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Sumário

APRESENTAÇÃO:.............................................................................................................13
1. MITOLOGIA E A PSICOLOGIA ANALÍTICA.........................................................16
2. NARRATIVAS DAS DEUSAS DA MITOLOGIA GREGA......................................31
2.1 A Deusa Afrodite..................................................................................................31
2.2 A Deusa Atena......................................................................................................33
2.3 A Deusa Ártemis...................................................................................................35
2.4 A Deusa Héstia......................................................................................................36
3 OS ARQUÉTIPOS DAS DEUSAS PRESENTES NA MULHER ATUAL...............39
3.1 O Arquétipo da Deusa Afrodite Personificado na Vida De Madonna..................40
3.2 O Arquétipo da Deusa Atená Personificado na Vida De Margaret Thatcher......50
3.3 Arquétipo da Deusa Ártemis Personificado na Vida De Nise da Silveira............56
3.4 Arquétipo da Deusa Héstia Personificado na vida Santa Tereza de Calcutá........65
DISCUSSÃO E ANÁLISE..................................................................................................71
CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................................75
REFERÊNCIAS...................................................................................................................76
13

APRESENTAÇÃO:

As deusas são formas arquetípicas de demonstrar qualidades psicológicas para

todos os seres humanos, particularmente para as mulheres de todos os tempos. As deusas

podem ser acessadas através das imagens arquetípicas presentes nas mais diversas

mitologias. Tais imagens podem inspirar a mulher atual a liberar do seu íntimo o mais

bravoso e exuberante de dentro da cada uma.

Nesse estudo ira se apresentar essas forças na forma das deusas gregas. Foram

escolhidas as deusas Afrodite, Atená, Artêmis e Hestia para ilustrar e demonstrar suas

qualidades psicológicas arquetípica na mulher da contemporaneidade.

 Foi escolhida a deusa Afrodite na qual elas possuem uma beleza incomum, pois

todos, absolutamente todos, as acham de uma beleza incomparável. É sedutora,

conseguindo chamar a atenção de todos para a sua presença quando quer. Conseguem

todos se sentirem mais inclinados a se apaixonarem. Quando uma pessoa se apaixona por

você, poderá tirar proveito disso.

Em seguinte se fala da Deusa Atena, conhecida como a deusa da guerra justa, da

sabedoria, das artes, da estratégia e ofícios, é boa em elaborar planos e estratégias de

batalha. Tem uma ótima dicção, podendo assim convencer monstros e pessoas sobre algo

que ela queira. Tem um ótimo controle de escudo e o manuseiam com muita facilidade,

por isso não são muito atingidos em batalhas, tem um ótimo controle sobre todos os tipos

de arma, principalmente com adagas.

A próxima deusa citada é a Deusa Artêmis, conhecida como caçadoras, depois de

mais experiência, as caçadoras desenvolvem sua agilidade para combater seus inimigos

com maior precisão.  Não se cansam tão facilmente, e assim conseguem passar por mais
desafios com facilidade, por viverem na floresta, desenvolvem muitos instintos. Elas

sempre saberão se localizar independentemente de onde estiverem, e conseguem se virar

em caso de falta de comida, são caçadoras conquistaram uma mira excepcional em suas

caçadas, quase nunca errando suas flechas.

E por último é a Deusa Hestia, conhecida como a deusa da tranquilidade, pois

consiste na capacidade que o semideus tem de, involuntariamente, passar uma sensação

sossegada às pessoas, de modo que, por exemplo, diminua o estresse numa discussão.

Poderes que mexam com coisas opostas à tranquilidade, medo, pânico, raiva, terão seus

efeitos reduzidos consegue discernir o caminho menos danoso com mais facilidade,

sabendo quando uma ação é claramente estúpida ou perigosa. Dizem que os amigos são a

família que escolhemos. Como deusa familiar, Héstia protege os laços, incluso os laços de

seus filhos com aliados. Dessa forma, tais ligações são mais difíceis de serem rompidas

por poderes que visem desestabilizá-las,

Esses poderosos modelos internos ou arquétipos são responsáveis pelas principais

diferenças entre as mulheres. Para ampliação desse trabalho, serão utilizadas sínteses de

biografias das mulheres atuais: Madona, Margaret Thatcher, Nise da Silveira e Madre

Tereza de Calcutá.

Compreender o poder do arquétipo na mulher da atualidade e analisar o padrão

arquétipo ditado pela narrativa da mitologia. Aventa-se a hipótese de que as narrativas

místicas apresentam os arquétipos nas mulheres investigadas, está relacionado a algumas

características das Deusas citadas.

A finalidade deste trabalho é compreender como as narrativas de deusas da

mitologia, na qual modela a construção de um comportamento na qual este, influenciam as

mulheres. Este estudo trata-se de uma revisão bibliográfica com base na teoria Analítica

Junguiana, acerca do tema mitologia: os arquétipos das deusas na mulher atual. Para tanto,
contará com a ajuda de outras obras de sua autoria, assim como comentadores sobre o

tema a ser tratado.

O trabalho será dividido em três capítulos. O primeiro aborda a Mitologia e a

Teoria Analítica Junguiana e esclarecem os temas da Sombra, Símbolo, Arquétipos,

inconsciente pessoal, Inconsciente coletivo e outros.

O segundo faz uma breve descrição das Deusas da Mitologia Grega: Deusa

Afrodite, Deusa Atenas, Deusa Ártemis e a Deusa Héstia, e seus arquétipos apresentados.

O terceiro e último capítulo apresenta uma investigação sobre este arquétipo na

mulher atual e como essa mulher se expõe os arquétipos, seja em desejos,

comportamentos, levando a concretização de outro personagem.


1. MITOLOGIA E A PSICOLOGIA ANALÍTICA

A amplitude das deusas mitológicas, assim como das imagens arquetípicas

descritas por C.G. Jung está no infinito de sua essência e em sua permanência na mente

humana. No entanto para começarmos, introduzirei algumas reflexões a partir do tema

para que haja uma melhor compreensão.

No entanto seguiremos com a reflexão acerca do conceito mitologia. A mitologia é

uma importante referência para compreendermos o homem e os seus problemas

existenciais diante do mundo. A muitos de nós foi ensinado sobre os deuses e deusas do

Monte Olimpo, em alguma época, na escola em desenhos animados e no dia a dia, e temos

acesso a estátuas e pinturas deles, os deuses olímpicos tinham muitos atributos humanos: o

comportamento deles, as reações emocionais, a aparência e a mitologia nos proporcionam

padrões que se igualam ao comportamento e às atitudes humanas.

Nesse sentido, o mito é uma "forma de as sociedades espelharem suas contradições,

exprimirem seus paradoxos, dúvidas e inquietações." (Rocha, 2006, p. 7).

Do mito brotam os símbolos que, carregados de significados, agregam valores e

organizam a realidade, a partir da experiência, oferecendo suporte para estruturar a

sociedade. No entanto, são valores que estabelecem com a missão de explicar as coisas,

organizá-las e compreendê-las. O mito, em outras palavras, faz parte da nossa vida

cotidiana como uma das formas indispensáveis do existir do homem.

Os mitólogos modernos veem no mito a expressão de formas de vida, de estruturas

de existência, ou seja, de modelos que permitem ao homem inserir-se na realidade. São

modelos exemplares de todas as atividades humanas significativas. (Gomes & Andrade,

2009).
O mito procura fazer uma relação, dar uma explicação sobre a existência da vida

como: animais, cosmos, plantas, raças astros, seus principais acontecimentos: relações

sociais, relações de poder, guerras e fenômenos naturais: água, fogo, ar, terra, enfim tenta

explicar a origem do mundo e do Homem.

Podemos dizer que o mito é uma tentativa de explicar a realidade, ou seja, ele tem o

papel de atribuir sentido ao mundo e a vida, com a finalidade de acomodar o homem.

Apesar disso, a maior parte dos mitos, se pautam na utilização de uma força de

natureza sobrenatural, divina, que conta com a presença de deuses, semideuses e heróis.

[...] o mito conta uma história sagrada; ele retrata um acontecimento

ocorrido do tempo primordial, o tempo fabuloso do "princípio". Em outros

termos, o mito narra como, graças às façanhas dos Entes Sobrenaturais, uma

realidade passou a existir, seja uma realidade total, o Cosmo, ou apenas um

fragmento; uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento humano,

uma instituição. É sempre, portanto, a narrativa de uma “criação: ele relata

de que modo algo foi produzido e começou a ser”. O mito fala apenas do

que realmente ocorreu, do que se manifestou plenamente. Os personagens

dos mitos são os Entes Sobrenaturais. Eles são conhecidos, sobretudo pelo

que fizeram no tempo dez prestigioso dos "primórdios". (Eliade, 2006,

P.11)

Segundo o filósofo Romeno Mircea Eliade, o mito é uma história sagrada e

verdadeira. Nos tempos primevos, o mito forneceu as estruturas físicas, psicológicas e

espirituais para compreender o Mundo, cuja dimensão, ainda perpassará os nossos dias.

Assim, para Souza (2013), a mitologia é uma forma de responder, de forma oculta e

simbólica, as vivências humanas e as condições do mundo.


Os mitos se referem ainda as realidades arquetípicas, isto é, a situações com

que todo ser humano se depara ao longo da sua vida, e vão além ao explicar,

auxiliar e promover as transformações psíquicas, tanto no nível individual

como no coletivo de certa cultura. Toda mitologia se torna, assim, uma

forma de tomada de consciência, um elemento para nos identificar. Existem

mitos universais e os de cada cultura, mitos iguais para todas as épocas com

novas roupagens, porque o que é arquetípico é o tema e a partir deste tema

podem surgir novas formas de colocação. Assim sendo, o termo arquétipo,

utilizado por Jung para designar a forma imaterial a qual os fenômenos

psíquicos tendem a moldar; seriam as tendências estruturais invisíveis do

símbolo que criam imagens ou visões que correspondem a alguns aspectos

da situação consciente. Para Jung essas “imagens primordiais” se originam

de uma repetição constante de uma mesma experiência durante gerações e

tendem a produzir a repetição e elaboração dessas mesmas experiências em

cada geração (Gomes & Andrade, 2009, p. 145).

Segundo Maria Zélia Alvarenga (2007), diz que o mito é entendido como uma

forma de explicar o mundo e o homem. Compreendemos que todas as culturas e

civilização têm os seus mitos e assim forma a estruturação do universo, da formação de

sociedade, de como o homem e o mundo foi formado, de como as virtudes, males e

pecados surgiram e se instauraram no mundo.

Joseph Campbell (2002), no texto Isto és tu, selecionado por Eugene Kenedy, fala

sobre as mitologias tradicionais, cumprindo em quatro funções:

 A primeira função é harmonizar consciência e com as pré-condições de sua própria

existência mediante uma das três formas de participação exteriorizando


interiorizando ou efetuando uma correção para Campbell (2002) esta é uma função

essencialmente religiosa da mitologia;

 A segunda função da mitologia tradicional e interpretativa apresentado uma

imagem consistente da Ordem do universo;

 A terceira função da mitologia tradicional é dar validade que respalda uma ordem

moral específica a ordem da sociedade da qual surgiu essa mitologia,

 A quarta função da mitologia tradicional e conduzir um indivíduo através de vários

estágios e crises da vida ajudando a pessoa compreender o desdobramento da vida

com integridade.

Então compreendemos as funções do mito segundo Campbell (2002) como:

 Religiosa por concorrer para harmonizar consciência;

 Lógica por interpretar as imagens do universo;

 Ética por dar respaldo de ordem moral as vivências,

 Estruturante por conduzir os humanos pelo estágio da vida.

O mito pode ser também entendido como uma parte alegórica, metafórica ou simbólica

da linguagem. Outra parte implícita da própria linguagem é o seu princípio lógico

vinculador do pensamento raciocínio do qual se deduz uma explicação coerente

fundamentada que pode ser provada a Instância mítica da linguagem não pode ser

comprovada não tem coerência nem sequência cronológica, mas se compõe de uma forma

de expressar o entendimento do ser humano sobre a vida e a morte a criação do mundo o

aparecimento dos Deuses e deusas a criação dos seres etc. (Maria Zelia Alvarenga, 2007,

p.41).

O mito é uma fala, uma forma de se expressar pela comunicação, uma linguagem fácil,

um jeito de explicar o mundo e todas as suas coisas, pelas suas alegorias.


Maria Zélia Alvarenga (2007), quando entendemos o mito se podemos pesquisar na

história dos mais variados povos e culturas passamos a compreender inclusive o

mecanismo de formação das próprias palavras a sessão do seu sentido mais profundo.

Entendemos que cada cultura e povos, se expressa de uma maneira, exprimindo

realidades primordiais de cada sujeito, o modo de criação, religião Cultura e criação.

Quando eu conheço o mito, dizia Junito Brandão (1992), eu conheço o segredo das

coisas. Ao falar sobre Jung:

Parece se constituir de motivos mitológicos ou imagens primordiais, razão pela

qual os mitos de todas as nações são seus reais representantes. De fato, a

mitologia como um todo poderia ser tomada como uma espécie de projeção do

inconsciente coletivo (...). Portanto, podemos estudar o inconsciente coletivo de

duas maneiras: ou na mitologia ou na análise pessoal (Jung, 1924/1986, §325).

