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A MEDIAÇÃO DE LEITURA COMO MEIO PARA A INCLUSÃO SOCIAL DE

IDOSOS RESIDENTES EM LARES DE IDOSOS

Pareja, Cleide J. M.1


Vieira, Gabriela2

RESUMO: Este projeto tem como objetivo explorar estratégias de mediação de leitura e
contação de histórias que os bolsistas do ContArte podem desenvolver no decorrer do Projeto
de mediação e discutir como essas estratégias colaboram para a inclusão do idoso e melhoria
de qualidade de vida. A questão problema é: quais as estratégias de mediação de leitura e
contação de histórias contribuem para a inclusão social do idoso e melhoram a sua qualidade
de vida? A metodologia caracteriza-se como intervenção que fará uso de grupo focal em
estudo de campo de caráter qualitativo. Como instrumentos serão analisadas as estratégias de
contação e entrevistas. A leitura contribui para o desenvolvimento e a manutenção da
coerência de pensamento, da memória e do afeto entre as pessoas. É fator fundamental para
que os idosos desenvolvam maior capacidade de convivência com outros idosos e demais
pessoas presentes em seu cotidiano. A leitura pode contribuir para a inclusão social, à medida
que proporciona o contato entre o leitor, o livro e o mediador de leitura, criando-se vínculos
afetivos e propiciando novas representações de mundo. Além disso, pode-se esperar uma
melhora na qualidade de vida dos idosos participantes, pois a mediação faz parte de sua vida,
fazendo com que criem novas maneiras de vivenciar uma mesma realidade. Os dados
coletados serão categorizados a luz das concepções de literatura de Lajolo (1986), Chiappini
(2005) e Eco (2003) e a análise de conteúdo será efetuada conforme orientações de Bardin
(2000).

Palavras-chave: Inclusão social. Idosos. Mediação de Leitura.

INTRODUÇÃO
O texto literário “[...] não só exprime a capacidade de criação e o
espírito lúdico de todo ser humano, pois todos nós somos potencialmente
contadores de histórias, mas também é a manifestação daquilo que é mais
natural em nós: a comunicação” (LEITE, 1988, p. 12).

Quando a pauta é a qualidade de vida dos cidadãos, falar da saúde e bem-estar do


idoso é tópico indispensável. Como anda a comunicação com os idosos? São ouvidos? Tem
direito a fala? A Organização Mundial da Saúde (OMS), em suas últimas pesquisas, constatou
que atualmente a expectativa de vida vem aumentando paulatinamente. De 2000 a 2015 a
média de vida no Brasil aumentou cinco anos, sendo, agora, de um indicador intermediário de
75 anos. A tendência, segundo a organização, é de que essa expectativa aumente, não só no
Brasil, como no resto do mundo (OMS, 2016).
Ainda sobre o aumento da expectativa de vida, Costa et al. (2016, p. 1069) afirma que:

1
Professora Univali. E-mail: cleidepareja@univali.br.
2
Graduanda de Letras. E-mail: gabilitera@gmail.com
o estrato idoso com 80 anos ou mais chegou a 1,7% da população em 2011,
correspondendo a mais de 3 milhões de idosos, e a expectativa é que essa
faixa etária ainda esteja em crescimento nos próximos anos, estimando-se
que, em 2025, o Brasil se torne a sexta maior população de idosos no mundo.

