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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES / AVM

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O DESENHO INFANTIL COMO FONTE DE AVALIAÇÃO
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PSICOPEDAGÓGICA
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MARCELLE FULOP
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ORIENTADOR:
TO

Prof.SOLANGE MONTEIRO
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CU

Rio de Janeiro
DO

2017
2

UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES / AVM


PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

O DESENHO INFANTIL COMO FONTE DE AVALIAÇÃO


PSICOPEDAGÓGICA

Apresentação de monografia à AVM como requisito


parcial para obtenção do grau de especialista em
Psicopedagogia Institucional.
Por: Marcelle Fulop

Rio de Janeiro
2017
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RESUMO

O presente trabalho consiste em como avaliar o desenho da criança


na visão psicopedagógica. Dessa forma o trabalho monográfico foi organizado
em três capítulos.

No primeiro capítulo falaremos sobre a história da Psicopedagogia


no Brasil para entendermos como surgiu a psicopedagogia, o seu papel hoje no
Brasil e a sua regulamentação.

Já no segundo capítulo foi o Desenho Infantil mostrando o modo


como à criança se comunica com o mundo abordando as etapas do desenho e
o símbolo, pois dessa forma teremos o desenho num todo e a importância dele
para a escrita, pois o desenho nessa fase da Educação Infantil é a primeira
forma de escrita dela com o mundo.

E fecharemos com o terceiro capítulo nos dando subsídio para


entendermos o que a criança passa e vivência. No desenho a criança expressa
seus sentimentos de tristeza, frustações, alegrias e até um constrangimento
dentro da escola ou em casa, ou seja, dentro do seu convívio social. Nesse
pensamento de análise do desenho para entendermos a criança abordamos o
formato do desenho, as cores que se utiliza e que desenho se faz no momento
e de que forma ele se estabelece no papel.

Foi organizado dessa forma a fim de ajudar o professor nessa difícil


missão e prazerosa de analisarmos o desenho, as nossas crianças e a família
que ela pertence.
8

INTRODUÇÃO

O desenho representa a primeira escrita da criança na Educação


Infantil e valorizar essa escrita é muito importante para que nós professores
possamos entender e avaliar com clareza nossas crianças.

O desenho fala de tudo que envolve a criança e dessa forma


podemos através desse objeto de estudo diagnosticar o que se passa com
aquela criança naquele momento ou perceber o que vem acontecendo.

A psicopedagogia vem de encontro ao desenho e devemos utilizá-lo


como fonte de avaliação, pois no desenho estão envolvidos pensamentos e
sentimentos. E quando se desenha a criança expõe seu mundo interior, seus
conflitos, descoberta, alegrias...

Como avaliar o desenho da criança na visão psicopedagógica¿ Foi a


partir desse questionamento que deu origem o presente trabalho monográfico.

O desenho será avaliado através do que a criança expõe no papel,


do modo como desenha cada personagem, objeto, traçado..., pois o desenho
pode significar uma comunicação com o mundo exterior.

Dessa forma iremos relatar o desenho no desenvolvimento da


criança, através da escrita, descrever o papel o papel da psicopedagogia
dentro do desenho na Educação Infantil e avaliar o desenho numa perspectiva
psicopedagógica.

O interesse por esse estudo, o desenho infantil como fonte de


avaliação psicopedagógica, surge pela forma como as crianças se comunicam
através dessa primeira forma de escrita. E o desenho é uma das forma de se
avaliar psicopedagogicamente uma criança na Educação Infantil, pois ele é a
representação gráfica para o acompanhamento e a compreensão da criança.
11

causas que interferem no processo de aprendizagem que seria o processo


didático-metodológicos e a dinâmica institucional.

De acordo com esse parâmetro sobre o trabalho preventivo,


podemos nos atentar para a alfabetização, onde o psicopedagogo entrará
nesse nível diminuindo a frequência dos problemas de aprendizagem ou até
mesmo encontrando meios de eliminá-los.

No trabalho clínico o sujeito estudando outros sujeitos, por isso o


psicopedagogo precisa se reconhecer dentro de sua subjetividade para poder
entender o outro, como sujeito, por completo tanto na sua vida pessoal como
na sua vida escolar tentando entender como produz conhecimento e aprende.

A Psicopedagogia não consegue absorver e embasar seu objeto de


estudos somente na Pedagogia e na Psicologia. De acordo com Jorge Visca
(1987,) ela precisa das contribuições das escolas psicanalítica, piagetiana e da
psicologia de Enrique Pichon-Revière. (p.39)

Dessa forma o psicopedagogo pode embasar a sua prática para


analisar um aluno com dificuldade de aprendizado através das diversas
contribuições que estão envolvidas à Psicopedagogia e na condição pessoal do
psicopedagogo, a qual vem sua formação e da suas experiências de análise.

Essas contribuições são: Psicologia Genética, Psicologia Social, na


Psicolinguística...

O Psicopedagogo ensina como aprender e para que isso ocorra


precisa apreender o aprender e a aprendizagem, isso caracteriza a
Psicopedagogia como uma área onde o psicológico atua junto com o
educacional.

Assim Janine Mery (1985,) afirma que o psicopedagogo sempre terá


essa dupla polaridade no seu papel. Realizará tarefas de pedagogo sem perder
a visão terapêutica seja qual tenha sido sua formação. Isso determinará seu
papel perante a criança e a família e também perante a equipe escolar. (p.50)
14

E não se pode confundir o trabalho do psicopedagogo com o


psicanalista e a sua prática e também não se pode confundir com uma prática
que afirme o sujeito como uma única face.

Piaget:

que o estudo do sujeito ”epistémico” se refere à coordenação


geral das ações (reunir, ordenar, etc) construtivas da lógica, e
não ao sujeito “individual”, que se refere as ações próprias e
diferenciadas de cada individuo considerado à
parte.(PIAGET,1970, p.116)

A atuação do profissional de psicopedagogia é caracterizada pelo


processo de aprendizagem, os fatores que interferem nesse processo e os
objetivos tanto psicanalíticos como ao epistemológico. E essa aprendizagem
nos leva a vermos o homem como sujeito ativo dessa aprendizagem através
da interação com o físico e o social.

O trabalho psicopedagógico vem compreendendo o sujeito frente a


uma aprendizagem individual ou em grupo. E cada situação analisada tem
uma forma de atuação por causa da problemática que é individualizada.

A psicopedagogia na instituição tem a prática voltada para a clínica,


pois o psicopedagogo procura formas para se produzir a aprendizagem,
identificando os obstáculos e os elementos que ajudam a produzir essa
aprendizagem de forma preventiva.

