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Sobre espaco e genero, sexualidade e geografia feminista

Article · December 2008


DOI: 10.5212/TerraPlural.v.2i2.309322

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1 author:

Marcio Ornat
State University of Ponta Grossa
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SOBRE ESPAÇO E GÊNERO, SEXUALIDADE E GEOGRAFIA FEMINISTA

SOBRE ESPAÇO E GÊNERO, SEXUALIDADE E GEOGRAFIA


FEMINISTA

SPACE AND GENDER, SEXUALITY AND FEMINIST


GEOGRAPHY

Marcio Jose Ornat1


Universidade Federal do Rio de Janeiro

Resumo: As temáticas relacionadas ao gênero e à sexualidade têm sido objeto de in-


teresse da Geogra�a em vários países, a partir da existência tanto de disciplinas nos
cursos de graduação como de um conjunto de publicações bem conhecidas dos geó-
grafos humanos. Entretanto, no Brasil essas discussões não têm ganhado a importância
necessária, mostrando-se desde a pequena publicação geográ�ca em periódicos, de
eventos organizados privilegiando tal temática e o reduzido número de geógrafos com
linhas ou projetos de pesquisa que tenham por objetivo compreender as temáticas de
gênero e sexualidade a partir da sua espacialidade. O etnocentrismo tem prevalecido
nestas compreensões, e em larga medida, não tem sido desa�ado por geógrafos não
anglófonos. Defendemos a idéia de que os estudos de gênero e sexualidade são uma
interessante possibilidade geográ�ca, que pode nos ajudar na compreensão das nossas
especi�cidades, nos abrindo para um novo mundo, complexo e diverso.

Palavras-Chave: Geogra�a Feminista. Gênero. Sexualidade. Geogra�a Brasileira.

Abstract: The themes related to gender and sexuality have been the object of interest of
Geography in various countries, from the existence of disciplines in graduate programs
as a set of well-known publications of human geographers. However, in Brazil these
discussions have not won the necessary importance and is from a small geographical
publication in periodicals, organized events focusing this issue and the limited number
of lines or research projects that have the objective to understand the issues of gender
and sexuality from their spatiality. The ethnocentrism has prevailed in these under-
standings, and largely has not been challenged by non-anglophone geographers. We
support the idea that the study of gender and sexuality are an interesting geographic
scope, which can help us in our understanding of the speci�cs in opening a new world,
complex and diverse.

Keywords: Feminist Geography. Gender. Sexuality. Brazilian Geography.


PALAVRAS INICIAIS trução deste artigo nasceu do acesso a
três importantes trabalhos, realizados por
Nosso propósito é tecer uma discussão, Oberhauser (et al., 2003), McDowell (2003)
a partir deste texto, sobre as temáticas e Binnie e Valentine (1999). Esses trabalhos
de Gênero e Sexualidade na Geogra�a. foram realizados a partir de um esforço
Nosso desejo e encaminhamento na cons- de sistematização, buscando estabelecer
1
Pesquisador do Grupo de Estudos Territoriais (GETE), Universidade Estadual de Ponta Grossa, Paraná, Brasil; Doutorando do Pro-
grama de Pós-Graduação em Geogra�a, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil

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quais eram as principais orientações tanto do espaço urbano, mais especi�camente


da geogra�a inglesa como norte americana homens e mulheres chefes de família. Os
nos últimos anos de pesquisa geográ�ca. questionários foram aplicados tanto a
As duas primeiras tratam da geogra�a homens como a mulheres, buscando le-
feminista (pesquisas feministas em geo- vantar as características de deslocamento
gra�a), e a terceira localiza, na estrutura destas famílias, como destino, intensidade
de produção do conhecimento, uma área e motivo.
denominada Geogra�a da Sexualidade. Após levantamento feito, veri�camos
Vemos a necessidade de contribuir com que os fragmentos possuíam as mesmas
estas discussões, e para tanto, buscamos intensidades de deslocamento. Entretanto,
socializar nossas leituras e re�exões em quando as informações foram separadas
língua portuguesa, pois diferentemente em relação a homens e mulheres, os ho-
da geogra�a produzida na língua inglesa, mens deslocavam-se a maiores distâncias,
a geogra�a brasileira tem, via de regra, com maior intensidade, e as mulheres
dado pouca atenção à dimensão espacial deslocavam-se a menores distâncias com
destas temáticas. uma intensidade menor. Neste momento,
Partindo da a�rmação de que a Geogra�a o campo nos mostrou que existem relações
está em toda parte 2, as discussões sobre gê- que não são exclusivamente explicáveis
nero, sexualidade e espacialidade podem apenas pelo aspecto econômico, mas re-
ser um interessante caminho para que le- lacionadas ao conjunto de idéias que uma
vantemos nossos olhos de nosso pequeno cultura especí�ca constrói em relação ao
mundo, para este grande, rico e complexo que é ser homem ou mulher, um conjunto
mundo. Esses caminhos têm sido trilhados de comportamentos que são esperados dos
pelos pesquisadores do Grupo de Estudos sujeitos, diferenciados temporal e espacial-
Territoriais / GETE, a partir de trocas mente (SCOTT, 1990).
empíricas e teóricas. Como salientado por Após o retorno ao campo, pudemos ve-
Olesen (2008), muitos cientistas sociais que ri�car, a partir de entrevistas em profundi-
trabalham com mulheres, homens e grupos dade, que seus discursos apontavam para
homossexuais, não sabem que produzem papéis distintos entre homens e mulheres.
conhecimento dentro de um grande corpo Estas tinham por papel o cuidado com a
de re�exão denominado estudos feminis- casa e com os �lhos, enquanto aos homens
tas. Pensamos que as nossas primeiras eram reservadas as obrigações da manu-
incursões empíricas se colocavam neste tenção econômica do lar. As mulheres
grupo proposto. �cavam responsáveis por fazer compras,
Na graduação, durante a construção do pagar contas, levar �lhos à escola e ao
trabalho de conclusão de curso, tínhamos médico, enquanto os homens tinham por
como objetivo compreender a relação entre atividade principal o trabalho. Este cami-
os deslocamentos cotidianos intra-urbanos nho nos abriu uma perspectiva relacionada
e a reprodução das relações de pobreza de ao fato de que, como analisado por Butler
dois grupos com as mesmas características (2003), o mundo é estruturado a partir de
sócio-econômicas, mas com localizações dois pólos, masculino e feminino, colocan-
distintas em relação ao centro da cidade do-se estes como termos universais.
de Ponta Grossa – Paraná - Brasil (ORNAT; Entretanto, alguns grupos desestabili-
SILVA, 2007). Nossos recortes grupais zam as representações de masculinidade
eram os moradores de dois fragmentos e feminilidade, como por exemplo: os
grupos de gays, lésbicas, travestis, tran-
2
COSGROVE, D. In: CORRÊA, R. L.; ROSENDAHL, Z., 2004.