O aumento da faixa etária dos idosos, apesar de positivo, preocupa os órgãos


responsáveis, pois para que haja a garantia das necessidades básicas do cidadão que
envelhece, são necessárias políticas públicas, investimento e conscientização da população
para que o idoso possa transitar por esse período de envelhecimento de maneira digna e
saudável. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística “[...] em 2020, os idosos
chegarão a 25 milhões de pessoas [...] numa população de 219,1 milhões. Eles representarão
11,4% da população” (IBGE, 2009, p. 01). Ou seja, os idosos representarão uma parcela
significativa da sociedade que carecerá de cuidados e auxílios provenientes de medidas e
reajustes sociais bem como familiares.
A senescência, que é o processo de envelhecimento natural do ser humano, pode
ocorrer em um ambiente cercado de traumas, acidentes e situações sociossanitárias que
corroboram para um envelhecimento doentio, mais conhecido como a senilidade. Este estado
patológico, segundo Costa et al. (2016, p. 1069) “demanda cuidados complexos de vida e
saúde.” Infelizmente, ainda é muito comum as pessoas de mais idade viverem seus últimos
anos em estado de senilidade, pois ainda há, principalmente em classes sociais menos
abastadas, o descaso e irresponsabilidade com os seus pares mais velhos. A partir desse
cenário pouco promissor para os idosos, criou-se em outubro de 2003 a Lei nº 10.741 (Brasil,
2003) que estabelece a criação do Estatuto do Idoso. O Estatuto do idoso foi criado com a
função de servir como uma carta de direitos daqueles acima de 60 anos. A partir da criação da
lei, passou-se a ter um olhar mais atento para o idoso e o espaço social que o cerca, bem
como, exprimir seus direitos, penalizar os que desrespeitam, definir responsabilidades de
entidades assistenciais e garantir o bem-estar e saúde do sujeito. A premissa do Estatuto de
garantia da qualidade de vida e de proteção do idoso vai ao encontro do que diz Bruno (2003,
p. 76): “é de grande importância que se criem mecanismos para ajustar a sociedade ao
convívio e acolhimento dos idosos, bem como para garantir-lhes uma melhor qualidade de
vida”.
Dentre todos os artigos presentes no Estatuto do Idoso há o que garante o direito à
cultura, educação e lazer bem como diversão e espetáculos. Dentre os direitos citados acima,
o contato com a leitura, que corresponde aos eixos da cultura e educação é, além de um direito
do cidadão idoso, uma maneira de (re)encontrar a si mesmo, refletir sobre o passado e buscar
enfrentar o futuro de uma maneira mais saudável e reflexiva. Ler, ouvir e contar histórias
proporciona ao idoso a oportunidade de resgatar suas próprias memórias e tecer suas próprias
histórias. A leitura, caracterizando-se como uma atividade múltipla, faz com que o sujeito que
tenha contato com ela, possa reavaliar sua existência; viajar para o passado, presente ou
espaços inexistentes; liberar emoções muitas vezes adormecidas ou reprimidas; ter contato
com diferentes conhecimentos ou informações; obter um olhar mais empático com o próximo,
bem como consigo mesmo. Além dessas diversas vantagens que a leitura traz para a vida de
quem a pratica ou tem contato, ela também corrobora para um melhor desenvolvimento
intelectual sendo parceira da prevenção e tratamento de doenças como o esquecimento, por
exemplo, por estimular diferentes áreas do cérebro. Pois, conforme cita Costa et al. (2007, p.
1071) “quem lê não recebe imagens prontas e acabadas. Tem de construí-las mentalmente
pelo processo do entendimento e interpretação, estimulando o imaginário”.
Durante a leitura, o sujeito passa por diferentes estágios tanto mentais como
emocionais dos quais Caldin (2001) define como:
Catarse: é a medida dos sentimentos, ou seja, produz os sentimentos e os controla,
podendo causar alívio ou purificar as emoções.
Identificação: é reconhecer situação ou sentimentos que ocorreram ao longo da vida,
podendo se apoiar nos modelos literários das narrativas ficcionais.
Introjeção: é um processo no qual o leitor/ouvinte absorve os aspectos desejáveis das
personagens ficcionais, vive situações que na vida real não seja capaz de suportar e atribui a si
qualidades do personagem das histórias absorvendo-as como se fossem suas.
Projeção: é o processo no qual o leitor/ouvinte cede a determinada personagem suas
dores, fraquezas e conflitos, a fim de livrar-se de sentimentos angustiantes, podendo, dessa
maneira, lidar com eles.
Introspecção: é o processo olhar para dentro da própria mente para ver o que se pensa
ou se sente.
Sendo assim, a partir de todas as mediações realizadas ao longo da pesquisa, buscou-
se proporcionar aos idosos presentes o máximo de situações nas quais esses processos, bem
como as demais vantagens citadas acimas, fossem possíveis de ocorrer acrescentando mais
qualidade de vida e bem-estar na estadia dos moradores do asilo, pois, conforme a OMS
(2002), entre os idosos mais expostos a riscos, se encontram em lugar de destaque, os idosos
residentes em instituições.
Esta pesquisa visou explorar a melhoria da qualidade de vida dos residentes do Asilo
Dom Bosco, localizado em Itajaí (SC), a partir de estratégia de mediação de leitura e contação
de histórias realizadas com o grupo de contação de histórias ContArte. O grupo ContArte, é
composto por alunos da Escola de Educação da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI),
tendo iniciado sua trajetória no ano de 2003, tendo como seu principal objetivo, contribuir
para a formação de leitores, possibilitar o acesso ao livro e promover o texto literário em
ambientes educativos, formais e não formais, por meio de contação de histórias, recitais
literários, oficinas e rodas de leitura e formação de professores. Desde o início da sua
trajetória o grupo teve suas ações reconhecidas na comunidade no qual atua, sendo que em
2007 recebeu o Troféu Expressão de Excelência Tecnológica, concedido pela FINEP e editora
Expressão na categoria de Inovação Social.
As ações desenvolvidas pelo grupo dividem-se em três grandes eixos, sendo eles:
 Contação de histórias: esta ação busca estimular os ouvintes à leitura a partir da
escuta da história que está sendo apresentada.
 Roda de leitura monitorada: é a ação que possibilita que o sujeito tenha contato
com um acervo selecionado de livros, possibilitando, assim, o desenvolvimento de
competências básicas para formação do leitor.
 Formação de professores: é a ação que visa formar um professor que compreenda
a literatura como arte, como fenômeno estético, a fim de desenvolver a criticidade na escolha
de livros para sala de aula, bem como instrumentalizá-los de maneira correta ao contarem
histórias.
Esta foi uma pesquisa de campo, de abordagem quantitativa e qualitativa. Os
instrumentos de coleta de dados foram, entrevistas e análise das estratégias de mediação de
leitura produzidas durante o desenvolvimento do projeto no primeiro e segundo semestres de
2018. Os dados coletados foram categorizados à luz das concepções de literatura. O problema
de pesquisa proposto foi: Quais as melhores estratégias de mediação de leitura e contação
para contribuir com a inclusão social do idoso?

