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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS


FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
GRUPO DE ESTUDOS EM HISTÓRIA INTELECTUAL E HISTÓRIA DA HISTORIOGRAFIA
Módulo VI – Historiografias Americanas
Professora responsável: Mariana de Moraes Silveira (marianamsilveira@gmail.com)

Cronograma – 1º semestre de 2021


Horário das reuniões: quinzenalmente, às quintas-feiras, das 17:00 às 19:00
Reuniões via Microsoft Teams
Serão atribuídas 5 horas de atividades para cada encontro.
Proposta: O grupo de estudos pretende promover diálogos entre a história intelectual e a história da
historiografia, partindo da convicção de que a interseção entre essas duas áreas pode apresentar
contribuições recíprocas. Por um lado, a história intelectual pode propiciar bases teórico-
metodológicas para os estudos em história da historiografia, em especial para o desenvolvimento de
pesquisas que não se restrinjam ao esquema “autor-e-obra”, que questionem os cânones
estabelecidos e que levem em conta o papel de instituições, redes, suportes midiáticos e demais
condições materiais de produção, circulação e recepção do conhecimento. O olhar da história
intelectual constitui, assim, uma via potencialmente frutífera para o alargamento das temáticas e das
fontes consideradas relevantes para as análises historiográficas. No sentido inverso, a história da
historiografia tem o potencial de conceder profundidade diacrônica e densidade teórica à história
intelectual, sobretudo se tomada como um chamado para um exercício reflexivo sobre a prática de
historiadoras e historiadores.
A conquista da América trouxe profundas transformações nos modos de elaboração da experiência
temporal, nas concepções acerca da erudição e nos métodos de crítica documental. O confronto com
as populações ameríndias colocou em xeque pretensões de universalidade das histórias europeias,
ao mesmo tempo em que propiciou a consolidação de formas de consciência efetivamente
planetárias. Em meio aos desdobramentos das Independências e aos difíceis processos de construção
nacional, o continente foi palco e objeto de disputas identitárias e projetos intelectuais, marcados
pelo recurso recorrente à imaginação de passados comuns (ou divergentes). Este módulo pretende
explorar as historiografias americanas não a partir de trabalhos produzidos em diversos países, mas
sim refletindo sobre o próprio continente, em sua pluralidade e em sua mutabilidade, como um
problema teórico e historiográfico.

Os textos estão disponíveis nesta pasta:


https://drive.google.com/drive/folders/1B71KoygEEhi54t4W9uZYo41mBC8rg2DC

Parte I – A América como desafio teórico e historiográfico


27/05: Escritas ameríndias, métodos postos à prova
CAÑIZARES-ESGUERRA, Jorge. Introdução; 2. Mudando interpretações europeias sobre a
credibilidade das fontes indígenas. In: Como escrever a história do Novo Mundo. Histórias,
epistemologias e identidades no Mundo Atlântico do Século XVIII. São Paulo: Edusp, 2011, p. 17-26;
85-164.
Leitura complementar: GRUZINSKI, Serge. Introdução; Histórias do mundo e do Novo Mundo. In:
Que horas são... lá, no outro lado?. Belo Horizonte: Autêntica, 2012, p. 11-14; 85-102.
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10/06: América(s) entre tempos e identidades


Atividade com o professor Mauro Franco Neto (UEMG – Carangola)
FRANCO NETO, Mauro. Epílogo: Qual o tempo do “Novo Mundo”?; Dupla consciência e políticas
temporais modernas: entradas e... saídas? (trechos selecionados). In: A perenidade de uma questão:
vínculos entre história, tempo e identidade no Brasil e no México. Tese (Doutorado em História).
Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana, 2020, p.
116-128; 129-144.
Leitura complementar: ROCHA, João Cezar de Castro. Ser ab alio. In: Culturas Shakespearianas:
teoria mimética e os desafios da mimesis em circunstâncias não hegemônicas. São Paulo: É
Realizações, 2017.

