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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

ESCOLA DE ENGENHARIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

MECÂNICA DOS SOLOS II - ENG01114

ANÁLISE DE TALUDES COM O SOFTWARE GEOSTUDIO SLOPE/W

Thalles Daniel Kaefer

Porto Alegre, 26 de abril de 2021


1. INTRODUÇÃO

A elaboração de um projeto de fachadas precisa ser feita por um profissional


especializado. Apesar de ser um requisito obrigatório, há muitas irregularidades, mal
dimensionamento e falhas na execução que comprometem a funcionalidade para a
qual foi projetado. Para a execução de um bom projeto, são necessários estudos,
visando reduzir custos, otimizar a mão de obra e qualidade no desenvolvimento do
projeto.

Este trabalho tem como objetivo mostrar a escolha dos materiais, os motivos
para ta Porto Alegre, de acordo com as normas da ABNT. A execução será
direcionada e orientada de modo a se obter um bom desempenho e qualidade no
proj

Figura 1: Talude no cenário original.


Fonte: Elaborado pelo autor.
1. SOLUÇÕES DE PROJETO

1.1 SOLO GRAMPEADO

Define-se solo grampeado como uma técnica de reforço e de contenção de


taludes, sejam eles naturais ou artificiais. Este reforço ou contenção acontece
através do “grampeamento” do solo, ou seja, da introdução de grampos que
restringem os deslocamentos do maciço de solo e transferem os esforços de uma
zona potencialmente instável para uma zona segura, resistente. Estes elementos de
reforço são posicionados horizontalmente ou inclinados no maciço, de forma a
introduzir esforços resistentes de tração e cisalhamento (ORTIGÃO et al., 1993).

1.1.1 Parâmetros de projeto

Existem vários parâmetros que devem ser levados em conta na hora do


dimensionamento de uma estrutura, como por exemplo o ângulo de instalação,
comprimento e o espaçamento entre os grampos. Esses parâmetros devem
assegurar as condições de estabilidade interna e externa da estrutura, evitando que
a mesma venha a ruina. Esses parâmetros dependem de fatores como altura e
inclinação do talude, tipos de grampos e etc. Por exemplo, foram feitos ensaios de
arrancamento 24 em grampos variando o ângulo entre 0 e 20°. Chegou-se à
conclusão de que os grampos instalados a 15° foram os que suportaram os maiores
esforços (CLOUTERRE, 1991).

O dimensionamento da estrutura de solo grampeado será realizado de


acordo com as recomendações dispostas na figura 1.
Figura 2: Valores de projeto usuais em estruturas de solo grampeado.
Fonte: Clouterre (1991).

Para a obtenção de uma estimativa para a resistência ao arrancamento “q s”


foram utilizados os seguintes resultados, dispostos na figura 2 e 3, que
correlacionam a resistência ao arrancamento com o tipo de solo do talude.

Figura 3: Resultados dos testes de arrancamento realizados.


Fonte: Ortigão e Sayão (2004).
Figura 4: Resistência ao arrancamento média conforme o tipo de solo.
Fonte: Clouterre (1991).

O valor de resistência ao arrancamento (q s) será estimado como 115 kPa,


visto que o solo do talude a ser analisado é de areia siltosa. A resistência à tração
do aço foi considerada como 450 kN.

Segundo Lazarte (2003), o comprimento de ancoragem do grampo deve ser


de, no mínimo, 3 m, sendo os trechos livres maiores que 1 m. Foram dispostos,
portanto, dois reforços de grampos de aço com comprimento total de 6 m e 5 m,
sendo a menor dimensão utilizada na parte inferior da estrutura, conforme a figura 4.
Os grampos foram dimensionados com comprimento de ancoragem superior a 3 m e
diâmetro do bulbo de 15 cm, visando manter o fator de segurança acima de 1,5.
Figura 5: Distribuição dos grampos.
Fonte: Clouterre (1991).

Os valores de projeto inseridos no software GeoStudio Slope/W podem ser


visualizados na figura 5.

Figura 6: Parâmetros inseridos no software GeoStudio Slope/W.


Fonte: Elaborado pelo autor.