E quando se previne um problema pode acabar prevenindo outros,


por isso que o trabalho clínico se torna preventivo e vice e versa a
Psicopedagogia preventiva também é considerada clínica ao se observar e
analisar profundamente a situação concreta de cada caso.

Tanto na clínica como na instituição devemos considerar a família, a


escola, a comunidade, ou seja, a vida do sujeito.
17

1.3. O tratamento Psicopedagógico

Quando tratamos o sujeito através da Psicanálise com problemas


de aprendizagem damos ênfase ao caráter do sujeito aceitando que o mesmo
interfere nos processos mentais e na aprendizagem.

Certa intervenção que se faz em um determinado sujeito pode não


surti efeito terapêutico, mas pode ter efeito a outro mesmo tendo ido ao
tratamento pelo mesmo problema.

Esse problema pode ser em relação à leitura – escrita onde a


criança não aprende por motivos intelectuais podendo estar associado a
privação cultura, a um ambiente sem estímulos. E também pode não aprender
por causa de conflitos edipiano onde a criança não consegue sujeitar – se as
regras e normas.

Dessa forma é a partir do sintoma que o psicopedagogo vai pensar


em como tratar o caso sendo cada caso utilizado uma intervenção diferente,
usando duas etapas o diagnóstico e o tratamento.

Quando a criança passa pelo atendimento psicopedagógico já


passou por um grande período com os professores particulares. Uns
conseguem ter eficácia e a problemática da aprendizagem é sanada, mas tem
uns que não se encaixam nesse perfil.

Por isso não devemos negar as crianças que por algum motivo não
conseguem seguir o fluxo normal da aprendizagem.

Winnicott (1975,) afirma que para sanar os problemas da


aprendizagem podemos utilizar jogos. Os jogos rompem defesas, ajuda a
criança a reviver seus conflitos sendo o espaço da criação. (p.174)

Na neurose fóbica nas crianças obsessivas e na histeria pode ser


trabalhado o jogo em relação à aprendizagem e na visão psicopedagógica o
terapeuta é o elemento do jogo e ele deve jogar o jogo da criança, sem
esquecer o seu papel com a aprendizagem.
20

CAPÍTULO II
O DESENHO INFANTIL

O desenho tem uma linguagem bem antiga. O homem pré-histórico


já se desenhava. Desenhavam nas cavernas e desse modo podia-se entender
seu modo de viver e como de geração em geração era passado o
conhecimento.

Tanto para as crianças como para os povos primitivos o desenho é


um modo de expressar seus sentimentos, alegrias, tristezas, fantasias...

Moreira apud Rabello (2009) afirma que os desenhos vão se


modificando à medida que a criança vai crescendo e esse desenho não é igual
nas crianças, Cada uma desenha de acordo com sua influência biológica,
social, econômica e cultural e também de acordo com a suas características
individuais.

As primeiras produções gráficas são do final do século XX e estão


embasadas nas concepções psicológicas e estéticas. E as crianças eram
consideradas adultos em miniaturas.

Depois de um certo tempo a concepção das produções infantis teve


um outro olhar, pois se descobre a originalidade da infância através da ação e
da evolução dessas produções.

O arteterapeuta será o mediador no processo de interpretação dos


desenhos nas crianças fazendo com que os pais e educadores entendam o
que significa cada parte no desenho para assim conhecer melhor a criança.

Assim a arteterapia nos ajuda a captar o que tem no interior de cada


desenho analisando-os de forma correta e que nem tudo tem seu simbolismo e
isso nos ajuda como arteterapeutas a mostrar para professores e
coordenadores como age e pensa as crianças
23

Seus desenhos são feitos no centro da folha ou em algumas


extremidades e só com o tempo vão utilizando outros lugares da folha através
dos desenhos figurativos.

Derdyk afirma:

O desenho enquanto ação realizada pela criança transita


entre o passado, o presente e o futuro, há uma interação
entre estes momentos, pois a criança desenha no
momento presente e poderá fazê-lo buscando colocar na
folha algo que está em sua memória ou usar de sua
imaginação (DERDYK, 2004, p.45)

Na fase dos dois anos à três anos já se tem a percepção do seu


próprio corpo e faz vínculos de maneira sensorial com o mundo.

Junto com os rabiscos temos agora formas circulares que na


Arteterapia simboliza o centro, a interação... tendo significados diferentes em
cada sociedade.

Mèredieu (1974) afirma que as crianças fazem traços contínuos


depois traços descontínuos utilizando o desenho para se expressar com o
mundo e as pessoas e mais adiante “bonecos girinos” e aos poucos vai dando
outro formato ao desenho a partir do novo olhar que se tem do seu esquema
corporal. (p.51)

Por volta dos três aos quatros anos que as crianças conseguem
produzir bem seus bonecos girinos. Já com cinco e seis anos desenham os
bonecos com cabeça e corpo.

2.1. Os desenhos e suas etapas

A cultura provavelmente influencia o desenho. Toda criança viverá


praticamente as mesmas etapas.

Segundo Marthe Berson apud Rabello as etapas do desenho


acontecem mais ou menos com dois anos de idade.
26

Pseudo-naturalismo: Abrange dos 10 em diante, fase das operações


abstratas onde a criança não faz mais suas produções espontaneamente
começa a buscar a sua personalidade. São exageradas nas figuras humanas
as características sexuais.

Já para Vygostsky apud Rabello o desenho passa pelas seguintes


etapas:

Etapas simbólicas: É conhecida como “cabeça-pés” que representa


sintaticamente a figura humana. Nessa fase as crianças desenham objetos “de
memória” sem se preocupar com a realidade representando simbolicamente os
objetos sendo muito distante da realidade.

Etapas simbólico-formalista: Já se percebe a elaboração mais definida


dos traçados e formas em sus produções. Junta nessa fase o simbolismo com
o formalista. Ainda estão bem enraizado no simbolismo só que aos poucos
começa a aparecer os desenhos mais próximos da realidade.

Etapa formalista veraz: Aqui o simbolismo acaba dando espaço à


realidade que se observa do objeto. Só que ainda não utiliza técnica-projetivas.

Etapas formalista plástica: Nessa etapa já se faz uso das técnicas-


projetivas e das convenções realista. O grafismo passa a ser criativo.

2.2. Símbolos

O desenho é uma representação simbólica e apresenta significados


a partir do contexto de quem os desenhou e dessa forma precisamos saber um
pouco da história da pessoa que desenhou par “interpretarmos” de forma mais
correta.

Não se avalia uma criança e “interpreta” o desenho através de um


único desenho, pois assim não se tem dados confiáveis sobre o desenho e
quem desenhou.

