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CEAT - Central de Apoio Técnico

LAUDO TÉCNICO

SGDP: 2666462
ID CEAT: 26935311
Município: Governador Valadares
Solicitante: Dr. Leonardo Diniz Faria – 10a Promotoria de Justiça da
Comarca de Governador Valadares
Referência: Inquérito Civil no 0105.15.002048-2: qualidade da água no
município de Governador Valadares, após o desastre ambiental causado
pelo rompimento das barragens da SAMARCO MINERAÇÃO S/A

1 INTRODUÇÃO

Em atendimento à Promotoria de Justiça da Comarca de Governador


Valadares, foi realizada no dia 05/07/2016 uma nova perícia para a avaliação
da qualidade da água distribuída aos moradores de diversos bairros da cidade
de Governador Valadares.

Em 05/11/2015, ocorreu no município de Mariana o rompimento da Barragem


de Rejeitos do Fundão, da empresa SAMARCO MINERAÇÃO S/A, com o
galgamento e erosão da Barragem de Santarém, ocasionando danos
ambientais, sociais e humanos, cujas causas estão em apuração.

Como os rejeitos (lama e sedimentos) das barragens da SAMARCO


MINERAÇÃO S/A atingiram o Rio Doce, a qualidade da água no município de
Governador Valadares foi comprometida, principalmente devido aos elevados
índices de turbidez (sólidos em suspensão), acarretando a total interrupção do
abastecimento para consumo humano na cidade.

As Figuras 01 e 02 ilustram o deslocamento da massa de água com elevada


concentração de sólidos em suspensão, desde o distrito de Bento Rodrigues
até a foz do Rio Doce.

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Figura 01 – Deslocamento da água com elevada turbidez pela bacia do rio


Doce (Fonte: www.cprm.gov.br, acesso em 30/11/2015)

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Figura 02 – Passagem de água com elevada turbidez - Onda de cheia – Vazão de Pico (Fonte: www.cprm.gov.br, acesso em 30/11/2015)

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Cabe salientar que os rejeitos das barragens da SAMARCO MINERAÇÃO S/A


apresentam em sua composição, além da sílica (material inerte) e do ferro,
elevadas concentrações de manganês e de alumínio. Estas substâncias podem
ser transportadas ao longo do Rio Doce e ocasionar, além da elevação dos
níveis de turbidez, alterações na composição química em diversos trechos
deste curso d’água, conforme a direção dos ventos, os índices pluviométricos e
a vazão do rio.

Em 15/11/2015, a água tornou a ser captada no Rio Doce e distribuída para a


população de Governador Valadares, em virtude da utilização de um polímero
(polímero de acácia negra) no processo de coagulação, o qual possibilitou a
separação da lama e redução da turbidez da água bruta, para posterior
tratamento.

Verificou-se que, atualmente, não está sendo mais necessário o uso deste
polímero nas estações de tratamento do município.

O sistema de abastecimento de água do município de Governador Valadares


está em operação sob a responsabilidade da Prefeitura Municipal (Serviço
Autônomo de Água e Esgoto – SAAE) e atende toda a área urbana e o Distrito
de São Vitor, por meio de 5 (cinco) Estações de Tratamento de Água – ETAs
(Imagem 01), que captam no Rio Doce:

• ETA – Central, com capacidade máxima de 1.200 l/s, é responsável pelo


abastecimento da maior parte da cidade de Governador Valadares.

• ETA – Vila Isa, com capacidade máxima de 240 l/s, abastece os bairros Vila
Isa e São Raimundo.

• ETA – Santa Rita, com capacidade máxima de 36 l/s.

• ETA – Recanto dos Sonhos, com capacidade máxima de 29 l/s, foi


construída para abastecer o Laticínio Piracanjuba e o bairro Recanto dos
Sonhos, que possui um número reduzido de moradores. Conforme
informado pelo SAAE, por meio do Ofício/SAAE – 146/2015, a SAMARCO
MINERAÇÃO S/A construiu uma adutora e, portanto, esta ETA estava
sendo abastecida pelo Rio Suaçuí Grande, o qual não foi afetado pelo
rompimento das barragens. Constatou-se, entretanto, que, atualmente, a
ETA – Recanto dos Sonhos voltou a captar no Rio Doce, tendo em vista que
a turbidez deste curso d’água apresentou uma redução bastante
significativa.

• ETA – São Vitor, com capacidade atual de 6 l/s, abastece somente São
Vitor, distrito de Governador Valadares, situado próximo ao município de
Galiléia.

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Imagem 01 – Distribuição das ETAs do município de Governador Valadares, ao longo


do Rio Doce.

