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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 034.

246/2017-7

GRUPO I – CLASSE VI – 2ª Câmara


TC 034.246/2017-7
Natureza: Representação.
Unidade: Superintendência Regional do Departamento de
Polícia Federal no Estado do Rio de Janeiro - SR/PF/RJ.
Representante: Prime Consultoria e Assessoria
Empresarial Ltda. (CNPJ 05.340.639/0001-30).
Representação legal: Anselmo da Silva Ribas (OAB-SP
193.321).

SUMÁRIO: REPRESENTAÇÃO. SUPOSTAS


IRREGULARIDADES EM PREGÃO PARA
AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. INDEFERIMENTO
DA CAUTELAR PLEITEADA. CONHECIMENTO.
PROCEDÊNCIA PARCIAL. CIÊNCIA E
ARQUIVAMENTO.

RELATÓRIO

Transcrevo a instrução elaborada por auditor federal de controle externo da Secretaria de


Controle Externo no Estado do Rio de Janeiro - Secex/RJ, com a qual se manifestou de acordo o
dirigente daquela unidade (peças 31/32):
“INTRODUÇÃO
1. Cuidam os autos de representação, com pedido de medida cautelar, apresentada pela empresa Prime
Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. (CNPJ 05.340.639/0001-30), a respeito de possíveis
irregularidades relacionadas ao pregão eletrônico 5/2017 (peça 4), realizado pela Superintendência Regional
do Departamento de Polícia Federal no Estado do Rio de Janeiro (DPF/RJ), Unidade Administrativa de
Serviços Gerais (Uasg) 200356, mais especificamente quanto a exigências indevidas constantes de seu edital,
que estariam restringindo a competitividade do certame.
HISTÓRICO
2. A instrução precedente, após análise dos fatos noticiados na inicial, e com base nos esclarecimentos
prévios encaminhados pelo Sr. Hugo Picole Borges (integrante da comissão permanente de licitação da
SR/PF/RJ, na condição de pregoeiro), restou conclusa pelo conhecimento e realização de oitiva e diligência
da unidade jurisdicionada, na forma que segue (peça 17, p. 8):
‘(...)
27.1. conhecer o presente processo como representação, uma vez satisfeitos os requisitos de
admissibilidade previstos nos arts. 235 e 237, inciso VII, do Regimento Interno do TCU c/c o art. 113,
§ 1º, da Lei 8.666/1993;
27.2. determinar a oitiva da Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal no
Estado do Rio de Janeiro (DPF/RJ), para que, no prazo de cinco dias úteis, se manifeste acerca do teor
desta representação, em especial sobre as questões abaixo, alertando-a quanto à possibilidade de o
Tribunal vir a determinar a anulação de todos os atos posteriores à realização do pregão eletrônico
5/2017:
27.2.1. supressão de exigências de qualificação econômico-financeira do edital e outras alterações sem
a republicação do instrumento convocatório e nova contagem de prazo, em afronta ao art. 21, § 4º, da
Lei 8.666/1993, e ao entendimento jurisprudencial desta Corte (Acórdão 2.179/2011-Plenário-TCU,
relatado pelo Ministro Weder de Oliveira, conforme Informativo de Licitações e Contratos 76/2011);
27.2.2. inconsistência relativamente aos valores a serem pagos, presente no item 6.5.3 do edital, nos
itens 1.5 a 1.8, e 4.17, do termo de referência, e na cláusula sexta da minuta do termo de contrato, sem
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indicação precisa se os valores dos combustíveis serão aqueles praticados na bomba, ou se serão
calculados tendo como referência os preços médios apurados e divulgados pela ANP para o município
em questão, com a taxa de desconto ofertada na proposta vencedora (em ambos os casos, somando-se
a taxa de administração também presente na proposta vencedora);
27.3. determinar a diligência da DPF/RJ, para que, no prazo de cinco dias úteis, encaminhe a esta
Secretaria os seguintes elementos, relativamente à realização do pregão eletrônico 5/2017:
