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Trabalho Acadêmico / Artigo Completo

Eixo Temático – Expansão e Produção Rural X Sustentabilidade

ÉTICA, ALIMENTAÇÃO E MEIO AMBIENTE

WESLEY FELIPE DE OLIVEIRA1

RESUMO: Este artigo tem por objetivo trazer algumas reflexões éticas acerca dos
impactos ambientais do hábito humano de explorar animais com o objetivo de usá-los na
alimentação. Esta análise se condicionará através do princípio do utilitarismo
consequencialista, segundo o qual, havendo alternativas de escolhas nas tomadas de
decisões, o correto é optar por aquela que, dentro das informações de que dispomos,
proporcionam melhores conseqüências. Assim, no que diz respeito à alimentação, que
pode ser considerada uma das principais e mais necessárias atividades humanas e que
possui inevitavelmente impactos ambientais, deve-se analisar, segundo este princípio,
qual das práticas alimentares conduz a melhores conseqüências para o maior número de
pessoas, animais e meio ambiente – a vegetariana ou a “carnívora”. A partir destas
reflexões se analisará o princípio da responsabilidade ética frente às decisões tomadas.

Palavras-chave: ética, meio ambiente, fome.

1
Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Unioeste – Campus de Toledo – PR. Pós Graduando do Curso de
Filosofia, Educação e Existência: a contribuição da Filosofia Clínica para a Educação, pelo ITECNE –
Cascavel – PR. Professor de Filosofia pela Rede Estadual de Educação do Paraná e de Filosofia da
Educação pela Uniguaçu/Faesi. E-mail: wesley.filosofia@hotmail.com
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INTRODUÇÃO:

Não se costuma pensar que os hábitos sejam uma questão ética e filosófica.
Geralmente, o assunto é tratado pela nutrição, biologia, ciências sociais, políticas e
econômicas. Tais ciências visam refletir sobre ações política imediatas para se resolver
problemas relacionados ao meio ambiente ou à fome. Mas, pensar a alimentação a partir
da perspectiva filosofia é pensá-la em vista dos princípios que fundamentam as tomadas
de decisões, o que encaminha as reflexões a partir de uma perspectiva sistêmica,
tratando então as inter-relações com as demais questões que estão intrinsecamente
envolvidas, como por exemplo, o meio ambiente e também os animais.
Este artigo tem por objetivo apresentar algumas reflexões éticas acerca da
alimentação. Aqui serão tratadas mais especificadamente as conseqüências sobre o meio
ambiente do hábito humano de se criar animais para o consumo. Para isto, será
primeiramente exposta a concepção ética do utilitarismo consequencialista, segundo o
qual, havendo alternativas de escolhas nas tomadas de decisões, correto é optar por
aquela que ocasiona melhores conseqüências. A partir da exposição desta linha filosófica
se buscará refletir os problemas concretos da alimentação sob a perspectiva do
utilitarismo, analisando então o hábito alimentar centrado em produtos de origem animal
em comparação com o hábito alimentar vegetariano, buscando expor qual destas duas
possibilidades de escolha geram melhores conseqüências para os vários aspectos que
envolvem a alimentação. Neste artigo trataremos, mais precisamente, do aspecto
ambiental e da fome mundial, não adentrando na discussão acerca da questão do
sofrimento causados nos animais não-humanos. Frente a estas questões analisaremos a
responsabilidade ética diante das decisões adotadas, uma vez que o enfoque deste artigo
são as escolhas pessoais de cada indivíduo e principalmente suas conseqüências sobre
os outros. Uma vez que nossas ações interferem na vida dos outros, elas devem ser
revistas do ponto de vista ético, e sendo a alimentação uma ação praticada amplamente,
em conjunto, suas conseqüências acabam por tomar perspectivas igualmente amplas.

