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Capítulo 2

O Homo economicus

A economia é definida como a ciência que estuda como os recursos disponíveis no ambiente podem melhor promover
o bem-estar do indivíduo. Em outras palavras, a economia tem por objetivo desenvolver teorias e métodos que
favoreçam ao indivíduo satisfazer adequadamente suas necessidades em função da escassez de recursos para alcançar
os objetivos que definem seu Conjunto Fundamental de Valores CFV. Dadas as restrições de recurso impostas pelo
ambiente, a economia, portanto, estuda os meios e processos (ações) para desenvolvimento de bens e serviços que
possam melhor satisfazer as necessidades geradas pelos objetivos que cada indivíduo busca alcançar.1

A diversidade humana está na base da atividade econômica, pois esta pode ser maior quando cada pessoa se
especializa na produção de um bem ou serviço que comercializa com as outras. Quando um indivíduo é mais eficiente
em produzir um bem ou serviço em relação a outro indivíduo, diz-se que ele tem uma vantagem comparativa na
produção daquele bem ou serviço. No Capítulo 1, a adequação de uma ação na produção de um bem ou serviço é
dependente do benefício que ela pode gerar e dos riscos e custos de sua implementação. Portanto, um indivíduo é
tanto mais eficiente na produção de um bem ou serviço quanto mais benefício produzir com o menor custo e risco. A
diversidade humana garante que pessoas diferentes podem gerar benefícios distintos com diferentes custos e riscos
com a implementação da mesma ação. Portanto, ela garante a existência da vantagem comparativa.

A diversidade humana está, também, na base da complexidade econômica pelo fato de que as pessoas diferem quanto
aos objetivos que compõem seu conjunto fundamental de valores. Quanto maior essa diversidade, maior a demanda
pela diversificação das atividades de produção e comércio. Como os objetivos de uma sociedade é a coletânea dos
objetivos fundamentais dos indivíduos que a compõem, ou pelo menos dos seus objetivos mais frequentes, a
complexidade da economia de uma sociedade deve se ajustar à diversidade desse CFV coletivo.

A economia propõe que os preços sejam determinados pela chamada lei da oferta e procura e que, num mercado
competitivo composto por muitos compradores e vendedores de bens e serviços, as ações de qualquer indivíduo não
têm efeito perceptível sobre os preços. Para analisar as variações de preço, os economistas constroem as chamadas
curvas de demanda e oferta, que correlacionam quantidades e preços (Figura 2.1). O chamado preço de equilíbrio é
determinado pelo ponto de intersecção entre essas curvas, que representaria o acordo entre vendedores e
compradores sobre o valor do bem ou serviço.

No contexto neuroeconômico (veja Capítulos 1, 7 e 8), os preços de bens e serviços são, na sua origem, determinados
pelos benefícios esperados e pelos riscos e custos exigidos na sua obtenção. Para o consumidor, os preços de um bem
ou serviço são, fundamentalmente, influenciados pelo benefício esperado para satisfação de suas necessidades. Já
para o produtor de um bem ou serviço, o preço é determinado pelos riscos e custos das ações necessárias que terá de
implementar a fim de produzi-lo. Para a neuroeconomia, o benefício, o risco e o custo de um bem ou serviço serão
fatores fundamentais na determinação das suas curvas de oferta e demanda (veja Capítulos 7, 8 e 9).
Utilidade de Um Bem ou Serviço

No século XVIII, Daniel Bernoulli introduziu a noção de utilidade como medida da satisfação que um indivíduo associa
a um bem ou serviço, para melhor entender o comportamento econômico do homem.2 Propôs, também, que a
utilidade resultante de qualquer pequeno aumento na riqueza será inversamente proporcional à quantidade de bens
previamente possuídos.3

Para Bernoulli e outros economistas, a noção de utilidade é uma noção intuitiva passível de ser adequadamente
medida, falando assim em utilidade cardinal que é avaliada por meio de medidas que representam um grau absoluto
de preferência para cada bem. Por outro lado, outros economistas discordam falando em utilidade ordinal, de modo
que o único que podemos determinar é um conjunto de pares de preferência entre bens. Em outras palavras, a
utilidade ordinal de um bem ou serviço não pode ser medida utilizando-se uma escala numérica associada a um
significado econômico, mas pares de bens e serviços que podem ser ordenados de acordo com suas utilidades.

Bernoulli introduziu a noção de utilidade esperada de um bem ou serviço como dependente do risco na sua obtenção
e do seu grau de preferência. Nessa definição, a utilidade esperada não é linearmente aditiva, mas, sim, uma função
convexa da quantidade de bens adquiridos. A utilidade de 20 sanduíches não é 20 vezes a utilidade de um sanduíche,
pois, quanto mais sanduíches nós tivermos, menor será a utilidade de obtermos mais um sanduíche. Dessa forma, se
tivermos dois bens com preferências distintas, podemos igualar suas utilidades, considerando-se o mesmo risco para
ambos, de acordo com a quantidade ofertada de cada bem, mas essa relação não será linear, ou seja, 5 sanduíches
podem equivaler a 1 camiseta, mas 20 sanduíches não equivalerão a 4 camisetas, por exemplo.

