Você está na página 1de 5

Juízo: Vara adjunta do JEC da Comarca de Campo Bom

Processo: 9000337-45.2016.8.21.0087
Tipo de Ação: Espécies de Contratos :: Compra e Venda
Autor: Gabriel Wingert
Réu: Comercial de Veículos Rick
Local e Data: Campo Bom, 15 de fevereiro de 2017

PROPOSTA DE SENTENÇA
Vistos.

Dispensado o relatório, na forma do art. 38 da Lei n.º 9.099/95.

Inicialmente, afasto a preliminar de decadência, uma vez que o autor somente em


14/03/2016 ficou sabendo do vício oculto que havia no veículo adquirido, conforme
comprovam os documentos de fls. 10 e 60 dos autos.

Quanto ao mérito, sem maiores delongas, nota-se que a controvérsia encontra-se no ponto
em que a requerida nega que tinha conhecimento de que o veículo vendido ao autor era
sinistrado.

No entanto, por se tratar de relação de consumo, a responsabilidade do comerciante é


objetiva, não havendo necessidade de se averiguar eventual culpa da requerida.

De qualquer modo, a verificação da condição dos veículos é inerente à atividade da empresa


requerida, pois esta avalia os automóveis, tanto ao recebê-los como ao revendê-los, de
maneira que a empresa não se exime da presunção de conhecimento da circunstância pelos
simples fato de não ter tido acesso à informação pela internet, como alegado em defesa.

Nesse sentido:

Ementa: AÇÃO ESTIMATÓRIA. VÍCIO OCULTO. AUTOMÓVEL RECUPERADO DE


SINISTRO. DECADÊNCIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO COMERCIANTE.
COMPROVAÇÃO DE PREJUÍZO. 1. Uma vez que o vício oculto do automóvel Honda Civic
2008 comprado da recorrente pelo recorrido em 03/2013 só foi descoberto em 01/2015,
quando da negociação com outro comerciante para troca, é esta última data - e não a da
compra - que deve ser tomada como marco inicial da decadência, nos exatos termos do art.
26, § 3º, do CDC. 2. O singelo fato de não constar no CRLV a informação de tratar-se de
veículo recuperado de sinistro não exime o comerciante da presunção de que tenha
conhecimento da circunstância, já que se trata de informação crucial à avaliação do
bem e que lhe é disponível através da Internet, em sítios especializados (fls. 16/17).
Ademais, sua responsabilidade perante o consumidor é objetiva, descabendo a
argumentação de não ter agido culposamente. 3. O prejuízo experimentado pelo recorrido foi
devidamente demonstrado pela prova coletada (fls. 18 a 21). Recurso desprovido. Unânime.
(Recurso Cível Nº 71005647243, Turma Recursal Provisória, Turmas Recursais, Relator:
João Pedro Cavalli Junior, Julgado em 30/05/2016). (grifei).

Com efeito, uma vez reconhecida a responsabilidade objetiva da requerida, devendo esta
devolver ao autor o valor pago pelo bem à época da compra e venda, mostra-se justo,

Assinado eletronicamente por Greice Witt


Confira autenticidade em https://www.tjrs.jus.br/verificadocs , informando 0000228567042. Página 1/5
igualmente, que o autor devolva o veículo à empresa, com todas as taxas e impostos
quitados, podendo, se for o caso, haver compensação de valores no momento do pagamento
da condenação.

De outra banda, quanto ao dano moral postulado, entendo que assiste razão à parte autora,
pois esta, na condição de consumidor, passou por situação que causou-lhe grande
frustração, pois adquiriu um bem com característica diversa da esperada e que resultou na
impossibilidade de contratar seguro, bem como gerou constrangimento e insegurança, além
de ter sido vítima da flagrante deslealdade do revendedor que omitiu informação relevante
sobre o produto para facilitar a concretização do negócio.

