Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos

Manual de Engenharia
para
Sistemas Fotovoltaicos

Grupo de Trabalho de Energia
Solar - GTES
CEPEL - CRESESB
Edição Especial
PRC-PRODEEM
Rio de Janeiro - Agosto - 2004

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GTES COLABORADORES: PRIMEIRA REVISÃO Fernando A. da Silva .CEPEL Patrícia C.CEEE Leonildo de Souza Silva .CEPEL Av. 1. da Silva . DA AERONÁUTICA Luís Sérgio do Carmo .br Centro de Pesquisas de Energia Elétrica . G. 6.CRESESB Impressão Ediouro Gráfica e Editora S.Ilha da Cidade Universitária CEP 21941-590 Rio de Janeiro . Sistema fotovoltaico conectado à rede. Guimarães . Valente . Ribeiro . Energia solar fotovoltaica. 1999. 7.AGÊNCIA ENERGIA Marco A.cepel.CEPEL Marco Antônio Galdino . A. Sistema fotovoltiaco de bombeamento de água.RJ Tel. C. Ferreira .CESP Mário H.: 0xx 21 2598-2187 Fax: 0xx 21 2598-6384 Home Page: Http://www. Sistema híbrido. Guimarães . Mesquita .LIGHT SEGUNDA REVISÃO Centro de Pesquisas de Energia Elétrica.Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos 4 Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos Grupo de Trabalho de Energia Solar . ENERGIA Ana Paula C. F.UFRGS ELABORAÇÃO E EDIÇÃO: Claudio M. Dutra . Centro de Referência para Energia Solar e Eólica Sérgio de Salvo Brito. de Oliveira .CRESESB Ricardo M.BRSOLAR Sérgio Benincá . Ferreira . Craveiro . Manual de engenharia para sistemas fotovoltaicos / Rio C397m de Janeiro.: 0xx 21 2598-2112 Fax: 0xx 21 2260-1340 Home Page: Http://www.CESP João Jorge Santos .cresesb. Célula solar. 4.CRESESB Roberto Zilles . pp . Utilização de energia solar.CEMIG Osvaldo L.UFMG Elizabeth M. Radiação solar. G. Bastos . Pereira . Ribeiro . Mousinho Reis .. 3. cm.CRESESB Rosimeri X. Energia solar.THE NEW WORLD POWER DO BRASIL Maria Julita G. 2.br .UFPA Lúcio César de S. D.CESP Maria Julita G. Pereira .Ilha da Cidade Universitária CEP 21941-590 Rio de Janeiro . A. Hum S/Nº .COELCE Ruberval Baldini . Programação Visual e Capa Ricardo Marques Dutra .RJ Tel.UFRJ Luiz C.CEPEL Patrícia C.USP Ana Paula C. Hum S/Nº .CHESF Joaquim Paim Marzulo . Ribeiro . 10. Macagnan .SOLTEC ENG.CEPEL Leopoldo E.UFMG Claudio M.COELBA Paulo M.PUC-MG João T. Bateria solar.CRESESB Av. S.472 Grupo de Trabalho de Energia Solar.COELBA Teresa V. CRESESB. . 9.A.cepel. 621.MIN. Pinho .UFRGS Arno Krenzinger . 8.CEPEL Hamilton Moss de Souza . Centro de Referência para Energia Solar e Eólica Sérgio de Salvo Brito . 5. Módulo fotovoltaico. Prado Jr.

. com o apoio da ELETROBRÁS e do Ministério de Minas e Energia. Com este relançamento temos a certeza de estarmos ampliando o público que terá acesso ao seu conteúdo e contribuindo para a consolidação do uso da energia fotovoltaica no Brasil. certamente um clássico na bibliografia brasileira sobre energia fotovoltaica. encontrava-se praticamente esgotada. Esta obra. Tendo em vista a implantação do Plano de Revitalização e Capacitação do PRODEEM e do Programa Luz para Todos. identificou-se a necessidade de reeditá-la. tem o prazer de lançar esta reedição do Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos.Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos 5 Sobre esta edição O CRESESB e o CEPEL.