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1 A ÉTICA UTILITARISTA

Antes de adentrarmos mais precisamente nas questões que serão refletidas neste
artigo, faz-se necessário, primeiramente, que tenhamos uma conceitualização do que vêm
a ser a ética e a moral, para assim compreendermos em que sentido as escolhas dos
hábitos alimentares devem ser considerados uma questão ética.
Embora atualmente estes dois conceitos sejam usados como sinônimos existem
algumas diferenças importantes que devem ser compreendidas. O termo moral, como
apresenta Darlei Dall´Agnol, em seu livro Bioética, pode ser compreendido como “o
conjunto de costumes, modos de ser, regras, etc., que efetivamente guiam o
comportamento humano em busca do bem” (DALL´AGNOL, 2004, p. 16). Já a ética pode
ser definida como uma “reflexão filosófica sobre a moralidade” e que busca apresentar
uma “justificação de nossas crenças morais” (DALL´AGNOL, 2004, p. 16). Isto significa
que a ética é uma atividade que visa refletir e apresentar justificativas para sustentar
determinadas práticas, costumes, tradições, modos de ser através dos quais as pessoas
orientam suas escolhas e ações na vida em sociedade, por meio de um método que se
configura mais precisamente pela interrogação crítica e no decurso da argumentação.
Assim, a ética se caracteriza através da seguinte pergunta: “como devo agir?”. Isto faz
com que tal atividade esteja sempre refletindo sobre determinadas ações tradicionalmente
praticadas e que com o tempo acabam por se apresentar como algo natural e inevitável.
Além disto, a ética propõe a introdução de novos princípios morais a fim de buscar e
justificar um melhor modo de agir e viver bem.
Nas últimas décadas se desenvolveu, principalmente, nos países de língua inglesa,
a Ética Prática, ou também conhecida como Ética Aplicada. Sua preocupação é,
basicamente, com a “conduta humana e suas conseqüências” (DALL´AGNOL, 2004, p.
22), envolvendo questões referentes à vida e à morte tanto de humanos quanto de não-
humanos, assim como questões ambientais. A noção de ética, como observa o filósofo
australiano Peter Singer, em seu livro Ética Prática, traz sempre consigo a noção de algo
maior, isto é, na defesa e justificação de determinada ação, o sujeito moral não deve visar
apenas o seu interesse, mas também os interesses de todos aqueles que serão afetados
direta ou indiretamente pelas conseqüências de determinada ação praticada. A ética é,
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portanto, essa reflexão que visa guiar uma ação incluindo os outros e os levando em
consideração nas tomadas de decisões, não ignorando as conseqüências que podem vir
a sofrem com determinadas escolhas. Deste modo, a responsabilidade com as futuras
gerações se inclui nas discussões éticas em virtude das conseqüências que as futuras
gerações irão sofrer. Sendo o aspecto ambiental de fundamental importância para garantir
uma qualidade de vida, isto exige, portanto, escolhas e práticas de vida ecologicamente
sustentáveis pela sociedade presente a fim de garantir uma qualidade de vida no futuro.
Estas concepções trazidas atualmente pela Ética Prática possuem um significativo
fundamento a partir da corrente filosófica conhecida como Utilitarismo. O utilitarismo
clássico, desenvolvido pelo filósofo e jurista inglês Jeremy Bentham, define que as
questões morais devem ser analisadas pelas suas conseqüências. A melhor ação é
aquela que promete produzir melhores conseqüências. Deste modo, elas devem ser
comparadas entre si a fim de determinar que conduta possa ser mais adequadamente
adotada, levando-se em consideração a ação que produza o máximo de felicidade para o
maior número de pessoas, uma vez que a felicidade é o fim último que se visa atingir com
uma ação.
Este é o caráter interpessoal trazido pelo utilitarismo, ou seja, de extrapolação dos
próprios interesses do Agente Moral ao escolher uma ação, visando agir de modo que as
conseqüências da ação tragam mais benefícios não apenas para si, mas também para os
outros, o que faz do utilitarismo a corrente ética mais social, abrangente e inclusiva,
características fundamentais em uma ética ambiental.
As questões alimentares ganharam ênfase na filosofia moral, mais precisamente no
início da década de 70, quando se presenciou o advento da criação intensiva de animais
para o consumo, o que levou muitos filósofos, biólogos e ambientalistas, a questionarem
tanto o sofrimento infringido aos animais nas modernas indústrias da carne, como
também os grandiosos impactos ambientais advindos de tal prática, juntamente com o
desperdício de alimentos e a baixa quantidade de alimento de origem animal produzido se
comparado então com uma dieta vegetariana, cujas informações cada vez mais vêm
apontando para um impacto ambiental consideravelmente menor e com uma produção
maior de uma diversidade de alimentos. Frente a tudo isto, o filósofo americano John
Lawrence Hill observa em seu livro The Case of Vegetarianism: A Diet for Small Planet,
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“the lives of future generations also will be intimately affected by our present decisions
concerning our diet” (HILL, 1996, p 103). Assim, uma reflexão ética acerca dos costumes
alimentares se faz necessário tendo em vista uma análise acerca das conseqüências
destes hábitos sobre o meio ambiente, e também sobre a vida de outros seres humanos e
também dos animais.
Partindo, portanto, deste princípio utilitarista consequencialista, analisaremos então
as conseqüências ou implicações do tradicional hábito de criar e matar animais para usá-
los como alimentos, em comparação com as conseqüências da escolha de uma dieta
vegetariana.

