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Individualização

Classificação
A individualização
da pena e a
classificação do
condenado
Breve Histórico

• Individualização ligado associado à ideia


de humanização das penas e a sua
proporcionalidade
• Declaração Universal dos Direitos do
Homem e do Cidadão de 1789
– as penas devem ser proporcionais ao delito e
úteis à sociedade
• ninguém pode ser
submetida à
tortura, nem a
tratamento ou
castigo cruel,
desumano ou
degradante”,
tendo “toda
pessoa o direito à
vida, à liberdade e
à segurança
pessoal.
Constituição Política do Império do Brasil
1824

• artigo 179: “A inviolabilidade dos Direitos Civis, e


Politicos dos Cidadãos Brazileiros, que tem por
base a liberdade, a segurança individual, e a
propriedade, é garantida pela Constituição do
Imperio, pela maneira seguinte”. Especificando
no seu inciso XX que: “nenhuma pena passará
da pessoa do delinquente. Por tanto não haverá
em caso algum confiscação de bens, nem a
infamia do Réo se transmittirá aos parentes em
qualquer gráo, que seja”.
inciso XII encontrávamos a
seguinte previsão....
• “As Cadêas serão seguras, limpas, o bem
arejadas, havendo diversas casas para
separação dos Réos, conforme suas
circunstâncias, e natureza dos seus
crimes”
Constituição de 1946
• A Constituição assegura aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade
dos direitos concernentes à vida, à liberdade, a
segurança individual e à propriedade, nos
termos seguintes: [...]”), no parágrafo 29, que
“a lei penal regulará a individualização da pena e
só retroagirá quando beneficiar o réu,” e, no seu
parágrafo 30, que “nenhuma pena passará da
pessoa do delinqüente”
• 5.º, inciso XLV,
“nenhuma pena
passará da pessoa do
condenado, podendo a
obrigação de reparar o
dano e a decretação
do perdimento de bens
serem, nos termos da
lei, estendidas aos
sucessores e contra
eles executadas, até o
limite do valor do
patrimônio transferido”
• no inciso XLVIII dispondo que “a pena
será cumprida em estabelecimentos
distintos, de acordo com a natureza do
delito, a idade e o sexo do apenado”
Conceito
O princípio da
individualização da pena veio
ganhando cada vez mais
importância, esboçando
“uma modulação que se
refere ao próprio infrator, a
sua natureza, a seu modo de
vida e de pensar, a seu
passado, a ‘qualidade’ e não
Foucault mais a intenção de sua
Vigiar e punir vontade”
Individualizar significa ...
• tornar individual uma
situação, algo ou
alguém, quer dizer
particularizar o que
antes era genérico,
tem o prisma de
especializar o geral
O art. 5.º, XLVI

•“a lei regulará a


individualização da
pena...”
Individualização da pena
• Eleger a justa e adequada sanção penal
quanto ao montante, ao perfil e aos
efeitos pendentes sobre o sentenciado,
tornando-o único e distinto dos demais
infratores, ainda que coautores ou mesmo
corréus.
Evita-se
uma
mecanização
Para HUNGRIA individualização é...

•retribuir o mal concreto do


crime, com o mal concreto
da pena, na concreta
personalidade do criminoso
Luiz Regis PRADO

• “a pena deve estar proporcionada ou


adequada à magnitude da lesão ao
bem jurídico representada pelo delito e a
medida de segurança à
periculosidade criminal do
agente”.
Carmen Sílvia de Moraes BARROS

• “A individualização da pena no processo


de conhecimento visa aferir e quantificar a
culpa exteriorizada no fato passado. A
individualização no processo de
execução visa propiciar oportunidade
para o livre desenvolvimento presente e
efetivar a mínima dessocialização possível.
Daí caber à autoridade judicial adequar a
pena às condições pessoais do
sentenciado”.
José Antonio Paganella BOSCHI
A atitude implica reposicionamento
do intérprete e do aplicador da lei
penal perante o caso concreto e
seu autor, vedadas as
abstrações e as
generalizações que ignoram o
que o homem tem de particular
Modos de se individualizar a pena:

a) pena determinada em lei, sem


margem de escolha ao juiz;
b) pena totalmente indeterminada,
permitindo ao juiz fixar o quantum que
lhe aprouver;
c) pena relativamente indeterminada, por
vezes fixando somente o máximo, mas sem
estabelecimento do mínimo, bem como
quando se prevê mínimos e máximos
flexíveis, adaptados ao condenado
conforme sua própria atuação durante a
execução penal;
d) pena estabelecida em lei dentro de
margens mínima e máxima, cabendo ao
magistrado eleger o seu quantum. Este
último é, sem dúvida, o mais adotado e
bem afeiçoado ao Estado Democrático de
Direito.
Individualização legislativa
•momento de
elaboração
do tipo
penal
incriminador
Individualização judiciária

