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Introdução ao curso de médiuns

GRUPO ESPÍRITA APRENDER, AMAR E SERVIR


uma questão básica o preparo prévio do
médium através do estudo, dos
ensinamentos morais como da estrutura
filosófica da Doutrina Espírita. É necessário,
igualmente, seu esclarecimento quanto ao
mecanismo específico do fenômeno
mediúnico, a fim de que o tarefeiro se
envolva com segurança nessa nova
experiência de trabalho, sem a influência
perniciosa da ignorância ou dos falsos
conceitos. A razão iluminada pelos
princípios doutrinários genuínos, acrescidos
dos ensinamentos contidos nas obras
confiáveis sedimentarão no médium o
posicionamento equilibrado, tão esperado
pela Espiritualidade Amiga de um servidor
fiel à causa do Amor e da Caridade. Estes 8
estudos são nossa modesta contribuição aos tarefeiros da atividade
mediúnica, com o objetivo de estimulá-los a melhor desempenharem-se.
Aula 1
Página 3
Tema: Fim Providencial da Mediunidade
Objetivo: Dar uma visão clara da finalidade do intercâmbio mediúnico.
Aula 2
Página 6
Tema: Elementos Essenciais para a Comunicação Mediúnica e suas
Características
Objetivo: Ressaltar o papel específico de cada fatos envolvido no fenômeno
mediúnico.
Aula 3
Página 10
Tema: Prática Mediúnica Técnica e Empírica
Objetivo: Caracterizar aos médiuns a diferença da prática mediúnica com
Jesus e Kardec, ou sem, assim distinguindo através do estudo o exercício
mediúnico consciente e racional do inconseqüente e arbitrário.
Aula 4
Página 16
Tema: Os Perigos da Mediunidade
Objetivo: Identificar e alertar aos médiuns alguns equívocos e riscos
desestabilizadores do equilíbrio físico-psíquico-moral, este fundamental à
prática mediúnica técnica.
Aula 5
Página 23
Tema: Os Deveres dos Participantes da Reunião Mediúnica
Objetivo: Conscientizar os médiuns da importância do cumprimento das
responsabilidades inerentes ao bom desempenho da tarefa mediúnica.
Aula 6
Página 27
Tema: Planejamento dos Espíritos e do Médium para a Reunião Mediúnica
Objetivo: Desenvolver nos médiuns a idéia da existência de uma interação
organizada, tanto a favor como contra, aos superiores objetivos da reunião
mediúnica, cabendo aos médiuns assumirem cuidados que concorrerão para
o êxito do trabalho.
Aula 7
Página 34
Tema: O Grupo Mediúnico
Objetivo: Criar o entendimento entre os médiuns que a “reunião mediúnica é
um ser coletivo, cujas qualidades e propriedades são resultantes de seus
membros”.
Aula 8
Página 37
Tema: Conselhos Práticos
Objetivo: Fixar a importância no grupo mediúnico de atitudes comprovadas
no êxito do trabalho mediúnico, e consagradas pela concordância com os
Ensinos dos Espíritos, constante das obras básicas e subsidiárias da
Doutrina.

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Aula 1
TEMA: Fim Providencial da Mediunidade
OBJETIVO: Dar uma visão clara da finalidade do intercâmbio mediúnico

1. Sensibilização
É possível entender-se o Espiritismo sem mediunidade?

2. Debate do Grupo
Dinamizá-lo com indagações de como o Espiritismo foi transmitido? A
mediunidade é um dom ou uma inclinação? Ela pode ser desenvolvida por
qualquer um? Como desvencilharmo-nos da perturbação espiritual sem o
concurso da mediunidade?

3. Elucidação Doutrinária
“Ainda outra vantagem apresenta o estudo prévio da teoria – a de mostrar
imediatamente a grandeza do objetivo e o alcance desta ciência. Aquele que
começa por ver uma mesa a girar, ou a bater, se sente mais inclinado ao
gracejo, porque dificilmente imaginará que de uma mesa possa sair uma
doutrina regeneradora da humanidade. Temos notado sempre que os que
crêem, antes de haver visto, apenas porque leram e compreenderam, longe
de se conservarem superficiais, são, ao contrário, os que mais refletem.
Dando maior atenção ao fundo do que a forma, vêem na parte filosófica o
principal, considerado como acessório os fenômenos propriamente ditos.
Declaram então que, mesmo quando estes fenômenos não existissem, ainda
ficava uma filosofia que só ela resolve problemas até hoje insolúveis; que só
ela apresenta a teoria mais racional do passado do homem e do seu futuro.
Ora, como é natural, preferem eles uma doutrina que explica, às que não
explicam ou explicam mal.
Quem quer reflita compreende perfeitamente bem que se poderia abstrair
das manifestações, sem que a Doutrina deixasse de subsistir. As
manifestações a corroboram, confirmam, porém, não lhe constituem a base
essencial. O observador criterioso não as repele; ao contrário, aguarda
circunstâncias favoráveis, que lhe permitam testemunhá-las. A prova do que
avançamos é que grande número de pessoas, antes de ouvirem falar das
manifestações, tinham a intuição desta Doutrina, que não fez mais do lhes
dar corpo, conexão às idéias.”
(Livros dos Médiuns – item 32)
- CONCEITOS APREENDIDOS
a) O objetivo principal da Doutrina é a promoção do aprimoramento moral
dos espíritos encarnados e desencarnados.
b) A espinha dorsal da Doutrina Espírita é o ensinamento (a mensagem),
absorvido pelo ESTUDO.

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c) A prática mediúnica é uma atividade de ensinamento e estudo.

4. Detabes de Conceitos
Com os conceitos acima; debater se são doutrinariamente cabíveis os
questionamentos relacionados abaixo acerca da mediunidade?

4.1) PRATICAR A MEDIUNIDADE É FAZER CARIDADE ?

* Comentários elucidativos:
“Que a Caridade é sentimento vivo e, como tal, não se deve, nem se pode
conceber regulamentada, condicionada, fragmentada em atos alternativos,
quando não caprichosos e incoerentes, como a própria índole humana,
vacilante e imperfeita, razão pela qual estimará no seu trabalho, apenas, o
comezinho cumprimento de um dever, com benefício próprio
exclusivamente, de vez que a misericórdia divina não precisa do homem
para afirmar-se ao mundo e no mundo”.
(Catecismo Espírita – Autor: Léon Denis – Editora FEB – “Abecedário dos
Médiuns”)
“A faculdade mediúnica está sujeita a intermitência e a suspensões
temporárias, quer para as manifestações físicas, quer para a escrita. Damos
a seguir as respostas que obtivemos dos Espíritos a algumas perguntas
feitas sobre este ponto.”
(Livros dos Médiuns – item 220)
1ª QUESTÃO – PODEM OS MÉDIUNS PERDER A FACULDADE QUE POSSUEM ?

“Isso freqüentemente acontece, qualquer que seja o gênero da faculdade.


Mas, também, muitas vezes apenas se verifica uma interrupção passageira,
que cessa com a causa que a produziu”.
2ª QUESTÃO – QUE É O QUE PODE CAUSAR O ABANDONO DE UM MÉDIUM , POR PARTE DOS
ESPÍRITOS?
“O que mais influi para que assim procedam os bons Espíritos é o uso que o
médium faz da sua faculdade. Podemos abandoná-lo, quando dela se serve
para coisas frívolas, ou com propósitos ambiciosos; quando se nega a
transmitir as nossas palavras, ou os fatos por nós produzidos, aos
encarnados que para ele apelam, ou que têm necessidade de ver para se
convencerem. Este dom de Deus não é concedido ao médium para seu
deleite e, ainda menos, para satisfação de suas ambições, mas para o fim da
sua melhora espiritual e para dar a conhecer aos homens a verdade. Se o
Espírito verifica que o médium já não corresponde às suas visitas e já não
aproveita das instruções nem dos conselhos que lhe dá, afasta-se, em busca
de um protegido mais digno”.
“A faculdade mediúnica é uma graça para a posse da qual muitas vezes não
concorremos, nem nesta vida nem na anterior. Há quem a deseje e não a
possua, e quem a possua e não a deseje. Qualquer que seja, porém, o modo
por que lhe entramos na posse, é sempre melhor, sob todos os pontos de
vista, ser um instrumento esclarecido, ativo e consciente dos Espíritos, do

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que lhes servir de simples joguete”.
(Sessões Práticas e Mediúnicas do Espiritismo – Autor: Aurélio Valente –
Editora FEB – página 136)

4.2) DAR A OPORTUNIDADE A UM GUIA PARA TRABALHAR POR SEU INTERMÉDIO ?

* Comentário elucidativo:
Médiuns Exclusivos: Aqueles pelos quais se manifesta de preferência um
Espírito, até com exclusão de todos os demais, o qual responde pelos outros
que são chamados.
“Isto resulta sempre de falta de maleabilidade. Quando o Espírito é bom,
pode ligar-se ao médium, por simpatia, ou com um intento louvável; quando
mau, é sempre objetivando pôr o médium na sua dependência. E mais um
defeito do que uma qualidade e muito próximo da obsessão”.
(Livros dos Médiuns – item 192)

4.3) LIVRAR-SE DE UMA PERTURBAÇÃO PELO SEU DESENVOLVIMENTO ?

* Comentário elucidativo:
“A obsessão, como dissemos, é um dos maiores escolhos da mediunidade e
também um dos mais freqüentes. Por isso mesmo, não serão demais todos
os esforços que se empreguem para combatê-la, porquanto, além dos
inconvenientes pessoais que acarreta, é um obstáculo absoluto à bondade e
à veracidade das comunicações. A obsessão, de qualquer grau, sendo
sempre efeito de um constrangimento e este não podendo jamais ser
exercido por um bom Espírito, segue-se que toda comunicação dada por um
médium obsidiado é de origem suspeita e nenhuma confiança merece.”
(Livro dos Médiuns – item 242)

4.4) CUMPRIR UMA MISSÃO?

* Comentários elucidativos:
A faculdade mediúnica está sujeita a intermitência e a suspensões
temporárias, quer para as manifestações físicas, quer para a escrita. Damos
a seguir as respostas que obtivemos dos Espíritos a algumas perguntas
feitas sobre este ponto.
1ª Questão – Se é uma missão, como se explica que não constitua privilégio
dos homens de bem e que semelhante faculdade seja concedida a pessoas
que nenhuma estima merecem a que dela podem abusar?
“A faculdade lhes é concedida, porque precisam dela para se melhorarem,
para ficarem em condições de receber bons ensinamentos. Se não
aproveitam da concessão, sofrerão as conseqüências. Jesus não pregava de
preferência aos pecadores, dizendo ser preciso dar àquele que não tem ? ”
(Livro dos Médiuns – item 220)

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5. Fixação
Qual a contribuição do estudo efetuado em prol de uma nova visão do
objetivo da mediunidade?

6. Palavras Finais
“Médiuns valiosos e valorosos não faltam em nosso país. Conscientes,
porém, e conscienciosos de suas faculdades, máxime da aplicação dessas
faculdades, poucos temos conhecido e, daí, o empirismo, a confusão, a
arbitrariedade de métodos e processos, dos mais excêntrico aos mais
grosseiros, dos mais retumbantes aos menos honestos.”
(Manuel Quintão – Abecedário dos Médiuns)

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Aula 2
TEMA: Elementos Essenciais para a Comunicação Mediúnica e suas
Características
OBJETIVO: Ressaltar o papel específico de cada fator envolvido no fenômeno
mediúnico

1. Leitura de fixação da Aula 1 – Fim Providencial da Mediunidade


Qual o objetivo de uma sessão mediúnica?
“É acima de tudo uma oportunidade de o indivíduo auto-reforma-se; de fazer
silêncio para escutar as lições dos espíritos que nos vêm, depois da morte,
chorando e sofrendo, sendo este um meio de evitar que caiamos em seus
erros. É também esquecer a ilusão de que nós estejamos ajudando os
espíritos, uma vez que eles podem passar sem nós. No mundo dos espíritos,
as Entidades Superiores promovem trabalhos de esclarecimento e de
socorro em seu favor; nós, entretanto, necessitamos deles, mesmos dos
sofredores, porque são a lição de advertência em nosso caminho,
convidando-nos ao equilíbrio e à serenidade. Assim, vemos que a ajuda é
recíproca.
O médium é alguém que se situa entre os dois hemisférios da vida. O
membro de um labor de socorro medianímico é alguém que deve estar
sempre às ordens dos Espíritos Superiores para os misteres elevados.
À hora da reunião, devem-se manter, além das atitudes sociais do equilíbrio,
a serenidade, um estado de paz interior compatível com as necessidades do
processo de sintonia, sem o que, quaisquer tentames neste campo
redundarão inócuos, senão negativos.
Depois da reunião agradável, porque, à hora em que cessam os labores da
incorporação, ou da psicografia, o fenômeno objetivo externo, em si, não
cessam os trabalhos mediúnicos no mundo espiritual. Quando um paciente
sai da sala cirúrgica, o pós-operatório é tão importante quanto a própria
cirurgia. Por isso, o paciente fica carinhosamente assistido por enfermeiros
vigilantes que estão a postos para atendê-lo em qualquer necessidade que
venha a ocorrer.
Quando termina a lide mediúnica, ali vai encerrada, momentaneamente, a
tarefa dos encarnados, a fim de recomeçá-la, logo mais, no instante em que
ele penetre a esfera do sono, para prosseguir sob outro aspecto ajudando os
que ficaram de ser atendidos e não puderam, por uma ou outra razão. Então,
convém que, ao terminar a reunião mediúnica, seja mantida a psicosfera
agradável, em que as conversas sejam edificantes. Pode-se e deve-se fazer
uma análise do trabalho realizado, um estudo, um cotejo no campo das
comunicações e depois uma verificação da produtividade; tudo isto em clima
salutar de fraternidade, objetivando dirimir futuras inquietações e problemas
outros.”
(Livro Diretrizes de Segurança – perg.31)

