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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Centro de Tecnologia e Ciências


Faculdade de Engenharia

SUBESTAÇÕES ISOLADAS A GÁS SF6


E SEUS IMPACTOS NA SOCIEDADE

Por
Alan Modesto de Oliveira
Vinícius Prata Barbosa

Disciplina: Engenharia na Sociedade 2


Professor: João Fragozo

Rio de Janeiro, 24 de outubro de 2020


2020.1
SUMÁRIO

1. Introdução.................................................................................................................. 3
2. Objetivo ..................................................................................................................... 3
3. Gás SF6 ..................................................................................................................... 3
4. Aplicabilidade e Benefícios do Gás SF6 ................................................................... 4
4.1. Transformadores de Potência Imersos em SF6 ................................................. 5
4.2. Disjuntores Isolados a Gás SF6 ........................................................................ 6
5. Subestações de Energia Elétrica ................................................................................ 8
5.1. Subestações Isoladas a Ar ................................................................................. 9
5.2. Subestações Isoladas a Gás SF6 ....................................................................... 9
6. Subestações Isoladas a Gás SF6 .............................................................................. 10
6.1. Estrutura da Subestações Isoladas a Gás SF6 ................................................ 10
7. Impactos Socioambientais e Socioeconômicos ....................................................... 12
7.1. Área para implantação .................................................................................... 12
7.2. Aspectos Socioambientais ................................................................................ 13
7.3. Aspectos Técnicos ............................................................................................ 14
7.4. Custos............................................................................................................... 14
8. Caso Real................................................................................................................. 15
8.1. Caso 1: Subestação de Grajaú ........................................................................ 15
8.2. Caso 2: Subestação Olímpica .......................................................................... 16
8.3. Caso 3: Subestação Primária da Linha 4 do Metrô do Rio ............................ 17
9. Conclusão ................................................................................................................ 17
10. Bibliografia .......................................................................................................... 18

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1. INTRODUÇÃO
A energia elétrica para ser conduzida, desde a geração até o consumo, necessita de
meios para ser orientada adequadamente. Por meio de conexões é possível manobrar as
linhas de transmissão e os alimentadores de forma mais confiável, além das manobras
temos que ter meios de modificar a tensão e regular seus níveis objetivando melhor
atender às necessidades dos vários consumidores de energia elétrica.
As operações de variação e regulação dos níveis de tensão são realizadas através
das Subestações de energia elétrica, o que possibilita enviar adequadamente esses blocos
de energia de um ponto a outro. Historicamente as Subestações apresentam um alto índice
de longevidade, no entanto, muitas destas não sofreram ampliações ou modernizações,
em relação ao seu projeto inicial, em toda a sua vida útil.
Observando o cenário atual da sociedade onde o consumo de energia elétrica é
realizado de forma unânime, para suprir essa demanda gigantesca e ininterrupta de
energia, o Sistema de Energia Elétrica, por meio de uma grande e complexa estrutura de
usinas, subestações e linhas de transmissão requer cada vez mais ser aprimorado e
ampliado.
Essa tendência em aprimorar e ampliar o Sistema de Energia Elétrica fica evidente
quando contrastado com a expansão dos centros urbanos, pois o aumento na demanda de
energia está associado a este processo de urbanização. Consequentemente, faz-se
necessário a implantação de novas Subestações de energia elétrica para atender a essa
nova demanda, porém a expansão dos centros urbanos, aliado aos altos valores associados
à especulação imobiliária nesses locais, torna escasso as áreas disponíveis para
implantação de Subestações do tipo convencional (isoladas a ar atmosférico).
A soma desses fatores torna atrativo instalação de Subestações Isoladas a Gás,
devido a pequena área utilizada para construção da mesma, quando comparado a
subestações convencionais, reduzindo os custos associados a construção. Essas vantagens
relacionadas a construção são diretamente proporcionais, e cada vez mais significativas,
ao aumento da tensão do sistema, uma vez que as subestações convencionais de alta
tensão tendem a possuírem áreas consideravelmente maiores devido as longas distâncias
necessárias para o isolamento a ar atmosférico.

2. OBJETIVO
Analisar o desempenho de uma Subestação Isolada a Gás (GIS) em comparação a
uma Subestação Isolada a Ar (AIS), comparando as vantagens e desvantagens dessas duas
tecnologias nos aspectos técnicos, socioeconômicos e socioambientais, e como estes
relacionam-se com a sociedade.