DESENVOLVIMENTO
Quando a leitura afeta, faz com que os leitores falem
por si mesmos ou uns com os outros (PETIT, 2009).

Onde atuamos
Durante o projeto as atuações da pesquisa foram realizadas no Asilo Dom Bosco. O
asilo é localizado na Rua Indaial, nº 1299 em Itajaí (SC) e configura-se como uma
organização não governamental que visa promover o atendimento e institucionalização de
pessoas idosas, dependentes, semi-dependentes ou independentes, vulneráveis ou não de
recursos econômico financeiros e familiares, garantindo proteção integral aos mesmos,
promovendo seu bem estar físico, mental e social, viabilizando acesso às políticas públicas
promovendo a garantia dos direitos sociais. O asilo foi fundado em 1936 e desde então é
referência para receber idosos da região.
Desde o primeiro contato, a instituição mostrou-se muito interessada em receber as
contações feitas pelo grupo ContArte. Todas as contações realizadas ocorreram no corredor
principal do asilo. É neste corredor que os idosos passam seu tempo livre e socializam com os
demais colegas. O ambiente se dispõe em forma de “L”, possuindo diversas poltronas e
televisores. É neste local, também, que os residentes do asilo recebem suas visitas, por isso
em todas as contações teve-se a participação dos visitantes como também dos funcionários do
asilo e idosos presentes.
As intervenções
Todas as intervenções foram realizadas com o grupo de bolsistas do ContArte que
prepararam e escolheram antecipadamente com cuidado as histórias que melhor se
identificariam com o público alvo, que eram os idosos. Para as contações foi preparado um
ambiente aconchegante e que chamasse a atenção dos ouvintes; colocou-se um tapete,
almofadas e livros foram espalhados pelo chão. Como o local da apresentação era em forma
de “L”, os bolsistas se organizaram de uma maneira tal que ficassem no “meio” para poder
atingir todos os idosos presentes.
Em todas as contações os bolsistas se apresentavam informando o que fariam e a
seguir convidavam para participar da atividade. Em seguida, eram feitas as contações que
sempre tentavam envolver o maior número de idosos e, por fim, cada bolsista se aproximava
deles para conversar sobre as contações e sobre a pergunta central de cada intervenção. Para
as intervenções, o grupo deu preferência em utilizar textos de literatura infantil por estes
possuírem um forte apelo à oralidade e à reiteração de palavras, rimas e musicalidade. Além
de histórias, foi realizado, por pedido dos idosos, uma intervenção exclusiva sobre as cantigas
de roda.
Ao todo foram realizadas quatro atuações com entrevistas distintas. Abaixo pode-se
observar o resultado de cada uma delas.
1a atuação: Quem são os nossos ouvintes?
Na primeira atuação foi apresentada a história “Cadê meu travesseiro?”, da autora Ana
Maria Machado. Para a contação, os bolsistas organizaram um espaço no corredor com livros,
almofadas, tapete e se espalharam pelo ambiente de uma maneira que a história fosse audível
para todos os presentes. Os idosos, desde o início, se mostraram muito receptivos e animados
com a presença dos contadores de história.
A história possui muitas músicas em sua estrutura como, por exemplo, Meu limão,
Meu Limoeiro e Se Essa Rua Fosse Minha, por se tratarem de músicas conhecidas, os idosos
cantavam junto sempre que podiam, mesmo sem serem motivados a isso. Havia, também,
alguns idosos mais debilitados que não estavam atentos à apresentação ou muitas vezes se
irritavam com o barulho que ela criava, por isso pediram para os enfermeiros presentes retirá-
los do ambiente. Conforme dito anteriormente, o espaço cedido para as atuações é onde os
idosos recebem suas visitas e assistem televisão, sendo assim, algumas visitas dos residentes
do asilo participaram da contação. Neste dia, também, estava passando um jogo da copa do
mundo e, por isso, muitos deles não prestaram atenção na contação por estarem distraídos
com a programação da TV. Contudo, muitos mostraram interesse pela parte musical e pediam
incessantemente para o músico do grupo tocar mais músicas.
Para essa intervenção foi definido que cada bolsista entrevistasse um idoso. A
entrevista consistia em uma conversa para conhecê-los melhor. Sendo assim, as perguntas
feitas aos idosos mais lúcidos foram referentes ao seu nome, idade, há quanto tempo estava no
asilo, enfim, questões de caráter pessoal para identificá-los.