Morgenstern e Von Neumann4 estudaram esse problema por meio da teoria de jogos, podendo assim considerar
também o parâmetro do risco de obtenção de cada bem. Por exemplo, pode-se avaliar a preferência da camiseta em
relação aos sanduíches considerando-se que a probabilidade de ganhar uma camiseta é p, enquanto a de ganhar um
sanduíche é 1-p. O valor de p é ajustado para descrever a relação a ser avaliada. De acordo com os autores, a escolha
é igual à soma das utilidades das camisetas vezes sua probabilidade de obtenção mais a soma das utilidades dos
sanduíches vezes sua probabilidade de obtenção, isto é:

Semelhantes àqueles aqui propostos dentro de uma abordagem neuroeconômica.

Homo economicus é racional

Homo economicus é um ser racional que procura seu bem-estar bem maximizando a utilidade das ações que
implementa e, ao mesmo tempo, minimizando seus riscos e custos. Ele é também considerado um ser egoísta, que se
foca apenas no seu bemestar, independentemente do bem-estar coletivo.

O caráter egoísta tem sido atribuído à afirmação de Adam Smith no seu livro A Riqueza das Nações: “Não é graças à
ação benevolente do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro que teremos nosso jantar, mas, sim, graças à preocupação
deles com o próprio interesse de bem-estar.”

Embora tenha afirmado em seu livro Teoria dos Sentimentos Morais que: “Não importa quão egoísta seja o homem,
há evidentemente alguns princípios da sua natureza, que o fazem se interessar pelo destino dos outros, que torna a
felicidade desses indivíduos necessária para ele, embora ele não obtenha nada com isso além do prazer dessa
observação.”
Apresenta-se assim a dicotomia entre o egoísmo e o altruísmo. Segundo a economia tradicional, o Homo economicus
seria um indivíduo exclusivamente egoísta dada a proposta de que o comércio de bens e serviços tem que ser
exclusivamente competitivo. No entanto, o Homo sapiens é um ser que combina cooperação e competitividade em
suas relações de grupo para assim ser mais eficiente na obtenção de sua homeostasia orgânica, emocional e social.

Racionalidade é um termo que tem diferentes significados nas diversas áreas do conhecimento humano. Em filosofia
significa, fundamentalmente, o uso consciente da razão e da lógica, mas outros atributos mais específicos são adicio-
nados nas discussões em economia, psicologia, sociologia e política. Dada a disponibilidade de informação, a
racionalidade é definida em termos de otimização dos recursos disponíveis na busca da satisfação de objetivos
individuais ou coletivos. Propõe-se, também, que a razão deve operar dissociada das emoções pessoais ou de qualquer
tipo de instinto. Um processo racional de avaliação ou análise deve, também, ser objetivo, lógico e baseado em um
conjunto bem definido de regras. O ser irracional não obedece pelo menos a algumas dessas características do
processo racional. Um ser racional eficiente é aquele que possui sempre toda a informação necessária e maximiza o
prazer obtido com a satisfação dos seus objetivos.

Muitos são os trabalhos e autores que questionam o homem como ser racional dentro dessa definição clássica de
razão e falam em racionalidade limitada.5 O conceito de racionalidade limitada implica que, na tomada de decisão, a
razão pode ser limitada pela impossibilidade da obtenção de toda a informação necessária, pela capacidade cognitiva
do agente, pelos recursos disponíveis, entre outros. O poder da razão pode ser reduzido, também, em função da
otimização do processo, admitindo-se que um ser não perfeitamente racional (mas não irracional) não
necessariamente maximiza a utilização de seus recursos no processo de tomada de decisão. Da mesma maneira com
que o processo de seleção natural não é necessariamente a sobrevivência do mais apto, mas simplesmente daquele
ser que pode minimamente garantir sua sobrevivência e reprodução, a racionalidade também pode estar presente
quando o agente se contenta em buscar soluções de suficiência e não maximização.

As teorias de racionalidade limitada, entretanto, continuam exigindo a dissociação entre razão e emoção, apesar de
que mesmo filósofos importantes como Jeremy Bentham tenham proposto, durante o renascimento, que: 6 “A
natureza colocou o homem sob o domínio de dois mestres, a dor e o prazer. São esses mestres, e apenas eles, que
indicam aquilo que necessitamos fazer, bem como aquilo que devemos fazer para... O conceito de utilidade reconhece
essa submissão e a assume como princípio fundamental daquele sistema, que tem por objetivo a construção da
felicidade pelas mãos da razão e da lei.”

Embora Adam Smith, que é considerado o pai da economia, tenha sido professor de Filosofia Moral na Universidade
de Glasgow e produzido o livro Teoria dos Sentimentos Morais em 1759, antes de publicar A Riqueza das Nações em
1776,7 e Jeremy Bentham6 tenha escrito muito sobre os fundamentos psicológicos do conceito de utilidade, os
economistas da chamada teoria econômica neoclássica, desenvolvida entre 1870 e 1910, moldaram o raciocínio do
Homo economicus desconsiderando o conhecimento sobre o raciocínio do Homo sapiens disponibilizado pela
psicologia no mesmo período.