3. GÁS SF6
O Hexafluoreto de Enxofre (SF6), é um composto químico inorgânico dos
elementos químicos enxofre e flúor, sendo assim um gás sintético formado por um átomo

3
de enxofre, rodeado por 6 átomos de flúor. Possui grande eletronegatividade, devido a
isto é utilizado principalmente na indústria elétrica, como meio isolante e extintor de arco
elétrico, desde o início de 1960.
Esta sua formulação proporciona uma série de características desejáveis em um
dielétrico, além de outras que o tornam muito interessante para ser utilizado em
equipamentos elétricos. O SF6 é quimicamente e termicamente estável, inerte, possui
excelente isolação elétrica, não oferece toxicidade, não é inflamável e ainda é auto
regenerável (recomposição das moléculas).
Foram estudadas aplicações de outros gases para serem utilizados como dielétrico,
mas apesar de alguns apresentarem capacidades até melhores para algumas características
necessárias, nenhum apresenta o conjunto de vantagens do SF6 (“IEEE Guide for Sulphur
Hexaflouride (SF6) Gas Handling for High-Voltage (over 1000 Vac) Equipment”, 2012).
Alternativas tecnológicas sem SF6 não são livres de potenciais impactos ambientais além
de oferecerem menor eficiência operacional, maiores custos e maiores riscos para
segurança do equipamento (Biasse, Otegui e Tilwitz-von Keiser, 2010). Desta forma,
tecnicamente, a sua adoção exclusiva como dielétrico gasoso pela indústria de
equipamentos elétricos é facilmente justificável.
Em resumo, o gás é quimicamente inerte, incolor, inodoro, insípido (sem sabor),
não é inflamável, não é corrosivo e não é tóxico. Também é cerca de cinco vezes mais
denso do que o ar, em temperatura ambiente, com uma densidade de 6,139 g/L. Devido a
essas características, essencialmente o gás não oferece riscos a vida humana, no entanto,
instalações totalmente fechadas não são recomendadas, devido ao fato de ser mais denso
do que o ar, o possibilitando expulsar o oxigênio do ambiente, podendo assim oferecer
risco de asfixia ao ser humano caso um vazamento ocorra.
O SF6 é usado nas GIS em pressões de 400 a 600 kPa absoluto. Essa pressão é
escolhida de forma que o gás não condense em um líquido, à temperatura mais baixas
quando em contato com os equipamentos. Sua capacidade isolante, comparado com o ar,
é aproximadamente três vezes maior, e cerca de cem vezes melhor para interrupção de
arcos elétricos. É usado normalmente em subestações de médias para altas tensões,
substituindo os meios mais antigos de isolantes: óleo e o ar atmosférico.

4. APLICABILIDADE E BENEFÍCIOS DO GÁS SF6


O gás SF6, devido as suas propriedades é largamente utilizado no setor elétrico,
possuindo diversas aplicabilidades em diversos equipamentos e instalações elétricas.
Como já vimos o gás SF6 também é o responsável por realizar o isolamento elétrico
dentro do invólucro onde encontra-se a subestação, a qual recebe o nome de Subestação
Isolada a Gás (GIS); quanto a esta aplicabilidade do gás, reservamos um capítulo para
tratar deste assunto. Veremos a seguir como os equipamentos elétricos, como
transformadores de tensão e disjuntores de média e alta tensão se beneficiam no uso deste
gás.
Em resumo, o SF6 tem um dielétrico de capacidade muito alta, desta forma extingue
efetivamente os arcos elétricos em circuito de média e alta tensão. Os equipamentos que

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utilizam o gás como meio isolante são compactos e quase livres de manutenção, sendo
extremamente seguro de ser operado.

