Você está na página 1de 17

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO-APRENDIZAGEM EM

EDUCAÇÃO INFANTIL E ANOS INICIAIS

MARIA GOMES DE OLIVEIRA FIGUEIREDO

AS DIVERSAS FORMAS DE CONTAR E ENCANTAR

PAIÇANDU
2014
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO-APRENDIZAGEM EM
EDUCAÇÃO INFANTIL E ANOS INICIAIS

MARIA GOMES DE OLIVEIRA FIGUEIREDO

AS DIVERSAS FORMAS DE CONTAR E ENCANTAR

Trabalho de conclusão de curso de


especialização apresentado como
requisito parcial para obtenção do título
de especialista em Ensino-
Aprendizagem em Educação Infantil e
Anos Iniciais.

PAIÇANDU
2014

RESUMO

O presente artigo apresenta como tema principal as diversas formas de contar


e encantar através do ato da contação de histórias, sendo seu objetivo principal
o de promover o momento da contar histórias nos âmbitos escolar e familiar,
visando uma contação de qualidade para que as crianças sejam instigados ao
desenvolvimento de suas competências infantis. A prática da contação de
histórias é muito utilizada em toda educação, pois proporciona oportunidades
para que os alunos desenvolvam sua imaginação, vocabulário, emocional,
além de adquirir próprias experiências. Visando isto, busca-se apresentar
métodos para que a contação de histórias seja plenamente desenvolvida e
utilizada como meio de educação e formação de caráter, incentivando o senso
crítico e o reflexivo. O atual artigo será desenvolvido através de pesquisas
bibliográficas a cerca do tema buscando cientificar e apresentar sub-temas
proponentes ao principal. Já a problematização tem como questionamento
como a contação de história contribui no processo de aprendizagem da
criança. E há uma hipótese de que a contação de história seja mais um recurso
para a educação infantil. Portanto, busca-se de forma cientifica para agregar
conhecimentos a cerca do tema principal e seus sub temas desenvolvidos, a
importância da contação de histórias para a educação infantil e as crianças que
a frequentam.

Palavra – chaves: contação de história, aprendizagem, imaginação.

1 - INTRODUÇÃO

O presente artigo foi desenvolvido com o intuito de abordar o tema


contação de histórias, porém não somente no âmbito da educação, mas
também no familiar e social, demonstrando assim, sua importância no
desenvolvimento humano, quanto fonte e instrumento de formação. Com isso,
podemos dizer que a contação de histórias se inicia desde os primeiros
momentos de vida, quando os familiares contam e repassam às crianças
momentos vividos, histórias infantis e inclusive histórias de senso comum, onde
momentos como estes são favoráveis principalmente ao desenvolvimento
social, emocional e cognitivo.
Contar histórias é um instrumento que desperta as crianças para a
leitura e o desenvolvimento de sua linguagem oral e escrita. Assim, se faz de
extrema importância a utilização deste meio de ensino na escola, para que os
professores possam dar maiores subsídios para o desenvolvimento de seus
alunos, onde, trabalhando em comunhão com a família o processo de
desenvolvimento da criança se torna maior e mais prazeroso.
Porém, é na educação infantil que a contação de histórias tomam rumos
maiores ao desenvolvimento, influenciando a cultura de cada criança e
acrescentando novos saberes a sua rotina, portanto, é neste âmbito social que
principalmente se deve focar buscar desenvolver as habilidades e o
conhecimento do aluno através das práticas de contação de histórias na
educação.
A contação de história na educação infantil estimula a curiosidade na
criança, despertando o imaginário, a construção de ideias, expandindo seus
conhecimentos, fazendo com que ela vivencie situações de alegria, tristeza,
medo, entre outros, ajudando à resolver esses conflitos e criando novas
expectativas.
Para Bettelheim (2009), as histórias representam, de forma imaginativa,
aquilo em que consiste o processo sadio de desenvolvimento humano. O conto
não poderia ter seu impacto psicológico sobre a criança se não fosse primeiro e
antes de tudo uma obra de arte.
Assim, é visível que a contação de histórias desenvolve a capacidade
cognitiva nas estruturações mentais das crianças, ou seja, fornece elementos
para a imaginação, estimula a observação e facilita a expressão de ideias.
No dia a dia da Educação Infantil a narração de histórias deve ser um
importante instrumento de trabalho para o professor, um novo caminho para a
aprendizagem da criança e, consequentemente, para a formação de um aluno
letrado completamente, ou seja, o professor deve-se fazer deste meio para
instigar o aluno a se desenvolver naturalmente tornando-o uma pessoa capaz
não somente de ler e escrever, mas, sim, interpretar e entender mais
profundamente os temas.
Neste sentido a contação de história na escola se torna um caminho que
leva a criança a se desenvolver em várias esferas de sua vida, desde o
individual, ao psicológico, cognitivo, social e lúdico.
Partindo do objetivo proposto do artigo o professor deve ter o intuito de
trabalhar com contação de história na escola não somente para o
desenvolvimento, mas também para a apropriação de novas fontes. Pois,
contar história é uma forma de a criança fazer suas próprias descobertas com o
mundo a sua volta, conhecer novos meios, novos vocabulários e culturas.
Portanto, contar histórias para as crianças é um ato que deve ser constante do
professor, pois estará auxiliando no início da sua aprendizagem.
Para este artigo, será utilizado uma revisão bibliográfica sobre o tema,
onde se busca expor as diversas formas de contar histórias, porém não
somente na educação, mas também nos demais setores que formam nossa
sociedade, principalmente a família. O artigo está dividido em seis partes, além
da introdução do mesmo. O presente trabalho terá como inicio de partida, a
importância do ato de contar história. Em seguida, a arte de contar histórias na
educação, após as diversas formas e contar e encantar e posteriormente as
considerações finais abrangendo todo o conhecimento adquirido neste e por
último as referências bibliográficas.