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2. Espírito
Quais os elementos essenciais à comunicação mediúnica ?
A) DEFINIÇÃO :
1) “Que é o Espírito?”
(O Livro dos Espíritos – perg.23)
“O princípio inteligente do Universo”
2) “Não sendo os Espíritos mais do que as almas dos homens, é claro que há
Espíritos desde quando há homens; por conseguinte, desde todos os tempos
eles exerceram influência salutar ou perniciosa sobre a Humanidade”.
(Livro dos Médiuns – item 244)
B) CLASSIFICAÇÃO DOS ESPÍRITOS
“A classificação dos Espíritos funda-se no seu grau de desenvolvimento, nas
qualidades por eles adquiridas e nas imperfeições de que ainda não se
livraram”.
(O Livro dos Espíritos – item 100)
“Ajuntemos ainda esta consideração, que jamais se deve perder de vista:
entre os Espíritos, como entre os homens, há os que são muito ignorantes, e
nunca será demais estarmos prevenidos contra a tendência a crer que eles
tudo sabem, por serem Espíritos.”
(O Livro dos Espíritos – item 100)
1ª Ordem: Espíritos Puros
Caracteres Gerais:
“Nenhuma influência da matéria. Superioridade intelectual e moral absoluta,
em relação aos Espíritos das outras ordens”.
(O Livro dos Espíritos – item 112)
2ª Ordem: Espíritos Bons
Caracteres Gerais:
“Predomínio do Espírito sobre a matéria; desejo do bem. Suas qualidades e
seu poder de fazer o bem estão na razão do grau que atingiram: uns
possuem a ciência, outros a sabedoria e a bondade; os mais adiantados
juntam ao seu saber as qualidades morais. Não estando ainda
completamente desmaterializados”.
(O Livro dos Espíritos – item 107)
“A esta ordem pertencem os Espíritos designados nas crenças vulgares pelos
nomes de bons gênios protetores, Espíritos de bem. Nos tempos de
superstição e de ignorância, foram considerados divindades benfazejas”.
(O Livro dos Espíritos – item 107)
3ª Ordem: Espíritos Imperfeitos
Caracteres Gerais:

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“Predominância da matéria sobre o Espírito. Propensão ao mal. Ignorância,
orgulho, egoísmo e todas as más paixões conseqüentes. Têm a intuição de
Deus, mas não o compreendem”.
(O Livro dos Espíritos – item 101)
“Os seus conhecimentos sobre as coisas do mundo espírita são limitados, e o
pouco que sabem a respeito se confunde com as idéias e os preconceitos da
vida corpórea. Não podem dar-nos mais do que noções falsas e incompletas
daquele mundo; mas o observador atento encontra freqüentemente, nas
suas comunicações, mesmo imperfeitas, a confirmação das grandes
verdades ensinadas pelos Espíritos superiores”.
(O Livro dos Espíritos – item 101)

3. Médium
1) DEFINIÇÃO :
1.1)
“Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por
esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui,
portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que
dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são,
mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam
aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se
traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de
uma organização mais ou menos sensitiva. É de notar-se, além disso, que
essa faculdade não se revela, da mesma maneira, em todos. Geralmente, os
médiuns têm uma aptidão especial para os fenômenos desta, ou daquela
ordem, donde resulta que formam tantas variedades, quantas são as
espécies de manifestações. As principais são: a dos médiuns de efeitos
físicos; a dos médiuns sensitivos, ou impressionáveis; a dos audientes; a dos
videntes; a dos sonambúlicos; a dos curadores; a dos pneumatógrafos; a dos
escreventes, ou psicógrafos.”
1.2)
“O Médium, mais que aqueles que não dispõem da faculdade, é um ser em
liberdade condicional. Cabe a ele provar que já é capaz de fazer bom uso
dela. A tarefa não é fácil, porque, como todos nós, traz em si o apelo do
passado, as tomadas para o erro, as cicatrizes mal curadas, de falhas
dolorosas, o peso específico que o arrasta para baixo, tendendo impedir que
ele se escape, como um pequeno balão, para o azul infinito da libertação
espiritual. Mais do que qualquer um de nós, ele precisa estar vigilante,
atento, ligado a um bom grupo de trabalho, compulsando livros doutrinários
de confiança, observando suas próprias faculdades, corrigindo, melhorando,
modificando, eliminando, acrescentando.”
(Livro Diálogo com as Sombras – Hermínio Miranda – pág: 59)

2) CLASSIFICAÇÃO DOS MÉDIUNS


- Quanto ao comportamento frente à doutrina (Livro dos Médiuns – item 28):

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* Experimentadores;
* Imperfeitos;
* Exaltados;
* Verdadeiros Espíritas.
- Quanto ao fenômeno (Livro dos Médiuns – item 187):
* Médiuns de efeitos físicos;
* Médiuns de efeitos intelectuais.

4. Meio
4.1) FÍSICO :
“Ambiente espaçoso, higiênico, simples, isolado de ruídos exteriores,
favorecendo o tranqüilo recolhimento. Devendo ser observado o seguinte:
‘Será de grande alcance seja ele utilizado exclusivamente para esse fim,
pois, deste modo, evitaremos a profanação do ambiente por conversas
inconvenientes, galhofas, discussões, fumo, jogo e tantas outras coisas,
próprias das nossas imperfeições, e que por isso mesmo constituem alvo
convergente de Espíritos inferiores”.
(Livro Sessões Práticas e Doutrinárias do Espiritismo – pág.51)
4.2) Espiritual:
“Em resumo: as condições do meio serão tanto melhores, quanto mais
homogeneidade houver para o bem, mais sentimentos puros e elevados.
Mais desejo sincero de instrução, sem idéias preconcebidas”.
(Livro dos Médiuns – item 233)
“O Médium digno da missão do auxílio não é um animal subjugado à canga,
mas sim um irmão da Humanidade e um aspirante à Sabedoria. Deve
trabalhar e estudar por amor.”
(Livro Nos Domínios da Mediunidade – Cap.16 – pág: 156 )
“Toda produção medianímica é a soma do mensageiro espiritual com o
médium e as influências do meio.”
(Livro Seara dos Médiuns – pág: 119)

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Aula 3
TEMA: Prática Mediúnica Técnica Empírica
OBJETIVO: Caracterizar aos médiuns a diferença da prática mediúnica com
Jesus e Kardec, ou sem, assim distinguindo através do estudo o exercício
mediúnico consciente e racional do inconseqüente e arbitrário.

1. Leitura de fixação da Aula 2 – Elementos Essenciais para a


Comunicação Mediúnica e suas Características
“ … Quando a harmonia das condições se estabelece e a força do Alto é
suficiente, já se não produzem essas contradições, essas incoerências que
provêm, quer das forças inconscientes, quer de Espíritos atrasados, quer
mesmo do estado mental dos assistentes. O fenômeno se desenvolve então
em sua majestosa grandeza, e o fato probatório se apresenta…
…. Mas para isso, para obter essa assistência do Alto, fazem-se precisas a
união, a elevação dos pensamentos e dos corações; são necessários o
recolhimento e a prece…
… As entidades superiores não se põem de boamente ao serviço dos
experimentadores que não são animados do sincero desejo de instruir-se, de
um amor profundo ao bem e à verdade…
… Se entrardes em relação com almas perversas, fazei-o com o fim de sua
redenção, de sua reabilitação moral, sob o amparo de um guia respeitável;
doutro modo vos exporeis a nociva promiscuidade, a obsessões temíveis.
Não abordeis essas regiões do Além senão com o propósito firme e elevado,
que vos seja como a arma assestada contra o mal…
… A mediunidade, esse poder maravilhoso, foi concedida ao homem para
um nobre uso. Aviltando-a, aviltareis a vós mesmo, e de um puríssimo
eflúvio celeste fareis um sopro envenenado…
… Nada há mais diametralmente oposto que o modo de proceder de certos
experimentadores atuais. Apresentam-se nos lugares de reunião depois de
copioso jantar, impregnados do cheiro do fumo, com o desejo intenso de
obter manifestações ruidosas ou indicações favoráveis aos seus interesses
materiais. E admiram-se, em tais condições, de só se apresentarem Espíritos
fraudulentos e mentirosos que os enganam e se divertem em lhes causar
inúmeras decepções!…
… Mau grado à repugnância dos modernos sábios pelos meios com cuja
aplicação se realiza a elevada comunhão das almas, será forçoso a eles (os
meios) recorrer, a não ser que se queira fazer do Espiritismo uma nova fonte
de abusos e de males…
… O estado de espírito dos assistentes, sua ação fluídica e mental, é por
conseguinte, nas sessões, um importante elemento de êxito ou de
insucesso. Quanto mais sensível é o médium tanto mais receptivo é à
influência magnética dos experimentadores. Em uma assembléia na maioria
composta de incrédulos, cujos pensamentos hostis convergem para o

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sensitivo, o fenômeno dificilmente se produz…
… Os pensamentos divergentes se chocam e formam uma espécie de caos
fluídico, que a vontade dos invisíveis nem sempre consegue dominar…
… Compreende-se, depois disso, que haja quase sempre afinidade entre os
membros de um círculo e as entidades atuantes. As influências humanas
atraem inteligências similares, e as manifestações revestem um caráter em
harmonia com as disposições, as preferências, as aptidões do meio”…
(Livro No Invisível – autor Léon Denis – Editora FEB – pág. 95, 96 e 97).

2. Proibição à Prática Mediúnica ou ao Abuso Dela?


“Não vos desvieis do vosso Deus, para procurar mágicos; não consulteis os
adivinhos e receai contaminar-vos, dirigindo-vos a eles. Eu sou o Senhor
vosso Deus.”
(Bíblia – Livro Levítico – cap. XIX – vers.21).
“Quando houverdes entrado na terra que o Senhor vosso Deus vos há de
dar, guardai-vos; tomai cuidado em não imitar as abominações de tais
povos; – e entre vós ninguém haja que pretenda purificar filho ou filha,
passando-os pelo fogo; que use de malefícios, sortilégios e encantamento;
que consulte os que têm o espírito de Piton e se propõem adivinhar,
interrogando os mortos para saber a verdade. O Senhor abomina todas
essas coisas, e exterminará todos esses povos à vossa entrada, por causa
dos crimes que têm cometido.”
(Bíblia – Livro Deuteronômio – cap. XVIII – vers. 9, 10, 11 e 12)
“Não soliciteis milagres nem prodígios ao Espiritismo, porque ele declara
formalmente que não os produz.”
(Livro O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec – cap. XXI – item 7)
“Nesse tempo (de Moisés) as evocações tinham por fim a adivinhação, ao
mesmo tempo que constituíam comércio, associadas às práticas da magia e
do sortilégio, acompanhadas até de sacrifícios humanos. Moisés tinha razão,
portanto, proibindo tais coisas e afirmando que Deus as abominava.”
(Livro O Céu e o Inferno – autor Allan Kardec – Editora FEB – cap.11 – item 4
– pág.158)
“A proibição de evocar os mortos, imposta por Moisés, tinha por fim evitar o
abuso no seio de um povo excessivamente atrasado, que consultava os
Espíritos para toda sorte de assuntos integralmente oposto aos princípios do
bom sentimento.
A reprodução, atualmente, dessa maneira de praticar o Espiritismo está
exigindo a vinda de um novo Moisés para, como outrora, proibir o mau uso e
a exploração da mediunidade.
Mas, será preciso a volta de um Moisés, para de novo proibir as
transgressões cometidas nessas práticas, pelos charlatães, saltimbancos e
supersticiosos?
Não; os histriões e feiticeiros, que se ocultam sob a capa do Espiritismo,

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precisam sentir que para eles não há lugar no campo onde só a Justiça, o
Amor e a Caridade devem ser semeados, para felicidade de todo o gênero
humano.
É de maravilhar que, desde a época moisaica, até os nossos dias, ainda
permaneçam os mesmos costumes e de práticas tão nocivas quanto
perigosas.
Os nossos irmãos invisíveis não se cansam de nos recomendar o máximo
cuidado com os dons mediúnicos, o prévio preparo moral e a disposição
sincera de exercer o bem com essa faculdade, concedida unicamente para a
prática da caridade.”
(Livro As Sessões Práticas do Espiritismo – autor Spartaco Banal – cap. IV –
Editora FEB – pág. 26/27)
“Dissemos que o Espiritismo é toda uma ciência, toda uma filosofia. Quem,
pois, seriamente queira conhecê-lo deve, como primeira condição, dispor-se
a um estudo sério e persuadir-se de que ele não pode, como nenhuma outra
ciência, ser aprendido a brincar.”
(Livro O livro dos Médiuns – autor Allan Kardec – Editora FEB – item 18)

3. Conceituação
PRÁTICA MEDIÚNICA TÉCNICA
Caracteriza-se pelo emprego de um conjunto de processos criteriosamente
elaborados em bases racionais e lógicas, com vistas à mediunidade
educada, disciplinada e conscientemente conduzida pela vivência do Amor –
objetivo principal de nossos espíritos.
“O importante é que, ao iniciarmos o trato com os Espíritos desencarnados,
voluntária ou involuntariamente, estejamos com um mínimo de preparação,
apoiada num mínimo de informação. Aquele que se atira à fenomenologia
mediúnica sem estes petrechos indispensáveis, ou aquele que é arrastado a
ela pela mediunidade indisciplinada ou desgovernada, estará se expondo a
riscos imprevisíveis para o seu equilíbrio emocional e orgânico. A prática
mediúnica não deve ser improvisada, pois não perdoa despreparo e
ignorância.”
(Livro Diálogo com as sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
Introdução)
“Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o
segundo.”
(Livro O Evangelho Segundo o Espiritismo – autor Allan Kardec – cap. VI –
item 5)

PRÁTICA MEDIÚNICA EMPÍRICA


Caracteriza-se pelo emprego exclusivo da experiência sem raciocínio e sem
teoria. Não preocupa-se com a coerência entre as observações colhidas,
buscando assentar suas conclusões em bases sólidas e seguras. A tradição e
o fanatismo são suas marcas características.