Esse conceito foi elaborado por Jung a partir da observação de muitos temas repetidos

em mitologias, contos de fada, literatura universal e nos sonhos e fantasias de seus

pacientes. Ele observou que as imagens que apareciam se relacionavam principalmente

com situações comuns da existência humana

Quando entendemos o mito, conhecemos a realidade do psiquismo humano, passamos

a entender o funcionamento das pessoas, ou seja, como reagem e se expressão, como

desejam e como se transformam.

Neste sentido Maria Zélia Alvarenga, (2007) diz, O mito é um conjunto de histórias

relatados de geração em geração traduzindo o entendimento dos povos que criaram tinha

nessa história forma de explicar como o mundo se fez e como tudo aconteceu.

Viver o mito é, portanto, realizar-se no rito, compondo-se com a energia dos

primórdios. Rito é a experiência que se tem de uma realidade fenomênica que propicia ao

iniciado a vivência de como fora a primeira vez. A transformação ocorrida nesse tempo,
como relatados pelo mito, ocorre em todas as vezes que o rito é realizado, e a energia dos

primórdios passa a ser experimentada pelos participantes. (Maria Zelia Alvarenga, 2007,

p.43).

Portando para Souza (2013) o mito perde-se na temporalidade humana e torna-se

indizível sua primeira data de manifestação consciente. “São narrativas tão antigas quanto

o próprio homem, e nos falam de deuses, duendes, heróis fabulosos ou de situações em que

o sobrenatural domina” (Souza, 2013, p. 2).

Para Silva (2017) a teoria Junguiana tem o cuidado grande de assegurar que as pessoas

trilhem o caminho misterioso do inconsciente e, entrar em contato com ele, que reconheça

aquilo que descobriram na intenção de incorporar estes elementos à consciência e assim

chegar a uma completude e maior percepção de si mesmo.

Jung reconhecia a validade das contribuições teóricas de diversas áreas do

conhecimento e intencionava a construção de uma psicologia geral, a qual desejou batizar

como “Psicologia Complexa”. Esta seria em detrimento da Psicologia Analítica, sendo esta

idealizada como o aparato teórico para a prática clínica. A Psicologia Complexa consistiria

na integração de vários campos de conhecimentos, como uma roda de aprendizado sobre

conhecimentos gerados pelo e sobre o homem, pois tudo que é humano deve ser de

interesse da psicologia e possibilita maior compreensão da alma humana. Porém, este

título não vingou, permanecendo ainda mais conhecida como Psicologia Analítica

(Shandasani, 2011, p.32).

Em 1920, Jung publicou o livro Tipos Psicológico onde ele traz um quadro teórico

sobre os tipos de personalidade, trazendo elementos significativos para a compreensão da

psicologia de si mesmo e do outro (Ramos, L. M. A. 2005).


Neste sentido Silveira em (1992), encontramos a classificação tipológica de Jung,

disposições (atitudes) psíquicas: extroversão e introversão. Jung indicou que a libido

(energia psíquica) flui em dois sentidos.

A Extroversão: de dentro para fora da psique as atitudes são orientadas por fatores

objetivos, externos (ideias e conceitos objetivos e pessoas e objetos socialmente

valorizados) (Ramos, L. M. A. 2005).

Segundo Mello, (2003) os extrovertidos estão mais dirigidos para e pelo mundo

exterior e seus interesses são maiores por pessoas e coisas. Pessoas dessa tipologia têm

chances de ser atraído para dentro do objeto e nele se perder completamente, dando origem

a perturbações corporais, funcionais ou reais. (Campos, 2005).

Introversão: de fora para dentro da psique as atitudes são orientadas por fatores

subjetivos, internos (ideias, conceitos e objetos pessoalmente valorizados) (Ramos, L. M.

A. 2005). Pessoas introvertidas procuram o intrínseco, a subjetividade, tendendo deslocar

sua libido do objeto como se protegesse do que está no exterior de suas reflexões (Anjos,

2013).

Figura 1: Disposição Principal Diferenciada:

Fonte: Ramos, L. M. A. 2005, p.139


Ramos, L. M. A. (2005) diz que, Jung percebeu que a psique além de possuir duas

disposições psíquicas (extroversão e introversão) também possui quatro funções psíquicas:

sensação e intuição (funções de percepção ou irracionais) e pensamento e sentimento

(funções de julgamento ou racionais) que também são mecanismos de adaptação do

indivíduo à sua realidade subjetiva e objetiva.

Agora veremos as funções racionais que são divididas em: pensamento e sentimento

A função Pensamento se refere à função que discrimina, julga e classifica os

fenômenos a partir da lógica da razão, buscando avaliar objetivamente os “prós” e

“contras” da natureza desses fenômenos.

Neste sentido a função sentimento, faz a avaliação dos fenômenos a partir de uma

dimensão valorativa eles são agradáveis ou não. Tal como o pensamento, julga, porém, não

pela lógica da razão, mas pela lógica de valores pessoais - que, por sua vez, recebe

influências dos valores sociais. O conceito de sentimento não deve ser confundido com os

conceitos de emoção e afeto. Os sentimentos estão associados a uma dimensão valorativa

de julgamento, já a emoção é um afeto de grande intensidade de energia chegando a alterar

funções orgânicas, tais como batimento cardíaco e ritmo respiratório alterado por afetos de

amor, ódio, ciúme, entre outros. As funções psíquicas formam dois pares de funções

opostas, entretanto, complementares:

 O pensamento é oposto, porém, complementar ao sentimento.

 A sensação é oposta, porém, complementar à intuição.

Em seguida vem a funções de irracionais, que é dividida em: sensação e intuição.


Sobre tudo a função sensação, privilegia as informações recebidas pelos órgãos dos

sentidos, constatando a presença sensorial das coisas que nos cercam no contexto do “aqui

e agora”.

Em seguida a função intuição, que vai além da sensação, buscando os significados,

relações e possibilidades futuras das informações recebidas. Trata-se de uma apreensão

perceptiva dos fenômenos (pessoas, objetos e fatos) pela via inconsciente. A intuição “vê”

a natureza “oculta” desses fenômenos.

No trabalho atual descrevemos deusas, quanto a seus mitos, significados, e como

condutores dos caminhos arquétipos de humanização. Cada narração e história padrões de

comportamento, amigos e inimigos. Observamos a sua função tipológica em relação com o

mundo e consigo mesmo.

Deusas segunda a Classificação tipológica pelo referencial de Meyrs & Meyers,1997:

DEUSAS ATITUDE E FUNÇÃO 1 ATITUDE E FUNÇÃO 2


AFRODIT EXTROVERTID SENTIMENT INTROVERTID

E SENSAÇÃO A O O
PENSAMENT EXTROVERTID INTROVERTID

ATENAS O O INTUIÇÃO A
INTROVERTID SENTIMENT EXTROVERTID

ARTEMIS SENSAÇÃO A O O
INTROVERTID EXTROVERTID

HESTIA SENTMENTO O SENSAÇÃO A

Quadro 1- Classificação tipológica Meyrs & Meyers (1997)

Segundo o quadro acima, mostra as principais funções tipológicas das deusas com suas

respectivas configurações.
Segundo Jean Shinoba, elabora o quadro das deusas:

TIPOS
DIFICULDADES
DEUSA PSICOLÓGICOS FORÇAS
PSICOLÓGICAS
JUNGUIANOS
Relacionamentos
sucessivos,
Normalmente Habilidade de apreciar o
AFRODIT promiscuidade e
extrovertida e prazer e a beleza de ser
E dificuldade de
sensível sensual e criativa
considerar as
consequências.
Normalmente Habilidade de pensar
Distancia emociona,
extrovertida, corretamente, de resolver
ATENAS astucia e carente de
reflexiva e problemas práticos e
empatia.
sensível. estrategista.
Normalmente
Habilidade no
extrovertida, Distancia emocional,
ARTEMIS Estabelecimento
intuitiva e crueldade e rancor.
e realização dos objetivos
carinhosa.
Normalmente Habilidade de apreciar
Introvertida, Distancia emocional a solidão, de ser
HESTIA
sensível e carência social espiritualmente
intuitiva. criativa.

Quadro 2 – Quadro das deusas olímpicas Jean Shinoba (1984)

O quadro 2 delinea as qualidades psicologicas das deusas conforme suas principais

atribuiçoes tipologicas.

Portando para Silveira (1992), os caminhos propostos por Jung podem ser

reconhecidos de forma simbólica através dos arquétipos, da sombra, do inconsciente

coletivo, do inconsciente pessoal e símbolo.

O Símbolo

O conceito de símbolo, de acordo com a psicologia analítica, representa-se muito

conectado ao de arquétipo, e, por consequência, ao de inconsciente coletivo. Segundo

Byington (1987), o arquétipo é universal, é um potencial existente em todos os indivíduos,


e o símbolo é uma imagem que concreta que pode representar um arquétipo, num contexto

comum.

Os símbolos podem ser imagens de pessoas, imagens de familiares, serem nomes entre

outros. Eles possuem um significado obvio, mas também pode trazer conotações

especificas. A imagem, o nome ou outra coisa, só pode ser considerada símbolo quando

evoca algo mais que seu simples significado.

Os símbolos são eficazes para a expressão e criação de relações entre as coisas.

Segundo Byington (1987), como o conhecimento consciente é limitado pelo alcance dos

sentidos, o homem cria símbolos como explicação.

Jeffé (2016), ao falar sobre a história do simbolismo, explica que tudo pode ocorrer

uma significação simbólica: objetos naturais ou fabricados pelo homem ou até mesmo

formas abstratas.

Neste sentido para Silveira (1992), o símbolo é uma linguagem abrangente e muito

rica, que pode possibilitar a exteriorização, através de imagens, de muitas coisas que

ultrapassam os problemas que os indivíduos vivenciam.

O símbolo é algo dinâmico e vivo que vai além do consciente. Eles podem ser

encontrados nos sonhos com uma representação individual ou coletiva. No entanto, quando

os símbolos aparecem em sonhos, procure saber o que este representa para você, fazendo

uma ponte com a sua situação de vida (Silveira, 1992).

Silveira (1992), diz que, para Jung, os símbolos possuem presença, eles agem e opera

em dimensões racionalmente não atingíveis e transmitem intuições com grandes

proporções de estímulos, antecedendo, assim, fenômenos ainda incomuns.

Neste sentido Silveira (1992), relata que de acordo com Jung, o símbolo não apresenta

respostas por si mesmo, mas impulsiona a algo que vai além dele quando se entra em
contato com o mesmo, e assim em sentido mais distante não podendo expor de qualquer

forma.

O Arquétipo

Os arquétipos segundo Silveira (1992), Tratam-se de um assunto muito complexo

quando se tenta entendê-lo, quanto ao seu significado, pode se dizer que os arquétipos são

perspectivas herdadas para representar imagens similares, são formas instintivas de

imaginar.

Humbert (1985), ainda conceitua tais arquétipos norteiam o comportamento, seja eles

conteúdo do inconsciente pessoal, ou seja, o inconsciente pessoal se forma na base que é o

inconsciente coletivo.

O conceito de arquétipo busca tratar a vida cotidiana, explica como o homem, mesmo

sem perceber, repete as ações de seus antepassados (Sobrinho & oliveira, 2015).

Os arquétipos são formas dadas a algumas experiências e memórias de nossos

antepassados, segundo Jung. Isso significa que nós não nos desenvolvemos de forma

isolada do resto da sociedade, sem que o contexto cultural e histórico nos influencie

intimamente, transmitindo padrões de pensamento e de experimentação da realidade.

Para entender de forma mais simples o que é um arquétipo, pensemos em uma figura

muito atual nos filmes de hoje: os heróis. Todos, em algum momento, tivemos os nossos

preferidos; personagens complexos, mas que respondem em essência a um mesmo padrão,

a um mesmo conceito: a bondade, a maldade, a sabedoria e a mentira, por exemplo.

Porem Silveira (1992), relata que, Jung define em sua teoria que os arquétipos são uma

predisposição para efetuar representações conscientes, sendo elas imagens, temas ou


representações, que podem ter inúmeras variações de detalhes, porém sem abandonar sua

forma original.

O arquétipo caracteriza-se, sobretudo, como um conteúdo inconsciente, que se

transforma através de sua compreensão e percepção, adotando particularidade que mudam

de acordo com a consciência individual na qual se manifesta.

Sobretudo, uma deusa é a forma que um arquétipo feminino pode assumir no contexto

de uma narrativa ou epopeia mitológica. Num conto de fadas, esse arquétipo pode aparecer

como princesa, rainha ou bruxa.

Silveira (1992), diz que quando sonhamos ou fantasiamos, nossa mente inconsciente

pode recorrer às imagens arquetípicas comuns à nossa cultura, ao que Jung chamou de

inconsciente coletivo.

Inconsciente Coletivo

Portanto Silveira (1992), diz que, segundo, Carl Gustav Jung, o inconsciente coletivo é

a instância psíquica mais profunda que armazena experiências que não são nem pessoais e

nem individuais, mas imagens primordiais ou arquetípicas e também os instintos, que não

podem ser acessadas quando necessário, entretanto, manifestam-se em sonhos, mitos e

fantasias de maneira simbólica.

Por isso, no íntimo de toda mulher encontrar-se-ão as deusas. Todavia, em cada

mulher, estará uma ou mais deusas ativadas e outras não, e mesmo a ativação terá suas

diferenças individuais.