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os resultados desta revitalização do PRODEEM estarão evidentes e contribuindo efetivamente para o cumprimento das metas do Programa Luz para Todos. o PRC está empreendendo diversas ações para que a sustentabilidade do fornecimento de energia às comunidades atendidas pelo programa possa ser assegurada. Publicações e outros instrumentos didáticos e de difusão de informação específica para dar suporte ao treinamento de pessoal estão a caminho.Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos 7 Apresentação O PRODEEM – Programa de Desenvolvimento Energético de Estados e Municípios. reuniões nos mais diferentes níveis. É com pessoas devidamente treinadas e motivadas que as transformações ocorrem e se sustentam. do Governo Federal. permitiram um preciso diagnóstico da situação dos sistemas de geração fotovoltaica patrocinados pelo PRODEEM. visitas técnicas. agora reeditado. atualmente integrando o Programa Luz para Todos. Paulo Augusto Leonelli Diretor do PRODEEM . imbuídas da nobre missão de assegurar o suprimento de energia para as comunidades atendidas pelo Programa. Esta obra é resultado do esforço de inúmeros profissionais e colaboradores. Seminários. Nesta atual fase do PRODEEM. Este processo. Capacitação é peça chave deste processo de revitalização. passa por um profundo processo de revitalização. é fruto da experiência acumulada nas fases anteriores do Programa. Esta reedição também faz parte deste esforço. já é uma obra clássica em nosso meio. será mais uma vez um valioso instrumento para o treinamento das equipes que percorrerão o País. Ao longo destes últimos anos tem sido um fiel companheiro de trabalho dos pioneiros que fizeram e fazem a história do uso da energia fotovoltaica no Brasil. consolidado no Plano de Revitalização e Capacitação do PRODEEM – PRC. O Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos. Com base neste diagnóstico. inspeções. Em breve. Discussões. consulta a especialistas.

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Espera-se que esta versão do Manual seja uma semente para a disseminação da energia solar fotovoltaica no Brasil e que possamos evoluir em direção ao seu contínuo aperfeiçoamento e gerar novos documentos. entre outros interessados.Grupo de Trabalho de Energia Solar. envolvendo pessoas e/ou instituições de perfis e interesses variados. métodos de dimensionamento. operação e manutenção dos sistemas. periodicamente o grupo reúne. prioritariamente. na língua portuguesa. criado em setembro de 1992. em função da demanda apresentada pelos participantes do GTES. elaborar o presente material. literatura sobre o assunto. por eles. Este Manual é fruto da iniciativa dos membros do subgrupo “Manuais” do GTES . Além disso. Centros de Pesquisa. discutir e difundir questões ligadas à Tecnologia Solar Fotovoltaica.Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos 9 Apresentação da Primeira Edição É com satisfação que apresentamos o “Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos”. nasceu da necessidade de fomentar. Seu conteúdo contempla: descrição da tecnologia fotovoltaica. Universidades e Fabricantes. O GTES. com outros enfoques e para diferentes públicos alvo. Este Manual destina-se a auxiliar os engenheiros e técnicos envolvidos com projetos de Sistemas Fotovoltaicos de Energia. e procedimentos de instalação. Concessionárias. em paralelo com suas atividades regulares. Claudio Moises Ribeiro Luiz Carlos Guedes Valente . Todos os capítulos apresentam uma introdução suscinta sobre os assuntos que serão. em conformidade com a realidade brasileira. descrição dos principais tipos de Sistemas Fotovoltaicos e de seus componentes básicos. Este Manual enfoca. visa atender a necessidade básica de se ter. avaliação do recurso solar. sistemas de pequeno porte. abordados. Assim sendo. que conseguiram.

