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Conhecimento e Métodos Científicos

INTRODUÇÃO

A reflexão filosófica dos séculos XVII e XVIII desenvolve os seus motivos fundamentais paralelamente ao
desenvolvimento das ciências matemáticas e naturais e com o consolidamento dos Estados nacionais.

O Renascimento italiano com Galilei e Maquiavel havia dado a primeira resposta ao problema da ciência e da política.
Com Campanela havia esclarecido a nova exigência filosófica: a autoconsciência como ponto de partida do filosofar.
Galileu Galilei, ainda que dentro de certos limites, dá um caráter humanístico ao método experimental: experiência
e cálculo matemáticos entendidos como dois momentos de um único método com o qual o homem interroga e atua
sobre os fenômenos da natureza. A ciência se funda sobre a experiência, mas o sujeito ativo da experiência é o
homem. Por vias diversas, Campanela e Galilei colocam o problema crítico do conhecimento.

O problema do método caracteriza a origem da ciência moderna. Interessava tanto à ciência quanto à filosofia, dando
origem a novas e importantes questões gnosiológicas e metafísicas.

Galilei fixou os dois momentos do método experimental, a indução e a dedução. Bacon aprofunda a indução e a ela
subordina a dedução. Descartes, ao contrário, indica o primado da dedução.

Os dois momentos do método acabam por se apresentar como dois métodos, como duas fontes de conhecimento.
Originam as duas correntes do pensamento moderno: o empirismo inglês (Hobbes, Locke, Berkeley, Hume) e o
racionalismo (Descartes, Melebranche, Espinoza, Leibniz).

Bacon formula os problemas que o empirismo posterior aprofundará. René Descartes inicia o racionalismo moderno e
formula os problemas que desenvolverá e sistematizará o próprio racionalismo no seu longo diálogo crítico com o
empirismo. Leibniz, em um momento posterior, reelabora com originalidade o racionalismo cartesiano, formulando
um sistema que, apesar de especulativo, antecipará e informará, além da filosofia de Kant, boa parte da filosofia
elaborada até nossos dias.

A investigação científica depende de um “conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos” (Gil, 1999, p.26) para
que seus objetivos sejam atingidos: os métodos científicos.

Método científico é o conjunto de processos ou operações mentais que se devem empregar na investigação. É a linha
de raciocínio adotada no processo de pesquisa. Os métodos que fornecem as bases lógicas à investigação são:
dedutivo, indutivo, hipotético-dedutivo, dialético e fenomenológico (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993). De
forma breve veja a seguir em que bases lógicas estão pautados tais métodos.

1 –METODOLOGIA EM PESQUISA
Metodologia significa estudo dos métodos ou da forma, ou dos instrumentos necessários para a construção
de uma pesquisa científica; é uma disciplina a serviço da Ciência. O conhecimento dos métodos que
auxiliam na elaboração do trabalho científico.

“Metodologia adquire o nível de típica discussão teórica, inquirindo criticamente sobre as maneiras de se
fazer ciência. Sendo algo instrumental, dos meios, não tem propriamente utilidade direta, mas é fundamental
para a ‘utilidade’ da produção científica. A falta de preocupação metodológica leva à mediocridade fatal”
(Demo, 1995, p. 12).

A atividade da pesquisa necessita de método, mesmo que este seja instrumental, a fim de orientar o
pesquisador à construção de quadros teóricos do conhecimento. Demo afirma que “esse instrumento [o
método] é indispensável sob vários motivos: de um lado, para transmitir à atividade marcas de
racionalidade, ordenação, otimizando o esforço; de outro, para garantir contra credulidades, generalizações
apressadas, exigindo para tudo que se digam os respectivos argumentos; ainda, para permitir criatividade,
ajudando a devassar novos horizontes” (1995, p. 12).
Na produção científica nem tudo o que se afirma ou se faz tem a mesma solidez. Nas teorias, por exemplo,
podemos perceber que alguns enunciados possuem a tessitura de uma tese, significando posturas mais ou
menos aceitas. Outros são apenas hipóteses, ou suposições aceitáveis, no sentido de poderem ser
argumentadas. Mas há também pontos de partida sem maiores rigores comprobatórios, e mesmo gratuitos, já
que não poderíamos arcar com o compromisso de elucidar definitivamente toda e qualquer afirmação
(Demo, 1995, p. 12).