Por exemplo, Willian James, professor em Harvard e considerado um dos pais da psicologia moderna, propunha que
algo é verdade se ao longo do tempo nos guia corretamente através deste mundo um tanto quanto inóspito. Crenças
não são unidades mentais misteriosas, mas, sim, modos de ação que nos guiam pelo mundo, e dizer que são
verdadeiras corresponde a afirmar que são satisfatórias nesse propósito. Se a verdade é aquilo que funciona para
promover nosso ajuste ao mundo, então ela pode ser empiricamente estudada e, portanto, objeto do estudo das
ciências. Dentro dessa perspectiva, o raciocínio do Homo economicus deveria ser validado pela observação empírica,
que o mostraria como um agente que se contenta em buscar muitas, se não na maior das vezes, soluções de suficiência
e não maximização, e que utilizaria a emoção como uma conselheira confiável, pois a verificação da verdade está
sujeita às mesmas regras darwinianas de seleção natural.

Outra característica marcante do Homo economicus é a sua unicidade, isto é, todos os agentes econômicos raciocinam
da mesma maneira e utilizam a mesma informação. Como consequência, o seu agir é único e previsível. Toda incerteza
na tomada de decisão econômica deriva da aleatoriedade ambiental. Essa premissa está em total oposição com a
diversidade humana existente e gerada pela seleção natural para garantir a sobrevivência do homem como espécie.
Essa premissa está, também, em contradição com a proposta de vantagem comparativa, que se apoia na variedade
de especialização do agente econômico. Há uma clara contradição entre a aceitação da especialização no agir quando
se fala em produção e consumo com a unicidade de raciocínio exigido na decisão do trocar.

Por exemplo, a Teoria do Mercado Eficiente em Finanças propõe que o preço de cada ação contém toda a informação
que o investidor precisa para decidir sobre sua compra ou venda e que ele deve maximizar os retornos (dividendos)
futuros enquanto minimiza os riscos. O retorno é informação disponível para todos os investidores, pois pode ser
obtida a partir, por exemplo, dos balanços contábeis das empresas. O risco é a única variável desconhecida por sua
dependência à aleatoriedade do mercado financeiro. Para maximizar seus lucros, os investidores devem comprar
ações cuja relação seja baixa e vender aquelas cuja relação seja alta. A menos que os investidores divirjam em relação
a suas avaliações de risco, todos deveriam querer comprar e vender as mesmas ações, o que seguramente inviabilizaria
o mercado. A única solução para esse paradoxo é a aceitação da chamada racionalidade limitada. Mas essa solução
implica automaticamente a aceitação da diversidade do agente econômico, quer em relação à informação a utilizar,
quer em relação às avaliações de benefício e risco, ou mesmo em relação à sua capacidade de agir para maximizar
(minimizar) ou não o lucro (o risco).

Homo quase economicus

A partir dos anos 1960, a psicologia cognitiva passou a estudar o cérebro como um sistema para processamento de
informações em contraposição com a psicologia comportamental, dominante até então, que considera que só o
comportamento animal é passível de estudo e análise científicos. Nessa época, Tversky e Kahneman8 começam a testar
seus modelos cognitivos de tomada de decisão em condições de risco e indecisão para melhor compreender a
atividade econômica humana.

Em sua Teoria das Chances, ou Prospect Theory,9 Kahneman e Tversky8,10 propuseram que cada decisão sobre uma
loteria (Lj), com resultados (rj,i) que podem ser caracterizados pelo valor (vj,i) de cada prêmio e por sua probabilidade
(Pi) de ocorrência, será tomada levando-se em consideração (Figura 2.1):

1. um valor subjetivo (s(vj,i)) acerca do prêmio (benefício) calculado a partir de um valor de referência para ganhos e
perdas; e

2. uma avaliação subjetiva (w(pj,i)) da probabilidade de ocorrência (risco) de cada prêmio, de modo que o valor (Vj)
da decisão é dado pela somatória do produto dessas avaliações subjetivas, ou seja:
Embora, em princípio, a Teoria das Chances possa ser vista como uma generalização da Teoria de Utilidade Esperada,
é preciso observar que para Tversky e Kahneman:

1. O valor marginal tanto ao ganho quanto à perda diminui com o aumento desse ganho ou perda em relação a um
valor de referência que define subjetivamente os conceitos de ganho e perda. Além disso, a variação de s(vj,i) em
torno do ponto de referência é maior para perdas do que para ganhos (Figura 2.2).

2. A função subjetiva de avaliação das probabilidades é não linear e superestima valores baixos de probabilidade, pois
os valores de s(vj,i) estão acima da reta tracejada que definiria uma relação de equivalência entre o valor real e o valor
subjetivo (veja Figura 2.2), e subestima os valores altos de probabilidade, pois os valores de s(vj,i) estão abaixo da reta
tracejada.

