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BASE AÉREA DOS AFONSOS

PROGRAMA COLIBRI
História.

Aula 7, Sedições e inconfidências, movimentos nativistas e Vida


cultural na colônia.
 Aclamação de Amador Bueno da
“... a terra parece que evapora tumultos; a água
Ribeira, em São Paulo 1641 (é tida
exala motins; o ouro toca desaforos; destilam
como a primeira manifestação de
liberdades os ares; vomitam insolências as
caráter nativista). Com o fim da União
nuvens; influem desordem os astros; o clima é
Ibérica, os espanhóis com medo de
tumba da paz e berço da rebelião; a natureza
perder suas terras e privilégios se
anda inquieta consigo, e amotinada lá por
revoltaram contra D. João IV e
dentro, é como no inferno...”. (Governo a D.
aclamaram o Armador Bueno de Ribeira
Lourenço de Almeida -1720-.).
como rei.
Este trecho mostra o temor das autoridades no
 Revolta da Cachaça (1660-1661)
Brasil colônia no século XVIII.
aconteceu no Rio de Janeiro, motivado
Mas, esse medo tem inicio, com o fim da União
pelo aumento de impostos sobre a
Ibérica (1640). Pois no processo colonizador
cachaça.
português, à medida que se desenvolveu,
 Revolta contra o Xumbergas ou
evidenciou a contradição entre interesses
Conjuração de Nosso Pai (1666), em
metropolitanos e coloniais. A coroa, setores
Pernambuco, um conjunto de revoltas
metropolitanos e seus representantes no Brasil
contra a relação metrópole e colônia, em
visavam explorar ao máximo as riquezas
relação à administração colonial
naturais ou produzidas (açúcar e ouro) em
portuguesa no Brasil. – legado do
terras brasileiras.
período holandês -.
Esses objetivos acabavam se chocando com os
 Revolta de Beckman (1684), ocorrido
interesses dos colonos, portugueses ou seus
no Maranhão por insatisfação dos
descendentes, que também queriam aproveitar
comerciantes e proprietários rurais com
dessas riquezas. Desta forma, revoltando-se:
a Companhia de Comercio do

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Maranhão, instituída pela coroa em As revoltas emancipacionistas (separatistas)
1682. foram movimentos sociais ocorridos no Brasil
Colonial, caracterizados pelo forte anseio de
Esta serie de revoltas exemplifica a tentativa da
conquistar a independência do Brasil com
coroa lusitana de reestruturação financeira após
relação a Portugal. Estes movimentos possuíam
o rompimento das duas coroas. Sendo essenciais
certa organização política e militar, além de
para a modificação profunda do modo de vida
contar com forte sentimento contrário à
dos habitantes locais, criando dessa maneira
dominação colonial. Assim, são enumerados os
novas relações econômicas e sociais, e
motivos:
construindo os primeiros atos de uma identidade
 Cobrança elevada de impostos.
civil puramente nacional. Ficando mais evidente
 Pacto Colonial.
no período do ciclo do ouro:
 Privilégios.
 A Guerra dos Emboabas (1707-1709),
 Leis injustas.
em Minas Gerais, culminou na criação
 Falta de autonomia política e jurídica.
da Capitania de São Paulo em 1708.
 Punições violentas.
 Gue rra dos Mascates (1710-1711), em
 Influência de ideais.
Pernambuco, que foi fundamental na
separação de Recife e Olinda em 1710. – E ao final do século XVIII, temos as
contemporâneo a Revolta do sal em “conjurações” baseadas, em ideais Iluministas
1710, ocorrido em São Paulo e Minas inspirados na Independência das 13 Colônias
Gerais, contra a exploração de sal Norte Americanas (1776) e Revolução
promovido pela coroa e a Revolta do Francesa (1789).
Maneta, Salvador em 1711, mesmo  Inconfidência Mineira ou Conjuração
motivo aumento de impostos. Mineira (1789) seu principal objetivo era
 Revolta Filipe dos Santos ou Vila Rica libertar o Brasil do domínio português. –
(1720) ocorreu na região de Minas seu le ma era “Liberdade, ainda que
Gerais durante o ciclo do ouro, contra tardia.”.
aumento de impostos sobre o produto  Conjuração do Rio de Janeiro ou
(ouro). Carioca (1794), decorrente da
 Levante do Terço Velho (1728), em Revolução Francesa com características
Salvador de cunho militar seiscentos profundamente ideológicas. – não havia
militares rebelou-se contra os baixos planejamento da tomada de poder. -.
soldos pagos e irregularidades do  Conjuração Baiana ou Revolta dos
ouvidor- mor. Alfaiates (1798) de caráter popular,
recebendo influência iluminista,
defendeu mudanças sociais e políticas. –  A língua – do lado indígena, o Tupi
forte influência da Revolução do Haiti prevalecia por quase todo o litoral, e no
em 1791, era favorável a abolição da interior falavam outras línguas e
escravidão e o fim de privilégios sociais. dialetos (sec. XVI), os africanos
-. também apresentavam diferenças
 Cons piração dos Suassunas (1801), em linguísticas. Os portugueses, neste
Pernambuco, inspirados na Guerra das período haviam consolidado a língua no
Treze Colônias da América do Norte, a eixo Coimbra-Lisboa (fala do sul),
motivação foi a diminuição da violência sendo fixados os padrões da língua culta
e repressão colonial, estimulado pela com expressões literárias de obras como:
elite pernambucana. – “bater em Fernão Lopes no sec. XV e Luíz de
cachorro morto”. – Camões na época do “descobrimento”

