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UMBANDA

1. INTRODUÇÃO

Este curso não tem por objetivo esgotar tudo sobre a doutrina de umbanda. Mas,
sim mostrar que a umbanda tem fundamento e não precisa se apropriar de rituais
vindos do candomblé, kimbanda e, nem mesmo continuar se escondendo atrás do
catolicismo. Não temos o objetivo de ser a verdade absoluta, porque a verdade vem de
cada um, ou seja, o que é a sua verdade não é a minha verdade e, a minha verdade
também não é a sua verdade. Portanto, o que vamos falar aqui é o resultado de nossa
vivência dentro da umbanda e de nossa pesquisa a cerca dessa maravilhosa religião
que vem sendo deturpada, ao se agregar ritos vindos de outros cultos.
Antes da vinda do caboclo das sete encruzilhadas em Zélio de Moraes, já existia um
movimento umbandista, o qual preparou o terreno para a vinda dessa entidade. Esse
movimento preparatório foi realizado pelo caboclo Cugurussú (grito do guardião) que
se manifestou em diversos médiuns em diversos pontos dos pais. Entretanto a
umbanda realmente só teve início em 1908, com a chegada do caboclo das sete
encruzilhadas através do médium Zélio Fernandino de Moraes.
Caboclo das sete encruzilhadas foi o primeiro a utilizar o termo umbanda e o
primeiro a ter seu próprio templo. Outra importante entidade que ajudou a difundir a
umbanda foi Pai-Velho (Pai Antônio). A partir daí alastrou-se pelo país diversos
templos, onde destacamos nas décadas de 50, 60, 70, 80 Pai Guiné no médium Matta e
Silva, e o Caboclo Urubatão da Guia no médium Rivas Neto dos anos 80 em diante.
Na umbanda não tem lugar para vaidades, egos ou ostentação. A filosofia
umbandista está centrada na humildade, simplicidade e a caridade. Portanto, todos
são recebidos de braços abertos sem distinção de raça, credo, situação financeira ou
orientação sexual. Pode-se dizer que umbanda é o conjunto de leis de Deus que
determinam e estabelecem a ligação entre os espíritos e o mundo físico.

2. AS LINHAS DA UMBANDA

Em primeiro lugar é preciso compreender que com a “criação” da Umbanda, como


forma de culto, houve uma condensação e absorção de vários Orixás. O que podemos
observar é que um dos objetivos da Umbanda é a simplicidade, tanto de culto quanto
de rito.
A compreensão básica de Orixá na Umbanda é de um complexo vibratório e
energético, criados e emanados do Astral Superior. Por isso que na Umbanda não se
incorpora os Orixás, mas se reverência através de cânticos e adimus (oferendas).
Dentro desse contexto acreditamos que na umbanda, na maioria dos terreiros se
fala em sete linhas, porém esse entendimento exclui exu, pois, ele não aparece dentro
das sete linhas, aparece como sendo uma linha a parte, a linha da esquerda.
Por isso nós não cultuamos dessa forma, nós reverenciamos orixás e,
reverenciamos e cultuamos caboclos (das águas, das matas, dos sertões), eres, pretos
velhos e povo de rua (exus, pombo giras e caboclos a eles ligados).
A diferença é que orixá não se assenta e não incorpora na umbanda. Caboclo, eres,
pretos velhos e povo de rua se assentam e incorporam, por isso são reverenciados e
cultuados.
Mas, não é objetivo desse curso entrar profundamente nesse mérito, pois,
entendemos que é um assunto polêmico e que não se chegará a um consenso e,
iremos usar as sete linhas tradicionais.

3. OFERENDAS AOS ORIXÁS


Como foi dito no tópico anterior, orixás na umbanda se reverenciam e, a
melhor forma de se fazer isso, além de cânticos, é ofertando comidas secas (não leva
sangue). Abaixo segue alguns exemplos de adimus para orixás.