•juiz elege o
montante
concreto
ao
condenado
Individualização executória

• determinar o
cumprimento
individualizad
o da sanção
aplicada
BITENCOURT sintetiza
• “Individualização legislativa – processo através
do qual são selecionados os fatos puníveis e
cominadas as sanções respectivas,
estabelecendo seus limites e critérios de fixação
da pena; individualização judicial – elaborada
pelo juiz na sentença, é a atividade que
concretiza a individualização legislativa que
cominou abstratamente as sanções penais, e,
finalmente, a individualização executória, que
ocorre no momento mais dramático da sanção
criminal, que é o seu cumprimento
Carmen Salinero ALONSO sobre a
individualização asservera:
• O pressuposto prévio para o sistema e
para o conteúdo da determinação da pena
é a postura que se mantenha a respeito
dos fins da pena, porque somente a partir
desse prévio posicionamento poder-se-á
desenhar o modelo de determinação penal
Correlação da
individualização com
outros princípios
aplicáveis à pena
Princípio da legalidade
• art. 5.º, XXXIX, da CF
– “não há crime sem lei anterior que o defina,
nem pena sem prévia cominação legal”
• é indispensável haver pena cominada em
lei de antemão, bem como sejam
previstos, expressamente, todos os
critérios orientadores para a sua
quantificação e execução
Anabela Miranda RODRIGUES
• “O que em regra se passa é que o juiz é
chamado a determinar a pena em uma medida
compreendida entre um máximo e um mínimo
predeterminado na lei, no singular preceito
incriminador. Solução que, se por um lado,
como se viu, satisfaz as atuais exigências do
princípio da legalidade da pena, por outro lado
garante as exigências de individualização, numa
confluência de interesses a que não é estranha a
relativização que sofreram os postulados básicos
das Escolas clássica e positiva, inspiradores de
concepções extremas.
MARINUCCI e DOLCINI

• predeterminação legal, para cada figura


de infração penal, de uma

moldura de pena
Princípio da isonomia

• Os seres humanos são


naturalmente desiguais,
precisando a norma tratar de
maneira peculiar cada destas
desigualdades
Sídio Rosa de MESQUITA JUNIOR

• O princípio da individualização da
pena decorre do princípio da
isonomia, eis que este traduz a
idéia de que os desiguais devem
ser tratados distintamente, isso
na medida de suas diferenças
NUCCI
• a “pena não deve ser padronizada, cabendo a
cada delinquente a exata medida punitiva” como
retribuição da conduta praticada. Pois, não teria
qualquer:
• “Sentido igualar os desiguais, sabendo-se, por
certo, que a prática de idêntica figura típica não
é suficiente para nivelar os seres humanos.
Assim, o justo é fixar a pena de maneira
individualizada, seguindo-se os parâmetros
legais, mas estabelecendo a cada um, o que lhe
é devido”
Princípio da Proporcionalidade

• as penas não sejam, exageradas para


determinados delitos considerados de
menor importância, bem como estipular
sanções ínfimas para aqueles que
visam à proteção de bens jurídicos
considerados de vital relevo.
BECCARIA

• “as penas, e na maneira de aplicá-las


proporcionalmente aos delitos”, é
importante “escolher os meios que devem
causar no espírito público a impressão
mais eficaz e mais durável, e, ao mesmo
tempo, menos cruel no corpo do culpado”
NUCCI

• “as penas devem ser harmônicas com a


gravidade da infração cometida, não tendo
cabimento o exagero, nem tampouco a
extrema liberalidade na cominação das
penas nos tipos penais incriminadores”
Princípios da responsabilidade
pessoal e da culpabilidade

A pena não passará


da pessoa do
delinquente
Princípio da humanidade
• Cabe ao juiz da execução penal zelar para
se fazer o cumprimento da pena de modo
humanizado, podando os excessos
causados pelas indevidas medidas
tomadas por ocupantes de cargos no
Poder Executivo, cuja atribuição é a
construção e administração dos presídios
Máximas das boas condições de um presídio
Foucault

