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AO MERITÍSSIMO JUÍZO DA VARA ADJUNTA DO JUIZADO ESPECIAL

CÍVEL DA COMARCA DE ESPUMOSO/RS

CARLA REGINA TOLEDO DESBESEL, brasileira,


solteira, desempregada, inscrita no RG nº. 4077933739 e
no CPF/MF sob o nº. 994467740-04, residente e
domiciliada na Travessa Jacuí, nº. 111, bairro Centro, CEP:
99435-000, Campos Borges/RS, intermediada por seu
patrono ao final firmado - instrumento procuratório
acostado -, esse com endereço eletrônico e profissional
inserto na referida procuração, o qual, em obediência à
diretriz fixada no art. 287, do CPC, indica-o para as
intimações que se fizerem necessárias, vêm, como o
devido respeito a presença de Vossa Excelência ajuizar a
presente AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA
SECURITÁRIA (SEGURO PRESTAMISTA)
CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO em face
de BANCO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
S/A, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ
sob o nº. 92.702.067/0001-96, com sede à Rua Capitão
Montanha, 177, Centro Histórico, CEP 90010-040, Porto
Alegre/RS, telefone (51) 3215-6400 e RIO GRANDE
SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A, pessoa jurídica de
direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº.
01.582.075/0001-90, endereçada na Rua Siqueira
Campos, nº 1163, 6º andar, CEP 90.010-001, Centro

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Histórico, Porto Alegre/RS, telefone (21) 3824-3900, pelos
motivos de fato e direito a seguir narrados.

DOS FATOS

A autora é filha do falecido/segurado ARMIN VITOR DESBESEL, o


qual veio a falecer no dia 20/06/2019, vítima de grave acidente na BR-448/KM-
14 (Sentido Capital Interior), em Canoas/RS, conforme atestado de óbito, laudo
de necropsia, Boletim de Acidente de Trânsito da Polícia Rodoviária Federal e
Boletim de Ocorrência Policial da Polícia Civil/RS, colacionados aos autos. A
causa morte, segundo o já mencionado atestado de óbito fora, “asfixia,
compressão torácica externa. Tipo de morte: violenta”.

Em 21 de setembro de 2017 o “de cujus” entabulou CÉDULA DE


CRÉDITO BANCÁRIO junto ao primeiro réu com AUTORIZAÇÃO PARA
CONSIGNAÇÃO EM FOLHA DE PAGAMENTO, CONTA BENEFÍCIO DE
APOSENTADORIA OU PENSÃO, nos seguintes termos:

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Para garantir a proteção de sua família e garantir a quitação do débito
em caso de falecimento, contratou junto ao segundo réu seguro prestamista,
nº da apólice 77.000.784, no valor de R$ 10.500,00 (dez mil e quinhentos
reais).
Ocorre que, após sua morte, além da cobertura ser negada pela segunda
ré, continuaram a ser debitados pelo primeiro réu valores referente à operação
de contratação de crédito na conta corrente do “de cujus”, mesmo após a
comunicação do falecimento feita pela autora junto ao Banrisul.

Assim, busca-se através dessa ação o pagamento da indenização


securitária devida, com o repasse ao primeiro réu da quantia restante para a
quitação do crédito contrato e dos valores que remanescerem para a
autora/beneficiária, bem como a restituição dos valores indevidamente
descontados após o falecimento em dobro.

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DO DIREITO

O termo de adesão ao seguro prestamista está no mesmo papel da


proposta de adesão à cédula de crédito bancário, sendo a autora legitimada ao
recebimento da indenização.

Primeiramente convém destacar que a atividade securitária está


abrangida pelo Código de Defesa do Consumidor, tendo em vista o disposto no
artigo 3º, parágrafo 2º, deste diploma legal:

“Art. 3° ...
...
§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de
consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza
bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as
decorrentes das relações de caráter trabalhista.”

O negócio jurídico firmado pelas partes efetivou-se através de contrato


de adesão, cujas cláusulas são previamente estabelecidas pela seguradora, em
nada opinando o segurado ou beneficiário.

Assim sendo, deve-se incidir à espécie as disposições do Código de


Defesa do Consumidor.

Além disso, tendo em vista a verossimilhança das alegações, conforme


documentos acostados à presente inicial, bem como a inegável hipossuficiência
técnica e a vulnerabilidade das autoras, mister se faz que Vossa Excelência se
digne em decretar a inversão do ônus da prova, exonerando a parte autora de
provas os fatos constitutivos de seu direito, com fulcro na norma posta no
inciso VIII, do art. 6º, do Diploma Consumerista.