27.3.1. informações a respeito das datas de assinatura e de início da execução do contrato decorrente
do certame em tela, dos atos já executados e da previsão de execução dos próximos atos contratuais
(execução física e financeira);
27.3.2. explicação detalhada de como será realizado o pagamento à contratada, de qual será o valor
base (preço de bomba ou média calculada pela ANP), e quais encargos e descontos incidirão sobre
esse valor base para se chegar ao valor final;
27.3.3. termo de contrato assinado, ou a ser assinado, que contenha os parâmetros de cálculo dos
pagamentos a serem realizados à contratada;
27.4. determinar a oitiva da empresa Prime Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. (CNPJ
05.340.639/0001-30), vencedora do certame em tela, para, se quiser, se manifestar sobre os pontos
abordados nesta representação e nesta instrução, alertando-a quanto à possibilidade de o Tribunal vir a
determinar a anulação de todos os atos posteriores à realização do pregão eletrônico 5/2017, realizado
pela Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal no Estado do Rio de Janeiro;
27.5. encaminhar cópias desta instrução e da peça 1 que deverão subsidiar as manifestações a serem
requeridas à DPF/RJ e à empresa Prime Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda.
(...)’
3. Na sequência o processo foi encaminhado ao Gabinete da Ministra Ana Arraes, que concluiu na forma
que segue (peça 19):
‘(...)
10. Concordo, na essência, com a análise da Secex/RJ. Não restou demonstrada a presença dos
requisitos do art. 276 do Regimento Interno para adoção da medida cautelar pleiteada.
11. Já no que concerne à proposta de oitiva da unidade jurisdicionada e da representante que, ao final,
veio a vencer o certame – concordo apenas em parte com a secretaria estadual.
12. Considero inoportuno ouvir a empresa vencedora da licitação nesta fase, uma vez que essa
providência só se fará necessária na hipótese de uma eventual futura deliberação deste Tribunal que
afete seus direitos. Tal possibilidade pode não se concretizar após a análise das respostas à oitiva do
gestor, especialmente ante o expressivo desconto ofertado (9,7%) em relação ao valor estimado.
13. Acolho, por outro lado, a proposta de diligências e de oitiva do DPF/RJ. Preocupa-me
especialmente a redução das exigências de qualificação sem reabertura de prazo, pois tal medida pode
ter inviabilizado a participação de potenciais interessados que não tiveram tempo hábil de preparar
suas propostas.
À vista do exposto, conheço desta representação e determino a restituição do processo à Secex/RJ para
que realize as diligências e a oitiva do DPF/RJ, na forma proposta.
(...)’
EXAME TÉCNICO
4. Em resposta à diligência e oitiva promovidas por esta Secretaria, por meio dos ofícios 3.900/2017, de
18/12/2017, e 3.899/2017, de 18/12/2017 (peças 20 e 21, respectivamente), a SR/PF/RJ apresentou,
intempestivamente, resposta à oitiva (peça 26) e diligência (peça 27).
Manifestação prévia da SR/PF/RJ em atendimento à oitiva
5. Inicialmente deve-se registrar que a SR/PF/RJ solicitou prorrogação de prazo para o atendimento aos
ofícios acima, conforme consta da peça 24. Em decorrência desse pedido, os autos foram encaminhados ao
Gabinete da Relatoria. Entretanto, nesse ínterim as respostas foram apresentadas e os autos retornaram para
análise, em atenção ao Despacho da Relatoria, à peça 28.
6. Os esclarecimentos prévios foram encaminhados pelo Sr. Jairo Souza da Silva, na qualidade de
Superintendente Regional da SR/PF/RJ, tendo como signatários os peritos criminais federais, os Srs. Vitor
Veneza Quimas Macedo e Luiz Ernesto Fonseca Alvas.