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sexuais, shemales, tgirls, ladyboys, T-lovers, culturais e interações cotidianas que o sexo
e mulheres não-transex. As específicas transforma-se em gênero, a partir de cons-
espacialidades destes sujeitos tencionam truções espaço–temporais especí�cas.
a heterossexualidade inscrita no espaço, A empiria colabora com estas a�rma-
até então invisível (VALENTINE, 1993). ções. Na terceira maior ilha da Indonésia,
Essas re�exões têm se colocado dentro de na Ilha de Sulawesi, reside um grupo ét-
um corpo de discussão em que as prin- nico denominado de Bugis. Este grupo é
cipais in�uências estão localizadas nos estruturado não apenas por dois gêneros,
trabalhos de Simone de Beauvoir, Michel mas por cinco gêneros, sendo que ne-
Foucault, Teresa de Lauretis, Judith Butler, nhum deles é desviante a alguma norma,
Donna Haraway, e mais especi�camente como nos casos de exclusão e segregação
na Geogra�a, nos trabalhos realizados por facilmente encontráveis no ocidente em
geógrafas/os como Davis Bell, John Binnie, relação a grupos homossexuais. Os cinco
Gill Valentine, Nancy Duncan, Richard grupos seriam: Aroane, Makunmi, Cala-
Phillips, Peter Jackson, Linda McDowell, lai, Calabai, Bissu. Generalizações podem
Gillian Rose, entre outros. ser problemáticas, devido à distinção das
Dentre as várias perspectivas lançadas organizações sociais entre ocidente e ou-
pelos autores, uma das proposições que tros grupos “não-ocidentais”. Entretanto,
tem nos chamado atenção está relacionada a guisa de ilustração, cada grupo seria, a
à discussão feita por Butler (2003), refe- partir da nossa visão ocidental, compará-
rente a seu conceito de performatividade. A vel aos seguintes grupos, na mesma or-
autora entende a performatividade como dem: masculino, feminino, lésbicas, gays,
a reiteração de um conjunto de normas para-gênero – masculino/feminino. Esses
que são anteriores aos sujeitos. Esses grupos desa�am nossas noções de que os
papéis de gênero seriam cotidianamente seres humanos dividem-se apenas em dois
retrabalhados, demonstrando sua carac- gêneros, e que é a anatomia que determina
terística de instabilidade, temporalidade e os mesmos (BLACKWOOD, 2005).
espacialidade. Pelo fato de não existir um Tanto em relação ao gênero, a performa-
gênero ideal localizado em alguma posição tividade e a linearidade de sexo, gênero e
social, os elementos ou normas de gênero desejo, o espaço é um elemento primordial
seriam apropriados e re-signi�cados pe- enquanto reflexo, meio e condição das
los sujeitos. Esses papéis são sustentados normas culturais de gênero e sexualidade.
pela imposição aos corpos da linearidade Entretanto, da mesma forma que existem
de sexo-gênero-desejo, pois espera-se que distintas espacialidades, relacionadas
corpos nomeados como macho ou fêmea a distintas práticas sociais, a produção
desempenhem papéis correspondentes geográfica não é homogênea, havendo
de masculinidade e feminilidade. Alguns uma grande variedade entre as temáticas
corpos escapam desta imposição, sendo valorizadas na própria re�exão das espa-
nomeados como desviantes e doentes, e cialidades dos grupos sociais.
tendo outras espacialidades.
Neste ponto, o sexo vai muito além de REFLEXÕES SOBRE A PRODUÇÃO
um fato, um dado (MCDOWELL, 2003). GEOGRÁFICA EM GÊNERO E
Ele é signi�cado e elaborado socialmente/ SEXUALIDADE
culturalmente, e por isso mutável, variável
e aberto a mudanças (BEAUVOIR, 1967). As discussões geográ�cas envolvendo
É com regulações institucionais, práticas a relação entre as temáticas gênero, es-

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pacialidade e sexualidade colocam-se no (2007 a-b), Nabozny, Ornat e Silva (2007),