2 A CARNE E SEUS EFEITOS COLATERAIS

Podemos considerar que um “efeito colateral” é uma conseqüência indesejável e


prejudicial que se deriva de uma ação. Muitas vezes o efeito colateral, por ruim e
indesejável que seja, pode ser suportável em vista dos benefícios que ainda assim ele
pode originar. Por outro lado, o efeito colateral de uma ação pode ser tão ruim, que a
ação que o motivou deve ser deixada de ser praticada, uma vez que não compensará
todas as conseqüências dos efeitos colaterais prejudiciais que se deriva.
No seu artigo Princípios Para Uma Justiça Global, a filósofa Sônia T. Felipe
designa como os “efeitos colaterais” da produção e consumo de carne, todos os custos
ambientais e sociais que em sua maioria são praticamente ignorados pelos consumidores
de produtos de origem animal. Tais efeitos podem ser resumidos como sendo os custos
com a ”água, alimento, medicamentos, salários, encargos sociais, devastação do ar e do
solo, das florestas, das águas de superfície e subterrâneas, de equipamentos, energia
elétrica, combustível para o transporte de todas as etapas de produção” (SÔNIA, 2003b,
p. 1). Os principais efeitos advindos dos processos de criação, engorda e abate de
animais para o consumo humano, por serem um “sub-produto indesejável” pelos
consumidores e que não podem ser aproveitados de um modo efetivo por serem de uma
natureza escatológica, em sua maioria tem como destino final o seu despejo na natureza,
no solo e nas águas, uma vez que ninguém quer assumir a responsabilidade acerca
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destes sub-produtos e levá-los para os jardim de suas casas ou tê-los próximos de si no
momento de suas refeições.
Os custos gerados pela criação de animais confinados de modo intensivo,
principalmente suínos e aves, ou do modo pastoril, como o gado no pasto, incluem
também, desde as toneladas de grãos como soja, milho e trigo destinados à sua
alimentação, assim como os custos de devastação ambiental provenientes dos despejos
no meio ambiente de medicamentos, bactericidas, vacinas, hormônios e outros fármacos
através das urinas e fezes que inevitavelmente atingem os lençóis freáticos contaminando
a água, e também a devastação das florestas e a perda da diversidade biológica,
destruição do solo e poluição do ar principalmente com o metano. Todos estes custos,
além de não estarem calculados no preço final pago pelos consumidores, preço este que
será pago pelas futuras gerações, poderiam ser em sua maioria evitados, ou senão,
largamente minimizados, caso a população fosse incentivada por políticas publicas
ambientais a adotar uma dieta vegetariana, que por sua vez não exige a realização de
grande parte destes aspectos da cadeia produtiva que envolvem a produção de carnes e
dos diversos produtos de origem animal.
Analisemos mas detalhadamente algumas destas conseqüências:

2.1 Água

A água é o recurso natural mais escasso. Ao ser retirada dos reservatórios em uma
quantidade maior do que a água reposta, esta não renovação se transforma em um sério
problema de escassez. A criação de diversas espécies de animais para o consumo
humano tem se apresentado como a principal atividade responsável por este uso
excessivo dos recursos hídricos. Entre a principal criação mais consumidora de água,
destaca-se a carcinicultura (criação de camarões em cativeiro) cuja demanda é de 50 a
60 mil litros de água por quilo produzido. Mas outras espécies de animais consumidas
diariamente também exercem grandes demandas de água. Segundo o Relatório da
Unesco para o Fórum Mundial da Água, realizado em 2004, levando em consideração
todo o ciclo de produção da carne, são necessários mais de 15 mil litros de água para
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produzir apenas um quilo de carne bovina. O consumo diário de um animal de grande
porte, como uma vaca leiteira é de 90 litros de água. O suíno, por sua vez, consome
aproximadamente 15 litros de água por dia. Isto tem feito com que no Brasil, a
agropecuária seja responsável por 69% da demanda de água (BRUGGER, 2007, p. 3),
isto porque, tal prática exige o uso constante deste recurso natural nas várias etapas do
seu ciclo de produção de carne, desde a engorda, a irrigação de grãos para a alimentação
de animais, seu consumo diário, e até mesmo o momento do abate.
Em contrapartida, a demanda de água exigida pela produção de um quilo de soja é
de pouco mais de 1000 litros. Para se produzir 1Kg de feijão, consome-se em média 195
litros de água. A quantidade de água utilizada na produção de 1kg de carne gasta 12
vezes mais água para produzir 1kg de pão, 64 vezes mais do que um 1kg de batata. Por
estes motivos, como bem observa Singer, “do ponto de vista da conservação, a carne
bovina não é uma boa opção”(SINGER, 2007, p. 257). Já a carne de frango por sua vez e
também abundantemente consumida, utiliza 20% mais de água por quilo de soja ou arroz
produzido (SINGER, 2007, p. 257).
Considerando estes dados referentes ao uso da água no processo de produção de
carnes, em comparação com o uso para a produção de grãos, devemos ainda levar em
conta o fato de que atualmente no mundo cerca de 1 bilhão de pessoas não tem acesso à
água potável. No Brasil, este número é de mais de 45 milhões de pessoas. Enquanto que
uma parte significativa da população mundial não tem acesso a este bem básico para a
sobrevivência e para uma sadia qualidade de vida, apenas no ano de 2003, a quantidade
de animais abatidos em todo o mundo foi superior a 50 bilhões. Isto significa que estes 50
bilhões de animais das mais diversas espécies (excluindo os peixes e crustáceos cuja
quantidade é praticamente incalculável) foram criados consumindo uma significativa
quantidade de água potável, excedendo o próprio consumo humano, além de terem sido
alimentados, nutridos e engordados por meio da ingestão de grãos de alto valor nutritivo,
ou no caso do gado, em pastagens abertas que exigem a derrubada de florestas,
destruindo o solo e minimizando toda a biodiversidade existente nestas áreas.
Conforme aponta o doutor em Gestão Ambiental da UNB, Demétrios Christófodis,
em seu artigo Água, Ética, Segurança Alimentar e Sustentabilidade Ambiental,

