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Uma breve história do Jornalismo

FONTE: Kunczik, Machael - Conceitos de


Jornalismo. São Paulo Ed USP, 1997

Pontos:

• Origem da profissão de jornalista;


• Característica dos primeiros jornais;
• Comparação em relação aos jornais modernos;
• Cronograma e Histórico;
• Censura.

Tópicos importantes:

• Os antepassados dos jornalistas: bardos viajantes, que frequentavam feiras e


mercados e cortes aristocráticas e os mensageiros.

• Tipo de atividades: produziam ou levavam as correspondências dos príncipes


governantes, das cortes, das cidades-Wstado ou das grandes casas senhoriais.

• Os primeiros jornais: os primeiros folhetins informativos eram escritos à mão;


na Veneza do século XVI (1500), os scrittori d’ avvisi reuniam informações,
copiavam-nas e vendiam-nas. Na Alemanha, o Notícia de Nuremberg, era outro
exemplo de folhetim escrito à mão.

• Ainda não existiam as quatro características dos jornais modernos:

1) 1) Publicidade
2) 2) Atualidade (informação que relacione com o presente ou
o influencie)
3) 3) Universalidade (sem excluir nenhum tema)
4) 4) Periodicidade (distribuição regular).

Datas importantes:

• Os primeiros jornais impressos com periodicidade regular: apareceram só no


século XVII (1600), - 150 anos depois da invencao da imprensa por Johannes
Gutenberg em 1450:

- - na Alemanha em 1609;
- - na Holanda em 1618;
- - França em 1620;
- - Inglaterra em 1620;
- Itália em 1636.
- Portugal a primeira publicação conhecida data de 1641, Gazeta da
Restauração
-
As Gazetas da Restauração tinham, no entanto, uma difusão muito restrita devido ao
seu elevado preço (tal como nos restantes países Europeus) e ao baixíssimo nível
cultural da população, estava também submetida a regras de censura prévia
estabelecida por D. João IV – o responsável pela revolta contra Castela e iniciador do
processo de restauração da independência de Portugal, proclamando-se rei em 1640.

Evolução do Analfabetismo em Portugal

- O primeiro jornal diário publicado foi Einkommende Zeitug, em 1650 na


Alemanha.

• Estima-se que os jornais do Século XVII tinham uma tiragem entre os 100 e os
200 exemplares.

Profissão jornalista:

• Profissão: Só no século XIX o jornalismo chegou a ser uma profissão em tempo


integral, onde se podia viver economicamente na Europa e nos EUA.

• Nomes como Karl Marx e Engls ajudaram a criar o prestígio que até hoje o
jornalista dispõe, como uma vocação política e de eruditas. Até na Alemanha de
1880, utilizava-se os termos redator jornalístico e doutor com o mesmo sentido.

Censura:

• A história da imprensa sempre foi marcada por uma luta pela liberdade na
Europa e nos EUA.

• Motivos: devido à publicação de folhetos anticlericais e de outros materiais


críticos, a censura contra a imprensa começou logo depois de Gutenberg ter
inventado a imprensa.
• Início: Já em 1482, a igreja católica emitiu os primeiros editais de censura. Em
1487, o papa decretou que ninguém poderia publicar nada sem a censura da
Cúria romana.

• Legitimidade: basicamente a legitimidade da censura não foi desafiada até o


século XVIII (Revolução Francesa).

• Protestantes: Mesmo nos domínios dos reformistas (protestantes), a censura


também foi imposta. Na Alemanha, a censura veio em forma de proibição de
notícias políticas ou uma grande restrição à sua circulação.

• Luta pela liberdade de imprensa: A luta pela liberdade de imprensa em relação à


influência do Estado começou na Inglaterra, onde em 1649, o Partido Leveller
defendeu, no parlamento, um projeto de lei onde exigia o direito à liberdade de
imprensa. A partir de 1688, o parlamento inglês foi a autoridade suprema no
controle da imprensa, mas a censura não deixou de existir.

• As declarações americana (1776) e francesa (1789) dos direitos humanos


afirmam a liberdade de imprensa, acrescentada em 1791, como a primeira
emenda à Constituição americana.

