Você está na página 1de 74

Ciência e Pesquisa

CIÊNCIA E PESQUISA

Material elaborado por Luís Paulo Neves


Adaptado por Ana Cristina das Neves
2014

2
É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Ciência e
Pesquisa, parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado
dinâmico e autônomo que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é
propiciar aos(às) alunos(as) uma apresentação do conteúdo básico da disciplina.

A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de
recursos multidisciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail.

Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual:
www.unisa.br, a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem
acervo digital e impresso, bem como acesso a redes de informação e documentação.

Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são
o suplemento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso,
concorrendo para uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida
profissional e pessoal.

A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar!

Unisa Digital

3
1. Introdução......................................................................................................................... 5
2. Ciência............................................................ .................................................................. 7
2.1. O Conhecimento Científico ....................................................................................... 10
3. Pesquisa .......................................................................................................................... 12
3.1 Classificação da Pesquisa ......................................................................................... 14
3.2 Fases da Pesquisa ...................................................................................................... 15
3.3 Coleta de Dados ........................................................................................................ 15
4. Metodologia Científica ................................................................................................... 17
5. Anteprojeto e Projeto de Pesquisa ................................................................................ 22
6. Trabalhos Monográficos ................................................................................................ 28
7. Elementos de Apoio ao Texto ........................................................................................ 54
7.1 Normas para Referências Bibliográficas .................................................................. 57

4
Este material pretende oferecer-lhe subsídios para compreensão da Ciência, da
Pesquisa, do Conhecimento e para os diversos aspectos e elementos característicos do trabalho
acadêmico e científico. Contém conteúdos referentes a conceitos da Ciência, tipos de Pesquisas e
Conhecimentos, além de possibilitar fundamentação e aplicação da Metodologia Científica, como a
normalização e padronização para referência e apresentação dos trabalhos acadêmicos.
Como se trata de uma disciplina abordada a Distância, o critério para seleção e
apresentação dos conteúdos foi o de possibilitar ao aluno a consulta, a pesquisa e o
aprofundamento de forma independente. Nesse sentido, buscou-se uma linguagem adequada e
uma estrutura que facilitasse o uso e a assimilação desses conteúdos. Ao final, é oferecida ao aluno
a relação da referência consultada e outras que podem ajudá-lo a aprofundar os conteúdos aqui
apresentados.
Esta é uma disciplina que tem por objetivo oferecer instrumentos para o entendimento
da Ciência, da Pesquisa e do Conhecimento, como fatores indissociáveis da vida acadêmica e
profissional de qualquer área, bem como o de possibilitar ao estudante o desenvolvimento do
trabalho de estudo e pesquisa. Nesse sentido, é de fundamental importância, pois é através dessas
ferramentas que podemos empenhar-nos na construção do conhecimento e na sua divulgação e
partilha para os demais interessados.
Para que haja compreensão, abordaremos cada assunto em um capítulo, procurando
definir, demonstrar e analisar cada processo do Conhecimento, da Ciência e da Pesquisa Científica.
Também promoveremos uma análise do Anteprojeto e do Projeto de Pesquisa; da Produção do
Trabalho Monográfico; e de Elementos que estruturam os trabalhos científicos. Posteriormente,
discutiremos os elementos de apoio ao texto e as normas para Referências Bibliográficas.
Finalizamos a introdução deste material, desejando bom trabalho, empenho e muito
estudo, afinal, de um bom profissional, espera-se que tenha bom domínio das suas ferramentas de
trabalho. É o propósito deste manual.
Será um prazer acompanhá-lo ao longo desse caminho.

5
Ciência

Quando se fala em Ciência, a sua mente imagina laboratórios, microscópios, misturas de


elementos químicos? Ou pensa, imediatamente, na área médica, botânica, ou quem sabe no CSI?
Caso seja sim sua resposta há uma destas perguntas, não se preocupe: você não é o único
(a) e, também, não está errado (a), afinal, ela trata de todos estes temas sugeridos, mas é
importante compreendermos que vai muito além e a compreensão desta palavra fará com que
você consiga visualizar, de maneira mais clara, a sua aplicabilidade.

Imagens: http://pixabay.com/pt/experi%C3%AAncia-qu%C3%ADmica-l%C3%ADquido-220023/ pessoas-cientista-


microscópio-219985/ tubos-de-ensaio-laboratório-vidro-156485/ Acesso: 31/08/2014

Ciência vem do latim scientia e é traduzida como "conhecimento". Pode ser definida como
o sistema de adquirir conhecimento baseado no método científico; ou ainda, o conjunto
organizado de conhecimentos relativos à determinada área do saber. Por este motivo você terá
neste capítulo o aprendizado sobre Ciência, Conhecimento e Conhecimento Científico.
É importante que saiba: tudo o que se conhece hoje com o trabalho das diferentes ciências
é fruto dos esforços de vários pensadores ao longo da história da humanidade. Se lançar um olhar
para o passado, verá que, na Antiguidade, os seres humanos eram marcados pelas diferentes
experiências religiosas. Não que isso não ocorra agora, mas era uma experiência que extrapolava o
âmbito das necessidades subjetivas, determinando as formas de relação e organização social. Isso
ainda acontece hoje, mas de um modo menos marcante, dada a pluralidade cultural em que
vivemos.

6
Num primeiro momento, esta mudança foi buscando conciliar conhecimentos racionais e
aqueles oriundos de suas crenças religiosas e, depois, pautando-se cada vez mais pelas respostas
que conseguia obter apenas pelo uso de suas faculdades racionais. Mesmo assim, as primeiras
respostas que conseguiu elaborar eram ainda muito pautadas pelas questões de origem religiosa.
Só depois foi focando-se em questões e problemas que traziam a característica de serem
investigados empiricamente.
Dessa forma, se, no início, buscava-se a essência do ser humano, depois essa questão
passou a ser vista como metafísica, ou seja, especulações que não encontram seu fundamento na
experiência sensível, no que nossos órgãos dos sentidos podem comprovar empiricamente. Esse é
o paradigma que ainda hoje fundamenta a prática científica.

Imagem: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b3/Auguste_Comte.jpg?uselang=pt-br Acesso:


23/08/14

7
Para fundamentar seu pensamento, Comte (MORA, 2000, p. 609) propõe que se pode
entender a história da humanidade como dividida em três estágios ou estados: o estado religioso,
o metafísico e o positivo. Comte os compara às fases pelas quais passa o ser humano. Na primeira
fase da nossa vida, somos marcados pela religião, acreditamos em Deus e pautamos nossa
conduta por aquilo que nos ensina a doutrina religiosa. Na adolescência e juventude, passamos a
acreditar em formas ocultas e/ou de energias, essências do mundo e forças metafísicas que
interfeririam na realidade das coisas. Por fim, na idade adulta, passamos a crer apenas naquilo que
vemos e tocamos e já não estamos tão dispostos a prestar nossa adesão a qualquer doutrina que
se coloque como verdadeira; precisamos avaliar sua relevância.
Da mesma forma, a humanidade passou também por essas três fases. No estado religioso,
predominaram instituições e formas de organização e explicação religiosas. Em seguida, a
humanidade passou para o estado metafísico, em que as explicações religiosas foram substituídas
por explicações racionais, que se propunham buscar a essência das coisas, baseando-se em forças
e/ou elementos invisíveis que responderiam pela ordem de tudo que existe. Por fim, a
humanidade teria atingido um estado maior de maturidade e entrado na fase do estado positivo.
Positivo pode ser entendido como o que não admite dúvidas, o que se baseia em fatos e na
experiência, algo afirmativo, decisivo, certo, real. Com isso, a humanidade teria atingido o ponto
mais alto de sua capacidade de conhecer, por ter chegado ao desenvolvimento do conhecimento
científico que o século XIX conheceu. Todas as outras especulações religiosas e filosóficas, Comte
as viu como um estágio anterior de desenvolvimento, uma fase necessária para que a humanidade
pudesse crescer na sua busca por conhecimento.

Concordando ou não com Comte, essa visão predominou na história do conhecimento e


deu origem à distinção entre ciências humanas e ciências naturais, sendo estas dotadas de maior
objetividade e validade. Isso já foi bastante questionado e discutido, mas sua influência, às vezes,
ainda se faz notar. No caso do Brasil, apenas por curiosidade, a influência do positivismo de Comte
foi tão grande no final do século XIX, cujos adeptos participaram intensamente da Proclamação da
República, que o lema positivista foi estampado na bandeira brasileira: Ordem e Progresso.

8
Algo fundamental na Ciência é a Pesquisa. Algo que costuma passar despercebido é que
atribuímos demasiada confiança ao que as ciências são capazes de nos ensinar, a tal ponto que
extrapolamos o que os métodos científicos podem nos oferecer quanto a certezas e garantias.
Mas, como assim? Não há garantias ou confiabilidade no que o conhecimento científico
pode produzir? Bem, a questão é mais complexa. O que acontece é que se atribui à Ciência algo
que não lhe cabe. O melhor é entender um pouco mais a respeito do Conhecimento Científico.

2.1 O Conhecimento Científico

A palavra ‘conhecimento’ é bastante conhecida, mas, como outras palavras familiares,


nem sempre temos dela uma noção mais apropriada, não é mesmo? Tentemos, então, aprofundá-
la.
Como os demais animais, o ser humano sabe coisas. Ao longo de sua experiência de
vida, vai adquirindo uma série de saberes que utiliza em seu dia a dia, com o intuito de garantir
sua sobrevivência e resolver as pequenas tarefas necessárias para o seu viver.
Todo ser humano tem, então, saberes, fruto da sua capacidade para conhecer. Um
lavrador adquiriu conhecimentos que o capacitam a cultivar a terra. Da mesma forma, uma mãe
aprendeu como cuidar de uma criança, de maneira a garantir-lhe o crescimento.

Percebe-se, então, que conhecimento está estreitamente relacionado com a vida, com
a garantia das condições para a existência, seja nos seus aspectos materiais, seja em outras
questões que dizem respeito ao bem-estar. Por exemplo, também se aprende com a experiência a
se relacionar com os demais, qualquer que seja o nível do relacionamento. Logo, podemos afirmar
que o conhecimento se dá quando vamos além das experiências vividas e pensamos sobre elas,
relacionamos umas com as outras e delas extraímos informações relevantes para nossa vida,
saberes de que necessitamos para viver melhor. Sendo assim, todos aprendemos a buscar
conhecimentos e a utilizá-los conforme deles necessitamos. A própria busca de conhecimentos
nos torna mais aptos para conhecer e para melhor utilizá-los.

9
É preciso destacar que esse processo de conhecimento pode se dar de forma
espontânea, como acontece em nossa vida diária, ou de forma mais organizada, como alguém que
aprende um ofício. Mas se, além disso, esse conhecimento for buscado de forma mais
sistematizada, com métodos específicos e mais eficientes, com rigor cada vez maior, então temos
um tipo de conhecimento que denominamos científico. O conhecimento ensinado pelas diferentes
graduações é uma forma de conhecimento científico, com métodos e práticas próprias, com o
intuito de atingir os objetivos específicos de uma dada área de conhecimento.
É bom entender que é costume denominar senso comum a isso que aqui foi chamado
conhecimento geral, ou seja, essa busca de conhecimento inerente a todo ser humano, com o
objetivo de organizar e garantir sua subsistência.
O senso comum é um tipo de conhecimento que resulta do uso espontâneo da razão,
mas que também é fruto dos sentidos, da memória, do hábito, dos desejos, da imaginação, das
crenças e das tradições. Como interpretação do mundo, ele nos orienta na busca do sentido da
existência, ao mesmo tempo em que nos dá condições de operar sobre ele.

Mesmo sendo racional, nem sempre o senso comum faz uso refletido da razão. Por se
tratar de um conjunto de concepções fragmentadas, muitas vezes incoerentes, condiciona a
aceitação mecânica e passiva de valores não questionados e se impõe sem críticas ao grupo social.
Às vezes, se torna fonte de preconceitos, quando desconsidera opiniões divergentes, porém não
deve ser visto como algo desqualificado de valor. É um erro sobre-estimar o conhecimento
científico em detrimento do chamado senso comum. Qualquer pessoa que vai a uma feira fazer
compras possui conhecimentos e habilidades que a capacitam para analisar e selecionar os
produtos, bem como para fazer contas e escolher o que vai levar e o que vai deixar de comprar.

O que acontece é que o conhecimento científico busca métodos e sistematicidade que

1
superem dificuldades e preconceitos na busca de conhecimentos objetivamente válidos. Nem
sempre no dia a dia fazemos isso. Ao contrário, na maioria das vezes, o conhecimento cotidiano se
dá de forma espontânea, sem o rigor e o controle que se busca na produção de conhecimentos
científicos. Pode-se afirmar, então, que o conhecimento científico vai além do senso comum e o
acomoda às suas investigações.
Vamos explorar o que aprendeu até aqui para, então, passarmos a outro assunto
interessante: A Pesquisa!

Explore seu conhecimento

1. De acordo com o texto, quais foram as três fases percorridas pela história da Ciência?
2. Conceitue o senso comum e o conhecimento científico.
3. Qual a diferença entre o senso comum e o conhecimento científico?