Como consequência, o agente econômico de Kahneman e Tversky tem aversão ao risco em situações de ganho
garantido ou muito provável, e busca o risco em situações de perda certa ou muito provável.

A tomada de decisão na Teoria das Chances é realizada em dois passos, chamados edição e avaliação. Na fase de
edição, o agente identifica os possíveis resultados da loteria a serem escolhidos; na segunda etapa, avalia seus valores
e probabilidades subjetivas e calcula a decisão.

A identificação dos resultados na fase de edição está sujeita ao efeito de contextualização11 que tem contribuído muito
para o questionamento da racionalidade do Homo economicus.

Os autores utilizaram um jogo, no qual primeiramente se apresenta que uma população de 600 pessoas foi atingida
por uma epidemia. A partir desse acontecimento, dois grupos de participantes devem escolher uma dentre duas
opções. Para cada grupo, as opções foram descritas em contextos opostos de ganho ou de perda, mas com situações
equivalentes: Contexto de ganho: • Opção A – seguramente salvar 200 pessoas • Opção B – ter 33% de chance de
salvar todas as 600 pessoas e 66% de chance de não salvar nenhuma delas Contexto de perda:

• Opção C – seguramente deixar morrer 400 pessoas • Opção D – ter 33% de chance de nenhuma pessoa morrer e
66% de chance de todas elas morrerem.

Do grupo, ao qual foi apresentado o contexto de ganho, 78% dos participantes escolheram a opção A, e 22%
escolheram a opção B, enquanto do grupo que respondeu ao contexto de perda, 78% dos entrevistados escolheram a
opção D, que é equivalente à opção B, e apenas 22% escolhem a opção C, que é equivalente à opção A.

A discrepância entre os resultados descreve o efeito de contextualização do problema. No primeiro caso, o problema
é contextualizado de um ponto de vista positivo de salvar pessoas, ao passo que no segundo experimento a ênfase é
negativa, pois o problema é colocado como uma decisão sobre a morte. Em outras palavras, no primeiro caso o
problema se refere a ganhos ou análise de benefício, enquanto no outro ele é referenciado a perdas ou uma análise
de risco. Kahneman e Tversky8 procuram explicar os resultados assumindo que o primeiro contexto leva a um
raciocínio no qual, dado um ganho certo, o agente econômico mostra uma aversão ao risco, já no segundo contexto,
uma perda altamente provável induz a um comportamento de busca de risco.

Apesar de a Teoria das Chances se constituir em um passo importante para uma modelagem da tomada de decisão
mais real e compatível com o Homo sapiens, ela ainda não incorpora a emoção como parte integrante do processo,
como fica exemplificado acima na discussão do efeito de contexto.

Trocas intertemporais

Juro é definido nos livros de economia como o custo do aluguel do dinheiro, isto é, o quanto o agente que empresta
o dinheiro espera receber do agente tomador por um determinado tempo de cessão de uma quantidade de recursos
monetários. Ao custo do aluguel pode ser adicionada uma recompensa sobre um possível risco sobre o chamado valor
principal (ou simplesmente principal) da transação. Como qualquer outro bem e serviço, esse custo está na
dependência da oferta e demanda pelo dinheiro. Controlando essa oferta e demanda, os bancos centrais utilizam os
juros dentro de uma política monetarista para outros propósitos.

Do ponto de vista de comportamento humano, o juro é definido como a recompensa extra esperada para postergar
no tempo a satisfação de necessidades, ou como a recompensa que será cedida no futuro para antecipar no tempo a
satisfação de necessidades. Nesse contexto, antecipar custa e retardar rende, de modo que o valor do juro não é
determinado pela lei da demanda e oferta, mas fundamentalmente pela perspectiva de futuro dos agentes. Um agente
prefere abrir mão de uma recompensa atual para obter uma recompensa maior no futuro, e outro agente prefere
aumentar a recompensa atual em detrimento daquela futura. O primeiro desses agentes costumamos chamar de
investidor ou poupador, enquanto o segundo deles costumamos chamar de tomador ou devedor.

O estudo das decisões envolvendo barganha entre benefícios de ações que ocorrem em tempos distintos mostrou
que, dadas duas recompensas semelhantes, o homem dá preferência àquela que chega mais cedo. Essa observação
levou Samuelson12 a propor a Teoria da Utilidade Descontada, na qual a Utilidade Esperada é descontada por um fator
que cresce com o tempo. Em outras palavras, ele propôs que:

onde β assume um valor entre 0 e 1, de modo que, à medida que o tempo aumenta, o valor de β t se aproxima de 0,
com uma velocidade determinada por β. Por isso, esse parâmetro tem sido muitas vezes denominado valor do
desconto. Quanto menor seu valor, mais desejamos satisfazer nossas necessidades imediatamente; quanto maior o
valor de β, mais aceitamos retardar essa satisfação.

