Você está na página 1de 5

Português 1º.

ano 06/05/21
Fonética e fonologia
A fonética e a fonologia são dois ramos da língua portuguesa que geram muita dúvida
em quem as estuda. Hoje eu vou mostrar que tais conteúdos são, na verdade, bastante
injustiçados. Complexos? Certamente, mas totalmente passíveis de compreensão. O
primeiro passo é entender que fonética e fonologia possuem a função de analisar os
sons produzidos nos atos de fala, mas cada uma faz isso a seu modo. 

Vou trabalhar alguns conceitos, especialmente da fonologia, de maneira objetiva e


resumida, para que você mande suas dúvidas embora de uma vez por todas. Finalmente,
deixarei aqui alguns exercícios para ampliar o seu conhecimento com muita praticidade.
Optei por abordar essa área de estudos em tópicos, assim, com muita didática, vamos
juntos percorrer esse caminho e encontrar aquela tão desejada luz no fim do túnel
quando o assunto é esse. Vem comigo!

Fonética
Investiga os sons da fala dentro do seu aspecto físico, ou seja, como o som é
produzido, de que forma se comporta o aparelho fonador durante a produção do som.
Sua preocupação é o som real, é a parte fisiológica dessa atividade: como determinado
som passa pela boca; qual o movimento dos lábios; se há ou não uma vibração nas
cordas vocais e assim por diante. É por meio da fonética que se faz uma análise de
pronúncia. Um exemplo que posso citar é a palavra “desastre”. A fonética vai observar
que algumas pessoas pronunciam /d/ /e/ /z/ /a/ /s/ /t/ /r/ /i/ enquanto outras
pronunciam /dj/ /i/ /z/ /a/ /s/ /t/ /r/ /i/. 

Fonologia
Por sua vez, a fonologia se ocupa do estudo dos fonemas, isto é, dos sons. O fonema
em si não possui nenhum significado, ele precisa juntar-se a outros para formar
unidades significativas por meio de sílabas e palavras. A fonologia estuda essas
combinações, as variações sonoras, etc. Os fonemas são representados por vogais,
semivogais e consoantes. É desse modo que acabamos analisando seu comportamento
nas palavras quando formam ditongos, tritongos, dígrafos, dífonos, etc. 

Vamos, agora, verificar resumidamente vários conceitos que são abordados dentro da
fonologia. Dentre eles estão alguns que você já deve ter estudado na escola e achado
completamente estranhos. Acredite, é mais fácil que parece!

Fonema vocálico
Som produzido sem nenhum obstáculo de passagem de ar pela boca. São as nossas
conhecida vogais A, E, I, O, U. 

Fonema consonantal
Som produzido com algum obstáculo para a passagem de ar pela boca. Temos, nesse
caso, as consoantes. Um exemplo clássico é a consoante B. Ao pronunciá-la, você vai
perceber que os lábios criam um pequeno obstáculo para a produção do som. 

Encontro vocálico 
Nada mais é que o encontro das vogais que produzem uma sequência de sons vocálicos
durante o ato de fala. Tal encontro pode ser formado por vogal, semivogal e algumas
consoantes (no caso, M e N). Vamos ver de que modo eles são formados. 

Ditongo
Encontro de uma vogal e de uma semivogal na mesma sílaba. 

Pode ser:

 Crescente = semivogal + vogal. Exemplo: quadro. 


 Decrescente = vogal + semivogal. Exemplo: caixa. 
 Oral = quando, durante a pronúncia, o ar passa exclusivamente pela boca.
Exemplo: chapéu; tranquilo. 
 Nasal = quando, durante a pronúncia, o ar passa pela boca e pelo nariz. Exemplo:
mãe; ontem; falam. 
 Aberto = quando possuem um timbre aberto e a passagem de ar ocorre
exclusivamente pela boca. Exemplos: céu; ideia; jiboia. 
 Fechado = quando possuem um timbre fechado. A passagem de ar pode ser
ocorrer tanto pela boca quanto pelo nariz, mas não confunda: tanto ditongos orais
quanto ditongos nasais podem ser fechados. Exemplos: noite; roubo; mãe; pão. 

Tritongo
Encontro de uma semivogal, de uma vogal e de outra semivogal na mesma sílaba. 

Pode ser:

 Oral = Paraguai; iguais; quaisquer.