ORIXÁ ADIMÚ
Exu Coloque em um alguidar médio farinha de mandioca
fina, acrescente dendê e misture até a farofa ficar
homogênea. Passe um bife no dendê (não fritar muito,
apensa dar uma leve passada dos dois lados) e
coloque sobre a farofa no alguidar. Frite no dendê em
rodelas: cebola, pimentão (verde, amarelo e
vermelho) e coloque enfeitando a farofa. Enfeite com
pimentas malaguetas, pimentas dedo de moça e
atarê.
Oxala Cozinhe canjica (milho branco), depois de cozido
escorra e coloque em uma tigela branca. Quando
estiver frio regue com azeite.
Ibeji Corte quiabo em tiras (como se estivesse apontando
lápis), reserve alguns inteiros. Bata camarão seco com
cebola e azeito de oliva no liquidificador fazendo uma
pasta. Coloque uma panela no fogo com azeite de
oliva e dentro coloque os quiabos cortados, a pasta
que você fez e alguns camarões secos (tire a cabeça e
o rabo) e deixe no fogo até o quiabo soltar bastante
baba e a comida estar bem cozida. Quando estiver
pronto coloque em um alguidar e enfeite com quiabos
inteiros.
Ogun Pegue um cará grande e bonito, asse no fogo de lenha
ou carvão sem abrir. Quando estiver bem assadinho,
espere esfriar e abra ao meio. Coloque em um
alguidar, espete vários palitos de dente, coloque
farofa de dendê ao redor. Coloque nas duas bandas
moeda corrente, búzio e regue com dendê.
Oxossi Cozinhe milho vermelho (milho de galinha), quando
estiver ao dente escorra e coloque em um alguidar.
Enfeite com pedaços de coco seco, rodelas de goiaba
e espiga de milho.
Xangô Corte quiabo em tiras (como se estivesse apontando
lápis), reserve alguns inteiros. Bata camarão seco com
cebola e azeito de oliva no liquidificador fazendo uma
pasta. Coloque uma panela no fogo com dendê e
dentro coloque os quiabos cortados, a pasta que você
fez e alguns camarões secos (tire a cabeça e o rabo) e
deixe no fogo até o quiabo soltar bastante baba e a
comida estar bem cozida. Quando estiver pronto
coloque em um alguidar e enfeite com quiabos
inteiros.
Obaluaye Frite pipocas na areia e coloque em um alguidar.
Logun Ralam-se sete espigas de milho verde. Com a massa
obtida acrescenta-se coco ralado e açúcar. Envolva a
massa nas folhas das próprias espigas, formando uma
espécie de trouxinha que se amarra em cima com
palha da costa.
Mergulhe as trouxinhas em água fervente e retira-se
logo em seguida. Deixe esfriar, abra as trouxinhas,
arrume numa travessa ou prato de louça.  Ao redor
coloque fatias de coco seco cortado em tiras, regue
com bastante mel.
Oxumarê Dentro de uma forma você coloca metade de uma
taça de vinho tinto, coloca duas cebolas cortadas em
pequenos pedaços. Coloque pedaços de paus de
canela. Misture tudo. À parte, cozinhe cinco batatas-
doces até que elas estejam bem moles, no ponto de
purê, amasse formando cinco bolas de tamanho
semelhantes. E as coloque na forma com o restante
dos ingredientes. Espete em quatro das bolas um
cravo da índia. Nas bolas que você espetou os cravos,
você também vai fincar em cima uma vela branca, de
maneira que ela fique de pé. Acenda e faça seus
pedidos.
Ossain Descasque e cozinhe 2 a 3 kg de inhame. Depois de
amolecerem, amasse-os bem (com as mãos ou pilão).
Coloque a papa em um alguidar e regue com azeite
doce e sal.
Oxum feijão fradinho, 1 cebola, azeite de oliva, 8 ovos,
camarão seco, 1 tigela de louça branca.

Cozinhe o feijão fradinho (escorra, triture e reserve),


cozinhe os 8 ovos, limpe o camarão (deixe alguns
inteiros para enfeitar), refogue a cebola em azeite
oliva, acrescente o camarão e refogue, junte feijão
triturado ao refogado, mexendo até engrossar.
Coloque na tigela de louça, enfeite com os 8 ovos
cozidos, camarões inteiros e regue com azeite.
Iemanjá Canjica cozida, azeite doce, camarão seco triturado e
cebola ralada.
Refogue o camarão e a cebola no azeite doce e
misture coma a canjica
Iansã Tire a casca de 1/2kg de feijão fradinho e bata no
liquidificador com cebola, camarão seco e azeite doce.
Esprema a massa em um pano limpo até ficar no
ponto de secar. Faça uns bolinhos no formato de
acarajé e frite no dendê.
Nanã Quirera de milho branco, azeite doce, 1 coco seco.

