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o AXEL VINICIUS CARAZZAI

DIREITO ADMINISTRATIVO

1. Estado, governo e administração pública: Conceitos. Conceito do Estado:


instituição, organizada social, jurídica e politicamente, detentora de personalidade jurídica de
direito público e de poder soberano para, através de suas instituições e de um Governo, dentro
de uma área territorial, gerir os interesses de um povo. Em nosso regime federativo, todos os
componentes da federação materializam o Estado (art. 18, CF/88) , cada um deles atuando
dentro dos limites de competência traçados pela Constituição.
► OBSERVAÇÃO:
- O Código Civil (Lei nº 10.406/02) atualizou o elenco de pessoas jurídicas de dto público, mencionando entre elas
as pessoas que, por serem federativas, representam cada compartimento interno do Estado federativo brasileiro:
Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno:
I - a União;
II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios;
III - os Municípios;
IV - as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei nº 11.107, de 2005)
V - as demais entidades de caráter público criadas por lei.
Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado
estrutura de direito privado, regem-se, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste
Código.
- O CC vigente alude expressamente aos Territórios, pondo fim à controvérsia sobre o assunto e confirmando-os
como pessoas jurídicas de direito público, conforme já registrava a doutrina dominante, muito embora sem
autonomia política e sem integrar a federação, como se infere do art. 18 da CF, que a eles não alude.
Conforme CARVALHO FILHO, cuida-se, com efeito, de mera pessoa administrativa descentralizada (para alguns
com a natureza de autarquia territorial), integrante da União e regulada por lei complementar federal (art. 18, § 2º,
CF).
Conceito de governo: Elemento do Estado. Atividade política organizada do Estado,
possuindo ampla discricionariedade, sob responsabilidade constitucional e política. Segundo
afirmação de MEIRELLES (1998, p. 64-65) de que “governo é a expressão política de
comando, de iniciativa, de fixação de objetivos do Estado e de manutenção da ordem
jurídica vigente”.
► OBSERVAÇÃO:
- Tanto o conceito de Estado como o de governo podem ser definidos sob diversos enfoques: o primeiro, por
vezes, é apresentado sob o critério sociológico, político, constitucional etc. O segundo, muitas das vezes, é
subdividido em sentido formal (conjunto de órgãos), em sentido material (funções que exerce) e em sentido
operacional (condução política).
Conceito de Administração Pública: pode ser definida em seu sentido amplo e em seu
sentido estrito. Para CARVALHO FILHO, administração pública, no sentido objetivo
consiste, na própria atividade administrativa exercida pelo Estado por seus órgãos e agentes,
caracterizando, enfim, a função administrativa. Trata-se da própria gestão dos interesses
públicos executada pelo Estado, seja através da prestação de serviços públicos, seja por sua
organização interna, ou ainda pela intervenção no campo privado, algumas vezes até de forma
restritiva (poder de polícia). No sentido subjetivo, indica o conjunto de agentes, órgãos e
pessoas jurídicas que tenham a incumbência de executar as atividades administrativas. Toma-
se aqui em consideração o sujeito da função administrativa, ou seja, quem a exerce de fato.
► OBSERVAÇÃO:
- Segundo Carvalho FILHO:
* SENTIDO SUBJETIVO do conceito de Administração Pública: a Administração Pública, sob o ângulo
subjetivo, não deve ser confundida com qualquer dos Poderes estruturais do Estado, sobretudo o Poder Executivo,
ao qual se atribui usualmente a função administrativa. Todos os órgãos e agentes que, em qualquer desses Poderes,
estejam exercendo função administrativa, serão integrantes da Administração Pública. Os órgãos e agentes a que
nos temos referido integram as entidades estatais, ou seja, aquelas que compõem o sistema federativo
(União, Estados, Distrito Federal e Municípios). Entretanto, existem algumas pessoas jurídicas incumbidas
por elas da execução da função administrativa. Tais pessoas também se incluem no sentido de
Administração Pública. São elas as autarquias, sociedades de economia mista, empresas públicas e
fundações públicas. No primeiro caso temos a Administração Direta, responsável pelo desempenho das
atividades administrativas de forma centralizada; no segundo se forma a Administração Indireta, exercendo
as entidades integrantes a função administrativa descentralizadamente.
Para MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO, o conceito de administração pública divide-
se em dois sentidos: “a) em sentido subjetivo, formal ou orgânico, ela designa os entes que
exercem a atividade administrativa; compreende pessoas jurídicas, órgãos e agentes públicos
incumbidos de exercer uma das funções em que se triparte a atividade estatal: a função
administrativa; b) em sentido objetivo, material ou funcional, ela designa a natureza da
atividade exercida pelos referidos entes; nesse sentido, a Administração Pública é a própria
função administrativa que incumbe, predominantemente, ao Poder Executivo.”
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2018 Banca: FUNDATEC Órgão: PC-RS Prova: FUNDATEC - 2018 - PC-RS - Delegado de Polícia -
Bloco II) Acerca dos temas “atos administrativos” e “poderes administrativos’, assinale a alternativa
INCORRETA:
A - Porque submetidos ao regime jurídico de direito público, os atos administrativos não podem ser praticados por
pessoas que não integram a Administração Pública em sentido formal ou subjetivo.
B - Embora se distingam quanto ao grau de liberdade conferido pela lei ao administrador para a prática de
determinado ato administrativo, tanto o poder vinculado como o poder discricionário estão sujeitos ao controle
jurisdicional.
C - A exigência de prévia autorização judicial para a quebra da inviolabilidade da comunicação telefônica constitui
exemplo de exceção ao atributo da autoexecutoriedade do ato administrativo.
D - Nos processos perante o Tribunal de Contas da União, asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando
da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a
apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão.
E - A prerrogativa de aplicar sanções pelo descumprimento de determinadas normas administrativas, presente no
poder de polícia administrativa, inexiste no poder de polícia judiciária, uma vez que o campo de atuação desta
última diz respeito à apuração de infrações penais e à execução de medidas que garantam a efetividade da
atividade jurisdicional.
R: A. A doutrina moderna entende que os ato administrativos podem ser delegados. Nesse caso, particulares
recebem a delegação pelo Poder Público para praticar os referidos atos. Portanto, os agentes delegatários, apesar de
vinculados à Administração Pública, não a integram em sentido formal ou subjetivo, e praticam atos
administrativos:
Não são todas as pessoas que têm competência para praticar atos administrativos. Para que o ato assim se qualifique, é necessário
que o sujeito da manifestação volitiva esteja, de alguma forma, vinculado à Administração Pública. Por esse motivo é que, no
conceito, aludimos a duas categorias de sujeitos dos atos administrativos: os agentes da Administração e os delegatários. I)
Agentes da Administração são todos aqueles que integram a estrutura funcional dos órgãos administrativos das pessoas federativas, em
qualquer dos Poderes, bem como os que pertencem aos quadros de pessoas da Administração Indireta (autarquias, fundações públicas,
empresas públicas e sociedades de economia mista). O único pressuposto exigido para sua caracterização é que, no âmbito de sua
competência, exerçam função administrativa. Estão, pois, excluídos os magistrados e os parlamentares, quando no exercício das funções
jurisdicional e legislativa, respectivamente; se, entretanto, estiverem desempenhando eventualmente função administrativa, também serão
qualificados como agentes da Administração para a prática de atos administrativos. Os II) Agentes Delegatários, a seu turno, são aqueles
que, embora não integrando a estrutura funcional da Administração Pública, receberam a incumbência de exercer, por delegação,
função administrativa (função delegada). Resulta daí, por conseguinte, que, quando estiverem realmente no desempenho dessa função,
tais pessoas estarão atuando na mesma condição dos agentes da Administração, estando, desse modo, aptas à produção de atos
administrativos. Estão nesse caso, para exemplificar, os agentes de empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, e
também os de pessoas vinculadas formalmente à Administração, como os serviços sociais autônomos (SESI, SENAI etc.). Averbe-se,
porém, que, fora do exercício da função delegada, tais agentes praticam negócios e atos jurídicos próprios das pessoas de direito privado.
FONTE: JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO
Sobre a ‘E’: O poder sancionatório, consistente na aplicação de sanções por violação legal, é inerente ao poder de
polícia administrativa. A prerrogativa de aplicar sanções pelo descumprimento de determinadas normas
administrativas está presente no poder de polícia administrativa, como no caso das interdições de estabelecimentos
comerciais por inadequações frente à legislação municipal de posturas, por exemplo. Já no exercício do poder de
polícia judiciária não há aplicação de sanções. Por sua vez o poder de polícia judiciária não detém poder
sancionatório, pois sua função é apurar infrações penais para subsidiar eventual e futura ação penal. O
monopólio punitivo na seara do dto penal é do Poder Judiciário.
Como bem retrata a questão, a função de polícia judiciária diz respeito à apuração de infrações penais, no
intuito de colher elementos informativos que formam indícios de autoria e materialidade de um delito objeto
de investigação. No máximo, haverá representação para decretação de medidas cautelares reais e pessoais, que
estarão protegidas por cláusulas de reserva de jurisdição. Jamais poderão ser aplicadas essas "punições" no
exercício da função de polícia judiciária. Vale ressaltar que, quando órgãos de Polícia Judiciária aplicam sanções
a seus servidores, estamos diante do exercício de poder disciplinar/sancionador/punitivo, e não de poder de polícia.
*OBS.: pode o mesmo órgão atuar ora no exercício de Polícia Administrativa (Policial Militar realizando a
confecção de um auto de infração de normas relativas ao Código de Trânsito Brasileiro), ora no exercício de
Polícia Judiciária (Policial Militar que, após presenciar uma conduta delitiva penal, realiza a prisão custodia até a
apresentação do individuo à Autoridade Policial).
ESTADO GOVERNO ADM. PÚBLICA
- É um ente, um sujeito de direitos, - É a expressão política de comando, de - A atividade (sentido objetivo) que o
que tem como elementos o povo, o iniciativa, de fixação de objetivos do Estado desenvolve, sob regime
território e a soberania. Estado e de manutenção da ordem público, para a realização dos
jurídica vigente. interesses coletivos, por meio (sentido
subjetivo) das pessoas jurídicas, órgãos
e agentes públicos.

► OBSERVAÇÃO:
- Sentido subjetivo em sentido amplo e sentido estrito da Administração Pública: I) Administração Pública
(sentido amplo): órgãos governamentais (políticos) + órgãos administrativos; II) Administração Pública (em
sentido estrito): exclusivamente órgãos administrativos.

► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2016 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-PE Prova: CESPE - 2016 - PC-PE - Delegado de Polícia)
Considerando os princípios e fundamentos teóricos do direito administrativo, assinale a opção correta.
A - As empresas públicas e as sociedades de economia mista, se constituídas como pessoa jurídica de direito privado, não
integram a administração indireta.
B - Desconcentração é a distribuição de competências de uma pessoa física ou jurídica para outra, ao passo que descentralização
é a distribuição de competências dentro de uma mesma pessoa jurídica, em razão da sua organização hierárquica.
C - Em decorrência do princípio da legalidade, é lícito que o poder público faça tudo o que não estiver expressamente proibido
pela lei.
D - A administração pública, em sentido estrito e subjetivo, compreende as pessoas jurídicas, os órgãos e os agentes públicos que
exerçam função administrativa.
E - No Brasil, por não existir o modelo da dualidade de jurisdição do sistema francês, o ingresso de ação judicial no Poder
Judiciário para questionar ato do poder público é condicionado ao prévio exaurimento da instância administrativa.
R: D.
Sobre a ‘E’: errada. Muito pelo contrário, justamente em razão de o Brasil adotar o modelo da unidade de jurisdição, é que, como
regra geral, o acesso ao Poder Judiciário independe do prévio exaurimento da via administrativa. A rigor, independe até mesmo
de provocação de tal via extrajudicial, bastante, isto sim, que esteja configurada alguma lesão ou ameaça a direito, o que tem
apoio no princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional (CF/88, art. 5º, XXXV).

► OBSERVAÇÃO:
- Os conceitos de "Governo” e "Administração Pública” não podem ser confundidos : o Governo - ou a
forma de se governar – é sempre provisório, temporário, em virtude do Princípio Republicano, devendo
existir sempre consulta ao povo. Na tarefa de distinguir a função de governo (também chamada de função
política) da função administrativa, MARÇAL JUSTEN FILHO esclarece que a função de governo diz respeito a
competências atinentes à existência do Estado e à formulação de escolhas políticas primárias. Tanto a função de
governo como a função administrativa estão relacionadas à promoção dos direitos fundamentais, mas em níveis
diversos. Enquanto a função administrativa é instrumento de realização direta e imediata dos direitos
fundamentais, a função de governo traduz o exercício da soberania da Nação e a definição das decisões
políticas mais gerais, envolvendo, também, a realização dos direitos fundamentais, mas não como uma
medida diretamente referida a isso. Também deve ser destacadas as seguintes diferenças: a) Os atos
oriundos de função política ou de governo possuem competência extraída diretamente da Constituição e são
caracterizados por ampla margem de discricionariedade, a exemplo declaração de guerra, intervenção
federal e da escolha de Ministros. Em outras palavras, não se alocam entre as classificações de atos da
Administração Pública (Executivo, Legislativo ou Judiciário); b) Os atos da administração pública tem seu
fundamento na lei, com discricionariedade comum, sendo exemplos regulamentos, decretos, portaria e
licenças.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (2010 - MPE/GO - Promotor de Justiça Substituto) Leia as afirmativas abaixo e, em seguida, assinale a
alternativa correta:
I - Administração Pública, no sentido funcional, objetivo ou material, significa um conjunto de atividades do
Estado que auxiliam as instituições políticas no exercício de funções de governo, que organizam a realização das
finalidades públicas postas por tais instituições e que produzem serviços, bens e utilidades para a população.
II - Administração pública, no sentido orgânico, subjetivo ou formal, significa o conjunto de órgãos e pessoas
voltados para realização dos objetivos de governo.
III - A teoria do órgão, formulada por Otto Gierke, diz que as pessoas jurídicas expressam sua vontade por
intermédio de seus órgãos, titularizados por seus agentes (pessoas humanas), na forma de sua organização interna.
IV - Agentes políticos atuam com plena liberdade funcional e desempenham suas atribuições com prerrogativas e
responsabilidades próprias, estabelecidas na Constituição e em leis especiais. Nessa categoria de agentes públicos
podem ser mencionados: chefes do executivo, parlamentares, membros dos Tribunais de Contas e membros do
Ministério Público.
A - Apenas a afirmativa I é falsa.
B - Apenas as afirmativas II e IV são falsas.
C - Apenas a afirmativa III é falsa.
D - Todas as afirmativas são verdadeiras.
R: D.
Sobre a ‘III’: Correta. De acordo com a Teoria do Órgão, formulada pelo alemão OTTO GIERKE, adotada
pelo dto brasileiro, os agentes públicos integram os órgãos e realizam a vontade do Estado. A atuação do
agente público é sempre imputada ao ente estatal, pois o órgão constituirá o elo da relação do agente público
e a pessoa jurídica estatal.
Sobre a ‘IV’: Correta. Os agentes políticos são aqueles que funcionalmente estão posicionados no escalão
máximo da estrutura orgânica do Estado, possuindo ampla independência funcional e prerrogativas em sua
atuação. Os agentes políticos possuem subordinação funcional somente à CF e as leis. São exemplos,
segundo a doutrina administrativista, de agentes políticos os chefes do executivos, parlamentares, membros
dos Tribunais de Contas e membros do MP. Esse é o posicionamento de Hely Lopes Meirelles. Contudo, o
assunto é controverso.

Elementos. Elementos do Estado: o Estado é constituído de três elementos originários e


indissociáveis: Povo: é o seu componente humano, demográfico; Território: a sua base física,
geográfica; e Governo soberano: o elemento condutor do Estado, que detém e exerce o poder
absoluto de autodeterminação e auto-organização emanado do Povo.
► ATENÇÃO:
ESTADO = POVO + TERRITÓRIO + GOVERNO SOBERANO

Poderes. Poderes (Funções) do Estado: consolidou-se o entendimento clássico de que o


Estado possui três funções (legislativa, jurisdicional e administrativa), realizadas por seus
Poderes (Legislativo, Judiciário e Executivo) de forma típica ou atípica.
Cada Poder, além de sua função típica, também possui funções atípicas.
► OBSERVAÇÃO:
- A concepção liberal clássica de Estado de Direito teve por base um pilar institucional de freios e contrapesos
(checks and balances) entre as três facetas do Poder constituído (Executivo, Legislativo e Judiciário).

Organização. I) Organização do Estado: a sua organização é promovida por sua


Constituição, que, normalmente, é a lei maior de um Estado. É esse texto quem define como
se dá a organização política, a divisão dos territórios, a forma de governo, a forma de Estado,
a delimitação das atribuições de cada função (Poder), os direitos individuais que limitam a
atividade do Estado perante o indivíduo etc.
II) Organização da Administração: o estudo da organização administrativa corresponde à
definição e conhecimento acerca das pessoas, entes e órgãos que compõem o aparelho
administrativo do Estado, no desempenho da atividade administrativa. A organização é feita,
primordialmente, mediante leis ou por meio de decretos e outros atos normativos. A
expressão Administração Pública pode ser considerada em sentido subjetivo ou orgânico,
quando então será utilizada para conceituar o conjunto estrutural de órgãos e entidades
voltados à execução das atividades públicas. Em relação à União, vale a pena lembrar que seu
estatuto organizacional (Decreto 200/67) relaciona cinco princípios que devem nortear a
atividade na Administração Federal: o planejamento, a coordenação, a descentralização, a
delegação de competência e o controle. São esses princípios, especialmente o da
descentralização, que fundamentam a divisão da administração em direta e indireta.

Natureza. O Estado tem natureza de pessoa jurídica de direito público. A função típica de
administrar – gerir a coisa pública e aplicar a lei – é do Poder Executivo; cabendo ao Poder
Legislativo a função típica de legislar e ao Poder Judiciário a função típica de julgar. Em
situações específicas, será possível que no exercício de funções atípicas o Legislativo e o
Judiciário exerçam administração.
A natureza da Administração Pública é a de um múnus público para quem a exerce, como
ensina Hely Lopes MEIRELLES, um encargo de defesa, conservação e aprimoramento dos
bens, serviços e interesses da coletividade. Como tal, impõe-se ao administrador público a
obrigação de cumprir fielmente os preceitos do Direito e da moral administrativa. A atividade
administrativa consiste na atividade desempenhada pelo Estado, seus órgãos e agentes,
designada para concretizar seus objetivos a fim de assegurar a natureza e os fins da
administração pública, bem como a supremacia do interesse público.

Fins e princípios. O bem comum da coletividade administrada. Toda atividade do


administrador público deve ser orientada para esse objetivo. Se dele o administrador se afasta
ou desvia, trai o mandato de que está investido, porque a comunidade não institui a
Administração senão como meio de atingir o bem-estar social. Ilícito e imoral será todo ato
administrativo que não for praticado no interesse da coletividade.
O fim, e não a vontade do administrador, domina todas as formas de administração. Os fins da
Administração consubstanciam-se, portanto, na defesa do interesse público, assim entendidas
aquelas aspirações ou vantagens licitamente almejadas por toda a comunidade administrada,
ou por uma parte expressiva de seus membros (ex..: o ato ou contrato administrativo realizado
sem interesse público configura desvio de finalidade).
► OBSERVAÇÃO:
- Segundo CARVALHO FILHO, a função administrativa é dentre todas a mais ampla, uma vez que é
através dela que o Estado cuida da gestão de todos os seus interesses e os de toda a coletividade. Por
isso, tem sido vista como residual. Na verdade, excluída a função legislativa, pela qual se criam as
normas jurídicas, e a jurisdicional, que se volta especificamente para a solução de conflitos de
interesses, todo o universo restante espelha o exercício da função administrativa .

2. Direito Administrativo: Conceito. Segundo CARVALHO FILHO, Direito


Administrativo é o conjunto de normas e princípios que, visando sempre ao interesse
público, regem as relações jurídicas entre as pessoas e órgãos do Estado e entre este e as
coletividades a que devem servir. Seja qual for a relação, estará ela sujeita a um regime
próprio e específico, o regime jurídico-administrativo de direito público, sempre com
embasamento constitucional.
Marçal Justen Filho estabelece que "O Direito Administrativo é o conjunto das normas
jurídicas de direito público que disciplinam as atividades administrativas necessárias à
realização dos direitos fundamentais e a organização e o funcionamento das estruturas
estatais e não estatais encarregadas de seu desempenho”.
► OBSERVAÇÃO:
- O Dto Administrativo apresenta três características principais: 1) Constitui um direito novo, já que se trata de disciplina
recente com sistematização científica; 2) Espelha um direito mutável, porque ainda se encontra em contínua transformação; e 3)
É um direito em formação, não se tendo até o momento, concluído todo o seu ciclo de abrangência.
- O Dto Administrativo se apresenta como o ramo do Direito Público que evolve normas jurídicas disciplinadoras da
Administração Pública em seus dois sentidos, enquanto atividade administrativa propriamente dita e enquanto órgãos,
entes e agentes que possuem a atribuição de executá-la. Em outras palavras, é o ramo do Direito Público que envolve normas
jurídicas disciplinadoras do exercício da função administrativa.
- “Direito administrativo é a junção de órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativas que exercem um trabalho NÃO
contencioso (Sistema Inglês)” Conceito do professor Evandro.
Critérios para conceituação de Direito Administrativo: modernamente, a doutrina
majoritária tem apontado no sentido de se utilizar o CRITÉRIO FUNCIONAL (ou critério da
Administração Pública, Hely Lopes Meirelles) como o mais eficiente na definição da matéria.
Conforme esse critério, o Direito Administrativo é: ramo jurídico que estuda e analisa a
disciplina normativa da função administrativa, esteja ela sendo exercida pelo Poder
Executivo, Legislativo, Judiciário ou, até mesmo, por particulares mediante delegação estatal.
Prestigia o critério funcional, segundo o qual o Direito Administrativo seria o ramo do direito
que envolve normas jurídicas disciplinadoras da Administração Pública, em seu sentido
objetivo e subjetivo. Todavia, existem outros conceitos (por meio de outros critérios) de
Direito Administrativo, cf. pág. 31 do livro de Sinopse.

Fontes. O Direito Administrativo, no Brasil, não se encontra codificado, isto é, os textos


administrativos não estão reunidos em um só corpo de leis, como ocorre com outros ramos
como o Direito Processual, o Direito Penal e o Direito Civil. Como regra, a doutrina aponta as
seguintes fontes: (a) Lei (aqui é lei em sentido amplo): abrangendo a própria Constituição, a
legislação infraconstitucional, os regulamentos administrativos e os tratados internacionais. É
a fonte primordial do Direito Administrativo brasileiro, em razão da rigidez que o
ordenamento jurídico no Brasil estabelece em relação ao princípio da legalidade nesse ramo
jurídico; (b) Costumes: repetição de condutas (elemento objetivo) com convicção de sua
obrigatoriedade (elemento subjetivo). Fonte indireta, por influenciarem a produção
legislativa. A prática comum na Administração Pública é admitida em casos de lacuna
normativa e funciona como fonte secundária de Dto Administrativo, podendo gerar direitos
para os administrados, em razão dos princípios da lealdade, boa-fé, moralidade
administrativa, entre outros; (c) Jurisprudência: seu papel é reforçado pelo fenômeno da
judicialização do Direito e pelo reconhecimento da força vinculante de determinadas decisões
dos órgãos judiciários; (d) Doutrina: a doutrina constitui fonte secundária. Trata-se da lição
dos mestres e estudiosos da matéria, ensejando a formação de arcabouço teórico a justificar as
atuações da Administração Pública, influenciando não só a elaboração de novas regras a
serem observadas como também o julgamento das lides de cunho administrativo; (e)
Princípios: os princípios gerais do Direito são normas não escritas que servem de base para
ele, configurando-se vetores genéricos que informam o ordenamento do Estado, sem previsão
legal expressa; (f) Tratados internacionais: são fontes do direito administrativo pátrio, após
a incorporação ao ordenamento jurídico, independentemente do rito de tramitação; (g)
Precedentes Administrativos: prática reiterada e uniforme de atos administrativos em
situações similares, sendo necessário garantir a segurança jurídica. Há hipóteses nas quais o
caráter vinculante dos precedentes administrativos tem previsão legal expressa, como ocorre
no art. 40, § 1º, da LC 73/93 (Lei Orgânica da AGU), ao dispor que o parecer aprovado e
publicado com o despacho presidencial vincula a Administração Federal.
► ATENÇÃO:
- Apenas em duas situações a Administração poderia se afastar de um precedente administrativo:
I) Quando o ato invocado como precedente for ilegal; e II) Quando o interesse público justificar a
alteração motivada do entendimento administrativo, hipótese em que seria possível a adoção da teoria
denominada “prospective overruling”, segundo a qual a alteração de orientação jurídica deve ser
aplicada apenas para os casos futuros.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2014 Banca: VUNESP Órgão: PC-SP Prova: VUNESP - 2014 - PC-SP - Delegado de Polícia) O
conceito de Direito Administrativo é peculiar e sintetiza-se no conjunto harmônico de princípios jurídicos que
regem os órgãos, os agentes e as atividades públicas tendentes a realizar concreta, direta e imediatamente os fins
desejados pelo Estado. A par disso, é fonte primária do Direito Administrativo
A - a jurisprudência.
B - os costumes.
C - os princípios gerais de direito.
D - a lei, em sentido amplo.
E - a doutrina.
R: D. Dentre as fontes citadas, apenas a lei é fonte primária do Direito. As demais decorrem todas da lei, como
é fácil perceber em relação à doutrina e a jurisprudência, lembrando que os costumes e os princípios gerais de
direito só podem ser utilizados em caso de lacuna da lei, ou seja, não têm aplicação primária (comentário
WANDER GARCIA).
Princípios.
Os princípios da Administração Pública expressos e fundamentais (art. 37) são aplicados para
a Administração (U, E, DF e M + FASE).
► OBSERVAÇÃO:
- A doutrina tradicional define princípios administrativos como os postulados fundamentais que inspiram
todo o modo de agir da Adm Pública. Representam cânones pré-normativos, norteando a conduta do Estado
quando no exercício de atividades administrativas. Entretanto, a doutrina moderna aponta que as normas
jurídicas admitem classificação em duas categorias básicas: os princípios e as regras.
Regras Princípios
- As regras são operadas de modo disjuntivo, ou seja, o - Os princípios, ao revés, não se excluem do ordenamento
conflito entre elas é resolvido no plano de validade: jurídico na hipótese de conflito: dotados que são de
aplicáveis ambas a uma mesma situação, uma delas apenas a determinado valor ou razão, o conflito entre eles admite a
regulará, atribuindo-se à outra o caráter de nulidade. adoção do critério da ponderação, vale dizer, deverá o
intérprete averiguar a qual deles, no caso concreto, será
atribuído grau de preponderância.
Princípios básicos da administração (LIMPE): a legalidade, segundo o qual, ao
administrador somente é dado realizar o que estiver previsto na lei;
► OBSERVAÇÃO:
- O conceito de legalidade estrita foi recentemente afetado, dando ensejo a novos conceitos, como legitimidade e
juridicidade, compatíveis com as complexas relações jurídicas travadas pela Adm Pública e com os princípios que
fundamentam o Estado Democrático de Direito. Hoje, é possível afirmar que ocorreu o desenvolvimento do
conceito de legalidade estrita para duas novas concepções, a legitimidade e a juridicidade.

► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2014 Banca: MPE-MG Órgão: MPE-MG Prova: MPE-MG - 2014 - MPE-MG - Promotor de
Justiça) Segundo dispõe o artigo 37, da Constituição Federal, a administração pública direta e indireta de qualquer
dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
Assinale a alternativa INCORRETA no que diz respeito às restrições excepcionais ao principio constitucional da
legalidade:
A - A edição de medidas provisórias.
B - A expedição de portarias.
C - A decretação do estado de defesa.
D - A decretação do estado de sitio.
R: B. Questão baseada na doutrina de CABM. A assertiva B está incorreta porque a portaria não tem o
condão de inovar na ordem jurídica, estabelecendo direitos ou deveres não previstos na lei (WANDER
GARCIA).
impessoalidade, que exige que a atuação do administrador público seja voltada ao
atendimento impessoal e geral, ainda que venha a interessar a pessoas determinadas, não
sendo a atuação atribuída ao agente público, mas à entidade estatal a que se vincula. Os
princípios da impessoalidade possui duplo significado: 1º) Veda-se ao gente público praticar
atos para satisfazer seu interesse pessoal ou mesmo de terceiros; e 2º) Todos os atos e
provimentos administrativos são imputáveis não ao funcionário público que os pratica, mas
sim ao órgão ou entidade administrativa da Adm Pública;
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2018 Banca: VUNESP Órgão: PC-SP Prova: VUNESP - 2018 - PC-SP - Delegado de Polícia) Os
princípios administrativos podem ser utilizados para fins de controle de constitucionalidade dos atos
administrativos pelo Poder Judiciário, sendo o que se observa na alternativa a seguir:
A - a nomeação de cônjuge da autoridade nomeante para o exercício de cargo em comissão ou de confiança na
Administração Pública do Estado viola a Constituição Federal.
B - o ato administrativo eivado de ilegalidade deverá ser revogado pelo administrador público, em obediência ao
princípio administrativo da discricionariedade.
C - ao titular do cargo de procurador de autarquia exige-se a apresentação de instrumento de mandato para
representá-la em juízo.
D - não é possível a autotutela sobre os atos administrativos após a sua impugnação no Poder Judiciário.
E - o princípio da pessoalidade é corolário da isonomia e da legalidade, sendo centrais à ação administrativa.
R: A. Lembrando que a Súmula em análise NÃO SE APLICA aos cargos políticos (Secretários, ministros
etc): Info 952 -"O STF tem afastado a aplicação da SV 13 a cargos públicos de natureza política, como são
os cargos de Secretário Estadual e Municipal". Esta questão ainda não é unânime.
SV nº 13: A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o
terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo
de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de
função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a
Constituição Federal.
Sobre a ‘C’: SÚMULA 644/STF. Ao titular do cargo de procurador de autarquia não se exige a apresentação de
instrumento de mandato para representá-la em juízo.

- (Ano: 2017 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: Prefeitura de Fortaleza - CE Prova: CESPE - 2017 -
Prefeitura de Fortaleza - CE - Procurador do Município) Acerca do direito administrativo, julgue o item que se
segue.
Considerando os princípios constitucionais explícitos da administração pública, o STF estendeu a vedação da
prática do nepotismo às sociedades de economia mista, embora elas sejam pessoas jurídicas de direito privado.
R: C. A proibição atinge a Administração Pública como um todo, direta e indireta, no que se incluem todas as
entidades administrativas, a exemplo das sociedades de economia mista. Ademais, também está acertado aduzir
que a inspiração desse entendimento jurisprudencial repousa em princípios constitucionais explícitos, quais sejam,
os princípios da moralidade administrativa e da impessoalidade, previstos, ambos, no art. 37, caput, CF/88.

- (Ano: 2018 Banca: FUMARC Órgão: PC-MG Prova: FUMARC - 2018 - PC-MG - Delegado de Polícia
Substituto) Sobre os princípios da Administração Pública, é CORRETO afirmar que:
A - a efetivação de pagamento de precatório em desobediência à ordem cronológica traduz violação ao princípio
da impessoalidade, à luz do qual é vedada a atuação administrativa dissociada da moral, dos princípios éticos, da
boa-fé e da lealdade.
B - em consonância com o princípio da legalidade, estatuído no artigo 37, caput, da CR/88, a Administração
Pública pode fazer tudo o que a lei não proíbe.
C - não são oponíveis às Sociedades de Economia Mista, haja vista que essas sociedades são regidas pelo regime
de direito privado.
D - o princípio da supremacia do interesse público não se radica em dispositivo específico da CR/88, ainda que
inúmeros aludam ou impliquem manifestações concretas dele.
R: D. É expressão utilizada por Celso Antônio Bandeira de Mello para o qual: “Princípio da supremacia do
interesse público sobre o interesse privado é princípio geral de Direito inerente a qualquer sociedade. É a
própria condição de sua existência. Assim, não se radica em dispositivo específico algum da Constituição  (…).
Afinal, o princípio em causa é um pressuposto lógico do convívio social”. (Curso de Direito Administrativo,
32ª edição, p. 99. Também é citado no livro do Professor Hely Lopes Meirelles, Direito Administrativo Brasileiro,
42ª edição, p. 114).
Sobre a ‘A’: errada. Isso porque o examinador confunde dois princípios diversos: impessoalidade e moralidade. De
fato, a efetivação de pagamento de precatório em desobediência à ordem cronológica traduz violação ao
princípio da impessoalidade. Contudo, o princípio da impessoalidade é aquele que orienta a busca pelo
tratamento igualitário, não discriminatório e nem com desvio de finalidade. O princípio aludido na parte
final da alternativa é o da moralidade (aquela que veda a atuação administrativa dissociada da moral, dos
princípios éticos, da boa-fé e da lealdade).

- (Ano: 2018 Banca: FUNDATEC Órgão: PC-RS Prova: FUNDATEC - 2018 - PC-RS - Delegado de Polícia -
Bloco II) O artigo 37 da Constituição Federal de 1988 lista os princípios inerentes à Administração Pública, que
são: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. A incumbência desses princípios é dar
unidade e coerência ao Direito Administrativo do Estado, controlando as atividades administrativas de todos os
entes que integram a federação brasileira. Tendo por base essa ideia inicial, assinale a alternativa correta.
A - A administração não pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais.
B - Não viola o princípio da presunção de inocência a exclusão de certame público de candidato que responda a
inquérito policial ou ação penal sem trânsito em julgado da sentença condenatória.
C - Segundo Hely Lopes Meirelles, o princípio da impessoalidade, referido na CF/1988 (Art. 37, caput), nada mais
é que o clássico princípio da finalidade, o qual impõe ao administrador público que só pratique o ato para atingir o
objetivo indicado expressa ou virtualmente pela norma de direito, de forma impessoal.
D - Segundo o jurista Alexandre de Moraes, o princípio da moralidade é o que impõe à administração pública
direta e indireta e a seus agentes a persecução do bem comum, por meio do exercício de suas competências de
forma imparcial, neutra, transparente, participativa, eficaz, sem burocracia e sempre em busca da qualidade,
primando pela adoção dos critérios legais e morais necessários para melhor utilização possível dos recursos
públicos, de maneira a evitarem-se desperdícios e garantir-se maior rentabilidade social.
E - Os atos administrativos não são passíveis de controle de mérito, bem como de legalidade pelo Poder Judiciário.
R: C.
Sobre a ‘A’: errada. Conforme estabelece a Súmula 473, do STJ, "A administração pode anular seus próprios
atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los,
por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os
casos, a apreciação judicial".
Sobre a ‘B’: errada. O STF, no julgamento do RE 634224, entendeu que a exclusão de candidato inscrito em
concurso público pelo fato de haver contra ele um procedimento penal em andamento viola o princípio
constitucional da presunção de inocência (art. 5º, LVII, da Constituição Federal).
Sobre a ‘D’: errada. Segundo Alexandre de Moraes, “O princípio da eficiência impõe à Administração Pública
direta e indireta e a seus agentes a persecução do bem comum, por meio do exercício de suas competências de
forma imparcial, neutra, transparente, participativa e eficaz, sem burocracia sempre em busca da qualidade,
primando pela adoção dos critérios legais e morais necessários para a melhor utilização possível dos recursos
públicos, de maneira a evitar desperdícios e garantir-se uma maior rentabilidade social. (MORAES, Alexandre de.
Direito constitucional. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2002, pag. 317)".

- (Ano: 2017 Banca: IBADE Órgão: PC-AC Prova: IBADE - 2017 - PC-AC - Delegado de Polícia Civil)
Acerca dos princípios que informam o Direito Administrativo Brasileiro, é correto afirmar que a(o):
A - nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o quarto grau,
inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia
ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na
Administração Pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.
B - Supremo Tribunal Federal já possui pacífica jurisprudência no sentido de que o Chefe do Poder Executivo
Estadual pode nomear parentes em linha reta, a exemplo de uma filha, para o cargo de Secretária de Estado, porque
se trata de uma escolha política e o fato do cargo de Secretário de Estado ser de natureza política torna esta
nomeação insuscetível de controle.
C - princípio da publicidade considera-se atendido sempre que houver a publicação de atos no Diário Oficial,
sendo, por conseguinte, desnecessária qualquer medida adicional por parte da Administração Pública.
D - princípio da legalidade tem idêntica aplicação para os particulares e para a Administração Pública, significando
a possibilidade de realização de atos que não sejam vedados pelo ordenamento jurídico.
E - Supremo Tribunal Federal possui entendimento no sentido de que vedar o acesso de qualquer cidadão a cargo
público tão somente em razão da existência de relação de parentesco com servidor público que não tenha
competência para o selecionar ou o nomear para o cargo de chefia, direção ou assessoramento, ou que não exerça
ascendência hierárquica sobre aquele que possua essa competência é, em alguma medida, negar um dos princípios
constitucionais a que se pretendeu conferir efetividade com a edição da Súmula Vinculante n° 13, qual seja, o
princípio da impessoalidade.
R: E. A assertiva ora analisada revela-se em sintonia com a decisão proferida nos autos da Rcl 25565 MC,
Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 14/12/2016, publicado em PROCESSO ELETRÔNICO DJe-268
DIVULG 16/12/2016 PUBLIC 19/12/2016, cujo trecho essencial abaixo reproduzo:
“(...) Em outras palavras, a incompatibilidade da prática enunciada na Súmula Vinculante nº 13 com o art.
37, caput, da CF/88 não decorre diretamente da existência de relação de parentesco entre pessoa designada
e um servidor público, mas da presunção de que a escolha de pessoa para ocupar cargo de direção, chefia ou
assessoramento tenha sido direcionada a pessoa com relação matrimonial, de união estável ou de parentesco
com quem tenha potencial de interferir no processo de seleção. É imprescindível, para fins de configuração
objetiva de nepotismo, a perquirição de projeção funcional do servidor de referência no PROCESSO DE
SELEÇÃO PARA CARGO de direção, chefia ou assessoramento. Dessa perspectiva, tem-se que a vedação
objetiva do nepotismo tem o condão de resguardar a isenção do processo de seleção para provimento de cargo ou
função pública de livre nomeação e exoneração, afastando eventual influência do vínculo de parentesco no
processo de escolha. Em outras palavras, a incompatibilidade da prática enunciada na Súmula Vinculante nº
13 com o art. 37, caput, da CF/88 não decorre diretamente da existência de relação de parentesco entre
pessoa designada e um servidor público, mas da presunção de que a ESCOLHA DE PESSOA PARA
OCUPAR CARGO de direção, chefia ou assessoramento tenha sido direcionada a pessoa com relação de
parentesco com quem tenha potencial de interferir no processo de seleção. Vedar o acesso de qualquer
cidadão a cargo público tão somente em razão da existência de relação de parentesco com servidor público
que não tenha competência para selecionar ou nomear para o cargo de chefia, direção ou assessoramento
pleiteado ou exercer ascendência hierárquica sobre aquele que possua essa competência é negar um dos
princípios constitucionais a que se pretendeu conferir efetividade com a edição da Súmula Vinculante nº 13,
qual seja, o princípio da impessoalidade.”
Sobre a ‘B’: É bem verdade que o STF posicionou-se razoavelmente em linha com a presente afirmativa, vale
dizer, no sentido de que, em se tratando de cargos políticos (caso, por exemplo, de Ministros e Secretários de
Estado), não incidiria a vedação ao nepotismo de que trata sua Súmula Vinculante n.º 13 . Assim, por todos:
Rcl 6.650/PR, julgado em 16.10.2008 e RE 579.951/RN, DJe de 24.10.2008.
Sem embargo, em decisões monocráticas posteriores (Rcl 12.478/RJ), o então Ministro Joaquim Barbosa fez
ressalvas a esta posição, a sustentar, sim, a possibilidade de controle jurisdicional sobre a nomeação de
parentes para cargos políticos, desde que se verificasse que o motivo da nomeação tenha sido,
exclusivamente, a relação de parentesco, notadamente nas hipóteses em que reste patenteada a absoluta
falta de qualificação do nomeado para o exercício da respectiva função pública.
No caso acima citado, o Ministro Joaquim Barbosa deferiu medida cautelar para afastar do cargo de secretário
municipal de educação de Queimados/RJ, o irmão do então prefeito. Referido processo recebeu, posteriomente,
parecer do MPF, e aguarda julgamento, sob a relatoria, atual, do Ministro Roberto Barroso.
Diante deste panorama, não é correto aduzir que O STF possui jurisprudência pacífica sobre o tema, bem
como que tais nomeações seriam insuscetíveis de controle jurisdicional. Eis aí, portanto, em que repousa o
equívoco da presente assertiva.
Atualmente o tema ainda é discutido, veja-se:
http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5461726
Sobre a ‘C’: Errado. Embora a publicação do ato administrativo em diário oficial, como regra, satisfaça o
princípio da publicidade, nem sempre assim o será. Em relação, por exemplo, a determinados atos que
possuam destinatários certos, como a imposição de uma multa de trânsito, faz-se necessária a efetivação de
notificação pessoal, em ordem a permitir que o particular afetado exerça, se o quiser, os instrumentos de
defesa postos à sua disposição, dentro do prazo legal. Afinal, não é razoável exigir que todos façam a leitura
assídua de publicações oficiais em D.O, para fins de apurar se existe algum ato de seu interesse direto, como o do
exemplo acima.

- Questão controversa, porém boa para fixar conhecimento. (Ano: 2016 Banca: CESPE / CEBRASPE
Órgão: PC-PE Prova: CESPE - 2016 - PC-PE - Delegado de Polícia) Tendo como referência a jurisprudência
majoritária do STF acerca dos princípios expressos e implícitos da administração pública e do regime jurídico-
administrativo, assinale a opção correta.
A - Se houver repasse de verbas federais a município, a aplicação desses recursos pelo governo municipal não será
objeto de fiscalização do órgão controlador federal, dado o princípio da autonomia dos entes federados.
B - A alteração, por meio de portaria, das atribuições de cargo público não contraria direito líquido e certo do
servidor público investido no cargo, diante da inexistência de direito adquirido a regime jurídico.
C - A administração pública não pode, mediante ato próprio, desconsiderar a personalidade jurídica de empresa
fiscalizada por tribunal de contas; a esse caso não se aplica a doutrina dos poderes implícitos.
D - Segundo o STF, a vedação ao nepotismo decorre diretamente de princípios constitucionais explícitos, como os
princípios da impessoalidade, da moralidade administrativa e da igualdade, não se exigindo a edição de lei formal
para coibir a sua prática.
E - De acordo com o princípio da eficiência, a administração pode revogar seus próprios atos, quando eivados de
vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos. Também pode anulá-los, por motivo de
conveniência ou oportunidade, hipótese na qual devem ser respeitados os direitos adquiridos.
R: D. Embora exista controvérsia, é a menos errada.
Sobre a ‘B’: de fato não há direito adquirido a regime jurídico, mas desde que a alteração do regime se dê
mediante lei, e não por meio de portaria: CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA
ATO DO PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA. PORTARIA N. 286/2007. ALTERAÇÃO DAS
ATRIBUIÇÕES DE CARGO PÚBLICO POR MEIO DE PORTARIA. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES.
SEGURANÇA CONCEDIDA. 1. Contraria direito líquido e certo do servidor público a alteração, por meio de
portaria, das atribuições do cargo que ocupa. 2. A inexistência de direito adquirido a regime jurídico não
autoriza a reestruturação de cargos públicos por outra via que não lei formal. 3. Segurança concedida.
Sobre a ‘C’: Recentemente foi publicada a Lei nº 12.846/2013 (Lei Anticorrupção), a qual tem por objeto dispor
sobre a responsabilização objetiva, administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos ilícitos contra a
administração pública, nacional ou estrangeira. De acordo com a referida Lei, “a personalidade jurídica poderá
ser desconsiderada sempre que utilizada com abuso do direito para facilitar, encobrir ou dissimular a
prática dos atos ilícitos nela previstos ou para provocar confusão patrimonial, sendo estendidos todos os
efeitos das sanções aplicadas à pessoa jurídica aos seus administradores e sócios com poderes de
administração, observados o contraditório e a ampla defesa”.
Este dispositivo legal consolida a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica, pela
Administração Pública, agora, corretamente, em razão de expressa previsão legal.

- (Ano: 2019 Banca: MPE-GO Órgão: MPE-GO Prova: MPE-GO - 2019 - MPE-GO - Promotor de Justiça -


Reaplicação) Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, nepotismo é a conduta de nomear para cargos
públicos em comissão ou funções de confiança de livre provimento e de livre exoneração parentes, cônjuges ou
companheiros de agentes públicos, enaltecendo critérios de promoção familiar e de afinidade em detrimento de
critérios de mérito e capacidade funcional, no acesso a cargos públicos. Ainda levando em conta os entendimentos
firmados pelo Supremo Tribunal Federal sobre nepotismo, assinale a alternativa incorreta:
A - A vedação ao nepotismo decorre diretamente dos princípios contidos no artigo 37, caput, da Constituição
Federal e não exige a edição de lei. Entretanto, caso seja disciplinada por lei, sua iniciativa não é exclusiva do
Chefe do Poder Executivo.
B - A Súmula Vinculante 13, ao explicitar as situações em que se caracteriza o nepotismo, não esgotou as
hipóteses de violação á moralidade decorrente da contratação por influência de vínculos familiares na
Administração Pública, de forma que é possível a configuração de nepotismo em situações outras, ali não
expressamente definidas.
C - A definição de nepotismo, contida na Súmula Vinculante 13 STF, não abrange situações de nomeação, para
cargos e funções de confiança, de servidores efetivos, com vínculos familiares com a autoridade nomeante.
D - O nepotismo cruzado, assim entendido o ajuste mediante designações recíprocas, macula de
inconstitucionalidade as nomeações para cargos políticos, inclusive.
R: C. A definição de nepotismo, contida na Súmula Vinculante 13, abrange situações de nomeação, para
cargos e funções de confiança, de servidores efetivos com vínculos familiares com a autoridade nomeante.
(Rcl 19911 AgR, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 19/05/2015, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-104 DIVULG 01-06-2015 PUBLIC 02-06-2015)
moralidade, que estabelece a necessidade de toda a atividade administrativa atender a um só
tempo à lei, à moral e à equidade, em suma, aos deveres da boa e honesta administração ;
publicidade, que faz com que sejam obrigatórios a divulgação e o fornecimento de
informações de todos os atos praticados pela Administração Pública. O direito de petição é
um dos instrumentos para a concretização do princípio da publicidade;
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2014 Banca: MPE-RS Órgão: MPE-RS Prova: MPE-RS - 2014 - MPE-RS - Promotor de Justiça) O
artigo 37 da Constituição Federal preceitua que a Administração Pública obedecerá aos princípios da legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Nesse contexto, assinale a alternativa INCORRETA.
A - A vedação ao nepotismo na Administração Pública, como já decidiu o Supremo Tribunal Federal (Recurso
Extraordinário n.º 579.951), não exige a edição de lei em sentido formal, visto que é decorrência direta do
princípio da moralidade.
B - A observância ao princípio da impessoalidade não obsta que determinados atos administrativos tenham
beneficiários certos.
C - A divulgação de todos os atos, contratos e outros instrumentos celebrados pela Administração Pública é
medida sempre obrigatória e inafastável, sendo imprescindível para o conhecimento, controle e início de seus
efeitos, face ao princípio da publicidade.
D - A Administração Pública está subordinada à observância das leis, regulamentos e atos normativos e, também,
às súmulas editadas pelo Supremo Tribunal Federal na forma do artigo 103-A da Carta da República.
E - Os atos irregulares não se convalidam com a publicação, nem os regulares a dispensam para sua exigibilidade
quando a lei ou o regulamento a exigem, pois a publicidade não é elemento formativo do ato, mas requisito para
sua eficácia e moralidade.
R: C. A publicidade é regra no direito administrativo, consagrada constitucionalmente como um princípio
previsto no art. 37, caput, da CF. Contudo, há exceções. O princípio da publicidade possui como objetivo que o
administrado tenha conhecimento do que está sendo feito com seus direitos, além de em algumas hipóteses a
publicidade funcionar como condição de eficácia (ex.: art. 61, da Lei 8.666/93). O princípio da publicidade alcança
toda a atividade estatal, para que a Adm Pública possa divulgar oficialmente seus atos e propiciar conhecimento a
seus próprios agentes. As exceções ao princípio da publicidade possuem contornos constitucionais e podem
ser admitidas nos casos expressos na própria CF: a) art. 5º, inc. X, da CF, nos casos de inviolabilidade da
intimidade, vida privada e honra; b) art. 5º, inc. XXXIII, da CF, quando as informações forem
imprescindíveis para a segurança da sociedade e do Estado; e c) art. 5º, inc. LX, da CF, ocasião em que a
publicidade ‘dos atos processuais’ poderá ser restrita nos casos de defesa da intimidade ou o interesse social
exigir.
* OBS.: o princípio da publicidade constitui um princípio meio, pois é através dele que se efetiva outros
valores constitucionais.
e eficiência, que impõe a necessidade de adoção, pelo administrador, de critérios técnicos e
profissionais, que assegurem o melhor resultado possível, rechaçando-se qualquer forma de
atuação amadorística e ineficiente do Poder Público.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2015 Banca: CEFET-BA Órgão: MPE-BA Provas: MPE-BA - 2015 - MPE-BA - Promotor de
Justiça Substituto) Com referência aos princípios administrativos, é CORRETO afirmar:
A - O princípio da proporcionalidade, expressamente previsto na Constituição Federal de 1988, significa que as
competências administrativas só podem ser validamente exercidas na extensão e intensidade correspondentes ao
que seja realmente demandado para o cumprimento da finalidade de interesse público a que estão atreladas.
B - Como decorrência do princípio da motivação, todos os atos administrativos devem ser escritos.
C - O princípio da reserva legal prescreve que a Administração Pública pode fazer tudo aquilo que não é
legalmente proibido.
D - A publicidade dos atos da Administração Pública é excepcionada apenas pela necessidade de proteção da
intimidade dos cidadãos.
E - A Emenda Constitucional nº 19/1998, conhecida por implementar a “Reforma Administrativa”, acrescentou o
princípio da eficiência ao texto constitucional.
R: E.
Sobre a ‘A’: errada. O princípio da proporcionalidade é um princípio implícito.
Sobre a ‘B’: errada. A motivação é a exteriorização dos motivos do ato administrativos, que se dá, em regra, por
meios escritos. Há exceções, eis que alguns atos não precisam ser motivados, como a livre nomeação e
exoneração dos cargos em comissão.
► OBSERVAÇÃO:
- Sobre o princípio da legalidade no Dto Administrativo: hoje fala-se sobre o ‘princípio da juridicidade’
(conformidade com todo o ordenamento jurídico: constituição, tratados internacionais etc.).
* OBS: CABM entende a edição de medida provisória, estado de sítio e estado de defesa como exceções ao
princípio da legalidade.
- Sobre o princípio da moralidade: antes só havia legalidade. Hoje, um ato pode ser legal e imoral, sendo assim
ilegítimo. A moralidade é uma questão de validade do ato administrativo.
Outros princípios também importantes e mencionados pela doutrina e jurisprudência: a
supremacia do interesse público em que as atividades administrativas são desenvolvidas pelo
Estado para benefício da coletividade. Não é o indivíduo em si o destinatário da atividade
administrativa, mas sim o grupo social como um todo. Decorre desse princípio o poder de
império (“poder extroverso”) que justifica a imposição coercitiva de obrigações ao
administrado e a verticalidade na relação entre este e o Poder Público (ex. : limitações
administrativas ao direito de propriedade, cláusulas exorbitantes em contratos administrativos,
prazos diferenciados à Fazenda Pública em juízo). Contudo, o Estado não pode agir em nome
da supremacia do interesse público, de modo a suprimir direitos dos cidadãos reconhecidos
pela ordem jurídica, razão pela qual é exigida a presença de um dto administrativo com viés
de garantia da dignidade da pessoa humana, fazendo com que o interesse de toda a
coletividade seja ponderado quando em conflito com os dtos e interesses individuais;
► OBSERVAÇÃO:
- Esse raciocínio não é mais compreendido de forma absoluta. Essa posição vertical é vista sob um novo
prisma: A doutrina moderna diferencia o interesse público primário, representado pelo interesse da sociedade,
materializada pela proteção ao ambiente democrático e aos direitos fundamentais, do interesse público
secundário, representado pelo interesse da máquina administrativa, enquanto pessoa ou órgão. O interesse
público primário ainda resguarda primazia, em relação aos interesses individuais, já em relação ao interesse
público secundário são solucionadas de acordo com os princípios, as normas e os elementos fáticos
concretos, por vezes prestigiando o indivíduo, em detrimento da Administração. Conforme BARROSO,
eventuais colisões entre o interesse público secundário e o interesse do particular são solucionadas
concretamente, mediante a ponderação dos princípios e dos elementos normativos e fáticos do caso
concreto.
- Ministério Público -> atua para proteger o interesse público primário.

► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2018 Banca: VUNESP Órgão: PC-BA Prova: VUNESP - 2018 - PC-BA - Investigador de Polícia)
Um Estado que tributasse desmesuradamente os administrados enriqueceria o Erário, com maior volume de
recursos, o que, por outro lado, tornaria a sociedade mais pobre. Tal conduta de exação excessiva viola o princípio
pelo qual deve prevalecer
A - o interesse público secundário.
B - o interesse público primário.
C - a supremacia do interesse público.
D - o interesse público como direito subjetivo.
E - o direito subjetivo individual.
R: B.

Essa releitura do interesse público relativiza a aplicação (outrora tida como absoluta) tanto da supremacia
como da indisponibilidade desse interesse público.
autotutela em que a Administração pode rever os seus próprios atos, sem precisar ser
provocada. Pode fazê-lo de ofício. Envolve dois aspectos quanto à atuação administrativa: 1º
aspecto) legalidade, em relação aos quais a Administração, de ofício, procede à revisão dos
atos ilegais; e 2º aspecto) mérito, em que reexamina atos anteriores quanto à conveniência e
oportunidade de sua manutenção ou desfazimento. Em nome, porém, do princípio da
segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas, vêm sendo criados limites ao
exercício da autotutela pela Administração (ex. decadência e prescrição na Lei nº 9784/99);
► OBSERVAÇÃO:
- Revisão dos seus atos por ilegalidade (invalidação) ou por motivos de conveniência e oportunidade (revogação).
- Súmula 346/STF: a Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos; e Súmula 473/STF:
a administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque
deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os
direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
- Súmula Vinculante 3: nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a
ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o
interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.
OBS.: O TCU não tem prazo para registrar concessão de aposentadoria, reforma e pensão, contudo o STF vem
entendendo que se entre a concessão e a análise decorrer mais de 5 anos neste caso o TCU deve sim garantir
o contraditório e ampla defesa para o interessado (MS 26069).
indisponibilidade, em que os bens e interesses públicos não pertencem à Administração nem
a seus agentes. Cabe-lhes apenas geri-los, conservá-los e por eles velar em prol da
coletividade, esta sim a verdadeira titular dos direitos e interesses públicos. A Adm Pública
não tem a livre disposição dos bens e interesses públicos, porque atua em nome de terceiros.
Por essa razão é que os bens públicos só podem ser alienados na forma em que a lei dispuser.
Da mesma forma, os contratos administrativos reclamam, como regra, que se realize licitação
para encontrar quem possa executar obras e serviços de modo mais vantajoso para a
Administração; continuidade do serviço público, alcança toda e qualquer atividade
administrativa, já que o interesse público não guarda adequação com descontinuidades e
paralisações na Administração. Guarda pertinência com o princípio da supremacia do
interesse público. Em ambos se pretende que a coletividade não sofra prejuízos em razão de
eventual realce a interesses particulares;
► OBSERVAÇÃO:
- I) Existem situações específicas que excepcionam o princípio, permitindo-se a paralisação temporária da
atividade, como é o caso da necessidade de proceder a reparos técnicos ou a realizar obras para a expansão e
melhoria dos serviços.
- II) Por outro lado, alguns serviços são remunerados por tarifa, de caráter tipicamente negocial. Tais serviços,
frequentemente prestados por concessionários e permissionários, admitem suspensão no caso de
inadimplemento da tarifa pelo usuário, devendo ser restabelecidos tão logo seja quitado o débito (os tribunais
vêm ressalvando a impossibilidade de suspensão da energia quando se trata de serviços essenciais).
razoabilidade e proporcionalidade, sendo tratados como sinônimos pelo STF, devem ser
observados pela Administração à medida que sua conduta se apresente dentro dos padrões
normais de aceitabilidade. Se atuar fora desses padrões, algum vício estará, sem dúvida,
contaminando o comportamento estatal. Significa dizer que não pode existir violação ao
referido princípio quando a conduta administrativa é inteiramente revestida de licitude.
Encontram fundamento nos princípios da legalidade e da finalidade, como realça CELSO
ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO, não se podendo supor que a correção possa invadir o
mérito administrativo, que reflete o juízo de valoração em que se baseia o administrador para
definir sua conduta. Entretanto, todas as vezes que o mérito administrativo extrapola os
limites da lei, seja por atuação que afronta expresso dispositivo legal, seja pela violação ao
princípio da razoabilidade, compete ao Judiciário, desde que provocado, sanar o vício da
conduta estatal, determinando a anulação do ato ilícito. O princípio da proporcionalidade
vem sendo aplicado, principalmente no âmbito das sanções administrativas, como uma forma
de “proibição de excesso” (verificação da necessidade, adequação e proporcionalidade entre a
reprimenda e a gravidade do ilícito que se quer reprimir ou prevenir). Segundo CARVALHO
FILHO, quando um ato for irrazoável ou desproporcional, ele inevitavelmente será ilegal.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2018 Banca: FUNDATEC Órgão: PC-RS Prova: FUNDATEC - 2018 - PC-RS - Delegado de Polícia -
Bloco II) Sobre os princípios da Administração Pública, analise as seguintes assertivas:
I. A prisão em flagrante delito de um indivíduo, sob o enfoque de não depender de prévia manifestação do poder
judiciário, é uma manifestação concreta do princípio da autotutela administrativa.
II. O uso moderado e progressivo da força, modulador da ação policial, encontra fundamento no princípio da
proporcionalidade, que tem por objetivo evitar que a atividade coercitiva do Estado seja exercida em intensidade
superior à estritamente necessária para restabelecer a ordem e a segurança pública.
III. No âmbito administrativo, o acesso à informação, por se tratar de um direito público subjetivo de envergadura
constitucional, derivado do princípio da publicidade e da transparência, não comporta sigilo como exceção.
IV. A utilização, por parte do servidor público, para fins privados, de um bem regularmente apreendido no âmbito
de uma investigação criminal caracteriza violação ao princípio da impessoalidade, sob o enfoque da finalidade,
impondo o enquadramento de tal conduta em ato de improbidade administrativa.
Quais estão corretas?
A - Apenas I.
B - Apenas I e II.
C - Apenas II e IV.
D - Apenas III e IV.
E - Apenas II, III e IV.
R: C.
Sobre a assertiva I: errada. O correto seria a relação da prisão em flagrante com os atributos do Poder de
Polícia da Autoexecutoriedade e da Coercibilidade. Súmula 397 do STF: "O poder de polícia da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal, em caso de crime cometido nas suas dependências, compreende, consoante o
regimento, a prisão em flagrante do acusado e a realização do inquérito". É incontroverso que a prisão em
flagrante é exemplo de ato praticado sob o manto do princípio da autoexecutoriedade, todavia, cuidado para
não confundir poder de polícia judiciária com poder de polícia administrativa, pois nesse caso de prisão em
flagrante a polícia não está atuando como polícia administrativa (preventiva), mas sim como polícia
judiciária (repressiva).
► OBSERVAÇÃO:
- Não há hierarquia entre os princípios, mas os doutrinadores destacam quais seriam os ‘princípios
fundamentais’:
* Para CABM seriam os princípios da supremacia do interesse público e indisponibilidade do interesse público.
* Para DI PIETRO seriam o princípio da supremacia do interesse público e princípio da legalidade.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2017 Banca: FAPEMS Órgão: PC-MS Prova: FAPEMS - 2017 - PC-MS - Delegado de Polícia) De
acordo com o texto a seguir o direito público tem como objetivo primordial o atendimento ao bem-estar coletivo.
[...] em primeiro lugar, as normas de direito público, embora protejam reflexamente o interesse individual, têm o
objetivo primordial de atender ao interesse público, ao bem-estar coletivo. Além disso, pode-se dizer que o direito
público somente começou a se desenvolver quando, depois de superados o primado do Direito Civil (que durou
muitos séculos) e o individualismo que tomou conta dos vários setores da ciência, inclusive a do Direito,
substituiu-se a ideia do homem como fim único do direito (própria do individualismo) pelo princípio que hoje
serve de fundamento para todo o direito público e que vincula a Administração em todas as suas decisões [...]. DI
PIETRO, Maria Sylvia. Direito Administrativo. 30.ed. Sao Paulo: Atlas, 2017, p 96.
Diante disso, as "pedras de toque" do regime jurídico-administrativo são
A - a supremacia do interesse público sobre o interesse privado e a impessoalidade do interesse público.
B - a supremacia do interesse público sobre o interesse privado e a indisponibilidade do interesse público.
C - a indisponibilidade do interesse público e o princípio da legalidade.
D - a supremacia da ordem pública e o princípio da legalidade.
E - a supremacia do interesse público e o interesse privado e o princípio da legalidade.
R: B. A expressão "PEDRAS DE TOQUE" foi criada por Celso Antonio Bandeira de Melo, para falar dos
princípios básicos, mais importantes do Dto Administrativo, dos quais todos os demais princípios decorrem,
quais sejam: Princípio da supremacia do interesse público e Princípio da indisponibilidade do interesse
público. Di Pietro possui posição minoritária, entendendo que as bases do regime jurídico administrativo
são os princípios da supremacia do interesse público e legalidade. Como a questão fala em "pedras de
toque", expressão utilizada por Celso Antônio Bandeira de Mello, sabe-se que é o posicionamento deste
autor que a banca pede.
► ATENÇÃO:
- L.I.M.P.E - Princípios constitucionais explícitos do Dto Administrativo:
CRFB/88. Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade
e eficiência e, também, ao seguinte.
- C.H.A. em P.A.R.I.S - Princípios implícitos do Dto Administrativo:
C = Continuidade
H = Hierarquia
A = Autotutela
em
P = Presunção de legitimidade
A = Autoexecutoriedade
R = Razoabilidade
I = Isonomia/igualdade
S = Supremacia do interesse público
(FONTE: Livro de Sinopse, p. 76)

► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2014 Banca: MPE-SC Órgão: MPE-SC Prova: MPE-SC - 2014 - MPE-SC - Promotor de Justiça -
Matutina) Responda certo ou errado:
A Administração Pública brasileira baseia-se no princípio da hierarquia, que estabelece uma relação de
subordinação entre seus órgãos e agentes. Presta-se como instrumento de organização do serviço e meio de
responsabilização dos agentes administrativos, impondo ao subalterno o dever de obediência às determinações
superiores.
R: C. Segundo Alexandre MAZZA (Manual de Direito Administrativo, 2010): o princípio da hierarquia
estabelece as relações de coordenação e subordinação entre órgãos da Administração Pública Direta. A
hierarquia é princípio imprescindível para a organização administrativa. *OBS.: de acordo com Maria Sylvia
Zanella Di Pietro, “a subordinação hierárquica só existe relativamente às funções administrativas, não em
relação às legislativas e judiciais”. Segundo a autora, dessa subordinação decorrem prerrogativas para a
Administração, como: a) rever atos dos subordinados; b) delegar e avocar competências; c) punir os
subordinados.

- (Ano: 2012 Banca: MPE-RS Órgão: MPE-RS Prova: MPE-RS - 2012 - MPE-RS - Promotor) Considere as


seguintes afirmações sobre Princípios Administrativos
I - O Princípio da Formalidade orienta tanto os processos administrativos como os atos jurídicos dos
administrados, obrigando a observação dos ritos e das formas sacramentais em prol do interesse público, mesmo
que a finalidade destes possa ser atingida por meios diversos.
II - A Moralidade Administrativa representa pressuposto de validade de todo ato administrativo, estando vinculada
à moral comum, com base na opinião pública, uma vez que o povo é, ao mesmo tempo, origem e destino do Poder
Administrativo.
III - A Eficiência é moderno princípio da função administrativa e determina que esta seja exercida com presteza e
perfeição, exigindo resultados positivos para o serviço público, com atendimento satisfatório das necessidades dos
administrados.
Quais estão corretas?
A - Apenas I.
B - Apenas II.
C - Apenas III.
D - Apenas I e II.
E - Apenas II e III.
R: C.
Sobre a ‘I’: errada. Na verdade, aplica-se o chamado "formalismo moderado" (Odete Medauar), onde não se
exigem formalidade rígidas, salvo as essenciais à garantia dos administrados.
Sobre a ‘II’: errada. Na verdade, a moralidade administrativa está relacionada a padrões de conduta fixados pela
Administração, por meio de condutas probas, honestas e íntegras. Analisam-se parâmetros ético-jurídicos (STF,
ADI 2661).
Segundo CRETELLA JUNIOR (MSZDP, p. 63), os princípios em geral podem ser
classificados em: a) onivalentes ou universais: comuns a todos os ramos do saber (ex.: o
princípio da identidade e da razão suficiente); b) plurivalentes ou regionais: comuns a um
grupo de ciências, informando-as nos aspectos que a interpenetram (ex.: princípio da
causalidade, aplicável às ciência naturais e o princípio do ‘não lesar a outrem’ aplicável às
ciências naturais e jurídicas; c) monovalentes: se referem a um só campo do conhecimento; e
d) setoriais: informam os diversos setores em que se divide determinada ciência (ex.: na
ciência jurídica existem princípios que informam o Dto Processual, Dto Penal, Dto Tributário
etc.).
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2013 Banca: MPE-SC Órgão: MPE-SC Prova: MPE-SC - 2013 - MPE-SC - Promotor de Justiça -
Manhã) Os princípios da Administração Pública podem ser classificados em onivalentes, comuns a todos os
ramos do saber; plurivalentes ou regionais, que informam os diversos setores em que se dividem determinada
ciência; setoriais, comuns a um grupo de ciências, informando-as nos aspectos em que se interpenetram; e
monovalentes, que se referem a um só campo do conhecimento.
( ) Certo
( ) Errado
R: E. O examinador inverte os conceitos dos ‘princípios plurivalentes’ com os ‘princípios setoriais’.

3. Organização administrativa. O estudo da organização administrativa corresponde à


definição e conhecimento acerca das pessoas, entes e órgãos que compõem o aparelho
administrativo do Estado, no desempenho da atividade administrativa.
A organização é feita, primordialmente, mediante leis ou por meio de decretos e outros atos
normativos.
► POSIÇÃO DO STJ:
- Súmula 525/STJ: a Câmara de vereadores não possui personalidade jurídica, mas apenas personalidade
judiciária, somente podendo demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais (STJ, 1ª Seção,
REsp 1.503.007-CE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 14/6/17 - Info 610).

Centralização.
► OBSERVAÇÃO:
- Desconcentração, centralização e descentralização são técnicas de organização administrativa.
Segundo CARVALHO FILHO, “centralização ocorre quando o Estado executa suas tarefas
diretamente, ou seja, por intermédio dos inúmeros órgãos e agentes administrativos que
compõem sua estrutura funcional. Pela descentralização ele o faz indiretamente, delegando a
atividade a outras entidades. Na desconcentração desmembra órgãos para propiciar melhoria
na sua organização estrutural”.
► ATENÇÃO:
- Quando se fala em centralização, a ideia que o fato traz à tona é o do desempenho direto das atividades públicas
pelo Estado-Administração. A descentralização, de outro lado, importa sentido que tem correlação com o exercício
de atividades de modo indireto (p. 483).
Administração direta Administração centralizada
Administração indireta Administração descentralizada
Há certas funções centralizadas que, por sua relevância, merecem referência constitucional
(ex.: art. 37, XXII, da CF, considerando as administrações tributárias dos entes federativos
como atividades essenciais ao funcionamento do Estado, devendo ser exercidas por servidores
de carreiras específicas).

Descentralização. DESCENTRALIZAÇÃO ADMINISTRATIVA: O Estado delega, por


meio de lei, a atividade a outras entidades com personalidade jurídica própria
(Administração Pública Indireta). Assim descentralização pressupõe o recurso a pessoas
jurídicas distintas da Administração Direta, buscando maior eficiência e especialização no
exercício da função pública. “Descentralização é o fato administrativo que traduz a
transferência da execução de atividade estatal a determinada pessoa, integrante ou não da
Administração. Dentre essas atividades inserem-se os serviços públicos” (CARVALHO
FILHO). A descentralização administrativa é dividida em: a) Descentralização territorial
ou geográfica: ocorre com entidade local geograficamente delimitada, dotada de
personalidade jurídica própria de direito público, com capacidade administrativa genérica
para exercer a totalidade ou maior parte dos encargos públicos de interesse da coletividade.
Seria, a grosso modo, a situação dos territórios federais do Brasil - embora esses na atualidade
não existam mais; b) Descentralização por serviços, funcional ou técnica: verificada quando
a Administração Direta cria uma pessoa jurídica de direito público ou privado e a ela transfere
a titularidade e a execução de determinada atividade;
► OBSERVAÇÃO:
- Tratando-se de pessoas jurídicas diferentes, não há qualquer vínculo hierárquico : Assim, a interposição de
recurso contra a decisão da pessoa descentralizada exige previsão legal expressa (trata-se do chamado recurso
hierárquico impróprio). A Administração Central exerce sobre a pessoa descentralizada a chamada supervisão
ministerial. Trata-se de um controle finalístico, isto é, controle quanto ao objetivo das atividades desenvolvidas,
por parte da Administração que instituiu o ente da Administração Pública indireta.
c) Descentralização por colaboração: ocorre quando a Administração transfere a atividade
administrativa à pessoa jurídica de direito privado previamente existente . Nessa hipótese, o
Poder Público conserva a titularidade do serviço, podendo dispor sobre ele de acordo com o
interesse público.

DESCENTRALIZAÇÃO POLÍTICA DESCENTRALIZAÇÃO ADMINISTRATIVA


- Cria entes políticos, pessoas jurídicas de direito público - O Estado recorre a pessoas jurídicas distintas da Administração
interno (União, Estados, DF e Municípios) – Direta, buscando maior eficiência e especialização no exercício
Administração Pública Direta. da função pública. Assim, entre outras providência, cria a
Administração Pública Indireta (Autarquias, Empresas Públicas,
Fundações e Sociedade de Economia Mista).

► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2017 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: Prefeitura de Belo Horizonte - MG Prova: CESPE - 2017
- Prefeitura de Belo Horizonte - MG - Procurador Municipal) No que se refere a organização administrativa,
administração pública indireta e serviços sociais autônomos, assinale a opção correta.
A - Por execução indireta de atividade administrativa entende-se a adjudicação de obra ou serviço público a
particular por meio de processo licitatório.
B - É possível a participação estatal em sociedades privadas, com capital minoritário e sob o regime de direito
privado.
C - Desde que preenchidos certos requisitos legais, as sociedades que comercializam planos de saúde poderão ser
enquadradas como OSCIPs.
D - Desconcentração administrativa implica transferência de serviços para outra entidade personalizada.
R: B. O item B parece estranho num primeiro momento, mas o novo estatuto jurídico da empresa pública, da
sociedade de economia mista e de suas subsidiárias, positiva a possibilidade de entidades estatais deterem capital
minoritário em sociedades privadas, no seu art. 1º, § 7º (LEI Nº 13.303/16). Confira-se: § 7º Na participação em
sociedade empresarial em que a empresa pública, a sociedade de economia mista e suas subsidiárias não
detenham o controle acionário, essas deverão adotar, no dever de fiscalizar, práticas de governança e
controle proporcionais à relevância, à materialidade e aos riscos do negócio do qual são partícipes,
considerando, para esse fim (...)
A participação de empresas estatais como acionistas de empresas privadas que não integram a
Administração Pública é fenômeno bastante difundido. Encontra previsão no artigo 37, inciso XX, da
Constituição Federal. O dispositivo estabelece que depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de
subsidiárias das entidades mencionadas no inciso anterior (empresas públicas e sociedades de economia mista),
“assim como a participação de qualquer delas em empresa privada”. A parte final do dispositivo contempla
justamente a participação estatal em empresas que não integram a Administração Pública. Basta pensar nos casos
práticos do dia a dia. O BNDES é empresa pública federal que possui participação em diversas outras empresas do
Brasil, através do BNDESPar (sociedade por ações e holding do BNDES). Exemplos de participações do BNDES
em empresas privadas: JBS, Eletrobras, Light, Marfrig etc. Geralmente isso é feito como forma de amortizar
dívidas ou empréstimos.
Sobre a ‘A’: “Por execução indireta da atividade administrativa entende-se a adjudicação de obra ou de serviço
público a particular por meio de processo licitatório” (CESPE/2017) (ERRADA). Justificativa: a questão
confunde os conceitos de execução indireta da atividade administrativa (DI PIETRO) com o conceito de
execução indireta de serviços públicos. DI PIETRO, ao conceituar Administração Pública em sentido
subjetivo, diz que "às vezes, a lei opta pela execução indireta da atividade administrativa, transferindo-a a
pessoas jurídicas com personalidade de direito público ou privado, que compõem a chamada Administração
Indireta do Estado." ( DI PIETRO. Direito Administrativo, 30ª edição. Forense, 02/2017)
Tal conceito não se confunde com à classificação de serviços públicos quanto às modalidades de execução: direta e
indireta. Segundo OLIVEIRA, Rafael, "O Poder Público pode prestar serviços públicos diretamente, por meio de
sua Administração Direta e Indireta, ou indiretamente, a partir de concessões ou permissões à iniciativa privada, na
forma do art. 175 da CRFB. A prestação direta dos serviços públicos será formalizada por lei que
determinará a sua prestação por órgãos da Administração Direta (desconcentração) ou por entidades da
Administração Indireta (descentralização legal). Na prestação indireta de serviços públicos, o Estado (Poder
Concedente) delega por contrato de concessão ou de permissão, precedido de licitação, o serviço
público"(OLIVEIRA, Rafael,Curso de Direito Administrativo, 5ª edição. Método, 02/2017).
Veja que a execução indireta de atividades administrativas se refere a órgãos da Administração Indireta
(que, portanto, integram a Administração Pública), enquanto a execução indireta de serviços públicos
refere-se a delegatários ou permissionários do serviço público, que não fazem parte da Administração
Pública! Essa é a pegadinha! Em suma, não se confunde execução indireta da atividade administrativa, com
o conceito de execução indireta de serviços públicos.
* O professor do QCONCURSO diz que a ‘A’ está errada pois “adjudicação” é termo incorreto, eis que se
daria por meio de contrato. Adjudicação é o ato pelo qual a Administração atribuiu ao licitante vencedor o
objeto da licitação. Também pode ser usado para descrever a última fase do processo de licitação que nada
mais é do que o ato que dá a expectativa de direito ao vencedor da licitação, ficando a Administração
obrigada a contratar exclusivamente com aquele adjudicado. Entretanto, mesmo a empresa sendo
adjudicada vencedora, não existe obrigatoriedade de contratação ou compra por parte da administração.

Concentração e desconcentração. A desconcentração e a descentralização são técnicas


utilizadas para que o Estado possa prestar as suas atividades, bem como racionalizar seu
desenvolvimento.
► OBSERVAÇÃO:
- A desconcentração é a divisão de funções entre diversos órgãos de uma mesma Administração, mas não
possuem personalidade própria, não havendo quebra de hierarquia. As competência são divididas dentro de uma
única pessoa jurídico, de modo a retirar um enorme volume de atribuições, permitindo que haja um desempenho
mais racional e adequado, sem a criação de outras pessoas jurídicas.
- Por sua vez, a descentralização administrativa envolve as distribuições de competência de uma pessoa para
outra, seja ela física ou jurídica, não se estabelecendo uma relação hierárquica entre elas. As competência serão
dividas entre duas pessoas.
CONCENTRAÇÃO ADMINISTRATIVA: A concentração trata-se de uma situação que
apenas é possível na parte teórica, uma vez que implicaria no desempenho de uma atividade
administrativa sem a criação de órgãos públicos. Assim, em tal situação, tanto a
Administração Direta quanto a Indireta teriam que desempenhar suas atividades sem a
possibilidade de reparti-las internamente. Claramente se percebe que tal forma de prestação
das atividades administrativas não encontra amparo nos dias atuais, uma vez que, cada vez
mais, estamos diante de uma Administração gerencial e pautada na celeridade da prestação
dos serviços à coletividade. Ex.: extinção de um Ministério, Secretaria, órgão. É o inverso da
desconcentração.
DESCONCENTRAÇÃO ADMINISTRATIVA: É a “distribuição interna de plexos de
competências decisórias, agrupadas em unidades individualizadas”. Na desconcentração
(ou descentralização hierárquica ou material), tem-se uma especialização de funções dentro
da própria estrutura estatal, sem criação de nova pessoa jurídica. Criam-se centros de
competências denominados órgãos públicos, dentro de uma mesma estrutura hierárquica (ex.:
Ministérios, Secretarias). Em outras palavras, o Estado (entes federativos) desmembra
ÓRGÃOS internos (é a própria Administração Pública Direta) para propiciar melhorias na sua
organização territorial tomando por base critério material, grau hierárquico ou territorial. Não
cria novas pessoas jurídicas, mas meros órgãos de execução direta sem personalidade jurídica.
Em razão do mencionado vínculo de hierarquia, é estabelecida uma relação de controle entre
os órgãos, chamada de controle hierárquico ou por subordinação, abrangendo todos os atos
praticados pelo órgão subordinado. O mencionado controle não depende de previsão legal.
Da mesma forma, a interposição de recurso administrativo (recurso administrativo próprio)
contra atos do órgão subordinado não depende de previsão legal, embora obedeça as
disposições genéricas da Lei nº 9.784/99.
► OBSERVAÇÃO:
- Órgãos. Classificação:

DESCONCENTRAÇÃO POLÍTICA DESCONCENTRAÇÃO ADMINISTRATIVA


- Distribui funções internamente e dá origem aos - Distribui funções internamente na mesma pessoa
poderes Legislativo, Judiciário e Executivo. jurídica e cria órgãos.

Organização administrativa da União. Em relação à União, vale a pena lembrar que seu
estatuto organizacional (Decreto 200/67) relaciona cinco princípios que devem nortear a
atividade na Administração Federal: o planejamento, a coordenação, a descentralização, a
delegação de competência e o controle. São esses princípios, especialmente o da
descentralização, que fundamentam a divisão da administração em direta e indireta.
Nos termos do Decreto 200/67: “Art. 4º. A Administração Federal compreende: I - A
Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da
Presidência da República e dos Ministérios. II - A Administração Indireta, que compreende as
seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria: a) Autarquias; b)
Empresas Públicas; c) Sociedades de Economia Mista; d) fundações públicas. Parágrafo
único. As entidades compreendidas na Administração Indireta vinculam-se ao Ministério em
cuja área de competência estiver enquadrada sua principal atividade”.        

Administração direta e indireta. Nos termos do Decreto-lei 200/67, Administração


direta é a que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência
da República e dos Ministérios (art. 4º, I). Já no âmbito estadual e distrital, a administração
direta é aquela exercida pelo Governador e por seus Secretários (titulares das diversas pastas).
No Município, ela é exercida pelo Prefeito, com auxílio de Secretários Municipais.
FERNANDA MARINELA destaca que os entes (políticos) que compõe a Administração
direta, por serem PJ de direito público, estão sujeitos às prerrogativas e obrigações
inerentes a esse regime, o que é extensível aos seus órgãos. A administração direta é o
conjunto de órgãos que integram a pessoa federativa com competência para determinado
exercício, sendo constituída dos serviços que integram a estrutura da Presidência da
República e seus ministérios e, pelo Princípio da Simetria, as esferas estaduais, municipais e
distritais seguem a mesma estrutura. Por isso, a prestação direta é feita pelos próprios entes
políticos da administração, sendo uma prestação designada centralizada do serviço. Os
Poderes Legislativo e Judiciário têm sua estrutura orgânica definida em seus respectivos atos
de organização administrativa. Segundo CARVALHO FILHO, o Legislativo e o Judiciário
também realizam atividade administrativa, quando precisam organizar-se para desempenhar
atividades de apoio necessárias às funções típicas a seu cargo - a normativa e a jurisdicional.
Essas atividades de apoio são de caráter administrativo.
Administração indireta (macete: FASE) é o conjunto de pessoas administrativas que,
vinculadas à respectiva administração direta (União, Estados, DF e Municípios) possuem o
objetivo previsto em lei de desempenhar as atividades administrativas de forma
descentralizada. Nos termos da Lei 9.784 (que Regula o processo administrativo no âmbito da
Administração Pública Federal), órgão é “a unidade de atuação integrante da estrutura da
Administração direta e da estrutura da Administração indireta”. Nos termos do Decreto-lei
200/67 (art. 4º, II) a Administração Indireta é a que compreende as seguintes categorias de
entidades dotadas de personalidade jurídica própria: a) Autarquias; b) Empresas Públicas;
c) Sociedades de Economia Mista; e d) Fundações Públicas.
► OBSERVAÇÃO:
- Segundo CARVALHO FILHO, há três principais princípios da administração indireta: I) Princípio da
Reserva Legal; II) Princípio da Especialidade; e III) Princípio do Controle.
- Toda a Administração Indireta se sujeita ao controle pela Administração Direta da pessoa pela qual são
vinculadas. Trata-se de um controle finalístico, vinculado pela tutela administrativa.
- Sobre as Autarquias: se a entidade política (U, E, M ou DF) optar por descentralizar um serviço público
tipicamente estatal - que não possa ser prestado por entidades privadas - deverá, necessariamente, criar uma
autarquia. Mas se o serviço a ser prestado não for um serviço típico de Estado, então poderá optar pela criação de
autarquia ou outra entidade pública. Esse raciocínio significa que, se o serviço é tipicamente estatal e está
descentralizado, a entidade prestadora é uma autarquia ou entidade pública com natureza autárquica; mas
não se pode afirmar que toda autarquia presta um serviço público típico de Estado, como exemplo podemos
citar as universidades públicas, que, apesar de serem autarquias, prestam serviço que também é ofertado
por entidades privadas. *OBS: os bens das Autarquias são bens públicos e podem ser alienados desde que
desafetados e licitados, após autorização legislativa. Também, por serem públicos, não podem ser
adquiridos por meio de usucapião.
- Sobre as Agências Executivas: vem sendo cobrado em algumas provas de delegado. Encontra-se prevista na Lei
nº 9.649/98, que dispõe sobre a organização da Presidência da República e dos Ministérios. Trata-se de uma
qualificação dada a uma autarquia ou a uma fundação pública que celebre contrato de gestão com órgão da
Adm Direta a que se acha vinculada para melhoria da eficiência e redução de custos. Trata-se de entidade
preexistente, que uma vez preenchidos os requisitos legais, recebe a qualificação de agência executiva,
podendo perdê-la se deixar de atender os mesmo requisitos. O art. 51 do referido diploma legal estabelece
que:
Art. 51. O Poder Executivo poderá qualificar como Agência Executiva a autarquia ou fundação que tenha
cumprido os seguintes requisitos: I - ter um plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento
institucional em andamento; II - ter celebrado Contrato de Gestão com o respectivo Ministério supervisor. §
1º A qualificação como Agência Executiva será feita em ato do Presidente da República.
Art. 52. § 1º Os Contratos de Gestão das Agências Executivas serão celebrados com periodicidade mínima
de um ano e estabelecerão os objetivos, metas e respectivos indicadores de desempenho da entidade, bem como os
recursos necessários e os critérios e instrumentos para a avaliação do seu cumprimento.

► POSIÇÃO DO STF:
- Sobre as Empresas Públicas e SEM:
1) A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia mista exige autorização
legislativa e licitação. Por outro lado, não se exige autorização legislativa para a alienação do controle de
suas subsidiárias e controladas. Nesse caso, a operação pode ser realizada sem a necessidade de licitação,
desde que siga procedimentos que observem os princípios da administração pública inscritos no art. 37 da
CF/88, respeitada, sempre, a exigência de necessária competitividade. (STF. Plenário ADI 5624 MC/Ref/DF,
Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 6/6/2019 - INFO 943).
Por que existe esse tratamento diferenciado para a alienação do controle societário das subsidiárias e
controladas? Porque é desnecessária a autorização legislativa expressa para a criação de subsidiárias quando
houver autorização legislativa da criação de empresa pública ou sociedade de economia mista e nesta constar
permissão genérica da possibilidade de criação de subsidiárias (ADI 1649). Assim, se não se exige lei específica
para autorizar a criação de subsidiária, pelo princípio do paralelismo das formas, também não se exige lei
específica para a sua alienação.
2) EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Lei nº 11.288/99 do Estado de Santa Catarina.
Estabelecimento de condições e critérios a serem observados para o exercício de cargos de direção da
administração indireta do Estado. Necessidade de prévia aprovação da Assembleia Legislativa.
Inconstitucionalidade apenas em relação às empresas públicas e às sociedades de economia mista. Artigo
173, § 1º, CF/88. Fornecimento de informações protegidas por sigilo fiscal como condição para a aprovação prévia
pelo Poder Legislativo. Mecanismo de fiscalização permanente após a exoneração dos ocupantes dos referidos
cargos. Violação do princípio da separação dos Poderes. 1. A Corte já pacificou o entendimento de que não
padece de nenhum vício constitucional a previsão de participação do Poder Legislativo na nomeação de
dirigentes de autarquias ou fundações públicas. Trata-se de aplicação aos estados-membros do parâmetro de
simetria constante do art. 52, III, f, da Constituição Federal, que submete ao crivo do Senado Federal a aprovação
prévia dos indicados para ocupar determinados cargos definidos por lei. Nesses termos, são válidas as normas
locais que subordinam a nomeação dos dirigentes de autarquias ou fundações públicas à prévia aprovação de
Assembleia Legislativa, não havendo, nesse caso, nenhuma interferência indevida do Poder Legislativo em função
típica do Poder Executivo, nem violação do princípio da separação dos Poderes. 2. Situação diversa, entretanto,
ocorre em relação à intervenção parlamentar no processo de provimento dos cargos de direção das
empresas públicas e das sociedades de economia mista da administração indireta dos estados, por serem
pessoas jurídicas de direito privado, que, nos termos do art. 173, § 1º, da Constituição Federal, estão sujeitas
ao regime jurídico próprio das empresas privadas, o que obsta a exigência de manifestação prévia do Poder
Legislativo estadual. Precedentes. 3. O art. 2º, IV, e o art. 3º da Lei nº 11.288/99 extrapolam o sistema de freios e
contrapesos autorizado pela Constituição Federal, pois, além de determinarem o fornecimento de informações
protegidas por sigilo fiscal como condição para a aprovação prévia pelo Poder Legislativo dos titulares de
determinados cargos, criam mecanismo de fiscalização permanente pela Assembleia Legislativa para após a
exoneração dos ocupantes dos referidos cargos. Esses dispositivos instituíram modalidade de controle direto pela
Assembleia Legislativa - sem o auxílio do Tribunal de Contas do Estado - que não encontra fundamento de
validade em nenhuma norma constitucional, resultando em violação ao princípio da separação dos Poderes (art. 2º,
CF/88). 4. No âmbito do Poder Legislativo, apenas as comissões parlamentares de inquérito, nos termos do art. 58,
§ 3º, da Lei Maior, pode determinar a apresentação de declaração de bens ou informações sob sigilo fiscal, o que,
evidentemente, fica ainda condicionado pela existência de um quadro fático concreto e específico e pela
apresentação de pedido com fundamentação individualizada que justifique a invasão da privacidade do
investigado. 5. Ação direta julgada parcialmente procedente. (STF - ADI: 2225 SC, Relator: Min. DIAS
TOFFOLI, Data de Julgamento: 21/08/2014, Tribunal Pleno, Data de Publicação: 30-10-2014).
3) STF fixou orientação de que é inconstitucional a exigência de que os dirigentes de entidades da
Administração Indireta forneçam à Assembleia Legislativa a declaração atualizada de seus bens e
participações acionárias em empresas privadas, inclusive nos dois anos seguintes à exoneração da função,
pois não fora outorgada ao Parlamento competências para fiscalizar, de modo rotineiro e indiscriminado, a
evolução patrimonial dos ocupantes de cargos de direção da Administração Indireta e de seus ex-ocupantes, bem
como as atividades por eles desenvolvidas nos dois anos seguintes à exoneração. ( STF. Plenário. ADI 2225/SC,
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 21.8.2014 Info 755).
- Sobre Fundação:
1) Fundação instituída pelo Estado pode estar sujeita ao regime jurídico público ou privado, a depender do
estatuto da fundação e das atividades por ela prestadas: a qualificação de uma fundação instituída pelo Estado
como sujeita ao regime jurídico público ou privado depende: i) do estatuto de sua criação ou autorização; e ii) das
atividades por ela prestadas. As atividades de conteúdo econômico e as passíveis de delegação, quando definidas
como objetos de dada fundação, ainda que essa seja instituída ou mantida pelo poder público, podem se submeter
ao regime jurídico de direito privado. (STF. Plenário. RE 716378/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
7/8/2019).
- Sobre Conselhos de Fiscalização Profissional (autarquias especiais):
1) Conselhos profissionais não estão sujeitos ao regime de precatórios. Os pagamentos devidos em razão de
pronunciamento judicial, pelos Conselhos de Fiscalização (ex.: CREA, CRM, COREN, CRO) não se submetem ao
regime de precatórios (STF. Plenário. RE 938837/SP, rel. Orig. Min. Edson Fachin, red. P/ ac. Min Marco
Aurélio, julgado em 19/4/2017 - c/ repercussão geral).
► POSIÇÃO DO STF:
- É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público
próprio do Estado e de natureza não concorrencial. STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 23/3/2017 (Info 858).
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-MA Prova: CESPE - 2018 - PC-MA - Delegado de
Polícia Civil) Com relação à organização administrativa, julgue os itens a seguir.
I As autarquias são pessoas jurídicas com capacidade de autodeterminação, patrimônio e receitas próprias, criadas
por lei para o desempenho de atividades típicas do Estado, submetidas ao controle hierárquico pela administração
pública direta.
II As sociedades de economia mista e empresas públicas são entidades de direito privado integrantes da
administração indireta, criadas por autorização legal, para o desempenho de atividades gerais de caráter econômico
ou, em certas situações, prestação de serviços públicos.
III Por meio da contratação de consórcios públicos, poderão ser constituídas associações públicas para a realização
de objetivos de interesse comum, adquirindo tais entidades personalidade jurídica de direito público e passando a
integrar a administração indireta de todos os entes federativos consorciados.
IV Por serem entes despersonalizados, os órgãos públicos não detêm capacidade processual para a defesa de suas
prerrogativas e competências.
Estão certos apenas os itens
A - I e II.
B - I e IV.
C - II e III.
D - I, III e IV.
E - II, III e IV.
R: C.
Sobre a ‘I’: O erro está no final, pois não há controle hierárquico, o que há é o controle finalístico, em que o ente
da administração direta que a criou verifica se está sendo cumprida a finalidade pela qual foi criada a autarquia.
- (Ano: 2017 Banca: FAPEMS Órgão: PC-MS Prova: FAPEMS - 2017 - PC-MS - Delegado de Polícia )
Quanto à administração pública indireta, assinale a alternativa correta.
A - As fundações públicas de direito privado devem ser criadas por lei específica.
B - As fundações públicas de direito público devem ser criadas por lei específica.
C - A imunidade tributária recíproca não se estende às fundações.
D - As sociedades de economia podem revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito.
E - As empresas públicas só podem explorar diretamente atividade econômica, se tal exploração for necessária à
segurança nacional ou relevante para o interesse coletivo, na forma de lei complementar.
R: B.
Sobre a ‘E’: O erro da alternativa E está em exigir Lei Complementar. Não há tal necessidade, nos termos do
artigo 173 da Constituição Federal.

- (Ano: 2017 Banca: FAPEMS Órgão: PC-MS Prova: FAPEMS - 2017 - PC-MS - Delegado de Polícia)
Conforme jurisprudência dos Tribunais Superiores, acerca da Administração Direta e Indireta e das entidades em
colaboração com o Estado, é correto afirmar que
A - a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) goza de imunidade tributária recíproca mesmo quando
realiza o transporte de bens e mercadorias em concorrência com a iniciativa privada.
B - o Tribunal de Justiça não detém legitimidade autônoma para impetrar mandado de segurança contra ato do
Governador do Estado em defesa de sua autonomia institucional.
C - não é aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público
próprio do Estado, ainda que de natureza não concorrencial.
D - as entidades paraestatais gozam dos privilégios processuais concedidos à Fazenda Pública.
E - os serviços sociais autônomos estão sujeitos à observância da regra de concurso público para contratação de
seu pessoal.
R: A. Os Correios gozam de imunidade tributária porque são uma empresa pública que desempenha serviços
públicos. Ocorre que os Correios, além das atividades que desenvolvem de forma exclusiva, como é o caso da
entrega de cartas, também realizam alguns serviços em concorrência com a iniciativa privada (ex: entrega de
encomendas).
Quando os Correios realizam o serviço de transporte de bens e mercadorias, concorrendo, portanto, com a
iniciativa privada, mesmo assim eles gozam de imunidade? Ficam livres de pagar ICMS?
SIM. O STF decidiu que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT goza de imunidade tributária
recíproca mesmo quando realiza o transporte de bens e mercadorias. Assim, não incide o ICMS sobre o serviço de
transporte de bens e mercadorias realizado pelos Correios. STF. Plenário. RE 627051/PE, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 12/11/2014 (Info 767). Fonte: Site do ‘Dizer o Direito’.
Mas qual o motivo de imunizar serviços que concorrem com o serviço privado?! O serviço postal vem a cada
dia passando por momentos de baixa (por conta das varias tecnologias, como a internet) tornando as cartas e
telegramas obsoletas, e como é dever da ECT “manter o serviço postal” até mesmo nas regiões mais afastadas
(onde a atividade privada não chega) o lucro deve vir de outras atividades, e para isso, para tais atividades serem
subsidiadas é necessário que as demais atividades dos Correios sejam imunizadas. É o que a Doutrina
convencionou chamar de “subsídio cruzado”.
Sobre a ‘D’: Paraestatal significa ao lado do Estado, paralelo ao Estado. Entidades paraestatais, desse modo, são
aquelas pessoas jurídicas que atuam ao lado e em colaboração com o Estado. Não obstante, vários são os sentidos
que leis, doutrinadores e tribunais têm emprestado à expressão, o que não só deixa dúvidas ao intérprete quando
com ela se depara, como também imprime indesejável imprecisão jurídica, que em nada contribui para a ciência do
Direito. Segundo CARVALHO FILHO, há juristas que entendem serem entidades paraestatais aquelas que,
tendo personalidade jurídica de direito privado (não incluídas, pois, as autarquias), recebem amparo oficial
do Poder Público, como as empresas públicas, as sociedades de economia mista, as fundações públicas e as
entidades de cooperação governamental (ou serviços sociais autônomos), como o SESI, SENAI, SESC,
SENAC etc. Outros pensam exatamente o contrário: entidades paraestatais seriam as autarquias. Alguns, a
seu turno, só enquadram nessa categoria as pessoas colaboradoras que não se preordenam a fins lucrativos,
estando excluídas, assim, as empresas públicas e as sociedades de economia mista. Para outros, ainda,
paraestatais seriam as pessoas de direito privado integrantes da Administração Indireta, excluindo-se, por
conseguinte, as autarquias, as fundações de direito público e os serviços sociais autônomos. Por fim, já se
considerou que na categoria se incluem além dos serviços sociais autônomos até mesmo as escolas
oficializadas, os partidos políticos e os sindicatos, excluindo-se a administração indireta. Na prática, tem-se
encontrado, com frequência, o emprego da expressão empresas estatais, sendo nelas enquadradas as
sociedades de economia mista e as empresas públicas. Há também autores que adotam o referido sentido.
Essa funda divergência acaba levando o estudioso, sem dúvida, a não empregar a expressão, por ser
destituída de qualquer precisão jurídica. Na verdade, justifica-se integralmente essa posição. Para o autor,
“seja como for, a expressão, a nosso ver, e tendo em vista o seu significado, deveria abranger toda pessoa
jurídica que tivesse vínculo institucional com a pessoa federativa, de forma a receber desta os mecanismos
estatais de controle. Estariam, pois, enquadradas como entidades paraestatais as pessoas da administração
indireta e os serviços sociais autônomos”.
Sobre a ‘E’: errada. “Os serviços sociais autônomos não estão sujeitos à observância da regra de concurso
público para contratação de seu pessoal. Deve existir um processo seletivo, mas não necessariamente um
concurso público, porque, no que diz respeito ao concurso público, não tem obrigatoriedade, porque não se
enquadra nas hipóteses do art. 37, II da Constituição Federal. Nesse sentido, a contratação de empregados
pelas entidades paraestatais ocorre na forma do seu próprio regulamento, mas mediante procedimento impessoal e
objetivo, inexistindo, por outro lado, o dever de realização de concurso público."

- (Ano: 2017 Banca: FCC Órgão: PC-AP Prova: FCC - 2017 - PC-AP - Delegado de Polícia) Uma autarquia


municipal criada para prestação de serviços de abastecimento de água
A - deve obrigatoriamente ter sido instituída por lei e recebido a titularidade do serviço público em questão, o que
autoriza a celebração de contrato de concessão à iniciativa privada ou a contratação de consórcio público para
delegação da execução do referido serviço.
B - integra a estrutura da Administração pública indireta municipal e portanto não se submete a todas as normas
que regem a administração pública direta, sendo permitindo a flexibilização do regime publicista para fins de
viabilizar a aplicação do princípio da eficiência.
C - submete-se ao regime jurídico de direito privado caso venha a celebrar contrato de concessão de serviço
público com a Administração pública municipal, ficando suspensa, durante a vigência da avença, a incidência das
normas de direito público, a fim de preservar a igualdade na concorrência.
D - pode ser criada por decreto, mas a delegação da prestação do serviço público prescinde de prévio ato
normativo, podendo a autarquia celebrar licitação para contratação de concessão de serviço público ou prestar o
serviço diretamente.
E - possui personalidade jurídica de direito público, mas quando prestadora de serviço público, seu regime jurídico
equipara-se ao das empresas públicas e sociedades de economia mista.
R: A. Deve obrigatoriamente ter sido instituída por lei e recebido a titularidade do serviço público em questão, o
que autoriza a celebração de contrato de concessão à iniciativa privada ou a contratação de consórcio público para
delegação da execução do referido serviço. É o gabarito da questão. As autarquias são instituídas por lei
específica e nascem para servir a um interesse de Estado. Além disso, seus bens são impenhoráveis,
insuscetíveis de usucapião e inalienáveis (salvo previsão em lei). É permitido, inclusive, celebrar contrato de
concessão com um particular para delegação de determinado serviço. Ex.: transporte público.
Sobre a ‘B’: errada, pois tanto os órgãos da Adm Direta, quantos as entidades da Adm Indireta obedecem as
mesmas normas do ordenamento jurídico.
Sobre a ‘E’: errada, as autarquias possuem o regimento jurídico de direito público, não havendo que se falar
em equiparação ao regramento estabelecido às empresas públicas e sociedades de economia mista.