A Economia Comportamental tem mostrado que o desconto exponencial proposto por Samuelson é sistematicamente
violado em seus estudos, e por isso alternativas têm sido propostas, como o chamado desconto hiperbólico,13 no qual
a avaliação da recompensa cai rapidamente para os períodos curtos e mais lentamente para os períodos longos.

No contexto das trocas intertemporais, o valor de β define o agente econômico como investidor quando β 1 e
tomador quando β 0 e é influente na determinação das curvas de demanda e oferta do dinheiro. Esse fato, em geral,
não é levado em consideração pelas teorias econômicas monetárias. Quando o Homo economicus é substituído pelo
Homo sapiens, o valor dos juros não pode depender apenas da disponibilidade de produção da casa da moeda ou do
endividamento público, mas tem que levar em conta a capacidade de poupança dependente da diversidade do
parâmetro β da população. Como corolário, a inflação tem uma relação a β que é inversa àquela dos juros.

A criação da moeda foi fundamental para o desenvolvimento das trocas intertemporais, pois tem um valor12,13 que se
preserva no tempo e serve de referência para as trocas e como reserva de riqueza. Nesse sentido, a moeda é
dependente do grau de satisfação que um bem ou serviço pode gerar para as necessidades do indivíduo e serve como
reserva de satisfação para as trocas intertemporais. Permite que produtor e consumidor relacionem suas quantidades
de satisfação em vender e comprar com as satisfações geradas pelos bens e serviços como soluções para as suas
necessidades. Por isso, Willian James estava interessado em determinar o valor monetário (cash value) das crenças,
admitindo que a verdade de uma crença está relacionada ao valor que tem para satisfazer as nossas necessidades para
nos ajustar ao mundo no qual vivemos.

Embora a economia aceite que o dinheiro tenha um valor subjetivo para os diferentes agentes, ela assume que isso
seja irrelevante em suas teorias monetárias e restringe a determinação dos preços à lei da oferta e procura, como um
valor de equilíbrio entre a demanda e oferta.14 As teorias monetárias são ainda mais restritas ao admitir que o valor
do dinheiro pode ser controlado a partir da manipulação da curva de oferta pela autoridade monetária de acordo com
os deslocamentos da curva de demanda produzidos pelo mercado. Talvez os insucessos que essas políticas monetárias
têm experimentado15,16 possam ser explicados pelas diferenças na tomada de decisão do Homo economicus
representativo da autoridade monetária e do Homo sapiens gerador do mercado.

O mercado eficiente distribuído

A economia tradicional preconiza que uma competição perfeita requer que:

• Os bens e serviços sejam produzidos e consumidos por um número grande de agentes.

• Nenhum deles seja capaz de individualmente exercer uma influência perceptível no preço.

• A entrada ou saída de produtores e consumidores não sejam capazes de provocar alterações nos preços e recursos.

• Haja um conhecimento completo dos fatos relevantes por parte de todos os participantes do mercado.

Hayek, prêmio Nobel de Economia e principal representante da chamada Escola Econômica Austríaca, questiona que
os mercados reais não obedecem às premissas acima.17 Vejamos o exemplo que utiliza para ilustrar seu raciocínio.

Considere o mercado imobiliário e todas as suas necessidades e ações. Esse mercado existe em função da necessidade
de certos agentes compradores adquirirem residências (casas ou apartamentos) com o objetivo de habitá-las
(moradores), alugá-las (investidores) ou revendê-las (especuladores) em um momento futuro. Os agentes
incorporadores se encarregam do planejamento da construção e venda, sendo motivados pelo lucro que possam gerar
com sua atividade. Os incorporadores utilizam os agentes construtores (pedreiros, marceneiros, pintores etc.) para
construir a casa ou o apartamento e se associam aos agentes corretores especializados em vendas imobiliárias. Os
incorporadores dependem também dos agentes produtores dos bens necessários para a construção da habitação, tais
como tijolos, telhas, tintas, madeiras etc. A motivação dos agentes produtores é o lucro que podem ter por sua
vantagem comparativa. Agentes poupadores se envolvem também no processo para gerar a poupança necessária a
fim de prover os recursos para essas atividades. Esses poupadores poderão ser os próprios compradores ou agentes
investidores que são motivados pelo lucro advindo do empréstimo do dinheiro. As relações entre poupadores e
investidores são intermediadas pelos agentes financeiros cuja motivação é a remuneração pelo serviço prestado.

Como ressalta Hayek, esse mercado é composto por um conjunto bastante diversificado de agentes, motivados por
necessidades geradas por objetivos diferentes a serem alcançados, além de possuírem um conhecimento sobre o agir
diferente.17 Esse fato torna improvável a exigência, na teoria de competição perfeita, de que todos esses agentes
tenham um conhecimento total e semelhante dos fatos relevantes do mercado. Segundo o autor, o conhecimento de
uma sociedade humana é um conhecimento que está distribuído entre seus componentes, cada um dos quais possui
uma parcela desse conhecimento, mas nenhum deles o possui em totalidade.21 Para que um fato possa ser
considerado relevante por todos os agentes, primeiro é necessário que sua divulgação atinja todos esses agentes e,
em segundo lugar, é necessário que todos esses agentes o interpretem da mesma maneira. Mas como os agentes
possuem um conhecimento anterior que é diferente entre eles, essa interpretação universal se torna difícil se não
impossível.

