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Estudo comparativo entre o concreto utilizando pedra britada e


argila expandida
Giulya Souza Galindo da Silva – giulyagalindo@gmail.com
Gerenciamento de Obras, Produtividade, Racionalização e Desempenho da
Construção.
Instituto de Pós-Graduação - IPOG
Recife, PE, 23 de abril de 2021.

Resumo
O objetivo deste trabalho é fazer um levantamento comparativo entre dosagens de
concretos. São analisadas duas dosagens: uma com pedra britada e outra com
argila expandida, utilizando traços com a mesma relação água/cimento.
O uso de concretos leves com características estruturais pode trazer muitos
benefícios para a construção civil. O concreto leve tem um peso específico muito
reduzido com relação aos concretos comuns. Essa diferença pode ser de grande
economia para as estruturas armadas, diminuindo consideravelmente o peso próprio
das mesmas e significando diminuição de custos na construção.
A metodologia adotada foi a preparação de concretos utilizando dois diferentes
agregados graúdos e a realização de ensaios de compressão, tração diametral,
trabalhabilidade e massa específica, para estabelecer comparações entre as suas
características. O desenvolvimento experimental foi realizado num laboratório de
materiais através de máquinas e equipamentos devidamente calibrados.
O concreto utilizando a argila expandida apresenta algumas particularidades que
exigem mais atenção durante a preparação e mistura dos materiais, no seu
transporte, lançamento e adensamento. Contudo, ele pode atingir uma resistência
que atende para uso com finalidade estrutural e pode representar uma boa
alternativa para os projetos que exijam redução do peso próprio das estruturas.

Palavras-chave: Concreto leve. Traço. Ensaios. Propriedades.

1. Introdução
A Construção Civil no Brasil é um setor fortemente ativo na economia do país.
Dessa forma, existem diversos estudos com a finalidade de encontrar tecnologias
para reduzir custos e aumentar a produtividade mantendo a qualidade. Existem
diversas pesquisas onde são realizados testes com materiais distintos visando a
redução de custos e aumento do lucro, sem comprometer as exigências dos
projetos.
O objetivo deste trabalho será demonstrar, através de ensaios realizados em
laboratório, uma comparação das características do concreto convencional e do
concreto leve, onde a argila expandida foi utilizada como agregado graúdo,
substituindo a brita.
Na visão de Figueiredo Filho (2015:19), “o concreto é um material composto de
água, cimento e agregados”.
O concreto convencional é uma pedra artificial, constituída por uma mistura de
agregados graúdo (brita), miúdo (areia) e material aglomerante (cimento), podendo
ter ainda aditivos e adições químicas e minerais. A mistura entre os materiais que
formam o concreto é também chamada por traço ou dosagem, podendo obter
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concretos com características alternativas ao acrescentarmos à mistura aditivo,


isopor, argila expandida, fibras ou outros tipos de materiais, sendo essas adições
para cada finalidade diferente de acordo com projeto especificado. Cada devido
material a ser utilizado deve ser verificado primeiramente em laboratório, conforme
normas técnicas, a fim de assegurar a qualidade e para se atingir os resultados
necessários à composição do traço (massa específica, umidade, massa unitária,
granulometria, etc.).
O uso de concretos leves com fins estruturais na construção civil pode trazer
benefícios promovidos pela redução da massa específica do concreto. Rossignolo
(2009:16) considera que “a ampla utilização desse material é particularmente
atribuída aos benefícios promovidos pela diminuição da massa especifica do
concreto, como a redução de esforços na estrutura das edificações”. Com um
agregado de menor massa específica, obtém-se uma edificação com menor peso
próprio, menores esforços na estrutura, gerando assim economia com armaduras,
formas - devido à diminuição das seções transversais das peças, bem como a
redução dos custos com transporte e montagem de construções pré-fabricadas. O
concreto leve é considerado um método construtivo otimizado. Porém, por ser um
material inovador, existe uma carência de pesquisas e estudos. É importante a
verificação das propriedades que são peculiares a esse tipo de concreto, tais como
trabalhabilidade, resistência mecânica à tração e compressão, massa específica,
entre outras.