No presente caso, a seguradora negou a cobertura do seguro


prestamista, alegando que o segurado estava embriagado no momento do

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sinistro, circunstância que afastaria a garantia contratada. A embriaguez, por si
só, não é causa de exclusão da cobertura securitária.

Nesse sentido dispõe a Súmula 620 do STJ:

Também, a jurisprudência do Egrégio TJ/RS:

COBRANÇA. SEGURO DE VIDA EM GRUPO -


PRESTAMISTA - ACESSÓRIO DE CONTRATO DE
CONSÓRCIO PARA AQUISIÇÃO DE MOTOCICLETA,
O QUAL VISA GARANTIR A QUITAÇÃO DO SALDO
DEVEDOR DO SEGURADO JUNTO AO
BENEFICIÁRIO, SUPRINDO EVENTUAL
INADIMPLÊNCIA DO SEGURADO NO GRUPO
CONSORTIL. INCABÍVEL A NEGATIVA DE
COBERTURA POR AGRAVAMENTO DO RISCO
MOTIVADA POR SUPOSTA EMBRIAGUEZ DO
CONDUTOR QUANDO AUSENTE PROVA
CONCLUDENTE DA CULPA OU DOLO DO SEGURADO
NO ACIDENTE. DÚVIDA QUE SE SOLVE EM FAVOR
DO SEGURADO. CLÁUSULA EXPRESSA PREVENDO,
ALÉM DA COBERTURA DAS PARCELAS PENDENTES
APÓS A DATA DO ÓBITO DO SEGURADO, A
DIFERENÇA A SER PAGA AOS BENEFICIÁRIOS.
PROVIDO O RECURSO DA AUTORA E NEGADO
PROVIMENTO AO RECURSO DA RÉ.(Recurso Cível, Nº
71005303797, Segunda Turma Recursal Cível, Turmas
Recursais, Relator: Vivian Cristina Angonese Spengler,
Julgado em: 08-07-2015)

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AÇÃO DE COBRANÇA. SEGURO DE VIDA
PRESTAMISTA. MORTE. ACIDENTE DE TRÂNSITO.
EMBRIAGUEZ. INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA
DEVIDA. VALOR DA INDENIZAÇÃO. PAGAMENTO
DIRETO À ESTIPULANTE. SALDO REMANESCENTE
AOS HERDEIROS. ÔNUS SUCUMBENCIAIS.
REDIMENSIONAMENTO. PREQUESTIONAMENTO. I.
De acordo com o art. 768, do Código Civil, o segurado
perderá o direito à garantia se agravar intencionalmente o
risco objeto do contrato. II. Entretanto, cuidando-se de
seguro de vida, e não de veículo, embora esteja
comprovada a embriaguez do segurado na ocasião do
acidente de trânsito que resultou na sua morte, é vedada
a exclusão de cobertura na hipótese de sinistros ou
acidentes decorrentes de atos praticados pelo segurado
em estado de insanidade mental, de alcoolismo ou sob
efeito de substâncias tóxicas. Recomendação jurídica
contida no Parecer n° 26.522/2007, da Procuradoria
Federal junto à SUSEP, cujo teor foi repassado às
seguradoras pela Carta Circular SUSEP/DETEC/GAB n°
08/2007. III. Assim, impõe-se a condenação da ré
ao pagamento das coberturas securitárias no valor
da capital segurado individual, que, no caso
concreto, é o valor do saldo devedor da dívida ou
do limite do crédito contratado, conforme expressa
disposição contratual. Tais montantes devem ser
pagos diretamente à estipulante para a quitação
dos contratos e, havendo saldo remanescente, este
deve ser pago aos herdeiros do segurado,
obedecida a ordem da vocação hereditária, na
forma do disposto no art. 792, do Código Civil, uma
vez que não foram apontados beneficiários nas

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propostas de seguro. Além disso, os valores das
indenizações devem ser corrigidos monetariamente pelo
IGP-M, a partir da data do evento danoso (morte), e
acrescidos de juros de mora de 1% ao mês, desde a
citação, nos termos da Súmula 38, deste Tribunal. IV.
Considerando o decaimento recíproco das partes,
imperativo o redimensionamento dos ônus sucumbenciais.
APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA.(Apelação Cível, Nº
70072027881, Quinta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do
RS, Relator: Jorge André Pereira Gailhard, Julgado em:
28-06-2017)