O abastecimento da ETA – Central foi restabelecido, após o acidente, no início


da tarde de 16/11/2015, tendo em vista que o laudo apresentado pela
Companhia de Saneamento de Minas Gerais – COPASA atestou que a água
tratada pelo SAAE estava em conformidade com os padrões de potabilidade e
isenta de metais tóxicos.

Entretanto, foi solicitada, na época, pela Promotoria de Justiça da Comarca de


Governador Valadares uma perícia complementar, em caráter de urgência,
para tranquilizar a população e certificar que a água distribuída no município de
Governador Valadares estava adequada ao consumo humano.

Dessa forma, foram realizadas no dia 20/11/2015, sob a supervisão da analista


da CEAT-MA, signatária deste laudo, coletas adicionais pelo laboratório
contratado pelo Ministério Público, Visão Ambiental Ltda, cujos resultados das
análises constam no Laudo IDCEAT No 25985024, datado de 02/12/2015. Com
base neste laudo, foi elaborada pelo Ministério Público do Estado de Minas
Gerais a Recomendação 49/2015/CRRD, encaminhada ao SAAE em dezembro
de 2015.

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Em resposta à Recomendação 49/2015/CRRD, o SAAE encaminhou o


Ofício/SAAE – 146/2015, juntamente com diversas tabelas, contendo
resultados de análises laboratoriais realizados pela autarquia, bem como as
ações implementadas com o intuito de restabelecer o fornecimento de água
potável para toda a população.

Ressalta-se que, conforme o Ofício/SAAE – 146/2015, as estações ETA –


Central, ETA – Vila Isa e ETA – Santa Rita ainda estavam apresentando, na
saída do tratamento, parâmetros em desconformidade com os padrões de
potabilidade estabelecidos na Portaria do Ministério da Saúde No 2914, de
12/12/2011 (Portaria MS No 2914/2011). Nesse sentido, cabe destacar também
que a Fundação Ezequiel Dias – FUNED também realizou, a pedido da
Superintendência Regional de Saúde – SRS/Vigilância Ambiental do município
de Governador Valadares, a coleta de amostras nos dias 19/11/2015 (um dia
antes da coleta da CEAT-MA) e 25/11/2015 (cinco dias após a coleta da CEAT-
MA), na saída das ETAs Central, Vila Isa e Santa Rita, tendo detectado
novamente irregularidades em relação à legislação vigente.

Já nas estações ETA – Recanto dos Sonhos e ETA – São Vitor, os resultados
dos parâmetros analisados pelo SAAE estavam atendendo o padrão de
potabilidade e, portanto, estas ETAs não foram incluídas no escopo dos
trabalhos realizados no dia 05/07/2016, que serão objeto deste laudo técnico.

Salienta-se que, nesta mesma data, foram também coletadas pela SAMARCO
MINERAÇÃO S/A amostras na saída de todas as ETAs do município, conforme
descrito no Relatório de Vistoria IDCEAT No 27885570, datado de 08/07/2016.

1.1 Características da Água

Segundo Libânio (2010), a água apresenta características químicas, físicas e


biológicas que traduzem uma série de processos que ocorrem na bacia
hidrográfica e no corpo hídrico. Devido aos objetivos do presente trabalho, será
dado enfoque a seis características (turbidez, cor aparente, pH, coliformes
totais, Escherichia coli e cloro residual livre), que foram monitoradas,
juntamente com a concentração total de metais, para a avaliação da qualidade
da água destinada ao consumo humano 1, na cidade de Governador Valadares.

A turbidez é uma característica física da água decorrente da presença de


substâncias em suspensão, ou seja, de sólidos suspensos finamente divididos
ou em estado coloidal e de organismos microscópicos.
1 o
Nesse contexto, é importante salientar que a Portaria do Ministério da Saúde N 2914, de
o
12/12/2011 (Portaria MS N 2914/2011) define água para consumo humano como a água
potável destinada à ingestão, preparação e produção de alimentos e à higiene pessoal,
independentemente da sua origem.

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A mesma pode ser expressa por meio de unidades de turbidez (UNT), sendo
considerada um dos principais parâmetros para a seleção da tecnologia de
tratamento da água bruta e controle operacional dos processos de tratamento.

A Portaria do Ministério da Saúde No 2914, de 12/12/2011 (Portaria MS No


2914/2011), estabelece um valor máximo de turbidez de 5 UNT para a água
potável 2.

A turbidez, somente, não traria inconveniente sanitário, não fosse a natureza


química de certos sólidos em suspensão que podem estar presentes, bem
como a possível patogenicidade que pode estar associada a esses compostos.

Outra característica física da água é a cor. De modo geral, a cor nas águas
naturais é decorrente da presença de matéria orgânica originada da
decomposição de plantas e animais, denominada substância húmica. A cor
verdadeira é definida como a cor que a água apresenta após a remoção da
turbidez (sólidos em suspensão) presente na mesma.