Jung defende que:


29

Área inferior: Modo de ver a vida pelo lado da materialidade ou


inconsciente. Estando do lado esquerdo pode ser medo, no meio insegurança e
no direito desejo.

Piaget estabelece três fases por onde passam as crianças em


relação ao espaço gráfico.

Incapacidade sintética: Apresentam formas com diferenciação. Não há


uma elaboração do desenho e pode ou não apresentar relação entre a figura
desenhada.

Realismo Intelectual: Idade de quatro a dez anos. Começa a usar


perspectiva precisando ter noção dela e de que como as mudanças ocorrem na
representação.

Realismo Visual: Idade entre oito e nove anos. Se preocupa com a relação
projetiva, relação real sobre as linhas do desenho. Isso origina a verdadeira
perspectiva nos desenhos.

Quando se desenha todo o traçado e a suas formas são importante


e esse traçado nos revela alguns detalhes. Traçados regulares e nítidos nos
aponta uma criança tranquila e segura. Já os traçados irregulares ou frágeis
demonstram crianças inseguras e tímidas.

Dessa forma os traçados nos remetem alguns simbolismos em suas


linhas.

Linhas curvas: Sentimento de alegria e prazer por serem descontraídas e


soltas. Já as quebradas rigidez.

Círculo: Representa a totalidade, ausência de divisão. Linhas sem paradas e


única.

Quadrado: São rígidas e pouco maleáveis. Não surgem de linhas contínuas,


por isso o traçado é mais denso.
32

Para Chevalier e Gheerbrant (1982, p.99) “a casa é o centro do


universo e também considerada símbolo feminino que acolhe, refúgio, proteção
da mãe.”

Quando tem telhado pode significar consciência. Se relacionado com


a figura humana, o telhado é a parte mais alta podendo ser este a cabeça da
figura humana.

Se a casa for apartamento significa, o inconsciente.

Casas grandes: A criança está aberta para o mundo e é acolhedora.

Casas pequenas: A criança não é muito acolhedora, tendo poucos amigos


restringindo-os.

Portas: A passagem do desconhecido para o conhecido, das trevas para a


luz. Casas onde as portas estão fechadas demonstram dificuldades de adquirir
novas experiências Portas abertas busca de novos conhecimentos.

Janelas: Abertas ou fechadas significa que estamos abertos ou fechado para


o mundo. Janelas redondas receptividade de acordo com o nosso olhar para o
mundo. Já janelas quadradas receptividade terrestre.

Chaminés: Chevalier e Gheerbrant (1982, p.102) afirmam que “as chaminés


simbolizam as nossas vias de comunicação com os seres do alto. Ela é a
ligação de dois mundos da terra e do céu.”

Caminhos: Caminhos Tortuosos significa a busca para enfrentar as


dificuldades da vida. Caminhos lineares sabe aonde se quer chegar, sem
rodeios e tranquila.

3.4. As árvores

Pode significar árvore da vida, de bem e do mal. Pode simbolizar a


mãe quando se tem frutos e folhas.
35

Também temos o vínculo escolar que é o aluno e seus colegas. É


muito importante esse vínculo, pois a aprendizagem se dá também pela forma
como a criança se vê no grupo.

Quando o desenho na sua totalidade é grande apresenta uma


aprendizagem boa e quando o tamanho é pequeno a aprendizagem é ruim.

Visca (2013) relaciona o tamanho do aluno em relação aos seus


colegas no desenho analisando da seguinte forma: grande pode ser liderança
ou aceitação do ponto de vista dos outros, pequeno pode ser submissão e
tamanho igual demonstra que está pé de igualdade com seus colegas.

O último vínculo escolar é o desenho da planta da sala de aula. Se a


criança desenhar a sala de aula pequena pode representar uma inibição,
tamanho desmedido falta de limites adequados. Os elementos incluídos no
desenho demonstram que é um vínculo positivo e os excluídos que não se
estabeleceu vínculos.

Quando o aluno está na frente conexão adequada e participação


efetiva. Nos fundos e nas laterais na maioria das vezes retração com tendência
a participação não efetiva. E no meio indica vínculo mediano. Jorge Visca
(2013)

3.6.2. Vínculos Familiares

Sua aprendizagem pode ser comprometida pelo que a


criança vivência em casa e se a família tem uma boa estrutura a
aprendizagem não será comprometida e favorecerá mais
aprendizagem.

E a sua identidade e o modo de ver o mundo será


construída pela vivência, ou seja, o convívio familiar, através dos
valores.
38

CONCLUSÃO

O desenho Infantil é a porta de entrada para que se entenda dentro


da escola a criança da Educação Infantil. Através do desenho a criança
expressa seus medos, frustações, alegria, ou seja, ela coloca no desenho
todos os seus sentimentos sendo também a primeira forma de escrita de se
comunicar com o mundo.

E para que a análise seja bem feita o Psicopedagogo deve se


aproximar da família e fazer uma investigação de como organiza-se essa
família, como ela lida com certos problemas, o modo de viver para
entendermos de onde veem certos problemas que a criança apresenta na
escola.

E também analisarmos o desenho da criança da forma como ele é


desenhado no papel, as cores que se utiliza, o tipo de desenho, formas etc.
Não devemos deixar nada de lado no desenho e para que seja feito o
diagnóstico de algo deve-se analisar se aquele comportamento no desenho se
procede por várias vezes. Para isso a análise deve ser minunciosa e criteriosa
juntando o que é decorrente na sala de aula com o que se passa em casa.

Dessa forma o Psicopedagogo deve sempre participar da vida


daquele aluno que possa ter algo de forma sutil e carinhosa para que consiga
resgatar no aluno algo que o desenho não expressa ou tentar entender um
pouco mais aquele tipo desenho.
41

WEBGRAFIA

acaoescolar.blogspot.com.br\2008\01\evolutiva-do-grafismo-infantil-
segundo.html, acessado 1\07\2017

pedagogiastephania.blogspot.com.br\2014\11\o-desenho-infantil-como-
instrumento.html, acessado 12\07\2017

psicopceara.com.br\wp-content\uploads\2012\12\oficina-01_-Avaliação-
Pedagógica-e-Desenho-Infantil.pdf , acessado 12\07\2017

www.salesiano.edu.br\simposio2015\publicado\artigo0100.pdf, acessado dia


1\07\2017

www.unifafibe.com.br\revistasonline\arquivos\cadernodeeducaçao\sumario\40\3
0042016104546.pdf, acessado 1\07\2017
16

1.2. A Psicopedagogia Clínica

O psicopedagogo na clínica vem tentar entender como esse sujeito


aprende e pode aprender ao invés de entender só o porquê o sujeito não
aprende. Isso pode se dar em hospitais ou em consultório através da realidade
desse sujeito para então haver a intervenção ou o encaminhamento.