2 – A IMPORTÂNCIA DO ATO DE CONTAR HISTÓRIAS

O ato de contar histórias está presente desde os primórdios da


humanidade, então todos já ouviram ou contaram uma história, sendo ela
lúdica, imaginária ou uma experiência já vivenciada, portanto, desde que o ser
humano adquiriu fala e o poder de se expressar através de palavras, vamos
nos comunicando e passando de geração em geração histórias de várias
esferas sociais.
Então, é evidente que o ato de contar histórias está presente há muitos
anos no cotidiano da população mundial, fazendo parte da história e
principalmente da evolução humana. Desde já, pode-se deixar claro que a
principal importância da contação de histórias é ser um meio de transmissão de
conhecimento instigando o aluno a buscar novos caminhos. Com isso, desde
os primórdios as histórias vêm sendo contadas e cabe aos professores iniciar
novos meios na contação de histórias, visando o pleno desenvolvimento da
criança, sem se esquecer do trabalho em conjunto com a família.
Para Abramovich (1989):

“a importância de se contar histórias para crianças reside no fato de


que escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, é
também suscitar o imaginário, é ter a curiosidade respondida em
relação a tantas perguntas, é encontrar outras ideias para solucionar
as questões como as personagens fizeram”.

Então, assim como sita a autora Abramovich, ao escutar uma história a


criança cria um momento propício ao seu desenvolvimento, principalmente na
leitura, onde se sente mais instigada a querer a aprender ler histórias. Sendo
assim, com essas práticas é possível que a criança vá criando meios para
resoluções de seus problemas do cotidiano através das histórias contadas em
sala de aula, além de estimular sua linguagem oral.
Quando a criança ouve um adulto ou até mesmo o professor contar
histórias ela se transporta para vários mundos diferentes e imaginários, através
do encantamento que é transpassado na história. O ato de contar história é
uma forma prazerosa e de recreação para nossas crianças, pois faz
desenvolver a linguagem e o vocabulário das mesmas. Portanto, pode-se dizer
que a contação de histórias seria um momento mágico entre professor e aluno,
pois envolve todos que estão inseridos neste patamar e presentes nesta
fantasia.
Ao contar histórias, desenvolvemos possibilidades de significados do
mundo em que as crianças estão inseridas, ou seja, proporcionamos a eles um
momento onde há aprendizagem, desconcentração, atenção, sendo tudo
correlacionado em história – criança – sociedade.
De acordo com a autora Cleo Busatto (2006) todo o ser humano gosta
de ouvir uma história e se ela for bem contada agrada a todos. Assim, o
simples ato de contar histórias já é prazeroso; quando este se faz com maior
entusiasmo e dramatização se torna ainda melhor.
A contação de história age na formação de uma criança em várias áreas,
desde sua infância até no desenvolvimento físico, intelectual, afetivo, cognitivo
e estimula o seu imaginário despertando suas fantasias e criatividades. O autor
Dohme (2005, p.19) vem retratar e colocar que alguns aspectos são relevantes
à criança para sua formação enquanto leitor, em seu caráter, raciocínio,
imaginação, criatividade, senso crítico e sua disciplina.
Ao realizar a contação de uma história para os alunos, o professor deve
assumir uma postura, ter tom de voz adequado e firme, além de se transformar
em intermédio entre o conhecimento da história e a criança, fazendo com que