Também não pode ser generalizada, segundo Hayek,18 a exigência de que grande número de pessoas esteja
produzindo o mesmo bem e serviço da mesma maneira garantindo sua invariância nem a de que um grande número
de pessoas esteja querendo consumir bens e serviços padronizados. Seguramente, no mercado imobiliário, mesmo se
fosse possível construir todas as casas iguais, os compradores iriam solicitar diversidade porque seguramente suas
necessidades são distintas.19
Um exemplo, que apoia as ideais acima discutidas sobre a inadequação da teoria do mercado eficiente, é a crise
econômica de 2008 gerada pelos problemas do mercado imobiliário americano. Segundo vários autores,16,20 a oferta
de dinheiro a juros baixos patrocinado pelo Federal Reserve Board para impulsionar a economia americana aqueceu
o mercado hipotecário americano. Tradicionalmente, o banco que gera a hipoteca a mantém até sua liquidação final
mediante o pagamento das parcelas pelo hipotecado. É o chamado processo gere e mantenha. Mas a chamada
engenharia financeira criou novas modalidades de transformar débito da hipoteca em ativos a serem negociados no
mercado financeiro, chamados de Ativos Baseados em Hipotecas (ABH ou MBS em inglês), num processo chamado
gere e distribua. A ideia foi a de impulsionar os negócios, uma vez que o banco gerador da hipoteca vendia esses títulos
a outros investidores e recuperava sua capacidade de gerar novas hipotecas, isto é, atender novos compradores no
mercado imobiliário. O risco desses papéis estava diretamente ligado à incapacidade de o hipotecado cumprir suas
obrigações. Mas, enquanto o mercado imobiliário estivesse aquecido, toda vez que o hipotecado tivesse problemas
para cumprir suas obrigações, poderia vender ou refinanciar seu imóvel. Para distribuir esse risco, a engenharia
financeira criou outros papéis, cujo valor dependia de uma composição de ABHs com riscos diferentes, chamados de
Obrigações Colaterizadas de Débito (OCD ou CDO, em inglês). Novas OCDs, chamadas de OCD2 ou OCD3, foram criadas
baseadas nas OCD e OCD2, respectivamente, para redistribuir novamente o risco. A compra das OCDs de qualquer
expoente geralmente era feita por meio de empréstimos que utilizavam os próprios papéis gerados pelas hipotecas
como garantias. Quando o mercado imobiliário desaqueceu, os hipotecados começaram a não cumprir suas
obrigações, e o risco de todos os papéis aumentou drástica e rapidamente, gerando um conflito que se alastrou por
todo o sistema financeiro.

A crise de 2008 não poderia ter ocorrido em um mercado eficiente onde imperaria a competição perfeita, pois todo o
conhecimento estaria disponível a todos os agentes, de modo que não haveria um aquecimento não sustentável do
mercado imobiliário e um processo de alavancagem financeira na negociação de papéis de risco desconhecido.

Segundo as proposições de Hayek, o mercado deve ser compreendido como um mercado distribuído de produção e
consumo,21 composto por agentes que se diferenciam de acordo com seus objetivos e necessidades, seus
conhecimentos, suas capacidades de agir e, portanto, suas especializações que lhes podem dar vantagens
comparativas. Os agentes nesse mercado podem ser agentes individuais, como, por exemplo, um profissional liberal
ou autônomo, ou institucionais, como, por exemplo, empresas, bancos, autarquias, entidades governamentais etc. O
mercado imobiliário já descrito é um exemplo típico de um mercado distribuído, constituído de agentes individuais e
institucionais.

O conhecimento em um sistema de múltiplos agentes especializados está distribuído entre esses agentes e não é
privilégio de nenhum deles. À medida que o mercado cresce e se sofistica, agentes centralizados ou monopólios não
conseguem mais deter o privilégio do conhecimento necessário para obter a produção mais eficiente. Entretanto, é
necessário que cada agente tenha uma certa autonomia de decisão mantida sob controle por regras ou normas
adequadas aos propósitos de evolução e crescimento do mercado. A adequação dessas regras e normas depende de
uma negociação que ajuste os interesses individuais de cada agente aos coletivos da sociedade. A eficácia dessa
negociação é muito dependente da eficiência dos sistemas de comunicação entre os agentes.

Num sistema distribuído, cada agente utiliza ferramentas (ações) diferentes para satisfazer necessidades específicas
dadas as informações disponíveis para ele sobre as restrições impostas pelo ambiente para a obtenção dessa
satisfação. Além disso, é difícil garantir uma eficiência nos sistemas de informação que garanta uma distribuição
uniforme dessas informações. Esses fatores fazem com que o conflito entre agentes possa ser substancial, a menos
que consensos possam ser obtidos pelas negociações baseadas em regras adequadas ou gerenciadas por agentes
especializados em identificar, solucionar ou prevenir conflitos. As normas para os diversos mercados são desenvolvidas
e criadas com o objetivo de garantir consenso no processo de tomada de decisão. Agências governamentais ou não
são exemplos de agentes especializados na prevenção ou mediação de conflitos.