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.......... 60 4..........Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos 11 Sumário Capítulo 1 ......................Detalhamento das Características e Funções ........................................................1 .........1.................................2......3...Carga CA sem Armazenamento ..................2....1. 82 ....................2 .....................................Tipos de Inversores ................................1......................... 58 4...........1..............Características Construtivas dos Módulos ...........1................................... 43 4...................................Configurações Básicas ........1.....1 ....................................................................Radiação Solar e Efeito Fotovoltaico .....................3................ 35 3.................................. 69 4.......1...... 75 4..........3 .........Sistemas de Grande Porte....5...........Sistemas Conectados à Rede ........1 ............................................................................Fatores que Afetam as Características Elétricas dos Módulos ........2.....................1..................................Características Ideais para Uso em Sistemas Fotovoltaicos ................................................................................................... 66 4.......................................................... 30 Capítulo 3 ............................... 75 4........................................................................................................................................................ 81 4............1.........................................................2 ...... 68 4......Terminologia .......................................Componentes Básicos .......................................................................Tipos de Controladores de Carga ...............Módulo Fotovoltaico ..5 ............. 36 3...4 .......2...Seguidor do Ponto de Máxima Potência (MPPT).......................... 40 Capítulo 4 ................................................... 74 4................... 43 4...1................Arranjo dos Módulos .............Célula Fotovoltaica .....Controladores de Carga Baseados em Tensão ......................... 39 3....1 ............Radiação Solar: Captação e Conversão ......4................3 ........................ 23 2..... 76 4..........Efeito Fotovoltaico .................................... 17 Capítulo 2 .........2 ...6...Baterias Recarregáveis ...........................................................................Baterias Níquel-Cádmio ................................. 38 3............................3...... 37 3................... 49 4...................................Características Elétricas dos Módulos .....................2 ........................................3 ............1...............4....Características Ideais para Uso em Sistemas Fotovoltaicos .............3........................ 53 4. 43 4.........................................1.................................................2.............................. 38 3........... 39 3.........................2... 51 4........... 48 4...Carga CC sem Armazenamento ...............................2.........................2..............................................Carga CA com Armazenamento ....4.................................2..2 ............2...Medição Única do Balanço de Energia ................................Sistemas Residenciais .......... 67 4...............Baterias .......................3 .............. 45 4............................................3....Controladores de Carga ...Conversores CC-CC .......................................2 ............................................................................1...... 76 4.....Medição Dupla .......2.. 39 3.............................4 .....................1...............................................................................................................Inversores ............1 .....Medições Simultâneas .......................2.........1...... 37 3..2..........................2.Sistemas Isolados ............................ 36 3............................................................................. 23 2.........................................................................3................................Características dos Inversores ...............2.................................. 37 3...............Introdução ..........2..................................2....................4.........................Carga CC com Armazenamento ............................................................Baterias Chumbo-Ácido .....................................................................1.......1......... 71 4...............1... 46 4.........

