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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO


COMARCA DE TATUÍ
FORO DE TATUÍ
2ª VARA CÍVEL
Avenida Virgílio Montezzo Filho, 2009, ., Nova Tatuí - CEP 18278-440,
Fone: (15) 3251-4013, Tatui-SP - E-mail: tatui2cv@tjsp.jus.br
Horário de Atendimento ao Público: das 12h30min às19h00min

Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/pastadigital/pg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 1002776-92.2021.8.26.0624 e código 87E77ED.
DECISÃO

Processo Digital nº: 1002776-92.2021.8.26.0624


Classe - Assunto Ação Civil Coletiva - Vigilância Sanitária e Epidemológica
Requerente: Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Tatui e Região - Sspmter
Requerido: Prefeitura Municipal de Tatuí

Juiz(a) de Direito: Dr(a). Rubens Petersen Neto

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por RUBENS PETERSEN NETO, liberado nos autos em 07/05/2021 às 16:30 .
Vistos,

Trata-se de Ação Civil Coletiva movida pelo SINDICATO DOS


SERVIDORES PÚBLICOS MUNICIPAIS DE TATUÍ E REGIÃO – SSPMT em face da
PREFEITURA MUNICIPAL DE TATUÍ, visando a suspensão do retorno das aulas
presenciais na Rede Pública Municipal.

Aduz o autor, em síntese, que não obstante o inquestionável quadro de


extrema gravidade da pandemia da Covid-19, a Administração municipal fez estudos e
planejamento para a retomada das aulas presenciais da rede municipal de educação a
partir de 10 de maio de 2021. Contudo, os gestores da Municipalidade não se dispuseram
a discutir com o sindicato representante dos professores, o qual detém a atribuição de
representação dos servidores públicos, nos estritos termos do mandamento contido no
inciso III do artigo 8º da Constituição Federal. Não foram apresentadas propostas,
discussões ou qualquer negociação para a retomada das atividades presenciais nas
unidades escolares. Todavia, é inequívoco que a atividade presencial em unidades que
não possuem estrutura que possa assegurar a segurança sanitária é medida que coloca
a vida dos profissionais de Educação sob potencial risco de morte. O município adota tal
atitude sem sequer apresentar um estudo sanitário baseado em evidências técnico-
científicas, bem como a realização de testagem dos alunos e professores, para liberar o
retorno das atividades docentes presencial. Por tais motivos, requereu a concessão de
tutela de urgência para que sejam imediatamente suspensos os efeitos do Decreto
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COMARCA DE TATUÍ
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municipal nº 21.282, de 5 de maio de 2021, impedindo-se o retorno às aulas presenciais
da Educação do município de Tatuí, enquanto perdurar o risco de contaminação por
COVID-19 ou até que haja efetiva e completa vacinação dos profissionais da Educação, e
ainda que se determine à Municipalidade que se abstenha de realizar qualquer atividade
presencial com convocação dos profissionais de Educação representados pela entidade
autora, a partir de 10 de maio de 2021(fls. 1/33). Juntou documentos (fls. 34/69).

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por RUBENS PETERSEN NETO, liberado nos autos em 07/05/2021 às 16:30 .
É a síntese do necessário.
Fundamento e decido.

Para concessão da tutela de urgência, imprescindível a existência de


elementos que evidenciem o direito e o perigo de dano ou risco ao resultado útil do
processo, à luz do que dispõe o art. 300 do Código de Processo Civil.

Consta dos autos que o Decreto Municipal nº21.282, de 08 de maio de


2021 institui o retomada das aulas da rede municipal do forma presencial.

A retomada observará as regulamentações estabelecidos pelo “Plano São


Paulo”, instituído pelo governo do Estado de São Paulo (art. 01º), bem com o protocolo
Municipal de retorno às aulas (art. 02º).

De princípio, neste momento excepcional que a sociedade experimenta,


sem dúvida, é necessário que seja prestigiado o exercício legítimo do juízo da
discricionariedade, conveniência e oportunidade por parte da administração pública para
o alcance do interesse coletivo, a luz da supremacia dos interesses públicos, mormente,
em se tratando de serviço público de caráter essencial, como é o caso da prestação de
serviço educacional.

Nesta esteira, não vislumbro a probabilidade do direito e o perigo da


demora invocados para que seja determinada a suspensão do ato administrativo
municipal.
A autora não logrou apresentar elementos verossímeis para corroborar sua
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assertiva.

Aliás, observo que a parte se utilizou de argumentos genéricos, sem o


mínimo de comprovação técnica, fazendo menção, inclusive, a outros municípios
(Osasco/fls. 08 e 23 São Paulo/fls. 22), denotando desconhecimento acerca da
realidade do Município de Tatuí.

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por RUBENS PETERSEN NETO, liberado nos autos em 07/05/2021 às 16:30 .
Outrossim, embora assevere que as escolas municipais não teriam
condições de observar os protocolos de segurança, a parte deixou de relacionar a quais
unidades exatamente se refere, sendo inconcebível que nenhuma das escolas da rede
municipal estaria incapaz de propiciar o retorno dos alunos sem garantir os requisitos
mínimos de segurança, de acordo com o estabelecido pelo Decreto Municipal e pelo
Plano São Paulo.