O inconsciente coletivo, segundo Silveira (2007), simboliza as camadas mais intensas

do inconsciente humano, as estruturas fundamentais da psique presentes em todos os

homens.
Neste sentido Silveira (1992), relata que Jung definiu o Inconsciente Coletivo como

sendo uma camada inata e mais profunda do que o Inconsciente Pessoal, não somente um

depósito de lembranças recalcadas e traumas infantis.

Silveira (1992) diz que, Jung (1928/1984) apresenta a ideia do inconsciente enquanto

totalidade de todos os arquétipos, repositório de todas as experiências humanas, desde seus

primórdios.

Sendo assim, toda mulher representa o papel principal na solução do que diz respeito à

sua própria história existencial, para elas os papeis tradicionais são muito significativos.

No entanto, elas costumam não ter consciência dos poderosos efeitos que os estereótipos

culturais exercem sobre elas, as mulheres podem também não ter consciência de poderosas

forças que atuam no seu íntimo. Essas forças influenciam o que elas fazem e o modo como

elas sentem.
2. NARRATIVAS DAS DEUSAS DA MITOLOGIA GREGA

O que é narrar? Segundo Benjamin (1985) contar histórias é a arte de contá-las

repetidas vezes, uma arte que é perdida quando tais narrativas deixam de ser contadas,

impedindo a transmissão oral de uma experiência humana.

Nesta perspectiva, a narrativa “tem sempre em si, às vezes de forma latente, uma

dimensão utilitária. Essa utilidade pode consistir seja num ensinamento moral, seja numa

sugestão prática, seja num provérbio ou numa norma de vida” (Benjamin, 1985, p. 200),

em um movimento contínuo de construir e ser construído pela cultura.

Neste sentido para Benjamin (1985), se a narrativa é o modo pelo qual oferecemos

conselho e ajuda nos momentos de necessidade os mitos que eram transmitidos oralmente

pelos narradores compartilhavam com seus ouvintes os ensinamentos e experiências da

humanidade, mitos que ao serem reformulados deram origem às histórias infantis, que

ficaram conhecidas como os contos de fadas.

Tais narrativas oferecem-se como meios, metáforas, conhecimentos que auxiliam a

compreender e refletir sobre a realidade, além de propiciarem ferramentas para a resolução

de problemas (Civita, 1973).

Enquanto Eliade (2010) discorre sobre a importância dessas narrativas, uma vez que

servem de exemplo para atitudes e comportamentos dos 4 homens, dando significação e

valor à vida, Bettelheim (2002) enfatiza a importância dos mitos e contos de fadas, no que

diz respeito às três instâncias psíquicas Id, Ego e Superego e aos ideais eróticos, formando

o corpo simbólico que permeará fenômenos e processos psicológicos.

Passa se então no próximo capítulo a falar sobre a biografia das deusas da mitologia,

que são a Deusa Afrodite, Deusa Atenas, Deusa Artêmis e a Deusa Hestia.

2.1 A Deusa Afrodite


Na mitologia, Afrodite nasceu de Urano, senhor do céu, depois que ele foi castrado e o

seu sêmen caiu no mar, um símbolo de fertilidade, uniu se a Geia, a grande mãe terra e a

fecundou. (Hesíodo, 2003, v. 150 – 206).

Para Brandão (1991), apaixonada, essa Deusa representa o amor e a beleza e costuma

se entregar aos seus desejos, Afrodite era a deusa do amor, da beleza corporal e do sexo.

Para os gregos, ela tinha uma forte influência no desenvolvimento e prazer sexual das

pessoas. Uma deusa encantadora por sua beleza, um amor sublime e espiritual, amor

carnal, na mitologia, sua origem é descrita de duas formas: Urânia e Pandemia.

Afrodite grega, através do processo de migração dos mitos, é originária provavelmente

de deuses de outras regiões e épocas, as quais possuíam as mesmas características: a

grande deusa suméria, Inana, do Irã para os Cananeus, no Egito, anteriormente Hator e

Lidia (Stone, 1994, 310 & Qualls-Corbett, 1990,73).

Era considerada também a deusa protetora das prostitutas na Grécia Antiga. Foi

cultuada nas cidades de Esparta, Atenas e Corinto. Afrodite casou-se com o deus do fogo,

Hefesto. Porém, teve inúmeros amantes, tanto deuses como homens mortais, sendo que, de

suas aventuras, foram gerados vários filhos. (Qualls Cobett, 1990, p83).

Com Ares, deus da guerra, teve diversos filhos, como Eros, Anteros, Deimos, Fobos,

Harmonia, Adrestia, Himeros e Pothos. Com Hermes, o deus mensageiro, Afrodite gerou o

deus Hermafrodito (mistura dos nomes dos pais), que tinha como características, além da

beleza dos pais, os órgãos sexuais de ambos os gêneros. Com o deus Apolo teve o filho

Himeneu (deus do casamento), e com Dionísio o deus do prazer, das festas e do vinho,

teve o filho Príapo, o deus da fertilidade, que tinha grandes genitálias e não péssima

aparência Afrodite gerou também um filho do mortal Anquises, que foi chamado de

Enéias, e que foi um herói da Guerra de Tróia. Seduziu outros mortais como Adónis,

Faetonte e Cíniras. (Brandão, 1991).


Afrodite está longe de ser sempre a deusa amável dos Risos e das Graças. Muito

embora seja popularmente conhecida por ser a deusa da beleza e do amor, era muito

vingativa e impiedosa. Para punir o Sol (Febo) da indiscrição de haver advertido Vulcano

do seu adultério com Marte, tornou-o infeliz em quase todos os amores. (Graves, 1990, p

133).

Afrodite é flha das espumas, dos movimentos das marés, da leveza, das águas fonte de

toda a vida. (Brandão, 1991).

Vingou-se da ferida que recebera de Diomedes diante de Tróia, inspirando a Egíale,

sua mulher, paixões por outros homens.

Castigou, da mesma maneira, a musa Clio, que havia censurado o seu amor por

Adónis, a Hipólito que desdenhara os seus atrativos. Enfim, tendo-lhe feito Tíndaro uma

estátua com cadeias nos pés, ela o castigou com o impudor das suas filhas, Helena e

Clitenestra.. (Graves, 1990, p133).

2.2 A Deusa Atena

Para Calasso (1990), na mitologia grega, Atena, também conhecida como Palas-Atena,

era a deusa da sabedoria, da guerra, das artes, da estratégia e da justiça. De acordo com a

mitologia grega, Atena nasceu (já armada) da parte interior da cabeça de seu pai, Zeus

(deus dos deuses). Ela era um dos doze deuses olímpicos e uma das principais deusas da

Grécia Antiga. Atena aparece quase sempre representada, em pinturas e esculturas, com

equipamentos de guerra (lança, escudo e capacete).

Os gregos faziam cultos para Atena em vários templos espalhados pelo território grego

e também pelas colônias africanas e asiáticas. Foi também uma das divindades mais

representadas pelos escultores e pintores da Grécia Antiga.


Neste sentido, Maria Zélia Alvarenga (2004), relata que Atena era a filha predileta de

Zeus, porém quando Métis ficou grávida, Zeus engoliu a esposa com medo de sua filha

nascer mais poderosa que ele e lhe tirar o trono, mas para que isso acontecesse convenceu

Métis a participar de uma brincadeira divina, onde cada um se transformava em um animal

diferente e Métis pouco prudente acabou se transformando em uma mosca, e Zeus a

engoliu. Métis foi para a cabeça de Zeus. Mas com o passar dos anos, Zeus sentiu uma

forte dor de cabeça e pediu para que Hefesto lhe desse uma machadada, foi então que

Atena já adulta saltou de dentro do cérebro de seu pai, já com armadura, elmo e escudo.

Portanto, Atena nasceu da cabeça de Zeus e, na mitologia, ela representa a sabedoria e a

astúcia. Essa grande deusa era para ser a nova Rainha do Olimpo, mas como era mulher

seu pai continuou no trono. Mas Atena foi a deusa da sabedoria, prudência, capacidade de

reflexão, poder mental, amante da beleza e da perfeição.

Para Hillman (1980) a guerreira Atena participou de vários combates descritos nos

mitos gregos. A deusa atuou na Guerra de Troia ao lado dos gregos e também da batalha

contra os Titãs. Após a Guerra de Troia, foi Atena quem guiou o herói Odisseu rumo ao lar

na Grécia.

Outro feito importante de Atena, relatado nos mitos, foi a ajuda que deu ao herói

Herácles na luta contra os gigantes que desafiaram os deuses do Olimpo. Foi ela quem

forneceu as armas para que Herácles realizasse seus doze trabalhos, ajudando-o a matar a

Hidra de Lerna e capturar Cérbero (cão monstruoso do deus Hades).

Hillman (1980) dizia que, Atena era uma deusa completa e virtuosa. Era inteligente,

boa estrategista militar, habilidosa e com grande senso de justiça.

Atena era a deusa padroeira (protetora) da cidade de Atenas. Era também considerada a

responsável pela proteção de vários heróis gregos como, por exemplo, Herácles.
O templo mais importante erguido para o culto de Atena ficava na cidade de Atenas. O

Partenon, hoje ainda existe as ruínas, é considerado um dos principais símbolos da

arquitetura da Grécia Antiga.

Atena era também a divindade protetora de um dos principais produtos agrícolas da

Grécia Antiga: o azeite de oliva.

2.3 A Deusa Ártemis

Brandão (2000), diz que Ártemis é, na mitologia, a Deusa das selvas, da mata, uma

exímia arqueira e caçadora. Ela representa a liberdade e a natureza e rege as mulheres

livres e aventureiras. Dizem que quando ela ainda era uma criança, Zeus a questionou

sobre seu maior desejo para seu aniversário, e ela lhe pediu, sem hesitar, que pudesse

circular livremente pelas matas, ao lado dos animais ferozes, dispensada para sempre da

obrigação de se casar. O pai imediatamente realizou seu sonho.

Esta deusa famosa dos gregos foi concebida por Zeus e Leto e era irmã gêmea de

Apolo enquanto ele simbolizava a luz solar, ela representava a esfera lunar. Esta poderosa

figura é sempre encontrada, em qualquer mito que seja, correndo por bosques, florestas e

matas, livre como um pássaro, ensaiando suas coreografias e cantando ao lado das ninfas

que lhe são muito próximas.

Sempre acompanhada pelas ninfas, Ártemis não se apieda daqueles que por ventura,

tentam abusar de outros. Usa seu arco e flecha com presteza e ainda os cães de caça

estraçalham aquele ou aquela que ofende a si, a deusa ou aos que lhe pedem

proteção. Ártemis se enamorou de Órion, um caçador. Apolo, seu irmão, se sentiu

ofendido por esse amor. Buscou por Ártemis e a desafiou a acertar uma flecha naquele

objeto redondo que estava ao longe no mar. Inadvertidamente, movida pela ansia do
desafio, Ártemis matou Órion. Desse modo, devido sua competitividade, o homem a quem

ela amava se tornou sua vítima (Brandão, 2000).

Em seu aspecto de deusa da lua, Ártemis é a feiticeira que faz a tríade com outras duas

feiticeiras: Selene e Hécate. Selene reina no céu, Ártemis na terra e Hécate nas entranhas

da terra, considerado como o inferno.

Neste sentido para Kerenye (1998) diz que embora pareça contraditória está

personalidade ambígua de Ártemis, na verdade ela está associada a dupla faceta do

feminino, que protege e destrói, concebe e mata. Esta imagem da deusa é difundida

especialmente na Ásia Menor. Não se sabe exatamente onde e quando surgiu seu culto,

pois os autores que estudam o mito divergem quanto a este ponto.

Entre todos os outros arquétipos femininos, o de Ártemis contém as mulheres que mais

seguem seus instintos e desejos, principalmente porque não costumam dar importância

para o que os outros pensam sobre elas. Essas mulheres normalmente não têm medos de

desafios, e por isso gostam de esportes e são extremamente independentes

2.4 A Deusa Héstia

De acordo com Brandão (1991) relata que era Filha de Cronos e Reia, Héstia era, na

mitologia grega, a deusa virgem do lar, da família e da arquitetura. Era uma das 12

divindades gregas que habitava o Monte Olimpo. Era irmã de Zeus, Hades, Hera e

Deméter.

De acordo com a mitologia grega, Héstia foi engolida por Cronos, porém resgatada

pelo irmão Zeus. Era considerada uma das deusas mais bondosas, modestas e gentis. Prova

disso é que não se envolvia em guerras ou qualquer outro tipo de conflito.


Héstia representava o fogo que ficava acesso nos lares dos gregos. O símbolo desta

deusa grega era o fogo de uma lareira. Este fogo sagrado simbolizava a luz e a paz que

deveria reinar nos lares gregos. O fogo da deusa Héstia deveria ficar sempre acesso nos

lares e nos templos (Demetrakpoulos, 1979).

Ela tinha como uma das principais funções mostrar a importância do lar na vida social,

política e religiosa na Grécia Antiga.

Héstia raramente foi representada em pinturas e esculturas. Porém, aparece quase

sempre com um longo vestido branco e com um véu no rosto. Uma roupa que significava a

pureza e o caráter desta deusa. Em algumas esculturas aparece também segurando um

cajado (Demetrakpoulos, 1979).