• a) princípio da correlação: a finalidade


primordial da condenação é a transformação do
comportamento do indivíduo;
• b) princípio da classificação: detentos devem
ficar isolados ou, pelo menos, divididos
conforme a gravidade do delito que tenham
cometido, mas também quanto à sua idade,
suas particulares disposições, bem como quanto
às técnicas de correção que cada um mereça;
• c) princípio da modulação das penas:
necessita-se assegurar que, durante a
execução, haja adaptação do sistema
punitivo, conforme os resultados obtidos –
positivos ou negativos;
• d) princípio do trabalho como obrigação e
como direito: ao preso deve ser, sempre,
proporcionada oportunidade de trabalho e
é seu dever trabalhar para fundamentar
seu processo de recuperação;
• e) princípio da educação penitenciária: a
educação do detento é dever do Poder
Público, no interesse direto da sociedade;
• f) princípio do controle técnico da
detenção: o Estado deve garantir, nos
presídios, a atuação de pessoal preparado,
com capacidade moral e técnica para zelar
pela boa formação do preso;
• g) princípio das instituições anexas: além
do encarceramento, o Estado deve
assegurar o acompanhamento de medidas
de controle e assistência até que a
readaptação definitiva possa ocorrer.
Descompassos da
lei e da realidade
A prática soca a bela previsão
constitucional

O Estado não realiza investimentos na


implementação da Lei de Execução Penal
O Estado apoia-se no discurso da
vingança

A população
repercute e
aumenta-se
as penas
NUCCI nos alerta que:

• “qualquer solução adotada na esfera


legislativa passa, necessariamente, pelas
mãos do Poder Executivo, que precisa
liberar verbas para implementação de
inúmeros programas de prevenção,
punição e recuperação de criminosos”
BITENCOURT
• “ao invés do governo melhorar a sua política
penitenciária, para adequar-se aos preceitos
legais, muito deles inclusive insculpidos na
própria Carta Magna, adota a posição inversa”:
• “já que não pode ou não quer atender a tais
mandamentos, simplifica tudo: não mudar a
política penitenciária para atender às previsões
da Lei de Execuções Penais, mas muda a
referida lei – piorando-a, isto é, suprimindo
aqueles preceitos que já vinha descumprindo –
para, assim, adequá-la a sua péssima
administração penitenciária, caótica, desumana
e altamente criminógena, ou seja, uma
verdadeira fábrica produtora de delinqüentes”.
•Não recupera
•Estima a barbárie
•Alimenta a criminalidade
•Organiza o crime
Para a solução da problemática,
o poder público segue os ideais
de um direito
penal m á ximo
ou seja, de um modelo
do direito penal
caracterizado pela
excessiva severidade
incerteza e imprevisibilidade
suas condenações e penas
Comissão
Técnica de
Classificação
arts. 5.º e 9.º da LEP
Equipe multidisciplinar
com competência para
analisar o preso quando
de seu ingresso no sistema
penitenciário, elaborar
diagnósticos que
viabilizem sua
ressocialização e
reintegração social através
do programa
individualizador da pena.
ALBERGARIA

•“Iniciaram a idade científica


da execução das penas
privativas da liberdade”.
Art. 6º da LEP

• A classificação será feita por


Comissão Técnica de Classificação
que elaborará o programa
individualizador da pena privativa
de liberdade adequada ao
condenado ou preso provisório
6. se há necessidade de
Vai especificar... acompanhamento
1. o tipo de trabalho psiquiátrico; quais as
adequado ao preso; atividades de lazer
2. se este poderá indicadas;
estudar; 7. a forma como se
3. se deverá participar dará a efetivação de
de terapia ocupacional; todas essas
4. se terá necessidades e qual o
acompanhamento presídio indicado para
psicológico ou terapia tanto, tudo com o
individual ou em grupo; intuito de possibilitar a
5. necessidades de adequação da pena à
acompanhamento com realidade do
assistência social em condenado.
relação ao preso e seus
familiares;
Comissão Técnica de Classificação
elabora
• parecer inicial
• fatores relacionados à
– personalidade do condenado e seus
antecedentes (art. 5º da LEP),
– aspectos sociais e familiares,
– capacidade laborativa, entre outros
destinados a orientar a forma como deve o
indivíduo cumprir sua pena no
estabelecimento penitenciário
art. 34 da LEP

• “Art. 34. O condenado será


submetido, no início do
cumprimento de pena, a exame
criminológico de classificação para
individualização da execução”.
Prepara para o
retorno do
convívio social