1
Pesquisa

Imagem: http://pixabay.com/pt/inspetor-homem-detetive-masculino-160143/ Acesso: 23/08/14

Depois de termos abandonado as respostas religiosas e filosóficas de explicação do


mundo, agarramo-nos à Ciência como a única capaz de nos ajudar a resolver nossos problemas de
saúde, de relacionamento, de organização social, de relação com a natureza etc. Fizemos isso de tal
modo que deixamos a verdade religiosa, mas, em seu lugar, colocamos a verdade científica e o
fizemos de forma tão dogmática que passamos a nos apoiar religiosamente no conhecimento
científico. Resultado disso é aquela famosa pergunta: isso é científico? Se a resposta for afirmativa,
então nos tranquilizamos, ficamos confiantes e seguros.
Isso corresponde ao que é a Ciência? Ou será que corresponde mais ao modelo de
colocar alguém num programa de televisão, ou numa revista, para opinar “cientificamente” sobre
alguma coisa, como se fosse um sacerdote transmitindo a verdade de um deus? Parece-me que a
Ciência não é bem isso!
A Ciência tem um método rigoroso e sistemático que lhe garante confiabilidade, pois é
algo que pode ser controlado, repetido, questionado, revisado e, se não houver contradições,
confirmado. Mas dúvidas são o que não falta nas discussões da ciência. Dogmas não fazem parte do
método científico. Tanto é assim que constantemente estamos revendo o que já sabemos. Se o

1
conhecimento científico fosse dogmático, não seria mais preciso fazer pesquisas. É preciso, então,
rever o conceito de verdade na Ciência.
Quando se encontra uma verdade na Ciência, isso significa que uma dada concepção de
mundo, ou seja, uma teoria, foi confirmada empiricamente, mas isso não significa que essa teoria
provou que o mundo seja “assim ou assado”. Não podemos saber como as coisas são exatamente,
só podemos discuti-las a partir dos parâmetros de nossa capacidade racional. Quando uma teoria
científica é testada e comprovada empiricamente, significa que, se as coisas não forem exatamente
daquele jeito, devem ser de uma forma muito próxima, uma vez que os experimentos deram certo.
Bom, se o conceito de verdade da Ciência não pode ser entendido de forma absoluta, se
os testes empíricos não provam que o mundo seja de uma dada maneira, o que se propõe, então,
com o trabalho científico? A Ciência, de fato, não pretende provar que as coisas são da forma como
cientificamente afirmamos. Se fosse assim, encerraríamos as pesquisas e não reveríamos
constantemente o que já sabemos em busca de modelos teóricos melhores. Muito do que já foi
chamado Ciência, hoje, não é assim considerado. Além disso, muitos procedimentos adotados no
passado foram abandonados por outros melhores. Devemos, então, ser muito mais modestos
quanto à nossa capacidade para conhecer. Temos muito mais dúvidas que certezas.
Porém, apesar desses limites, muito pode ser feito e o fazemos. O objetivo da Ciência é
melhorar a posição em que nos encontramos no mundo em que vivemos. Para isso, buscamos meios
eficazes para tentar controlar os acontecimentos e prevê-los, e disso retirar proveito em favor do
nosso conforto e melhor sobrevivência. Dessa forma, as teorias e leis científicas, se não provam que
o mundo tem essa ou aquela estrutura, permitem que se façam explicações e previsões – ainda que
com toda a provisoriedade que lhes é inerente.
Muito bem! Mas o que se pretende dizer com todo esse discurso? Pretende-se ressaltar,
valorizar, destacar o valor das pesquisas científicas. Esse é o sentido de todo este texto e do trabalho
desta disciplina.
Em uma graduação, não se formam profissionais apenas para reproduzir um
conhecimento que é repassado mecanicamente. Deve-se formar, também, o pesquisador, aquele
que deve questionar sua própria prática e os conhecimentos adquiridos em busca de outros
melhores e mais eficazes. Nesse sentido, a pesquisa é fundamental! Logo, esta disciplina não visa
apenas a ensinar meros instrumentos a serem repetidos pelos graduandos. Muito mais que isso, visa
a formar aqueles que continuarão a produzir conhecimento em sua área específica de atuação. Esse
é todo o

1
sentido, essa é a beleza do que fazemos! Lamentável é considerar esses e outros conhecimentos
como mais uma obrigação a cumprir em busca de um diploma. O que fazer com um diploma num
mundo em que se exige conhecimento?

Antes, conhecimentos devem ser vistos como instrumentos eficazes para resolver
problemas, aumentar nossa capacidade de conhecer e melhorar nossa condição de vida, para ajudar
pessoas a terem qualidade de vida, para nos ajudar a ter uma melhor relação com os demais seres
vivos e com o planeta. Sendo assim, ainda mais lamentável é o intuito de cumprir uma obrigação
escolar, a atitude de apenas copiar um trabalho feito por outra pessoa. Além da falsidade ideológica,
engana-se a si mesmo, por não se ter o domínio de um saber que lhe será exigido a todo o
momento.
Apesar de esse discurso soar moralizante, seu objetivo é despertar para o prazer da
descoberta, da construção de conhecimento, para a aquisição daquilo que nunca será tirado: o
saber.

3.1
Classificação da Pesquisa

Prezado(a) aluno(a), a pesquisa classifica-se em: Preliminar, Teórica, Aplicada ou de Campo.


Vejamos as características de cada uma delas:

Pesquisa preliminar

 Toda pesquisa tem como ponto de partida o conhecimento e a identificação dos


elementos que compõem a problemática a ser esclarecida;

 Mas todo pesquisador encontra dificuldades na formulação de hipóteses de trabalho;

 Por isso a necessidade de uma pesquisa preliminar como ponto de partida para a

1
definição do problema, das hipóteses e do roteiro da pesquisa;

 É preciso, ainda, conhecer a disponibilidade de recursos: tempo, recursos financeiros,


acessibilidade às informações, recursos técnicos e tecnológicos.

Pesquisa teórica

 O objetivo é desenvolver novas teorias, novos modelos, ou estabelecer novas


hipóteses de trabalho;

 Não tem por objetivo uma utilidade prática dos resultados, mas o enriquecimento do
conhecimento científico;

 O embasamento teórico é fundamental para o desenvolvimento de qualquer tipo de


pesquisa;

 O trabalho de Darwin, acerca da origem das espécies, é um bom exemplo de


pesquisa teórica que contribuiu para a evolução de novas ideias.

Pesquisa aplicada

 A maioria das pesquisas é feita a partir de objetivos que visam à sua utilização
prática, por causa da gama de interesses que envolve – principalmente interesses
econômicos;

 Vale-se das contribuições de teorias e leis já existentes;

 É definida como aplicada por seu objetivo ser mais imediatista, pela pressa, por
exemplo, do retorno dos recursos aplicados;

 Por exemplo: tão importante quanto o conforto que um carro oferece é o número de
quilômetros que ele percorre com um litro de combustível.

Pesquisa de campo

1
 Tem como base observar os fatos tal como ocorrem;

 É necessária uma pesquisa preliminar de outros trabalhos e publicações para que se


possa acrescentar algo ao que já se conhece;

 Por exemplo: para conhecer os efeitos da distribuição de renda sobre a


criminalidade, é preciso conhecer os dados e estabelecer uma correlação entre as
variáveis.

3.2
Fases da Pesquisa

 Antes de iniciar qualquer pesquisa, é necessário conhecer o estágio em que se


encontra o assunto a ser trabalhado;

 É através da pesquisa bibliográfica que se pode obter tais informações;

 Como não é possível trabalhar com todo o universo a ser estudado, é necessário
determinar cientificamente a amostra a partir da qual serão tiradas as conclusões;

 Definida a amostra, cabe ao pesquisador estabelecer os critérios da coleta e do


registro das informações, com o objetivo de dirimir as devidas conclusões.

3.3
Coleta de Dados

 Tendo em vista a pesquisa a ser realizada, as informações podem ser obtidas de


variadas formas, segundo o critério ideal a ser estabelecido pelo pesquisador;

 Exemplos: entrevista, questionário, formulário. Contudo, é preciso estar atento aos


limites, implicações e dificuldades que cada estratégia apresenta;

 Por isso, antes de aplicar qualquer forma de coleta de dados, é preciso estudo,
planejamento, questionamento e preparação adequada.

Muito bem, agora que conhecemos a classificação da Pesquisa, suas fases e como
coletar os dados da pesquisa, responda às questões propostas para avaliar a sua aprendizagem.

1
Explore seu conhecimento

1. Reúna as informações dadas anteriormente a respeito da pesquisa e responda: qual é o ponto de


partida da pesquisa?

2. Quais são as fases da Pesquisa?

3. Com base no conhecimento construído acerca de Método Científico e Ciência, responda: o que é
necessário para que a pesquisa seja definida como científica?

1
Metodologia Científica

Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo iniciaremos as reflexões sobre a Metodologia Científica. Mas, afinal, o
que é Metodologia Científica? A palavra ‘metodologia’ vem de método: o estudo e a pesquisa acerca
dos métodos para as diferentes formas de trabalho científico; no caso, o aprendizado dos diversos
métodos e possibilidades para bem conduzir a pesquisa e alcançar os resultados pretendidos.
E método, o que é? Trata-se de uma palavra grega que, etimologicamente, pode ser
assim dividida: a) meta = através de; b) hodos = caminho, vias. Em outras palavras, método quer
significar caminho através do qual é possível atingir um dado objetivo, um termo, um determinado
fim, proposto de antemão.

A essa definição devemos, ainda, acrescentar que método contrapõe-se ao acaso e à


sorte, pois possui uma ordem manifesta num conjunto de regras que são explícitas, como também
são explícitas as razões pelas quais tais regras são adotadas. Essas regras ou normas oferecem
garantias de facilidade, rapidez, eficácia. Não é apenas um caminho, mas um caminho que pode
abrir outros que melhor possibilitem alcançar os objetivos buscados ou mesmo objetivos não
propostos.

1
Nesse sentido, você já percebeu que sempre se utiliza de métodos nas mais variadas
atividades do seu dia a dia e isso por que há meios, modos, caminhos para se chegar a um dado
lugar, para se preparar um café, para tratar de um assunto delicado e mesmo para se divertir. O que
acontece é que nem sempre nos perguntamos se essa forma de proceder, nessas e em outras
atividades, é o melhor modo de fazer. A menos que algo dê errado ou que tenhamos um objetivo
muito específico, não paramos para avaliar como fazemos o que fazemos.
É justamente nesse ponto que entra a Metodologia Científica, para apresentar e discutir
o como fazer, porque, ao fazermos uma pesquisa e construirmos conhecimento, todos seguimos
modos, caminhos consagrados pela experiência de todos os que nos antecederam. São métodos que
já mostraram seu valor, sua fecundidade na resolução de problemas. Além disso, a crítica e a
avaliação sempre estão presentes, por isso muitos métodos e procedimentos foram abandonados e
substituídos por outros melhores. Por exemplo, até pouco tempo, era comum a extração de dentes.
Hoje, esse procedimento só é utilizado em último caso. Tudo o que for possível fazer para recuperar
um dente é feito, antes de adotar um procedimento mais radical. O mesmo poderíamos dizer de
outras áreas de conhecimento. Em outras palavras, trata-se do aprendizado das diversas formas de
se fazer uma pesquisa, alcançar os resultados buscados e publicá-los, torná-los conhecidos, pois só
assim serão válidos.
Aqui entramos em outro ponto: o que significa dizer que a metodologia é científica?
Também, nesse momento, o leitor pode se adiantar e dizer que é por se tratar de fazer ciência. Em
sentido geral, podemos dizer que sim, porém há muitas formas de produção de conhecimento que
cabem nesse qualificativo de ciência. Não é a mesma coisa uma pesquisa na área de Medicina, na
área de Astronomia e na de Literatura. São métodos muito diferentes. Além disso, estamos falando
de Metodologia Científica, ou seja, dos instrumentos que irão embasar a prática dessas e de outras
áreas de conhecimento.
E então prezado(a) aluno(a), o que propriamente significa científico no caso da
Metodologia?
Segundo Umberto Eco (1999), um estudo é científico quando atende a alguns quesitos.
Em primeiro lugar, deve tratar de um objeto reconhecível e definido de tal maneira que possa ser
reconhecido por outros. Claro que não se trata apenas de algo físico. Quando falamos de números
matemáticos, termos de Economia – como a inflação – e de questões morais, não se trata de objetos
palpáveis, mas perfeitamente reconhecíveis por qualquer pessoa.

1
Porém – e me permito utilizar o próprio exemplo de Umberto Eco (1999) –, se me
proponho a estudar centauros, eu devo torná-los identificáveis. Uma possibilidade é dizer em qual
literatura mitológica estarei baseando-me (neste caso, a grega) ou, então, aventarei a hipótese de
que tal criatura exista num mundo possível, deixando bem claros essa condição hipotética e os
limites que ela impõe. Agora, se pretendo afirmar que centauros existem, terei de apresentar provas
cabíveis dessa tese que quero defender: fósseis, fotografias, hábitos, como, por exemplo, onde e em
que momento eles costumam beber água etc. Enfim, deverei apresentar todos os dados necessários
para que meu objeto de pesquisa possa ser identificado por outros pesquisadores. Percebe-se,
então, que a última alternativa não é cientificamente válida para centauros.
Um segundo quesito implica dizer do objeto de estudo algo que ainda não foi dito ou
rever sob uma ótica diferente o que já se disse. Também é cientificamente válida, e muito útil, uma
compilação das opiniões e afirmações já ditas acerca de um dado objeto de estudo.
É claro que, durante o curso de graduação, não se espera que o aluno diga algo
absolutamente original. Mesmo por que ele está aprendendo a estudar com mais eficiência e a fazer
pesquisa. Espera-se dele que demonstre o aprendizado das habilidades requeridas para sua área de
estudos. Nesse sentido, não há problema em não produzir algo que seja diferente do que já foi dito.
Aos poucos, e isso deve acontecer já na graduação, o aluno irá se interessar por uma dada área de
pesquisa e irá começar a produzir um conhecimento próprio. Começará, dessa forma, a estar apto
para oferecer uma contribuição original.
Um terceiro quesito apresentado por Eco (1999) afirma que a pesquisa deve ser útil aos
demais, e o será se os trabalhos científicos posteriores sobre o mesmo tema tiverem de levá-lo em
conta. Por fim, como quarto quesito, a pesquisa deve fornecer elementos para a verificação e a
contestação das hipóteses apresentadas, ou seja, devo proceder de forma a permitir que outros
continuem a pesquisa, para contestá-la ou confirmá-la.
Com isso, esclarecemos o que significa qualificar um método de científico. Trata-se de
caminhos rigorosos, sistematizados, ordenados, com o intuito de atingir determinados fins que
dizem respeito à nossa busca por conhecimentos válidos. Deve-se, além do rigor, tornar o objeto de
estudo reconhecível e passível de verificação pelos demais. Nesse sentido, são contrários à postura
científica conhecimentos fechados, reservados a uns poucos ditos iniciados, e saberes obscuros que
não possam ser divulgados, partilhados e questionados.
Muito bem, agora que finalizamos este tema, vamos verificar se você compreendeu bem
o

2
conteúdo, realize as atividades propostas.

