expulsão
coletiva de um grupo de haitianos, que vive legalmente na sua cidade.
Na iminência de tal situação e sabendo que o Brasil é signatário da Convenção
Americana sobre os Direitos Humanos, assinale a opção que indica, em
conformidade com essa convenção, o argumento jurídico a ser usado.
A Um decreto do governador combinado a uma portaria do ministro da justiça
constituem fundamento jurídico suficiente para a expulsão coletiva, segundo a
Convenção acima citada. Portanto, a única solução é política, ou seja, fazer
manifestações para demover as autoridades desse propósito.
Sandra Mara Dobjenski

B A Convenção Americana sobre os Direitos Humanos é omissa quanto a esse


ponto. Portanto, a única alternativa é buscar apoio em outros tratados internacionais,
como a Convenção das Nações Unidas, relativa ao Estatuto dos Refugiados,
também conhecida como Convenção de Genebra, de 1951.
C A expulsão coletiva de estrangeiros é permitida, segundo a Convenção Americana
sobre os Direitos Humanos, apenas no caso daqueles que tenham tido condenação
penal com trânsito em julgado, o que não foi o caso dos haitianos visados pelos
propósitos do governador e do ministro, uma vez que eles vivem legalmente na
cidade.
D A pessoa que se ache legalmente no território de um Estado tem direito de
circular nele e de nele residir em conformidade com as disposições legais.
Além disso, é proibida a expulsão coletiva de estrangeiros.
FUNDAMENTAÇÃO: O direito de circulação e residência é protegido pela
Convenção Americana sobre Direitos Humanos em seu art. 22, que prevê que:
"1. Toda pessoa que se ache legalmente no território de um Estado tem direito
de circular nele e de nele residir em conformidade com as disposições legais.
[...]
2. Toda pessoa tem o direito de sair livremente de qualquer país, inclusive
do próprio.
3. O exercício dos direitos acima mencionados não pode ser restringido
senão em virtude de lei, na medida indispensável, numa sociedade
democrática, para prevenir infrações penais ou para proteger a segurança
nacional, a segurança ou a ordem públicas, a moral ou a saúde públicas, ou os
direitos e liberdades das demais pessoas.
4. O exercício dos direitos reconhecidos no inciso 1 pode também ser
restringido pela lei, em zonas determinadas, por motivo de interesse público.
5. Ninguém pode ser expulso do território do Estado do qual for nacional,
nem ser privado do direito de nele entrar.
6. O estrangeiro que se ache legalmente no território de um Estado Parte
nesta Convenção só poderá dele ser expulso em cumprimento de decisão
adotada de acordo com a lei.
Sandra Mara Dobjenski

7. Toda pessoa tem o direito de buscar e receber asilo em território


estrangeiro, em caso de perseguição por delitos políticos ou comuns conexos
com delitos políticos e de acordo com a legislação de cada Estado e com os
convênios internacionais.
8. Em nenhum caso o estrangeiro pode ser expulso ou entregue a outro
país, seja ou não de origem, onde seu direito à vida ou à liberdade pessoal
esteja em risco de violação por causa da sua raça, nacionalidade, religião,
condição social ou de suas opiniões políticas.
9. É proibida a expulsão coletiva de estrangeiros.
19. O governo federal autorizou uma mineradora a prospectar a exploração dos
recursos existentes nas terras indígenas. Numerosas instituições da sociedade civil
contratam você para, na condição de advogado, atuar em defesa da comunidade
indígena.
Tendo em vista tal fato, além do que determina a Convenção 169 da OIT Sobre
Povos Indígenas e Tribais, assinale a afirmativa correta.
A O governo deverá estabelecer ou manter procedimentos com vistas a
consultar os povos indígenas interessados, a fim de determinar se os
interesses desses povos seriam prejudicados e em que medida, antes de
empreender ou autorizar qualquer programa de prospecção ou exploração dos
recursos existentes em suas terras.
B A prospecção e a exploração dos recursos naturais em terras indígenas pode
ocorrer independentemente da autorização e da participação dos povos indígenas
nesse processo, desde que haja uma indenização por eventuais danos causados em
decorrência dessa exploração.
C A prospeção e a exploração das riquezas naturais em terras indígenas podem
ocorrer mesmo sem a participação ou o consentimento dos povos indígenas
afetados. No entanto, esses povos têm direito a receber a metade do valor obtido
como lucro líquido resultante dessa exploração.
D Se a propriedade dos minérios ou dos recursos do subsolo existentes na terra
indígena pertencerem ao Estado, o governo não está juridicamente obrigado a
consultar os povos interessados. Nesse caso, restaria apenas a mobilização política
como estratégia de convencimento.
Sandra Mara Dobjenski