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7. Em relação ao item ‘a’ da oitiva, os signatários informam, em resumo, que conforme entendimento do
pregoeiro, a retirada da exigência do edital resultaria em aumento de participação e, por consequência, da
competição (peça 26, p. 5).
8. Informam que supressão em tela foi resultante das impugnações apresentadas pelas empresas Ticket
Soluções HDFGT S/A e Prime Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. Aduzem que essas duas empresas
participaram do certame, e que a representante (Prime) sagrou-se vencedora, com desconto de 9,7%. Alegam
que a providência adotada pelo pregoeiro, em não conceder no prazo, não pode ser considerada como causa
de prejuízo à competição. Encerram os esclarecimentos informando que o contrato anterior foi prorrogado,
com vistas a manter o fornecimento de combustíveis até o posicionamento final do TCU sobre o presente
processo.
9. Quanto ao item ‘27.2.2’ da oitiva, os signatários informam, em resumo, que os pagamentos
obedecerão ao disposto na cláusula 4.1.7 do termo de referência (peça 7, p.22), ou seja, corresponderá ao
valor à vista praticado por ocasião de cada abastecimento (‘na bomba’).
10. Quanto à inconsistência observada na instrução anterior, relativa ao subitem 6.5.3 do edital (peça 7, p.
5), e subitens 1.5 a 1.8 do termo de referência (peça 7, p. 16-17), os signatários esclarecem, em resumo, que,
devido à possível variação dos valores à vista praticados na bomba ao longo do contrato, decidiu-se manter o
percentual de desconto ao longo da execução contratual, tendo como referência os reajustes os preços médios
apurados e divulgados pela ANP, e citam o subitem 6.1, à peça 7, p. 35 (ver a íntegra esclarecimento à peça
26, p. 6).
Análise
11. De início deve-se registrar, no que concerne à falta de republicação do instrumento convocatório, bem
como uma nova contagem de prazo, que a pesquisa realizada no sistema Comprasnet revelou a publicação de
um aviso endereçado aos licitantes interessados (peça 30), datado de 30/11/2016, relativo à retificação do
edital 5/2017. Esse aviso cientificou os interessados e disponibilizou condições para que alterassem suas
propostas, apesar do prazo de uma semana, aproximadamente, para o início da sessão do aludido pregão
eletrônico. Além disso, não se observou a apresentação de impugnações em decorrência do procedimento em
tela no sistema Comprasnet nem na ata do pregão eletrônico (peça 30, p. 1 e 2-14, respectivamente), em
decorrência da ausência de nova contagem de prazo.
12. Destaca-se que não houve desclassificação de licitante. O certame resultou em proposta de preço
vantajosa para a unidade jurisdicionada, não se observando prejuízo. Portanto, no contexto desse processo,
ouvir os responsáveis em audiência, com possibilidade de aplicação de sanção, seria medida de rigor
excessivo face as atenuantes acima mencionadas. Bastando, no caso presente, que a unidade seja cientificada
de que as irregularidades praticadas são conflitantes com o estabelecido no art. 21, § 4º, da Lei 8.666/1993, e
o entendimento jurisprudencial desta Corte expresso no Acórdão 2.179/2011-Plenário-TCU, relatado pelo
Ministro Weder de Oliveira, com vistas a evitar ocorrências semelhantes em futuros certames.
13. Quanto ao item ‘27.2.2’ da oitiva, as informações prestadas pelos signatários são no sentido de que,
para fins de pagamentos quando da execução contratual, os valores a serem pagos serão os praticados à vista
nas bombas, conforme previsto no item 6.1 do contrato. Já para efeito da competição no certame, cabe
considerar que os quantitativos de consumo de combustível de referência para cálculo das propostas foram
derivados do consumo verificado entre 2014 e 2016 pela unidade licitante, conforme o item 1.5 do edital
(peça 7, p. 2), com critério de aferição das propostas segundo o maior desconto ofertado sobre valor
calculado com base nos preços médios divulgados pela ANP, conforme expresso no item 1.6 do edital,
referente, consoante o item 1.7, ao menor valor de grupos formados cada qual por ‘fornecimento de
combustível’ e ‘serviço de gerenciamento’, (...) ‘tendo em vista que a empresa intermediadora do
fornecimento do combustível também deve disponibilizar o suporte necessário ao agente público no
gerenciamento das operações’. Aqui vale registrar que os itens 4.32 e 4.33 do termo de referência (peça 7, p.
22-23), abaixo transcritos (postos de combustíveis credenciados pela contratada), como forma de evitar
percursos longos para abastecimento da frota. O gerenciamento do abastecimento é previsto no item 10.42,
também do termo de referência, à peça 7, p. 28, trata da identificação do veículo, do motorista que efetuou o
abastecimento, do local do abastecimento, do quantitativo de litros, do valor do abastecimento, da
quilometragem por abastecimento e do saldo de cada cartão. E quanto ao reajuste do preço do combustível, o
mesmo não terá como referência o preço praticado na bomba, tendo em conta que o valor poderá ser
diferente de posto para posto, mas, analogamente ao critério de aceitação de propostas no certame, a média
apurada e divulgada pela ANP para estados e municípios, considerando que os aumentos dos combustíveis