4.1. Transformadores de Potência Imersos em SF6


Os transformadores de potência imersos em hexafluoreto de enxofre (SF6), figura
1, também chamados de GIT (Gas Insulated Transformers), são transformadores não
inflamáveis, não explosivos e que favorecem a proteção ao meio ambiente. Com tanques
especialmente projetados que evitam vazamento, são usados nas seguintes aplicações:
subestações subterrâneas (usinas, prédios comerciais e hidrelétricas), shopping centers,
hospitais e outros locais onde aglomeração de pessoas e espaços reduzidos inviabilizam
o uso de transformadores isolados a óleo.
Estes transformadores utilizam o gás SF6 (Hexafluoreto de Enxofre) como isolante
e como meio de refrigeração. Como isolante elétrico, o SF6 tem um valor de rigidez 2,5
vezes superior à rigidez do ar à pressão atmosférica, e que apresenta uma boa regeneração
da rigidez dielétrica, depois de submetido a ruptura pelo arco eléctrico. Como condutor
térmico, o SF6 apresenta um elevado calor específico, o que facilita o transporte do calor
do núcleo e enrolamentos, onde se desenvolve, para a superfície da cuba, onde se dissipa.
O arrefecimento do transformador pode ser feito por convecção natural do gás ou por
circulação forçada de um outro líquido refrigerante, que pode estar em contato direto com
o SF6 ou não e ainda através do uso de pequenos insufladores para aumentar a turbulência
do gás.
Quanto à aplicação desses transformadores verifica-se que apresentam uma
apreciável capacidade de sobrecarga e inexistente risco de explosão. Nenhum sistema
anti-incêndio especial é necessário, uma vez que o gás SF6 não é combustível. Também
não há necessidade de bacias de contenção ou de paredes corta fogo. A figura 2, um
gráfico de pressão por tempo durante uma falta interna, indicando que a variação de
pressão nos GITs (Transformadores Isolados a Gás) é muito lenta, e não atinge a
suportabilidade do tanque do transformador. O mesmo não pode ser visto nos OITs
(Transformadores Isolados a Oléo).
O SF6 não é solúvel em água e não libera elementos tóxicos ou nocivos quando
aquecido, portanto o comportamento desses transformadores quanto ao impacto ao meio
ambiental é satisfatório, tanto durante a fabricação quanto durante o funcionamento do
equipamento, e ao final da vida útil, os seus materiais são reciclados.
Por não carecer de fossa em sua instalação, reduz a necessidade de espaço para
construção de subestações e de postos de transformação. Portanto, constata-se que
transformadores isolados a gás SF6 ocupam 30% menos espaço e apresentam, como valor
típico na sua aplicação, uma redução de 15% no custo global de uma subestação, apesar
desse tipo ser mais caro que o tradicional imerso em óleo (OIT).

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Figura 1 – Transformador de Potência imerso em SF6.

Figura 2 – Variação de pressão durante uma falta interna

4.2. Disjuntores Isolados a Gás SF6


A interrupção em gás SF6 é efetuada sem estiramento do arco ou geração de
sobretensões. Os polos do disjuntor, que constituem a parte disjuntora, são sistemas com
pressão vedada para a vida operativa (normas IEC 62271-100 e CEI 17-1) e não
necessitam de manutenção. O comando mecânico, tipo ESH, funciona por acúmulo de
energia com disparo livre e permite manobras de abertura, e fechamento, independentes
do operador. O comando e os polos são fixados à estrutura metálica que funciona também
como suporte para o cinematismo de acionamento dos contatos móveis.

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Figura 3 - Disjuntor isolado a gás SF6
O princípio de interrupção dos disjuntores isolados a gás, conforme apresenta a
figura 3, baseia-se nas técnicas de compressão e autogeração para obter as melhores
prestações a todos os valores de corrente de interrupção, com tempos mínimos de arco,
extinção gradual. Desta forma, a interrupção ocorre seguindo o processo descrito abaixo
e ilustrado pela figura 4.
 Desconexão dos contatos principais: nenhum arco elétrico se estabelece porque a
corrente flui através dos contatos quebra arco. Durante o seu curso para baixo, o
equipamento móvel comprime o gás contido na câmara inferior. O gás
comprimido flui da câmara inferior à câmara superior levando ambas à mesma
pressão.
 Desconexão dos contatos quebra arco: a corrente flui graças ao arco elétrico que
se estabelece entre os contatos quebra arco. O gás não pode sair através do orifício
porque o furo ainda está fechado pelo contato quebra arco fixo, e nem pode sair
através da parte interna do contato quebra arco móvel porque o arco elétrico o
fecha (clogging effect):
i. Com correntes de pouca entidade, quando a corrente passa pelo seu zero
natural e o arco se extingue, o gás flui através dos contatos; a baixa
pressão atingida não pode estirar a corrente e a quantidade reduzida de
gás comprimido é suficiente para restabelecer a rigidez dielétrica entre os
dois contatos impedindo um reengate na frente de saída da tensão de
retorno.
ii. Com correntes de curto-circuito elevadas, a onda de pressão gerada pelo
arco elétrico fecha a válvula entre as duas câmaras, assim, o interruptor
começa a funcionar como um “puro selfblast” (autogeração); a pressão
aumenta, no volume superior, graças ao aquecimento do gás e à
dissociação molecular devido à alta temperatura. O aumento de pressão

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gerado é proporcional à corrente de arco e garante a extinção na primeira
passagem pelo zero da corrente.
 Disjuntor aberto: o arco foi interrompido, e a pressão autogerada no volume
superior se reduz porque o gás está fluindo através dos contatos. A válvula se
reabre, e, assim, um novo fluxo de gás fresco aflui na câmara de interrupção, desse
modo, o aparelho está pronto para o restabelecimento e a interrupção até o nível
máximo.