Diagnostica o perfil
MIRABETE
• O procedimento de classificação utiliza-se de
métodos científicos de personalidade, que visam
à observação do comportamento,
compreendendo toda a percepção do condenado
em relação a outras pessoas, possibilitando a
aplicação de testes, entre outros, “tudo com o
sentido de tornar bem conhecida a
individualidade do sentenciado e conferir-lhe o
tratamento adequando, no presídio mais
adequado
Qual o programa
individualizador
da execução
penal?
Lei n.° 10.792/2003

As atividades das Comissões Técnicas de


Classificação foram mitigadas
NUCCI
• “Não se pode obrigar o magistrado, como
se pretendeu com a edição da Lei
10.792/2003, a conceder ou negar
benefícios penais somente com a
apresentação do frágil atestado de
conduta carcerária. [...] Se os pareceres e
os exames eram padronizados em alguns
casos, não significa que não mereçam
aperfeiçoamento...
Sua extinção em nada contribuirá para a riqueza
do processo de individualização da pena ao longo
da execução. E mais: se os pareceres da Comissão
Técnica de Classificação eram tão imprestáveis
para a progressão, deveriam ter a mesma
avaliação para a inicialização da execução penal.
Ora, quem padroniza para a progressão, pode
perfeitamente padronizar para o início do
cumprimento da pena. A mantença da Comissão
para avaliar o condenado no começo da execução,
mas a sua abolição para o acompanhamento do
preso, durante a execução, é um golpe
(inconstitucional) ao princípio da individualização
da pena.”
Supremo Tribunal Federal

• “5. A Lei n. 10.792/03, não


obstante tenha silenciado a
respeito da obrigatoriedade do
exame criminológico, é lícito ao
juízo da execução,
fundamentadamente, determinar
sua realização “.
Art. 83, III e parágrafo único do CP
•“Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento
condicional ao condenado a pena privativa de
liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde
que:
•III - comprovado comportamento satisfatório
durante a execução da pena, bom desempenho no
trabalho que lhe foi atribuído e aptidão para
prover à própria subsistência mediante trabalho
honesto.
•Parágrafo único - Para o condenado por crime
doloso, cometido com violência ou grave ameaça à
pessoa, a concessão do livramento ficará também
subordinada à constatação de condições
pessoais que façam presumir que o liberado não
voltará a delinqüir.”
Art. 131 da LEP

•“Art. 131. O livramento


condicional poderá ser concedido
pelo Juiz da execução, presentes os
requisitos do artigo 83, incisos e
parágrafo único, do Código Penal,
ouvidos o Ministério Público e
Conselho Penitenciário.”

• o parecer da CTC “emana de todo um


trabalho prévio da Comissão, que implica
engajamento na dinâmica da instituição,
enfoca a resposta do preso à terapêutica
penal, não é perícia, diferindo
fundamentalmente do exame
criminológico”.
Diferenças

• Parecer do CTC
– não se tratar de perícia
– captação e da organização de
dados que lhe permita propor o
programa individualizador da pena
e avaliar a resposta do preso a
esse programa

“Descarta-se, portanto qualquer idéia de
perícia no parecer das CTC. Seria
tecnicamente inviável e eticamente
inadmissível. Caso a autoridade judicial
queria informes pertinentes á avaliação da
conduta criminosa, em si, à persistência ou
não dos fatores associados mesma, poderá
requisitar além do parecer, além do parecer
da CTC, o exame criminológico, consoante
previsto no art. 112 da LEP...
Diferem entre si, quanto á natureza, exame
criminológico e parecer da CTC. O primeiro
organizando (e, não raras vezes, afunilando) o
informes sob a ótica da “nódoa” do crime na
conduta do condenado.
O segundo, organizando os dados e informes na
busca de avaliar a qualidade da resposta do preso
à terapêutica penal. O que se observa, porém, é
que os pareceres da CTC, na prática, convertem-
se em peça pericial, já que, afastada a CTC de
suas verdadeiras funções (conforme, de fato, mais
comumente acontece),
... e incumbida indevidamente de somente
elaborar os tais pareceres, torna-se lógica e
racionalmente impossível que venha a
elaborá-los consoante as especificações
acima, pois falta toda a “matéria-prima” com
a qual elaborá-los: exame de personalidade,
classificação, elaboração dos programas
individualizadores, acompanhamento do
preso, avaliações dos programas, etc”.
Art. 9º da LEP
• A Comissão, no exame para a obtenção de
dados reveladores da personalidade,
observando a ética profissional e tendo
sempre presentes peças ou informações
do processo, poderá:
– I entrevistar pessoas;
– II – requisitar, de repartições ou
estabelecimentos privados, dados e
informações a respeito do condenado;
– III – realizar outras diligências e exames
necessários
Art. 96 da LEP