Parte II – Imaginações americanas


01/07: Pan-Américas
CÁNDIDA SMITH, Richard. Pan Americanism. Transatlantic Cultures, 2020. Disponível em:
https://transatlantic-cultures.org/pt/catalog/pan-americanism
SILVA, Gabriela Correia da. O pan-americanismo e o projeto de construção de um passado comum
para os países das Américas. Uma análise das atividades da União Pan-Americana através da coleção
Pan-American Patriots. Estudos Ibero-Americanos, Porto Alegre, v. 46, n. 3, p. 1-18, set-dez. 2020.
Leituras complementares: CAPELATO, Maria Helena. O “gigante brasileiro” na América Latina: ser ou
não ser latino-americano. In: MOTA, Carlos Guilherme (org.). Viagem incompleta. A experiência
brasileira (1500-2000): A grande transação. São Paulo: SENAC, 2000, p. 285-316.
PITA GONZÁLEZ, Alexandra. El Código de Paz y la trama del panamericanismo en la década de 1930.
Estudos Ibero-Americanos, Porto Alegre, v. 46, n. 3, p. 1-16, set-dez. 2020.

15/07: Latino-Américas
BAGGIO, Kátia Gerab. A integração latino-americana como projeto utópico em Manuel Ugarte. In:
PRADO, Maria Ligia (org.). Utopias latino-americanas. Política, sociedade, cultura. São Paulo:
Contexto, 2021, p. 355-371.
FEDERACIÓN UNIVERSITARIA DE CÓRDOBA. Manifiesto liminar (1918). Disponível em:
https://www.unc.edu.ar/sobre-la-unc/manifiesto-liminar
LUDMER, Josefina. Introdução; Imaginar o mundo como tempo; Imaginar o mundo como espaço;
Identidades territoriais e produção de presente. In: Aqui América Latina. Uma especulação. Belo
Horizonte: UFMG, 2013, p. 7-10; 13-15; 109-113; 127-133.
TORRES CAICEDO, José María. La América Anglosajona y la América Latina. In: ARDAO, Arturo.
América Latina y la latinidad. Cidade do México: Universidad Nacional Autónoma de México, 1993, p.
146-152.
Leituras complementares: FUNES, Patricia. Macroscopio; La utopía de América. Búsquedas y
fundaciones; Antiimperialismo y latinoamericanismo; Homérica Latina. Donde interesantes eventos
están teniendo lugar; Prohibido pensar América Latina. De la desaparición y la recuperación de ideas.
In: Historia Mínima de las ideas políticas en América Latina. Cidade do México: El Colegio de México,
2014, p. 9-12; 99-108; 129-145; 199-207; 255-265.
MAILHE, Alejandra. ¿Academicismo o liderazgo continental? Algunos contrastes en la definición de la
Reforma Universitaria. Revista de Filosofía y Teoría Política, n. 49, e024, 2018.
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SURIANO, Juan. Alfredo Palacios y la difusión del reformismo universitario y el antiimperialismo en


América Latina. In: BERGEL, Martín (coord.). Los viajes latinoamericanos de la Reforma Universitaria.,
p. 41-63.

Parte III – Circuitos letrados, projetos historiográficos, ações políticas


29/07: Comemorações e congressos continentais
GUIMARÃES, Lúcia Maria Paschoal. Limites políticos de um projeto intelectual para a integração dos
povos do Novo Mundo: o Primeiro Congresso Internacional de História da América (1922). Topoi, Rio
de Janeiro, v. 6, n. 10, p. 192-212, jan-jun. 2005.
NASCIMENTO, Lúcio. O Novo Florescer da Independência: Afonso Celso e o Congresso Internacional
de História da América (Rio de Janeiro, 1922). Revista Expedições, Morrinhos, v. 8, n. 2, mai-ago.
2017, p. 223-244.
Leituras complementares: CATTARUZZA, Alejandro. Mayo, cien años después: acuerdos y conflictos.
In: Los usos del pasado. La historia y la política argentinas en discusión, 1910-1945. Buenos Aires:
Sudamericana, 2007, p. 29-59.
MARTINS, Mônica de Souza Nunes; CRIBELLI, Teresa. Entre cores e luzes. A Exposição Internacional
Pan-Americana de 1901. Estudos Ibero-Americanos. Porto Alegre, v. 46, n. 3, p. 1-15, set-dez. 2020.

