Você está na página 1de 3

RESPOSTA À CONSULTA TRIBUTÁRIA 19303/2019, de 13 de Março de

2019.
 
Disponibilizado no site da SEFAZ em 25/03/2019.
 
 
Ementa
 
ICMS – Substituição tributária – Recolhimento antecipado do imposto nos
termos do artigo 426-A do RICMS/SP – Aquisição de mercadorias por
contribuinte paulista para revenda a órgãos e entidades públicas
mencionados no artigo 55 do Anexo I do RICMS/SP.
 
I – No recebimento de mercadorias sujeitas à substituição tributária,
diretamente de outro Estado, sem a retenção antecipada do imposto, o
estabelecimento paulista destinatário não deverá efetuar o recolhimento
antecipado do ICMS previsto no artigo 426-A do RICMS/SP, se tiver
conhecimento prévio de que os produtos serão objeto de saída de seu
estabelecimento com aplicação da isenção prevista no artigo 55 do Anexo I
do RICMS/SP e que não haverá operações subsequentes (o órgão público
irá adquirir a mercadoria na condição de usuário final).
 

Relato
 
1. A Consulente, com atividade principal de comércio atacadista de artigos de
escritório e de papelaria (CNAE 4647-8/01), relata que adquire, junto a
fornecedores situados no Estado de Santa Catarina, toner de impressoras
classificados na NCM 8443.99.33 e que estão sujeitos ao regime jurídico da
substituição tributária nas operações internas no Estado de São Paulo,
conforme artigo 313-Z19 do RICMS/SP.
 
2. Informa que diante da inexistência de acordo de substituição entre os
Estados de Santa Catarina e São Paulo, o seu fornecedor catarinense remete
as mercadorias sem recolhimento do ICMS relativo às operações
subsequentes (ICMS ST). Além disso, destaca que as mercadorias são
destinadas a órgãos da Administração Estadual de São Paulo, operação
amparada por isenção prevista no artigo 55 do Anexo I do RICMS/SP.
 
3. Considerando que o artigo 426-A do RICMS/SP determina que nas
aquisições interestaduais de mercadorias sujeitas ao regime jurídico da
substituição tributária, quando não houver o recolhimento por parte do
remetente, o adquirente paulista deve realizar o recolhimento do ICMS ST na
entrada da mercadoria em território paulista, a Consulente entende que por se
tratar de operações que gozam do benefício fiscal da isenção (artigo 55 do
Anexo I do RICMS/SP), não está obrigada a efetuar o recolhimento do ICMS
ST, conforme disciplina o artigo 264, II, do RICMS/SP.
 
4. Diante do exposto, indaga se está obrigada a recolher o ICMS ST, nos
termos do artigo 426-A do RICMS/SP, nas aquisições de mercadorias do
Estado de Santa Catarina, considerando que as saídas subsequentes no
Estado de São Paulo são isentas, conforme artigo 55 do Anexo I do
RICMS/SP.
 
 
Interpretação
 
5. De início, esclarecemos que, do exposto, depreendemos serem os produtos
comercializados pela Consulente cartuchos de revelador (toners), classificados
sob o código 8443.99.33 da NCM, e sujeitos à substituição tributária prevista no
artigo 313-Z19, § 1º, item 16, do RICMS/SP.
 
6. Isso posto, transcrevemos o artigo 55 do Anexo I do RICMS/SP, que tem
como fundamento os Convênios ICMS-48/1993, ICMS-107/1995 e ICMS-
26/2003, e que dispõe sobre a isenção nas operações internas de aquisição de
bens e mercadorias por órgãos da Administração Pública Direta e suas
Fundações e Autarquias:
 
“Artigo 55 (ÓRGÃOS PÚBLICOS - AQUISIÇÃO DE BENS, MERCADORIAS
OU SERVIÇOS) - As operações e as prestações de serviços internas, relativas
a aquisição de bens, mercadorias ou serviços por órgãos da Administração
Pública Estadual Direta e suas Fundações e Autarquias (Convênios ICMS-
48/93, ICMS-107/95 e ICMS-26/03). (Redação dada ao artigo pelo Decreto
49.344 de 24-01-2005; DOE 25-01-2005; efeitos a partir de 25-01-2005)
 
§ 1º - O disposto neste artigo:
 
1- não se aplica às operações com bens ou mercadorias e às prestações de
serviços que tenham sido recebidas com o imposto retido antecipadamente por
sujeição passiva por substituição;
 
(...)
 
§ 4º - O imposto excluído na forma deste artigo não será cobrado do órgão
público destinatário do bem, da mercadoria ou tomador do serviço, devendo:
 
1 - o valor do imposto dispensado ser deduzido do valor do bem, da mercadoria
ou do preço do serviço prestado;
 
2 - constar no documento fiscal emitido, conforme a operação ou a prestação,
além dos requisitos e exigências estabelecidos na legislação tributária, a
indicação, por bem, mercadoria ou serviço, do valor do imposto deduzido
conforme previsto no item 1.
 
(...)”
 
7. Da análise do dispositivo transcrito, verifica-se que, para aplicação da
isenção, é necessário, em atendimento ao item 1 de seu § 1º, que as
mercadorias objeto de saída pela Consulente tenham sido recebidas sem a
retenção antecipada do imposto devido por substituição tributária – situação
que corresponde ao descrito pela Consulente.
 
8. Ante o exposto, esclarecemos que a Consulente não deverá efetuar o
recolhimento antecipado previsto no artigo 426-A do RICMS/SP somente se
tiver certeza de que as mercadorias serão objeto de saída de seu
estabelecimento com aplicação da isenção e não haverá operações
subsequentes (o órgão público irá adquirir a mercadoria na condição de usuário
final). Se, no momento da entrada da mercadoria em território paulista a
Consulente não souber quem serão seus destinatários – que, futuramente,
poderão ser, ou não, os órgãos e entidades públicas mencionadas no artigo 55
do Anexo I do RICMS/SP, então, deverá, obrigatoriamente, efetuar o
recolhimento antecipado previsto no citado artigo 426-A do RICMS/SP. Caso,
posteriormente, após ter efetuado o recolhimento antecipado do imposto, a
Consulente promover a saída dessa mercadoria a entidades públicas
mencionadas no artigo 55 do Anexo I do RICMS/SP, ou seja, amparadas pela
isenção, terá direito ao ressarcimento do imposto nos termos no inciso III do
artigo 269 do RICMS/SP, e Portaria CAT-42/2018 ou, nos casos facultados, da
Portaria CAT-158/2015 (artigo 1º das Disposições Transitórias da Portaria
CAT-42/2018).
 
9. Com esses esclarecimentos, consideramos dirimida a dúvida apresentada
pela Consulente.
 
 
A Resposta à Consulta Tributária aproveita ao consulente nos termos da
legislação vigente. Deve-se atentar para eventuais alterações da legislação
tributária.
 

Você também pode gostar