........Avaliação do Recurso Solar ...................Orientação do Arranjo Fotovoltaico ...........................................................................Tipos de Motores .................................................. 94 5....................1 .............1.........................................Estimativa da Curva de Carga ......................................................2......2.............2.........Projeto Elétrico .......................Refrigeração ............................... 142 7.................................... 95 5....................1.....3............. 90 5.............Montagem da Estrutura dos Módulos .........4..................7.....................Localização do Arranjo Fotovoltaico ..........................2...........................................................................................1...Módulos Fotovoltaicos ..................... 104 6..................Tipos Disponíveis no Mercado ......1..................................5 .......................Bateria ..........2 ......2 ...............Projeto de um Sistema Fotovoltaico .................................... 149 7.........................................3.Tipos Disponíveis no Mercado ............... 101 6.............. 91 5......... 87 5......................................1..Motores CA .... 91 5.....................................Proteção Catódica ......... 147 7.... 111 6..................................................1.....Lâmpadas de Vapor de Sódio de Baixa Pressão...............6......... 151 7.................................. 105 6....... 95 5..............Controle .....................................2............................................................................................. 143 7..................................7 .................. 97 5..............1 ..................................................1...............2.................................2 .............................Dimensionamento do Sistema de Armazenamento .......................3............................Escolha da Configuração ................................................4 ..............................Dimensionamento de Sistemas Fotovoltaicos de Pequeno Porte ....................... 88 5............ 88 5.................................................................12 Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos Capítulo 5 ........Etapas do Projeto de um Sistema Fotovoltaico ..........Especificação dos Demais Componentes Básicos .........Cabos e Conexões ................................1.......... 92 5..5................Aplicações .........................1............3............................................... 93 5...............2.............6 .. 92 5.......Acessórios .................4.....................4. 90 5. 108 6..........5................................1.................................1................................................2.................. 141 7.................3....................1....... 142 7......3...................2..................................... 142 7...............1...................................................Motores CC ............. 147 7....................................................Lâmpadas Fluorescentes ........................... 90 5....................................Instalações ......................Bombeamento de Água ......1.... 94 5......Estação Remota para Monitoramento ............................1...1......................1...........................1.............................3........1...............Recomendações Gerais sobre Segurança ......................1....................2. 150 7................................Montagem do Banco de Baterias ............... 101 6............ 87 5..............................................................3 .......1............... 141 7..........2...........................3............................... 109 6..........1....................................... 92 5............1....................................................3...........................................Lâmpadas Incandescentes de Halógeno ou Halógenas ..............3....................3..............Sistemas de Bombeamento ...................................................................2.............................................................................Tipos de Lâmpadas e suas Características ............1................................... 101 6...........Recomendações sobre Segurança e Manuseio de Baterias ........................................1....................................................... 92 5........3...............Iluminação .......................................................................... 112 Capítulo 7 ...........3. 152 ....................6.......................................... 148 7..............................................3 .1..3.................1...........3..........................................Bombas Volumétricas ............ 149 7.......................................2.Aplicações .................Tipos de Bombas de Água ............................Características das Cargas ............Telecomunicações..................... 97 Capítulo 6 .........................................Compartimento das Baterias .....................1......................... 87 5..1.......................................................................................................... 107 6.........................................................................Bombas Centrífugas .........Dimensionamento da Geração Fotovoltaica .... 105 6.............................2..Lâmpadas Incandescentes ......................2.. 87 5.......................1......Proteções ........................2.......

....................................................................2...................................................6.................................................... 164 8...................1.........2....................................................2.........................1..... 155 8................2.................2......................................................................................................2....... 163 8................ 193 .............................................................3...............2............................. 156 8.......................Baterias ............2......Inversores ................1.............Módulo Fotovoltaico ................................2.......................... 155 8.................................. 164 Bibliografia ...............................................................Procedimentos Gerais de Segurança .......................................................Cargas ........2........................Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos 13 Capítulo 8 ..........................................................................Equipamentos Eletrônicos .......................................................... 160 8...............................................Aspectos Elétricos ........................ 156 8............ 160 8......................2........ 157 8......1....................1.....4...............Manutenção e Inspeção ..........Manutenção Preventiva ............................1.....................2..........................5..... 185 Anexos .............2........Fiação e Dispositivos de Segurança . 163 8................... 156 8............................................2.........Aspectos Elétricos ... 161 8........................2......................................Aspectos Físicos .........................2..................................................Aspectos Físicos ..

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Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos Capítulo 1 Introdução 15 .