os alunos se sintam a vontade e atraídos na leitura.
Um ponto importante para contar a história é o ambiente onde este
acontece, ou seja, o espaço deve ser apropriado e confortável, para que todos
possam se acomodar e poder ouvir e flutuar pela história, além do fato de que
os alunos se sentem mais a vontade. O professor também pode usar alguns
recursos para que a história fique mais produzida, com fantoches, aventais
literários, varal de histórias, DVDs entre outros.
A autora Abramovich (1989) sugere para o professor:

Que ele ao contar uma história saiba como deve fazer e quais os
recursos que vai utilizar. Pois na própria história os alunos descobrem
novas palavras e as percebem além de criarem outras e até mesmo
fazer um jogo de palavras.

É evidente que o professor deve ter como apoio novos recursos para a
contação de histórias, pois além de ser algo a mais para estimular os alunos,
auxilia na dramatização e em recursos visuais diferentes, indagando assim as
crianças a se concentrar ainda mais na história, além de que através disto a
aprendizagem se torna mais rica e espontânea.
O autor Gillig (1999) destaca que os pedagogos que trabalham ou
trabalharam na escola infantil sabem a importância da hora do conto para as
crianças pequenas e conhecem o fascínio que podem exercer sobre elas
através desta atividade. Então, na educação infantil os professores devem ser
incentivadores do hábito da leitura. Contar ou ler histórias para as crianças
desde pequenas será de grande importância para despertar nelas o gosto pela
leitura e assim contribuir para o seu desenvolvimento e aprendizagem.
Ao trazer um livro para a sala de aula o professor estabelece com os
alunos uma relação dialógica. Ao contar a história, o mesmo cria algumas
condições em que o aluno possa trabalhar com a história, emergindo em um
mundo diferente e encantado, trocando opiniões e uns com os outros sobre o
que ouviu ou o que leu. Através das opiniões os alunos vão criando e
construindo outras histórias.
Quando trazemos e expomos o livro em sala de aula, é um dever do
professor deixar a criança ter um contato com o livro, tocar, folhear e assim ver
como é cada parte. Além de que ao realizar a contação o educador deve estar
a todo o momento mostrando o livro para as crianças para que elas vejam
como são os personagens e o ambiente onde se passa a história.
Quando a criança tem contato com o livro ou uma história, ela se
desenvolve em todos os aspectos e sua imaginação e ainda tende a assumir
sua própria vida, levando o aprendizado da história para seu cotidiano,
demonstrando assim em seus atos experiências adquiridas através da
literatura.
Assim, a contação de história auxilia as crianças a se fundamentarem
com seu próprio mundo, interligando e resolvendo situações de forma lúdica,
enquanto aprendem a montar suas próprias estratégias de aprendizagem.
Uma história deve ser bem contada para que os alunos absorvam todo o
enredo e encantamento presente na história, além da presença do narrador
fazendo com que ele se incorpore na trama da história como parte dela, ou
seja, inserindo a criança dentro do conto através do modo de transparecer a
história.
As crianças agem, pensam e sentem como sendo elas próprias os
personagens. O principal objetivo na arte de contar história é saber despertar a
emoção, fazer com que as crianças sintam a necessidade de conhecimento e
possuir habilidades educativas. Assim, vemos o quão é importante o ato de
contar histórias, principalmente no cotidiano escolar.