• Na Alemanha, a liberdade de imprensa só veio mais tarde: só no goveno


republicano liderado por Weimer (1919 – 1933) a liberdade de expressar
opiniões se converteu num direito constitucional.

• Em portugal a verdadeira liberdade de imprensa so surgiu depois do 25 de abril,


com a queda da ditadura. Constituição Portuguesa de 1976 voltou a consagrar a
liberdade de expressão e informação (artigo 37.º) e a liberdade de imprensa
(artigo 38.º). Revisões posteriores alargaram a liberdade de expressão para todos
os meios de comunicação social.

• Formas mais comuns de controle da imprensa até hoje:

- - Controles Legais (censura oficial, confisco, desacato, correção,


suspensão, retratações obrigtórias, etc, sem incluir leis contra
difamação);
- - Controles extralegais (ameaças, violência, prisão, confisco, etc);
- - Leis contra difamação;
- - Auto-regulamentação organizada (conselhos de redação, tribunais de
honra, influencia economica e politica).

• É preciso entender que muito do que se chama liberdade de imprensa vem de um


conceito burguês, originário da formação da esfera pública burguesa, criada para
que esse segmento social pudesse ocupar o espaço político que lhe era negado
pela aristocracia decadente nos séculos XVIII e XIX. Segundo Lênin “A
burguesia entende a liberdade de imprensa como a liberdade dos ricos de
publicarem jornais.

A Indústria e a Democratização da Imprensa


FONTE: Alberto, Terrou - História da
Imprensa.; tradução de Edison Darci
Heldt. São Paulo: Martins Fontes, 1990

Pontos:

• Evolução da imprensa no século XIX (1800);


• A imprensa francesa inicia a propaganda;
• A imprensa inglesa e o jornal popular;
• A imprensa americana e o nascimento do jornalismo moderno;
• A imprensa alemã.

Tópicos importantes:

• Os dois primeiros terços do século XIX: esse foi um período em que a imprensa
fez progressos consideráveis. Os jornais se multiplicaram e diversificaram em
numerosas categorias. As tiragens também aumentaram.

• As causas fundamentais: os fatores fundamentais desse desenvolvimento foram,


basicamente, quatro.

1) 1) Políticos e sociais: em todos os países os governos tentaram, em vão, conter


o desenvolvimento da imprensa porque ela dificultava o exercício do poder. A
eficácia do controle e da repressão foi sempre temporária. A evolução política
geral aumentava o interesse pela política nas camadas sociais, ampliando o
público potencial da imprensa; a urbanização foi outro fator de seu
desenvolvimento.

2) 2) Os fatores econômicos: a industrialização dos métodos de fabricação e a


ampliação dos mercadores permitiram estender o jornal a novas camadas
sociais; primeiramente da pequena burguesia e depois ao povo das cidades.

3) 3) Fatores técnicos: O progresso técnico ajudou muito a desenvolver a


imprensa. Técnicas de fabricação do papel e da tinta (papel madeira pelo papel
retalho), a forma de composição (composição a mão pela estereotipia), a
impressão (a prensa de Gutenberg para as máquinas de impressão cilíndricas), a
reprodução de ilustrações (gravura em madeira por utilização de madeira de
fio), evolução dos transportes (aceleração dos correios, as estradas de ferro) e
evolução das técnicas de informação (pombos correios e postilhões por telégrafo
óptico, telégrafo elétrico).

4) 4) O nascimento das agências de notícias: com o desenvolvimento dos


jornais, o mercado de notícia conheceu um progresso das notícias e suscitou a
criação das agências especializadas. O telégrafo elétrico foi o instrumento de sua
promoção em meados do século XIX. A Agência Havas, fundada em agosto de
1832 por Charles-Auguste, foi a primeira. Ela dirigia as noticias aos jornais sob
forma de folhas autografas e coletadas graças a uma rede de correspondentes na
França e no exterior. A Agência Wolff foi criada em Berlim, em 1849, por
Bernard Wolff, ex-empregado da Havas. A Agência Reuter foi fundada em
Londres em outubro de 1851. Em 1848 seis diários de Nova York se reúnem
para proceder a coleta de informações vindas da Europa e fundam a Associated
Press. As agências logo compreenderam que era inútil a concorrência entre elas
e fizeram um acordo de troca de informações, esboçando a “primeira divisão do
mundo”, em que cada uma detinha um domínio geográfico.