Irmã mais velha de Zeus. Ela observada e zelava pelo fogo das cidades e do calor

dentro das casas. Portanto, passou a representar o calor humano, o aconchego e a caridade

(Demetrakpoulos, 1979).

As mulheres identificadas com ela são, geralmente, avessas às experiências eróticas e à

vida matrimonial. Na Grécia era a protetora dos lares (Héstia era o nome dado à lareira

doméstica) representante de um poder sagrado que unia as pessoas da mesma família,

principalmente na sala de refeições (Demetrakpoulos, 1979, p.133 - 135).

Não menospreza os homens, como Ártemis, e nem aprecia trabalhar ao lado deles,

como Atenas. Mais amorosa que Afrodite e Deméter, ela devota-se totalmente a aspectos

espirituais da existência. Durante muito tempo representou as mulheres solitárias e

recatadas dedicadas à família de origem, que não contraiam casamentos.

As Héstias modernas até se casam e quando isso acontece, elas comportam-se como

esposas tradicionais, embora sejam diferentes de Hera, Deméter ou Perséfone. São elas que

conferem a casa o nome de lar.


3 OS ARQUÉTIPOS DAS DEUSAS PRESENTES NA MULHER ATUAL

Como citado na introdução, toda mulher representa o papel principal na solução do que

diz respeito à sua própria história existencial, para elas os papeis tradicionais são muito

significativos. No entanto, elas tendem a não ter consciência dos poderosos efeitos que os

estereótipos culturais exercem sobre elas, as mulheres podem também não ter consciência

de poderosas forças que atuam no seu íntimo. Essas forças influenciam o que elas fazem e

o modo como elas sentem.

Portanto, esses padrões internos ou arquétipos são responsáveis pelas principais

diferenças entre as mulheres. Por exemplo, algumas precisam do casamento,

independência, autonomia, beleza, formosura, força ou até mesmo de filhos para se

sentirem realizadas. No entanto, quando isso não ocorre com elas, ocorre a angústia e se

desesperam quando não conseguem atingir os seus objetivos.

As grandezas das deusas mitológicas, assim como das imagens arquetípicas descritas

por C. G. Jung, citado por Silveira (2007), estão na eternidade de sua essência e em sua

permanência na mente humana. As imagens simbólicas dos arquétipos enriquecem e

ampliam nossa consciência; elas têm diferentes aspectos do si mesmo, e o seu

conhecimento permite à mulher compreender e desvendar seus próprios sentimentos e

recuperar seu Eu.

Despertar para a mitologia significa estar desperto para a realidade da vida. Atender ao

chamado de cada deusa (de nós mesmos) e dos diferentes relacionamentos que ecoam em

nós, descobrir lhes o sentido e o significado em nosso cotidiano, é o caminho para resgatar

nossa alma (Jean Shinoda).

Sobretudo, uma deusa é a forma que um arquétipo feminino pode assumir no contexto

de uma narrativa ou epopeia mitológica. Num conto de fadas, esse arquétipo pode aparecer
como princesa, rainha ou bruxa. Quando sonhamos ou fantasiamos, nossa mente

inconsciente pode recorrer às imagens arquetípicas comuns à nossa cultura, ao que Jung

chamou de inconsciente coletivo. (Antônio Carlos Simões, 1992, p.39)

O inconsciente coletivo, segundo Silveira (2007), simboliza as camadas mais intensas

do inconsciente humano, as estruturas fundamentais da psique presentes em todos os

homens.

Estima-se que uma vez que a mulher se torne consciente das forças que a influência, ela

obtém o poder que o conhecimento lhe proporciona. As "deusas" são forças poderosas e

invisíveis que modelam o comportamento e influenciam as emoções. (Jean Shinoda Bolen, 1984,

p.49).

São as forças dominantes no seu íntimo, por exemplo, poder, sedução, força, ousadia,

autoconfiança, independência e entre outros.

3.1 O Arquétipo da Deusa Afrodite Personificado na Vida De Madonna

De acordo com Stone (1994) diz que Afrodite da mulher criativa e amante.

Estimularam mortais e divindades a se apaixonarem. Inspirou poesias, estátuas e discursos,

simboliza o poder que transforma e cria no amor.

Nas festas em homenagem a Afrodite, as sacerdotisas que a representavam eram

prostitutas sagradas, sendo que o sexo com as mesmas era considerado um ritual de

adoração. As festas eram consideradas “afrodisíacas”, dando origem a esse termo.

Neste sentido para Ferreira (1975), as mulheres de Afrodite, portanto, adoram se

apaixonar e vive intensamente cada relacionamento. Elas têm uma grande tendência a

decepções amorosas e intrigas românticas, principalmente porque costumam não medir as

consequências de suas atitudes quando estão encantadas por alguém.


No trabalho, as mulheres regidas por esta Deusa acabam seguindo carreiras artísticas,

como pintura, dança canto, artes cênicas, moda e artesanato.

Encontramos a tipologia de Afrodite, como Sensação Extrovertida, apoiada pelo

sentimento Introvertido. (Meyrs & Meyers,1997).

Segundo Myers e Myers (1997), os tipos sensoriais extrovertidos veem as coisas como

elas são, são práticos, sabem viver e apreciar os prazeres da vida.

O autor ainda continua dizendo que pessoa do tipo sensação extrovertida apoiada no

sentimento, proporciona amabilidade marcante, ao tato, a calma no contato humano e a

avaliação pratica e sensata das pessoas (Meyrs & Meyers,1997, p.135).

Para Stone (1994), é uma deusa ligada ao relacionamento da paixão e do erotismo.

Valorizava as experiências emocionais com os homens mais que sua independência ou

laços permanentes. Governa o prazer do amor e da beleza, sexualidade e sensualidade.

Toda mulher apaixonada e correspondida está vivendo Afrodite, então se sente, atraente,

sensual e amante. Pode ser mal vista pela sociedade pela sua espontaneidade e por viver de

acordo com seus desejos.

Trata-se, então, de um arquétipo difícil em uma sociedade patriarcal, pois Afrodite

simboliza a mulher que escolhe com quem se relacionar, da mulher que conhece e aceita o

seu desejo, sua sexualidade e que não se deixa dominar. É a mulher que aceita seu corpo

como ele é, e se sente confortável com ele.

Infelizmente, em nossa sociedade atual esse aspecto de Afrodite está desvirtuado. As

mulheres se encontram alienadas em relação a seu corpo. A mídia profana a beleza da

mulher, impondo um ideal de beleza inacessível, onde as curvas tipicamente femininas são

substituídas por corpos esqueléticos, mutilados por silicone e cirurgias plásticas.

Símbolo da intensidade dos relacionamentos, mas não necessariamente da

permanência, Afrodite é o arquétipo do amor, da beleza, da atração erótica, da


sensualidade, da sexualidade e da vida nova. É a “química” entre os amantes, o desejo

irresistível e inexplicável (Stone,1994, p.60).

Arquétipo, portanto, da paixão por alguém ou algo, gerando um processo criativo na

psique, do qual pode emergir algo novo. Amor desligado da beleza do corpo, mas da

beleza da alma, levando a criação do legado que cada indivíduo irá deixar no mundo.

Madonna Louise Ciccone

Madonna Louise Ciccone (1958) nasceu em Bay City, Michigan, Estados Unidos, no

dia 16 de agosto de 1958. Seus pais, Silvio Ciccone e Madonna C. Fortin tinham residência

em Michigan naquela época.

O seu nome de batismo foi Madonna Louise Ciccone, ainda que também seja

conhecida como Veronica, mas esclareça-se desde já que este último foi um nome

adaptado não de batismo, mas por via da comunhão. Segundo a explicação de Madonna  a

escolha do nome deveu-se ao fato de Veronica ter sido a mulher que secou o rosto de

Cristo antes de ser crucificado. No seio familiar era carinhosamente apelidada de ‘Little

Nonni’ se bem que na vida real e ao longo do passar dos anos tenha tido uma série de

apelidos dos quais destaco os seguintes: Maddy, Mo, Boy Troy, Mads, Madge, Material

Girl, ‘M’, Varla… etc.

Filha de família de origem italiana ficou órfã de mãe aos cinco anos de idade, no ano

de 1963, quando a sua mãe Madonna Ciccone Fortin, faleceu quando ainda tinha 30 anos

devido a um cancro da mama. "Este foi um dos momentos mais duros por que atravessei

em minha vida", "A morte da minha mãe foi e continua ainda hoje a magoar-me

profundamente", "Não sei se algum dia irei realmente conseguir ultrapassar

definitivamente tudo isto".


Teve por via destas circunstancias que crescer muito rapidamente, muito antes do

tempo. Aprendeu a ser forte e independente desde muito nova, muito por culpa e

influência do forte caráter de sua mãe e das recordações que posteriormente foi guardando

dela. Anos mais tarde o seu pai Silvio Ciccone, resolveu casar com a mulher a dias, Joan

Gustafson. Uma mulher que segundo Madonna era fria e disciplinadora. O seu pai insistiu

repetida e continuamente para a sua nova mulher fosse tratada por todos como esposa e

mãe. Madonna nunca foi capaz de fazê-lo e aceitar tal situação. Fazê-lo seria trair todo o

amor e admiração que nutria por sua mãe. 

Ainda a respeito de seu pai Madonna confidencia: ”se não fosse à teimosia e

persistência do meu pai, hoje em dia nunca teria tido sido ou tornado pessoal e

profissionalmente o que hoje sou.”. 

Quando Madonna, era pequena, adorava cantarolar e entoar as músicas que ouvia no

rádio enquanto ajudava na limpeza da casa. Ela recorda: "Havia sempre música entre nós.

A nossa casa enchia-se de música fosse ela vinda de discos ou então tão simplesmente da

rádio.”. 

Madonna tinha apenas 12 anos quando foi inscrita no liceu católico local de Saint

Andrews. Existia aí uma disciplina interna muito rigorosa e exigente. Madonna recorda.

Contudo terá sido neste ambiente austero e exigente que Madonna, terá aprendido muita

coisa no domínio da dança jazz, dança rítmica e ginástica. Foi aqui que aprendeu a soltar-

se, tornar-se extrovertida e onde libertou aquela faceta descomplicada desconhecida para

muitos, mas que toda a sua família já conhecia.

Vistas bem as coisas até nem é nada surpreendente que durante o seu período de

estudante Madonna, tenha estado ligada ás artes de representação e tudo o que estava

ligado ao mundo do espetáculo. O que se calhar ninguém previu foi que ela se me distingui

de tal forma. Se calhar era de prever.


Ela chamou a si em muitas ocasiões o comando e condução do departamento de teatro

dominando a condução das peças e a realização das mesmas. Madonna era extremamente

responsável nos seus deveres escolares. Madonna recorda: "Era realmente muito

competitiva na escola, o meu pai desde muito cedo procurou incentivar-nos premiando o

nosso esforço escolar e notas com prêmios em dinheiro. Recordo-me que ele dava-nos 25

cêntimos por cada "A" que conseguisse-nos."

De certa forma os estudos serviram para que Madonna afogasse as mágoas e a

frustração que estavam desde a morte de sua mãe estava a atormentá-la e concentrou-se a

100% nos seus estudos.

Acabou o liceu com distinção ganhando inclusivamente uma bolsa de estudo para

a universidade de Michigan, onde se inscreveu depois de ter feito deixado o Rochester

Adams Hight. Após ingressar na Universidade de Michigan no curso de dança e apesar dos

intensos períodos de estudo a que era submetida Madonna arranjou aqui também tempo

para se dedicar muito mais aplicadamente ao ballet.

Chris Flynn era o responsável pela escola de ballet. "Eu adorava-o. Ele era o meu mentor,

meu pai, o meu amante imaginário, enfim… tudo".

Estava-nos então no ano de 1978, estavam já passados cerca dois anos sobre o início

dos estudos na universidade de Michigan, Madonna decidiu partir para Nova Iorque em

busca dos seus sonhos. Apesar de encontrar na cultura universitária muitas coisas até então

imprescindíveis e que foram de grande importância para o seu crescimento em busca dos

seus sonhos, Madonna sentia que lhe estava faltando sempre algo. Foi precisamente para

alcançar aquele vazio que a atormentava que decidiu abandonar os estudos e partir á

aventura em direção a Nova Iorque.

Madonna recorda: "Quando eu cheguei à Nova Iorque tinha tomado o avião pela primeira

vez na minha vida, tal como o taxi. Era a minha primeira vez para tudo. Tudo era novo e novidade.
Um mundo admirável e ao mesmo tempo estranho. E vim com apenas 35 dólares no meu bolso”.

"Esta foi a atitude mais arrojada e corajosa que tomei até hoje".

Quando chegou a Nova Iorque, Madonna meteu-se num taxi e pediu-lhe um pouco em tom

de brincadeira que a levasse "... to the middle of everything…”, o taxista não fez por menos e

levou-a a Times Square.

Ali estava ela no centro de tudo, enquanto o mundo girava a volta dela. Tinha apenas

35 dólares no bolso e uma vontade enorme de vencer na vida.

Surgiram inevitavelmente umas pequenas lágrimas que depressa foram afastadas, pois

havia muito trabalho pela frente. Agora estava por sua conta, não podia voltar atrás, não

por ser muito tarde, mas por orgulho próprio. Esta era também a sua grande oportunidade. 