3 – ERA UMA VEZ... A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS NA EDUCAÇÃO

É evidente que a leitura é muito importante na vida de todo o indivíduo e


que está presente em todo lugar e em todo instante de nossas vidas, além de
ser a chave central para a formação do indivíduo. Então, nada mais importante
do que deixar claro que ao realizar a contação de histórias estamos
estimulando o aluno a ler, a buscar através da história a linguagem oral e
escrita, pois é através deste meio de ensino que se pode estar auxiliando na
aprendizagem do aluno.
Pesquisas na área da educação demonstram que as crianças que
possuem maior contato com livros, sendo estimulados diariamente à leitura
possuem um grau maior de desenvolvimento cognitivo, pois estão expostas ao
desenvolvimento global de sua mente, ao serem exercitadas pela leitura, além
de que ao ler estamos adquirindo novos conhecimentos, vocabulários e
desenvolvendo nossa mente.
Então, após se deixar explicito os benefícios que a contação de histórias
traz no desenvolvimento dos alunos na educação, pode-se dizer que a arte de
contar histórias está muito além de um ato que acontece na escola, mas, um
momento de prazer e aprendizagem onde todos estão atentos a cada detalhe
da história, fazendo com que passe pela imaginação dos ouvintes cada cena e
características do conto.
A contação de histórias é uma verdadeira arte que está presente
diariamente na vida de todos os seres humanos, ela envolve não somente a
história em si, mas também a arte visual, cênica, além da experiência adquirida
que é transparecida no cotidiano da criança.
Então, o ato de contar histórias requer muita habilidade e dedicação
para que encante quem a ouve. Para a autora Abramovich (1989):

“ainda que contar histórias é uma arte, que não pode ser feita de
qualquer jeito, pegando qualquer livro, sem nenhum preparo. E
quando isso acontece a criança logo percebe que o narrador não está
familiarizado com a história e existe uma grande chance de no meio
da história o narrador empacar ao pronunciar alguma palavra, fazer
as pausas nos momentos errados e perder o rumo da história”.

O educador que conta história é como uma ponte que leva o


desenvolvimento da imaginação infantil, levando a criança para um mundo
maravilhoso e mágico, repleto de ternura, carinho e suspense; por isso da
importância do professor estar familiarizado com a literatura, para que este
meio possa ser ainda mais construtivo.
Na área da educação, a leitura é a função social, dando ênfase na
comunicação entre as pessoas. Portanto uma criança quando entra na escola
deve ter contato com diferentes livros. A escola deve estar preparada para o
recebimento das mesmas e ter uma biblioteca ampla com vários livros de
leitura para desenvolver as estratégias que atendam as crianças a desenvolver
sua capacidade de leitura.
Até mesmo a escola pode criar espaço para a contação de história, para
que as crianças possam ouvir do professor a certo tipo de história, e o
professor ao contar a história pode até imaginar os personagens e imitá-los.
Sendo assim, ele entra na vida dos personagens.
Nem sempre a contação de história nos centros de educação infantil e
escolas é uma prática valorizada e estimulada para as crianças, pois com a
rotina escolar e metas de ensino/aprendizagem de determinados conteúdos,
faz com que o tempo para momentos como este fique restrito. Então, cabe ao
professor planejar em sua aula momentos que envolvam a contação de
histórias. Por exemplo, ao trabalhar história do Brasil, podemos criar um conto
descrevendo como foi a descoberta do nosso país, além de muitas outras
formas de se fazer presente o ato de contar histórias na aula.
Na contação de história as palavras assumem uma densidade, um poder
e faz ressurgir um contador e ouvinte. De acordo com Dinorah (1995, p.12)

A contação de história já faz parte do mundo real da criança e a


acompanha deste certo tempo e é de extrema importância para seu
desenvolvimento intelectual e o seu imaginário, sendo importante
recurso para o aprendizado da criança e a formação do leitor.