Figura 4 – Processo de interrupção no disjuntor

5. SUBESTAÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA


No contexto atual da sociedade moderna e tecnológica, o consumo de energia
elétrica deixou de ser facultativo e passou a ser de caráter imprescindível. É crucial manter
abastecido os grandes centros populacionais com energia elétrica segura e de qualidade,
para isto, estruturas complexas de usinas, subestações e linhas de transmissão são
empregadas no processo de condução desta energia, desde a geração até o consumo final.
O que possibilita enviar adequadamente esses blocos de energia de um ponto a
outro, em especial, é o emprego das Subestações de energia elétrica. Este conjunto de
instalações elétricas atuam, em média ou alta tensão, como um ponto de convergência de
linhas de transmissão e distribuição, além de ser responsável por toda parte de controle,
proteção e fluxo de energético pela rede, garantindo a operação correta tanto para
consumidores como para geradores de energia elétrica.
A principal função de uma subestação no Sistema de Energia Elétrica (SEE) é
prover um ponto onde são instalados os equipamentos de transformação de níveis de
tensão, manobra e de proteção. Os equipamentos de transformação permitem a conexão
de circuitos com níveis de tensão diferenciados, os equipamentos de manobra são
responsáveis pela distribuição do fluxo de potência através dos diversos circuitos
conectados à subestação e os equipamentos de proteção tem a função de garantir a
segurança de pessoas e equipamentos e restringir a abrangência da área afetada do
Sistema de Energia Elétrica.
As subestações podem ser classificadas de várias formas, entretanto, devido ao tema
deste trabalho, elas serão classificadas em função do seu meio isolante. Portanto, as
subestações podem ser classificadas como: isoladas a ar e isoladas a gás.

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5.1. Subestações Isoladas a Ar
As subestações que utilizam o ar atmosférico como meio isolante entre os
equipamentos presente na instalação são conhecidas como AIS, abreviação do termo
inglês Air Insulated Substation, que em tradução livre significa Subestação Isolada a Ar.
Neste caso, o ar atmosférico é o responsável pela isolação elétrica entre os
equipamentos de pátio. Todos os equipamentos, com exceção do Sistema de Proteção,
Controle e Supervisão que se encontram dentro da Casa de Comando, são expostos a
degradações ao ar livre, conforme apresenta a figura 5.
Devido a forma como a isolação entre os equipamentos é realizado, níveis mínimos
de distanciamento entre as partes energizadas precisam ser estabelecidos, além disto é
necessário observar e prever áreas para a circulação de pessoas e equipamentos.
Portanto, em regiões internas a SE, as distâncias de segurança resultam da soma de
dois valores: distanciamento referente aos afastamentos mínimos necessários para a
passagem de pedestres, veículos e equipamentos em áreas energizadas; distanciamento
referente aos afastamentos mínimos necessários para a realização de trabalho e
manutenções por operadores, considerando as dimensões médias de uma pessoa.

Figura 5 - Subestação localizada na Serra do Falcão

5.2. Subestações Isoladas a Gás SF6


As subestações isoladas a gás possuem as mesmas funcionalidades e tipos de
equipamentos de subestações tradicionais. Elas foram desenvolvidas entre o final da
década de 1960 e começo da década de 1970. O que as diferencia são, principalmente, o

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meio isolante e a sua aplicação. Em uma subestação isolada a gás, o seu meio isolante é
geralmente o SF6. A principal aplicação deste tipo de projeto é permitir instalações em
ambiente com pouco espaço disponível e crítico com relação à segurança, como por
exemplo, no centro de uma grande cidade; e algumas instalações podem ser subterrâneas.
Mesmo considerando que uma subestação blindada é idêntica, em funcionalidade,
a uma subestação tradicional, existem diversas particularidades construtivas ou
operacionais que as diferem.

6. SUBESTAÇÕES ISOLADAS A GÁS SF6


As subestações que utilizam o gás SF6 como meio isolante são conhecidas como
GIS, abreviação em inglês do termo: Gas Insulated Substation, que em tradução livre,
Subestação Isolada a Gás. Nesse modelo de subestação os disjuntores, chaves
seccionadoras, chaves de aterramento, transformadores de potencial (TP),
transformadores de corrente (TC), para-raios e barramentos ficam submersos no SF6
dentro de um invólucro metálico aterrado.
As subestações isoladas a gás, encontram-se principalmente em áreas urbanas, onde
o metro quadrado é muito caro ou não é disponível, e frequentemente instaladas em
edifícios em um pequeno local, conforme apresenta a figura 5. Essas subestações reduzem
o campo magnético e removem completamente o campo elétrico, uma real vantagem para
os instaladores, equipe de manutenção e as pessoas que vivem na redondeza de
subestações.
Segundo o livro “Electric Power Substations Engineering”, o SF6 é 23.000 vezes
mais nocivo para o efeito estufa que o dióxido de carbono. Entretanto, representa menos
de 1% de colaboração no aquecimento global. Isto ocorre devido ao fato das GISs
possuírem as suas partes ativas protegidas contra a deterioração da exposição ao ar
atmosférico, à contaminação e umidade. Por esses fatores, além de serem mais compactas
do que as AIS, também requerem menos manutenção e apresentam menor impacto ao
meio ambiente.

