Você está na página 1de 56

Miguel Ledhesma

JORNALISMO DE TURISMO
Muitos princípios e alguns fins

Tradução de Sabrina Otaegui

1
2
Miguel Ledhesma
Jornalismo de turismo : muitos princípios e alguns fins / Miguel
Ledhesma. - 1a ed . - Ciudad Autónoma de Buenos Aires : Miguel
Angel Ledesma, 2016.
Libro digital, Amazon Kindle

Archivo Digital: descarga y online


Traducción de: Sabrina Otaegui.
ISBN 978-987-42-0308-3

1. Periodismo. 2. Turismo. I. Otaegui, Sabrina, trad. II. Título.


CDD 070.44

3
O resumo

Atualmente, jornalistas, comunicadores, profissionais de turismo,


estudantes e público em geral não sabem, com certeza, o que é ou o
que deveria ser o jornalismo turístico. Há uma visão mercantilista do
turismo, onde o jornalismo de turismo é visto como uma atividade
vinculada à publicidade, ligada à literatura, e muito longe dos
princípios jornalísticos. Neste contexto, torna-se imperativo para refletir
sobre a natureza social do turismo, ética jornalística e as ações reais
dos jornalistas turísticos.

Resumen

Actualmente, periodistas, comunicadores, profesionales del turismo,


estudiantes y público general, sienten confusión frente a lo qué es y
debería ser el periodismo turístico. Existe una visión mercantilista del
turismo y a su vez se percibe al periodismo turístico como una
actividad ligada a la publicidad, vinculada con el relato literario de
viajes, y bastante alejada de los principios periodísticos. En este
contexto se vuelve imperante reflexionar sobre la naturaleza social del
turismo, la ética periodística y el verdadero accionar de los periodistas
turísticos.

Summary

At present, journalists, communicators, tourism professionals, students


and the general public feel confusion about what is and what should be
the travel journalism. There is a mercantilist vision of tourism and the
travel journalism is perceived as an activity linked to advertising, linked
with the literary travelogue, and quite far from the journalistic principles.
In this context it becomes imperative to reflect about the social nature
of tourism, journalistic ethics and the real actions of the travel
journalists.

4
Índice

Capitulo 1. Introdução
Muitos principios. Pág. 01

Capitulo 2. O turismo
O que é o turismo? Pág. 03
Urge uma mudança no paradigma Pág. 04
Tipos de turismo de acordo com o objetivo do turista Pág. 07
Perguntas para refletir Pág. 13

Capitulo 3. O jornalismo
O que é o jornalismo? Pág. 14
Quando a informação era uma mercadoria Pág. 16
Distorção da informação: simplificação/redução Pág. 19
Jornalismo especializado, ser ou não ser Pág. 26
Perguntas para continuar refletindo Pág. 28

Capitulo 4. O jornalismo turístico


O que é o jornalismo turístico? Pág. 29
Os gêneros jornalísticos e sua relação com o turismo Pág. 31
Quais são os temas que prevalecem? Pág. 36
O que acontece pelo geral com o turismo nos meios de comunicação?
Pág. 37
Mais perguntas para continuar refletindo Pág. 41

Capitulo 5. Conclusão
Alguns finais Pág. 42

Bibliografia Pág. 43

5
6
CAPÍTULO 1 geração de novas perguntas.
Jornalismo e turismo nascem
Muitos princípios com o homem moderno. São
atividades que se consolidam no
É escassa a bibliografia que se marco do sistema capitalista e
pode encontrar no mundo sobre pela lógica podem levar
o jornalismo turístico. A teoria e erroneamente a pensar que tanta
os conceitos desenvolvidos neste “informação” como “viagem” é
documento nascem da simples mercadorias. E quando
investigação bibliográfica esses dois fenômenos se unem
desenvolvida em diferentes na especialização “jornalismo
bibliotecas do continente, da turístico”, cair em uma
observação direta de meios de concepção utilitarista, distorcida
comunicação de fala hispana e comercial da profissão, parece
especializados em turismo e do fácil.
trabalho realizado nos últimos
anos como jornalista turístico. Organizações governamentais e
Este trabalho se realiza no não governamentais, empresas,
contexto do ensino na Pós universidades, meios de
graduação em Jornalismo comunicação, e muitos livros do
Turístico que se impõe para toda século passado, transmitem uma
América e Espanha de graça e ideia do turismo totalmente
no marco da realização da tese fechada e unida ao capital, muito
O Turismo na Imprensa Gráfica longe do sujeito e das
Nacional: Análises dos classificações concretas e
suplementos dos jornais Clarín, autênticas. Alguns o fazem pelos
La Nación e Página 12. interesses econômicos, outros
pelos interesses estatísticos e
O que é o turismo? O que é o muitos outros pela necessidade
jornalismo? E o que é o de educar aos cidadãos, para
jornalismo turístico? São as três que aceitem uma só verdade e
perguntas as que se tentará não sejam capazes de ter um
responder, mas sobre todas as pensamento aberto e crítico.
coisas, o que se pretende é
motivar a reflexão e favorecer a

1
Se esse turismo tenha sido muito investigações ou denúncias, não
manuseado em seus conceitos e há construção de cidadania, não
em falar da atividade jornalística. há compromisso e em realidade,
Normalmente, olhamos a não há interesse por fazer um
jornalistas que se vendem ao jornalismo de qualidade e
melhor preço e os meios de responsabilidade.
comunicação que tinham
esquecido a ética informativa na A proposta é refletir, animar-se a
margem de algum contrato dar um passo mais adiante,
publicitário. Pareceria que se atrever-se a duvidar do que já se
tinha esquecido que a função supõe que se conhece, escolher
principal do jornalista é informar uma postura crítica com os meios
à sociedade para propor seu de comunicação, adotar as
desenvolvimento em democracia, rédeas da própria profissão e da
oferecendo alternativas para própria vida, e adquirir um
melhorar as decisões. compromisso com os demais.

Se o turismo é uma atividade


económica e o mais importante
de um jornalista é encher seus
bolsos O que se pode esperar
então do que faça um jornalista
turístico? É só questão de
pesquisar no Google as palavras
“jornalismo turístico” para advertir
que a maioria das organizações
que agrupam esses profissionais
tenham como objetivo publicitar
lugares turísticos e seus
serviços. É só pegar uma revista
especializada ou um jornal do
domingo para perceber que a
informação que se oferece está
ligada ao simples relato de um
passeio. É difícil ver

2
CAPÍTULO 2 essencialmente ao redor das
pessoas: encontramos viageiros,
O que é o turismo? anfitriões e empregados que
estabelecem vínculos
Turismo é todo espectro que se comunicativos, trocam valores
gera a partir da ideia e/ou da culturais, se reconhecem na
ação que implica o deslocamento diversidade e praticam a
dos seres humanos a um lugar tolerância”.
diferente de sua residência com Beni (2008:03) define ao sistema
possibilidades recreativas, ou turístico como o “conjunto de
seja, com intenções de procedimentos, ideias e
relaxamento, diversão e/ou princípios, organizados
contato com o lugar receptor. O logicamente e conexos com a
turismo se apresenta então como intenção de ver o funcionamento
um fenômeno complexo e da atividade turística como um
multidisciplinar que compreende tudo”. Os atrativos turísticos, os
arestas econômicas, sociais, serviços e a infraestrutura são os
políticas, artísticas, elementos básicos que
antropológicas, meio ambientais, possibilitam a atividade turística.
históricas, geográficas, “Teremos os atrativos naturais
educativas, psicológicas, (rios, serras, etc.), os
comunicativas, que envolvem acontecimentos programados
simultaneamente ao setor (carnavais, exposições, eventos
empresarial, ao estatal, ao não esportivos, etc.), as realizações
governamental, ao setor artísticas, científicas ou técnicas
professional, as populações que contemporâneas (minas, parques
habitam cada destino turístico e astronómicos, etc.), os museus e
as turistas (Ledhesma, M., 2014). manifestações culturais históricas
Citado pela Direção Geral de (museus, lugares históricos e
Ensino de Jovens e Adultos da arqueológicos, etc.) e o folclore
província de Córdoba (2008:210), (danças e música, bebidas e
Francesco Frangialli, Secretário comidas típicas, etc.)”... Entre os
Geral da Organização Mundial do serviços encontramos:
Turismo, considera que "a “transporte, alojamento,
atividade turística deu uma virada restauração, compras, agências
3
da viagem, entretenimento; e inferior a um ano e superior a
terão outros serviços que não uma noite, que, além disso,
são especificamente turísticos, beneficia às nações onde se
mas sim complementários: pratique.
bancos, clínicas médicas,
orelhões, etc.” (Ledhesma, M., Destas definições clássicas se
2014). desprendem muitos pontos a
questionar:
A infraestrutura está
representada pelo conjunto de É o turismo uma atividade
bens e serviços que conta uma econômica?
população para vincular os
assentamentos humanos e Ninguém desconfiaria que o
resolver as necessidades econômico é parte da atividade
internas dos mesmos: educação, turística, mas é somente um
saúde, moradia, transportes, elemento mais. Turismo é
comunicação e energia. (Boullon. tecnologia, é educação, é
R. 2004) política, é natureza, é esporte, é
filosofia, é comunicação, é
Urge uma mudança de psicologia, é arte, é história... E
paradigma além nisso, é economia. O
primeiro dos erros que
Surpreende que muitas professores, estudantes e
universidades sigam educando a jornalistas cometem com o
seus estudantes com turismo é reduzir o todo a uma de
concepções de turismo que são suas partes.
do século passado; a vida tinha
mudado como o turismo também.
Definições tradicionais É o turismo um ente
estabelecem, basicamente, que o inanimado?
turismo é uma atividade
econômica, sinônimo de indústria Desta visão capitalista do turismo
“sem lareiras”, que realizam os que o torna-se uma mercadoria
turistas fora de seu lugar de mais, se solta uma segunda
residência, por um período reflexão... É o turismo como o
4
mercado, uma forca inanimada Devo trasladar-me fora de meu
que atua sobre nós e nos lugar de residência?
impulsa para “frente”? Não. O
turismo é um fenômeno social A presença do virtual nos deve
que nasce dos sujeitos e se obrigar a repensar as práticas e
dirige a outros sujeitos. Possui lógicas turísticas. Fica claro que
tanta vida como os atores sociais o turismo inicia na psique e isso
que o põem em prática: pode implicar não sair de sua
governos, empresas, instituições, casa, ou se pode fazer turismo
organizações sem fins de lucro, quando se faz uma consulta na
comunidades locais, estudantes, agência de viagens mais perto,
trabalhadores, profissionais, mas também, se pode percorrer
idôneos e turistas. um museu, visitar una ilha o
escalar uma montanha graças à
tecnologia, Internet e todas as
Onde se encontra o turismo? possibilidades que brinda o
entorno do digital. Fazer turismo
Existem duas tendências ao virtual é fazer turismo ou não?
respeito. A primeira, estabelece
que o turismo nasce e termina
nos destinos turísticos, e a Depende o turismo de limites
segunda, assume que o turismo temporais?
se encontra isolado de qualquer
outra realização humana. O A necessidade de quantificar,
turismo acontece traspassando medir e fazer estadísticas das
os limites de qualquer destino práticas e interações turísticas
turístico, se encontra antes e nos impõe a crença de que para
depois, fora e dentro; em fazer turismo não só é
ambientes onde existem necessário sair de nossos
interações não turísticas que o espaços cotidianos, aliás, se
contextualizam, que o deve pernoitar ao menos uma
complementam, que o influem e noite no novo destino. E
se olham influenciadas por ele. certamente, de acordo com essa
Onde há um sujeito pensando mentalidade tradicionalista, se
em turismo, há turismo. um turista decide morar no
5
destino da viagem, perderia a Falar de indústria implica pensar
qualidade de tal. Se pode exercer em produto, em processos, em
turismo por uma hora ou durante maquinária e o turismo é uma
dez anos? atividade puramente social
vinculada à interação entre os
sujeitos. E se quiser dar ênfases
Viagem e turismo… São no plano comercial do turismo, se
sinônimos? teria que falar principalmente de
serviços.
Existe quem para fazer
referência ao jornalismo turístico
diz: jornalismo de viagem. Algo Além disso… sem lareiras?
similar acontece com os idiomas
como o inglês no que Incorre-se em um duplo erro
diretamente a combinação é quando se faz referência ao
travel journalism. No entanto, turismo como indústria e
viagens e turismo não são ademais, se o pretende “sem
sinônimos. É imprescindível a lareiras”. Esta apreciação surge
viagem (real ou virtual) para para denotar que, a diferença de
praticar turismo, mas se pode muitos outros sistemas com
viajar e não fazer turismo. A componentes econômicos, o
viagem é um elemento turismo não contamina, e isso é
constitutivo necessário do uma grande mentira. O turismo
turismo, mas o turismo não é pode ser prejudicial não
requisito da viagem: se pode unicamente para o meio
viajar para fazer uma consulta ao ambiente, mais sim que para o
médico, para pôr a prova o patrimônio, as comunidades
funcionamento de uma locais, etc. Além disso, não se
motocicleta, para fazer as pode imaginar ao turismo sem
compras. Pode-se viajar por pensar que onde seja que se
múltiplas causas não turísticas. pratique, não possa houver uma
mínima influência sobre o
É o turismo uma indústria? ambiente.