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“O Espiritismo é uma ciência de observação, e não uma arte de adivinhar e
especular.”
(Livro O que é o Espiritismo – autor Allan Kardec – Editora FEB – pág.109)

4. Mediunismo
“Sabe-se que sob essa rubrica, Aksakof propõe à compreensão todos os
fenômenos ordinariamente chamados espíritas. Tal denominação tem a
vantagem de aplicar-se exclusivamente à explicação dos fenômenos.”
(Livro O Ser Subconsciente – autor Gustavo Geley – Editora FEB – pág. 113)
“A Umbanda é prática religiosa dos negros africanos bantos que, juntamente
com os sudaneses, foram trazidos ao Brasil, como escravos. Existindo entre
os negros bantos, segundo Nina Rodrigues e Artur Ramos, o culto dos
antepassados, ou a crença na existência da alma dos mortos, os negros
brasileiros fundiram esse culto com as práticas do Catolicismo e do
mediunismo, assimilando-o seu ritual supersticioso, daí nascendo então o
culto banto-ameríndio da Umbanda, conforme define João Teixeira de Paula
in ‘Estudos de Espiritismo’.”
(Livro Espiritismo Básico – autor Pedro Franco Barbosa – Editora FEB – pág.
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“Basta-nos comparar o poder atribuído aos feiticeiros com a faculdade dos
verdadeiros médiuns, para conhecermos a diferença, mas a maioria dos
críticos não se quer dar a esse trabalho. Longe de fazer reviver a feitiçaria, o
Espiritismo a aniquila, despojando-a do seu pretenso poder sobrenatural, de
suas fórmulas, engrimanços, amuletos e talismãs, e reduzindo a seu justo
valor os fenômenos possíveis, sem sair das leis naturais.”
(Livro O que é Espiritismo – autor Allan Kardec – Editora FEB – pág. 104)
“Evidentemente, precisamos estar atentos ao puro mediunismo sem objetivo
mais elevado, como também ao animismo de certos médiuns mais
interessados nas suas próprias idéias que na transmissão daquilo que
recebem dos companheiros desencarnados.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
Introdução)

5. Mediunidade
“A mediunidade é, entretanto, instrumento de serviço que, à luz da Doutrina
Espírita se transforma em mecanismo de promoção e dignificação moral-
espiritual do próprio medianeiro.”
(Livro Temas da Vida e da Morte – autor espiritual Manoel Philomeno de
Miranda – Editora FEB – pág. 118/119)
“A faculdade mediúnica é uma propriedade do organismo e não depende das
qualidades morais do médium; ela se nos mostra desenvolvida, tanto nos
mais dignos, como nos mais indignos. Não se dá, porém, o mesmo com a
preferência que os Espíritos bons dão ao médium.”

14
(Livro O que é o Espiritismo – autor Allan Kardec – item 79)
“Tarefas como essas não podem ser impostas, nem forçadas; têm que se
apoiar num impulso interior, no desejo de servir, de apagar-se, se
necessário, dentro da equipe, de modo que os resultados obtidos sejam
impessoais, coletivos, não creditáveis exclusivamente ao trabalho individual
deste ou daquele componente do grupo.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
pág. 34)
“Efetivamente a facilidade com que algumas pessoas aceitam tudo o que
vem do mundo invisível, sob o pálio de um grande nome, é que anima os
Espíritos embusteiros. A lhes frustrar os embustes é que todos devem
consagrar a máxima atenção; mas, a tanto ninguém pode chegar, senão
com a ajuda da experiência adquirida por meio de um estudo sério. Daí o
repetirmos incessantemente: Estudai, antes de praticardes, porquanto é
esse o único meio de não adquirirdes experiência à vossa própria custa.”
(O Livro dos Médiuns – autor Allan Kardec – Editora FEB – cap. XXXI –
comunicação 34)
“O desenvolvimento mediúnico é trabalho delicado, difícil e muito
importante, que exige conhecimento doutrinário, capacidade de observação,
vigilância, tato, firmeza e muita sensibilidade para identificar desvios e
desajustes que precisam ser prontamente corrigidos, para não levarem o
futuro médium a vícios funcionais e até mesmo a perturbação emocionais de
problemática recuperação.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
pág. 31/32)
“Evocar um Espírito, diz ele, é entrar no pensamento dominante desse
Espírito e, assim, se nos elevarmos moralmente mais alto, na mesma linha o
arrastaremos conosco e ele nos servirá. Do contrário, será ele quem nos
arrastará ao seu círculo e nós o serviremos.”
(Livro As Sessões Práticas do Espiritismo – autor Spartaco Banal – Editora
FEB – pág. 67)
“O silêncio, o recolhimento e a atitude respeitosa devem ser observadas por
todos. Sobre assunto, assim aconselhou o Espírito São Luís: “O silêncio e o
recolhimento são condições essenciais para todas as manifestações sérias.”
(Livro Sessões Práticas e Doutrinas – autor Aurélio A. Valente – Editora FEB –
pág. 74)
“Uma vez escolhido o local para as sessões, será de grande alcance seja ele
utilizado exclusivamente para esse fim, pois, deste modo, evitaremos a
profanação do ambiente por conversas inconvenientes, galhofas, discussões,
fuma, jogo e tanta outras coisas, próprias das nossas imperfeições, e que por
isso mesmo constituem alvo convergente de Espírito inferiores.”
(Livro Sessões Práticas e Doutrinárias – autor Aurélio A. Valente – Editora FEB
– pág.51)
“O automatismo mental, ou seja, o animismo é a obsessão da própria mente
e poderá ocasionar conseqüências desagradáveis para quem a cultiva.”

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(Livro Recordações da Mediunidade – autor Yvonne A. Pereira – Editora FEB –
pág. 212)
“A palavra animismo, popularizada no meio espírita como sendo
mistificação, ficou sendo um recurso no combate às pessoas que queiram
abusar da mediunidade. Animismo não é intercâmbio; é a fala da própria
alma encarnada, que hipnotiza a si mesma, como sendo outra que usa as
suas faculdades.”
(Livro Médiuns – autor Miramez – Editora Espírita Cristã Fonte Viva – pág.73)
PERGUNTA N.º 12 – “O QUE DEVE FAZER O MÉDIUM QUANDO INFLUENCIADO POR
ENTIDADES FORA DA REUNIÃO , NO TRABALHO , NO LAR ? QUAIS AS CAUSAS DESSAS
INFLUÊNCIAS ?

“A mediunidade não é uma faculdade que só funcione nas reuniões


especializadas. Onde quer que se encontre o indivíduo, aí estão os seus
problemas. É perfeitamente compreensível que não apenas na oficina de
trabalho, como na rua, na vida social, ele experimente a presença dos
espíritos; não somente presenças positivas, como também perniciosas.
Cumpre ao médium manter o equilíbrio que lhe é proposto pela educação
mediúnica.
Mediante a educação mediúnica pode-se evitar a interferência desses
espíritos perturbadores em nossa vida de relação normal, para que não
venhamos a cair na obsessão simples, que é o primeiro passo para a
subjugação – etapa terminal de um processo de três fases.
O médium deve aprender também a incorporar, sem esses transtornos
nervosos. No exercício da mediunidade é preciso educar a postura do
médium, para que ele seja intermediário equilibrado, não dando ensejo a
distonias na área mediúnica.”
(Livro Diretrizes de Segurança – autores Divaldo Franco/Raul Teixeira – pág.
29/30/31)

6. Palavras Finais
“O Espiritismo, criteriosamente praticado, não é só uma fonte de
ensinamento, é também um meio de preparação moral. As exortações, os
conselhos dos Espíritos, suas descrições da vida de além-túmulo vêm a
influir em nossos pensamentos e atos e operam lenta modificação em nosso
caráter e em nosso modo de viver.”
(Livro No Invisível – autor Léon Denis – Editora FEB – pág. 124)
- Devem ser intensificadas no Espiritismo as sessões de fenômenos
mediúnicos?
“São muito poucos, ainda, os núcleos espiritistas que se podem entregar à
prática mediúnica com pleno consciência do serviço que têm em mãos;
motivo por que é aconselhável a intensificação das reuniões de leitura,
meditação e comentário geral para as ilações morais imprescindíveis no
aparelhamento doutrinário, a fim de que numerosos centros bem-
intencionados não venham a cair no desânimo ou na incompreensão, por
causa de um prematuro comércio com as energias do plano invisível.”

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(Livro O Consolador – pág. 208 – perg.371)

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Aula 4
TEMA: Os Perigos da Mediunidade
OBJETIVO: Identificar e alertar aos médiuns alguns equívocos e riscos
desestabilizadores do equilíbrio físico – psíquico – moral, este fundamental à
prática mediúnica técnica.

1. Leitura de Fixação da Aula 3 – Prática Mediúnica Técnica e


Empírica
“Qual ocorre com qualquer faculdade orgânica ou intelecto – moral, a
mediunidade, desvestida de mitos e tabus, exige cuidados especiais e
competente educação…”
“Possuidora de um campo de ação muito vasto, expande-se na razão direta
em que é exercitada com disciplina, quão se apequena e desaparece quando
deixada ao abandono, podendo, não raro, transformar-se em veículo de
perturbação e prejuízo…”
“Por essa mesma razão, afim de que possa atingir os objetivos nobres para
os quais existe, merece e necessita de atenções contínuas, desde a conduta
moral do homem que a possui, como dos recursos que lhe devem ser
aplicados, no que diz respeito ao estudo do seu mecanismo, tanto quanto da
sua educação e flexibilidade…”
“Certamente, pode apresentar-se espontânea e generalizada em pessoas
boas e más, cultas ou ignorantes, por ser, também, de natureza orgânica,
todavia, para tornar-se digna de crédito e respeito, faz-se credora de
compreensível educação, graças à qual se lhe desdobram as possibilidades
que dormem inatas aguardando ensejo para manifestarem-se…”
“A proliferação dos médiuns e a multiplicação de células dedicadas ao
exercício das forças mediúnicas têm tornado comuns a aceitação da
faculdade, e uma certa faixa de simpatia ora a envolve, permitindo, por
outro lado, que a vacuidade e a vulgarização trabalhem em prejuízo dos fins
e meios de aplicação de que se reveste…”
“Nenhum médium é, em conseqüência, perfeito e irretocável, isento da
influênciação dos maus espíritos como dos perturbadores, que povoam a
erraticidade e lhes constituem provas ao orgulho e à vaidade, demonstrando
a fragilidade humana, que é inerente à qualidade do ser falível em processo
de evolução na Terra…”
“O exercício consciente e cuidadoso, enobrecido e dirigido para o bem
proporciona ao médium os tesouros da alegria interior que decorrem da
convivência salutar com os seus guias espirituais interessados no seu
progresso e realização…”
“O médium, desse modo, responsável, no desdobramento das atividades a
que se dedica, no setor em que se especializa, vai se despojando dos
grilhões terrenos e projetando-se na direção da Vida Imortal, superando os
limites orgânicos e vendo crescer os horizontes iluminados do Mundo Maior

18
que o fascina e enternece…”
(Livro Médiuns e Mediunidade – autor espiritual Vianna de Carvalho – Editora
Livraria Espírita Alvorada – págs.49, 50 e 51)

. São os perigos da Mediunidade contornáveis?