O diagnóstico tanto clínico como institucional é importante para o


terapeuta.

Alícia Fernandez fala:

Que o diagnóstico para o terapeuta, deve ter a mesma função


que a rede para um equilibrista: “o equilibrista desta metáfora é
o terapeuta, que necessita do diagnóstico para diminuir seu
temor ao caminhar.” (FERNANDEZ, 1990, p.150)
A postura na clínica psicopedagógica varia de profissional para
profissional e do seu embasamento teórico, pois cada caso é um caso, mas
mesmo com esse olhar diferenciado que cada psicopedagogo terá frente ao
caso, não podemos deixar de lado o Código de Ética do Psicopedagogo que
irá assegurar os princípios da ABPp.

O trabalho clínico tem duas fases: a fase do diagnóstico e a fase da


intervenção, mas o que prevalece é a investigação onde o profissional procura
sentido e entender o sujeito que foi encaminhado a ele e dessa forma utilizar a
maneira mais correta para levar a diante o caso e o momento em que levou à
criança a ter problemas de aprendizagem.

De acordo com cada profissional pode-se embasar o diagnóstico


clínico, além das entrevistas e anamnese através de provas psicomotoras,
provas de linguagem, de nível mental, pedagógicas etc.

A postura clínica parte de um olhar e uma escuta. Isso vem da


observação através de um relato dos membros da escola e da família, através
do decorrer de uma entrevista com o próprio sujeito, da produção do sujeito
acompanhando até o final do processo.
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1.3. O tratamento Psicopedagógico

Quando tratamos o sujeito através da Psicanálise com problemas


de aprendizagem damos ênfase ao caráter do sujeito aceitando que o mesmo
interfere nos processos mentais e na aprendizagem.

Certa intervenção que se faz em um determinado sujeito pode não


surti efeito terapêutico, mas pode ter efeito a outro mesmo tendo ido ao
tratamento pelo mesmo problema.

Esse problema pode ser em relação à leitura – escrita onde a


criança não aprende por motivos intelectuais podendo estar associado a
privação cultura, a um ambiente sem estímulos. E também pode não aprender
por causa de conflitos edipiano onde a criança não consegue sujeitar – se as
regras e normas.

Dessa forma é a partir do sintoma que o psicopedagogo vai pensar


em como tratar o caso sendo cada caso utilizado uma intervenção diferente,
usando duas etapas o diagnóstico e o tratamento.

Quando a criança passa pelo atendimento psicopedagógico já


passou por um grande período com os professores particulares. Uns
conseguem ter eficácia e a problemática da aprendizagem é sanada, mas tem
uns que não se encaixam nesse perfil.

Por isso não devemos negar as crianças que por algum motivo não
conseguem seguir o fluxo normal da aprendizagem.

Winnicott (1975,) afirma que para sanar os problemas da


aprendizagem podemos utilizar jogos. Os jogos rompem defesas, ajuda a
criança a reviver seus conflitos sendo o espaço da criação. (p.174)

Na neurose fóbica nas crianças obsessivas e na histeria pode ser


trabalhado o jogo em relação à aprendizagem e na visão psicopedagógica o
terapeuta é o elemento do jogo e ele deve jogar o jogo da criança, sem
esquecer o seu papel com a aprendizagem.
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1.4. O curso de especialização em Psicopedagogia e suas


dificuldades perante ao sujeito e a sua aprendizagem

Essa aprendizagem humana tem postura investigativa, integradora


por tratar da vida do homem.

É nos cursos de especialização que os psicopedagogos vêm


buscando fundamentação teórica para a sua prática, pois não tem direito a
utilizar testes psicológicos.

A Capes é o órgão do MEC que assegura as práticas da pós-


graduação em Psicopedagogia. E quando a Psicopedagogia mostra seus
direitos de existir, ela já passa existir.

E Coll (1989,) enfatiza a dificuldade de se ter um objeto de estudo


para a Psicopedagogia que acaba indo para outras disciplinas utilizando seus
conhecimentos, e difícil também de articular todos esses conhecimentos sem
perder o objeto central da Psicopedagogia. (p.193)

O sujeito – objeto da Psicopedagogia é o ser humano dentro da


aprendizagem e tudo que ocorre em torno dessa aprendizagem através da
prevenção, diagnóstico e o tratamento das dificuldades que a criança tem no
âmbito escolar em relação à aprendizagem.

Dentro dessas dificuldades de aprendizagem temos: problemas de


aprendizagem escolar, distúrbios de aprendizagem escolar, problemas
específicos de aprendizagem, déficit de atenção, transtorno na leitura e escrita,
dislexia etc.

E através dessas dificuldades, temos que avaliar a escola, o seu


papel, e também avaliar a vida do sujeito que pode atrapalhar a aprendizagem
escolar, assim resgatamos o sujeito em sua autonomia trazendo-o de volta a
realidade escolar.
19

Bleger (1984, p.216) chama de aprendizagem “esse processo pelo


qual a conduta modifica-se de maneira estável à raiz das experiências do
sujeito.”

Na vontade de querer entender o aprender, nas últimas décadas,


foram integrando os fundamentos da Psicologia Genética com os aspectos da
afetividade humana.

A aprendizagem escolar só acontece no período de maturação do


sistema nervoso havendo um ajuntamento de toda personalidade nessas
novas estruturas nervosas superiores.

Consequentemente o olhar para cada caso na hora da avaliação


das interpretações é a utilidade, por isso não há uma interpretação que seja
correta, vai depender do caso.
20

CAPÍTULO II
O DESENHO INFANTIL

O desenho tem uma linguagem bem antiga. O homem pré-histórico


já se desenhava. Desenhavam nas cavernas e desse modo podia-se entender
seu modo de viver e como de geração em geração era passado o
conhecimento.

Tanto para as crianças como para os povos primitivos o desenho é


um modo de expressar seus sentimentos, alegrias, tristezas, fantasias...

Moreira apud Rabello (2009) afirma que os desenhos vão se


modificando à medida que a criança vai crescendo e esse desenho não é igual
nas crianças, Cada uma desenha de acordo com sua influência biológica,
social, econômica e cultural e também de acordo com a suas características
individuais.

As primeiras produções gráficas são do final do século XX e estão


embasadas nas concepções psicológicas e estéticas. E as crianças eram
consideradas adultos em miniaturas.