Este foi apenas o princípio de tempos que se adivinhavam muito difíceis

para Madonna. Ela começou por viver numa casa de aspecto miserável e fama duvidosa.

Não havia dinheiro para melhor.

Ela recorda: "Quando o meu pai veio pela primeira vez visitar-me, ficou

completamente horrorizado. A casa estava a transbordar baratas por tudo o que era sítio.

Até o ar em redor do quarteirão tinha um cheiro insuportável.". "Dancei numa série de

companhias de dança de Nova Iorque durante vários anos, e dada altura apercebi-me que

se as coisas apesar de não estarem a correr muito bem a verdade e o mais preocupante é

que não existiam grandes probabilidades de a coisa melhorar". "Algo tinha que ser feito."

Madonna começou a ter aulas de dança com o coreógrafo Alvin Auley e trabalhou

também durante dois anos como modelo anos para conseguir pagar as suas contas.

Também trabalhou durante algum tempo enquanto empregada de mesa em alguns

restaurantes tentando amealhar o máximo de dinheiro possível, pois a vida não estava nada

fácil. Entretanto estava a participar numa peça em forma de musical, sítio onde

conheceu Patrick Hernandez. Face ás expectativas que de certa forma teimavam em


complicar-lhe a vida, Madonna optou em tentar a sua sorte em França onda participou num

espetáculo que estava a ser conduzido pelo grande musico disco da altura por aqueles

lados, Patrick Hernandez.

Em 1980 Madonna, em conjunto com o baterista e namorado Steve Bray começou a

criar temas de dança, temas esse que viriam a contribuir para um famoso contrato que viria

a assinar com a Sire algum tempo, mas tarde. Nessa altura, era ainda pelos seus dotes de

bailarina que queria ser famosa, mas seria através da sua voz que viria a triunfar. "As

pessoas ouviam-me e diziam-me: a tua voz não é nada má e a minha reação era dizer "A

sério? Relembra hoje Madonna, acrescentando ainda que nunca fez qualquer treino de voz,

e, melhor que isso, nunca quis ser cantora.

"Everybody", foi o nome da canção com que Madonna convenceu Mark Kamins, um

conhecido dj a gravar uma primeira maqueta. “Corria então o ano de 1980, e a música

ficou de tal forma conhecida que não levou muito tempo até chegar ao ouvido de Seymour

Stein o então presidente da Sire Records que quis de imediato oferecer-lhe um contrato. ”

“Madonna, garantiu, pois, desta forma o contrato que tanto procurava, ao mesmo

tempo que editava o seu primeiro single "Everybody". O single começou a chamar a

atenção de tal forma nas pistas de dança dos Estados Unidos que em 1983 Madonna lançou

o seu primeiro álbum de estreia, a ”Madonna”. O álbum foi de tal modo bem aceite que as

vendas subiram em flecha desde o momento em que o álbum chegou aos escaparates, se

bem que o verdadeiro boom registrou com o lançamento do single "Holiday".

No fim da atuação, e no decorrer da conversa que manteve com Dick

Clark, Madonna disse ao apresentador que o seu grande objetivo era dominar o mundo,

quando este lhe perguntou o que pretendia conseguir com a sua carreira e até onde

pretendia chegar.
Madonna parecia ter os seus objetivos bem traçados e definidos. Deixou ainda claro

que não era pessoa para deixar nada a meio ou desistir. Foi uma questão de dias até se

perceber que de fato muita coisa se estava a alterar gradualmente, mas de forma quase que

epidêmica na sociedade jovem norte-americana.

Jovens vestidas ao melhor estilo vanguardista de Madonna desfilavam agora pelas

ruas deixando transparecer que nada voltaria a ser como antes. O ano de 1985, foi um ano

especialmente ocupado para Madonna. O seu vídeo "Material Girl", saiu a 1 de fevereiro, o

"Vision Quest " em fevereiro e a sua estreia no filme "Desperately Susan" saiu no início de

março. Graças à trilha sonora do filme "Vision Quest" e em especial o single "Crazy for

You", Madonna, conseguiu a sua primeira nomeação para Grammy.

Madonna reconhece que apesar das dificuldades que teve para alcançar o que

pretendia a verdade é que há muita gente que batalha muito, e é constantemente explorada,

dos tempos foi construindo. Disse que queria dominar o mundo, o que é fato é que fato o

conseguiu. Ou pelo menos está muito perto de consegui-lo. O que também é verdade é

que nem sempre utilizou técnicas consensuais. Sensuais sim e, sobretudo polemicas muitas

delas até censuradas ou pelo menos censuráveis, mas consensuais nunca.

As coreografias carregadas de convites a sexualidade chocaram na altura muita boa

gente provocando o caos entre os oficiais de justiça que se viram numa alhada tremenda na

impossibilidade de conseguir responder ás queixas que pareciam vir de todos os lados.

Não satisfeita com os resultados Madonna continuou a insistir na técnica que dita que

a melhor forma de conseguir alcançar ou fazer passar uma mensagem é através da

chamada "má publicidade". O vídeo promocional de "Justify my Love" não chegou sequer

a passar na MTV em versão revista e censurada. A cantora recusou-se a cortar qualquer

tipo de cenas, optando por esperar que a poeira assentasse para mais tarde o pôr a venda

em versão original nas lojas de discos. Ainda não satisfeita com toda a revolução que já
estava a criar, foi ainda mais longe na constante procura de querer chocar mais e mais. Foi

então que surgiu "Sex", um livro onde descreve e relata as suas fantasias sexuais.

O que é fato é que nem toda a gente estava preparada para o que estava a acontecer,

nem mesmo muitos dos maiores fãs de Madonna que ficaram naturalmente chocados.

Acho que a sociedade em geral não estava pronta para lidar com questões como estas. A

verdade das verdades é que apesar da midiatização que se julgava ser negativa ao seu livro,

este acabou por esgotar em poucas horas. Acredite-se ou não o livro acabou por abrir

mentalidades e serviu de catalisador a liberdade sexual da mulher.

Madonna, tinha já atingido um estatuto que lhe permitia ir onde mais ninguém tinha

ido. Estes excessos se fossem atribuídos a outra pessoa não seriam tão facilmente

digeríveis. Madonna soube sempre desbravar este tipo de caminhos, soube sempre fazê-lo

de maneira inteligente e adulta. Soube sempre quando avançar, mas, sobretudo quando

parar.

A cantora Madonna foi considerada no início dos anos 1990 a Vênus da Eletrônica e a

Afrodite Pop, quando abordou temas envolvendo sexo e religião na sua música, surgiu no

palco de sua turnê Blond Ambition de 1990 em uma cama de lençóis vermelhos vestida da

Deusa do Sexo com um bustiê e sutiãs em formatos de cone simbolizando o poder

feminino assim como dois falos erguidos ao invés de apenas um. Acompanhada de dois

seres hermafroditas representando os filhos de Afrodite, Madonna cantou Like A Virgin e

no final de sua performance simula a masturbação e o orgasmo múltiplo.

Ainda em 1998, Madonna se inspirou em uma representação de Afrodite e apareceu

com um visual parecido com o do quadro La Naissance de Vénus (O nascimento de

Vênus) no seu sétimo álbum Ray of Light, as cores verdes e azuis do visual são inspiradas

nos oceanos que Afrodite se derivou.


Figura 3 - mistérios fantásticos: Madonna/Afrodite Vênus (2010)

Fonte: mistérios fantásticos: Madonna/Afrodite Vênus. (2010). Recuperado de:

https://misteriosfantasticos.blogspot.com/2010/07/afrodite-venus.html

3.2 O Arquétipo da Deusa Atená Personificado na Vida De Margaret Thatcher

Filha do pai. Mulheres de mente lógica, governadas pela razão. Majestosa e bonita,

guerreira e protetora de heróis escolhidos e da cidade de Atenas. Dedicou-se ao celibato e

a castidade durante toda sua vida. Usando um capacete, lança e um escudo em sua mão.

Sua ave símbolo é uma coruja (Maria Zelia, 2007).

É prática e estrategista, valoriza o pensamento racional (o intelecto domina o instinto).

Encontra-se sempre nas cidades. Age conforme seus princípios sem se preocupar com a

aprovação masculina mantém seu foco no que é de seu desejo. Segue seus próprios valores

sem se preocupar com o social e convencional.


Este arquétipo associado aos outros coloca lógica aos impulsos. É amiga e confidente

dos homens, a companhia masculina lhe faz bem, é amadurecida, sua visão de realidade

lhe faz uma adulta. Exemplos secretárias executivas, gerentes, administradoras (Jean

shinoda, 1984, p.60).

Neste sentido para Meyrs & Meyers (1997) diz que com o temperamento extrovertido e

independente, representa a deusa da sabedoria e da civilização, preocupada com a carreira,

motivada pelo desejo de conquista, adquirindo conhecimento, possui um intelecto

aguçado, preocupado com educação, cultura, questões sociais e política. Atena é filha do

pai.

Ela entra na arena masculina no mundo exterior. Atena também é conhecida como uma

das três mulheres da Amazônia. (O mito das mulheres da Amazônia falava de uma

sociedade de ferozes mulheres guerreiras que viviam inteiramente sem homens.) A história

de seu nascimento: ela emergiu completamente da cabeça de Zeus.

Como deusa das artes, Atená fazia coisas úteis e também bonitas, como tecelã usava a

mente e as mãos para executar belíssimos tapetes.

As mulheres de Atena são bastante inteligentes, racionais e dedicam boa parte de suas

vidas ao trabalho e ao desenvolvimento intelectual. Elas também costumam dar bastante

atenção à justiça social e à política, e têm grandes chances de assumirem cargos de chefia

e/ou liderança (Jean shinoda, 1984).

As moças que tem essa Deusa interior costumam valorizar bastante a cultura

intelectual, por isso normalmente se relacionam com pessoas que também gostem um bom

‘papo cabeça’.

Margaret Thatcher
Margaret Thatcher nasceu em 13 de outubro de 1925, na cidade de Grantham, Reino

Unido, numa família de classe média. Seu pai era comerciante e pastor metodista, além

disso, foi vereador e prefeito da cidade onde nasceu inculcando na filha o gosto pela

política.

Formou-se em Química pela Universidade de Oxford onde também participava do

movimento estudantil na Associação Conservadora. Ali, foi influenciada pelas leituras de

Friedrich Hayek que defendiam o liberalismo econômico e condenavam a intervenção do

Estado na economia.

Dois anos após se formar, ela se candidatou para uma vaga no parlamento, nas

eleições de 1950. Thatcher sabia que seria quase impossível ganhar a posição longe do

partido liberal trabalhista. Mesmo assim, ela conquistou o respeito de seus colegas de

partido por conta de seus discursos. Derrotada, ela tentou novamente no próximo ano, mas

não obteve sucesso. Dois meses depois, se casou com Denis Thatcher, posteriormente,

seria convidada para integrar as listas do Partido Conservador e estudaria Direito. Depois

de sofrer uma derrota nas eleições de 1955 conseguiu ser eleita deputada em 1959.

A partir daí integraria os governos conservadores como Secretária de Estado do

Ministério de Pensões e Seguro Social e Ministra da Educação. Quando o Partido

Conservador voltou ao governo, em junho de 1970, Thatcher foi nomeada Secretária de

Estado da Educação e Ciência, e foi apelidada de “Thatcher, ladra de leite”, após abolir o

leite gratuito nas escolas. Ela achou frustrante seu cargo por conta da mídia que falava mal

dela e também por causa da dificuldade que ela tinha de ser ouvida pelo primeiro-ministro

Edward Heath. Desencantada com as mulheres na política ela disse, em 1973, que

enquanto e vivesse, provavelmente não haveria uma primeira-ministra no Reino Unido.

Ela, no entanto, provou estar errada. Em 1975, foi eleita líder do Partido Conservador.

Com essa vitória, foi a primeira líder da oposição na Câmara dos Comuns. A Inglaterra
estava em uma situação econômica e política muito ruim, com o governo próximo da

falência e conflitos com sindicatos. Essa instabilidade ajudou na retomada do poder pelo

Partido Conservador, em 1979, Thatcher foi nomeada primeira-ministra.

Em 1979 foi indicada para ser a candidata do Partido Conservador ao governo

britânico e sairia vitoriosa das eleições. Seria reeleita e deixaria o cargo somente em 1990,

quando receberia o título de baronesa.

Margaret Thatcher casou-se em 1951 e teve dois filhos gêmeos. Após deixar o

governo, teve uma vida discreta e redigiu suas memórias. Faleceu em 8 de abril de 2013,

em Westminster, no Reino Unido.

A primeira-ministra britânica afirmava que não gostava do feminismo e que não devia

nada da sua trajetória política a este movimento. Quando era ministra da Educação,

Thatcher chegou a afirmar que não veria uma mulher como premier britânica.

Foi à primeira mulher a ocupar um cargo de destaque na política, defendeu a liberação

do aborto e a descriminalização da homossexualidade. Não abdicava de estar bem-vestida

e maquiada a fim de poder se ressaltar durante as reuniões de mandatários.

No entanto, nem assim conquistou um lugar no panteão feminista moderno por se

tratar de uma pessoa vinda de um partido de direita.