Explore seu conhecimento

1. O que caracteriza um estudo científico?

2. O que significa qualificar um método de científico?

2
Anteprojeto e Projeto de Pesquisa

Caro(a) aluno(a), não é possível pesquisar sem antes projetar, ou seja, o que transforma
uma investigação em ciência é exatamente o seu caráter de planejamento, orientação, reflexão e
sistematização considerando uma base teórica. Para comunicar os passos de uma pesquisa a ser
percorrida, realiza-se um trabalho de planejamento em duas etapas: o Anteprojeto e o Projeto de
Pesquisa. Vejamos as definições dessas etapas e como esses trabalhos se estruturam.

Anteprojeto de pesquisa

Um anteprojeto de pesquisa se caracteriza como uma elaboração prévia de um projeto a


ser desenvolvido. Trata-se de um texto que possui caráter provisório, que assim se caracteriza por
permitir alterações no seu processo de reelaboração. Sua importância se deve a que nem sempre é
fácil determinar com bastante clareza, logo de início, o que e como se pretende investigar.

O anteprojeto é redigido após um conhecimento prévio do assunto, adquirido por meio


de leituras com base em uma bibliografia selecionada. Essa atividade de elaboração do anteprojeto
colabora para o exercício do caminho da investigação: reflexão, delimitação e tomada de decisão.

2
Para sua elaboração, um anteprojeto deve apresentar alguns dos elementos básicos de
um projeto de pesquisa, quais sejam:

 introdução com síntese do referencial teórico – embasada na literatura;


 formulação do problema;
 objetivos;
 hipóteses – quando houver.

Projeto de pesquisa

E o projeto? O projeto de pesquisa é mais aprofundado que o Anteprojeto. A


importância do projeto de pesquisa está em evitar imprevistos e garantir a objetividade necessária.
Para tanto, é preciso explicitar os passos a serem seguidos e o que se pretende alcançar com tal
pesquisa.

Um projeto de pesquisa tem as seguintes funções:

 define e planeja para o orientando o caminho a ser seguido, as etapas e estratégias;


 facilita a discussão do projeto em seminários;
 facilita o trabalho de orientação: possibilidades, perspectivas, desvios;
 subsidia discussão e avaliação da pesquisa;
 base para solicitação de recursos financeiros;
 base para avaliação e seleção em programas de pós-graduação.

Partes do Projeto de Pesquisa

2
É preciso esclarecer que a ordem de apresentação dos elementos, exposta a seguir,
pode variar segundo as diferentes áreas de estudo e mesmo instituições. Por exemplo, há modelos
de projetos que não inserem a formulação do problema na introdução – como o faz a proposta aqui
apresentada. Nada disso apresenta maior dificuldade. O importante é que esses diversos elementos,
necessários para a compreensão da pesquisa a ser empreendida, estejam bem delimitados e
explicitados.

Título

 Indica e sintetiza o conteúdo a ser trabalhado;


 Pode ser:
o geral: indica de forma genérica o teor do trabalho;
o técnico: é como um subtítulo que especifica a temática.

Introdução

Tem a função de introduzir o leitor no assunto. Deve explicitar os pressupostos teóricos,


descrevendo o que é conhecido sobre o tema e quais as questões já respondidas por outras
pesquisas. O referencial teórico tem, ainda, a função de fornecer subsídios para a problematização
do tema. Deve-se esclarecer que o conhecimento acumulado não é suficiente para a solução do
problema em foco.
É o momento da caracterização e delimitação do tema e do problema. Diante de um
tema mais geral, é necessário realizar escolhas, fazer um recorte e selecionar um aspecto, um dado
da questão, para realizar o estudo de aprofundamento: é o problema da pesquisa. Trata-se da
pergunta a ser respondida, da razão de ser do trabalho.
Após a indicação dos pressupostos teóricos, a definição e delimitação do tema e a
formulação do problema de pesquisa, este deverá ser enunciado de forma interrogativa. A pergunta
deve ser clara e objetiva, indicando os aspectos e/ou variáveis a serem trabalhados.
Nesse sentido, em relação ao tema e ao problema, é preciso estar atento aos seguintes
aspectos:

 caracterização, de maneira mais desdobrada, do conteúdo da problemática a


pesquisar;
 definição dos vários aspectos da dificuldade a ser estudada;

2
 esclarecimento dos limites da pesquisa e do raciocínio demonstrativo (delimitação do
tema e do problema);
 dar-se conta de que, quanto mais abrangente for, menor a profundidade;
 ter gosto pelo assunto a ser desenvolvido é fundamental, mas também não esquecer
as condições para executá-lo em termos de tempo, acesso a informações e recursos;
 pode-se inserir apresentação que indique a gênese do problema (como o autor
chegou a ele), como também a explicitação dos motivos mais relevantes que
conduziram a essa abordagem;
 pode-se fazer contraposição com trabalhos que já versaram sobre o mesmo
problema.

Justificativa

Trata-se do porquê, da importância de se realizar a pesquisa. Deve abranger os


seguintes aspectos:

 razão da escolha;
 relevância do estudo;
 significação social;
 contribuição para o crescimento e aperfeiçoamento da área;
 ressaltar a importância da pesquisa num contexto mais amplo;
 o contexto também pode justificar pesquisa que contenha abrangência mais restrita.
Exemplo: de professor que trabalha com comunidades no sertão do Nordeste.

Formulação de hipóteses

São formuladas, principalmente, para projetos de pesquisa das Ciências Naturais e da


Saúde. As hipóteses são formulações de soluções provisórias a respeito de determinado problema
em estudo. Portanto, são formulações que serão confirmadas ou não, considerando a pesquisa feita.

A hipótese deve ser enunciada de forma clara, indicando a relação entre as variáveis que

2
deram origem ao problema de pesquisa. Deve, também, ser formulada com fundamento em
conhecimento teórico e raciocínio lógico, sendo, por isso, denominada hipótese científica. Faz-se
necessário atentar para o fato de que existem hipóteses de partida (as iniciais) e de chegada (finais)
e cuidar para que, na tentativa de demonstrar as hipóteses, o trabalho não fique tendencioso.
Em suma, ter em conta que:

 hipóteses são proposições provisórias para a solução do problema;


 é em função das hipóteses estabelecidas que se estrutura todo o caminho a ser
percorrido;
 a hipótese poderá não se confirmar no decorrer da pesquisa, daí a importância da
perseverança do cientista na busca da verdade;
 pode haver hipótese geral (ideia central que se propõe demonstrar) e hipóteses
particulares (complementares);
 não confundir hipótese geral com pressuposto, que é uma evidência prévia (o que já
está demonstrado como ponto de partida).

Objetivos

Os objetivos devem ser centrados na busca de respostas para as questões relevantes,


identificadas no problema de pesquisa e que ainda não foram respondidas por outras pesquisas.
Devem ser bem definidos, claros e realistas, mantendo coerência com o problema que deu origem
ao projeto.
Os objetivos podem ser:

 gerais: indicar propósitos mais gerais, relacionando a importância do trabalho com o


desenvolvimento do conhecimento em geral;
 específicos: no âmbito da ideia e dos objetivos gerais, ressaltar as ideias específicas a
serem desenvolvidas. Nesse sentido, a amplitude dos objetivos gerais tem sua
delimitação definida, indicando sua profundidade. Definem, ainda, as etapas que
devem ser cumpridas para alcançar o objetivo geral, as ações que devem ser
desenvolvidas.

Procedimentos metodológicos

Deve-se apresentar o tipo de pesquisa quanto à natureza, aos objetivos, aos


procedimentos e ao(s) objeto(s). Nesse último caso, explicitar se a pesquisa confirma-se como de
campo, bibliográfica ou laboratorial. Também, deve-se informar a respeito dos métodos de
procedimento, de abordagem e as técnicas utilizadas.

2
É preciso apresentar quais procedimentos serão empregados na busca das respostas às
indagações formuladas. Para tanto, conforme os tipos de pesquisa, deve-se apresentar uma
definição da amostra e quais técnicas serão utilizadas na coleta de dados (entrevista, observação,
formulário, consulta a arquivos e outros).
De forma esquemática, não esquecer que:

 trata-se do como, com que, onde, quando e quanto;


 método é o caminho a ser percorrido para atingir os objetivos propostos;
 existem métodos gerais, aplicados a todo tipo de pesquisa, e específicos, de cada
área de trabalho;
 em coerência com o tema, os objetivos, o problema e a hipótese, será definido o tipo
de pesquisa: teórica, empírica, histórica etc.;
 não se de deve confundir método, que é os procedimentos mais amplos de
raciocínio, com técnicas, que são procedimentos mais restritos, que operacionalizam
o método com auxílio de instrumentos adequados. Exemplo: pesquisa de campo e
entrevista com questionário.

Referências

 Textos fundamentais em que se aborda a problemática em questão;


 As referências do projeto serão enriquecidas durante a pesquisa.

Plano de trabalho

O projeto deve apresentar um plano de trabalho contendo, de forma sucinta e objetiva,


as principais etapas (atividades) a serem desenvolvidas durante sua execução em função do tempo
(mês, semana). Deve, também, compatibilizar as etapas com a metodologia a ser aplicada no
desenvolvimento do projeto.

Orçamento

Este item estará presente nos projetos que pleiteiam financiamento para sua realização,
devendo prever: gastos com pessoal, material de consumo, material permanente, entre outros.

Observações

 São incluídos anexos e apêndices, se for o caso;

2
 O projeto pode ser alterado no decorrer da pesquisa, como consequência do
aprofundamento, desde que devidamente justificado;
 Não confundir projeto de pesquisa com plano de trabalho da monografia – um não
tem necessariamente de espelhar o outro.

Agora que conhecemos as formas de comunicar os passos de uma pesquisa a ser


percorrida, com o Anteprojeto e o Projeto de Pesquisa, vamos constatar se você compreendeu o
que estudamos até aqui; resolva os exercícios propostos.

Explore seu conhecimento

1. Quais são as funções do projeto de pesquisa?

2. O que é um anteprojeto de pesquisa?

2
Trabalhos Monográficos

O trabalho monográfico é um documento escrito que visa à aferição do trabalho escolar


em uma ou mais disciplinas, solicitado e orientado por professor(es) de uma ou mais disciplinas.

Conforme o grau de complexidade envolvido, tais trabalhos são classificados como:

 Trabalho de Conclusão de Curso (TCC): resultado de um estudo visando à conclusão


de um curso de graduação;
 Monografia: resultado de um estudo visando à obtenção do título de Especialista;
 Dissertação: documento escrito visando à obtenção do título de Mestre, que
representa o resultado de um trabalho experimental, de tema único, com o objetivo
de reunir, analisar e interpretar informações ou a exposição de um estudo científico
retrospectivo (trabalho de revisão de literatura). Deve evidenciar o conhecimento de
literatura existente sobre o assunto e a capacidade de sistematização do candidato;
 Tese: documento escrito visando à obtenção do título de Doutor, que representa um
estudo científico de tema único, bem delimitado e original. Deve ser elaborado com
base em investigação original, constituindo real contribuição para a especialidade em
questão.

2
Para a realização de trabalho monográfico é preciso percorrer alguns passos. Em primeiro
lugar, é preciso delimitar com precisão o tema: não é o mesmo tratar da liberdade em geral e da
liberdade psicológica ou política. Trata-se da perspectiva do tema. Para trabalhos com finalidade
didática, deve-se escolher temas já abordados por outros, para que haja obras a respeito nas quais
pesquisar.

A delimitação do tema é a maior dificuldade apresentada pelos estudantes. A tentação é


fazer uma tese panorâmica e dizer muita coisa. Por exemplo, a Literatura hoje; a literatura brasileira
do pós-guerra aos anos 1960. Umberto Eco (1999, p. 7) discute bem essa questão e apresenta
algumas indicações acerca de como superar essa dificuldade:

 tese panorâmica não pode fazer análises críticas que soam como presunção. Tais
análises supõem muito trabalho e delimitação;
 com a tese panorâmica, o pesquisador expõe-se a muitas contestações, como
omissões de temas e autores;
 se for bem preciso, o pesquisador terá um material bem conhecido e ignorado pelos
examinadores: torna-se um experto nesse assunto;
 monografia pode ser, também, a abordagem de um tema e não apenas de um autor.
Nesse caso, analisam-se alguns autores do ponto de pista de um tema específico. Por
exemplo: o mundo às avessas nos poetas carolíngios;
 tratar de um tema especificamente monográfico não significa fazer algo aborrecido, é
preciso ter em conta o panorama em que está inserido e estudá-lo;
 mas o panorama é pano de fundo, não se pode confundir as relações: uma coisa é
pintar o retrato de um cavalheiro sobre o fundo de um campo e outra coisa é pintar
campos e regatos; alteram-se técnicas, focos, perspectivas;

3
 quanto mais se restringe, melhor e com mais segurança se trabalha.

A perspectiva através da qual se aborda um tema é completada com o problema: qual


questão vai ser discutida ou para a qual serão buscadas soluções. A colocação do problema em
relação ao tema desencadeia formulação da hipótese geral a ser comprovada e, de acordo com a
perspectiva adotada, especifica o método a ser utilizado. Quando o autor define por uma solução a
ser demonstrada no curso do trabalho, pode-se, então, falar de tese a ser demonstrada pelo
raciocínio. O trabalho deve:

 demonstrar uma única ideia;


 defender uma única tese;
 assumir uma única posição frente ao problema específico: é o seu ponto de vista, sua
tese.