- (Ano: 2017 Banca: IBADE Órgão: PC-AC Prova: IBADE - 2017 - PC-AC - Delegado de Polícia Civil)
Considerando os temas da centralização e descentralização administrativa, da concentração e desconcentração
administrativa, bem como dos entes da administração indireta, assinale a alternativa correta.
A - A possibilidade de nomeação, pelo chefe do Poder Executivo, dos dirigentes das autarquias públicas, empresas
públicas, sociedades de economia mista e fundações é consequência da hierarquia existente entre a Administração
direta e a Administração indireta.
B - As agências reguladoras são espécies de empresas públicas. Têm por finalidade a normatização técnica de
serviços públicos e atividades econômicas.
C - Caso o Estado do Acre edite uma lei criando uma autarquia pública, fala-se em desconcentração
administrativa, mantendo-se, assim, a hierarquia entre o novo ente da Administração indireta e a Administração
direta.
D - Somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de
sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar ou à lei ordinária, neste último caso,
definir as áreas de sua atuação.
E - A agência executiva, autarquia de regime especial, tem por forte característica a operacionalidade e a
eficiência. Seu qualificativo como agência executiva é temporário, pois, de ordinário, depende de instrumento
firmado perante a Administração direta.
R: E.

- (Ano: 2016 Banca: MPE-PR Órgão: MPE-PR Prova: MPE-PR - 2016 - MPE-PR - Promotor Substituto)
Analise as assertivas abaixo e, depois, responda:
I - Somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de
sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua
atuação. Depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias das entidades mencionadas no
inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas em empresa privada.
II - Empresa pública é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito público, com criação autorizada por
lei e com patrimônio próprio, cujo capital social é integralmente detido pela União, pelos Estados, pelo Distrito
Federal ou pelos Municípios. Desde que a maioria do capital votante permaneça em propriedade da União, do
Estado, do Distrito Federal ou do Município, será admitida, no capital da empresa pública, a participação de outras
pessoas jurídicas de direito público interno, bem como de entidades da administração indireta da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
III - Sociedade de economia mista é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com criação
autorizada por lei, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à
União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou a entidade da administração indireta.
IV - Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, em qualquer caso que exija o
afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço será contado para todos os efeitos legais,
inclusive para fins de promoção na carreira.
V - É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação
em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente
investido.
A - Todas as assertivas estão corretas;
B - Somente as assertivas I, II e III estão corretas;
C - Somente as assertivas I, II, III e V estão corretas;
D - Somente as assertivas II, III e IV estão incorretas;
E - Somente as assertivas II e IV estão incorretas.
R: E.
Sobre a ‘IV’: errada. Conforme o art. 38, inc. V, da CF, em qualquer caso em que exija o afastamento do Servidor
Público da Administração Pública Direta, Autárquica e Fundacional, para o exercício de mandato eletivo, seu
tempo de serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento.

- Questão desatualizada. (Ano: 2016 Banca: FUNCAB Órgão: PC-PA Prova: FUNCAB - 2016 - PC-PA -


Delegado de Policia Civil - Reaplicação) Acerca da organização administrativa, especificamente em relação aos
contratos de gestão, julgue os itens a seguir, marcando apenas a opção correta.
A - Os contratos de gestão das Agências Executivas serão celebrados com periodicidade mínima de quatro anos,
com previsão de critérios e instrumentos para a avaliação do seu cumprimento.
B - O Contrato de Gestão terá metas e objetivos definidos, bem como recursos orçamentários e financeiros para o
cumprimento de ambos. O Poder Executivo editará medidas de organização administrativa específicas para as
Agências Executivas.
C - O Poder Executivo poderá qualificar como Agência Executiva a autarquia, fundação, sociedade de economia
mista ou empresa pública que tenha celebrado Contrato de Gestão com o respectivo Ministério supervisor.
D - O contrato de gestão, elaborado pelo órgão, ministério ou entidade supervisora, sem a participação da
organização social, com a finalidade de garantia da supremacia do interesse público, discriminará as atribuições,
responsabilidades e obrigações do Poder Público e da organização social.
E - Os contratos de gestão somente poderão ser celebrados entre a administração direta e as autarquias e fundação,
não existindo previsão legal de celebração de contrato de gestão entre o poder público e entidades privadas.
R: B.
*OBS.: A doutrina denominou de “contrato de gestão” o ajuste previsto no art. 37, § 8º da CF/88. A Lei nº
13.934/2019, contudo, adotou outra nomenclatura e denominou este ajuste de “contrato de desempenho”.
Agiu corretamente o legislador considerando que a Lei nº 9.637/98 fala em “contrato de gestão” para um
ajuste completamente diferente. Com isso, evita-se confusões.
Desse modo, a partir da Lei nº 13.934/2019, acabam as duas espécies de “contrato de gestão” (contrato de
gestão interno ou endógeno e contrato de gestão externo ou exógeno) e temos agora o seguinte cenário:
Contrato de desempenho (Lei nº 13.934/2019) Contrato entre o Poder Público e a
organização social
- Contrato do § 8º do art. 37 da CF/88 - Contrato de gestão (Lei nº 9.637/98)

- OBS.: parece que agora o próprio contrato de gestão das


agências executivas (arts. 51 e 52 da Lei nº 9.649/98)
passam a ser chamados de contrato de desempenho

- (Ano: 2014 Banca: FCC Órgão: MPE-PE Prova: FCC - 2014 - MPE-PE - Promotor de Justiça) Em relação


às empresas públicas, NÃO é aspecto obrigatório a ser observado em seu regime jurídico a
A - realização de licitação para contratação de obras, serviços, compras e alienações, observados os princípios da
administração pública.
B - criação por meio de registro de seus atos constitutivos, na forma do Código Civil.
C - forma societária de sociedade anônima.
D - personalidade jurídica de direito privado.
E - vedação à acumulação remunerada de cargos, empregos e funções públicas.
R: C. As empresas públicas federais poderão ser instituídas sob quaisquer formas jurídicas, ainda que seja
sob a forma sui generis (sociedade civil ou empresarial, ou ainda quaisquer outras formas previstas em lei
que a institua). Observa, entretanto, a doutrina, que a hipótese de criação da empresa pública sob quaisquer
formas, somente são aplicadas às empresas públicas federais, pois a competência para legislar sobre direito civil e
empresarial é privativa da União, nos termos do art. 22, inc. I, da CF. Portanto, os Estados e Municípios não são
atingidos pela norma do art. 5º, inc. II, do Decreto-Lei nº 200/67, razão pela qual devem adotar apenas as
modalidades de sociedade que já se encontram disciplinada pela legislação empresarial vigente. A doutrina indica
três tipos de formas inéditas que podem ser criadas empresas públicas na esfera federal: a) sociedade
unipessoal; b) sociedade pluripessoal; e c) empresa pública unipessoal.
Sobre a ‘A’: As empresas públicas devem se submeter ao regime de licitações, sempre obedecendo aos
princípios da administração.
- (Ano: 2012 Banca: FCC Órgão: MPE-AL Prova: FCC - 2012 - MPE-AL - Promotor de Justiça) O regime
jurídico das empresas públicas que executam atividade de natureza econômica em sentido estrito
A - impõe a observância do limite de remuneração constante do art. 37, XI da Constituição Federal, ainda que não
haja participação do erário público para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio original.
B - permite a contratação direta de suas subsidiárias e controladas, para a aquisição ou alienação de bens, prestação
ou obtenção de serviços, desde que o preço contratado seja compatível com o praticado no mercado.
C - assegura a observância das prerrogativas processuais típicas da Fazenda Pública, como prazo em quádruplo
para contestar e prazo em dobro para recorrer.
D - afasta a legitimidade passiva de seus agentes no âmbito do mandado de segurança.
E - admite a estabilidade excepcional de seus empregados, nos termos do art. 19 do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias.
R: B. Conforme prevê o art. 24, inciso XXIII da Lei 8666/93, trata-se de hipótese de licitação dispensável: Art. 24.
É dispensável a licitação: XXIII - na contratação realizada por empresa pública ou sociedade de economia mista
com suas subsidiárias e controladas, para a aquisição ou alienação de bens, prestação ou obtenção de serviços,
desde que o preço contratado seja compatível com o praticado no mercado. (Incluído pela Lei nº 9.648, de 1998)
Sobre a ‘D’: errada. As empresas públicas são pessoas jurídicas de dto privado, mas que não atuam integalmente
sob a égide do dto privado, razão pela qual são conhecidas como entidades de natureza híbrida. As empreas
públicas que executam atividades de natureza econômica são as que mais se aproximam das pessoas privadas,
somente sendo-lhes aplicados os preceitos de dto público expresso no texto constitucional, ou leis
infraconstitucionais, desde que estas sejam derivadas de normas constitucionais (explícitas ou implícitas). Dentre
as normas constitucionais aplicadas está a exigência de contratação mediante concurso público, nos termos do art.
37, II, da CF. Ainda que a empresa pública execute atividades de natureza econômica, esta se submete ao regime
jurídico do concurso público, aliás, nesse sentido a Súmula 231 do TCU. Portanto, são os empregados públicos
considerados funcionários públicos, razão pela qual podem configurar na legitimidade passiva de um MS. O STJ,
segundo jurisprudência pacificada, bem atribuindo uma interpretação ampliativa ao conceito de servidor público
para alcançar não apenas os que se vinculam à Adm direta, como também os que exercem suas atividades nas
entidades da Adm Indireta.
* OBS.: Lei do MS (Lei nº 12.016/09), art. 1º, § 2º: “Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão
comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de
concessionárias de serviço público”. Portanto, não esquecer dessa exceção: Quando se trata de ATOS DE
GESTÃO não cabe MS, cabendo porém nos demais atos da EP, SEM e Concessionárias.
* OBS.: Súmula 333/STJ: “Cabe mandado de segurança contra ato praticado em licitação promovida por
sociedade de economia mista ou empresa pública”. Nesse sentido: “O dirigente de empresa pública ou
sociedade de economia mista (pessoas qualificadas como de Direito Privado), ainda quando sejam elas
meramente exploradoras de atividade econômica, também pode ser enquadrado como ‘autoridade’ no que
concerne a atos expedidos para cumprimentos de normas de Dto Público a que tais entidades estejam
obrigadas, como exempli gratia, os relativos às licitações públicas que promovam” (Celso Antônio Bandeira
de Mello, in “Curso de Direito Administrativo”, Malheiros Editores, São Paulo, 2002, p. 221) (REsp n.
533.613-RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJU de 3.11.2003).

- (Ano: 2012 Banca: MPE-MT Órgão: MPE-MT Prova: MPE-MT - 2012 - MPE-MT - Promotor de Justiça)


A condição de “agência executiva”, na administração pública federal, é situação que pode ser concedida pela
Presidência da República a que tipo de entes?
A - Autarquias e órgãos da administração direta.
B - Apenas autarquias.
C - Fundações e órgãos da administração direta.
D - Apenas órgãos da administração direta.
E - Autarquias e fundações.
R: E.

- (Ano: 2011 Banca: MPE-MS Órgão: MPE-MS Prova: MPE-MS - 2011 - MPE-MS - Promotor de Justiça)


Sobre o tema Administração Pública Indireta, é correto afirmar:
I - somente lei específica criará autarquia e autorizará a instituição de empresa pública, de sociedade de economia
mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação.
II - a competência para julgar ações que tenham a empresa pública federal como interessada na condição de autora,
ré, assistente ou oponente é da Justiça Federal, ressalvando as causas de falência, as de acidentes de trabalho e as
sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho.
III - as empresas públicas e as sociedades de economia mista podem falir, nos termos do art. 2º, inc. I, da Lei nº
11.101/05.
IV - a criação/permissão de as empresas públicas e as sociedades de economia mista que tenham como finalidade a
exploração direta de atividade econômica só ocorrerão quando necessárias aos imperativos da segurança nacional
ou relevante interesse econômico, observada definição legal.
A - apenas a afirmativa III está incorreta;
B - apenas as afirmativas I e II estão corretas;
C - apenas as afirmativas III e IV estão incorretas;
D - a afirmativa III está correta e a afirmativa IV está incorreta;
E - todas as alternativas estão corretas.
R: A. Todavia, a meu ver é a letra B.
Sobre a ‘III’: errada. O art. 2º, inc. I, da Lei n º 11.101/05, que disciplina a recuperação judicial, extrajudicial e a
falência do empresário e da sociedade empresária, exclui de sua incidência a empresa pública e a sociedade de
economia mista. Contudo, há entendimento na doutrina de que as EPs e SEMs, quando exploradoras de atividade
econômica, podem falir e se submetem ao mesmo regime de falência das empresas privadas.
Sobre a ‘IV’: errada. Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, aexploração direta de atividade
econômica pelo Estado só será permitida quandonecessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante
interesse coletivo,conforme definidos em lei.
Assim sendo, a exceção constitucional supracitada não prevê relevante interesse econômico, mas sim relevante
interesse coletivo, isto é, aquele que integra o interesse público primário, ou seja interesse precípuo da sociedade
no tocante ao bem estar social. Portanto, relevante interesse econômico, por constituir o interesse público
secundário do Estado, isto é, interesses financeiros do Poder Público no tocante ao aumento da arrecadação, não se
inclui na exceção mencionada.
Consórcios Públicos: visam à realização de objetivos de interesse comum da U, E, DF e M,
promovendo uma gestão associada, com fundamento no art. 241 da CF. “Art. 241 - A União,
os Estados, o Distrito Federal e os Municípios disciplinarão por meio de lei os consórcios
públicos e os convênios de cooperação entre os entes federados, autorizando a gestão
associada de serviços públicos, bem como a transferência total ou parcial de encargos,
serviços, pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos”. A Lei
11.107/07 passou a regulamentar as normas gerais de contratação de consórcios públicos.
Trata-se de negócio jurídico plurilateral de dto público com conteúdo de cooperação mútua
entre os pactuantes (CARVALHO FILHO).
► OBSERVAÇÃO:
- São requisitos formais prévios para a formação do consórcio: i) prévia inscrição de protocolo de intenções; ii)
após firmar o protocolo, este deve ser objeto de ratificação por lei.
- O art. 6º, da Lei 11.107/05 foi alterado pela Lei 13.822/19, para dispor que “O consórcio público, com
personalidade jurídica de direito público ou privado, observará as normas de direito público no que
concerne à realização de licitação, à celebração de contratos, à prestação de contas e à admissão de pessoal,
que será regido pela CLT, aprovada pelo Decreto-Lei 5.452, de 1943”. Isso gera discussões, eis que uma
pessoa jurídica de dto público poderá contratar por CLT.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2016 Banca: MPE-SC Órgão: MPE-SC Prova: MPE-SC - 2016 - MPE-SC - Promotor de Justiça -
Matutina) O consórcio público adquirirá personalidade de direito público ou de direito privado. No caso de se
revestir de personalidade jurídica de direito privado, ele observará as normas de direito público no que concerne à
realização de licitação, celebração de contratos, prestação de contas e admissão de pessoal, que será regido pela
Consolidação das Leis do Trabalho.
( ) Certo
( ) Errado
R: C. Apesar de a Lei 13.822/19 ter alterado o art. 6º da Lei 11.107/05, a assertiva continua correta.
* OBS.: Atualmente, independentemente de o consórcio público ter personalidade jurídica de direito público
ou de direito privado, o regime de pessoal será celetista.

4. Agentes públicos: Espécies e classificação.

Agentes públicos. A expressão agente público é bastante ampla, para determinar, de forma
específica, os sujeitos que exercem funções públicas. Assim, qualquer pessoa que age em
nome do Estado é agente público, independentemente de vínculo jurídico, ainda que atue
sem remuneração e transitoriamente.
► OBSERVAÇÃO:
- Na definição da Lei nº 8.429/92 (Lei de Improbidade): “Art. 2º Reputa-se agente público, para os efeitos desta
lei, todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação,
contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades
mencionadas no artigo anterior”.
- Os agentes públicos, considerados amplamente, podem figurar como autoridade coatora, para prestação
de informações em MS, somente não sendo admitida, nos moldes da lei 12.016/09, em seu art. 1º, §1°, a
impetração do mandamus contra atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas
públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público.
Logo, o conceito de agente público comporta uma visão de gênero, do qual a noção de
servidor público será uma das espécies.

► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2014 Banca: VUNESP Órgão: TJ-PA Prova: VUNESP - 2014 - TJ-PA - Juiz de Direito Substituto)
Mesário convocado para as eleições gerais de 2014 pode ser classificado como
A - empregado público.
B - agente público.
C - particular em colaboração com a Administração Pública.
D - agente político.
E - servidor público lato sensu
R: C. São as pessoas físicas que prestam serviços ao Estado, em vista de sua qualidade de cidadãos, mas sem
estabelecer vínculo empregatício, podendo receber ou não uma remuneração. Os mesários, a exemplo dos
jurados, podem também ser chamados de agentes honoríficos, segundo denominação proposta por outros
doutrinadores.
Sobre a ‘B’: Trata-se de questão bastante capciosa, sendo necessário um certo esforço interpretativo para não se
concluir que deveria ter sido anulada. Vejamos com atenção:
Em primeiro lugar, há que se fixar uma premissa básica de raciocínio, sem a qual, aí sim, seria inevitável se
concluir pela existência de duas alternativas corretas. Ei-la: a Banca estabeleceu, no enunciado, que deveria ser
assinalada a classificação correspondente aos mesários. Isto é importante de ser ressaltado porque toda e qualquer
pessoa que, de algum modo, realize algum trabalho em favor do Estado se enquadra no conceito amplo de agente
público. No ponto, confira-se a definição proposta por Maria Sylvia Di Pietro: “Agente público é toda pessoa física
que presta serviços ao Estado e às pessoas jurídicas da Administração Indireta”. (Direito Administrativo, 26ª
edição, 2013, p. 585). Nada obstante, classificar pressupõe separar, agrupar, formar conjuntos de pessoas,
coisas ou situações que apresentem entre si características semelhantes, que as aproximem e que, por
conseguinte, as diferenciem das outras, em tese, similares.
Assim sendo, se todas as pessoas que, de qualquer maneira, prestem serviços ao Estado devem ser
consideradas agentes públicos, é de se concluir que, até aí, não há qualquer classificação.
É isto o que torna a alternativa “b” (agentes públicos) errada. Afinal, não se trata de uma classe, de uma
classificação, e sim do todo.
I) Agentes políticos: é uma categoria que contempla aqueles que atuam no exercício da
função política do Estado, em cargos estruturais e inerentes à organização política do país e
exercem a vontade superior do Estado. Na essência, estamos falando, em primeiro lugar, de
detentores de mandato eletivo (chefes do Poder Executivo, membros do Poder Legislativo) e
os ocupantes dos cargos de Ministros de Estado ou secretários estaduais ou municipais. Os
direitos e deveres destes agentes decorrem de leis específicas que estabelecem o seu vínculo
com o poder público e, muitas vezes, estas regras estão definidas na própria CF. Dessa forma,
são servidores estatutários, eis que não possuem vínculo contratual com o Estado.
► OBSERVAÇÃO:
- Há forte corrente doutrinária e jurisprudencial que considera agentes políticos os integrantes das magistraturas,
tanto a judicial, quanto a do Ministério Público, por exercerem funções essenciais do Estado e praticarem atos
inerentes à soberania. Não obstante se trate de matéria controversa, para fins de concursos públicos, o STF já
se manifestou no sentido de considerá-los agentes políticos (RE 228977, Rel. Min. Néri da Silveira, Segunda
Turma. Julg. 05/03/2002).
*OBS.: Segundo CABM, dentre outros, os membros do Poder Judiciário e do MP não estariam inseridos dentro
dessa classificação, justamente por faltar o elemento político no desempenho de suas funções, que são
essencialmente técnicas. Se posiciona HLM no sentido de que os primeiros escalões dos Poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário devem ser considerados como agentes políticos, bem como os membros do MP, Tribunais
de Contas e representantes diplomáticos, devendo os integrantes de carreiras da Advocacia-Geral da União,
Procuradorias dos Estados e Municípios e Defensoria Pública serem considerados como servidores públicos e não
como agentes políticos.
II) Servidores Públicos: Podem ser II.A) servidores temporários, na forma prevista no art.
37, IX, da CF/88, os quais podem ser contratados, sem concurso, por tempo determinado
para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público. Destinam-se,
então, a suprir uma demanda específica, não permanente, dada a impossibilidade de
contratação de servidores efetivos permanentes. A contratação de servidores temporários
dependerá de lei que estabeleça os critérios para sua contratação, os limites do contrato e
as hipóteses que atendam aos requisitos constitucionais. Exercem função, sem estarem
vinculados a cargo ou emprego público. São admitidos por meio de procedimento seletivo
(não é Concurso Público).
► ATENÇÃO:
- Os servidores temporários não são contratados na forma da CLT, mas, sim, em regime administrativo
próprio: Hoje é indiscutível que as ações decorrentes de controvérsias dos servidores que possuem vínculo
temporário são de competência da justiça comum, não tendo atribuição a justiça trabalhista para analisar estas
contendas (ADIN 3395-6).
Em contraposição ao conceito de servidores temporários, tem-se o grupo de II.B) servidores
efetivos, que exercem, em caráter permanente, a condição de servidores públicos, em relação
aos quais pode haver divergência de regime, que podem ser estatutário ou celetista.
► ATENÇÃO:
- No sistema original da CF/88, o vínculo dos servidores com o Estado (em todos os níveis federativos) era
previsto como estatutário, em um regime jurídico único, mas a EC 19/98 retirou tal obrigatoriedade, permitindo a
contratação de servidores públicos submetidos às regras da CLT, que passam a ser chamados de empregados
públicos, pois submetidos ao regime celetista, com as limitações naturais do fato de exercerem serviço público. A
disposição introduzida pela EC 19/1998, entretanto, foi objeto de ADIN 2135, impugnando vício na sua
tramitação, o que deu origem a uma medida cautelar, retornando, até decisão final, a redação original do
Texto Constitucional. Por sua vez, todos os servidores que ingressaram no serviço público antes da decisão
liminar proferida na ADI 2135, sob o regime de empregos públicos, mantêm o seu vínculo inalterado, haja vista a
irretroatividade da decisão proferida. Por óbvio, o STF poderá determinar, na decisão final, a conversão do regime.
Na situação atual, no âmbito federal, a contratação de servidores públicos pelo regime celetista fica restrita aos
entes de direito privado (empresas públicas, sociedade de economia mista e fundações públicas), já que suas
relações são disciplinadas pelo dto privado, mas, novamente, com temperamento advindos do caráter público, o
que obriga a realização de concurso público para ingresso no quadro de pessoal.
III) Particulares em colaboração com o poder público: aqueles que, sem perderem a
qualidade de particulares, mesmo em caráter temporário ou ocasional, independentemente do
vínculo jurídico estabelecido, exercem função pública. JSCF cita os titulares de cartório não
oficializados e os concessionários e permissionários de serviço público. Classificam-se em:
III.a) por delegação do Poder Público; III.b) por requisição, nomeação ou designação:
também chamados agentes honoríficos são os jurados, conscritos e mesários da justiça
eleitoral, os quais não necessitam possuir vínculo com o Estado e exercem tais funções sem
remuneração (o conscrito é exceção no tocante à remuneração); ou III.c) gestores de
negócios (pessoas que assumem, de forma espontânea o desempenho de funções públicas em
situações de emergência como terremotos, inundações, epidemia etc.).
IV) Militares: são agentes públicos. Não se enquadram na categoria de agentes políticos. O
regime jurídico dos militares é regido sob os pilares da hierarquia e da disciplina, mas a
CF/88 consagra aos militares os direitos ao 13º salário; salário família; férias anuais
remuneradas, acrescida de 1/3; licença gestante; licença paternidade; além de outros previstos
em legislação específica.
Quadro sinótico: Agentes públicos
Agentes políticos -
• Servidores estatutários
Servidores públicos • Empregados públicos
• Servidores temporários
Militares -
• Por delegação
Particulares em colaboração com o Poder Público • Por requisição
• Gestores de negócios
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2018 Banca: NUCEPE Órgão: PC-PI Prova: NUCEPE - 2018 - PC-PI - Delegado de Polícia Civil) A
administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Aponte a
alternativa INCORRETA.
A - A lei estabelecerá os casos de contratação por tempo indeterminado para atender a necessidade temporária de
excepcional interesse público.
B - As funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em
comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em
lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento.
C - É garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical.
D - O direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica.
E - A lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas com deficiência e definirá os
critérios de sua admissão.
R: A. Incorreta. A lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender à
necessidade temporária de excepcional interesse público (art. 37, IX, CF/88). *OBS.: A contratação
temporária constitui exceção à regra do concurso público. Logo, admite-se a realização, pela administração
pública, de processo seletivo simplificado para contratar profissionais por tempo determinado para atender à
necessidade temporária de excepcional interesse público. Um exemplo real foi a contratação, pela Prefeitura de
Santos, no litoral de São Paulo, de médicos interessados em atuar no enfrentamento ao novo coronavírus.
Sobre a ‘E’: a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de
deficiência e definirá os critérios de sua admissão (art. 37, VIII, CF/88). *OBS.: não é a Constituição, mas a
lei.

- Questão mal elaborada, porém boa para fixar conteúdo. Passível de anulação. (Ano: 2019 Banca: Instituto
Acesso Órgão: PC-ES Prova: Instituto Acesso - 2019 - PC-ES - Delegado de Polícia) Com relação aos agentes
públicos em geral e seu regime jurídico, leia as afirmativas a seguir.
I - Senadores da República não são agentes públicos, mas caracterizam-se como agentes políticos.
II - Agentes públicos podem estar submetidos ao regime jurídico estatutário ou ao regime jurídico celetista.
III - A atuação como jurado é caracterizada pela ação do particular que colabora com o poder público.
IV - O servidor público só pode ser demitido após a instauração de processo administrativo disciplinar,
diferentemente do empregado público, para o qual não se aplica a regra celetista de demissão sem justa causa.
V - Empregado público, por definição, é todo agente público que trabalha em uma Empresa Estatal.
Estão corretas apenas as afirmativas:
A - II, IV e V.
B - III, IV e V.
C - I, II e III.
D - I, III, V.
E - II, III e IV.
R: E.
Sobre a ‘I’: errada. Senadores são considerados agentes públicos, na categoria de agentes políticos.
Sobre a ‘IV’: Essa questão foi muito mal elaborada, de cara eu não considerei a IV como correta o que
acabou por me fazer errar a questão. Primeiro, o agente público sob o regime estatutário pode ser demitido
por PAD, sentença judicial transitada em julgado, ou por avaliação de desempenho. Segundo, a redação dá
a entender que empregados públicos não podem ser demitidos sem justa causa (regra da CLT que não exige
a presença de falta grava por parte do empregado) o que não condiz com o entendimento do STF, que
atualmente exige motivação por parte da entidade (em respeito ao princípio da impessoalidade) mas não
exige que esteja presente a justa causa a que se referencia a CLT.
Sobre a ‘V’: errada. Empregado público é o agente que exerce função pública sob o regime da CLT.

- (Ano: 2011 Banca: MPE-MS Órgão: MPE-MS Prova: MPE-MS - 2011 - MPE-MS - Promotor de Justiça)


No tocante às disposições constitucionais e legais pertinentes à Administração Pública, assinale a
alternativa correta:
A - os vencimentos dos cargos do Poder Executivo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos
pelo Poder Legislativo;
B - é admitida a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de
pessoal do serviço público;
C - lei complementar reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de
deficiência e definirá os critérios de sua admissão;
D - consoante previsão inserida na Súmula Vinculante nº 13, não viola a Constituição Federal a nomeação do tio
paterno do Presidente da República para o exercício de cargo em comissão no Poder Executivo Federal;
E - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição,
precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei.
R: E. O inciso XVIII da CF/88 enaltece a importância da Administração Fazendária, e dos seus servidores fiscais,
para a Administração, o Estado e a sociedade em geral. Tal norma não é auto-aplicável, dependendo do
Legislador ordinário para a consecução de seus efeitos na realidade prática. Entretanto, tal precedência
administrativa pode ser compreendida como: a prioridade na destinação de recursos orçamentários, para o
aprimoramento da gestão Fazendária e de seus servidores; tramitação preferencial dos feitos fiscais; a
garantia da independência dos servidores na fiscalização das atividades desenvolvida pelos contribuintes;
independência no exercício de atos de sua competência; compartilhamento de cadastros e de informações
fiscais entre as Fazendas Tributárias, na forma da lei etc.
Sobre a ‘A’: Art. 37. XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão
ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo.
Sobre a ‘D’: errada. A nomeação de tio do PR, a um cargo em comissão, por ser parente em terceiro grau,
afronta a SV 13. * OBS.: Cuidado! Dois pontos a serem considerados em relação à SV 13: 1) Ela faz referência
expressa aos colaterais de terceiro grau, proibindo a nomeação do tio, mas, em tese, permitindo a nomeação
de primos; 2) Segundo entendimento do próprio STF, está ressalvado da proibição a nomeação de agentes
políticos do Poder Executivo, como Ministros, Secretários Estaduais, Municipais e Distritais.

poderes, deveres e prerrogativas;

Intróito. Os direitos e deveres do servidor público estatutário constam do Estatuto do


Servidor de cada ente federativo.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2012 Banca: MPE-SP Órgão: MPE-SP Prova: MPE-SP - 2012 - MPE-SP - Promotor de Justiça) É
vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários,
observado, em qualquer caso, o teto remuneratório do funcionalismo público, nas hipóteses de acumulação de dois
cargos de
A - professor; a de um cargo de professor com outro, técnico ou científico, e a de dois cargos ou empregos
privativos de médicos.
B - professor; a de um cargo de professor com outro, técnico ou científico; a de dois cargos ou empregos privativos
de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas.
C - professor; a de um cargo de professor com outro, cargo ou emprego privativo de profissionais de saúde, com
profissões regulamentadas; e a de dois cargos ou empregos privativos de médicos.
D - professor do ensino médio ou fundamental; a de um cargo de professor com outro, técnico ou científico; e a de
dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas.
E - professor; a de dois cargos de professor com outro, técnico ou científico; e a de dois cargos ou empregos
privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas.
R: B. A regra no Brasil é a proibição de acumulação de cargos, empregos e funções públicas, só sendo permitidas
nos casos expressamente permitidos pela CF. Essa proibição deverá ser respeitada por todos os entes da Adm
Pública Direta e Indireta, nos termos do art. 37, XVI e XVII, da CF. Apenas de forma excepcional é possível a
acumulação de cargos públicos, desde que preenchidos os requisitos, restringindo de qualquer modo ao limete
máximo de dois cargos, empregos ou funções públicas. Dispõe o art. 37, inc. XVI, da CF: “XVI - é vedada a
acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado
em qualquer caso o disposto no inciso XI: a) a de dois cargos de professor; b) a de um cargo de professor
com outro técnico ou científico; c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com
profissões regulamentadas;”.u
* OBS.: Além das três hipóteses mencionadas no art. 37, inc. XVI, da CF, que permite a acumulação remunerada
de cargos, há outras três hipóteses constitucionalmente admissíveis: a) a de um cargo de vereador com outro cargo,
emprego ou função pública (art. 38, inc. III); b) a de uma de magistrado com outro no magistério(art. 95, §único,
inc. I); e c) a de um cargo de membro do MP com outro no magistério (art. 128, § 5º, inc. II, d).
* OBS.: O art. 118, da Lei nº 8.112/90, embora seja um lei aplicável no âmbito da União, estende a proibição
de acumular cargos e empregos públicos às entidades da administração indireta dos Estados, DF e
Territórios e Municípios. Art. 118.  Ressalvados os casos previstos na Constituição, é vedada a acumulação
remunerada de cargos públicos. § 1º  A proibição de acumular estende-se a cargos, empregos e funções em
autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista da União, do Distrito Federal,
dos Estados, dos Territórios e dos Municípios. § 2º  A acumulação de cargos, ainda que lícita, fica condicionada
à comprovação da compatibilidade de horários.

- (Ano: 2019 Banca: MPE-PR Órgão: MPE-PR Prova: MPE-PR - 2019 - MPE-PR - Promotor Substituto)


Assinale a alternativa correta:
A - Lei municipal pode vedar a realização de teste seletivo para recrutamento de estagiários pelos órgãos e
entidades da administração pública direta e indireta.
B - É constitucional a remarcação do teste de aptidão física de candidata que esteja grávida à época de sua
realização, desde que haja previsão expressa no edital do concurso público.
C - A nomeação tardia de candidatos aprovados em concurso público, por meio de ato judicial, à qual atribuída
eficácia retroativa, gera direito às promoções ou progressões funcionais que alcançariam houvesse ocorrido, a
tempo e modo, a nomeação.
D - O ato de exoneração do servidor é meramente declaratório, podendo ocorrer após o prazo de 3 anos fixados
para o estágio probatório, desde que as avaliações de desempenho sejam efetuadas dentro do prazo constitucional.
E - O valor do salário-mínimo pode ser utilizado para composição da base de cálculo do adicional de insalubridade
dos servidores públicos.
R: D. Conforme o STF, a jurisprudência do STF firmou-se no sentido de que o ato de exoneração do
servidor é meramente declaratório, podendo ocorrer após o prazo de três anos fixados para o estágio
probatório, desde que as avaliações de desempenho sejam efetuadas dentro do prazo constitucional (RE
805.491 AgR, rel. min. Dias Toffoli, j. 23-2-2016, 2ª T, DJE de 29-4-2016). Vejamos:
(...) A autora foi nomeada em 09 de junho de 2003. As avaliações abrangem os períodos de 09.06.2003 a 31.01.2004 (1ª avaliação – fls. 59/60), 01.02.2004 a
31.08.2004 (2ª avaliação – fls. 72/73), 01.09.2004 a 31.05.2005 (3ª avaliação – fls. 77/78), 01.04.2005 a 31.03.2006 (4ª avaliação – fls. 88/89). Ou seja, todas
as avaliações foram realizadas com observância do prazo de três anos previsto no art. 41 da Constituição Federal. Nada obsta, portanto, que eventual
exoneração seja determinada após o decurso do prazo trienal, já que as avaliações foram efetuadas, repita-se, no prazo previsto na Carta Magna. (...) Ademais,
o fato de o ato de exoneração ter sido publicado após os três anos de estágio probatório não obsta a reprovação do servidor, assim como sua posterior
exoneração. Essa Suprema Corte tem se posicionado no sentido de que o ato de exoneração, nesses casos, tem natureza meramente declaratória.
Sobre a ‘C’: Na hipótese de posse em cargo público determinada por decisão judicial, o servidor não faz jus à
indenização, sob fundamento de que deveria ter sido investido em momento anterior, salvo situação de
arbitrariedade flagrante. O STF já decidiu que a “nomeação tardia de candidatos aprovados em concurso
público, por meio de ato judicial, à qual atribuída eficácia retroativa, não gera direito às promoções ou
progressões funcionais que alcançariam houvesse ocorrido, a tempo e modo, a nomeação.” (RE 629392, Rel.
Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, Repercussão Geral, 01/02/2018).
Sobre a ‘E’: Segundo Súmula Vinculante 4: Salvo nos casos previstos na Constituição, o salário mínimo não pode
ser usado como indexador de base de cálculo de vantagem de servidor público ou de empregado, nem ser
substituído por decisão judicial.

- (Ano: 2017 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-RR Prova: CESPE - 2017 - MPE-RR - Promotor


de Justiça Substituto) De acordo com o entendimento do STF, no que se refere à inscrição de candidatos que
possuam tatuagens gravadas na pele, não havendo lei que disponha sobre o tema, os editais de concursos públicos
A - estão impedidos de restringi-la, com exceção dos casos em que essas tatuagens violem valores constitucionais.
B - devem restringi-la com base na relação objetiva e direta entre tatuagem e conduta atentatória à moral e aos
bons costumes.
C - estão impedidos de restringi-la, para garantir o pleno e livre exercício da função pública.
D - devem restringi-la, quando se tratar de cargo efetivo da polícia militar.
R: A.

- (Ano: 2014 Banca: MPE-MG Órgão: MPE-MG Prova: MPE-MG - 2014 - MPE-MG - Promotor de


Justiça) Assinale a alternativa CORRETA:
Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de mandato eletivo, aplicam-se
as seguintes disposições, a saber:
A - Em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço será
contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento.
B - Investido no mandato de Vereador, não havendo compatibilidade, perceberá as vantagens de seu cargo,
emprego ou função, sem prejuizo da remuneração do cargo eletivo.
C - Investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe obrigado optar pela
sua remuneração.
D - Tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, facultar-se-á ao servidor o afastamento de seu
cargo, emprego ou função.
R: A.

- (Ano: 2012 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-TO Prova: CESPE - 2012 - MPE-TO - Promotor


de Justiça) No que se refere a atos e contratos administrativos, a agentes e servidores públicos e à administração
pública, assinale a opção correta.
A - O regime jurídico dos contratos previsto na Lei n.º 8.666/1993 confere à administração pública prerrogativas
que incluem a exigência do cumprimento do contrato, sem alteração das condições inicialmente pactuadas,
independentemente da ocorrência de álea econômica ou administrativa.
B - Durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação para assumir cargo ou emprego público, o
candidato aprovado no concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre
novos concursados.
C - Se o motivo for um aspecto discricionário de determinado ato administrativo expressamente indicado pela
administração pública, não haverá hipótese de controle de tal ato pelo Poder Judiciário.
D - Se, devido ao seu crescimento e desenvolvimento econômico e industrial, determinado município demandar a
criação de uma superintendência regional do trabalho e emprego, tal fenômeno de criação será corretamente
classificado como uma forma de descentralização.
E - As condições para que os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso
público adquiram estabilidade incluem dois anos de efetivo exercício e aprovação em avaliação especial de
desempenho por comissão constituída para essa finalidade.
R: B. CF/88, art. 37, IV - Durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado
em concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos
concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira;
Lei 8112/90 - Art. 12, § 2º  Não se abrirá novo concurso enquanto houver candidato aprovado em concurso
anterior com prazo de validade não expirado.
Sobre a ‘C’: O mérito do ato administrativo somente reside em atos discricionários. O Poder Judiciário não poderá
controlar o mérito do ato administrativo, o controle de mérito é sempre um controle de conveniência e
oportunidade do ato administrativo. O controle de mérito resultará sempre na revogação ou não do ato
administrativo, nunca na sua anulação. O Poder Judiciário não pode revogar ato adminsitrativo, somente
anulá-lo quando houver ILEGALIDADE OU ILEGITIMIDADE. Poderá o ato administrativo
discricionário ser controlado pelo Poder Judiciário quanto à legalidade ou legitimidade. O Poder Judiciário
poderá controlar, mediante provocação, a legalidade ou legitimidade de um ato administrativo
discricionário, quanto a qualquer elemento desse ato. Nesse sentido diversas decisões do STJ: “(...) 2. Diante
de manifesta ilegalidade, não há falar em invasão do Poder Judiciário na esfera Administrativa, pois é de
sua alçada o controle de qualquer ato abusivo, não se podendo admitir a permanência de comprotamentos
adminsitrativos ilegais sob o pretexto de estarem acobertados pela discricionariedade administrativa.”
(AgRg no REsp 1087443/SC, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, 5ª Turma, 04/06/2013). FONTE: Livro de
Questão da Juspodivm.
Sobre a ‘E’: Ao estágio probatório por 3 anos de efetivo exercício, nos termos do art. 41, caput, da CF. O art. 41, §
1º, da CF, dispõe como ‘convalidação para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial de
desempenho por comissão instituída para essa finalidade’.

Deveres dos servidores públicos. Encontram-se normalmente previstos nas leis


estatutárias, abrangendo, dentre outros, os de assiduidade, pontualidade, discrição,
urbanidade, obediência, lealdade.
Estatuto da Polícia Civil do Paraná. Art. 210. São deveres do servidor policial civil: I -
assiduidade e pontualidade; II - discreção;
► OBSERVAÇÃO:
- Como o substantivo da qual ela deriva é "discreto", muitas pessoas usam a palavra "discreção". No entanto, essa
palavra não existe.
III - urbanidade; IV - lealdade às instituições; V - cumprimento das normas legais e
regulamentares; VI - obediência às ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;
VII - portar a insígnia e a cédula de identidade funcionais; VIII - providenciar para que esteja
sempre em ordem, no assentamento individual, a sua declaração de família e a declaração de
bens, junto ao setor competente, atualizadas anualmente; IX - levar ao conhecimento da
autoridade policial superior, reservadamente, quando necessário, mas sempre por escrito,
irregularidade de que tiver ciência em razão do cargo ou função; X - zelar pela economia e
conservação do material que lhe for confiado ou sobre o qual exerça diretamente fiscalização;
XI - não utilizar para fins particulares, sob qualquer pretexto, instalações, veículos, material
ou equipamento destinado a uso oficial; XII - atender prontamente: a) as requisições das
autoridades judiciárias e do Ministério Público; b) as determinações superiores, no tocante a
trabalhos policiais desenvolvidos em horário fora do normal, e c) a expedição das certidões
requeridas para defesa de direitos; XIII - observar o princípio da hierarquia funcional; XIV -
estar em dia com as normas de interesse policial; XV - divulgar para conhecimento dos
subordinados, as normas referentes ao inciso anterior; XVI - frequentar, com assiduidade,
cursos instituídos periodicamente pela Escola de Polícia Civil, quando esteja matriculado;
XVII - guardar sigilo sobre documentação ou investigação de qualquer natureza, que possa
mediata ou imediatamente, causar prejuízos à administração da justiça, às pessoas, entidades
ou proporcionar embaraços à administração em geral; XVIII - zelar pelo bom nome e
conceito da Instituição Policial Civil, observando procedimento irrepreensível, tanto na vida
pública, como na particular, e correlação nos seus deveres com a sociedade; XIX - manter-se
preparado física e intelectualmente para o cabal desempenho de sua função; XX - concorrer,
na esfera de suas atribuições para a manutenção da ordem e segurança pública; XXI -
comparecer à unidade ou serviço policial, independentemente de convocação, quando tiver
conhecimento de iminente perturbação da ordem, ou em caso de calamidade pública; XXII -
apresentar-se decentemente trajado em serviço, e expressar-se com linguajar condigno à
função e cargo desempenhados; XXIII - submeter-se à inspeção médica sempre que for
determinado pela autoridade competente; XXIV - tomar providências preliminares em torno
de ocorrência policial de que tenha conhecimento, independentemente de horário de serviço;
XXV - aceitar encargos inerentes à classe para os quais for designado, salvo os cargos de
confiança ou as exceções previstas em Lei; XXVI - participar das comemorações do "Dia da
Polícia", exaltando o vulto de Joaquim José da Silva Xavier, o "Tiradentes", Patrono da
Polícia; e XXVII - residir na sede do município onde exerce o cargo ou função, ou onde
autorizado.
► OBSERVAÇÃO:
- Art. 116 da Lei 8.112/90: são deveres do servidor público: exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;
ser leal às instituições a que servir; observar as normas legais e regulamentares; cumprir as ordens superiores,
exceto quando manifestamente ilegais; atender com presteza ao público em geral, à expedição de certidões; às
requisições para a defesa da Fazenda Pública; levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de
que tiver ciência em razão do cargo; zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público;
guardar sigilo sobre assunto da repartição; manter conduta compatível com a moralidade dentre outros. O art. 117,
por sua vez, traz um extenso rol de proibições. A transgressão de ambos os dispositivos dá ensejo à
responsabilidade administrativa.
Art. 211. É vedado ao servidor policial civil: I - quebrar o sigilo de assunto policial e de
segurança, de modo a prejudicar o andamento de investigações ou outros trabalhos policiais
ou de segurança; II - retirar, modificar ou substituir, sem prévia autorização da autoridade
competente, qualquer documento de unidade policial, com o fim de criar direitos ou
obrigações ou de alterar a verdade dos fatos; III - valer-se de sua qualidade de servidor
policial civil, para melhor desempenhar atividades estranhas ou incompatíveis às funções, ou
para lograr proveito direta ou indiretamente, por si ou por interposta pessoa, em detrimento da
dignidade do cargo ou função; IV - exigir, receber propinas, comissões, presentes ou
vantagens de qualquer espécie, em razão do cargo ou função; V - cometer a pessoa estranha
ao serviço policial civil, o desempenho de encargos que lhe competirem ou a seus
subordinados; VI - expedir credenciais para terceiros desempenharem funções privativas da
Polícia Civil; VII - coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se à associação
profissional ou sindical, ou a partido político; VIII - manter sob sua chefia imediata, em cargo
ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau; IX - colaborar,
trabalhar ou participar, direta ou indiretamente de entidades associativas, empresas ou
atividades de entretenimento e em locais que proporcionem jogos a qualquer título, salvo os
que estejam compreendidos no âmbito do esporte e, nesse sentido, oficialmente reconhecidas.

Estágio probatório. Período de três anos de efetivo exercício no cargo, a contar da data do
início deste, durante o qual são apurados os requisitos necessários à confirmação ou não do
servidor policial no cargo efetivo para o qual foi nomeado. Os requisitos são (art. 37): i)
aprovação em curso de formação técnico-profissional específico ministrado pela Escola
Superior de Polícia Civil; ii) idoneidade moral; iii) assiduidade; iv) disciplina; v) eficiência
e produtividade; e vi) dedicação às atividades policiais.
► OBSERVAÇÃO:
- Quando o servidor policial civil em estágio probatório não preencher quaisquer dos requisitos, caberá à
autoridade avaliadora, sob pena de responsabilidade funcional, provocar, perante o corregedor de assuntos
internos, a instauração de sindicância para sua confirmação ou não no cargo.

QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2011 Banca: MPE-PB Órgão: MPE-PB Prova: MPE-PB - 2011 - MPE-PB - Promotor de Justiça)
Julgue as seguintes assertivas: I - Exige-se a aprovação prévia em concurso público para a investidura em
empregos públicos, mesmo quando se trata de pessoas jurídicas de direito privado da Administração Pública
Indireta com atividade econômica. II - A contratação de servidor, por prazo determinado, para atender a
necessidade temporária de excepcional interesse público, não depende de aprovação em concurso público, mas
deve estar baseada em lei que atribua ao Chefe do Poder Executivo a competência de estabelecer os casos em que
tal contratação será possível. III - O estágio probatório, a que é submetido o servidor público efetivo, tem a
duração de três anos, contando-se, para o efeito, o tempo de efetivo exercício, devendo coincidir, portanto, com o
prazo para a aquisição da estabilidade, fixado expressamente pela Constituição.
A - I, II e III estão corretas.
B - Apenas I e II estão corretas.
C - Apenas I e III estão erradas.
D - Apenas II está errada.
E - (Abstenção de resposta - Seção VIII, item 11, do Edital do Concurso).
R: D.
Sobre a ‘II’: errada. O art. 37, inc. IX, da CF, prevê que é a lei quem estabelecerá os casos de contratação por
tempo determinado para que seja atendida a necessidade temporária e excepcional interesse público. Não será o
Chefe do Poder Executivo que terá a competência de estabelecer os casos em que tal contratação será
possível, estas deverão estar previamente fixadas em lei. No âmbito federal, a Lei nº 8.745/93 disciplina a
contratação temporária no âmbito dos órgãos da administração federal direta, bem como de suas autarquias e
fundações públicas, portanto lei esta aplicável somente na esfera federal. Ou seja, não está correto sustentar que
a lei deve atribuir à Chefia do Executivo a competência para estabelecer os casos de contratação
temporária, como equivocadamente aduzido na assertiva ora comentada. A rigor, a própria lei de regência
de cada unidade federativa é que deve elencar quais serão tais hipóteses, conforme preconiza o inciso IX do
art. 37 da CRFB/88. No ponto, confira-se: "IX -  a lei estabelecerá os casos  de contratação por tempo
determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público."

Estabilidade. É a situação adquirida pelo servidor policial civil, após o transcurso do período
de estágio probatório, que lhe garante a permanência no cargo, dele só podendo ser demitido
em virtude de sentença judicial ou decisão em processo disciplinar, em que se lhe tenha
assegurado ampla defesa. A estabilidade diz respeito ao serviço público e não ao cargo ou
função.
Art. 126 - O servidor policial civil somente perderá o cargo: I - quando estável, em virtude de
sentença judiciária ou processo disciplinar que haja concluído pela sua demissão depois de lhe
haver sido assegurada ampla defesa; II - em estágio probatório, quando nele não confirmado,
em decorrência do procedimento administrativo; e III - mediante procedimento de avaliação
periódica de desempenho, na forma da lei complementar federal, assegurada ampla defesa.
► OBSERVAÇÃO:
- Art. 126, § 4º - Será eliminado do curso de formação e exonerado do cargo, o servidor policial civil que
esteja em estágio probatório que for reprovado em qualquer disciplina constante da grade curricular, ou
não registrar frequência mínima de 90% (noventa por cento) às atividades escolares. (Incluído pela Lei
Complementar 89 de 25/07/2001)
§ 5º. Também será eliminado do curso e exonerado do cargo, o servidor policial civil que esteja em estágio
probatório e que não atingir percentual igual a 90% (noventa por cento) dos trabalhos relativos às aulas e
atividades escolares, em cursos de treinamento, aperfeiçoamento e especialização ministrados pela Escola Superior
de Polícia Civil, para os quais tenham sido matriculados compulsoriamente. (Incluído pela Lei Complementar 89
de 25/07/2001)
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2013 Banca: MPE-SP Órgão: MPE-SP Prova: MPE-SP - 2013 - MPE-SP - Promotor de Justiça
Substituto) Em quais das formas de provimento (originário ou derivado) de cargo, emprego ou função públicos o
agente público investido não terá estabilidade constitucional ou vitaliciedade?
A - Por eleição e nomeação para cargo em comissão.
B - Por reversão ou readaptação.
C - Por promoção ou remoção.
D - Por recondução ou aproveitamento.
E - Por nomeação em caráter efetivo ou reintegração.
R: A. A estabilização alcança todos os servidores que exercem suas funções com caráter de permanência, não
podendo a estabilização estender-se às hipóteses não prevista na CF/88 (art. 19, § 2º, ADCT da CF). Os servidores
que desempenham cargo, emprego ou funções de confiança ou outras funções e cargos que a lei considerasse como
de livre exoneração são excluídas da garantia da estabilização. A mesma situação enquadra-se os agentes públicos
investidos por eleição. A estabilidade será adquirida ao servidor habilitado em concurso público e empossado em
cargo de provimento efetivo (art. 21 da Lei 8.112.90).