Brasil num conjunto de esparsos trabalhos. Veleda da Silva (1998), Rossini (1992, 1993,
Tais discussões não têm ganho voz, tanto 1994, 1998, 2002), López Pons e Lan (2008),
no formato de publicação em periódicos, entre outros5. Estas re�exões buscam pen-
como relacionado aos trabalhos orientados sar o gênero e a sexualidade a partir de
nos programas de pós-graduação em Ge- novas orientações epistemológicas, em sua
ogra�a no Brasil. maioria, desvencilhadas de perspectivas
Após uma busca realizada tanto no masculinistas.
Portal de Dissertações e Teses da Capes3, Outras visualizações foram obtidas a
como na Biblioteca Digital de Teses e Dis- partir de um trabalho sistemático realizado
sertações4, coordenando pelo IBICT (Insti- pelo Grupo de Estudos Territoriais, entre
tuto Brasileiro de Informação em Ciência e novembro e dezembro de 2008, tendo por
Tecnologia), desde o ano de 1987, a partir objetivo mapear as produções brasileiras
dos termos gay, gênero, homossexual, localizadas em periódicos de circulação6
lésbica, prostituição, queer, sexualidade, nacional. Este trabalho demonstrou que de
transexual, travesti, travestilidade, todos mil quinhentos e nove artigos, localizados
relacionados à Geogra�a, foram encontra- em cento e noventa e sete revistas, entre os
dos trinta e três trabalhos (dissertações e anos de 1978 e 2008, foram encontrados
teses). Entretanto, existe uma duplicação apenas cinco artigos referentes a temáti-
tanto de informações entre os bancos de cas mulheres e gênero (Oliveira e Vianna,
dados como entre palavras-chave. Isto 1988; Rossini, 1998; Diniz, 2003; Silva, 2007
demonstra que a aceitação desta temática, a-b).
via de regra, não vai muito além, no Brasil, Outra busca7 realizada refere-se às li-
de “críticas de corredor”. Os ambientes nhas e projetos de pesquisa sob coordena-
de interlocução também são em pequeno ção de doutores geógrafas/os, cadastrados
número, restringindo-se no Brasil aos en- na Plataforma Lattes (CNPq/Brasil), que
contros do Simpósio de Espaço e Cultura tinham por palavra-chave Geogra�a Femi-
(NEPEC), encontros multidisciplinares, e nista, Gênero, Sexualidade e Mulheres. Do
outros em que estas discussões são perifé- total de currículos cadastrados na Plata-
ricas ou deslocadas. forma Lattes, apenas quinze tinham como
Na produção geográ�ca localizada nos palavra-chave alguns dos termos acima
periódicos de circulação nacional, no- postos. Apenas três destes currículos
vas discussões demonstram o desejo de tinham algum projeto de pesquisa com
constituição de novos horizontes para a ocorrência na década de 1990. Estes tinham
geogra�a. Novas temáticas são apontadas por objetivo compreender a relação entre
por geógrafas/os como Oliveira e Vianna mulher e cultura, movimentos sociais,
(1988), Mattos e Ribeiro (1996), Ribeiro 5
As pesquisas foram restritas ao ambiente virtual. Assim, nem
(1997), Campos (2000) e Costa (2005), todas as re�exões existentes estão contempladas, já que foram
pensando as questões das mulheres, terri- realizadas a partir de ambiente World Wide Web e muitos pe-
riódicos não são publicados na sua versão digital.
tório, sexo e a prostituição a partir das suas 6
Revista Espaço e Cultura, Revista Geographia, Revista GeoSUL,
espacialidades. Outras posturas podem Revista GeoUSP, Revista Mercator, Revista Raega, RBG, Revista
ser vistas em Silva (2003, 2007 a-b, 2008), Sociedade & Natureza, e Revista Território.
Ornat (2008), Ornat e Silva (2007), Nabozny 7
As buscas foram realizadas a partir dos �ltros: Assunto (Tí-
tulo ou palavra chave da produção); Área de Atuação (Grande
Área: Ciências Humanas; Área: Geogra�a; Subárea: Geogra�a
3
<http://www.capes.gov.br/servicos/bancoteses.html>, [19
Humana; Especialidade: Todas); Áreas ou Setores da Produção
a 23 de maio de 2008].
em C&T (Grande Área: Ciências Humanas; Área: Geogra�a;
4
<http://bdtd.ibict.br/bdtd/busca/re.jsp>, [19 a 23 de maio Setor de Aplicação: Todos). <http://buscatextual.cnpq.br/
de 2008]. buscatextual/busca.do?metodo=apresentar>.

