A APLICABILIDADE DA RESPONSABILIDADE CIVIL FRENTE ATOS COMISSIVOS OU OMISSIVOS DE AGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.

Rodolfo Rodrigues Sales1 Luis Fernando Barbosa Castello2 RESUMO: O referido artigo tem por objetivo apresentar ao longo deste, a aplicabilidade da responsabilidade civil frente atos comissivos ou omissivos de agentes da administração pública. E neste sentido, é de suma importância evidenciar as obrigações e deveres oriundos aos entes de Direito Público, bem como os entes de Direito Privado prestadores de serviços públicos quando os mesmos, diante da prática um ato causem danos ou lesões a terceiros, independentemente dos fatores que levaram tais atos lesivos sejam eles de natureza comissiva ou omissiva a serem concebidos. Pois se torna de suma importância ao Estado dispor de atos que estejam em perfeita harmonia com as atuais necessidades da sociedade em geral, atos estes que devem resguardar o respeito e a dignidade a terceiros, quando da execução dos mesmos, sendo que ao se aferir que o respeito e a dignidade de terceiros, que são resguardados através de garantias constitucionais e até mesmo através dos princípios da própria Administração Pública são feridos, a responsabilidade civil deverá ser evocada, para que através de indenizações os danos ou lesões sofridas por terceiros sejam ressarcidos aos mesmos. PALAVRAS-CHAVES: Responsabilidade Civil Objetiva, Administração Pública, Dano, Atos Comissivos ou Omissivos. O Estado como ente de Direito Público, ao desenvolver suas atividades através da Administração Pública visando atender as necessidades da coletividade, torna-se responsável pelos atos por ele praticado no exercício de seus deveres e obrigações, ou seja, o Estado por possuir uma personalidade jurídica assim como qualquer outra pessoa seja ela física ou jurídica, igualmente de direito público ou de direito privado, possui como obrigação, reparar os danos provocados pelos seus atos sejam tais atos de natureza comissiva ou omissiva, devendo o ente Estado ressarcir ao prejudicado os prejuízos causados ao mesmo. É então a partir do momento em que se evidência a ocorrência de prejuízos e danos causados pelo Estado a um terceiro é que nasce a Responsabilidade Civil da Administração Pública, que irá reparar os danos de natureza patrimonial, que via de regra se dá através de indenizações.
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Acadêmico do 6º semestre do Curso de Direito da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas do Araguaia – Facisa – Barra do Garças/MT – e-mail: rodolfosalles07@hotmail.com. 2 Acadêmico do 6º semestre do Curso de Direito da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas do Araguaia – Facisa – Barra do Garças/MT – e-mail: lbcastelo@gmail.com

a Responsabilidade Civil da Administração Pública ao cometer atos comissivos ou omissivos que venham a acarretar danos ou prejuízos a terceiros é de natureza objetiva. nessa qualidade. § 6º. assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”. que preleciona o seguinte: “Art. ou seja. mas também o Código Civil Brasileiro de 2002 em seu artigo 43 irá nos dar fundamentação legal para que a Administração Pública indenize o terceiro pelos danos sofridos pelo mesmo. Ademais.A fundamentação legal da Responsabilidade Civil da Administração Pública encontra-se na Constituição Federal de 1988 no seu art. onde a primeira delas é a teoria da culpa administrativa a qual elucida que a obrigação do Estado de indenizar um terceiro lesado decorre da ausência de um serviço público. diante do mesmo possuir prerrogativas as quais o terceiro lesado não possui. bem como de uma má realização ou até mesmo da demora da execução daquilo que lhe é incumbido para que a . pois tal artigo diz o que se segue: “Art. não somente a Constituição Federal de 1988 respalda com fundamento legal a responsabilidade civil da Administração Pública frente a atos comissivos ou omissivos. Para o Direito Público. não há a necessidade de se comprovar dolo ou culpa do agente ou prestador de serviço público em seu ato lesivo. Essa teoria da responsabilidade civil objetiva da Administração Pública torna-se a mais adequada frente à hipossufiência do particular lesado em relação à Administração Pública. pois o Estado tem a seu favor uma infra-estrutura material e pessoal muito maior que o particular para movimentar o judiciário e outros órgãos para se apurar a verdade. causarem a terceiros. culpa ou dolo”. 37. Além do mais a doutrina dominante afirma que a responsabilidade civil objetiva da Administração Pública deve ser também examinada sob o diapasão de três teorias. Fato este devido. 43/CC – As pessoas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros.As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes. ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano. 37. § 6º/CF . se houver. por parte destes.