- (Ano: 2014 Banca: MPE-MG Órgão: MPE-MG Prova: MPE-MG - 2014 - MPE-MG - Promotor de


Justiça) No que diz respeito à aquisição de estabilidade e a perda do cargo pelo servidor público, avalie o seguinte:
I. O procedimento de avaliação periódica de desempenho é indispensável, na forma de lei complementar, sendo
desnecessária, por isso mesmo, a ampla defesa.
II. A perda do cargo dar-se-á em virtude de sentença judicial, ainda que facultado o aviamento de recursos especial
e/ou extraordinário.
III. Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da
vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto
em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço.
IV. Como condição para a obtenção da estabilidade pelo servidor, é obrigatória a avaliação especial de
desempenho por comissão instituída para essa finalidade.
É CORRETO o que se afirma em:
A - I e III
B - II e III
C - II
D - III e IV
R: D.
Sobre a ‘II’: errado. A perda do cargo somente se dará caso a sentença judicial estiver transitada em julgado
(art. 41, § 1º, inc. I da CF).
Sobre a ‘IV’: correto. O art. 41, § 4º, da CF estabelece que: “Como condição para a aquisição da estabilidade é
obrigatória a avaliação especial de desempenho por comissão constituída para essa finalidade”.
* OBS.: Atenção para não confundir: I) Avaliação periódica de desempenho: pode gerar a perda do cargo e
precisa de lei complementar; e II) Avaliação especial de desempenho: obrigatório para aquisição de estabilidade
e precisa de comissão instituída para essa finalidade.

Direitos e prerrogativas. São direitos e prerrogativas dos servidores policiais civis, entre
outros: I - exercício de função correspondente à classe a que pertence; II - designação para
missões compatíveis com a hierarquia; III - assistência médico-hospitalar, de doença e
judiciária pelo Estado, quando ferido ou acidentado em objeto de serviço ou submetido a
processo, em razão do exercício do cargo ou função; IV - assistência médica ao servidor e à
sua família pelo órgão previdenciário do Estado; V - acesso a locais fiscalizados pela Polícia
Civil; VI - uso da insígnia e identificação funcionais; e VII - portar armas, mesmo quando em
inatividade.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2018 Banca: FUMARC Órgão: PC-MG Prova: FUMARC - 2018 - PC-MG - Delegado de Polícia
Substituto) Sobre o regime constitucional atribuído à polícia civil e aos policiais civis, é CORRETO afirmar:
A - Às polícias civis, dirigidas por delegados de carreira, incumbem, sem exceção, as funções de polícia judiciária
e a apuração de infrações penais.
B - Não é possível a acumulação remunerada do cargo de policial civil com o cargo de professor, ainda que haja
compatibilidade de horários.
C - Não se garante aos policiais civis o direito à livre associação sindical, em virtude da natureza de suas
atividades.
D - Os policiais civis são remunerados por subsídio fixado em parcela única, por meio de lei de iniciativa privativa
do Governador do Estado, vedado o acréscimo de qualquer outra espécie remuneratória.
R: D. Art. 144, §9º, CF - A remuneração dos servidores policiais integrantes dos órgãos relacionados neste
artigo será fixada na forma do §4º do art. 39. Art. 39, § 4º, CF - O membro de Poder, o detentor de mandato
eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente
por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono,
prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no
art. 37, X e XI. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Sobre a ‘A’: errada. Art. 144, §4º, CF - Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem,
ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as
militares.
Sobre a ‘C’: errada. Art. 37, VI, CF - é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical.
A CF veda aos MILITARES a sindicalização, aos policiais civis não se aplica essa vedação. Quem não pode
a sindicalização são os MILITARES, a civil só não pode a greve.
Civil e militar - não podem fazer greve
Só militar - não pode se associar

► POSIÇÃO DO STJ:
- Reconhecido desvio de função, o servidor faz jus às diferenças salariais decorrentes: Segundo o
entendimento do STJ “(...) na ocorrência de desvio de função por servidor público, este tem o direito de receber, a
título de indenização, as diferenças remuneratórias decorrentes de equiparação salarial com o cargo efetivamente
desempenhado, entendimento cristalizado na Súmula 378 desta Corte.” (AgInt nos EDcl no AgRg no REsp
1121935/RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, 5ª Turma, 10/03/2020).

► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2014 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-AC Prova: CESPE - 2014 - MPE-AC - Promotor
de Justiça) A respeito dos agentes públicos e da improbidade administrativa, assinale a opção correta.
A - A regra da aposentadoria compulsória por idade aplica-se ao servidor público que ocupe exclusivamente cargo
em comissão.
B - Segundo entendimento do STJ, não configura ato de improbidade administrativa a conduta de professor da
rede pública de ensino que, aproveitando-se dessa condição, assedie sexualmente seus alunos.
C - Os candidatos com a deficiência denominada pé torto congênito bilateral não têm direito a concorrer às vagas
em concurso público reservadas às pessoas com deficiência, pois, segundo o STJ, tal anomalia constitui mero
problema estético, que não produz dificuldade para o desempenho de funções.
D - Caso se determine, no edital de concurso, que as comunicações com os candidatos devam ocorrer unicamente
por meio da imprensa oficial, é possível exigir que o candidato acompanhe diariamente, no diário oficial, qualquer
referência ao seu nome durante a vigência do concurso.
E - Ao servidor público é garantido o direito ao recebimento de auxílio-alimentação no período de férias.
R: E. Já decidiu o STJ em reiteradas decisões que os servidores públicos fazem jus ao recebimento do
auxílio-alimentação durante o período de férias e licenças (AgRg no REsp 1211687/RJ, Rel. Min. Arnaldo
Esteves Lima, 1ª Turma, 08/10/2013).
Sobre a ‘A’: a aposentadoria compulsória, prevista no art. 40, § 1º, inc. II, da CF, aos setenta anos de idade,
aplica-se aos servidores de cargos efetivos da U, E, DF e M. A aposentadoria compulsória não se aplica ao
servidor exclusivamente ocupante de cargo em comissão, sujeito ao regime geral da previdência social, que
não conhece essa forma de inatividade.
* OBS.: II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição, aos 70 (setenta) anos de
idade, ou aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na forma de lei complementar; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 88, de 2015) (Vide Lei Complementar nº 152, de 2015)
Sobre a ‘C’: já decidiu o STJ que “Os candidatos que tenham ‘pé torto congênito bilateral’ têm direito a concorrer
às vagas em concurso público reservadas às pessoas com deficiência. A mencionada deficiência física enquadra-se
no disposto no art. 4º, I, do Dec. 3.298/99” (RMS 31.861-PE, Rel. Min. Sérgio Kukina, 23/4/2019”.

- (Ano: 2013 Banca: MPE-MS Órgão: MPE-MS Prova: MPE-MS - 2013 - MPE-MS - Promotor de Justiça)


Sobre a Administração Pública, é incorreto afirmar:
A - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em concurso público de
provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou
emprego, na carreira.
B - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição,
precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei.
C - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta,
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra
espécie remuneratória ou indenizatória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de
qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal
Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o
subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais, no
âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros
e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal,
no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e
Defensores Públicos.
D - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados nem acumulados para fim de
concessão de acréscimos ulteriores.
E - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de
sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua
atuação.
R: C. O art. 37, inc. XI, da CF trata do teto remuneratório no sistema do serviço público, estabelecendo que o
subsídio será constituído em uma parcela única, sem a percepção de vantagens, como gratificação, adicional,
abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória. Contudo, as indenizações poderão ser
pagas aos servidores públicos e não serão incorporadas nos subsídios.
Sobre a ‘D’: o art. 37, inc. XIV, da CF, prevê que os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não
serão computados nem acumulados para fins de concessão de acréscimos ulteriores. Trata-se da vedação do “efeito
repicão”, ao prever que os acréscimos pecuniários percebidos por servidores públicos não seão computados nem
acumulados para fins de concessão de acréscimos ulteriores.

- (Ano: 2012 Banca: MPE-SP Órgão: MPE-SP Prova: MPE-SP - 2012 - MPE-SP - Promotor de Justiça) Em


relação às normas regentes da Administração Pública, é correto afirmar:
A - A remuneração dos servidores públicos e o subsídio somente poderão ser fixados ou alterados por lei
específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e
sem distinção de índice.
B - A aquisição de estabilidade do servidor público depende de sua nomeação para cargo de provimento efetivo em
virtude de concurso público; o efetivo exercício por dois anos e avaliação especial e obrigatória de desempenho
por comissão instituída para essa finalidade.
C - A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter
educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar, no prazo de seis meses anteriores à
eleição, nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.
D - A remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta,
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos, percebidos cumulativamente ou não,
incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal do
Presidente da República.
E - A remuneração de pessoal do serviço público será vinculada ou equiparada quando houver exercício de
funções semelhantes em carreiras diversas no âmbito dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.
R: A. O art. 37, inc. X, da CF dispõe que “a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o
§ 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa
em cada caso, assegurada a revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices”.
Sobre a ‘II’: o art. 41, caput, da CF dispõe que a estabilidade será adquirida após 3 anos de efetivo exercício de
servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. Por sua vez, o art. 41, § 4º,
da CF prevê que a condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial de desempenho por
comissão instituída para essa finalidade.

- (Ano: 2020 Banca: NC/FUNPAR/UFPR Órgão: Câmara Municipal de Curitiba UF: PR


Cargo: Procurador Jurídico) A Constituição Federal trata de forma detalhada a respeito do teto remuneratório
dos servidores públicos e sua revisão geral. A respeito do assunto, considere as seguintes afirmativas:
1. Os servidores públicos possuem assegurado o direito de revisão geral anual de sua remuneração, sempre na
mesma data e sem distinção de índices, mas, em sua última decisão sobre a matéria, o Supremo Tribunal Federal
entendeu que esse direito não implica necessariamente a concessão de reajuste no valor.
2. A remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta,
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos, incluídas as vantagens pessoais ou
de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo
Tribunal Federal.
3. Aplica-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio
mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito
do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça.
4. O subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça foi limitado pelo texto constitucional a noventa inteiros
e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal,
porém essa limitação foi entendida como inconstitucional pelo STF. Assinale a alternativa correta.
A - Somente a afirmativa 1 é verdadeira.
B - Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.
C - Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras.
D - Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.
E - As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.
R: D.
Sobre a ‘I’: O não encaminhamento de projeto de lei de revisão anual dos vencimentos dos servidores
públicos, previsto no inciso X do art. 37 da CF/88, não gera direito subjetivo a indenização. Deve o Poder
Executivo, no entanto, se pronunciar, de forma fundamentada, acerca das razões pelas quais não propôs a revisão.
STF. Plenário. RE 565089 /SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em
25/9/2019 (repercussão geral – Tema 19) (Info 953).
“[...] 1. Recurso extraordinário, com repercussão geral reconhecida, contra acórdão do TJ/SP que assentara
a inexistência de direito à indenização por omissão do Chefe do Poder Executivo estadual quanto ao envio
de projeto de lei para a revisão geral anual das remunerações dos respectivos servidores públicos. 2.  O art.
37, X, da CF/1988 não estabelece um dever específico de que a remuneração dos servidores seja objeto de
aumentos anuais, menos ainda em percentual que corresponda, obrigatoriamente, à inflação apurada no
período. Isso não significa, porém, que a norma constitucional não tenha eficácia. Ela impõe ao Chefe do
Poder Executivo o dever de se pronunciar, anualmente e de forma fundamentada, sobre a conveniência e
possibilidade de reajuste ao funcionalismo. 3. Recurso extraordinário a que se nega provimento, com a
fixação da seguinte TESE: “O não encaminhamento de projeto de lei de revisão anual dos vencimentos dos
servidores públicos, previsto no inciso X do art. 37 da CF/1988, não gera direito subjetivo a indenização.
Deve o Poder Executivo, no entanto, pronunciar-se de forma fundamentada acerca das razões pelas quais
não propôs a revisão”.” (RE 565089, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: ROBERTO
BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 25/09/2019, PUBLIC 28-04-2020).
Sobre a ‘III’: Errada, conforme dispositivo constitucional acima transcrito, visto que o subsídio dos
Desembargadores do Tribunal de Justiça é considerado teto remuneratório para o Poder Judiciário nos estados e
DF. Portanto, trecho incompleto.
Sobre a ‘IV’: O STF ADI 3.854. A CF/88 dá a entender que o subsídio dos Desembargadores e dos juízes
estaduais não poderia ser maior que 90,25% do subsídio do Ministro do STF. O  STF, contudo, declarou que
esta interpretação é inconstitucional (STF ADI 3.854).
O teto para os Desembargadores e juízes estaduais é 100% do subsídio dos Ministros do STF, ou seja, eles
podem, em tese, receber o mesmo que os Ministros do STF. Vale ressaltar, no entanto, que o limite de
90,25% do subsídio dos Ministros do STF aplica-se sim para os servidores do Poder Judiciário estadual em
casos determinados. Vejamos:
Teto NACIONAL: subsídio dos Ministros do STF
Ninguém poderá receber acima desse valor; as Constituições estaduais e leis orgânicas podem fixar subtetos
para Estados/DF e Municípios; tais subtetos também deverão respeitar o teto nacional.
Subteto na União Subteto nos Estados/DF Subteto nos Municípios
Subsídio dos Existem duas opções: Subsídio
Ministros Opção 1 (subtetos diferentes para do
do STF cada um dos Poderes): Prefeito
Executivo: subsídio do
Governador.
Legislativo: subsídio dos
Deputados Estaduais.
Judiciário (inclui MP, Defensoria e
Procuradoria): subsídio dos
Desembargadores do TJ, limitado a
90,25% do subsídio mensal, em
espécie, dos Ministros do STF.*

Opção 2 (subteto único para


todos os Poderes): o valor máximo
seria o subsídio dos
Desembargadores do TJ, limitado a
90,25% do subsídio mensal, em
espécie, dos Ministros do STF.*

O subsídio dos Deputados


Estaduais/Distritais seguirá regras
próprias (§ 2º do art. 27), não
estando sujeito ao subsídio dos
Desembargadores mesmo que se
adote esta 2ª opção.

Vale ressaltar que quem define se o


Estado-membro adotará subtetos
diferentes ou único é a Constituição
estadual.
* A CF/88 dá a entender que o
subsídio dos Desembargadores e
dos juízes estaduais não poderia
ser maior que 90,25% do
subsídio do Ministro do STF. O
STF, contudo, declarou que esta
interpretação é inconstitucional
(STF ADI 3.854). O teto para os
Desembargadores e juízes
estaduais é 100% do subsídio dos
Ministros do STF, ou seja, eles
podem, em tese, receber o mesmo
que os Ministros do STF. Vale
ressaltar, no entanto, que o limite
de 90,25% do subsídio dos
Ministros do STF aplica-se sim
para os servidores do Poder
Judiciário estadual (na opção 1) e
para os servidores dos três
Poderes estaduais (na opção 2).

cargo, emprego e função públicas;

Cargo público, emprego público e função pública. Os conceitos de cargo, emprego e


função são indispensáveis a uma melhor compreensão dos agentes públicos em geral e têm
base legal e doutrinária.
I) Emprego público: relação entre a Administração Pública e seus agentes quando regida
pela CLT, decorrente de contrato assinado, após aprovação em concurso público.
► OBSERVAÇÃO:
- A União editou a Lei nº 9.962/2000, que disciplina o regime de emprego público do pessoal da Adm Federal
direta, autárquica e fundacional, dispondo, logo em seu art. 1º que o pessoal admitido para emprego público na
Administração federal direta, autárquica e fundacional terá sua relação de trabalho regida pela CLT e legislação
trabalhista correlata, naquilo que a lei não dispuser em contrário.
Dessa forma, os empregos federais serão regidos apenas parcialmente pela legislação trabalhista, enquanto
os empregados públicos dos estados, municípios e DF estarão submetidos integralmente à legislação
trabalhista por lhes falecer competência para legislar sobre direito do trabalho (Sinopse de Adm, p. 230).
- Em recente decisão com repercussão geral, o STF entendeu que quando se trata de contrato de trabalho regido
exclusivamente pela CLT a competência para julgamento é da Justiça do Trabalho.
Ocorre que o regime de emprego foi abolido da Administração Direta, autárquica e
fundacional, em virtude da restauração do Regime Jurídico Único, decorrente da concessão de
medida cautelar na ADI 2135. Sendo assim, o regime de empregos, na estrutura
organizacional da União Federal, por exemplo, fica restrito às contratações de pessoal
efetivadas nas empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas regidas
pelo direito privado.
II) Cargo público: na definição da Lei nº 8.112/90, “é o conjunto de atribuições e
responsabilidades previstas na estrutura organizacional que devem ser cometidas a um
servidor”, “acessíveis a todos os brasileiros, são criados por lei, com denominação própria
e vencimento pago pelos cofres públicos, para provimento em caráter efetivo ou em
comissão”. O cargo público, por sua vez, subdivide-se em cargo efetivo (concurso público) e
em comissão.
• Ingresso através de concurso público;
Cargos efetivos: • É regido pela Lei nº 8.112/90 (União);
• Aposentadoria se dá pelo regime próprio dos servidores públicos.
• Não precisa de concurso público para entrar;
• Apenas para cargos de chefias, assessoramento e direção;
Cargos em comissão: • Sem estabilidade (exonerado “ad nutum”);
• Não precisa ser titular de cargo efetivo. Para quem é ocupante de cargo efetivo e
nomeado para cargo em comissão ficará afastado das atribuições do cargo efetivo;
• Aposenta-se pelo INSS.
► ATENÇÃO:
- Em regra, cargos públicos são criados e extintos por norma legal, exceto na hipótese do artigo 84, VI, da
CF/88, que reservou ao Presidente da República, por decreto, extinguir cargos e funções públicas, quando
vagos.
Conforme Matheus CARVALHO, “é pacífico o entendimento de que o cargo público se
configura uma unidade de competência à qual será atribuído um plexo de atribuições e
que deve ser criado mediante lei e assumido por um determinado agente, com vínculo
estatutário, de natureza profissional e permanente, para execução das atividades a ele
inerentes”. Podem ser classificados: a) Quanto à esfera de governo; b) Quanto à posição
estatal; e c) Quanto à garantia conferida ao ocupante.
Os estrangeiros poderão vir a ocupar cargos públicos, na forma de legislação específica, que
disciplinará as restrições. Por ser regra de eficácia limitada, na ausência de lei, não poderão
concorrer estrangeiros (cf. art. 37, I, CF).
Os cargos distribuem-se em classes e carreiras, e excepcionalmente, criam-se isolados: a)
classe: conjunto de cargos da mesma instituição que possuem as mesmas funções e
remuneração, os quais devem ser providos por concurso público de provas ou de provas e
título. Podem ser consideradas como as etapas de acesso na carreira; b) carreira: conjunto de
classes da mesma profissão ou atividade, escalonadas segundo a hierarquia do serviço.
*OBS.: o conjunto de carreiras e de cargos isolados constitui o quadro permanente do serviço
público; e c) quadro: conjunto de carreiras, cargos isolados e funções gratificadas de um
mesmo serviço, órgão ou Poder. Não se admite promoção ou acesso de um quadro para outro.

• Efetivo (provimento decorrente de concurso público)


Cargo • Em comissão (livre provimento e exoneração)
público • Criado por lei
• Atribuições, nomenclatura e responsabilidades próprias
• Vínculo estatutário
• Criado por lei
Emprego • Atribuições, nomenclatura e responsabilidades próprias
público • Vínculo trabalhista
• Contratação decorrente de aprovação prévia em concurso público

► OBSERVAÇÃO:
- Acredito que a principal diferença entre o cargo público e o cargo político seja que o cargo público é criado por
lei, enquanto que o cargo político encontra-se disciplinado pela Constituição.
III) Função pública: é o conjunto de atividades atribuídas a um cargo ou emprego público.
Todo cargo ou emprego público deve ter função estipulada por lei, que corresponde às
tarefas a serem executadas pelo servidor público. A lei pode, ainda, criar funções de
confiança, desvinculada de um cargo específico, mas destinada a remunerar o servidor que
vier a assumir uma posição de direção, chefia ou assessoramento, destinadas a servidores
de carreira. Por serem de confiança, não estão submetidas a processo específico de seleção
e não asseguram direito ao seu ocupante, podendo ser livremente retiradas pela autoridade
pública. O contrário não acontece, isso porque o exercício de função pública não está atrelado
necessariamente à ocupação de um cargo público (ex.: mesário em período de eleições, no
jurado em Tribunal do Júri etc., são exemplos de cidadãos que exercem função pública sem,
necessariamente, ocuparem cargos públicos).
► ATENÇÃO:
- Todo cargo possui uma função, mas nem toda função corresponde a um cargo, como as funções criadas
para atendimento de situações excepcionais e temporárias, um mesário que exerce função pública ou um
agente político.
- Cargo em comissão pode ser exercido tanto por servidor efetivo quanto por quem não é servidor público,
enquanto que função de confiança é exclusiva de servidor público.
Função de confiança Cargo em comissão (ou cargo de confiança)
- É uma "função sem cargo", uma função isolada - É cargo cuja função que lhe foi atribuída corresponde
dentro da estrutura do serviço público. Por se tratar da a uma atividade de direção, chefia e assessoramento.
função de direção, chefia ou assessoramento e por não Sendo um cargo e não somente uma função, pode ser
estar atribuída a um cargo específico, a função de exercido por quem não possua cargo efetivo, trata-se
confiança somente pode ser exercida por alguém que do comissionado.
já esteja investido em cargo efetivo. Também pode ser exercido por servidores de cargo
efetivo. Neste caso o servidor deverá, uma vez que não
se podem acumular cargos de forma remunerada,
afastar-se do cargo efetivo (sem vagar), deixando de
ser remunerado por ele, passando a receber a
retribuição pelo exercício do cargo em comissão.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2015 Banca: VUNESP Órgão: TJ-SP Prova: VUNESP - 2015 - TJ-SP - Juiz Substituto) O regime
jurídico dos servidores públicos tem um amplo tratamento na Constituição Federal, além de ser disciplinado em lei
estatutária de cada ente da federação. Com relação ao regime geral dos servidores públicos, é correto afirmar que
A - no direito brasileiro é possível que um não servidor público exerça função pública sem que o agente seja
ocupante de cargo público em que tenha sido regularmente investido.
B - um servidor aposentado pelo regime de previdência do setor público somente poderá acumular os proventos
com a remuneração de cargo público se o cargo em que se aposentou e aquele posteriormente ocupado forem
acumuláveis nos termos da Constituição.
C - o servidor público estável só pode ser demitido a bem do serviço público após processo administrativo
disciplinar em que lhe seja assegurado o amplo direito de defesa exercida por meio de advogado por ele
constituído ou dativo.
D - o servidor aprovado em concurso público, após adquirir estabilidade, só pode deixar de ocupar o cargo no qual
foi investido por promoção, exoneração a pedido ou após regular processo administrativo disciplinar ou ainda
quando requerer a aposentadoria, preenchidos os requisitos legais.
R: A. A alternativa descreve a situação de um agente honorífico, por exemplo, como um jurado, um
mesário, sendo colaboradores do Estado e equiparados a agentes públicos, sem assim estarem ocupando
cargo público. Outro exemplo são os agentes políticos.
Sobre a ‘B’: a resposta é o art. 37, § 10, da CF: “É vedada a percepção simultânea de proventos de
aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função
pública, ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eletivos e os cargos em
comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração”.
Sobre a ‘D’: errada, pois no art. 41, § 1º consta que: “O servidor público estável só perderá o cargo: I - em
virtude de sentença judicial transitada em julgado; II - mediante processo administrativo em que lhe seja
assegurada ampla defesa; III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de
lei complementar, assegurada ampla defesa”.

- (Ano: 2016 Banca: MPE-GO Órgão: MPE-GO Prova: MPE-GO - 2016 - MPE-GO - Promotor de Justiça
Substituto) Assinale a alternativa incorreta:
A - Todo cargo público tem função, posto ser inaceitável que alguém ocupe um lugar na Administração que não
tenha a predeterminação das atribuições do servidor.
B - A expressão emprego público é utilizada para identificar a relação funcional trabalhista, ressaltando-se que o
empregado público tem função, mas não ocupa cargo.
C - É possível a instituição de cargo público com funções aleatórias ou indefinidas, desde que legalmente
justificado pelo interesse público.
D - Quadro funcional consiste no conjunto de carreiras, cargos isolados e funções públicas, remuneradas,
integrantes de uma mesma pessoa federativa ou de seus órgãos internos.
R: C. "Cargo público é o lugar dentro da organização funcional da Adm Direta e de suas autarquias e
fundações públicas que, ocupado por servidor público, tem funções específicas e remuneração fixadas em lei
ou diploma a ela equivalente". Ademais, conforme mencionado no comentário da alternativa "a", todo
cargo tem funções.
Sobre a ‘B’: A expressão emprego público é utilizada para identificar a relação funcional trabalhista, assim como
se tem usado a expressão empregado público como sinônima da de servidor público trabalhista. Para bem
diferenciar as situações, é importante lembrar que o servidor trabalhista tem função (no sentido de tarefa,
atividade), mas não ocupa cargo. O servidor estatutário tem o cargo que ocupa e exerce as funções atribuídas ao
cargo.

regime jurídico único: provimento, vacância,


Intróito. Lembrar da celeuma envolvendo a ADI 2.135 (julgamento da cautelar de 02/08/07
que até hoje perdura). O STF já entendeu que o servidor não tem direito adquirido a regime
jurídico, podendo o Estado modificá-lo unilateralmente ou transformá-lo em celetista,
entretanto, caso o vínculo seja contratual ou celetista, o Estado não poderá obrigar o servidor
a adotar o novo regime. Será uma questão de opção que ocorrerá sem solução de continuidade
(caberá ao servidor expressamente optar pela mudança).
► ATENÇÃO
- Servidores tais como professores, policiais civis e médicos, além das normas do regime jurídico único comum a
todos os servidores públicos, deverão também submeter-se a regras que são próprias das atividades exercidas pelas
respectivas categorias. Mas mesmo essas normas específicas devem ser da mesma natureza daquelas do
regime comum dos servidores públicos, no sentido de pertencerem ao direito administrativo ou ao direito do
trabalho, conforme a posição adotada em relação à natureza do regime único.
- Caso os demais servidores públicos sejam submetidos ao regime estatutário, tanto eles quanto os servidores das
carreiras com estatutos específicos serão caracterizados como agentes sujeitos a regimes da mesma natureza, ou
seja, o regime estatutário. Porém, não há que se confundir a natureza do regime com o seu conteúdo. Regimes
de conteúdos distintos podem ser da mesma natureza. No caso, teremos diversos regimes estatutários, na
medida em que tivermos distintos estatutos, com conteúdos diferentes, não obstante apresentarem todos a
mesma natureza, sendo todos estatutários.
FONTE: https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/23/edicao-1/regime-juridico-unico
Subsidiariamente ao Estatuto da Polícia Civil, recorre-se ao Estatuto dos Funcionários
Públicos do Estado do Paraná, no que for omisso ou não contraditório com seu próprio
estatuto1.

Condições de ingresso. Para o provimento dos empregos públicos e cargos efetivos, faz-se
necessária a aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos (art. 37,
II, da CF/88). Ressalvados os cargos em comissão, declarado em lei de livre nomeação e
exoneração.
► POSIÇÃO DO STF:
- O candidato aprovado em concurso público dentro do número de vagas previstas em edital possui direito líquido
e certo à nomeação (STF, Plenário. RE 837311/PI, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09/12/15 - repercussão
geral - Info 811).
- O candidato aprovado fora do número de vagas definidas no edital do concurso não possui direito subjetivo à
nomeação caso surjam novas vagas durante o prazo de validade do certame, salvo se houver manifesto
comportamento da Administração destinado a prover tais cargos durante a validade do certame (Informativo
803, Repercussão Geral).
- Acerca do reconhecimento de direito subjetivo à nomeação dentro do prazo de validade do concurso para o
candidato aprovado dentro do número de vagas, cabe destacar que o Min. Carlos Ayres ponderou que esse
direito não é absoluto e cede diante de impossibilidades supervenientes devidamente demonstradas pela
Administração: superveniência, imprevisibilidade, gravidade e necessidade (RE 598.099/MS, Pleno, Rel.
Min. Gilmar Mendes, Repercussão Geral, 03/10/11).
► POSIÇÃO DO STJ:
- O STJ entende que a banca examinadora pode exigir conhecimento sobre legislação superveniente à publicação
do edital, desde que vinculada às matérias nele previstas.
Não há necessidade de realização de concurso para: cargos em comissão; cargos vitalícios de
Ministros ou de Conselheiros dos Tribunais de Contas; Magistrados dos Tribunais Superiores;
1/5 dos tribunais de 2ª instância; Juiz do TRE; e funções temporárias (servidores
temporários).
Os cargos e empregos públicos são acessíveis aos brasileiros e aos estrangeiros na forma da
lei. O estrangeiro pode vir a ser um servidor público, desde que a lei autorize. O dispositivo
constitucional depende de regulamentação para se tornar efetivo, o que significa que a União,
os Estados, o DF e os Municípios necessitam editar lei própria definindo quais cargos e
empregos serão acessíveis aos estrangeiros; não havendo lei reguladora, não poderá o
estrangeiro ter acesso aos cargos e empregos públicos.
► OBSERVAÇÃO:
- Já há lei autorizando o acesso de estrangeiros aos cargos e aos empregos públicos de professores de universidades
federais e de institutos federais de pesquisa científica.

1
https://tj-pr.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/6148470/apelacao-civel-ac-4567999-pr-0456799-9/inteiro-teor-12285908?ref=juris-tabs
Provimento. É o fato administrativo que retrata o preenchimento de um cargo ou função
pública. Há dois tipos de provimento: o I) originário e o II) derivado.

Ex.: Será originário o provimento para o cargo de juiz, se o nomeado for um advogado,
professor ou analista judiciário. Mas será derivado o provimento do cargo de desembargador,
salvo se pertencente ao quinto constitucional indicado pela OAB.
Formas de provimento: i) nomeação: é a mais comum, ocorre para provimento originário.
► ATENÇÃO:
- Segundo o Estatuto da PCPR, após a nomeação o servidor possui o prazo de trinta dias para tomar posse.
Admite-se posse por procuração, mas o exercício corresponde ao desempenho das funções atribuídas ao servidor e,
portanto, não admite outorga de responsabilidades.
- O exercício do cargo ou da função terá início no prazo de trinta dias contados da data (art. 33): I - da
publicação oficial do ato, no caso de reintegração e remoção; ou II - da posse, nos demais casos.

ii) promoção vertical: forma pela qual o servidor sai de seu cargo e ingressa em outro de
categoria mais elevada (na promoção horizontal o servidor não muda de categoria, mas
apenas de classe não havendo provimento, pois não gera vacância do cargo). iii)
readaptação: forma de provimento pela qual o servidor passa a ocupar cargo diverso do que
ocupava, tendo em vista a necessidade de adequar o desempenho da função pública com a
limitação física ou psíquica sofrida (na hipótese de inexistência de vaga, exercerá suas
funções como excedente); iv) recondução: é o retorno do servidor que tenha estabilidade ao
cargo que ocupava anteriormente, por motivo de sua inabilitação em estágio probatório
relativo a outro cargo ou pela reintegração de outro servidor ao cargo de que teve de se
afastar. v) reintegração: é o retorno do servidor demitido ilegalmente. vi) aproveitamento:
reingresso do servidor em disponibilidade, quando haja cargo vago de natureza e vencimento
compatíveis com o anteriormente ocupado. vii) reversão: é o retorno à atividade do servidor
aposentado e dar-se-á no interesse da Administração, ou quando cessar invalidez temporária.
► OBSERVAÇÃO:
- A disponibilidade é a garantia de inatividade remunerada assegurada ao servidor estável, em caso de ser extinto
o cargo ou declarada a sua desnecessidade. A remuneração será proporcional ao tempo de serviço.
- Apesar de não estarem contempladas no rol da Lei nº 8.112/90, a transformação e a reclassificação são formas de
provimento derivado. É o que ocorreu com os antigos cargos de procuradores das autarquias federais que
tornaram-se Procuradores Federais.
► ESTATUTO DO SERVIDOR. FUNCIONÁRIOS CIVIS DO PARANÁ LEI 6174/70 - TEXTO DA LEI.
Título III - Do Provimento Dos Cargos - Capítulo I - Disposições Preliminares.
Art. 18. Os cargos públicos são providos por: I - nomeação; II - promoção; III - acesso; IV - transferência;
V - readmissão; VI - reintegração; VII - aproveitamento; VIII - reversão; e IX - readaptação.
Observação1: Acesso é o ingresso do funcionário da classe final de uma série de classes na classe inicial de outra
de formação profissional afim, porém de escalão superior, pelos critérios de merecimento e antiguidade,
alternadamente, observadas estritamente as linhas de correlação definidas em Lei, atendidos o requisito de
habilitação profissional e o interstício na classe.
Observação2: Reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente ocupado, ou no cargo
resultante de sua transformação, quando invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou judicial, com
ressarcimento de todas as vantagens.
Observação3: A recondução não está prevista no Estatuto do Servidor do Paraná. O STJ já decidiu que não é
possível a aplicação, por analogia, do instituto da recondução previsto na Lei nº 8.112/90 a servidor público
estadual na hipótese em que o ordenamento jurídico do estado for omisso acerca desse direito. Todavia, a
recondução encontra-se prevista no art. 36, §§ 2º e 3º, CE: § 2º. Invalidada por sentença judicial a demissão
do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de
origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com
remuneração proporcional ao tempo de serviço. (Redação dada pela Emenda Constitucional 7 de
24/04/2000)
- É a investidura do servidor em cargo de atribuições e responsabilidades compatíveis com a limitação que
tenha sofrido em sua capacidade física ou mental verificada em inspeção médica. Será efetivada em cargo
READAPTAÇÃO de atribuições afins, respeitada a habilitação exigida, nível de escolaridade e equivalência de vencimentos e,
na hipótese de inexistência de cargo vago, o servidor exercerá suas atribuições como excedente, até a
ocorrência de vaga.
- Retorno à atividade de servidor aposentado:
1) por invalidez, quando junta médica oficial declarar insubsistentes os motivos da aposentadoria; ou
2) no interesse da administração, desde que:
REVERSÃO
(aposentadoria)
a) tenha solicitado a reversão;
as duas palavras têm b) a aposentadoria tenha sido voluntária;
apenas um ‘S’. c) estável quando na atividade;
d) a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos anteriores à solicitação;
e) haja cargo vago.
- Reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente ocupado, ou no cargo resultante de sua
transformação, quando invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento
REINTEGRAÇÃO de todas as vantagens. Encontrando-se provido o cargo, o seu eventual ocupante será reconduzido ao cargo
de origem, sem direito à indenização ou aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto em disponibilidade.
- retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado e decorrerá de:
RECONDUÇÃO a)inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo;
b)reintegração do anterior ocupante.

► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2015 Banca: CEFET-BA Órgão: MPE-BA Provas: MPE-BA - 2015 - MPE-BA - Promotor de
Justiça Substituto) Em relação aos agentes públicos, é CORRETO afirmar:
A - O empregado público sujeito ao regime celetista ocupa cargos do quadro da Administração e contratá-lo
depende de prévia aprovação em concurso público.
B - Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão, aplica-se o mesmo regime previdenciário dos
servidores públicos estatutários.
C - Segundo o Supremo Tribunal Federal, o servidor público estatutário tem direito adquirido ao regime jurídico
estabelecido na legislação vigente à época da sua nomeação.
D - De acordo com o Estatuto dos Servidores Públicos do Estado da Bahia (Lei nº 6.677/94), a reversão é o retorno
do servidor aposentado por invalidez, quando os motivos determinantes da aposentadoria forem declarados
insubsistentes por junta médica oficial.
E - As funções de confiança podem ser exercidas por pessoas estranhas aos quadros da Administração Pública,
desde que se destinem apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento e que sejam reservados
percentuais mínimos para servidores ocupantes de cargos efetivos.
R: D. Lembrar que a REVERSÃO E APOSENTADORIA POSSUEM APENAS UM ‘S’. Reverte: o
aposentado. Reintegra: o demitido. Aproveita: o disponível. Reconduz: o ocupante. Readapta: o limitado.
Sobre a ‘A’: Incorreta pois um empregado público ocupa um ‘emprego público’ e não um ‘cargo público’.

- (Ano: 2015 Banca: UEPA Órgão: PGE-PA Prova: UEPA - 2015 - PGE-PA - Procurador do Estado) Quanto
às formas de provimento dos cargos públicos, afirma-se que:
I. A nomeação é considerada forma originária de provimento.
II. A reintegração é a reinvestidura do servidor estável ou não no cargo anteriormente ocupado, ou no cargo
resultante de sua transformação, quando invalidada a demissão por decisão judicial.
III. Se o cargo para o qual o servidor venha a ser reintegrado encontre-se provido, o seu eventual ocupante será
reconduzido ao cargo de origem, sem direito à indenização ou aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto em
disponibilidade.
IV. A reversão se constitui hipótese de retorno à atividade de servidor que se encontrava em disponibilidade.
A alternativa que contém todas as afirmativas corretas é:
A-I
B - I e III
C - III
D - I e IV
E - II e III
R: B.
Sobre a ‘II’: errada. Só é possível a reintegração do servidor estável (Art. 28, Lei 8.112/90).

- (Ano: 2015 Banca: ESAF Órgão: PGFN Prova: ESAF - 2015 - PGFN - Procurador da Fazenda Nacional)
Analise as seguintes situações:
(I) Aurélio, servidor público aposentado por invalidez, retornou à ativa após perícia médica constatar a
insubsistência dos motivos que levaram à sua aposentação.
(II) Dionísio, servidor estável, retornou ao serviço público após a Administração ter constatado a ilegalidade do ato
que o demitiu.
(III) Clélia, servidora estável, reingressou no serviço público após ter sido colocada em disponibilidade em virtude
da extinção do cargo que ocupava.
(IV) Porfírio, reprovado no estágio probatório do cargo para o qual foi nomeado, voltou a ocupar cargo que antes
titularizava.
Essas hipóteses de provimento derivado são, respectivamente:
A - (I)aproveitamento; (II) reintegração; (III) reversão; (IV) recondução.
B - (I) reversão; (II) reintegração; (III) aproveitamento; (IV) recondução.
C - (I) readmissão; (II) reversão; (III) transposição; (IV) aproveitamento.
D - (I) reversão; (II) aproveitamento; (III) recondução; (IV) transposição.
E - (I) readmissão; (II) transposição; (III) reintegração; (IV) aproveitamento.
R: B.

- (Ano: 2014 Banca: MPE-RS Órgão: MPE-RS Prova: MPE-RS - 2014 - MPE-RS - Promotor de Justiça)


Assinale a alternativa INCORRETA.
A - Somente o servidor público estável pode ser colocado em disponibilidade, nos termos dos parágrafos 2º e 3º do
artigo 41 da Constituição Federal.
B - Denomina-se reversão a situação em que servidor público aposentado pode voltar ao serviço público quando
assim o solicitar, ou quando determinado o retorno pela entidade a que se ligava, dado que insubsistentes os
motivos da aposentação ou por não mais subsistirem determinantes de sua aposentadoria.
C - As hipóteses de contratação para atender necessidade temporária de excepcional interesse público devem estar
disciplinadas em lei.
D - A acumulação de cargos públicos é a regra no Direito Brasileiro, dela tratando o artigo 37, inciso XVI, da
Carta Federal, que exige, para tanto, a compatibilidade de horários.
E - As vantagens pecuniárias são acréscimos remuneratórios transitórios ou definitivos, não constituindo
liberalidade da Administração.
R: D.

Vacância. Fato administrativo pelo qual o servidor é destituído do cargo. Ocorrerá nas
seguintes situações: 1) Exoneração: a pedido ou de ofício, nos casos de cargo em comissão
ou inabilitação em estágio probatório; 2) Demissão: é a forma de sanção administrativa
aplicada pela prática de ilícito administrativo apurado em processo administrativo disciplinar;
3) Promoção; 4) Readaptação; 5) Aposentadoria; 6) Posse em outro cargo inacumulável; e
7) Falecimento.
► OBSERVAÇÃO:
- Consta do ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ (Lei Complementar 14/82): A vacância do cargo
decorrerá também de classificação definitiva no Quadro Suplementar.
- Lei Complementar 19 - 29 de Dezembro de 1983:
Art. 2º Fica instituído na Polícia Civil o Quadro Suplementar, no qual será compulsoriamente classificado o
servidor policial civil:
I - em disponibilidade;
II - contra o qual foi instaurado processo de readaptação;
III - em licença para tratar de interesse particular;
IV - que completou 35 (trinta e cinco) anos de efetivo serviço público e haja atingido a classe final da
carreira de Delegado de Polícia e não tenha direito a acesso, e
IV - que completou 35 (trinta e cinco) anos de efetivo serviço público e haja atingido a classe única ou final
da carreira.
(Redação dada pela Lei Complementar 29 de 04/04/1986)
V - que for colocado à disposição de órgão não pertencente à estrutura organizacional básica da Secretaria
de Estado da Segurança Pública.
Art. 3º. O servidor policial civil que integrar definitivamente o Quadro Suplementar, abre vaga na classe
correspondente.
§ 1º. Abrirão vagas os casos estabelecidos nos incisos I e IV, do artigo anterior.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2008 Banca: CESPE/CEBRASPE Órgão:Secretaria de Administração do Estado do Tocantins
UF: TO Cargo: Delegado de Polícia) Um delegado de polícia civil, ainda que já tenha adquirido a estabilidade,
poderá ser demitido por insuficiência de desempenho, conforme estabelecido em lei complementar e observada a
ampla defesa em todo o processo.
( )Certo
( ) Errado
R: E. A afirmativa proposta pelo CESPE está errada por utilizar a palavra "demissão" no lugar de
"exoneração". A demissão tem caráter punitivo, e ninguém pode ser punido por ser incapaz (ter desempenho
insuficiente). Portanto, o que cabe é a exoneração.
*OBS.: demissão é a perda do cargo por falta grave ou como efeito de sentença penal condenatória, vale
dizer, demissão sempre tem caráter punitivo (não existe, tecnicamente, a figura da "demissão a pedido" do
próprio servidor).

remoção, redistribuição e substituição;

Remoção. Art. 65 (Estatuto do Servidor do Paraná): remoção é o deslocamento do


funcionário de um para outro órgão, ou unidade administrativa, e processar-se-á ex-ofício
ou a pedido do funcionário.
► ATENÇÃO:
- LEI Nº 12.830, DE 20 DE JUNHO DE 2013 (Dispõe sobre a investigação criminal conduzida pelo delegado
de polícia):
Art. 2º As funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais exercidas pelo delegado de polícia são de
natureza jurídica, essenciais e exclusivas de Estado.
(...)
§ 5º A remoção do delegado de polícia dar-se-á somente por ato fundamentado.
(...)
A remoção respeitará a lotação dos órgãos ou unidades administrativas interessados e será
realizada, no âmbito de cada um, pelos respectivos chefes, cabendo ao Chefe do Poder
Executivo efetuá-la de uma para outra Secretaria ou órgão que lhe seja diretamente
subordinado. Ao funcionário será assegurado o direito de remoção para cargo equivalente, no
lugar de residência do cônjuge, se este também for servidor público. A remoção por permuta
será processada a pedido escrito de ambos os interessados e de acordo com as demais
disposições.
► ATENÇÃO:
- Consta do ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ (Lei Complementar 14 - 26 de Maio de 1982):

* Pedido ou permuta - Delegado Geral da Polícia Civil


* De ofício - Secretário de Segurança Pública ou Conselho da Polícia Civil, com prevalência do primeiro

Redistribuição. Deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou vago no âmbito


do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do mesmo Poder, com prévia
apreciação do órgão central. Observados os seguintes preceitos: interesse da administração;
equivalência de vencimentos; manutenção da essência das atribuições do cargo; vinculação
entre os graus de responsabilidade e complexidade das atividades; mesmo nível de
escolaridade, especialidade ou habilitação profissional; compatibilidade entre as atribuições
do cargo e as finalidades institucionais do órgão ou entidade.
► ATENÇÃO:
- A remoção e a redistribuição não são formas de provimento derivado por não ensejarem investidura em nenhum
cargo. Em ambas há apenas o deslocamento do servidor: na remoção, dentro do mesmo quadro; e na redistribuição,
para quadro diverso. Em qualquer caso, porém, o servidor continua titularizando seu cargo.
Nos casos de reorganização ou extinção de órgão ou entidade, extinto o cargo ou declarada
sua desnecessidade no órgão ou entidade, o servidor estável que não for redistribuído será
colocado em disponibilidade, até seu aproveitamento.
► OBSERVAÇÃO:
- O instituto da redistribuição não costa expressamente do Estatuto da PCPR nem do Estatuto do Servidor
do PR, tendo sido retirado essas ideias da Lei 8.112/90.
- Segundo a jurisprudência do STJ, somente é possível aplicar, por analogia, a Lei nº 8.112/90 aos servidores
públicos estaduais e municipais se houver omissão, na legislação estadual ou municipal sobre direito de
cunho constitucional e que seja autoaplicável e desde que tal situação não gere o aumento de gastos. Ex:
aplicação, por analogia, das regras da Lei n° 8.112/90 sobre licença para acompanhamento de cônjuge a
determinado servidor estadual cuja legislação não prevê esse afastamento (RMS 34.630⁄AC, Rel. Ministro
Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 18/10/2011). Nesse exemplo, o STJ reconheceu que a analogia se
justificava para proteção da unidade familiar, valor protegido constitucionalmente (art. 226 da CF/88). STJ. 2ª
Turma. RMS 46.438-MG, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 16/12/2014 (Info 553).
Portanto, conclui-se que a 2ª Turma do STJ entende o seguinte:
Regra: não pode um ente federativo usar por analogia as normas de outro;
Exceção: os entes federativos podem suprir as omissões com normas constitucionais autoaplicáveis.
Importante observar que se trata de decisão de órgão fracionário do STJ, não sendo possível afirmar que se
trata da posição do STJ como um todo, mas inegavelmente pode influenciar decisões de todos os juízos e
tribunais brasileiros.

Substituição. Art. 70 (Estatuto do Servidor do Paraná): Haverá substituição nos casos de


impedimento legal ou afastamento do titular de cargo em comissão ou função gratificada .
► OBSERVAÇÃO:
- Art. 63 (Estatuto do Servidor do Paraná) - Nenhum servidor poderá desempenhar atribuições diversas das
pertinentes à classe a que pertence, salvo se tratar de função gratificada, de cargo em comissão ou no caso
de substituição.
A regulamentação estabelecerá as autoridades competentes para designar substitutos de
titulares de cargos em comissão ou função gratificada. A substituição será automática ou
dependerá de ato da administração. A substituição que depender de ato da administração será
sempre remunerada. A substituição perdurará durante todo o afastamento do substituído,
salvo no caso de nomeação ou designação de outro ocupante para o cargo ou função,
objeto da substituição, ou, ainda, no caso de nova designação de substituto.
► ATENÇÃO:
- Consta do ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ (Lei Complementar 14/82):

direitos e vantagens;
Direitos.
► ATENÇÃO:
- Consta do ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ (Lei Complementar 14 - 26 de Maio de 1982):

Vantagens. O art. 144, caput e § 9º, determinam que também devem ser remunerados por
meio de subsídio as carreiras policiais (Polícias Civis, Polícia Federal, Polícia Rodoviária
Federal, Polícia Civil do DF): § 9º A remuneração dos servidores policiais integrantes dos
órgãos relacionados neste artigo será fixada na forma do § 4º do art. 39. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
O texto constitucional dispõe que: Art. 39. § 4º. O membro de Poder, o detentor de mandato
eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados
exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer
gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie
remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI. (Redação dada
pela Emenda Constitucional n. 19, de 1998).
► OBSERVAÇÃO:
- Existem duas formas de remuneração dos servidores: os vencimentos e os subsídios. Os vencimentos
consistem no pagamento de uma parcela fixa (vencimento) e de uma parcela variável (composta das gratificações,
adicionais e indenizações). Já o subsídio é pago mediante uma parcela única.

- SUBSÍDIOS: Além da remuneração, a CF por meio de alteração promovida pela EC 19/98, criou outra forma de
pagamento aos servidores públicos, denominada SUBSÍDIO. O subsídio é forma de pagamento feito em parcela
única, não aceitando nenhum acréscimo patrimonial. É atribuída à parte dos cargos do serviço estatal. O
objetivo desta nova forma de remuneração é tornar mais clara e transparente a retribuição de
determinados cargos, evitando que um determinado servidor público com vencimento previsto em lei de
determinado valor receba remuneração muito acima deste padrão.