Cozinhe a quirera com bastante água para que ela


fique meio “papa”, tempere com oliva, coloque em
uma tigela de louça, rale o coco e com ele cubra a
quirerinha.
Yewa Pedaços de coco cozido (cortados em cubos), feijão
fradinho e preto refogado, batata doce cozida e
picada, milho de galinha cozido, banana da terra frita
em cubos, camarão seco refogado.

Faça separadamente cada ingrediente, depois misture


tudo em uma tigela branca.
Obá Temperos verdes, ovos a vontade
azeite de dendê

Reúna numa frigideira uma porção de temperos


verdes e faça um refogado com azeite de dendê. Abra
os ovos que quiser sobre o refogado, e vá cobrindo
esses ovos com o dendê fervente até ficarem duros.

4. MEDIÚNIDADE
Diferente do que muitos pensam mediunidade não apenas receber vibrações e
influências de uma entidade do plano espiritual. Mediunidade é aprender, evoluir com
os ensinamentos do plano astral e aplicar a caridade, a bondade, tanto quanto os
espíritos fazem através dos médiuns. Assim, podemos afirmar que todos somos
médiuns, uns com a capacidade incorporativa e outros não.
Para substanciar esse pensamente recorro ao candomblé. Os ogans e ekedjes
também são médiuns, porém sem capacidade incorporativa. Pois, estão no terreiro
prestando assistência aos zeladores, Irmãos e pessoas que chegam precisando de
ajuda. São eles que emitem vibrações ao tocarem os atabaques, ao colherem uma
folha, ao imolarem um animal. São as ekedjes que ao soarem seus adjas, aos assistirem
um orixá, que emitem suas vibrações.
Agora em se falando em mediunidade dos ditos rodantes, podem se manifestar
de outras maneiras além da incorporação. Tem os que conseguem escutar os espíritos,
os que conseguem ver e os que conseguem ver e ouvir ao mesmo tempo. E a
incorporação no início não é tão efetiva, por isso é comum você lembrar-se de fatos
que ocorreram durante a incorporação. E essa ligação, colamento do espírito aos seus
chakras só irão melhorar se você se deixar dominar pela entidade. Caso contrário sua
consciência durante a incorporação lhe acompanhará pelo resto da vida, será o
chamado médium consciente.

5. CHAKRAS

São os pontos energéticos em que o espírito vai se ligar ao corpo do médium. Ao


contrário do que muitos pensam o espírito não entra no corpo do médio, ele adentra
ao seu campo magnético e liga seus chakras ao chakras do médium.
Os principais chakras são o coronal, frontal, cervical, cardíaco, solar, genésico. O
chakra coronal fica no alto da cabeça. O frontal fica na região da testa. O cervical fica
na região da laringe. O cardíaco no coração. O solar fica três dedos acima do umbigo. O
genésico fica a altura dos genitais.
É através desses chakras que as entidades se ligam ao corpo do médium e
ocorre a chama incorporação. É muito difícil uma incorporação totalmente
inconsciente, pois, a tendência de todos é tentar controlar suas mentes e assim
impende a completa ligação entre seus chakras e de sua entidade.

6. VESTIMENTAS
Na umbanda a vestimenta para o dia-a-dia é roupa branca, não pode ser
transparente. Para os homens calça branca e camisa branca, para as mulheres abadas
branco e por baixo um short e top brancos. Nos dias de giras para os homens calça
branca e camisa branca e para as mulheres bata branca. Já nos dias de festas as roupas
podem ser combinadas de acordo com a festa, sendo que para os homens sempre será
calça e camisa e para as mulheres saias e camisas tipo baianas.