O hábito de a criança ouvir uma história desde cedo ajuda na sua


formação social e individual, agregando valores morais em sua vida. No
momento da contação de história estabelecem uma troca de contador e
ouvinte, deixando claro quem o narra e quem a ouve. Porém, neste momento
ambas as partes estão em comunhão através do ato de ensinar e aprender.
Na maioria das vezes quando ouvimos falar em histórias, a primeira
coisa que vem na mente de muitas pessoas, são os contos de fadas, onde, por
exemplo, existe a princesa em perigo, o príncipe encantado que a salva e a
madrasta ou bruxa má, porém, o professor deve começar a levar às crianças
desde cedo novas fontes de histórias, visando um novo conhecimento e
desenvolvimento.
Há várias formas e fontes para trabalharmos a história em sala de aula,
ou seja, pode-se utilizar de contos, lendas, fábulas, entre outros meios
literários. O educador pode estar optando em cada semana trabalhar uma nova
literatura com seus alunos, escolhendo assim de acordo com o conteúdo
proposto.
Também não se podem deixar de lado as literaturas de nossa própria
cultura, pois essas são como base para que a criança conheça seu próprio
país, característica e se aproprie da sua cultura infantil.
Através da contação de histórias, o professor pode, em sua ação
docente, abordar vários conteúdos, além de desenvolver nas crianças o lúdico,
o imaginário, o fascínio por uma boa leitura. Para Busatto (2008):

[...] contar histórias é uma atitude multidimensional. Ao contar


histórias atingimos não apenas o plano prático, mas também o nível
do pensamento, e, sobretudo, as dimensões do mítico-simbólico e do
mistério (BUSATTO, 2008, p.45).

Com isso, contar uma história não significa apenas se pegar um livro e
ler o que está escrito, mas sim, é se apropriar do conhecimento que possui,
envolvendo a relação da história com o fato, onde a criança ao ouvir um conto,
lenda ou fábula possa alcançar o nível de desenvolvimento através da fantasia.
A literatura em especial a infantil possui um papel primordial na vida da
criança, à medida que parte do pressuposto que tem papel eficaz no processo
de desenvolvimento e formação do ser humano. Assim como cita Coelho
(2009, p. 15):

“A literatura em especial a infantil, tem uma tarefa fundamental a


cumprir nessa sociedade em transformação: a de servir como agente
de transformação, seja no espontâneo convívio leitor/livro, seja no
diálogo leitor/texto estimulado pela escola”.

Na educação infantil a leitura de histórias contadas pelo professor ajuda


no desenvolvimento, pensamento e na personalidade das nossas crianças.
Pois a leitura infantil é um processo de motivação e ao mesmo tempo
desafiador para as crianças, além de transformar as mesmas por completo
ajuda-as a serem mais críticas e responsáveis. Então, entra a função da escola
no processo de desenvolver na criança o hábito pela leitura. A contação de
história traz para a criança o prazer, o amor, além da imaginação, observação
e estabelece a ligação entre a fantasia e a realidade.
A autora Cléo Busatto (2006, p.29) acrescenta ainda:

“Qualquer que seja o período histórico e contexto no qual ela se


apresenta, uma das coisas que faz eco é a de que a arte é
transformação simbólica
do mundo. Ela propicia a criação de um universo mais significativo e
ordenado. A arte vibra com a vida e contar histórias pede este pulsar
para se configurar como comunicação emocional”.

Portanto, a contação de história é uma estratégia pedagógica que pode


contribuir bastante para a prática docente do professor no âmbito escolar e
auxiliar cada vez mais no desenvolvimento cognitivo, psicológico, emocional e
social da criança. Assim, ouvir histórias é uma arte que estimula a imaginação,
a educação, a instrução e desenvolve as habilidades infantis. E este momento
de o professor contar história deve ser bem aproveitado e desenvolvido, pois
ele precisa explorar a criatividade de modo a desenvolver na criança a sua
oralidade, dando oportunidade de interagir com a história contada, levando
assim experiências para sua própria vida.