De fato, por mais que o Partido Trabalhista lutasse pela igualdade entre homens e

mulheres, foi o Partido Conservador que lançou uma candidata para concorrer às eleições e

saiu vencedor.

O governo de Margaret Thatcher consistiu em aplicar medidas liberais para recuperar

a economia britânica. Como primeira-ministra, Thatcher lutou contra a recessão,

aumentando, primeiramente, as taxas de juros para controlar a inflação. Ela ficou

conhecida pela destruição de algumas indústrias tradicionais e seus ataques a sindicatos,


além da privatização da moradia social e do transporte público. Um de seus grandes

aliados foi o presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan

Assim, ela pôs em marcha um ambicioso programa de privatizações públicas onde

foram vendidas empresas como a Bristish Airways, telefonia, energia e transportes.

Enfrentou uma greve de 15 meses nas minas de carvão britânicas e mostrou toda sua

firmeza ao não negociar com os mineiros.

Igualmente, foi intolerante com o nacionalismo irlandês e respondeu aos ataques

terroristas enviando mais soldados à Irlanda.

Margaret Thatcher teve no presidente americano Ronald Reagan seu melhor e mais

fiel aliado. Presidente dos Estados Unidos pelo partido republicado de 1981 a 1989

coincidindo com a quase totalidade do mandato de Margaret Thatcher.

A visão de ambos era semelhante: promover a livre iniciativa, diminuir a atuação do

Estado e combater o socialismo. O suporte e a não intervenção de Reagan na Guerra das

Malvinas foi essencial para a vitória do Reino Unido durante a guerra.

Thatcher enfrentou uma guerra contra a Argentina pelas ilhas Falklands num conflito

que durou cerca de dois meses. No Brasil, este incidente é conhecido como Guerra das

Malvinas.

Foi bastante criticada pela comunidade internacional, pois era o primeiro

enfrentamento em séculos entre um país americano e um europeu. Igualmente, foi acusada

de usar uma força desproporcional que causou a morte de milhares de soldados argentinos.

No plano interno, porém, a primeira-ministra aproveitou a onda nacionalista e garantiu sua

reeleição.

Nos anos 90, quando a União Europeia se tornava uma realidade, Thatcher fez um

discurso histórico na Câmara dos Comuns, em 1990, rejeitando que a Comissão Europeia

tivesse mais poderes que os parlamentos nacionais


Na mesma ocasião, afirmou que o Reino Unido não faria parte de uma união

monetária europeia. Alegava que a libra esterlina havia servido ao povo britânico e ao

mundo de maneira satisfatória e não queria abrir mão do seu controle sobre a economia.

Margaret Thatcher era profundamente antissocialista. Rejeitava que o Estado se

ocupasse de áreas onde a livre iniciativa deveria atuar e julgava que um Estado grande era

o caminho para um regime totalitário.

Desmontou os sindicatos ingleses e ajudou aos países da Cortina de Ferro, como

Polônia, que desejavam mais liberdade dentro do regime socialista.

Quando era líder da oposição, em 1976, fez um discurso contra a URSS e por esta

razão os soviéticos lhe apelidaram de "Dama de Ferro".

Porém, reconheceu em Mikhail Gorbachev um líder aberto às novas ideias e disposto

a negociar com o Ocidente.

Desta forma, apoiou suas políticas de Perestroika e Glasnot. Mas não se mostrou

entusiasmada com as políticas de redução de armas nucleares levadas a cabo por Estados

Unidos e URSS

Em seu terceiro mandato, Thatcher tinha como plano programar um currículo

escolar padrão em toda a nação e modificar o sistema médico social. No entanto, ela

perdeu apoio por causa de seus esforços para programar um imposto fixo, chamado de

“poll tax”. Extremamente impopular essa política levou a protestos públicos e causou

divergências no partido. Thatcher cedeu à pressão do partido e renunciou em 28 de

novembro de 1990.

Não muito tempo após a renúncia, Thatcher foi nomeada para a Casa dos Lordes

como a Baronesa Thatcher de Kesteven, em 1992. Ela também escreveu dois livros sobre

sua vida como líder política. Nessa época, sofreu uma série de pequenos derrames. Em
2003, teve uma grande perda, com a morte de seu marido. No ano seguinte, deu adeus a

Ronald Reagan.

Em 2010, Thatcher passou duas semanas no hospital por causa de uma doença que

causava inflamações musculares extremamente dolorosas. Em 2011, seu escritório na

Câmara dos Lordes foi fechado, o que sinalizou para muitos o fim de sua carreira pública.

Em seus últimos anos, ela lutou contra a perda de memória por causa dos derrames, e

viveu reclusa em casa, na região da Belgravia. Margaret Thatcher faleceu em 8 de abril de

2013, aos 87 anos.

Vemos o arquétipo poderoso de Atenas a deusa da guerra, são totalmente racionais

e dedicam boa parte de suas vidas ao trabalho e ao desenvolvimento intelectual. Elas

também costumam dar bastante atenção à justiça social e à política.

Figura 4 - Margaret Thatcher (1979)

Fonte: Margaret Thatcher (1979). https://www.cultseraridades.com.br/biografia-da-dama-

de-ferro-margaret-thatcher-1925-2013/

3.3 Arquétipo da Deusa Ártemis Personificado na Vida De Nise da Silveira


Espírito feminino independente procura seus próprios objetivos, age por conta

própria. Não necessita de aprovação masculina, não é ligada ao social ou convencional

segue seus próprios valores. Competitiva, com alta concentração no que faz. (Jean shinoda,

1984).

Segundo Myers (1997), sua tipologia com funções da consciência a sensação

introvertida e sentimento extrovertido.

As deusas são arquétipos que tratam dos instintos. A mulher que se identifica com

o arquétipo de Ártemis é competidora e amiga das mulheres. A deusa representa os

instintos da caça e como é uma deusa da lua, significa que o instinto da percepção é afiado

para ver aquilo que há por detrás dos gestos e palavras.

O autor Myers (1997) relata que isso se dá por que os instintos representados por

essa deusa são os mesmos instintos de espreita, sagacidade e persistência que se observa

nos animais selvagens quando buscam sua presença.

Para compreender mais sua relação com as mulheres e suas qualidades instintivas, é

necessário conhecer sua história que foi inventada pelas pessoas, sem esquecer que toda

invenção é projetiva, o que significa que conteúdo inconsciente está expressado na

concretude de toda e qualquer invenção (mentira é uma invenção).

A arqueira pode objetivar qualquer alvo, seja ele próximo ou distante. Representa a

habilidade em se concentrar intensamente naquilo que é importante e de permanecer

imperturbável no trajeto até que alcance o objetivo. O enfoque e a perseverança, bem

como à espreita, são qualidades instintivas que conduzem a empreendimentos e

realizações. (Jean shinoda, 1984).

Qualidade de empreendimento e competência, preocupação pelas mulheres fracas e

pelas jovens são a base para a organização de clinicas de pessoas estupradas, de legítima
defesa, de socorro às mulheres hostilizadas e maltratadas, bem como o cuidado em relação

ao parto e a disposição em combater incesto, pornografia e pedofilia.

Nise da Silveira

Nise da Silveira (Maceió, Alagoas, 1905 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1999).

Médica psiquiátrica e curadora. Após a morte de seus pais em Maceió, o casal resolveu

mudar para o Rio de Janeiro, onde ela atuou em clínicas e hospitais psiquiátricos. É uma

das primeiras mulheres a se formar em medicina no Brasil. E foi a única mulher numa

turma de 157 alunos. Em 1931, conclui os estudos na Faculdade de Medicina da Bahia.

No Rio de Janeiro, especializa-se em psiquiatria e trabalha no Hospital da Praia Vermelha,

primeira instituição psiquiátrica do país. Colou grau com a tese "Ensaio Sobre a

Criminalidade da Mulher no Brasil" (28.12.1926).

Porém, sua longeva simpatia ao comunismo lhe custou caro: Nise acabou

denunciada por uma enfermeira e foi presa pela polícia política do Estado Novo de Getúlio

Vargas. Nos 18 meses de reclusão, dividiu a cela com a militante Olga Benário e manteve

contato com o escritor Graciliano Ramos, que faria relatos sobre a médica em seu famoso

livro Memórias do Cárcere:

Lamentei ver a minha conterrânea fora do mundo, longe da profissão, do

hospital, dos seus queridos loucos. Sabia-se culta e boa. Rachel de Queiroz

me afirmara a grandeza moral daquela pessoinha tímida, sempre a esquivar-

se, a reduzir-se, como a escusar-se a tomar espaço. ” (Graciliano Ramos).

Já casada, com seu conterrâneo e colega de turma, o sanitarista Mario Magalhães,

engajou-se nos meios artísticos e literários e frequentava ativamente os círculos marxistas,


junto como marido, e escrevia sobre medicina para o jornal A Manhã (artigos que eram

reproduzidos no Jornal de Alagoas, jornal onde seu pai fora jornalista e diretor).

Em 1932 estagiou na famosa clínica neurológica de Antônio Austregésilo, e em

1933 entrou para o serviço público, através de concurso, trabalhando no Serviço de

Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental, na Praia Vermelha, pertencente da antiga

Divisão de Saúde Mental.

Em 1936, durante o Estado Novo (1937-1945), é presa, acusada de atividade

subversiva associada ao comunismo. Na prisão, conhece o escritor Graciliano Ramos

(1892-1953), que faz da médica uma das personagens do livro Memórias do Cárcere

(1953).

O envolvimento de Nise com o marxismo valeu-lhe 15 meses de reclusão no

presídio da Frei Caneca, no período de 1936-1934, local onde conheceu Graciliano Ramos,

que a descreve no seu famoso livro "Memórias do Cárcere" (José Olympio Ed., RJ, 1953):

"... lamentei ver a minha conterrânea fora do mundo, longe da profissão, do hospital, dos

seus queridos loucos. Sabia-se culta e boa. Rachel de Queiroz me afirmara a grandeza

moral daquela pessoinha tímida, sempre a esquivar-se, a reduzir-se, como a escusar-se a

tomar espaço. O marido também era médico, era o meu velho conhecido Mário

Magalhães. Pedi notícias dele: estava em liberdade. E calei-me, num vivo

constrangimento."

Segundo a própria Nise, ela fora denunciada por uma enfermeira que mostrou à

polícia política de Getúlio Vargas, liderada então pelo feroz Filinto Müller, os livros

marxistas "subversivos" que ela guardava na sua estante. Sobre esta prisão, há uma

anedota que Nise deliciava-se em contar, tanto porque ilustrava sua total descrença na

existência do "embotamento afetivo" dos esquizofrênicos, fruto de sua experiência em

terapêutica ocupacional com estes doentes. Luiza, uma esquizofrênica que todas as manhãs
levavam o café da Nise, ao saber que está tinha sido presa, aplicou uma formidável sova na

infeliz enfermeira que denunciara sua querida doutora. Nise terminava este relato dizendo

que aquilo fora "uma verdadeira reação afetiva", e ria satisfeita, para então concluir

seriamente: "o esquizofrênico não é indiferente, não é não".

Livre da prisão vagou na semiclandestinidade ao lado do marido devido ao risco de

ser novamente presa. É neste período que se dedica a uma profunda e reflexiva leitura de

Spinoza, redigindo suas conclusões e questionamentos sob formas de cartas que muitos

anos mais tarde viria a publicar.

Em 17 de abril de 1944, retorna ao serviço público carioca, sendo lotada no

Hospital Pedro II, antigo Centro Psiquiátrico Nacional, no Engenho de Dentro, subúrbio do

Rio de Janeiro. Nise sentia-se inapta para exercer a tarefa de psiquiatra, pois, era

ferozmente contra os choques elétrico, cardiazólico e insulínico, as camisas de força, o

isolamento, a psicocirurgia, e outros métodos da época que considerava extremamente

brutais e recordavam-lhe as torturas do Estado Novo aplicada aos dissidentes políticos, e

que ela conhecia tão bem. Recordo também o horror visceral dela contra a farra do boi, e

penso que isto podia ser também um reflexo do seu horror a torturas. De qualquer modo,

sua postura humanista a faria ser uma pioneira das ideias de Laing e Cooper

(antipsiquiatria), Basaglia (psiquiatria democrática) e Jones (comunidade terapêutica).

Dois anos depois, inaugura a Seção de Terapêutica Ocupacional, no Centro

Psiquiátrico Nacional Pedro II (atual Instituto Municipal Nise da Silveira), no bairro de

Engenho de Dentro. O inovador tratamento psiquiátrico substitui eletrochoques e

lobotomia por atividades musicais e práticas artísticas, desenvolvidas em ambiente

acolhedor.

 Nise colaborou com o psiquiatra Fábio Sodré na introdução da TO naquela

instituição. Em 1946, sabendo que Nise havia colaborado na implantação da TO no HPII, o


então do diretor deste hospital, Paulo Elejalle, entusiasta desta forma de reabilitação

psiquiátrica, pediu a ela para criar a Seção de Terapêutica Ocupacional e Reabilitação

(STOR) do Centro Psiquiátrico Pedro II, neste mesmo ano. Em 1954 o STOR foi

regulamentado pelo próprio Paulo Elejalle através de uma ordem de serviço, e oficializado

em nove de agosto de 1961 pelo decreto presidencial no 51.169. Nise dirigiu o STOR

desde a sua fundação, em 1946, até sua aposentadoria compulsória em 1974.

