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Fernanda Mussalim

Doutora e Mestre em Linguística pela Universidade Estadual de


Campinas (Unicamp). Graduada em Letras pela Unicamp. Docente da Uni-
versidade Federal de Uberlândia, atua na graduação e na pós-graduação
do Instituto de Letras e Linguística dessa universidade.

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O Funcionalismo em
Linguística: sistema
linguístico e uso das
expressões linguísticas
Funcionalismo e Estruturalismo
De acordo com John Lyons (1987), na Antropologia e na Sociologia os termos funcionalismo e es-
truturalismo são utilizados para se fazer referência a teorias e métodos de análise contrastantes, mas, na
Linguística, o Funcionalismo é visto como um movimento particular dentro do Estruturalismo, visto que
seu objeto de estudo é a língua enquanto sistema, à qual, entretanto, acrescenta uma outra dimensão:
a de ser um sistema de meios de expressão apropriados a uma finalidade comunicativa. Marie-Anne
Paveau e Georges-Élia Sarfati (2006, p. 115), a respeito desse modo de conceber o Funcionalismo, co-
mentam que, de fato, “o funcionalismo tem seu lugar no conjunto do movimento estruturalista; é um
estruturalismo específico que se pode chamar de estruturalismo funcional”.
Essa maneira de compreender o Funcionalismo decorre, entre outras coisas, do fato de ele ter
surgido vinculado à Escola Linguística de Praga1, que teve seu início nos anos de 1920, juntamen-

1 Na verdade, o ponto de vista funcional que assume o pressuposto geral de que a linguagem humana é um instrumento usado para estabelecer
comunicação e com base nisso deve ser explicada, pode ser encontrado em linguistas anteriores a Ferdinand Saussure, como William Whitney
(1827-1894) e Hermann Paul (1846-1921). Para Whitney, a faculdade de linguagem só se justifica pelo desejo da espécie humana de traduzir,
pela fala, a expressão de suas necessidades fundamentais: onde falta o desejo de comunicação, não há produção de linguagem. Hermann Paul,
por sua vez, afirmava que a estrutura linguística deve ser explicada com base em fatores psicológicos, cognitivos e funcionais.

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te com os estudos estruturalistas, e seguiu, conforme analisa Rodolfo Ilari (2004), uma orientação
centrada fortemente no ideário saussuriano: priorizou a análise do sistema; assumiu a noção de lín-
gua enquanto forma; deu preferência à sincronia2. Entretanto, apesar dessa proximidade com o ideário
saussuriano, a ideia geral que funda o pensamento pragueano é que a estrutura das línguas é deter-
minada por suas funções características. Nessa perspectiva, o Círculo de Praga foi matriz de uma nova
maneira de pensar a linguagem, visto que rompe com o paradigma formal3, que postula a autonomia
do sistema.
Por esse motivo, é preciso ter cautela com as etiquetas em –ismo (Estruturalismo, Funcionalismo,
Gerativismo etc.), pois elas achatam e apagam as diversidades tanto dentro de uma mesma episteme,
quanto entre as várias epistemes existentes em um campo. A aproximação entre Funcionalismo e Estru-
turalismo deve ser considerada, pois, com muita cautela, mesmo porque, como veremos, o paradigma
funcional postula que o sistema linguístico é estruturado a partir do uso da língua, rompendo, nesse
sentido, com o postulado central da teoria saussuriana, a saber, que a língua tem sua ordem própria de
funcionamento e só a essa ordem obedece.
A abordagem que faremos do paradigma funcionalista opta por apresentá-lo independentemen-
te das continuidades e descontinuidades que ele possa ter em relação ao Estruturalismo, bem como
em relação ao Gerativismo, ao qual é, do mesmo modo, comumente comparado, como sendo uma
reação a esse programa de pesquisa4. Em nossa abordagem iremos nos concentrar basicamente em dar
visibilidade ao postulado fundamental da teoria funcionalista, já referido anteriormente, de que o uso
estrutura (e reestrutura, e reestrutura... ad infinitum) o sistema linguístico. Tal postulado implica o forte
pressuposto de uma gramática em ininterrupto processo de variação e mudança.