Durante as entrevistas foi possível constatar que muitos idosos já não lembram mais
sua idade, porém ainda tinham memória de outras informações da sua vida. A senhora Marta
Rosa é um exemplo: não lembrava se tinha 60 ou 70 anos, mas lembrava que sua antiga
profissão era fazer comida para o marido e que está há 1 ano no asilo. Houve, também, o caso
inverso: Maria Teresa não sabe de fato há quanto tempo está no asilo, porém se recorda que
foi comissária de bordo por 8 anos e tem atualmente 80 anos.
Quando entrevistados, os idosos sempre relatavam sua relação em estar em um asilo e
ambos os sentimentos, positivos e negativos, eram presentes em suas respostas. Dona
Batistina, 78 anos, está no asilo há oito meses. Ela contou que era um pouco triste e disse que
não gostava de estar no asilo, pois não queria estar e que tinha pessoas que ela não gostava,
como colegas e funcionários. Contou, também, que quando era mais nova trabalhou na roça e
como empregada doméstica. Já dona Ema, 81 anos, ex-moradora de Balneário Camboriú,
contou que na juventude fazia crochê para viver e era vendedora de utilidades domésticas. Ela
relatou que está no asilo há 4 anos e gosta muito de estar lá, pois tem contato com outras
pessoas e tem com quem conversar diariamente. Houve, também, idosos com uma história de
vida muito sofrida. Dona Roseli Dias, 83 anos, que está no asilo há 1 ano, conta que teve de ir
para a instituição, pois seus dois filhos e o marido morreram de câncer. Ela contou que
trabalhou como costureira a vida toda e perdeu o marido na juventude ainda, por isso teve de
criar os filhos sozinha, enquanto trabalhava.
Esses diálogos, que foram proporcionados pela contação de histórias feita
anteriormente, significaram o primeiro contato dos idosos com os bolsistas do projeto. Esse
contato deu-se a partir de uma troca entre os pares. A partir do texto literário, das músicas e
dos diálogos, os idosos sentiram-se encorajados a contar sua própria história para os ouvintes
lá presentes, fazendo com que eles se sentissem mais valorizados e prestigiados por terem
seus próprios espectadores. A contação de histórias, conforme cita Costa et al. (2016, p.
1069), “poderá estimular a cognição e a memória dos idosos, além de possibilitar diálogos
estimulantes em interação social e compartilhamento de saberes, ressignificando o processo
de viver envelhecendo”.
2a atuação: Vocês recordam de suas brincadeiras de infância?
Na segunda atuação no lar de idosos Dom Bosco, os bolsistas do ContArte mais uma
vez, prepararam o ambiente para recepcionar os idosos para a contação que viria a seguir.
Desta vez os textos escolhidos para a contação foram os livros Pata Ti, Pata Ta da autora
Fabiana Dollor e Margarida, de André Neves. Como já sabiam que a presença do grupo
significava que haveria contação, os idosos assim que viram os bolsistas se organizaram e se
mostraram animados e felizes em recebê-los. Pediram, também, para tocar músicas para que
eles pudessem cantar juntos.
Dessa vez as contações foram realizadas uma em cada lado do corredor. As contações
ocorreram dessa maneira porque os bolsistas não fazem uso de microfone e, como o ambiente
é amplo, muitas vezes fica difícil ao grupo de idosos ouvir da outra extremidade. Entre as
contações, uma bolsista tocou flauta com músicas populares como, por exemplo, Asa Branca,
de Luiz Gonzaga e Carinhoso, de Pixinguinha. Como dito anteriormente, os idosos adoram
músicas e cantigas que lembram sua juventude, por isso as músicas intercaladas agradaram
muito aos ouvintes que, inclusive, cantavam juntos como da outra vez, sem serem estimulados
a isso.
Durante esta e demais atuações pode-se ver o vínculo que os idosos têm com a música.
Sempre solicitada por todos, as músicas eram um alento a mais que eles recebiam nas nossas
apresentações. A música, como a literatura, tem poderes indiscutíveis: curar, aliviar tensões,
acalmar, iluminar, reviver memórias e nutrir e fortalecer a alma daqueles que a ouvem. A
música, conforme cita Bréscia (2009, p. 04):
Pode servir como uma espécie de elo, com suas experiências significativas
do passado, particularmente no que respeita a melodias que evocam
memórias específicas. (...) Vibrações não são apenas ouvidas. São sentidas
tanto pelo ouvinte passivo como por quem canta. Invocam imagens mentais,
revelam eventos passados e às vezes ensinam coisas que anteriormente
estávamos relutantes em aceitar.