Posse e exercício conforme o Estatuto da PCPR. Art. 30. A posse terá lugar no prazo de
trinta dias da publicação, no órgão oficial de divulgação, do ato de provimento.
§ 1º. A requerimento do interessado ou de seu representante legal, o prazo para posse poderá
ser prorrogado ou revalidado pela autoridade competente, até o máximo de trinta dias, a
contar do término do prazo de que trata este artigo.
§ 2º. O prazo inicial para o funcionário em férias ou em licença, exceto no caso de licença
para tratar de interesses particulares, será contado da data em que o funcionário voltar ao
serviço.
§ 3º. Se a posse não se der dentro do prazo inicial e da prorrogação ou da revalidação, desde
que concedida, será a nomeação tornada sem efeito.
Art. 33. O exercício do cargo ou da função terá início no prazo de trinta dias contados da
data:
I - da publicação oficial do ato, no caso de reintegração e remoção; ou
II - da posse, nos demais casos.
Parágrafo único. Os prazos previstos neste artigo poderão ser prorrogados, por solicitação do
interessado e a juízo da autoridade competente, desde que a prorrogação não exceda de
trinta dias.
► OBSERVAÇÃO:
- Trata-se do mesmo prazo previsto no Estatuto do Servidor do PR. Importante guardar esse prazo, porque
conforme o ente pode variar e é muito cobrado em provas.

Prazo em que servidor poderá ausentar-se do serviço (cf. Estatuto da PCPR). Será
considerado de efetivo exercício o afastamento em virtude de, cito os principais (art. 118):
II - casamento, até oito dias;
III - luto por falecimento do cônjuge, filho, pai, mãe e irmão, até oito dias;
XIV - faltas até o máximo de três durante o mês, por motivo de doença comprovada na
forma do art. 80;
XV - licença por motivo de doença em pessoas da família: cônjuge, filhos, pai, mãe ou
irmão, até noventa dias num quinquénio;
XVII - exercício de cargo eletivo.

Da licença para trato de interesses particulares (art. 164, Estatuto da PCPR). Depois de
estável, o servidor policial civil poderá obter licença sem vencimento, para o trato de
interesses particulares. A licença não perdurará por tempo superior a dois anos contínuos e
só poderá ser concedida novamente, depois de decorridos cinco anos do término da
anterior.

regime disciplinar.

Responsabilidade administrativa. A responsabilidade administrativa decorre da prática de


ilícitos administrativos definidos na legislação estatutária, cujos elementos básicos são os
mesmos do ilícito civil. As sanções, por seu turno, são previstas na lei definidora do regime
jurídico estatutário de cada ente, e dependem, para sua aplicação, de processo administrativo
prévio com as garantias a ele inerentes e de decisão motivada. As diversas responsabilidades
são independentes entre si (art. 125, Lei 8.112/1990). Pode ser aplicada pena de demissão
mesmo que ação penal pelo mesmo fato esteja em curso (STF).
Estatuto da Polícia Civil do Paraná: Art. 212. São transgressões [transgressões gerais]
disciplinares todas as ações ou omissões contrárias ao dever funcional ou expressamente
proibidas, cometidas pelo servidor policial civil, não especificadas nesta lei. Penalidade:
advertência, repreensão ou suspensão de dois a dez dias.
O art. 213, por sua vez, traz as transgressões específicas. São mais de sessenta transgressões
específicas, destacando-se algumas:
I - referir-se de modo depreciativo às autoridades e a atos da administração pública, qualquer
que seja o meio empregado para esse fim, salvo quando em trabalho assinado apreciando atos
dessas autoridades, sob o ponto de vista doutrinário com ânimo construtivo - Penalidade:
suspensão de trinta a sessenta dias;
III - divulgar os assuntos policiais e de segurança, de modo a prejudicar o andamento de
investigações ou outros trabalhos policiais, e quebrar o sigilo sobre planos, dispositivos de
segurança ou recursos disponíveis, sem prévia autorização superior - Penalidade: demissão;
XI - manter relações de amizade, exibir-se em público habitualmente, com pessoas de má
reputação, salvo em razão do serviço - Penalidade: demissão;
XIV - exigir ou receber propinas, comissões, presentes ou auferir vantagens e proveitos
pessoais de qualquer espécie e sob qualquer pretexto, em razão das atribuições do cargo que
exerce - Penalidade: demissão;
XVI - cometer a pessoa estranha à repartição, o desempenho de encargos que lhe competirem
ou a seus subordinados - Penalidade: demissão;
XVIII - participar da gerência ou administração de empresa, qualquer que seja a sua
finalidade - Penalidade: demissão;
XXVII - deixar de assumir no prazo legal, a função para a qual foi designado - Penalidade:
suspensão de trinta a sessenta dias;
XXXII - aconselhar ou concorrer para não ser cumprida ordem legal de autoridade
competente, ou para que seja retardada a sua execução. Penalidade - demissão;
XXXIII - provocar a paralisação, total ou parcial do serviço policial, ou dela participar -
Penalidade: demissão;
► POSIÇÃO DO STF:
- O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os
servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública. É obrigatória a participação do
Poder Público em mediação instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do
art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da categoria.
(STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. Orig. Min. Edson Fachin, red. P/ ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 5/4/17 - REPERCUSSÃO GERAL Info 860)
XL - deixar de portar sua credencial oficial - Penalidade: suspensão de dois a dez dias;
XLI - fazer uso indevido da arma - Penalidade: demissão;
XLV - concorrer de qualquer forma para defesa de interesse de pessoa custodiada ou presa,
fora dos casos previstos em lei - Penalidade: demissão;
XLVII - dirigir-se, referir-se, portar-se ou apresentar-se perante seu superior, de modo
desrespeitoso ou sem a observância do princípio hierárquico - Penalidade: suspensão de trinta
a noventa dias;
XLVIII - ensejar a divulgação de documentos ou peças oficiais, sem autorização expressa da
autoridade competente - Penalidade: demissão;
XLIX - dar-se ao vicio de embriaguez contumaz ou de substâncias que provoquem
dependência física ou psíquica ou negar-se à submissão ao exame clínico para comprovação e
tratamento - Penalidade: demissão;
Parágrafo único. A reincidência no cometimento das infrações previstas nos incisos VIII, XII,
XVII, XXII, XLIII e XLVII, importará na pena de demissão.

Penas disciplinares. Estatuto da PCPR: Art. 222. São penas disciplinares: I - advertência; II
- repreensão; III - suspensão ou multa; IV - destituição de função e ou remoção compulsória;
V - demissão, e VI - Cassação de aposentadoria (Redação dada pela Lei Complementar 98 de
12/05/2003); e VII - Cassação da disponibilidade (Incluído pela Lei Complementar 98 de
12/05/2003).
► ATENÇÃO:
- Art. 223. Constitui circunstância que exclui sempre a pena disciplinar, a não exigibilidade de outra
conduta do servidor policial civil. Parágrafo único. São causas que excluem ou isentam o servidor policial
civil de pena disciplinar, as previstas no Código Penal Brasileiro.
Circunstâncias que atenuarão a pena, salvo nos casos de demissão: I - haver o transgressor
procurado diminuir as consequências da falta, ou haver, antes da aplicação desta, reparado o
dano; e II - haver o transgressor confessado espontaneamente a falta perante a autoridade
sindicante ou processante, de modo a facilitar a apuração daquela.
Circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou qualificam outra transgressão
disciplinar: I - reincidência; II - prática de transgressão disciplinar durante a execução de
serviço policial; III - coação, instigação ou determinação para que outro servidor policial
civil, subordinado ou não, pratique a transgressão ou dela participe; IV - impedir ou dificultar,
de qualquer maneira, a apuração da falta funcional cometida; e V - concurso de dois ou mais
agentes na prática da transgressão.
- Acarreta a perda de cinquenta por cento da remuneração, não excederá de 90
Suspensão (noventa dias). A pena de suspensão implica na retirada da arma e da insígnia do
policial durante o respectivo período.
Destituição de - Terão por fundamento a falta de exação no cumprimento do dever, ou a
função ou a inconveniência de permanecer o servidor policial civil no exercício de suas atividades
Remoção em determinada a unidade ou localidade.
compulsória
- Será cassada a aposentadoria ou disponibilidade se ficar provado que o inativo: I -
Cassação de praticou falta grave no exercício do cargo ou função; II - aceitou representação de
aposentadoria Estado estrangeiro, sem prévia autorização do Presidente da República; e III - praticou
ou disponibilidade usura em qualquer de suas formas.
Será igualmente cassada a disponibilidade do servidor policial civil, que não assumir o
exercício do cargo ou função em que for aproveitado.

Competência para imposição de penalidade. Para imposição de pena disciplinar são


competentes: I - O Governador do Estado, nos casos de demissão e cassação de aposentadoria
ou disponibilidade de servidor policial civil, e em quaisquer penas, havendo conexão ou
continência; II - O Secretário de Estado da Segurança Pública, em qualquer pena, ex-ofício ou
em grau recursal, excetuadas as de competência privativa do Governador do Estado; III - O
Conselho da Polícia Civil, em casos de advertência, repreensão e suspensão; e IV - O
Delegado Geral da Polícia Civil, no caso de destituição de função e remoção compulsória.

► ATENÇÃO
- Havia discussão se membro do MP poderia integrar o Conselho da Policia Civil : Em data de 09.03.16, o
STF, pacificando definitivamente a matéria, considerou inconstitucional a nomeação de membros do Ministério
Público para o exercício de cargos que não tenham relação com as atividades da Instituição. A decisão foi
proferida na ADPF 388, e estabeleceu o prazo de 20 dias, a partir da publicação da ata do julgamento, para que
haja a exoneração dos membros do MP que estejam atuando perante a Administração Pública, em
desconformidade com o entendimento fixado pela Corte – ou seja, em funções fora do âmbito do próprio
Ministério Público, ressalvada uma de magistério.
- A jurisprudência do STJ estabelece que a participação de membro do Ministério Público no Conselho de
Polícia Civil, formado para processar e julgar servidor público, torna nulo o procedimento administrativo.
(AgInt no REsp 1.703.277/PR, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 21/5/2019, DJe
12/6/2019; AgInt no REsp 1.513.031/PR, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em
8/4/2019, DJe 11/4/2019; AgInt no REsp 1.636.008/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma,
julgado em 10/4/2018, DJe 19/4/2018; AgInt no Ag 1.433.411/PR, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira
Turma, julgado em 30/11/2017, DJe 5/12/2017).

Investigação preliminar. A autoridade corregedora realizará apuração preliminar, de


natureza simplesmente investigativa, quando a infração não estiver suficientemente
caracterizada ou for incerta sua autoria.
Ao concluir a apuração preliminar, a autoridade deverá opinar fundamentadamente pelo
arquivamento ou pela instauração de sindicância ou processo administrativo.
Determinada a instauração de sindicância ou processo administrativo, ou havendo durante seu
curso conveniência para a instrução ou para o serviço policial, poderá o Corregedor-Geral da
Polícia Civil, por despacho fundamentado, ordenar, isolada ou cumulativamente, as seguintes
principais providências: I - afastamento preventivo do policial civil, até noventa (90) dias,
prorrogáveis uma única vez por até sessenta (60) dias, quando o recomendar a moralidade
administrativa ou a repercussão do fato, observado o disposto no artigo 217; III -
recolhimento de carteira funcional, distintivo, armas e algemas; entre outras.

Sindicância (arts. 241 e 242 do Estatuto da PCPR). Será instaurada de ofício pelo
Corregedor-Geral da Polícia Civil, ou por determinação das autoridades referidas no artigo
238 desta lei, somente para apuração de responsabilidade pela prática de fato constitutivo de
transgressão disciplinar a que se cominem as penas de I) advertência, II) repreensão, III)
suspensão, IV) destituição de função e V) remoção compulsória, observados o rito do
contraditório e ampla defesa, conhecidas a autoria e materialidade, esta se houver.
► OBSERVAÇÃO:
- A sindicância destina-se, ainda, a apurar a responsabilidade do servidor policial civil por danos de origem
culposa causados à Fazenda Estadual; e
- Mesmo procedimento será adotado com relação aos servidores policiais civis em estágio probatório, para
apuração dos requisitos previstos no artigo 37 desta Lei, com vistas à sua confirmação ou não no cargo policial
civil.
Aplica-se à sindicância, no que couber, as disposições previstas para o processo disciplinar.
A citação, que após recebida, dará início ao prazo de trinta (30) dias para a conclusão do
feito, prorrogáveis por igual período mediante despacho do Corregedor-Geral à vista de
requerimento fundamentado da autoridade sindicante, conterá: I - nome da autoridade
sindicante; II - nome do sindicado e local onde possa ser encontrado; III - descrição do fato
imputado ao sindicado; IV - individualização da conduta; V - previsão legal da sanção
aplicável; VI - data do interrogatório, com prazo mínimo de três dias; VII - menção à revelia
em conseqüência do não comparecimento à audiência; VIII - local e data da expedição.
Após o interrogatório do sindicado, que se restringirá ao fato e às suas circunstâncias, este,
através de seu defensor, poderá oferecer defesa prévia, no prazo de 48 (quarenta e oito)
horas, juntando documentos e arrolando até duas testemunhas.
Ao sindicado revel, ou, se presente, não constituir advogado para defendê-lo, ser-lhe-á
nomeado defensor dativo.
Cumpridas as diligências, serão os autos conclusos à Autoridade Sindicante, que saneará onde
necessário e notificará o defensor do sindicado a apresentar alegações finais no prazo de três
dias. Quando não for apresentada no prazo as alegações finais, será nomeado defensor dativo
para o ato.
Apresentadas as alegações finais, a autoridade concluirá a sindicância em três dias,
indicando no relatório a descrição do ato infracional apurado, os dispositivos legais violados,
o enquadramento da conduta à norma específica e, I) opinará pela absolvição do sindicado,
II) instauração de processo disciplinar ou III) imposição da penalidade aplicável.
Com o relatório, a sindicância será enviada ao Corregedor-Geral, que o remeterá à autoridade
competente para a decisão.
► POSIÇÃO DO STJ:
- Consoante jurisprudência do STJ, incorre em impedimento para compor comissão processante o servidor
integrante de Comissão Disciplinar que também participou da Sindicância, ali emitindo juízo de valor pela
instauração do PAD (MS 7758-DF).

Processo disciplinar. O processo disciplinar, obedecidos os princípios do contraditório e da


ampla defesa, será instaurado por determinação das autoridades referidas no art. 238 e
precederá a aplicação das penas de I) demissão, II) cassação de aposentadoria e de
disponibilidade.
Aplicam-se ao processo disciplinar, no que couber, as disposições previstas para a
sindicância e, subsidiariamente, as normas do CPP.
► OBSERVAÇÃO:
- O processo disciplinar destina-se, ainda, a apurar a responsabilidade do servidor policial civil por danos de
origem dolosa causados à Fazenda Estadual:

O processo disciplinar será presidido por Delegado de Polícia designado pelo Corregedor-
Geral da Polícia Civil, escolhido dentre Delegados de Polícia estáveis, preferencialmente da
classe mais elevada.
O acusado será citado com os requisitos do artigo 241, § 11, pessoal e individualmente, para
ser interrogado sobre as imputações contra si existentes, em data e local previamente
designados, com antecedência mínima de cinco dias, prazo este durante o qual os autos
poderão ser examinados pelo defensor, junto à presidência do processo.
Nos casos de revelia ou quando o acusado não apresentar advogado, ser-lhe-á nomeado
defensor dativo.
É assegurado ao policial civil o direito de acompanhar o processo pessoalmente, e por
intermédio de procurador, arrolar testemunhas, reinquiri-las, produzir provas e contra-provas,
formular quesitos quando tratar - se de prova pericial.
► OBSERVAÇÃO:
- O procurador ou defensor constituído poderá assistir ao interrogatório, bem como a inquirição de testemunhas,
sendo-lhe vedado interferir nas perguntas e respostas, facultando-se-lhe, porém, reinquiri-las, por intermédio da
autoridade que presidir o processo disciplinar.
A autoridade disciplinar poderá denegar, fundamentadamente, pedidos considerados
impertinentes, meramente protelatórios, ou de nenhum interesse para o esclarecimento dos
fatos.
O acusado poderá oferecer defesa prévia e arrolar até cinco testemunhas dentro de três dias
após o interrogatório e juntar documentos até as alegações finais.
O prazo para a conclusão da instrução do processo administrativo, incluído o relatório da
autoridade disciplinar, será de sessenta (60) dias, contado da citação do acusado,
prorrogável pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil por igual período, no máximo,
mediante solicitação fundamentada da autoridade que presidir o processo.
Concluída a instrução, o acusado terá cinco dias para as alegações finais, a partir da data da
notificação. Havendo mais de um acusado, o prazo contar-se-á em dobro.
Findo os prazos, a autoridade que presidir o processo disciplinar, dentro de cinco dias,
remeterá os autos do processo disciplinar ao Conselho da Polícia Civil, através da
Corregedoria Geral da Polícia Civil, com relatório minucioso e fundamentado, opinando pela
imposição da pena aplicável, absolvição do acusado ou arquivamento do procedimento
(Incluído pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001).
► ATENÇÃO:
- Art. 258. O servidor policial civil só poderá ser exonerado a pedido, após absolvição em processo
disciplinar a que estiver respondendo.
O julgamento será realizado no prazo máximo de 30 (trinta) dias, contado da data da
distribuição ao Conselheiro relator para tanto sorteado.
O servidor policial civil terá direito: I) à contagem de tempo de serviço relativo ao período em
que haja estado preso ou afastado do exercício, quando de processo disciplinar resultar
absolvição ou pena de advertência ou repreensão; e II) à contagem do período de prisão
administrativa e ao pagamento do vencimento e de todas as vantagens do exercício, desde que
reconhecida a sua inocência.

Prescrição. Prescreverá: I - em dois anos, a transgressão punível com a pena de


advertência, repreensão ou suspensão; e II - em cinco anos, a transgressão punível com a
cassação de aposentadoria, disponibilidade e de demissão.
O prazo de prescrição contar-se-á do dia em que a transgressão se consumou.
Nos casos de transgressões permanentes ou continuadas, o prazo de prescrição contar-se á do
dia em que cessou a permanência ou continuação.
Quando ocorrerem circunstâncias que impeçam o imediato conhecimento de existência de
transgressão, o tempo inicial da prescrição será o dia em que a autoridade competente dela
tomar conhecimento.
A transgressão também prevista como crime, prescreverá nos mesmos prazos estipulados
pela lei penal.
responsabilidade civil, criminal e administrativa.

Intróito. As cominações civis, penais e disciplinares cumular-se-ão, sendo umas e outras


independentes entre si, bem assim, as instâncias civil, penal e administrativa.

Responsabilidade civil. Obriga o servidor a reparar o dano causado no exercício de suas


funções, desde que tenha agido com culpa ou dolo (responsabilidade subjetiva). Independe da
responsabilidade administrativa e penal e todas podem ser apuradas de maneira concomitante.
► POSIÇÃO DO STF:
- A vítima somente poderá ajuizar a ação de indenização contra o Estado; se este for condenado, poderá
acionar o servidor que causou o dano em caso de dolo ou culpa; o ofendido não poderá propor a demanda
diretamente contra o agente público. (STF. Plenário. RE 1027633/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
14/8/2019 - Repercussão geral).
Conforme o Estatuto da PCPR (art. 215) “A responsabilidade civil decorre de
procedimento doloso ou culposo que importe em prejuízo da Fazenda Pública Estadual ou
de terceiros”. “A indenização de prejuízos causados à Fazenda Pública será liquidada
mediante desconto em prestações mensais não excedentes a 20% (vinte por cento) do
vencimento, à míngua de outros bens que por ela respondam, a ser cobrada após o término do
procedimento disciplinar, independente de qualquer pronunciamento judicial”.
► POSIÇÃO DO STF:
- O STF, em voto da lavra do Min. Maurício Corrêa (Informativo 336), entendeu que o art. 46 da Lei nº 8.112/90
(que trata de caso semelhante ao art. 215) não é dotado de autoexecutoriedade e necessita da aquiescência do
servidor para haver esse desconto na folha de pagamento. Caso não ocorra a aceitação, a execução será judicial.
- Todavia, posteriormente o mesmo STF (Informativo 355) julgou possível o desconto na remuneração de
servidor para pagamento. Percebe-se sensível crescimento das decisões judiciais favoráveis ao desconto em
folha dos servidores para ressarcimento dos danos ao erário, desde que observados o contraditório e a
ampla defesa nos processos administrativos de apuração de responsabilidade.
Tratando-se de dano causado a terceiros, responderá o servidor policial civil perante a
Fazenda Pública Estadual, em ação regressiva proposta depois de transitar em julgado a
decisão que condenar o Estado a indenizar o terceiro prejudicado (art. 215, §2º, do Estatuto da
PCPR).
Improbidade administrativa (Lei nº 8.429/1992): as sanções de improbidade previstas na Lei
8429/92 têm natureza civil, não impedindo, contudo, a apuração de responsabilidades na
esfera administrativa e na esfera penal. A natureza da ação de improbidade é cível. Sujeitos
passivos da improbidade (vítimas do ato): a lei ampliou o seu alcance para a Adm Pública
Direta e Indireta e ainda para as entidades privadas que recebem dinheiro público para custeio
ou formação do capital.
► ATENÇÃO:
- Sendo assim, a Lei nº 8.429/92 protege o patrimônio dos entes da Administração Pública (amplamente
considerada) e também das entidades privadas que recebam dinheiro público para custeio ou para formação do
capital.
Sujeitos ativos da improbidade (responsáveis pela prática do ato ímprobo): agentes públicos
de direito ou de fato; e terceiros/particulares.
► ATENÇÃO:
- Somente é possível a análise da responsabilização de particular, por ato de improbidade administrativa, se
este for atribuído, concomitantemente, a agente público, restando inviável o ajuizamento de ação civil
pública de improbidade administrativa exclusivamente em face do eventual terceiro beneficiário (AgInt no
REsp 1442570/SP). Inexiste litisconsórcio necessário entre o agente público e os terceiros beneficiados com o ato
ímprobo. Frise-se: Não se poderá, todavia, intentar ação civil pública por ato de improbidade exclusivamente
contra o particular, sem a presença no polo passivo de um agente público responsável pelo ato de improbidade.
- A pessoa jurídica tem legitimidade para figurar no polo passivo de ação de improbidade, ainda que
desacompanhada de seus sócios (REsp 1186389/PR).
Atos ímprobos: conforme explicitado alhures, o texto legal estabelece três espécies de atos de
improbidade, a saber, os atos que geram enriquecimento ilícito, os que causam danos ao
erário público e os atos que atentam contra princípios da administração pública. A LC 157/16
criou uma nova espécie de ato de improbidade que foi inserida no art. 10-A da Lei 8.429/92.
Em verdade, trata-se de ato que enseja prejuízo ao erário e que poderia ter sido incluído em
um dos incisos do próprio art. 10, no entanto, foi tratado em artigo separado, inclusive com
sanções diferenciadas. Desta forma, a lei estabelece que constitui ato de improbidade
administrativa qualquer ação ou omissão para conceder, aplicar ou manter benefício
financeiro ou tributário de forma indevida em relação ao ISS (Imposto Sobre Serviços).
Elemento subjetivo: o entendimento do STJ é de que o dolo deve ser elemento caracterizador
dos atos de improbidade. De fato, no Recurso Especial 980.706, transcrito a seguir, a Corte
entendeu que somente pode haver responsabilidade por atos de improbidade administrativa,
quando houver dolo por parte do agente. Por óbvio, tal entendimento diz respeito aos atos de
improbidade que não causam dano direto ao erário público. Procedimento da Ação Civil
Pública por ato de improbidade: A ação de improbidade é ação civil que visa punir os
agentes públicos e particulares que atuem em colaboração ou se beneficiando da atuação do
agente, por atos de improbidade. Pode ser proposta pela Pessoa Jurídica lesada - ou seja, uma
das entidades elencadas no art. 1º da Lei 8.429/92 que tenha sofrido o ato de improbidade - ou
pelo Ministério Público.
► ATENÇÃO:
- Novidade do ‘acordo de não persecução cível’ (art. 17, § 1º, da LIA) incorporado pela Lei 13.964/19:
ANTES DEPOIS
Art. 17, § 1º - É vedada a transação, acordo ou Art. 17, § 1º - As ações de que trata este artigo
conciliação nas ações de que trata o caput. admitem a celebração de acordo de não
persecução cível, nos termos desta Lei. (Redação
dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2012 Banca: UEG Órgão: PC-GO Prova: UEG - 2008 - PC-GO - Delegado de Polícia) Diante do
comando da Lei n. 8.429/92, que dispõe sobre as condutas que configuram a improbidade administrativa e as
sanções aplicáveis, é CORRETO afirmar:
A - face ao princípio de proporcionalidade, as sanções de perda da função pública, a suspensão dos direitos
políticos, a proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios e
o pagamento de multa civil poderão ser aplicadas de forma isolada.
B - estão excluídos da responsabilização aqueles que não possuem vínculo efetivo ou em comissão com a
Administração Pública, diante da definição de agente público para fim de incidência da Lei de Improbidade
Administrativa.
C - a pessoa jurídica beneficiada pelo ato de improbidade não pode ser responsabilizada pelas sanções previstas,
apenas a(s) pessoa(s) que por ela respondem.
D - a aplicação das sanções previstas na Lei n. 8.429/92 aos gestores públicos está condicionada à rejeição das
contas pelo Tribunal de Contas.
R: A. Art 12. Independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação específica,
está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou
cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato.

Responsabilidade criminal.
Estatuto da PCPR: Art. 216. A responsabilidade penal abrange as infrações penais imputadas
ao servidor policial civil nessa qualidade. § 1º. O Corregedor-Geral da Polícia Civil decidirá
fundamentadamente pelo afastamento temporário, ou não, do exercício do cargo ou das
funções, com supressão das vantagens previstas nesta lei, do servidor Policial Civil
processado criminalmente. (Redação dada pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003) § 2º.
No caso de condenação, não sendo esta de natureza a determinar a demissão, passará o
servidor policial civil a prestar serviços em unidade policial onde o exercício do cargo ou
função seja compatível com as condições da suspensão condicional da pena cominada na
sentença condenatória.
► ATENÇÃO:
- O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a Administração Pública.
► POSIÇÃO STF:
- (...) A REDUÇÃO DE VENCIMENTOS DE SERVIDORES PÚBLICOS PROCESSADOS CRIMINALMENTE
COLIDE COM O DISPOSTO NOS ARTS. 5º, LVII, E 37, XV, DA CONSTITUIÇÃO, QUE ABRIGAM,
RESPECTIVAMENTE, OS PRINCÍPIOS DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA E DA IRREDUTIBILIDADE DE
VENCIMENTOS. (...). [RE 482.006, REL. MIN. RICARDO LEWANDOWSKI, J. 7-11-2007, P, DJE DE 14-12-2007

- "AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. 2. ADMINISTRATIVO.


SERVIDOR PÚBLICO. PRISÃO PREVENTIVA. 3. DESCONTO NOS VENCIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE.
PRECEDENTE. 4. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO."(ARE 776213 AgR, Rel. Min. Gilmar
Mendes, Segunda Turma, DJe 4.9.2014)
"SERVIDOR PÚBLICO PRESO PREVENTIVAMENTE. DESCONTOS NOS PROVENTOS. ILEGALIDADE.
PRECEDENTES. 1. A JURISPRUDÊNCIA DA CORTE FIXOU ENTENDIMENTO NO SENTIDO DE QUE O FATO
DE O SERVIDOR PÚBLICO ESTAR PRESO PREVENTIVAMENTE NÃO LEGITIMA A ADMINISTRAÇÃO A
PROCEDER A DESCONTOS EM SEUS PROVENTOS. 2. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO."(RE 705174
AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Primeira Turma, DJe 23.10.2013)

Responsabilidade administrativa. Trata-se de aplicação do poder disciplinar pelo qual a


própria Administração aplica as sanções devidas, segundo avaliação de mérito da autoridade
administrativa competente.
Estatuto da PCPR: Art. 217. A responsabilidade administrativa resulta de ação ou omissão
no desempenho do cargo ou função. § 1º. O servidor policial civil, indiciado em processo
disciplinar, poderá ser afastado do exercício, a critério do Corregedor-Geral da Polícia
Civil. (Redação dada pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003) § 2º. Idêntica medida deverá
ser tomada com relação ao servidor policial civil indiciado em Sindicância, quando a
transgressão disciplinar for de natureza grave. (Incluído pela Lei Complementar 19 de
29/12/1983) § 3º. O restabelecimento do vencimento ou remuneração do servidor policial
civil punido, só ocorrerá após o cumprimento da pena. (Incluído pela Lei Complementar 19
de 29/12/1983)
Art. 221. Cometerá falta de natureza grave o superior hierárquico que dificultar, impedir ou
de alguma forma frustrar a aplicação de penalidade disciplinar.
Art. 223. Constitui circunstância que exclui sempre a pena disciplinar, a não exigibilidade
de outra conduta do servidor policial civil.
Parágrafo único. São causas que excluem ou isentam o servidor policial civil de pena
disciplinar, as previstas no Código Penal Brasileiro.
► OBSERVAÇÃO:
- O art. 126, da Lei nº 8.112/90, contempla uma possibilidade de comunicação e instâncias. Trata-se da
absolvição criminal pela inexistência do fato ou de sua autoria. Não encontrei dispositivo similar no Estatuto
da PCPR.
* OBS.: O STF amplia esse entendimento ao considerar três as situações de comunicabilidade da sentença
absolutória penal, a saber: a) pela inexistência de autoria do fato; b) inocorrência material do próprio
evento; ou c) pela presença de qualquer das causas de justificação penal (MS 23.190, Rel. Celso de Melo,
01/08/13).
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2013 Banca: COPS-UEL Órgão: PC-PR Prova: COPS-UEL - 2013 - PC-PR - Delegado de Polícia)
Um servidor público, sob determinadas circunstâncias, pode ser absolvido da denúncia de um crime contra a
administração pública. Com relação às circunstâncias em que necessariamente haverá a absolvição também no
âmbito administrativo, considere as afirmativas a seguir.
I. Ausência de provas.
II. Negativa de culpabilidade.
III. Negativa da autoria.
IV. Negativa do fato.
Assinale a alternativa correta.
A - Somente as afirmativas I e II são corretas.
B - Somente as afirmativas I e IV são corretas.
C - Somente as afirmativas III e IV são corretas.
D - Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
E - Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
R: C. A questão cobrou apenas o básico: Artigo 126 da Lei 8.112/90: "A responsabilidade administrativa do
servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou sua autoria".

► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2019 Banca: Instituto Acesso Órgão: PC-ES Prova: Instituto Acesso - 2019 - PC-ES - Delegado de
Polícia) Sobre os prazos referentes ao processo administrativo regido pela Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999,
assinale a alternativa INCORRETA:
A - Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, mas, para efeito de contagem, exclui-se o
dia da cientificação do ato.
B - Se o prazo for de um mês e o dia de início da contagem começar no dia 31 janeiro de 2019, o dia do
vencimento será o dia 28 de fevereiro de 2019.
C - Inclui-se, para efeito de contagem de prazos, o dia do vencimento.
D - A contagem dos prazos começa na data da cientificação oficial, incluindo-se o dia do vencimento.
E - Ocorrendo motivo de força maior comprovado, pode-se efetuar a suspensão dos prazos.
R: D. Lei 9.784/99: Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindo-
se da contagem o dia do começo e incluindo-se o do vencimento.
§ 1º Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte se o vencimento cair em dia em que não
houver expediente ou este for encerrado antes da hora normal.
§ 2º Os prazos expressos em dias contam-se de modo contínuo.
§ 3º Os prazos fixados em meses ou anos contam-se de data a data. Se no mês do vencimento não houver o
dia equivalente àquele do início do prazo, tem-se como termo o último dia do mês. (B)
Art. 67. Salvo motivo de força maior devidamente comprovado, os prazos processuais não se suspendem. (E)

5. Poderes administrativos:

A doutrina moderna costuma apontar 4 (quatro) espécies de poderes a serem exercidos pela
Administração Pública: o Poder Normativo (ou Regulamentar), o Poder Disciplinar, o
Poder Hierárquico e o Poder de Polícia.
► QUESTÃO DE PROVA:
- Ano: 2012 Banca: MPE-SP Órgão: MPE-SP Prova: MPE-SP - 2012 - MPE-SP - Promotor de Justiça
São poderes da Administração inerentes ao exercício da atividade administrativa da União, Estados, Distrito
Federal e Municípios, em observância a suas competências constitucionais, e somente podendo ser exercidos nos
limites da lei, os poderes
A - de fomento, regulamentar, intervenção e disciplinar.
B - de fomento, hierárquico, autoexecutoriedade e de polícia.
C - regulamentar, intervenção, disciplinar e de polícia.
D - de fomento, intervenção, autoexecutoriedade e hierárquico.
E - regulamentar, disciplinar, hierárquico e de polícia.
R: E. Dentre os principais poderes administrativos descritos pela doutrina estão: o poder hierárquico; o poder
disciplinar; o poder regulamentar; e o poder de polícia. O fomento, a intervenção e autoexecutoriedade não são
considerados como poderes da Adm Pública.
Os itens "Fomento" e "intervenção" estão mais para tarefas precípuas da administração da administração
moderna, função política da administração ou função administrativa, embora em alguns destes
desdobramentos doutrinários se coloque o poder de polícia como uma função administrativa,  mas ao que
parece o examinador sobrepesou tal mister do estado no rol de poderes, excluindo-o portanto de sua
“função administrativa”
O item “autoexecutoriedade”, por sua vez, é atributo comezinho dos atos administrativos.

poder vinculado e poder discricionário;


Essa classificação não é unanimemente aceita pela doutrina pátria, haja vista o fato de que
NÃO existem atuações absolutamente discricionárias dentro da função administrativa e, pelo
fato de que, cada um dos poderes da Administração Pública pode se manifestar por atos
vinculados ou discricionários, dependendo da previsão legislativa.
I) Poder Vinculado: a lei já preestabelece a única conduta a ser tomada, a regra do Direito já
define a atuação e o administrador está limitado a essas regras, porquanto a lei não dá margem
de escolha em sua conduta. Logo, preenchidos os requisitos legais, o administrador é
obrigado a praticar o ato previamente definido. Nesses casos, a ocorrência da previsão legal
enseja, inclusive, direito adquirido a terceiros (p. ex. a licença); e II) Poder Discricionário:
no Poder Discricionário, o administrador também está subordinado à lei, porém, há situações
nas quais o próprio texto legal confere margem de opção ao administrador e este tem o
encargo de identificar, diante do caso concreto, a solução mais adequada. MSZP define que
"a atuação é discricionária quando a Administração, diante do caso concreto, tem a
possibilidade de apreciá-lo segundo critérios de oportunidade e conveniência e escolher uma
dentre duas ou mais soluções, todas válidas para o direito". Segundo José dos Santos
Carvalho Filho, "Conveniência e oportunidade são elementos nucleares do poder
discricionário".
► OBSERVAÇÃO:
- Controle Judicial da Atividade Administrativa Discricionária: o Poder Judiciário não pode e não deve
substituir a decisão do Administrador, não pode fazer análise de interesse público, não pode, enfim, julgar o mérito
de um ato administrativo discricionário. O Poder Judiciário somente pode analisar os atos administrativos no que
tange aos aspectos da legalidade.

poder hierárquico;
JSCF: Hierarquia é o escalonamento em plano vertical dos órgão e agentes da Administração
que tem como objetivo a organização da função administrativa. Em razão desse
escalonamento firma-se uma relação jurídica entre os agentes, que se denomina de relação
hierárquica. Efeitos específicos: poder de comando dos superiores, dever de obediência dos
subordinados (não obriga o agente a cumprir ordens manifestamente ilegais), poder de revisão
e, por fim, a delegação e avocação.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2017 Banca: FAPEMS Órgão: PC-MS Prova: FAPEMS - 2017 - PC-MS - Delegado de Polícia)
Quanto aos poderes da Administração Pública, assinale a alternativa correta.
A - O Poder Hierárquico é pressuposto do Poder Disciplinar.
B - O Poder Hierárquico pode ser exercido pela regulamentação de prática de ato em razão de interesse público
concernente à segurança.
C - O Poder Disciplinar pode ser exercido por meio do disciplinamento de liberdade.
D - O Poder de Polícia pode ser exercido por meio da expedição de decretos autônomos.
E - A possibilidade de delegar e avocar atribuições decorre do Poder Disciplinar.
R: A. Sendo o poder hierárquico o responsável por escalonar e distribuir as funções dos órgãos e ordenar e
rever a atuação dos agentes, acaba por conseguinte se tornando pressuposto do poder disciplinar que é o
poder pelo qual se pode punir as infrações funcionais dos agente públicos como também se dirige a outras
pessoas que mantém relação jurídica com a Administração.

Delegação e avocação de competência: JSCF: Tanto a avocação quanto a delegação são


figuras excepcionais, só justificáveis ante os pressupostos que a lei estabelecer. Serão
inválidas se de alguma forma ou por via obliqua, objetive a supressão das atribuições do
círculo de competência dos administradores públicos. I) DELEGAÇÃO: possibilidade de se
atribuir a órgão ou servidor, em regra inferior hierárquico, as atribuições originalmente
desempenhadas por outro órgão ou servidor. O artigo 12 da Lei 9.784/99 admite delegação
mesmo que não exista subordinação hierárquica quando for conveniente, em razão de
circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial. JSCF: Exemplos de
delegação: Art. 84, art. 93, XIV da CF/88 e art. 12 do Decreto-Lei 200/67 (organização da
Adm Federal e Reforma Administrativa) com atenção para o seu parágrafo único que dispõe
que: “O ato de delegação indicará com precisão a autoridade delegante, a autoridade delegada
e as atribuições objeto de delegação”. JSCF: A lei pode impedir que algumas funções sejam
objeto de delegação, é o caso do art. 13 da Lei 9.784/99 (Processo Administrativo Federal). A
delegação não retira a competência da autoridade delegante.
► OBSERVAÇÃO:
- Só pode haver delegação de competência de ente hierarquicamente superior para inferior ou entre entes de
igual hierarquia (CARVALHO FILHO).
II) AVOCAÇÃO: JSCF: Autoridade hierarquicamente superior atrai para sua esfera
decisória a prática de ato de competência natural de agente com menor hierarquia. É um meio
de evitar decisões concorrentes e eventualmente contraditórias. É ato mediante o qual o
superior hierárquico traz para si, temporariamente, o exercício (e não a titularidade) de
determinada competência que a lei confere a um subordinado. Somente pode ser feita quando
existe hierarquia entre os agentes. Deve ser excepcionalíssima, a fim de evitar interferências
de cunho político ou de manifestos interesses não republicanos. JSCF: Exemplo: Art. 103-B,
§ 4º, III da CF (avocação pelo CNJ de processos disciplinares em curso).
Avocação e redistribuição de Inquéritos Policiais: Lei nº 12.830/13, art. 2º, § 4º, estabelece
que o inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso somente poderá ser
avocado ou redistribuído por superior hierárquico, mediante despacho fundamentado, por I)
motivo de interesse público ou II) nas hipóteses de inobservância dos procedimentos
previstos em regulamento da corporação que prejudique a eficácia da investigação.

Poder disciplinar;
É o poder de apurar infrações, aplicando sanções e penalidades por parte do Poder Público a
todos aqueles que possuam vínculo de natureza especial com o Estado (servidores ou não,
normalmente por relação hierárquica ou contratual).
Sendo assim, a doutrina costuma apontar que o Poder Disciplinar pode decorrer do Poder
Hierárquico, haja vista tratar-se a hierarquia de uma espécie de vinculação especial, mas
também pode decorrer dos contratos celebrados pela Administração Pública, sejam regidos
pelo direito público ou pelo direito privado.
Para o entendimento majoritário da doutrina, os atos decorrentes do Poder Disciplinar são
praticados, em regra, no exercício de competência discricionária.
Contudo, MATHEUS CARVALHO aponta que não obstante o entendimento doutrinário
tradicional, não se pode considerar que o Poder Disciplinar seja, em sua essência,
discricionário, estando as sanções previamente estipuladas para cada infração prevista em lei,
restando ao agente público, tão somente, uma certa margem de escolha no que tange à
aplicação da pena.
► OBSERVAÇÃO:
- Contratos administrativos são hipóteses de vínculo especial ensejador de aplicação de sanções disciplinares.
Quando se aplica uma multa decorrente de um descumprimento contratual, é poder disciplinar.
- O poder disciplinar pode, ainda, incidir sobre servidor aposentado. Neste sentido, vale destacar a possibilidade da
aplicação da sanção de cassação de aposentadoria e da cassação de disponibilidade.
- Em questão de concurso elaborada pelo CESPE, foi perguntado aos candidatos se estaria configurado o Poder
Disciplinar na hipótese em que a Diretora de uma escola pública aplica a penalidade de suspensão a dois alunos
faltosos. Por óbvio, trata-se de evidente caso de sanção disciplinar, haja vista o fato de que esses alunos possuem
uma vinculação especial com o município, por ostentarem a qualidade de alunos da entidade pública.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2017 Banca: FCC Órgão: TJ-SC Prova: FCC - 2017 - TJ-SC - Juiz Substituto) Sobre o exercício do
poder disciplinar da Administração Pública, é correto afirmar que tal poder
A - é exercido somente em face de servidores regidos pelas normas estatutárias, não se aplicando aos empregados
públicos, regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho.
B - admite a aplicação de sanções de maneira imediata, desde que tenha havido prova inconteste da conduta ou que
ela tenha sido presenciada pela autoridade superior do servidor apenado.
C - é aplicável aos particulares, sempre que estes descumpram normas regulamentares legalmente embasadas, tais
como as normas ambientais, sanitárias ou de trânsito.
D - é extensível a sujeitos que tenham um vínculo de natureza especial com a Administração, sejam ou não
servidores públicos.
E - não contempla, em seu exercício, a possibilidade de afastamentos cautelares de servidores antes que haja o
prévio exercício de ampla defesa e contraditório.
R: D. O poder disciplinar, de fato, destina-se a particulares (portanto, não servidores) que mantenham
vínculo jurídico específico com a Administração, bem assim aos servidores públicos. As sanções
eventualmente impingidas a delegatários de serviços públicos (multas, suspensões do direito de contratar
com a Administração etc.) têm origem, precisamente, no poder disciplinar.
Sobre a ‘A’: errada. O poder disciplinar destina-se a agentes públicos e a particulares que estabeleçam vínculo
jurídico específico com a Administração Pública. Em assim sendo, é de se reconhecer que os empregados
públicos, apesar de não ostentarem vínculo estatuário com a Administração, mas sim celetista, celebram
contrato de trabalho, o qual constitui, sim, vínculo especial, a autorizar que se submetam à disciplina
interna da Administração.
Segundo precedentes do STJ, o termo inicial do prazo prescricional da Ação Disciplinar é a
data em que o fato se tornou conhecido da Administração, mas não necessariamente por
aquela autoridade específica competente para a instauração do PAD (MS 14.159/DF, Rel.
Min. Napoleão Nunes Maia Filho, 3ª Seção, 24/04/2011).
Poder regulamentar [poder normativo];
Também chamado de poder normativo. A CF/88 consagrou o princípio da legalidade, mas
reconheceu a competência normativa do Executivo (competência reservada ao Executivo para
produzir normas jurídicas). Ao editar as leis, o Poder Legislativo nem sempre possibilita
sejam elas executadas, cumprindo à Administração criar os mecanismos de complementação.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2017 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: Prefeitura de Belo Horizonte - MG Prova: CESPE - 2017
Prefeitura de Belo Horizonte - MG - Procurador Municipal) Em relação aos poderes e deveres da
administração pública, assinale a opção correta.
A - É juridicamente possível que o Poder Executivo, no uso do poder regulamentar, crie obrigações subsidiárias
que viabilizem o cumprimento de uma obrigação legal.
B - De acordo com o STF, ao Estado é facultada a revogação de ato ilegalmente praticado, sendo prescindível o
processo administrativo, mesmo que de tal ato já tenham decorrido efeitos concretos.
C - De acordo com o STF, é possível que os guardas municipais acumulem a função de poder de polícia de
trânsito, ainda que fora da circunscrição do município.
D - Do poder disciplinar decorre a atribuição de revisar atos administrativos de agentes públicos pertencentes às
escalas inferiores da administração.
R: A. É juridicamente possível que o Poder Executivo, no uso do poder regulamentar, crie obrigações
subsidiárias que viabilizem o cumprimento de uma obrigação legal. CARVALHO FILHO explica que é
“legítima, porém, a fixação de obrigações subsidiárias (ou derivadas) - diversas das obrigações primárias
(ou originárias) contidas na lei”. Ademais, o STF já reconheceu a possibilidade de instituição de obrigações
acessórias.
Sobre a ‘C’: errada. Sim, de acordo com o STF, é possível que os guardas municipais acumulem a função de poder
de polícia de trânsito, vejam: É constitucional a atribuição às guardas municipais do exercício do poder de polícia
de trânsito, inclusive para a imposição de sanções administrativas legalmente previstas (ex: multas de trânsito).
STF. Plenário. RE 658570/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em
6/8/2015 (Info 793). Mas, desde que seja limitada a circunscrição do município  (CTB, art. 24), a fim de não
implicar na invasão de competência doutro município, notem: CF, art. 144, § 8º Os Municípios poderão
constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei.