O Funcionalismo em Linguística
O Funcionalismo está longe de ser um movimento monolítico. As abordagens funcionalistas são,
por vezes, tão distintas que não é possível reuni-las em torno de um único modelo teórico. No entanto,
os linguistas estão razoavelmente de acordo em afirmar que, para além dessa diversidade de modelos,
é possível reconhecer um ponto em comum entre os diversos estudos que se abrigam sob o rótulo de
funcionalistas: todos concebem a linguagem como um instrumento de comunicação e de interação

2 O Círculo de Praga opta realmente pela sincronia. Mathesius, considerado pai-fundador do Círculo (apud PAVEAU; SARFATI, 2006, p.
117), afirma que uma “linguística mais recente veio reconhecer que, ao lado do enfoque histórico ou diacrônico, existem razões científicas
equivalentes para postular um enfoque não histórico, sincrônico, nas pesquisas de uma língua dada e de uma época dada, sem considerar
seu estado anterior. Porque somente uma análise de todo o complexo dos fenômenos que se produzem simultaneamente num momento
dado permite-nos apreender a interdependência sincrônica que os relaciona ao sistema linguístico”. Entretanto, a opção pela sincronia não é
tão radical, como o foi para a proposta saussuriana. O Funcionalismo, por trabalhar com uma noção de sistema linguístico (re)estruturado ad
infinitum pelo uso, concebe a gramática da língua como sendo algo em constante processo de variação e mudança, não descartando (muitas
vezes!) de suas considerações o aspecto diacrônico da análise. Um exemplo são os trabalhos sobre gramaticalização (ver a respeito no Texto
Complementar).
3 De acordo com Oliveira (2004), o metatermo formal pode ser compreendido em três acepções: i) como equivalente a científico; ii) como
sinônimo de autônomo; iii) como remetendo a cálculo. Quando aqui fazemos menção ao paradigma formal, estamos nos referindo a teorias
que assumem o pressuposto da autonomia (e também da homogeneidade) de seu objeto de estudo.
4 Apenas faremos menção a esses dois movimentos quando for realmente necessário para esclarecer os pressupostos funcionalistas.
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social5, cuja forma se adapta às funções que exerce. Desse modo, ela somente pode ser descrita e
explicada com base nessas funções, que são, em última análise, comunicativas. O compromisso principal
do enfoque funcionalista é, nesse sentido, descrever a linguagem não como um fim em si mesma, mas
como um requisito pragmático da interação verbal. Estabelece-se, assim, um objeto de estudos baseado
no uso real e que, por isso, não admite separações entre sistema e uso, tal como preconizam tanto o
Estruturalismo de base saussuriana, a partir da distinção entre língua e fala, quanto a Teoria Gerativa,
com a distinção entre competência e desempenho.
Mas como conceber o funcionamento de um sistema que é afetado pelas (estruturado a partir das)
funções comunicativas? Ou, em outras palavras, como conceber o estudo da língua definida enquanto
um sistema que cumpre uma função, tem uma finalidade – a de ser instrumento para a comunicação –
e operacionaliza meios próprios para esse fim? A teoria saussuriana do valor, por si só, não responde a
essa exigência das teorias funcionalistas, que buscam analisar (e explicar) a estruturação das expressões
linguísticas como codeterminada pelo contexto comunicacional, pelas condições reais de produção da
linguagem, fato que se verifica, de acordo com Pezatti (2004):
::: no apego da teoria por regras pragmáticas, baseadas na capacidade social do usuário de
língua natural (ULN);
::: nas tendências que se recusam a reconhecer fronteiras teóricas ou metodológicas entre
a sintaxe, de um lado, e a organização semântica e pragmática de outro, considerando-as
dimensões interdependentes.
Apresentaremos, a seguir, três dos aspectos das teorias funcionalistas referidos pela autora – as
regras pragmáticas, baseadas, como veremos, em um modelo de interação verbal; o conceito de usuário
de língua natural; a interdependência entre a sintaxe e a organização semântica e pragmática –, a fim de
que seja possível compreender melhor o fundamento funcionalista e de que maneira ele suporta a (e é
suportado pela) formulação dos conceitos.
Neves (2006) afirma que uma teoria do funcionamento da linguagem, como é o caso do fun-
cionalismo, exige a formulação de um “modelo de interação verbal”, que, seguindo Dik (1989; 1997),
assenta-se:
::: do ponto de vista da produção – a) na intenção do falante; b) na sua informação pragmática;
c) na antecipação que ele faz da interpretação do ouvinte, considerando a informação prag-
mática que o falante acredita estar disponível ao ouvinte.
::: do ponto de vista da interpretação do ouvinte – a) na própria expressão linguística; b) na sua
informação pragmática; c) na hipótese do ouvinte sobre a intenção comunicativa do falante.
Tal modelo de interação verbal sustenta-se sobre o pressuposto da comunicação cooperativa
e eficiente, baseada na competência comunicativa dos falantes/ouvintes. Pressupõe-se, portanto, um
modelo de Usuário de Língua Natural (ULN) que opera não apenas com uma capacidade linguística, mas
também com capacidades de natureza cognitiva e social, tais como a capacidade epistêmica, a capaci-
dade lógica, a capacidade perceptual, a capacidade social. Vejamos a seguir, no Quadro 1, elaborado com
base em Pezatti (2004), no que consiste cada uma dessas capacidades:

5 Para os estudos funcionalistas, a produção de sentidos somente ocorre no processo de interação; nessa perspectiva, apenas é possível
comunicar sentidos e intenções por meio desse processo. Não há comunicação, portanto, fora do processo de produção de sentidos, que se dá na
interação. Devido a esse forte imbricamento entre interação e comunicação, encontramos, na teoria funcionalista, uma forte flutuação no uso dos
termos comunicação e interação, que não são conceitos equivalentes, é certo, mas devem ser considerados, no Funcionalismo, em uma relação de
extrema dependência. No nosso caso, optamos por conservar, a cada momento, os termos utilizados pelos autores de base deste texto.

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Quadro 1

O ULN é capaz de produzir e interpretar corretamente


expressões linguísticas de grande complexidade e
Capacidade linguística variedade estrutural em um grande número de situações
comunicativas.

O ULN é capaz de construir, manter e explorar uma


base de conhecimento organizado; ele pode derivar
conhecimento a partir de expressões linguísticas,
Capacidade epistêmica armazenar esse conhecimento de forma apropriada,
recuperá-lo e utilizá-lo na interpretação de expressões
linguísticas posteriores.

Munido de certos conhecimentos, o ULN é capaz de


derivar conhecimentos adicionais por meio de regras
Capacidade lógica de raciocínio, controladas por princípios tanto de lógica
dedutiva quanto probabilística.

O ULN é capaz de perceber seu ambiente, derivar


conhecimento a partir de suas percepções e usar esse
Capacidade perceptual conhecimento não só na produção como também na
interpretação de expressões linguísticas.

O ULN não somente sabe o que dizer a um determinado


interlocutor mas também como dizê-lo, em uma
Capacidade social situação comunicativa particular, a fim de atingir metas
comunicativas particulares.

Com relação ao pressuposto da interdependência entre a sintaxe e a organização semântica e


pragmática, é possível compreendê-lo a partir da consideração das regras de uma gramática tipica-
mente funcional. Tais regras são formuladas com base em propriedades funcionais e categoriais dos
constituintes da sentença. As propriedades categoriais referem-se a características intrínsecas dos cons-
tituintes (por exemplo, a propriedade de um constituinte pertencer à classe dos nomes e se submeter às
regras de flexão de gênero e número que regem essa classe de palavras), enquanto as propriedades fun-
cionais implicam a exigência de se considerar a relação de um dado constituinte com outros da cons-
trução linguística em que ele ocorre (no nível das funções sintáticas, a relação entre sujeito e verbo, por
exemplo). As relações funcionais, por sua vez, distribuem-se por três diferentes níveis que configuram
funções sintáticas, semânticas e pragmáticas, conforme mostra, a seguir, o quadro 2:

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Quadro 2

Especificam a perspectiva da qual é apresentado o “estado de coisas”6 na


expressão linguística, como:

::: Sujeito (termo da oração que se articula com o predicado);