Já a cor aparente, parâmetro analisado neste trabalho, seria aquela que inclui
não somente as substâncias que estão dissolvidas na água, mas também as
que estão em suspensão. A determinação da intensidade da cor da água é
medida em unidades de cor (uC) ou unidade Hazen (uH), quando a amostra é
comparada com um padrão de cobalto-platina (Co-Pt). De acordo com a
legislação vigente (Portaria MS No 2914/2011), a água potável deve possuir um
valor máximo de intensidade de cor aparente de 15 uH.

As características químicas da água também possuem grande importância,


pois determinadas substâncias podem inviabilizar o uso de um tipo de
tecnologia (HELLER e PÁDUA, 2006). Dentre as características químicas
existentes, é relevante mencionar, para este trabalho, além dos metais, o
potencial hidrogeniônico (pH). Este parâmetro é utilizado para determinar a
concentração de íons de hidrogênio nas águas, o que possibilita determinar se
a água apresenta condições ácidas ou alcalinas. A escala de pH varia de 0 a
14, sendo que valores menores que 7 são consideradas condições ácidas,
iguais a 7 condições neutras e superiores a 7 são condições básicas ou
alcalinas. O pH é um parâmetro importante na coagulação, que consiste em
uma das etapas do processo de tratamento da água bruta.

De acordo com a Portaria MS No 2914/2011, no sistema de distribuição, o pH


da água deve ser mantido na faixa de 6,0 a 9,5.

2
A água potável é definida como a água que atenda ao padrão de potabilidade estabelecido
o
na Portaria MS N 2914/2011 e que não ofereça riscos à saúde.
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Os parâmetros bacteriológicos monitorados neste trabalho são também de


extrema importância, uma vez que a concentração de coliformes totais indica a
eficiência do tratamento e a integridade do sistema de distribuição, ao passo
que a Escherichia coli é um indicador de contaminação fecal.

Finalmente, a cloração (adição de cloro) da água é uma etapa importante do


tratamento de água, pois garante a sua desinfecção. Conforme consta no Art.
34o da Portaria MS No 2914/2011, é obrigatória a manutenção de, no mínimo,
0,2 mg/L de cloro residual livre em toda a extensão do sistema de distribuição
(reservatório e rede). Este instrumento normativo também recomenda que o
teor máximo de cloro residual livre, em qualquer ponto do sistema de
abastecimento, seja de 2 mg/L, sendo admitido um excesso de até 5 mg/L. Em
face do exposto, este parâmetro também foi monitorado.

2 PLANO DE AMOSTRAGEM

Conforme mencionado anteriormente, a pedido da Promotoria de Justiça da


Comarca de Governador Valadares, foram coletadas amostras no dia
05/07/2016, pelo laboratório contratado pelo Ministério Público, Visão
Ambiental Ltda, cujos ensaios solicitados estão devidamente homologados pela
Rede Metrológica de Minas Gerais. Os trabalhos foram realizados sob a
supervisão da analista da CEAT-MA, signatária deste laudo, e acompanhados
pelo servidor do SAAE, Sr. Carlos Martins Lage Neto (Técnico em Química).

De forma a obter uma amostragem representativa das principais áreas onde


foram detectadas desconformidades em relação ao padrão de potabilidade,
foram coletadas amostras na saída das Estações de Tratamento ETA –
Central, ETA – Vila Isa e ETA – Santa Rita, bem como em pontos do Sistema
de Distribuição das mesmas 3.

As coletas no sistema de distribuição foram realizadas antes dos reservatórios


individuais, para eliminar qualquer interferência de resíduos de caixas d’água
dos estabelecimentos (escolas, hospitais, prédios residenciais, etc) situados
nos pontos de amostragem, nos quais foram analisados os seguintes
parâmetros: ferro, manganês, alumínio, cor aparente, turbidez, pH, sólidos
dissolvidos totais, Escherichia coli, coliformes totais e cloro residual livre.

3
A amostragem no Sistema de Distribuição obedeceu aos requisitos estabelecidos na Portaria
o
MS N 2914/2011, combinando critérios de abrangência espacial e alguns pontos estratégicos,
entendidos como aqueles próximos a grande circulação de pessoas; edifícios que podem
abrigar grupos populacionais de risco, tais como hospitais, creches e escolas; pontos
localizados em trechos vulneráveis do sistema de distribuição e afetados por manobras.

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Na saída das Estações de Tratamento (ETA – Central, ETA – Vila Isa e ETA –
Santa Rita), foram analisados diversos metais (concentração total), inclusive os
metais denominados “metais pesados” 4 (arsênio, bário, cádmio, chumbo,
cobre, cromo, mercúrio, níquel e selênio), que podem ser tóxicos à saúde
humana, dependendo da concentração, e aqueles que conferem sabor à água
(alumínio, cálcio, ferro, manganês, sódio e zinco). Também foram avaliados
outros parâmetros importantes e essenciais para a avaliação da potabilidade
da água: turbidez, cor aparente, pH, sólidos dissolvidos totais, Escherichia coli,
coliformes totais e cloro residual livre.