1.1.2 Análise da proposta

A estabilização do talude em solo grampeado foi proposta com a finalidade


de apresentar uma solução para ser empregada nos casos em que a otimização do
espaço é uma prioridade, mesmo que a inclinação do talude original, de 45 graus,
possibilite intervenções mais econômicas e que dispensem a execução de estruturas
de contenção. Os resultados da análise pelo GeoStudio podem ser visualizados na
figura 6.
Figura 7: Análise da estrutura pelo software GeoStudio Slope/W.
Fonte: Elaborado pelo autor.

A solução proposta apresentou um fator de segurança de 1,592, estando


acima dos níveis de segurança recomendados pela NBR 5619 para estruturas
permanentes de contenção ancorada.

Figura 8: Fatores de segurança mínimos para ruptura global de tirantes permanentes.


Fonte: NBR 5619:2018

1.2 RETALUDAMENTO

O retaludamento é processo de terraplenagem amplamente realizado devido


à sua eficácia e simplicidade, através do qual se altera a geometria do talude original
através de cortes ou aterros. Geralmente, a execução de cortes no talude visa
reduzir a inclinação da superfície, de modo a atenuar os esforços desestabilizantes.

Para qualquer tipo de solo ou rocha, em qualquer condição de ocorrência e


sob a ação de quaisquer esforços, sempre existirá uma condição geométrica de
talude que oferecerá estabilidade ao maciço (DER/SP, 1991).

A remoção de parte do material do talude é um dos processos mais antigos


e mais simples de estabilizar um talude, pois a suavização de sua inclinação resulta
na alteração do estado de tensões atuantes no maciço, ou seja, há uma redução das
tensões de cisalhamento (WOLLE, 1980).

1.2.1 Análise da proposta

A proposta de estabilização por retaludamento consiste na redução da


inclinação da superfície de 45 graus, na situação original, para 30 graus, conforme
ilustrado a seguir.

Figura 9: Solução de talude com a inclinação reduzida.


Fonte: Elaborado pelo autor.

Essa intervenção apresentou-se como uma solução eficaz e econômica,


sendo suficiente para elevar o fator de segurança de 0,993 para 1,438, tornando o
talude medianamente seguro conforme a NBR 11682.

O principal inconveniente dessa proposta seria a necessidade de se


empregar uma área superior ao cenário original para se obter a estabilização do
talude.
Figura 10: Níveis de segurança.
Fonte: NBR 11682 (2009).

Figura 11: Análise da intervenção pelo software GeoStudio Slope/W.


Fonte: Elaborado pelo autor.

1.3 TALUDE COM BANCADA

A gravidade como fator instabilizante de um talude está associada não só à


inclinação do talude, mas também à sua altura. Outro meio de se obter uma
melhoria na estabilidade, para situações de uma potencial ruptura global, é reduzir a
altura do talude, conforme esquematizado na figura 8.
Figura 12: Redução da inclinação do talude, através da execução de bancada.
Fonte: DER/SP (1991).

1.3.1 Análise da proposta


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LAZARTE, C. A., ELIAS, V., ESPINOZA, R. D., SABATINI, P. J., 2003. Soil
nail walls. Departament of Transportation Federal Highway Administration (FHWA).

ORTIGÃO, J.A.R., ZIRLIS, A. & PALMEIRA, E. M., 1993. Experiência com


solo grampeado no Brasil 1970-1993. Revista Solos e Rochas, ABMS, v. 16, n. 4,
pp. 291- 304, Dezembro.

CLOUTERRE 1991. Recomendations Projet National Clouterre, École


Nationale des Ponts et Chausseés, Presses de I’ENPC, Paris, 269 p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR


11682:2009 - Estabilidade de Encostas. Rio de Janeiro, 2009.

WOLLE, C. M., 1980. Taludes naturais – mecanismos de estabilização e


critérios de segurança. Dissertação de mestrado. Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo, São Paulo.

DEPARTAMENTO DE ESTRADAS DE RODAGEM DO ESTADO DE SÃO


PAULO, 1991. Taludes de Rodovias – Orientação para diagnóstico e soluções
de seus problemas. São Paulo, 1991.

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