“Em todas as coisas há precauções a adotar. A Física, a Química e a
Medicina exigem também prolongados estudos, e o ignorante que
pretendesse manipular substâncias químicas, explosivos ou tóxicos, poria
em risco a saúde e a própria vida. Não há uma só coisa, conforme o uso que
dela fizermos, que não seja boa ou má. É sempre injusto salientar o lado
mau das práticas espíritas, sem assinalar os benefícios que delas resultam e
que sobrepujam consideravelmente os abusos e as decepções…”
“Quando mesmo, ao demais, nos desinteressemos do mundo invisível, nem
por isso ele se desinteressaria de nós. Sua ação sobre a Humanidade é
constante. Estamos submetidos às suas influências e sugestões. Querer
ignorá-lo é conservar-se inerme diante desse mundo, ao passo que, por um
estudo metódico, aprendemos a atrair as forças benfazejas, os socorros, as
boas influências que ele encerra;…”
“…Tais desastres, contudo, resultam simplesmente da leviandade e falta de
precaução dos experimentadores, e nada provam contra o princípio…”
“É necessário – dizíamos – adotar precauções na prática da mediunidade…”
(Livro No Invisível – autor Léon Denis – Editora FEB – págs.339/342)
Pergunta 459: Os Espíritos influem sobre os nosso pensamentos e as nossas
ações?
“Nesse sentido a sua influência é maior do que supondes, porque muito
freqüentemente são eles que vos dirigem.”
(O Livro dos Espíritos – Allan Kardec)
“As almas elevadas sabem, mediante seus conselhos, preservar-nos dos
abusos, dos perigos, e nos guiar pelo caminho da sabedoria; mas sua
proteção será ineficaz, se por nossa parte não fizermos esforços para nos
melhorarmos. É destino do homem desenvolver suas forças, edificar ele
próprio sua inteligência e sua consciência. É preciso que saibamos atingir um
estado moral que nos ponha ao abrigo de toda agressão das individualidades
inferiores…”
(Livro No Invisível – autor Léon Denis – Editora – FEB – pág. 342)
“Se podem proibir a certas pessoas que se comuniquem com os Espíritos,
não podem impedir que manifestações espontâneas sejam feitas a essas
mesmas pessoas, porquanto não podem suprimir os Espíritos, nem lhes
impedir que exerçam sua influência oculta. Esses tais se assemelham às
crianças que tapam os olhos e ficam crentes de que ninguém as vê. Fora
loucura querer suprimir uma coisa que oferece grandes vantagens, só
porque imprudentes podem abusar dela. O meio de se lhe prevenirem os
inconvenientes consiste, ao contrário, em torná-la conhecida a fundo.”
(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 254)

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3. Riscos da Mediunidade
3.1) FADIGA FÍSICA/MENTAL
2º – “O exercício da faculdade mediúnica pode causar fadiga? – O exercício
muito prolongado de qualquer faculdade acarreta fadiga; a mediunidade
está no mesmo caso, principalmente a que se aplica aos efeitos físicos, ela
necessariamente ocasiona um dispêndio de fluido, que traz a fadiga, mas
que se repara pelo repouso.”
(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 221)
“Um dos escolhos da mediunidade é a sua prática com o médium cansado,
em decorrência de atividade desordenada, que sobreexcede sua capacidade
física.
O esgotamento físico e/ou mental, antecâmara da estafa, de recuperação
difícil, debilita as energias do medianeiro, podendo, dependendo de sua
resistência moral, torná-lo vítima de Espíritos maldosos.
Tão logo perceba pronunciados sinais de fadiga, além da normal, deve o
médium confiar-se a repouso e tratamento, por tempo adequado, para que o
refazimento se faça.”
(Livro Mediunidade e Evangelho)
“Como todas as atividades humanas, a faculdade mediúnica não deve ser
usada sem ordem e método. Não é aquele que mais se esgota, quem
maiores e melhores resultados apresenta, mas, sim, aquele que sabe
aproveitar o tempo, trabalhando e repousando.”
(Livro Sessões Práticas e Doutrinárias do Espiritismo – autor Aurélio A.
Valente – Editora FEB – págs.143/144)

3.2) IMATURIDADE PSICOLÓGICA


6º – “Haverá inconveniente em desenvolver-se a mediunidade nas crianças?
– Certamente e sustento mesmo que é muito perigoso, pois que esses
organismos débeis e delicados sofreriam por essa forma grandes abalos, e
as respectivas imaginações excessiva sobreexcitação. Assim, os pais
prudentes devem afastá-las dessas idéias, ou, quando nada, não lhes falar
do assunto, senão do ponto de vista das conseqüências morais.”
(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 221)
7º – “Há, no entanto, crianças que são médiuns naturalmente, quer de
efeitos físicos, quer de escrita e de visões. Apresenta isto o mesmo
inconveniente? – Não; quando numa criança a faculdade se mostra
espontânea, é que está na sua natureza e que sua constituição se presta a
isso. O mesmo não acontece, quando é provocada e sobreexcitada. Nota que
a criança, que tem visões, geralmente não se impressiona com estas, que
lhe parecem coisa naturalíssima, a que dá muito pouca atenção e quase
sempre esquece. Mais tarde, o fato lhe volta à memória e ela o explica
facilmente, se conhece o Espiritismo.”
(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 221)

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8º – “Em que idade pode a criança ocupar-se de mediunidade? – Não há
idade precisa, tudo dependendo inteiramente do desenvolvimento físico e,
ainda mais, do desenvolvimento moral. Há crianças de doze anos a quem tal
coisa afetará menos do que a algumas pessoas já feitas. Falo da
mediunidade, em geral; porém, a de efeitos físicos é mais fatigante para o
corpo; a da escrita tem outro inconveniente, derivado da inexperiência da
criança, dado o caso de ela querer entregar-se a sós ao exercício da sua
faculdade e fazer disso um brinquedo.”
(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 221)
“A prática do Espiritismo, como veremos mais adiante, demanda muito tato,
para a inutilização das tramas dos Espíritos enganadores. Se estes iludem a
homens feitos, claro é que a infância e a juventude mais expostas se acham
a ser vítimas deles. Sabe-se, além disso, que o recolhimento é uma condição
sem a qual não se pode lidar com Espíritos sérios. As evocações feitas
estouvadamente e por gracejo constituem verdadeira profanação, que
facilita o acesso aos Espíritos zombeteiros, ou malfazejos. Ora, não se
podendo esperar de uma criança a gravidade necessária a semelhante ato,
muito de temer é que ela faça disso um brinquedo, se ficar entregue a si
mesma. Ainda nas condições mais favoráveis, é de desejar que uma criança
dotada de faculdade mediúnica não a exercite, senão sob a vigilância de
pessoas experientes, que lhe ensinem, pelo exemplo, o respeito devido às
almas dos que viveram no mundo.”
(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 222)

3.3) DESEQUILÍBRIOS MENTAIS


1º – “Será a faculdade mediúnica indício de um estado patológico qualquer,
ou de um estado simplesmente anômalo? – Anômalo, às vezes, porém, não
patológico; há médiuns de saúde robusta; os doentes o são por outras
causas.”
(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 221)
4º – “Haverá pessoas para quem esse exercício seja mais inconveniente do
que para outras? – Já eu disse que isso depende do estado físico e moral do
médium. Há pessoas relativamente às quais se devem evitar todas as
causas de sobreexcitação e o exercício da mediunidade é uma delas.”
(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 221)
5º – “Poderia a mediunidade produzir a loucura? – Não mais do que qualquer
outra coisa, desde que não haja predisposição para isso, em virtude de
fraqueza cerebral. A mediunidade não produzirá a loucura, quando esta já
não exista em gérmen; porém, existindo este, o bom senso está a dizer que
se deve usar de cautelas, sob todos os pontos de vista, porquanto qualquer
abalo pode ser prejudicial.”
(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 221)
“…não convindo nem excitá-las, nem animá-las nas pessoas débeis. Do seu
exercício cumpre afastar, por todos os meios possíveis, as que apresentam
sintomas, ainda que mínimos, de excentricidade nas idéias, ou de

21
enfraquecimento das faculdades mentais, porquanto, nessas pessoas, há
predisposição evidente para a loucura, que se pode manifestar por efeito de
qualquer sobreexcitação.”
(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 222)

3.4) PROBLEMAS MEDIÚNICOS


Pergunta 45: Uma pessoa com problemas mediúnicos deve ser
encaminhada, sem risco, para uma reunião mediúnica?
“A pergunta já demonstra que a pessoa tendo problemas, deve primeiro
equacioná-los, para depois estudar e aprimorar a faculdade que gera
aqueles problemas. Como na mediunidade os problemas são do espírito e
não da faculdade mediúnica, é necessário que primeiro se moralize o
médium.
Abandonando as paixões, mudando a direção mental, criando hábitos
salutares para sua vivência, reflexionando no Evangelho de Jesus,
aprendendo a orar, ele equaciona, na base, os problemas que inquietam o
efeito, que é a faculdade mediúnica. Somente após o quê, é-lhe lícito educar
a mediunidade.
No capítulo I de O Livro dos Médiuns o Codificador examina o assunto na
epígrafe: Há Espíritos? Explica Allan Kardec que ninguém deve levar a uma
sala de química, por exemplo, alguém que não entende das fórmulas e das
composições químicas. Explico-me: um leigo chega numa sala e vê vários
vidros, com água branca e uma anotação que lhe parece cabalística: HNO3
+ 3HCl. Para ele a anotação não diz nada. Mas, se misturar aqueles líquidos
corre perigo. Assim, também é necessário primeiro que o indivíduo conheça
no laboratório do mundo invisível as soluções que vai manipular, para depois
partir para as experiências.
É de bom alvitre, portanto, que alguém que tenha problema de mediunidade
seja encaminhado às sessões doutrinárias de estudos, para primeiro
evangelizar-se, conhecendo a Doutrina a fim de que, mais tarde, canalize as
suas forças mediúnicas num bom direcionamento.
Há uma praxe entre as pessoas pouco esclarecidas a respeito da Codificação
Espírita, que induz se leve o indivíduo a uma sala mediúnica para poder
equacionar problemas, como quem tira uma coisa incômoda de cima da
pessoa.
O problema de que a criatura se vê objeto pode ser o chamamento para
mudança de rota moral. A mediunidade que aturde é um apelo para
retificação das falhas. E é necessário ir-se às bases para modificar aqueles
efeitos perniciosos.
Daí, diante de uma pessoa com problemas mediúnicos, a primeira atitude
nossa será encaminhar o necessitado à aprendizagem da Doutrina Espírita,
que é a terapêutica para seus problemas. A mediunidade será educada a
posteriori como instrumento de exercício para o bem, mediante o qual
granjeará títulos para curar o mal de que se é portador.”
(Livro Diretrizes de Segurança – autor Divaldo Franco/Raul Teixeira – Editora

22
Frater)

Pergunta 46 : Basta ao médium freqüentar as reuniões para resolver seus


problemas?
“A questão de resolver problemas se torna relativa. Os problemas que o
médium resolve no trabalho dedicado à Doutrina Espírita são de ordem
moral, porque ele passa a entender porque sofre, passa a compreender
porque enfrenta dificuldades na família, na saúde, mas isto não quer dizer
que a mediunidade seria o suporte, o apoio para que ele possa vencer,
vitoriar a etapa de lutas. Aí percebemos que, se estivermos pensando nestes
tipos de problemas físicos, a mediunidade não vai conseguir alijá-los do
médium. Mas, não somente aí vamos achar a necessidade do médium, pois
deverá ser levado ao trabalho de assistência aos que precisam, à renovação
através dos estudos continuados, à participação efetiva, ao ato da caridade,
que, conforme nos diz um Espírito Benfeitor, terá que iniciar-se pelo dever,
tornando-se um hábito até que isso se lhe penetre na alma em nome do
amor, para que se torne um médium sério, sensível, e não um médium que
apenas freqüenta a reunião, recebe seu guia, seu espiritozinho e depois
volta para casa, sem ligar para o sofrimento da humanidade (não é da
humanidade do Vietnã, do Camboja), a humanidade da sua rua, do seu
bairro, dessa gente que sofre e que geme à volta de todos nós.
Vemos tantos médiuns preocupados em ouvir o gemido dos espíritos
desencarnados e não ouvem os gemidos dos encarnados. Temos outros
ansiosos por ver espíritos, sem notarem os que sofrem a sua volta; vários
desejosos de materializar entidades, sem a preocupação de espiritualizar-se.
Então, para o médium será importante que ele se ajuste à dinâmica da
Doutrina Espírita, no trabalho da caridade, no esforço da renovação dele e
daqueles que o cercam.”
(Livro Diretrizes de Segurança – autor Divaldo Franco/Raul Teixeira – Editora
Frater)
3.5) MÉDIUM OBSEDIADO
A mediunidade provoca obsessão?
“Somente ocorre a parasitose obsessiva quando existe o devedor que se lhe
torna maleável, na área da consciência culpada, que sente necessidade de
recuperação.
A obsessão é obstáculo à correta educação da mediunidade e ao seu
exercício edificante, face à instabilidade e insegurança de que se faz
portadora.
A síndrome obsessiva, no entanto, revela a presença da faculdade mediúnica
naquele que sofre o constrangimento espiritual dos maus espíritos, pois
estes somente a exercem como expressão da ignorância e loucura de que
fazem objeto, infelizes que também o são nos propósitos que alimentam e
nas ações que executam.
A desorientação mediúnica, em razão de uma prática irregular, faculta
obsessões por fascinação e subjugação a longo prazo, de recuperação difícil,
quando não irreversível…