• Art. 96. No Centro de Observação realizar-


se-ão os exames gerais e o criminológico,
cujos resultados serão encaminhados à
Comissão Técnica de Classificação.
COSTA
• “Percorrendo a história da Criminologia,
constatamos que a meta essencial dos
criminólogos tem sido a pesquisa no sentido de
verificar se os delinquentes apresentam
características particulares, e se são portadores
de quaisquer traços que os distingam dos
indivíduos não delinquentes. Esta pesquisa foi
desenvolvida por diversos caminhos:
antropológico, biológico, psiquiátrico, psicológico
e social....
• O exame do conjunto do comportamento
do indivíduo e dos seus componentes
biológicos, psiquiátricos, psicológicos e
sociais aproximam-se muito do exame
clínico, que deve ser necessariamente
dirigido por uma equipe que apresente
múltiplos conhecimentos. A observação
criminológica conduz a uma classificação
etiológica.”
Composição da
Comissão Técnica
de Classificação
Vai depender ser é...

restritiva de
privativa de liberdade direitos
Cada estabelecimento deve ter
um..

diretor, no mínimo, por dois chefes de


serviço, um psiquiatra, um psicólogo e
um assistente social
MIRABETE
• O exame de personalidade e o exame
criminológico, bem como todo o processo de
individualização do tratamento penitenciário,
exigem postura técnica e científica e, assim,
funcionários aptos a realizarem os exames
clínicos, morfológicos, psiquiátricos,
psicotécnicos, psicológicos, sociais etc., para a
síntese criminológica necessária aos informes e
pareceres a respeito da periculosidade e
adaptabilidade do condenado, básicas para uma
correta classificação dos presos e ajustada
individualização da pena
Sendo restritiva de direitos...

• Sem obrigatoriedade
• Comissão Técnica de Classificação atuará
junto ao Juízo da Execução e será
integrada por fiscais do Serviço
Social
Classificação no
Rio Grande do Norte
Regimento Interno
Único dos
Estabelecimentos
Prisionais do
Estado do Rio
Grande do Norte
• Art. 38 O preso que adentrar pela primeira vez
na Unidade cumprirá um período inicial
considerado de adaptação e observação, nunca
superior a 60 (sessenta) dias, durante o qual
será observado seu comportamento pela
Comissão Técnica de Classificação.
• Art. 39 Nos (30) trinta primeiros dias do estágio
de adaptação o preso não poderá receber visitas
de familiares e amigos, podendo somente
receber seu advogado ou Defensor Público.
• Art. 40 Durante o período de adaptação o preso
será classificado quanto ao grau de
periculosidade, comportamento e antecedentes.
incomunicabilidade

al
i on
u c
tit
n s
c o
I n
Atribuições da CTC
• Art. 26 A Comissão Técnica de Classificação,
órgão colegiado, deverá ser composta pelo(a)
Diretor(a) do Estabelecimento, que a presidirá,
dois agentes penitenciários, com larga
experiência no penitenciarismo, um Psiquiatra,
um Psicólogo, um Assistente Social, e tem por
finalidade aquilatar a personalidade do
condenado, para determinar o tratamento
adequado, competindo-lhe:
– I - Fixar o programa reeducativo;
– II - Acompanhar a execução das penas privativas de
liberdade;
– III - Classificar o condenado segundo seus
antecedentes e personalidade, para orientar a
individualização da execução penal;
– IV - Propor as conversões e as
regressões, bem como as progressões;
– V - Informar, caso seja solicitado,
através de parecer técnico, o perfil
criminológico do condenado para fins de
benefício;
– VI - Zelar pelo cumprimento dos
deveres dos presidiários e assegurar a
proteção dos seus direitos, cuja
suspensão ou restrição competirá a
Direção da Unidade ou ao Juiz das
Execuções Criminais.
• Art. 27 A Comissão Técnica de
Classificação, para obtenção de dados
reveladores da personalidade dos presos,
poderá:
• I - Entrevistar pessoas;
• II - Requisitar de órgãos públicos ou
privados dados e informações referentes
ao preso;
• III - Realizar outras diligências e exames.
Exame
criminológico
Breve histórico

• Congresso Internacional Penitenciário de St.