6.1. Estrutura da Subestações Isoladas a Gás SF6


O projeto e a construção de uma subestação isolada a gás consideram a utilização
de equipamentos de mesmas funcionalidades que uma subestação tradicional. Isto inclui
equipamentos de mesma capacidade, como: disjuntores, transformadores, seccionadores,
barramentos de interconexão, para-raios e conexões para o restante do sistema elétrico.
Um conjunto de equipamentos, ou de forma individual, é dividido em módulos que
representam compartimentos internos onde são preenchidos com gás e isolados dos
demais módulos por peças isoladoras. Os isoladores são feitos com epóxi fundido com
pequenos furos, portanto essa configuração permite a isolação entre os módulos da
subestação e também pode permitir a passagem de gás entre alguns compartimentos ou
sub compartimentos.

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Figura 6 – Subestação Isolada a Gás SF6 (GIS) de 138KV

Figura 7 – Estrutura de uma GIS

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Figura 8 – Layout de uma GIS

7. IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS E SOCIOECONÔMICOS


Neste capítulo será realizada uma análise comparativa entre as subestações AIS e
GIS, considerando os aspectos técnicas, socioambientais, área de implantação e custos
que abrangem os dois tipos de subestações.
7.1. Área para implantação
O tamanho da área disponível é a premissa fundamental para começar a ser feita a
análise comparativa. Se existe a possibilidade de uma área para implementação de uma
AIS (que é maior), é possível então prosseguir com a análise sobre a área e os demais
critérios. Pois em alguns casos, os problemas decorrentes de desapropriações de áreas já
ocupadas e urbanizadas é impossível e a implementação de uma GIS se torna a única
solução.
Quando a implementação de uma GIS se torna a única solução, é devido ao fato de
que a área necessária para implementação de uma GIS é expressivamente menor, segundo
Eson (2009) uma GIS ocupa uma área de 20 a 30% de uma SE convencional de mesmo
nível de tensão. A ABB, pioneira no ramo da tecnologia GIS na qual trabalha desde a
década de 60, cita uma redução de até 80% no espaço requerido. Conforme Peixoto
(2005) a economia de espaço chega a ser de 85% no terreno ocupado por uma GIS quando
comparado com uma subestação construída de forma convencional.
Em áreas urbanas onde o preço do metro quadrado é alto, o fator área se torna um
critério muito relevante, pois o custo será muito maior quando necessário um terreno com
dimensões grandes o qual é super valorizado. Deve se lembrar que existem terrenos
irregulares e íngremes que irão necessitar de uma terraplanagem e muros de contenção,
fator que aumenta o custo da obra. Situações essas em que a GIS se demonstra favorável.
Situações específicas como áreas com atividades sísmicas elevadas recomenda se também
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o uso da GIS devido ao seu maior nível de segurança contra terremotos. Outro fator
relevante sobre o aspecto área ocupada é pensar numa futura expansão da subestação,
quando se trabalha com uma GIS é possível fazer a verticalização da subestação para a
realização de uma expansão, caso necessário. Desta maneira, não é preciso uma área do
terreno muito maior para realizar esse procedimento, ao passo que por outro lado, não
ocorre no caso de uma AIS.

Figura 9 – Comparação do espaço físico utilizado

7.2. Aspectos Socioambientais


O visual de uma subestação convencional pode não ser agradável para os moradores
do bairro correspondente. A integração da subestação com o meio ambiente deve ser bem
feita a fim de evitar reclamações por parte d os moradores. Esse impacto visual pode ser
reduzido com projetos de urbanismo e paisagismo pois a área utilizada por uma AIS é
grande e o projeto pode ser bem elaborado. No entanto, esse impacto é bem menor em
uma subestação abrigada pois os equipamentos ficam dentro do prédio, e assim, não
visíveis aos cidadãos.
Entretanto, o aspecto visual é um dos menores problemas quando existe uma
subestação AIS perto de zonas urbanas. A poluição sonora causada pelo zumbido dos
transformadores de potência não é agradável para ninguém além de ser prejudicial. A
geração de ruídos pode ser reduzida com a utilização de transformadores de baixo ruído
e enclausuramento dos mesmos. No entanto, as GIS apresentam um aspecto positivo em
relação aos zumbidos gerados pelos transformadores de potência, que uma vez
enclausurados, eliminam esse incômodo para os moradores próximos.
As subestações geram interferências eletromagnéticas que podem afetar os sinais
de TV, rádios, celulares e de internet da vizinhança o qual é outro problema. Esse existe
com maior intensidade em AIS pois os equipamentos não são encapsulados, como é o
caso na GIS.
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Existe o problema em áreas urbanas com altos índices de poluição do ar com relação
ao isolamento das AIS. A isolação dos componentes é prejudicada pois o ar está poluído
e isso causa a necessidade de uma maior frequência na limpeza dos equipamentos. Além
do fator poluição, outro aspecto que prejudica o nível de isolamento é a umidade do ar.
No caso as GIS são menos afetadas por tais fatores e não necessitam de limpezas
constantes. O fator climático também é decisivo como em regiões onde se neva para a
implementação de GIS.
Vale ressaltar que numa GIS que possui TPs apenas abrigados, e não isolados à
SF6, existe a necessidade da utilização de exaustores, para o resfriamento térmico das
salas dos TPs. Esses exaustores produzem um ruído considerável e tendo em vista isto, é
necessário um bom projeto para não gerar desconforto aos moradores locais.

