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Diplomacia

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A sede das Nações Unidas em Nova York, um dos principais palcos da diplomacia
multilateral.

A diplomacia é a arte e a prática de conduzir as relações exteriores ou os negócios


estrangeiros de um determinado Estado ou outro sujeito de direito internacional.
Geralmente, é empreendida por intermédio de diplomatas de carreira e envolve assuntos
de guerra e paz, comércio exterior, promoção cultural, coordenação em organizações
internacionais e outros.

Convém distinguir entre diplomacia e política externa - a primeira é uma dimensão da


segunda. A política externa é definida em última análise pela Chefia de Governo de um
país ou pela alta autoridade política de um sujeito de direito internacional; já a
diplomacia pode ser entendida como uma ferramenta dedicada a planejar e executar a
política externa, por meio da atuação de diplomatas.

As relações diplomáticas são definidas no plano do direito internacional pela


Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas (CVRD), de 1961.

Figurativamente, ou de forma coloquial, chama-se diplomacia o uso de delicadeza ou os


bons modos, ou, ainda, astúcia para tratar qualquer negócio.

Índice
[esconder]

 1 Etimologia
 2 História
 3 Funções da diplomacia
 4 Órgãos da diplomacia
 5 Missões diplomáticas
 6 Direito de legação
 7 Privilégios e imunidades
 8 Ver também
 9 Ligações externas
 10 Notas

[editar] Etimologia
O termo é registrado em português a partir de 1836 e advém do grego díplóma,matos,
"objeto duplo, tablete de papel dobrado em dois", através do latim diploma, "papel
dobrado, carta de recomendação, carta de licença ou privilégio" e do francês diplomatie
(1790), "ciência dos diplomas" ou "relativo às relações políticas entre Estados ou
referente aos diplomatas".[1]

[editar] História

O Congresso de Viena por Jean-Baptiste Isabey, 1819.

A faculdade de praticar a diplomacia é um dos elementos definidores do Estado, razão


pela qual aquela tem sido exercida desde a formação das primeiras cidades-Estado, há
milênios. Na Antiguidade e na Idade Média, os diplomatas eram quase sempre enviados
apenas para negociações específicas, retornando com a sua conclusão.[2] A história
registra como primeiros agentes diplomáticos permanentes os apocrisiários,
representantes do papa e de outros patriarcas católicos junto a Bizâncio. Também
exerciam suas funções de modo permanente os procuratores in Romanam Curiam,
representantes dos soberanos europeus junto ao papa em Roma.[3] Com estas duas
instituições (apocrisiários e procuratores) surgiram os primeiros conceitos do que viria
a ser a diplomacia moderna, como as instruções, as credenciais e as imunidades.

A origem da diplomacia moderna pode ser encontrada nos Estados da Itália


Setentrional,[4] no começo do Renascimento, com o estabelecimento das primeiras
Missões diplomáticas no século XIII. A primeira Missão diplomática permanente foi
estabelecida por Milão em 1446 junto ao governo de Florença.[5] No norte da Itália
surgiram diversas das tradições da diplomacia, como a apresentação de credenciais dos
embaixadores estrangeiros ao Chefe de Estado.

Dentre as grandes potências europeias, a Espanha foi a primeira a manter um


representante permanente no exterior - na corte inglesa, a partir de 1487. No final do
século XVI, o estabelecimento de Missões permanentes já se havia tornado frequente na
Europa.

Ao instituir o sistema do equilíbrio europeu, a Paz de Vestfália (1648) consolidou a


necessidade das Missões diplomáticas permanentes, por meio das quais os Estados
europeus buscavam criar ou preservar alianças.[5]

Como os embaixadores eram, como regra geral, membros da nobreza ou políticos com
pouca experiência em relações exteriores, criou-se uma crescente base de diplomatas
profissionais nas Missões no exterior. Na mesma época, começavam a ser estruturados
os Ministérios do Exterior nas principais capitais europeias.

Com a presença permanente de enviados diplomáticos nas capitais europeias, surgiram


conceitos como o de precedência, que organizava os chefes de Missão estrangeiros em
ordem de importância. As regras a esse respeito variavam de país para país e eram com
frequência confusas, distinguindo entre representantes de monarquias e repúblicas, ou
conforme a religião oficial do Estado acreditante. O Congresso de Viena de 1815 criou
um sistema de precedência diplomática, mas o tema continuou a ser fonte de
discordância até o século XX, quando foi regulado definitivamente, pelo art. 16 da
CVRD.

A primeira Embaixada enviada por um Estado europeu ao Oriente foi a da Inglaterra


junto ao imperador mogol, em 1615.[5] As tradições diplomáticas fora da Europa
diferiam em muito das europeias, especialmente no que se refere aos grandes impérios
como o Otomano ou o chinês, que se consideravam superiores aos outros Estados. Por
fim, a expansão europeia nos séculos XVIII e XIX levou consigo a prática diplomática
daquele continente, tornando-a universal.