23
Nesse sentido, a parasitose obsessiva pode, após demorado curso, dar lugar
à distonia nervosa, o que facilita a instalação da loucura em suas variadas
manifestações.
Não é, porém, a mediunidade que responde pela eclosão do fenômeno
obsessivo. Aliás, através do cultivo correto das faculdades mediúnicas é que
se dispõe de um dos antídotos eficazes para esse flagelo, porquanto por
meio delas se manifestam os perseguidores desencarnados, que se
desvelam e vêm esgrimir as falsas razões nas quais se apoiam, buscando
justificar a insânia.
Será, todavia, a transformação pessoal e moral do paciente que lhe
concederá a recuperação da saúde mental, libertando-o do cobrador
desnaturado.
O processo de reequilíbrio, porém, é lento, exigindo altas doses de paciência
e de amor por parte do enfermo, como daqueles que lhe compartilham a
experiência afetiva, social, familiar.”
(Livro Médiuns e Mediunidades – autor espiritual Vianna de Carvalho –
Editora Livraria Espírita Alvorada – págs. 73/74)
“Diante do perigo da obsessão, ocorre perguntar se não é lastimável o ser-se
médium. Não é a faculdade mediúnica que a provoca? Numa palavra, não
constitui isso uma prova de inconveniência das comunicações espíritas? Fácil
se nos apresenta a resposta e pedimos que a meditem cuidadosamente.
Não foram os médiuns, nem os espíritas que criaram os Espíritos; ao
contrário, foram os Espíritos que fizeram haja espíritas e médiuns. Não
sendo os Espíritos mais do que as almas dos homens, é claro que há
Espíritos desde quando há homens; por conseguinte, desde todos os tempos
eles exerceram influência salutar ou perniciosa sobre a Humanidade. A
faculdade mediúnica não lhes é mais que um meio de se manifestarem. Em
falta dessa faculdade, fazem-no por mil outras maneiras, mais ou menos
ocultas.”
(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 244)
3.6 ) MISTIFICAÇÃO
“Embora os cuidados que o exercício da mediunidade exige, nenhum
sensitivo está isento de ser veículo de burla, de mistificação. Esta pode,
portanto, ter várias procedências:
a) dos espíritos que se comunicam, denunciando a sua inferioridade e
demonstrando falhas no comportamento do medianeiro, que lhes ensejou a
farsa; às vezes, apesar das qualidades morais relevantes do médium, este
pode ser vítima de embuste, que é permitido pelos seus instrutores
desencarnados com o fim de pôr-lhe à prova a humildade, a vigilância e o
equilíbrio;
b) involuntariamente, quando o próprio espírito do médium não logra ser um
fiel intérprete da mensagem, por encontrar-se em aturdimento, com estafa,
desgaste e desajustado emocionalmente;
c) inconscientemente, em razão da liberação dos arquivos da memória –
animismo – ou por captação telepática direta ou indireta;

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d) por fim, quando se sentindo sem a presença dos comunicantes e sem
valor moral para explicar a ocorrência, apela para a mistificação consciente
e infeliz, derrapando no gravame moral significativo.”
(Livro Médiuns e Mediunidades – autor espiritual Vianna de Carvalho –
Editora Livraria Espírita Alvorada – págs. 65/66)
3.7) DESPREPARO
“Antes de nos dirigirmos aos Espíritos, cumpre nos couracemos contra os
ataques dos maus, como quando palmilhamos um campo, onde se deve
temer as mordeduras das Serpentes. Consegue-se isso, primeiramente, pelo
estudo prévio que indica o caminho a ser seguido e as precauções a serem
tomadas. Depois, pela prece. Importa, porém que cada um se compenetre,
profundamente, de que consigo traz o preservativo único; que este se
encontra na sua própria força moral e nunca nas coisas exteriores; que não
há talismãs, nem amoletos, nem palavras sacramentais, nem fórmulas
sagradas ou profanas, que tenham a mínima eficácia, se não possuímos as
qualidades morais necessárias. Cumpre, pois, que cada um se esforce por
alcançar a posse dessas qualidades.
Raros seriam os casos de obsessão mediúnica, se todos se compenetrassem
bem do fim essencial e sério do Espiritismo, se sempre se preparassem para
o exercício da mediunidade por um apelo fervoroso ao anjos de guarda e aos
espíritos protetores, se estudassem a si mesmo, esforçando-se por se
purificarem de suas imperfeições.
Infelizmente, para muitos, não há se não o fato das manifestações. Não
satisfeitos com as provas morais que em torno delas enxameiam, entendem
de a todo custo, proporcionar a si próprios a satisfação de se comunicarem
pessoalmente com os espíritos, forçando o desenvolvimento de uma
faculdade que muitas vezes carecem, impelidos mais pela curiosidade que
pelo desejo de se melhorarem.
Resulta daí que, em vez de se cercarem de uma atmosfera fluídica salutar,
de se cobrirem com as asas protetoras de seus anjos guardiães, de
procurarem vencer suas fraquezas morais, abrem de par em par as portas
aos espíritos obsessores, que talvez os viessem atormentar de outra
maneira e em outra época, mas que aproveitam da ocasião que se lhes
oferecerem.”
(Revista Espírita – Allan Kardec – ano 1858)
4. Palavras Finais
“A proporção que o Espiritismo se divulga, mais imperiosa se faz sentir a
necessidade de estabelecer regras positivas, condições sérias de estudo e
experimentação. É preciso evitar aos adeptos amargas decepções e a todos
tornar acessíveis os meios práticos de entrar em relação com o mundo
invisível.”
(Livro No Invisível – autor Léon Denis)
“Há perigos para quem se entrega, sem reservas, à experimentação espírita.
O homem de coração reto, de razão esclarecida e madura, poderá colher
dela consolações inefáveis e preciosos ensinos. Mas aquele que só fosse
inspirado pelo interesse material, ou que só visse nesse fato um

25
divertimento frívolo, tornar-se-ia fatalmente objeto de uma infinidade de
mistificação, joguete de Espíritos pérfidos que, lisonjeando-lhe as
inclinações, seduzindo-o por brilhantes promessas, captar-lhe-iam a
confiança para, depois, acabrunhá-lo com decepções e zombarias.”
(Livro Depois da Morte – autor Léon Denis – cap. XXVI)

26
Aula 5
TEMA: Os Deveres dos Participantes da Reunião Mediúnica
OBJETIVO: Conscientizar os médiuns da importância do cumprimento das
responsabilidades inerentes ao bom desempenho da tarefa mediúnica.
1. Leitura de Fixação da Aula 4 – Os Perigos da Mediunidade
Problemas da Mediunidade
“Prognosticam, alarmadas, pessoas que ignoram a excelência do conteúdo
da doutrina espírita, que o exercício da mediunidade gera várias desordens
emocionais, comprometendo o equilíbrio psicológico do homem…
...A mediunidade, como qualquer outra faculdade orgânica, exige cuidados
específicos para um desempenho eficaz quão tranqüilo…
…Os distúrbios que lhe são atribuídos decorrem das distonias emocionais do
seu portador que, espírito endividado, reencarna-se enredado no cipoal das
próprias imperfeições, das quais derivam seus conflitos, suas perturbações,
sua intranqüilidade…
…Pessoas nervosas apresentam-se inquietas, instáveis em qualquer lugar,
não em razão do que fazem, porém, pelo fato de serem enfermas…
…O homem deseducado apresenta-se estúrdio e incorreto onde se encontre.
Nada tem a ver essa conduto com a filosofia, a aptidão e o trabalho a que se
entrega, porquanto o comportamento resulta dos seus hábitos e não do
campo onde se localiza…
…Justificam, os acusadores, que os médiuns sempre se apresentam com
episódios de desequilíbrio, de depressão ou exaltação, sem
complementarem que os mesmos são inerentes à personalidade humana e
não componentes das faculdades psíquicas…
…Evidente, aparecem manifestações da personalidade ou anímicas que não
são confundidas com as de natureza mediúnica, decorrentes das fixações
que permanecem no inconsciente do indivíduo…
…A interação espírito – matéria, cérebro – mente, sofre influências naturais,
inquietantes, quando se lhes associam, psiquicamente, outras mentes, em
particular aquelas que se encontram em sofrimento, vitimadas pelo ódio,
portadoras de rebeldia, de desequilíbrio…
…A tempestade vergasta a natureza, que logo se recompõe, passada a ação
danosa. Também no médium, cessada a força perturbadora, atuante,
desaparecem-lhes os efeitos perniciosos…
…O espiritismo é o único antídoto para tais perturbações, pelas orientações
que proporciona e por penetrar na tecedura da faculdade mediúnica,
esclarecendo-lhe o mecanismo e, ao mesmo tempo, dando-lhe sentido,
direção…
…Não há problemas decorrentes do exercício saudável da mediunidade…
…O exercício correto da mediunidade, a educação das forças nervosas; a
canalização dos valores morais para o bem, brindam o indivíduo com
equilíbrio, harmonia, dele fazendo mensageiro da esperança, operário da

27
caridade e agente do amor, onde quer que se encontre, a serviço da própria
elevação espiritual…”
(Livro Médiuns e Mediunidades – autor espiritual Vianna de Carvalho –
Editora LEAL – págs. 53/54/55)
2. Reflexão Inicial
“Ser médium é ser ajudante do Mundo Espiritual. E ser ajudante em
determinado trabalho é ser alguém que auxilia espontaneamente,
descansando a cabeça dos responsáveis.
Se não podes compreender isso, observa o avião, por mais simples seja ele.
Tudo é amparo inteligente e ação maquinal no comboio aéreo. Torres de
observação esclarecem-lhe a rota e vigorosos motores garantem-lhe a
marcha.
Mas tudo pode falhar, se falharem o entendimento e a disciplina no aviador
que está dentro dele.”
(Livro Seara dos Médiuns – autor espiritual Emmanuel – Editora FEB – pág.
138)
3. Responsabilidades do Médium
1 – QUANTO AO ESTUDO;
2 – QUANTO À DISCIPLINA GERAL (MORAL);
3 – QUANTO À DISCIPLINA ESPECÍFICA (ÉTICA)
3.1) Quanto ao Estudo.
“…Mesmo que os componentes da futura equipe se julguem suficientemente
informados e conhecedores da Doutrina dos Espíritos, vale a pena uma
revisão geral. Embora não gostemos de admitir, nosso conhecimento é
menor do que pensamos. Ademais, é difícil reunir um grupo de pessoas –
seis ou oito – que conheçam igualmente, e em profundidade, todas as obras
essenciais à tarefa a que se propõem. O mais provável é que o grupo se
componha de gente em diferentes estágios de conhecimento, desde aquele
que tem apenas vagas noções, até o que já possui conhecimento mais
profundos.”
(Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB – págs.
32/33)
“Seu objetivo final (reuniões de estudo) será sempre o de homogeneizar os
diversos graus de conhecimentos doutrinários, para obter a integração do
grupo.”
(Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB – pág.
33)
3.2) Quanto à Disciplina Geral — MORAL
“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos
esforços que emprega para domar suas inclinações más.”
(Livro: O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec – Editora FEB – cap.
XVII – pág. 264)

28
“1º – O desenvolvimento da mediunidade guarda relação com o
desenvolvimento moral dos médiuns?
Não; a faculdade propriamente dita se radica no organismo; independente
do moral. O MESMO, PORÉM, NÃO SE DÁ COM O SEU USO, QUE PODE SER
BOM OU MAU, CONFORME AS QUALIDADES DO MÉDIUM.”
(Livro O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – Editora FEB – item 226)
3.3) Quanto à Disciplina Específica — ÉTICA
“Médiuns sérios: os que unicamente para o bem se servem de suas
faculdades e para fins verdadeiramente úteis. Acreditam profaná-las,
utilizando-se delas para satisfação de curiosos e de indiferentes, ou para
futilidades.”
“Médiuns modestos: os que nenhum reclamo fazem das comunicações que
recebem, por mais belas que sejam. Consideram-se estranhos a elas e não
se julgam ao abrigo das mistificações. Longe de evitarem as opiniões
desinteressadas, solicitam-nas.”
“Médiuns devotados: os que compreendem que o verdadeiro médium tem
uma missão a cumprir e deve, quando necessário, sacrificar gostos, hábitos,
prazeres, tempo e mesmo interesses materiais ao bem dos outros.”
“Médiuns seguros: os que, além da facilidade de execução, merecem toda a
confiança, pelo próprio caráter, pela natureza elevada dos Espíritos que os
assistem; os que, portanto, menos expostos se acham a ser iludidos.
Veremos mais tarde que esta segurança de modo algum depende dos
nomes mais ou menos respeitáveis com que os Espíritos se manifestem.”
(Livro dos Médiuns – Allan Kardec – Editora FEB – item 197)
“É aconselhável, pois, aos médiuns…
* Desenvolvimento da autocrítica;
* Aceitação dos próprios erros, em trabalho mediúnico, para que se lhes
apure a capacidade de transmissão;
* Reconhecimento de que o médium é responsável pela comunicação que
transmite;
* Abstenção de melindres ante apontamentos dos esclarecedores ou dos
companheiros, aproveitando observações e avisos para melhorar-se em
serviço;
* Fixação num só grupo, evitando as inconveniências do compromisso de
desobsessão em várias equipes ao mesmo tempo;
* Domínio completo sobre si próprio, para aceitar ou não a influência dos
Espíritos desencarnados, inclusive reprimir todas as expressões e palavras
obscenas ou injuriosas, que essa ou aquela entidade queira pronunciar por
seu intermédio;
* Interesse real na melhoria das próprias condições de sentimento e cultura;
* Defesa permanente contra bajulações e elogios, conquanto saiba
agradecer o estímulo e a amizade de quantos lhe incentivem o coração ao
cumprimento do dever;