Todas as amostras foram coletadas utilizando-se recipientes devidamente


identificados e higienizados (Foto 01).

Foto 01 – Frascos utilizados para a coleta das amostras.

4
O termo metal pesado é utilizado por diferentes autores de forma distinta. Segundo a União
Internacional de Química Pura e Aplicada (International Union of Pure and Applied Chemistry –
IUPAC), há uma ampla tentativa de conceituar e definir o termo “metal pesado”, porém, cada
“metal” deve ser estudado separadamente de acordo com suas características químicas,
biológicas e propriedade toxicológicas. Garcia et al. (1990; in Macêdo, 2002) relacionam o
3
termo metal pesado com a densidade mínima de 4,5 g/cm . Já Coker & Matthews (1983; in
Macêdo op cit, p.1) estipulam uma densidade de 5 e Fergusson (1990; in Macêdo, op cit, p.1 ,
3
et seq) de 6,5 g/cm . Para Malavolta (1994; in Macêdo, 2002), define-se metal pesado como os
3
elementos que têm peso específico maior que 5 g/cm ou que possuem número atômico maior
que 20. Esta expressão engloba metais, semi-metais e mesmo não metais, ou metalóides
como o selênio. Alloway (1993) incluiu o arsênio e o selênio ao termo. Alguns destes metais
pesados estão entre os mais danosos elementos poluentes. Estes elementos são conhecidos
como metais tóxicos, e os principais são o chumbo, cádmio e mercúrio.

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As medições de pH e cloro residual livre foram feitas em campo, por meio de


equipamentos devidamente calibrados (Fotos 02 a 07). Os demais parâmetros
foram analisados na sede do laboratório Visão Ambiental Ltda, em Belo
Horizonte.

Fotos 02 a 05 – Dispositivo utilizado para as medições de pH em campo.

Fotos 06 e 07 – Equipamento utilizado para as medições em campo de cloro residual.

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2.1 ETA – Central e Pontos na sua Rede de Distribuição

• Ponto 1 – Saída da ETA – Central: Rua Quintino Bocaiúva, 41 – Centro


(Fotos 08 e 09)

Fotos 08 e 09 – Coleta no Ponto 1: Saída da ETA – Central.

A coleta no Ponto 1 (saída da ETA – Central) foi realizada, inicialmente, no


período da manhã, antes das 8 horas. Entretanto, foi informado pelos técnicos
do SAAE que, no momento das coletas, estava sendo realizada a limpeza
(retrolavagem) dos filtros da estação de tratamento, o que poderia alterar
alguns parâmetros a serem analisados. Dessa forma, no final do período da
manhã, foi realizada uma segunda coleta na saída da ETA – Central (Ponto 7).

• Ponto 7 – Nova coleta – Saída da ETA – Central (Foto 10)

Foto 10 – Coleta no Ponto 7: Saída da ETA – Central (Nova Coleta)


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• Ponto 4 – Policlínica Central: Rua São João, 344 – Centro (Foto 11)

Foto 11 – Coleta no Ponto 4: Policlínica Central

• Ponto 5 – Edifício Pioneiro: Rua Barão do Rio Branco, 83 – Centro


(Fotos 12 e 13)

Fotos 12 e 13 – Coleta no Ponto 5: Edifício Pioneiro.

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• Ponto 8 – Mercado Municipal: Rua Israel Pinheiro, 3384 – Centro


(Fotos 14 e 15)

Fotos 14 e 15 – Coleta no Ponto 8: Mercado Municipal.

• Ponto 11 – Hospital Nossa Senhora das Graças: Rua São Paulo, 25 –


Centro (Fotos 16 e 17)

Fotos 16 e 17 – Coleta no Ponto 11: Hospital Nossa Senhora das Graças.

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2.2 ETA – Santa Rita e Pontos na sua Rede de Distribuição

• Ponto 2 – Saída da ETA – Santa Rita: Rua Cícero Siqueira, 80 – Bairro


Santa Rita (Fotos 18 e 19)

Fotos 18 e 19 – Coleta no Ponto 2: Saída da ETA – Santa Rita.

• Ponto 9 – Escola Municipal Helvécio Dame: Rua João Rosa, 107 – Bairro
Santa Rita (Fotos 20 e 21)

Fotos 20 e 21 – Coleta no Ponto 9: Escola Municipal Helvécio Dame.