Após o momento de leitura e música, os bolsistas conversaram com os idosos sobre


sua infância. Nesta intervenção a pergunta-chave para fazer aos idosos foi “quais as
brincadeiras preferidas de sua infância?”. Da mesma maneira que a intervenção anterior, cada
bolsista conversava com um idoso para, além de procurar respostas para a pergunta do dia, ter
a oportunidade de conhecê-los melhor e dar um lugar de fala e protagonismo no encontro.
Muitas brincadeiras foram citadas: Seu Olido, assim como seu Hélio, gostavam de
brincar de esconde-esconde, carrinho, cantar e pega-pega com os seus irmãos. Já Dona
Damazia contou que gostava de brincar de cantar roda, boneca, bernunça, boi de mamão e
outras cantigas. Ao entrevistá-la, achou-se interessante que a maioria de suas brincadeiras são,
hoje em dia, atividades realizadas em eventos culturais como, por exemplo, a bernunça e boi
de mamão. Teve casos como o da Dona Noraci que, além de citar brincadeiras comuns como
esconde-esconde, amarelinha e boneca, contou ao grupo que gostava de brincar de 31, uma
brincadeira desconhecida para os bolsistas e, também, para os outros idosos que estavam
perto.
Houve casos de muitos idosos que não tiveram a chance de brincar quando crianças,
pois tinham que ajudar a mãe em casa a cuidar dos irmãos, ou o pai nas plantações e na roça.
Dona Batistina contou que teve pouca parte da infância destinada a ser, de fato, uma criança,
pois logo perdeu o pai e teve que ajudar a mãe com as tarefas domésticas. Contudo, lembra
com carinho da boneca que ganhou do irmão que fazia bonecas com sacos velhos.
Teve casos, também, de idosos que não conseguiam se lembrar da infância ou tinham
memórias esparsas e confusas. Entretanto, essa conversa realizada entre os bolsistas e os
idosos foi muito frutífera, não só para pesquisa como, também, para os idosos: eles tiveram
alguém que ouvisse suas memórias com atenção; que interagisse com eles e mostrasse
interesse no que eles tinham para falar. Houve um aprendizado mútuo com a troca entre
bolsistas e idosos, pois é possível, apesar das diferenças de geração, “aprender a viver juntos”
a partir do compartilhamento de experiência, pois isso potencializa os vínculos entre os pares,
estimulando o convívio e a aproximação (COSTA et al., 2016). Os idosos, ao final do
encontro, sentiram-se valorizados e felizes ao reviverem suas memórias tão distantes no
tempo.
3a atuação: Vamos cantar?
Reconhecendo a potência artística na música como se reconhece na literatura, decidiu-
se no terceiro encontro realizar a intervenção de uma maneira diferente. Como dito em outros
relatos, os idosos ficavam excepcionalmente animados quando era tocado músicas e cantigas
mais antigas, por isso, o grupo ContArte decidiu realizar uma roda de cantigas para apresentar
para os idosos. Assim como as demais atuações, esta ocorreu no corredor central do asilo que
é a área de convivência comum dos idosos. Estavam presentes, também, alguns parentes e
amigos dos residentes que vieram visitá-los e participavam ativamente motivando seus
familiares. Os bolsistas se espalharam pelo corredor e cantaram as cantigas que remetiam à
infância dos presentes. Atirei o Pau no Gato; Meu Limão, Meu Limoeiro; Ciranda
Cirandinha; Escravos de Jó e outra infinidade de músicas populares foram apresentadas para
os idosos. Em todas as músicas os bolsistas pediam a participação de todos, perguntavam
quem conhecia a música e quem estava gostando; em todos os momentos eles participavam
animados e com uma alegria que não cabia neles. A música durante essa tarde foi mais que
um momento de lazer, foi um momento em que eles viajaram no tempo para sua juventude,
ou momentos especiais do passado. Sendo a música uma manifestação artística, ela tem o
poder de reviver memórias que há muito tempo estavam esquecidas e trazer à baila
sentimentos que estavam colocados de lado.
Para essa intervenção a pergunta-chave foi “qual a sensação que essas músicas causam
em vocês?” As respostas foram muito variadas: A dona Nadir disse que aprendeu as cantigas
antigas quando criança. Ela contou, também, que todas elas a tocavam de alguma maneira
positiva. Apesar de ser pouco lúcida, ela disse que gostava muito de ler poesias e filosofia
oriental. Já a dona Maria contou que essas músicas lembraram sua época de estudante. Ela
informou que estudou em um colégio de freiras em Gaspar e lá eles cantavam essas músicas.
Quando entrevistada ela continuava cantarolando algumas das músicas apresentadas e,
quando perguntado a ela o porquê disso, ela informou que a apresentação do grupo trouxe
uma “alegria para o coração”.
Pode-se ver na expressão dos presentes a alegria que essas cantigas trouxeram ao seu