2. Agregados Leves
Segundo Rossignolo (2009:33), os agregados leves podem ser classificados em
naturais ou artificiais. Os naturais são obtidos por meio da extração direta em
jazidas, seguida de classificação granulométrica. Esse tipo de agregado leve tem
pouca aplicação em concretos estruturais em função da grande variabilidade em
suas propriedades e da localização das jazidas. Como exemplo, têm-se as pedras-
pome e as escórias vulcânicas. Por sua vez, os agregados leves artificiais são
obtidos em processos industriais e, normalmente, são classificados com base na
matéria prima e no processo de fabricação, que são os casos das argilas, folhelhos
e escórias expandidas.
Segundo a NM 35/95 (Agregados leves para concreto estrutural – Especificações),
os agregados leves devem apresentar massa unitária no estado seco e solto abaixo
de 880 kg/m³ para agregados graúdos. Esse documento apresenta ainda valores
mínimos de resistência à compressão para os concretos em função de sua massa
específica, como demonstra a Figura 1.

Figura 1 – Resistência à compressão em função da massa específica


Fonte: Neville (1997)
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Na figura 2 são apresentados alguns tipos de agregados leves e suas possíveis


utilizações:

Figura 2 – Classificação dos concretos leves quanto as suas massas específicas


Fonte: Neville (1997)

3. Argila Expandida
Conforme o blog AECWEB, a argila expandida é um material de formato
arredondado que se destaca pela leveza. Serve para fechamentos e fundações de
edifícios, recuperação estrutural e até projetos de pontes. Produzido por meio do
aquecimento artificial de certas argilas, em fornos rotativos que atinjam temperatura
de 1.200°C. Através desse processo, a argila retém gases e se expande.

São vantagens da argila: o isolamento térmico e acústico, o alívio de sobrecarga


sobre estruturas, economia no custo na obra, apresenta estabilidade dimensional
reduzindo deformações e entre outros. (AECWEB)

Segundo Coutinho (1988), a descoberta da argila expandida foi feita em 1885, mas
só em 1918 o americano S. J. Heyde utilizou-a como agregado para concreto. O
processo de fabricação do agregado de argila expandida, conhecido pela sigla LECA
(light expanded clay aggregate), produzido em fornos rotativos foi patenteado na
Dinamarca na década de 40. Na Figura 3, visualiza-se a argila expandida, utilizada
como agregado graúdo em concreto leve.
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Figura 3 – Argila Expandida


Fonte: AECWEB

4. Concreto Leve Estrutural


O concreto leve é conhecido pelo seu reduzido peso específico e elevada
capacidade de isolamento térmico e acústico quando comparado ao
concreto convencional. Enquanto os concretos normais têm sua densidade
variando entre 2300 e 2500 kg/m³, os leves chegam a atingir densidades
próximas a 500 kg/m³. Cabe lembrar que a diminuição da densidade afeta
diretamente a resistência do concreto. (PORTAL DO CONCRETO)

É possível verificar os valores de referência de massa específica dos concretos


leves estruturais na figura 4:

Figura 4 – Valores de referência da massa específica dos concretos leves estruturais


Fonte: Rossignolo (2009)

Segundo a NBR NM 35, os agregados leves não devem possuir massa unitária no
estado seco e solto acima de 1,12 g/cm³ para os agregados miúdos e de 0,88 g/cm³
para os agregados graúdos.

5. Método adotado
A metodologia foi baseada no referencial teórico e na elaboração das dosagens para
os concretos a partir de dois parâmetros básicos: mesma relação água/cimento
(A/C=0,50) e a obtenção de um abatimento de 80mm+10. Partindo dessas
condições, foram elaborados os traços para o concreto utilizando como agregado a
pedra britada e outro para o concreto produzido com argila expandida em
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substituição total à brita. Os ensaios elaborados foram o de compressão, tração


diametral e abatimento do tronco de cone. Todos os ensaios foram executados
através de máquinas e equipamentos devidamente calibrados e realizados de
acordo com as normas vigentes.