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SOBRE ESPAÇO E GÊNERO, SEXUALIDADE E GEOGRAFIA FEMINISTA

trabalho, cotidiano e gênero. No início do Paulo, USP, Brasil), Sonia Alves Calió
século XXI, alguns temas permanecem (Universidade de Uberaba, UNIUBE, Bra-
como as relações entre mulheres e trabalho. sil), Sueli Andruccioli Felix (Universidade
Entretanto, outros temas têm nascimento, Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho,
como a valorização da obra de Simone de UNESP, Brasil) e Susana Maria Veleda da
Beauvoir para as ciências sociais, plane- Silva (Universidade Federal do Rio Gran-
jamento urbano e gênero, as questões de de, FURG, Brasil)8. Estas/es geógrafas/
gênero na lutas do Movimento dos Sem- os têm se colocado na contra mão do que
Terra, cruzamentos entre gênero, raça e é produzido, via de regra, no Brasil, pois
uma feminização da pobreza, migrações este total é pequeno, frente ao número de
nacionais e internacionais. Nesta década geógrafos/as que trabalham com outras
surgem acusações de ausências e silêncios temáticas já consagradas da geogra�a hu-
do discurso geográ�co, a instituição de mana, como geogra�a urbana ou geogra�a
um espaço paradoxal como resultante da política. Isto difere da relevância dada por
intercessão entre sexo, gênero e desejo, e outros campos do conhecimento às temá-
a espacialidade das “homo”sexualidades. ticas de gênero e sexualidade, temas que
Também fazem parte desta tônica as dis- a tempo são trabalhados na Antropologia,
cussões envolvendo violência, criminali- Sociologia, Psicologia e História.
dade e gênero. Na produção cientí�ca do “hemisfério
Esses trabalhos foram realizados na dé- norte”, Olesen (2008) aponta em Early Mil-
cada de 1990, ou tem sido realizados neste lennial Feminist Qualitative Research, que os
início de século, pelas/os professoras/es principais campos do conhecimento que
Antônia dos Santos Garcia (Universidade tratam das questões envolvendo gênero e
Federal da Bahia, UFBA, Brasil), Antonio sexualidade são a Antropologia, Sociolo-
Thomaz Júnior (Universidade Estadual gia, Psicologia, Ciência Política, Filoso�a,
Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP, História e Estudos Interdisciplinares de
Brasil), Benhur Pinós da Costa (Univer- Mulheres, e os Estudos Culturais, mas
sidade Federal do Amazonas, UFAM, também em programas pro�ssionais como
Brasil), Carmen Regina Dorneles Nogueira Educação, Enfermagem, e Serviço Social.
(Universidade Regional Integrada do Alto Mas infelizmente, dentre as 20 perspecti-
Uruguai e das Missões, URI, Brasil), Dora- vas lançadas pela autora e os 125 trabalhos
lice Barros Pereira (Universidade Federal levantados, nenhum deles está relacionado
de Minas Gerais, UFMG, Brasil), Elizeu a uma re�exão espacial. Mas a geogra�a
Ribeiro Lira (Fundação Universidade tem contribuído à estas discussões.
Federal do Tocantins, UFT, Brasil), Ivana O interesse pelos fenômenos sociais rela-
Maria Nicola Lopes (Universidade Federal cionados ao gênero e à sexualidade surgiu
do Rio Grande, FURG, Brasil), Jones Dari na segunda metade do séc. XIX, como visto
Goettert (Universidade Federal da Grande por Phillips (1999). O nascimento desta
Dourados, UFGD, Brasil), Joseli Maria Sil- curiosidade tinha por origem a modi�ca-
va (Universidade Estadual de Ponta Gros- ção de uma série de práticas discursivas,
sa, UEPG, Brasil), Kelly Cristine Fernandes como dos sistemas hegemônicos do direito,
de Oliveira Bessa (Fundação Universidade da medicina e da religião (FOUCAULT,
Federal do Tocantins, UFT, Brasil), Martha 1988), mas também de outros discursos,
Johanna Haug (Faculdades Integradas como da arte, da pornogra�a, da antropo-
Cândido Rondon, UNIRONDON, Brasil), logia, e da literatura de viagem.
Rosa Ester Rossini (Universidade de São
8
Fonte: Plataforma Lates.

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MARCIO JOSÉ ONART

Estas literaturas de viagem são deveras A tradição da discussão envolvendo a


interessantes, pois cartografaram territó- relação entre espaço, gênero e sexualidade,
rios imaginários nos quais novas repre- enquanto um corpo de re�exão remonta
sentações de sexualidade – homo e hetero apenas à década de 1970. Tanto nos Es-
– foram construídas e contestadas. Como tados Unidos como na Inglaterra, desde
a�rmado por Phillips (1999), poucos au- esta década, um sub-campo da geogra�a
tores tiveram um papel tão importante de tem se a�rmado, denominado “Geogra�a
cartografar e discutir a sexualidade, como Feminista”. Desde suas primeiras propo-
a partir da proposta de Richard Burton9. sições, este sub-campo têm se alimentado
Mais especi�camente, Burton cartografou do movimento feminista e, ao mesmo
em sua obra The Thousand Nights and a tempo, o tem alimentado (OBERHAUSER
Night10 (volume 10. London, 1886) uma et al, 2003).
Sotadic11 Zone. Esta era uma área onde a A Geogra�a Feminista nasce no contex-
pederastia era comum, desa�ando com to da “segunda onda” do movimento femi-
suas a�rmações as construções hegemôni- nista. Como dissertado por Narvaz e Koller
cas de sexualidade, dando inteligibilidade (1996), este pode ser periodizado a partir
para um novo sujeito da sexualidade, o de três ondas: a primeira onda representa o
homossexual. Esta era uma área locali- surgimento do movimento feminista, entre
zada entre as Latitudes 43° e 30° norte, o �nal do séc. XIX e início do XX, nascendo
compreendendo o sul da Europa e o norte como um movimento de luta das mulheres
da África. No Oriente Médio esta faixa se por igualdades de direitos civis. Este foi
estreitava, voltando a se alargar na China, estruturado na Inglaterra, França, Estados
Japão e Turquestão. Como nas palavras Unidos e Espanha; a segunda onda ressur-
de Burton (1886), nos mares do sul e no ge nas décadas de 1960/70, em especial nos
Novo Mundo, o amor Sotádico era uma Estados Unidos e na França. E enquanto
instituição bem estabelecida. Burton havia as feministas americanas enfatizavam a
escrito diretamente e abertamente sobre denúncia da opressão masculina e a busca
sexo, defendendo um estilo combativo e da igualdade (feminismo de igualdade),
queixando-se de censura. Burton a�rmou as francesas postulavam a necessidade
que sua abordagem poderia prejudicar de serem valorizadas as diferenças entre
sua carreira e seu emprego. E de fato, homens e mulheres, dando visibilidade,
Burton tornou-se persona non grata, tanto principalmente, à especi�cidade da experi-
nos corredores da Foreing Of�ce, como na ência feminina, geralmente negligenciada
Royal Geographical Society. Mas, o mais (feminismo de diferença); a terceira onda,
importante na sua obra foi à importância forjada anos 1980, introduz o paradigma
dada pelo geógrafo ao espaço no sexo e nas da incerteza no campo do conhecimento,
sexualidades, ou melhor, em saber como as tendo por in�uência as proposições feitas
relações sociais eram espacialmente consti- por Michel Foucault e Jacques Derrida.
tuídas e contestadas. (PHILLIPS, 1999) É nesta terceira fase que se observa uma
intensa justaposição entre movimento
9
Outra interessante perspectiva pode ser vista na obra de Hans político e academia.
Stande, em Duas viagens ao Brasil: primeiros registros sobre o
Brasil. Porto Alegre RS: L&PM, 2008, 181 p. Então, desde o surgimento da Geogra-
10
<http://www.wollamshram.ca/1001/Vol_10/vol10.htm.>, �a Feminista, durante a segunda onda do
[10 de janeiro de 2009]. movimento feminista, são vistos cursos
11
Burton tomou este termo de Sotades, um poeta de Alexandria
do séc. III a.C., que escreveu versos aparentemente inofensíveis
que tornavam-se obscenos se lidos de traz pra frente. (DYNES,
W. 1985.)