Normalmente, uma atividade de pesquisa perpassa três fases de amadurecimento, que


são concomitantes nas várias etapas do trabalho:

1. momento da intuição, da descoberta, da formulação de hipóteses;


2. momento da pesquisa:
 confrontar primeiras intuições;
 cotejar com outras posições;
 rever posições iniciais;
3. momento de amadurecimento da primeira posição:
 abandonam-se algumas ideias;
 acrescentam-se outras;
 reformulam-se alguns problemas;
 domínio de uma posição definitiva.

Levantamento Bibliográfico

3
Trata-se da pesquisa em busca da documentação existente sobre o assunto. Coloca-se
em ação uma série de procedimentos para localização e busca metódica de documentos que
possam interessar ao tema discutido, que dependem da natureza do tema a ser estudado.
São feitas consultas em:

 catálogos;
 boletins especializados;
 enciclopédias e dicionários especializados;
 monografias e tratados sobre o assunto;
 textos didáticos;
 periódicos impressos e on-line;
 bases de dados.

Leitura e Documentação

Plano provisório do trabalho

É um roteiro do trabalho a ser realizado, uma primeira estruturação, baseada em ideias


gerais que se tem do tema:

 é uma ideia diretriz (linhas gerais, colunas mestras), sem a qual o trabalho se perde
numa superficialidade;
 são ideias percebidas intuitivamente pelo aluno, fruto da sugestão do próprio
problema e de estudos anteriores;
 trata-se de um roteiro provisório, pois o plano definitivo só será estabelecido no final
da pesquisa.

Leitura

 Realizar uma primeira triagem, para ver o que realmente será lido e é interessante
para a pesquisa;
 Para tanto:
- recorrer a resenhas das obras;
- opinião de especialistas;
- tomar contato com a obra: sumário, prefácio, introdução, passagens do texto;
 Critérios para a leitura:
- atualidade: dos textos mais recentes para os mais antigos – as obras recentes
retomam contribuições do passado, vindo a dispensar algumas leituras. Porém, os
clássicos são indispensáveis;
- generalidade: das obras mais gerais (enciclopédias, dicionários, tratados) para as

3
monografias especializadas e artigos científicos;
 Não é uma mera leitura analítica de toda obra, nem reconstituir o raciocínio analítico
do autor;
 Será feita tendo em vista o aproveitamento direto apenas dos elementos que sirvam
para a pesquisa;
 Às vezes, é necessária a leitura de todo o texto, mesmo assim não se deve perder a
ideia mestra que direciona o trabalho.

Documentação

 Tomar nota de todos os elementos que serão utilizados na elaboração do trabalho;


 Usar citação livre (indireta) e textual (direta), indicando a fonte;
 Documentar as ideias pessoais que forem surgindo durante a leitura – para não se
perderem;
 Elaborar fichas, arquivos de documentação ou outra forma de anotação das ideias
que irão compor o trabalho.

A Construção Lógica do Trabalho Dissertativo

 Coordenação inteligente das ideias, conforme as exigências de sistematização;


 Pode ocorrer reformulação do roteiro provisório;
 A ordem lógica do trabalho dissertativo pode não coincidir com a ordem da
descoberta: não se pode perder de vista a finalidade de comunicar ao leitor, que não
precisa passar por todos os percalços vividos pelo pesquisador durante sua atividade
de pesquisa;
 Deve formar uma unidade, com sentido intrínseco, autônomo, para que o leitor –
que não participou da pesquisa – possa apreendê-la;
 Portanto, as partes do trabalho – parágrafos, capítulos etc. – devem ter sequência
lógica rigorosa;
 Não basta que proposições tenham sentido em si mesmas, é necessário que o
sentido esteja logicamente inserido no contexto do discurso e da redação;
 Daí as três partes da estrutura formal do trabalho: introdução, desenvolvimento e
conclusão.

A Redação do Trabalho

A linguagem do texto

 Ter estilo sóbrio e preciso. Adjetivos supérfluos, rodeios e repetições ou explicações


inúteis devem ser evitados;
 Também deve ser evitada a forma excessivamente compacta, que pode prejudicar a
compreensão do texto;

3
 O que importa é a clareza, mais que outras características estilísticas;
 Usar a terceira pessoa do singular;
 Usar terminologia técnica, na medida do necessário;
 Evitar pomposidade pretensiosa, verbalismo vazio, fórmulas feitas e linguagem
sentimental;
 Não cabem linguagem comum, expressões corriqueiras e gírias. Infelizmente, é
comum deparar com o uso de expressões e fórmulas da oralidade em trabalhos que
requerem fórmulas próprias da linguagem escrita e formal;
 Quanto ao estilo, depende da natureza do raciocínio e das áreas do saber.

Os parágrafos

 Parte do texto que tem por finalidade expressar as etapas do raciocínio;


 Sequência, tamanho e complexidade dependem da natureza do raciocínio;
 Reproduz a estrutura do texto: apresenta uma introdução, um corpo e uma
conclusão;
 Como determina a articulação do texto, tendo em vista a construção lógica do
trabalho, são iniciados por conjunções que indicam as formas de passar de uma
etapa lógica à outra, isto é, os conectivos, que devem ser muito bem trabalhados.

Elementos e Estrutura dos Trabalhos Monográficos

Para compor a apresentação e redação dos trabalhos monográficos, há uma série de


elementos já consagrados pela prática acadêmica. Existem elementos que são obrigatórios e outros
que podem constar conforme o desenvolvimento do trabalho. O quadro a seguir apresenta todos os
itens que compõem o trabalho acadêmico, inclusive, na ordem em que devem ser apresentados.
Quadro 1 – Itens que compõem o trabalho acadêmico.

3
Elementos pré-textuais

Capa

A capa é um elemento obrigatório e deve conter as informações seguintes, nessa ordem


(cf. Anexo A):

a) nome da instituição (opcional);


b) nome do autor (deve ser colocado no alto da página);
c) título e subtítulo (este se houver) (ficam no centro da folha);
d) número do volume, se houver mais de um;
e) nome da cidade em que se situa a instituição a qual o trabalho está vinculado;
f) ano de entrega.

O nome do autor, colocado no alto da página, significa que ele é o responsável


intelectual pelo trabalho. Por isso, não se justifica colocar o nome da instituição nessa posição em
trabalhos, cuja responsabilidade intelectual e direitos autorais não pertencem a ela.

3
Lombada

Lombada é a parte que reúne as margens internas do lado esquerdo, mantendo-as


juntas quer por cola, costura ou grampos, formando um caderno. Ela constitui um elemento
opcional, pois, quando as folhas se reúnem por espiral ou em número bastante reduzido, por
exemplo, a junção delas não forma lombada.
A lombada de trabalhos acadêmicos deve trazer o nome do autor, ou dos autores, e o
título; a de livros, além disso, precisa apresentar a logomarca da editora; a de periódicos deve conter
os elementos alfanuméricos que permitem identificar o volume, o fascículo e a data de publicação.

Folha de rosto

A folha de rosto é elemento obrigatório e precisa conter as informações que seguem


abaixo, nessa ordem (cf. Anexo B):

a) nome do autor, pois é o responsável intelectual pelo trabalho;


b) título principal do trabalho, acompanhado de subtítulo, se houver, que defina
claramente o conteúdo do trabalho, constituindo um resumo de, no máximo, 12
vocábulos, como sugere a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES) (apud DOMINGOS, 1999), devendo o subtítulo ser introduzido, após
o título, por dois pontos;
c) número do volume, havendo mais de um;
d) natureza do trabalho (tese, TCC e outros) e sua finalidade, isto é, motivo que
determinou sua elaboração, entre outros, por exemplo, a aprovação em dada
disciplina;
e) nome da instituição a que o trabalho está vinculado;
f) o nome do orientador e sua titulação, da cidade e da instituição e o ano de entrega.

O verso da folha de rosto deve conter a ficha catalográfica, feita segundo o Código de
Catalogação Anglo-Americano em vigor. Este código é de competência da Federação Brasileira de
Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB). A ABNT assume o que
esse órgão dispõe.

Modelos de notas explicativas para folha de rosto:

 Trabalho curricular: Trabalho apresentado para avaliação do rendimento escolar da


disciplina Introdução à Filosofia do curso de Pedagogia da Universidade de Santo
Amaro, ministrada pelo Prof. Dr. Carlos Fontes Fonseca;

3
 Trabalho de conclusão de curso: Trabalho de conclusão de curso apresentado ao
curso de História da Universidade de Santo Amaro, orientado pela Profa. Carla
Carlota, como requisito parcial para obtenção do título de Licenciado em História;
 Monografia: Monografia apresentada ao curso de Especialização em Biologia Vegetal
da Universidade de Santo Amaro, orientada pela Profa. Dra. Olívia Gomes, como
requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Biologia Vegetal;
 Projeto de pesquisa: Projeto de pesquisa apresentado ao curso de Especialização em
Gestão Ambiental do Curso de Especialização Lato Sensu da Universidade de Santo
Amaro, orientado pelo Prof. Mário Mariano, como requisito parcial para avaliação.
Errata

A errata é opcional; se colocada, porém, tem lugar após a folha de rosto e seus dados
são apresentados do seguinte modo:
ERRATA
Folha Linha Onde se lê Leia-se
28 2 aprovacao aprovação

Folha de aprovação

A folha de aprovação é um elemento obrigatório a trabalhos que serão submetidos à


aprovação, como, por exemplo, tese e TCC, pois nela será registrado o resultado da avaliação do
trabalho feita pelos examinadores. Por isso, deve conter:

a) nome do autor;
b) título do trabalho (e subtítulo, se houver);
c) natureza e objetivo, ou seja, tipo e por que foi elaborado; por exemplo: dissertação
elaborada como parte dos requisitos do [...] para a obtenção do título de [...];
d) nome da instituição a que será submetido;
e) nome dos componentes da banca examinadora, titulação, instituição a que
pertencem e, após o resultado da avaliação, a data e a assinatura do examinador ou
examinadores;
f) data da aprovação.

A data de aprovação e as assinaturas dos componentes da banca examinadora são


colocadas, nessa ordem, após o resultado da avaliação. A folha de aprovação não é numerada, é
contada apenas, e não leva título.

Dedicatória, agradecimento e epígrafe

3
Dedicatória, agradecimento e epígrafe são elementos opcionais (ABNT, 2005), sendo
colocados no trabalho, segundo o desejo do autor; devem, porém, ser postos na sequência aqui
apresentada.
A dedicatória é a folha em que o autor presta homenagem ou dedica seu trabalho a
alguém. É colocada após a folha de aprovação; não leva título; não é numerada, mas é contada.
Após a dedicatória, são colocados os agradecimentos, que devem ser feitos às pessoas
que efetivamente contribuíram para a elaboração do trabalho.
Aos agradecimentos, segue a epígrafe, que é um excerto retirado de alguma obra,
alusivo ao assunto que será tratado. Pode ser colocada tanto no início do trabalho quanto na
abertura de cada seção primária (capítulo). Colocada no início do trabalho, a folha da epígrafe será
contada, mas não numerada, nem conterá título, tal qual a folha de aprovação.

Resumo

Após a epígrafe, vem o resumo. Os trabalhos acadêmicos, além do resumo na língua


vernácula, devem apresentá-lo também em uma língua estrangeira (graduação, mestrado) ou duas
(doutorado); por exemplo: Abstract (inglês), Resumen (espanhol) e Résumé (francês).
O resumo deve conter de 150 a 500 palavras e ser seguido da expressão ‘Palavras-
chave’, colocando-se após estas descritores ou palavras que sejam representativos do conteúdo que
o trabalho oferece.
O resumo deve pôr em evidência o objetivo, o método, os resultados e as conclusões do
trabalho; da introdução, retira-se o conteúdo necessário para contextualizar a questão analisada. É
necessário que ele seja elaborado na forma de texto discursivo, usando-se o verbo na 3ª pessoa, na
voz ativa, formando frases concisas e afirmativas e compondo, preferentemente, um parágrafo
apenas. Devem-se evitar símbolos e contrações que não são de uso corrente, bem como fórmulas,
equações e diagramas que não são absolutamente necessários. Se forem incluídos, na primeira vez
em que aparecerem, precisam estar acompanhados da devida explicação.
O resumo de um trabalho, que vem inserido nele próprio, não se faz acompanhar da
respectiva referência; se, porém, for colocado em outro contexto, ela deve precedê-lo.

Lista de ilustrações, lista de tabelas, lista de abreviaturas e símbolos

3
As listas de ilustrações, tabelas, abreviaturas, siglas e símbolos são opcionais; são,
porém, bastante úteis quando o trabalho acadêmico apresenta esses elementos em quantidade,
pois facilitam a consulta ao leitor.
As listas devem figurar no trabalho na ordem mencionada e podem ser específicas de
cada um desses elementos. Desse modo, pode haver uma lista só de ilustrações, outra de tabelas,
assim por diante, cada uma seguindo ordenação própria.
Uma só lista de ilustrações pode mencionar todos os tipos: mapa, fotografia, desenho e
outros. Quando há várias ilustrações do mesmo tipo, pode-se fazer uma lista para cada tipo, como,
por exemplo: lista de mapas, lista de fotografias etc. Se, porém, a quantidade desses elementos não
justificar listas específicas, todas as figuras podem ser relacionadas numa só, havendo, entretanto,
para cada tipo de ilustração uma ordenação numérica.