Depois de um certo tempo a concepção das produções infantis teve


um outro olhar, pois se descobre a originalidade da infância através da ação e
da evolução dessas produções.

O arteterapeuta será o mediador no processo de interpretação dos


desenhos nas crianças fazendo com que os pais e educadores entendam o
que significa cada parte no desenho para assim conhecer melhor a criança.

Assim a arteterapia nos ajuda a captar o que tem no interior de cada


desenho analisando-os de forma correta e que nem tudo tem seu simbolismo e
isso nos ajuda como arteterapeutas a mostrar para professores e
coordenadores como age e pensa as crianças
21

Quando formos analisar o desenho nada deve ser deixado de lado,


somente a estética, pois o que nos interessa é a mensagem e o simbolismo.

A criança quando desenha transporta para o papel imagens mentais,


ou seja, sua imaginação. Até mesmo as garatujas já se veem pessoas e
objetos, Aqui começa algumas representações.

Cada desenho é único, por isso devemos conceituá-lo dessa forma,


pois quem desenha tem seu próprio traçado e uma forma única de se
comunicar usando símbolos, imagens e signos e assim podemos perceber que
na maioria das vezes tem uma história a passar, a nos contar, criando seus
cenários na própria história e transportando para o desenho alegrias, desejos,
tristezas...

Nas garatujas as crianças se comunicam com os outros e os


adultos, assim usa todo seu conhecimento do meio em que vive e se diverte
desenhando e se diverte sozinha, por ser nessa fase egocêntrica.

Quando a criança desenha o adulto vê o traçado e as garatujas


como se fosse a mesma coisa, mas não é. Para quem desenha esse desenho
é único. Assim não devemos incentivar a cópia de nossos desenhos. Temos
que incentivar a criatividade e a liberdade de expressão.

Fayga Ostrower (2004, p.28) afirma que “a criatividade é inerente á


condição humana.”

O arteterapeuta precisa ter um olhar sensível para a análise do


desenho percebendo os traços, os sonhos, o mundo real e social que vive
aquela criança e que cada desenho tem seu simbolismo. Isso ajuda muito na
interpretação.

Segundo Di Leo:

os símbolos são meios de comunicação mais eficazes e


universais, mas é importante ressaltar que os símbolos
não contêm o mesmo significado para diferentes pessoas
assim como não são os mesmos em diferentes momentos
e contexto da nossa vida.(DI LEO.1987. p.30)
22

Na escola o desenho no olhar da arteterapia pode ser preventivo


permitindo a compreensão das necessidades das crianças para que o
arteterapeuta entenda e faça essas necessidades serem vividas de outra
forma.

Os desenhos são registro do estado emocional da criança e Ferreira


(2010) afirma que essa etapa se denomina garatujas ou rabiscação e se
desenvolve a partir de um ano e meio a dois. (p.33)

Dois momentos distintos aparecem quando se começa a fazer


garatujas e rabisco. O primeiro são os gestos que acontecem através do
movimento que a criança faz sem intencionalidade. O segundo, o olhar
consegue controlar o movimento da mão. Aqui já se tem a intencionalidade e
cada traçado difere um do outro trazendo consigo uma mistura de desejo,
conhecimento e através do traçado nos mostra se a criança consegue ou não
utilizar o lápis ou o giz de cera.

As crianças já conseguem perceber que se parar de desenhar


tirando a mão da folha os rabiscos também param e utilizam os desenhos para
representar o que desejam e apropriam desses registros.

E para que aconteça as garatujas e os rabiscos é necessário


considerarmos a maturação neurológica e isso só se desenvolverá quando se
tiver condições favoráveis para realizar alguns movimentos e no desenho, apta
a segurar no lápis corretamente.

É no início da rabiscação que começará aparecer formas


triangulares e circulares.

A partir dos três anos de idade surgem os movimentos circulares.


Assim as crianças começam a perceber que seus rabiscos já tem forma de
bichinhos, de objetos... e já nomeia suas produções e essas produções já
podem ter ações, como pular movimento simbólico.

Nessa fase os papéis para desenhar devem ser grandes e aos


poucos ir diminuindo até chegar na folha sulfite.
23

Seus desenhos são feitos no centro da folha ou em algumas


extremidades e só com o tempo vão utilizando outros lugares da folha através
dos desenhos figurativos.

Derdyk afirma:

O desenho enquanto ação realizada pela criança transita


entre o passado, o presente e o futuro, há uma interação
entre estes momentos, pois a criança desenha no
momento presente e poderá fazê-lo buscando colocar na
folha algo que está em sua memória ou usar de sua
imaginação (DERDYK, 2004, p.45)

Na fase dos dois anos à três anos já se tem a percepção do seu


próprio corpo e faz vínculos de maneira sensorial com o mundo.

Junto com os rabiscos temos agora formas circulares que na


Arteterapia simboliza o centro, a interação... tendo significados diferentes em
cada sociedade.

Mèredieu (1974) afirma que as crianças fazem traços contínuos


depois traços descontínuos utilizando o desenho para se expressar com o
mundo e as pessoas e mais adiante “bonecos girinos” e aos poucos vai dando
outro formato ao desenho a partir do novo olhar que se tem do seu esquema
corporal. (p.51)

Por volta dos três aos quatros anos que as crianças conseguem
produzir bem seus bonecos girinos. Já com cinco e seis anos desenham os
bonecos com cabeça e corpo.

2.1. Os desenhos e suas etapas

A cultura provavelmente influencia o desenho. Toda criança viverá


praticamente as mesmas etapas.

Segundo Marthe Berson apud Rabello as etapas do desenho


acontecem mais ou menos com dois anos de idade.
24

Estágio vegetativo motor: Aqui o traçado é mais autêntico e pessoal


acontecendo por volta de um ano e seis meses onde o traçado apresenta
descargas motoras parecida com as que se tem no rabisco.

Estágio representativo: Surge por volta dos dois a três anos e os


traçados não são descargas motoras são descontínuas e mais lentas as
produções onde a criança reproduz um objeto e faz comentários do desenho.

Estágio comunicativo: Acontece por volta dos três a quatro. Imitam a


produção dos adultos sendo entendida por uma forma de escrever e pode ser
verticais, onduladas ou bicos angulares.

Já Luquet apud Rabello apresenta outras etapas do desenho infantil


que são:

Realismo fortuito: Por volta dos dois anos de idade. Surge depois das
garatujas e rabisco. Reconhece seus desenhos e nomeia-os.

Realismo fracassado: Seus desenhos são baseados em objetos, em


representa-los. Alguns desenhos são satisfatórios outros não.