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deve-se lembrar que o Sol é responsável pela origem de praticamente todas as outras fontes de energia. a altas temperaturas e pressões. hotéis etc. carvão e gás natural foram gerados a partir de resíduos de plantas e animais que. fazer fotossíntese para. inesgotável na escala terrestre de tempo. gases para acionamento de turbinas etc. ar quente para secagem de grãos. da radiação solar. sem sombra de dúvidas. devido ao conforto proporcionado e à redução do consumo de energia elétrica.Introdução O aproveitamento da energia gerada pelo Sol. tanto como fonte de calor quanto de luz. É a partir da energia do Sol que se dá a evaporação. Em outras palavras. Os coletores solares planos são. Algumas formas de utilização da energia solar são apresentadas a seguir. E quando se fala em energia. condiciona o projeto arquitetônico . para isso. hospitais. A intenção do uso da luz solar. pensando no homem que habitará ou trabalhará nelas.). as fontes de energia são. em última instância. Os equipamentos mais difundidos com o objetivo específico de se utilizar a energia solar fototérmica são conhecidos como coletores solares. Sistemas de médio e grande porte. da energia do Sol. também utilizaram o Sol como fonte de energia. A radiação solar também induz a circulação atmosférica em larga escala. o vapor ou reação química produzidos acionam turbinas. que possibilita o represamento e a conseqüente geração de eletricidade (hidroeletricidade). As reações químicas às quais a matéria orgânica foi submetida. originalmente. A utilização dessa forma de energia implica saber captá-la e armazená-la. Energia Solar Fototérmica Nesse caso. hoje. estamos interessados na quantidade de energia que um determinado corpo é capaz de absorver. a partir da radiação solar incidente no mesmo. como a cana-de-açúcar. sob a forma de calor. utilizando concentração. por longos períodos de tempo. derivadas. posteriormente. Os coletores solares são aquecedores de fluidos (líquidos ou gasosos) e são classificados em coletores concentradores e coletores planos em função da existência ou não de dispositivos de concentração da radiação solar. e tirando partido da energia solar. É também por causa da energia do Sol que a matéria orgânica. causando os ventos. Beneficia-se da luz e do calor provenientes da radiação solar incidente. é hoje. Arquitetura Bioclimática Chama-se arquitetura bioclimática o estudo que visa harmonizar as construções ao clima e características locais. Nesse caso. é capaz de se desenvolver. Petróleo. obtiveram a energia necessária ao seu desenvolvimento. uma das alternativas energéticas mais promissoras para enfrentarmos os desafios do novo milênio. O fluido aquecido é mantido em reservatórios termicamente isolados até o seu uso final (água aquecida para banho. a energia que pode ser diretamente obtida das condições locais. É a adoção de soluções arquitetônicas e urbanísticas adaptadas às condições específicas (clima e hábitos de consumo) de cada lugar. largamente utilizados para aquecimento de água em residências. ser transformada em combustível nas usinas. em sua maioria. começam a ser testados visando a aplicação na geração de energia elétrica.Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos 17 Capítulo 1 . utilizando. origem do ciclo das águas. que implica em redução do consumo de energia para iluminação. através de correntes convectivas naturais e de microclimas criados por vegetação apropriada.