6. Material utilizado
Para a produção dos concretos foram utilizados os seguintes materiais:
 Cimento Portland CP II-Z
 Argila expandida 1506
 Pedra britada 19 mm
 Areia grossa
Por ser o tipo de cimento mais empregado, optou-se por utilizar neste estudo o
Cimento Portland Composto com adição de material pozolânico, classe 32 (CP II Z
32). A Figura 5 indica características dos diversos tipos de cimento portland.

Figura 5 – Características físicas e mecânicas do cimento portland


Fonte: ABCP (2017)

A argila expandida utilizada foi a 1506 cuja granulometria é semelhante à brita 0


(6/15mm) com densidade aparente de 600 kg/m³ (variação de +/- 10%), pois com
agregados menores podemos obter melhores resultados com relação a resistência a
compressão. Existem alguns tipos de argila expandida, de acordo com as classes
granulométricas nominais, conforme indica a Figura 6.
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Figura 6 –Tipos de argila expandida


Fonte: ACAREIA (2021)

7. Traços
Para a produção Uma vez determinada a dosagem dos materiais para se fazer o
concreto tem-se então o traço, que pode ser medido em massa ou volume. Para se
obter maior precisão adota-se a massa, porém em obras, o costume é utilizar o
volume por ser mais prático. (MAZEPA e RODRIGUES:2011)
Segundo ABRAMS (1919), a resistência à compressão do concreto segue uma
curva que pode ser expressa conforme a figura 7:

Figura 7 – Correlação entre resistência e fator água/cimento


Fonte: Abrams (1919)
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Onde:
fc = Resistência do concreto na idade de dias;
K1 e K2= Constantes que dependem do cimento e agregados utilizados no concreto;
a/c = Relação água/cimento do concreto.

Essa equação é hoje conhecida como Lei de Abrams em função de sua importância
e da extensão de sua validade. Em termos simples o que a Lei de Abrams diz é que
a resistência do concreto é tanto menor quanto maior for a quantidade de água
adicionada à mistura.

Para o estudo em questão, o traço foi calculado tendo em vista o volume de corpos
de provas que deveriam ser moldados a fim de se realizar os ensaios propostos
como demonstrado na Tabela 1 a seguir:

Nº CP'S
Descrição Traço Unitário CP 10x20cm CP 15x30cm
Compressão
Compressão Diametral
axial
Pedra britada 1; 1,77; 2,78; 0,50 12 6
Argila
1; 1,57; 1,08; 0,50 12 6
expandida
Tabela 1 – Detalhamento dos traços e quantidade de corpos de prova
Fonte: Autoria Própria (2021)

8. Concreto com Argila Expandida


Para este concreto, o agregado sofreu imersão em água por 24 horas antes da
mistura a fim de evitar que ele absorva água da mistura alterando a relação A/C. Foi
necessário ainda usar um teor de argamassa mais alto (α=0,60) que o traço do
concreto com brita (α=0,50) com o intuito de se obter uma melhor trabalhabilidade
do concreto e reduzir a segregação do agregado leve durante a mistura e o
adensamento.

9. Cura, moldagem e preparação dos CP’S (NBR 5738/15)


Para este concreto, o Foram moldados corpos de provas cilíndricos na dimensão de
10x20cm e 15x30cm para os ensaios de compressão axial e compressão diametral
para estudo do concreto no estado endurecido e, além desses ensaios foi feita
análise da trabalhabilidade do concreto no seu estado fresco.
Para se obter um controle tecnológico dos traços de concreto, se faz necessário
seguir as normas e procedimentos de moldagem de corpos de prova. Para os
ensaios que utilizam CP’S nas formas cilíndricas, eles devem ter altura igual a duas
vezes o seu diâmetro. Os corpos de prova com 10x20cm são preenchidos com
concreto em duas camadas, cada uma delas com aplicação de 12 golpes utilizando
uma haste de barra de aço de 16 mm de diâmetro e comprimento entre 60 cm e 80
cm, já os CP’S com 15x30cm, são aplicados 25 golpes em cada uma de suas três
camadas de preenchimento. As figuras 8 e 9 ilustram os procedimentos para
moldagem de corpos de prova.
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Figura 8 – Procedimento para moldagem de corpo de prova de concreto (10x20)cm


Fonte: Tecomat (2004)

Figura 9 – Procedimento para moldagem de corpo de prova de concreto (15x30)cm


Fonte: Tecomat (2004)

Os moldes devem ficar sobre uma superfície horizontal, plana, limpa e imóvel
durante as primeiras 24h, protegido de intempéries e cobertos com material inerte
com o objetivo e evitar a perda de água do concreto. Após um dia de idade, são
desmoldados, identificados e imersos em água até o momento do ensaio (7 e 28
dias).