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SOBRE ESPAÇO E GÊNERO, SEXUALIDADE E GEOGRAFIA FEMINISTA

oferecidos nos programas de Geogra�a12, zação cruzada de idéias e experiências


de universidades de vários países, como e um crescente número de conferências,
nos Estados Unidos, Inglaterra, Índia, publicações, intercâmbios institucionais e
Canadá, Jamaica, Suíça, Índia, Nova empreendimentos de investigação, relacio-
Zelândia, e um conjunto de publicações nados a pesquisadores de vários campos
bem conhecidas dos geógrafos humanos. do conhecimento e nacionalidades.
Entretanto, a aceitação deste sub-campo Outro encaminhamento pode ser visto
vem sendo realizada com muita discussão nas respostas ao questionário aplicado por
e tensão, pois como denunciado em Geo- Oberhauser (et alii, 2003) às participantes da
graphy in America, no capítulo escrito pela Geographic Perspective on Women (GPOW),
Geographic Perspective on Women (GPOW), na Association of American Geographers
a geogra�a tem sido escrita como se os (AAG), em 1999. Os temas abordados neste
homens fossem os únicos representantes inquérito eram como as pessoas haviam se
da espécie (GRUNTFEST, 1989). Assim, envolvido com gênero na geogra�a, quais
muitas abordagens têm reconhecido o pa- eram as teorias/conceitos/métodos que
pel do gênero no comportamento humano têm in�uenciado este sub-campo, quais os
espacial. livros e artigos importantes, qual o papel
Em linhas gerais, os tópicos analisadas da pedagogia feminista e dos pro�ssionais
por este sub-campo são a Análise Femi- ativistas na geogra�a, e as futuras direções
nista da Metodologia, Gênero e Trabalho, deste sub-campo. Dois temas surgiram
Desenvolvimento do Terceiro Mundo, Espaço destas respostas, o envolvimento pessoal
Público e Privado, Geogra�a Cultural, Gênero- do pesquisador na geogra�a feminista e a
Identidade-Espaço, Geogra�a da Sexualidade, relevância das pesquisas feministas para os
e Pedagogia Feminista (OBERHAUSER et al, tópicos de pesquisa geográ�cos relaciona-
2003; MCDOWELL, 2003; BINNIE; VA- dos à migração, identidades políticas, rees-
LENTINE, 1999). truturação econômica, pós-estruturalismo,
Essas discussões têm sido particular- e geogra�a da população. Assim, vejamos
mente in�uentes desde a década de 1970.
o Quadro 1.
Como visto pelas/os autoras/es, essa
De forma geral, as pesquisas feministas
produção não é apenas norte americana ou
se colocam em quatro claras tradições; não
inglesa. E devido à di�culdade de delimi-
representam distintas fases, mas mudanças
tação de fronteiras da produção geográ�ca,
gerais das idéias feministas na perspectiva
têm-se visto a ocorrência de uma fertili-
geográ�ca feminista. Dentre as temáticas
12
Florida Atlantic University at Boca Raton, Department of Ge-
ography (Florida-EUA); Clark University, Department of Geog-
e os principais caminhos levantados por
raphy (Massachusetts-EUA); University of Nebraska at Omaha, Oberhauser (2003), as que mais vêm inuen-
Department of Geography-Geology (Nebraska-EUA); Syracuse ciando e fomentando nossa imaginação geográ-
University, Department of Geography (New York-EUA); Uni-
versity of South Carolina, Department of Geography (South Car- ca, referem-se às discussões metodológicas na
olina-EUA);West Virginia University, Department of Geology sua interface com cultura, identidade, espaço
and Geography (West Virginia-EUA); University of Cambridge,
Department of Geography (United Kingdom); The Pennsylvania e sexualidade.
State University (Pennsylvania-EUA); Kurukshetra University, As re�exões e proposições metodoló-
Department of Geography (India); Queen Mary, University of
London, Department of Geography (London-United Kindom); gicas têm sido uma das mais importantes
University of Central Missouri, Department of Geography contribuições para a Geogra�a como um
(Missouri-EUA); University of California, Berkeley, Department
of Geography (Berkeley-EUA); York University, Department of todo. Essas pesquisas geográ�cas têm se
Geography (Toronto-Canadá); State of University of New York, mostrado sensíveis às relações de poder,
Department of Geography (New York-EUA), University of Ex-
eter (United Kingdom); University of West Indies, Department tanto entre os sujeitos investigados, como
of Geography (Jamaica); University of Zurich, Department of em relação ao próprio contexto da produ-
Geography (Zurich-Suíça); University of Otago, Deparment of
Geography (New Zeland), entre outras. ção do conhecimento (MCDOWELL,