Os movimentos emancipacionistas (separatistas) (conquista).

ou rebeliões coloniais foram movimentos A língua culta no Brasil se aperfeiçoou

conspiratorios de bases iluministas, que e produziu no período colonial, obras

objetivavam a conquista e indepedencia da como: Padre Antonio Vieira, Eusébio de


Matos, Manuel Botelho de Oliveira e
colonia cuja, objetivo era separação politica
diferente dos Movimentos Nativistas que Nuno Marques Pereira (livro mais

tinham um caráter local e um baixo grau de vendido da colônia), logo este padrão

definição ideológica. catedrático vem se misturando com


línguas e dialetos indígenas e africanos
em diferentes regiões, gerando falares
“crioulos” para se tornar o que nós
Vida cultural na colônia.
conhecemos como o “caipira e
No inicio da colonização as formas culturais nordestino”, sendo sua gênese,
nativas das várias comunidades indígenas, e as demonstrado nas áreas canavieiras de
transplantadas dos africanos e portugueses ainda Pernambuco e Bahia, com uma língua
guardavam seus vínculos originais. Mas, no diferente os colonos(nativos) falavam
decorrer do processo colonizador, a cultura um dialeto português/tupi, amplamente
brasileira tomou forma, com a interação e difundido nos séculos XVI e XVII – o
dominação, os lusitanos, através de clérigos e bandeirante Domingos Jorge
funcionários leigos vem impondo, eliminando Velho, apresentando-se ao
ou incorporando alguns de seus traços culturais: governador da Bahia para tratar
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do combate à Palmares, teve de vida colonial, influencia religiosa e
entender com a autoridade por assistência espiritual aos colonos.
meio de um interprete, por não Poemas, narrativas, gramáticas e
dominar o português. – catecismo obedeceram está ordem.
Esse bilinguismo só tem fim, através de  Arte – as construções mais importantes
determinação de Marques do Pombal, eram as capelas algumas igrejas e
impondo o português em toda a colônia. colégios da companhia de Jesus, o
 Condicionamento da cultura Quinhentismo – engloba manifestações

colonial – existiam dois referenciais: como: literatura, pintura, arquitetura e


musica. De aspectos relevantes de
político e religioso. O primeiro era o
atitudes tipicamente renascentistas,
absolutismo a obediência a Deus e ao
como a valorização do humanismo,
rei “com Deus e rei não brincar / é
cultura antiga e individualismo. – os
calar e obedecer.”.
poemas e peças teatrais eram utilizados
Já o religioso foram normas fixadas
com fins apologéticos e didáticos para
pelo Concilio de Trento, estabelecendo
educação e a catequese -.
o primado do sagrado sobre o leigo
“proibimos sob pena de  Arquitetura – era adaptada aos
materiais da terra e às necessidades de
excomunhão (...) que nenhuma
defesa dos moradores.
pessoa secular – ainda que seja
douta e de letras – se intrometa a Assim, a cultura colonial em seu conjunto teve
disputar em publico ou particular duas fases. A primeira dominada pelo espírito
sobre os mistérios de nossa classista, jesuítico e escolástico transplantado
Santa Fé e Religião Cristã.”, para o Brasil a parti do modelo Ibérico nos
juntamente com um saber literário séculos XVI – XVII.
controlado nas suas manifestações E a parti do sec. XVIII, na sua segunda metade
filosóficas, teológicas e estéticas desde acontece transformações culturais e políticas do
o sec. XVI por um tríplice censura: despotismo esclarecido pombalino.
Eclesiástica – exercida pelo bispo. Portanto, ao longo dos séculos XVII e XVIII, no
Inquisitorial – controlada pelos desenvolvimento econômico colonial deu-se a
dominicanos. consolidação dos núcleos urbanos,
Régia – oficial, influencia dos jesuítas. intensificando a miscigenação étnica e formas
 Lite ratura – as manifestações literárias culturais, surgindo manifestações intelectuais e
no sec. XVI foram limitadas pela estéticas mais expressivas e refinadas como: o
escassez de recursos, dificuldade na
barroco (Aleijadinho), cultismo (Luis Góngora)
e conceptismo (Gregório de Matos Guerra).

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