dia; alguns se emocionavam ao ponto de os olhos brilharem; outros abriam um sorriso
enorme; e, todos eles, saíram da intervenção realizada pelo grupo, mais leves e alegres.
Durante a tarde a música pode proporcionar situações de alegria e bem-estar pois, conforme
cita Bréscia (2009, p. 02) “a música pode ser um antídoto curativo e saudável para as tensões
e desarmonias da modernidade”.
4a atuação: É bom ouvir histórias?
Na quarta intervenção do ano no Asilo Dom Bosco estavam presentes todos os
bolsistas do ContArte e mais alguns bolsistas voluntários para realizar a contação de história e
leitura de poemas. Para este encontro decidiu-se, além da contação de história do livro “A
criança mais velha do mundo”, de Marcelo Ramalho, que tem como temática a concepção de
que na nossa cabeça o tempo não passa; declamar poemas sobre saudade, vida e memórias,
dos autores Mario Quintana e Carlos Drummond de Andrade.
Para iniciar a tarde o bolsista do ContArte tocou a música Asa Branca, na flauta, e
alguns idosos cantaram animados junto com a melodia. Em seguida, ocorreu a leitura da
história e dos poemas. Como sempre, os idosos mais lúcidos estavam atentos à história e
poemas lidos; os mais debilitados, mesmo não conseguindo captar toda a mensagem,
permaneciam no recinto olhando os bolsistas e tentando acompanhar a apresentação.
A pergunta chave da intervenção desta tarde foi “Vocês gostam de ouvir nossas
apresentações? Por quê?”. Dona Valdeci, ex-enfermeira, de 66 anos, relatou que fica muito
feliz com a vinda do grupo, pois “quebram a rotina de todo dia igual”. Segundo ela, sempre
que o grupo, vem eles aprendem algo e ficam felizes; ela, inclusive, relatou ser uma leitora e
grande fã de palavras cruzadas. Afirmou que acha “a leitura uma atividade de conhecimento
para a mente”. Já seu Laureci contou que desde pequeno gosta de ouvir histórias e que a vinda
do grupo é sempre boa, pois, segundo ele, “distrai a gente...gosto de música e das histórias”.
Dona Maria, de 68 anos, que acompanha as contações desde a primeira ida do grupo, conta
que sempre espera ansiosa pelas contações, pois além de ser alegre, ela gosta muito das
histórias e das músicas cantadas. Dona Maria, uma religiosa de 92 anos, plenamente lúcida,
mas que não se locomove mais, é visitada pelos bolsistas no seu quarto porque ela adora
música e conversar. Para ela, os bolsistas cantaram músicas religiosas e ela disse “é um ato
amoroso sem igual a presença dos jovens trazendo estes momentos de alegria e música para
os idosos, abençoo a todos”. Por fim, dona Odete, de 79 anos, contou que a vinda dos
bolsistas é o que mais a anima no asilo, pois, “além de gostar muito das músicas e das
histórias, ouvi-las faz bem para a alma”.
Durante esta última atuação pode-se perceber uma evolução na relação dos idosos com
a literatura bem como com os bolsistas. Durante as entrevistas os idosos estavam mais à
vontade com aqueles com os quais conversavam e davam mais suas opiniões e contavam mais
suas histórias; durante as contações, eles mostravam-se mais atentos ao que era dito e também
apreciavam mais as histórias. A partir do movimento criado no asilo pelo projeto, acabou-se
criando um espaço, durante leituras e conversas, onde os idosos presentes tiveram a chance de
conhecer mais a si mesmo, podendo perceber seus limites e, o mais importante, suas
potencialidades. Pode-se criar um ambiente onde a velhice não era vista como uma fase
decadente, mas apenas como sequência da vida do ser humano. A partir dessa visão e a partir
das leituras feitas, os idosos tiveram a chance de serem ouvidos e de ter um momento para
refletir sobre eles e suas existências.
Um olhar diferente
Durante todo o processo de ida ao Asilo Dom Bosco para as contações teve-se a
presença ativa da psicóloga responsável pelos idosos, tanto para organizar as visitas, como
para motivar o pessoal às atividades. Por isso, por ser essa figura tão presente no dia-a-dia dos
moradores da instituição e, por ser muitas vezes, a única pessoa com quem eles se sentem
confortáveis para conversar, optou-se por entrevistá-la a fim de saber suas impressões sobre o
projeto. Quando questionada sobre o interesse dos idosos para com as contações, a
profissional informou que o interesse partia da maioria deles e de maneira espontânea, “[...]
sempre tem interesse ...o engraçado é que a atividade, por ser textos mais infantis, você acha
que vai atingir só os mais dementes, mas não, os mais ativos também aproveitam, também
gostam, também lembram e falam...da importância”.
Perguntou-se, também, se as práticas de contação tiveram um papel importante no
bem-estar dos idosos atingidos e qual a importância de manifestações artísticas na situação em
que eles se encontram. A psicóloga respondeu que:

[...] Sim, vai ao encontro com o que já se estabelece com a instituição. Não
somos instituição de assistência, mas de bem-estar, por isso temos que
pensar na qualidade de vida. As contações de história remetem à questão da
convivência e estimulação. Retomada de narrativas de vidas...músicas e
histórias que remetem a vida deles. É muito importante lembrar da
estimulação cognitiva, por exemplo, algumas demências, como Alzheimer
que tem perda de memória...algumas músicas eles não perdem. A música,
uma questão mais interativa prende a atenção deles e trabalha o estímulo da
memória.

A psicóloga cita a Bíblia para reforçar a importância da atividade afirmando que o


provérbio 12:18, demonstra a importância da fala, das palavras para uma cura interior: a
língua dos sábios é uma cura. Ao analisar a fala da psicóloga à luz desse excerto bíblico,
pode-se fazer uma conexão com o poder que as palavras das histórias lidas e das músicas
cantadas surtiram nos idosos. Ao retomar suas narrativas, os idosos tiveram a chance de
contar suas histórias e, conforme cita Paes (2007, p. 50), “contar suas histórias, relembrar
passados, é também uma forma de reavaliar, reconstruir e rever conceitos”.
Ao ser indagada sobre as pertinências das ações do grupo para o bem-estar dos idosos,
a psicóloga disse que:

[...] é bem importante o contato com outras pessoas. E a maneira que vocês
fazem é bem pertinente. Quando a gente trabalha com adultos é bem mais
fácil prender a atenção. Quando trabalha com crianças e com adultos com
déficit cognitivo (com doenças crônicas ou demência), não. A contação mais
ativa com música e com mais interação faz com que haja mais atenção,
compreensão e participação.

Contar histórias é dar voz à personagens que conversam com seus leitores (ouvintes);
é moldar as palavras para criar estranhamentos, alegrias e, no caso com os idosos do asilo, é
moldar palavras para dar voz ao sentimento de valorização, empatia e importância. Contar
histórias, segundo Abramovich (2005, p. 17) é

[...] também suscitar o imaginário, é ter a curiosidade respondida em relação


a tantas perguntas, é encontrar outras ideias para solucionar questões. É uma
possibilidade de descobrir o mundo imenso dos conflitos, dos impasses, das
soluções que todos vivemos e atravessamos – dum jeito ou de outro – através
dos problemas que vão sendo defrontados, enfrentados (ou não), resolvidos
(ou não) pelas personagens de cada história (cada uma a seu modo).

Logo, no decorrer do projeto, o diálogo dos idosos com os bolsistas e com seu mundo
interior foi se alargando trazendo à tona as memórias adormecidas, conflitos e impasses
pessoais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Enquanto houver um conto na terra, um contador de histórias para


multiplicá-lo e um ouvinte para escutá-lo, então haverá esperança no mundo
e nos homens (CAVALCANTI, 2002).