• França: na França, de 1803 a 1870, as tiragens da imprensa cotidiana de Paris


passou de 36 mil para 1 milhão de exemplares. Multiplicando por trinta as
tiragens e produzindo uma expressiva expansão. Na restauração da monarquia o
problema da liberdade de imprensa permanece. De 1815 a 1848 foram
promulgadas 18 leis ou decretos gerais relativos à imprensa, demonstrando que
o tema encontrava-se no cerne da vida política. A primeira tentativa da França
em estabelecer um código para o regime de imprensa data de 1814 (autorização
prévia, delitos múltiplos julgados por tribunais correcionais, censura
episodicamente aplicada, caução e selo).

• Imprensa provinciana: nas pequenas cidades francesas existiam basicamente as


folhas apolíticas, de propriedade de um impressor, para quem representava uma
atividade secundária. Elas proliferaram durante a segunda república e
desapareceram rapidamente depois de 1848 e dezembro de 1852. Já no início do
segundo império, era comum opor-se duas ou três folhas cuja concorrência era
arbitrada pelo prefeito em favor do que melhor lhe conviesse.

• Imprensa inglesa: as taxas sobre o saber fizeram dos jornais ingleses de um dos
mais caros do mundo por volta de 1791 e 1850. Mesmo assim, e eles eram muito
lidos e influentes, devido à qualidade de suas informações. A supressão da taxa
permitiu multiplicar de imediato o público dos jornais, graças ao novo preço de
venda (1 pêni).

• Imprensa americana: em 1970 os EUA contavam com apenas 4 milhões de


habitantes e as folhas tinham tiragem muito pequena. Quase sempre copiavam
fórmulas inglesas, tinham estilo direto e violento, abusando das polêmicas
pessoais. Foi nessa época que nasceram os grandes jornais que souberam
ampliar sue público baixando o preço de venda a 2 cents. Em 1850, cerca de 240
diários tinham uma tiragem conjunta de 750 mil exemplares.

• Imprensa alemã: a influência revolucionária napoleônica sobre a imprensa


alemã foi considerável. Nas zonas anexadas ou nos reinos vassalos, os governos
tentaram fazer com que os jornais tivessem um papel de propaganda: os jornais
se viram subjugados em ambos os lados.

• Público amplo: a imprensa alemã começou a renovar por volta de 1842, com
tentativas liberais. A tentativa durou pouco, mas os jornais encontraram um
público amplo e conservador. Nessa época, se não houve uma verdadeira
liberdade de expressão, foi possível ao menos o direito de falar de política em
um tom mais livre. Em 1870 a imprensa alemã não havia se diversificado e
possuía jornais de qualidade, mas permaneciam geograficamente muito dispersa.

Novidades importantes:

• Propaganda: a propaganda começa a ganhar espaço no século XIX. Na França,


a propaganda através de brochuras e panfletos foi muito ativa. Há o surgimento
também da imprensa não política. Jornais como o Le Corsaire esbanjavam
espírito e marcavam o início de uma série de títulos consagrados à exploração da
vida parisiense, com seus escândalos e modas.

• Novidades: as grandes revistas de qualidade foram a grandes novidades desse


período. A idéia de baixar o preço de venda dos jornais graças aos recursos
publicitários também. Em 1o de Junho de 1836 são lançados dois jornais cuja
assinatura foi fixadas em 40 f, isso quando a assinatura anual de um jornal
chegava a custar 80 f, mais que um salário médio de um operário francês.

• Imprensa dominical: desde o final do século XVIII na Inglaterra desenvolve-se à


margem da imprensa cotidiana, uma imprensa dominical muito importante:
ilustrada, na qual a política era abandonada em proveito do noticiário criminal e
da literatura popular. Nasceram também os magazines ilustrados.

• Aqui se formata o modelo da imprensa como a vemos hoje.