• Ponto 10 – Residência de Julieta Botelho – Rua Rodrigues Alves, 1160 –


Bairro Santa Rita (Fotos 22 e 23)

Fotos 22 e 23 – Coleta no Ponto 10: Residência de Julieta Botelho.


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2.3 ETA – Vila Isa e Pontos na sua Rede de Distribuição

• Ponto 3 – Saída da ETA – Vila Isa: Rua Rio Bahia, s/n (Foto 24)

Foto 24 – Coleta no Ponto 3: Saída da ETA – Vila Isa.

• Ponto 6 – Escola Municipal Prefeito Ronaldo Perim: Rua Granada, 368 –


Bairro São Raimundo (Fotos 25 e 26)

Fotos 25 e 26 – Coleta no Ponto 6: Escola Municipal Prefeito Ronaldo Perim.

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• Ponto 12 – Igreja Católica Nossa Senhora de Fátima: Rua Bezerra de


Araújo, 234 – Bairro Vila Isa (Fotos 27 e 28)

Fotos 27 e 28 – Coleta no Ponto 12: Igreja Católica Nossa Senhora de Fátima.

• Ponto 13 – Hospital Bom Samaritano – Rua Ranulfo Alves, 1620 – Bairro


Vila Isa (Fotos 29 e 30)

Fotos 29 e 30 – Coleta no Ponto 13: Hospital Bom Samaritano.

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3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os certificados emitidos pelo laboratório Visão Ambiental Ltda, contendo os


resultados das análises físico-químicas e bacteriológicas das amostras
coletadas, encontram-se no Anexo I, os quais serão discutidos a seguir.

3.1 Alumínio

Verificou-se que não foram detectados, na saída da ETAs (Central, Vila Isa e
Santa Rita) e nem na rede de distribuição, metais tóxicos e prejudiciais à saúde
humana em concentrações superiores aos padrões de potabilidade, tais como
os metais pesados: arsênio, bário, cádmio, chumbo, cobre, cromo, mercúrio,
níquel e selênio.

Entretanto, o alumínio apresentou, na saída das ETAs e em quase todos os


pontos de amostragem na rede de distribuição, concentrações acima dos
limites estabelecidos na Portaria MS No 2914/2011, conforme apresentado na
Tabela 1.

Ressalta-se que, mesmo após o procedimento de retrolavagem dos filtros, a


concentração deste parâmetro permaneceu, na saída da ETA – Central,
superior ao padrão de potabilidade (ver resultado do Ponto 7, apresentado na
Tabela 1).

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Tabela 1: Concentração de Alumínio na saída das ETAs e nos Pontos do Sistema de


Distribuição

Ponto Concentração de Padrão de Potabilidade


Alumínio (mg/L) (mg/L) – Portaria 2914/11
Ponto 1 – Saída da ETA – Central 0,64 0,20
Ponto 2 – Saída da ETA – Santa Rita 0,41 0,20

Ponto 3 – Saída da ETA – Vila Isa 0,42 0,20

Ponto 4 – Policlínica Central 0,54 0,20

Ponto 5 – Edifício Pioneiro 0,51 0,20

Ponto 6 – Escola Pref. Ronaldo Perim 0,50 0,20

Ponto 7 – Saída da ETA – Central, 0,37 0,20


após a retrolavagem dos filtros
Ponto 8 – Mercado Municipal 0,42 0,20

Ponto 9 – Escola Helvécio Dame 0,51 0,20

Ponto 10 – Res.de Julieta Botelho 0,20 0,20

Ponto 11 – Hospital N.S. Graças 0,17 0,20

Ponto 12 – Igreja N.S. Fátima 0,34 0,20

Ponto 13 – Hospital Bom Samaritano 0,49 0,20

A presença das concentrações residuais de alumínio detectadas na água


tratada, destinada ao abastecimento de Governador Valadares, pode ter como
origem não somente a existência deste elemento na captação, como também a
utilização de coagulantes, à base de sais de alumínio, no processo de
tratamento. Nesse sentido, é conveniente destacar que, após o rompimento
das barragens da SAMARCO MINERAÇÃO S/A, foi verificado que os níveis de
alumínio estavam muito elevados na captação do Rio Doce, embora a sua
concentração em águas naturais seja normalmente pequena (Laudo IDCEAT
No 25985024, datado de 02/12/2015). Considerando que os rejeitos das
barragens apresentam em sua composição elevadas concentrações deste
metal, é bem possível que o alumínio tenha sido transportado ao longo do Rio
Doce, ocasionando alterações na composição química em diversos trechos
deste curso d’água, conforme a direção dos ventos, os índices pluviométricos e
a vazão do rio.

