Você está na página 1de 5

Ética em Prefeituras (Gestão Pública)

Dalcles Figueiredo de Souza (ULBRAead) dalcles@gmail.com

Resumo:
Este artigo tem por objetivo principal estudar a ética na administração pública
municipal, mais especificamente, no setor de departamento de educação e cultura.
Explicarei termos como Ética Moral na Política e porque implantar um Código de Ética
em empresas públicas ou privadas. Para elaboração desse artigo utilizarei revisões
bibliográficas da Prefeitura Municipal de Parintins – AM, empresa em que trabalho
atualmente. Concluindo, pode-se observar que o gestor público municipal possui
grandes responsabilidades frente à comunidade local em que atua.
Palavras-chave: Ética, código de ética, administração pública.
1. Introdução
Em meio a tantas discussões veementes em relação à ética na política, a
generalização da corrupção tornou-se evidente no setor público, exemplos recentes
são os jornais noticiando diariamente reportagem sobre crimes de gestores públicos,
que causam danos ao patrimônio público, caçados por improbidade administrativa,
condenados por lavagem de dinheiro, desvios de recursos e etc.

É perceptível que a corrupção é um problema grave e estrutural da sociedade


e do sistema político do país. Há tempos a problemática da corrupção vem sendo
debatida na sociedade. Podemos verificar que a ética está diretamente relacionada ao
padrão de comportamento do indivíduo, dos profissionais e também do político.
Entretanto, não podemos nos esquecer de que há pessoas muito éticas e conscientes
de suas obrigações e funções em todas as organizações.

O objetivo desse artigo é explanar sobre ética na politica, por que implantar e
como implantar um código de ética em uma Prefeitura.

2. Conceito de ética e moral

Para alguns autores, a Ética é o conjunto de valores na concepção de um


indivíduo, ou seja, a maneira como os seres humanos vivem e se relacionam, e dessa
forma buscam justificar seus costumes e preceitos perante uma determinada
sociedade.

A ética é sinônimo da moral, porém, a ética é reflexiva e analisa não o que o


ser humano faz, mas o que ele deveria fazer. Já a moral é normativa e fixa regras e
costumes adquiridos ao longo da vida.

Segundo Lisboa (2009, p.24), “A moral, como sinônimo de ética, pode ser
conceituada como o conjunto das normas que, em determinado meio, granjeiam a
aprovação para o comportamento dos homens”. Assim, ainda seguindo o pensamento
do autor, podemos dizer que “A ética, como expressão única do pensamento correto,
conduz a idéia da universalidade moral”.

2.1 Surgimentos da ética e moral

A ética possui uma origem específica, nasceu na Grécia, no século V a.C, com
o surgimento dos sofistas, que aparecem num momento cultural e político específico
da cultura e história grega, e com a reação contra por parte de Sócrates. Ao nascer, já
encontramos regras de conduta moral às quais nos adequamos por meio da
educação. Normalmente não avaliamos essas regras, simplesmente, as aceitamos ou
recusamos.

2.2 Ética e moral na política

Primeiro vamos entender de uma forma simplificada o que é política. Falar de


política não é difícil, mas difícil é dar uma resposta clara e objetiva sobre ela, devido
ser muito abrangente.

Segundo Vázquez (2008, p.93):

“A atividade política implica, também, participação consciente e


organizada de amplos setores da sociedade; disto decorre a
existência de projetos e programas que fixam os objetivos mediatos e
imediatos, bem como os meios ou métodos para realizá-los”.

Desta maneira, sem excluir que ocorram também atos espontâneos dos
indivíduos ou dos grupos sociais, a política é uma forma de atividade prática,
organizada e consciente.

Para entender mais sobre a política vamos buscar um pouco no passado suas
definições. O termo política é derivado do grego refere-se a todos os procedimentos
relativos a polis, ou a Cidade-Estado, referindo tanto à sociedade, comunidade e
definições que se referem à vida humana.

Segundo Vázquez (2008, p.94):

“Política e Moral são formas de comportamento que não podem


identificar-se. Nem a política pode absorver a moral, nem esta pode
ser reduzida a política. A moral possui um âmbito especifico no qual a
política não pode interferir”.