6
Tipos de turismo segundo o objetivo do turista

Com a seguinte classificação se pretende exclusivamente dar conta da


realidade turística na que atualmente estamos imersos. Não é uma
classificação definitiva nem fechada, e procura dar lugar a novas
sistematizações. Cada um destes tipos de turismo se podem praticar
de jeito simultâneo e implicam à busca do relaxamento, a diversão e
sobre todo o contato com novas experiências, em maior ou menor
medida:

Tipos de turismo segundo o objetivo do turista:


1 Corporal De saúde Médico
De bem-estar
De gestação De parto
Abortivo
Sexual
Ativo De aventura
Esportivo
2 Intelectual Religioso
Educativo Artístico/patrimonial
Congressos e feiras
Idiomático
Cientista
Gastronómico
Virtual

7
3 Material De transferência De compras
De venda
De troca
De negócios
Empresarial
De luxo
4 Ambiental De natureza Responsável
Recreativo
Negativo
Social Etnográfico
Solidário
Rural
Do dor
Do universo Astronómico
Espacial

1- Turismo corporal: A atividade turística está centrada no corpo do


turista.

 Turismo de saúde: Supõe a busca de tratamentos e cuidados


para o corpo e a psiques. Pode ser estético, paliativo o
preventivo e se subdivide em dois:

Médico: Implica tratamentos com fármacos e a


possibilidade de aceder a procedimentos cirúrgicos.
De bem-estar: Consiste em práticas orientadas ao
relaxamento e aos tratamentos naturais.
8
 Turismo de gestação: É um tipo de turismo exclusivo das
mulheres e está vinculado à maternidade:

De parto: Mulheres que vão embora para dar a luz a seus


filhos em países à procura de uma nacionalidade com
maiores benefícios que a própria, e ainda exercem a
atividade turística.
Abortivo: É o que praticam as mulheres que querem
abortar fora de seu lugar de residência, em lugares onde o
aborto não seja ilegal.

 Turismo sexual: É a prática sexual que realizam os turistas fora


de seu lugar de residência porque ali é ilegal, os sentem como
vergonhoso e/ou é considerado desonesto. Podem tentar-se de
prostituição, zoofilia, pedofilia, etc.

 Turismo ativo: É o que implica pôr em exercício ao corpo, já


seja em terra, por ar o água.

De aventura: Implica a prática livre, e muitas vezes


perigosa, de atividades atléticas, tanto em entornos
naturais como artificiais.
Esportivo: Implica a prática competitiva de exercícios e
esportes. A diferença do turismo de aventura, não se
pratica pela satisfação da atividade ou do bem-estar
corporal, se não que alude que tenha ganhadores e
perdedores.

2- Turismo intelectual: A ação se centra nos processos


intelectuais/sensoriais do sujeito turista.
 Turismo religioso: É o que realiza um turista com motivo de
efetuar práticas espirituais. Não tem que ver com a visita a
igrejas ou monumentos religiosos, isso é turismo
artístico/patrimonial.
9
 Turismo educativo: É um tipo de turismo vinculado à
observação e à aprendizagem.

Artístico/patrimonial: É o tipo de turismo que implica


envolvimento com a arte e o patrimônio do novo lugar.
Pode ser cinematográfico, literário, arquitetônico,
monumental, escultórico, etc.
Congressos e feiras: É o que praticam aqueles turistas cujo
objetivo principal é a assistência a eventos nos que
esperam instruir-se.
Idiomático: São as práticas turísticas motivadas pela
aprendizagem de outro idioma.
Científico: Realizado por aqueles turistas que querem
pesquisar, descobrir, aprender e gerar novos
conhecimentos.

 Turismo gastronômico: É um tipo de turismo que vai além do


ato de alimentar-se, implica levar a seu máximo exponente todos
os sentidos graça a uma prática culinária.
 Turismo virtual: Quando graças à tecnologia, sem utilizar o
corpo, mas sim a mente, se experimenta o traslado e a prática
turística.

2- Turismo material: se chama assim à atividade turística que gira ao


redor da posse de objetos.

 Turismo de transferência de mercancias: Compreende todas


aquelas viagens motivadas pela troca de bens materiais por
outros bens materiais ou por dinheiro. Pode ser legal como é o
caso das roupas, cosméticos, utensílios para a casa, etc., ou
ilegal quando se refere à pirataria ou as drogas, animais
silvestres ou obras de arte.

10
De compras: O turista quer aceder a artigos que não estão
disponíveis em seu lugar de residência o que ali são mais
caros.
De venda: Quando o turista quer vender certos produtos
em um lugar fora de sua residência para obter um maior
rédito económico.
De troco: O sujeito troca seus produtos por outros em um
lugar no que aproveita a experimentar o turismo.

 Turismo de negócios: É o que se pratica com motivo de obter


benefícios económicos a futuro e a grande escala.
 Turismo empresarial: É aquele que se pratica quando se
visitam empresas e indústrias com objeto de conhecer suas
instalações, seu pessoal, suas formas de trabalho, etc.
 Turismo de luxo: Tipo de turismo praticado por aquelas
pessoas de alto poder aquisitivo que querem experimentar a
maior comodidade, receber o melhor atendimento e estar ao
redor de reconhecidas marcas e de tecnologia de ponta.

3- Turismo ambiental: Aqui o enfoque do acionar turístico está no


contexto e nos demais sujeitos.

 Turismo de natureza: É o que se realiza em lugares de


predominância natural. Procura-se entrar em contato com os
elementos vegetais, animais, minerais e atmosféricos de um
lugar.

Responsável: É o tipo de turismo que além da satisfação,


procura realizar atividades corretas sobre o lugar para
melhorá-lo. Também é conhecido como ecoturismo o
turismo ecológico.
Recreativo: É o que se exerce pelo prazer de estar em
contato com a natureza mas respeitando as regulações
existentes e sendo cuidadoso de não causar danos.

11
Negativo: É o que se pratica de jeito negligente se importar
que tanto se possa afetar ao ambiente natural. Além disso,
a satisfação pode afetar de forma direta ao meio ambiente.

 Turismo social: Este tipo de turismo implica entrar em contato


direto com os residentes do novo lugar e tentar de morar como
eles fazem.

Etnográfico: É o praticado por aqueles turistas que


procuram conhecer de perto como moram outros grupos
sociais. Implica conhecer sua história, participar de suas
festas, experimentar suas bebidas e pratos típicos, etc.
Solidário: É o turismo cujo fim é ajudar a outros.
Rural: São as práticas turísticas que se realizam em
lugares tradicionais onde se trabalha a terra para propiciar
a produção de alimentos. O turista quer entrar em contato
com a natureza e a cultura tal como se fazia no passado.

 Turismo da dor: É o turismo que se pratica em lugares onde


tinham acontecido mortes, destruição e sofrimento, já seja por
catástrofes naturais ou por causa de tragédias sociais.
 Turismo do universo: É o turismo que põe os olhos no universo
todo e não só no planeta terra.