2 - CONHECIMENTO
“O fenômeno do conhecimento humano é, sem dúvida, o maior milagre de nosso universo” (Popper, 1975,
p. 7).

Popper distingue dois tipos de conhecimento: o conhecimento constituído de um estado de consciência que
apenas leva a reagir, e o conhecimento, no sentido objetivo constituído de problemas, teorias e argumentos.

Para Khazraí o conhecimento surge “quando todas as vozes do pensamento científico se interagem nas
tendências tumultuosas da afetividade, na sala de aula, no momento do estudo, no laboratório e abre frente
aos nossos olhos novas perspectivas infinitas de reflexão, e faz voarem nossos espíritos no firmamento
interminável da cognição e da emoção. É nesse ponto que a ciência e o afeto se interagem para dar origem
ao que nós chamamos de conhecimento” (1983, p. 2).

Essa é uma forma de conhecimento essencialmente científica, principalmente por ressaltar uma forma
sistemática para obter conhecimento, e as discussões científicas, sala de aula, laboratório, são elementos
fundamentalmente encontrados nas universidades, institutos de pesquisas etc.

Vale ressaltar que o conhecimento pode ser obtido por diversas formas, ou seja, não apenas pelo método
conhecimento científico. Assim, faremos a distinção entre as maneiras encontradas para se obter
conhecimento e os tipos de conhecimento.

2.1 - Métodos para Obter Conhecimento

Os métodos conhecidos para aquisição de conhecimentos, ou para compreender a realidade dos fatos, são:
sentidos, raciocínio, tradição e autoridade.

2.1.1 - Sentidos

Tudo o que a visão, o audição, o gosto, o olfato, e o tato percebem é compreendido pelos sentidos. ‘Abdu’l-
Bahá menciona que “esse foi o método usado pelos filósofos europeus, e era considerado como o método
principal para se adquirir conhecimento” (1979, p. 238).

2.1.2 - Raciocínio

É esse o método da compreensão. O pesquisador prova seus objetos de pesquisa pelo raciocínio, adere
firmemente às provas lógicas; todos os argumentos são provenientes da observação, leituras, experiências
anteriores. Provam-se fatos por argumentos lógicos. Depois de algum período de tempo, o observador revê
as mudanças ocorridas no ambiente que o conduziu às primeiras conclusões e por argumentos lógicos negam
as conclusões anteriores.

“Platão primeiro provou logicamente a imobilidade e o movimento do Sol, e mais tarde, provou por
argumentos lógicos ser o Sol o centro estacionário em volta do qual a Terra se movia. Subseqüentemente, a
teoria ptolemaica foi divulgada, vindo, assim, a ser esquecida a idéia de Platão, até que, afinal, um novo
observador a ressuscitou. Todos os matemáticos, pois, dissentiram, embora dependessem de argumentos
racionais” (‘Abdu’l-Bahá, 1975, p. 238).
Donde se conclui que esse é o método que mais permeia as pesquisas científicas. Os cientistas têm opiniões
diferentes porque seus sistemas de valores não são unívocos. O pesquisador deve ter a liberdade para
pesquisar suas idéias, seguindo regras, métodos e espírito crítico próprios.

2.2 - Tipos de Conhecimento

Normalmente, os metodólogos [Gil, Trujillo Ferrari, Lakatos & Marconi] apresentam quatro classificação do
conhecimento, a saber: popular, religioso, filosófico e científico.