Ademais, foi constatado que o uso do polímero de acácia negra foi


interrompido e, portanto, apenas o sulfato de alumínio tem sido utilizado pelo
SAAE como coagulante. Salienta-se que estudos realizados na China, Estados
Unidos e Europa demonstraram que a utilização de sais de alumínio no
processo de coagulação pode aumentar, significativamente, a concentração do
metal nas águas tratadas (WANG et al., 2010).
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Ressalta-se que o sulfato de alumínio tem sido o mais utilizado entre os


coagulantes, especialmente devido ao seu baixo custo. Entretanto, a possível
formação de um residual de alumínio tem sido considerado, nos últimos anos,
um aspecto indesejado na prática do tratamento de água para o
abastecimento.

O padrão de potabilidade do alumínio é 0,2 mg/L, o qual foi proposto não por
critérios relacionados à saúde, mas, principalmente, por que o alumínio altera o
aspecto e o gosto da água. No entanto, atualmente, não há dúvida acerca de
que este elemento é extremamente neurotóxico, conforme constatado em
inúmeros experimentos realizados em animais e humanos, sendo que o
primeiro estudo científico, que demonstrou a neurotoxicidade do alumínio, foi
realizado há mais de 100 anos por Siem e Döllken (FLATEN, T. P., 2001).

Além disso, diversos efeitos resultantes da exposição crônica ao alumínio


foram verificados em estudos realizados no Canadá (Health Canadá, 1998),
tais como a encefalopatia, distúrbios psicomotores, danos no tecido ósseo sob
a forma de osteomalácia e danos ao sistema hematopoiético sob a forma de
anemia hipocrônica. Em um dos trabalhos científicos mais completos sobre
este tema (RONDEAU et al., 2008), foi constatado que, a partir de valores
superiores ou iguais a 0,1 mg/L de alumínio na água produzida para
abastecimento público, o risco de demência e declínio cognitivo aumenta.
Ademais, a encefalopatia é uma das principais manifestações observadas que
indicam a neurotoxicidade do alumínio uma vez que prova que este elemento é
capaz de se acumular no cérebro e induzir degeneração neurofibrilar e morte
neuronal (RONDEAU et al., 2000).

Há também outros estudos que indicam os efeitos deletérios da presença de


alumínio no cérebro e que o consumo de alimentos e água contendo elevados
teores de alumínio pode desencadear doenças neurodegenerativas (BAKAR et
al., 2010). Em 1965, Klatzo e a sua equipe demonstraram que a injeção de sais
de alumínio no cérebro de coelhos ocasionava a formação de nódulos
neurofibrilares semelhantes àqueles encontrados em pacientes com a Doença
de Alzheimer (Mal de Alzheimer). Outro estudo pioneiro foi dirigido por Crapper
e publicado em 1973. Neste estudo foi demonstrado que os doentes com Mal
de Alzheimer apresentavam concentrações de alumínio no cérebro 2 a 3 vezes
maiores do que em indivíduos saudáveis (GUPTA, et al., 2005).

Cabe salientar que a grande preocupação despertada pela presença do


alumínio nas águas destinadas ao abastecimento público reside no fato de que
ele se encontra, predominantemente, sob a forma dissolvida, conforme
demonstrado em diversos estudos e, portanto, sob a forma biodisponível e
potencialmente mais tóxica, devido a facilidade de ser absorvido pelo
organismo (National Environmental Health Forum, 1995).

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Nesse sentido, é importante destacar que a toxicidade de um elemento resulta
de três fatores: grau de susceptibilidade de cada indivíduo; duração da
exposição; fração absorvida por meio do trato gastrointestinal, pulmão ou pele,
a qual é transportada para a corrente sanguínea e, posteriormente, acumulada
no cérebro e outros órgãos.

Dessa forma, a absorção diária de alumínio, inerente ao consumo de água, não


pode ser considerada insignificante, particularmente para grupos de risco,
como os idosos, em que as taxas de absorção são tradicionalmente mais altas
(Health Canada, 1998). Segundo a Agency for Toxic Substances and Disease
Registry – ATSDR (2008), a existência de outros componentes da dieta
também influenciam a absorção do alumínio, como é o caso do ácido cítrico,
ácido ascórbico, ácido láctico e málico, que podem formar complexos com o
alumínio e aumentar, significativamente, a absorção.

Na Figura 03, estão resumidos os valores de absorção diária por tipo de


exposição, bem como a percentagem de alumínio que pode ser acumulada no
organismo. De acordo com Gupta et al. (2005), nunca foi demonstrado que o
alumínio tenha alguma função biológica, sendo sugerido que o elemento tenha
propriedades que são neutras ou incompatíveis com processos fundamentais à
vida.