Astronômico: É aquele que se realiza para aceder a sítios


da terra que permitam ter uma melhor visão ou uma visão
diferente do espaço. Pelo geral implica o uso de
telescópios e demais tecnologia astronómica.
Espacial: Na atualidade, é o mais caro de todos os tipos de
turismo. É aquele que implica transportar-se em uma nave
espacial e visitar diferentes lugares do universo.

12
Perguntas para refletir:

É o turismo uma ciência, um trabalho ou uma prática?


São apropriados os términos “turismólogo” e “turistar”?
O que nos ensinam nas universidades e escolas sobre o turismo?
O que diz a Organização Mundial do Turismo sobre o turismo?
O quais definições de turismo podemos encontrar na Internet e nas
bibliotecas?
Jornalistas e profissionais do turismo temos uma visão completa e real
do turismo?
O qual lugar dá o governo ao turismo?
Quanto se valoriza a profissão turística?
Por que estudam turismo quem decide entrar na carreira turística?
Se poderia pensar em uma classificação do turismo tomando a outros
sujeitos que não sejam os turistas?
A quem lhes convém que nossa visão sobre o turismo seja puramente
econômica?

13
CAPÍTULO 3 não pode desenvolver-se em
um ambiente medíocre, de
O que é o jornalismo? coação, na ignorância de suas
obrigações e possibilidades,
Em seu Manual de Jornalismo, nem em um conhecimento
Eugenio Castelli (1981:5) define aparente dos motivos das
ao jornalismo como a atividade notícias produzidas”. Nesse
de “coletar, codificar e transmitir, mesmo sentido, Segundo
em jeito permanente, regular e Llanos Horna (1993:17)
organizado, por qualquer dos manifesta que o jornalismo é
médios técnicos disponíveis “uma ativa força política” que
para sua reprodução e “influi diretamente na realidade
multiplicação, mensagens que cotidiana, contribuindo a
contem informação para a organizar um mundo material de
comunidade social, com uma acordo com os conteúdos
tripla finalidade: informar, formar ideológicos que transmite”.
e entreter”. Porém, essa
atividade não se realiza de “Além disso, longe de ser um
maneira totalizadora a não ser trabalho desinteressado e
que esteja simplificada, que imparcial, o jornalismo constitui
pode implicar certo mecanismo uma manifestação da luta de
de distorção. classes, dos interesses
económicos e políticos que
Repullés (1986:8) destaca por representa cada empresa
seu lado que “o jornalismo, por jornalística, e ainda das diversas
ser uma atividade de caráter posições que se dão dentro de
social, se preocupa com a vida cada instituição informativa. O
em sociedade e de seu tratamento dos fatos
desenvolvimento, de seus jornalísticos expressa um modo
sucessos e de seus problemas, de perceber e analisar a
especialmente de aqueles cujas realidade: projeta uma posição
adequadas soluções devem frente aos fatos”, segura Marín
proporcioná-las os princípios (2004:11).
éticos e jurídicos. Por essa
razão, a atividade jornalística
14
“Na sociedade atual, os chegada de Colombo a
fenômenos sociais estão cada América, não os jornalistas, a
dia mais inter-relacionados. Isto menos que a realidade atual
gera problemas, que às vezes assim o demande. O segundo
geram outros piores quando se fundamento é o da
lhes tenta dar solução", massividade, ou seja, que se
manifesta De Fontcuberta os fatos não se dão a conhecer
(2006:32). Dito por esta mesma e não são accessíveis para a
autora, Morín, denuncia que a maior quantidade possível de
resposta da ciência, da política pessoas, nada terão de
e da economia a este dilema é jornalístico. A mediação é o
uma: a simplificação (teria que terceiro dos princípios, já que o
adicionar que também é a do jornalismo está intimamente
jornalismo). Vivemos sob o ligado à existência de meios de
império dos princípios de comunicação; alguém que se
disjunção (que divide o que está pare no meio da praça para
ligado) e redução (que unifica o cantar notícias, será um
que é diverso). Em conjunto, menestrel e não um jornalista.
ambos os fenômenos Em quarto lugar nos
constituem o que se chama encontramos com a
“paradigma de simplificação”, periodicidade, que é a que lhe
que qualifica como uma dá o nome ao jornalismo, e
patologia moderna do marca a regularidade e
pensamento” (De Fontcuberta, frequência com as que o
M., 2006). jornalista realiza seu trabalho
informativo; o poeta também
Cinco são os princípios básicos pode informar, opinar ou
e inerentes ao jornalismo. O denunciar, mas seu trabalho
primeiro é o da atualidade, a nada terá que ver com a
informação que um jornalista constância, com a reiteração,
construiu, por mais que tente com o jornal. O último dos
escrever de um fato passado ou princípios tem que ver com a
futuro, está inevitavelmente procura do bem comum, um
ancorada ao presente; os jornalista não trabalha guiado
historiadores falarão da por seus interesses nem os de
15
seu meio de comunicação; influa na opinião das pessoas...
como atividade social que é, o os profissionais das relações
jornalismo revela, informa, públicas também usam fatos,
denuncia e crítica sobre tudo mas só mostram um lado da
aquilo que possa danificar ou história. Entretanto, o jornalista
que seja significativo para o se esforça por ser imparcial e
conjunto dos cidadãos, o que apresentar o quadro completo.
trazerá acoplado o equilíbrio Prima por relatar uma história
informativo e o não abuso da precisa e autêntica”.
subjetividade.
Concluindo, o jornalismo é uma
Estes princípios nos permitem atividade dedicada à pesquisa,
diferençar a atividade jerarquizarão e publicação
jornalística da literária e da mediada, regular e massiva, de
publicitária, confusão que se dá informação veraz que está
muito quando o jornalismo relacionada com a atualidade.
turístico se refere. O jornalista Essa informação tem sempre
gráfico, o da impresa escrita, e o um preço e implica a labor de
literato serão ambos os um jornalista que busca informar
escritores, mas a atividade e entreter, assim como também
literária, por mais realista que interpretar ou denunciar a
procure ser, não poderá nunca realidade, para contribuir ao
reunir de modo completo os conhecimento que as
cinco princípios anteriormente sociedades têm sobre o
citados, porque se trataria de ambiente e da vida em
jornalismo. Deborah Potter em democracia.
seu Manual de Jornalismo
Independiente (2006:9) resolve
o segundo problema: “o
jornalismo é algo mais que a Quando a informação era uma
simples publicação de mercadoria
informação a partir dos fatos.
Também a propaganda pode Quando a meados do século
ser fatos, mas isso é XIX, o jornalismo começa a dar
apresentado de maneira que seus primeiros passos de modo
16
formal, o faz intencionalmente fechou seu prestigioso
como um meio de expressão suplemento literário Bookworld;
ideológica, eminentemente o Christian Science Monitor
política; a informação estava decidiu suprimir sua edição de
destinada a doutrinar. No papel e existir só em Internet; o
entanto, no século seguinte, a Financial Times propõe
informação se torna um serviço semanas de três dias a seus
e uma mercadoria que adquire a redatores e tinha retirado
condição de bem público e o drasticamente seu plantão”
jornalista se converte em um (Serrano, P. 2010:19).
mediador: “os temas de
informação geral e os da vida E como também adiciona
cotidiana disputam os espaços Serrano, P. (2010:20) a
com os de política e economia diminuição dos ingressos
geral e os temas locais e economicos é também uma
regionais se revalorizam frente baixa qualidade dos conteúdos
às notícias nacionais e que se oferecem e na
internacionais” (Arrueta, C. quantidade do público: “cria
2010:87). também um círculo vicioso, não
dispõe de recursos para
Duas foram tradicionalmente às financiar reportagens em
vias para sustentar um meio de profundidade, manter
comunicação massivo: correspondentes e enviados,
conseguir anunciantes e/ou revisar a qualidade dos textos
cobrar ao público pelo conteúdo ou contrastar os fatos, como
oferecido. Intenções que se consequência baixa a qualidade
voltaram complicadas nos do que se pública e, de novo,
últimos anos devido à afugentam aos leitores…”. Por
gratificação competitiva de outro lado, não falta quem
Internet e a crise econômica prognosticam que o jornalismo
mundial que se havia em papel logo deixará de existir,
começado: “para cortar gastos, já que ademais: “determinados
muitas publicações estão avanços tecnológicos e
reduzindo seu número de baratamentos tem permitido que
páginas; o Washington Post o que antes só podiam fazer os
17
grandes meios agora o possam o avanço de governos
afrontar coletivos humildes ou progressistas… tem provocado
profissionais independentes” que os meios privados se
(2010:21). convertam em agentes políticos
de primeira ordem, o que há
Em quanto à qualidade, Arrueta, suposto o colapso de sua
C. (2010:87) indica: “O desafio imagem como agentes
para os jornais chamados de simplesmente informativos e
qualidade é fazer um jornalismo neutrais” (Serrano, P. 2010:23).
que preencha interesse também Na atualidade se questiona se o
nos temas importantes, os que jornalismo cumpre com sua
afetam ao coletivo e que geram função de aproximar a vida
consequências, sem cair em política da cidadania.
uma simples trivialização da
informação”, mas com o Por outro lado, “Vasallo e
tratamento informativo não é Fuentes (2000), Pereira (2005),
suficiente: “a impressa se Mata (2005), Said (2010) y
esforça por lograr as melhores Mellado (2007 y 2010)
combinações entre elementos coincidem em que… as práticas
textuais e icónicos, para obter e os programas académicos
uma comunicação visual que apresentam uma defasagem
atenda a dois dos principais com as operações que as novas
aspetos que persegue o tecnologias possibilitam em una
jornalismo gráfico: a atração e a distorção que expande a brecha
legibilidade” (2010:88). entre aquilo que os usuários
demandam e o que a academia
Outro aspeto crítico que some à deveria explicar e não explica.
média na região é a falta de As análises coincidem em que o
credibilidade, sendo a desequilíbrio entre teoria e
imparcialidade, a honestidade, a prática se origina nos
veracidade e a pluralidade mecanismos acadêmicos que
elementos ausentes em muitos deveriam operar e não operam
meios de comunicação: “a perda para que o âmbito da
de influência das ideologias reprodução do conhecimento se
neoliberais na América Latina e nutra convenientemente do
18
conhecimento científico. conhecimento verdadeiro do
Reiterados faz mais de uma contexto e de um mesmo” (Reig,
década, os diagnósticos R. 2004:245), Além disso, sim, é
revelam um desfase entre a possível, e até obrigatório,
acumulação teórica e as apontar a pluralidade e ao
práticas académicas, que equilíbrio informativo.
pareceriam explicar o lento e
insuficiente refil nas carreiras de Por outro lado, realizar uma
jornalismo” (Mazzone, D. transposição jornalística que
2010:344). aproxime o conhecimento e a
atualidade ao público,
simplificando os fatos, é
Distorção da informação: também uma das funções do
simplificação/redução jornalista, mas não por ele se
pode cair na redução do todo
É impossível pensar na ideia de por umas de suas partes ou no
desenvolver um conteúdo empobrecimento e
jornalístico que informe sobre descontextualização dos dados.
certo acontecimento de um jeito “O uso mais frequente desta
completo e acabado, estratégia na linguagem do
apresentando a realidade tal infoentretenimento é o de
qual é “Os antigos gregos vão a reduzir uma realidade complexa
precata-se de que todo o a uma visão única; as diferentes
universo «cognoscitivo» por o arestas se nos apresentam de
que se acostumava reger os formas mais simples, mas
seres humanos não era mais também menos plural. Destaca-
que uma simplificação. Confucio se que o jornalismo sempre
já o tinha feito pouco antes. Os tinha percorrido a simplificação,
grandes filósofos da mas com uma finalidade
antiguidade, como regra geral, didática e não com um fim
rejeitaram a simplificação bem- reducionista da realidade”
mal e a substituirão pelo (Ferré, C. 2013:52).