10. Descrição dos Ensaios


10.1 Ensaio de compressão axial (NBR 5739/07)
O ensaio de compressão axial de corpo-de-prova de concreto consiste basicamente
na aplicação de uma carga progressiva por meio de uma prensa sobre um corpo-de-
prova cilíndrico de 10 cm de diâmetro por 20cm de altura. Ao se chegar a uma
determinada carga, o concreto se rompe, gerando assim um valor de carga para o
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rompimento. Esse valor obtido visualmente na prensa deve ser dividido pela área da
superfície circular do corpo-de-prova, encontrando-se assim a pressão que aquele
concreto resiste naquela idade em que foi ensaiado. Esse valor é chamado de
Resistência Característica do Concreto a Compressão (fck).
O ensaio de compressão axial foi realizado aos 7 e 28 dias depois da moldagem
para verificar se o concreto atingiu a resistência mínima exigida no projeto. A face de
aplicação de carga dos corpos de prova vai para a retífica, onde terá suas
superfícies de apoio polidas e niveladas pouco antes do ensaio.
A resistência à compressão deve ser calculada através da seguinte expressão:
Fc = 4F / π.D²
Onde:
Fc = Resistência à compressão (Mpa = Megapascal)
F = Força máxima alcançada (N = Newton)
D = Diâmetro do CP (mm = Milímetro)

10.2 Determinação da resistência à tração por compressão diametral de


corpos-de-prova cilíndricos (NBR 7222/11)
As condições de cura, moldagem e preparação dos corpos-de-prova foram as
mesmas dos ensaios anteriores, seguindo-as normas NBR 7215 e NBR 5738.
Para este ensaio, foram usados corpos-de-prova cilíndricos com relação
diâmetro/altura = 1/2, como recomendado na NBR 7222/2011 com dimensões de
15cm de diâmetro por 30cm de altura.
Para a execução do ensaio colocou-se o corpo-de-prova em repouso sobre o prato
da máquina de compressão. Foram postas entre os pratos e o corpo-de-prova de
ensaio, duas tiras de chapa duras de fibra de madeira. Os pratos foram ajustados
até que fosse obtida uma compressão capaz de manter o corpo-de-prova em
posição. A partir daí a carga foi aplicada de forma contínua e progressiva até a
ruptura corpo de prova.

Figura 10 – Posicionamento do corpo-de-prova no ensaio de tração diametral


Fonte: NBR 7222 (2011)

O que se deseja obter é a resistência à tração do concreto através da compressão


diametral. Essa resistência é dada pela seguinte expressão:
Ftd = 2.F / p.d.L
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Onde:
Ftd = resistência à tração por compressão diametral, expressa em Mpa
F = carga máxima obtida no ensaio (KN)
d = diâmetro do corpo-de-prova (mm)
L = altura do corpo-de-prova (mm)

10.3 Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone (NM


67/98)
Para a realização do ensaio foi umedecido com água o molde e a tampa de base.
Para o preenchimento do molde o operador deve se posicionar com os pés sobre os
suportes. O molde foi cheio rapidamente com o concreto coletado em 3 (três)
camadas, cada com aproximadamente um terço da altura do molde compactado.
Cada camada foi compactada com 25 golpes da haste de socamento. A
compactação de cada camada não deve atingir a camada imediatamente inferior.
Após o preenchimento, o molde foi tirado cuidadosamente na direção vertical, com
uma duração de retirada entre 5 e 10 segundos, tomando cuidado para que o
concreto não sofresse torção lateral. Imediatamente após a retirada do molde, foi
medido o abatimento do concreto, determinando a diferença entre a altura do molde
e a altura do eixo do corpo-de-prova, que corresponde a altura média do corpo-de-
prova desmoldado.