APELAÇÕES CÍVEIS. SEGURO DE VIDA E SEGURO


PRESTAMISTA. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE
ATIVA SUSCITADA PELA RÉ QUE SE CONFUNDE
COM O MÉRITO RECURSAL. ACIDENTE DE
TRÂNSITO. MORTE DO SEGURADO ABARCADA
COMO RISCO COBERTO NOS CONTRATOS
SECURITÁRIOS CELEBRADOS PELO DE CUJUS.
EMBRIAGUEZ DO SEGURADO. AGRAVAMENTO DO
RISCO DESCARACTERIZADO EM RELAÇÃO AO
SEGURO DE VIDA, DIANTE DA ESPÉCIE
SECURITÁRIA. AUSÊNCIA DE PROVA CABAL DO
NEXO DE CAUSALIDADE ENTRE O ESTADO DE
ALCOOLEMIA DO SEGURADO E O SINISTRO. DEVER
DE INDENIZAR DA SEGURADORA, DIANTE DESSAS
CIRCUNSTÂNCIAS, CONFIGURADO EM RELAÇÃO
AOS SEGUROS CONTRATADOS. CORREÇÃO
MONETÁRIA QUE DEVE INCIDIR A PARTIR DA
DATA DO ÓBITO EM RELAÇÃO AO SEGURO DE VIDA
E A CONTAR DA DATA DO VENCIMENTO DE CADA

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PARCELA ADIMPLIDA APÓS O ÓBITO DO
SEGURADO EM RELAÇÃO AO SEGURO
PRESTAMISTA. 1. A preliminar de ilegitimidade ativa
suscitada pela seguradora se confunde com o mérito
recursal, e com ele será analisada. 2. De acordo com o
artigo 757, caput, do Código Civil: “pelo contrato de
seguro, o segurador se obriga, mediante o pagamento do
prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo
a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados”.
Dessa maneira, os riscos assumidos pelo segurador são
exclusivamente sobre o valor do interesse segurado, nos
limites fixados na apólice, não se admitindo a
interpretação extensiva, nem analógica. 3. Os contratos
de seguro devem se submeter às regras constantes na
legislação consumerista, para evitar eventual desequilíbrio
entre as partes, considerando a hipossuficiência do
consumidor em relação ao fornecedor; bem como manter
a base do negócio a fim de permitir a continuidade da
relação no tempo. 4. No presente caso, é de fundamental
consideração que estão sendo pleiteadas, pela parte
autora (beneficiários dos contratos securitários),
indenizações referentes a seguro de vida e a seguros
prestamistas celebrados pelo de cujus. 5. O cerne da
controvérsia reside na análise da negativa de cobertura da
seguradora, sob a justificativa de que o segurado teria
agravado intencionalmente o risco ao dirigir embriagado.
6. Contudo, especificamente no contrato de seguro de
vida, é vedada a exclusão de cobertura na hipótese de
sinistros ou acidentes decorrentes de atos praticados pelo
segurado em estado de insanidade mental, de alcoolismo
ou sob efeito de substâncias tóxicas (Carta Circular
SUSEP/DETEC/GAB n° 08/2007). 7. Não fosse por isso, de

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qualquer forma não se verificou o agravamento
intencional do risco objeto do contrato pelo segurado. De
acordo com o conjunto probatório, em especial a prova
oral, não restou comprovado, de forma cabal, o alegado
estado etílico do condutor no momento do acidente,
tampouco o referido nexo de causalidade entre a sua
embriaguez e o sinistro. 8. Por esses motivos, impõe-se a
condenação da ré ao pagamento das indenizações
previstas nos contratos securitários discutidos nos autos.
9. Em relação aos seguros prestamistas celebrados, não
se desconhece que a indenização deveria ser repassada,
em regra, por primeiro, à instituição financeira estipulante,
com o intuito da quitação do referido financiamento. 10.
No entanto, no presente caso, considerando a
comprovação da inexistência de saldo devedor a ser
quitado, é cabível o ressarcimento aos autores dos valores
pagos após o óbito do segurado, além do repasse de
eventual saldo remanescente aos beneficiários. 11. Por
fim, assiste razão à parte autora no tocante à pretensão
de modificação dos termos iniciais da correção monetária
referente às quantias a título de seguro de vida e ao
ressarcimento das parcelas pagas após o óbito do
segurado. 12. Nesse sentido, as importâncias referentes
ao seguro de vida devem ser corrigidas monetariamente
pelo IGP-M a partir da data do óbito do segurado. 13. De
outro lado, tendo sido a parte ré condenada a adimplir as
parcelas pagas após óbito do segurado, impõe-se que a
correção monetária incida a partir do vencimento de cada
parcela. 14. Majoração dos honorários advocatícios fixados
em favor dos procuradores da parte autora, em
conformidade com o que preconiza o artigo 85, §11, do
CPC. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. APELAÇÃO

