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Seios fartos presos sob um decote que não deixava antevê-los plenamente e o restante

conservado secretamente sobre panos, fechos e disfarces para a sua sensualidade natural.
Conhecia bem a armadilha que era expor-se demais: de um lado, a óbvia questão do conceito
social que, em sua posição profissional, consistia um perigo fundamental e bem conhecido. De
outro lado, sabia muito bem que a essência da sensualidade era o segredo, o ocultar , o não
revelar totalmente.

Havia uma segunda razão não declarada: ordens de alguém que chamava de Mestre e Senhor, o
seu Dono, a dimensão não revelada de sua vida. Bem sabia que O deveria obedecer e jamais
desafiar já que, segundo Ele mesmo, não havia punição mas apenas o justiçamento e a correção
dos desviantes.

Raramente apresentava-se pessoalmente mas sua presença sempre fazia-se sentir e sabia disso
apesar de que por algumas vezes se esquecesse desse fato aparentemente simples e ousasse
desafiar suas regras.

Assim foi quando quebrando a regra fundamental vestiu-se exageradamente sensual, fora dos
padrões rigorosos de recato que haviam sido prescritos e uma roupa exageradamente colada ao
corpo revelava aos olhos desejosos dos passantes suas formas esculturais.

Sentiu, como acontece quando a consciência da culpa invade, olhos rigorosos sobre ela e, mesmo
à distância desejou que não fossem os de seu Dono, quis voltar agora para mudar de roupas mas
coincidentemente não teve tempo e nem condições de fazê-lo: o celular tocou e um frio
atravessou-lhe a espinha ao ver o nome no identificador de chamadas informando-lhe ser o
Dono que ligava.

- Venha agora para cá! - disse sem cumprimentá-la e sem dar oportunidade para qualquer
reação.

"A consciência de seu erro te acompanhará" - assim afirmava o ditado que conhecera a tanto
tempo atrás e de fato, nesse exato momento, era um fato concreto e indiscutível. Pensou em
pedir-lhe para trocar de roupas mas isso tornaria evidente que algo estava errado e , ao mesmo
tempo, assim já encontrava-se.

- Sim, Senhor, imediatamente.

Naquele momento de fazer com que o tempo não pasasse, sucedia exatamente o contrário: o
táxi apareceu rápido, o trânsito estava bom, a chegada foi rápida, a consciência estava a sentir o
peso do erro, as roupas incomodavam, cada vez mais os detalhes excessivamente sensuais
apareciam e a consciência, em uma verdadeira voragem a dominava completamente.

O carro parou frente à casa onde Ele morava e ela pagou ao motorista e estava na rua, sentindo a
roupa a salientar-lhe as formas como se a sua capacidade de provocar o desejo fosse um pecado
inconciliável com sua condição de submissa, fêmea e mulher.

Tocou a campanhia: sua mão tremia ao pressionar o botão, suas pernas ensaiavam rebelar-se
contra o controle e essa sensação de desconforto que se ampliou quando Ele abriu o portão
eletrônico. Subiu as escadas e logo encontrou-se frente á Ele.

Ajoelhou-se no lugar de costume mas foi mandada ficar em pé. Sim, ele notara o excesso, a
exposição fora do padrão, os seios fartos exposto mais do que deviam, as coxas também
excessivamente mostradas , os cabelos longos e negros soltos e bem cuidados, unhas em
vermelho escuro, vinho.

- Vejo que hoje caiu na tentação de parecer sensual aos outros . - comentou desdenhoso.

Ela pensava , sem cessar que mesmo havendo um erro para centenas de acertos, era esse que lhe
seria cobrado. Sentia toda a carga que aquilo representava e arrependera-se de coração mas não
ousava pronunciar sua contrição.

Pegou um livro em sua vasta estante, um dicionário, procurou á página e mandou-a ler em voz
alta para que Ele também ouvisse.

Lascívia

Datação

1612 cf. VascAM

Acepções

■ substantivo feminino

1 qualidade ou caráter de lascivo (pessoa ou animal)


Ex.: a propalada l. dos felinos

2 propensão para a luxúria, sensualidade exagerada; lubricidade

Ex.: a l. da corte francesa

3 caráter do que está marcado pela sensualidade ou do que produz a propensão para a
sensualidade; impudicícia

Ex.: a l. dos seus passos, dos seus gestos, de cada tecido que punha sobre a pele

Etimologia

lat. lascivìa,ae 'ação de pular, de brincar pulando (com respeito aos animais), divertimento (das
pessoas), bom humor, galhofa', p.ext. 'intemperança, desregramento, devassidão, impudicícia';
f.hist. 1612 lascivia, 1716 lascîvia

Sinônimos

Aquela leitura a atemorizou definitivamente: compreendia de uma vez por todas que fora, além
de desaprovada em sua atitude, sentenciada a cumprir a paga considerada adequada por seu
deslize.