Nise introduziu ainda animais (gatos e cães) em seu serviço como forma de atrair a

afetividade dos psicóticos estabelecendo uma ponte com o mundo real. O cuidar dos

animais tinha um efeito positivo e regulador nestes pacientes, e esta relação com animais

acompanhou-a por toda a vida. Ela nunca esclareceu totalmente a razão de manter estes

animais, como era típico seu, mas sabemos que isto era uma tentativa de extrair o afeto de

seus pacientes, ou pelo menos proporcionar um estímulo ambiental para que eles se

mantivessem próximos da superfície. Ela escreveu apenas um pequeno livro sobre sua

experiência com gatos, seu animal preferido (v. relação de suas obras).

Nise estudou a TO sob todos os pontos de vista da época (Kraepelin, Bleuler,

Schneider, Simon, Freud, Jung) justificando-a sob todos os ângulos, sem, contudo,

subordinar-se intelectualmente a nenhuma destas escolas, apesar de ter encontrado na

psicologia profunda de Jung a base para explicar a produção artística dos psicóticos no

atelier de pintura do STOR, bem como a possível linguagem para entender o processo da

psicose. 

Ainda em 1947 faz uma exposição sobre esta forma de arte a psicose, foi

organizada pelo Ministério de Educação e Cultura, outra em 1949, no Museu de Arte

Moderna de São Paulo ("nove Artistas de Engenho de Dentro"), com obras escolhidas pelo

crítico francês Leon Degand, e ainda neste mesmo ano outra exposição na Câmara

Municipal do Rio de Janeiro. Para preservar e pesquisar o acervo artístico dos psicóticos
(que reúne cerca de 350 mil obras), Nise criaria o internacionalmente famoso Museu de

Imagens do Inconsciente em 1952, referência internacional e objeto de estudos e visitas, a

para mantê-lo foi criada em 1974 a Sociedade dos Amigos do Museu de Imagens do

Inconsciente.

Em 1952, com a fundação do Museu de Imagens do Inconsciente, os trabalhos dos

pacientes são organizados para pesquisa e apresentados em exposições. 

Outro projeto da médica é a Casa das Palmeiras, uma clínica de reabilitação para

antigos pacientes de instituições psiquiátricas. Na instituição, a expressão criativa como

tratamento é aplicada em regime de externato.

  Após estudos no Instituto Carl Gustav Jung, na Suíça, Nise torna-se uma das

principais divulgadoras dos preceitos do psicoterapeuta suíço Carl Jung (1875-1961) no

Brasil. Inaugura e preside, até 1968, o Grupo de Estudos C. G. Jung, além de publicar

livros sobre a prática terapêutica Junguiana e sobre as obras de pacientes. A partir do

acervo do Museu de Imagens do Inconsciente, organiza exposições no Brasil e no exterior.

Recebe homenagens e prêmios por sua atuação social, como a Ordem Nacional do Mérito

Educativo (1993) e títulos honoris causa das universidades de Alagoas e Rio de Janeiro

(1988). Em 2015, o filme Nise, o Coração da Loucura, dirigido por Roberto Berliner

(1957) e protagonizado por Glória Pires (1963), reconta o trabalho de implementação da

terapia ocupacional no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II.

Em 1954 travou contato com Jung através de cartas, onde discutia as mandalas de

seus psicóticos. Desde então, Jung impressionou-se com o material do Museu de Imagens

do Inconsciente e aconselhou Nise a estudar mitologia e religiões comparadas para

encontrar a fonte ou arquétipos de tudo aquilo, que ele afirmava, como ela já percebera

lendo suas obras, ser a manifestação do inconsciente coletivo. Jung lhe enfatizara que o

inconsciente coletivo fala a linguagem dos mitos, que os mitos resumem toda experiência
ancestral da humanidade simbolizada em figuras que ele denominou "arquétipos", e que o

inconsciente coletivo era o depositário desta experiência e, portanto, das representações

arquétipos.

Jung explicaria a Nise que as mandalas de seus pacientes era uma reação de

compensação do inconsciente ao caos que a psicose produzia na consciência, uma tentativa

autógena de reunificação do ego cindido. Mostrou-lhe também que a predisposição dos

psicóticos para reproduzirem imagens iguais ou semelhantes era uma tentativa de vencer a

ruptura do ego, utilizando um material arcaico de situações já vividas pela humanidade e

condensadas nos motivos mitológicos (arquétipos), material este que eram usados como

tentativas de solução para o ego rompido. Confirmando, pois, para Nise que a linguagem

das pinturas, modelagens e desenhos de seus artistas psicóticos seria a dos arquétipos, e

que isto era uma ponte para ela entender a psicose, a Psicologia Junguiana marcou

definitivamente a vida da eminente psiquiatra brasileira.

O primeiro encontro entre Nise e Jung se deu em 1957, no II Congresso

Internacional de Psiquiatria, em Zurique. Jung inaugurou a exposição "Esquizofrenia em

Imagens", do Museu de Imagens do Inconsciente, na presença da Nise que fora para a

Suíça na qual, está mostra que causou uma enorme sensação e foi o reconhecimento

mundial definitivo das ideias e do trabalho de Nise da Silveira. Nise completou sua

supervisão em psicanálise Junguiana com Marie Louise von Franz, a assistente de Jung,

viajando para Zurique algumas vezes e também mediante troca de cartas com Franz,

resultando uma estreita e profícua amizade entre essas duas grandes mulheres.

O projeto de terapia ocupacional de Nise Silveira ganha repercussão mundial com o

Museu de Imagens do Inconsciente. Ele humaniza as práticas psiquiátricas da época

(exercidas predominantemente por homens), com resultados clínicos importantes.


Entre 1946 e 1951, o artista plástico Almir Mavignier (1925), que trabalha na área

recreativa do Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, sugere e organiza com Nise uma

oficina para práticas de música, modelagem, jardinagem e pintura. Essas atividades livres,

com orientação apenas técnica, sem aulas, indução ou apresentação de referencial externo,

trazem progressos na qualidade dos trabalhos desenvolvidos pelos pacientes.

       Duas exposições desses trabalhos são realizadas fora do Brasil e a boa repercussão

contribui para a inauguração do Museu de Imagens do Inconsciente. Essa iniciativa inédita

impressiona Carl G. Jung, cujo trabalho conceitual serve como embasamento para a prática

clínica de Nise. Jung associa a qualidade dos trabalhos ao ambiente acolhedor e afetuoso

em que são produzidos. O psicoterapeuta suíço salienta que alguns desenhos representam a

tendência de o inconsciente compensar seu estado caótico. As imagens oferecem, portanto,

um importante parâmetro para compreensão da esquizofrenia.

       Nise entende que a terapia ocupacional que desenvolve possibilita a expressão não

verbal de vivências do inconsciente dos pacientes. O fazer artístico é considerado,

portanto, meio e instrumento para a cura, com valor próprio, e o estudo das imagens

revelam características sobre o estado do paciente. A liberdade de expressão e a relação de

confiança e afeto com o terapeuta é fundamental para esse processo. Também a

catalogação de padrões arquetípicos, que, dentro do conceito junguiano, são marcas do

inconsciente coletivo presentes em toda humanidade. 

Para Nise, a produção artística de seus pacientes é, pela qualidade estética, comparável

à de artistas socialmente reconhecidos. O curador de arte Nelson Aguilar (1943) identifica

semelhanças entre o fazer artístico dos pacientes com o da escola modernista, “na

capacidade de ver a formação da obra de arte pela liberdade com a linha e a cor sobre o

plano”. A produção vinda do projeto terapêutico de Nise influencia artistas como Abraham

Palatinik (1928), que considera que a liberdade de expressão dos pacientes, sem vínculos
com teorias ou escolas de arte, potencializa o resultado plástico.    Muitos pacientes

ganham projeção, como Albino Braz (1893-1950), Adelina Gomes (1916-1984) e Aurora

Cursino dos Santos (1896-1959). Nise, entretanto, proíbe qualquer exploração comercial

das obras. O artista que alcança maior destaque nas artes contemporâneas é Arthur Bispo

do Rosário (1911-1989). Esquizofrênico, permanece internado durante quase toda a vida.

Sua produção evidencia sofisticada lógica de um fazer artístico pautado pela busca da

sublimação da alma para atingir o reino dos céus.

Em 1995, o manto confeccionado pelo artista para o encontro com Deus no dia do

Juízo Final, entre outras obras, representa o Brasil na 46a Bienal de Veneza e em diversas

exposições de arte

Figura 5 - Nise da Silveira

Fonte : Nise da Silveira. Recuperado dehttps://www.huffpostbrasil.com/2016/04/19/quem-

foi-nise-da-silveira-a-mulher-que-revolucionou-o-tratament_a_21701186/

3.4 Arquétipo da Deusa Héstia Personificado na vida Santa Tereza de Calcutá


Para Myers (1997) diz que,Hestia possui um temperamento introvertido e está

focada em seu mundo interior e espiritual. Héstia é um arquétipo de centralização interior.

Ela era conhecida por ser gentil, honrada, caridosa e também protetora.

Ela é a menos conhecida das deusas olímpicas, principalmente porque nunca

participa de disputas ou guerras. Ela se preocupa com seu próprio negócio em meio a uma

família de deusas e deuses que se engajam em “grande drama”. Similarmente a Atena e

Ártemis, ela resiste aos avanços amorosos dos homens, portanto, colocando-a na categoria

de deusa “virgem”. Sua energia é impessoal e desapegada.

Sua consciência está focada, diferente de Perséfone que procura agradar aos

outros, o foco de Héstia é para ela mesma. Ela está de castigo e sua vida tem significado.

Ao contrário de Athena e Artemis, Hestia não se aventurou a explorar o mundo ou a

natureza selvagem; ela permaneceu dentro, contida dentro da lareira.

Neste sentido pra Krksey (1997), a deusa, Hestia não levou um parceiro. Uma

mulher tipo Héstia, hoje, pode preferir viver uma vida mais solitária ou viver dentro de

uma comunidade de ‘irmãs’ espirituais que pensam da mesma maneira.

É a deusa da lareira – ela simbolizava o fogo da casa – a chama queimando na

lareira, O coração de cada lar era o lugar central em torno do qual os membros da família

se reuniam. Quando um membro da família deixou sua casa para começar uma nova

família, uma porção de fogo foi tirada da casa da família para começar o novo fogo em

casa – simbolizando a continuidade da família através da chama perpétua.

Brandão (1991) relata que, cada centro da cidade também tinha seu lar comunal

onde o fogo público era mantido. O fogo da héstia , que significa lareira, também era

usado em sacrifícios e, portanto, assumia um caráter sagrado para seus cidadãos. Héstia é

um arquétipo de centramento interior / sabedoria interior.


Psicologicamente, Hestia pertence à categoria de deusa “virgem”. Ela é

independente, autônoma e, focada em seu mundo espiritual interior, ela não está buscando

um relacionamento com um homem para completá-la. Sua energia é impessoal e

desapegada. Sua consciência está focada.

Myers (1997), diz que elas, não gostam de vida social e nem de chamar a atenção

no mundo material. Sua forma de amar pode ser identificada com a caridade, que dedicam

tanto aos membros de família, como à comunidade.

Os melhores exemplos dessas mulheres são as missionárias, freiras dedicadas aos

pobres e as enfermeiras dos hospitais de guerra.

Santa Teresa de Calcutá 

Madre Teresa de Calcutá (1910-1997) foi uma missionária católica macedônia,

famosa por seu trabalho de ajuda às populações carentes do Terceiro Mundo. Logo cedo

descobriu sua vocação religiosa. Com dezoito anos entrou para a Casa das Irmãs de Nossa

Senhora do Loreto. Criou a Congregação Missionária da Caridade. Dedicou toda sua vida

aos pobres. Em 1979 recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Foi beatificada pela igreja católica

em 2003 e canonizada em 2016.

Agnes Gonxha Bojaxhiu, conhecida como Madre Teresa de Calcutá, nasceu em

Skopje, na Macedônia, no Sudeste da Europa, no dia 26 de agosto de 1910. Foi educada

numa escola pública da atual Croácia. Ingressou na Congregação Mariana. Com o

consentimento dos pais, no dia 29 de setembro de 1928, perdeu o pai quando tinha apenas

oito anos e passou a adolescência empenhando-se em atividades paroquiais.

Determinada a seguir a vocação religiosa e se tornar missionária, aos 18 anos

ingressou na Casa das Irmãs de Nossa Senhora do Loreto, na Irlanda, onde recebeu o nome
de Teresa, como a sua padroeira, Santa Teresinha de Lisieux. O seu sonho era ir para a

Índia, onde faria um trabalho missionário com os pobres. Em 24 de maio de 1931, fez

votos de pobreza, castidade e obediência, recebendo o nome de Teresa.

Da Irlanda, Irmã Teresa partiu para Índia. Foi enviada para Darjeeling, local onde

as Irmãs de Loreto possuíam um colégio. De Darjeeling a Irmã Teresa foi para "Calcutá"

onde passa a ensinar História e Geografia no Colégio de Santa Maria, da Congregação de

Nossa Senhora do Loreto. Mais tarde foi nomeada diretora.