Figura 11 – Simulação do ensaio de abatimento do concreto (Slump Test)


Fonte: NBR NM 67 (1998)
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11. Resultados
11.1 Resistência à compressão

ENSAIO DE COMPRESSÃO AXIAL


IDADE: 7 DIAS
ARGILA EXPANDIDA (MPa) PEDRA BRITADA (MPa)
1 21,4 27,6
2 22,4 25,7
3 21,6 27,4
4 19,9 29
5 20,1 24,9
6 20,2 26,4
Fcj (7 dias) = 21 27
Tabela 2 – Ensaio de compressão axial aos 7 dias
Fonte: Autoria própria (2021)

ENSAIO DE COMPRESSÃO AXIAL


IDADE: 28 DIAS
ARGILA EXPANDIDA (MPa) PEDRA BRITADA (MPa)
1 25,4 29,4
2 25,3 29,4
3 25 28,7
4 25 29,7
5 24,4 30
6 25,9 28,3
Fcj (28 dias) = 25 29
Tabela 3 – Ensaio de compressão axial aos 28 dias
Fonte: Autoria própria (2021)

Concreto com Argila Expandida:


Crescimento da resistência entre 7 e 28 dias = 19%

Concreto com Pedra Britada:


Crescimento da resistência entre 7 e 28 dias = 7%

Relação entre resistências concreto com argila expandida e concreto pedra britada
aos 28 dias = 86%.
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Figura 12 – Comparativo de resistência característica entre os concretos estudados


Fonte: Autoria Própria (2021)

As diferenças entre as resistências obtidas se devem principalmente à resistência do


agregado graúdo utilizado. Considerando que a relação A/C é o parâmetro
determinante da resistência mecânica do concreto, essa diferença de 16% na
resistência entre os concretos pode ser atribuída à menor resistência do agregado
leve (argila expandida) utilizado no estudo, sendo esse fator, considerado um
limitante para a elaboração de concretos com resistências mais altas.

Contudo, a resistência obtida para a argila expandida atendeu ao requisito de


concreto para fins estruturais, determinado pela NBR 6118, que preconiza um
concreto com no mínimo 25 MPa de resistência à compressão aos 28 dias.

11.2 Resistência à tração

DETERMINAÇÃO DA RESISTÊNCIA À TRAÇÃO DIAMETRAL EM


CORPOS DE PROVA CILÍNDRICOS 15X30cm

CONCRETO COM PEDRA CONCRETO COM ARGILA


AMOSTRA Nº
BRITADA (MPa) EXPANDIDA (MPa)

1 3,3 2,8
2 3,5 3
3 3,7 3,1
Fck 3,5 3,0
Tabela 4 – Resistência à tração diametral
Fonte: Autoria própria (2021)

Os valores obtidos nos ensaios de tração demonstram um comportamento comum


dos concretos em geral, que apresentam baixa resistência a esses esforços. A
relação entre a resistência à compressão e à tração do concreto é amplamente
estudada por vários autores, com valores variando entre 10% a 12%. A seguir, tem-
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se um gráfico que demonstra os resultados de resistência comparativamente para os


dois concretos estudados.

Relação tração/compressão (Argila Expandida) = 12%


Relação tração/compressão (Pedra Britada) = 12%

Figura 13 – Comparativo de tração entre os concretos estudados


Fonte: Autoria Própria (2021)

11.3 Trabalhabilidade
Com relação à trabalhabilidade, foram analisados tanto parâmetros mensuráveis
através de ensaios, como o abatimento, assim como características físicas que
interferem no manuseio do concreto no dia a dia. Com relação ao abatimento, para o
concreto com pedra britada foi obtido um abatimento = 75mm. Já o concreto com
argila expandida, apresentou no mesmo ensaio um abatimento= 85mm.