Nesse sentido, veja-se:

Ementa: RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. COMPRA E VENDA DE VEÍCULO


USADO ENTRE PARTICULARES. VEÍCULO SINISTRADO. OMISSÃO DA INFORMAÇÃO
PELO VENDEDOR. RESTRIÇÕES E DEPRECIAÇÃO. INDENIZATÓRIA POR DANOS
MATERIAIS E MORAIS. REVELIA. DESVALORIZAÇÃO. DANOS MATERIAIS DEVIDOS.
DANOS MORAIS EVIDENCIADOS E FIXADOS EM R$ 8.000,00, ADEQUADO ÀS
CIRCUNSTÂNCIAS DO CASO CONCRETO E CRITÉRIOS DA RAZOABILIDADE E
PROPORCIONALIDADE. RECURSO PROVIDO. (Recurso Cível Nº 71006110381, Primeira
Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Mara Lúcia Coccaro Martins Facchini,
Julgado em 28/06/2016). (grifei).
Portanto, mesmo de acordo com o entendimento das Egrégias Turmas Recursais Cíveis, fixo
a indenização por dano moral em R$ 2.000,00 (dois mil reais), pois a sentença deve
limitar-se ao pedido.

Diante do exposto, DESACOLHENDO a preliminar de decadência, OPINO no sentido de


JULGAR PROCEDENTES a ação movida por GABRIEL WINGERT em face de
COMERCIAL DE VEÍCULOS RICK, bem como o pedido contraposto, para:

a) CONDENAR a requerida:

a.1) a restituir ao autor o valor de R$ 17.000,00, corrigido pelo IGPM, a contar da data da
compra e acrescido de juros de 1% ao mês, contados da citação;

a.2) ao pagamento de R$ 2.000,00 (dois mil reais) a título de indenização por dano moral,
cujo valor deverá ser corrigido pelo IGPM e acrescido de juros de 1% ao mês, a contar da
citação.

b) DETERMINAR ao autor a devolução do veículo objeto da ação à empresa requerida, com


todas as taxas e impostos quitados, no prazo de 48 horas, contados da efetiva restituição
do valor do bem (item a.1).

Sem custas e honorários, por força do art. 55 da Lei n.º 9.099/95.

Submeto o parecer à apreciação e homologação da Excelentíssima Senhora Doutora Juíza


de Direito Presidente deste Juizado Especial Cível.

Campo Bom, 15 de fevereiro de 2017

Assinado eletronicamente por Greice Witt


Confira autenticidade em https://www.tjrs.jus.br/verificadocs , informando 0000228567042. Página 2/5
Fabiano Pilger - Juiz Leigo

Assinado eletronicamente por Greice Witt


Confira autenticidade em https://www.tjrs.jus.br/verificadocs , informando 0000228567042. Página 3/5
Juízo: Vara adjunta do JEC da Comarca de Campo Bom
Processo: 9000337-45.2016.8.21.0087
Tipo de Ação: Espécies de Contratos :: Compra e Venda
Autor: Gabriel Wingert
Réu: Comercial de Veículos Rick
Local e Data: Campo Bom, 15 de fevereiro de 2017

SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA
Nos termos do art. 40 da Lei nº 9.099/95, homologo a proposta de decisão, para que produza
efeitos como sentença. Sem custas e honorários, na forma da Lei. As partes consideram-se
intimadas a partir da publicação da decisão, caso tenha ocorrido no prazo assinado; do
contrário, a intimação terá de ser formal.

Campo Bom, 15 de fevereiro de 2017

Dra. Greice Witt - Juíza de Direito

Rua dos Estados, 800 - Vinte e Cinco de Julho - Campo Bom - Rio Grande do Sul - 93700-000 - (51)
3597-1111

Assinado eletronicamente por Greice Witt


Confira autenticidade em https://www.tjrs.jus.br/verificadocs , informando 0000228567042. Página 4/5
RIO -G R
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
CA AN
LI

PODER JUDICIÁRIO
D

B

EN
RE

SE

TRIBUNAL DE JUSTIÇA

DOCUMENTO ASSINADO POR DATA


GREICE WITT 15/02/2017 00h17min

Este é um documento eletrônico assinado digitalmente conforme Lei Federal


nº 11.419/2006 de 19/12/2006, art. 1º, parágrafo 2º, inciso III.

Para conferência do conteúdo deste documento, acesse, na internet, o


endereço https://www.tjrs.jus.br/verificadocs e digite o seguinte

www.tjrs.jus.br número verificador: 0000228567042

Página 5/5