FUNDAMENTAÇÃO: Convenção no 169 da Organização Internacional do


Trabalho - OIT sobre Povos Indígenas e Tribais.
Artigo 6.
1. Ao aplicar as disposições da presente Convenção, os governos deverão:
a) consultar os povos interessados, mediante procedimentos apropriados e,
particularmente, através de suas instituições representativas, cada vez que
sejam previstas medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-
los diretamente;
Artigo 15.
2. Em caso de pertencer ao Estado a propriedade dos minérios ou dos
recursos existentes nas terras, os governos deverão estabelecer ou manter
procedimentos com vistas a consultar os povos interessados, a fim de se
determinar se os interesses desses povos seriam prejudicados, e em que
medida, antes de se empreender ou autorizar qualquer programa de
prospecção ou exploração dos recursos existentes nas suas terras. os povos
interessados deverão receber indenização equitativa por qualquer dano que
possam sofrer como resultado dessas atividades.
DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO
20. Ernesto concluiu o doutorado em Direito em prestigiosa universidade situada em
Nova York, nos Estados Unidos, e pretende fazer concurso para o cargo de
professor em uma universidade brasileira. Uma das exigências para a revalidação
do seu diploma estrangeiro é que este esteja devidamente legalizado. Essa
legalização de documento estrangeiro deverá ser feita mediante
A o apostilamento pela Convenção da Apostila de Haia, da qual Brasil e
Estados Unidos fazem parte.
B a consularização no consulado brasileiro em Nova York.
C a notarização em consulado norte-americano no Brasil.
D o apostilamento pela Convenção da Apostila de Haia, no consulado brasileiro.
FUNDAMENTAÇÃO: Resolução 228 de 22/06/2016:
Art. 1º A legalização de documentos produzidos em território nacional e
destinados a produzir efeitos em países partes da Convenção sobre a
Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros
Sandra Mara Dobjenski

(Convenção da Apostila) será realizada, a partir de 14 de agosto de 2016,


exclusivamente por meio da aposição de apostila, emitida nos termos desta
Resolução.
Decreto nº 8.660 de 29/01/2016:
Art. 1º Fica promulgada a Convenção sobre a Eliminação da Exigência de
Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros, firmada em Haia, em 5 de
outubro de 1961, anexa a este Decreto.
CONVENÇÃO SOBRE A ELIMINAÇÃO DA EXIGÊNCIA DE LEGALIZAÇÃO DE
DOCUMENTOS PÚBLICOS ESTRANGEIROS
Artigo 1º
A presente Convenção aplica-se a documentos públicos feitos no território de
um dos Estados Contratantes e que devam produzir efeitos no território de
outro Estado Contratante.
A) o apostilamento pela Convenção da Apostila de Haia, da qual Brasil e
Estados Unidos fazem parte.
A legalização de documento estrangeiro deverá ser feita através do
apostilamento, pela Convenção da Apostila de Haia, da qual Brasil e Estados
Unidos fazem parte.
Apostilamento é a legalização de documento produzidos em território
estrangeiro ou brasileiro, para produzirem efeitos em países que são parte da
Convenção da Apostila de Haia.

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