Funções sintáticas
::: Objeto (nome que se dá aos complementos verbais).
Exemplo: Maria comprou o livro.
(em que “Maria” é sujeito; “livro” é objeto)

Especificam os papéis que exercem os referentes dentro do “estado de


coisas” designado pela predicação em que ocorrem, tais como:

::: Agente: termo referente ao ser responsável pela realização do


processo verbal;

::: Meta: termo referente ao ser (o beneficiado) para o qual se dirige


Funções semânticas
o processo verbal;

::: Recipiente: termo referente àquele/àquilo sobre o qual o pro-


cesso verbal incide.
Exemplo: Maria comprou o livro para Pedro.
(em que “Maria” é agente; “livro” é recipiente; “Pedro” é meta)

Especificam o estatuto informacional dos constituintes dentro do contexto


comunicacional mais abrangente em que eles ocorrem, como:

::: Tópico: entidade sobre a qual um determinado discurso fornece


alguma informação;

::: Foco: parte mais relevante da informação que é fornecida sobre


Funções pragmáticas o tópico.
Exemplo: Quando você viu Pedro?
O Pedro eu vi ontem.
(em que “Pedro” é tópico)
Quando você viu Pedro?
Ontem eu vi o Pedro.
(em que “Ontem” é foco)

A perspectiva funcionalista considera que a forma da expressão linguística é igualmente


codeterminada por esses três níveis funcionais e que tanto a forma como o conteúdo semântico das
expressões linguísticas podem variar à medida que se atribuem funções diferentes aos constituintes
em cada um desses três níveis de configuração de funções, o que nos permite perceber a interdepen-
dência entre eles.

6 Dik (1989) define “estado de coisas” como uma situação que pode existir ou ocorrer em um determinado mundo, que não precisa ser “real”,
pode ser “imaginário”; o que importa é que as situações descritas se refiram a estados de coisas de um mundo específico.

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Com base na definição dos elementos de análise que constituem cada um dos níveis funcionais
de uma gramática expostos no quadro 2, mas operacionalizando (em função de nossos propósitos)
apenas três desses conceitos (o de sujeito, no nível das funções sintáticas; os de tópico e foco, no nível
das funções pragmáticas), teceremos, a partir da perspectiva funcionalista, algumas considerações
em torno da ordenação dos constituintes na sentença. O intuito é mostrar de que maneira diferentes
padrões de ordenação cumprem funções comunicativas diferentes, ou melhor, de que maneira
funções comunicativas específicas organizam diferentes padrões de ordenação dos constituintes
nas sentenças. No paradigma funcional, as expressões linguísticas são vistas como instrumentos dos
quais os participantes de uma interação verbal se valem para se comunicar em situações específicas
de interação; a língua é, pois, um instrumento de interação social. Pretendemos, com a análise que se
segue, dar visibilidade a esse pressuposto.
Em nossa abordagem, seguiremos Berlinck, Augusto e Scher (2001). As autoras comparam, no
texto em questão, três diferentes perspectivas de abordagem do fenômeno sintático, buscando eluci-
dar, mais especificamente, de que maneira a gramática normativa, a gramática gerativa e a gramática
funcional explicam o processo de estruturação da ordem dos constituintes na sentença. Limitaremos
nosso relato à perspectiva da gramática funcional, que aqui nos interessa mais diretamente.

Uma análise
Da perspectiva funcionalista, concebe-se que existem vários padrões de ordenação para os
constituintes da sentença. Esses diversos padrões são gramaticalmente equivalentes (isto é, não há
uma ordem primeira ou padrão da qual todas as outras são variações), mas cumprem funções comu-
nicativas diferentes. Berlinck et al. (2001), seguindo Dik (1989) e Pezatti e Camacho (1997), explicam
que, da interação das forças que agem para gerar esses diversos padrões de ordenação, chega-se a
um padrão geral de ordenação dos constituintes na sentença, a partir do qual cada língua especifica
seus padrões de ordenação da frase:

P1 (V) S (V) O (V)

Nesse esquema, P1 especifica uma posição reservada a constituintes de determinadas categorias