1) Periodicidade (distribuição regular)


2) 2) Atualidade (informação que relacione com o presente ou
o influencie)
3) 3) Universalidade (sem excluir nenhum tema)
4) Publicidade (anúncio)

A Mídia e o Desenvolvimento das Sociedades


Modernas

FONTE: Thompson, John B.


- A mídia e a Modernidade:
uma teoria social da mídia;
tradução Wagner de Oliveira
Brandão - Petrópolis: Editora
Vozes , 2002

Pontos:

• Sociedades modernas;
• Esfera pública
• Indústria da mídia
Sociedades Modernas:

• Transformações que a tornaram possível: algumas das características


específicas do mundo moderno são o resultado de um conjunto de
transformações institucionais fundamentais que tiveram início nas Europa no
último período da Idade Média e os primórdios da era moderna:
1) 1) mudanças econômicas que fizeram com que o feudalismo
europeu fosse se transformando gradualmente num sistema
capitalista de produção e de intercâmbio,
2) 2) desenvolvimento de sociedades modernas, num processo
de mudança política pelas quais as numerosas unidades
políticas da Europa Medieval foram sendo reduzidas em
número e reagrupadas num sistema de estados-nações, cada
um reclamando soberania sobre um território claramente
delimitado e possuindo um sistema de administração e de
tributação.
3) 3) Concentração do poder militar nas mãos de estados-
nações que reivindicaram para si o monopólio do uso legítimo
da força e da violência em um determinado território.
4) 4) Essas transformações não dizem respeito ao processo
cultural. Segundo o autor, não aprece que o desenvolvimento
das sociedades modernas tenha implicado um processo de
transformação cultural distinto.

Esfera pública:

• Surgimento: ao explicar a emergência da esfera pública burguesa, Habermas


atribuiu particular importância ao surgimento da imprensa periódica. Em sua
argumentação, ele mostra que a discussão crítica estimulada pela imprensa
periódica teve um impacto transformador sobre as formas institucionais dos
estados modernos. “ Ao ser chamado diante de um fórum público, o Poder
Politico tornou-se cada vez mais exposto ao escrutínio, finalmente abandonando
o direito de evitar a publicação de seus procedimentos. O Parlamento se tornou
mais aberto à imprensa e começou a desempenhar um papel mais construtivo na
formação e na articulação da opinião pública”.
• Cabe lembrar que a esfera pública foi geralmente entendida como o domínio da
razão e da universalidade, cuja participação era reservada somente para os
homens.
• A comercialização da mídia altera o seu caráter profundamente: o que antes era
um fórum exemplar de debate crítico-racional torna-se apenas mais um domínio
do consumo cultural, e a esfera pública burguesa esvazia-se num mundo fictício
de imagens e opiniões. A vida pública assume caráter quase feudal.
• Ao longo do século XX, especialmente desde o advento da televisão, a
orientação da política tornou-se inseparável dos meios de comunicacao (ou
daquilo que será chamado de administração da visibilidade).

Indústria da mídia:
• Tendências desde o início do século XIX:

1) 1) a transformação das instituições da mídia em interesses


comerciais de grande escala: a comercialização de formas simbólicas
se deu em parte às inovações técnicas na indústria impressa, e parte à
transformação gradual da base de financiamento das indústrias da
mídia e seus métodos de valorização econômicas. Com o aumento do
número de leitores, a propaganda comercial adquiriu um importante
papel na organização financeira da indústria.

2) 2) a globalização da comunicação: um processo cujas origens


remontam aos meados do século XIX. O desenvolvimento das novas
agências internacionais, sediadas principalmente na Europa e, depois,
nos EUA, estabelece um sistema global de processamento de
comunicação e informação que se ramificou e se complexificou cada
vez mais.

3) 3) o desenvolvimento das formas de comunicação eletronicamente


mediadas: a partir do surgimento da eletricidade, no século XIX, teve
início inovações tecnológicas no setor de comunicação. O telégrafo
eletromagnético foi o primeiro, a partir de 1830, a partir daí o
telefone, o fax a internet, etc. O desenvolvimento e a exploração
destas várias tecnologias se interligaram de formas complexas com o
poder econômico, político e coercitivo.