7.3. Aspectos Técnicos


A segurança é um fator importante quando falamos de subestações pois operam
com níveis altos de tensão o que aumenta o risco de morte. Tratando se dos riscos e
perigos, no caso de AIS os equipamentos ficam expostos ao tempo, sendo submetidos a
degradação do ambiente, os riscos de explosões são maiores devido aos equipamentos
serem habitualmente isolados a óleo mineral. Em caso de superaquecimento, os
equipamentos estão sujeitos a vazamento do óleo, havendo riscos de incêndios e até
mesmo explosões caso não seja realizada uma manutenção adequada nos equipamentos.
É interessante lembrar que existem áreas com probabilidades maiores de vandalismo e
invasões e nesses casos a GIS é mais segura e recomendada pois se trata de uma
subestação abrigada.
A confiabilidade em uma GIS é maior pois as manutenções nela são menos
frequentes e não há operação direta nos equipamentos que são encubados e estão em
módulos, fornecendo assim, maior segurança para terceiros e funcionários das
concessionárias de energia elétrica. A confiabilidade pode ser explicada devido ao fato
de uma GIS possuir as suas partes vivas (ex.: barramentos e condutores) localizadas
dentro de invólucros aterrados e inacessíveis, gerando máxima segurança para o operador
e reduzindo a manutenção.
Portanto, ao localizar o equipamento em um recinto fechado aumenta a
disponibilidade e a confiabilidade da subestação, visto que o risco de falhas primárias,
devidas a animais e à poluição atmosférica ou industrial, é significativamente diminuído
para AIS e totalmente eliminado para GIS.

7.4. Custos
Segundo (JACOBSEN, 2001) o custo de implantação de uma GIS é em média de
60% a 70% maior em relação a AIS, devido a sua alta complexidade tecnológica. Porém
nessa comparação não está contemplado o valor do m² do terreno. Quando se trata de um
terreno em um centro urbano, Cenário II, o preço do m² pode ser elevado, quando
localizados em regiões valorizadas, justificando a implantação de GIS. Desconsiderando
esse cenário de centros urbanos com elevado preço do m² do terreno, AIS possuem grande
vantagem em relação aos custos totais de implantação de um SE. Existem casos em que
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foram realizadas substituições de AIS existentes por GIS, onde a venda do terreno ajudou
nos custos de investimentos. Trata-se de duas subestações, uma localizada no bairro
Leblon do Rio de Janeiro, e outra em Copacabana, também na mesma cidade.

8. CASO REAL
8.1. Caso 1: Subestação de Grajaú
Localizada no bairro do Grajaú, Zona Norte do Rio de Janeiro-RJ, é estratégica
para o abastecimento de energia elétrica deste município. É responsável por cerca de 60%
de toda a energia consumida pelos cariocas, sendo energizado pela primeira vez em 1977.
É pioneira no Sistema de Transmissão de FURNAS como uma subestação
blindada a gás SF6 (GIS) de operação em 500 KV, interligando a transmissão ao sistema
de distribuição de alta tensão da distribuidora carioca LIGHT S/A. Sua principal função
é abaixar o nível de tensão de 500 KV para 138 KV através de 4 bancos de
transformadores isolados a óleo com capacidade total de 2.400 MVA, possuindo, ainda,
dois compensadores síncronos de 200 MVAr cada.
Além dos equipamentos acima mencionados, o conjunto dos demais
equipamentos da Subestação são isolados a gás SF6 e estão abrigados em prédios, que
são denominados como:
 Setor blindado a SF6 de 500 KV: comportam 2 linhas trifásicas de 500 kV,
quatro saídas de banco de trafos e sete disjuntores.
 Setor blindado a SF6 de 138 KV: comportam 16 linhas de 138 kV, sendo
quatro de cabo a óleo, totalizando 26 vãos com 26 disjuntores.
Por ser pioneira no Sistema Elétrico Brasileiro como Subestação Isolada a Gás
de Alta Tensão, ela apresenta processos inovadores, como o ressuprimento de SF6 com a
subestação energizada, garantindo boa confiabilidade por evitar interrupções da operação.
Foi construída em uma área total de 33.000 m². De acordo com gerentes
administrativos, seria necessária uma extensão até 10 vezes maior se a Subestação de
Grajaú fosse do tipo convencional (AIS). Esta unidade de FURNAS sofre com espaço
reduzido devido a urbanização desordenada no seu entorno, sendo totalmente cercada por
bairros residenciais populares, o que tornou a escolha pela GIS ainda mais apropriada.
Com isso, a administração desta SE precisa manter boa relação com as comunidades
vizinhas, de forma a evitar riscos à segurança das instalações e dos próprios moradores.