Exemplo:
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Fotografia 1 - Equipe de operação 20
Gráfico 1 - Desenvolvimento urbano 23
Fotografia 2 - Assembleia Geral Ordinária ABNT 25
Mapa 1 - Região Sudeste do Brasil 30
Desenho 1 - Programa das Nações Unidas para o meio ambiente 33

Sumário

O sumário é um elemento obrigatório que deve proporcionar visão de conjunto do


conteúdo do trabalho, trazendo relacionadas as seções que o compõem, acompanhadas do número
da página em que se acham, o que facilita sua localização no texto. É, quase sempre, o último
elemento pré-textual; não o será se for incluído prefácio no trabalho.
Os elementos pré-textuais não são incluídos no sumário, mas os títulos das seções do
texto são nele colocados, utilizando-se a tipologia gráfica com que aparecem no texto. Os indicativos
de seção do texto devem ser alinhados à esquerda; sugere-se que sejam alinhados pela margem do
indicativo de título mais extenso. A paginação faz-se alinhando, à direita, o número das páginas em
que se acham os títulos referidos.

3
Modelo de Sumário:

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS
LISTA DE TABELAS
RESUMO
1 INTRODUÇÃO ................................................................... 15
2 MATERIAIS E MÉTODOS .................................................. 33
2.1 Tipo de pesquisa .............................................................. 33

Elementos textuais
Os elementos textuais são a introdução, o desenvolvimento e a conclusão, que
constituem as partes essenciais da monografia. Trata-se de uma divisão lógica. Cada um desses
elementos atende a uma finalidade própria e a relação que entre eles se estabelece configura uma
estrutura orgânica, pois juntos compõem um todo, ou seja, a estrutura monográfica.

Introdução

Delimita o assunto, situa o problema a ser tratado, isto é, mostra em que contexto ele
está inserido e que há conhecimento acumulado, disponível para isso. É chamado conhecimento
partilhado por se entender que ele é de domínio dos que atuam na área, constituindo a
fundamentação teórica, pois possibilita a definição e delimitação dos objetivos da pesquisa. O nível
de teorização e interpretação do conhecimento partilhado deve ser limitado em função do
problema a ser tratado e da abrangência que se deseja alcançar.
A introdução tem como função nortear as tarefas de investigação e sustentar a
interpretação dos dados levantados, relacionando-se, desse modo, com o elemento que a segue, ou
seja, o desenvolvimento. Por isso, se a seleção do conteúdo do quadro teórico e sua análise não
forem criteriosas, todo o trabalho poderá ficar comprometido.

Desenvolvimento

É a principal parte do texto. Apresenta o assunto pormenorizado, de modo explicativo, e

4
é dividido em seções e subseções, de acordo com a amplitude e a profundidade definidas para o
tratamento de dados, sendo aconselhável que o autor se limite à quarta seção. Aqui, são expostos
os argumentos selecionados para defender a tese proposta, ou seja, atingir os objetivos fixados. Os
argumentos precisam ser explicitados logicamente, ou melhor, é necessário demonstrar como as
provas foram alcançadas e, na falta de consenso, discuti-las.

Conclusão

Deve apresentar de forma sintetizada um resumo da argumentação e das provas


explicitadas no desenvolvimento. Além disso, deve demonstrar logicamente a relação existente
entre os argumentos e as provas levantadas e apresentar as inferências extraídas dos resultados,
com base na fundamentação teórica. Por isso, muitas vezes se diz que a conclusão é um retorno à
introdução.
Constata-se, desse modo, que introdução, desenvolvimento e conclusão estão
interligados, configuram uma estrutura orgânica: não constituem partes independentes, mas
complementares.
Infere-se, ainda, que os elementos – ideias, propostas, conceitos, ilustrações etc. –, não
obstante o valor científico, quando não se atrelam na formação da estrutura monográfica, devem
ser dela despojados, de modo a resguardar o encadeamento lógico das ideias e das propostas,
garantindo ao trabalho boa qualidade.

Elementos pós-textuais

Referências

Relação das obras efetivamente utilizadas como base na elaboração do trabalho.

4
Elemento obrigatório no texto, a seção ‘Referências’ não deve ser numerada e seu título deve estar
alinhado à esquerda.
As fontes mencionadas em notas de rodapé, ou pelo sistema autor-data, devem ser
incluídas na seção de referências, exceto as que indicam os dados obtidos por informação verbal.
Considerando que a produção de um trabalho acadêmico, independentemente de sua
tipologia, demanda a leitura de outras fontes que vão além daquelas indicadas nessa seção, sugere-
se a elaboração de uma lista dessas obras, se houver mais de cinco itens a serem informados. Essa
lista deve ser incluída na estrutura do trabalho como apêndice, ficando seu título a critério do autor,
podendo ser: “Sugestões de Leitura sobre o Tema”, “Leitura Complementar Sobre o Tema” etc.

Glossário (opcional)

Elaborado em ordem alfabética.

Apêndices (opcional)

De acordo com a NBR 14724 (ABNT, 2005), o apêndice é material ou texto elaborado
pelo próprio autor do trabalho, com o objetivo de complementar sua argumentação. Identificados
pela palavra ‘apêndice’ e letras maiúsculas consecutivas, travessão e título, alinhados à esquerda. A
paginação deve ser contínua à do texto principal.
Exemplo:
APÊNDICE A –
APÊNDICE B –

Anexos (opcional)

Segundo a NBR 14724 (ABNT, 2005), anexo é texto ou documento não elaborado pelo
autor do trabalho, que contribui para fundamentação, comprovação e ilustração deste. Identificado
pela palavra ‘anexo’ e letras maiúsculas consecutivas, travessão e título, alinhados à esquerda. A
paginação deve ser contínua à do texto principal.
Exemplo:
ANEXO A –

4
ANEXO B –
Índice (opcional)

Segundo a NBR 6034 (ABNT, 2004), é a relação de palavras e/ou frases que, ordenadas
segundo determinado critério, remetem para informações inseridas no texto. Para a elaboração do
índice e o estabelecimento de critério de ordenação, consulte a NBR 6034 (ABNT, 2004).

8.3 Regras de Apresentação

Formato

Papel

O texto deve ser digitado em papel branco, no anverso de folhas A4 (21 x 29,7 cm), na
cor preta; as ilustrações, contudo, podem apresentar outras cores (ABNT, 2005).

Tipologia da fonte

A fonte a ser utilizada é a Times New Roman ou Arial, do seguinte modo:

a) fonte 12 para o texto;


b) fonte 11 para títulos colocados abaixo de figuras, ilustrações e outros;
c) fonte 10 para notas de rodapé;
d) fonte 11 nas citações de três linhas ou mais;
e) fonte 12, 14, 16, em caixa alta, negrito, itálico e outros para diferenciar títulos de
subtítulos, ou seja, seções e subdivisões;
f) fonte 16 para título e autor, 14 para subtítulo e 12 para demais elementos, na capa e
folha de rosto.

Espacejamento

O texto deverá ser digitado com espaço entrelinhas 1,5 (um e meio); os títulos e
subtítulos de seções e subseções ficam separados do texto que os precede e os sucede por dois
espaços de mesma medida.
Margens

4
Observam-se as seguintes medidas para as margens: para margens superior e esquerda,
são deixados 3 cm; para a direita e a inferior, 2 cm.

Paginação

Da folha de rosto em diante, todas as demais são contadas, devendo-se, porém, colocar
algarismos arábicos para numerá-las somente a partir da introdução. A posição do número é a 2 cm
da borda superior e 2 cm da borda lateral direita da folha, portanto, no alto da folha, à direita.
Havendo anexos e apêndice, a numeração das folhas continuará normalmente até a última.

Nota de rodapé

As notas de rodapé são digitadas dentro da margem inferior, em fonte 10, ficando
separadas do texto por um espaço simples de entrelinha e por um filete de três centímetros.
Deve-se evitar o uso desnecessário de nota de rodapé, pois sua leitura implica
interrupção da leitura do texto e, consequentemente, do raciocínio que o leitor vem desenvolvendo
a partir das ideias expostas.

Indicativos de seção

Os números indicativos de seção, ou seja, das partes que estruturam um documento


(monografia), seguem ordem progressiva e são colocados à esquerda, precedendo o respectivo
título ou subtítulo, de acordo com a NBR 6024 (ABNT, 2003).

Numeração progressiva

A NBR 6024 (ABNT, 2003a) normaliza a numeração progressiva, mostrando como indicar
as subdivisões do texto; por exemplo: primária, secundária, terciária e outras, ficando, assim: 2.3
Elementos pós-textuais, em que 2 representa uma seção primária e 3 a secundária (subseção,
subdivisão).
Os elementos textuais – introdução, desenvolvimento e conclusão – compõem, cada
um, uma seção primária; o desenvolvimento, porém, poderá estar estruturado em várias seções
primárias (anteriormente denominadas capítulos), divididas ou não em subseções (títulos e

4
subtítulos), dependendo do enfoque e da abrangência do tema.
A numeração progressiva deve mostrar essa divisão com a tipologia gráfica utilizada; por
exemplo, as letras usadas nos títulos das seções primárias serão sempre iguais e mais chamativas do
que as das demais seções. O mesmo tipo de seção terá sempre o mesmo tipo de letra, tamanho e
forma, tanto no texto quanto no sumário.
A divisão em seções e subseções deve ser feita de forma lógica e de acordo com a
estrutura do trabalho. A numeração progressiva deve demonstrar a sequência das seções e
subseções e o nível de inserção – primeira, segunda, terceira seção etc. –, que deve, também, ser
marcado pelo uso de tipologia gráfica diferente, conforme o exemplo a seguir.

Exemplo:
1 SEÇÃO PRIMÁRIA
(caixa alta, fonte 14, negrito);
1.1 SEÇÃO SECUNDÁRIA
(parte da primária: caixa alta, fonte 12, negrito);
1.1.1 Seção terciária
(inserida na primária e na secundária: caixa baixa, fonte 14, negrito);
1.1.1.1 Seção quaternária
(inserida na primária, na secundária e na terciária: caixa baixa, fonte 12, negrito).

Além disso, abre-se página nova sempre que se inicia uma seção primária, ficando,
assim, evidente a divisão do trabalho acadêmico em seções e subseções.
Agora veja outros tipos de trabalhos científicos, conheça a conceituação e a estrutura
de cada um deles. Vamos começar?

Resenha

Resenhar significa fazer um levantamento das características de um texto, enumerando


seus aspectos relevantes e descrevendo as circunstâncias que o envolvem, as condições de
produção e de recepção do discurso. O texto pode ser de linguagem oral, visual ou digital (palestra,
filme, artigo). A resenha está incluída no rol dos textos técnico-científicos, pela sua natureza objetiva

4
e linguagem técnica.

Tipos de resenha

Resenha informativa

 Um tipo de resenha mais completa e abrangente, que apresenta um resumo


detalhado do texto original, ressaltando os diferentes aspectos válidos, sem entrar
em pormenores, pois o objetivo da resenha não é entrar em detalhes, mas informar
o leitor;
 Deve ser seletiva e não mera repetição das ideias do autor. Nela, devem ser usadas as
próprias palavras do resenhista. Deve seguir a sequência lógica do assunto;
 Pode-se dispensar a leitura do texto original, pela abrangência do conteúdo
resenhado.
 Exemplos: resenhas universitárias, resenhas de textos não traduzidos para o
vernáculo.

Resenha crítica ou, simplesmente, recensão

 Um tipo de resenha em que se formula um julgamento sobre o texto original;


 Deve-se apresentar, primeiramente, o resumo do conteúdo do texto original para,
depois, proceder-se ao comentário ou apreciação crítica de seus vários aspectos:
relevância do assunto, forma de apresentação do assunto, sequência lógica, correção
e adequação da linguagem etc.;
 A crítica pode ser feita, também, ao longo do resumo, sendo esta uma opção do
resenhista;
 Exemplo: resenhas publicadas em revistas especializadas e periódicos.

Estrutura de uma resenha

Introdução

Inicia-se o texto contextualizando o assunto exposto na obra, fazendo-se necessário


levantar a importância dos temas tratados na obra. Na introdução, devem-se apresentar os
objetivos da obra resenhada.

Desenvolvimento

4
Iniciar a resenha apresentando a estrutura da obra: O artigo divide-se em...
Primeiramente... No item seguinte...
Na abordagem das partes do texto, o resenhista deve deter especial atenção à
importância de traduzir o efeito que o autor do texto quis causar no leitor, o que pode ser realizado
por meio do emprego de verbos que demonstrem os atos do autor, tais como: sustentar, contrapor,
confrontar, opor, justificar, defender a tese, debruçar-se, dedicar-se ao estudo, eleger, propor-se a,
demonstrar.
Em um segundo momento, expõe-se o conteúdo apresentado na obra. Essa etapa é o
momento em que o resenhista deve expor as principais ideias defendidas pelo autor, na mesma
sequência lógica em que se apresentam. Vale relembrar que o autor da resenha não deve depreciar
a obra, mas informar ao leitor, de maneira polida, sobre o assunto nela tratado, evidenciando, em
primeiro lugar, a contribuição do autor no que concerne à produção de novos conhecimentos.

Conclusão

Na conclusão da resenha, devem-se ordenar os conhecimentos adquiridos com a leitura,


apresentando as conclusões do autor. Pode-se abordar a relevância dessas conclusões, de modo a
evidenciar os resultados obtidos com a leitura do texto.
Resumo

Definição

O resumo é a apresentação concisa, porém globalizada, dos pontos relevantes de um


texto. A elaboração formal do resumo varia de acordo com sua natureza.

Tipos de resumo científico:

 Resumo indicativo: indica apenas os pontos principais do texto, utilizando frases


curtas que destacam os elementos mais importantes da obra. Por sua natureza muito
concisa, não dispensa a leitura do texto original;
 Resumo informativo: informa todos os dados necessários ao leitor para que este
possa decidir sobre a conveniência da leitura do texto inteiro. Expõe o tema central,
os objetivos, a metodologia, os resultados e as conclusões do trabalho, podendo
dispensar a leitura do texto original;
 Resumo crítico: resumo redigido por especialistas, com análise interpretativa de um

4
documento ou trabalho científico, no qual se processa uma apreciação crítica da obra
resenhada.

