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A função da Genealogia da Moral em Nietzsche: uma polêmica ou uma


provocação?

Conference Paper · January 2009

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Fernando de Sá Moreira
Universidade Federal Fluminense
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A FUNÇÃO DA GENEALOGIA DA MORAL EM NIETZSCHE: UMA POLÊMICA OU
UMA PROVOCAÇÃO?
Fernando de Sá Moreira
Mestrando em Filosofia/Unioeste
urbanoia@gmail.com

Um dos textos mais conhecidos de Nietzsche é Genealogia da Moral (1887), escrito


pouco mais de um ano antes do colapso mental que encerrou sua produção
filosófica no início de 1889. A obra em questão apresenta de forma bem estruturada
a crítica da moral elaborada pelo pensador alemão. A comunicação pretende
abordar os diversos aspectos relacionados com a confecção, posição e função da
Genealogia da Moral nos escritos de Nietzsche. A problemática central é estabelecer
o sentido geral da obra, expresso pelo subtítulo “um escrito polêmico” (eine
Streitschrift, no original), relacionando-o com o projeto de uma transvaloração de
todos os valores. A Genealogia da Moral é um texto daquele que é considerado o
terceiro período do pensamento nietzschiano. Esse período é inaugurado com Assim
falava Zaratustra (1883), englobando todas as demais obras e fragmentos escritos
até o fim da produção intelectual do filósofo alemão. A obra tem uma função
importante nesse período, além de ser um dos textos onde mais claramente o
procedimento nietzschiano de crítica é exposto e executado. A tarefa da Genealogia
da Moral é fornecer a psicologia do cristianismo; ela pretende abordar uma questão
importante no pensamento nietzschiano: o porquê mesmo sendo fruto da
decadência e do esgotamento, a moral escrava prevalece atualmente sobre a moral
nobre. Entretanto, pretendemos argumentar que a Genealogia da Moral, não apenas
tem como propósito expor as teses de Nietzsche sobre a moral, mas sobretudo levar
a discussão da moral para o âmbito do vir-a-ser. Em última instância, o objetivo de
Nietzsche, mais do que convencer de suas hipóteses sobre a moral, pretende
declarar guerra contra a moral escrava e restabelecer o perspectivismo na pesquisa
sobre a moral. A proposta crítica de Nietzsche, segundo nossa interpretação, não
pretende estabelecer um ponto fixo de fundamentação ou de pesquisa sobre a
moral, mas justamente demostrar que não há um ponto fixo quer permite tal
fundamentação. Possuir esse pretenso ponto fixo significaria estagnar a luta das
diversas avaliações, o que não é possível e, para Nietzsche, sequer desejável. Pelo
mesmo motivo, a crítica da moral proposta pelo filósofo da vontade de potência, não
pretende eliminar a moral do ressentimento, todavia, pretende que ela não seja a
única moral. Ou seja, se, por um lado, o procedimento crítico nietzschiano é uma
pergunta pelo “valor dos valores morais”, por outro lado, essa valoração dos valores
não põe fim à cadeia de avaliações e valorações; mas justamente é o impulso pela
retomada do movimento das avaliações e valorações. Para fundamentar nossa
hipótese interpretativa, usaremos principalmente as obras do terceiro período
nietzschiano e fragmentos póstumos do período de confecção de Genealogia da
Moral. Há vários indícios que indicam que o texto em questão, mais do que funcionar
como uma “polêmica”, em relação à moral escrava, também pretende articular uma
“provocação” para com os interessados em pesquisas sobre a origem e fundamento
da moral, além de servir também como uma “convocação” para a pretendida
declaração de guerra contra a moral do ressentimento. Essa declaração de guerra,
no limite, está intimamente ligada com o projeto de uma transvaloração de todos os
valores.

Anais do XIV Simpósio de Filosofia Moderna e Contemporânea – 26 a 30 de Outubro de 2009 ISSN 2176-2066

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