7. FIOS DE CONTA
Geralmente quando o médium adentra ao terreiro para se desenvolver usa
somente um fio branco de oxalá com uma única perna. Com o tempo se farão fios de
exu e de suas entidades. Em alguns locais se fazem fios de orixás para as pessoas,
porém, dentro do que nos cultuamos, não temos essa prática.

8. RITUAIS DE UMBANDA
8.1 BANHO DE AMANCI
O mais importante para um bom amanci é saber a finalidade que ele terá.
Existem amancis para melhorar a mediunidade, para equilibrar a áurea, para limpar a
áurea, para fortalecer o chakra coronal. Aqui vamos nos ater ao banho de limpeza
espiritual, banho de equilíbrio do chakra coronal e banho para a mediunidade.
Banho de limpeza espiritual:
- Material: ervas (comigo-ninguém-pode, espada de são Jorge, arruda, guiné,
cipó alho, pião roxo, alevante), fumo de rolo (um pedaço).
- Preparo: Coloque um litro de água para ferver e o fumo de rolo (em pedaços),
quando atingir o ponto de fervura, coloque as ervas e apague o fogo. Quando esfriar
coe e estará pronto o banho.
- Como tomar: jogue o banho desde a cabeça até os pés, esfreguem bem no
corpo todo pedindo para tirar as energias negativas e impurezas. Depois tome seu
banho normal e use um banho cheiroso de sua preferência.

Banho de equilíbrio de chakra:


- Material: ervas (japana, manjericão, aroeira, akoko, capeba, melissa), água de
flor de laranjeira, água de canjica.
- Preparo: macere as ervas com água de poço ou nascente, acrescente água de
flor de laranjeira e água de canjica (é a água que sobra quando se cozinha milho
branco). Deixe o preparado aos pés de sua entidade chefe com uma vela acessa.
- Como tomar: só tome este banho quando estiver limpo (após limpeza
espiritual), jogue desde a cabeça até os pés, troque sua roupa (coloque branca) vá ao
seu conga e jogue bastante banho em sua cabeça jogando como folhas e tudo. Depois
amarre sua cabeça e durma aos pés de sua entidade chefe.

Banho para mediunidade:


- Material: ervas (japana, akoko, capeba, aroeira, oripepe, erva de santa Luzia,
cana do brejo), água de dois cocos ouro, sementes (imburana, nós moscada, puchuri).
- Preparo: macere as ervas com água de poço ou nascente, acrescente água dos
cocos, acrescente as sementes raladas.
- Como tomar: esse banho é só para a cabeça, então, lave bem sua cabeça com
ele e depois enrole pano de cabeça e durma nos pés de sua entidade.

OBS. Os banhos devem ter preceito de 3 dias (sexo, bebidas escuras, roupas
escuras, cigarro, sol quente e hora grande).

8.2 CAMARINHA

É o ritual de iniciação na umbanda e também de entrega dos direitos sacerdotais.


Na umbanda não existe obrigação de ano, de três anos, de sete anos e outras como
existe no candomblé e no tambor de mina, por exemplo. Na umbanda você entra na
camarinha quando vai firmar o anjo de guarda, quando for necessário reforçar o anjo
de guarda ou quando precisar ficar recolhido por ocasião de algum ritual (não que seja
obrigação disso ou daquilo) e quando for receber seus direitos sacerdotais.
8.2.1 ANJO DE GUARDA
Ritual é obrigatório quando uma pessoa entra para a corrente do terreiro
ou para a assistência, assim como, quando se vai receber os direitos na umbanda,
outras ocasiões que se pode fazer é quando uma pessoa (consulente) é instruído por
uma entidade ou pela consulta a um oráculo sagrado a realizar o ritual.
Materiais: Tigela branca, quartinha branca, algodão, pemba branca, canjica, feijão
branco, flores brancas, esteira, vela sete dias branca, mel.