Iudícibus (1997b, p. 68), apresenta um quadro sintético desses conhecimentos:

Conhecimento Popular Conhecimento Religioso


valorativo valorativo
reflexico inspiracional (dogmático)
assistemático sistemático

verificável não-verificável
falível infallível
inexato exato
Conhecimento Filosófico Conhecimento Científico
valorativo explorativo
racional (lógico) racional-contingencial
sistemático assistemático
não-verificável verificável
infalível falível
exato aproximadamente exato

2.2.1 - Conhecimento Popular

O conhecimento popular é assistemático e é conferido pela familiaridade que se tem com os objetos,
geralmente é aquele conhecimento adquirido no meio familiar. “Esse conhecimento é resultado de
suposições e de experiências pessoais. Portanto, e informação íntima, porém não sistematizada, desde que
não foi suficientemente refletida para ser reduzida a uma formulação geral. De modo que tais experiências
não podem ser transmitidas fácil e compreensivelmente de uma pessoa para outra. Assim, pelo
conhecimento familiar, as pessoas sabem que água é um líquido; mas, não compreender como se origina e
qual é a sua composição molecular, assunto que já corresponde ao domínio da ciência” (Trujillo Ferrari,
1982, p. 6).

No exemplo da água, dado por Trujillo Ferrari, é mencionado que não se pode compreender sua origem,
acreditamos que nesse nível de conhecimento [popular] não há preocupação com a origem dos fatos de uma
forma geral, visto que apresenta como características valorativas, assistemáticas, falível, inexato, entre
outras.

2.2.2 - Conhecimento Religioso

As crenças religiosas costumam constituir fontes privilegiadas de conhecimento, e por se tratar do


conhecimento do Ser superior, sobrepõem-se a qualquer outra forma. Bahá’u’llah, o fundador da “Fé
Bahá’í”, afirma que: “A origem de toda erudição é o conhecimento de Deus - exaltada seja a Sua glória - e
este só será atingido através do conhecimento de Seu Manifestante Divino” (1983, p. 175).

De acordo com a visão “Bahá’í”, o verdadeiro conhecimento é alcançado quando se permite pesquisar sem
preconceitos os livros sagrados que emanam dos manifestantes divinos, tais como Cristo, Moisés, Maomé,
Buda Krishna, e outros.
Analisando o conhecimento religioso pela comunidade científica apontaremos a definição de Trujillo
Ferrari.

O conhecimento religioso ou, mais propriamente dito, conhecimento teológico, implica na crença de que as
verdades tratadas são infalíveis, por serem reveladas pelo sobrenatural. É um conhecimento sistemático do
mundo como obra de um criador divino e cujas evidências não são verificadas. Neste caso, a adesão do
crente é um ato de fé. Enquanto que na ciência a verdade a ser atingida é falível e se sustenta em teorias que
podem ser substituídas por outras mais efetivas ou válidas, o conhecimento religioso se apóia na doutrina
que contém proposições sagradas (1982, p. 6).

Khazraí, citando ‘Abdu’l-Bahá, afirma que “não há contradição entre a verdadeira religião e a ciência.
Quando a religião se opõe à ciência, ela não passa de mera superstição: o que é contrario ao conhecimento, é
ignorância” (1987b, p. 28).

Quando houver acordo entre a ciência e a religião, a disputa entre o dogmatismo e o pragmatisno, empirismo
e racionalismo o fim da disputa entre esses -ismos, possivelmente teremos cientistas menos materialistas e
teólogos menos fanáticos.

2.2.3 - Conhecimento Filosófico

“Em filosofia é permitido e usual colocar antecipadamente hipóteses que não podem ser submetidas ao
crucial teste da observação. As hipóteses filosóficas baseiam-se na experiência; portanto, este conhecimento
emerge da experiência e não da experimentação. Daí, a verificação dos enunciados filosóficos não serem
confirmados nem refutados, o que não ocorre com as hipóteses dentro do campo de ciência“ (Trujillo
Ferrari, 1982, p. 7).