29
* Discernimento natural da qualidade dos Espíritos que lhes procurem as
faculdades, seja pelas impressões de sua presença, linguagem, eflúvios
magnéticos, seja pela sua conduta geral;
* Uso do vestuário que lhes seja mais cômodo para a tarefa, alijando, porém,
os objetos que costumem trazer jungidos ao corpo, como sejam relógios,
canetas,…”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
pág.62)
4. Palavras Finais
“Hoje, não podemos precisar de que modo desencarnarão os médiuns
espíritas ocupados em tarefa libertadora das consciências, mas é importante
que vivam atendendo aos próprios deveres, para que recebam corretamente
a morte, quando não seja na palma do heroísmo, pelo menos na dignidade
do trabalho edificante.”
(Livro Seara dos Médiuns – autor espiritual Emmanuel – Editora FEB – pág.
105)
“Não há desenvolvimento mediúnico, para realizações sólidas, sem o
aprimoramento da individualidade mediúnica.
No caso da terra, o lavrador será mordomo vigilante.
No caso da mediunidade, o médium será o zelador incansável de si mesmo.
E médium algum se esqueça de que é na terra boa abandonada que a praga
e a serpente, o espinheiro e a tiririca proliferam mais e melhor.”
(Livro Seara dos Médiuns – autor espiritual Emmanuel – Editora FEB – pág.
132)
“A instrução deve caminhar harmonia no todo. Em caso contrário, veremos
médiuns de bons sentimentos, sem instrução; ou de péssimo costumes, e
instruídos. Estes não podem ser perfeitos obreiros. Os Espíritos de certa
elevação só vêm aos meios sérios e bem orientados, da mesma forma que
os homens de bem, na Terra, não freqüentam os lugares duvidosos.”
(Livro Sessões Práticas e Doutrinárias do Espiritismo – autor Aurélio A.
Valente – Editora FEB – págs. 140/141)

30
Aula 6
TEMA: Planejamento dos Espíritos e do Médium para a Reunião Mediúnica.
OBJETIVO: Desenvolver nos médiuns a idéia da existência de uma interação
organizada, tanto a favor como contra, aos superiores objetivos da reunião
mediúnica, cabendo aos médiuns assumirem cuidados que concorrerão para
o êxito do trabalho.
1. Leitura de Fixação da Aula 5 – Os deveres dos participantes da
reunião mediúnica
DECÁLOGO PARA MÉDIUNS
1 – Rende culto ao dever.
Não há fé construtiva onde falta respeito ao cumprimento das próprias
obrigações.
2 – Trabalha espontaneamente.
A mediunidade é um arado divino que o óxido da preguiça enferruja e
destrói.
3 – Não te creias maior ou menor.
Como as árvores frutíferas, espalhadas no solo, cada talento mediúnico tem
a sua utilidade e a sua expressão.
4 – Não esperes recompensas no mundo.
As dádivas do Senhor, como sejam o fulgor das estrelas e a carícia da fonte,
o lume da prece e a bênção da coragem, não têm preço na Terra.
5 – Não centralizes a ação.
Todos os companheiros são chamados a cooperar, no conjunto das boas
obras, a fim de que se elejam à posição de escolhidos para tarefas mais
altas.
6 – Não te encarceres na dúvida.
Todo bem, muito antes de externar-se por intermédio desse ou daquele
intérprete da verdade, procede, originariamente, de Deus.
7 – Estuda sempre.
A luz do conhecimento armar-te-á o espírito contra as armadilhas da
ignorância.
8 – Não te irrites.
Cultiva a caridade e a brandura, a compreensão e a tolerância, porque os
mensageiros do amor encontram dificuldade enorme para se exprimirem
com segurança através de um coração conservado em vinagre.
9 – Desculpa incessantemente.
O ácido da crítica não te piora a realidade, a praga do elogio não te altera o
modo justo de ser, …
10 – Não temas perseguidores.

31
Lembra-te da humildade do Cristo e recorda que, ainda Ele, anjo em forma
de homem, estava cercado de adversários gratuitos e de verdugos cruéis, …
(Livro O Espírito da Verdade – autores Diversos – Editora FEB – págs.
22/23/24)
2. A Idéia da Organização
-“… O amigo permanece freqüentemente aqui?
- Sim, tomamos sob nossa responsabilidade os serviços assistências da
instituição, em favor dos doentes, duas noites por semana.
- Dos enfermos tão-somente encarnados?
- Não é bem assim. Atendemos aos necessitados de qualquer procedência.
- Conta com muitos cooperadores?
- Integramos um quadro de auxiliares, de acordo com a organização
estabelecida pelos mentores da Esfera Superior.
- Quer dizer que, numa casa como esta, há colaboradores espirituais
devidamente fichados, assim como ocorre a médicos e enfermeiros num
hospital terrestre comum?
- Perfeitamente. Tanto entre os homens como entre nós, que ainda nos
achamos longe da perfeição espiritual, o êxito do trabalho reclama
experiência, horário, segurança e responsabilidade do servidor fiel aos
compromissos assumidos. A Lei não pode menosprezar as linhas da lógica.
- E os médiuns? São invariavelmente os mesmos?
- Sim, contudo, em casos de impedimento justo, podem ser substituídos,
embora nessas circunstâncias se verifiquem, inevitavelmente, pequenos
prejuízos resultantes de natural desajuste.”
(Livro Nos Domínios da Mediunidade – autor espiritual André Luiz – Editora
FEB – pág. 163)
“… Os ocasionadores de perturbações não se encontram somente no meio
delas (das Sociedades e das reuniões), mas também no mundo invisível.
Assim como há Espíritos protetores das associações, das cidades e dos
povos, Espíritos malfeitores se ligam aos grupos, do mesmo modo que aos
indivíduos. Ligam-se, primeiramente, aos indivíduos. Ligam-se,
primeiramente, aos mais fracos, aos mais acessíveis, procurando fazê-los
seus instrumentos e gradativamente vão envolvendo os conjuntos, por isso
que tanto mais prazer maligno experimentam, quanto maior é o número dos
que lhes caem sob o jugo.”
(O Livro dos Médiuns, Allan Kardec – Editora FEB – item 340)
Comentar: “O Dirigente das Trevas” e “O Planejador”
(Categorias de espíritos manifestantes – livro Diálogo com as Sombras –
autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB – pág. 122/123)
“Os amigos espirituais que se incumbem de orientar o grupo raramente
revelam toda a extensão de suas responsabilidades e encargos. Somente a
observação atenta, no decorrer de muito tempo de trabalho, permite-nos
avaliar parcialmente a importância de suas presenças junto de nós.

32
Geralmente fazem parte de amplas organizações socorristas, que se
incumbem de orientar e assistir inúmeros grupos, onde reúnem pessoas de
boa-vontade, ainda que de limitados recursos.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
pág. 100)
“… A sala passa por rigorosa assepsia, visando defendê-la das larvas
psíquicas criadas pelas emissões mentais negativas e profundamente
desequilibradas dos obsessores e demais enfermos espirituais.
Também os encarnados movidos por sentimentos negativos emitem
pensamentos desequilibrados que dão origem às criações mentais inferiores
mencionadas.
Assinala André Luiz: “A cólera, a intemperança, os desvarios do sexo, as
viciações de vários matizes, formam criações inferiores que afetam
profundamente a vida íntima.” (Missionário da Luz)
(Livro Obsessão e Desobsessão – autora Suely Caldas Schubert – Editora FEB
– págs. 160/161)
“As comunicações inteligentes realizam-se igualmente pela ação fluídica do
Espírito sobre o médium, sendo preciso que o fluido deste último se
identifique com o do Espírito.
A facilidade das comunicações depende do grau de afinidade existente entre
os dois fluidos. Cada médium é assim mais ou menos apto para receber a
impressão ou a impulsão do pensamento de tal ou tal Espírito; podendo ser
bom instrumento para um e péssimo para outro. Resulta daí que se achando
juntos dois médiuns, igualmente bem dotados, poderá o Espírito manifestar-
se por um e não por outro.”
“Os Espíritos buscam, de preferência, os instrumentos que lhes sejam mais
apropriados; impor-lhes o primeiro médium que tenhamos à mão, seria o
mesmo que obrigar uma pianista a tocar violino, supondo que, por saber
música, pode ela tocar qualquer instrumento.”
“Sem a harmonia, que só pode nascer da assimilação fluídica, as
comunicações são impossíveis, incompletas ou falsas. Podem ser falsas,
porque, em vez do Espírito que se deseja, não faltam outros sempre prontos
a manifestarem-se e que pouco se importam com a verdade.”
“A assimilação fluídica é, algumas vezes, totalmente impossível entre certos
Espíritos e certos médiuns; outras vezes – e é o caso mais comum – ela não
se estabelece senão gradualmente e com o tempo; …”
(Livro O que é o Espiritismo – Allan Kardec – Editora FEB – págs. 171/173 –
itens 62/63/64/65)
“Durante a noite, enquanto adormecemos no corpo físico, nossos Espíritos,
desprendidos, parcialmente libertos, juntam-se aos benfeitores, para o
preparo das futuras tarefas mediúnicas. Descemos, com eles, às
profundezas da dor e, muitas vezes, realizamos, com eles, autênticas
sessões em pleno Espaço, para o tratamento preliminar de companheiros já
selecionados para a experiência mediúnica …”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –

33
pág. 101)
3. Cuidados dos Médiuns
3.1) VIGILÂNCIA E ORAÇÃO
“Nos dias de sessão, ao abrirmos os olhos para ver o dia, admirar a
Natureza, lidar com os nossos irmãos, seja o nosso primeiro pensamento a
prece fervorosa, humilde, dirigida ao Pai Celeste e aos nossos protetores
invisíveis. Redobremos a vigilância contra as tentações, porque é justamente
nas últimas horas que precedem os trabalhos que a ronda sinistra nos
acompanha como uma sombra.”
(Livro Sessões Práticas e Doutrinárias do Espiritismo – autor Aurélio A.
Valente – Editora FEB – págs. 69/70)
3.2) ALIMENTAÇÃO
“A alimentação, durante as horas que precedem o serviço de intercâmbio
espiritual, será leve.
Nada de empanturrar-se o companheiro com viandas desnecessárias.
Estômago cheio, cérebro inábil …”
(Livro Desobsessão – autor espiritual André Luiz – Editora FEB – pág. 15)
“… O jejum que realmente funciona é o da abstinência de maus
pensamentos, de sentimentos inferiores, venenos sutis que desajustam
nossa Alma, candidatando-nos à perturbação.”
(Livro A Voz do Monte – autor Richard Simonetti – Editora Rio – pág. 133)
“– O uso de alguma bebida alcóolica costuma trazer inconvenientes para os
médiuns?
Todo indivíduo que se encontra engajado nos labores mediúnicos, seja qual
for a ocupação, deveria abdicar do uso alcóolicos em seu regime alimentar.
Mesmo os inocentes aperitivos devem ser evitados, tendo-se em mente que
o médium é médium as vinte e quatro horas do dia, todos os dias,
desconhecendo o momento em que o Mundo Espiritual necessitará da sua
cooperação …”
(Livro Diretrizes de Segurança – autores Divaldo Franco/Raul Teixeira –
Editora Frater – pág. 117)
3.3) CUMPRIMENTO DE HORÁRIO
“Pontualidade – tema essencial no cotidiano, disciplina da vida.
Nas lides da desobsessão, é forçoso entender que benfeitores espirituais e
amigos outros desencarnados se deslocam de obrigações graves da Vida
Superior, a fim de assistir-nos e socorrer-nos.
Pontualidade é sempre dever, mas na desobsessão são assume caráter
solene.
Não haja falha de serviço por nossa causa. Não se pode esquecer que o
fracasso, na maioria das vezes, é o produto infeliz dos retardatários e dos
ausentes.
A hora de início das tarefas precisa mostrar-se austera, entendendo-se que o

34
instante do encerramento é variável na pauta das circunstâncias …”
(Livro Desobsessão – autor espiritual André Luiz – Editora FEB – pág. 39)
3.4) CONVERSAÇÃO APÓS À REUNIÃO