Realismo intelectual: Acontece por volta dos quatros anos de idade se


estendendo até os dez anos. Desenha os objetos pelo que sabe e não pelo que
vê.

Realismo visual: Aparece por volta doze anos. É no final do desenho


infantil iniciando as produções dos adultos sendo mais critica ao desenhar,
deixando de lado a espontaneidade.

A classe cultural ou social não impende das crianças viverem cada


etapa.

O que vai dizer o porquê ainda está naquela fase ou ainda não
passou será a estimulação. Já as crianças com necessidades educativas
também podem permanecer mais tempo ou não passar por aquela fase.
25

E para Piaget apud Rabello as fases das garatujas se classificam


em:

Garatujas: Fase sensório-motora que vai de zero a dois anos e abrange até
aos sete anos fase pré-operatória. Tem prazer nessa fase e o desenho da
figura humana não existe. A garatuja divide-se em desordena a e ordenada.

Desordenada: A criança nessa fase imita o desenho do outro e acaba não


representando sua ideia. Não tem controle motor e nem limite da folha
avançando para fora da folha o seu desenho. São linhas longitudinais e ao
longo do processo vão ficando circulares até começar a aparecer figuras
humanas com cabeça e olhos.

Ordenada: Coordenação viso-motora com movimentos longitudinais e


circulares. O traçado já é explorado por se interessar pelas formas iniciando o
jogo simbólico onde a criança representa sozinha suas produções nomeando-
as e conta história do que foi desenhado. Usa as cores sem relacionar com a
realidade.

Piaget apud Rabello (1948) ainda define o desenho como:

Estágio pré-esquemático: Vai dos quatros anos até aos sete anos, fase
pré-operatória, onde a criança faz relação com o desenho, pensamento e a
realidade. As cores só serão reais se tiver interesse emocional.

Esquematismo: Vai dos sete anos aos dez anos, fase da operação
concreta. Nessa fase a criança desenha cada objeto de uma forma diferente e
já relaciona a cor com o objeto. Aqui já aparece a figura humana bem
conceitual, mas ainda desenha com exageros, omissão...

Realismo: Final das operações concretas. Consciência sobre o sexo


diferenciando-os nos seus trajes e já abandona as linhas de base para
começar a fazer formas geométricas.
26

Pseudo-naturalismo: Abrange dos 10 em diante, fase das operações


abstratas onde a criança não faz mais suas produções espontaneamente
começa a buscar a sua personalidade. São exageradas nas figuras humanas
as características sexuais.

Já para Vygostsky apud Rabello o desenho passa pelas seguintes


etapas:

Etapas simbólicas: É conhecida como “cabeça-pés” que representa


sintaticamente a figura humana. Nessa fase as crianças desenham objetos “de
memória” sem se preocupar com a realidade representando simbolicamente os
objetos sendo muito distante da realidade.

Etapas simbólico-formalista: Já se percebe a elaboração mais definida


dos traçados e formas em sus produções. Junta nessa fase o simbolismo com
o formalista. Ainda estão bem enraizado no simbolismo só que aos poucos
começa a aparecer os desenhos mais próximos da realidade.

Etapa formalista veraz: Aqui o simbolismo acaba dando espaço à


realidade que se observa do objeto. Só que ainda não utiliza técnica-projetivas.

Etapas formalista plástica: Nessa etapa já se faz uso das técnicas-


projetivas e das convenções realista. O grafismo passa a ser criativo.

2.2. Símbolos

O desenho é uma representação simbólica e apresenta significados


a partir do contexto de quem os desenhou e dessa forma precisamos saber um
pouco da história da pessoa que desenhou par “interpretarmos” de forma mais
correta.

Não se avalia uma criança e “interpreta” o desenho através de um


único desenho, pois assim não se tem dados confiáveis sobre o desenho e
quem desenhou.

Jung defende que:


27

Os símbolos nos mostra aspectos e direções diferentes


daqueles que conseguimos perceber somente com a
mente. Os símbolos, segundo Jung, estão relacionados
com o inconsciente ou com os aspectos parcialmente
conscientes. Estes conteúdos inconscientes nos chegam
por meio da linguagem dos desenhos, dos sonhos e das
pinturas. (JUNG apud Rabello, 2002, p.64)

É importante deixarmos a criança livre para desenhar, pois assim


entendemos a criança, sem invasão.
28

CAPÍTILO III

AVALIAÇÃO DO DESENHO NA PERSCPETIVA DA


PSICOPEDAGOGIA

3.1. Espaços e traçados

Na garatuja se usa os espaços de forma ampla e aleatória e é


utilizada quase toda a folha e ás vezes seu traçado sai da folha.

De acordo com o modo de fazer o desenho, centralizado ou de um


lado ou de outro da folha significa diferentes posturas de vida. No início o
desenho é linear depois já utiliza recursos da emoção ou carinho que tem por
aquele personagem.

Crotti e Magni (2011, p.69) fazem considerações sobre a localização


das figuras na folha, afirmam que” esta forma de interpretar os desenhos
podem ser entendida como “simbolismo espacial” onde cada área do papel tem
um simbolismo.”

De acordo com o local do desenho esse terá um simbolismo uma


forma de ver o mundo, e de se portar nele, seu jeito de ser.

Área superior: Referente ao pensamento ou intelecto e também ao ideal.


Do lado esquerdo desenham algo que remete a recordação, no meio a
imaginação e no lado direito representa sonhos.

Área média: Simboliza a realidade e a maturidade. Se estiver do lado


esquerdo e no meio simbolizam laços de origem, só no meio egocentrismo e no
direito o futuro.
29

Área inferior: Modo de ver a vida pelo lado da materialidade ou


inconsciente. Estando do lado esquerdo pode ser medo, no meio insegurança e
no direito desejo.

Piaget estabelece três fases por onde passam as crianças em


relação ao espaço gráfico.

Incapacidade sintética: Apresentam formas com diferenciação. Não há


uma elaboração do desenho e pode ou não apresentar relação entre a figura
desenhada.

Realismo Intelectual: Idade de quatro a dez anos. Começa a usar


perspectiva precisando ter noção dela e de que como as mudanças ocorrem na
representação.

Realismo Visual: Idade entre oito e nove anos. Se preocupa com a relação
projetiva, relação real sobre as linhas do desenho. Isso origina a verdadeira
perspectiva nos desenhos.

Quando se desenha todo o traçado e a suas formas são importante


e esse traçado nos revela alguns detalhes. Traçados regulares e nítidos nos
aponta uma criança tranquila e segura. Já os traçados irregulares ou frágeis
demonstram crianças inseguras e tímidas.

