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TEXTO ARGUMENTATIVO

O texto argumentativo é aquele cujo objectivo consiste, através da técnica da


argumentação, convencer, persuadir, utilizando argumentos lógicos para demonstrar e
provar algo de modo a que o destinatário pense como nós.

Desde que o homem passou a habitar a face da Terra, sempre se preocupou em


explicar as suas convicções embora muitas vezes de forma empírica, todavia fica este
registo. Na Antiguidade, filósofos como Sócrates, os Sofistas, Aristóteles, Cícero entre
outros, foram grandes eloquentes, verdadeiros pilares da argumentação.

As qualidades principais do discurso argumentativo são o rigor, a clareza, a


objectividade, a coerência, a sequencialização e a riqueza lexical dando assim origem
à Retórica que é a arte de bem dizer.

Um texto argumentativo deve basear-se em provas, dando exemplos irrefutáveis,


capazes de convencer com facilidade.

Este texto é utilizado sobretudo em sermões, discursos políticos, palestras e


debates.

Estrutura do texto argumentativo


-Introdução - deve ser breve e apresentar informações intimamente ligadas ao tema
em abordagem. Pode ser feita através de uma afirmação, uma pergunta, uma
retrospectiva histórica, dados estatísticos ou mesmo uma narração.

-Desenvolvimento - contém os argumentos e, por vezes, os contra-argumentos,


seguidos de exemplos. Cada argumento deve ser desenvolvido num parágrafo distinto.

-Conclusão deve ser breve. Retoma a afirmação inicial provada ou contrariada.


Aqui, devemos reforçar a nossa opinião a respeito do tema abordado. Não devemos incluir
assuntos que não tenham sido debatidos.

EXEMPLO DE TEXTO ARGUMENTATIVO

O Papel da Televisão na Vida dos Jovens

A televisão tem uma grande influência na formação pessoal e social das crianças e
dos jovens. Funciona como um estímulo que condiciona os comportamentos, positiva ou
negativamente.

A televisão difunde programas educativos edificantes, tais como os documentários


sobre História, Ciências, informação sobre actualidade, divulgação de novos
produtos…Todavia, a televisão exerce também uma influência negativa, ao exibir
modelos, cujas características são inatingíveis pelas crianças e jovens em geral. As suas
qualidades físicas são amplificadas, os defeitos esbatidos, criando-se a imagem do herói
/ heroína perfeitos. Esta construção produz sentimentos de insatisfação do eu consigo

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mesmo e de menosprezo pelo outro. A violência é outro aspecto negativo da televisão,
em geral. As crianças/jovens tendem a imitar os comportamentos violentos dos heróis, o
que pode colocar em risco a vida dos mesmos. O mesmo acontece com o visionamento
de cenas de sexo. As crianças formam uma imagem destorcida da sua sexualidade,
potenciando a prática precoce de sexo e suscitando distúrbios afectivos.

Em jeito de conclusão, é legítimo que se imponha às estações de televisão uma


restrição de exibição de material violento ou desajustado à faixa etária nas suas grelhas
de programação, dado que a exposição a este tipo de conteúdos é extremamente
prejudicial no desenvolvimento das crianças e dos jovens, pois, tal como diz o povo,
“violência só gera violência”.

Os conectores ou articuladores de discurso


Os conectores ou articuladores que abaixo passamos a apresentar auxiliam
na construção do discurso, devendo ser necessário o domínio do momento em
que cada um deles deve ser usado.

Adição E, pois, além disso, e ainda, não só…mas também, por um lado…
por outro (lado)
Causa Pois, pois que, porque, por causa de, dado que, já que, uma vez
que, porquanto
Certeza É evidente que, certamente, decerto, com toda a certeza,
naturalmente, evidentemente
Consequência Por tudo isto, de modo que, tanto… que, de tal forma que
Conclusão Portanto, logo, enfim, em conclusão, concluindo, em suma
Chamar a atenção Note-se que, atente-se em, repare-se, veja-se, constate-se
Dúvida Talvez, é provável, é possível, provavelmente, possivelmente,
porventura
Enfatizar Efectivamente, com efeito, na verdade, como vimos
Esclarecer (não) significa isto que, quer isto dizer, não se pense que, com isto
não pretendemos
Exemplificar Por exemplo, isto é, como se pode ver, é o caso de, é o que se
passa com
Fim Para, para que, com o intuito de, a fim de, com o objectivo de
Hipótese, condição Se, a menos que, supondo que, (mesmo) admitindo que, salvo se,
excepto se
Ligação espacial Ao lado, sobre, à esquerda, no meio, naquele lugar, o lugar onde
Ligação temporal Após, antes, depois, em seguida, seguidamente, até que, quando
Opinião A meu ver, estou em crer que, em nosso entender, parece-me que
Oposição, restrição Mas, apesar de, no entanto, porém, contudo, todavia, por outro
lado
Reafirmação, Por outras palavras, ou melhor, ou seja, em resumo, em suma
resumo
Semelhança Do mesmo modo, tal como, assim como, pela mesma razão

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USO DA VÍRGULA
a) Para isolar topônimos (nomes próprios relacionados com um determinado lugar),
seguidos de sua respectiva data.
Exemplo: Luanda, 18 de Abril de 2021.
b) Separar orações coordenadas assindéticas (isentas de conectivos que as liguem).
Exemplo: O Paulo estudou, comeu, descansou.
c) Separar orações coordenadas sindéticas iniciadas pelas conjunções adversativas,
alternativas, conclusivas ou explicativas.
Exemplos:

Estudei tanto, mas tive negativa.


Ou ficas comigo, ou desapareces para sempre.
O José é homem, logo é mortal.
Não me sinto bem ao teu lado, pois pareces perigoso.

d) Isolar expressões explicativas, correctivas ou continuativas representadas por: isto


é, por exemplo, ou seja, aliás, entre outras.
Exemplos:
A violência social é um fato grave, ou melhor, assustador.
Pretendo despachar os documentos em breve, isto é, na próxima semana.
e) Separar apostos e vocativos em uma oração.
Exemplos:
A Ana, minha melhor amiga, viaja amanhã.
Mãe, posso sair?
f) Separar um adjunto adverbial antecipado ou intercalado entre o discurso.
Exemplos:
Naqueles tempos, eu não sabia que a vida seria dura.
Eu não sabia, naqueles tempos, que a vida seria dura.
g) Indicar a supressão de um verbo subentendido na oração (recurso linguístico
caracterizado pela elipse):
Exemplo:
Eu vivo em Viana e ele, na Samba.
h) Numa enumeração:
Exemplo: O colega trouxe um livro, dois cadernos, lápis, borracha e outros materiais.

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i) Separar orações subordinadas adjectivas explicativas.
Exemplo:
António de Sousa, que foi um grande amigo do meu irmão, escreveu muitos livros.
j) Separar oração subordinada quando anteposta à oração principal.
Exemplo:
Quando o meu irmão chegar, passarei o tempo todo a estudar.

NÃO SE USA A VÍRGULA


a) Para separar o sujeito do predicado
Exemplo:
Os nossos alunos ficaram animados com o resultado.
b) Para separar o predicado dos seus complementos (directo e indirecto)
Exemplos:
Nós comprámos uma casa (complemento directo).
O professor referiu-se a si (complemento indirecto).

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