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são regulados pelo governo federal. Portanto, é possível admitir que se trata de uma medida de segurança
para a contratante, com vistas a evitar custos para abastecimentos e reajustes com percentuais abusivos.
‘(...)
4.32. CONTRATADA que, após o prazo para o início da contratação, não tenha comprovadamente,
pelo menos, 01 (um) posto credenciado e operacionalizando, até a distância rodoviária máxima de 2
km para SR/PF/RJ e 2 km para cada um dos endereços listados, ter no mínimo 01 (um) posto
credenciado e operacionalizando, que não seja o mesmo já inserido na distância de até 2 km da Sede e
das Delegacias Descentralizadas, nas cidades com mais de 50.000 habitantes, não estará atendendo as
especificações exigidas no Edital e seus anexos, terá seu contrato rescindido. O termo
‘operacionalizando’ significa que está funcionando o sistema, podendo o usuário adquirir combustíveis
com o pagamento através do cartão magnético ou com chip.
4.33 A SR/PF/RJ e suas descentralizadas se localizam nos endereços descritos neste Termo de
Referência, onde a CONTRATADA deverá possuir rede de postos de combustíveis num raio máximo
de 2 (dois) km dos endereços abaixo relacionados. As distâncias onde a SR/PF/RJ, descentralizadas e
seus respectivos postos ultrapassarem 2 (dois) km, a empresa deverá ter posto credenciado propiciando
abastecimento dos veículos em viagens interestaduais.
(...)’
14. Portanto, diante das informações constantes dos autos e dos esclarecimentos apresentados pela
SR/PF/RJ, a presente instrução posiciona-se no sentido de que cabe dar ciência à unidade jurisdicionada
sobre a irregularidade relativa à supressão de exigências de qualificação econômico-financeira do edital e
outras alterações sem a republicação do instrumento convocatório e nova contagem de prazo, em afronta ao
art. 21, § 4º, da Lei 8.666/1993, e ao entendimento jurisprudencial desta Corte (Acórdão 2.179/2011-TCU-
Plenário, relatado pelo Ministro Weder de Oliveira), com vistas a evitar novas ocorrências no futuro.
Informações encaminhadas em atendimento à diligência
15. Inicialmente deve-se registrar que os signatários da diligência são os mesmos da oitiva.
16. Em relação ao item ‘a’, informam, em resumo, que o contrato decorrente do pregão eletrônico 5/2017
não foi assinado. Por prudência, decidiu-se aguardar a decisão final do TCU (ver íntegra da resposta à peça
27, p. 3).
17. Quanto ao item ‘27.2.2’ (valores a serem pagos), os esclarecimentos são os mesmos apresentados em
resposta à oitiva. Finalizam informando o que segue abaixo. A íntegra consta da peça 27, p. 3-4:
‘(...)
O respectivo percentual de desconto será aplicado conforme os preços efetivamente pagos,
ou seja, aqueles à vista praticados na bomba.
Como já mencionado acima, os valores a vista praticados na bomba, podem variar ao longo da
execução do contrato, sendo necessário considerar tal variação na previsão de pagamento, que está
contida na cláusula Sexta do Contrato (grifo nosso):
‘6. CLÁUSULA SEXTA – REAJUSTE’
‘6.1. Os valores dos combustíveis serão aqueles praticados na bomba, admitindo-se reajustes quando
alterado pelo mercado, tendo como referência os preços médios apurados e divulgados pela ANP.’
(grifo no original)
Ressalta-se que o trecho final acima grifado, visa impedir que por quaisquer motivos, sejam cobrados
valores que não estejam dentro dos considerados factíveis, utilizando-se como referência futura para
tal os valores médios divulgados pela ANP.
(...)’
18. Em relação ao ‘27.3’, os signatários tornam a declarar que o contrato não foi assinado, e fazem
referência à cláusula 5.1 do mesmo, que define que a forma de pagamento está prevista no edital e seus
anexos, conforme os parâmetros informados na resposta ao item anterior (ver peça 27, p. 3-4). O termo de
contrato mencionado consta da peça 27, p. 5-9.
Análise
19. Diante dos esclarecimentos apresentados, observa-se que a unidade jurisdicionada apresentou
informações semelhantes às encaminhadas em atendimento à oitiva, esclarecendo os pontos solicitados.
Portanto, conclui-se que descabe atuação do TCU em relação às questões apresentadas em atendimento à
diligência.