19
Frente a sistematização das propostas teóricas de Alcíbar, Bachelard,
Borrat, Breton, Fontcuberta, Lanyi, Lippman, Macaggi , Mazzone,
Monck, Musso, Proulx, Reig e Romano, se podem estabelecer dez
razoes que implicam a distorção da informação:

1. Particularidades do próprio meio de comunicação: Jornais e


revistas contam com um limite de caracteres por página e de
páginas por publicação; a rádio, ao igual que a televisão está
regida pelo fator tempo, mas além disso está o limitante de não
contar com o poder da imagem; e os meios digitais são afetados,
por exemplo, pela interatividade. Pierre Musso (1994: 84-90)
planteia além nisso, que o imperativo de comunicar e informar se
opõe “a saturação do espaço técnico da comunicação,
parasitado por uma pletora de ‘mensagens’ publicitários,
políticos, administrativos, etc., aos que nos custa escapar e que
restringem a verdadeira liberdade de comunicar”, simplificando a
informação produzida. É por isto que se alerta que “a inflação da
informação e a comunicação se vive cada vez mais como uma
agressão. A informação perde progressivamente seu estatuto e
seu valor para ser sofrida como ‘ruído’”, chegando a propor uma
“ecologia da informação”. Bachelard (1975), Fontcuberta y
Borrat (2006:11) advertem que o simples não existe, só existe o
simplificada. “A maioria dos meios de comunicação são
protagonistas indiscutíveis dessa afirmação (...) a própria
estrutura da pauta ou temário jornalístico de muitos deles é um
exemplo de simplificação. Abrir as páginas da maioria dos
jornais nos submerge em uma mostra de conteúdos que, no
melhor dos casos, se oferecem em áreas ou seções
perfeitamente compartimentadas, sem a menor relação às unas
com as outras, e no pior, se jogam as páginas sem ordem nem
concerto”.

2- Pressões de editores e autoridades do meio: “As práticas


dos que editam produzem e administram os meios, devem
observa-se no cenário crescentemente interativo no que brincam
20
umas audiências dinâmicas e no que intervêm tensões entre
quem desejam que algumas histórias se conheçam, e outros
igualmente interessados em que essas mesmas ou outras
histórias se ignorem. Essa ida e volta tradicional da informação,
está sometido a condições cada vez mais aleatórias e menos
controláveis por qualquer poder” (Mazzone, D. 2013:351); ou
como indica Macaggi (1991:42) “outra importante função do
editor é conseguir que o estilo geral do jornal tenha
homogeneidade e reúna as condições estabelecidas pela
direção. Entre suas obrigações e faculdades estão -em consulta
com os secretários de redação- o reduzir algum paragrafo
extenso; reescrever uma cabeça de noticia ou o título; prescindir
de frases, etecetera”.

3- Pressões dos anunciantes e a prioridade de vender: “O


reducionismo atual do discurso jornalístico conduz a
despolitização da sociedade, efetuada através da queixa
consumista, o que equivale à debilitação do estado. Este se
reduz então a ações simbólicas. Este mecanismo aponta a uma
ordem económico que já não pretende satisfazer necessidades,
se não criá-las. As mensagens dos meios de massas, reboques
a indústria da sugestão da queixa comercial, despertam nos
receptores falsas expectativas. Devem procurar a salvação onde
não pode estar: no consumo dos milagrosos mundos dos meios”
(Romano, V. 2007:29).

4-Falta de tempo: O tempo não só se volta uma limitante desde


a óptica do labor do jornalista, “a crítica de que os meios
simplificam o reduz a realidade se erra ao não tem em conta as
limitações de tempo que os jornalistas têm para ver, escutar, ler
e processar informação” (Monck, A. 2006:51); se não que
também desde as possibilidades do público: “A extensão média
de um artigo que circula nos jornais americanos é de 1.200
palavras. Se um lê 23 minutos a 250 palavras por minuto (a
velocidade média), então chega a um total de 5.750 palavras ao
21
dia. Isto é equivalente aproximado de cinco artigos diários. Agora
bem, falar continuamente em televisão gera aproximadamente
180 palavras por minuto como máximo, o qual é muito menos
eficiente que ler. Deixando de lado a estrutura programática e a
publicidade, ver televisão nos daria um máximo absoluto de
21.330 palavras por dia. Isto é então, os segmentos de atenção
onde o jornalismo deve insertar seus conteúdos. E tem que fazê-
lo em competência com novelas românticas, manuais de
autoajuda, dramas, comedias e filmes da televisão. Em resumo,
o tempo é o grande reducionista.” (Monck, A. 2006:52).

5- Escassez de meios financeiros: A falta de tempo vá da mão


de “os custos de oportunidade associados a adquirir e aceder ao
material com conteúdos complexos…” (Monck, A. 2006:51) que
na maioria dos casos custam dinheiro. Consultar certas bases de
dados, comprar um livro, viajar até o lugar dos fatos ou aceder a
uma capacitação podem ser muito custosos e muitos meios de
comunicação não se responsabilizam deste custo que ajudaria a
que seus jornalistas possam informar com profundidade e maior
conhecimento dos dados.

6- Desconhecimento e limites da própria mente: Não


sabemos tudo sobre o tema e desconhecemos que poderíamos
saber mais sobre o mesmo. Além disso, a capacidade mental do
humano para conhecer e aprender, é finito: “A simplificação da
mensagem informativa jornalística está ligada as raízes
emocionais dos seres humanos, umas raízes que se tinham
prolongado no tempo até chegar a nossos dias essencialmente
inalteráveis. Também estimo que tal simplificação tenha que ver
com os coeficientes intelectuais, meios da espécie humana, uma
espécie que é aparentemente diversa, mas só isso:
aparentemente” (Reig, R. 2004:243). “A tendência jornalística à
sobre- simplificação está ligada ao «modelo de déficit cognitivo».
Entretanto, é inevitável simplificar a informação que aparece nos
meios, já que pelo geral a elaboração das notícias se baseia em
22
dados complexos e, além disso, existem fortes restrições de
extensão pelo limitado espaço do que se dispõe. Depois da
reformulação de um texto cientifico em um jornalístico, se tinha
calculado que a redução do conteúdo pode chegar a ser quase
dos 90 por cento”. (Alcíbar, M.2007:129)

7- Comodidade e esgotamento: Adrian Monck (2006:53) cita


uma frase de Walter Lippman, um dos fundadores do conceito
reducionista estereótipo: "O estereótipo não só poupa tempo em
uma vida ocupada e é uma defesa de nossa própria posição em
sociedade, se não também tende a proteger-nos de toda a
perplexidade que nos produziria ver o mundo em sua totalidade
e tal qual é". Isto deriva em que à gente se lhe apresente
“sempre o mesmo, de jeito cada vez mais primitivo, posto que
com arranjo à economia de sinais os proprietários tem que fazer
inversões cada vez maiores e, em consequência, tem que
chegar a um número cada vez maior de receptores para fazê-las
rentáveis. E só se pode chegar a audiências cada vez maiores
excluindo a diferenciação e voltando a o que todos entendem:
relações, violência, saída-entrada, subida-descida, isto é,
modelos muito simples. Com esses pares binários se tem assim
um forte efeito dramatúrgico, mas a custa de uma grande perda
de realidade e de possibilidades de conhecimento, pois quem
seleciona, abstrai, sim, tem que deixar fora mais e mais coisas”
(Romano, V. 2007:16).

8- Desejo de imaturidade: Breton y Proulx (1989) estabelecem


que a simplificação da realidade “tem mais que ver com a
brevidade e o desejo imediato de ser informado da atualidade
global, que com uma consciente manipulação simplista e
sociopolítica do fato informativo”, e esta dificuldade por ser
informada implicam também uma dificuldade por informar que no
caminho deixa de lado ao aprofundamento, a extensão temática
e a pertinente contextualização.

23
9- Supostos interesses do público: A crença ou certeza de
que a gente prefere informar-se sobre temas policiais ou
sexuais, leva a meios e a jornalistas a reduzir seu labor deixando
de lado outras temáticas ou colocando o foco de seus artigos em
alimentar o morbo da gente. Temas meio ambientais, científicos
ou turísticos ocupam lugares marginais nos meios de
comunicação porque seguramente jornalistas e editores tem o
prejuízo de que não importam e, portanto, não são rentáveis.