- Lúxúria, sensualidade exagerada, impudícia, propensão á sensualidade, intemperança,


desregramento, devassidão... Tudo isso aplica-se à você? - perguntou em voz leve porém
acusadora.

- Senhor... Eu...

- Aplica-se ou não aplica-se?

Baixou a cabeça: aquela interrupção já era o início de sua punição já que ao contrário do que
habitualmente acontecia, as carícias foram interrompidas em nome da severidade e da coerção.

- Sim, meu Senhor, aplica-se.

Pegando-a pelo queixo, nivelou os olhos dela os dele e ela queria desviar o olhar mas não
conseguia e , ao mesmo tempo, não desejava já que isso poderia causar-lhe mais dissabores dos
que já experimentava.

O dia transcorreu sem alguma novidade e nada fora mencionado sobre o ocorrido mesmo ela
sabendo que não ficaria sem consequência. Como sempre, fora a responsável pelo cuidado com
seu Senhor, com sua alimentação, corpo, vestimentas e mesmo quando tudo era de Seu agrado,
parecia-lhe torturante a visão da reprovação implícita.

Por um momento desejou que a noite não caísse mas o transcurso do tempo é algo que o
humano impôs à natureza e era o que delimitava inexoravelmente o fim do dia e o começo da
noite.

- Banhe-se!

- Sim, meu Senhor.


Desnudar-se, como nunca antes, foi um ato que a enchia de uma intolerável tristeza. Sabia que
seu corpo era admirável mas sentia-se aterrorizada pelo fato de ter sido desobediente às ordens
Dele. Sentiu vontade de negar a sua sensualidade mas seria exatamente dela que precisaria para
super uma prova além do tolerável e que estava prestes a ser-lhe imposta.

Secou-se e submeteu-se ao escrutínio de seu Dono e foi examinada rigorosamente, os perfumes


escolhidos, o cabelo com seu penteado determinado e o conselho, desnecessário, para que tudo
ficasse perfeitamente ao Seu agrado.

Apenas ficou à ser determinado o que vestiria e só aquele fato indicava que as coisas não seriam
da forma que sempre foram, um corset negro delicadamente manufaturado à mão, botas e jóias
que a faziam-se sentir uma humilde servidora.

O cabelo fora cuidadosamente seco e penteado e adotou um volume não usual mas não menos
belo. Sentiu que a pele que logo receberia seu adorno acrescentaria uma nova visão de beleza
que era permitida sem a dimensão que ela viria a ser a sua pena.

A tensão era palpável, sensível.... talvez palpável seja melhor porque sim, podia sentir-se
concretamente. Nua ela esperava a decisão sobre sua roupa e quando foi chamada a vestí-la, não
pode acreditar o que via em cima da cama.

Uma roupa de vinil preta, daquelas que amolda-se ao corpo de quem a veste. Vestí-la é um
desafio, usá-la, outro maior. Agradeceu aos céus pelo dia não estar tão quente quanto estava
antes porque seria insuportável usá-la em outra condição. Botas, um pequeno colar com as cores
da casa de seu Dono completavam o vestuário.

Sentia que a roupa realçava suas formas, seus seios volumosos, suas coxas igualmente fortes,
suas nádegas, enfim, explicitava aquilo que fora ordenada a esconder e isso a aterrorizava pois
sabia que havia algo mais por trás disso.

Entraram no carro e dirigiram-se ao seu clube de frequência costumeira. O que a aguardava?


Essa era a questão que jamais fugiria de sua mente. Antes de chegar ao local, seu Dono
estacionou o carro em um lugar pouco recomendável, zona de prostituição e ordenou-a a sair.

Ela não poderia negar o cumprimento dessa ordem mas temeu por si. O Dono ligou o carro, deu
a volta no quarteirão quando outros carros passavam devagar por ela, dirigiam palavras e
olhares. Ele parou o carro à uma curta distância e baixou os faróis.

- Caraca, velho! Olha a gostosa que está ali!