A partir desse ponto de vista verifica-se que o conhecimento filosófico advém da observação - formulação
de hipóteses - e a experimentação - verificação da hipótese.

Gil considera que “os filósofos proporcionam importantes elementos para a compreensão do mundo. Em
virtude de se fundamentar em procedimentos racional-especulativos, os ensinamentos dos filósofos têm sido
considerados como dos mais válidos para proporcionar o adequado conhecimento do mundo” (1995, p. 20).

Vimos, assim, que o conhecimento folosófico vai da observação à experimentação, sendo, portanto,
valorativo, racional, sistemático, não-verificável, infalível, exato.

Iudícibus afirma que o conhecimento filosófico [...]“é aproximadamente exato (pelo menos nas ciências não-
matemáticas), no sentido de que, por trabalhar com modelos, estes não têm a possibilidade de escolher todas
as variáveis, principalmente nas ciências sociais” (1997, p. 68).

2.2.4 - Conhecimento Científico

Esse tipo de conhecimento se distingue dos demais tipos apresentados, visto que oferece a verificação do
fato pesquisado, é falível e sistemático.

A ciência se preocupa em estabelecer as propriedades e os padrões interdependentes entre as propriedades,


para construir as generalizações ou as leis. Não se duvida, entretanto, que muitas das disciplinas científicas
existentes têm surgido das preocupações práticas da vida cotidiana, como a geometria dos problemas de
medição e relevantamento topográfico nos campos; a mecânica de problemas apresentados pelas artes
arquitetônicas; a biologia dos problemas humanos [...] (Trujillo Ferrari, 1982, p. 6).

A pesquisa científica deve ser orientada para remover barreiras e procurar resolver ou apresentar soluções
para os problemas sociais, econômicos, políticos e científicos.

Conforme Lakatos & Marconi, “a logicidade da ciência manifesta-se através de procedimentos e operações
intelectuais que:
• Possibilitam a observação racional e controlam os fatos;
• Permitem a interpretação e a explicação adequada dos fenômenos;
• Contribuem para a verificação dos fenômenos, positivados pela experimentação;
• Fundamentam os princípios da generalização ou o estabelecimento dos princípios e das leis (1995,
p.21).

Para pesquisar ou elaborar um conhecimento científico, tornam-se necessário os seguintes pontos:

• Construir o objeto de pesquisa;


• Elaborar as hipóteses ou questões de pesquisa;
• Traçar os objetivos para testar as hipóteses ou responder as questões elaboradas;
• Apresentar as conclusões alcançadas.

Conforme o exposto, o conhecimento científico é estruturado, limitado e utilizam-se modelos, verificáveis,


falíveis, aproximadamente exatos. Concluímos que as verdades científicas são provisórias.

3 - MÉTODOS DE PESQUISA
Métodos é o conjunto de regras e procedimentos adotados para realizar um pesquisa. A escolha do método
de pesquisa depende da natureza da pesquisa.

3.1 - Desenvolvimento Histórico do Método

Apresentaremos o desenvolvimento histórico do método de pesquisa, de acordo com Lakatos & Marconi.

“Somente no século XVI é que se iniciou uma linha de pensamento que propunha encontrar um
conhecimento embasado em maiores garantias, na procura do real. Não se buscam mais as causas absolutas
ou a natureza íntima das coisas; ao contrário, procuram-se compreender as relações entre elas, assim como a
explicação dos acontecimentos, através da observação científica aliada ao raciocínio” (1995, p. 41).

As autoras apresentam diversos outros autores que desenvolveram o método científico.