4 - AS DIVERSAS FORMAS DE CONTAR E ENCANTAR

Há diversas formas de contar histórias e, consequentemente, de ouvi-


las. Assim, o presente item deste artigo vem abordar as várias formas de
contar e encantar, pois se sabe que ouvir uma história já é bom, mas uma bem
contada e desenvolvida é melhor, ainda mais quando este está relacionado
com a educação, que é um meio de formação de caráter e aprendizado. Então,
deve-se ressaltar que ler e contar histórias para as crianças é uma atividade
muito importante. Porém, há diferenças entre ler e contar.
Ou seja, não se deve ler para a criança, mas sim contar, explorar,
desenvolver a literatura em sua vida, principalmente nesta faixa etária que se
encontra, pois é na Educação Infantil que adquirimos os primeiros valores
morais, éticos, além de ser o principal meio de subsídios para a formação
cognitiva da criança. Porém, esta prática não deve ser incorporada só em sala
de aula, mas em casa também, pois uma história contada para criança dá
possibilidades de ela viajar por um mundo diferente.
Assim como cita a autora Oliveira (2006, p.04):

“As histórias contadas oralmente têm uma força de transmissão oral,


isto é: a voz, o olhar e o gesto vivo do contador de histórias, que
alegra ou entristece sua plateia. Na “contação” usam-se as próprias
palavras, há variações nas versões de cada história, permite-se o uso
de recursos e está mais próxima da oralidade. A criança aprende
mais sobre a língua que se fala, amplia seu repertório e seu universo
imaginário, percebe que as histórias podem ser mudadas e começa a
criar suas próprias histórias. Ao ler o professor apresenta aos alunos
o universo letrado, instigam a curiosidade pelos livros e seus
conteúdos. Neste caso a história é sempre a mesma, independente
de quem a lê. Podemos modificar a entonação, a altura ou timbre da
voz, mas o texto é sempre o mesmo. A leitura traz consigo marcas
específicas da língua escrita e que não utilizamos cotidianamente ao
falar”.

Antes, as histórias eram apenas contadas oralmente, ou seja, só


utilizavam a voz como instrumento para a contação. Porém, para contar e
encantar temos que desenvolver nosso olhar para essas questões, pois se
pode utilizar de diversos recursos para este momento que deve ser o mais
deslumbrante possível. Assim os alunos focam mais na história e se consegue
alcançar mais profundamente o desenvolvimento da criança.
É evidente que o professor deva estar inovando cada vez mais em seu
momento de contar histórias, pois assim, os alunos a cada vez que houver uma
contação ficarão focados para ver quais as surpresas que existe na história,
com isso, sentem-se instigados a querer conhecer cada vez mais a história,
aliás, o professor sempre deve após o término da história conversar com os
alunos, questionando-os e pedindo para que reproduzam o que conheceram
naquela história, assim, a criança fixará melhor o conhecimento adquirido.
Para que o ato de contar histórias encante cada vez mais os alunos, o
educador deve adquirir como base de sua contação algumas características
que influenciam na qualidade da história. Uma dessas características é o olhar,
onde contador deve sempre estar atento a tudo e mantendo contato visual com
seus ouvintes para que eles entendam que o que está contando é para ele;
também o diálogo. É necessário que antes de iniciar a história, haja um diálogo
entre o contador e o ouvinte, demonstrando assim o que irá acontecer neste
momento. E por fim, um elemento importantíssimo, a voz. O educador deve se
apropriar de uma boa entonação vocal, com boa dicção, pronunciando
corretamente cada palavra e sempre pausadamente, porém não lento demais.
Assim os alunos podem assimilar melhor a linguagem oral.
Então, quem conta deve estar atento e disposto a criar uma
cumplicidade entre a história e o ouvinte, oferecendo espaços para a criança se
envolver e não pode nunca ser um repetidor mecânico do texto que ele
escolheu contar, antes de tudo deve-se conhecer o que irá apresentar, ler e
revisar a história, para que o conto se torne algo mágico naquele momento.
Assim como cita a autora Abramovich (1989, p.18):

“Para contar uma história – seja qual for – é bom saber como se faz.
Afinal, nela se descobrem palavras novas, se entra em contato com a
música e com a sonoridade das frases, dos nomes... Se capta o
ritmo, a cadência do conto, fluindo como uma canção... Ou se brinca
com a melodia dos versos, com o acerto das rimas, com o jogo das
palavras... Contar histórias é uma arte... e tão linda!!! É ela que
equilibra o que é ouvido com o que é sentido, e por isso não é nem
remotamente declaração ou teatro... Ela é o uso simples e harmônico
da voz”.