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20. Consoante o art. 276 do Regimento Interno/TCU, o Relator poderá, em caso de urgência, de fundado
receio de grave lesão ao Erário, ao interesse público, ou de risco de ineficácia da decisão de mérito, de ofício
ou mediante provocação, adotar medida cautelar, determinando a suspensão do procedimento impugnado, até
que o Tribunal julgue o mérito da questão. Tal providência deverá ser adotada quando presentes os
pressupostos do fumus boni iuris e do periculum in mora.
21. Analisando as informações prestadas pela Superintendência de Polícia Federal no Rio de Janeiro –
SF/PF/RJ, verifica-se que não há, nos autos, os pressupostos acima mencionados, tendo em conta que o
contrato decorrente do pregão eletrônico 5/2017 aguarda decisão do TCU sobre o presente processo para ser
assinado conforme informação apresentada em atendimento à oitiva.
22. Ademais, verifica-se que as questões que originaram a oitiva foram esclarecidas nas análises
constantes dos parágrafos 5-20.
CONCLUSÃO
23. O documento constante da peça 1 deve ser conhecido como representação, por preencher os requisitos
previstos nos arts. 235 e 237, inciso VII, do Regimento Interno/TCU, c/c o art. 113, § 1º, da Lei 8.666/1993,
e no art. 103, § 1º, da Resolução – TCU 259/2014.
24. No que tange ao requerimento de medida cautelar, entende-se que este não deve ser acolhido, por não
estarem presentes nos autos os requisitos do fumus boni iuris e do periculum in mora.
25. Com base nas informações constantes neste processo e nos esclarecimentos apresentados pela unidade
jurisdicionada, as questões que originaram a oitiva restaram esclarecidas. No que concerne à alteração do
edital sem a devida abertura de novo prazo, observou-se que o aviso da alteração do edital foi publicado no
sistema Comprasnet uma semana antes da sessão do pregão eletrônico (peça 30, p. 1). Não houve
desclassificação de licitante, bem como impugnação de edital em razão da não republicação do mesmo (peça
30, p. 2-14). Além disso, o certame resultou em proposta de preço vantajosa para a unidade jurisdicionada,
não se observando prejuízo. Portanto, no contexto desse processo, ouvir em audiência os responsáveis, com
possibilidade de aplicação de sanção, seria medida de rigor excessivo diante das atenuantes observadas.
Assim, no caso presente, conclui-se que a unidade seja cientificada de que as irregularidades verificadas na
condução do pregão eletrônico 5/2017 são conflitantes com o estabelecido no art. 21, § 4º, da Lei
8.666/1993, e o entendimento jurisprudencial desta Corte expresso no Acórdão 2.179/2011-TCU-Plenário,
relatado pelo Ministro Weder de Oliveira, com vistas a evitar ocorrências semelhantes em futuros certames.
26. Em relação ao item ‘b’ da oitiva (questões que envolvem o pagamento de combustíveis e o reajuste), a
presente instrução considera que as mesmas foram esclarecidas, conforme descrito nos parágrafos 13-18.
27. Do exposto, conclui-se pela improcedência do pedido de adoção de medida cautelar como, também, a
proposição de procedência parcial do mérito, e que a unidade jurisdicionada seja cientificada das
irregularidades verificadas.
PROPOSTA DE ENCAMINHAMENTO
28. Ante todo o exposto, submetem-se os autos à consideração superior, propondo:
a) conhecer da presente representação, satisfeitos os requisitos de admissibilidade previstos nos arts.
235 e 237, inciso VII, do Regimento Interno deste Tribunal, c/c o art. 113, § 1º, da Lei 8.666/1993 e no art.
103, § 1º da Resolução – TCU 259/2014, para, no mérito, considerá-la parcialmente procedente;
b) indeferir o requerimento de medida cautelar formulado pela empresa Prime Consultoria e
Assessoria Empresarial Ltda. (CNPJ 05.340.639/0001-30), tendo em vista a inexistência dos pressupostos
necessários para adoção da referida medida;
c) dar ciência à Superintendência Regional de Polícia Federal no Estado do Rio de Janeiro (SR/PF/RJ)
do Departamento de Polícia Federal sobre à seguinte irregularidade verificada na condução do pregão
eletrônico 5/2017:
c.1) supressão de exigências de qualificação econômico-financeira do edital e outras alterações sem a
republicação do instrumento convocatório e nova contagem de prazo, em afronta ao art. 21, § 4º, da Lei
8.666/1993, e ao entendimento jurisprudencial desta Corte (Acórdão 2.179/2011-Plenário-TCU, relatado
pelo Ministro Weder de Oliveira, conforme Informativo de Licitações e Contratos 76/2011);
d) comunicar a decisão que vier a ser adotada à representante, à Superintendência Regional de Polícia
Federal no Estado do Rio de Janeiro (SR/PF/RJ) do Departamento de Polícia Federal e à SecexDefesa,
unidade técnica detentora do órgão jurisdicionado em sua clientela, destacando-se, àqueles destinatários
externos, que o relatório e o voto que fundamentam a deliberação ora encaminhada podem ser acessados por