“Há sempre o que comentar, após uma sessão mediúnica. É preciso, no


entanto, que tais comentários obedeçam a uma disciplina, para que possam
ser úteis a todos. É que, usualmente, os Espíritos atendidos ainda
permanecem, por algum tempo, no recinto. Seria desastroso que um
comentário descaridoso fosse feito, em total dissonância com as palavras de
amor fraterno que há pouco foram ditas, pelo dirigente, durante a
doutrinação …”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
pág. 46)
“… Mesmo que a sessão tenha terminado, o comportamento de todos, ainda
no recinto, deve ser discreto, sem elevar demasiadamente a voz, sem
gargalhadas estrepitosas, embora estejam todos, usualmente, felizes e bem-
humorados, por mais uma noite de trabalho redentor …”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
pág. 47)
3.5) DESOBEDIÊNCIA DA REUNIÃO MEDIÚNICA
“É preciso, porém, observar que o trabalho dos componentes de um grupo
mediúnico não termina com o encerramento da sessão. Mesmo durante o
espaço de tempo que vai de uma reunião à próxima, de certa forma todos
estão envolvidos nas tarefas. Inúmeras vezes, os Espíritos em tratamento
nos dizem claramente que nos seguiram em nossa atividade normal.
Desejam testar a boa vontade, avaliar a sinceridade, ajuizar-se do
comportamento de cada membro do grupo, especialmente do médium pelo
qual se manifestaram e do dirigente que se incumbiu de doutriná-los. É
preciso que se tenha o cuidado para não pregar uma coisa e fazer outra
inteiramente diversa. Por outro lado, aqueles companheiros particularmente
enfurecidos tentarão, no desespero inconsciente em que se acham,
envolver-nos com seus artifícios. Se, no decorrer da semana, oferecemos
brechas causados por impulsos de cólera, de maledicência, de intolerância,
de invigilância, enfim, estaremos admitindo, na intimidade do ser,
emanações negativas que os companheiros infelizes estão sempre prontos a
emitir contra nós, na esperança de nos neutralizar, para que possam
continuar no livre exercício de suas paixões e desvarios. Todo cuidado é
pouco. Nos momentos em que sentirmos que vamos fraquejar, recomenda-
se uma parada para pensar e uma pequena prece, qualquer que seja o local
onde nos encontremos. Os irmãos desesperados certamente nos cobrarão,
no próximo encontro, as fraquezas que conseguiram identificar em nós. É
claro que não nos podemos colocar como seres puríssimos e redimidos,
incapazes de errar. Estejamos, assim, preparados para uma interpelação,
pois eles o farão, certamente …”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
pág. 47)
3.6) SUPERAÇÃO DE IMPEDIMENTOS

35
- CLIMÁTICOS
- CONTRATEMPOS
- VISITAS
- NATURAIS
CLIMÁTICOS
“… Necessário vencer os percalços que o tempo é capaz de oferecer.
Não raro, é a promessa de aguaceiro iminente ou a ventania forte,
comparecendo por empecilhos habituais.
Chuva ou frio …
O integrante da equipe não se prenderá em casa por semelhantes
obstáculos …”
(Livro Desobsessão – autor espiritual André Luiz – Editora FEB – pág. 21)
CONTRATEMPOS
“Na série de obstáculos que, em muitas ocasiões, parecem inteligentemente
determinados a lhe entravarem o passo, repontam os mais imprevistos
contratempos à frente do servidor da desobsessão.
Uma criança cai, explodindo em choro …
Desaparece a chave, de improviso, suscitando preocupações …
Alguém chama para solicitar um favor …
Certo familiar se queixa de dores súbitas …
Colapso do sistema de condução …
Dificuldades de trânsito …
O colaborador do serviço de socorro aos desencarnados sofredores não pode
hesitar. Providencie, de imediato, as soluções razoáveis para esses
pequeninos problemas e siga ao encontro das obrigações espirituais que o
aguardam, lembrando-se de que mesmo as festas de natureza familiar,
quais sejam as comemorações de aniversário ou os júbilos por determinados
eventos domésticos, não devem ser categorizados à conta de obstrução.”
(Livro Desobsessão – autor espiritual André Luiz – Editora FEB – pág. 25)
VISITAS INESPERADAS
“… Em alguns casos, é um parente necessitando de palavras amigas; de
outros, um companheiro reclamando atenção.
Que isso não seja tomado à conta de óbice insuperável.
O tarefeiro da desobsessão esclarecerá o assunto delicadamente,
empregando franqueza e humildade, …”
(Livro Desobsessão – autor espiritual André Luiz – Editora FEB – pág. 23)
NATURAIS
“… Uma viagem inesperada, por exemplo.
Pode acontecer que a obrigação profissional assim o exija.

36
Noutros casos, a moléstia grave comparece em casa ou na pessoa do próprio
cooperador, obstando-lhe o comparecimento à reunião.
Temos ainda a considerar o impedimento por enfermidades epidêmicas, qual
a gripe, e, em nossas irmãs, é razoável aceitar como motivo justos de
ausência os cuidados decorrentes da gravidez e os embaraços periódicos
característicos da organização feminil.
Surgindo o impasse, é importante que o companheiro ou a companheira se
comunique, rápido, com os responsáveis pela sessão, atentos a que se deve
assegurar a harmonia do esforço de equipe tanto quanto possível.”
(Livro Desobsessão – autor espiritual André Luiz – Editora FEB – pág. 27)
4. Palavras Finais
MENSAGEM AOS MÉDIUNS
“Venho exortar a quantos se entregam na Terra à missão da mediunidade,
afirmando-lhes que, ainda em vossa época, esse posto é o da renúncia, da
abnegação e dos sacrifícios espontâneos. Faz-se mister que todos os
Espíritos, vindos ao planeta com a incumbência de operar nos labores
mediúnicos, compreendam a extensão dos seus sagrados deveres para a
obtenção do êxito no seu elevado e nobilitante trabalho.
Médiuns! A vossa tarefa deve ser encarada como um santo sacerdócio; a
vossa responsabilidade é grande, pela fração de certeza que voz foi
outorgada, e muito se pedirá aos que muito receberam. Faz-se, portanto,
necessário que busqueis cumprir, com severidade e nobreza, …”
(Livro EMMANUEL – autor espiritual Emmanuel – Editora FEB – pág.65)
“Todos os médiuns, para realizarem dignamente a tarefa a que foram
chamados a desempenhar no planeta, necessitam identificar-se com o ideal
de Jesus, buscando para alicerce de suas vidas o ensinamento evangélico,
em sua divina pureza; a eficácia de sua ação depende do seu
desprendimento e da sua caridade, necessitando compreender, em toda a
amplitude, a verdade contida na afirmação do Mestre: “Dai de graça o que
de graça receberdes.”
(Livro EMMANUEL – autor espiritual Emmanuel – Editora FEB – págs. 67/68)

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Aula 7
TEMA: O Grupo Mediúnico
OBJETIVO: Criar o entendimento entre os médiuns que “a reunião mediúnica
é um ser coletivo , cujas qualidades e propriedades são a resultante de seus
membros”
1. Leitura de Fixação da Aula 6 – Planejamento dos Espíritos e do
Médium para a reunião mediúnica
“O dia destinado à reunião exige renúncias diversas, pequeninas, mais as
quais nem sempre estamos acostumados: moderação e vigilância, por
exemplo. Como os trabalhos são usualmente realizados à noite, não
podemos destiná-la ao convívio da família, aos passeios, às visitas, ao
relaxamento, à leitura do livro recreativo ou à novela de televisão. É um dia
de recolhimento íntimo, ao qual temos que nos habituar, aos poucos.
Estamos cientes disso.
Da mesma forma, encontramo-nos perfeitamente conscientizados das
responsabilidades que assumimos. Vamos nos defrontar com espíritos
desajustados que, no desespero em que se precipitam, voltam-se contra
nós, muitas vezes sem razão alguma, senão a de que estamos tentando
despertá-los para a realidade extremamente dolorosa, da qual se escondem
aflitamente. A responsabilidade é grande, pois, e sabemos disso.
Encontraremos percalços e nos empenharemos em lutas renhidas pelo bem.
Mesmo assim, desejamos o grupo. Um pouco de humildade nos fará, aqui,
um bem enorme. Não planejamos um grupo para reformar o mundo, nem
para conquistar todos os grandes espíritos que se debatem nas sombras.
Haveremos de nos preparar apenas para a nossa pequena oferenda. Os
orientadores espirituais saberão o que fazer dela, porque, muito melhor do
que nós, estão em condições de avaliar as nossas forças, recursos,
possibilidades e intenções, bem como as nossas fraquezas. O planejamento
é realizado no mundo espiritual. A nós, encarnados, caberá executá-los,
dentro das nossas limitações.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
págs. 35/36)
2. Reflexão Inicial
“A união faz a força, uni-vos para serdes fortes. O Espiritismo germinou,
lançou raízes profundas e vai estender sobre a terra a sua ramagem
benfazeja. É necessário que vos torneis invulneráveis aos dardos
envenenados da calúnia e da negra falange dos Espíritos ignorantes,
egoístas e hipócritas. Para chegar a isso, uma indulgência e uma
benevolência recíprocas devem presidir às vossas relações; vossos defeitos
devem passar despercebidos e vossas qualidades, somente elas, devem ser
observadas. A chama da amizade pura deve unir, iluminar e aquecer os
vossos corações. Assim podereis resistir aos ataques impotentes do mal,
como o rochedo inabalável resiste às vagas furiosas.” São Vicente de Paulo
(Livro O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – Editora FEB – Cap. XXXI –
mensagem XX)

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3. Idéia Central: A Unidade do Grupo
“Tarefas como essas não podem ser impostas, nem forçadas; têm que se
apoiar num impulso interior, no desejo de servir, de apagar-se, se
necessário, dentro da equipe, de modo que os resultados obtidos sejam
impessoais, coletivos, não creditáveis exclusivamente ao trabalho individual
deste ou daquele componente do grupo. Quem não estiver disposto a aceitar
essas condições não está preparando para o trabalho.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
pág. 34)
“Quanto aos componentes encarnados do grupo, mais uma vez lembramos:
é vital que os unam laços da mais sincera e descontraída afeição. O bom
entendimento entre todos é condição indispensável, insubstituível, se o
grupo almeja tarefas mais nobres. Não pode haver desconfianças,
reservadas, restrições mútuas. Qualquer dissonância entre os componentes
encarnados pode servir de instrumento de desagregação. Os espíritos
desarmonizados sabem tirar partido de tais situações, pois esta é a sua
especialidade.
Se os componentes do grupo oferecem condições de desentendimento,
provocarão a desagregação impiedosamente, porque para eles isto é
questão de vital importância, a fim de continuarem a agir na impunidade
temporária em que se entrincheiraram.
Assim sendo, é melhor que um grupo com dissensões internas encerre suas
atividades, pelo menos por algum tempo, até que se afastem os elementos
dissonantes. Não se admite, num grupo responsável e empenhado em
trabalho sério, qualquer desarmonia interna.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
págs. 55/56)
4. Componentes do Grupo
4.1) O DOUTRINADOR
“Só pela superioridade moral se exerce ascendência sobre os Espíritos
inferiores. Os Espíritos perversos reconhecem a superioridade dos homens
de bem. Enfrentando alguém que lhes oponha a vontade enérgica, espécie
de força bruta, reagem e muitas vezes são os mais fortes.”
(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – Editora FEB – item 279)
“Por outro lado, o chamado doutrinador não é o sumo-sacerdote de um culto
ou de uma seita, que se coloque na posição de mestre, a ditar normas de
ação e a pregar, presunçosamente, um estágio ideal de moral, que nem ele
próprio conseguiu alcançar.
Não se esquecer, porém, de que, no grupo mediúnico, ele é apenas um dos
componentes, um trabalhador, e não mestre, sumo-sacerdote ou rei.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
pág. 68)
“Sua formação doutrinária é de extrema importância. Não poderá jamais
fazer um bom trabalho, sem conhecimento íntimo dos postulados da
Doutrina Espírita.”

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(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
pág. 68)
“O doutrinador precisa, ainda, ser uma criatura de fé viva, positiva,
inabalável.
A fé espírita, tal como a conceituou Kardec: sincera, convicta, lógica,
plenamente suportada pela razão, mas sem se deixar contaminar pela frieza
hierática do racionalismo estéril e vazio.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
pág. 70)
“…chegamos a outra faculdade necessária ao doutrinador: a humildade. Ele
vai precisar dela, com freqüência impressionante. A princípio, para aceitar as
ironias, agressões e impertinências dos pobres irmãos atormentados.
Depois, se e quando conseguir convencer, o companheiro, de seus enganos
e de seus erros, para não assumir a atitude do vencedor…
Tem, ainda, que ser humilde no aprendizado. Cada manifestação traz a sua
lição, a sua informação, a sua surpresa. Em trabalho mediúnico, estamos
sempre aprendendo e nunca sabemos o suficiente.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
pág. 77)
“Nossa linguagem com os desencarnados deve ser idêntica a que
empregamos entre nós. Jamais especialmente com os obsessores e maus
Espíritos, devemos impor-nos com autoritarismo e severidade; as nossas
palavras devem ser portadoras de conforto, estímulo e consolação, e para
isso devem expressar bondade, encorajamento, doçura e amor, a fim de
enternecê-los. Só assim, e com preces, é que conseguiremos modificar-lhes
o caráter. Falar com rispidez, causa sempre revolta…
Uma palavra meiga, mais conselheira que imperativa, produz um prodigioso
efeito. O mesmo acontece entre nós.”
(Livro Sessões Práticas e Doutrinárias do Espiritismo – autor Aurélio A.
Valente – Editora FEB – pág. 173)
4.2) OS MÉDIUNS
“São Médiuns exatamente porque têm a sensibilidade mais aguda do que o
comum dos homens e das mulheres. Em decorrência dessa particularidade
que, no fundo, é da própria essência da mediunidade, são mais suscetíveis
mais sensíveis também à crítica, à atitude antifraterna, à palavra agressiva,
à reprimenda, tanto quanto ao elogio e à bajulação,…”
“Evidentemente, o médium não deve e não pode ser endeusado, porque isso
exporia, a ele e ao grupo, a imprevisíveis e desastrosas conseqüências. Em
breve, estaria recebendo “mensagens” diretas de Deus…”
“O médium equilibrado e disciplinado sabe que nada deve esperar de
diferente, exclusivo ou extraordinário. É apenas um dos componentes do
grupo, nada mais, e, como tal, credor da mesma estima e respeito devido
aos demais companheiros.”
“Há manifestações difíceis, dolorosas, que deixam resíduos vibratórios
perturbadores. Em casos assim, o médium não devem ser abandonado à sua