além de utilizarem menor quantidade de material do que as que apresentam estruturas cristalinas.) e com o uso de materiais de conteúdo energético tão baixo quanto possível. o perfil das empresas envolvidas no setor. seguindo o desenvolvimento da microeletrônica. Células de filmes finos. Em 1876 foi concebido o primeiro aparato fotovoltaico advindo dos estudos das estruturas de estado sólido. em 1839. vedações e coberturas superiores. um grande desafio para a indústria e o principal empecilho para . Porém. O custo das células solares é. é o aparecimento de uma diferença de potencial nos extremos de uma estrutura de material semicondutor.5% de toda a energia elétrica consumida no ano 2000 nos Estados Unidos. a intenção de aproveitamento do calor proveniente do Sol implica seleção do material adequado (isolante ou não conforme as condições climáticas) para paredes. quanto às dimensões de abertura das janelas e transparência na cobertura das mesmas. também. justificam o esforço em seu aperfeiçoamento. ainda hoje. e apenas em 1956 iniciou-se a produção industrial. O Silício. através da conversão fotovoltaica. reduzir em até 100 vezes o custo de produção das células solares em relação ao daquelas células usadas em explorações espaciais. entre outros fatores. com o desenvolvimento de equipamentos e sistemas que são necessários ao uso da edificação (aquecimento de água. conservação de alimentos etc. O objetivo das pesquisas americanas na década de 80 era fornecer de 1 a 5. O segundo agente impulsionador foi a “corrida espacial”. iluminação. requerem uma menor quantidade de energia no seu processo de fabricação. A crise energética de 1973 renovou e ampliou o interesse em aplicações terrestres. Por outro lado. segundo elemento mais abundante na crosta terrestre.18 Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos quanto à sua orientação espacial. A arquitetura bioclimática não se restringe a características arquitetônicas adequadas. A célula fotovoltaica é a unidade fundamental do processo de conversão. também. Em 1978 a produção da indústria no mundo já ultrapassava a marca de 1 MWp/ano. Outro uso espacial que impulsionou o desenvolvimento das células solares foi a necessidade de energia para satélites. O efeito fotovoltaico. a busca de materiais alternativos é intensa e concentra-se na área de filmes finos. relatado por Edmond Becquerel. Modificou-se. circulação de ar e de água. e orientação espacial. para tornar economicamente viável essa forma de conversão de energia. Energia Solar Fotovoltaica A Energia Solar Fotovoltaica é a energia obtida através da conversão direta da luz em eletricidade (Efeito Fotovoltaico). produzida pela absorção da luz. as empresas de petróleo resolveram diversificar seus investimentos. por empresas do setor de telecomunicações. Em 1998 a produção de células fotovoltaicas atingiu a marca de 150 MWp.1. naquele momento. e continua sendo. Preocupa-se. Nos Estados Unidos. englobando a produção de energia a partir da radiação solar. seria necessário. A célula solar era. características que. Os principais eventos no desenvolvimento dos equipamentos de conversão da energia solar fotovoltaica podem ser visualizados na Figura 1. No entanto. sendo o Silício quase absoluto no ranking dos materiais utilizados. tem sido explorado sob diversas formas: monocristalino (mono-Si). o meio mais adequado (menor custo e peso) para fornecer a quantidade de energia necessária para longos períodos de permanência no espaço. de fontes de energia para sistemas instalados em localidades remotas. onde o silício amorfo se enquadra. policristalino (poly-Si) e amorfo (a-Si). Inicialmente o desenvolvimento da tecnologia apoiou-se na busca. por si só.

) Contatos Evaporados de Ti-Ag (BTL) 1973 Células Violetas.2% de eficiência 1980 Células de Silício Amorfo 1992 Células MIS.Representação dos eventos-chave no desenvolvimento das células solares. que a tecnologia de filmes finos poderá levar. a tecnologia fotovoltaica está se tornando cada vez mais competitiva. quanto porque a avaliação dos custos das outras formas de geração está se tornando mais real. aproximadamente 1/4 dos preços praticados atualmente no mercado internacional. Mecanismos de Perdas (Wolf) Efeitos de Resistência em Série (Wolf & Rauschenbach) Células de Si n/p Resistentes a Radiação (Kesperis & M. 1800 Descoberta do Selênio (Se) (Berzelius) 1820 Preparação do Silício (Si) (Berzelius) 1840 Efeito Fotovoltaico (Becquerel) 1860 Efeito Fotocondutivo no Se (Smith) Retificador do Ponto de Contato (Braun) Efeito Fotovoltaico no Se (Adams & Day) Células Fotovoltaicas de Se (Fritts/Uljanin) 1880 1900 Fotosensitividade em Cu-Cu2O (Hallwachs) 1910 1920 1930 1940 1950 1955 1958 1960 Efeito Fotovoltaico com Barreira de Potencial (Goldman & Brodsky) Monocristal a partir do Si Fundido (Czochralski) Retificador de Cu-Cu2O (Grondahl) Célula Fotovoltaica de Cu-Cu2O (Grondahl & Geiger) Teoria de Bandas em Sólidos (Strutt/Brillouin/Kronig & P) Teoria de Células com Barreiras V e H (Schottky et al) Teoria da Difusão Eletrônica (Dember) Aplicações Fotométricas (Lange) 1% eficiência em Células de Sulfeto de Tálio (TI2 S) (Nix & Treptow) Crescimento de Células Fotovoltaicas com Junção (Oh1) Teoria de Junções p-n (Shockley) 1962 Junções p-n Difundidas (Fuller) Célula Solar de Si (Pearson. hoje. (Fonte: “Inserção da Tecnologia Solar no Brasil”) .Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos 19 a difusão dos sistemas fotovoltaicos em larga escala. no início do século XXI. para os módulos fotovoltaicos. Especialistas afirmam. Fuller & Chapin) Célula Solar de CdS (Reynolds et al) Teoria de Células Solares (Piann & Roosbroeck/Prince) O “Bandgap” e a Eficiência das Células (Loferski. tanto porque seus custos estão decrescendo. R.& W) Teoria da Resposta Espectral. No entanto. a um custo de 1 US$/Wp.1 . como a questão dos impactos ambientais. levando em conta fatores que eram anteriormente ignorados. de 24% Figura 1. com 15. Investimentos em melhorias no processo de fabricação também auxiliarão na redução de custo.