A política tem campo específico maior, que não se limita pela moral, pelo
contrário, algumas vezes a política pode ser até imoral. É válido acreditar que a
política e muitos políticos são éticos cumprindo com seus deveres e obrigações,
mantendo a sociedade organizada e o bem social da população.

2.3 Porque ser ético?

Segundo Moreira (2002, p.31), o comportamento ético é “a única forma de


obtenção de lucro com respaldo da moral”.

Sendo assim, a ética passou a ser exigida pela sociedade, que passou a
observar as condutas e os comportamentos nas organizações.

Algumas questões básicas como:

 Cumprir seus compromissos e/ou acordos;


 Ser competente no que faz;
 Comprometer-se com seus funcionários;
 Ser comprometido com a sociedade;
 Respeitar o meio ambiente entre outros.
Estas são questões importantes para manutenção da ética nos órgãos públicos
ou privados, fazendo assim toda a diferença, na hora das pessoas optarem por um
determinado produto e/ou serviço.

2.4 Código de ética

Os primeiros códigos de ética começaram a ser implantados pelas empresas


brasileiras a partir dos anos 1970, e passaram a ser a forma que as empresas
encontraram de formalizar suas decisões para assim poder segui-las.

O Órgão Público precisa ter a consciência que ao implantar o código de ética,


todos os membros da organização, partindo dos gestores até o mais novo servidor
precisam segui-lo, adotando, assim, posturas de condutas éticas e seguindo os
procedimentos nele estabelecidos.

O objetivo do código de ética é expressar um entendimento sobre as condutas


da empresa, frente as seus relacionamentos e negócios e dessa forma coibir os atos
antiéticos.

3. Porque implantar um código de ética?

Para o código de ética ser implantado, precisa haver o envolvimento de toda


organização. E deve ser reconhecido pelos membros da organização como expressão
de cultura e não uma imposição. As habilidades e competências específicas para ter
um programa de ética na organização, são:

 Envolvimento de todos colaboradores no processo;


 Manter condições favoráveis para a prática desde o início do processo;
 Confiar e apoiar os colaboradores no caso de dilemas éticos;
 Ser coerente em situações de adversidade;
 Aceitar os colaboradores com suas virtudes, características e seus pontos
fracos.
Desta forma, o relatório do código de ética servirá de parâmetro para os
comportamentos éticos de todos os envolvidos. Com isso, a implantação do código de
ética servirá como um horizonte para a empresa, pois através dele será possível a
busca pela realização de seus princípios de visão, missão e valor.
O código de ética, além de ser um documento com as finalidades
apresentadas, ainda pode ajudar a organização nas soluções de questões corriqueiras
antes que se tornem grandes problemas organizacionais, mas desde que sejam
elaborados e implantados corretamente.

4. Considerações finais
Esse pequeno artigo foi elaborado para observar a importância de se refletir
sobre tema tão delicado como a Ética na Gestão Pública.

Assim, a ética na administração pública pode e deve ser desenvolvida junto


aos agentes públicos ocasionando uma mudança na gestão que deve ser sentida pelo
contribuinte que dela se utiliza diariamente. Seja por meio da simplificação de
procedimentos, isto é, a celeridade de respostas e qualidade dos serviços prestados,
seja pela forma de agir ou de contato entre o cidadão e os funcionários públicos, seja
na seriedade e transparência em gerir o que é público.

Sobre a implantação de um código de ética na Prefeitura de Parintins,


contemplaria um diferencial com relação outras Prefeituras da região, pois agindo de
maneira ética e legal adquira vantagem para desenvolver um excelente trabalho da
gestão do Prefeito. A Prefeitura de Parintins tendo claramente definido no seu código
de ética, seus propósitos e critérios éticos, conseguirá fortalecimento da imagem do
Órgão Público, a integração entre servidores e gestores, estimulação do
comprometimento de todos os membros da organização, a solução de conflitos entre
outros.

5. Referências

LISBOA, Lázaro Plácido. Ética Geral e Profissional em Contabilidade. São Paulo:


Atlas, 2009. p. 14; 59.
MOREIRA, Joaquim Manhães. A ética empresarial no Brasil. São Paulo: Pioneira
Thomson Leatning, 2002. p. 31; 33.
VÁZQUEZ, Adolfo Sanchez. Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. p. 23;
93-94; 267.