3.1.1 - Método de Galileu Galilei

O primeiro teórico do método experimental. Os principais passos de seu método podem ser assim expostos:

• Observação dos fenômenos;


• Análise dos elementos constitutivos desses fenômenos, com a finalidade de estabelecer relações
quantitativas entre eles;
• Indução de certo número de hipóteses, tendo por fundamento a análise da relação desses elementos
constitutivos dos fenômenos;
• Verificação das hipóteses aventadas por intermédio de experiências (experimento);
• Generalizações do resultado das experiências para casos similares.
• Confirmação das hipóteses, obtendo-se, a partir dela, leis gerais (1995, p. 42).

3.1.2 - Método de Francis Bacon

[Bacon] “critica Galileu e Aristóteles por considerar que o processo de abstração e o silogismo (dedução
formal que, partindo de duas proposições, denominadas premissas, delas retira uma terceira, nelas
logicamente implicada, chamada conclusão) não propiciam um conhecimento completo do universo.

Sendo o conhecimento científico o único caminho seguro para a verdade dos fatos, deve seguir os seguintes
passos:

• Experimentação;
• Formulação de hipóteses;
• Repetição - os experimentos devem ser repetidos em outros lugares ou por outros cientistas, tendo
por finalidade dados que, por sua vez, servirão para a formulação de hipóteses;
• testagem das hipóteses;
• Formulação e generalizações de leis (Lakatos & Marconi 1995, p. 42-43).

3.1.3 - Método de Descarte

Ao lado de Galileu e Bacon, no mesmo século, surge Descarte. Com sua obra Discurso sobre o Método,
afasta-se dos processos indutivos, originando o método dedutivo. Para ele, chega-se à certeza através da
razão, princípio absoluto do conhecimento humano. Postula quatro regras:

• A da evidência;
• A da análise;
• A da síntese;
• A da enumeração (Lakatos & Marconi 1995, p. 44).

3.1.4 - Método de Bunge

Para Bunge o método científico é a teoria da investigação. Esta alcança seus objetivos, de forma científica,
quando cumpre ou se propõe a cumprir as seguintes etapas:

• Descobrimento do problema;
• Colocação precisa do problema;
• Procura de conhecimentos ou instrumentos relevantes ao problema;
• Tentativa de solução do problema com auxílio dos meios identificados;
• Invenção de novas idéias;
• Obtenção de uma solução;
• Investigação das conseqüências da solução obtida;
• Prova (comprovação) da solução;
• “Correção das hipóteses, teorias, procedimentos ou dados empregados na obtenção da solução
incorreta” (Lakatos & Marconi, 1995, p. 46).

Esses vários métodos de pesquisa apresentados por LaKatos & Marconi podem ser resumidos em dois:
indutivo e dedutivo. O indutivo parte de observações particulares para fazer generalizações. Ao passo que o
dedutivo parte de observações gerais e dessas generalizações chega a conclusões particulares.

Salmon (1979, p. 30-31) apresenta algumas características que distinguem os métodos indutivos e dedutivos.

DEDUTIVO INDUTIVO
• Se todas as premissas são verdadeiras, • Se todas as premissas são verdadeiras,
a conclusão deve ser verdadeira. a conclusão é provavelmente
verdadeira, mas não necessariamente
verdadeira.
• Toda a informação ou conteúdo fatual • A conclusão encerra informação que
da conclusão já estava, pelo menos não estava, nem implicitamente, nas
implicitamente, nas premissas. premissas.

Denota-se que a marca da indução é a argumentação, enquanto que a da dedução é a observação. Assim,
uma pesquisa pode usar os dois métodos simultaneamente; dependerá da forma que a pesquisa foi ou está
estruturada.
MÉTODO DEDUTIVO

Método proposto pelos racionalistas Descartes, Spinoza e Leibniz que pressupõe que só a razão é capaz de levar ao
conhecimento verdadeiro. O raciocínio dedutivo tem o objetivo de explicar o conteúdo das premissas. Por intermédio
de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente, de análise do geral para o particular, chega a uma conclusão. Usa
o silogismo, construção lógica para, a partir de duas premissas, retirar uma terceira logicamente decorrente das duas
primeiras, denominada de conclusão (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993). Procura transformar enunciados
complexos em particulares( partir do todo para as partes). O conhecimento embutido na conclusão já existe nas
premissas!!!