10- Facilitar a leitura: “... Acontece que a simplificação às vezes


é realizada de mais. Ocorre uma eleição de determinadas
palavras, substantivos ou verbos, que são usadas com vários
sentidos. Existem palavras especificas para situações
específicas. Como as pessoas estão lendo menos, perdem às
vezes a noção de essas palavras específicas que definem
determinadas situações". (Lanyi, J. 2009:47). No mesmo sentido,
Macaggi (1991:56) adiciona: “há na atualidade uma tendência
muito grande a facilitar pautas, uma espécie de aversão a
qualquer texto complexo a fim de não assustar aos leitores, o
que ressalta o entretenimento rápido, que exige pouco raciocínio
e tempo do leitor. A complexa diversidade de cada receptor das
mensagens impõe ao cronista acomodar seu jeito de expressão
ao nível de compreensão de milhões de leitores”. Breton y Proulx
(1989:181) concluem que “a busca da rapidez e do máximo
impacto na transmissão de notícias, a vontade de uma fácil
compreensão das informações por parte do que os difusores
denominam ‘grande público’ obrigam demasiado frequentemente
aos jornalistas a ‘contar’ os acontecimentos sem situa-los em um
contexto de compreensão mais amplo e mais crítico, a falta de
tempo e de médios financeiros”.

24
Margarita Riviere (2003:43), diz múltiplo. E pelo tanto
que “a Comunicação se tinha distorsiona” (Fontcuberta, M.
constituído no vetor principal da 2006:32). É por isto que desde
realidade e em a ideologia que os anos 80 se tinha insistindo
domina nossa tanto na importância de
contemporaneidade ¡Comunicar contextualizar a mensagem
depois existir! Esta centralidade jornalística como na
não deixa de adolescer de necessidade imperiosa de que o
várias consequências receptor do mesmo possa
perversas: Uma overdose de interatuar e deixe de exercer
informação reducionista e seu rol passivo na dinâmica
simplificadora, uma comunicacional. Os autores se
comunicação homogênea e remitem, a este respeito, a
unidirecional, guiada pela mensagem apocalíptica de Sfez,
existência mercantil que tinha que propugna que, em um
convertido ao receptor da mundo onde a simplificação
comunicação em um produto e informativa se converte na
em certos casos, una norma, e os fluxos de
falsificação e desinformação informação se revelam como
deliberada da informação com incontrolável “todo ocorrerá no
objetos políticos”. imaginário do receptor, sem
importar os sinais do entorno
Na atualidade os fenômenos exterior” (Breton, P. y Proulx, S.
sociais se inter-relacionam cada 2002: 188).
vez mais, mas existe uma
problemática que é a
simplificação da informação,
que a sua vez gera outro
problema, a distorção da
mesma. “A simplicidade vê o um
e o múltiplo, mas não é capaz
de ver que um pode ser

25
Jornalismo especializado, ser
ou não ser
de mercados e a diferenciação
A especialização jornalística de públicos um dos principais
entra em cena a final da década motores do jornalismo
dos 60 e inicios da década especializado: “deixamos de ser
seguinte. O assentamento massa para serem
comercial da rádio e a expansão consumidores… isso parece
da televisão, uma crise bom para o público e mais
econômica generalizada que se lucrativo para as empresas de
fazia notar, por exemplo, no comunicação” (Abiahy, A.
acesso ao papel para os meios 2000:3). Internet, o avanço da
gráficos, mais uma crise tecnologia e os ambientes
associada à credibilidade virtuais também favorecem a
informativa, iniciam um período personalização dos conteúdos,
de disputa por anunciantes que e “o papel do jornalismo
no fundo marca a origem de especializado seria o de orientar
esta nova forma de trabalho nos ao indivíduo que se encontra
meios de comunicação perdido em meio da proliferação
(Brandão Tavares, F. 2009). de informações” (Abiahy, A.
2000:5); pelo dito anteriormente,
O processo de globalização não as publicações especializadas
implica exclusivamente a não deixam de ser um
uniformidade dos bens culturais; termómetro da gama de
pelo contrário, é a segmentação
interesses das mais diversas organismos ao crescer se
áreas que se encontram em tornam mais diferenciados e
uma sociedade. complexos. Desse jeito,
segundo os autores, isso é o
Sandra Ball-Rokeach y Melvin que ocorre com a sociedade
Defleur (1997:158-9) relacionam mediática, já que à medida que
a crescente especialização da os progressos tecnológicos em
média com um princípio básico comunicação adquirem maior
de Durkheim. O sociólogo evolução, a tendência será uma
defendia a teoria de que os maior especialização (Abiahy, A.
26
2000:24). Além disso, o sistema Jornalismo especializado é o
capitalista exige divisão do que resulta da prática mediada,
trabalho e a especialização massiva e periódica que se
facilita a formação e atualização enfoca de jeito permanente só
dos jornalistas que podem em uma parcela da atualidade.
centrar seu labor em uma Esse trabalho pode estar
mesma área. associado a uma temática
(jornalismo político, econômico,
Ademais, “os especialistas turístico, …), a um tipo de
incrementam o poder de público (por sexo, idade,
filtração da atualidade e profissão, …), a uma classe de
conseguem uma capacidade gênero ou formato (dedicar-se
peculiar de negociação com as exclusivamente à publicação de
fontes, abrindo crônicas, entrevistas, artigos de
consequentemente insuspeitas opinião, …), a um tipo de meio
fronteiras à informação” (ocupar-se de jeito particular em
(Brandão Tavares, F. 2011:98). televisão, rádio, web …) à
Amparo Tuñon (2000) indica direção à que faz referência em
que o jornalismo especializado seus artigos (local, regional,
serve para ampliar o nacional, …), à metodologia de
conhecimento da atualidade trabalho (de investigação, de
tentando temas que de outra denúncia, de dados, ...) ou pode
maneira quedariam no surgir da combinação de
esquecimento, aprofundar a qualquer um destes (jornalismo
explicação dos fenômenos que esportivo radial, jornalismo de
acontecem, servir como opinião para os estudantes
instrumento de intercâmbio universitários, …).
entre os especialistas e as
As principais especializações
audiências, melhorar a
jornalísticas de acordo com sua
qualidade informativa,
temática, além do jornalismo
acrescentar a credibilidade dos
turístico, são:
meios e dos jornalistas, e
fomentar o interesse pelos
· Jornalismo político,
conhecimentos e democratizar a
· Jornalismo econômico,
cultura.
27
· Jornalismo esportivo, · Jornalismo gastronômico,
· Jornalismo cultural, · Jornalismo rural,
· Jornalismo científico, · Jornalismo preventivo,
· Jornalismo policial, · Outros menos comuns:
· Jornalismo bélico, Jornalismo astronômico,
· Jornalismo tecnológico, jornalismo metafísico, jornalismo
· Jornalismo educativo, de ciência ficção, jornalismo de
· Jornalismo religioso, direitos humanos, jornalismo
· Jornalismo meio-ambiental, mineiro.

Perguntas para continuar refletindo:

O que tão validada está à profissão jornalística?


Por que estudam jornalismo quem ingressam às carreiras?
Que porcentagens dos conteúdos de um meio de comunicação são
jornalísticos?
Imprensa é o mesmo que jornalismo?
Qual de todas as especialidades jornalísticas é a mais apreciada?
¿Por qué?
Deveria fazer uma secunda carreira um jornalista que queira
especializar-se?
Se pode realmente falar de jornalismo institucional?
Existe alguma forma de financiamento para os meios de comunicação
que não seja através da publicidade ou da venda de seus conteúdos?
São éticos e legítimos os infomerciais e as publinotas?
Até onde se lhe pode abrir passo ao marketing de conteúdo?
Qual é o limite entre jornalismo e literatura?

28
CAPÍTULO 4 Simarro (Salazar, R. 1998:06)
afirma que “o jornalista
O que é o jornalismo especializado é tão bom como o
turístico? melhor dos jornalistas
generalistas. Além disso, ser
Se bem o jornalismo surge conhecedor a profundidade de
como um campo disciplinar um determinado campo segue
generalista que informa a partir sendo um informador de todo
da atualidade em seu conjunto, terreno”.
a diversificação nos avanços
científicos e tecnológicos que se Ainda que a especialização
dão durante o século XX levam jornalística em turismo não é tão
a conformação de ramos ou incipiente como a tecnológica ou
áreas temáticas específicas a meio-ambiental, é ainda
como a política, a econômica, a desconhecida por muitos
esportiva e a cultural; categorias jornalistas e meios de
que também se vem refletidas comunicação (Ledhesma, M.,
nas seções nas que 2014).. “A comunicação turística
frequentemente dividem-se os pode revelar simultaneamente
meios de comunicação. no mesmo artigo as quatro
funções do jornalismo (política,
Txema Ramírez de la Piscina econômica, educativa e de
em Salazar, R. (1998:01) diz entretenimento), convidando ao
que “a especialização temática leitor a degustar do turismo não
dos futuros profissionais do só como um passatempo, um
jornalismo é já uma sonho supérfluo e irrealizável,
necessidade peremptória e um se não como algo que deve ser
fato irreversível... é uma tratado com importância porque
exigência social porque cada pode beneficiar o
vez são mais os temas desenvolvimento do país e
abordados e há que explicá-los. aumentar a qualidade de vida
Os leitores querem saber mais dos cidadãos (leitores e
coisas e com mais detalhes. E o consumidores)” se referiu Belau,
jornalista deve conhece-las”. A. (1966:30).
Por outro lado, Pedro Ortiz
29
Se bem “a existência do 2. Enfocar-se em aspectos
jornalismo especializado neste históricos obviando o
campo, é consequência direita presente,
da magnitude e importância que 3. Descrever demasiado e
alcança -e da que terá que ser pouco originais,
alcançar- este fato 4. Conhecer de jeito
contemporâneo chamado supérfluo o que acontece,
turismo” (Guenchor, L. en 5. Fazer um uso curto do
Manrique Guerra, F. 1996:27), humor,
“o jornalismo turístico atravessa 6. Não dialogar com as
uma situação complicada em fontes e com o leitor,
quanto a sua independência 7. E ignorar em seus artigos
editorial, a relevância pública e a outros sujeitos que não
sua confusão com a literatura de sejam eles mesmos (os
viagens. Por outra parte, os autores).
jornalistas estão assediados
pelas relações públicas e os Esta especialidade jornalística
esforços publicitários que informa sobre a atualidade do
contaminam a independência do turismo, interpretando os fatos
campo. Além disso, as viagens que acontecem ao redor do
e o turismo se vem deslocamento potencial ou real
frequentemente como algo trivial dos sujeitos e em base ao
e se descuida o compromisso contexto sócio-político complexo
jornalístico e acadêmico” e multidisciplinar no que está
(Fürsich, E. 2002:61) Em 2001, imerso. (Ledhesma, M., 2014).
Thomas Swick (Hanusch, F. De jeito nenhum o jornalismo
2009:627) enumerou os sete turístico pode confundir-se como
erros mais comuns nos parte das relações públicas,
jornalistas turísticos: como uma ferramenta
publicitária ou como um gênero
1. Achar que tudo é positivo literário.
e deixar de lado qualquer
informação negativa,