Ao refletir sobre as ações realizadas através da pesquisa, pode-se observar a influência


que a literatura, através das contações de história, e da música, através de canções, tiveram no
bem-estar dos idosos envolvidos no projeto. Foi possível proporcionar, a partir dessas
diferentes manifestações artísticas, a oportunidade de percorrer diferentes lugares, sentir
diferentes cheiros e experimentar diferentes emoções através, única e exclusivamente da
palavra, sendo ela cantada ou contada. A arte, como uma manifestação humana, proporciona a
experiência de se envolver pelos sentidos.
Através da arte, é possível desenvolver a percepção e a imaginação para aprender a
realidade do meio ambiente, desenvolver a capacidade crítica, permitindo analisar a realidade
percebida e desenvolver a capacidade criadora de maneira a mudar a realidade que foi
analisada. (BARBOSA; COUTINHO, 2009, p. 100).
Vale ressaltar que as estratégias, também foram grandes parceiras para o sucesso das
mediações. Foi através delas que se tornou possível alcançar os idosos. Contar a história com
variação de vozes, inserir músicas e instrumentos, alternar movimentos com as passagens do
texto e preparar um ambiente propício para a contação (tapete, almofadas e livros) fez com
que o objetivo fosse atingido de maneira mais eficaz e, ao mesmo tempo, sensível. Contar
histórias não se limita apenas a conhecer o texto, mas, é também

preciso conhecer e compreender exatamente a história que se quer contar,


não se limitando a decorar histórias; o contador deve mergulhar na história e,
se necessário, no decorrer da contação, utilizar-se de recursos vocais sonoros
e até mesmo da gestualidade para dar vida à narrativa, tornando-a atrativa e
interessante (COSTA et al., 2016, p. 1070).

Deste modo, os integrantes do grupo ContArte foram mais do que contadores de


histórias, foram os mediadores desse processo de contato com a arte. Seu papel, conforme
Uriarte et al. (2016) apresenta, é o de promover encontros com a arte, com a natureza e
descobrir, juntos, outras maneiras de compreender o mundo.
As estratégias de mediação, previamente escolhidas e organizadas pelo grupo, geraram
reações positivas nos idosos. A literatura “tem uma função que vai para além da transmissão
de conteúdo, de comunicar, de informar, pois, o texto literário quer provocar percepções,
afetar, são escritos movidos pela sensibilidade” (SOARES; NEITZEL; CARVALHO, 2016,
p. 54).
E, após terem contato com esses escritos sensíveis, os idosos eram afetados e, a partir
desse afetamento, sentiam-se livres, confortáveis e preparados para contar sua história
preferida: a da sua vida.
Posto isto, por meio das estratégias aplicadas conclui-se que:
- Histórias infantis agradam o público idoso;
- Cantigas de roda e MPB proporcionaram maior interação com os contadores, pois
sensibilizaram a memória afetiva dos idosos;
- Houve um envolvimento saudável dos idosos para com o grupo pedindo sempre para
que os mesmos voltassem;
- Os idosos participavam das contações sempre que solicitados (cantar, bater palma e
pés);
- Houve uma memória da presença, uma vez que muitos lembraram dos contadores
fazendo referências ao último encontro.
Contribuir para o bem-estar do idosos foi possível e não foi necessário ações
grandiosas além da mediação cultural com a música e a literatura. Infelizmente, ainda é muito
comum os idosos serem tratados como um ser inválido, que constantemente é deixado às
margens da sociedade em que vive. Entretanto, apesar de ser visto como alguém que não tem
mais como contribuir para a sociedade, com esta pesquisa notou-se o contrário. O idoso,
mesmo que debilitado, tem seus conhecimentos, sua história e sua vivência para ensinar ao
próximo. O idoso é um contator de histórias nato e

se vale dos procedimentos que cercam a história oral, pois, tem a tendência a
falar muito. Ele então acumula e repassa informações ao longo dos anos,
resgatando lembranças de seu passado, confrontando-o e medindo valores
com acontecimentos do presente, sendo um verdadeiro narrador (SILVA;
FREITAS, 2012, p. 127).

E assim, a cada encontro, foram sendo tecidas narrativas de vida promovidas pelas
histórias dos livros, pelas cantigas, pelo sorriso, pelos abraços, pelo colorido que os bolsistas
ofertavam e que eram amorosamente recebidos por todos os idosos na sua doce fragilidade
corporal e psicológica. O poder da palavra no cuidado do ser humano é intenso e eficaz, e
promove a melhoria de qualidade de vida dos idosos.

REFERÊNCIAS

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BARBOSA, A. M.; COUTINHO, R. G. (Orgs.). Arte/educação como mediação cultural e


social. São Paulo: Ed. UNESP, 2009.

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