Como se não bastasse, o Protocolo Municipal de Retorno às Aulas,


previsto no art. 02º do aludido decreto, conforme pesquisa pelo endereço
https://www2.tatui.sp.gov.br/downloads/decretos/21282-05-05-2021.Pdf, é bastante
exaustivo e detalhado quanto as medidas a serem adotadas, observando diretrizes
relacionadas ao (1) distanciamento social, a (2) higiene pessoal, a (3) sanitização de
ambientes, ao (4) transporte escolar, a (5) comunicação e ao (6) monitoramento, bem
como prevendo o retorno gradual de alunos, mediante estabelecimento de limites de
alunos de acordo com as fases estabelecidas pelo Plano São Paulo.

Faz-se necessário frisar ainda que, na mesma linha da decisão proferida,


em sede de pedido de suspensão de liminar, nos autos nº 2013164-66.2021.8.26.0000,
“(...) a retomada das atividades presenciais nas unidades escolares envolve elementos
ligados ao mérito do ato administrativo que não pode ser objeto de análise pelo Poder
Judiciário, cujo foco deve estar ligado aos aspectos formais de validade. Se não pode
invalidar, pelo mérito, o ato administrativo, é também vedado ao Poder Judiciário proferir
decisão que substitua o mérito desse ato, pautado em critérios técnicos. (...)”

Não se trata de ignorar os danos provocados pela COVID-19, mas, sim, de


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se permitir que as funções típicas da administração pelas autoridades legalmente
constituídas, comprometida a condução coordenada das ações necessárias, sejam
plenamente desenvolvidas para o bem-estar da municipalidade.

A adoção de medidas de segurança para o retorno às aulas denota a


preocupação da administração pública com os profissionais envolvidos, seja com os
professores, seja com os servidores integrantes da administração das unidades

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por RUBENS PETERSEN NETO, liberado nos autos em 07/05/2021 às 16:30 .
escolares.

Em um cenário de ponderação de valores (saúde x educação),


considerando a adoção de medidas de segurança mencionadas, reputo inoportuno
suspender a retomada das atividades escolares de forma presencial, paralisadas há mais
de 01 ano em franco prejuízo do desenvolvimento das crianças e adolescentes deste
município.

Como bem asseverado na decisão paradigmática, “(...) Não custa também


asseverar que o tempo perdido de alfabetização dificilmente é recuperável, a formar
cenário de danos perenes à formação de uma pessoa. O risco de abandono da escola,
ou evasão escolar, igualmente é evidente. A preocupação com a saúde do cidadão é de
todos, como decorre da bem lançada decisão atacada. A vida, por evidente um direito
fundamental de primeira geração, ou dimensão, deve sempre ser objeto de proteção e
não há dúvidas quanto a isso. E nem poderia haver. Ocorre que existem serviços que
demandam execução igualmente em favor do cidadão, ainda que em momento de séria
crise sanitária. Exigível, porém, proteção eficiente aos profissionais e aos destinatários do
serviço. E o Poder Executivo assumiu esse compromisso. (...) A proteção à vida sempre
prevalece. Entrementes, se dinamizada como fundamento para o fechamento das
escolas, por identidade de razões deverá ser adotada como fundamento para o
fechamento de todos os estabelecimentos de alguma forma atualmente abertos. Exsurge
a indagação: o que pode justificar a escola fechada e inúmeros estabelecimentos de
outra natureza abertos, ainda que com algumas restrições? Em realidade, e com todo o
respeito, o apontado raciocínio levaria, em última análise, ao lockdown, que não cabe ao
Judiciário decretar. (...)”
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Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/pastadigital/pg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 1002776-92.2021.8.26.0624 e código 87E77ED.
Por fim, destaco a importante ponderação feita naquela decisão que serve
para o presente feito: “(...) existe a preocupação do Município, mas sempre prepondera a
decisão das famílias. Assim, a decisão final a respeito da participação de cada aluno nas
atividades escolares presenciais cabe às famílias, especificamente ao detentor do poder
familiar, delimitado nos artigos 1.630 a 1.638 do Código Civil, ou ainda ao responsável
legal (...). O Estado tem papel importante na atual quadra, e nem poderia ser diferente.

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por RUBENS PETERSEN NETO, liberado nos autos em 07/05/2021 às 16:30 .
Entrementes, o Estado não substitui a família. (...)”

Nesses termos, INDEFIRO o pedido de tutela de urgência.

Cite-se e intime-se a ré, por meio do Portal Eletrônico, para contestar o


feito no prazo de 30 (trinta) dias úteis. A ausência de contestação implicará em revelia e
presunção de veracidade da matéria fática apresentada na petição inicial.

Int.

Tatui, 07 de maio de 2021.

DOCUMENTO ASSINADO DIGITALMENTE NOS TERMOS DA LEI 11.419/2006,


CONFORME IMPRESSÃO À MARGEM DIREITA