Sentia-se pequena, humilhada, detestável. O pior é que tudo o que estava acontecendo poderia
ter sido evitado, poderia , de fato, nem ter acontecido. Sentiu que o olhar das pessoas era
repugnante, os homens que lhe dirigiam palavras, propostas de programa que sabia que Ele não
desejava que aceitasse mas também não desejava que os postulantes não fossem atendidos.

Os minutos tranformaram-se sucessivamente em agrupamentos aterrorizantes até completarem


trinta e quando isso aconteceu, Ele ligou o carro e parou frente a ela abrindo a porta.

- Eita! O macho da puta chegou! Cara de sorte! - exclamou em voz alta um dos passantes.

Ela tinha vontade de falar, de pedir desculpas, de jurar que jamais se repetiria mas sabia que era
vã essa tentativa, que perdão não se fazia daquela forma.
- É bom ser desejada, menina?

Baixou a cabeça sabendo que deveria responder o óbvio mas que ele não daria conta das
sensações que invadiam sua mente.

- Não , Senhor! Não dessa forma, meu Dono.

Silêncio absoluto, nenhuma palavra, nenhum murmúrio ao menos. Subitamente, começa a


chover e pensou que estava satisfeita em não ter começado quando encontrava-se na avenida,
exposta, o que acrescentaria a dimensão física à humilhação que sentia.

Finalmente chegaram ao local pretendido e foram recebidos como sempre, conversaram com a
proprietária como de costume e brindaram com vinho um momento que parecia marcar a
superação do estado de mal estar que reinava entre ambos.

Ele era risos fartos e simpatias a todos mas ela sabia, intuição talvez, que algo ali estava em uma
vibração diferenciada da habitual. Secretamente sua mente começou a cogitar o que mais estaria
reservado para ela, logo naquele lugar onde os recursos são tantos e com pessoas tão dispostas
às artes da nova escravidão.

O vinho descia-lhe amargo pela garganta, não agradável como sempre mesmo sendo de sua uva e
origem favoritas. Sem notar, tomava as taças fartamente servidas pelo Dono e , não fosse sua
grande capacidade de resistência ao álcool, com certeza estaria bêbada.

No entanto, nesse estado, o seu olhar tinha uma agudeza incomum, e pode observar um sinal
discreto ao Dono por parte da proprietária do estabelecimento. Conferenciaram alguns poucos
minutos e apontando para sua escrava, ordenou que acompanhasse a mulher.

- Agora sim, teremos o acerto de contas ! - pensou ao cumprir o ordenado.

Foi encaminhada a uma sala em um cômodo distante do local de reunião do grupo. Fora
mandada despir-se de suas botas e de sua roupa de vinil. A pele suada foi cuidadosamente seca
pelas auxiliares, todas submissas daquela dominadora.

Seus cabelos foram novamentes penteados até ter uma brilhante e constante superfície e foram
cuidadosamente arrumados depois de colocada a coleira de sessão e um corset underbust que
apenas ressaltaram o volume e a forma dos atraentes seios que tinha.

Agora sim, temia ela, seria submetida à humilhação pública que tanto temia. Sabia que pelos
preparativos não havia a mínima hipótese de escapar do verdadeiro castigo que aquela primeira
"amostra" não era suficiente.

Para complementar, botas longas que chegavam acima dos joelhos e nada mais. Sentia-se
totalmente despida de quaisquer adornos mesmo estando trajada daquela forma. Era terrível,
demais para si, sentia-se no auge de um sentimento que misturava a ansiedade do que havia por
vir e a humilhação que tinha certeza de passar.

- Você bem conhece seu Senhor, seu rigor e sua inclemência. Sugiro que você se submeta aos
seus desígnios e complementar toda a sua pena. Depois, com sua mudança de comportamento,
terão a oportunidade de construir uma esplêndida relação.

- Sim, Senhora. Farei isso! Grata por seus sábios conselhos.


Ela nada falou, apenas colocou a guia à coleira de sessão e a encaminhou à uma sala na qual não
havia ninguém ainda. A guia fora retirada da coleira e colocada em um gancho na parede.

- Aguarde. - disse a mulher saindo da sala.

A espera durou não mais que cinco minutos e foram entrando na sala um pequeno número dos
dominadores e submissos presentes no grande salão. Eram doze, seis homens e seis mulheres,
muita das quais ela conhecia pessoalmente e sabiam ser dominadoras firmes e submissas
absolutamente dedicadas e obedientes.