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meio do endereço eletrônico www.tcu.gov.br/acordaos e que, caso tenham interesse, o Tribunal pode
encaminhar-lhes cópia desses documentos sem quaisquer custos;
e) arquivar os presentes autos, nos termos do art. 237, parágrafo único, c/c o art. 250, inciso I, do
Regimento Interno/TCU.”
É o relatório.

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VOTO

Trata-se de representação da Prime Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. sobre


supostas irregularidades cometidas pela Superintendência Regional de Polícia Federal no Estado do
Rio de Janeiro – SR/PF/RJ na condução do pregão eletrônico 5/2017, cujo objeto foi a contratação de
serviços continuados de administração, gerenciamento e controle de aquisição de combustíveis, com
valor estimado de R$ 1.667.812,00.
2. O representante insurgiu-se por entender que o edital do aludido pregão teria apresentado
exigências indevidas, capazes de restringir a competitividade do certame.
3. Em breve síntese, afirmou que houve:
a) exigência irregular de qualificação econômico-financeira;
b) limitação de preço ao apresentado pela média divulgada pela Agência Nacional do
Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis - ANP para cada município; e
c) proibição de diferenciação de preços praticados pelos postos de acordo com a forma de
pagamento, contrariamente à legislação vigente.
4. Em razão disso, pleiteou a suspensão cautelar do certame e a análise das supostas
irregularidades.
5. Em seu exame preliminar (peças 17/18), a Secretaria de Controle Externo no Estado do
Rio de Janeiro - Secex/RJ informou ter sido o edital alterado e não haverem persistido as
impropriedades apontadas.
6. Por outro lado, considerou presentes duas outras irregularidades.
7. A primeira estaria caracterizada pela não republicação do edital com reabertura de prazo
após as alterações procedidas, em especial a concernente à supressão de exigências de qualificação
econômico-financeira. Tais alterações poderiam atrair outros licitantes e aumentar a competitividade
do certame.
8. A segunda consistiria na aparente ambiguidade do edital quanto ao critério de pagamento,
pois ora afirmava que o desconto seria aplicado sobre o preço nas bombas dos postos, ora afirmava que
o seria sobre o preço médio divulgado pela ANP.
9. Propôs a unidade técnica, ao final de sua análise preliminar, e ante a presença do perigo da
demora ao reverso, dado o iminente encerramento do contrato em vigor, fosse negado o pedido de
cautelar e lhe devolvidos os autos para realização de diligências e oitivas.
10. Por meio de despacho (peça 19), anuí no essencial à proposta da Secex/RJ e autorizei a
realização das medidas saneadoras.
11. Em nova instrução transcrita no relatório que precedeu este voto, a unidade técnica
considerou esclarecidas as questões suscitadas, à exceção da referente à alteração do edital sem a
devida abertura de novo prazo. Porém, por entender que (i) a alteração do edital foi publicada no
sistema Comprasnet uma semana antes da sessão do pregão eletrônico, (ii) não houve desclassificação
de licitante, bem como impugnação de edital em razão de sua não republicação e (iii) o certame
resultou em proposta de preço vantajosa para a unidade jurisdicionada, concluiu que ouvir em
audiência os responsáveis, com possibilidade de aplicação de sanção, seria medida de rigor excessivo.
12. Ao final, a unidade técnica propôs que a representação seja conhecida e considerada
parcialmente procedente e que seja dada ciência da irregularidade remanescente à SR/PF/RJ.
13. A representação merece ser conhecida, uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade,
nos termos dos artigos 235 e 237, inciso VII e parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal
c/c o art. 113, § 1º, da Lei 8.666/1993.
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14. Concordo com as conclusões da Secex/RJ.