30
Os gêneros jornalísticos e sua único nas notícias da imprensa
relação com o turismo gráfica. A necessidade de uma
proximidade maior aos leitores
A definição de gêneros más tinha produzindo
aceitada a nível geral é a que transformações significativas
formula Bajtín (Seixas, nas modalidades estilísticas dos
L.2009:43): "tipos relativamente jornais. A pureza das formas de
estáveis de enunciados". "Os dizer em um bilhete não sempre
gêneros discursivos em geral é possível, os textos raras vezes
não são algo estático, algo que são exclusivamente
permanece indefinidamente informativos, narrativos o
igual a si mesmo. Os gêneros argumentativos, por o general,
pegam suas características cruzam estilos” (Martini, S.
definitórias da relação direta que 2000:22).
se estabelece entre a língua e o
uso concreto que fazem de ela No entanto, "os gêneros
os homens em suas distintas facilitam o trabalho comum.
atividades. Disto se desprende Quanto mais se respeitem as
que, se um gênero discursivo se convenciones próprias do
vincula essencialmente com género- nascidas de una
uma prática social determinada, peculiar relação entre o
a mudança ou evolução das conteúdo e o jeito- mais
práticas sociais, implicará homogêneo resultará o
necessariamente uma mudança trabalho" (Gomis, L. 1991:44).
nos gêneros" (Atorresi, A. Tendo em conta as
1995:39). características gerais dos
Tanto os gêneros literários enunciados jornalísticos, se
como os jornalísticos surgem podem distinguir três grandes
para diferenciar um tipo de formas de expressão que
discurso do outro, "ainda não implicam intencionalidades
existem regras universais em diferentes, mas sobre todas três
quanto à terminologia modalidades distintas de
empregada" para nomeá-los construir a realidade: gênero
(Repulles, P.1986:13). Ademais, informativo, gênero
“é difícil identificar um estilo
31
interpretativo e gênero e projetar esses juízos sobre as
opinativo. aciones necessárias para
conseguir que o futuro seja
A principal diferença entre esses melhor (ou menos ruim) que o
três grandes gênero radica no presente" (Gomis, L. 1991:109).
grau de envolvimento que existe Está representado pelo artigo de
da subjetividade do jornalista no opinião em todas seus
texto. O gênero informativo, variantes, a editorial, a crítica, o
representado basicamente pela comentário e a coluna.
notícia, buscará pôr as ênfases
nos fatos e esconder toda Notícia
pegada do jornalista, ainda que
claro, "o leitor possa inferi-la a Segundo Llanos (1993:50) a
partir das exclusões, inclusões e notícia "é a forma mais simples
hierarquização" (Gomis, L. de redação jornalística: se cinge
1991:108). No gênero a sucinta enumeração dos
interpretativo, que abarca a dados essenciais de um fato":
crônica, a reportagem e a Quem? Que? Quando? Onde?
entrevista, a subjetividade Por quê? Para que? E Como?
emerge de jeito mais claro, já “O tratadista alemão Emil
que se bem não se busca fazer Dovifat (Llanos, S. 1993:50)
juízos de valor, o texto interpreta afirma: “as notícias são
a vez que informa: "apresenta comunicações sobre fatos
personagens, lugares, situações novos surgidos na luta pela
em um lugar do mundo ou existência do indivíduo e a
âmbito temático" (Gomis, L. sociedade“.
1991:109). Entretanto, no
gênero opinativo, a De todos os discursos
subjetividade do jornalista se jornalísticos, a noticia é o que
apresenta de jeito direto: mais se encontra cingido a
"analisa e julga fatos e atualidade, é a primeira
situações. Sua função é mensagem que utiliza um meio
esclarecer se os fatos e de comunicação para dar conta
situações são bons ou ruins, de um fato. O ponto de vista do
convenientes ou inconvenientes jornalista estará limitado por
32
esses acontecimentos e pôr as direto dos fatos ou do dito por
fontes consultadas. Ou seja, “a pessoas que se estiveram
notícia pode ser definida como a presentes. "Cronista ou
construção jornalística de um correspondente é um
acontecimento cuja novidade, especialista do lugar cuja vida
imprevisibilidade e efeitos conta e por isso assina suas
futuros sobre a sociedade o crônicas. A crônica temática é
encontram publicamente para também o produto de um
seu reconhecimento” (Martini, S. entendido, mas em vez de
2000:2). contarmos o que passa em um
lugar, nos conta o que passa em
Virginia Escalona (2012:9) um lugar temático" (Gomis, L.
afirma que as temáticas das 1991:46).
notícias turísticas giram ao redor
a: “aniversários, renovações o a Gradim, A. (2000:96) adiciona:
criação de agências de viagens “A regra geral da crónica é que
“online” ou espaços de ofertas é um texto, que apelando à
de voos, hotéis e paquetes para imaginação e ao potencial
férias”. estético da linguagem, conta
uma história ou se centra em
dados curiosos da vida
Crônica cotidiana. Não é um texto que
segue um exigente ordem
A diferença da notícia que é um lógico, ... pelo geral são textos
enunciado expositivo, a crônica de leitura fluida e agradável,
responde a um discurso sem pretensões de grandes
narrativo e descritivo que dá consequências políticas”.
conta da sucessão de fatos que
explicam una problemática; e É comum encontrar-se com
não exige atualidade imediata, crônicas que narram viagens e
mas se vigência jornalística. descrevem lugares, no entanto,
será importante não confundir
Possui maior liberdade literária uma crônica literária com uma
e aqui o jornalista deve ser crônica jornalística.
necessariamente testemunha
33
Reportagem documentada e extensa... não
se expõem fatos e dados
É o formato jornalístico "que intercalados com literatura,
possui mais dinâmica e o campo experiências e opiniões do
mais amplo para que o jornalista autor”.
chegue ao núcleo da informação
e obtenha dados e opiniões"
(Repulles, P. 1986:15). É um Entrevista
relato expositivo, descritivo,
narrativo e argumentativo “que A entrevista consiste em um
admite mistificações... misturar diálogo entre dois ou mais
elementos de crônica, pessoas, e "um jornalista que
entrevista, comentário e dos cumpre o rol de interrogador ou
demais gêneros” (Llanos, S. entrevistador tem a
1993:68). responsabilidade de processar
um texto e apresentá-lo a um
De acordo com Chomski y Levis público" (Llanos, S. 1993:73). A
(2000:96) "A reportagem entrevista pode ser presencial
requere um tempo mais longo ou não, mas deve realizar-se
de elaboração que outros em tempo real e não de jeito
gêneros já que precisa consultar diferido como pode ser o caso
diversas fontes... tenta explicar do envio de perguntas por e-
os fatos e as circunstâncias que mail para que outra pessoa as
os envolvem com maior detalhe responda, já que muito longe
que as notícias: descobre estará de ser jornalística,
causas, revela detalhes convertendo-se em uma
desconhecidos". enquete ou questionário, "é um
cortar e colar... armar um
Escalona Virginia (2012:10) quebra-cabeça que possa ser
adverte que a reportagem” é o lido pelo público" (Ledhesma, M.
gênero por excelência do 2013:82).
jornalismo de viagens, como
antanho o foi a crônica. São Existem três tipos de entrevistas
mais bem relatos únicos, cuja que podem praticar-se
narração é mais exaustiva, combinadas ou por separado: a
34
biográfica, que procura enlaçados mediante conetores
informação sobre a vida de uma lógicos que permitem a
pessoa, um grupo ou instituição; demonstração" (Atorresi, A.
de opinião, que pretende 1995:36), ou seja, um jornalista
conhecer o ponto de vista de expõe suas "ideias e juízos
uma pessoa, grupo ou valorativos referidos a sucessos
instituição sobre um fato; e da que são ou tinham sido notícia
entrevista de atualidade, que recentemente"(Chomski,
indagará sobre dados que D.2000:30).
possam aportar na
compreensão de um “Com a publicação de textos de
acontecimento ou tema. opinião se oferece aos leitores,
análises e perspectivas diversas
“A entrevista não tinha sido em assuntos de relevância
nunca um gênero próprio do social, contribuindo a sua
jornalismo de viagens, mas, formação, através de colunistas
atualmente é cotidiano fiáveis e com experiência. Os
encontrá-lo em diferentes artigos de opinião, são, por
publicações... os entrevistados tanto, fundamental para a
não são viageiros importantes democracia e o exercício de
se não pessoas conhecidas do uma cidadania informada e
mundo do teatro, cine, humor, responsável” (Gradim, A.
música, dança, etc., que dão a 2000:18).
conhecer suas vivências e sua
opinião sobre um determinado De acordo com Antônio
lugar, assim como seus gostos, Rodríguez (2011:84) “o gênero
manias e preferências na hora de opinião também está
de viajar” (Escalona, V. presente na área do jornalismo
2012:10). turístico” porque adverte que
existem revistas turísticas em
Artigo de opinião Espanha, que contam com o
espaço para a editorial.
"Já não encontramos o
dispersão típico da crónica: os
juízos e razoamentos são
35
Que temáticas prevalecem? ou a criação de agências de
viagens ‘online’ o espaços de
Existem temas que os meios de ofertas de voos, hotéis e
comunicação incluem em suas paquetes de férias”, quando em
notícias e outros que não. Raul realidade “o jornalismo, por ser
Jaramillo Panesso em Manrique uma atividade de carácter
Guerra, F. (1998:100) adverte social, se preocupa da vida
em quanto ao jornalismo social, de seu desenvolvimento,
turístico, dois tipos de sesgos: de seu sucesso e de seus
“O campo de especialização do problemas, especialmente de
turismo governamental que... aqueles cujas soluções
privilegia os lugares e os adequadas devem proporcioná-
serviços de maior categoria… las os princípios éticos e
ou bem os interesses concretos jurídicos. Por tal razão, a
dos anunciadores… em tanto o atividade jornalística não pode
público só encontra presencia desenvolver-se em um ambiente
informativa no mercado de medíocre, de coação, na
certas empresas e certos ignorância de suas obrigações e
lugares, com exclusão de possibilidades nem em um
outros”. Por sua parte, Manuel conhecimento aparente de os
Toro, também em Manrique motivos das notícias
Guerra, F. (1998:14) relaciona produzidas” (Repullés, P.
a esta especialização com a 1986:8).}
“necessidade da defensa do
meio ambiente, da promoção de O temário, é então, o resultado
os valores culturais e a crítica final de um processo por o qual
orientada a formação de uma um médio decide brindar ou
opinião pública favorável ao jerarquizar determinadas
direito do desfrute do tempo informações e anular outras. É a
livre”. ponta de um iceberg no que
tinha havido buscas infrutuosas,
Virginia Escalona (2012:9) acertos informativos,
expressa que as temáticas que desacordos entre as fontes,
abarcam as notícias turísticas enfrentamentos por ocupar um
são: “aniversários, renovações lugar privilegiado no espaço e
36
no tempo, inclusões culpáveis (Fontcuberta y Borrat,
desnecessárias e omissões 2006).