Ritual: 1º desenhe o ponto do ritual (desenho do ponto será apresentado na aula)


com a pemba branca;
2º coloque a tigela branca no centro da cruz do ponto riscado;
3º aproxime a cabeça do filho da tigela e vá passando a canjica e o feijão na
cabeça dele e deixando cari na tigela.
4º coloque a vela sete dias na cabeça do filho e reze um pai nosso e a
oração do anjo de guarda, ao acabar coloque a vela no centro da tigela e
acenda.
5º regue ao redor da vela com mel fazendo bons pedidos em nome do anjo
da guarda;
6º cubra ao redor da vela com algodão, de nodo a esconder tudo.
7º Leve a quartinha no alto da cabeça do filho e coloque na cruz da esquerda
do ponto, faça o mesmo com uma vela fina comum e coloque na cruz da direita.
8º o filho reza pai nosso, ave Maria e ao anjo da guarda, conversa com seu
anjo e deita-se, cubra-o com pano branco.

8.2.2 LAVAGEM DOS PÉS


Os pés é que andam pelos caminhos e atraem todo tipo de energia, assim é
importante esse ritual na camarinha, quando se vai receber o sacerdócio. Para que o
caminho do futuro sacerdote seja sempre bom.

8.2.3 CRUZAMENTO DO FUTURO SACERDOTE


Deve ser cruzado na palma das mãos, na sola e peito dos pés, na nuca, no
peito, e no topo da cabeça. Cruza-se com o símbolo da umbanda e com a cruz.

8.2.4 DEITADA DE CABOCLO


É o dia em que se arria adimú para os caboclos da pessoa recolhida, coloca-se a
esteira, o filho senta na mesma e as comidas são levadas até sua cabeça e arriadas ao
redor da esteira.

8.3 FIRMEZA DA CASA E CRUZAMENTO DO TERREIRO

Ritual de entrega do terreiro à entidade chefe do sacerdote, por ocasião da


inauguração da casa. Essse ritual é feito um dia antes da festa da inauguração.
1º Evocar Pai Oxalá

2º Pegue o banho de ervas respinga em todo terreiro (altar, camarinha) e em quem


estiver presente. Depois coloca o restante no centro do barracão.

3º Acenda as velas (azul, lilás, verde e alaranjada ou amarela).

4º Quando a entidade chegar entrega-se o terreiro e a própria vai dizer o destino do


conteúdo da bacia e as regras da casa dali em diante.

8.4 ASSENTAMENTOS
8.4.1 CABOCLOS

Masculinos: quartinha sem alça, alguidar e pedra. Pode-se também optar por colocar
elementos ligados ao caminho da entidade, por exemplo, se for um caboclo da mata,
colocar elementos que representem sua morada. E assim por diante.

Femininos: a única diferença é que se coloca quartinha com alça.

Batizado do assentamento: É o ato de dar vida ao assentamento, muitos caboclos


dizem o que querem no batizado, por exemplo, pode querer sangue animal ou apenas
comidas secas.

EXUS E POMBO GIRAS

Exus: Alguidar, ferragem, pedra, garra de exu, atarê, azougue, terra de sete
encruzilhadas, terra de banco, terra de feira, terra de praia, terra de rio, moedas
correntes, ouro, prata e bronze e a imagem do exu. Um ou três galos, sal, mel,
dendê, 3 ou 7 tipos de bebidas, charuto ou cigarro.

Pombo giras: Alguidar, ferragem, pedra, garra de pombo gira, atarê, azougue, terra
de sete encruzilhadas, terra de banco, terra de praia, terra de rio, terra de feira,
moedas correntes, ouro, prata e bronze e a imagem da pombo gira. Uma ou três
galinhas, sal, mel, dendê, 3 ou 7 tipos de bebidas, cigarrilha.

8.5 ABERTURA E FECHAMENTO DE GIRA

Todos os médiuns devem tomar banho de erva, e defumar-se antes do início


dos trabalhos. Caso a gira seja aberta ao público é bom arriar padê aos exus e pombo
giras da casa e despachar-se a porta. Caso a gira seja interna, é suficiente despachar a
porta.

Canta-se o ponto de defumação e se defuma a casa de traz para frente com


defumação descarregadora e da frente para traz com defumação atrativa. Enquanto
isso as velas do altar, de todos os pontos da casa devem ser acessas.
Reumen-se todos os médiuns e se faz a oração inicial que pode ser um Pai
Nosso, Ave Maria e Salve Rainha. Então o sacerdote profere as palavras iniciais e
começa a cantar o ponto de abertura da gira.