Redação do resumo

O resumo, quando solicitado de forma individualizada, compondo em si mesmo um


trabalho acadêmico, deverá ser precedido de referência completa do texto resumido. O texto do
resumo não deve aparecer em forma de esquema, mas, ao contrário, ser um texto redigido de
forma cursiva, concisa e coerente, respeitando o texto original e enfatizando apenas as ideias mais
importantes da obra. Ainda, não se admitem acréscimos ou partes que não constem no original
Quanto à linguagem, esta deve ser clara, com vocabulário adequado a um texto técnico
e uso da terceira pessoa do singular, sem gírias ou expressões do senso comum. Deve-se, também,
evitar abreviaturas, abolindo-se gráficos, tabelas, citações e exemplos, exceto os considerados
imprescindíveis à compreensão do que se resume.

Modelos

a) Resumo em monografias

Esta tese investiga os novos procedimentos da lírica e da pintura modernas, no momento em que a
sociedade coletânea se depara com o advento da realidade virtual, que traz consigo o primado da
imagem. Analisa, também, os aspectos filosóficos e estéticos que acarretaram a “crise de
representação” instaurada nas modalidades artísticas do Ocidente por meio da abordagem
comparativa de artistas representativos da poesia e da pintura na Modernidade: Baudelaire e
Cézanne, Rimbaud e Dalí, Mallarmé e Mondrian. O método consiste na análise qualitativa dos textos
desses autores enquanto precursores da lírica moderna e se concentra na pesquisa bibliográfica em
fontes teóricas da crítica literária e filosófica. Os resultados apontam para o estabelecimento de um
novo estatuto da poesia e da pintura que subverte a noção clássica de “mimese”, estabelecendo

4
outros parâmetros de criação da obra artística e literária. A partir dessa pesquisa, pode-se concluir
que a crise dos paradigmas, que acometeu a vida moderna em seu clímax, resultou numa reação
expressiva da arte e da literatura em suas diferentes manifestações, gerando novos critérios de
apreensão da realidade, o que bem pode ser a ausência completa de paradigmas.
Descritores: Estéticas modernas. Metáfora. Ruptura. Baudelaire –Cézanne. Rimbaud – Dali.
Mallarmé – Mondrian.

b) Resumo em artigos científicos

O discurso de elocução feminina no romance de Lya Luft


Este artigo busca investigar o discurso de elocução feminina na obra da escritora gaúcha Lya Luft.
Também procura demonstrar, por meio dos romances As Parceiras (1980), A asa esquerda do anjo
(1981) e O ponto cego (1999) e das prosas poéticas Histórias do tempo (2000) e Mar de dentro
(2002), a concepção filosófico-literária do universo feminino. Destaca, por intermédio do discurso
ficcional luftiano, em cada personagem feminina, os estágios de amadurecimento psicológico desta
mulher-escritora, que se permite ser vista da ótica de uma constante metamorfose e em busca de
autoconhecimento. Os resultados obtidos indicam que o discurso feminino é constituído por uma
temática própria e por recursos de linguagem como a elocução simbólica, a dicção, o ritmo e o tom,
que fortemente se apresentam em Lya Luft, especialmente nas obras analisadas. Dessa forma, é
possível concluir que Luft é uma agente de transformação fundamental para a literatura feminina,
não somente por dar novos rumos ao discurso feminino, mas principalmente porque é fruto da
inquietação e do desejo de autorrevelação da voz feminina em nossa literatura.
Descritores: Discurso feminino. Análise do discurso. Lya Luft. Prosa de ficção. Prosa poética.

Relatórios

Documentos formais em que se descrevem os resultados obtidos em uma investigação


ou se relata a execução de experiências ou serviços.
Verbete

Relatório: exposição
escrita na qual se
descrevem fatos e dados.

4
Relatório técnico-científico

O relatório técnico-científico expõe, de forma sistemática, informação dirigida a


especialistas da área, devendo apresentar conclusões e recomendações, uma vez que é elaborado
com a finalidade de ser submetido à apreciação de pessoas ou organismos. A estrutura de relatórios
técnico-científicos obedece a uma ordenação lógica dos elementos que a compõem, conforme
descrito a seguir:

 capa;
 folha de rosto;
 resumo: é a apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto (ABNT, 2003b),
objetivando esclarecer o leitor sobre a conveniência ou não de consultar o texto
integralmente e acelerar o processo de divulgação do trabalho. O resumo deve ressaltar
objetivo, materiais ou (casuística) métodos, resultados e conclusões do trabalho;
 listas (quando houver);
 sumário;
 introdução: parte inicial do texto no qual se expõe o assunto como um todo. Inclui
informações sobre a natureza e a importância do problema, sua relação com outros
estudos sobre o mesmo assunto, razões que levaram à realização do trabalho, suas
limitações e seu objetivo. Deve esclarecer se o trabalho constitui uma confirmação de
observações de outros autores ou se contém elementos novos, realçando, sempre
que possível, a fundamentação clara das hipóteses. Na introdução, pode estar
contida a revisão da literatura, não devendo, entretanto, incluir as conclusões. A
revisão de literatura tem por objetivo sintetizar, de forma clara, as várias ideias
arroladas nos trabalhos anteriores que serviram de base à investigação que está
sendo realizada. Existe, atualmente, uma tendência a limitar a revisão às
contribuições mais importantes diretamente ligadas ao assunto, dando ênfase às
mais recentes, que oferecem base para a derivação das hipóteses e a explicação de
sua fundamentação;
 desenvolvimento: é, em essência, a fundamentação lógica do trabalho de pesquisa
cuja finalidade é expor, analisar e demonstrar. Ainda que não haja uma norma rígida
sobre o desenvolvimento e este não constitua um item específico para trabalhos
científicos, ele apresenta, em geral, as seguintes partes: materiais e métodos,
resultados e discussão;
 materiais e métodos ou casuística e método: compreende-se o instrumental
empregado e a descrição das técnicas adotadas incluindo-se a experimentação com
pormenores. Materiais e métodos devem ser descritos de maneira precisa e breve,
possibilitando, assim, a repetição do experimento com a mesma precisão. Eles devem
ser apresentados na sequência cronológica em que o trabalho foi conduzido. Os
métodos que já tenham sido publicados devem ser referidos apenas por citação, a
não ser que tenham sido substancialmente modificados. Nas pesquisas com seres
h

5
umanos, o título da seção deve ser Casuística e métodos. Podem ser incluídos,
também, gráficos e tabelas que ilustrem os processos seguidos pelo autor:
instrumentação (indicação de testes, medidas, observações, escalas, questionários a
serem usados); coleta de dados (informações sobre como, quando, onde e por que
foram aplicados os processos de pesquisa) e tratamento estatístico. Equipamentos,
produtos e outros materiais que estejam sendo utilizados pela primeira vez devem
ser descritos com detalhes, inclusive com fotografias e desenhos. Marcas comerciais
de equipamentos, drogas e outras só deverão ser incluídas quando contribuírem
significativamente para melhor compreensão e avaliação do trabalho;
 resultados e discussão: devem ser apresentados de forma objetiva, precisa, clara e
lógica, utilizando-se tabelas, figuras e fotografias que complementem o texto. Podem
ser subdivididos em tópicos que correspondam a cada uma das perguntas levantadas
ou hipóteses formuladas. São apresentados tanto os resultados positivos quanto os
negativos, desde que possuam significado importante. É a comparação entre os
resultados obtidos pelo autor e os encontrados em trabalhos anteriores, permitindo
uma análise circunstanciada que estabeleça relações entre eles e deduções das
proposições e generalizações cabíveis. Baseada em fatos comprovados, deve
ressaltar os aspectos que confirmem ou modifiquem de modo significativo as teorias
estabelecidas, apresentando novas perspectivas para a pesquisa;
 conclusão: destina-se à demonstração da confirmação positiva ou negativa da
hipótese. Fundamenta-se no texto e é decorrente das provas relacionadas na
discussão. Recapitula, sinteticamente, os resultados da pesquisa e pode trazer
propostas e sugestões originadas nos dados coletados e estudados. Quando houver
várias conclusões, intitula-se no plural, porém recomenda-se que cada uma das
conclusões seja enumerada independentemente. Atente-se para o fato que a
conclusão não é um resumo do trabalho;
 anexos e apêndices;
 agradecimentos;
 referências.
Relatório de estágio

Este tipo de relatório apresenta a estrutura descrita como segue:


 capa;
 identificação: caracteriza o relatório quanto a:
o aluno estagiário: nome completo do aluno;
o orientador: responsável pela orientação do aluno;
o local: local de realização do estágio, considerando instituição/ cidade/estado;
o período de execução: registrar o período (dia/mês/ano) de início e término da
execução do estágio;
o título: deve sintetizar seu objetivo essencial;
o atividades desenvolvidas: descrever as atividades realizadas durante o período
de estágio;
o local e data: local e data de elaboração do relatório;
o assinaturas: estagiário e orientador.

5
Artigos Científicos

Os artigos científicos são estudos criteriosos que abordam uma questão de relevância
científica, ou seja, manifestam o resultado de uma investigação de uma pesquisa científica
sistemática a respeito de determinado assunto. Frequentemente, decorrem da realização de
pesquisas inéditas.
Saiba mais:

O artigo científico apresenta os resultados de uma


investigação de forma sintética.

Em geral, são textos publicados em revistas acadêmicas ou que constituem,


considerando um conjunto deles, livros. Para as Ciências Humanas e Sociais, os resultados de
pesquisa podem ser apresentados em forma de ensaio, que, apesar de conter a mesma estrutura
textual do artigo, apresenta-se de maneira cursiva, sem as divisões das partes.
O que pode ser conteúdo de um artigo?

O artigo pode abordar assuntos diversos, considerando diferentes perspectivas, como,


por exemplo:

 ser um estudo criterioso para oferecer soluções ou propostas de solução para um


problema ou uma questão que tem gerado controvérsias;
 apresentar um estudo pessoal a respeito de um assunto, considerando dados
fornecidos por outros autores;
 levar ao conhecimento do público interessado ou especializado um dado totalmente
novo, não conhecido nem explorado por outros estudiosos;
 discutir um assunto, relacionando posições diferentes a respeito do mesmo tema e
apontando as lacunas existentes ou questões às quais os estudos ainda não
responderam.

Estrutura

O artigo estrutura-se da mesma forma que os demais textos científicos. Importante, no


entanto, é o destaque de alguns desses aspectos:

5
 título: deve sintetizar seu aspecto essencial;
 autor: nome completo, titulação, seguido do nome da instituição a que pertence,
com referido endereço eletrônico;
 resumo: deve ressaltar o objetivo, o material e os métodos (ou casuística e métodos),
os resultados e as conclusões do trabalho, observando o máximo de 250 palavras,
compondo único parágrafo;
 palavras-chave ou descritores: visam à indexação do artigo e se destinam a
descrever cientificamente o assunto. A definição das palavras-chave deve ter base
em vocabulários controlados, ou seja, Decs/Bireme (área da Saúde), Inep (área da
Educação) e Sibinet USP (área de Humanas);
 introdução: deve apresentar uma exposição breve do tema tratado, apresentando-o
de maneira geral. Também, na introdução, são apresentados os objetivos do estudo
realizado e a justificativa da escolha do tema. Deve-se situar o problema da
investigação no contexto geral da área e indicar os pressupostos necessários à sua
compreensão. A introdução pode, ainda, conter conceituações básicas ou revisão
bibliográfica;
 material e métodos ou casuística e métodos: descrição de material, métodos,
técnicas e processos utilizados na investigação. Imprescindível é apresentar os
critérios de inclusão e exclusão da amostra em estudo;
 resultados e discussão: visa a discutir, confirmar ou refutar hipóteses inerentes à
investigação. Deve detalhar, de forma objetiva e clara, os resultados da investigação,
correlacionando-os com a revisão bibliográfica;
 conclusão ou considerações finais: trata-se do momento em que o autor expõe,
resumidamente, suas deduções, o que deve ser uma resposta aos objetivos
apresentados. Também, nesse momento, é possível explicitar um ponto de vista
pessoal, com base nos dados obtidos e na interpretação realizada. Pode, ainda,
apresentar sugestões ou recomendações para outros estudos na área;
 referências.

Comunicação Científica

Informação apresentada em congressos, simpósios, reuniões científicas, academias ou


sociedades científicas em que se expõem resultados recentes de pesquisas. É acompanhada de
exposição oral (de curta duração, entre 10 a 15 minutos) ou em forma de painéis. Seu objetivo não é
o aprofundamento, mas a socialização de resultados.

Painel

5
De caráter visual, painéis são demonstrativos do resultado de pesquisas e estudos
realizados nas atividades acadêmicas e representam a forma de comunicação científica mais
utilizada, atualmente, nos encontros de diversas áreas de conhecimento. Devem sintetizar, de forma
clara, os principais aspectos relacionados ao estudo realizado. As letras dos textos e das figuras
devem ser legíveis a uma distância de 2,0 metros. A dimensão do painel deverá ser de 60 cm de
largura por 90 cm de altura.