Dessa forma os traçados nos remetem alguns simbolismos em suas


linhas.

Linhas curvas: Sentimento de alegria e prazer por serem descontraídas e


soltas. Já as quebradas rigidez.

Círculo: Representa a totalidade, ausência de divisão. Linhas sem paradas e


única.

Quadrado: São rígidas e pouco maleáveis. Não surgem de linhas contínuas,


por isso o traçado é mais denso.
30

Triângulo: Vértices para cima espiritualidade e divindade. Vértices para


baixo maior ligação com a Terra.

3.2. A figura humana

Esse tipo de figura, a humana, começa a parecer logo que a fase da


garatuja termina. Aparecem as figuras girinos até ter traços da figura humana.

As crianças desenham traços como se fossem palitos, pois não tem


noção de volume. Mais tarde passam a ter a noção fazendo duas linhas
paralelas parecendo retângulos.

A partir dos seis anos desenham suas realidades inserindo pessoas


que convivem com ela. E os desenhos podem estar de perfil ou de posição
frontal aos sete anos mais ou menos.

Aos dez anos aproximadamente, seus desenhos chegam mais perto


da realidade e as crianças começam a fazer críticas deixando de lado a
espontaneidade.

Na maioria das vezes, o que a criança desenha é a percepção que


ela tem de si em relação ao mundo.

Cada elemento desenhado tem seu simbolismo exemplo:

Cabeça: Crianças menores fazem a cabeça bem grande e no decorrer do


crescimento e amadurecimento a cabeça vai diminuindo e tendo uma
proporção com o resto do corpo.

Olhos: Crianças pequenas desenham olhos grandes e estes simbolizam a


percepção intelectual. Já nas crianças grandes significa que necessitam ficar
atentas a tudo ou pode significar crianças que observam tudo com muita
curiosidade. As meninas na adolescência realçam os olhos iguais quando
usam maquiagem. Os meninos já não o fazem com grandes detalhes.
31

Boca: Quando não desenham pode significar que não falam ou se sentem
carentes. Boca com traçado pra cima rementem a alegria e boca para baixo a
tristeza. Só mais a frente desenhará a boca com lábios inferiores e superiores.

Dentes: Quase não aparecem e quando aparecem pode demonstrar


agressividade.

Nariz: Início da puberdade. Meninos desenham com mais capricho. Já a sua


ausência significa insegurança.

Orelhas: As crianças surdas podem omitir ou não. Se a orelha é grande pode


mostrar um desejo de ouvir. É comum na pré-escola ser omitida as orelhas.

Braços: Braços longos vontade de abraçar quem amamos. Se o braço tiver


garras pode representar agressividade. Braços curtos pode simbolizar
dificuldade de se relacionar com o outro.

Mãos: Mãos grandes pode ser vontade de se aproximar de alguém ou medo


de apanhar.

Pernas: Nos bonecos girinos elas ainda não aparecem. Pernas curtas podem
demonstrar que as crianças tem o pé no chão. Pernas muito longas parecem
pernas de pau fazendo relação com a vontade de crescer rápido.

Pés: Pés grandes demonstram firmeza e segurança. Pode apresentar


fragilidade ou insegurança quando desenham os pés de maneira diferente ou
pequenos ou podem nem existir.

3.3. Outros desenhos que trazem simbolismo

Certos autores afirmam que por volta dos três anos as crianças já
desenham casas e estes desenhos vão sofrendo transformação até chegar no
desenho que vemos como casa como na figura humana.
32

Para Chevalier e Gheerbrant (1982, p.99) “a casa é o centro do


universo e também considerada símbolo feminino que acolhe, refúgio, proteção
da mãe.”

Quando tem telhado pode significar consciência. Se relacionado com


a figura humana, o telhado é a parte mais alta podendo ser este a cabeça da
figura humana.

Se a casa for apartamento significa, o inconsciente.

Casas grandes: A criança está aberta para o mundo e é acolhedora.

Casas pequenas: A criança não é muito acolhedora, tendo poucos amigos


restringindo-os.

Portas: A passagem do desconhecido para o conhecido, das trevas para a


luz. Casas onde as portas estão fechadas demonstram dificuldades de adquirir
novas experiências Portas abertas busca de novos conhecimentos.

Janelas: Abertas ou fechadas significa que estamos abertos ou fechado para


o mundo. Janelas redondas receptividade de acordo com o nosso olhar para o
mundo. Já janelas quadradas receptividade terrestre.

Chaminés: Chevalier e Gheerbrant (1982, p.102) afirmam que “as chaminés


simbolizam as nossas vias de comunicação com os seres do alto. Ela é a
ligação de dois mundos da terra e do céu.”

Caminhos: Caminhos Tortuosos significa a busca para enfrentar as


dificuldades da vida. Caminhos lineares sabe aonde se quer chegar, sem
rodeios e tranquila.

3.4. As árvores

Pode significar árvore da vida, de bem e do mal. Pode simbolizar a


mãe quando se tem frutos e folhas.
33

Árvores bem estruturadas mostram com a criança vê o mundo.

Raizes: simbolizam emoções e sentimentos, nosso eu interior. Árvores sem


raízes indícios de crianças com necessidades de receber afeto.

Troncos: Troncos grossos significa que a criança está segura na sua família
ou na escola. Troncos finos fragilidade, insegurança.

Folhagens: imaginação e criatividade. Árvores frondosas criança criativa


pouca folhas e galhos criança pouco ativa, reservada.

Árvores grandes: crianças extrovertidas já as pequenas são desenhos


tímidos que não chama a atenção.

3.5. Família

Segundo alguns autores os desenhos da família são depósitos das


fantasias. As crianças tanto podem desenhar famílias reais ou imaginárias.
Quando imaginárias podem estar sofrendo problemas de relação e cabe
investigar se isso for constante.

Temos que observar os desenhos da família como observamos o


desenho da figura humana, Se pinta o desenho, que cores utiliza para cada
membro. Isso nos ajudará a fazer as interpretações corretas por trazer alguns
simbolismos.

3.6. Técnicas projetivas – Jorge Visca

Essa técnica investiga os vínculos que as crianças têm com


ambiente escolar, familiar e consigo mesmo.

Devemos interpretar as técnicas projetivas de acordo com o sujeito.


Não é preciso utilizar todas as técnicas. Usaremos as forem mais importante
dentro do que foi observado.
34

O espaço na folha onde a criança define o seu desenho pode


representar positivamente ou negativamente esse vinculo com a
aprendizagem.