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MARCIO JOSÉ ONART

Quadro 1 :Tradições no Âmbito Geográ�co da Investigação Feminista


Aproximações Teóricas Metodologia Tópicos de Pesquisa
Mulheres na Geo- _ “Quanti�cando” as mulhe- _ Mapeamento de padrões _Mulheres na Cidade
gra�a res espaciais das atividades _Mulheres e Emprego
_A Geogra�a das Mulheres das mulheres e status _Mulheres e Desenvolvi-
_Feminismo e Empiricismo _Desa�o da Pesquisa Posi- mento
tivista
Feminismo Socia- _Feminismo Socialista _Materialismo Histórico _Relações entre Capitalis-
lista _Marxismo _Combinações entre Teo- mo e Patriarcado
_Gênero e Desenvolvimento ria e Práxis _Estrutura Espacial e So-
cial do Trabalho Domés-
tico
_Papéis de Gênero no Ter-
ceiro Mundo
Feminismo do Ter- _Pós-Estruturalismo _Análise do Discurso _ Desa�o Essencialista e
ceiro Mundo/ polí- _Pós- Colonialismo _Pesquisa Participativa Formas Eurocêntricas de
tica da diferença _Teoria Racial _Histórias de Vida conhecimento
_ A política de trabalho de _Planejamento de Gênero
campo e Desenvolvimento
_Diferenças através do
curso da vida
Feminismo e _Estudos Queer _Posicionalidade e re�exi- _Conhecimento Situado
“Nova” Geogra�a _Pós-Modernismo bilidade _Sexualidade e Espaço
Cultural _Teoria Psicanalítica _Análise Textual _O Corpo e Identidades
_Representação Cultural _Narrativas Políticas
_Etnogra�a _Imaginário e Espaço
Simbólico
Fonte: JOHNSTON et all. 2000; JONES, NAST; ROBERTS 1997; WGSG, 1997. Apud OBERHAUSER et all, (2003)13.

1992; ROSE, 1997). Tais discussões têm 1992; STAEHELI; LAWSON, 1995).
se estruturado a partir do tripé relacional As relações entre poder e epistemologia
sujeito/objeto, métodos/técnicas empre- são centrais nas discussões epistemoló-
gadas, e a política da investigação. Como gicas, pois o simples fato da percepção
nas a�rmações de Oberhauser (2003), a distinta entre homens e mulheres da or-
metodologia feminista tem-se estruturado ganização espacial já tem criado distintas
na crítica a objetividade e ao privilégio à aproximações ou possibilidades de pro-
certas formas de produção de conhecimen- dução de conhecimento (NAST, 1994). A
to, naturais ao positivismo. Mas também principal proposição deste aspecto é de
fazendo uma crítica aos preconceitos que não existe uma clara distinção entre
sexistas e androcêntricos na investigação sujeito pesquisador e sujeito pesquisado.
geográ�ca. Em contrapartida, o pressu- Sob esta perspectiva, o que se obtém do
posto da aproximação feminista destaca processo de investigação é o resultado
a subjetividade e a parcialidade inerentes de condicionamentos recíprocos entre os
dos processos de pesquisa (MCDOWELL, vários elementos que produzem o pró-

13
As tradições geográ�cas da investigação feminista já foram motivo de re�exão de Silva (2007a) em Amor, Paixão e Honra como
Elementos da Produção do Espaço Cotidiano Feminino, evidenciando as interseções entre corpo, emoção, afetos e honras nas relações
entre gênero e espaço urbano.