Então... o que acontece pelo geral com o turismo nos meios de


comunicação?

1- Se acha que o jornalista deve promover lugares turísticos.


Difundir os serviços brindados pelas distintas empresas. Participar de
fam press e informar sobre todo o bonito que um turista poderá
encontrar se realiza a mesma viagem. Alguns exemplos:

 Se realizou talher para que jornalistas turísticos aprendam sobre


como promover o turismo em ...
 Se promove a ... através de 16 jornalistas turísticos nacionais
que estão percorrendo a ...
 Jornalistas turísticos de ... difundirão atrativos turísticos ...
 Operadores e jornalistas.... visitarão em verão ... para conhecer
e difundir seus atrativos turísticos
 Depois de percorrer sítios turísticos de ... jornalistas promoverão
a zona como lugar de férias
 Jornalistas percorrem província de ... para difundir a oferta de
paquetes turísticos de ...
 Jornalistas de cadeia internacional promoverão produtos
turísticos de ...

2- Se faz referência ao turismo como uma das principais


atividades económicas de determinado lugar. Possíveis exemplos:

 As principais atividades económicas de... são o comercio e o


turismo.
 O turismo se perfila a ser a segunda atividade econômica de ...
 O turismo se converte na quarta atividade econômica mais
importante em ...

37
3- Se o utiliza como sinônimo de indústria e em muitas ocasiões,
com o adicionado de “sem chaminés”:

 A indústria sem chaminés avança a todo vapor com o ...


 A indústria sem chaminés captará 17,500 mdp por turismo
estrangeiro
 Turismo, a indústria sem chaminés que não requere maior
inversão.
 Bloqueio carreteiro afeta indústria sem chaminés do sul...
 A indústria sem chaminés expõe ante o mundo potencial...
 ... apoia aos municípios para consolidar a indústria sem
chaminés
 .... receberá a 800 professionais da indústria sem chaminés

4- Também se observa uma constante coisificação do turismo. Por


exemplo:

 O turismo deve converter-se em instrumento das oportunidades


 Presidente da Câmara de Comercio de ... considera que o
turismo é o petróleo ...
 O turismo é uma vidreira para o desenvolvimento
 O turismo é o motor da “Expo ... 2015”
 O turismo como arma na nova guerra fria de ...
 O turismo, uma ferramenta para conservar o patrimônio cultural
em ...
 O turismo é o salva-vidas da economia

5- Se realiza una construção do turismo que é completamente


positiva e beneficia para a sociedade.

 Empresários anunciam que ... é muito beneficiada pelo turismo


 ... se resistem ao turismo sem advertir suas vantagens
 O turismo é o melhor que nos podia passar

38
6- Também se faz uma construção quantitativa do turismo que
implica pensar que o sucesso do turismo é medível em cifras:

 Em ... a ocupação hoteleira foi do %90


 Os turistas gastaram $1.317 milhões durante o fim de semana
longo
 Turismo receptivo se duplica em 10 anos, 6 são os lugares
preferidos
 O PIB turístico de ... cresce um 2,9%
 O alugue de férias gera em ... 4.300 milhões desde o verão de
2014
 O verão deixo um crescimento do 9% no emprego do sector
turístico
 Desce em 17,7% turismo receptivo e se sobe 14,4% o interno

7- Nos meios de comunicação generalistas, o turismo aparece em


capa ou como nota principal em dois ocasiões: quando se
aproxima a temporada alta ou quando acontece um acidente ou fato
delitivo.

 Assim se preparam em ... para as próximas férias


 Os hotéis se renovam em vistas do próximo fim de semana
longo
 Prevê-se uma soba dos 15% para o próximo recesso de férias
 Atentados em ...: o setor turístico afronta uma etapa de
retrocessos
 Morrem dois turistas... em ...
 Terremoto afeta temporada alta em …

Além nisso, se podem observar as seguintes tendências das quais se


encontram exemplos concretos consultando qualquer meio de
comunicação massiva especializado em turismo:

8- Se vê ao turismo como algo que acontece só nos lugares


turísticos.
39
9- Se consideram fontes legítimas unicamente aos governos, as
instituições académicas, as empresas, as organizações que
agrupam a empresários e aos turistas. Deixando de lado a palavra
de estudantes, de trabalhadores, da comunidade local e de outras
organizações sem fins de lucro.

10- A imagem ocupa um rol preponderante, muitas vezes


superando a palavra nos meios gráficos e audiovisuais. Ao igual que
a publicidade, que não só termina superando em espaço a palavra e
a imagem, se não que ademais, costuma aparecer vinculada al
discurso jornalístico que se está desenvolvendo.

11- Os princípios de atualidade e de bem comum não são


considerados de maneira frequente e quando aparecem pelo geral o
fazem por separado e não em um mesmo artigo.

12- A periodicidade também é um principio em crises,


encontrando-se em várias ocasiões, revistas que saem publicadas um
mês e ao mês seguinte não o fazem, ou sítios web que não publicam
todos os dias. É muito comum encontrar que os suplementos
turísticos, os programas radiais e televisivos aparecem os fins de
semana, e que os portais de Internet não publicam durante os
sábados e domingos.

13- Em muitas ocasiões toda a apresentação se reduz as crônicas


viageiras que roçam mais o literário e o entretenimento, que o
jornalístico.

14- A olhada acostuma estar posta mais em lugares


internacionais que no turismo local e nacional.

15- O gênero mais utilizado resulta ser sempre a notícia. Há pouca


elaboração de outros gêneros que implicam maior esforço do
pensamento, maior criatividade e maior escritura, assim como mais
tempo e até mais recursos para sua investigação previa.
40
16- As temáticas turísticas que prevalecem são os eventos, as
novidades empresariais e os acontecimentos governamentais.

17- As secções políticas, policiais ou do espetáculo superam em


importância ao turismo que, não só não aparece a diário nos meios
generalistas, se não que quando aparece ocupa muito menos espaço
que as demais áreas.

Mais perguntas para continuar refletindo:

Quem são reais jornalistas turísticos?


O que sabem de turismo os jornalistas?
Estão os jornalistas atualizados com respeito à informação turística de
suas cidades?
Alcança com viajar para ser jornalista turístico?
Os meios de comunicação falam de lugares turísticos não tradicionais
ou não populares?
Os números que jogam a atividade turística para quê ou quem
servem?
Quantos meios massivos de comunicação enfocam ao turismo desde
o jornalístico?
É O mesmo escrever sobre viagens que ser jornalista turístico?
É o mesmo jornalismo turístico que jornalismo da viagens?
Por que não adquire maior importância o turismo nos meios de
comunicação?

41
CAPITULO 5 uma área específica da
realidade, ou seja, o turismo.
E alguns fins Um jornalista turístico não
promove nem publicita nada,
O turismo é um fenômeno isso o fazem os profissionais da
social, ligado a prática de viajar, publicidade, do marketing, da
no que exige a necessidade do comunicação institucional, das
relaxamento, da diversão e/ou relações públicas,...
da vivência de novas
experiências e conhecimentos; Urge profissionalizar ainda mais
que requere a presencia de um a atividade. Não se estão
atrativo e de um mínimo de brindando conteúdos de
infraestrutura e de serviços para qualidade, não se está
levar a prática. pensando no público, mas sim
nos anunciantes. Urge também
O turismo não é uma indústria, que as comunidades locais, os
não é uma simples atividade trabalhadores, os estudantes,…
econômica. Não se limita ao tenham voz nos meios de
movimento real e efetivo das comunicação.
pessoas, e nem sempre é
positivo. Funciona de maneira Urge desmercantilizar ao
holística e a partir da prática dos turismo e ao jornalismo. Urge
sujeitos que se envolvem. adquirir compromissos, ser
O jornalismo turístico, ao igual éticos, honestos e responsáveis
que os demais tipos de como profissionais, e como
jornalismo, se dedica a informar, pessoas. Urge serem sujeitos
pesquisar, opinar, educar e de muitos princípios e alguns
denunciar, mas o que faz é em fins.