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DA PARTE RÉ DESPROVIDA. APELAÇÃO DA PARTE
AUTORA PROVIDA.(Apelação Cível, Nº 70079653333,
Quinta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator:
Lusmary Fatima Turelly da Silva, Julgado em: 18-12-2018)

Por esses mesmos fundamentos, deve ser rejeitada a tese de limitação


da cobertura, devendo ser paga a indenização de morte por acidente.

Em se tratando de seguro prestamista, deve ser acolhida a pretensão da


parte autora, para condenar o segundo réu ao pagamento da cobertura prevista
em caso de indenização por morte da apólice 77.000.784, repassando os
valores ainda devidos para o primeiro réu, a fim de quitar o crédito contratado,
com o valor remanescente ficando à disposição da autora.

Igualmente, com fulcro no Art. 42, parágrafo único do CDC, o réu


Banrisul deve restituir em dobro os valores que descontou indevidamente da
conta do “de cujus” após sua morte, devendo, para tanto, Vossa Excelência
determinar (Art. 396 do CPC: O juiz pode ordenar que a parte exiba documento
ou coisa que se encontre em seu poder ) que este réu traga aos autos todos os
extratos da conta do falecido, a saber:

a) a partir do mês 10/2017, o mês em que foi realizado o primeiro


desconto, até o mês 06/2019, em que o autor faleceu, para se apurar a
quantia que foi paga pelo falecido até então + o que falta para a quitação do
contrato, sendo essa diferença o valor que deve ser repassado pela segunda ré
ao réu Banrisul, ficando a autora com o saldo remanescente, devidamente
corrigido, é claro;

b) os descontos realizados indevidamente após o mês 06/2019, ou


seja, após a morte do pai da autora. Estes descontos são indevidos e devem
ser restituídos em dobro para a autora, afinal de contas, o seguro prestamista
contratado se prestava justamente à quitação desse débito sobrante após a
morte do “de cujus”, constituindo verdadeiro ABUSO DE DIREITO (Art. 187
do Código Civil: “Também comete ato ilícito o titular de um direito

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que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo
seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.”)
por parte do réu Banrisul a realização de tais descontos na conta do morto,
sabedor que era do seu falecimento.

No mais, há que se destacar que consta na Cédula de Crédito Bancário


cláusula de eleição de foro:

Excelência, nas ações que envolvem responsabilidade do fornecedor de


produtos/serviços e consumidores é necessário observar o artigo 101 do Código
de Defesa do Consumidor (CDC), o qual estabelece que demandas
consumeristas podem ser propostas no domicílio do cliente.

A abusividade da cláusula de eleição de foro é recorrente nas relações


de consumo, principalmente nos contratos de adesão.

Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça nas ações


propostas contra o consumidor, a competência pode ser declinada de ofício
para o seu domicílio, e se for o autor da demanda permite-se a escolha do
foro de eleição contratual, considerando que a normas protetivas do Código
de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/90), erigidas em seu benefício, não o
obriga quando puder deduzir sem prejuízo a defesa dos seus interesses fora
do seu domicílio (STJ, CC nº 107441, DJe 01/08/2011).

Do mesmo modo, “em se tratando de relação de consumo e tendo em


vista o princípio da facilitação da defesa do hipossuficiente, não prevalece o
foro contratual de eleição quando estiver distante daquele em que reside o
consumidor em razão da dificuldade que este terá para acompanhar o
processo” (STJ, CC nº 41728, DJ 18/05/2005).