A partir desses resultados, foi concluído que o concreto feito com argila expandida é
mais fluido, possibilitando assim uma maior trabalhabilidade no estado fresco. Esse
resultado pode ser atribuído tanto ao fato de a argila expandida ser muito mais leve
que a brita, tornando o concreto menos pesado, como também ao fato de a
dosagem do concreto com argila expandida ter proposto um concreto mais
argamassado (teor de argamassa mais alto), em virtude da dificuldade em se
misturar esse concreto caso o teor de argamassa fosse o mesmo do concreto com
pedra britada.

Além do abatimento, puderam-se observar também algumas diferenças básicas


entre esses concretos no estado fresco. Foi notória a diferença entre as massas
específicas dos dois materiais já na moldagem. O concreto com argila expandida
apresentou uma maior facilidade de manuseio e transporte mesmo que tenha sido
usado em quantidade experimental. Essa facilidade em obra fatalmente seria
amplificada para a produção em série, exigindo uma menor necessidade de mão-de-
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obra para o transporte da mesma quantidade de concreto com brita, podendo


acelerar o enchimento de peças e consequentemente a velocidade da concretagem.

Ainda com relação ao concreto no estado fresco, foi observada uma forte tendência
à segregação por parte do concreto com argila expandida durante o adensamento.
Portanto, há certamente, uma dificuldade em “vibrar” o concreto com agregado leve,
pois este tende a se depositar na superfície. Este é um aspecto que se deve, sem
dúvida, ter atenção especial na concretagem desse tipo de material na obra,
exigindo mão-de-obra especialmente treinada para que a vibração não prejudique a
homogeneidade do concreto formando patologias, como por exemplo, as bicheiras.

11.4 Massa específica


As massas específicas foram obtidas com os materiais secos um dia após a
desmoldagem. Para o cálculo foram pesados em balança do laboratório os cilindros
que seriam ensaiados posteriormente para o ensaio de compressão axial. O
resultado será demostrado na tabela 5.

Massa específica
  Massa média Volume (m³)
(Kg/m³)

Concreto com argila


2,68 0,0016 1705
expandida

Concreto com pedra


3,76 0,0016 2393
britada
Tabela 5 – Massas específicas dos concretos estudados
Fonte: Autoria própria (2021)

O valor da massa específica do concreto com argila expandida ultrapassou o valor


mínimo de 1.400 kg/m³ segundo bibliografia estudada neste trabalho, atendendo
assim ao requisito de concreto leve estrutural. O resultado foi extremamente
satisfatório levando-se em conta que não foram utilizados aditivos na dosagem. Já o
valor da massa específica do concreto com brita se encontra dentro dos valores de
referência para este tipo de concreto.

13. Considerações
Baseado nos fatos mencionados, entende-se que a substituição da brita pela argila
expandida influenciou bastante na dosagem executada diretamente nas
características físicas e mecânicas do concreto.

A utilização da argila expandida teve resultados altamente favoráveis para a


diminuição do peso específico do concreto, que comparado ao concreto
convencional reduziu em torno de 29%. A redução do peso específico, por sua vez,
influenciou também na trabalhabilidade devido à leveza da argila ser bem maior que
a da brita. O concreto com argila expandida e com a mesma quantidade de água
tenderia a reduzir o seu abatimento devido à alta absorção de água do agregado,
porém, devido a sua pré-saturação e ao seu formato arredondado, resultou numa
melhor fluidez.
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Os resultados obtidos para resistência à compressão mostraram que essa


propriedade sofre mais influência dos agregados graúdos do que da quantidade de
cimento utilizada. Porém, conseguiu-se atingir um valor maior que o mínimo exigido
para concretos estruturais.

Uma desvantagem, além do alto custo, é a diminuição da resistência mecânica à


compressão, que limita sua utilização para alguns projetos que exijam resistências
maiores.

Como ideias para melhorias, temos: melhoria dos traços através de aditivos, testes
de diferentes percentuais de argila expandida e dosagens com outros tipos de
cimentos. Ele pode ser mais durável que o convencional, devido a sua cura interna.
Outro ponto positivo é a baixa condutividade térmica. Esse tipo de concreto é
utilizado para isolar ambientes com variações térmicas do lado externo.

14. Conclusão
Este trabalho procurou discutir e realizar comparações entre duas dosagens de
concreto com agregados graúdos diferentes. No que diz respeito às características
abordadas, foram estabelecidos parâmetros para comparação que visaram explicitar
as diferenças de características entre os dois concretos.