[editar] Funções da diplomacia

Palácio Itamaraty, em Brasília, sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Consideram-se funções tradicionais da diplomacia as tarefas de negociar, informar e


representar.[6]
A tarefa de negociar consiste em manter relações com o objetivo de concluir um acordo.
O diplomata negocia em nome e por conta do Estado que representa, com o propósito de
defender os interesses daquele Estado. Quanto ao número de partes, a negociação pode
ser bilateral ou multilateral. A negociação bilateral dá-se entre duas partes. A
multilateral envolve mais de duas partes e costuma ocorrer no âmbito de conferências
ou de organizações internacionais.

A tarefa de informar define-se como o dever e a prerrogativa do diplomata no sentido de


inteirar-se por todos os meios lícitos das condições existentes e da evolução dos
acontecimentos de um determinado Estado e comunicá-las ao governo do seu Estado.
Em geral, esta função é desempenhada por diplomatas acreditados junto ao governo do
Estado acerca do qual informam.

A função de representar inclui a tarefa de fazer patente a presença do Estado


representado em eventos internacionais ou estrangeiros (no jargão diplomático, "mostrar
a bandeira"). Inclui, também, em certos casos, o recebimento de poderes do Estado
representado para, em nome e por conta deste último, praticar atos de interesse daquele
Estado.

Modernamente, costuma-se incluir entre as funções da diplomacia as de promover o


comércio exterior ("promoção comercial") e a imagem do Estado representado
("diplomacia pública").

O direito internacional reconhece aos Estados a faculdade de exercer proteção


diplomática sobre os interesses de seus nacionais. Assim sendo, dentro dos limites do
direito internacional, uma Missão diplomática pode defender os interesses de uma
empresa ou de um indivíduo de seu país.

O termo "diplomacia parlamentar" foi criado em 1955 por Dean Rusk[7] para designar as
negociações multilaterais que ocorrem no âmbito da ONU e foi posteriormente
estendido às demais organizações internacionais. A diplomacia parlamentar distingue-se
por ocorrer no seio de organização internacional, seguir regras de procedimento e contar
com debate permanente (assemelhando-se, portanto, ao que ocorre com os parlamentos
nacionais). Mais recentemente, encontram-se também referências à diplomacia
parlamentar como sendo a conduzida pelos membros dos parlamentos nacionais.

[editar] Órgãos da diplomacia

Exemplo bem-sucedido de diplomacia presidencial, os Acordos de Camp David foram


mediados pelo Presidente Jimmy Carter, dos Estados Unidos.
O Estado mantém relações diplomáticas por intermédio de órgãos especializados. Tais
órgãos costumam organizar-se em torno de um Ministério do Exterior (ou denominação
semelhante: ministério das relações exteriores, ministério dos negócios estrangeiros,
departamento de relações exteriores, departamento de estado, secretaria de relações
exteriores etc.) e contar com um quadro de profissionais que representam o Estado junto
a outros governos, o chamado "serviço diplomático".

Ao lado da diplomacia profissional, os Estados também lançam mão de missões


temporárias ao exterior ("diplomacia ad hoc") para desempenhar determinada função
(negociar um tratado, por exemplo). Este tipo de missão pode envolver outros órgãos do
Estado, como os ministérios de comércio, fazenda, agricultura, defesa etc.

O direito internacional reconhece ao Chefe de Estado um papel na diplomacia, podendo


até mesmo negociar e assinar tratados sem necessidade de plenos poderes, da mesma
forma que o Ministro do Exterior. Compete ao Chefe de Estado, em geral, a
prerrogativa de ratificar os tratados em nome de seu país. Ao longo do século XX,
surgiu a chamada "diplomacia presidencial", fruto da maior facilidade de comunicação
entre os países e da vantagem natural que representa a tomada de decisão no mais alto
nível.

[editar] Missões diplomáticas

A sede da Embaixada do Brasil em Washington.

A Missão diplomática é constituída por um grupo de funcionários de um Estado


("Estado acreditante") ou organização internacional, presentes no território de outro
Estado ("Estado acreditado"), cujo objetivo é representar o Estado acreditante perante o
Estado acreditado. Em termos práticos, costuma ser uma Missão permanente de um
Estado localizada na capital de outro Estado.

Denomina-se "diplomata" o funcionário pertencente ao serviço diplomático de um


Estado; "Missão diplomática", um grupo de diplomatas de mesma nacionalidade
acreditados junto a um Estado estrangeiro. O conjunto de diplomatas de todas as
nacionalidades presentes no território de um determinado Estado denomina-se "corpo
diplomático". O corpo diplomático acreditado em uma determinada capital costuma ter
um "decano" (o embaixador há mais tempo naquela capital; em alguns lugares, a
posição é reservada ao núncio apostólico), com função de porta-voz dos interesses do
conjunto dos diplomatas estrangeiros.
As Missões diplomáticas podem ser de um dentre três níveis, a depender da classe do
chefe da missão:[8]

 Embaixada, chefiada por um embaixador: nível mais elevado de uma Missão


diplomática. As Embaixadas estabelecidas pela Santa Sé costumam chamar-se
Nunciaturas Apostólicas e ser chefiadas por núncios.
 Legações, chefiadas por ministros plenipotenciários (ou Inter-Núncios, no caso
da Santa Sé).
 Encarregaturas de Negócios, chefiadas por encarregados de negócios, o nível
mais baixo de uma Missão diplomática.

