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ECONOMIA

PROFESSOR DANIEL SOUSA

AULA 10 – INDUSTRIALIZAÇÃO ANOS 1930 E 1940

1. ECONOMIA NA ERA VARGAS

 É importante perceber que a Era Vargas representa uma inflexão.

 Getúlio entra com um discurso de romper com a dependência da economia brasileira em


relação ao café, no entanto, ele reconhece que essa dependência era tanta que o governo
precisava fazer algo, e isso seria defender o café.

 E para isso, ele vai manter um câmbio fixo, mas não vai ter mais nenhuma relação com o
padrão-ouro; e a partir de 1931 o governo decreta que só o Banco do Brasil vende moeda
estrangeira (monopólio do Banco do Brasil), e vende pelo câmbio que o governo decreta
(discricionário).

 Nesse sentido, o governo vai aumentar os gastos públicos, vai comprar café e vai queimar.
Isso faz o preço subir, o que vai gerar impacto sobre as exportações líquidas, bem como sobre
a acumulação primitiva de capital, e sobre a arrecadação de impostos, e sobre o
transbordamento para o mercado consumidor. Esse vai ser o indutor do crescimento
econômico, e é essa política anticíclica adotada por Vargas que fará com que o Brasil se
recupere relativamente rápido da crise de 1929 (em comparação a outros países).

 Além disso, desloca-se o eixo dinâmico do setor externo para o setor interno, agora, o
liberalismo da Primeira República se acaba, e isso dá lugar ao Estado forte que Vargas deseja
implementar.

 Para transferir esse eixo dinâmico do setor externo para o interno, Vargas vai adotar as
seguintes medidas:
 Aumento de tarifas de importação, a fim de proteger a indústria nascente (controle
seletivo das importações).
 Fornecimento de subsídios para a indústria nacional
 Oferecimento de crédito barato para quem visa se tornar industrial
 Controle do câmbio.

 Esse modelo de industrialização substitutiva vai fazer com que, na prática, o desenvolvimento
industrial brasileiro aconteça em ondas:
 1° Fase: canaliza-se todas as divisas para a criação de uma indústria de base e uma
indústria de não duráveis (siderúrgica, mineração).

*Obs: Como não dá para fazer tudo de uma vez, esse desenvolvimento industrial
acontece em ondas. Assim, a 1° fase vai acontecer nos anos 1930 e 1940. Aqui,
utilizam-se os recursos provenientes das exportações de café.
 2° Fase: canaliza-se as divisas para o desenvolvimento de uma indústria de bens
duráveis.

*Obs: A 2° Fase acontece nos anos 1950 e 1960. Aqui, utilizam-se os recursos
provenientes das exportações e dos investimentos estrangeiros direto (chama-se as
multinacionais para investirem)

 3° Fase: Busca-se desenvolver indústrias de bens de capital e indústria de


desenvolvimento de tecnologias.

*Obs: A 3° Fase vai acontecer nos anos 1970 e deveria continuar nos anos 1980, mas
isso não vai acontecer por conta da dívida externa. Aqui, utilizam-se recursos
provenientes das exportações, dos investimentos estrangeiros direto, e da captação de
dívida externa (começa-se a endividar o país, logo, a crise dos anos 1980 é o
esgotamento desse modelo, pois cada onda custa mais caro do que o investimento
que o país faz na onda anterior).

 A partir daqui, ou seja, quando o Estado entra nesse planejamento, é quando se tem início o
processo de industrialização, que vai acontecer através de uma deteriorização dos termos de
troca. Isso porque o Brasil é exportador de produtos primários e importador de produtos
manufaturados, logo, os produtos exportados perdem valor para os produtos importados, o
que leva o país a, invariavelmente, caminhar para o desequilíbrio comercial (costumeiramente
enfrentado pela captação de dívida externa e pela desvalorização do câmbio), pois as
exportações vão sempre ser ultrapassadas pelas importações. Assim, como meio de evitar essa
deteriorização dos termos de troca, vai se buscar gerar um protecionismo da indústria nacional
nascente por parte do Estado, levando a uma característica da indústria nacional de ser
sempre protegida pelo Estado, fazendo com que a indústria brasileira se torne acomodada e
pouco competitiva.

 Um outro aspecto interessante do governo Vargas é que ele vai inaugurar as moratórias
unilaterais (houve, um 3° funding loan em 1931, mas a partir daí Vargas vai dar sucessivas
moratórias e unilaterais) .

 Nesse sentido, em 1932, Vargas vai adotar uma moratória unilateral em banco
privado;
 Em 1934, o Brasil retoma o pagamento, mas paga o quanto dá para pagar e enquanto
dá para pagar (esquema Aranha);
 Em 1937, o Brasil adota nova moratória unilateral em bancos privados;
 Em 1939, o Brasil tenta renegociação, mas é suspensa por razão da Guerra;
 Em 1943, o Brasil assina o Acordo Permanente de renegociação da dívida externa
brasileira (porque o Brasil queria respeito internacional e queria participar da Guerra);
 Em 1944, o Brasil participa da Conferência de Bretton Woods (pois havia assinado o
Acordo Permanente).
 *obs: em razão desse histórico, o Brasil não tem mais crédito para pegar empréstimo
internacional junto a banco privado até o governo Castelo Branco. Logo, todo dinheiro
que o Brasil pega entre os governos Vargas e Castelo é proveniente de órgãos
multilaterais (FMI, Banco Mundial).

 Uma característica importante do governo Vargas é a centralização. O sistema tributário é


definido pela União e não mais pelos estados. A partir daqui, os estados são subservientes à
União.
 Além disso, é a União que define o planejamento do Estado.

 Há ainda a criação de um pacto capital-trabalho, com a criação dos sindicatos trabalhista, da


CLT, do salário mínimo. (a ideia de que a demanda vai fomentar o crescimento).

 A criação das estatais (Vale, CSN). O Estado se torna empresário.

 A criação da Sumoc (Superintendência da moeda e do crédito, dentro do Banco do Brasil), em


1945.

 Vale ainda chamar a atenção para o fato de que a II Guerra Mundial contribuiu muito para o
acúmulo de reservas cambiais.

 Nesse sentido, o governo Vargas termina com uma indústria consolidada, com uma taxa de
crescimento forte, principalmente nos anos de Guerra, e ainda há uma reorganização do
sistema econômico brasileiro. Então, o governo Vargas fecha com legados positivos, mas
também há legados negativos, e o maior deles é a inflação, que vai ser encarada pelo sucessor
de Vargas, o presidente Dutra. Assim, no início dos anos 1940, a inflação atinge a casa dos dois
dígitos e só vai voltar à casa de um dígito no final dos anos 1990. Como tentativa de conter a
inflação, o governo Vargas, em 1942, estabelece a troca da moeda (cruzeiro) que vai até 1986.
Além da inflação há o aumento da taxa tributária, bem como o fechamento da economia.

 Outro aspecto importante é o sentimento de amizade com os EUA, que surge no final do
governo Vargas e é acolhido pelo governo Dutra.