Petersburgo, 1890
• Cientificismo jurídico colocado à prova
• Lombroso inspirado pelo positivismo
Lombroso

•causas
inerentes
aos
criminosos
O meio doutrinário
jurídico absorveu a ideia,
não só fomentando
cientificamente, como
positivando nas
legislações.
XII Congresso realizado pela falecida
Comissão Internacional Penal e
Penitenciária, em 1950, em Haia
• “na organização moderna da justiça criminal, é
altamente desejável, para servir de base ao
pronunciamento da pena e aos processos de
tratamento penitenciário e de liberação, dispor-
se de um relatório prévio ao pronunciamento da
sentença, objetivando não somente as
circunstâncias do crime, mas também os fatores
relativos à constituição, à personalidade, ao
caráter e aos antecedentes sociais e culturais do
delinquente”
Ciclo de Estudos de Bruxelas
1951

• A elaboração do exame como


algo voltado ao indivíduo que
cometia um crime, em seu
benefício, para que pudesse
adquirir uma readaptação social,
e por meio dela, a proteção social
O Exame foi tema

Curso Internacional de Criminologia


Sociedade Internacional de Criminologia
1952

III Congresso Internacional de


Defesa Social
1954

Ciclo de Estudos da Fundação


Internacional Penal e Penitenciária
1959
Na América Latina
• Difusão da ideia de:
– exame biológico ou psicopatológico e da
diferença entre criminosos e não criminosos
• Obras de grande influência
– “Criminologia” de Edmund Mezger, de 1933
– “Biologia criminal”, de Franz Exner, de 1939
Brasil
• Os vários anteprojetos elaborados para o direito
penitenciário tratavam de exame de
personalidade, estudos clínicos morfológicos,
fisiológicos e neuropsiquiátricos; a análise da
inteligência, sentimentos, instintos, tendências e
aptidões; e uma pesquisa do ambiente familiar,
vida pregressa, circunstâncias do fato cometido,
grau de conhecimentos, nível de cultura e
formação religiosa.
COSTA
• “Todo homem nasce com uma constituição bio-
psicológica determinada, tornando-se mais
importante estudar as tendências do que as
estruturas, porque são elas que determinam o
equilíbrio social do indivíduo. Todavia, é preciso
igualmente levar em conta o dinamismo do
meio, e através do meio, da influência da
situação sobre o desenvolvimento da
personalidade.
• O crime se produz porque um indivíduo,
respondendo a caracteres biológicos e
psicológicos determinados, se encontra,
num dado momento, colocado em uma
situação tal, que a execução deste crime
se lhe afigura como um resultado
necessário ou inevitável, tanto seja
determinante do crime ou exercendo
apenas uma influência favorável, a
situação será sempre um fator
fundamental.”
Em 1984
• Lei n.° 7.209 (nova • Lei n.° 7.210 (que
parte geral do Código regulamenta a
Penal) Execução penal no
país)

O exame criminológico surgiu como algo


definitivo em nosso sistema normativo
Alexis Couto de BRITO critica
• “Realmente chama a atenção como por um
caminho curto e vacilante e ao final do Século
XX introduziu-se e se construiu as bases
jurídicas de um exame criminológico no Brasil,
nítida e literalmente (lembrem-se da citação de
Di Tullio) com base em preceitos positivistas de
meados do século XIX. E, infelizmente, de sua
previsão como algo, por vezes, necessário aos
fins da execução penal.
• A origem brasileira do exame não se afastou, ao
contrário, ratificou o pensamento lombrosiano,
com pitadas dos conselhos segregadores de
Marc Ancel e sua defesa social, e das posturas
discriminatórias oferecidas pelo nacional-
socialismo de Mezger e Exner. Em nenhum
momento dos projetos ou mesmo de suas
exposições de motivos há uma orientação de
como o exame deverá ser feito e quais as
técnicas possíveis que poderiam ser adotadas
para se chegar às conclusões esperadas por tal
exame, talvez porque sempre se soubesse que
tais conclusões fossem apenas especulações, ou
mesmo um ato de fé no fato de que a ciência
pudesse dar causas tratáveis à criminalidade.”
Conceito
• O art. 8º da LEP:
• “O condenado ao cumprimento de pena
privativa de liberdade, em regime fechado, será
submetido a exame criminológico para a
obtenção dos elementos necessários a uma
adequada classificação e com vistas à
individualização da execução”.
– Parágrafo único
• “Ao exame de que trata este artigo poderá ser
submetido o condenado ao cumprimento da
pena privativa de liberdade em regime
semiaberto”.
ALBERGARIA
• “O exame criminológico é a base do
tratamento para se conseguir a
ressocialização. A Fundação Internacional
Penitenciária indica os dois objetivos
fundamentais do exame criminológico,
quais sejam, o conhecimento da
personalidade do delinquente e a
preposição do tratamento com vistas à
reinserção social.”
Exame de classificação

