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Dia da mulher e a bíblia

- “Você sabia?Inicialmente o Dia da Mulher foi criado para o dia 6 de


Março ...
Mas as mulheres demoraram 2 dias para se preparar.(se produzir para o
evento).
Foi assim que foi adiado para 8 de março!
O Dia dos Homens também foi planejado ...
Mas como de costume, eles esqueceram a data!!!”

- A bíblia é machista? O que dizer de textos como:


Gênesis3:16 - E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a
tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu
marido, e ele te dominará.
1Coríntios11:3 - Quero, porém, que entendam que o cabeça de todo
homem é Cristo, e o cabeça da mulher é o homem, e o cabeça de Cristo é
Deus.
1Coríntios14:34-35 - Permaneçam as mulheres em silêncio nas igrejas,
pois não lhes é permitido falar; antes permaneçam em submissão, como
diz a lei. Se quiserem aprender alguma coisa, que perguntem a seus
maridos em casa; pois é vergonhoso uma mulher falar na igreja.
Colossenses3:18 - Mulheres, sujeitem-se a seus maridos, como convém a
quem está no Senhor.
- Afinal de contas, a mulher é igual, inferior ou superior ao homem?O
princípio para entendermos todos esses textos está nos primeiros
capítulos de gêneses.
.Gn 1:27
. Nos primeiros capítulos do Gênesis é relatada a origem da humanidade.
A palavra hebraica para "homem" é Adam, sendo usado aqui como um
termo genérico para a humanidade.
- Primeiro ponto: o homem (Adam) é criado como macho e fêmea.
A distinção entre macho e fêmea não implica em nenhum tipo de
inferioridade ou superioridade de qualquer um dos sexos, mas
ambos, igualmente, são Adam. 
- Segundo ponto: não só o homem (macho) foi criado à imagem de
Deus, mas também a mulher. Diferente de qualquer outra literatura
do Antigo Oriente Médio, a mulher partilha da centelha divina,
refletindo tão plenamente a imagem de Deus quanto o homem.
Para Gerhard F. Hasel, “tanto o homem quanto a mulher são assim
separados do resto da criação como constituindo uma ordem nova e
distinta. Eles são iguais em sua distinta superioridade do resto da criação,
porque ambos compartilham igualmente a imagem de Deus.
Gn 2:4-25
. V18: Primeira vez que algo não é bom
. V20: Auxiliadora – Ezer kneguedo: Auxiliadora igual. Igual a quem?
Aparece 21 vezes. 16 vezes Deus é o ajudador de Israel. Paralelo entre a
mulher e Deus.
Ajudador na nossa cultura é alguém subordinado, menor. Na mentalidade
ocidental é o contrário. Se eu fosse bom o suficiente não precisaria de
ajudador. Nessa visão o ajudador é melhor que eu.
. V23: Primeira vez que o homem fala

. Progressividade e clímax: Em Gn 2, no segundo relato da criação, as


Escrituras registram primeiro a criação do homem e depois, a da mulher.
Na literatura hebraica, a ênfase de uma narrativa centraliza-se na parte
inicial e final da mesma. Assim, o fato de o homem ter sido criado
primeiro não implica que ele é mais importante ou superior à mulher. “Ao
contrário”, afirma Hasel, “a existência da criatura criada em primeiro lugar
é incompleta sem a criação da criatura criada em último lugar, como a
declaração divina enfatizou: ‘Não é bom para o homem estar sozinho’
(2:18, NASB)”. Aecio E. Cairus afirma que o texto segue do incompleto
para o completo, semelhantemente a Hasel quando afirma que “à medida
que a narrativa da criação de Gn 2 se move para o seu fim, ela se move
para seu clímax, e não para seu declínio, na criação da mulher. Com a
chegada da mulher, a criação atingiu sua conclusão e culminação”.

Assim sendo, na visão bíblica, a mulher completa a criação divina, fazendo


com que aquilo que era incompleto (o homem e a própria criação) alcance
o planejamento divino da perfeição, de modo que o Criador “viu tudo o
que havia feito, e tudo havia ficado muito bom” (Gn 1:31). A mulher está
inclusa no tudo e no muito bom divino.o homem e a mulher são iguais,
pois têm a mesma origem e ambos refletem a imagem de #Deus. Sendo
isso uma inovação do texto bíblico para seus dias, a mulher também é
apresentada como o clímax da criação. Contudo, esse parece não ser o
real problema para os dias de hoje.
Jerry A. Gladson afirma que, devido à vida patriarcal vivida nos tempos do
Antigo Testamento, a mulher “vivia nas trevas ao invés de [viver] na luz da
vida”. Isso parece ser tão diferente daquilo que era o propósito original de
Deus para a mulher, mas, por quê? O motivo é a entrada do pecado. Ao
desobedecerem à ordem divina, Gerhard F. Hasel afirma que “o homem e
a mulher romperam o relacionamento harmonioso com seu Deus. Tanto o
homem como a mulher experimentam a mesma perda de relacionamento
harmonioso com Deus e entre si”.
Reconhecer e aplicar a ideia do pecado à interpretação bíblica é, portanto,
fundamental para entender o movimento da narrativa das Escrituras e os
fatos que envolvem os seus personagens. O “pequeno detalhe” do pecado
é crucial para compreendermos o papel e a vida da mulher nas Escrituras,
pois seus efeitos podem ser sentidos logo após sua entrada pelas palavras
de Adão ao ser questionado por Deus se ele havia comido do fruto. Sua
resposta foi: “a mulher que me deste que me deu o fruto” (Gn 3:12). Suas
palavras deram o tom de como seria dali em diante o relacionamento
entre o homem e a mulher. Como diz Hasel, “a usurpação de poder e
autoridade pelo homem sobre a mulher, contrária à intenção divina e à
vontade de Deus, já está ilustrada em Gênesis 3”.
Em Gn 3:20 as Escrituras dizem que “Adão deu à sua mulher o nome de
Eva”. Esta é a segunda cena de nomeação que aparece em Gn, sendo a
primeira a nomeação dos animais, em 2:20. Segundo Hasel, em 3:20
aparecem os mesmos elementos textuais de 2:20, ocasião em que Adão
nomeou os animais. Para ele, “ao nomear sua esposa, Adão afirma
propriedade e controle sobre ela. É um ato de poder que parece refletir a
corrupção de uma relação de reciprocidade e igualdade”.