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Figura 10 – Vista aérea da Subestação de Grajaú

8.2. Caso 2: Subestação Olímpica


Localizada na Barra da Tijuca, um bairro valorizado da Zona Oeste do Rio de
Janeiro-RJ, foi construída com o objetivo de garantir o suprimento seguro e de qualidade
de energia elétrica ao Parque Olímpico do Rio de Janeiro, onde estão situados alguns
edifícios e 8 arenas poliesportivas que sediaram os eventos dos Jogos Olímpicos e
Paralímpicos de 2016, além de também serem bastante utilizadas para a realização de
grandes eventos musicais e culturais.
A construção desta Subestação foi executada até maio de 2015, por uma Sociedade
de Propósito Específico (SPE) constituída entre FURNAS e a distribuidora de energia
LIGHT S/A, contratada pelo Governo Federal Brasileiro em 2014. Ademais, a SPE foi
responsável por construir 2 linhas subterrâneas de 138 KV oriundas das subestações Barra
2 e Gardênia, que transmitem a energia elétrica demandada pelo Parque Olímpico. Após
a conclusão das obras, a operação da Subestação ficou a cargo exclusivo da LIGHT, já
que é localizada na área de concessão de serviços desta empresa.
A característica principal da Subestação Olímpica é a transformação de 138 KV
(Alta tensão) para 13,8 KV (Média Tensão). A potência total da instalação é de 120 MVA
(50% acima da demanda nominal), suprida por 3 transformadores abaixadores trifásicos
(138 KV/13,8 KV) de 40 MVA cada, isolados a óleo vegetal (uma alternativa ecológica
ao OIT tradicional). Este empreendimento também conta com:
 6 conjuntos de bancos de capacitores;
 Sistema digital para proteção e automação;
 51 módulos de equipamentos elétricos blindados a gás SF6 (GIS) de 13,8
KV;
 Barramentos isolados a SF6.

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Um aspecto notório da Subestação Olímpica é a área reduzida da construção, que
é totalmente abrigada em galpão fechado, proporcionando baixo impacto visual na
paisagem do Parque Olímpico para os visitantes e moradores do entorno, além de maior
segurança às pessoas e instalações da subestação. Também se destaca a operação remota
da subestação por redes de comunicação, o que reduz a quantidade de trabalhadores
presenciais da concessionária de energia na instalação.

8.3. Caso 3: Subestação Primária da Linha 4 do Metrô do Rio


Localizada no bairro nobre de São Conrado, Zona Sul do Rio de Janeiro – RJ. É
responsável pelo suprimento de energia à Linha 4 do Metrô do Rio, a obra mais recente
deste sistema de transporte urbano, que iniciou suas operações em 2016 para melhorar as
opções de transporte público aos turistas que compareceram ao RioCentro e Parque
Olímpico da Barra, durante as Olimpíadas e Paralimpíadas de 2016.
Após o encerramento destes grandes eventos mundiais, a missão da Linha 4
passou a ser a integração entre a Zona Sul e a Barra da Tijuca, podendo transportar mais
de 300 mil pessoas por dia, retirando das ruas cerca de 2 mil veículos por hora de pico
em cada sentido do eixo. Esta linha conta com quase 16 Km de vias férreas e 6 estações
de passageiros.
Tal infraestrutura requer considerável demanda de energia, tanto para eletrificação
das ferrovias na tensão de 750 Vcc (corrente contínua), como para alimentação das
diversas cargas auxiliares localizadas nos Túneis, Estações e Pátio de Manutenção e
Manobras, como circuitos de iluminação e de tomadas, sistemas de ventilação e exaustão
e aparelhos de ar condicionado, por exemplo.
Surge, então, a importância da Subestação Primária São Conrado (SSP), cuja obra
foi concluída no segundo semestre de 2015, com seus equipamentos isolados a gás SF6
(GIS) para garantir economia, segurança e confiabilidade às operações do Metrô. Esta
subestação principal alimenta 10 Subestações Retificadoras (SSRs), que convertem
corrente alternada (CA ou AC) em contínua (CC ou DC) para a tração necessária dos
trens em locomoção, e ainda atende 12 Subestações Auxiliares (SSAs), que alimentam os
equipamentos auxiliares.