Exame criminológico
O exame de classificação é
amplo, apresentando a situação do
condenado de forma genérica, com
ênfase em aspectos objetivos de
sua personalidade, antecedentes,
aspectos sociais e familiares,
capacidade laborativa, entre outros
destinados a orientar a forma
como deve ele cumprir a pena no
estabelecimento penitenciário.
o exame criminológico é
mais restrito, analisando questões
de ordem psicológica e psiquiátrica
do condenado, visando revelar
elementos como maturidade,
frustrações, vínculos afetivos, grau
de agressividade e periculosidade
e, a partir daí, prognosticar a
potencialidade de novas práticas
criminosas.
O objeto do exame criminológico
é, portanto, de apresentar ao juiz
um quadro da personalidade do
autor da infração penal.
PITOMBO
• 1. informações jurídico-penais, • 5. exame eletrencefalográfico
ou seja, como agiu o – não para só a busca de
condenado, se ele registra lesões focais ou difusas, mas
antecedentes etc.; da correlação, certa ou
• 2. exame clínico – saúde provável, entre alterações
individual e eventuais causas funcionais do encéfalo e o
mórbidas, relacionadas com o comportamento do
comportamento delinquencial; condenado;
• 3. exame morfológico – • 6. exame psicológico – nível
constituição somatopsíquica; mental, traços básicos da
• 4. exame neurológico – personalidade e sua
manifestações mórbidas do agressividade;
sistema nervoso; • 7. exame psiquiátrico – saber
se o condenado é pessoa
normal, ou portador de
perturbação mental;
• 8. exame social – informações
familiares, condições sociais
em que o ato foi praticado.
ALMEIDA e SANTOS
• “Com a realização do exame criminológico,
estarão respondidas várias questões que
envolvem o criminoso na sua conduta
antijurídica, antissocial e seu possível retorno à
sociedade. Diante de tais providências, teremos
o resultado das variações do caráter do
delinquente manifestado por sua conduta já que
o comportamento será sempre o reflexo da
índole, em desenvolvimento.”
Art. 8.° da LEP

• Art. 8º O condenado ao cumprimento de


pena privativa de liberdade, em regime
fechado, será submetido a exame
criminológico para a obtenção dos
elementos necessários a uma adequada
classificação e com vistas à
individualização da execução.
Hoje facultativo, mas
imprescindível
• Antes da Lei n.° 10.729/03, para
progressão de regime carcerário, era
obrigatório
• Existe, mas sem vinculação do benefício
•Indispensável o exame
no decorrer de toda a
execução penal, para a
análise de deferimento
dos pedidos de
benefícios.
A jurisprudência dos Tribunais
Superiores resistem

o juiz da execução do poder de determinar tais


exames, desde que o faça fundamentadamente
Súmula Vinculante nº 26
STF
• “Para efeito de progressão de regime no
cumprimento de pena por crime hediondo, ou
equiparado, o juízo da execução observará a
inconstitucionalidade do artigo 2º da Lei nº
8.072, de 25 de julho de 1990, sem prejuízo de
avaliar se o condenado preenche, ou não, os
requisitos objetivos e subjetivos do benefício,
podendo determinar, para tal fim, de modo
fundamentado a realização de exame
criminológico”.
súmula nº 439
STJ

• “Admite-se o
exame
criminológico pelas
peculiaridades do caso,
desde que em decisão
motivada”
MIRABETE
• “[...] É ele indispensável quando se trata da
progressão do regime fechado para o regime
semi-aberto, conforme dispõem os artigos 34 do
CP e 8º da LEP ao determiná-lo para a
‘individualização da pena”.
– Quanto à progressão, continua seus ensinamentos:
• “Não basta o bom comportamento carcerário
para preencher o requisito subjetivo
indispensável à progressão. Bom
comportamento não se confunde com aptidão
ou adaptação do condenado e muito menos
serve como índice fiel de sua readaptação
social”
Art. 8.°, parágrafo único da LEP