Com relação à resistência à compressão axial do concreto, observou-se uma queda


de resistência no concreto feito com argila expandida, que foi atribuído à diferença
de resistência entre os agregados (brita/argila expandida), já que a resistência da
pasta foi a mesma. Porém, foi atingida a resistência mínima para concreto estrutural
utilizando argila expandida. A grande diferença entre os dois agregados também
pôde ser verificada na massa específica, onde a baixa massa específica da argila
expandida proporcionou mais trabalhabilidade e fluidez ao concreto com este
agregado.

Uma das maiores dificuldades durante o trabalho foi elaborar um traço experimental
do concreto com argila expandida, já que por ser tão leve, esse agregado tende a
ocupar grande volume se forem elaborados traços em massa comparativamente
com a brita. Outra dificuldade que pode ser levada inclusive ao dia a dia de obras é
a necessidade de imersão, em água, da argila expandida por 24 horas antes da
mistura do traço, para que se possa desconsiderar a absorção da água de
amassamento desse agregado durante a mistura.

Apesar das conclusões obtidas, há sem dúvida a necessidade de se estudar outros


parâmetros de comparação, tais como porosidade e durabilidade dos concretos
leves, além da possibilidade de, através de acréscimo de aditivos, conseguir
concretos leves estruturais com resistências ainda mais altas e explorar ao máximo
a resistência de outros agregados leves, com resistências superiores ao utilizado
neste experimento.

Dessa forma, conclui-se que o concreto leve pode representar uma opção viável
financeiramente para os casos em que se necessite reduzir o peso próprio das
estruturas. Foi alcançado, neste trabalho experimental, para o concreto com argila
expandida, atingir resistências à tração e à compressão satisfatórias para o uso
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desse concreto com fins estruturais, assim como uma trabalhabilidade e fluidez
adequada para a aplicação em obra

15. Referências
ABNT, ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – NBR 6118:
PROJETO DE ESTRUTURAS DE CONCRETO – Procedimento. Rio de Janeiro,
2014.

ABNT, ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – NBR 7222:


CONCRETO E ARGAMASSA – Determinação da resistência à tração por
compressão diametral de corpos de prova cilíndricos. Rio de Janeiro, 2011.

ABNT, ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – NBR NM 67:


Concreto – Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone. Rio de
Janeiro, 1998.

ABNT, ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – NBR 5738:


CONCRETO – PROCEDIMENTO PARA MOLDAGEM E CURA DE CORPOS DE
PROVA. Rio de Janeiro, 2002.

ABNT, ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – NBR 5739:


CONCRETO – ENSAIO DE COMPRESSÃO DE CORPOS DE PROVAS
CILÍNDRICOS. Rio de Janeiro, 2007.

ABNT, ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – NM 35:


AGREGADOS LEVES PARA CONCRETO ESTRUTURAL – ESPECIFICAÇÃO. Rio
de Janeiro, 1994.

ABRAMS, Duff A. Design of Concrete Mixtures. Chicago, 1919.

FIGUEIREDO, F.J.R. Estrutura de concreto armado. São Paulo, 2015.

ACAREIA. AC Areia e Pedra. Disponível em < http://www.acareia.com.br/argila-


expandida/>. Acesso em 23 abr de 2021.

CONCRETO, P. Potal do concreto – tudo sobre o concreto. Disponível em <


http://www.portaldoconcreto.com.br/>. Acesso em 21 abr de 2021.

COUTINHO, A. S. Fabrico e Propriedades do Betão. 3.ed. Lisboa: Laboratório


Nacional de Engenharia Civil - LNEC, 1997. Volume I.

MAZEPA, R.C; RODRIGUES, T.C. Estudo comparativo entre corpos de prova


cilíndrico e cúbico para o ensaio de resistência a compressão axial. Curitiba,
2011.

NEVILLE, A. M. Aggregate bond and modulus of elasticity of concrete. ACI


Materials Journal, p.71, 1997.

ROSSIGNOLO, J.A. Concreto leve estrutural. São Paulo, 2009.

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