Estrutura

 Título: deve apresentar letras com tamanho mínimo de 1,5 cm de altura, fonte Arial
28, caixa alta, negrito;
 Autor: o nome do(s) autor(es), seguido(s) da(s) respectiva(s) instituição(ões) a(s)
qual(is) pertence(em), deve(em) apresentar o tamanho das letras, no mínimo, de 1,0
cm de altura, fonte Arial 20, normal, negrito. Para os demais componentes do painel,
o tamanho mínimo das letras deve ser de 0,8 cm para maiúscula e 0,6 cm para
minúscula, fonte Arial 14, normal;
 Introdução: deve conter informações que situem os leitores em relação ao problema
estudado e ao embasamento teórico que o sustenta. Podem ser feitas citações
bibliográficas e apresentar informações relativas à justificativa, aos objetivos e à área
de conhecimento;
 Objetivo: deve ser claro, sucinto e expressar respostas às questões relevantes ao
problema focalizado no trabalho;
 Material e métodos ou casuística e métodos: descreve a metodologia empregada no
estudo realizado. Em todos os tipos de estudo, é essencial que este tópico seja
discutido de maneira bastante detalhada, deixando nítido o desenvolvimento de
todas as etapas do trabalho, uma vez que a validade dos dados obtidos está
diretamente relacionada aos métodos empregados para sua obtenção. Em trabalhos
que envolvem um levantamento de campo, pode-se descrever a área quanto aos
aspectos econômicos e étnicos, ambiente físico e formações naturais, entre outros.
Informações sobre a localização geográfica da região em questão são fundamentais.
Em determinados estudos, como os realizados considerando revisões bibliográficas, o
termo ‘metodologia’ pode mostrar-se mais apropriado que material e métodos;
 Resultados e discussão: os dados obtidos no estudo devem estar contidos neste
tópico. Figuras, principalmente gráficos, além de tabelas – que devem ser dispostas
nas laterais direita e esquerda, numeradas, identificadas e, quando for o caso,
constarem da fonte –, podem ser ferramentas úteis para a descrição dos resultados.
A discussão deve ser feita com base nos dados obtidos, devendo estar fundamentada
em uma revisão bibliográfica que pode ser comparativa e enfocar o conhecimento
obtido considerando-se outros trabalhos na mesma área de estudo. Os resultados
podem ser apresentados separadamente da discussão, porém, muitas vezes, isso
torna a leitura um pouco repetitiva, além de, em muitos casos, tornar-se difícil
determinar um limite entre a descrição dos resultados e sua discussão;
 Conclusão ou considerações finais: de forma bastante objetiva, o conhecimento
gerado considerando o estudo realizado deve estar contido neste item. A relevância

5
dos resultados obtidos para a comunidade científica e/ou geral, além das possíveis
próximas etapas do trabalho executado, também pode figurar neste tópico;
 Referências: este item não é obrigatório na estrutura do painel. Entretanto, quando
houver citação de autor no texto, faz-se necessário indicá-lo.

Agora que você já conhece os tipos de trabalhos e a estrutura de vários trabalhos acadêmicos,
responda às questões propostas para ver se compreendeu o conteúdo do capítulo.

Explore seu conhecimento


1. Qual a importância da leitura na produção do trabalho monográfico e como fazê-la?

2. Quais são os critérios para se realizar a leitura na produção do trabalho monográfico?

3. Conceitue os trabalhos monográficos quanto à sua natureza.


a) Trabalho de conclusão de curso;
b) Monografia;
c) Dissertação;
d) Tese.

4. Por que os elementos textuais constituem as partes essenciais da monografia?


5. Qual a principal característica de uma resenha crítica?

6. O que é um artigo científico e qual sua importância?

Elementos de Apoio ao Texto

Que tal conhecer os elementos importantes dos trabalhos chamados de Elementos de


Apoio ao Texto?

Citação

5
É a menção, no texto, de uma informação obtida de outra fonte. Pode ser uma
transcrição ou paráfrase, direta ou indireta, de fonte escrita ou oral.

As citações podem figurar incluídas no texto, em nota de rodapé ou remetendo às


referências no final do texto. As citações podem ser representadas pelos sistemas numérico ou
autor-data, devendo o sistema escolhido ser mantido ao longo de todo o trabalho.

Sistema numérico

Neste sistema, os documentos citados são representados por números arábicos e em


ordem crescente, na medida em que aparecem no texto. A indicação numérica no texto deve ser
feita situando-a de forma sobrescrita à linha do texto.

Exemplo:
[...] era mesmo muito feliz1
A ordem das referências no sistema numérico também é numérica de acordo com o
número que foi atribuído a cada documento.

5
Sistema autor-data

Neste sistema, as citações devem incluir o autor, a data de publicação e a(s) página(s) do
documento referenciado. No caso de a indicação de autoria aparecer no decorrer do texto, apenas a
inicial do nome deve aparecer em maiúscula e, quando a autoria se apresentar entre parênteses,
todas as letras do nome devem ser maiúsculas. Tem sido mais utilizado nos trabalhos acadêmicos do
que o sistema numérico.

Exemplos:
Segundo Xavier (2004, p. 243) o aquecimento global está só começando.
O aquecimento global está só começando (XAVIER, 2004, p. 243).

 Citação de até três autores: quando a obra for de autoria de até três pessoas, estas
serão citadas pelos respectivos sobrenomes.
Exemplos:
Resultado semelhante foi obtido por Santos e Barbosa (1995)...
ou
A delimitação da área do projeto de assentamento rural e a distribuição dos lotes
devem garantir as condições mínimas de vida (PINHEIRO; MARIAN, 1997).
Ainda:
Conforme Moran, Masetto e Behrens (2002, p. 37)...
ou
“O ver está, na maior parte das vezes, apoiando o falar, narrar, o contar histórias.”
(MORAN; MASETTO; BEHRENS, 2002, p. 37).
 Citação com mais de três autores: quando a obra for de autoria múltipla, deve ser
citada pelo sobrenome do primeiro autor, seguido da expressão ‘et al.’, o ano e a(s)
página(s).
Exemplos:
Conforme notam Rodrigues et al. (1990), a redundância, ao contrário do que
geralmente se acredita, nem sempre representa desperdício ou ineficiência.
ou
.... (RODRIGUES et al., 1990)
 Citação de vários trabalhos do mesmo autor publicados em anos diferentes:

5
trabalhos diferentes de um mesmo autor devem ser citados pelo sobrenome e os
vários anos de publicação, em ordem cronológica, separados por vírgula (,).
Exemplo:
Os modelos por meio dos quais foram feitas as comparações denominadas por
nós de modelos I e II foram as genéticas – estatísticas de cruzamento, [...].
(CONSTACK, 1948, 1952).
 Citação de vários autores com a mesma opinião: para fazer citações de autores e
trabalhos diferentes sobre uma mesma opinião, deve-se obedecer à ordem alfabética
seguida de ordem cronológica.
Exemplo:
... enquanto Crocomo e Parra (1979), Crocomo e Parra (1985), Evendramin et al.
(1983) e Silva (1981) verificaram uma oscilação de valores...
ou
... (CROCOMO; PARRA, 1979, 1985; EVENDRAMIN et al., 1983; SILVA, 1981).
 Citação de citação: é a transcrição de palavras textuais ou conceitos de um autor a
cuja obra não se teve acesso direto. A citação de citação é indicada pelas expressões
‘apud’ ou ‘citado por’ e deve ser evitada, uma vez que a obra original não foi
consultada e há risco de falsa interpretação e incorreções.
Exemplos:
Marinho, citado por Markoni e Lakatos (1982, p. 150), apresenta a formulação do
problema como a fase da pesquisa, que, sendo bem delimitada, simplifica e facilita a
maneira de conduzir a investigação.
ou
Marinho (apud MARKONI; LAKATOS, 1982, p. 150)...
Importante: A entrada da citação deve ser idêntica à entrada estabelecida para a
referência bibliográfica do referido documento.

Citação direta ou textual

É a transcrição fiel de grafia, redação e pontuação do documento consultado. Deve ser


apresentada entre aspas e trazer a indicação da página consultada.

 Citação direta até três linhas: é inserida no texto, em fonte normal (Arial 12), entre
aspas.
Exemplo:

5
“[...] a técnica é a maneira mais adequada de se vencer as etapas indicadas pelo
método. Por isso diz-se que o método equivale a estratégia, enquanto a técnica
equivale a tática [...].” (GALIANO, 1986, p. 14).
 Citação direta com mais de três linhas: a citação direta com mais de três linhas deve
ser destacada do texto, recuada a 4 cm da margem esquerda, digitada em tamanho
menor (fonte 11) que o texto principal (fonte 12), em espaço simples e sem aspas.
Exemplo:
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o Fórum Nacional de
Normalização. As Normas Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade
dos Comitês Brasileiros (ABNT/CB) e dos Organismos de Normalização
Setorial (ABNT/NOS), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE),
formadas por representantes dos setores envolvidos. (ABNT, 2002, p. 1).

As supressões [...] e os acréscimos [ ] devem ser indicados por colchetes.

Citação indireta

Usada quando são reproduzidas as ideias e informações do documento, sem transcrição


das palavras do autor. Não se deve usar aspas, mas deve ser indicada a fonte da referência.

Muito bem, feitas as considerações de como fazer as citações nos trabalhos


monográficos, você sabe dizer como são feitas as referências bibliográficas? Veja a seguir como não
tem segredo, basta conhecer um pouco a ABNT e, assim, seguir alguns padrões.

7.1 Normas para Referências Bibliográficas

Referência bibliográfica é o conjunto de elementos que permitem a identificação de


documentos, no todo ou em parte, utilizados como fonte de consulta e citados nos trabalhos
elaborados. Vamos ver como fazer essas referências?
As referências bibliográficas devem ser alinhadas à esquerda e digitadas utilizando-se
espaço simples entre suas linhas. Entre uma referência e outra, deve-se adotar espaço duplo.
Todas as regras estabelecidas neste item seguem o preconizado pela NBR 6023 (ABNT,
2002).

5
Elementos Essenciais

São aqueles elementos indispensáveis à identificação de um documento: autor(es),


título, edição, local, editora e data de publicação.

Elementos Complementares

São aqueles opcionais, que, acrescentados aos essenciais, permitem melhor caracterizar,
localizar ou obter publicações:

 Indicações de responsabilidade (tradutor, revisor etc.);


 Descrição física ou notas bibliográficas (nº de páginas ou volumes);
 Ilustrações, dimensões;
 Série ou coleção;
 Notas especiais;
 ISBN.

Localização

As referências podem aparecer em notas de rodapé, mas devem compor uma lista
alfabética ou numérica que estará localizada no fim do trabalho, respeitando-se a ordem
estabelecida para os elementos pós-textuais.

Modelos de Referências

6
A seguir, são apresentados exemplos de referências bibliográficas comumente utilizadas
em trabalhos acadêmicos.

Monografia no todo

Inclui livro, folheto, entre outros.


 Com um autor:

 Com dois ou três autores:

 Com mais de três autores:

 Com indicação explícita de responsabilidade pelo conjunto da obra (Coordenador,


Organizador etc.):

6
 Referenciadas pelo título:

 Autores com nomes que indicam parentesco:

 Em formato eletrônico:

Monografia considerada em parte

 Quando o autor da parte for o mesmo da obra no todo:

6
 Em formato eletrônico:

Dissertações e teses

 Em formato eletrônico:

Publicações periódicas

6
Publicações periódicas como todo

 Em formato eletrônico:

Parte de publicações periódicas

 Artigos de publicações periódicas:

 Em formato eletrônico:

6
Eventos (congressos, seminários, simpósios etc.)

 Em formato eletrônico:

Vídeos, DVDs, filmes, fitas de vídeo

Documentos de acesso exclusivo em meio eletrônico

 Bases de dados:

6
Caro(a) aluno(a), agora que já estudamos sobre as referências bibliográficas, vamos passar para as
questões propostas.

Explore seu Conhecimento


1. O que são citações e qual sua localização?
2. Qual a importância das citações no trabalho acadêmico?
3. Quais são os elementos essenciais das Referências?
4. De acordo com a ABNT, quais dessas referências estão corretas:
a) ROMÃO, J. E. Avaliação dialógica: desafios e perspectivas. São Paulo: Cortez, 1999.
b) MACHADO, A. R.; LOUZADA, Eliane; ABREU-TARDELLI, L. S. Planejar gêneros acadêmicos. São
Paulo, 2005. 116 p.
c) WERNET, M. Experiência de tornar-se mão na unidade de cuidados intensivos neonatal.
135f. Tese (Doutorado em Enfermagem). Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo,
São Paulo, 2007. Disponível em <http://www.teses.usp.br/>.

Respostas Comentadas

Capítulo 1

1. Prezado(a) aluno(a), nesta questão foi solicitado que você caracterizasse um estudo científico.
Vejamos as características: segundo Umberto Eco (1999), um estudo é científico quando atende a
alguns quesitos. Em primeiro lugar, deve tratar de um objeto reconhecível e definido. O segundo
quesito consiste em dizer do objeto de estudo algo que ainda não foi dito, rever sob uma ótica
difere

6
nte o que já se disse ou reunir as opiniões e afirmações já ditas acerca de um dado objeto de
estudo. O terceiro quesito apresentado por Eco (1999) afirma que a pesquisa deve ser útil aos
demais. Por fim, como quarto quesito, a pesquisa deve fornecer elementos para a verificação e a
contestação das hipóteses apresentadas.
2. Nesta segunda questão, você deve colocar em jogo o que compreendeu acerca do método
científico, esclarecendo o que significa qualificar um método de científico. Caro(a) aluno(a),
qualificar um método de científico significa que foi elaborado com caminhos rigorosos,
sistematizados, ordenados, com o intuito de atingir a determinados fins que dizem respeito à
nossa busca por conhecimentos válidos e torná-los objeto de estudo reconhecível e passível de
verificação pelos demais.

Capítulo 2

1. Caro(a) aluno(a), conhecimento espontâneo ou senso comum são conhecimentos passados de


geração em geração, pela tradição cultural, assimilados ou transformados de forma espontânea.
O senso comum é empírico e desprovido de explicações, pois se baseia apenas na experiência
cotidiana, sem o rigor que a experiência científica exige. Por sua vez, o conhecimento científico
resulta de investigação, é verificável, acompanha procedimentos científicos e é obtido de modo
racional.
2. Caro(a) aluno(a), o que diferencia o senso comum do conhecimento científico é o rigor.
Enquanto o senso comum deriva de conhecimentos espontâneos, o científico provém de
sistematicidade.