• Sua forma mais comum é o silogismo...

o Todos os homens são mortais

o Platão é homem

o Platão é mortal.

Veja um clássico exemplo de raciocínio dedutivo:

Exemplo:

Todo homem é mortal. ...........................................(premissa maior)

Pedro é homem. .....................................................(premissa menor)

Logo, Pedro é mortal. .............................................(conclusão)

Generalidade e Especialidade do Método Dedutivo

• Como já vimos, este método serve para explicar nossos fenômenos.

o Explicar é relacionar casos particulares a princípios gerais.

o A explicação está na conexão entre premissas e conclusão.

o Dizer que uma teoria explica as leis é mais do que a mera dedução lógica.

MÉTODO INDUTIVO

Método proposto pelos empiristas Bacon, Hobbes, Locke e Hume. Considera que o conhecimento é fundamentado na
experiência, não levando em conta princípios preestabelecidos. No raciocínio indutivo a generalização deriva de
observações de casos da realidade concreta. As constatações particulares levam à elaboração de generalizações, da
parte em particular, para o todo (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993). Veja um clássico exemplo de raciocínio
indutivo. Exemplo:

Antônio é mortal.

João é mortal.

Paulo é mortal.

O método indutivo realiza-se em três etapas:

• Observação dos fenômenos

• Descoberta da relação entre eles

• Generalização da relação

MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO
Proposto por Popper, consiste na adoção da seguinte linha de raciocínio: “quando os conhecimentos disponíveis sobre
determinado assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno, surge o problema. Para tentar explicar a
dificuldades expressas no problema, são formuladas conjecturas ou hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem-se
conseqüências que deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa tornar falsas as conseqüências deduzidas das
hipóteses. Enquanto no método dedutivo se procura a todo custo confirmar a hipótese, no método hipótetico-dedutivo,
ao contrário, procuram-se evidências empíricas para derrubá-la” (GIL, 1999, p.30).

MÉTODO DIALÉTICO

Fundamenta-se na dialética proposta por Hegel, na qual as contradições se transcendem dando origem a novas
contradições que passam a requerer solução. É um método de interpretação dinâmica e totalizante da realidade.
Considera que os fatos não podem ser considerados fora de um contexto social, político, econômico, etc. Empregado
em pesquisa qualitativa (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993).

MÉTODO FENOMENOLÓGICO

Preconizado por Husserl, o método fenomenológico não é dedutivo nem indutivo. Preocupa-se com a descrição direta
da experiência tal como ela é. Importando-se com as essências, e o mais subjetivos dos métodos. A realidade é
construída socialmente e entendida como o compreendido, o interpretado, o comunicado. Então, a realidade não é
única: existem tantas quantas forem as suas interpretações e comunicações. O sujeito/ ator é reconhecidamente
importante no processo de construção do conhecimento (GIL, 1999; TRIVIÑOS, 1992). Empregado em pesquisa
qualitativa.

TEORIA E FATOS

• De acordo com o Senso Comum:

o Fato: realidade inquestionável

o Teoria: especulação

• De acordo com o Conhecimento Científico:

o Fato: observação empiricamente verificada.

o Teoria: relações entre fatos

• Então:

o Teoria precisa dos fatos

o Ambos são necessários ao Conhecimento Científico!

Teoria em relação aos fatos

• Teoria orienta os objetos da Pesquisa

o Restringe a Amplitude em cada campo de conhecimento.

o Define os principais aspectos de uma investigação. Determina precisamente os tipos de dados que
devem ser abstraídos da realidade.

• Oferece um Sistema de Conceitos

o E de classificação dos fatos, fazendo isto através de:

 Representação dos fatos.