 Nasal = saguão; enxáguem; quão. 

Você deve ter percebido, ao ler alguns exemplos, que as terminações AM e EM podem
formar ditongos nasais. Isso acontece porque sua pronúncia pode se aproximar de algo
como “-aum” e “-eim”. 
Hiato
Encontro entre duas vogais que não pertencem à mesma sílaba. Exemplos: sa–ú-de; ci–
ú-me; pa–ís. 

Encontro consonantal
Assim como o encontro vocálico, o encontro consonantal pode ocorrer quando duas ou
mais consoantes se encontram, seja ou não na mesma sílaba, sem que haja uma vogal
entre elas. Quando ficam na mesma sílaba, chamamos de encontro consonantal perfeito.
Alguns exemplos: pacto; planeta; ritmo; psicologia. 

Uma curiosidade: você sabia que existe um encontro chamado “ditongo consonantal”?
Provavelmente, não. Isso porque ele não costuma ser estudado na escola. Contudo,
alguns gramáticos procuram abordá-lo, o que torna interessante conhecermos um pouco
a respeito. Esse ditongo costuma ocorrer sempre que uma vogal ou semivogal estiver
acompanhada da consoante L e ela for pronunciada como U. Obviamente, é um efeito
exclusivo da oralidade. Veja alguns exemplos: final (“finau”); mel (“méu”); mil
(“miu”).  

Dígrafo
É a sequência de duas letras que formam apenas um som. Palavras que apresentam
dígrafos possuem mais letras que fonemas. 

Pode ser:

 Consonantal = lh, ch, nh, rr, ss, qu, gu, sc, sç, xc, xs. Exemplos: espelho; chuva;
estranho; torre; pássaro; máquina; guerra; piscina; nasço; excesso; exsudar.
 Vocálico: am, em, im, om, um, an, en, in, on, um. Exemplos: lâmpada; tempo;
limpo; sombra; tumba; sangue; mentira; cinto; ponte; mundo. 

Atenção!

 Nos casos de GU e QU, apenas será dígrafo se a vogal U não for pronunciada.
Guerra possui dígrafo, mas aguentar não. Queijo possui dígrafo, mas quase não.
Observe sempre a pronúncia em todos os casos.
 As formas AM e EM, no final da palavra, não formam dígrafo, mas ditongo nasal.
Veja: também (“tambeim”); cantam (“cantaum”). 

Dífono
É justamente o contrário do que ocorre no dígrafo. Aqui temos um vocábulo escrito com
uma letra que possui fonema duplo, ou seja, dois sons. Isso ocorre especialmente com
a letra X em casos como: anexo (anecso); táxi (tácsi); conexão (conecsão); oxigênio
(ocsigênio). Palavras assim acabam tendo mais fonemas que letras. 

Exercícios
1. Assinale a alternativa INCORRETA a respeito do vocábulo “churrasqueira”.
a) Apresenta 3 dígrafos: CH, RR, QU. c) Apresenta tritongo UEI. 

b) É uma paroxítona. 

2. Sobre a palavra “papagaio” é correto afirmar que:


a) apresenta um ditongo.  c) apresenta um dígrafo.

b) apresenta um tritongo. d) é uma proparoxítona. 

3. Assinale a série em que apenas um dos vocábulos não possui dígrafo:


a) folha – ficha – lenha – fecho d) descer – cresço – exceto – exsudar

b) lento – bomba – trinco – algum e) serra – vosso – arrepio – assinar

c) águia – queijo – quatro – quero

4. Identifique quantas letras e quantos fonemas possuem as palavras complexo e


ponte. 
5. A única alternativa em que a palavra possui hiato é:
a) entendia c) conjeturou

b) trabalho d) mais

6. A palavra que apresenta ditongo crescente é:

a) acordou d) jamais

b) teriam e) quando

c) noites
7. “Quando é verdadeira, quando nasce da necessidade de dizer, a voz humana não
encontra quem a detenha.”

No termo “necessidade”, destacado do trecho “quando nasce da necessidade de


dizer”, temos um dígrafo. Assinale a opção que apresenta as palavras nela citadas
contendo dígrafos.

a) olhos; humana. d) detenha, quem.

b) celebrada, lhe.  e) porque, perdoada.

c) nasce, palavra.