Capítulo 3

1. Vamos refletir sobre as três fases percorridas pela história da Ciência? De acordo com o texto, no
passado as religiões determinavam a forma como eram compreendidos os fenômenos da vida,
oferecendo explicações para o porquê dos acontecimentos, da origem do ser humano e do
próprio universo. Em seguida, o ser humano passou a fundamentar-se mais na sua capacidade
racional de compreensão do que nas suas crenças. Num primeiro momento, conciliando
conhecimentos racionais e aqueles oriundos de suas crenças religiosas e, depois, pautando-se
cada vez mais pelas respostas que conseguia obter apenas pelo uso de suas faculdades racionais.
2. Caro(a) aluno(a), com base no conhecimento construído acerca de Método Científico e Ciência,
diga-nos: o que é necessário para que a pesquisa seja definida como científica? Pesquisa é um
processo de investigação orientado, visa a buscar determinado conhecimento e se preocupa em
descobrir as relações existentes entre os aspectos que envolvem os fatos, fenômenos e
situações. Para que a pesquisa seja considerada científica, é necessário que se desenvolva de
maneira organizada e com procedimento reflexivo sistemático, seguindo um planejamento
previamente estabelecido pelo pesquisador, permitindo, assim, a descoberta de novos
conhecimentos.

Capítulo 4

6
1. Querido(a) aluno(a), após reunir as informações a respeito da pesquisa, você deveria dissertar
sobre o ponto de partida da pesquisa. Toda pesquisa tem como ponto de partida o
conhecimento e a identificação dos elementos que compõem a problemática a ser esclarecida.
Para tanto, é necessária uma pesquisa preliminar como ponto de partida, para a definição do
problema, das hipóteses e do roteiro da pesquisa. É preciso, ainda, conhecer disponibilidade de
recursos: tempo, recursos financeiros, acessibilidade às informações, recursos técnicos e
tecnológicos.
2. Prezado(a) aluno(a), antes de iniciar qualquer pesquisa, é necessário conhecer o estágio em que
se encontra o assunto a ser trabalhado; sendo que por meio da pesquisa bibliográfica é possível
realizar essa investigação. Posto isso, é necessário determinar cientificamente a amostra a partir
da qual serão tiradas as conclusões, pois não é possível trabalhar com todo o universo a ser
estudado. Por fim, definida a amostra, cabe ao pesquisador estabelecer os critérios da coleta e
do registro das informações, com o objetivo de dirimir as devidas conclusões.

Capítulo 5

1. Com base nas informações apresentadas no capítulo 5 da apostila, você foi convidado a escrever
sobre o anteprojeto de pesquisa. Vejamos: um anteprojeto de pesquisa, redigido após um
conhecimento prévio do assunto, se caracteriza como uma elaboração prévia das ações de um
projeto de pesquisa. Trata-se de um texto que possui caráter provisório, que assim se caracteriza
por permitir alterações no seu processo de reelaboração.
2. Neste capítulo também abordamos questões fundamentais acerca do Projeto de Pesquisa. A
questão dois versava sobre as funções do projeto de pesquisa, induzindo o(a) aluno(a) a pensar
sobre a função desse documento. O projeto de pesquisa tem as seguintes funções: define e
planeja para o orientando o caminho, as etapas e as estratégias da pesquisa; facilita o trabalho
de orientação da pesquisa; subsidia discussão e avaliação da pesquisa; é base para avaliação e
seleção em programas de pós-graduação e para a solicitação de recursos financeiros; e facilita a
discussão do projeto em seminários.

Capítulo 6

1. O texto é um entrelaçamento de ideias, sentimentos, repertórios culturais, contextos e


intencionalidades que produz muitos e variados significados. Caro(a) aluno(a), nesse sentido, a
palavra ‘texto’ é mais abrangente do que um documento escrito ou oral. Entendido dessa forma,
dependendo do contexto, todos esses sinais podem ser um texto para alguém.
2. Caro(a) aluno(a), nesta questão foi sugerido que você definisse: Análise; Explicação;
Interpretação; e Comentário. Querido(a) aluno(a), Análise é examinar parte por parte de um
todo, é a decomposição dos vários níveis de pensamento que constituam sentido; Explicação: é
enunciar o que há num texto: desdobrar, mostrar o que está exposto, pressuposto, implicado,
subentendido, suas articulações, os termos-chave; Interpretação: é a busca da síntese ou da
reintegração das partes no todo. A interpretação encontra-se intimamente vinculada ao ponto
de vista; e Comentário: é um diálogo com o texto, procurando situá-lo em relação ao autor e à
sua obra ou contribuição. No comentário, são introduzidos acréscimos exteriores ao texto,
buscando estabelecer juízos de valor acerca da sua produção.

6
Capítulo 7

1. Foi solicitado que você discorresse sobre a importância da leitura na produção do trabalho
monográfico, também perguntamos como realizá-la. É importante realizar uma primeira triagem
durante a leitura para ver o que realmente será lido e é interessante para a pesquisa. Dessa
forma, seguindo os critérios de atualidade e generalidade, pode-se recorrer a resenhas das
obras, opinião de especialistas e tomar contato com a obra.
2. Prezado(a) aluno(a), ao realizar a leitura você deve fazer uma primeira triagem, deve utilizar os
seguintes critérios: atualidade: dos textos mais recentes para os mais antigos (não dispensando a
leitura dos clássico); e generalidade: das obras mais gerais para as monografias especializadas e
artigos científicos.

Capítulo 8
1. Na questão 1 você deveria conceituar os trabalhos monográficos quanto à sua natureza.
Vejamos a resposta:
a) Trabalho de Conclusão de Curso (TCC): resultado de um estudo visando à conclusão de um
curso de graduação;
b) Monografia: resultado de um estudo visando à obtenção do título de Especialista;
c) Dissertação: resultado de um trabalho experimental, de tema único, com o objetivo de reunir,
analisar e interpretar informações ou a exposição de um estudo científico retrospectivo,
visando à obtenção do título de Mestre;
d) Tese: documento escrito visando à obtenção do título de Doutor e que representa um estudo
científico de tema único, bem delimitado e original.
2. Vamos pensar sobre os elementos textuais que constituem as partes essenciais da monografia?
Prezado(a) aluno(a), já vimos que os elementos textuais são aqueles que constituem o núcleo do
trabalho. É a parte principal, na qual se apresenta o conteúdo de todo o trabalho. Os elementos
textuais são compostos por introdução, desenvolvimento e conclusão; cada um desses
elementos atende a uma finalidade própria e a relação que entre eles se estabelece configura
uma estrutura orgânica, pois juntos compõem um todo, ou seja, a estrutura monográfica.

Capítulo 9

1. Caro(a) aluno(a), citação é a menção, no texto, de uma informação obtida de outra fonte. Pode
ser uma transcrição ou paráfrase, direta ou indireta, de fonte escrita ou oral. As citações podem
figurar incluídas no texto, em nota de rodapé ou remetendo às referências no final do texto.
2. Nesta questão, esperamos que você tenha refletido sobre a importância das citações no
trabalho acadêmico. Querido(a) aluno(a), as citações no trabalho científico fundamentam e
embasam as ideias e o raciocínio do autor do trabalho. Além disso, são importantes, pois
denotam pesquisa, reflexão e ética por parte do autor. É fundamental que elas sejam utilizadas
no decorrer do trabalho, pois denota ética e pesquisa por parte do pesquisador.

6
Capítulo 10

1. Caro(a) aluno(a), neste capítulo você foi convidado(a) a refletir sobre os elementos essenciais
das Referências, sobre quais deles não poderiam faltar na identificação da obra lida. Assim, os
elementos indispensáveis à identificação de um documento são: autor(es), título, edição, local,
editora e data de publicação.
2. Na segunda questão, faremos a análise das referências apresentadas, de acordo com a ABNT
são:
c) ROMÃO, J. E. Avaliação dialógica: desafios e perspectivas. São Paulo: Cortez, 1999.
Está correta. Autor com primeira letra maiúscula, título em negrito, subtítulo em fonte
normal; local; editora; ano e número de páginas.
d) MACHADO, A. R.; LOUZADA, Eliane; ABREU-TARDELLI, L. S. Planejar gêneros acadêmicos. São
Paulo, 2005. 116 p.
Não está correta. O nome da segunda autora não está abreviado como os demais; o título
não está em negrito; e falta o nome da editora.
e) WERNET, M. Experiência de tornar-se mão na unidade de cuidados intensivos neonatal.
135f. Tese (Doutorado em Enfermagem). Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo,
São Paulo, 2007. Disponível em <http://www.teses.usp.br/>.
Não está correto. Falta a data de acesso do link mencionado.

Capítulo 11

1. Caro(a) aluno(a), neste capítulo foram propostas duas questões. A primeira delas perguntava
qual a principal característica de uma resenha crítica. Ao retomar a leitura do capítulo veremos
que a principal característica de uma resenha crítica é a apreciação crítica do texto original. Após
a apresentação do resumo do conteúdo do texto original, deve-se tecer comentários e
julgamentos dos seus vários aspectos: relevância do assunto, forma de apresentação do assunto,
sequência lógica, correção e adequação da linguagem etc.
Na segunda questão, buscou-se a reflexão acerca dos artigos científicos. Caro(a) aluno(a), os artigos
científicos são estudos criteriosos que abordam uma questão de relevância científica e que, em
geral, são textos publicados em revistas acadêmicas ou que constituem, considerando um conjunto
deles, livros.

7
Referências Bibliográficas

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10719 Elaboração de relatórios técnico-


científicos. Rio de Janeiro: ABNT, 1989.

______. NBR 1256 Apresentação de originais. Rio de Janeiro: ABNT, 1990.

______. NBR 10520 Citações em documentos. Rio de Janeiro: ABNT, 2002.

7
______. NBR 6023 Informação e documentação – Referências: elaboração. Rio de Janeiro: ABNT,
2002.

______. NBR 6024 Numeração progressiva das seções de um documento escrito. Rio de Janeiro:
ABNT, 2003a.

______. NBR 6028 Resumos. Rio de Janeiro: ABNT, 2003b.

______. NBR 6027 Sumário. Rio de Janeiro: ABNT, 2003.

______. NBR 6034 Informação e documentação, índice, apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.

______. NBR 14724 Informação e documentação, trabalhos acadêmicos, apresentação. Rio de


Janeiro: ABNT, 2005.

BASTOS, D. R. Apresentação de trabalhos acadêmicos: uso das normas da ABNT. Apostila. São
Paulo: Universidade de Santo Amaro, 2008.

CHALMERS, A. O que é ciência, afinal? Tradução de Raul Fiker. 3. reimp. São Paulo: Brasiliense,
1999. 225 p.

ECO, U. Como se faz uma tese. Tradução de Gilson Cesar Cardoso de Souza. 15. ed. São Paulo:
Perspectiva, 1999. 170 p.

FÁVERO, L. L. Coesão e coerência textuais. 8. ed. São Paulo: Ática, 2000. 104 p.

GUIMARÃES, E. A articulação do texto. 5. ed. São Paulo: Ática, 1997. 87 p.

HEGENBERG, L. Explicações científicas: introdução à filosofia da ciência. São Paulo: Herder; EDUSP,
1969. 308 p.

KÖCHE, J. C. Fundamentos de metodologia científica: teoria da ciência e prática da pesquisa. 14. ed.
rev. e ampl. Petrópolis: Vozes, 1997. 180 p.

LAKATOS, E.; MARCONI, M. A. Fundamentos de metodologia científica. 3. ed. rev. e ampl. São
Paulo: Atlas, 1991. 270 p.

MACIEL JUNIOR, A. Pré-socráticos: a invenção da razão. São Paulo: Odysseus, 2003.

7
MANUAL de orientação para trabalhos acadêmicos. União Social Camiliana - Centro Universitário
São Camilo e Sistema Integrado de Bibliotecas Pe. Inocente Radrizzani. São Paulo: União Social
Camiliana – Centro Universitário São Camilo, 2007. 88 p.

MORA, J. F. Dicionário de filosofia. São Paulo: Loyola, 2000. Tomos I-IV.

ORLANDI, E. P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 3. ed. Campinas: Pontes, 2001. 100
p.

PARRA FILHO, D.; SANTOS, J. A. Metodologia científica. 5. reimp. São Paulo: Futura, 2003. 277 p.

RUIZ, J. A. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. São Paulo: Atlas, 1982.

SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 21. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 2000. 279
p.

7
APÊNDICE

Sugestões de leitura sobre o tema

ALVES, R. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. 9. ed. São Paulo: Loyola, 2005. 223
p.

BOAVENTURA, E. Como ordenar as ideias. 7. ed. São Paulo: Ática, 1999. 59 p.

CHÂTELET, F. Uma história da razão: entrevistas com Émile Noël. Tradução de Lucy Magalhães. Rio
de Janeiro: Jorge Zahar, 1994. 159 p.

FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto: leitura e redação. 16. ed. 2. reimp. São Paulo:
Ática, 2001.

FOLSCHEID, D.; WUNENBURGER, J. J. Metodologia filosófica. Tradução de Paulo Neves. São Paulo:
Martins Fontes, 1997. 394 p.

GLEISER, M. A dança do universo: dos mitos de criação à teoria do Big-bang. São Paulo: Companhia
das Letras, 1997.

KUHN, T. S. A estrutura das revoluções científicas. Tradução de Beatriz Boeira e Nelson Boeira. São
Paulo: Perspectiva, 1975. 262 p.

MARTINS FILHO, E. L. Manual de redação e estilo de O Estado de São Paulo. 3. ed. rev. e ampl. São
Paulo: Moderna, 1997. 400 p.

OMNÈS, R. Filosofia da ciência contemporânea. Tradução de Roberto L. Ferreira. São Paulo: Unesp,
1996. 319 p.

POPPER, K. A lógica da pesquisa científica. Tradução de Leonidas Hegenberg e Octany S. Mota. São
Paulo: Cultrix, s.d. 567 p.
VERA, A. A. Metodologia da pesquisa científica. 7. ed. Porto Alegre: Globo, 1983.

Você também pode gostar