ou também chamados de contra legem. a existência do prejuízo causado através de ato comissivo ou omissivo e o nexo causal entre o ato administrativo e o prejuízo causado ao mesmo. má realização ou demora na execução das atribuições sob responsabilidade da Administração Pública. Tal teoria funda-se no risco que o Estado está sujeito a gerar a terceiros quando o mesmo se dispõe a cumprir as responsabilidades que ao mesmo são inerentes. a teoria do risco administrativo apesar de afirmar a dispensa da comprovação de culpa do Estado pelo terceiro lesado. não quer dizer que este Estado esteja impedido de apresentar em sua defesa. Contudo. E após uma sucinta discussão a respeito das teorias explicativas da responsabilidade civil da Administração Pública. Para que tal teoria se configure e possa a Administração Pública ser efetivamente responsabilizada por tais atos comissivos ou omissivos. basta que o mesmo comprove a existência do ato administrativo. ou seja. Tais atos ainda dividem-se em atos ilícitos. onde a primeira modalidade é a dos atos comissivos. Além do mais para que o terceiro possa ser ressarcido de seus prejuízos segundo esta teoria. para que o bem comum da coletividade seja alcançado.necessidade da coletividade seja satisfeita. é também oportuno apontarmos as modalidades de atos lesivos que podem ser realizados pelo Estado frente a terceiros. a comprovação da culpa seja ela total ou parcial da vítima para se excluir ou diminuir a indenização a ser paga pela Administração Pública. serviço em prol do bem comum da coletividade. ou também chamados de atos de ação. ou . mesmo que tal ato lesivo decorra de culpa ou até mesmo de dolo por parte do terceiro. são aqueles atos que são advindos da atuação da Administração Pública na realização de alguma tarefa. basta que o particular lesado pelas pessoas jurídicas de direito público ou lesado por pessoas de direito privado prestador de serviços públicos comprovem a efetiva falta. A terceira teoria da responsabilidade civil objetiva da Administração Pública é a da teoria do risco integral. onde para a configuração de tal teoria basta tão somente o ato que cause dano. ou lesão à terceiro de forma injusta por parte da Administração Pública. onde a mesma elucida que a Administração irá responder por seus atos lesivos frente ao terceiro. A segunda teoria a ser analisada ao se discorrer a respeito da responsabilidade civil objetiva da Administração Pública em atos comissivos ou omissivos é a teoria do risco administrativo.

mas a sua abrangência se dá a todas as funções que são inerentes e de responsabilidade da Administração Pública. Diante de tal diapasão a responsabilidade civil da Administração Pública. o direito de ação regressiva contra o agente administrativo é público e notório. temos os atos omissivos. Os atos ilícitos assim como o mesmo nome já nos dá a entender. que são aqueles atos aos quais a Administração Pública deveria realizá-los ou fazê-los para o bem comum de terceiro ou da coletividade. depois de identificarmos o tipo de responsabilidade civil inerente a Administração Pública. daquele que ordenou a prática de um ato lesivo. não se restringe somente a alguns atos administrativos. que a partir da Constituição de 1988 passou a ser tanto o ente de Direito Público. bem como o ente de Direito Privado prestador de serviço público. seja ele lícito ou ilícito. são aqueles que mesmo tais atos estando em conformidade com a lei e seguindo todos os princípios basilares da Administração Pública Causem um dano ou lesão a terceiro. também devemos suscitar como se dá a caracterização da lesão da Administração Pública frente a terceiros. Não obstante. E diante de tais exposições a respeito da aplicabilidade da responsabilidade civil . ferindo o princípio da legalidade que rege a Administração Pública na qual reza que a mesma só pode fazer aquilo que a lei autoriza. § 6º/CF-1988. ou seja. a imperícia. assim como diz o art. bem como as teorias explicativas da responsabilidade civil e as modalidades de atos sejam omissivos ou comissivos. imprudência ou negligência que são fatores caracterizadores da responsabilidade nas relações civilistas conforme irá dispor os artigos 927 a 954 do Código Civil Brasileiro. 37. também é fatores caracterizadores da lesão à terceiro. a responsabilidade continue a ser de caráter objetivo. Já os atos lícitos. na caracterização da lesão da Administração Pública. lembrando sempre que nos casos de culpa ou dolo. Como segunda modalidade de atos da Administração Pública. são aqueles atos que são realizados em desconformidade com a legislação em vigor. Não obstante. Além do mais. podemos afirmar que a responsabilidade será sempre da Administração Pública.atos lícitos. contudo diante da inexistência de culpa ou dolo e de ação regressiva contra o agente o Estado continua ainda sendo o responsável pela reparação imediata do dano ou lesão causado a outrem. sendo que a observância de tais fatores não irá impedir que. e a mesma assim não procede. comissivo ou omissivo.

pratica ato que por culpa ou até mesmo dolo gere danos ou lesões patrimoniais a um terceiro. estaria a Administração Pública ferindo não somente garantias constitucionais. como o princípio da isonomia. a Administração Pública deverá se responsabilizar por tais atos sejam eles de seus funcionários. podemos ao findar do referido artigo afirmar que.frente os atos comissivos ou omissivos de agentes da Administração Pública. empresas públicas ou empresas de direito privado que estiverem porventura realizando atos ou serviços de natureza pública. . como por exemplo. que ao realizálas. o princípio da legalidade. e que em decorrência de tais lesões praticas. pois ao se evidenciar um dano ou lesão praticada pela Administração Pública. ocorre diante de prática das atividades do Estado. mas estaria também ferindo os princípios basilares da Administração Pública. a mesma não fosse responsabilizada pelo mesmo. por exemplo. a responsabilidade civil que no caso da Administração Pública se caracteriza de forma objetiva.

09. Teresina.09.br/doutrina/texto. Acessado em 13.uol.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: FREITAS. Jus Navigandi. maio 2000. Kiyoshi.2010.2010 . Disponível em: <http://jus2.direitonet. http://www. Teresina. Acesso em: 13 set. Jus Navigandi. Disponível em: <http://jus2.2010. http://laboratoriojuridico. 51. 2010. 2010. http://www. Acessado em 13.cv. Marcio Luiz Coelho de. n.pdf.adv.com. Responsabilidade civil do Estado . ano 5.br/doutrina/texto. 2001. Da responsabilidade civil do estado por omissões.com. ano 4. out.com. HARADA. n. 41.uol.asp?id=2247>.br/artigos/exibir/1655/A-Responsabilidade-Civil-da-dministracao-noDireito-Brasileiro. Acessado em 13. Acesso em: 13 set.br/Artigos/41%20%20Revista%20de%20Direito%20Administrativo %20%20%20Responsabilidade%20Civil%20da%20Administra%E7%E3o%20P%FAblica.com.09.asp?id=491>.br/2009/03/25/responsabilidade-civil-da-administracao-publicaresumo-iii/.

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