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No tocante aos contratos de adesão “não prevalece o foro contratual de
eleição, se configurada que tal indicação, longe de constituir-se uma livre
escolha, mas mera adesão a cláusula pré-estabelecida pela instituição
mutuante, implica em dificultar a defesa da parte mais fraca, em face dos
ônus que terá para acompanhar o processo em local distante daquele em que
reside e, também, onde foi celebrado o mútuo” (STJ, CC nº 23968, DJ
16/11/1999).

Em resumo , “firmou o Superior Tribunal de Justiça entendimento no


sentido de que o foro contratual deve ser afastado quando implicar em
dificuldades de acesso à justiça para a parte mais fraca, em relação
consumerista” (STJ, REsp nº 722437, DJ 09/05/2005). Por expressa previsão
legal, no artigo 63, § 2º e § 3º, do novo Código de Processo Civil, o
entendimento passa a ser aplicável a todas as causas.

Por isso, se faz necessário, no presente caso, em que há não apenas


hipossuficiência da autora em relação aos réus, mas hipossuficiência até
mesmos para arcar com custas e despesas do processo, tratando-se de pessoa
desempregada, declarar tal cláusula de eleição de foro nula.

DOS PEDIDOS

Ante o exposto, requer se digne Vossa Excelência:

a) A citação das rés via AR para comparecerem em audiência de


conciliação designada, sob pena de revelia e confissão;
b) Por ser pessoa pobre na acepção da Lei 1.060/50, requer a autora a
concessão do benefício da JUSTIÇA GRATUITA, porquanto não
possui condições de arcar com as custas judiciais sem prejuízo do
sustento próprio e de sua família;
c) A declaração de nulidade da cláusula de eleição de foro estipulada em
contrato de adesão, firmando a competência para processamento e

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julgamento do presente feito na Vara Adjunta do JEC de
Espumoso/RS pelas razões acima expostas;
d) A inversão do ônus da prova, determinando às requeridas que tragam
aos autos todos os documentos relativos ao presente feito, sob pena
de revelia e confissão ficta quanto à matéria, especialmente no que
tange ao réu Banrisul, que este réu traga aos autos todos os extratos
da conta do falecido, a partir do mês 10/2017;
e) A PROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS, para o fim de condenar as
demandadas ao pagamento:

I – em relação à ré RIO GRANDE SEGUROS E


PREVIDÊNCIA S/A, o integral do valor da indenização
securitária no montante de R$ 10.500,00. Tal montante deve
ser pago, após a apuração nestes autos da quantia faltante
para a quitação da cédula de crédito bancário, diretamente ao
estipulante (réu Banrisul) para a quitação deste contrato e,
havendo saldo remanescente, este deve ser pago para a
autora. Solicita-se que seja definida, por sentença, a extensão
da obrigação condenatória, o índice de correção monetária e
seu termo inicial, os juros moratórios e seu prazo inicial (CPC,
art. 491, caput);

II – em relação ao réu Banrisul, a condenação deste a restituir


em dobro à autora os valores debitados da conta do “de cujus”
após a comunicação de seu óbito, ou seja, a partir do mês
seguinte ao da morte, portanto, julho de 2019, por se tratar de
claro abuso de direito, nos termos do art. 187 do Código Civil;

Requer a condenação da ré em custas e honorários advocatícios, esses


arbitrados em 20% (vinte por cento) sobre o valor da condenação (CPC, art.

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82, parágrafo 2º, art. 85 c/c art. 322, parágrafo 1º), além de outras eventuais
despesas do processo (CPC, art. 84). Por fim, também requer provar o alegado
através de todos os meios de provas admitidos em direito, em especial o
depoimento pessoal da autora e dos representantes das requeridas;

Dá-se à causa o valor provisório de R$ 10.500,00 (dez mil e


quinhentos reais)

Respeitosamente,

Pede deferimento.

Espumoso/RS, 19 de novembro de 2019.

Gabriel Arozi A. Abelin

OAB/RS 105. 527

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RIO -G R
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
CA AN
LI

PODER JUDICIÁRIO
D

B

EN
RE

SE

TRIBUNAL DE JUSTIÇA

DOCUMENTO ASSINADO POR DATA


Gabriel Arozi Abbade Abelin 19/11/2019 18h27min

Este é um documento eletrônico assinado digitalmente conforme Lei Federal


nº 11.419/2006 de 19/12/2006, art. 1º, parágrafo 2º, inciso III.

Para conferência do conteúdo deste documento, acesse, na internet, o


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www.tjrs.jus.br número verificador: 0000921160141

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