- (Ano: 2015 Banca: FCC Órgão: TJ-GO Prova: FCC - 2015 - TJ-GO - Juiz Substituto) O regime jurídico
administrativo compreende um conjunto de prerrogativas e sujeições aplicáveis à Administração e expressa-se sob
a forma de princípios informativos do Direito Público, bem como pelos poderes outorgados à Administração, entre
os quais se insere o poder normativo, que
A - não se restringe ao poder regulamentar, abarcando também atos originários relativos a matéria de organização
administrativa.
B - permite a edição de atos discricionários, com base em critérios de conveniência e oportunidade e afasta a
vinculação a requisitos formais
C - autoriza a Administração a impor limites às atividades privadas em prol do interesse público.
D - é o instrumento pelo qual a Administração disciplina a execução da lei, editando normas que podem inovar em
relação ao texto legal para a criação de obrigações aos administrados.
E - compreende a aplicação de sanções àqueles ligados à Administração por vínculo funcional ou contratual.
R: A. O poder regulamentar, na essência, é o poder normativo que a Adm Pública possui para editar atos gerais
para complementar as leis e permitir sua efetiva aplicação.
Alguns doutrinadores dividem em “regulamento executivo” que se refere justamente a esta característica acima
citada e “regulamento autônomo” que diz respeito à competência para dispor sobre organização e
funcionamento da Adm e extinção de cargos e funções, cf. disciplina o art. 84, VI, CF. Isto justifica o
gabarito, de que “poder normativo, não se restringe ao poder regulamentar, abarcando também atos
originários relativos a matéria de organização administrativa”.
Sobre a ‘C’: essa assertiva fala do poder de polícia.
Decretos Decretos Autônomos
- Decretos, em sentido próprio e restrito, são atos - Decretos Autônomos, com a EC 32/2001, introduziu-se no
administrativos da competência exclusiva dos chefes do ordenamento pátrio ato normativo conhecido
Executivo, destinados a prover situações gerais ou doutrinariamente como decreto autônomo. É decreto que
individuais, abstratamente previstas de modo expresso, decorre diretamente da Constituição, possuindo efeitos
explícito ou implícito pela legislação (Hely Lopes Meirelles análogos ao de uma lei ordinária. Tal espécie normativa,
– Direito Administrativo Brasileiro). contudo, limita-se às hipóteses de organização e
funcionamento da administração federal, quando não
implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de
órgãos públicos, e de extinção de funções ou cargos públicos,
quando vago (art. 84, VI, da Constituição).
► ATENÇÃO:
- NÃO CONFUNDIR:
• Decreto autônomo: delegável (art. 84, §único); e
• Decreto regulamentar: indelegável (art. 84, IV). Somente o Chefe do Poder Executivo é que pode expedir
regulamentos (art. 84, CF). Tal competência é indelegável. Os demais órgãos da administração expedem outras
medidas normativas, como por exemplo, circulares, portarias e instruções.
I) Os regulamentos de execução pressupõem a existência de uma lei, cujas normas são
objeto de sua explicitação e desenvolvimento. O regulamento de execução busca explicitar e
facilitar a aplicação de normas contidas em uma lei. O seu fundamento de validade imediato é
a norma legal. São atos inferiores à lei, devendo respeitá-la. Conforme jurisprudência do STJ:
Compete ao STJ, em recurso especial, apreciar questão relativa a decreto que, a pretexto de
regulamentar determinada lei, supostamente extrapola o âmbito de incidência da norma.
Conforme já decidido pelo STF, o tema se situa no plano da legalidade, não da
constitucionalidade. II) Os regulamentos autônomos (CARVALHO FILHO chama assim)
são aqueles desvinculados de uma lei, encontrando o seu fundamento de validade
diretamente na Constituição. CARVALHO FILHO nega a existência de regulamentos
autônomos, embora a maioria da doutrina admita. Por meio do regulamento autônomo, são
criados direitos e obrigações sem prévia existência de lei. O regulamento autônomo somente é
admitido no direito brasileiro nas hipóteses previstas no art. 84, VI, da CF/88, na redação
dada pela EC nº 32/2001: a) para organizar a estrutura administrativa federal, desde que
não implique aumento de despesa ou criação ou extinção de órgão público; b) extinguir
cargo, quando vagos. Portanto, a CF/88 expressamente prevê a possibilidade de serem
editados decretos como atos primários, isto é, atos que decorrem diretamente do texto
constitucional, decretos que não foram expedidos em função de alguma lei ou de algum
outro ato infraconstitucional, podendo ser objeto de controle de constitucionalidade (ADI
3664, 20/09/2011).
► ATENÇÃO:
- Artigos da CF/88:
• Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução;
VI - dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou
extinção de órgãos públicos; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
• Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos
políticos.
Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei:
II - expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos;

► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2015 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: DPE-RN Prova: CESPE - 2015 - DPE-RN - Defensor
Público Substituto) Com relação aos poderes da administração pública e aos poderes e deveres dos
administradores públicos, assinale a opção correta.
A - A cobrança de multa constitui exemplo de exceção à autoexecutoriedade do poder de polícia, razão por que o
pagamento da multa cobrada não pode se configurar como condição legal para que a administração pública
pratique outro ato em favor do interessado.
B - A autorização administrativa consiste em ato administrativo vinculado e definitivo segundo o qual a
administração pública, no exercício do poder de polícia, confere ao interessado consentimento para o desempenho
de certa atividade.
C - O desvio de finalidade é a modalidade de abuso de poder em que o agente público atua fora dos limites de sua
competência, invadindo atribuições cometidas a outro agente.
D - No exercício do poder regulamentar, é conferida à administração pública a prerrogativa de editar atos gerais
para complementar a lei, em conformidade com seu conteúdo e limites, não podendo ela, portanto, criar direitos e
impor obrigações, salvo as excepcionais hipóteses autorizativas de edição de decreto autônomo.
E - Decorre do sistema hierárquico existente na administração pública o poder de delegação, segundo o qual pode
o superior hierárquico, de forma irrestrita, transferir atribuições de um órgão a outro no aparelho administrativo.
R: D. No que se refere à possibilidade de produção de decretos autônomos, embora haja divergências
doutrinárias, parece prevalecer a posição que a admite - e que foi abraçada pela Banca nesta questão. Tal
competência tem amparo na norma do art. 84, VI, CRFB, com a redação conferida pela EC 32/2001. A corroborar
esta posição, uma vez mais, confira-se a lição de Di Pietro:
"Com a Emenda Constitucional n.º 32, altera-se o artigo 84, VI, para outorgar ao Presidente da República
competência para 'dispor, mediante decreto, sobre: (a) organização e funcionamento da administração federal,
quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; (b) extinção de funções ou
cargos públicos, quando vagos". (...)
Com a alteração do dispositivo constitucional, fica restabelecido, de forma muito limitada, o regulamento
autônomo no direito brasileiro, para a hipótese específica inserida na alínea a."
Integralmente correta, portanto, esta alternativa. O Poder Regulamentar não permite que o Chefe do Executivo
detenha a capacidade de legislar. Vale dizer, o Chefe do Executivo não tem capacidade para inovar no
mundo jurídico por meio de decreto regulamentar, razão pela qual não tem seus atos a capacidade de criar
direitos e impor obrigações, SALVO se tratando de Decreto Autônomo.
Sobre a ‘A’: A presente opção se revela em confronto com a doutrina de José dos Santos Carvalho Filho, que se
extrai do seguinte trecho de sua obra: "A despeito de a multa não ser autoexecutória, é possível que seu
pagamento se configure como condição para que a Administração pratique outro ato em favor do
interessado. Exige-se, contudo, que tal condição tenha expressa previsão em lei. Há, aqui e ali, entendimento
no sentido de que a liberação de veículo alvo da penalidade de apreensão por motivo de infração de trânsito
dispense o pagamento da multa, e isso sob o argumento de que se estaria, indiretamente, convertendo a
multa em punição autoexecutória. Não nos parece correta tal orientação. No caso, não se trata de
transformação da natureza da multa, mas sim da circunstância de ter a lei considerado a quitação da multa
como condição da prática de novo ato administrativo. Se a lei fez expressamente a previsão, não há
fundamento para impugnar a exigência."
É válido mencionar que tal entendimento conta com o endosso da jurisprudência do STJ, exigindo-se, tão
somente, que o particular tenha sido previamente notificado acerca das multas devidas, sem o respectivo
pagamento no prazo legal, como se extrai do seguinte precedente:
"RECURSO ESPECIAL – DIREITO ADMINISTRATIVO – INFRAÇÃO DE TRÂNSITO – APREENSÃO
DE VEÍCULO – EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO DAS MULTAS – CONDIÇÃO PARA RESTITUIÇÃO
AO PROPRIETÁRIO – LEGALIDADE NO CASO DE NOTIFICAÇÃO PARA DEFESA – AUTUAÇÃO
IN FACIE – NECESSIDADE DE REEXAME DE PROVAS. 1. Restringe-se a controvérsia acerca da
legitimidade do ato de autoridade que condiciona a liberação de veículo, apreendido por trafegar sem
registro e licenciamento, ao pagamento de multas e demais despesas decorrentes da apreensão. 2. Esta Corte
Superior de Justiça entende que, se as multas em cobrança já foram devidamente notificadas, restando
escoado o prazo para defesa, nada impede à autoridade de trânsito condicionar a liberação do veículo à
respectiva quitação. 3. Presume-se notificado o infrator autuado em flagrante, nos termos do art. 280, inciso
IV, do CTN. Entretanto, nesse caso, embora alegue a recorrente a ocorrência de autuação em flagrante, não
há como aferir, mediante a análise dos autos, sob pena de inaceitável reexame de provas. 4. Quanto ao
pagamento de valores referentes ao recolhimento e remoção do veículo, o acórdão recorrido encontra-se em
idêntico sentido do entendimento desta Corte, e não há interesse do recorrente em modificá-lo. 5. O veículo
apreendido pela autoridade de trânsito é removido para o depósito, lá permanecendo retido até a quitação
de todos os débitos referentes a taxas, despesas de reboque e diárias do depósito, quando então será
permitido ao proprietário a sua retirada. Recurso não-conhecido." (REsp. 881.202, 2ª Turma, rel. Ministro
Humberto Martins, DJ 11.05.2007)
SÚMULA N. 127/STJ: É ilegal condicionar a renovação da licença de veículo ao pagamento de multa, da
qual o infrator não foi notificado.
Logo, se houve notificação, devida a exigência do pagamento da multa. Logo, incorreta esta primeira opção.
Além do decreto regulamentar, o poder normativo da Administração também expressa-se
por meio de resoluções, portarias, deliberações e instruções editadas por outras autoridades
diversas do chefe do Executivo. Acresça-se a este rol os regimentos, que são as normas
estabelecidas pelos órgãos colegiados para disciplinar seu funcionamento. Todos estes atos
estabelecem normas cujo alcance limita-se ao âmbito de atuação de seu órgão expedidor.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2017 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: Prefeitura de Fortaleza - CE Prova: CESPE - 2017 -
Prefeitura de Fortaleza - CE - Procurador do Município) Com relação a processo administrativo, poderes da
administração e serviços públicos, julgue o item subsecutivo.
O exercício do poder regulamentar é privativo do chefe do Poder Executivo da União, dos estados, do DF e dos
municípios.
R: Certo. Há quem sustente, de fato, e é esta a posição que se afigura majoritária, que o exercício do poder
regulamentar, realmente, seria privativo dos Chefes do Poder Executivo (presidente da República,
governadores e prefeitos). Seria, pois, uma espécie do gênero maior denominado poder normativo. E consiste, na
essência, na faculdade de editar atos infralegais, dotados de generalidade e abstração, com o escopo de dar fiel
execução às leis.
Neste sentido, a lição de Maria Sylvia Di Pietro: "Insere-se, portanto, o poder regulamentar como uma das
formas pelas quais se expressa a função normativa do Poder Executivo. Pode ser definido como o que cabe
ao Chefe do Poder Executivo da União, dos Estados e dos Municípios, de editar normas complementares à
lei, para sua fiel execução."
Poder Normativo Poder Regulamentar
- O poder normativo pode exercido por diversas autoridades - O poder regulamentar (espécie de
administrativas, além do próprio Chefe do Executivo. É o caso, por poder normativo), a seu turno, é
exemplo, dos Ministros de Estado que possuem a atribuição de qualificado pela doutrina
expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos, tradicional como atribuição
nos termos do art. 87, II da CF/88 ou das agências reguladoras exclusiva do Chefe do Poder
pertencentes à Administração Pública Indireta (a exemplo do Banco Executivo.
Central) que podem editar regulamentos próprios.
* OBS.: Conforme bem destacado por MATHEUS CARVALHO (2017, p.126): "A doutrina tradicional refere-
se a Poder Regulamentar como sinônimo de Poder Normativo. Ocorre que, modernamente, por se tratar de
conceituação restrita (uma vez que abarca a edição de regulamentos apenas, excluindo os outros atos normativos
próprios da atuação do Estado), o Poder Regulamentar vem sendo tratado como espécie do Poder Normativo.
Afinal, além da edição de regulamentos, o Poder Normativo abarca a edição de outros atos normativos, tais como
deliberações, instruções, resoluções. Dessa forma, nessa obra o Poder Regulamentar será tratado como
atribuição típica e exclusiva do chefe do Poder Executivo, enquanto o Poder Normativo é o poder geral
conferido às autoridades públicas de editarem normas gerais e abstratas, nos limites da legislação
pertinente".
Refira-se, todavia, que também existe corrente doutrinária que não faz tal distinção terminológica. Vale dizer, se
refere ao poder regulamentar independentemente da autoridade da qual emana, mesmo que não se trate, portanto,
da Chefia do Executivo. Sem embargo desta segunda postura da doutrina, fato é que a presente assertiva está
alicerçada na posição majoritária, ademais de ser legítimo que as Bancas professem esta ou aquela corrente,
de maneira que deve ser considerada correta a afirmativa.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2019 Banca: NC/FUNPAR/UFPR Órgão: Prefeitura de Curitiba UF: PR Cargo: Procurador)
Durante o processo constituinte, foram intensas as discussões sobre a questão da regulamentação de leis no Brasil.
Finalmente, prevaleceu a posição de autores como Celso Antônio Bandeira de Mello (2016). Sobre o assunto,
assinale a alternativa correta.
A - A posição que prevaleceu na redação originária da Constituição de 1988 implicava a previsão exclusiva de
regulamentos autônomos.
B - A Constituição de 1988, em sua redação atual, não trata mais do assunto referente à regulamentação de leis
mediante regulamentos.
C - A posição que prevaleceu na redação originária da Constituição de 1988, embora implicasse a previsão de
regulamentos autônomos, também aceitava os regulamentos executivos.
D - A atual redação constitucional prevê duas hipóteses de regulamentação por decreto pelo Presidente da
República que não estavam presentes na redação original, sendo uma delas a extinção de funções ou cargos
públicos, quando vagos.
E - A redação original da Constituição era dúbia quando afirmava que cabia ao Presidente expedir decretos e
regulamentos, restando dúvidas no texto se tal competência era apenas para a execução de leis.
R: D. O decreto autônomo apareceu na constituição com a emenda 32/2001. Pode-se dizer que, com a
Emenda Constitucional no.32, de 2001, o decreto como ato normativo primário passou a ser admitido no
ordenamento jurídico brasileiro.
Desde a promulgação da Constituição de 1988 até a promulgação da EC 32/2001 considerávamos inteiramente
banido o decreto autônomo de nosso ordenamento. O texto constitucional somente aludia à expedição de decretos
e regulamentos no seu art. 84, IV, explicitando que tais atos se prestam a assegurar a fiel execução da lei. Portanto,
o constituinte originário só parece ter albergado a figura do regulamento de execução. Todavia, a partir da EC
32/2001, passou a existir autorização expressa na Constituição (art. 84, VI) para que o Presidente da República
disponha sobre a organização e funcionamento da Administração federal, quando não implicar aumento de despesa
nem criação ou extinção de órgãos públicos, e proceda à extinção de funções ou cargos públicos, quando
vagos, diretamente mediante decreto. 
Ademais, verifica-se que as competências previstas no art. 84, VI, da Constituição Federal tratam-se de matérias
reservadas ao Poder Executivo, não podendo ser disciplinada pelo Legislativo.
Sobre a ‘E’: errada. A redação do art. 84, inc. IV, que estabelece “sancionar, promulgar e fazer publicar as leis,
bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução” não causa nenhuma dúvida.
As Agências Reguladoras têm poder normativo (Poder Normativo de Conjuntura) : dada a
dinâmica das relações reguladas, não seria viável que tais matérias ficassem sujeitas ao
moroso processo legislativo. As resoluções dessas agências são atos normativos, na forma
de atos administrativos (pois decorrem de lei) .
► OBSERVAÇÃO:
- O controle da atividade regulamentar, em caso de exorbitância (ofensa ao princípio da legalidade) ou omissão,
será exercitado pelo Congresso Nacional (art. 49, V, CF – sustação de atos que exorbitem poder regulamentar)
e STF (ADI contra decreto autônomo sucedâneo de lei). Quanto à omissão, é cabível mandado de injunção
ou ADI por omissão, caso a ausência da norma regulamentadora torne inviável ao exercício dos direitos e
liberdades constitucionais e prerrogativas inerentes à nacionalidade, soberania e cidadania (art. 5º, LXXI, CF).
- O controle judicial dos atos administrativos regulamentares dá-se de duas formas:
a) quando o ato regulamentar esteja em conflito com a lei que ele regulamenta, será viável apenas o controle de
legalidade – assim, se o ato administrativo extrapolou os limites da lei ou a contrariou, trata-se de questão de
afronta à legalidade e não de inconstitucionalidade. Não se admite ADI nesse caso; ou
b) caso o ato regulamentar (decreto autônomo) esteja em confronto diretamente com a CF, poderá ser objeto de
Ação Direta.
- A atuação normativa da Adm Pública se sujeita ao controle do próprio ente (em decorrência do princípio
da autotutela), do Poder Judiciário e também do Poder Legislativo: O art. 49, V da Constituição Federal
dispõe que compete ao CN sustar os atos administrativos normativos que extrapolem ou exorbitem o poder
regulamentar, retirando-lhes sua eficácia. O Poder Judiciário, desde que provocado, pode exercer o controle de
legalidade de todos os atos administrativos, abrangendo os atos normativos. Por fim, em decorrência do princípio
da autotutela, a própria Administração Pública pode controlar seus atos, mediante provocação ou ex officio.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2012 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: AGU Prova: CESPE - 2012 - AGU - Advogado da União)
A respeito dos limites do poder regulamentar, julgue o próximo item.
O AGU, utilizando-se do poder regulamentar previsto na CF, pode conceder indulto e comutar penas, desde que
por delegação expressa do presidente da República.
( ) Certo
( ) Errado
R: C. Muitos tentaram a anulação do item, mas a banca manteve o gabarito inicial, que  aponta ser o item
correto.Vamos, então, à justificativa do CESPE: “Indeferido. A Constituição Federal, em seu art. 84, inciso XII, e
parágrafo único prevê expressamente o seguinte: “Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei. Parágrafo
único. O Presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, primeira
parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da União, que
observarão os limites traçados nas respectivas delegações”. Segundo José dos Santos Carvalho Filho, na obra
Manual de Direito Administrativo, 11ª edição, Editora Lumen Juris, Rio de Janeiro, 41, “poder regulamentar,
portanto, é a prerrogativa conferida à Administração Pública de editar atos gerais para complementar as leis e
permitir a sua efetiva aplicação”. E acrescenta: “Por esse motivo é que, considerando nosso sistema de hierarquia
normativa, podemos dizer que existem graus diversos de regulamentação conforme o patamar em que se aloje o
ato regulamentador”. Assim, está correta a afirmação de que “o AGU, utilizando-se do poder regulamentar
previsto na CF, pode conceder indulto e comutar penas, desde que por delegação expressa do presidente da
República”. Por tais razões, indefere-se o recurso.”
O CESPE considerou esta questão como correta. No entanto, ao meu sentir, deveria ter sido anulada. É que,
primeiro, conceder indulto ou comutar penas são atos do Presidente da República no exercício do poder
político do Estado (art. 84, inc. XII), e não se confunde com o poder regulamentar previsto no art. 84, inc.
IV, (exercício da função administrativa). Ademais, conceder indulto ou comutar pena é ato concreto e não
abstrato e o decreto expedido com tal finalidade não tem por objetivo regulamentar Lei. Por fim, o poder
regulamentar é exclusivo do Chefe de Governo, sendo que o poder normativo, gênero, é que é exercido em
toda a Administração Pública.

Poder de polícia;
É o poder que a Adm Pública tem de restringir o exercício de liberdades individuais e o
uso/gozo/disposição da propriedade privada, sempre para adequá-los ao interesse público.
É uma atividade tipicamente administrativa e aplica-se a todos os particulares, sem
necessidade de demonstração de qualquer vínculo de natureza especial.
► ATENÇÃO:
- ‘Poder de polícia é indelegável’.
Assertiva incorreta, porque o poder de polícia pode ser delegado para pessoas jurídicas de direito público!
► POSIÇÃO DO STJ:
- A administração pública possui interesse de agir para tutelar em juízo atos em que ela poderia atuar com base em seu
poder de polícia, em razão da inafastabilidade do controle jurisdicional: Segundo entendimento do STJ nos REsp
1651622/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, 2ª Turma, 28/03/2017; REsp 1366338/SP, Rel. Min. Humberto Martins, 2ª Turma,
14/04/2015; e REsp 1396306/PE, Min. Mauro Campbell, 2ª Turma, 14/10/2014.

- Não é possível a aplicação de sanções pecuniárias por sociedade de economia mista, facultado o exercício do poder de
polícia fiscalizatório. O STJ considerou que a atividade de multar (sanção de polícia) não poderia ter sido delegada para uma
sociedade de economia mista porque se trata de pessoa jurídica de direito privado e a aplicação de sanções pecuniárias não pode
ser delegada para particulares. Por outro lado, a atividade de instalar os radares é permitida, porque se trata de fiscalização de
polícia, etapa do poder de polícia possível de delegação. O poder de polícia no trânsito divide-se em quatro grupos bem
definidos: legislação; consentimento; fiscalização; e sanção. Somente os atos relativos ao consentimento e à fiscalização
são delegáveis, pois aqueles referentes à legislação e à sanção derivam do poder de coerção do Poder Público (STJ.
Segunda Turma. REsp 817.534/MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10/11/09).

- ADMINISTRATIVO. AUTO-EXECUTORIEDADE DOS ATOS DE POLÍCIA. Os atos de polícia são executados pela
própria autoridade administrativa, independentemente de autorização judicial. Se, todavia, o ato de polícia tiver como
objeto a demolição de uma casa habitada, a respectiva execução deve ser autorizada judicialmente e acompanhada por
oficiais de justiça. Recurso especial conhecido e provido. (STJ - REsp: 1217234 PB 2010/0181699-2, Relator: Ministro
ARI PARGENDLER, Data de Julgamento: 14/08/2013, S1 - PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 21/08/2013)
► SÚMULAS SOBRE O PODER DE POLÍCIA:
* Súmula Vinculante 38: É competente o Município para fixar o horário de funcionamento de estabelecimento comercial.
* Súmula Vinculante 49: Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a instalação de estabelecimentos
comerciais do mesmo ramo em determinada área.
* Súmula 19/STJ: A fixação do horário bancário, para atendimento ao público, e da competência da União.
* Súmula 312/STJ: No processo administrativo para imposição de multa de trânsito, são necessárias as notificações da autuação
e da aplicação da pena decorrente da infração.
* Súmula 467/STJ: Prescreve em cinco anos, contados do término do processo administrativo, a pretensão da Administração
Pública de promover a execução da multa por infração ambiental.

► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2016 Banca: TRF - 4ª REGIÃO Órgão: TRF - 4ª REGIÃO Prova: TRF - 4ª REGIÃO - 2016 - TRF -
4ª REGIÃO - Juiz Federal Substituto) Assinale a alternativa correta. Em se tratando de moradia residencial
erigida em área de preservação permanente, sem autorização ou licença ambiental, é possível afirmar, segundo a
jurisprudência predominante do Superior Tribunal de Justiça, que:
A - Sua demolição prescinde de ordem judicial, em decorrência da auto executoriedade dos atos administrativos.
B - Sua demolição é vedada, tendo em vista que o direito fundamental à moradia se sobrepõe ao direito à proteção
do meio ambiente.
C - Sua demolição poderá ocorrer se autorizada pelo Poder Judiciário.
D - Sua demolição só poderá ocorrer se o Poder Público oferecer alternativa de residência aos ocupantes.
E - Nenhuma das alternativas anteriores está correta.
R: C. A autoexecutoriedade ficará restrita aos atos restritivos de direitos e de atividades, e não a
desfazimento de bens, exceto se houver autorização judicial.
Apesar de o poder de polícia ser autoexecutório, nos casos de irreversibilidade, como é uma demolição,
somente o Poder Judiciário poderá autorizar a sua realização, sendo gravame muito sério aos administrados
(fonte livro do Wander Garcia).
Poder de Polícia no sentido amplo e em sentido estrito: 1. Em sentido amplo: corresponde
a toda e qualquer atuação restritiva do Estado, abrangendo tanto os atos do Poder Executivo,
como também do Legislativo onde se condiciona a liberdade e propriedade em prol dos
cidadãos (p. ex. processo de criação de leis); e 2. Em sentido estrito: seria o que
denominamos polícia administrativa (poder de polícia em sentido estrito). Atuação concreta
da Administração Pública que condiciona direitos.
► OBSERVAÇÃO:
- Para fins de provas de concursos públicos, o Poder de Polícia será analisado em seu conceito amplo, abarcando
normas gerais e atos concretos, de natureza preventiva ou repressiva na limitação do exercício de direitos.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2019 Banca: Instituto Acesso Órgão: PC-ES Prova: Instituto Acesso - 2019 - PC-ES - Delegado de
Polícia) Assinale a alternativa INCORRETA:
A - Autorização, permissão e concessão são formas de o Estado autorizar, permitir e conceder aos particulares a
exploração de bens e serviços públicos.
B - A legalidade administrativa é diferente da legalidade civil, uma vez que aquela dita o limite da atuação do
administrador público, conforme imposto pela lei e esta permite ao particular aquilo que a lei não proíbe.
C - O poder de polícia decorre da capacidade administrativa e concede também a prerrogativa de função legislativa
para a positivação de tipos penais em âmbito de direito penal aos agentes de estado que possuem esse poder.
D - O princípio da supremacia do interesse público, não desconsidera os interesses particulares/individuais, não
obstante informa ao agente administrativo que o interesse público prevalece sobre interesses privados.
E - São princípios de direito administrativo a moralidade administrativa, a supremacia do interesse público, a
motivação, a publicidade e transparência, a proporcionalidade e razoabilidade administrativas.
R: C. O CTN conceitua o poder de polícia como função da Administração Pública de restringir o exercício de
um direito, regulando a prática de ato ou abstenção de fatos, com fundamento no princípio da supremacia
do interesse público (e não da capacidade administrativa) sobre o privado.
Ainda, o poder de polícia não autoriza a positivação de tipos penais, uma vez que isso é atribuição privativa
da União, por meio de lei em sentido estrito, conforme o art. 22, I, CF. A função legislativa é concedida
Constitucionalmente aos que lá estão especificados para elaboração de normas penais, não é concedida pelo
poder de polícia.

- (Ano: 2014 Banca: VUNESP Órgão: PC-SP Prova: VUNESP - 2014 - PC-SP - Delegado de Polícia) Ao
exercício do poder de polícia são inerentes certas atividades que podem ser sumariamente divididas em quatro
grupos: I – legislação; II – consentimento; III – fiscalização; e IV – sanção. Nessa ordem de ideias, é correto
afirmar que o particular
A - pode exercer apenas as atividades de consentimento e de sanção, por não serem típicas de Estado.
B - somente pode exercer, por delegação, a atividade de fiscalização, por não ser típica de Estado.
C - pode exercer, por delegação, as atividades de consentimento e fiscalização, por não serem típicas de Estado.
D - pode exercer, por delegação, quaisquer das atividades inerentes ao poder de polícia, pois não se traduzem em
funções típicas de Estado.
E - pode exercer, por delegação, o direito de impor, por exemplo, uma multa por infração de trânsito e cobrá-la,
inclusive, judicialmente.
R: C.

- (Ano: 2016 Banca: TRF - 3ª REGIÃO Órgão: TRF - 3ª REGIÃO Prova: TRF - 3ª REGIÃO - 2016 - TRF -
3ª REGIÃO - Juiz Federal Substituto) Sobre o poder de polícia, assinale a alternativa incorreta.
A - Segundo o STF, o art. 144, § 8º, da CF (“Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à
proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei”), não impede que a guarda municipal exerça
funções adicionais à de proteção dos bens, serviços e instalações do Município, incluindo o exercício do poder de
polícia para fiscalização do trânsito, que não é prerrogativa exclusiva das entidades policiais.
B - Segundo o STF, a taxa de renovação de licença de funcionamento é constitucional, desde que haja o efetivo
exercício do poder de polícia, não bastando para sua demonstração a mera existência de órgão administrativo que
possua estrutura e competência para a realização da atividade de fiscalização.
C - A edição de atos normativos pode caracterizar a atuação de polícia administrativa, por exemplo, quando impõe
limitações administrativas ao exercício dos direitos e de atividades individuais.
D - Atos de polícia administrativa podem ser expedidos no exercício de competência discricionária ou vinculada,
conforme o caso.
R: B. O efetivo exercício do poder de polícia é demonstrado pela mera existência de órgão administrativo
que possua estrutura e competência para a realização da atividade de fiscalização. RE 856.185/2015.
* OBS.: as assertivas corretas dessa questão são muito importantes para o aprendizado da matéria.

- (Ano: 2016 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-PE Prova: CESPE - 2016 - PC-PE - Delegado de
Polícia) A fiscalização ambiental de determinado estado da Federação verificou que a água utilizada para o
consumo dos hóspedes de um hotel era captada de poços artesianos. Como o hotel não tinha a outorga do poder
público para extração de água de aquífero subterrâneo, os fiscais lavraram o auto de infração e informaram ao
gerente do hotel que lacrariam os poços artesianos, conforme a previsão da legislação estadual. O gerente resistiu à
ação dos fiscais, razão pela qual policiais militares compareceram ao local e, diante do impasse, o gerente,
acompanhado do advogado do hotel, e os fiscais foram conduzidos à delegacia local. O advogado alegou que os
fiscais teriam agido com abuso de autoridade, uma vez que o poder público estadual não teria competência para
fiscalizar poços artesianos, e requereu ao delegado de plantão a imediata liberação do gerente e o registro, em
boletim de ocorrência, do abuso de poder por parte dos fiscais.
A partir dessa situação hipotética, assinale a opção correta, considerando as regras e princípios do direito
administrativo.
A - Agentes de fiscalização não possuem poder de polícia, que é exclusivo dos órgãos de segurança pública. Por
essa razão, os fiscais não poderiam entrar no hotel, propriedade privada, sem o acompanhamento dos policiais
militares.
B - A fiscalização estadual agiu corretamente ao aplicar o auto de infração: o hotel não poderia fazer uso de poço
artesiano sem a outorga do poder público estadual. Contudo, os fiscais somente poderiam lacrar os poços se
dispusessem de ordem judicial, razão pela qual ficou evidente o abuso de poder.
C - As águas subterrâneas e em depósito são bens públicos da União, razão pela qual a fiscalização estadual não
teria competência para atuar no presente caso.
D - Os estados membros da Federação possuem domínio das águas subterrâneas e poder de polícia para precaver e
prevenir danos ao meio ambiente. Assim, a fiscalização estadual não só tinha o poder, mas também, o dever de
autuar.
E - Não é necessária a outorga do ente público para o simples uso de poço artesiano. Logo, a conduta dos fiscais
foi intempestiva e abusiva.
R: D.
Empresa de economia mista que coordena trânsito pode aplicar multas (RE 633.782, de
24/10/2020): Segundo o STF, é constitucional a delegação do poder de polícia, por meio de
lei, a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da administração pública indireta de
capital social majoritariamente público que prestem exclusivamente serviço público de
atuação própria do Estado e em regime não concorrencial.
► POSIÇÃO DO STF:
- É constitucional a delegação do poder de polícia, por meio de lei, a pessoas jurídicas de direito privado
integrantes da administração pública indireta de capital social majoritariamente público que prestem
exclusivamente serviço público de atuação própria do Estado e em regime não concorrencial: Essa foi a tese
fixada pelo Plenário virtual do Supremo Tribunal Federal, ao reformar decisão do Superior Tribunal de Justiça
para permitir que a Empresa de Transporte de Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) possa aplicar multas de
trânsito na capital mineira.
Em 2009, o STJ havia entendido que somente os atos relativos ao consentimento e à fiscalização são
delegáveis, já que os de sanção derivam do poder de coerção do Poder Público, este indelegável às pessoas
jurídicas de direito privado. "É temerário afirmar que o trânsito de uma metrópole pode ser considerado
atividade econômica ou empreendimento", disse o ministro Herman Benjamin, da 2ª Turma do STJ, na ocasião.
No STF, prevaleceu o voto do ministro Luiz Fux, segundo o qual a tese da  indelegabilidade do poder de
polícia a pessoas jurídicas de direito privado não possui caráter absoluto e pode ser ultrapassada quando se
tratar de entidades da administração pública indireta que prestem exclusivamente serviço público de
atuação própria do Estado de capital social majoritariamente público, sem o objetivo de lucro, em regime
não concorrencial. É o caso da BHTrans, cuja composição acionária pertence 98% à Prefeitura de Belo
Horizonte, sendo os outros 2% distribuídos entre a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap),
que é uma autarquia municipal, e a Empresa de Informática e Informação do Município de Belo Horizonte
(Prodabel), esta de economia mista dependente e de capital fechado. De acordo o ministro Fux, a indelegabilidade
do poder de polícia ao ente de direito privado se baseia em quatro pilares argumentativos, nenhum dos quais se
aplica ao caso da BHTrans.
► QUESTÃO DE PROVA:
-Questão polêmica. (Ano: 2017 Banca: MPE-SP Órgão: MPE-SP Prova: MPE-SP - 2017 - MPE-SP -
Promotor de Justiça Substituto) Assinale a alternativa correta.
A - O poder de polícia tem como característica a discricionariedade, pelo que a Administração, ao expedir alvarás
de autorização ou de licença, aprecia livremente a oportunidade e conveniência da medida.
B - A autoexecutoriedade, um dos atributos do poder de polícia, permite que a Administração ponha em execução
as suas decisões sem precisar recorrer ao Poder Judiciário, independentemente de autorização legal.
C - O poder de polícia, atividade estatal que limita o exercício dos direitos individuais em benefício do interesse
público, é exercido privativamente pelo Poder Executivo.
D - O poder de polícia, exercido pela polícia administrativa, não se confunde com o exercido pela polícia judiciária
porque a primeira atua preventivamente e a segunda repressivamente.
E - O poder de polícia é indelegável a pessoas jurídicas de direito privado por envolver prerrogativas próprias do
poder público, insuscetíveis de serem exigidas por particular sobre o outro.
R: E. Trata-se de assunto polêmico. Primeiramente, importante esclarecer que a grande maioria da
doutrina não admite a delegação de poder de polícia a pessoas privadas, instituídas pela iniciativa privada
(não pertencente da Adm Pública), ainda que se trata de delegatária de serviço público, Nessa esteira, o art.
4º, inc. III, da Lei das PPP, prevê a indelegabilidade do exercício do poder de polícia.
É a delegação do poder de polícia para as entidades integrantes da administração pública indireta, de
personalidade jurídica de dto privado, que possui divergência doutrinária. A doutrina tradicional, e
majoritária, orienta-se pela invalidade da delegação, pois se trata de atividade exclusiva do Estado, além de
colocar em risco o equilíbrio social. Outra parte da doutrina, minoritária, admite a delegação a entidades de
personalidade jurídica de dto privado, pelo menos a delegação de atos integrantes do ciclo de polícia, em
especial os fiscalizatórios, desde que integre a Adm Pública Indireta e a competência seja expressamente
conferida por lei.
* OBS.: Recentemente, o Plenário do STF (RE 633.782, de 24/10/2020) decidiu que é constitucional a
delegação do poder de polícia, por meio de lei, a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da
administração pública indireta de capital social majoritariamente público que prestem exclusivamente
serviço público de atuação própria do Estado e em regime não concorrencial.
Sobre a ‘B’: errada. A autoexecutoriedade só existe quando prevista em lei ou quando se tratar de situação de
urgência e, assim, não se faz presente em todas as medidas de polícia. Além disso, sempre é possível o
controle judicial sobre os atos administrativos, em especial no que tange à sua legalidade.
Sobre a ‘D’: incorreta. O exercício do poder de polícia tem uma finalidade de prevenção (evitar) ou obstar
(paralisar) as atividades contrárias ou nocivas aos interesses públicos sociais, podendo se manifestar tanto na forma
preventiva, como na forma repressiva. Não se pode confundir a polícia administrativa com o exercício do poder de
polícia pela Administração Pública, que incide sobre atividades dos indivíduos, com a polícia judiciária (polícia de
segurança pública), que recai sobre um indivíduo a quem se atribui a prática de uma infração penal. O poder de
polícia pode estar sujeito aos limites da ordem jurídica, pode sofrer o controle de legalidade pela própria Adm
Pública ou pelo Poder Judiciário, quando exercido com excesso ou desvio de poder.
- Polícia administrativa x Polícia judiciária: A polícia judiciária incide sobre pessoas, de
forma ostensiva ou investigativa, evitando e punindo infrações às normas penais. Por sua vez,
a polícia administrativa incide sobre bens (uso da propriedade) e direitos (exercício de
liberdades), condicionando esses bens e direitos à busca pelo interesse da coletividade.
No entanto, pode-se dizer que, nas duas hipóteses, ela está tentando impedir que o
comportamento individual cause prejuízos maiores à coletividade; nesse sentido, é certo dizer
que a polícia administrativa é preventiva. Mas, ainda assim, falta precisão ao critério, porque
também se pode dizer que a polícia judiciária, embora seja repressiva em relação ao indivíduo
infrator da lei penal, é também preventiva em relação ao interesse geral, porque, punindo-o,
tenta evitar que o indivíduo volte a incidir na mesma infração. Conforme Álvaro Lazzarini, a
linha de diferenciação está na ocorrência ou não de ilícito penal :
POLÍCIA ADMINISTRATIVA POLÍCIA JUDICIÁRIA
- Quando atua na área do ilícito puramente administrativo (preventiva ou - Quando o ilícito penal é praticado, é a
repressivamente). Regida pelo Direito Administrativo, incidindo sobre bens, polícia judiciária que age. Rege-se pelo
direitos ou atividades. A polícia administrativa se reparte entre diversos órgãos direito processual penal, incidindo sobre
da Administração, incluindo, além da própria polícia militar, os vários órgãos pessoas. A polícia judiciária é privativa de
de fiscalização aos quais a lei atribua esse mister, como os que atuam nas áreas corporações especializadas (polícia civil e
da saúde, educação, trabalho, previdência e assistência social. militar).
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2017 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-GO Prova: CESPE - 2017 - PC-GO - Delegado de
Polícia Substituto) Questão passível de anulação, mas coloquei no material pois achei importante a reflexão
do professor do QCONCURSOS. De acordo com a legislação e a doutrina pertinentes, o poder de polícia
administrativa
A - pode manifestar-se com a edição de atos normativos como decretos do chefe do Poder Executivo para a fiel
regulamentação de leis.
B - é poder de natureza vinculada, uma vez que o administrador não pode valorar a oportunidade e conveniência de
sua prática, estabelecer o motivo e escolher seu conteúdo.
C - pode ser exercido por órgão que também exerça o poder de polícia judiciária.
D - é de natureza preventiva, não se prestando o seu exercício, portanto, à esfera repressiva.
E - é poder administrativo que consiste na possibilidade de a administração aplicar punições a agentes públicos que
cometam infrações funcionais.
Gabarito oficial: C. Foi tida como o gabarito da questão e, de fato, está correta. Há casos de órgãos
competentes para o exercício da polícia judiciária, mas que também podem cumular a polícia
administrativa. A Polícia Federal, por exemplo, atua eminentemente como polícia judiciária, investigando a
prática de crimes de sua esfera de competência; todavia, a ela também compete a autorização para portar
armas de fogo de uso permitido (Lei 10.826/2003, art. 10, caput), sendo certo que referido ato administrativo
(autorização para porte de arma) constitui claro exemplo de exercício do poder de polícia administrativa,
mais precisamente, de um consentimento de polícia.
É válido registrar que a presente questão seria passível de anulação, por conter duas respostas corretas.
Analisemos, pois, cada alternativa:
a) Foi considerada errada pela Banca, mas, com a devida vênia, a assertiva não contém erro algum. De fato, o
poder de polícia pode se manifestar através da produção de atos normativos, inclusive de Decretos
expedidos pelos Chefes do Executivo. Não se trata, aliás, de adotar o conceito amplo de poder de polícia. O
chamado conceito amplo se caracteriza por englobar até mesmo os atos emanados do Poder Legislativo, isto
é, as leis em geral, bastando para tanto que pretendam restringir direitos e liberdades públicas. Mas não é
disso que se trata. Com efeito, mesmo sob o prisma do denominado conceito restrito, o poder de polícia
engloba a prática de atos normativos administrativos. Cuida-se de assertiva corriqueira, absolutamente
tranquila em nossa doutrina. Por todos, confira-se a lição de Celso Antônio Bandeira de Mello: "A polícia
administrativa manifesta-se tanto através de atos normativos e de alcance geral quanto de atos concretos e
específicos." (Curso de Direito Administrativo, 30ª edição, 2012, p. 851).
E nem se alegue que a opção "a" teria conceituado, na verdade, o poder regulamentar, no que estaria
caracterizado seu equívoco. Não. Tal ideia não se sustenta, na medida em que o exercício do poder
regulamentar pode, perfeitamente, resultar no exercício, também, do poder de polícia. Basta, para tanto,
que o decreto em questão veicule normas de condicionamento e/ou restrição de direitos e/ou liberdades
públicas dos particulares, em prol do interesse coletivo.
Reputo correta, portanto, esta alternativa "a".
Sobre a ‘B’: errada. Uma das características apontadas pela doutrina consiste, justamente, no fato de que o poder
de polícia é, predominantemente, discricionário, e não vinculado. Por exemplo, existe discricionariedade quanto ao
momento ou ao local em que se fará uma fiscalização; pode, ainda, se verificar a atuação discricionária no tocante
à imposição de sanções, bastando que a lei estabeleça mais de uma penalidade em tese cabível, de sorte que o
agente competente poderá, no caso concreto, eleger aquela que se revelar mais adequada, no que também se poderá
identificar atuação discricionária da Administração, apenas para citar dois exemplos, dentre muitos outros.
Sobre a ‘D’: errada. Embora a doutrina até sustente que o poder de polícia, em regra, se caracteriza por sua
atuação preventiva, não são raros os casos em que essa atuação se torna repressiva, como na cassação de
uma licença, por atuação em desconformidade com a legislação de regência, ou como na imposição de uma
multa pela colocação à venda de produto impróprio ao consumo etc.
Sobre a ‘E’: errada. Na verdade, aí se trata de exercício do poder disciplinar, que não se confunde com o poder de
polícia. Aquele se dirige aos agentes públicos e a particulares que possuam vínculo jurídico específico com a
Administração. Há uma relação de sujeição especial. Já o poder de polícia se volta contra os particulares em geral;
baseia-se, pois, numa relação de sujeição geral.
Conclusão: questão passível de anulação, eis que contém duas respostas corretas ("a" e "c").

- (Ano: 2014 Banca: VUNESP Órgão: TJ-RJ Prova: VUNESP - 2014 - TJ-RJ - Juiz Substituto) No direito
administrativo brasileiro, o poder de polícia
A - é veiculado por meio de atos concretos e específicos, jurídicos ou materiais, sendo vedado o seu exercício por
meio de atos normativos de alcance geral.
B - pode ensejar ao particular, em virtude de seu descumprimento, sanções de ordem penal, podendo responder
pelos crimes de resistência, desobediência ou desacato.
C - não autoriza a aplicação de sanções, tais como demolição de construção, fechamento de estabelecimento ou
destruição de objetos, sem a intervenção do Judiciário.
D - manifesta-se primordialmente de forma repressiva, ficando o exercício da forma preventiva a cargo da polícia
judiciária.
R: B. De fato, em havendo, por exemplo, no bojo de uma fiscalização de trânsito – típico caso de exercício
preventivo do poder de polícia – ordem para que um dado veículo pare, e este resolva descumprir o comando do
agente de trânsito, ou se, num outro exemplo, após ser parado, o motorista inicie ofensas verbais ao agente público
encarregado da operação, poderão configurar-se aí, em tese, condutas típicas, do ponto de vista penal, as quais
ensejarão as respectivas penalidades, conforme previsão própria de tal esfera do Direito. É claro que as sanções
penais não poderão ser aplicadas com base no exercício do poder de polícia. Não é isto o que está dito na questão.
Afirmou-se, tão somente, que, a partir do descumprimento de uma ordem de polícia, condutas penalmente
típicas podem vir a se configurar, o que está correto.
Sobre a ‘A’: errada. O poder de polícia também se manifesta através de atos dotados de generalidade e abstração.
São as chamadas ordens de polícia, nas quais podem ser enquadradas as próprias leis, que disponham sobre
restrições, limitações, condicionamentos de direitos cujo exercício seja potencialmente lesivo ao interesse público,
bem assim por meio de regulamentos que visem a minudenciar aquelas mesmas leis, em ordem a sua escorreita
operacionalização prática.
- Atributos do poder de polícia: A) Discricionariedade; B) Autoexecutoriedade; e C)
Coercibilidade. Essa é a corrente de pensamento adotado por HL, MSZDP e MC.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2012 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-RR Prova: CESPE - 2012 - MPE-RR - Promotor
de Justiça) Com relação aos poderes da administração pública, assinale a opção correta de acordo com o
entendimento do STJ e da doutrina.
A - O exercício do poder de polícia é passível de delegação a pessoa jurídica de direito privado, a qual somente
poderá aplicar sanções administrativas ao administrado quando o ato praticado estiver previamente definido por lei
como infração administrativa.
B - O ato administrativo decorrente do exercício do poder de polícia é autoexecutório porque dotado de força
coercitiva, razão pela qual a doutrina aponta ser a coercibilidade indissociável da autoexecutoriedade no ato
decorrente do poder de polícia.
C - A administração pública, no exercício do poder de limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do
interesse público, pode condicionar a renovação de licença de veículo ao pagamento de multa, ainda que o infrator
não tenha sido notificado.
D - O termo inicial do prazo prescricional da ação disciplinar é a data em que o fato foi praticado.
E - Nas situações em que a conduta do investigado configure hipótese de demissão ou cassação de aposentadoria, a
administração pública dispõe de discricionariedade para aplicar penalidade menos gravosa que a de demissão ou
de cassação.
R: B. O poder de polícia possui três atributos: 1) a discricionariedade; 2) a autoexecutoriedade; e 3) a
coercibilidade. A autoexecutoriedade é a prerrogativa conferida à Adm Pública para praticar atos e de
executar suas decisões através de seus próprios meios sem a necessidade de se socorrer ao Poder Judiciário.
A autoexecutoriedade pode ser dividida em dois aspectos: a) exigibilidade, pela qual o Poder Público pode se
utilizar através de meios indiretos de coação, como por exemplo, a impossibilidade de se licenciar o veículo
se não houver a quitação de multas; b) a executoriedade, onde se utiliza o Poder Público de meios diretos de
coação, como por exemplo, a destruição de bens nocivos.
Sobre a ‘D’: segundo precedentes do STJ, o termo inicial do prazo prescricional da Ação Disciplinar é a data
em que o fato se tornou conhecido da Adm, mas não necessariamente por aquela autoridade específica
competente para a instauração do PAD (MS 14.159/DF, Rel. Min. Napoleão Nunes, 3ª Seção, 10/02/2012).
OBS.: A prescrição começa a correr da data em que o fato se tornou conhecido (art. 142, §1º da lei 8112/90).
- Prescrição das sanções de polícia: a Lei 9.873/99, em seu art. 1º, define que "Prescreve
em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no
exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados
da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em
que tiver cessado". Ressalvadas a situação de o fato objeto da ação punitiva da
Administração também constituir crime, uma vez que, nestes casos, a prescrição reger-se-á
pelo prazo previsto na lei penal. A legislação prevê a possibilidade de prescrição
intercorrente trienal diante da inércia da Administração Pública no julgamento do processo
administrativo (art. 1º, da Lei 9.873/99).
► POSIÇÃO DO STJ:
- Se não houver lei estadual ou municipal prevendo o prazo prescricional da sanção de polícia, este prazo será de 5
anos, com base no art. 1º do Decreto 20.910/32 (STJ, 2 ª Turma, AgInt no REsp 1409267/PR, Rel. Min.
Assusete Magalhães, julgado em 16/03/17). No âmbito federal o prazo é de 5 anos, com fundamento na Lei nº
9.873/99.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2010 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-SE Prova: CESPE - 2010 - MPE-SE - Promotor de
Justiça) No que concerne à responsabilidade civil do Estado e aos poderes administrativos, assinale a opção
correta.
A - Para efeito de responsabilidade civil do Estado, considera-se agente o servidor que, em sua atuação, causar
dano a terceiros. Exclui-se, assim, dessa noção as pessoas que não têm vínculo típico de trabalho com a
administração e os agentes colaboradores e sem remuneração.
B - Direito de regresso é o assegurado ao Estado no sentido de dirigir sua pretensão indenizatória contra o agente
responsável pelo dano, independentemente de este ter agido com culpa ou dolo.
C - O poder regulamentar formaliza-se por meio de decretos e regulamentos. Nesse sentido, as instruções
normativas, as resoluções e as portarias não podem ser qualificadas como atos de regulamentação.
D - O poder de polícia administrativa consubstancia-se por meio de determinações de ordem pública, de modo a
gerar deveres e obrigações aos indivíduos. Nesse sentido, os atos por intermédio dos quais a administração
consente o exercício de determinadas atividades não são considerados atos de polícia.
E - Na esfera da administração pública federal, direta ou indireta, a ação punitiva, quando se tratar do exercício do
poder de polícia, prescreve em cinco anos contados a partir da data da prática do ato ou, em se tratando de infração
permanente ou continuada, a partir do dia em que esta tiver cessado.
R: E.
Questões extra.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2015 Banca: MPE-SP Órgão: MPE-SP Prova: MPE-SP - 2015 - MPE-SP - Promotor de Justiça)
Assinale a alternativa correta sobre o poder de polícia:
A - Ele é passível de delegação a particulares.
B - Tem, como atributos exclusivos, a discricionariedade e a coercibilidade.
C - Inexiste vedação constitucional para que pessoas administrativas de direito privado possam exercê-lo na sua
modalidade fiscalizatória.
D - Qualifica-se como atividade positiva da Administração.
E - Os atos a ele inerentes não se sujeitam ao princípio da anterioridade.
R: C. Assunto polêmico na doutrina, já estudado acima, lembrando do recente julgamento do RE 633.782, pela
Pleno do STF.
Sobre a ‘D’: para alguns doutrinadores, a essência do Poder de Polícia é o seu caráter negativo, vez que ao Poder
Público incumbe evitar a ocorrência de um dano, diferente da prestação do serviço público em que a atuação do
Estado é positiva. Saliente-se que essa questão não é consenso dos doutrinadores, vez que para alguns o Poder de
Polícia também tem um caráter positivo, quando esse instrumento representa a construção de utilidade pública.

- (MPE/GO - Promotor de Justiça-GO/2010) Leia as afirmativas abaixo e, em seguida, assinale a alternativa


correta:
I- Ao utilizar seu poder discricionário, a autoridade terá liberdade, na prática de atos administrativos, para a
escolha de sua conveniência, oportunidade e conteúdo, contudo, a autoridade deverá sempre observar a
competência, forma e finalidade do ato.
II- O poder hierárquico visa ordenar, coordenar, controlar e corrigir as atividades administrativas, no âmbito
interno da Administração Pública. Com suporte nesse poder é que as ordens emanadas das autoridades superiores
deverão ser cumpridas incondicionalmente, sem ampliação ou restrição.
III- Ao poder disciplinar não se aplica o princípio da pena específica, que predomina no Direito Penal. A
autoridade pública, em vista da infração cometida, poderá aplicar a sanção que julgar cabível, oportuna e
conveniente, dentre as indicadas na lei ou regulamento para a generalidade das infrações administrativas.
IV- O poder regulamentar é a faculdade atribuída a qualquer autoridade pública de explicar o conteúdo da lei para
sua correta execução.
a) Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras.
b) Apenas as afirmativas I e IV são verdadeiras.
c) Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras.
d) Apenas as afirmativas II e IV são verdadeiras
R: A.
Sobre a ‘IV’: errada. O poder regulamentar não é um poder atribuído a qualquer autoridade pública, é um
poder inerente e privativo do Chefe do Executivo, por isso, indelegável, a qualquer subordinado (art. 84,
inc. IV da CF). Dispõe ainda o art. 13, inc. I, da Lei 9.784/99, que não poderá ser objeto de delegação a
edição de atos de caráter normativo. Atenção a exceção: É possível admitir, de forma excepcional, a
delegação de competência regulamentar aos Ministros de Estado, PGR ou ao AGU, nos termos do art. 84, §
único, da CF. Fonte: Livro de Questões da Juspodivm.

Uso e abuso do poder.

Abuso do poder. Pode decorrer de condutas comissivas ou de condutas omissivas.