Em dias de festa não se canta ponto de abertura, canta-se três ou quatro


pontos para os orixás e depois se vira para caboclos.

No encerramento, cantam-se pontos de encerramento.

Os pontos cantados serão disponibilizados em livro para os alunos do curso,

9. ADENDO

Ativação das ervas para banhos e outras finalidades. Aqui não tem mistério,
como vimos no decorrer do curso a umbanda é algo simples, sem os muitos rapapés
de outras religiões. Para ativar as ervas é preciso acender uma vela, salpicar água nas
folhas e dizer as palavras que virem a sua cabeça. Veja um exemplo: “Deus Pai todo
poderoso, eu lhe suplico que permita que as forças dos nossos orixás, guias protetores,
nossos guardiões possam imantar essas folhas com boas energias, de modo a
produzirem o efeito benéfico necessário a todos que se utilizarem deste banho”.
Em seguida macerar as ervas cantando para Oxossi, ou para seu caboclo chefe
ou sua entidade trabalhadora.

10. ALGUMAS MAGIAS

Antes é preciso saber que existe uma lei maior, a lei do Karma. Tudo que você faz
nesse mundo volta para você, ou seja, se fizer coisas boas, coisas boas virão do
contrário coisas ruins. Então, seja sempre justo e faça sempre o bem. Entregue
seus problemas mas mãos de seus guias e exus.

FEITIÇOS PARA O MAL

1. Pega um fígado de porco inteiro, abrir, colocar dentro um papel com o nome da
pessoa, enfiar 49 alfinetes. Ao colocar cada alfinete vai se pedindo o mal para
aquela pessoa. Colocar folha de mamona roxa e bastante dendê. Fechar com
pano preto e vermelho e colocar no cemitério.

2. Uma cabeça de cera, colocar dentro o nome da pessoa e encher de miolo de


boi. Enfiar um prego na cabeça e despache em um lugar que vá pegar bastante
sol.

3. Colocar o nome da pessoa em um bife cru e enfiar em um formigueiro.


4. Colocar dentro de uma garrafa vazia um papel com o nome da pessoa. Colocar
sal grosso, pimenta da costa, pimenta malagueta, feijão preto, azougue. Fechar
a garrafa e enterrar em uma praia. Acender uma vela para exu do lodo.

5. Colocar o nome da pessoa dentro de uma panela de barro e colocar dendê,


colocar um pouco de sal e cozinhar em fogo baixo, depois ponha na geladeira.
Faça isso duas a três vezes ao dia, durante nove dias. No sexto dia já notará o
resultado. Após o nono dia despachar no cemitério.

6. Alguidar, alfinetes, agulhas, pregos e um punhal. Língua de boi, pimenta da


costa, pimenta malagueta, pimenta do reino, pimenta de cheiro, pimenta dedo
de moça, pimenta calabresa, pimenta mexicana. Folha de pimenteira, óleo de
rícino, dendê, azougue, sal grosso. Bata as pimentas no liquidificador (deixe
umas inteiras), frite as pimentas batidas no dendê. Abra a língua coloque o
nome e foto da pessoa (dados que identifiquem bem a pessoa), coloque óleo
de rícino, coloque dendê, coloque sal grosso, coloque folha de pimenteira,
coloque azougue e feche a língua com linha preta e vermelha. Coloque a língua
fechada no alguidar. Tempere por cima novamente com óleo de rícino, dendê,
sal grosso, coloque pimentas inteiras e folha de pimenteira por cima. Espete
alfinetes, agulhas, pregos e um punhal. Deixei no pé de exu por sete dias, com
vela acesa e depois despache num cemitério.

7. Fel batido com 7 tipos de pimenta, cachaça, sal, dendê, azougue. Coloque em
um vidro escuro e enterre no lodo ou cemitério.

DEIXAR UM PESSOA EM DESESPERO POR DIAS

1. Pegue uma panela de barro e faça furos no fundo dela. Pegue um caranguejo e
enrole nele linha de todas as cores (deixando-o bem enroladinho). Enrole-o em
um filo branco (tipo véu). Ponha-o dentro da panela e tampe. Amarrem bem a
tampa da panela de forma que ela não caia de forma alguma. Jogue em um
mangue.