Em setembro de 1946 durante uma viagem de trem, ouviu um chamado interior que

a fez decidir abandonar o noviciado e se dedicar aos necessitados. Depois de apresentar

seu plano, recebeu a autorização do Papa Pio XII, no dia 12 de abril de 1948. Embora

deixando a congregação de Nossa Senhora de Loreto, a Irmã Teresa continuava religiosa

sob a obediência do arcebispo de Calcutá. Só em 08 de agosto de 1948 ela deixou o

colégio de Santa Maria.

Madre Teresa dirigiu-se para Patna, para fazer um breve curso de enfermagem. Em

21 de dezembro obtém a nacionalidade indiana. Data em que a irmã reuniu um grupo de

cinco crianças, num bairro pobre e começou a dar aula. Pouco a pouco, o grupo foi

aumentando. Dez dias depois eram cerca de cinquenta crianças. Tendo abandonado o

hábito da Congregação de Loreto, a Irmã Teresa usava um sari branco (roupa indiana),

debruado de azul e colocava no ombro uma pequena cruz. Ia de abrigo em abrigo levando,

mais que donativos, palavras amigas e as mãos sempre prestáveis para qualquer trabalho.

Em 19 de março de 1949, as vocações começaram a surgir entre as suas antigas

alunas do colégio. A primeira foi Shubashini. Filha de uma rica família, disposta a colocar

sua vida ao serviço dos pobres. Outras voluntárias foram se juntando ao trabalho

missionário. Mais tarde chamadas de "Missionárias da Caridade". Após dois anos de testes
e discernimentos, foi autorizada pelo Papa Pio XII a sair do convento de Loreto e viver no

mundo dos pobres, com seu característico sári azul de borda branca.

Conseguiu nacionalidade indiana, visitou famílias em favelas, lavou as feridas de

crianças, começou uma escola ao ar livre e cuidou de pobres, doentes e famintos.

Sem fundos financeiros, dependia da Divina Providência e saía com o rosário na mão para

encontrar e servir o “indesejado, aquele que não tinha amor, aquele sem cuidados” e,

pouco a pouco, foi angariando adeptos à causa.

Em 1949, a constituição da irmandade, começou a ser redigida. A Congregação de

Madre Teresa, foi aprovada pela Santa Sé em 07 de outubro de 1950. Em agosto de 1952,

é aberto o lar infantil Sishi Bavan (Casa da Esperança) e inaugurado o "Lar para

Moribundos", em Kalighat, auxiliando pobres, doentes e famintos. A partir dessa data, a

sua Congregação começa a expandir-se pela Índia e por várias partes do mundo. Em 1963,

em reconhecimento a seu apostolado, o governo indiano concede-lhe a medalha "Senhor

do Lótus".

Em 1950, fundou a congregação das Missionárias da Caridade na Arquidiocese de

Calcutá. No início da década de 1960, Madre Teresa começou a enviar suas irmãs para

outras regiões da Índia e, o Decreto de Louvor concedido à congregação pelo Papa Paulo

VI a incentivou a abrir uma casa na Venezuela, logo seguida por fundações em Roma,

Tanzânia, União Soviética, Albânia, Cuba e outras dezenas de países em todos os

continentes. Quando Madre Teresa recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 1979, já existiam

158 casas de missão.

Madre Teresa fundou a congregação Missionária e Missionária da Caridade e mais

de 600 missões por toda a Índia e em mais de 100 países. Depois de dedicar toda uma vida

aos pobres, morreu aos 87 anos de parada cardíaca. Em 2003, foi beatificado pelo Papa
João Paulo II. Madre Teresa de Calcutá recebe o Prêmio Nobel da Paz, em outubro de

1979.

Nesse mesmo ano, João Paulo II recebe a Madre, em audiência privada e a nomeia

"embaixadora" do Papa em todas as nações. Muitas universidades lhe conferiram o título

"Honoris Causa". Em 1980, recebe a ordem "Distinguished Public Service Award" nos

EUA. Em 1983, estando em Roma, sofre o primeiro grave ataque do coração. Tinha 73

anos.

Em setembro de 1985, é reeleita Superiora das Missionárias da Caridade. Nesse

mesmo ano, recebe do Presidente Reagan, na Casa Branca, a Medalha Presidencial da

Liberdade, a mais alta condecoração do país. Em agosto de 1987, vai à União Soviética e é

condecorada com a Medalha de ouro do Comitê Soviético da Paz. Em agosto de 1989,

realiza um dos seus sonhos, abrir uma casa na sua Albânia, sua terra natal. Em setembro de

1989, sofre o seu segundo ataque do coração e recebe um marca-passo. Em 1990, pede ao

Papa para ser substituída no seu cargo, mas volta a ser reeleita por mais seis anos, até

1996.

Madre Teresa de Calcutá faleceu no dia 05 de setembro de 1997, depois de sofrer

uma parada cardíaca. Seu corpo foi transladado ao Estádio Netaji, onde o cardeal Ângelo

Sodano, Secretário de Estado do Vaticano, celebrou a Missa de corpo presente. O mesmo

veículo que, em 1948, transportara o corpo do Mahatma Gandhi foi utilizado para realizar

o cortejo fúnebre da "Mãe dos pobres". Em 19 de outubro de 2003 Madre Teresa de

Calcutá é beatificada pelo Papa João Paulo II. No dia 4 de setembro de 2016 foi

canonizada, pelo Papa Francisco.


Figura 6 - Santa Tereza de Calcutá

Fonte: Santa Tereza de Calcutá. Recuperado de: https://www.todamateria.com.br/madre-

teresa-de-calcuta/
DISCUSSÃO E ANÁLISE

Esse trabalho trouxe uma reflexão um conhecimento sobre as deusas e a

personificação na vida da mulher da atualidade, onde nos aproxima de uma dimensão

sagrada um encontro com Arquétipo um encontro com a alma, baseada em narrativa e

imagem simbólica trazida pelas Deusas que no passado no presente no futuro que estão

vivas em nossa imaginação.

Como citados no capítulo as deusas da mitologia, onde foram descritos arquétipos

de cada uma elas têm diferentes aspectos dons diferentes umas da outra, e o seu

conhecimento permite a mulher da atualidade desvendar e compreender aspectos do seu

próprio sentimento e recuperar seu Eu. As deusas levam a mulher a olhar para sua alma em

busca de sua integridade. Percebemos que a psicologia Junguiana tem nos mostrado que as

mulheres são influenciadas por poderosas forças interiores os arquétipos que, podem ser

personificadas através das deusas gregas na mulher da atualidade.

Desde criança fomos submetidos a ensinamentos sobre mitos narrativa de Deus do

Olimpo, os Deuses do Olimpo tinham muitos atributos humanos como: comportamento, as

emoções, aparência que se iguala a atitudes humanas. Eles parecem ser conhecidos e

familiares por que são arquétipos são padrões de ser de se comportar que nós

reconhecemos a partir do inconsciente Coletivo na qual todos nós compartilhamos entre si

mesmo.

O mito surgiu de acontecimento histórico que exalta Deus heróis a mitos. As

paixões, tradição cultura entre amigos, parentes, sociais e políticos, o mito fala da origem

do universo de tudo que nele existe. No entanto a mitologia grega nos apresenta

características que nos levam em consideração a uma interpretação individual, pois cada

pessoa se vê personificada em algum dos Deus.


Sabemos que não há uma data que determina o surgimento da mitologia grega,

porém há indícios de que elas já existiam no século 5.ac através de narrativas desenhos e

artefatos deixados em pedras e cerâmicas. No entanto os mitos gregos passe ou a ser visto

como algo a ser pesquisados a serem estudados depois de 1873 quando a cidade de troia

foi descoberta. A cidade passou a ser desacreditada por muitos pesquisadores, pois

achavam que era uma fantasia, pesquisadores passaram a estudar, também as histórias dos

deuses gregos.

Sobre tudo a mitologia grega trouxe muitos benefícios e contribuições para o

desenvolvimento das ciências na psicologia analítica. Neste trabalho são citadas quatro

deusas gregas Afrodite Atenas Ártemis e hesita.

A Deusa Afrodite que representa a sensualidade a beleza física, o amor, conhecida

pelos romanos como Vênus. Foi infiel esposa de Hefesto, a deusa obteve outros

relacionamentos e muitos filhos devido a suas inúmeras relações amorosas como: Ares o

deus da guerra, Hermes o deus mensageiro e Anquises, pai de Eneias e etc.

A Deusa Atena que é conhecida como Minerva, era a deusa da sabedoria, muito

estrategista, patrona de sua cidade, protetora dos heróis, usualmente retrata usando uma

couraça. Atena era também a divindade protetora de um dos principais produtos agrícolas

da Grécia Antiga: o azeite de oliva.

A Deusa Artêmis a quem os romanos a chamavam de Diana, era a deusa da casa e

da lua, é representada como uma imagem lunar arisca e selvagem, constantemente seguida

de perto por feras selvagens, especialmente por cães ou leões. Ela traz sempre consigo, no

abrigo de suas mãos, um arco dourado, nos ombros um coldre de setas, e pode ser vista

trajando uma túnica de tamanho curto.

A Deusa Héstia, também conhecida pelos romanos como Vesta, a deusa virgem, da

lareira e a menos conhecida pelos deuses olimpo, seu fogo torna sagrado o lar e o templo.
Foi considerada a deusa mais doce de todas e a ela é atribuída a arte de construir casas e,

por isso, é também a deusa da arquitetura. Com o símbolo de uma chama de lareira, Héstia

era adorada pelos gregos uma vez que representava a proteção.

O presente trabalho trouxe estas deusas personificado na mulher da atualidade

como citado nos capítulos acima como: Madonna Louise Ciccone, Margaret Thatcher,

Nise da Silveira e Madre Tereza de Calcutá.

Madonna Louise Ciccone, uma pessoa totalmente sensual sua beleza é radiante,

muitas mulheres e homens se encanta facilmente pela sua formosura, fez muito shows

seminua, ela encanta a todo tipo de público, teve inúmeros romances, totalmente

extrovertida e sentimental. Observamos nela a deusa Afrodite, deusa uma beleza

imensurável, um charme encantador capaz de mudar o pensamento de qualquer ser

humano.

Margaret Thatcher foi eleita líder do Partido Conservador. Com essa vitória, foi a

primeira líder da oposição na Câmara dos Comuns, Thatcher foi nomeada primeira-

ministra foi à primeira mulher a ocupar um cargo de destaque na política, defendeu a

liberação do aborto e a descriminalização da homossexualidade. No entanto se observa a

personificação da Deusa Atena, que lutar pelos heróis que vao a guerra e não tem medo de

nada, enfrenta o que estiver no seu caminho, deusa da sabedoria, totalmente estrategista

Atená vai à luta pelo seus.

Nise da Silveira, foi a única mulher de sua turma a se formar em medicina, mais

tarde se especializou em psiquiatria, Nise sentia-se inapta para exercer a tarefa de

psiquiatra, pois, era ferozmente contra os choques elétrico, cardiazólico e insulínico, as

camisas de força, o isolamento, a psicocirurgia, e outros métodos. Inaugura a Seção de

Terapêutica Ocupacional, no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II. Nise obteve

compaixão pelos pacientes daquele lugar, estudou cada caso sozinha, e fez o melhor por
cada um. No entanto se observa a personificação da Deusa Artemis, procura seus próprios

objetivos, age por conta própria, qualidade de competência artemis ajuda pessoas fracas

tem qualidade instintivas que conduzem a realizações.

O trabalho mostrou que em cada mulher há uma deusa, uma heroína, uma deusa da

sua própria vida, que começa desde o nascimento de cada ser humano e continua no

decorrer da vida toda. Conforme a trajetória a mulher vai se deparar com alguns

acontecimentos como: sofrimento, sentira a solidão, vulnerabilidade e conhecera a suas

limitações, poderá também encontrar um significado em sua vida, poderá desenvolver

caráter, experiência no amor, na sabedoria, e conhecer o poder da personificação na vida

de cada uma delas.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do tema exposto, podemos concluir a riqueza que ainda se encontra

escondida para muitos, sobre a personificação das deusas, mas que alguns ainda veêm

como mera coincidência.

O que suscitou o desejo de compartilhar minhas considerações e abordar esse tema,

surgiu através de um questionamento, porque somente encontrarmos falar de homens na

abordagem do Jung, onde estão as mulheres e as deusas do olimpo?

Percebi a importância de se levantar uma pesquisa bibliográfica e futuramente uma

pesquisa de campo, para vivenciar em cada mulher a sua deusa interior.

Porem durante a caminhada encontrei uma autora interessada no assunto, Jean

shinoda, que escreveu o livro a deusa e a mulher, onde a autora relata sobre a mulher e as

deusas antigas, Deusas gregas, observando nelas padrões constantes na psique da mulher

Com a realização desta pesquisa, enfatizando a psicologia analítica de Carl Gustav

Jung, percebeu-se a amplitude e as riquezas provindas do inconsciente em que se encontra

imersas.

No entanto, a realização desta pesquisa foi de grande impacto em minha vida

pessoal. Pois me proporcionou se conhecer um pouco mais sobre a psicologia analítica e

também a importância das personificações das deusas na mulher da atualidade.

Portanto, espera-se que surjam pessoas interessadas em inovar o tema com mais

pesquisas cientificas, para que assim cada vez mais este assunto possa ser acessível

aqueles que querem se conhecer, e compreender a deusa que está presente em cada uma de

nós.
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