42
BIBLIOGRAFÍA

Abiahy, A. (2000). O jornalismo especializado na sociedade da


informação. João Pessoa, Universidade Federal da Paraíba.
Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/abiahyana-jornalismo-
especializado.pdf. Acesso em: dezembro de 2014.
Alcíbar, M. (2007) Comunicar la ciencia: la clonación como
debate periodístico. Madrid: Consejo Superior de Investigaciones
Científicas.
Alsina, M. (2001) Teorías de la comunicación: ámbitos, métodos
y perspectivas. Valencia: Universidad Autónoma de Valencia.
Alsina, R. (1993) La construcción de la noticia. Barcelona:
Paidós.
Armentia, J. y Caminos Marcet, J. (2002) Fundamentos de
periodismo impreso. Barcelona: Ariel.
Ander-Egg, E. (1995). Técnicas de investigación social. Buenos
Aires: Lumen.
Arense, A. (2006) Entre la simplificación y el rigor. Biblioteca
virtual: Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe,
España y Portugal, Sistema de Información
Científica. En Cuadernos de Información. Número 19. Pág. 45.
Arrueta, C. (2010) ¿Qué realidad construyen los diarios? Buenos
Aires: La Crujía Ediciones.
Atorresi, A. (1995) Los géneros periodísticos. Buenos Aires:
Ediciones Colihue.
Ball-Rokeach, S. y Defleur, M. (1997) Teorias da Comunicação
de Massa. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
Ballerini, F. (2015). Jornalismo Cultural no Seculo 21: Literatura,
artes visuais, teatro, cinema, música. San Pablo: Summus Editorial.
Bauman, Z. (2012) Modernidad Líquida. Buenos Aires: Fondo de
Cultura Económica.
Belau, A. (1966) La ciencia periodística de Otto
Groth. Pamplona: Instituto de Periodismo de la Universidad de
Navarra.

43
Belenguer Jané, M. (2002) Periodismo de Viajes: Análisis de una
Especialización Periodística. Sevilla: Comunicación Social.
Beni, M. (2008) Sistema de Turismo. San Pablo: Escola de
Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
Brandão Tavares, F. (2009) O jornalismo especializado e a
especialização periodística. Em Estudos en comunicação, N°5, pág.
115-133
Breton, P. y Proulx, S. (1996) La explosión de la comunicación.
Quito: Abya Yala.
Buendía, M. (1996) Ejercicio Periodístico. México DF: Fundación
Manuel Buendía.
Carrillo, N. (2013) El periodismo volátil: ¿Cómo atrapar la
información política que se nos escapa? Barcelona: Editorial UOC.
Castelli, E. (1981) Manual de Periodismo. Buenos Aires: Plus
Ultra.
Cohen, B. (1963) The press and foreign policy. Princeton:
University Press.
Corser, G. (2008) “Glosario de Términos de Producción Gráfica
Publicitaria en Elaboración de un Glosario de Términos de Producción
gráfica publicitaria”. Tesis de grado. Caracas: Universidad Católica
Andrés Bello, Facultad de Humanidades y Educación, Escuela de
Comunicación Social.
De Fontcuberta, M. (2006) Simplificación periodística: la realidad
como mosaico en Cuadernos de Información. Santiago de Chile:
Pontificia Universidad Católica de Chile.
De Fontcuberta, M. y Borrat, H. (2006) Periódicos: sistemas
complejos, narradores en interacción. Buenos Aires: La Crujía
Ediciones.
Dirección General de Enseñanza de Jóvenes y Adultos (2008)
La Industria del Turismo en Programa de Educación a Distancia.
Córdoba: Ministerio de Educación Gobierno de Córdoba.
Fernandez del Moral, J. y Esteve Raírez, F. (2010) Fundamentos
de la Información Periodística Especializada. Madrid: Síntesis.
Ferré, C. (2013) Infoentretenimiento: El formato imparable de la
era del espectáculo, Barcelona: UOC.
44
Fürsich, E. (2002) “How can global journalists represent the
‘Other’?: A critical assessment of the cultural studies concept for media
practice”. London: SAGE Publications. Págs: 57-84.
Gradim, A. (2000) Manual de Jornalismo. Covilha: Universidades
da Beira Interior.
Gomis L. (1991) Teoría del periodismo: cómo se forma el
presente. Barcelona: Paidós comunicación.
Hanusch, F. (2014). “The geography of travel journalism:
Mapping the flow of travel stories about foreign countries.” Amsterdam:
International Communication Gazette. Págs. 47-66.
Hanusch, F. (2009). “Taking travel journalism seriously:
Suggestions for scientific inquiry into a neglected genre.” Brisbane:
Creativity and Global Citizenship. Págs. 623-636.
Hernández Sampieri, R.; Fernández Collado, C.; y Baptista
Lucio, P. (2008) Metodología de la Investigación. México D.F.:
McGraw-Hill.
Lanyi, J. (2009) Crítica de Jornalismo. San Pablo: Clube de
Autores.
Ledhesma, M. (2014), “La historia del turismo de San Luis
reconstruida a partir de discursos periodísticos, publicitarios y
académicos de los siglos XIX y XX”; en Boso S. (Comp), Tiempo,
espacio y realidad Sanluiseña: problemáticas histórico sociales de San
Luis (pp. 152-169) San Luis: Nueva Editorial Universitaria.
Llanos Horna, S. (1993) Periodismo Informativo. Trujillo:
Libertad.
Lovera, S. (Coord.) (2004) Manual de Estrategias de
Comunicación y Visibilidad para las Organizaciones de la Sociedad
Civil. México D.F.: Solart.
Loyola, O. (2011) “Operación Semántica: Seguimiento,
sistematización y análisis periodístico”. Tesis de grado. Posadas:
Universidad Nacional de Misiones, Facultad de Ciencias Humanas,
Departamento de Comunicación.
Macaggi, J. (1991). Manual del Periodista. Buenos Aires: Centro
Técnico de la Sociedad Interamericana de Prensa y Comisión Mundial
de Libertad de Prensa.
45
McIntosh, R., Goeldner, C., Brent Richie, J. (2002) Turismo:
planeación, administración y perspectivas. México D.F.: Limusa Wiley.
Marín, C. (2004) Manual de Periodismo. México D.F.: Grijalbo.
Martínez Albertos, J. (1977) El mensaje informativo. Barcelona:
ATE.
Manrique Guerra, F. (Comp.) (1996) La prensa turística en
América Latina. Lima: Universidad de San Martín de Porres.
Mazzone D. (2013) La academia ante el periodismo post-
industrial: De la cultura masiva a la desmasificación y fragmentación.
En Correspondencias & Análisis, Nº 3, pág. 351
Monck, A. (2006) Reduccionismo periodístico. Santiago:
Pontificia Universidad Católica de Chile. En Cuadernos de
Información. Número 19. Pág. 54.
Potter, D. (2006) Manual de Periodismo Independiente.
Washington: Oficina de Programas de Información Internacional del
Departamento de Estado de Estados Unidos.
Real Academia Española – RAE (2001) Diccionario de la lengua
española. Madrid: Real Academia Española. 22º edición. Tomo II.
Reig, R. (2004) Dioses y diablos mediáticos: cómo manipula el
poder a través de los medios de comunicación. Barcelona: Ediciones
Urano SA.
Repullés, P. (1986) Periodismo para Maestros. Buenos Aires:
Marymar.
Rivière, M. (2003) El malentendido: cómo nos educan los medios
de comunicación. Barcelona: Antrazyt.
Romano, V. (2007) Sociología y comunicación. Estados Unidos:
Universidad Internacional de Florida.
Rodríguez Ruibal, A. (2011) “Análisis del turismo en las portadas
de El País y El Mundo, (2006-2009)”. Tesis Doctoral. Madrid:
Universidad Complutense.
Romero, L. (2006). Una Visión Actual de la Actividad
Periodística: Investigación de la Comunicación México en los Albores
del Siglo XXI. México DF: Asociación Mexicana de Investigadores
Comunicadores.

46
Ruschmann, D., Thomé da Cruz M. H. y Duquia Giumellí O.
(2009) “Análisis de los procesos de producción y recepción de los
artículos periodísticos sobre turismo”; Buenos Aires: Estudios y
perspectivas en turismo, Vol. 18. Págs. 587-567. Disponible en:
http://www.scielo.org.ar/pdf/eypt/v18n5/v18n5a04
Sabino, C. (1996) Cómo hacer una tesis. Buenos Aires:
Hvmanitas.
Salazar, R. (1998) Periodismo especializado. República
Dominicana: Océano.
Servicio Nacional de Aprendizaje (2006) Caracterización
ocupacional: del sector turismo. Bogotá: Ministerio de Protección
Social.
Serrano, P. (2010) El periodismo es noticia. Tendencias sobre
comunicación en el siglo XXI. Barcelona: Icaria.
Tamayo León, R. (2006), “Taller por una cobertura periodística
más profesional. Notas de un reportero”, Revista Digital Mesa de
Trabajo. La Habana: Departamento de Periodismo de la Facultad de
Comunicación, Universidad de La Habana. Disponible en
http://mesadetrabajo.blogia.com/2006/110502-taller-por-una-cobertura-
periodistica-mas-profesional.-notas-de-un-reportero.php
Tavares, F. (2009) O jornalismo especializado e a especialização
periodística Estudos em Comunicação, n 5, 115-133.
Tavares, F. (2012) A especialização jornalística como teoria e
objeto: contornos e limites. En Revista Comunicação Midiática; Vol 7,
No 1
Teglia, S. (2013) Pre-producción y Producción de Entrevistas
vía e-mail. Tesis de Grado. Rosario: Universidad Abierta
Interamericana, Facultad de Ciencias de la Comunicación.
Tuñón, A. (2000) Periodismo especializado y cultura de la
información. Barcelona: Universidad Autónoma de Barcelona.
Universidad Pedagógica Experimental Libertador, Vicerrectorado
de Investigación y Postgrado (2006) Manual de trabajos de grado de
especialización y maestría y tesis doctorales. Caracas: Fondo
Editorial de la Universidad Pedagógica Experimental Libertador.

47
48
49
Miguel Ledhesma nació el 13 de septiembre de 1981 en Buenos Aires,
Argentina. Es Licenciado en Periodismo, Periodista, Técnico Superior en
Turismo, Guía de Turismo, Profesor de EGB 1 y 2, y bibliotecario. Es
presidente y fundador de la Alianza Latinoamericana de Periodistas
Turísticos y profesor del Diplomado en Periodismo Turístico. Ha
participado como conferencista de periodismo turístico en más de
cincuenta ocasiones y ha tenido la oportunidad de vivir en países como
Venezuela y México, y en la provincia de San Luis, en donde ha sido
reconocido como precursor del periodismo turístico.

50