Figura 03 – Absorção diária e distribuição do alumínio no organismo humano


(Fonte: Adaptado de ATSDR, 2008).
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3.2 Demais parâmetros analisados

Em relação aos demais parâmetros analisados, constatou-se o não


atendimento ao padrão de potabilidade, além do alumínio, somente dos
seguintes parâmetros:

• coliformes totais, na saída da ETA – Vila Isa (Ponto 3) (Ver Tabela 2)

• turbidez, na saída da ETA – Central (Ponto 1) e em um ponto da sua rede


de distribuição (Ponto 4 – Policlínica Central) (Ver Tabela 3)

Tabela 2: Resultado da análise de coliformes totais na saída das ETAs e nos Pontos
do Sistema de Distribuição

Ponto Coliformes Totais Padrão de Potabilidade –


(P/A) Portaria 2914/11
Ponto 1 – Saída da ETA – Central Ausente Ausência em 100 mL
Ponto 2 – Saída da ETA – Santa Rita Ausente Ausência em 100 mL

Ponto 3 – Saída da ETA – Vila Isa Presente Ausência em 100 mL

Ponto 4 – Policlínica Central Ausente -


Ponto 5 – Edifício Pioneiro Ausente -
Ponto 6 – Escola Pref. Ronaldo Perim Ausente -
Ponto 7 – Saída da ETA – Central, Ausente Ausência em 100 mL
após a retrolavagem dos filtros
Ponto 8 – Mercado Municipal Ausente -
Ponto 9 – Escola Helvécio Dame Ausente -
Ponto 10 – Res.de Julieta Botelho Ausente -
Ponto 11 – Hospital N.S. Graças Ausente -
Ponto 12 – Igreja N.S. Fátima Ausente -
Ponto 13 – Hospital Bom Samaritano Ausente -

Conforme consta no Artigo 27 da Portaria No 2914/2011, é importante destacar


que, no controle da qualidade da água, quando forem detectadas amostras
com resultado positivo para coliformes totais, mesmo em ensaios presuntivos,
ações devem ser adotadas e novas amostras devem ser coletadas em dias
imediatamente sucessivos até que revelem resultados satisfatórios.

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Tabela 3: Turbidez na saída das ETAs e nos Pontos do Sistema de Distribuição

Ponto Turbidez (UNT) Padrão de Potabilidade


(UNT) – Portaria 2914/11
Ponto 1 – Saída da ETA – Central 8,10 5,0
Ponto 2 – Saída da ETA – Santa Rita < 0,50 5,0

Ponto 3 – Saída da ETA – Vila Isa 1,02 5,0

Ponto 4 – Policlínica Central 5,50 5,0

Ponto 5 – Edifício Pioneiro 4,67 5,0

Ponto 6 – Escola Pref. Ronaldo Perim 1,23 5,0

Ponto 7 – Saída da ETA – Central, 1,50 5,0


após a retrolavagem dos filtros
Ponto 8 – Mercado Municipal 3,80 5,0

Ponto 9 – Escola Helvécio Dame 2,54 5,0

Ponto 10 – Res.de Julieta Botelho <0,50 5,0

Ponto 11 – Hospital N.S. Graças 0,88 5,0

Ponto 12 – Igreja N.S. Fátima 1,47 5,0

Ponto 13 – Hospital Bom Samaritano 1,57 5,0

Conforme pode ser observado na Tabela 3, após o procedimento de


retrolavagem dos filtros, a concentração do parâmetro turbidez atendeu, na
saída da ETA – Central, ao padrão de potabilidade (ver resultado do Ponto 7,
apresentado na Tabela 3).

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4 CONCLUSÃO/RECOMENDAÇÕES

Com base nos resultados do monitoramento realizado pela CEAT-MA em


05/07/2016, verificou-se que a água distribuída pelo SAAE em Governador
Valadares não atende os padrões de potabilidade, tendo em vista que o
parâmetro organoléptico, alumínio, apresentou concentrações superiores aos
limites estabelecidos na Portaria MS No 2914/2011 na saída das ETAs
(Central, Vila Isa e Santa Rita) e em quase todos os pontos de amostragem (8
dos 10 pontos monitorados) na rede de distribuição.

Embora o padrão de potabilidade do alumínio (0,2 mg/L) tenha sido proposto


não por critérios relacionados à saúde, mas, principalmente, por que este metal
altera o aspecto e o gosto da água, atualmente, não há dúvida acerca dos seus
efeitos crônicos à saúde humana. Em um dos trabalhos científicos mais
completos sobre este tema (RONDEAU et al., 2008), foi constatado que, a
partir de valores superiores ou iguais a 0,1 mg/L de alumínio na água produzida
para abastecimento público, o risco de demência e declínio cognitivo aumenta.
Ademais, conforme apresentado no item 3.1 deste laudo, inúmeros estudos
demonstram que a presença do alumínio na água, em concentrações
superiores ao padrão de potabilidade, pode contribuir para o aparecimento de
algumas doenças no organismo humano, tais como a osteoporose e doenças
neurológicas e alterações neurocomportamentais, incluindo a encefalopatia,
esclerose lateral amiotrófica, doença de Parkinson, demência dialítica e Mal de
Alzheimer.