Um mercado que evolui e se sofistica deve motivar seus agentes a evoluírem, tornando-se mais inteligentes e criativos,
de modo a aumentar sua competitividade nesse mercado mais exigente. O primeiro passo nessa direção é aumentar
a diversidade dos agentes individuais, pois sem isso o agente institucional não aumentará sua criatividade. Mas a
evolução dos métodos gerenciais, entre outros, é fundamental para que o agente institucional seja mais eficiente. A
criatividade depende, dentre outras coisas, da diversidade de ferramentas à disposição para novos planos e estratégias
que solucionem novos problemas ou necessidades. O aumento da complexidade do trabalho com o aumento da
diversidade dos agentes, por sua vez, requer a evolução do sistema gerencial. O aumento da diversidade dos agentes
aumenta a frequência e intensidade dos conflitos; por isso, requer o aprimoramento das regras para obtenção de
consenso, melhora das ferramentas a serem utilizadas pelos agentes reguladores e criação de novos agentes
reguladores com novos objetivos.

O Homo economicus com sua singularidade e unicidade não tem a diversidade exigida pelo mercado real, que é um
mercado distribuído. A economia tradicional, que estuda fundamentalmente esse agente singular e único, não possui
as ferramentas e teorias necessárias para lidar com o mercado real e evitar suas crises cíclicas, entre as quais a de
2008. Portanto, o Homo economicus deve ser substituído pelo homem real (Homo sapiens), o que exige a cooperação
entre as ciências econômicas e as neurociências para uma melhor modelagem do processo de tomada de decisão em
um mercado cada vez mais complexo.

O cérebro é um exemplo de sistema inteligente distribuído que vem sendo aprimorado pela seleção natural e que
encontra no homem sua implementação mais eficiente. Seu estudo pode ajudar na compreensão da dinâmica de outro
sistema distribuído, que é o sistema econômico gerado pela diversidade humana. A melhor compreensão dessa
dinâmica será fundamental não só para que regras mais eficientes possam ser criadas para a solução de conflitos, mas
também para que os agentes reguladores existentes e a serem criados no futuro possam ter uma melhor compreensão
da dinâmica desses conflitos. Este livro se propõe a contribuir nessa direção.

Notas e referências

1. Os conceitos apresentados na introdução deste capítulo são conceitos básicos em economia, que podem ser
encontrados em qualquer livro de introdução à economia, como, por exemplo, Introdução à economia, 2007, P.
Krugman and R. Wells, Editora Campus.

2. Bernoulli (Apud Bernstein, P.L. (1996). Against the gods. John Wiley & Sons, Inc., N. York, p. 103) não
concordava com a proposição de que os valores esperados (para uma tomada de decisão) devem ser computados
multiplicando-se o possível ganho pelo número de maneiras nas quais ele pode ser obtido e dividindo a soma desses
resultados pelo número total de maneiras. Preço e probabilidade não são suficientes na determinação de quanto algo
vale. Por isso, desenvolveu sua Teoria da Utilidade, propondo que a utilidade (de uma decisão) é dependente das
condições particulares da pessoa que faz a estimação... Não há nenhuma razão para assumir que os riscos antecipados
por cada indivíduo devem ser avaliados da mesma maneira.

3. Apud Bernstein, P.L. (1996). Against the gods. John Wiley & Sons, Inc., N. York, p. 105.

4. Morgenstern, Oskar and John von Neumann (1947). The theory of games and economic behavior. Princeton
University Press.

5. Como exemplo de autores que propõem que o homem utilize uma racionalidade limitada (bounded
rationality), podem-se citar: Chenault, L.A. and G.E. Flueckiger (1983). An information theoretic model of bounded
rationality. Mathematical Social Sciences, 6:227-246; Fellner, G., W. Güth and B. Maciejovsky (2009). Satisficing in
financial decision making — a theoretical and experimental approach to bounded rationality. Journal of Mathematical
Psychology, 53:26-33; Foss, N.J. (2003). Bounded rationality in the economics of organization: Much cited and little
used. Journal of Economic Psychology, 24:245-264; Hanoch, Y. (2002). Neither an angel nor an ant: Emotion as an aid
to bounded rationality. Journal of Economic Psychology, 23(1):1-25; Horaguchi, H. (1996). The role of information
processing cost as the foundation of bounded rationality in game theory. Economics Letters, 51:287-294; Rötheli, T.F.
(2010). Causes of the financial crisis: Risk misperception, policy mistakes, and banks’ bounded rationality. Journal of
Socio-Economics, 39:119-126.