– como pronomes relativos e conjunções subordinativas – ou a constituintes com função pragmática
de tópico ou foco; V entre parênteses indica a possibilidade variável de posição do verbo; S indica a
posição reservada ao sujeito da oração; O especifica a posição destinada ao objeto complemento do
verbo. Nessa estrutura, não há lugar para complemento circunstancial ou adjunto, pois não são termos
exigidos pelo predicado; nesse sentido, Dik (1981, 1989) os chama de satélites.
Feitas essas considerações, relataremos as análises de Berlinck et al. (2001) referentes a algumas
sentenças e pares de sentenças com o intuito de, como já dito anteriormente, dar visibilidade ao
pressuposto funcionalista de que a estrutura da língua só pode ser plenamente compreendida em
associação com os princípios que regem a interação verbal.
Iniciemos com as sentenças (1), (2) e (3).
(1) Diadorim entregou o facão para Riobaldo.

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(2) Eu vi o Miguilim ontem.


(3) O Manuelzão e o Augusto Matraga vieram na festa.
Nessas sentenças, “Diadorim”, “Eu”, “O Manuelzão e o Augusto Matraga” são, no nível de uma análise
das funções sintáticas, sujeitos das orações. Isso significaria, considerando o padrão geral de ordenação
exposto anteriormente, que não há elemento em P1? Não é esse o caso, porque é preciso considerar
que o sujeito de cada uma das orações – (1), (2), (3) – acumula, além da função sintática de sujeito, a
função pragmática de tópico, visto que a informação contida no predicado refere-se às entidades que
esses sujeitos representam. O padrão de ordenação dessas sentenças corresponde, pois, a:
7
P1/S V (O) (X)

Consideremos agora os pares de sentenças (4) e (5), que se seguem:


(4) Quando você viu o Miguilim?
O Miguilim eu vi ontem.
(5) O que Diadorim fez com o facão?
O facão Diadorim entregou para Riobaldo.
Nas frases-respostas de (4) e (5), “eu” e “Diadorim” são apenas sujeitos, não acumulam a função
pragmática de tópico, que é desempenhada, na frase-resposta (4) pelo constituinte “O Miguilim”, e na
frase-resposta (5) por ”O facão”, que ocupam a posição P1. As frases-perguntas (4) e (5) fornecem o
contexto interacional que nos permite analisar os termos em P1 como tópicos, pois é sobre as entidades
a que esses termos se referem que se pede (e se fornece) alguma informação. No entanto, esses mesmos
termos poderiam ser analisados como focos, se inseridos em outro contexto interacional, como será
possível perceber nos pares (6) e (7), que se seguem:
(6) Quem você viu ontem?
O Miguilim eu vi ontem.
(7) O que Diadorim entregou para Riobaldo?
O facão Diadorim entregou para Riobaldo.
Nas frases-respostas (6) e (7), “O Miguilim” e “O facão”, que ocupam a posição P1, desempenham
a função pragmática de foco, visto que, analisando o contexto interacional fornecido pelas frases-
-perguntas (6) e (7), é possível perceber que são eles que carregam a informação mais importante ou
saliente da frase.
Nos quatro pares de frases apresentados, o padrão de ordenação dos constituintes nas senten-
ças-respostas pode ser assim representado:

P1 S V X

7 Como explicam Berlinck et al. (2001, p. 236), o “fato de ‘O’ aparecer entre parênteses indica a possibilidade de que ele não ocorra na frase”,
como em (3). “Já o símbolo ‘X’ representa um constituinte de outra natureza, que pode ocorrer ou não na frase”. Nas sentenças analisadas, “X”
corresponde a “para Riobaldo” (OI); “ontem” e “na festa” (circunstanciais).