• Ao exame de que trata este


artigo poderá ser submetido o
condenado ao cumprimento da
pena privativa de liberdade em
regime semi-aberto.
Exame criminológico e progressão
de regime
• para fins de progressão de regime o
exame criminológico tornou-se uma
faculdade do juiz a fim de poder aferir
se o condenado absorveu a terapêutica
penal, principalmente em hipóteses em
que fixada elevada pena ou de condenado
com histórico criminal indicativo de
periculosidade.
STF
• “Não constitui demasia assinalar, neste ponto,
não obstante o advento da Lei n.° 10.792/03,
que alterou o art. 112 da LEP – para dele excluir
a referência ao exame criminológico -, que nada
impede que os magistrados determinem a
realização de mencionado exame, quando o
entenderem necessário consideradas as
eventuais peculiaridades do caso, desde que o
façam, contudo, em decisão adequadamente
motivada, tal como tem sido expressamente
reconhecido pelo E. Superior tribunal de Justiça
(...)”.
O Exame não vincula o juiz

No entanto, há que
entenda pela
obrigatoriedade
NUCCI
Realizar um programa individualizador no começo
do cumprimento da pena (art. 6º, LEP) e um
exame criminológico (art. 8º, LEP), sem haver
solução de continuidade, quando for indispensável
para obtenção do resultado concreto do programa
fixado para o preso, seria inútil. Para que o juiz
não se limite a requisitos puramente objetivos (um
sexto do cumprimento da pena + atestado de boa
conduta carcerária), contra os quais não há
insurgência viável, privilegiando o aspecto
subjetivo que a individualização — judicial ou
executória — sempre exigiu, deve seguir sua
convicção, determinando a elaboração de laudo
criminológico, quando sentir necessário,
fundamentando, é certo, sua decisão,
bem como pode cobrar da Comissão Técnica de
Classificação um parecer específico, quando lhe for
conveniente. Acrescente-se que a redação do art.
112, caput, da Lei de Execução Penal, menciona
que o preso deve ostentar bom comportamento
comprovado pelo diretor do estabelecimento. Essa
comprovação pode não se dar de modo suficiente
em um singelo atestado de boa conduta, instando
o magistrado a demandar outros esclarecimentos,
como os dados possíveis de colhimento pelos
demais profissionais em exercício no
estabelecimento penal.
Exame criminológico e
Livramento condicional
• O art. 83, parágrafo único, do CP
– “para o condenado por crime doloso,
cometido com violência ou grave ameaça à
pessoa, a concessão do livramento ficará
também subordinada à constatação de
condições pessoais que façam presumir que o
liberado não voltará a delinquir”
Guilherme de Souza NUCCI
• “A Lei 10.792/2003, que trouxe a alteração ao
art. 112, não modificou o disposto no parágrafo
único do art. 83, que exige o exame
criminológico para quem pretenda conseguir
livramento condicional, desde que autor de
crime doloso violento, bem como não alterou o
disposto no art. 131 da Lei de Execução Penal
(L. 7.210/1984), prevendo ser a concessão do
livramento submetida às condições do art. 83 e
parágrafo único, com parecer prévio do MP e do
Conselho Penitenciário”.
Tribunais têm entendido como

facultativo
Hipóteses legais
• Art. 9o-A. Os condenados por crime praticado,
dolosamente, com violência de natureza grave
contra pessoa, ou por qualquer dos crimes
previstos no art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de
julho de 1990, serão submetidos,
obrigatoriamente, à identificação do perfil
genético, mediante extração de DNA - ácido
desoxirribonucleico, por técnica adequada e
indolor.
Finalidade

• Abastecer banco
de dados a fim
de facilitar a
elucidação de
crimes em
futuras
investigações
Condenação pela prática de
determinadas naturezas de crimes
• Crimes dolosos praticados com violência
de natureza grave contra a pessoa
• Crimes hediondos (Lei n.° 8.072/1990)
Deverá ser determinada

• Na sentença condenatória
• Juiz da Execução
• Deverá ser armazenada em banco de
dados sigiloso regulamentado pelo Poder
Executivo (art. 9º-A, § 1º, da Lei n.°
7.210), dependendo o acesso das
autoridades policiais a esses bancos de
ordem judicial
Constitucionalidade
• parte expressiva da doutrina vem
sustentando a inconstitucionalidade do
dispositivo, sob o argumento de que
implica violação ao direito que sobressai
do art. 5.º, LXIII, da Constituição Federal
no sentido de que ninguém pode ser
obrigado a produzir prova contra si
mesmo
NUCCI pende para
constitucionalidade
• Garante a individualização
• Evita processamento de inocente
• Maneira moderna de identificação civil