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SOBRE ESPAÇO E GÊNERO, SEXUALIDADE E GEOGRAFIA FEMINISTA

prio conhecimento. Isto quer dizer que os tem notado inicialmente a ausência do
sujeitos, em uma relação de produção de gênero enquanto um tema colocado em
conhecimento, se expressam posicionados questão.
a partir de distintos pontos de vista, tanto Um dos primeiros assuntos destes
pesquisador como colaborador. Portanto, questionamentos era de que, no mínimo,
sempre a única possibilidade de cons- as mulheres eram um grupo de pessoas di-
trução de uma versão sobre a realidade ferentes dos homens. Kay (1991) tem argu-
é parcial, desviando-se da construção de mentado que, mesmo que os trabalhos em
metanarrativas (MIGNOLO, 2004). geogra�a histórica não tenham feito nada
O par da posicionalidade é a re�exibili- contra as mulheres, estes têm uma imensa
dade, pois continuamente à percepção das dívida, na inclusão de informações sobre
pessoas investigadas moldam a estrutura as mulheres em suas pesquisas. Isto resulta
e a interpretação das narrativas produ- em uma paisagem histórica, em que apenas
zidas através do trabalho de campo. Isto a metade da população é visualizada. Da
diferencia claramente, para Oberhauser mesma forma, Mikesell (2000) a�rma que
(2003), a pesquisa masculinista, que de�ne a geogra�a cultural ignorou metade da
quais serão os sujeitos investigados e as população humana. O autor traz à luz pro-
questões a serem colocadas, das pesquisas blemas tanto da re�exão sobre as mulheres
feministas, de caráter aberto e re�exivo da em contextos ocidentais como não-oci-
investigação, culminando na própria parti- dentais. Uma outra proposição assenta-se
cipação ativa dos sujeitos investigados na sobre as diferentes formas de visualização
orientação de interrogatórios e dos termos da paisagem, entre a Geogra�a Cultural
da própria pesquisa. A autora aponta que Tradicional e a Nova Geogra�a Cultural.
esta perspectiva é aberta a múltiplas técni- Criticando o privilégio e a interpretação
cas e métodos, apropriados aos contextos dada às paisagens materiais, os geógrafos
sociais e aos objetivos de investigação, culturais que trabalham com gênero vêem
como métodos quantitativos e qualitativos, que em diversas vezes esta paisagem é tida
etnogra�a, histórias de vida, entrevistas como neutra, uma visualização branca, de
em profundidades e artes visuais. classe média e masculina (MONK, 1992;
Compreendendo que o gênero possui ROSE, 1994).
conectividades transversais com classe, Outra diferenciação coloca-se nos du-
etnia, idade e sexualidade, e que estas se alismos inscritos nos discursos utilizados
colocam como estruturas dominantes das para compreender espaços e comporta-
relações de poder, a metodologia feminista mentos, como a dualidade entre cultura e
direciona atenção à diversidade, à re�exão natureza. Uma das proposições pode ser
crítica dos sujeitos investigados e à própria vista no fato de que tanto masculinidades
responsabilidade com estas vozes e suas como feminilidades são espacialmente
vidas, pois para Oberhauser (2003), os mé- especí�cas e vinculadas à distintos com-
todos buscam tencionar o que sabemos, e portamentos espaciais (ROSE, 1993). Outra
mais importante, como viemos a saber. distinção se faz entre a visão masculina
As dualidades críticas têm se localiza- que incorpora a razão e a feminina que
do, da mesma forma, na interface entre incorpora a emoção (BONDI, 1992).
Geogra�a Feminista e Geogra�a Cultural, Para McDowell (2003), a distinção tra-
tanto na sua vertente tradicional como balhada pelas/os geógrafas/os humanos
renovada. As incursões geográ�cas que entre os espaços públicos e privados,
avaliam a dimensão espacial da cultura associados ao gênero, influenciaram o

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MARCIO JOSÉ ONART

conteúdo da ciência geográfica. As di- Percorrendo o mesmo caminho, Duncan


visões dicotômicas ou binárias, e o seu (1996) destaca as novas direções das pes-
mapeamento em uma divisão sexual, é quisas sobre a importância do espaço na
uma distinção categórica entre homens e constituição do gênero e da sexualidade.
mulheres. Isto tem continuado a exercer Monk (1992) também tem visto que tanto
uma grande in�uência sobre a imaginação homens e mulheres signi�cam suas espa-
geográ�ca, assegurada pelas instituições cialidades de forma distinta. Bondi (1992)
sociais, políticas e contemporâneas. Em tem discutido os símbolos em paisagens
todas as comparações entre homens e mu- urbanas, enquanto Peake (1993) tem tra-
lheres, os atributos culturais associados às tado do espaço urbano enquanto um local
mulheres e à feminilidade são construídos de construção de signos de raça, classe,
e percebidos como inferiores aos atributos gênero e sexualidade.
dos homens e à sua masculinidade. Os Estes elementos têm sido experimen-
homens são vistos como protetores das tados e analisados de forma simultânea
mulheres e da força feminina, protetores pelos sujeitos, em uma situação de entrela-
das esposas, irmãs e �lhas; um sujeito que çamento de gênero, classe, espaço e lugar.
participa da esfera pública e da política A Geografia Feminista tem produzido
do trabalho, e que não participa da esfera uma compreensão da geogra�a cultural
doméstica. A casa é de�nida como a esfera contemporânea através da incorporação
da in�uência feminina, um refúgio ou um da identidade ao gênero na representação
espaço de lazer para os homens. Para a social do espaço.
autora, são as instituições fundamentais A espacialidade tem sido de funda-
da sociedade moderna – família, sistemas de mental importância na compreensão dos
educação, Estado, mercado – que normalizam fenômenos envolvendo relações de poder
estas diferenças entre os gêneros e ao fazê- (OBERHAUSER, 2003). Indo além da in-
lo, reproduzem as relações desiguais entre terrogação sobre os temas relacionados às
homens e mulheres. mulheres, na dualidade entre espaço públi-
Uma proposição contribuinte à inter- co e privado, McDowell (2003), destaca que
seccionalidade entre gênero e sexualidade, os geógrafos têm buscado compreender
pode ser vista em Valentine (1993). Para a quais são seus termos e suas geogra�as,
autora, a heterossexualidade é uma sexu- explorando as relações entre capitalismo e
alidade dominante na cultura ocidental patriarcado, por exemplo. As críticas tem
moderna. Entretanto, isto não é meramen- ressaltado a constante dúvida da natureza
te de�nido por atos sexuais nos espaços destas identidades para estas categorias,
privados, mas é um processo de relações em diferentes temporalidade e espaciali-
de poder que opera na maior parte dos dades. E um dos veículos destas relações
ambientes cotidianos. São apontados como tem sido o corpo.
espaços de heterossexualidades a casa, o Determinados corpos são marcados
local de trabalho, os espaços sociais (os identitariamente como sendo diferentes
hotéis compondo um imaginário espacial ou marginais, e estando associados a es-
doméstico às famílias, ou uma imagem paços particulares, enquanto outros são
espacial associada ao adultério heterosse- considerados normais e muitas vezes
xual; e os restaurantes como um ambiente colocando-se como neutros no discurso
relacionado a um ritual de intimidade e dominante. Isto tem se mostrado a partir
namoro heterossexual), ambientes comer- da justaposição entre sexualidade, gênero
ciais e de serviços e os espaços públicos. e espaço, na simultânea associação entre