O Dono da supliciada pegou a guia, colocou na coleira e atou-a em um poste às suas costas. Com
isso, estava absolutamente privada de movimentos e, com certeza, não poderia reagir a qualquer
coisa mesmo que essa não fosse sua intenção.

- Caros Senhores e Senhoras, meus estimados submissos e submissas. Agradeço a cada um a


presença. Todos sabem o quanto prezo e o quanto é necessário prezar pela obediência e hoje
sinto-me, exatamente por isso, autorizado a compartilhar um ato de desobediência que merece
o respectivo castigo. Peço aos Senhores e Senhoras que permitam que seus submissos e
submissas também participem desse ato de justiçamento.

Todos concordaram, sem qualquer hesitação.

Ela sentia-se totalmente apavorada, consciente dos enganos que cometera e de que a punição
era amplamente não apenas permissível mas totalmente justificável, era legítima. Sentia a sua
culpa brotar por cada poro, cada segmento de seu corpo.

- Qual é a base do erro de sua submissa, caro Senhor? - pergunta-lhe uma bela submissa do lado
oposto da sala.

- Lascívia, desejo de mostrar mais sensualidade do que do que estava autorizada a fazer.
Considera que seu corpo seja demasiado belo para não ser exibido, sua mente muito pervertida
para permitir um pouco de decoro.

- Com sua permissão, Senhor, devo dizer que o corpo de sua submissa realmente é belo.

Ele riu. A submissa que estava sentada pediu licença à sua Senhora e encaminhou-se até a
escrava amarrada. Tomou o rosto dela em suas mãos, começou a percorrer o corpo com suas
pequenas mãos.

Agora sim - pensou a suplicidada - começa minha punição. Nada mais sou do que uma
transgressora, menos, sou apenas um brinquedo nas mãos de alguém que não conhecia. Poderia
bem pensar naquele gesto , naquele toque, como algo que desejava imensamente e que ainda não
lhe fora permitido pelo seu Dono mas agora sentia que não poderia suportar a humilhação que
apenas começava.

As mãos da submissa agora deslizava por seus seios, pelo seu ventre, pelas suas coxas sem
atingirem seus genitais e de repente, com uma ordem de seu Dono, a mesma mão que a
acariciava explodiu em seu rosto em um tapa firme e intenso. Se pudesse baixá-lo naquele exato
momento, o teria feito mas só pode abaixar os olhos por pouquíssimo tempo.
Cada um naquele grupo manifestou sua opinião, a sua atitude sobre aquele engano e a fizeram
arrepender-se brutalmente de seu erro. Palavras foram escritas em seu corpo que transformou-
se em um mural de afirmação do seu erro, castigos físicos torturaram sua carne mas nada
poderia comparar-se à dor moral que experimentava.

O que doía mais era a questão de que poderia ser evitado. Fosse um erro que acontecera por
algum pequeno imprevisto , poderia haver punição, por certo mas não aquela. Não havia as
palavras escritas em tinta no seu corpo, não haveria o chicoteamento, não haveria o desejo cru
de homens e mulheres, haveria só o Dono a querê-la e a possuí-la.

Concluiu que o que se demandava era uma medida não apenas de preservação de si mas de
dedicação exclusiva que, às vezes, não conseguia compreender. Agora abriam seus olhos para o
fato que lealdade, de fato, era devoção, dedicação específica àquele que tomara sua alma e seu
corpo. Portanto, o que era para si uma imposição, na verdade exercício da vontade mais
importante que havia.

Ao fim de todos os atos de humilhação, seu Dono aproximou-se e perguntou sobre o que tinha a
dizer:

- Meu Senhor, o que eu tenho a dizer é que tenho profunda vergonha do que fiz, do meu erro.
Dedicarei e mostrarei apenas esse corpo ao seu comando, quando quiser. Agradeço a todos os
Tops e todas as bottoms pelo aprendizado que me deram.

Sem nada falar mas com uma face mais serena aplicou-lhe o último castigo, a "clamp" que
torturou o bico de seus seios como nunca antes e que demorou a ser retirada. Sentia seus seios
doendo e a consciência igualmente.

Agora, finda a sessão, fora retirada de seu "cativeiro" , limpa pelas auxiliares da proprietária do
local e vestida como antes. Sentia-se ensinada e aliviada. Naquela noite, foi aceita novamente
como submissa e sabia que os erros não são perdoados mas deveriam ter sua paga como justiça.

Tivera a sua.