9. CONCLUSÃO
Percebemos vários desafios para a construção de subestações de alta e média tensão
em grandes centros urbanos, tais como disponibilidade de área, aumento de preços por
especulação imobiliária, condições climáticas e até atividades sísmicas. Diante desses
fatores, a opção pelas SEs blindadas a gás SF6 tem sido cada vez mais levada em
consideração, pois esta tecnologia garante uma operação tão robusta quanto de uma SE
convencional, porém com mais versatilidade e confiabilidade e maior nível de segurança.
Uma notória desvantagem é que os custos dos equipamentos ainda são maiores que
dos equipamentos isolados a ar. A razão disso é que necessitam de quantidades maiores
de liga metálica para encapsulamento do gás e blindagem eletromagnética, além do

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emprego adicional de aparelhos de medição da pressão e temperatura do gás SF6, entre
outros.
Soma-se o fato de que o Brasil ainda não possui fabricação nacional de
equipamentos blindados. Somente grandes fabricantes de máquinas elétricas como
General Electric, Siemens, Toshiba e ABB dominam o conhecimento de fabricação da
tecnologia aqui discutida. Logo, os projetistas brasileiros precisam importar esses
componentes para posterior montagem da subestação, e o custo final de aquisição
dependerá da variação de câmbio do dólar e do euro.
Independentemente dos pontos aqui levantados, a tecnologia de isolação a gás SF6
se torna uma opção viável de atendimento ao crescimento da demanda de energia elétrica
no mundo, inclusive nas regiões mais desfavoráveis à vida útil de instalações elétricas.

10. BIBLIOGRAFIA
JACOBSEN, Ricardo Silva; NAKANO, Nelson Shingo. Estudo Comparativo entre
Subestações Blindadas a Gás SF6 e Subestações Convencionais. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA, 16,
2001, Campinas, São Paulo. Disponível em:
<http://www.mfap.com.br/pesquisa/arquivos/20081219104146-GSE-001.pdf>. Acesso
em: 20 de agosto de 2020.

PEIXOTO, Gilton R. Gestão e Planejamento Energético: Compactação de Subestações.


Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica. 2005. Disponível em:
<www.tec.abinee.org.br/2005/arquivos/s501.pdf>. Acesso em: 20 de agosto de 2020.

FRONTIN, Sergio O. et al. Equipamentos de alta tensão–prospecção e hierarquização de


inovações tecnológicas. Finatec 1ª Edição, Brasília, 2013.

MCDONALD, John D. Electric power substations engineering. CRC press, 2ª edição,


Flórida. 2006.

PRAZERES, Romildo Alves dos. Redes de distribuição de Energia Elétrica e


Subestações. 22ª. ed. Curitiba. Base Editorial ltda, 2010.

MUZY, Gustavo Luiz Castro de Oliveira. Subestações Elétricas. 2012, 108f. Trabalho de
conclusão de curso (bacharelado - Engenharia Elétrica) - Universidade Federal do Rio de
Janeiro, Rio de Janeiro, 2012.Disponível em:
<http://monografias.poli.ufrj.br/monografias/monopoli10005233.pdf>. Acesso em: 20 de
agosto de 2020.

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Rede Nacional do Esporte, notícia “Conheça a estrutura que garante o suprimento de
energia para os Jogos”. Disponível em: <http://www.rededoesporte.gov.br/pt-
br/noticias/fornecimento-e-suprimento-de-energia-eletrica-estao-garantidos-para-os-
jogos-rio-2016>. Acesso em: 23 de outubro de 2020.

TSEA Energia, notícia “Eletrificação de Transportes Urbanos”. Disponível em:


<https://www.tseaenergia.com.br/full-turnkey/transportes/eletrificacao-de-transportes-
urbanos/>. Acesso em: 23 de outubro de 2020.

Brasil Engenharia, notícia “Sistemas de energia entre a Linha 1 e a Linha 4 do Metrô Rio
já estão sendo conectados”. Disponível em:
<http://www.brasilengenharia.com/portal/noticias/destaque/11713-sistemas-de-energia-
entre-a-linha-1-e-a-linha-4-do-metro-rio-ja-estao-sendo-conectados>. Acesso em: 23 de
outubro de 2020.

Revista FURNAS, Ano XXXI, Nº 324, SETEMBRO 2005, págs. 15 a 17 – Título:


Subestação de Grajaú garante abastecimento do Rio de Janeiro

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