Na prática, atualmente as Missões diplomáticas são chefiadas por embaixadores. A


maioria das Missões de outro nível foi elevada à categoria de Embaixada logo após a
Segunda Guerra Mundial.

Convém não confundir o titular de uma Encarregatura de Negócios (o encarregado de


negócios) - nível de representação diplomática hoje extremamente raro - com a função
temporária de Encarregado de Negócios ad interim (ou a.i.), correspondente ao
diplomata que assume a chefia provisória de uma Missão diplomática na ausência do
titular (o embaixador).

Em geral, as Missões diplomáticas no exterior reportam-se a e recebem instruções do


respectivo Ministério do Exterior (ou dos Negócios Estrangeiros).

[editar] Direito de legação

Presidente do Brasil recebe credenciais da Embaixadora da Noruega. Foto: Marcello


Casal JR/ABr.

O direito de legação é a faculdade de enviar e receber agentes diplomáticos.[5] Apenas


gozam deste direito as pessoas de direito internacional público, como os Estados
soberanos e as organizações internacionais. A faculdade de enviar representantes
diplomáticos recebe o nome de direito de legação ativo; a de recebê-los, de direito de
legação passivo.

No que se refere aos Estados, o direito de legação decorre da soberania no seu aspecto
externo, isto é, o não-reconhecimento de autoridade superior à do próprio Estado. Assim
sendo, somente os Estados que sejam soberanos gozam do direito de legação - os semi-
soberanos só o exercem com autorização do Estado ao qual estão vinculados.
O direito de legação deriva do princípio da igualdade jurídica dos Estados e é regulado
pelo princípio do consentimento mútuo.

[editar] Privilégios e imunidades

Placa diplomática expedida pelos EUA. Os veículos diplomáticos gozam de


inviolabilidade.

Placa diplomática expedida pela Hungria.

A imunidade diplomática é uma forma de imunidade legal e uma política entre governos
que assegura às Missões diplomáticas inviolabilidade, e aos diplomatas salvo-conduto,
isenção fiscal e de outras prestações públicas (como serviço militar obrigatório), bem
como de jurisdição civil e penal e de execução.

A noção de privilégios e imunidades para diplomatas estrangeiros existe desde a


Antiguidade - os embaixadores romanos eram considerados sagrados e sua violação
constituía um motivo para guerra justa.[9] Na Idade Média, como as relações
internacionais davam-se entre Chefes de Estado, ofender um embaixador significava
ofender o Chefe de Estado que o havia enviado, o que justificava as precauções da
imunidade.

A primeira teoria articulada a procurar justificar a necessidade de privilégios e


imunidades para diplomatas foi a da extraterritorialidade, detalhada por Hugo Grócio no
século XVII, segundo a qual uma ficção jurídica faria da Embaixada uma parte do
território do Estado acreditante. Atualmente, a extraterritorialidade foi abandonada em
favor da teoria do interesse da função, segundo a qual a finalidade dos privilégios e
imunidades não é beneficiar indivíduos, mas sim garantir o eficaz desempenho das
funções das Missões diplomáticas em sua tarefa de representação dos Estados
acreditantes.[9]

Os privilégios e imunidades podem ser classificados em inviolabilidade, imunidade de


jurisdição civil e penal e isenção fiscal,[9] além de outros direitos como liberdade de
culto e isenção de prestações pessoais.

A inviolabilidade abrange a sede da Missão e as residências particulares dos diplomatas,


bem como os bens ali situados e os meios de locomoção. Aplica-se também à
correspondência e às comunicações diplomáticas.
Da imunidade de jurisdição decorre que os atos da Missão e os de seus diplomatas não
podem ser apreciados em juízo pelos tribunais do Estado acreditado. Além de
imunidade de jurisdição civil e administrativa, os agentes diplomáticos também gozam
de imunidade de jurisdição penal. A imunidade de execução é absoluta - eventuais
decisões judiciais ou administrativas desfavoráveis à Missão ou aos diplomatas não
podem ser cumpridas à força pelas autoridades do Estado acreditado.

A isenção fiscal abrange o Estado acreditante, o chefe da Missão, a própria Missão e os


agentes diplomáticos. Esta isenção inclui os impostos nacionais, regionais e municipais,
bem como os direitos aduaneiros, mas não se aplica a taxas cobradas por serviços
prestados.[10]

A imunidade diplomática não confere ao diplomata o direito de se considerar acima da


legislação do Estado acreditado - é obrigação expressa do agente diplomático cumprir as
leis daquele Estado.[11]

[editar] Ver também

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