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Os pares de frases a seguir apresentam, de acordo com Berlinck et al. (2001), uma problemática
diferente, pois, nas frases-respostas (8) e (9), o sujeito aparece posposto:
(8) Tinha muita gente na festa?
Na festa vieram Manuelzão e o Augusto Matraga.
(9) O que aconteceu?
Vieram o Manuelzão e o Augusto Matraga na festa.
Em (8), o padrão de ordenação da frase-resposta pode ser assim representado:

P1 V S

Esse padrão, com sujeito posposto ao verbo, explica-se pelo fato de o sujeito não ser tópico e nem
constituir isoladamente o foco – por esse motivo não há razão pragmática para que ocupe P1 (PEZATTI;
CAMACHO, 1997). Considerando a frase-pergunta (8), que fornece informações sobre o contexto
comunicacional, o constituinte “Na festa” é que desempenha função pragmática de tópico, pois é sobre
a entidade a que esse termo se refere que a informação é requerida e fornecida. Por esse motivo, ele
ocupa a posição P1, normalmente reservada a elementos com função pragmática marcada.
O sujeito, por sua vez, carrega a informação nova, não sendo, entretanto, o único elemento a fazê-lo.
Por isso não constitui um foco marcado, não tendo, mais uma vez, razões pragmáticas para ocupar P1. O
sujeito, aqui, entra na composição da frase-comentário, que veicula, como um todo, a informação nova
requerida sobre “a festa”.
Em (9), o padrão de ordenação da frase-resposta é o seguinte:

V S X

Nesse caso, o estatuto do elemento novo também explica a posposição do sujeito ao verbo, mas,
diferentemente da frase-resposta (8), “na festa” também faz parte da frase-comentário, do que decorre
que o enunciado como um todo veicula informação nova, hipótese confirmada pelo contexto comuni-
cacional fornecido pela frase-pergunta (9) – “O que aconteceu?”.
As análises aqui relatadas devem ter esclarecido razoavelmente que, da perspectiva funciona-
lista, o universo de análise da linguagem é a língua em uso, visto que são as condições e as exigências
comunicacionais que moldam a sua estrutura, como pudemos perceber pela análise da ordenação dos
constituintes na sentença, exposta nesta seção. Nesse sentido, o sistema linguístico existe para cumprir
funções essencialmente comunicativas, do que decorre, como já afirmamos, que as línguas são instru-
mentos de interação social e devem, por isso, ser descritas e explicadas a partir do esquema efetivo da
interação verbal.
Entretanto, não devemos nos esquecer de que o sistema de regras linguísticas também impõe
restrições: não ordenamos, por exemplo, os constituintes de uma sentença de qualquer maneira
– não pospomos, em português, o artigo ao substantivo, pois essa estruturação não é licenciada
pelo sistema linguístico de nosso idioma. Na verdade, submetemo-nos sempre, em alguma medida,
ao sistema linguístico, mas também “manejamos um conjunto de opções, com as quais ajustamos
nossas produções para, compondo sentido, obtermos sucesso na interação, conseguirmos, realmente,
interagir” (NEVES, 2006, p. 130).

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Texto complementar

A gramaticalização
(TRAVAGLIA, 2002, p. 2-3)

Os estudos de gramaticalização têm sido entendidos como o estudo de mudanças linguísticas


que acontecem no espaço de um continuum que até o momento tem se revelado como sendo
estabelecido entre unidades linguísticas independentes, quase sempre de natureza lexical, em
construções menos ligadas e unidades de natureza mais gramatical, dependentes e ligadas (tais
como clíticos, partículas, auxiliares, construções aglutinativas e flexões) (Cf. CASTILHO, 1997:26).
Nesse continuum observa-se o surgimento de elementos gramaticais por um processo em que um
elemento de natureza lexical da língua passa a elemento funcional e/ou gramatical da língua ou de
um nível menos gramatical para um mais gramatical1, como, por exemplo, a passagem de um verbo
pleno a auxiliar ou a passagem de um morfema derivacional a morfema flexional.
Como diz Hopper (1991: 59), entende-se por gramaticalização “a transformação de itens e sin-
tagmas lexicais em formas gramaticais”. Hook (1991: 59) diz que “a gramaticalização está concerni-
da com instâncias dramáticas de mudança semântica, em que a partir de um ponto inicial um item
lexical independente mais tarde aparece como uma palavra funcional ou morfema preso, preen-
chendo um papel geral, frequentemente bastante abstrato no sistema gramatical da língua a que
pertence”.
Para dimensionamento do que estaremos dizendo, neste estudo entenderemos um item/
elemento/unidade da língua como lexical quando seu significado for caracterizado por um conteúdo
semântico ligado à indicação de algo do mundo biopsicofisicossocial e entenderemos um item/
elemento/unidade da língua como gramatical quando o mesmo tiver um significado caracterizado
por um conteúdo de natureza funcional, gramatical, relacional, dentro dos limites da organização
e funcionamento da língua sem referência a elementos do mundo biopsicofisicossocial ou, se
tiver apenas uma indicação referencial “indireta” como a dêitica e a anafórica. Para nós incluem-se
entre os valores gramaticais, valores e funções de ordenação textual-discursiva, direcionamentos
argumentativos, ênfase, contrastes entre figura e fundo, entre outras funções textuais que com
frequência não são vistos como fazendo parte da gramática da língua.
[...] Estaremos chamando de elemento gramatical aquele que representa a codificação de
um conceito cognitivo de natureza puramente linguística sem qualquer referência a elementos
de um mundo biopsicofisicossocial.
A gramaticalização tem sido entendida como o processo pelo qual uma forma, de uma ca-
tegoria lexical ou gramatical dada, migra para uma categoria gramatical ou para outra categoria
gramatical, ou para o espaço intercategorial. Nessa evolução as “unidades linguísticas perdem em
complexidade semântica, liberdade sintática e substância fonética” (HEINE E REH, 1984 apud CAS-
TILHO, 1997: 26).