No Brasil.1 são utilizadas para produção de células em nível de laboratório e empregam processos complexos e a princípio difíceis de serem reproduzidos em larga escala a custo razoável para produção de células comerciais.Buried Contact Solar Cells). . com qualidade e vida útil comparáveis às dos módulos (fabricantes de módulos de Silício cristalino estão garantindo seus produtos por 25 anos enquanto os de Silício amorfo estão dando em torno de 10 anos de garantia). atraindo interesse de fabricantes pelo mercado brasileiro. Coincidentemente. por exemplo. esta parcela da população vive em regiões onde o atendimento por meio da expansão do sistema elétrico convencional é economicamente inviável. (Fonte: “Progress in Photovoltaics: Research and Aplication”) Entre os desenvolvimentos recentes nos processos de produção para células comerciais de Si estão as tecnologias de fita de Si (Ribbon). em língua portuguesa. Trata-se de núcleos populacionais esparsos e pouco densos. o corte de células com fio contínuo diamantado. através de projetos privados e governamentais. Alguns destes progressos já são empregados por determinados fabricantes para produção comercial. 15% da população não possui acesso à energia elétrica. posteriormente ao apresentado na Figura 1. Um desafio paralelo para a indústria fotovoltaica é o desenvolvimento de acessórios e equipamentos complementares para Sistemas Fotovoltaicos.1. Tabela 1. o melhor controle sobre o tratamento superficial (etching) das células e os contactos metálicos enterrados (BCSC .20 Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos A Tabela 1. sobre o assunto e viabilizou a preparação deste Manual.1 . Pretende-se que este Manual permita ao leitor uma primeira aproximação com o tema. As tecnologias listadas na Tabela 1. Nordeste e Norte.1 contém um histórico do desenvolvimento de células solares de Si. Visando apoiar os interessados na tecnologia fotovoltaica. Sistemas de armazenamento e de condicionamento de potência têm sofrido grandes impulsos no sentido de aperfeiçoamento e redução de custos.Desenvolvimento das células solares de Si (laboratório). típicos das regiões Centro-Oeste. É notável o impulso que a geração de energia elétrica por conversão fotovoltaica vem recebendo no Brasil nos últimos anos. o confinamento magnético para o crescimento dos cristais de Si (MCz growth). o GTES identificou a necessidade de literatura. A quantidade de radiação incidente no Brasil é outro fator muito animador para o aproveitamento da energia solar. O atendimento de comunidades isoladas tem impulsionado a busca e o desenvolvimento de fontes renováveis de energia.

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