Dessa forma, a possível presença de concentrações residuais de alumínio na


água destinada ao abastecimento tem sido considerada, nos últimos anos, um
aspecto indesejado da utilização de coagulantes, à base de sais de alumínio,
no processo de tratamento. Este problema está relacionado não somente com
o tipo de coagulante, mas também com a composição da água bruta e
condições de funcionamento da estação de tratamento de água.

Nesse sentido, é conveniente destacar que, após o rompimento das barragens


da SAMARCO MINERAÇÃO S/A, foi verificado que os níveis de alumínio
estavam muito elevados na captação do Rio Doce, embora a sua concentração
em águas naturais seja normalmente pequena. Considerando que os rejeitos
das barragens apresentam em sua composição elevadas concentrações deste
metal, é bem possível que o alumínio tenha sido transportado ao longo do Rio
Doce, ocasionando alterações na composição química em diversos trechos
deste curso d’água, conforme a direção dos ventos, os índices pluviométricos e
a vazão do rio.

Além disso, foi constatado que o uso do polímero de acácia negra foi
interrompido e, portanto, apenas o sulfato de alumínio tem sido utilizado pelo
SAAE como coagulante.

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Em face das evidências científicas acerca dos efeitos crônicos à saúde humana
associados à exposição proveniente da ingestão de água, contendo o alumínio
em concentrações superiores ao padrão de potabilidade, é imprescindível que
o SAAE adote as medidas necessárias para a adequação deste parâmetro,
tanto na saída das ETAs quanto na rede de distribuição.

Ressalta-se que a presença de alumínio na água tratada, em concentrações


superiores aos limites estabelecidos na legislação vigente, é frequentemente
atribuída a problemas na ETA, tais como deficiências existentes nos processos
e operações e/ou na manutenção, bem como procedimentos de controle e
gestão desajustados (NIQUETTE et al., 2004).

Entretanto, existem diversas opções para a redução das concentrações


residuais de alumínio, após o tratamento convencional. Entre elas recomenda-
se: utilizar o pH ótimo no processo de coagulação, evitar a superdosagem do
coagulante, otimizar a velocidade das pás na floculação, aumentar a eficiência
da etapa de filtração. Também pode ser avaliada a possibilidade da utilização
de coagulantes alternativos, desde que esta decisão esteja embasada em
estudos rigorosos de segurança e eficácia.

Sugere-se também que sejam monitorados, semanalmente, os parâmetros


alumínio, manganês, ferro, cor aparente, turbidez, pH, sólidos dissolvidos
totais, Escherichia coli, coliformes totais e cloro residual livre, na saída das
ETAs de Governador Valadares (ETA – Central, ETA – Vila Isa, ETA – Santa
Rita, ETA – Recanto dos Sonhos e ETA – São Vitor), bem como em pontos
estratégicos de toda a rede de distribuição do município. Cabe salientar que o
monitoramento deverá ser realizado por laboratório acreditado pelo Instituto
Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – INMETRO ou homologado
pela Rede Metrológica de Minas Gerais.

Finalmente, é necessário destacar que o presente trabalho foi realizado para


atender um pedido emergencial da Promotoria de Justiça da Comarca de
Governador Valadares, tendo em vista as variações de turbidez na água bruta
(Rio Doce) nos últimos meses, a possibilidade de ocorrência de fortes chuvas e
a notícia de continuidade da disposição de sedimentos oriundos da SAMARCO
na calha do Rio Doce. No entanto, a vigilância da qualidade da água requer
monitoramento constante, conforme previsto na Portaria No 2914/2011 do
Ministério da Saúde.

Portanto, sugere-se também que seja solicitado à Secretaria Estadual de


Saúde – SES uma inspeção sanitária em todas as ETAs do município de
Governador Valadares, uma vez que, conforme consta no item 3.2 deste laudo,
foi detectada a presença de coliformes totais na saída da ETA – Vila Isa (Ponto
3).

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Ademais, cabe às gerências regionais de saúde e secretaria estadual de saúde


fiscalizar o atendimento à Portaria de todos os procedimentos adotados pelo
SAAE, realizando, inclusive, em laboratórios de referência, amostragens e
análises adicionais, para posterior comparação.

Colocamo-nos à disposição para os esclarecimentos que se fizerem


necessários

Belo Horizonte, 26 de julho de 2016.

Paula Santana Diniz


Analista do Ministério Público – MAMP 2657
Eng. Química – CRQ 02301240
MSc. Eng. Nuclear/UFMG

REFERÊNCIAS

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2011. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Poder Executivo,
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