Portanto, para encantarmos no ato da contação de histórias, deve-se


primeiramente conhecer profundamente o que irá contar e como irá ser este
momento, além de se buscar neste ato uma boa desenvoltura na voz, dicção e
encenação, fazendo com que contar uma história seja uma verdadeira arte.

5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após a elaboração e desenvolvimento do presente artigo, pode-se


concluir que é a partir da contação de histórias que as crianças se fantasiam e
trazem uma história para sua realidade, criando assim, uma ligação entre o real
e o imaginário, onde absorvem os conhecimentos adquiridos nas histórias e as
reproduzem no seu cotidiano em pequenos atos.
Aliás, a contação de histórias se faz importante não somente no âmbito
escolar, mas também no familiar, pois com o trabalho conjunto das instituições
familiar e educacional, faz com que o desenvolvimento infantil aconteça de
forma mais rápida e com maiores proporções de aprendizado.
É por meio das histórias que os professores podem enriquecer suas
aulas, proporcionando assim aos alunos um mundo de criatividade e
imaginação dentro da própria sala de aula, instigando a conhecer novos
vocabulários e experiências. Com isso, a escola irá não somente educar e
cuidar, mas sim letrar verdadeiramente o aluno, fazendo com que este saia
desta etapa com um grau maior de aprendizado.
Ao contar histórias para crianças o professor assume um papel muito
importante sendo um agente, leitor. Sendo assim, contar histórias requer o
lúdico, capacidade, imaginação e também usa diversos recursos. As histórias
são excelentes recursos para despertar nas crianças a criatividade,
imaginação, fluência e talento, os quais foram evidenciados pelos professores
nos trabalhos desenvolvidos em sala de aula.
E deve-se utilizar de vários meios para que a contação de histórias se
torne um momento prazeroso e de aprendizado, ou seja, o educador deve
buscar contar com diversos recursos, por exemplo, fantoches, avental de
histórias, caixas pedagógicas de contação, entre muitos outros recursos
disponíveis para auxiliar neste momento, porém, não se deve apenas ter
recurso, mas também conhecimento a cerca da história, e ter uma boa
preparação para este momento.
Ao contar histórias na escola, faz com que os alunos tomem o gosto pela
leitura, pois se sentem instigados a querer aprender a ler, porém não podemos
obrigá-los a isto, os professores precisam encontrar formas para que as
crianças busquem uma leitura, principalmente em momentos como estes.
Conforme se sabe a leitura é algo capaz não somente de alfabetizar e letrar,
mas sim capaz de formar caráter e induzir a vida pessoal de cada leitor e
ouvinte.
Portanto, é possível afirmar que a literatura infantil tem papel primordial
para o desenvolvimento tanto cognitivo, quanto lúdico da criança, além de
influenciar nos demais aspectos individuais da criança, principalmente quando
é realizada a interligação da história com seu cotidiano fazendo com que o
aluno vá desenvolvendo seus próprios valores e possa assim ser capaz de lidar
com situações e desenvolver conflitos diários.
6 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: Gostosuras e bobices. São Paulo:


Scipione, 1989.

BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. São Paulo: Paz e


Terra S/A, 2009.
BUSATTO, Cléo. Contar e encantar: pequenos segredos da narrativa. 5.ed.
Petrópolis: Vozes, 2008.

BUSATTO, Cléo. A Arte de Contar Histórias no século XXI. Rio de Janeiro,


Editora Vozes, 2006.

COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: teoria – análise – didática. São


Paulo: Moderna, 2009.

DINORAH, M. O livro infantil e a formação do leitor. Petrópolis: Vozes, 1995.

DOHME, V. Técnicas de Contar Histórias. São Paulo: Informal Ed., 2005.

GILLIG, Jean Marie. O conto na psicopedagogia. Porto Alegre: Artmed, 1999.

OLIVEIRA, Cristiane Madanêlo de. Livros e infância. [online]. Disponível em:


http://www.graudez.com.br/litinf/livros.htm (acesso em 19 de abril de 2014).

Você também pode gostar