Costuma-se diferenciar o abuso de poder em duas espécies:
I) Desvio de poder (ou desvio de finalidade): agente do Estado pratica ato, até mesmo dentro
dos limites da competência a ele conferida, mas visando a alcançar outra finalidade que não
aquela prevista em lei. Trata-se de vício subjetivo do agente e sempre de difícil comprovação
para o sujeito prejudicado pelo ato viciado, uma vez que o ato goza de aparente legalidade.
Na doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello, o desvio de finalidade apresenta um
caráter estritamente objetivo, de sorte que a intenção (o móvel) do agente público, muito
embora no mais das vezes possa estar viciado, não tem qualquer relevância para a
configuração, ou não, da mácula ora debatida;
► OBSERVAÇÃO:
- Cuida-se aqui de posição não unânime na doutrina, segundo CELSO ANTÔNIO:
"No desvio de poder, ao contrário do que habitualmente se afirma e do que nós mesmos vínhamos
sustentando, nem sempre há um 'móvel', isto é, uma intenção inadequada. Com efeito, o agente pode,
equivocadamente, supor que uma dada competência era prestante, de direito, para a busca de um dado
resultado e por isto haver praticado o ato almejando alncançá-lo pela via utilizada. Neste caso não haverá
intenção viciada. (...) o ato será sempre viciado por não manter relação adequada com a finalidade em vista
da qual poderia ser praticado. O que vicia, portanto, não é o defeito de intenção, quando existente -   ainda
que através disto se possa, muitas vezes, perceber o vício -, mas o desacordo  objetivo entre a finalidade do
ato e a finalidade da competência."
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2017 Banca: FUNDEP (Gestão de Concursos) Órgão: MPE-MG Prova: FUNDEP (Gestão de
Concursos) - 2017 - MPE-MG - Promotor de Justiça Substituto) Dentre as alternativas abaixo sobre desvio de
poder, indique a INCORRETA:
A - O desvio de poder é vício de intenção, que deriva dos propósitos subalternos que animam o agente ou das
circunstâncias de não realização da finalidade preordenada pela lei.
B - O desvio de poder é vício objetivo que se refere ao descompasso entre a finalidade a que o ato serviu e a
finalidade legal que por meio dele poderia ser servida.
C - O desvio de poder é vício por omissão nas hipóteses em que a abstenção do ato é contrária ao que deveria ser
feito, afinal “não agir é também agir”.
D - O desvio de poder desnatura a finalidade da competência no exercício de atos impróprios à providência
adotada.
R: A. CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO afirma que o desvio de poder é um vício objetivo, pois
resulta do objetivo descompasso entre a competência utilizada e a finalidade legal, ou seja, trata-se de um
desacordo entre a norma abstrata (lei) e a norma individual (ato). Logo, se o vício possui natureza objetiva, não há
que se buscar a intenção do agente para se verificar a constatação e posterior reprimenda do desvio de poder, basta
apenas identificar objetivamente o descompasso existente entre a finalidade atingida pelo ato concreto e a
finalidade da norma em abstrato.
*OBS.: Existem Várias Doutrinas. Sabemos que há divergência entre elas acerca dessa questão. A Banca
Examinadora dispõe de liberdade para encampar uma dada corrente doutrinária, sendo certo que a mera existência
de posições em contrário não torna a questão passível de anulação. Não custa lembrar que, como regra geral,
apenas questões cujo gabarito apresentem violação a texto expresso de lei, bem como aquelas que exijam conteudo
não previsto no edital é que costumam ser invalidadas.
Sobre a ‘D’: a redação desta opção, de fato, não favorece nem um pouco a compreensão do que se está a afirmar.
Tentemos esclarecer melhor o sentido do que consta da assertiva ora sob exame. Partindo da premissa de que
cada competência deve ser exercida para satisfazer as respectivas finalidades públicas, pode-se dizer que
quando se opera um desvio de finalidade (ou de poder), é sinal de que a competência legalmente outorgada
ao agente foi manejada de modo indevido. É o que Celso Antônio Bandeira de Mello denominada como um
mau uso da competência. Em outras palavras, e tentando traduzir a ideia presente nesta opção "d", a
competência foi "desnaturada", como aduzido pela Banca. Por outro lado, a prática de "atos impróprios à
providência adotada" também configura desvio de finalidade, na medida em que, embora a finalidade pública
perseguida até possa ser, de fato, buscada pelo agente, o fato é que este se valeu de ato administrativo incorreto
para alcançá-la. Dito de outro modo, a finalidade legalmente prevista para o ato praticado não corresponde à
finalidade efetivamente almejada pelo agente público, o que configura o citado desvio. É o exemplo famoso da
remoção de servidor público, por seu superior hierárquico, para fins de puni-lo. Ora, a categoria do ato de remoção
não se presta a efetivar reprimendas administrativas. Sua finalidade pública é bem diversa. O ato em questão é,
pois, "impróprio à providência adotada".
e
II) Excesso de poder: casos nos quais a autoridade pública atua fora dos limites de sua
competência, ou seja, exorbita ou extrapola a competência que lhe foi atribuída, praticando
atos que não estão previamente estipulados por lei. Trata-se, portanto, de vício de
competência a tornar nulo o ato administrativo praticado.
6. Ato administrativo: conceito;

Para CARVALHO FILHO, ato administrativo é “a exteriorização da vontade de agentes da


Administração Pública ou de seus delegatários, nessa condição, que, sob regime de direito
público, vise à produção de efeitos jurídicos, com o fim de atender ao interesse público”.

Ato adminsitrativo x ato da administração: todo ato administrativo é um ato da


administração, mas nem todo ato da administração é um ato administrativo. Ato da
Administração é um gênero, do qual deriva a espécie "ato administrativo. Ato da
administração pode ser de Direito Público ou de Direito Privado. Já os atos administrativos só
podem ser de Direito Público.
► OBSERVAÇÃO:
- A administração pratica quatro espécies de atos: 1) Atos políticos: exercício da função política (ex.: veto,
anistia); 2) Atos privados da Administração: a Adm atua como se fosse particular, sem gozar das prerrogativas
do Poder Público, regido pelo Dto Civil; 3) Atos materiais: atos de mera execução de atividade; fatos
administrativos; atos nos quais a Adm não manifesta vontade, ela também atua sem suas prerrogativas (ex.:
determinar demolição: ato administrativa, a demolição em si é ato material ou fato adminsitrativo); e 4) Atos
administrativos: são atos que a Adm pratica no exercício da função administrativa sob o regime de Dto Público,
gerando uma manifestação de vontade do Estado.

Requisitos. Também chamados de elementos do ato administrativo. Há dissenso sobre o rol.


Minemônico COFIFOMOB: competência, finalidade, forma, motivo e objeto.
► ATENÇÃO:
- Competência: elemento vinculado, é irrenunciável, imprescritível e improrrogável . Mas a lei permite as
hipóteses de delegação e de avocação. Portanto, renunciar é diferente de delegar! A lei prevê que a delegação
pode ser feita na mesma hierarquia ou para agentes de hierarquia inferior, não pode haver delegação para
agente superior.
Pergunta: A delegou a competência para B, B praticou o ato. Quem responde pelo ato? R: B, quem pratica o
ato responde pelo ato, ainda que tenha praticado por delegação. * OBS.: Súmula 510-STF: Praticado o ato
por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe o mandado de segurança ou a medida
judicial.
Na avocação não há extinção de competência. A autoridade A, não competente para a prática do ato, pode tomar
para si provisoriamente a competência de B. A avocação só é admitida em se tratando de um agente de hierarquia
superior avocando a competência de um agente de hierarquia inferior.
A lei veda a delegação (e se veda a delegação veda a avocação também) em três hipóteses: I) Edição de atos
normativos; II) Decisão de recurso hierárquico; e III) Competência exclusiva assim definida em lei. Macete:
CENOREC.
* CUIDADO: A competência privativa em alguns casos pode ser delegada, a exclusiva não!
► OBSERVAÇÃO:
- Vícios na competência: i) excesso de poder; ii) função de fato, quando a pessoa é investida
irregularmente na função (ex.: indivíduo que fraudou o concurso público para obter o cargo público)
praticando atos nela; e iii) usurpação de função (não há sequer a investidura irregular, ex.: Caso dos
irmãos gêmeos, onde um vai trabalhar no lugar do outro que é agente público). Na função de fato
(investidura irregular) pode aplicar a teoria da aparência, já na usurpação de função os atos são
considerados inexistentes.
O excesso de poder admite convalidação, desde que não se trate de ato sujeito a competência exclusiva,
nem tampouco de hipótese de competência em razão da matéria (ex: ato de atribuição do Secretário de
Educação e é praticado pelo Secretário de Finanças. Não será passível de convalidação).
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2014 Banca: ACAFE Órgão: PC-SC Prova: ACAFE - 2014 - PC-SC - Delegado de Polícia) No
tocante ao abuso de poder é correto afirmar, exceto:
A - O ato executado com excesso de poder pode ser convalidado pelo agente competente para a prática do ato.
B - O exercício das funções de agente público com abuso de poder não exclui a responsabilidade objetiva do
Estado.
C - Quando a autoridade administrativa pratica o ato por motivos ou com fins diversos dos previstos na legislação,
ocorre desvio de finalidade e, não, excesso de poder.
D - Ocorre excesso de poder quando a autoridade ultrapassa sua competência legal, dolosa ou culposamente,
tornando o ato praticado arbitrário, ilícito e nulo.
E - Não se caracteriza desvio de poder quando o ato é praticado tendo em vista a satisfação do interesse público,
mas com objetivo diverso daquele previsto em lei.
R: E. Para a configuração do desvio de finalidade, basta que o ato seja praticado com vistas a atingir fim
diverso do previsto em lei, ainda que o interesse público possa até ter sido atendido. É preciso lembrar que o
elemento finalidade pode ser subdividido em finalidade geral (ou mediata), que corresponde, sempre, ao
interesse público, e finalidade específica (ou imediata), que será aquela explicitada no próprio texto legal.
Basta que uma das duas seja violada, para que se tenha o desvio de finalidade. O exemplo clássico é o do ato
de remoção para fins de punir um dado servidor. Supondo que o servidor seja deslocado para local realmente
carente de recursos humanos, o hipotético ato terá atendido o interesse público (finalidade geral). Ainda assim,
entretanto, haverá desvio de finalidade, na medida em que a remoção não se presta como penalidade disciplinar,
por via indireta. Ter-se-á, no caso, violação da finalidade específica, porquanto a remoção foi utilizada para atingir
fim não previsto em lei (punir disciplinarmente o servidor faltoso), mesmo que atendido o interesse público.
Sobre a ‘A’: de fato, o vício de competência admite convalidação, desde que não se trate de ato sujeito a
competência exclusiva, nem tampouco de hipótese de competência em razão da matéria (ex: ato de
atribuição do Secretário de Educação e é praticado pelo Secretário de Finanças. Não será passível de
convalidação). Diferentemente, se a hipótese for de vício de competência quanto à pessoa, desde que não se trate
de competência exclusiva, o ato praticado com excesso de poder poderá ser convalidado, a critério da
administração pública, uma vez preenchidas as demais condições legais (Direito Administrativo Descomplicado de
Marcelo Alexandrino e Vicente de Paulo, pág. 255). Nota: Art. 55 da Lei nº 9.784/1999: “Em decisão na qual se
evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos
sanáveis poderão ser convalidados pela própria administração”.

Perfeição, validade, eficácia. Ato perfeito, válido e eficaz (a única combinação que não
pode haver é imperfeito com as demais, o resto é possível ): Perfeição diz respeito à situação
do ato cujo processo de formação já está concluído; a validade, por sua vez, trata da
adequação dos atos às exigências normativas; e eficácia é a situação de disponibilidade para
produção dos efeitos típicos, próprios do ato.

Convalidação x Conversão: Convalidação (ou sanatória) ocorre quando se corrige um vício


presente no ato com efeitos retroativos. Ratificação é uma espécie de convalidação, quando
trata de vício na competência. A convalidação é feita pela Adm Pública, como regra geral,
porém o Poder Legislativo pode fazer uma lei convalidando ato da Adm Pública. A
convalidação tem efeito ex tunc. A lei exige que para a convalidação é necessário não
causar prejuízo a terceiros, lesão ao interesse público e é preciso apresentar um vício
sanável (são sanáveis o vício de competência quanto à pessoa, exceto se se tratar de
competência exclusiva, e o vício de forma, a menos que se trate de forma exigida pela lei
como condição essencial à validade do ato).
Já na conversão, o primeiro ato não vai ser aproveitado, sendo feito um segundo ato para
aproveitar os efeitos do ato anterior. Ou seja, ocorre a prática de um novo ato.

Atributos do ato adminsitrativo. Segundo CARVALHO FILHO, são 3 os principais


atributos: imperatividade, presunção de legitimidade e autoexecutoriedade.
► OBSERVAÇÃO:
- Presunção de legitimidade: TODOS os atos da Adm Pública possuem presunção de legitimidade, isso se dá em
razão do princípio da legalidade segundo o qual a Adm só pode atuar quando a lei permite.
- Imperatividade: a imperatividade significa que o ato administrativo é impositivo, obrigatório ao administrado,
quer dizer: a Adm não necessita da concordância do destinatário para que o ato seja praticado. A imperatividade
não está presente em todos os atos, mas apenas naqueles que impõem obrigações aos administrados e, desse modo,
não existe nos atos negociais (licença, autorização etc.) nem nos enunciativos (parecer, certidão etc.).
- Autoexecutoriedade: só será possível quando a lei expressamente a previr ou quando se tratar de medida urgente
sem a qual haverá grave comprometimento do interesse público sendo entendido que neste caso a
autoexecutoriedade estaria prevista de maneira implícita.
*OBS.: A autoexecutoriedade pode ser dividida em dois aspectos: a) exigibilidade, pela qual o Poder Público pode
se utilizar através de meios indiretos de coação, como por exemplo, a impossibilidade de se licenciar o veículo se
não houver a quitação de multas; b) a executoriedade, onde se utiliza o Poder Público de meios diretos de coação,
como por exemplo, a destruição de bens nocivos.
MATHEUS CARVALHO elenca 6 atributos: presunção de veracidade, presunção de
legitimidade, imperatividade, coercibilidade e autoexecutoriedade.
Tipicidade: atributo criado por Di Pietro. Significa a exigência de que todo ato administrativo
esteja previsto em lei, ou seja, corresponda a figuras previamente definidas pela lei. Trata-se
de característica que decorre do princípio da legalidade.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2018 Banca: VUNESP Órgão: PC-BA Prova: VUNESP - 2018 - PC-BA - Delegado de Polícia) A
imperatividade é o atributo do ato administrativo que impõe a coercibilidade para seu cumprimento ou execução.
Dispensam esse atributo os atos administrativos
A - enunciativos.
B - normativos.
C - punitivos.
D - ordinatórios.
E - vinculados.
R: A.

Extinção, desfazimento e sanatória.

Via de regra, o ato administrativo de licença não admite revogação, pois é vinculado.
Contudo, em caso de construção o STF admitiu a revogação da licença para construir - desde
que a obra não tenha iniciado.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2017 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-GO Prova: CESPE - 2017 - PC-GO - Delegado de
Polícia Substituto) Após o término de estágio probatório, a administração reprovou servidor público e editou ato
de exoneração, no qual declarou que esta se dera por inassiduidade. Posteriormente, o servidor demonstrou que
nunca havia faltado ao serviço ou se atrasado para nele chegar. Nessa situação hipotética, o ato administrativo de
exoneração é
A - nulo por ausência de finalidade.
B - anulável por ausência de objeto.
C - anulável por ausência de forma.
D - anulável por ausência de motivação.
E - nulo por ausência de motivo.
R: E. A realização de um ato administrativo tem de ser motivada e, segundo a teoria dos motivos determinantes, os
motivos declarados ao tempo da edição do ato determinam a necessidade da demonstração de sua ocorrência, sob
pena de nulidade. Tendo em vista que a falta de assiduidade no serviço não ocorreu, não poderia servir de
fundamento ao ato administrativo de exoneração.

- (Ano: 2009 Banca: FUNIVERSA Órgão: PC-DF Prova: FUNIVERSA - 2009 - PC-DF - Delegado de


Polícia - Objetiva) Acerca dos atos administrativos, assinale a alternativa correta.
A - Atos autoexecutáveis são aqueles que podem ser praticados ex officio pelos agentes públicos.
B - Atos vinculados são aqueles cuja prática precisa seguir processos previamente definidos em lei, como é o caso
da investigação policial e dos atos de nomeação de servidores.
C - Atos administrativos imotivados somente são válidos quando a lei os dispensa de motivação expressa.
D - A nomeação de um servidor em cargo comissionado é um ato revogável, porque o servidor pode, a qualquer
tempo, ser exonerado.
E - Incorreria em ilegalidade uma autoridade administrativa que revogasse um ato administrativo, atribuindo a essa
revogação efeitos ex tunc.
R: E. Só se revoga ato legal, que passou a ser inoportuno e inconveniente, mas que surtiu efeitos jurídicos,
regeu relações, criou uma expectativa legítima na Lei de que o ato permaneceria surtindo efeitos até que se
exaurisse, pois sobrevivia no plano da existência, validade e eficácia. Sendo assim deixa de produzir efeitos a
partir de sua revogação, pois o que gerou antes foi válido no mundo jurídico. Já a anulabilidade sequer
obtinha respaldo jurídico para sua existência, por isso os efeitos da anulação devem ser ex tunc, para atingir
relações nascidas de uma ilegalidade que jamais deveria ocorrer. Modular os efeitos do ato revocatório seria uma
ilegalidade pois violaria o principio da segurança jurídica.
Sobre a ‘C’: Não existe lei que literalmente dispensa motivação expressa, ou seja, que esteja escrito: "É
dispensável motivação expressa para...". Há leis que exigem motivação expressa (é o caso do art. 50 da  Lei 9.784)
e existem leis que não exigem. A alternativa estaria correta se estivesse: "Atos administrativos imotivados são
válidos quando a lei não exigir motivação expressa."
Sobre a ‘D’: A justificação do por que é revogável o ato de nomeação de um servidor comissionado não é a
exoneração, ad nutum, não se revoga uma nomeação, apenas executa-se um novo ato, que é a exoneração,
que dispensa-se a motivação, este ato é discricionário pois é facultado a motivação ou não, manda embora e
pronto sem qualquer justificativa, desconstituindo a nomeação por um novo ato, que é a exoneração, mas
não que este ultimo tenha revogado o primeiro (nomeação). Ocorre na verdade o que Maria Silva chama de
‘contraposição dos atos’: a nomeação deixa de existir com a contraposição do ato de exoneração, sem que
um revogue o outro.

Ato nulo e ato anulável. I) Ato nulo é aquele que tem vício insanável, isto é, há ausência ou
defeito em um dos seus elementos, especialmente nos elementos motivo, finalidade e objeto,
porque o vício de um desses requisitos não é passível de convalidação; e II) Ato anulável é
aquele que tem vício sanável quanto ao elemento competência ou quanto à forma. O ato
anulável admite convalidação pela Adm Pública, convalidação é o suprimento da invalidade
de um ato com efeitos retroativos. Convalidar é tornar válido um ato inválido, por meio de
outro ato que supre o vício sanável, com efeitos ex tunc (retroagem).
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2018 Banca: VUNESP Órgão: PC-SP Prova: VUNESP - 2018 - PC-SP - Delegado de Polícia)
Suponha que a concessão de uma determinada permissão de instalação de empreendimento em um imóvel
dependa, conforme determinado em lei, da assinatura da autoridade administrativa em dois formulários distintos e
que, em determinado caso específico, em que pese o processo administrativo ter sido adequadamente instruído, a
autoridade competente firmou apenas um dos formulários, ordenando a publicação da autorização, apesar do vício,
o qual era desconhecido no momento da publicação. Identificado o vício após dois meses da publicação, a
autoridade administrativa deverá
A - converter a permissão em autorização, por ser esta última ato precário para o qual se exige o atendimento a um
número menor de condições.
B - evitar realizar qualquer ato adicional relativo a esse processo até que se encerre a apuração preliminar que
deverá, necessariamente, ser aberta para apurar eventual dolo na conduta da autoridade.
C - anular a autorização concedida anteriormente, pois o ato jurídico de autorização será não existente.
D - convalidar o ato, corrigindo o defeito sanável contido no ato anterior, garantindo, assim, a estabilidade das
relações já constituídas.
E - anular a autorização concedida anteriormente, pois o ato jurídico de autorização será inexistente, em face da
ausência de atendimento estrito ao previsto na legislação.
R: D. O ato adminsitrativo válido é aquele que possui todos elementos de validade, ou seja: praticado por
autoridade competente e em obediência aos demais requisitos (finalidade, forma, motivo e objeto). No caso,
todavia, não houve obediência ao requisito forma, de modo que o ato será passível de anulação. Por tratar-se de ato
anulável, será passível de convalidação pela Adm Pública.

- (Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-SE Prova: CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de


Polícia) A respeito da extinção de atos administrativos, julgue o próximo item.
Tanto a anulação como a revogação retiram do mundo jurídico atos com defeitos e produzem efeitos prospectivos.
( ) Certo
( ) Errado
R: E. Só a anulação retira do mundo jurídico atos com defeitos, por serem ilegais, produzindo efeitos
pretéritos (ex tunc) para desconstituir efeitos ilegais produzidos anteriormente. Já a revogação não recai
sobre atos ilegais, e sim sobre atos legais mas que não são mais convenientes e oportunos, sendo que a
revogação só produz efeitos prospectivos, isto é, daqui para frente, preservando os efeitos produzidos
anteriormente.
ANULAÇÃO REVOGAÇÃO
- Ilegalidade - Conveniência ou oportunidade
- Adm Pública (de ofício ou provocado) ou Poder - Só Adm Pública
Judiciário (se provocado) - Ex nunc (não tem efeito retroativo)
- Ex tunc (tem efeito retroativo)
*OBS.: I) Produzem efeitos "ex nunc": revogação; caducidade; e cassação. II) Produzem efeitos "ex tunc":
anulação; e convalidação.

- (Ano: 2018 Banca: VUNESP Órgão: PC-BA Prova: VUNESP - 2018 - PC-BA - Investigador de Polícia) Se


um ato administrativo é praticado com fundamento falso, vale dizer, incompatível com a verdade real, impõe-se a
extinção do ato administrativo, por meio da
A - revogação, que poderá ser praticada pela própria Administração, no exercício da autotutela, ou pelo Poder
Judiciário, se devidamente provocado.
B - anulação, que poderá ser praticada somente pela própria Administração.
C - revogação, que poderá ser praticada somente pela própria Administração.
D - anulação, que poderá ser praticada pela própria Administração, no exercício da autotutela, ou pelo Poder
Judiciário, se devidamente provocado.
E - revogação, que poderá ser praticada somente pelo Poder Judiciário.
R: D.

- (Ano: 2016 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-GO Prova: CESPE - 2016 - PC-GO - Escrivão de


Polícia Substituto) Com referência ao controle administrativo, assinale a opção correta.
A - A revogação, pela administração, de ato administrativo que tenha revogado um primeiro ato produzirá como
efeito automático e imediato a revalidação desse primeiro ato, que passará novamente a surtir efeitos normalmente.
B - Os atos administrativos cujos efeitos já se tenham exaurido integralmente são insuscetíveis de revogação.
C - O exercício da autotutela, poder-dever da administração, é amplo e dispensa a instauração de procedimento
administrativo, ainda que potenciais interesses individuais sejam atingidos.
D - Situação hipotética: Lúcio, indivíduo de boa-fé, logrou a manutenção dos efeitos já produzidos por ato
administrativo posteriormente declarado nulo. Assertiva: Nessa situação, por força da isonomia, aquele que detiver
situação jurídica idêntica à de Lúcio terá direito à extensão dos mesmos efeitos jurídicos produzidos pelo ato
anulado.
E - Um ato administrativo pode ser anulado em decorrência de pressupostos de conveniência e oportunidade da
administração ou devido à ilegalidade do ato. Nesse caso, será desnecessária a instauração de processo
administrativo para a oitiva de interessados.
R: B.
A convalidação não será possível: i) quando o vício estiver nos elementos finalidade, motivo
ou objeto; ii) quando o vício estiver nos elementos competência e forma e se tratar de
competência exclusiva ou forma essencial; iii) quando o vício foi impugnado administrativa
ou judicialmente; iv) quando houve a estabilização do vício pela prescrição ou decadência; v)
quando a convalidação causar lesão ao interesse público; e vi) quando a convalidação causar
prejuízo a terceiros (MAZZA, Alexandre. Manual de direito adminsitrativo. 2011, p. 137).
► OBSERVAÇÃO:
- Decai em 5 anos o direito da administração de anular atos que sejam favoráveis aos seus destinatários,
sendo que este prazo decadencial, na hipótese de efeitos patrimoniais contínuos, contar-se-á da percepção do
primeiro pagamento segundo o art. 54, §1º da Lei nº 9.784/99:
“Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os
destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé. § 1º No
caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contar-se-á da percepção do primeiro
pagamento".

Classificação.

Classificação dos atos administrativos.


- Critério da intervenção da vontade administrativa / quanto à formação: a) atos simples; b)
atos complexos; e c) atos compostos. Ato administrativo composto é o ato que resulta da
"vontade de um órgão, mas depende da verificação por parte de outro, para se tornar
exequível. (...) O ato composto distingue-se do complexo porque este só se forma com a
conjugação de vontades de órgãos diversos, ao passo que aquele é formado pela manifestação
de vontade de um único órgão, sendo apenas ratificado por outra autoridade" (Meirelles,
2007, p. 173).
► ATENÇÃO:
- Ato simples x complexo x composto: O ato simples é aquele em que a formação da vontade decorre de um só
órgão, independentemente se o órgão é singular ou coletivo. Ato complexo decorre da manifestação de vontade de
dois ou mais órgãos, ou seja, há a soma das vontades de mais de um órgão para que seja possível a formação de
um ato único, como é exemplo o decreto emitido pelo PR, pois, nos termos do art. 87, § único, I, da CF, ele deve
ser referendado pelo Ministro de Estado (há um ato só - o decreto - e dois órgãos - a PR e o Ministério). Já os atos
compostos são dois atos e não um só, pois aqui não há dois órgãos se unindo e formando um só ato, mas existem
dois atos, sendo um principal e outro acessório, constituindo-se este em pressuposto ou complemento daquele.
- Critério dos destinatários: a) atos individuais (concretos); e b) atos gerais (normativos).
- Critério dos efeitos: a) atos constitutivos; b) atos declaratórios; e c) atos enunciativos.
- Critério dos resultados: a) atos ampliativos; e b) atos restritivos.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-MA Prova: CESPE - 2018 - PC-MA - Escrivão de
Polícia Civil) A segurança pública é uma forma de serviço público de natureza
A - geral.
B - administrativa.
C - descentralizada.
D - não exclusiva.
E - individual.
R: A. A segurança pública é, de fato, um serviço público de natureza GERAL ou uti universi, também chamado de
"serviço público coletivo". É o serviço público em que não é possível determinar a quantidade utilizada por cada
pessoa de forma individualizada.
Sobre a ‘D’: Serviço não exclusivo é o serviço que pode ser executado tanto pelo Estado como pelo particular. Não
é o caso da segurança pública. Opção INCORRETA.

Modalidades dos atos administrativos (mnemônico NONEP).


i) Atos normativos: normatizam, regulamentam, disciplinam determinada situação,
representando um comando geral, buscando a correta aplicação da lei. Complementar à
previsão legal (ex.: regulamento, regimento, resolução).
► OBSERVAÇÃO:
- Instruções, Circulares, Portarias, Ordens de Serviço, Provimentos e Avisos: Segundo CARVALHO FILHO,
todos esses atos servem para que a Administração organize sua atividade e seus órgãos, e, por essa razão, são
denominados por alguns autores de ordinatórios. Apesar de auxiliarem a Administração a definir melhor sua
organização interna, a verdade é que, na prática, encontramos muitos deles ostentando caráter normativo,
fato que provoca a imposição de regras gerais e abstratas.
ii) Atos ordinatórios: visam disciplinar o funcionamento da administração. Vai escalonar,
hierarquizar, estabelecer grau de hierarquia (ex.: circular, ordem de serviço).
iii) Atos negociais: contém uma declaração de vontade da administração coincidente com o
interesse, pretensão do particular. É o que quer o Estado e o que quer o particular. (ex.:
permissão, licença, autorização).
iv) Atos enunciativos: atos que se limitam a atestar, certificar ou emitir opinião. Não é de
grandes conteúdos decisórios, atesta situação já existente (ex.: certidão, atestado, parecer).
v) Atos punitivos: são os atos que visam aplicar sanção, penalidade (ex.: embargos de obra,
aplicação de multa, interdição). (Fernanda Marinella, LFG, 2013)
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2014 Banca: NUCEPE Órgão: PC-PI Prova: NUCEPE - 2014 - PC-PI - Delegado de Polícia) Quanto
às espécies de atos administrativo, marque a alternativa CORRETA.
A - Atos normativos são os que contem um comando geral do Poder Judiciário visando à correta aplicação da lei.
B - Atos ordinatórios são os que visam a disciplinar o funcionamento da Administração e a conduta de seus
agentes no desempenho de suas atribuições.
C - Atos negociais são os que contêm uma declaração de vontade da Administração com o objetivo de concretizar
negócios jurídicos, conferindo ao particular poder de gerenciar, é ato bilateral.
D - Atos enunciativos são os que contêm o julgamento da Administração nos processos administrativos, contendo
relatório, fundamentação e dispositivo.
E - Atos punitivos são aqueles que infringirem disposições legais, que contêm uma sanção imposta pela
administração podendo ser multa e pena restritiva de direitos.
R: B. Atos ordinatórios: São aqueles que visam a disciplinar o funcionamento da Administração e a conduta
de seus agentes no desempenho de suas atribuições. Encontra fundamento no Poder Hierárquico. Ex:
Ordens, Circulares, Avisos, Portarias, Ordens de serviço e Ofícios. Os atos ordinatórios são praticados no
exercício do poder hierárquico e não atingem os particulares nem os servidores subordinados a chefia diferente
da que o expediu.
Sobre a ‘A’: errado. Esse comando geral vem do Poder Executivo.
Sobre a ‘C’: errado. É ato unilateral. Atos negociais: São aqueles que contêm uma declaração de vontade da
Administração visando concretizar negócios jurídicos, conferindo certa faculdade ao particular nas condições
impostas por ela. É diferente dos negócios jurídicos, pois é ato unilateral.

- (Ano: 2015 Banca: VUNESP Órgão: PC-CE Prova: VUNESP - 2015 - PC-CE - Delegado de Polícia Civil
de 1a Classe) São atos administrativos ordinatórios, entre outros,
A - os Decretos, os Despachos, os Regimentos e as Resoluções.
B - os Despachos, os Avisos, as Portarias e as Ordens de Serviço.
C - os Decretos, as Instruções, os Provimentos e os Regimentos.
D - as Instruções, as Deliberações, as Portarias e os Regulamentos.
E - os Regulamentos, as Instruções, os Regimentos e as Deliberações.
R: B.
* Decretos, resoluções e os regimentos são atos normativos, porquanto constituem comandos gerais e
abstratos que visam à fiel execução das leis, o que não se coaduna com os atos ordinatórios.
* Deliberações são atos normativos ou decisórios de órgão colegiado.
Os atos ordinatórios são praticados no exercício do poder hierárquico e não atingem os particulares nem os
servidores subordinados a chefia diferente da que o expediu. São exemplos de atos administrativos ordinatórios
as instruções, as portarias, as circulares, provimentos, despachos e os avisos.

Espécies e exteriorização.

Espécies. Segundo HELY LOPES, existe a seguinte classificação (mnemônico NONEP):


normativos, ordinatórios, negociais, enunciativos e punitivos.
- Atos Normativos: comandos gerais e abstratos para aplicação da lei.
Ex. Decretos e regulamentos, instruções normativas, regimentos, resoluções, deliberações.
- Atos Ordinatórios: disciplinam órgãos e agentes públicos.
Ex. Instruções, circulares, avisos, portarias, ordens de serviço, ofícios, despachos.
- Atos Negociais: vontade da Administração em concordância com particulares.
Ex. Licença, autorização, permissão, aprovação, admissão, visto, homologação, dispensa,
renúncia, protocolo administrativo.
- Atos Enunciativos: certificam ou atestam uma situação existente.
Ex. Certidões, atestados, pareceres técnicos, pareceres normativos, apostilas.
- Atos Punitivos: aplicam sanções a agentes e particulares.
Ex. Multa, interdição de atividade, destruição de coisas.

Vinculação e discricionariedade.
É a lei que, ao definir a atuação do Poder Público, determina se a atuação administrativa será
vinculada ou discricionária: I) Ato discricionário: nesse sentido, nas hipóteses em que o
comando normativo confere uma possibilidade de escolha ao administrador público, pode-
se falar no exercício de atos discricionários;
► OBSERVAÇÃO:
- Segundo CARVALHO FILHO, a valoração de conveniência e oportunidade é que reflete o que
modernamente se denomina de reserva do possível, ou seja, o conjunto de elementos que tornam possível esta
ou aquela ação governamental e, por via de consequência, o que se revela inviável de ser executado pela
Administração em certo momento e dentro de determinadas condições (p. 130).
e II) Ato vinculado: sendo o ato vinculado aquele praticado no exercício do poder
vinculado, em que a atuação administrativa está adstrita aos ditames previstos na
legislação, de forma objetiva. Neste caso, a norma legal estabelece todos os elementos do ato
administrativo, sem deixar qualquer margem de opção acerca da melhor atuação para o agente
do Estado.

7. Serviços públicos; conceito.


A noção de serviço público dependerá do modelo de sociedade e de Estado assumida.
Compete à Constituição e à legislação infraconstitucional definir quais as atividades que
serão rotuladas neste conceito. Segundo MSZP, o serviço público é “Toda atividade
material que a lei atribui ao Estado para que exerça diretamente ou por meio de seus
delegados, com o objetivo de satisfazer concretamente as necessidades coletiva, sob regime
jurídico total ou parcialmente público” (2008, p. 102).
Embora não se possa dizer haver unanimidade doutrinária, na linha assumida por MC (que
segue uma linha sugerida por MSZP no que se refere ao terceiro elemento), parece correto
afirmar que a conceituação de serviço público depende da conjunção de 3 (três) elementos:
1) Substrato material; 2) Substrato formal; 3) Elemento subjetivo.
Substrato material Substrato formal Elemento subjetivo
(ELEMENTO MATERIAL) (ELEMENTO FORMAL) (ELEMENTO SUBJETIVO)
- Prestação de atividade - O serviço público é regido por - O serviço público deve ser
continuada pela Administração normas de direito público. O prestado pelo Estado de forma
Pública, na busca do interesse regime de prestação do serviço é direta ou indireta. Para a doutrina
público, fornecendo uma um regime público, ainda que moderna, se o serviço público não
comodidade que será usufruída prestado por particulares em regime for prestado pelo Estado (ainda
pela sociedade. de delegação. que indiretamente) não poderá ser
Isso decorre do fato de que estas conceituado como serviço público,
atividades são prestadas com a mesmo que se direcione aos
intenção de se beneficiar toda a interesses da coletividade.
coletividade, não visando a
obtenção de vantagens ou interesses
egoísticos de determinados cidadãos
- caso contrário, o ente público não
assumiria, como sua, a execução.
► OBSERVAÇÃO:
- Importantes diferenciações: devem ser analisadas quais as principais distinções entre a prestação do serviço público
propriamente dito e as demais atividades executadas pelo Estado.
1 - Obra Pública: a obra pública é uma atividade estanque, com projeto que determina início e fim das atividades. O serviço
público difere da execução de obras porque é uma atuação constante, configurando comodidade prestada de forma
contínua. Os conceitos causam algumas confusões pelo fato de que, em diversas situações, a obra pública é indispensável à
prestação de determinado serviço, mas com ele não se confunde.
2 - Poder de Polícia: o poder de polícia configura uma restrição e não uma comodidade. Na busca do interesse público, o
Estado restringe o exercício de liberdades e o uso da propriedade. Trata-se de atuação restritiva do poder público, diferentemente
da prestação do serviço que é medida ampliativa.
3 - Exploração de atividade econômica: quando o ente estatal atua no mercado, explorando atividade econômica, submete-se às
normas de direito privado, não há prerrogativas de poder público.

Classificação.
São encontrados, na doutrina, vários critérios de classificação, sendo relevante analisar
aqueles mais importantes.
- Serviços públicos próprios e impróprios. I) Próprios: aqueles que somente podem ser
prestados pelo Estado de forma direta (pelos entes da Adm Direta ou Indireta) ou mediante
delegação a particulares, efetivada mediante a celebração de contratos de concessão e
permissão, nos moldes da legislação; e II) Impróprios: aqueles que, não obstante sejam
essenciais à coletividade e satisfaçam os interesses dos administrados, podem ser
executados por particulares sem a necessidade de delegação pelo ente estatal. São serviços
de utilidade pública, cuja execução será somente fiscalizada pela Administração Pública,
mediante a expedição de atos de consentimento que condicionam a forma de execução. Não
são, de fato, serviço público em sentido estrito. São aqueles que, embora de interesse da
coletividade, são prestados por particulares, sendo apenas autorizados, fiscalizados e
regulamentados pelo Estado. Exemplo é o serviço de táxi.
► OBSERVAÇÃO:
- Já para para HELY LOPES, i) serviços públicos próprios são aqueles que dizem respeito às atribuições
essenciais do Estado (segurança, saúde, polícia, etc), e que, por isso, só podem ser prestados diretamente, por seus
órgãos e agentes. Em suma, não podem ser delegados.
Para o autor, ainda, por sua vez os ii) serviços públicos impróprios são aqueles que tanto podem ser prestados
diretamente quanto podem ser delegados, em função de que, embora de interesse coletivo, não são essenciais.
- Serviços I) uti singuli ou individuais e serviços II) uti universi ou gerais.
- Serviços delegáveis e indelegáveis. I) Delegáveis: aqueles que o Estado pode prestar
diretamente ou por terceiros (ex.: transporte público); e II) Indelegáveis: aqueles cuja
prestação não pode ser repassada pelo Estado, a terceiros, sendo executados por seus próprios
agentes (ex.: serviço postal e correio aéreo nacional).
- Serviços administrativos, comerciais (ou industriais) e sociais: I) Administrativos:
executados pela Administração para atender as suas necessidades internas de funcionamento;
II) Comerciais (ou industriais): envolvem oferecimento de utilidades materiais necessárias
aos indivíduos, tal como água tratada, energia elétrica, telecomunicações; e III) Serviços
sociais: satisfazem necessidades de cunho social ou assistencial, tal como educação,
assistência, a seguridade.
- Serviços públicos exclusivos e não exclusivos. I) Exclusivos: o poder público deve prestá-
los de forma exclusiva. Exemplos: serviço postal e correio aéreo nacional; e II) Não
exclusivos: podem ser prestados pelo Estado ou pelo particular (mediante autorização do
Poder Público). Exemplos: saúde, previdência social, assistência social e educação.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2015 Banca: VUNESP Órgão: PC-CE Prova: VUNESP - 2015 - PC-CE - Delegado de Polícia Civil
de 1a Classe) Quanto à classificação dos serviços públicos, é correto conceituar como serviços próprios do Estado
aqueles que
A - se relacionam intimamente com as atribuições do Poder Público e para a execução dos quais a Administração
usa sua supremacia sobre os administrados.
B - a Administração os presta remuneradamente, por seus órgãos ou entidades descentralizadas, ou delega sua
prestação a concessionários, permissionários ou autorizatários.
C - a Administração presta sem ter usuários determinados, vale dizer, atendem à coletividade no seu todo.
D - a Administração prepara para serem prestados ao público.
E - se consubstanciam em atividade econômica que só pode ser explorada diretamente pelo Poder Público.
R: A. Cuida-se de questão que aborda o tema da classificação dos serviços públicos, assunto a respeito do qual é
possível encontrar diferentes posições dentre nossos diversos doutrinadores, o que torna a tarefa do candidato
ainda mais dramática.
Neste caso, especificamente, a Banca se baseou na doutrina clássica de Hely Lopes Meirelles, que assim se
expressou acerca dos chamados serviços próprios:
"(...) são aqueles que se relacionam intimamente com as atribuições do Poder Público (segurança, polícia,
higiene e saúde públicas etc.) e para a execução dos quais a Administração usa da sua supremacia sobre os
administrados. Por esta razão, só devem ser prestados por órgãos ou entidades públicas, sem delegação a
particulares."
Assumindo como correta esta noção conceitual, e em vistas das alternativas propostas pela Banca, não
restam dúvidas de que a única consentânea com tal lição doutrinária é aquela indicada na letra "a".
Sobre a ‘E’: errada. Os serviços públicos próprios só podem ser desempenhados pelo Poder Público, assim,
nunca serão referentes às atividades econômicas, vez que estas podem ser praticadas pelo mercado.

- (Ano: 2019 Banca: INSTITUTO AOCP Órgão: PC-ES Prova: INSTITUTO AOCP - 2019 - PC-ES -


Auxiliar Perícia Médico-Legal) Os serviços que possibilitam à Administração Pública, através de seu prestador,
auferir lucros diante de sua execução são considerados
A - Serviços Coletivos.
B - Serviços Econômicos.
C - Serviços de Utilidade Pública.
D - Serviços Singulares.
E - Serviços Sociais.
R: B. Classificação Quanto ao objeto: a) serviços administrativos: atividades que visam atender necessidades
internas da Administração ou servir de base para outros serviços. Ex: Imprensa Oficial. b) serviços comerciais ou
industriais: atividades que visam atender necessidades da coletividade no  aspecto econômico. Ex: serviço de
energia elétrica. c) serviços sociais: atividades que visam atender necessidades essenciais da coletividade em que
há atuação da iniciativa privada ao lado da atuação do Estado. Ex: serviço de saúde (existem hospitais públicos e
privados), serviço de educação (há escolas públicas e privadas). Atende necessidades de ordem social; não gera
lucro. (Ex: Cultura, assistência social).

Regulamentação e controle;

“Como o serviço é instituído pelo Estado e almeja o interesse coletivo, nada mais natural que
ele se submeta a regime de direito público. Na verdade, não precisa que a disciplina seja
integralmente de direito público, porque, como é sabido, alguns particulares prestam
serviços em colaboração com o Poder Público. Embora nessas hipóteses incidam algumas
regras de direito privado, nunca incidirão elas integralmente, sendo necessário que algumas
normas de direito público disciplinem a prestação do serviço. Pode-se até mesmo dizer que
nesses casos o regime será híbrido, predominando, porém, o regime de direito público
quando em rota de colisão com o de direito privado. Inúmeras são as normas de direito
público aplicáveis aos serviços públicos, destacando-se a que impõe a fiscalização do
serviço; a supremacia do Estado no que toca à execução; a prestação de contas e outras do
gênero.” CARVALHO FILHO.

Remuneração.
A) Quando o serviço não possui usuário determinado, a doutrina defende que a remuneração
deve ser feita pelo pagamento normal dos tributos.
B) Quando o serviço atende direta e individualmente ao administrado, por sua vez, é possível
a exigência de contraprestação pecuniária direta, que pode se dar pelo pagamento de taxas
(compulsório) e tarifas ou preço público (facultativo): B.I) Serviço individual e compulsório:
taxa; e B.II) Serviço individual e facultativo: tarifa ou preço público.

Forma, meios e requisitos;


Prestação e execução dos serviços públicos. Podem ser prestados de: I) Forma
centralizada, diretamente pelo Ente Público; II) Forma desconcentrada, através dos órgãos
públicos; e III) Forma descentralizada, através de terceiros, por outorga ou por delegação.
Nessa última, ocorre a denominada descentralização administrativa, a qual pode ser feita, em
relação aos serviços públicos, de duas formas, quais sejam, a descentralização por serviço
(outorga) e a descentralização por colaboração (delegação). Na primeira a pessoa política cria
(ou autoriza a criação) outra pessoa jurídica para a execução de determinada atividade
administrativa (pessoa da Adm Indireta) e, na segunda, a execução do serviço público é
transferida para uma pessoa do setor privado.

► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2016 Banca: FUNCAB Órgão: PC-PA Prova: FUNCAB - 2016 - PC-PA - Delegado de Polícia Civil -
Prova Anulada) Levando em consideração o assunto serviço público, seus princípios específicos e o
posicionamento acerca do assunto nos Tribunais Superiores, marque a opção correta.
A - É ilegítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando o débito for decorrente de suposta
fraude no medidor de consumo de energia apurada unilateralmente pela concessionária.
B - É legítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando a inadimplência do consumidor
decorrer de débitos pretéritos, uma vez que se busca impedir o enriquecimento sem causa e também como forma
de coação ao pagamento.
C - É ilegítimo a cobrança da tarifa de água fixada de acordo com as categorias de usuários e as faixas de
consumo.
D - Caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção em situação de emergência motivada por
razões de ordem técnica ou de segurança das instalações.
E - Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção após prévio aviso, quando por
inadimplemento, considerado o interesse da coletividade. Sendo assim, é viável, portanto, responsabilizar-se o
atual usuário, adimplente com suas obrigações, por débito pretérito relativo ao consumo de água, por exemplo, do
usuário anterior.
R: A.
*OBS.: Jurisprudência  do STJ sobre serviço público: 1) É legítimo o corte no fornecimento de serviços públicos
essenciais quando inadimplente o usuário, desde que precedido de notificação; 2) É legítimo o corte no
fornecimento de serviços públicos essenciais por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações, desde
que precedido de notificação; 3) É ilegítimo o corte no fornecimento de energia elétrica quando puder afetar o
direito à saúde e à integridade física do usuário; 4) É legítimo o corte no fornecimento de serviços públicos
essenciais quando inadimplente pessoa jurídica de direito público, desde que precedido de notificação e a
interrupção não atinja as unidades prestadoras de serviços indispensáveis à população; 5) É ilegítimo o corte no
fornecimento de serviços públicos essenciais quando inadimplente unidade de saúde, uma vez que prevalecem os
interesses de proteção à vida e à saúde; 6) É ilegítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais
quando a inadimplência do usuário decorrer de débitos pretéritos, uma vez que a interrupção pressupõe o
inadimplemento de conta regular, relativa ao mês do consumo; 7) É ilegítimo o corte no fornecimento de serviços
públicos essenciais por débitos de usuário anterior, em razão da natureza pessoal da dívida; 8) É  ilegítimo o corte
no fornecimento de energia elétrica em razão de débito irrisório, por configurar abuso de direito e ofensa aos
princípios da proporcionalidade e razoabilidade, sendo cabível a indenização ao consumidor por danos morais; 9)
É ilegítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando o débito decorrer de irregularidade no
hidrômetro ou no medidor de energia elétrica, apurada unilateralmente pela concessionária; 10) O corte no
fornecimento de energia elétrica somente pode recair sobre o imóvel que originou o débito, e não sobre outra
unidade de consumo do usuário inadimplente.

Delegação: concessão, permissão, autorização.

Intróito. CF/88. Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob
regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços
públicos.
Parágrafo único. A lei disporá sobre:
I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter
especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade,
fiscalização e rescisão da concessão ou permissão;
II - os direitos dos usuários;
III - política tarifária;
IV - a obrigação de manter serviço adequado.
► ATENÇÃO:
- Diferenciação importante: a concessão e a permissão são formas negociais da delegação de serviços públicos,
enquanto a autorização é instrumento unilateral de delegação (ato administrativo).
- O material de Adm de Sinopse da Juspdivm está excelente para revisar o tema de delegação de serv. público.
- A concessão depende de procedimento licitatório, sob a modalidade concorrência (cf. Lei nº 8.987/95). A Lei nº
9.497/97 estabeleceu, também, a adoção da modalidade leilão para diversas operações previstas no Programa
Nacional de Desestatização.

Concessão, permissão, autorização. A Lei nº 8.987/95 regulamenta os contratos de


concessão comuns e de permissão de serviços públicos.
► OBSERVAÇÃO:
- Lei nº 8.987/95 - Dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos previsto
no art. 175 da Constituição Federal, e dá outras providências:
Art. 6º, § 3º - Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção em situação de emergência ou
após prévio aviso, quando: I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações; e II - por
inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade.

I) CONCESSÃO: A concessão comum (regulamentada pela Lei 8.987/95) pode ser


dividida em duas espécies, a saber: a) Concessão simples: são contratos cujo objeto se
resume à transferência da execução do serviço público para o particular, que o executará por
sua conta e risco mediante cobrança de tarifas dos usuários; e b) Concessão precedida de
obra: trata-se de contratos de concessão nos quais o ente público determina ao particular que
realize uma obra pública de relevância para a sociedade e indispensável à prestação do
serviço público delegado. Nestes casos, o particular deverá executar a obra às suas expensas,
sendo remunerado, posteriormente, pela exploração do serviço decorrente da obra. Prevalece
que sua natureza jurídica é de contrato administrativo, bilateral, comutativo, intuitu personae
e formal, com cláusulas regulamentares (referentes à organização e funcionamento do serviço,
pode a Administração inovar unilateralmente) e cláusulas financeiras (deve ser preservado o
equilíbrio econômico-financeiro - CF/88, art. 175 p.u. e Lei 8.987/95).
Intervenção (art. 32 da Lei nº 8.987/95): o poder concedente poderá intervir na concessão,
com o fim de assegurar a adequação na prestação do serviço, bem como o fiel
cumprimento das normas contratuais, regulamentares e legais pertinentes. A intervenção
far-se-á por decreto do poder concedente, que conterá a designação do interventor, o prazo
da intervenção e os objetivos e limites da medida.
► ATENÇÃO:
- A intervenção não é forma de extinção da concessão!
Declarada a intervenção, o poder concedente deverá, no prazo de trinta dias, instaurar
procedimento administrativo para comprovar as causas determinantes da medida e apurar
responsabilidades, assegurado o direito de ampla defesa. Se ficar comprovado que a
intervenção não observou os pressupostos legais e regulamentares será declarada sua
nulidade, devendo o serviço ser imediatamente devolvido à concessionária, sem prejuízo de
seu direito à indenização. Cessada a intervenção, se não for extinta a concessão, a
administração do serviço será devolvida à concessionária, precedida de prestação de contas
pelo interventor, que responderá pelos atos praticados durante a sua gestão.
Extinção da concessão: Lei nº 8.987/95. Art. 35. Extingue-se a concessão por: I - advento do
termo contratual; II - encampação; III - caducidade; IV - rescisão; V - anulação; e VI -
falência ou extinção da empresa concessionária e falecimento ou incapacidade do titular, no
caso de empresa individual.
► OBSERVAÇÃO:
- A caducidade (ou decadência) ocorre quando o poder concedente retoma o serviço da concessionária, durante o
prazo da concessão, em razão da inadimplência da concessionária (art. 38).
- A encampação ocorre quando o poder concedente retoma o serviço da concessionária, durante o prazo da
concessão, por motivo de interesse público, mediante lei autorizativa específica e após prévio pagamento de
indenização (art. 37).
- A rescisão restringe-se apenas à possibilidade de a concessionária requerer judicialmente a rescisão do contrato
de concessão por inadimplência do poder concedente (art. 39).

► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2010 Banca: FGV Órgão: PC-AP Prova: FGV - 2010 - PC-AP - Delegado de Polícia) Com relação aos
contratos de concessão de serviços públicos, analise as afirmativas a seguir:
I. Em havendo alteração unilateral do contrato que afete o seu inicial equilíbrio econômico-financeiro, o poder
concedente deverá restabelecê-lo, concomitantemente à alteração.
II. A tarifa não será subordinada à legislação específica anterior e, somente nos casos expressamente previstos em
lei, sua cobrança poderá ser condicionada à existência de serviço público alternativo e gratuito para o usuário.
III. A criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, inclusive os impostos sobre a renda,
após a data da assinatura do contrato, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso.
IV. O poder concedente não poderá prever, em favor da concessionária, no edital de licitação, a possibilidade de
outras fontes provenientes de receitas alternativas, complementares, acessórias ou de projetos associados, a fim de
favorecer a modicidade das tarifas para os usuários.
Assinale:
A - se somente as afirmativas I e IV estiverem corretas.
B - se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
C - se somente as afirmativas II e IV estiverem corretas.
D - se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
E - se somente as afirmativas III e IV estiverem corretas.
R: B.
Sobre a II: a tarifa não é tributo, decorre de contrato administrativo (e não de lei), possui obrigação
contratual (ex voluntate), não sujeita-se aos princípios tributários, tem autonomia de vontade, é prestação
pecuniária voluntária (ou facultativa), remunera serviços públicos facultativos (essenciais ou não essenciais,
dependendo do caso), apresenta regime jurídico de Direito Privado, é aplicada quando o Estado
desempenha atividades econômicas com o fito de lucro, é exigida por pessoas jurídicas de direito público e
de direito privado, possui receita originária de direito privado (a qual é originada do próprio patrimônio do
Estado), a cobrança é proporcional ao uso e a rescisão é permitida.
Sobre a III: errada. Art. 9, § 3º: Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de
quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto,
implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso.

- (Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-MA Prova: CESPE - 2018 - PC-MA - Delegado de


Polícia Civil) É causa de extinção dos contratos administrativos de concessão de serviços públicos por caducidade
A - a falência ou a extinção da empresa concessionária.
B - a retomada, durante o prazo da concessão, do serviço pelo poder concedente, por motivo de interesse público.
C - o descumprimento, pela concessionária, das cláusulas contratuais ou disposições legais concernentes à
concessão.
D - o descumprimento, pelo poder concedente, das normas contratuais estabelecidas na concessão.
E - o advento do termo contratual.
R: C. Com base na literal disposição do inciso II do § 1º do art. 38 da Lei nº 8.987/95, esta opção
está CORRETA, constituindo uma causa de extinção da concessão por caducidade.
Sobre a ‘A’: Ela é sim causa de extinção do contrato de concessão, na forma do inciso VI do art. 35 da Lei nº
8.987/95, mas não por caducidade. Esta opção está INCORRETA.
Sobre a ‘B’: Trata-se da encampação, que é causa de extinção do contrato de concessão, nos termos do inciso II do
art. 35 da Lei nº 8.987/95, mas não por caducidade. Ela também é prevista no art. 37 daquela mesma lei. Está
INCORRETA esta opção.
Sobre a ‘D’: Esta hipótese é causa de extinção do contrato de concessão por rescisão, na forma do art. 35, inciso IV
e do art. 39, ambos da Lei nº 8.987/95, mas não por caducidade, conforme exige o enunciado da questão. Esta
opção está INCORRETA.
Sobre a ‘E’: Também é causa de extinção da concessão, nos termos do art. 35, inciso I e art. 37, ambos da Lei nº
8.987/95, todavia não por caducidade, sendo INCORRETA esta opção.
Os ricos ordinários decorrentes da atividade a ser desempenhada pelo contrato de concessão
são do concessionário. Todavia, admite-se a arguição da teoria da imprevisão, fato do
príncipe, caso fortuito ou força maior por parte do concessionário para que sejam suportados
pelo poder concedente, tendo em vista o direito à revisão para manutenção do equilíbrio
financeiro contratual.
► OBSERVAÇÃO:
- Seguem a regra das cláusulas exorbitantes, podendo o poder concedente: a) alterar unilateralmente o
contrato pelo Administração: a administração pode aumentar ou diminuir o contrato em até 25%, para atender o
interesse público; b) rescindir unilateralmente o contrato decorrente de interesse público (encampação) ou
do inadimplemento da empresa concessionário (caducidade); c) fiscalizar a execução do contrato: a lei
8.987/95 prevê a intervenção da Adm se houver indício de irregularidade na empresa concessionária; d) aplicação
de penalidades: penalidades da Lei nº 8.666/93; e e) poder de ocupação temporária de bens: não se confunde
com reversão de bens, na qual ao final do contrato de concessão, os bens da concessionária que eram utilizados na
prestação do serviço, transferem-se para o Estado, mediante indenização. Ocupação temporária é quando durante o
contrato adminsitrativo, para evitar a interrupção do serviço, o Estado pode temporariamente ocupar os bens da
contratada para manter a prestação de serviço.
Regime jurídico das concessões pós-Lei nº 11.079/04: o regime das concessões de serviço
público foi fortemente afetado pelas inovações da Lei Federal nº 11.079/04, que instituiu as
PPPs, nosso ordenamento passou a registrar os seguintes tipos de concessões:
Concessões comuns (Lei nº 8.987/95) Concessões especiais
Concessão de serviço público (simples) Concessão patrocinada
Concessão de serviço público precedida da execução Concessão administrativa (prestação de serviços de
de obra que a Adm Pública seja usuária)
► OBSERVAÇÃO:
- Não me aprofundarei neste resumo acerca das disposições da Lei 11.079, sendo importante guardar a tabela
acima.
Características comuns a todas as espécies de concessões: i) a delegação não pode ser feita a
pessoas físicas, apenas para pessoas jurídicas; ii) a formalização se faz por meio de contrato
administrativo; iii) a delegação, em regra, é precedida de licitação, na modalidade
concorrência; e iv) a delegação se dá por prazo determinado.

II) PERMISSÃO: A permissão de serviços públicos também foi prevista no texto


constitucional e regulamentada na Lei nº 8.987/95, como forma de delegação de serviço
público a particulares que executarão a atividade por sua conta e risco, mediante cobrança
de tarifas dos usuários que serão responsáveis pela sua remuneração. Para a doutrina
clássica, a permissão era o ato unilateral e precário, intuitu personae, por meio do qual o
Poder Público transferia a alguém o desempenho de um serviço de sua alçada,
proporcionando, assim como na concessão, a possibilidade de cobrança de tarifas dos
usuários. Entretanto, a Lei nº 8.897/95 atribuiu à permissão de serviço público a natureza
de contrato de adesão (art. 40).
► OBSERVAÇÃO:
- Segundo CARVALHO FILHO (p. 511): Poder-se-ia objetar o fato de que a lei considerou a
permissão contrato de adesão, o que não fez em relação ao pacto concessional. Mas a objeção não
seria aceitável. O contrato de adesão se caracteriza pelo fato de que uma das partes já apresenta à outra
previamente a completa pactuação do ajuste, impedindo a existência da pré-negociabilidade entre elas.
Ora, a adesão, de fato, incide tanto para o concessionário quanto para o permissionário, vez que,
no curso da licitação, já estarão predefinidas várias cláusulas do futuro contrato, não somente no
edital, como na própria minuta do contrato, disponível ao momento do procedimento licitatório.
E a tais cláusulas prefixadas não resta ao concessionário ou permissionário senão aderir.
- No caso das permissões, admite-se a delegação para pessoas físicas, diferentemente das
concessões em que a delegação se dá apenas para pessoas jurídicas.
► POSIÇÃO DO STJ:
- No que tange à extinção da permissão e eventual direito à indenização, segundo o STJ “é indispensável o
cumprimento dos ditames constitucionais e legais, com a realização de prévio procedimento licitatório, para
que se possa cogitar de indenização aos permissionários de serviço público” (STJ. AgRg no REsp 1456687/RJ,
Dje 19/04/2017).
O caráter precário da permissão autoriza a revogação unilateral do contrato por ato do poder
concedente, hipótese em que mediante ação própria, é possível ao permissionário obter
indenização dos investimentos feitos para o desempenho do serviço, lembrando que segundo
o STJ, é “indispensável o cumprimento dos ditames constitucionais e legais, com a realização
de prévio procedimento licitatório, para que se possa cogitar de indenização aos
permissionários de serviço público” (STJ, AgRg no REsp 1456687/RJ, 19/04/17).
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2012 Banca: FUNCAB Órgão: PC-RJ Prova: FUNCAB - 2012 - PC-RJ - Delegado de Polícia)
Quanto à permissão do serviço público, considere as afirmativas abaixo e assinale a alternativas correta.
I. Resulta de delegação negocial.
II. Dispensa licitação prévia.
III. Só pode ser firmada com pessoa física ou jurídica.
IV. O permissionário está sujeito à responsabilidade civil objetiva.
A - Apenas estão corretas as afirmativas I, II e III.
B - Apenas estão incorretas as afirmativas III e IV.
C - Apenas estão corretas as afirmativas I, III e IV.
D - Apenas estão incorretas as afirmativas I e IV.
E - Apenas estão corretas as afirmativas II e IV.
R: C.
Afirmativa “I”: está correta. O adjetivo negocial deve-se ao fato de que a permissão de serviços públicos pressupõe
a celebração de um contrato entre a Adm Pública (poder concedente) e o particular (permissionário). Em vista da
natureza contratual da relação jurídica que aí se estabelece é que se pode denominar tal espécie de delegação como
negocial.
Afirmativa “II”: equivocada a afirmação. Por expressa imposição constitucional, qualquer concessão ou
permissão de serviço público deve, sempre, ser precedida de licitação. É o que preceitua o art. 175, caput, da
CF/88. A Lei nº 8.987/95, em seu art. 2º, IV, não define especificamente para a permissão qual modalidade de
licitação deverá ser utilizada, o que permite concluir que o administrador poderá escolher a que entender mais
adequada ao caso (na permissão a modalidade da licitação ira depender do valor).
Afirmativa “III”: correta a assertiva, uma vez que em sintonia com a definição legal constante do art. 2º, IV, da Lei
8.987/95.
Afirmativa “IV”: também é verdadeira esta afirmação, o que se deve ao teor do art. 37, § 6º, da CF/88. Afinal, em
se tratando de pessoa jurídica de direito privado, prestadora de serviços públicos, a norma em tela tem plena
incidência, estabelecendo a responsabilidade civil independentemente da configuração do elemento culpa. Daí se
cuidar de responsabilidade civil objetiva, baseada na chamada teoria do risco administrativo.

- (Ano: 2009 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-PB Prova: CESPE - 2009 - PC-PB - Delegado de


Polícia) Ainda no que concerne ao serviço público, assinale a opção correta.
A - O dispositivo constitucional que preceitua caber ao poder público, na forma da lei, diretamente ou sob o
regime de concessão ou permissão, sempre mediante licitação, a prestação de serviços públicos, demonstra que o
Brasil adotou uma concepção subjetiva de serviço público.
B - A permissão de serviço público é definida pela lei geral de concessões como a delegação, a título precário,
mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que
demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco.
C - No procedimento de licitação para contratação de serviços públicos, obrigatoriamente a primeira fase será a de
habilitação e a segunda, de julgamento da proposta que melhor se classificar, conforme as condições estabelecidas
no edital, não sendo possível a inversão dessas fases.
D - No contrato de concessão, é obrigatória cláusula que preveja o foro de eleição, não sendo possível, diante do
interesse público envolvido, prever-se o emprego de mecanismos privados para a resolução de disputas decorrentes
do contrato ou a ele relacionadas, inclusive a arbitragem.
E - No contrato de concessão patrocinada, no âmbito das parcerias público-privadas, os riscos do negócio jurídico
decorrentes de caso fortuito ou força maior serão suportados exclusivamente pelo parceiro privado.
R: B. Prevista no art. 2º da Lei 8.987/95, inc. IV - permissão de serviço público: a delegação, a título precário,
mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica
que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco. C/C art. 40 da Lei 8.987/95 - A
permissão de serviço público será formalizada mediante contrato de adesão, que observará os termos desta Lei,
das demais normas pertinentes e do edital de licitação, inclusive quanto à precariedade e à revogabilidade
unilateral do contrato pelo poder concedente.
Sobre a ‘A’: errada. A corrente subjetiva diz que para que um serviço seja considerado público, é suficiente
que esteja sendo prestado pelas entidades da Administração Direta ou Indireta, independentemente da
atividade em si. Essa corrente não é adotada no Brasil , pois as pessoas jurídicas de direito privado que não
integram a Administração, a exemplo dos delegatários (concessionários e permissionários), também podem prestar
serviços públicos. No mesmo sentido, existem entidades que integram a Administração Indireta, mas que não
prestam serviços públicos, a exemplo das empresas públicas e sociedades de economia mista exploradoras de
atividades econômicas. O Brasil adota a corrente formalista que diz que para que um serviço seja
considerado público, é necessário que a lei ou o texto constitucional o defina como tal.
► OBSERVAÇÃO:
- O art. 175 da CF atribuiu natureza de contrato adminsitrativo a permissão de serviço público, e não de ato
adminsitrativo discricionário e precário. Porém, erroneamente o art. 40 da Lei nº 8.987/95 atribui natureza precária
ao contrato de permissão de serviço público, o que tem sido alvo de críticas pela doutrina. Por isso, hoje tem se
entendido que a natureza precária está fastada, possuindo, a permissão de serviços públicos, natureza de contrato
de adesão. Aplica-se à permissão todas as regras da concessão de serviço público. Porém, possuem três
diferenças: 1) Licitação: a modalidade licitatória pode variar, dependendo do valor do contrato; 2)
Contratante: a permissão pode ser celebrada com pessoa física ou com pessoa jurídica; e 3) Autorização
legislativa: a permissão não exige lei específica autorizando sua celebração. Já a concessão precisa de
autorização legislativa.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2016 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-PE Prova: CESPE - 2016 - PC-PE - Delegado de
Polícia) A permissão da empresa Alfa, permissionária de serviços públicos de transporte coletivo de passageiros,
conforme contrato de delegação firmado com o governo estadual, foi unilateralmente revogada pelo poder público,
por motivos de oportunidade e conveniência. A empresa interpôs pedido de reconsideração junto ao Departamento
de Regulação de Transporte Coletivo, órgão da Secretaria Estadual de Transportes, responsável pelos contratos de
permissão de transporte coletivo. O pedido foi indeferido por Caio, diretor do referido departamento, que alegou a
existência de interesse público na revogação. Diante desse indeferimento, a empresa interpôs recurso
administrativo. Caio manteve a decisão anterior e encaminhou o recurso ao secretário de transportes, autoridade
hierarquicamente superior. Semanas após, Caio foi nomeado secretário estadual de transportes e, nessa qualidade,
conheceu do recurso administrativo e negou-lhe provimento, mantendo a decisão recorrida
Com referência a essa situação hipotética, assinale a opção correta.
A - O fato de Caio não ter reconsiderado a sua decisão não equivale a julgamento de recurso. Assim, houve uma
única decisão administrativa em sede de recurso administrativo, sendo irrelevante que a autoridade julgadora tenha
emitido uma decisão anterior sobre a questão.
B - O recurso administrativo deveria ter sido apreciado por autoridade hierarquicamente superior e diferente
daquela que decidira anteriormente o pedido de reconsideração. Como Caio estava impedido de julgar o recurso
administrativo, há de se concluir que a decisão do recurso foi nula.
C - No caso em tela, haveria a suspeição de Caio, razão pela qual ele não poderia julgar o recurso administrativo.
Dessa forma, Caio deveria anular a decisão sobre o recurso e delegar a algum subordinado seu a competência para
o julgamento.
D - A permissão de serviço público é feita a título precário e, por esse motivo, a empresa permissionária não tem
direito a recorrer administrativamente do ato administrativo que revogou a sua permissão.
E - Em razão do princípio da intranscendência subjetiva, é juridicamente possível que uma mesma pessoa decida
sobre o pedido de reconsideração e o recurso administrativo, uma vez que, legalmente, eles foram decididos por
autoridades administrativas distintas.
R: B. "...2. Impossibilidade de a mesma pessoa, embora ocupando cargos distintos, julgar validamente o
pedido de reconsideração (Secretário Executivo do Ministério das Comunicações) e o recurso
administrativo (Ministro do Ministério das Comunicações) interposto nos autos do Processo
Administrativo n. 53.000.002491/2001. Afronta aos princípios da impessoalidade, da imparcialidade e do
duplo grau. 3. Recurso ordinário em mandado de segurança parcialmente provido." (STF - RMS: 26029 DF,
Relator: Min. CÁRMEN LÚCIA, Data de Julgamento: 11/03/2014, Segunda Turma, Data de Publicação:
ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-076 DIVULG 22-04-2014 PUBLIC 23-04-2014)
Como se nota, o STF entendeu que o recurso administrativo deveria ter sido apreciado por autoridade superior e
diferente daquela que decidira anteriormente o pedido de reconsideração, sob pena de afronta aos princípios da
impessoalidade, da imparcialidade e do duplo grau, sendo nula a decisão proferida pela mesma pessoa.
Na decisão, o STF considerou, ainda, o art. 18 da Lei 9.784/99, que impediria de atuar no processo
administrativo o servidor ou a autoridade que já tivesse decidido ou participado como perito, testemunha
ou representante. Correta, portanto, a alternativa “b”.
Sobre a ‘E’: errada. Como visto no início, não é possível que a mesma pessoa, embora ocupando cargos
distintos, julgue de forma válida o pedido de reconsideração e o recurso administrativo, incidindo, no caso,
a hipótese de impedimento prevista no art. 18, II da Lei 9.784/99, sob pena de afronta aos princípios da
impessoalidade, da imparcialidade e do duplo grau.

III) AUTORIZAÇÃO:
Trata-se de ato administrativo unilateral, precário e discricionário, no qual o Poder Público
consente que o particular realize determinada atividade. Sem licitação. Diferentemente do que
ocorre na concessão e na permissão, na autorização prepondera o interesse privado. A CF/88
embora não se reporte à “autorização” no seu art. 175, cita esse ato administrativo
unilateral ao dispor em seu art. 21 sobre a competência federal para explorar determinados
serviços públicos (incisos XI e XII).
Para CARVALHO FILHO, a CRFB, ao referir-se à delegação de serviços públicos, refere-se
apenas à concessão e permissão (art. 175).
Já CABM diz que a controvérsia existente entre os artigos 21, incisos XI e XII e o disposto
nos artigo 175, inciso I, todos da CRFB, deve considerar que a regra é a delegação do serviço
público por meio da concessão e permissão (artigo 175, inciso I) e a expressão autorização,
que aparece nos artigos 21 XI e XII do diploma constitucional, se subsume a duas hipóteses:
A) Uma que corresponde a hipóteses em que efetivamente há serviço de telecomunicação,
como o de radio amador ou de interligação de empresas por cabos de fibras ópticas, mas não
propriamente serviço público, mas serviço de interesse privado delas próprias. Para o autor, a
palavra autorização foi utilizada no sentido de polícia administrativa, que libera alguma
conduta privada propriamente dita, mas cujo exercício depende de manifestação
administrativa aquiescente para verificação se com ela não haverá gravames ao interesse
público. B) Outra, a de abranger casos em que efetivamente está em pauta um serviço
público, mas se trata de resolver emergencialmente uma dada situação, até a adoção dos
convenientes procedimentos por força dos quais se outorga a permissão ou concessão.
► OBSERVAÇÃO:
- Exemplo de atividade autorizada: o exemplo, tradicionalmente utilizado pela doutrina, é o serviço
de táxi, considerado atividade privada exercida sob o regime de autorização. Ocorre que a lei
12.587/2012, que instituiu a Política Nacional de Mobilidade Urbana, classificou o serviço de táxi
como transporte público individual, caracterizando-o como serviço público, prestado sob o regime de
permissão (art. 4º, VIII, e 12, Lei 12.587/2012). Todavia, em relação ao transporte privado coletivo,
definido no art. 4º, VII, como “serviço de transporte de passageiros não aberto ao público para a
realização de viagens com características operacionais exclusivas para cada linha e demanda”, o
consentimento estatal se formaliza por autorização.
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2019 Banca: INSTITUTO AOCP Órgão: PC-ES Prova: INSTITUTO AOCP - 2019 - PC-ES -
Investigador) A autorização de serviço público pode ser considerada um
A - contrato administrativo por prazo determinado, sendo dispensada prévia licitação.
B - ato administrativo unilateral, vinculado e precário.
C - contrato administrativo por prazo indeterminado, precedido de licitação.
D - ato administrativo unilateral, discricionário e precário.
E - contrato administrativo precário por prazo indeterminado, sendo dispensada prévia licitação.
R: D.

8. Controle e responsabilização da administração:

No exercício de suas funções, a Administração Pública sujeita-se a controle por parte dos
Poderes Legislativo e Judiciário, além de exercer, ela mesma, o controle sobre os próprios
atos. Esse controle abrange não só os órgãos do Poder Executivo, incluindo a administração
direta e a indireta, mas também os dos demais Poderes, quando exerçam função tipicamente
administrativa; em outras palavras, abrange a Administração Pública considerada em sentido
amplo.

Classificação. I) Conforme o momento a ser exercido: a) Controle prévio, preventivo ou a


priori; b) Controle concomitante ou sucessivo; e c) Controle subsequente, corretivo ou a
posteriori. II) Conforme a amplitude: a) Controle hierárquico; e b) Controle finalístico, tutela
ou supervisão ministerial. III) Conforme a origem: a) Controle interno; e b) Controle
externo.
CONTROLE EXTERNO
Controle legislativo Controle legislativo indireto Controle Judicial
direto
- É realizado pelo parlamento, - É aquele exercido pelo Tribunal - É aquele exercido pelos membros
através de seus representantes de Contas, que é órgão auxiliar do do Poder Judiciário. Por ex.:
diretos (parlamentares). Por ex.: Poder Legislativo. Por ex.: na quando um juiz anula um ato
sustação, pelo Congresso Nacional, apreciação das contas do administrativo, por identificar
dos atos administrativos normativos Executivo, do Poder Judiciário e ilegalidade em sua prática.
que extrapolam o poder do próprio legislativo, pelas cortes
regulamentar. de contas.
► ATENÇÃO:
- Controle interno da Administração Pública : decorre do Poder de Autotutela que permite à Administração
Pública rever os próprios atos quando ilegais, inoportunos ou inconvenientes; e
- Controle externo da Administração Pública: controle parlamentar direto pelo Poder Legislativo, controle pelos
Tribunais de Contas, controle exercido pelo Poder Judiciário e controle popular ou social.

Controle Administrativo;

O controle administrativo decorre do ‘poder de autotutela’ conferido à Administração


Pública que deve efetivar a fiscalização e revisão dos seus atos, mediante provocação ou de
ofício, com a finalidade de verificar os aspectos de ilegalidade que maculem o ato controlado,
situações que ensejam a anulação do ato - e também ausência de interesse público na
manutenção da conduta no ordenamento jurídico, podendo justificar sua revogação.
► POSIÇÃO DO STF:
- Súmula 473/STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam
ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
- O prazo decadencial do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando o ato a ser anulado afronta
diretamente a Constituição Federal. Não existe direito adquirido à efetivação na titularidade de cartório quando
a vacância do cargo ocorre na vigência da CF/88, que exige submissão a concurso público (STF. Plenário. MS
26860/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 2/4/2014 - Info 741).
► POSIÇÃO DO STJ:
- Súmula 633/STJ: A Lei nº 9.784/99, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial para a revisão de
atos administrativos no âmbito da Adm Pública federal, pode ser aplicada, de forma subsidiária, aos estados e
municípios, se inexistente norma local e específica que regule a matéria.
No tocante ao controle da Administração pela própria Administração, importante lembrar
sempre dos recursos administrativos (representação, reclamação, pedido de reconsideração,
recurso hierárquico próprio, recurso hierárquico impróprio e revisão).
► OBSERVAÇÃO:
- Nos recursos administrativos é possível a ocorrência da reformatio in pejus. Somente na revisão, que é o
recurso que se utiliza o servidor punido pela Adm, para solicitar novo exame da decisão, quando surgirem
novos fatos capazes de demonstrar a sua inocência. A revisão pode ser requerida a qualquer tempo, na revisão
não poderá ocorrer a reforma para agravar a situação do recorrente.
Meios de controle: I) Supervisão ministerial sobre as entidades personalizadas que integram
a Administração Indireta; e II) Controle hierárquico dos órgãos da administração direta.

Órgãos internos de controle administrativo: 1) Controladoria Geral: A controladoria é


órgão interno de controle dos entes federativos que não têm função consultiva, mas sim de
efetiva fiscalização, orientação e revisão de atos praticados dentro da estrutura do Poder
Executivo; 2) Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho Nacional do Ministério
Público (CNMP): A Emenda Constitucional nº 45/2004 criou os dois órgãos com a função de
realizar o controle administrativo e financeiro do Judiciário e do Ministério Público,
respectivamente. São órgãos internos de controle, haja vista fazerem parte da estrutura destes
poderes; 3) Corregedorias: Consoante determinação da Constituição da República, em seu
art. 74, os três poderes do Estado devem criar órgãos de controle interno para execução de
suas atividades. Respeitando esta norma, os tribunais e casas do Poder Legislativo devem, por
meio de lei, criar as corregedorias e ouvidorias, com a função de realizar o controle interno da
entidade, assim como a análise da atuação de seus membros, como forma de garantia dos
princípios da moralidade e impessoalidade.
► OBSERVAÇÃO:
- A Resolução n. 86 do CNJ impõe a criação de órgãos internos de controle em todos os tribunais para auxiliar na fiscalização,
analisando a eficiência da atividade, assim como o cumprimento das metas definidas em orçamento.

Controle Judicial;
O controle judicial é realizado pelo Poder Judiciário, mediante provocação de qualquer
interessado que esteja sofrendo lesão ou ameaça de lesão em virtude de conduta ou omissão
administrativa que o atinja direta ou indiretamente. Nestes casos, o controle será exercido
somente no que tange aos aspectos de legalidade (ou legitimidade) dos atos administrativos,
ainda que se trate de ato praticado no exercício da competência discricionária, haja vista a
impossibilidade de substituição do mérito administrativo pela opção do julgador (embora
doutrinadores modernos reconheçam que o magistrado pode sim adentrar no controle do
mérito administrativo).
► POSIÇÃO DO STF:
- Não compete ao Poder Judiciário, no controle de legalidade, substituir banca examinadora para avaliar respostas
dadas pelos candidatos e notas a elas atribuídas. Excepcionalmente, é permitido ao Judiciário juízo de
compatibilidade do conteúdo das questões do concurso com o previsto no edital do certame. (STF. Plenário.
RE 632853, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/4/15 - repercussão geral, Info 782)
OBS.: Um exemplo dessa exceção é o julgado da 2ª Turma do STJ (RMS 49.896-RS, Rel. Min. Og Fernandes,
20/4/17 - Info 603) no sentido de que grave erro no enunciado - reconhecido pela própria banca
examinadora - constitui flagrante ilegalidade apta a ensejar a nulidade da questão.
► OBSERVAÇÃO:
- Tendência de tentar controlar a crescente aceitação de análise quanto à definição de políticas públicas pelo
agente público administrador. Vejamos:
DECRETO Nº 9.830, DE 10 DE JUNHO DE 2019 (Regulamenta o disposto nos art. 20 ao art. 30 do Decreto-Lei
nº 4.657, de 4 de setembro de 1942, que institui a Lei de Introdução às normas do Direito brasileiro):
Análise de regularidade da decisão
Art. 13. - A análise da regularidade da decisão não poderá substituir a atribuição do agente público, dos
órgãos ou das entidades da administração pública no exercício de suas atribuições e competências, inclusive
quanto à definição de políticas públicas.

► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2018 Banca: FUNDATEC Órgão: PC-RS Prova: FUNDATEC - 2018 - PC-RS - Delegado de Polícia -
Bloco II) Levando em consideração os temas “Controle da Administração Pública” e “Responsabilidade Fiscal”,
assinale a alternativa correta.
A - O exercício do controle interno pela administração pública não inclui a revogação de atos administrativos.
B - A jurisprudência contemporânea acerca do controle de legalidade tem admitido, por parte do Poder Judiciário,
a invalidação de atos administrativos discricionários em decorrência da falta de conformação deles com os
princípios da administração pública, em especial, os da razoabilidade e da proporcionalidade.
C - O controle desempenhado pela Administração Direta sobre as entidades que integram a Administração Indireta
é uma manifestação da autotutela administrativa.
D - Os Tribunais de Contas, no exercício do controle externo, têm competência para julgar as contas dos Chefes do
Poder Executivo.
E - Nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LC nº 101/2000), é nulo de pleno direito o ato de que resulte
aumento da despesa com pessoal expedido nos noventa dias anteriores ao final do mandato do titular do respectivo
Poder.
R: B.
Sobre a ‘C’: errada. A supervisão ministerial é um meio de controle administrativo desempenhado pela
Administração Direta sobre as entidades que integram a Administração Indireta. É também designado como
controle finallístico ou tutela administrativa.
Sobre a ‘D’: errada. O Tribunal de Contas aprecia as contas apresentadas pelo Chefe do Poder Executivo, mediante
parecer prévio. Nestes casos, não compete ao Tribunal de Contas efetivar o julgamento das contas, que será
realizado pelos membros do Poder Legislativo.
Sobre a ‘E’: errada. O erro da assertiva consiste na indicação do prazo. Nos termos do art. 21, parágrafo único, da
Lei de Responsabilidade Fiscal, "é nulo de pleno direito o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal
expedido nos cento e oitenta dias anteriores ao final do mandato do titular do respectivo Poder".

Controle Legislativo;
O controle legislativo é aquele executado pelo Poder Legislativo diretamente - o chamado
controle parlamentar direto - ou mediante auxílio do Tribunal de Contas. Esse poder
manifesta a vontade popular e, como tal, não poderia deixar de fiscalizar e orientar a atuação
do administrador público.
I) Controle parlamentar direto pelo Poder Legislativo: o Poder Legislativo é, em teoria,
poder de maior representatividade popular e tem a reserva do exercício fundamental do poder
que lhe é conferido pelo povo, qual seja, a criação de leis. As leis, como atos próprios do
Poder Legislativo, já constituem, por si mesmas, o instrumento de maior controle da
Administração Pública. Isso porque o administrador público deve atuar dentro dos parâmetros
fixados pelo legislador, refletindo-se no próprio princípio da legalidade administrativa.
Entretanto, o controle pelo Poder Legislativo não se esgota na elaboração de leis. Ao
contrário, existem situações em que a CF/88 permite o controle legislativo concreto sobre atos
e atividades da Adm Pública. O fundamento desse controle é eminentemente constitucional e
é denominado de controle político do Poder Legislativo, como define IRENE PATRÍCIA
NOHARA, é a fiscalização a ele outorgada pela Constituição de decidir sobre alguns aspectos
fundamentais relativos à organização e à atuação do Poder Executivo (como também do
Poder Judiciário). Seu escopo, em última análise, é o de proteger os interesses superiores do
Estado e da coletividade.
II) Controle financeiro e orçamentário: executado com o auxílio do Tribunal de Contas. Ex.
1: O Tribunal de Contas da União e dos Estados emitem parecer favorável ou não às contas
do Presidente da República e Governador de Estado e as respectivas casas legislativas é que
julgam as contas do chefe do Poder Executivo federal e estadual. Com relação aos
Municípios, os Tribunais de Contas dos Estados ou do Município emitem um parecer prévio
que prevalece, salvo decisão de dois terços dos vereadores. Ex. 2: Caso o órgão ou entidade
não adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, o Tribunal de Contas
pode sustar o ato. Contudo, tratando-se de contrato, o ato de sustação será de competência do
Congresso Nacional que, caso não venha a tomar nenhuma providência no prazo de 90 dias,
devolve a competência para o Tribunal de Contas da União.
► OBSERVAÇÃO:
- Em suma, o controle legislativo é exercido pelo Poder Legislativo sobre os atos do Poder Executivo, das
entidades da administração indireta e, também, sobre os atos administrativos do Poder Judiciário. Esse controle
abrange o controle financeiro e o controle político. O I) controle financeiro refere-se à receita, à despesa, à gestão
dos recurso públicos. O II) controle político é feito sobre os outros Poderes, quanto aos atos administrativos,
abrangendo aspectos de mérito (conveniência e oportunidade) e legalidade. Há várias hipóteses de controle político
no texto constitucional, nas quais se inclui a aprovação da escolha dos Ministros do STJ por voto secreto (CF, art.
52, III, “a” c/c art. 104, § único).
► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2013 Banca: UEPA Órgão: PC-PA Prova: UEPA - 2013 - PC-PA - Delegado de Polícia) Sobre
Controle e Responsabilização da Administração Pública, assinale a alternativa correta.
A - O controle externo da Administração é o controle exercido por órgãos alheios à Administração, como o
controle parlamentar direto, o controle pelo Tribunal de Contas e o controle judicial. O controle externo, a cargo
do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete apreciar,
para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e
indireta, incluídas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de
aposentadorias, reformas e pensões.
B - O controle externo da Administração pode ser exercido por meio das comissões parlamentares de inquérito,
que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das
respectivas Casas, e serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou
separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato ou pessoas
determinadas e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para
que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores.
C - Do ato administrativo que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao
Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, determinará que a Administração anule seu próprio ato.
D - Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de
sentença judicial, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e os débitos de
natureza alimentícia decorrentes de indenizações por morte ou por invalidez, fundadas em responsabilidade civil,
em virtude de sentença judicial transitada em julgado, serão pagos com preferência sobre todos os demais débitos,
admitindo exceções.
E - Compete ao Tribunal de Contas da União julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por
dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades
instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra
irregularidade qualquer, mesmo que não resulte prejuízo ao erário público.
R: D. CF, art. 100, § 2º - “Os débitos de natureza alimentícia cujos titulares tenham 60 (sessenta) anos de
idade ou mais na data de expedição do precatório, ou sejam portadores de doença grave, definidos na forma
da lei, serão pagos com preferência sobre todos os demais débitos, até o valor equivalente ao triplo do fixado
em lei para os fins do disposto no § 3º deste artigo, admitido o fracionamento para essa finalidade, sendo
que o restante será pago na ordem cronológica de apresentação do precatório.” (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 62, de 2009).
Sobre a ‘A’: errada. Consoante dispõe o recorte abaixo da Constituição, ficam excluídas da apreciação do TCU as
nomeações para cargo em comissão.
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da
União, ao qual compete:
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na
administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as
nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e
pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório.
Sobre a ‘B’: errada. Segundo dispõe o §3º do art. 58 da CF, a CPI somente investiga fatos determinados, não
incluindo pessoas determinadas.
As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais,
além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo
Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a
apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério
Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores.
Sobre a ‘C’: errada. Conforme segue recorte abaixo da Constituição Federal, quem anula é o próprio STF .
Art. 103 - A. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que
indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o
ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a
aplicação da súmula, conforme o caso. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Sobre a ‘E’: errada. Consoante o inciso II do art. 71 da CF:
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da
União, ao qual compete:
II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da
administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público
federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao
erário público.

Responsabilidade civil do Estado.

Evolução histórica e teorias da responsabilidade do Estado. a) Irresponsabilidade do


Estado; b) Responsabilidade subjetiva ou com culpa (Teoria Civilista); c) Teoria da culpa
administrativa (teoria da culpa do serviço, teoria da faute du service, teoria da culpa anônima
ou ainda teoria da culpa não individualizada); d) Teoria do risco administrativo; e e) Teoria
do risco integral.
► OBSERVAÇÃO:
- Na teoria da culpa administrativa exige-se a falta do serviço; na teoria do risco administrativo exige-se
apenas o fato do serviço. Naquela, a culpa é presumida da falta administrativa; nesta, é inferida do fato lesivo da
Administração (Direito Administrativo brasileiro. 26. ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2001, p.611).

Constituição de 1988. “Art. 37, § 6.º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito
privado, prestadoras de serviços públicos, responderão pelos danos que seus agentes, nessa
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos
casos de dolo ou culpa.” Ou seja, adotou-se no Brasil, ao menos para os atos comissivos , a
teoria do risco administrativo.

Responsabilidade civil por atos comissivos e omissivos. a) Responsabilidade por ato


comissivo: as pessoas jurídicas de direito público e as pessoas jurídicas de direito privado,
quando prestadoras de serviço público, em regra, responderão de forma objetiva, na
modalidade do risco administrativo. No entanto, excepcionando-se tal regra, tem-se a
responsabilidade na modalidade do risco integral em se tratando de dano nuclear (art. 21,
XXIII, d, da CF) e dano ambiental (art. 225, §3º). Ressalta-se que, as pessoas jurídicas de
direito privado que prestem atividades econômicas podem vir a responder de modo objetivo
por força da aplicação do CDC ou do art. 944 do CC. b) Responsabilidade por omissão:
segundo HELY a responsabilidade é objetiva na modalidade de risco administrativo, não
importando a natureza do dano (se advindo da omissão ou ação do Estado). Para CABM,
cuja tese é majoritária, se o dano for decorrente de omissão, significa que a
responsabilidade recaiu sobre a não prestação de serviço, ou prestação deficiente, sendo a
responsabilidade, na visão deste doutrinador, subjetiva (Teoria da culpa administrativa, ou
‘faute du service’). No entanto, o STF tem admitido a responsabilização de forma objetiva
da Adm Pública quando restar comprovado que a própria Administração se colocou na
posição de garante ou quando houver o descumprimento de um dever legal por parte da
Administração (RE 633138, 1ª Turma, 2012) e desde que haja um nexo causal direto entre
o dano e a conduta.
► POSIÇÃO DO STF e do STJ:
- O Estado deve indenizar preso que se encontre em situação degradante: responsabilidade nos termos do art.
37, § 6º, da CF/88, é obrigação de ressarcir os danos, inclusive morais, comprovadamente causados aos detentos
em decorrência da falta ou insuficiência das condições legais de encarceramento. (STF, Plenário. RE 580252/MS,
red. p/ acórdão Min. Gilmar Mendes, 16/2/17 - repercussão geral)
- Qual a responsabilidade civil do Estado em caso de suicídio do preso? Não haverá responsabilidade civil do
Estado se o Tribunal de origem, com base nas provas apresentadas, decide que não se comprovou que a morte do
detento foi decorrente da omissão do Poder Público e que o Estado não tinha como montar vigilância a fim de
impedir que o preso ceifasse sua própria vida. Se demonstrada expressamente causa impeditiva da atuação
estatal protetiva do detento, rompe-se o nexo de causalidade entre a suposta omissão do Poder Público e o
resultado danoso. (STJ, 2ª Turma. REsp 1305259/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, 08/02/2018)
- Termo inicial da prescrição da pretensão indenizatória em caso de tortura e morte de preso. Qual será o
termo de início da prescrição de indenização por danos morais? I) se tiver sido ajuizada ação penal contra os
autores do crime: o termo inicial da prescrição será o trânsito em julgado da sentença penal; e II) se o inquérito
policial tiver sido arquivado (não foi ajuizada ação penal): o termo inicial da prescrição da ação de indenização é a
data do arquivamento do IP. (STJ. 2ª Turma. REsp 1.443.038-MS, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em
12/2/2015 - Info 556)
Exceção: Danos morais decorrentes de atos de tortura ocorridos durante o Regime Militar de exceção são
imprescritíveis, não se aplicando o prazo prescricional de 5 anos previsto no Dec. 20.910/32 (STJ. 2ª Turma,
REsp 1.374.376-CE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 25/6/13 - Info 523).

Dano indenizável. É pacífico na doutrina e na jurisprudência que o dano indenizável pode ser
o material ou o moral. Recentemente, a jurisprudência ainda vem reconhecendo também o
dano pela perda de uma chance: “o objeto da reparação é a perda da possibilidade de obter
um ganho como provável, sendo que há que se fazer a distinção entre o resultado perdido e a
possibilidade de consegui-lo.” (Resp n. 1.2544.141 – PR).
► POSIÇÃO DO STF:
- Lei estadual que preveja pensão para cônjuges de mortos por crimes hediondos é inconstitucional: É
inconstitucional lei estadual (distrital) que preveja o pagamento de pensão especial a ser concedida pelo Governo
do Estado (DF) em benefício dos cônjuges de pessoas vítimas de crimes hediondos, independentemente de o autor
do crime ser ou não agente do Estado. Tal lei amplia, de modo desmesurado (irrazoável), a responsabilidade civil
do Estado prevista no art. 37, §6º, da CF/88. (STF. Plenário. ADI 1358/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado
em 4/2/15 - Info 773).

Direito de regresso. Configura a responsabilização do agente por danos causados a terceiros


quando se constatar dolo ou culpa deste na sua conduta, ensejando a possibilidade de regresso
pelo Estado.
► OBSERVAÇÃO:
- Os requisitos para a ação de regresso são condenação com trânsito em julgado e caracterização de culpa
ou dolo. A Lei n. 4.619/65 estabelece o prazo de 60 dias para acionar o agente, a partir do trânsito em julgado da
sentença condenatória.
► POSIÇÃO DO STF:
- A vítima somente poderá ajuizar a ação de indenização contra o Estado; se este for condenado, poderá
acionar o servidor que causou o dano em caso de dolo ou culpa; o ofendido não poderá propor a demanda
diretamente contra o agente público (STF. Plenário. RE 1027633/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, 14/8/2019).

► QUESTÃO DE PROVA:
- (Ano: 2018 Banca: FUNDATEC Órgão: PC-RS Prova: FUNDATEC - 2018 - PC-RS - Delegado de Polícia -
Bloco II) Uma equipe da Delegacia de Polícia de Roubos e Extorsões do Departamento Estadual de Investigações
Criminais da Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul, a bordo de uma viatura oficial devidamente
caracterizada, na rodovia BR 290, no sentido capital-litoral, realiza perseguição a um veículo tripulado por
criminosos que, instantes antes, praticaram um assalto a uma agência bancária, com emprego de explosivos. Ao
longo da perseguição, os policiais se veem obrigados a não parar na praça de pedágio, rompendo a respectiva
cancela, de propriedade de empresa concessionária de serviço público, como única forma de não perderem os
criminosos de vista. Graças a essa atitude, a equipe se manteve no encalço dos criminosos, logrando êxito em
prendê-los em flagrante. Relacionando o caso acima com a responsabilidade extracontratual do Estado, analise as
seguintes assertivas:
I. O Estado responderá objetivamente pelo prejuízo causado à empresa concessionária de serviço público.
II. A equipe de policiais civis não poderá ser responsabilizada em ação regressiva, porque não agiu com dolo ou
culpa, mas no estrito cumprimento do dever legal.
III. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal adota, como regra geral, a teoria do risco administrativo para
fundamentar a responsabilidade objetiva extracontratual do Estado.
Quais estão corretas?
A - Apenas I.
B - Apenas II.
C - Apenas I e II.
D - Apenas I e III.
E - I, II e III.
R: E.
Sobre a ‘II’: o agente público responde somente de forma subjetiva (após a análise de dolo ou culpa) perante o
Estado em ação de regresso. No caso em tela, os policiais civis não agiram com dolo ou culpa. Ressalte-se que,
segundo a jurisprudência do STJ, a Administração Pública pode responder civilmente pelos danos causados
por seus agentes, ainda que estes estejam amparados por causa excludente da ilicitude penal (REsp
1266517/PR).

Responsabilidade do Estado por atos legislativos. Segundo CARVALHO FILHO, a regra


geral é a de que, no caso de atos legislativos, não deve ser atribuída responsabilidade civil
ao Estado se a lei é produzida em estrita conformidade com os mandamentos
constitucionais.
► ATENÇÃO:
- Dano lícito indenizável: No entanto, o referido autor chama a atenção para o fato de que "(...) moderna
doutrina tem reconhecido, em situações excepcionais, a obrigação do Estado de indenizar, ainda que a lei
produza um dano jurídico lícito. Isso ocorre particularmente quando a lei atinge direitos de determinado
grupo de indivíduos (p. ex.: o de propriedade), à custa de algum outro benefício conferido a um universo
maior de destinatários. Trata-se aqui de dano lícito indenizável, sujeito, no entanto, a que seja (a)
economicamente mensurável, (b) especial e (c) anormal. De qualquer modo, sempre será necessária certa
precaução no que tange à análise de tais situações, em ordem a evitar que lei contrária a meros interesses possa
gerar pretensões reparatórias despidas de fundamento jurídico.”
Tendo em vista a regra geral citada por CARVALHO FILHO, é preciso atentar para algumas
situações específicas, a seguir enfrentadas: I) Leis inconstitucionais: Se a hipótese é de lei
inconstitucional, não se aplica a regra geral de não responsabilização do Estado por atos
legislativos. É que a lei inconstitucional reflete atuação indevida do órgão legislativo,
equiparando-se à noção de ato ilícito. CARVALHO FILHO destaca alguns aspectos sobre
a responsabilidade civil do Estado em razão de leis inconstitucionais: i.a) a
responsabilidade civil só existe se a lei inconstitucional efetivamente gerou danos ao
particular; i.b) é preciso que a lei tenha sido declarada inconstitucional, uma vez que
milita em seu favor a presunção de constitucionalidade; e i.c) não se pode confundir o
dano proveniente da lei inconstitucional com aquele derivado de ato praticado com base na
lei inconstitucional, situações nas quais o Estado será civilmente responsável, mas, no
primeiro caso, sendo a inconstitucionalidade causa direta da responsabilidade, e, no
segundo caso, causa indireta. Por fim, é preciso salientar que a responsabilidade estatal
decorrente de inconstitucionalidade de lei abrange tanto a inconstitucionalidade material
como a formal. Ademais, não só a inconstitucionalidade que decorre de controle
concentrado pode gerar a responsabilidade, mas também aquela derivada do controle
incidental. II) Leis de efeitos concretos: De acordo com CARVALHO FILHO, "Leis de
efeitos concretos são aquelas que se apresentam como leis sob o aspecto formal, mas que,
materialmente, constituem meros atos administrativos. (...) Se uma lei de efeitos concretos
provoca danos ao indivíduo, fica configurada a responsabilidade civil da pessoa jurídica
federativa de onde emanou a lei, assegurando-se ao lesado o direito à reparação dos
prejuízos.” III) Omissões legislativas: Sobre a omissão no dever de legislar, CARVALHO
FILHO explica que se a Constituição fixa determinado prazo para o ato legislativo e há a
apresentação de projeto de lei ou a edição de medida provisória antes do prazo, uma vez que
isto consolidaria o cumprimento do dever constitucional, ainda que o ato final seja produzido
em momento posterior, não haverá responsabilidade civil do Estado. Se não é cumprida a
obrigação no prazo constitucional, e decretando o Poder Judiciário a mora do legislador, sem
a fixação de prazo para o cumprimento, mas há diligência do Executivo ou do Legislativo em
prazo situado dentro de padrões de razoabilidade, também não há responsabilidade civil do
Estado. Contudo, fora de tais padrões, deve ser reconhecida a culpa omissiva do legislador e
eventuais prejudicados têm direito à reparação dos danos sofridos.

Responsabilidade do Estado por atos judiciais. Afirma-se que a atividade jurisdicional não
acarreta a responsabilidade civil do Estado, com exceção das hipóteses expressamente
previstas no ordenamento jurídico. Os argumentos frequentemente invocados para afastar a
responsabilidade do Estado por atos judiciais são: a) recorribilidade das decisões judiciais
e coisa julgada; b) atuação jurisdicional como emanação da soberania estatal; e c)
independência do magistrado.
Na forma do art. 5º, LXXV e LXXVIII, da CF/88, a responsabilização do Estado por atos
judiciais pode ocorrer nas seguintes hipóteses: I) Erro judiciário: O erro judiciário que
enseja a responsabilidade civil do Estado é o erro substancial e inescusável. Para a
responsabilização, além da comprovação do erro judiciário, exige-se a desconstituição da
coisa julgada (por meio de ação rescisória ou revisão criminal). A doutrina diverge se a
responsabilização restringe-se ao erro judiciário observado na seara penal ou se também se
faz possível na esfera cível. II) Prisão além do tempo fixado na sentença: A prisão além do
tempo fixado na sentença também ocasiona a responsabilidade civil do Estado. Todavia, é
preciso pontuar que o descumprimento do prazo prisional pode decorrer da má-prestação
jurisdicional (decorrendo efetivamente da atividade jurisdicional e configurando, em última
análise, espécie de erro judiciário, aplicando-se o art. 5º, LXXV, da CF/88) ou da atividade
prestada pelo Executivo no âmbito da administração penitenciária (e aí o fundamento da
responsabilização é o art. 37, § 6º, da CF/88). III) Demora na prestação jurisdicional: A
demora na prestação jurisdicional também pode ensejar a responsabilidade do Estado, ante a
violação do direito à razoável duração do processo, previsto no art. 5º, LXXVIII, da CF/88.
No entanto, é preciso destacar que, para a responsabilização do Estado, não basta o
descumprimento de um prazo processual pelo magistrado, fazendo-se necessária a
ocorrência de um dano desproporcional ao jurisdicionado, analisado no caso concreto.
► OBSERVAÇÃO:
- Prisão cautelar e posterior absolvição: a doutrina diverge sobre a possibilidade de
responsabilização do Estado na hipótese de o sujeito preso cautelarmente ser, ao final do processo,
absolvido. A jurisprudência tem se posicionado no sentido de que o simples fato de a pessoa ser
absolvida ao final NÃO acarreta a responsabilidade civil do Estado pela prisão cautelar se esta tiver
sido regularmente decretada.
- Responsabilização pessoal do magistrado: de acordo com o art. 143, do novo CPC, aventa-se a
possibilidade de responsabilidade pessoal dos magistrados, em ação regressiva, apenas nas seguintes
situações: a) dolo ou fraude; e b) recusa, omissão ou retardamento, sem justo motivo, de providência
que deva ordenar de ofício ou a requerimento da parte.

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