AMARRAÇÃO – TRAZER DE VOLTA

1. Compre um vaso de médio para grande, coloque terra preta adubada. Pegue o
coração de boi, abra e dentro coloque o nome da pessoa e 07 pedras de açúcar
granulado, feche com uma linha azul clara (feche bem fechadinho). Enterre o
coração na terra do vaso e plante uma planta bem bonita. Deixe em sua casa

VIRAR PENSAMENTO DA PESSOA


1. Coloque um miolo de boi dentro de um alguidar branco, invoque, sob o miolo,
o anjo da guarda da pessoa que você quer virar o pensamento. Batize com sal,
como se fosse o cérebro da pessoa. Enfie vários alfinetes no miolo fazendo os
pedidos. Para adoçar use mel; Para esquentar use dendê; Para esfriar use
azeito doce. Coloque um laço de fita amarela e um laço de fita azul. Depois
amarre com morrim branco e coloque no pé de uma árvore frondosa.

PARA MELHORAR AS FINANÇAS

1. Pegar um alguidar grande, colocar4 farofa de dendê, farofa de mel, um bife no


dendê, feijão fradinho cozido, cebolas em rodelas bem fininhas, uma garrafa de
cahaça, um charuto, um caixa de fósforos, passe 07 moedas no corpo e colocar
na farofa, deixe o alguidar na encruzilhada. Passar um frango no corpo e soltar
vivo na encruzilhada, oferecendo a Exu pedindo abertura de caminhos,
movimento e dinheiro.

2. Fritar camarão seco no dendê com cebola ralada. Fazer a farofa com essa
mistura. Fritar um bife no dendê com cebola, pimentão verde, amarelo e
vermelho e tomate em rodelas. Colocar a farofa no alguidar, colocar por cima o
bife frito com mos temperos fritos. Colocar azeitonas pretas, sete rosas
vermelhas, acender cigarrilha, colocar a bebida fina e acender a vela pedindo
caminhos abertos, melhorar as finanças. Depois de 24h a dois dias, levantar e
colocar em uma encruzilhada para os companheiros da Padilha.

PARA AFASTAR ESPÍRITOS RUINS DA CASA

1. Folhas de peregun, espada de são Jorge, aroeira. Incenso, mirra, bejoim e


alfazema (defumação). Bater a casa de trás para frente com as folhas, ao
chegar na porta da rua coloque as folhas em um saco para despachar em uma
árvore. Depois defumar a casa de fora para dentro.

ARRUMAR EMPREGO :
- Vários pés de moleque em um prato.
- 01 ventarola de papel de seda.
- 07 guaranás abertos.
- 01 doce molinho em outro prato com os pedidos.
- 07 bolinhas de gude vermelhas.
- 01 prato de canjica adoçada com mel e queijo.
- Farinha de amendoim torrado.
- 01 flor artificial.
- Despachar em uma nascente
Ebó para Ògún
Para abrir caminhos, trazer dinheiro, prosperidade 1 inhame do norte assado, 1
alguidar médio, 21 moedas correntes, 21 taliscas de mariwô (folha de palmeira), 1
acaçá branco (bolinho de milho branco misturado com água, envolto em folha de
bananeira), 1 acaçá vermelho (igual acaçá branco, porém com farinha de milho
amarela), azeite de dendê e mel.

Como Preparar: Asse o inhame na brasa. Se necessário, raspe um pouco para eliminar
o excesso de negrume. Colocar dentro do alguidar. Vá enterrando os talos de mariwô e
chamando por Ògún, Faça o mesmo com as moedas. Coloque os acaçás, um em cada
ponta do inhame. Regue com um pouco de dendê e mel, 1 pitada de sal. acenda uma
vela e faça seus pedidos a Ògún. Deve-se colocar no muro, ao lado do portão, ou no
chão, na entrada do portão. se você morar em apartamento, coloque dentro de sua
casa, atrás da porta de entrada. Deixe 7 dias e após, despachar aos pés de uma árvore
frondosa.