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sorte, com as dores e as canseiras resultantes. Se o dirigente não puder
socorrê-lo com um passe restaurador, designe alguém no grupo para fazê-lo,
mas diga-lhe uma breve palavra de carinho ou lhe faça um gesto de
solidariedade, para que o médium sinta o apoio e a compreensão para a sua
árdua tarefa.”
“Médium e doutrinador devem estimar-se e respeitar-se. Estima sem
servilismo e sem fanatismo; respeito sem temores e sem reservas íntimas.
Quando o relacionamento médium – doutrinador é imperfeito ou sofre abalos
mais sérios, põe-se em risco a qualidade do trabalho mediúnico.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
pág. 63/64/65)
5. Palavras Finais
“O grupo mediúnico é instrumento de socorro, ferramenta de trabalho,
campo de experimentações fraternas e escada por onde sobem não apenas
os nossos companheiros desarvorados, mas subimos também nós, que
tentamos redimir-nos na tarefa sagrada do serviço ao próximo.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB –
pág. 286)

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Aula 8
TEMA: Conselhos Práticos
OBJETIVO: Fixar a importância no grupo mediúnico de atitudes comprovadas
no êxito do trabalho mediúnico, e consagradas pela concordância com os
Ensinos dos Espíritos, constantes das obras básicas e subsidiárias da
Doutrina.
1. Leitura de Fixação da Aula 7 – O Grupo Mediúnico
“...O que vos aconselho antes de mais nada e sobretudo, é a tolerância, a
afeição, a simpatia de uns para com os outros e também para com os
incrédulos.
Quando vêdes um cego na rua, vosso primeiro sentimento é a compaixão.
Que assim seja também para os vossos irmãos cujos olhos estão fechados e
velados pelas trevas da ignorância ou da incredulidade. Lamentai-os, em vez
de os censurar. Por vossa doçura, mostrai vossa resignação para suportar os
males desta vida, vossa humildade em meio às satisfações, vantagens e
alegrias que Deus vos envia; mostrai que há em vós um princípio superior,
uma alma obediente à lei, a uma verdade também superior: o Espiritismo…
…Espíritas, sois todos irmãos na mais santa acepção do termo. Pedindo que
vos ameis uns aos outros, limito-me a lembrar a divina palavra daquele que,
há mil e oitocentos anos, pela primeira vez trouxe à Terra o germe da
igualdade. Segui a sua lei: ela é a vossa. Nada mais fiz do que tornar mais
palpáveis alguns de seus ensinamentos. Obscuro operário daquele mestre,
daquele Espírito superior emanado da fonte de luz, refleti essa luz como o
verme luzidio reflete a claridade de uma estrela. Mas a estrela brilha nos
céus e o verme luzidio brilha na terra, nas trevas. Tal é a diferença.
Continuai as tradições que vos deixei ao partir.
Que o mais perfeito acordo, a maior simpatia, a mais sincera abnegação
reinem no seio da Comissão. Espero que ela saiba cumprir com honra,
fidelidade e consciência o mandato que lhe é confiado.
Ah! Quando todos os homens compreenderem tudo o que encerram as
palavras amor e caridade, na Terra não haverá mais soldados nem inimigos;
só haverá irmãos; não haverá mais olhares torvos e irritados; só haverá
frontes inclinadas para Deus!…” Allan Kardec
(Revista Espírita – ano 1869 – Editora Edicel – pág. 180)
2. Considerações Gerais
2.1)
“A primeira qualidade de um médium é a abnegação de todo amor-próprio,
como da falsa modéstia, por isso que, sendo um instrumento, não pode
atribuir-se o mérito do que recebe de bom, nem se abespinhar com a crítica
do que pode ser mau.”
(Revista Espírita – ano 1860 – Editora Edicel – pág. 240)
2.2)
“Para acesso aos trabalhos espirituais da Casa, o candidato, além de estar

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freqüentando, com assiduidade, a reunião pública da Instituição, deverá:
a) vir participando, com assiduidade, de alguma reunião de estudo
doutrinário – evangélico;
b) a critério da coordenação espiritual, vir colaborando em alguma tarefa de
outra natureza, quando houver necessidade de maior integração com os
trabalhos e companheiros da Casa.”
2.3)
“Para acesso às reuniões mediúnicas propriamente ditas (desenvolvimento,
desobsessão, etc.), uma vez satisfeito o que se contém no item 2.2, deverá o
candidato:
a) já estar integrado na equipe de médiuns passistas;
b) ter participado de ‘Estudos para os Médiuns’.”
2.4)
“Considerando que a psicosfera individual do tarefeiro bem como a da Casa
Espírita é de grande importância para o êxito dos trabalhos, recomenda-se
aos integrantes das equipes mediúnicas observar o seguinte:
A) NO DIA DA REUNIÃO:
- Cultivar atitude mental positiva, mantendo idéias e atitudes nobres,
evitando-se irritações, rusgas, discussões, etc., procurando manter-se
sereno e paciente ante qualquer transtorno ocorrido durante o dia;
B) HORAS ANTES DA REUNIÃO:
- repouso físico e mental, procurando o devido refazimento do corpo e do
espírito;
NOTA: se impossibilitados de repousar horas antes da reunião (pessoas que
vão diretamente do labor profissional para a Casa Espírita, por questão de
horário de trabalho e/ou distância), recomenda-se descansarem à noite da
véspera maior número de horas, precatando-se contra o desgaste natural
das forças;
- preparação íntima, podendo incluir leitura moralizadora e salutar, prece e
meditação no próprio lar, ligando as tomadas para o Alto, retirando-se das
vulgaridades do “terra-a-terra”;
III) antes de chegar ao local da reunião, evitar dispersão de forças em
visitas, mesmo rápidas, a casas particulares ou bares e restaurantes
públicos.
C) CONDUTA NO LOCAL ANTES E DEPOIS DA REUNIÃO:
1. manter atitude respeitosa: nada de vozerio, tumultos, gritos e
gargalhadas;
2. se houver conversação, esta deverá ser boa e edificante, de modo a
auxiliar e pacificar a psicosfera do recinto ao invés de conturbá-la, com
temas negativos (exemplo: reprovações, críticas, anedotários, queixas,
azedumes, comentários de enfermidades ou noticias do “terra-a-terra”);
3. após a entrada na sala de reunião, manter silêncio e recolhimento,

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concentrando-se em ideações superiores ou leitura de obra doutrinária,
enquanto aguarda o início da reunião.”
2.5)
“Tendo em vista que a ocorrência de sono nas reuniões é, na maioria dos
casos, resultante de interferência espiritual inferior, todo empenho deverá
ser feito para superá-lo.”
2.6)
“Tendo em vista a necessidade de o tarefeiro aliar conhecimento à
experiência e considerando que os benfeitores espirituais estão sempre
estudando para se tornarem mais úteis, a Direção dos Trabalhos Espirituais
promoverá reuniões extras de estudos, abrangendo as várias áreas de
trabalho:
a) na programação dos estudos em causa, poderão ser incluídos seminários,
encontros, treinamentos, etc.; para trocar impressões à luz da Doutrina
Espírita, avaliando tópicos do trabalho;
b) o tarefeiro não deve circunscrever seu estudo apenas à Casa Espírita, mas
fazê-lo habitualmente em suas horas disponíveis, para progredir em
conhecimento e se tornar mais útil na obra que lhe cabe, dissipando
incertezas e, com isso, fortalecendo o conjunto;
c) ouvir as consultas e impressões dos tarefeiros a fim de que os problemas
suscitados por cada um sejam solucionados à luz da Doutrina;
d) apresentar sugestões ou planos para melhoria ou aperfeiçoamento dos
trabalhos.”
2.7)
“O servidor do labor espiritual deve conscientizar-se do seguinte:
a) sua mente precisa afirmar-se com a tarefa, subsistindo sempre confiança
entre os cooperadores em ação:
* qualquer crítica entre eles, mesmo por pensamento, enfraquece a eficácia
da tarefa;
* o sinal de enfado, por parte de qualquer cooperador, suprime os benefícios
a serem ministrados;
b) estar atento para não aderir, consciente ou inconscientemente, ao
comportamento de “fuga ao trabalho”, auto – iludindo-se com desculpas ou
pretextos, tais como:
* confessar-se incompetente;
* alegar cansaço;
* afirmar-se sem tempo;
* declarar-se enfermo;
* achar muito difícil;
* julgar impossível.
c) a oração precipitada, com que muitos tentam atrair vibrações salutares no
ato do atendimento, raramente consegue criar clima psíquico favorável ao

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êxito da assistência.”
2.8)
“O médium psicofônico (e psicográfico, no que couber) deve preparar-se
para a função, reconhecendo que não se encontra ali à maneira de um
fantoche, manobrado integralmente ao sabor das Inteligências
desencarnadas, mas sim na posição de intérprete e enfermeiro capaz de
auxiliar até certo ponto na contenção dos Espíritos rebeldes, devendo,
portanto, impedir e frustar:
a) palavras torpes, sobretudo obscenas;
b) qualquer impulso à agressão;
c) produção de gritos, pancadas, etc.;
d) posições de desmazelo, na acomodação entre os companheiros;
e) derribamento de móveis ou quaisquer objetos;
6. vergar a cabeça sobre os braços (atitude que favorece o sono e
desarticula a cooperação mental, dando ensejo à hipnose por parte dos
Espíritos enfermos).”
2.9)
“Os médiuns passistas, além de sua função de assistência da rotina na fase
terminal dos trabalhos (“Radiação e Passes”), permanecerão atentos ao
concurso eventual que lhes peça no transcurso da reunião (aqui é um
problema que irrompe entre os próprios companheiros; ali é um outro
médium psicofônico possivelmente caído em exaustão; acolá um pedido de
auxílio para esse ou aquele outro participante da reunião).”
(Apostila de Roteiro de Trabalhos Mediúnicos – USEERJ – pág.
10/11/12/13/14/16/17/22/23)
3. Palavras Finais
MEDIUNIDADE E JESUS
“Quem hoje ironiza a mediunidade, em nome do Cristo, esquece-se
naturalmente, de que Jesus foi quem mais a honrou neste mundo, erguendo-
a ao mais alto nível de aprimoramento e revelação, para alicerçar a sua
eterna doutrina entre os homens.
É assim que começa o apostolado divino, santificando-lhe os valores na
clariaudiência e na clarividência entre Maria e Isabel, José e Zacarias, Ana e
Simeão, no estabelecimento da Boa Nova.
E segue adiante, enaltecendo-a na inspiração junto aos doutores do Templo;
exaltando-a nos fenômenos de efeitos físicos, ao transformar a água em
vinho, nas bodas de Caná; honorificando-a, nas atividades da cura, em
transmitindo passes de socorro aos cegos e paralíticos, desalentados e
aflitos, reconstituindo-lhes a saúde; ilustrando-a na levitação, quando
caminha sobre as águas; dignificando-a nas tarefas de desobsessão, ao
instruir e consolar os desencarnados sofredores por intermédio dos
alienados mentais que lhe surgem à frente; glorificando-a na materialização,
em se transfigurando ao lado de Espíritos radiantes, no cimo do Tabor, e
elevando-a sempre, no magnetismo sublimado, seja aliviando os enfermos

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com a simples presença, revitalizando corpos cadaverizados, multiplicando
pães e peixes para a turba faminta ou apaziguando as forças da natureza.
E, confirmado o intercâmbio entre o vivos da Terra e os vivos da Eternidade,
reaparece, Ele mesmo, ante os discípulos espantados, traçando planos de
redenção que culminam no dia de Pentecostes – o momento inesquecível do
Evangelho -, quando os seus mensageiros convertem os Apóstolos em
médiuns falantes, na praça pública, para esclarecimento do povo
necessitado de luz.
Como é fácil de observar, a mediunidade, como recurso espiritual de
sintonia, não se confunde com a Doutrina Espírita que expressa atualmente
o Cristianismo Redivivo, mas, sempre que enobrecida pela honestidade e
pela fé, pela educação e pela virtude, é o veículo respeitável da convicção
na sobrevivência.
Assim, pois, não nos agastemos contra aqueles que a perseguem, através do
achincalhe – tristes negadores da realidade cristã, ainda mesmo quando se
escondam sob os veneráveis distintos da autoridade humana -, por quanto
os talentos medianímicos estiveram, incessantemente, nas mãos de Jesus, o
nosso Divino Mestre, que deve ser considerado, por todos nós, como sendo o
Excelso Médium de Deus.”
Eurípedes Barsanulfo
(Livro O Espírito da Verdade – autores Diversos – Editora FEB – pág. 157)

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