15. De fato, ao expurgar de edital exigência potencialmente restritiva, o pregoeiro deve reabrir
o prazo do certame porque novos interessados podem surgir e não ter tempo hábil para elaborar suas
propostas.
16. No caso em exame, no entanto, considero que o procedimento adotado pela SR/PF/RJ não
provocou consequências danosas. O objeto do certame envolveu apenas gerenciamento e fornecimento
de combustíveis, e a alteração do edital foi comunicada com uma semana de antecedência, prazo
suficiente para novos interessados acorrerem ao certame. O mesmo não aconteceria se o objeto fosse
complexo, incomum ou envolvesse grande quantidade de itens.
17. É suficiente, portanto, dar ciência ao gestor da falha observada.
Ante o exposto, acolho a proposta da unidade técnica e voto por que o Tribunal adote o
acórdão que submeto à consideração do Colegiado.

TCU, Sala das Sessões, em 6 de março de 2018.

ANA ARRAES
Relatora

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ACÓRDÃO Nº 889/2018 – TCU – 2ª Câmara

1. Processo TC 034.246/2017-7
2. Grupo I – Classe VI – Representação.
3. Representante: Prime Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. (CNPJ 05.340.639/0001-30).
4. Unidade: Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal no Estado do Rio de
Janeiro - SR/PF/RJ.
5. Relatora: ministra Ana Arraes.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo no Estado do Rio de Janeiro - Secex/RJ.
8. Representação legal: Anselmo da Silva Ribas (OAB-SP 193.321).

9. Acórdão:
VISTA, relatada e discutida esta representação da Prime Consultoria e Assessoria
Empresarial Ltda. sobre supostas irregularidades cometidas pela Superintendência Regional de Polícia
Federal no Estado do Rio de Janeiro - SR/PF/RJ na condução do pregão eletrônico 5/2017, cujo objeto
foi a contratação de serviços continuados de administração, gerenciamento e controle de aquisição de
combustíveis.
ACORDAM os ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão da 2ª
Câmara, ante as razões expostas pela relatora e com base no art. 237, inciso VII, do Regimento Interno
c/c o art. 113, § 1º, da Lei 8.666/1993, em:
9.1. conhecer da representação e considerá-la parcialmente procedente;
9.2. indeferir o pedido de medida cautelar da Prime Consultoria e Assessoria Empresarial
Ltda.;
9.3. dar ciência à SR/PF/RJ de que é irregular a supressão de exigências editalícias sem
republicação do instrumento convocatório com nova contagem de prazo;
9.4. comunicar esta deliberação à representante, à SR/PF/RJ e à Secretaria de Controle
Externo da Defesa Nacional e da Segurança Pública;
9.5. arquivar os autos.

10. Ata n° 6/2018 – 2ª Câmara.


11. Data da Sessão: 6/3/2018 – Ordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0889-06/18-2.
13. Especificação do quorum:
13.1. Ministros presentes: José Múcio Monteiro (Presidente), Augusto Nardes e Ana Arraes (Relatora).
13.2. Ministro-Substituto convocado: André Luís de Carvalho.

(Assinado Eletronicamente) (Assinado Eletronicamente)


JOSÉ MÚCIO MONTEIRO ANA ARRAES
Presidente Relatora

Fui presente:

(Assinado Eletronicamente)
PAULO SOARES BUGARIN
Subprocurador-Geral
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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 034.246/2017-7

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