Mostraremos agora a posição do desenho na folha e seu significado:

Posição Significado real

Superior Exigente

Inferior Impulsivo

Direita Progressivo

Esquerda Regressivo

Superior direita Exigente progressivo

Superior esquerda Exige regressivo

Inferior direita Impulsivo progressivo

Inferior esquerda Impulsivo regressivo

Central Equilibrado

3.6.1. Vínculos escolares

Os vínculos escolares são três: par educativo, eu e meus colegas e


a planta da casa. De acordo com a idade e a necessidade de realização será
pedido três desenhos de acordo com os vínculos dependendo do grau de
dificuldade que essa criança se encontra.

Visca (2013) afirma que no vínculo escolar de par educativo o


desenho que a criança faz é dela e da pessoa ensina. Tudo que se passa na
produção do desenho deve ser levado em conta e analisado, até mesmo o
título e o que a criança fala sobre o mesmo.
35

Também temos o vínculo escolar que é o aluno e seus colegas. É


muito importante esse vínculo, pois a aprendizagem se dá também pela forma
como a criança se vê no grupo.

Quando o desenho na sua totalidade é grande apresenta uma


aprendizagem boa e quando o tamanho é pequeno a aprendizagem é ruim.

Visca (2013) relaciona o tamanho do aluno em relação aos seus


colegas no desenho analisando da seguinte forma: grande pode ser liderança
ou aceitação do ponto de vista dos outros, pequeno pode ser submissão e
tamanho igual demonstra que está pé de igualdade com seus colegas.

O último vínculo escolar é o desenho da planta da sala de aula. Se a


criança desenhar a sala de aula pequena pode representar uma inibição,
tamanho desmedido falta de limites adequados. Os elementos incluídos no
desenho demonstram que é um vínculo positivo e os excluídos que não se
estabeleceu vínculos.

Quando o aluno está na frente conexão adequada e participação


efetiva. Nos fundos e nas laterais na maioria das vezes retração com tendência
a participação não efetiva. E no meio indica vínculo mediano. Jorge Visca
(2013)

3.6.2. Vínculos Familiares

Sua aprendizagem pode ser comprometida pelo que a


criança vivência em casa e se a família tem uma boa estrutura a
aprendizagem não será comprometida e favorecerá mais
aprendizagem.

E a sua identidade e o modo de ver o mundo será


construída pela vivência, ou seja, o convívio familiar, através dos
valores.
36

E para entender o mundo onde as crianças vivem os


psicopedagogos pede que a criança desenhe a planta da sua casa.

Algumas crianças representam as suas casas no seu interior se


mostrando parte da família, um membro. Quando desenham a casa por fora,
isso demonstra que só admira a casa como se não fizesse parte da família. E
quando se desenha só a parte interna é formal a sua aprendizagem. E quando
fazem espaços fora da casa sua aprendizagem é voltada para a natureza.
Visca (2013)

A criança nas suas produções coloca personagens e Visca (2013)


dá significados prováveis a esses personagens que são:

Posição dos personagens Prováveis significados

Frente ao processo O grupo familiar não significa uma


referência muito adequada.

Em meio ao processo O entrevistado sente que o grupo


familiar serve-lhe de referência para
desenvolver e integrar modelos de
aprendizagem.

Fora do processo Carece de significativos de


identificação, regularmente os
mesmos são procurados fora, em
outros núcleos.

3.6.3. Vínculos Consigo Mesmo

De acordo com Visca (2013) teste para avaliar o aprendizado do


sujeito consigo mesmo é o desenho em episódios e nele se observa
indicadores vinculados ao tempo, espaço e causalidade.
37

E o dia do aniversário também pode ser representado através de


desenhos e também indica vínculos de aprendizagem que a criança tem
consigo mesma.

O tamanho e a posição dos personagens mostram que de frente se


tem importância e vínculos positivo ou negativos (de costas etc). Essa
referência é de quem faz aniversario com os convidados.

Os indicadores devem ser levados em conta de acordo com a


situação econômica da criança e sobre as condições sociais e culturais que
está envolvida. Algumas crianças não comemoram seu aniversário ou fazem
de forma particular.

Através desse instrumento, a análise do desenho, Visca mostra que


podemos encontrar as possíveis causas dos problemas de aprendizagem e
esse é um instrumento que ajuda o psicopedagogo nessa jornada de identificar
as dificuldades que se encontra o aluno dentro da escola.
38

CONCLUSÃO

O desenho Infantil é a porta de entrada para que se entenda dentro


da escola a criança da Educação Infantil. Através do desenho a criança
expressa seus medos, frustações, alegria, ou seja, ela coloca no desenho
todos os seus sentimentos sendo também a primeira forma de escrita de se
comunicar com o mundo.

E para que a análise seja bem feita o Psicopedagogo deve se


aproximar da família e fazer uma investigação de como organiza-se essa
família, como ela lida com certos problemas, o modo de viver para
entendermos de onde veem certos problemas que a criança apresenta na
escola.

E também analisarmos o desenho da criança da forma como ele é


desenhado no papel, as cores que se utiliza, o tipo de desenho, formas etc.
Não devemos deixar nada de lado no desenho e para que seja feito o
diagnóstico de algo deve-se analisar se aquele comportamento no desenho se
procede por várias vezes. Para isso a análise deve ser minunciosa e criteriosa
juntando o que é decorrente na sala de aula com o que se passa em casa.

Dessa forma o Psicopedagogo deve sempre participar da vida


daquele aluno que possa ter algo de forma sutil e carinhosa para que consiga
resgatar no aluno algo que o desenho não expressa ou tentar entender um
pouco mais aquele tipo desenho.
39

BIBLIOGRAFIA

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42

ÍNDICE

FOLHA DE ROSTO 02
AGRADECIMENTOS 03
DEDICATÓRIA 04
RESUMO 05
METODOLOGIA 06
SUMÁRIO 07
INTRODUÇÃO 08

CAPÍTULO I 09

1.1. A Psicopedagogia Institucional 15


1.2. A Psicopedagogia Clínica 16
1.3. O Tratamento Psicopedagógico 17
1.4. O curso de especialização em Psicopedagogia e sua
dificuldades perante ao sujeito e a aprendizagem 18

CAPÍTULO II 20

2.1. O desenho e suas etapas 23


2.2. Símbolos 26

CAPÍTULO III 28

3.1. Espaços e Traçados 28


3.2. A Figura Humana 30
3.3. Outros desenhos que trazem simbolismo 31
3.4. Árvore 32
3.5. Família 33
3.6. Técnicas Projetivas – Jorge Visca 33

CONCLUSÃO 38

BIBLIOGRAFIA 39

WEBGRAFIA 41

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