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SOBRE ESPAÇO E GÊNERO, SEXUALIDADE E GEOGRAFIA FEMINISTA

sexualidade/corpo e seu monitoramento. 1990. Entretanto, além de elevar toda a


O corpo tem se colocado como um espaço produção relacionada a esta abordagem,
social e político, indo além de um espaço Binnie e Valentine (1999) demonstram que
biológico. Esta a�rmação remonta à década os principais caminhos instituídos nestas
de 194014, quando da proposição de Beau- re�exões referem-se à oposição urbano/
voir (1967, p. 9): rural, a geogra�a da cidadania e a geogra-
�a urbana.
Ninguém nasce mulher: torna-se mulher.
Os primeiros trabalhos sobre espaço e
Nenhum destino biológico, psíquico, eco-
nômico de�ne a forma que a fêmea humana sexualidade restringiram-se a demonstrar
assume no seio da sociedade; é o conjunto as geogra�as dos refúgios gays, já nos anos
da civilização que elabora esse produto de 1978 e 1981. Contudo, o trabalho que
intermediário entre o macho e o castrado recebeu maior número de citações foi a
que qualificam de feminino. Somente a re�exão desenvolvida por Castells (1983)
mediação de outrem pode constituir um em The city and the grassroots. Como visto
indivíduo como um outro. pelos autores, neste trabalho Castells teve
como foco o mapeamento e o estudo sobre
As espacialidades tomadas por inqué-
espaços gays e lésbicos em São Francisco.
rito referem-se tanto aos espaços urbanos
Sua argumentação era de que a espaciali-
como rurais, tanto na representação de
dade de gays e lésbicas era um re�exo de
identidades masculinas ou femininas,
seus respectivos papéis e comportamentos
como de gays e lésbicas. Essas explorações
de gênero. Tanto para grupos de gays
entre sexualidade, gênero e espaço, inter-
como de lésbicas, varias pautas de discus-
mediadas pelas identidades, tem demons-
são têm sido admitidas, como as relações
trado uma multiplicidade de possíveis
entre economia política do espaço e política
negociações entre identidades e espaços,
da sexualidade, culturas sexualizadas de
pois para Oberhauser (2003), o corpo tem
consumo e produção de espaços, o traba-
se mostrado tanto fixo como fluído, e
lho informal e institucional, e a gestão de
através dos lugares. Como tal, demonstra
múltiplas identidades na vida diária.
o que é singular e comum na forma em
Binnie e Valentine (1999) dissertam
que as espacialidades são experienciadas e
que atualmente têm sido signi�cativos os
reproduzidas a partir de negociações entre
trabalhos relacionados aos aspectos menos
corpo e espaço.
visíveis de comunidades gays e lésbicas,
Até agora, as reflexões envolvendo
tanto sobre o entendimento das comuni-
gênero e espacialidade tangenciam as
dades, como em relação ao ciberespaço
re�exões sobre sexualidade e espaciali-
de lista de e-mail’s na internet. Algumas
dade. Examinando o rápido crescimento
lacunas são apontadas pelos autores, como
dos trabalhos tratando da espacialidade
o pouco número de publicações relacio-
da sexualidade, Binnie e Valentine (1999)
nando as geogra�as de gays e lésbicas ao
demonstram o estabelecimento de uma
processo de globalização, ou às áreas de
abordagem na geogra�a de língua inglesa,
Geogra�a dos Transportes e Geogra�a da
denominada Geogra�a da Sexualidade.
População.
Do total de trabalhos publicados no
Assim, pouca explicação existe para
período entendido entre 1978 a 1997, re-
a pequena atenção dada às identidades
ferentes a esta abordagem, mais de 85%
sexuais – de gênero hegemônicas e a he-
das publicações ocorreram na década de
terossexualidade. E, parafraseando Binnie
14
A primeira publicação é do ano de 1949, sob o título Le deu- e Valentine (1999), temos poucas testemu-
xième sexe.

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MARCIO JOSÉ ONART

nhas no Brasil que trabalhem produzindo Ampliam as possibilidades de perceber-


re�exões relacionadas às possíveis espa- mos que a própria diversidade se encontra
cialidades do gênero e da sexualidade. ao lado.
Infelizmente, o etnocentrismo da literatura
relacionada a espaço e gênero, sexualidade
e geogra�a feminista se mantém largamen- REFERÊNCIAS
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15
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