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Os estudiosos em geral estão de acordo quanto ao fato de que a gramaticalização é um pro-


cesso gradual, gradiente e sem fim, pois estão sempre se renovando as possibilidades expressionais
dos elementos gramaticais. Por isso mesmo se coloca que a gramaticalização tem uma dimensão
sincrônica que seria responsável pela variação e uma dimensão diacrônica que seria responsável
pela mudança.

1 Esta é uma concepção de gramaticalização (o estudo de um conjunto específico de processos de mudanças linguísticas da natureza
anteriormente definida). É um sentido restrito de gramaticalização. A outra concepção, que muitos autores preferem, à vezes, chamar
de gramaticização, tem a ver com o ramo da Línguística que se ocuparia com o estudo de como as formas e construções linguísticas
surgem, são usadas e configuram os sistemas linguísticos (Cf. CASTILHO, 1997 e GALVÃO, 1999: 12). Este seria um sentido “lato sensu” de
gramaticalização.

Estudos linguísticos
1. Qual é o pressuposto fundamental do Funcionalismo?

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2. Apresente o modelo de interação verbal, tal como concebido por Simon Dik.

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3. Na perspectiva funcionalista, como é concebido o usuário de língua natural?

Gabarito
1. O Funcionalismo assume que a linguagem é um instrumento de comunicação e de interação
social, cuja forma se adapta às funções que exerce. Desse modo, ela somente pode ser descrita e
explicada com base nessas funções, que são, em última análise, comunicativas.

2. O modelo de interação verbal proposto por Dik assenta-se, do ponto de vista da produção, na
intenção do falante; na sua informação pragmática; na antecipação que ele faz da interpretação do
ouvinte. Do ponto de vista da interpretação do ouvinte, considera-se que a interpretação depende
da própria expressão linguística; da sua informação pragmática; da hipótese que ele faz sobre a
intenção comunicativa do falante. Tudo isso sendo sustentado pelo pressuposto da comunicação
eficiente, bem-sucedida, devido à competência comunicativa dos falantes/ouvintes.

3. O Usuário de Língua Natural (ULN) é concebido como alguém que opera não apenas com uma
capacidade linguística, mas também com as capacidades epistêmica, lógica, perceptual e social.

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Referências
ALTHUSSER, Louis. Ideologia e Aparelhos Ideológicos do Estado. 10. ed. Lisboa: Presença/Martins
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ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires, Filosofando: introdução à filosofia. 3.
ed. São Paulo: Moderna, 2003.
AUROUX, Sylvain. A Filosofia da Linguagem. Campinas: Unicamp, 1998.
BAKHTIN, Mikhail M. Discourse in the novel. In: _____. The Dialogic Imagination: four essays by M. M.
Bakhtin. Austin: University of Texas Press, 1981. (Data do original: 1934)
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