6. Nature has placed mankind under the governance of two foreign masters, pain and pleasure. It is for them
alone to point out what we ought to do, as well as to determine what we shall do... The principle of utility recognizes
this subjection, and assumes it or the foundation of that system, the object of which is to rear the fabric of felicity by
the hands of reason and law. Apud, Bernestien, P.L. (1996). Against the gods. John Wiley & Sons, Inc., New York, p.189.

7. Mais informações sobre Adam Smith, suas ideias e seus livros podem ser obtidas em:
http://www.adamsmith.org/adam-smith/.
8. Uma coletânea dos trabalhos de Daniel Kahneman e Amos Tversky pode ser encontrada em “Choices, Values
and Frames”, Daniel Kahneman and Amos Tversky (eds),Cambridge University Press.

9. O nome mais comumente utilizado para a teoria proposta por Kahneman e Tversky é Prospect Theory. Em
português, muitas vezes é utilizado o nome Teoria dos Prospectos. Entretanto, o termo prospecto em português não
tem o mesmo significado da palavra inglesa prospect. Chance é melhor tradução do português para essa palavra
inglesa.

10. Rocha A.F., F. Gomide and W. Pedrycz (2009). What are we Learning from Neurosciences about Decision-Making:
A Quest for Fuzzy Set Technology. In: views on fuzzy sets and systems from different perspectives: philosophy and
logic, criticisms and applications, rudolf seizing (Ed.), Studies in Fuzziness and Soft Computing, 243:361-375, Springer,
ISBN 978-3-540-93801-9; e-ISBN 978-3-540-93802-6; DOI 10.1007/978-3-540-93802-6.

11. Esse efeito foi primeiramente descrito por Tversky, A. and D. Kahneman (1981). “The framing of decisions and the
psychology of choice”. Science, 211(4481):453- 458. Outros artigos sobre o mesmo tema podem ser encontrados no
livro referenciado na citação 8.

12. Samuelson, P. (1937). A note on measurement of utility. Review of Economic Studies, 4:155-161.

13. Camerer, C. and G. Loewenstein (2004). Behavioral economics: past, present, future. In: Advances in behavioral
economics: (Camerer, Loewenstein and Rabin, eds). Princeton University Press, Princeton, p. 3-52; Frederick, S., G.
Loewenstein and R. O D́ onoghue (2004). Time discounting and time preference: A critical Review. In: Advances in
behavioral economics, (Camerer, Loewenstein and Rabin, eds). Princeton University Press, Princeton, p. 162-222;
Laibson, D. (2004). Golden eggs and Hyperbolic Discounting. In: Advances in behavioral economics, (Camerer,
Loewenstein and Rabin, eds). Princeton University Press, Princeton, p. 429-457.

14. Os conceitos de curva de oferta e demanda, bem como de preço de equilíbrio, podem ser encontrados em qualquer
livro básico de economia, como, por exemplo, Introdução à economia, Paul Krugman and Robin Wells, 2007, Elsevier
Editora Ltda.

15. Uma análise do papel dos bancos centrais na crise de 1929 pode ser encontrada em Lords of Finance, L. Ahamed
(2009), Penguin Books.

16. Uma análise do papel do Federal Reserve Board pode ser encontrada em Crisis Economics, N. Roubin and S. Mihm
(2010), The Penguin Press.

17. The meaning of competition, capítulo no livro Individualism and economic order, F. A. Hayek (1948), Chicago
University Press.

18. idem ibidem, capítulo Economics and law. 19. idem ibidem, capítulo The use of knowledge in society. 20. Uma
coletânea de trabalhos sobre a Crise Econômica de 2008 pode ser encon-

trada em Lessons from the financial crisis, R.W. Kold (ed), Kold Series in Finance

(2010), John Wiley & Sons. 21. A teoria de Sistema Inteligente de Processamento Distribuído foi desenvolvida dentro
da área de Inteligência Artificial, e alguns dos principais artigos sobre o assunto são: Chandrasekaran, B. (1981). Natural
and social system metaphors for distributed problem solving: introduction to the issue. IEEE Trans. Sys. Man and
Cybernetics, 11:11-15; Davis, R. and R.G. Smith (1983). Negotiation as a metaphor for distributed problem solving.
Artificial Intelligence, 20:63-109; Fox, M.S. (1981). An organizational view of distributed systems. IEEE Trans. Sys. Man
and Cybernetics, 11:70-80; Gasser, L. (1991). Social conceptions of knowledge and action: DAI foundations and open
systems semantics. Artificial Intelligence 47:107- 138; Hewitt, C. (1977). Viewing control structure as patterns of
passing messages. Artificial Intelligence, 8:323-364; Hewitt, C. and J. Inman (1991). DAI betwixt and between: From
“intelligent agents” to open system science. IEEE Trans. Sys. Man and Cybernetics, 21:1409-1419; Lesser, V.R. and D.D.
Corkill (1981). Functionally accurate, cooperative distributed systems. IEEE Trans. Sys. Man and Cybernetics, 11:81-96;
Lesser, V.R. (1991). A retrospective view of FA/C distributed problem solving. IEEE Trans. Sys. Man and Cybernetics,
21:1347-1362.