12/08: A monumentalidade dos passados americanos em disputa


Atividade com o pesquisador Rafael Dias Scarelli (Doutorando em História Social, USP)
SCARELLI, Rafael Dias. Da devoção à explosão: manifestações populares de adesão e contestação à
estatuária urbana de Lima (1859-1921). Revista Eletrônica da ANPHLAC, n. 27, p. 310-346, ago-dez.
2019.
SOARES, Gabriela Pellegrino. A Antiguidade do Novo Mundo: arqueologia e identidades no começo
do século XX. In: PRADO, Maria Ligia (org.). Utopias latino-americanas. Política, sociedade, cultura.
São Paulo: Contexto, 2021, p. 127-141.
Leituras complementares: NICOLAZZI, Fernando. Culturas de passado e eurocentrismo: o périplo de
Tláloc. In: AVILA, Arthur Lima de; NICOLAZZI, Fernando; TURIN, Rodrigo (orgs.). A história
(in)disciplinada. Teoria, ensino e difusão do conhecimento histórico. Vitória: Milfontes, 2019, p. 211-
244.
PALACIOS, Guillermo. Los Bostonians, Yucatán y los primeros rumbos de la Arqueología americanista
estadounidense, 1875-1894. Historia Mexicana, Cidade do México, v. LXII, n. 1, p. 105-193, jul-set.
2012.
Ver também: Populações indígenas na época dos centenários nacionais latino-americanos: fronteiras
simbólicas em movimento – Entrevista com Gabriela Pellegrino Soares realizada pela Revista de
História (USP) em 12 de novembro de 2020. Disponível em: https://youtu.be/yQdASHlcmnE

26/08: Traduzir a América, escrever sua história como civilização


BRASIL. Decreto n. 24.395, de 13 de junho de 1934. Rio de Janeiro, 1934. Disponível em:
https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1930-1939/decreto-24395-13-junho-1934-550362-
publicacaooriginal-66310-pe.html.
CALMON, Pedro. Prefácio. In: LEVENE, Ricardo. Síntese da História da Civilização Argentina. Rio de
Janeiro: Ministério das Relações Exteriores, 1938, p. 7-11.
LEVENE, Ricardo. Homenaje al Instituto Histórico y Geográfico Brasileño en su primer centenario,
1838-1938. In: CELSO, Affonso. El Emperador D. Pedro II, y el Instituto Histórico. Buenos Aires:
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Mercatali, 1938, p. 7-12.


LEVENE, Ricardo. Prologo. In: CALMON, Pedro. Historia de la civilización brasileña. Buenos Aires:
Mercatali, 1937, p. 9-16.
LEVENE, Ricardo. Prólogo do autor. In: Síntese da História da Civilização Argentina. Rio de Janeiro:
Ministério das Relações Exteriores, 1938, p. 13-16.
SILVEIRA, Mariana de Moraes. A tradução como diplomacia cultural: a Biblioteca de Autores
Brasileños Traducidos al Castellano e a Coleção Brasileira de Autores Argentinos (anos 1930-1950).
[rascunho a ser compartilhado apenas para uso interno do grupo de estudos]
Leituras complementares: SILVA, Ana Paula Barcelos Ribeiro da. A história que ensina e constrói:
entre revisões e traduções. In: Diálogos sobre a Escrita da História: Brasil e Argentina (1910-1940).
Ibero-americanismo, catolicismo, cooperação intelectual, (des)qualificação e alteridade. Brasília:
Fundação Alexandre de Gusmão, 2011, p. 266-302.
SORÁ, Gustavo. Bibliotecas del Brasil en Argentina. In: Traducir el Brasil. Una antropología de la
circulación internacional de ideas. Buenos Aires: Libros del Zorzal, 2003, p. 99-139.
Encerramento das atividades do semestre; discussão de temas para o 2º semestre de 2021