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atualmente, a prioridade das nações em superar práticas insustentáveis é estar atuando
através de duas maneiras:

“[...] uma, produzindo mais alimentos, outra, introduzindo novos modelos


alimentares, menos exigentes em água e, ao mesmo tempo (...) se considerem
alimentos que reduzam os avanços sobre as bases de sustentabilidade da vida
representada pelos ecossistemas” (CHRISTÓFODIS, 2003, p. 377).

Neste sentido, a dieta vegetariana corresponde com esta necessidade de se


produzir mais alimentos utilizando menos os recursos naturais, principalmente a água.
Além da grande quantidade de água utilizada na produção de carnes, não devemos nos
esquecer da poluição que a criação de animais faz com a água que não é diretamente
utilizada, como veremos mais adiante.

2.2 Alimentação Animal: Grãos e Pastagens


2.3
Para que animais sejam engordados é necessário naturalmente que sejam
alimentados. Mas, sobre como e com o que estes animais são alimentados muitas vezes
não é tão evidente. No que diz respeito a animais em confinamento, principalmente
suínos e aves, isto se dá principalmente através do uso de água e “rações” ou para
sermos mais específicos, sua engorda é feita com a utilização de alimentos de alto valor
nutritivo, como trigo, soja e milho basicamente. Em caso de animais criados de modo “in
natura”, ou seja, em pastagens, exige-se conseqüentemente a derrubada da floresta para
abrir espaço então para o capim.
O filósofo Peter Singer, em seu livro A Ética da Alimentação, observa que de modo
geral, as pessoas têm a noção de que “a produção industrial de animais em cativeiro é
necessária para alimentar a população crescente do planeta. A verdade, entretanto, é o
oposto” (SINGER, 2007, p. 251). As evidências para tal conclusão, já conhecida e
enunciada desde a metade da década de 70, se devem ao fato de que a criação de
animais à base de grãos é um dos maiores desperdícios de alimentos feito diariamente
pela humanidade. “Longe de aumentar a quantidade total de alimentos disponível para o

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consumo humano, o alimento está de fato sendo reduzido” (SINGER, 2007, p. 251) em
função da produção de carne e outros produtos de origem animal. Como observou uma
das principais estudiosas da questão da fome mundial, e criadora do Food First Institute,
Frances Moore Lappé, o que mais motivou tal prática de engordar animais utilizando
grãos, foi o fato de o preço do custo da água sempre ter sido baixo, (LAPPÉ, 1985, p.
105), tendo, portanto, seu uso baseado no seu baixo preço e não na sua escassez,
incentivando assim a produção de grãos para alimentar animais.
Deste modo, com o constante crescimento da criação de animais para o consumo,
conseqüentemente se necessitou que enormes quantidades de grãos fossem destinados
para a alimentação animal. O que torna este método de criação ainda mais ineficiente é o
fato de que os animais, mesmo confinados, gastam uma significativa parte do valor
nutricional dos alimentos para desenvolver funções naturais como movimentar-se,
aquecer-se, desenvolver de sua estrutura óssea e outras partes não comestíveis de seu
corpo. Este processo, Lappé denominou de “fabrica de proteína invertida”, uma vez que
se gasta mais proteínas dos que se produz. A produção de 1kg de carne bovina exige o
uso de 13kg de grãos. Já a produção de 1kg de carne suína exige 6kg de grãos.
Lembrando que em cada um destes alimentos, exige-se muito mais água em 1kg de
carne do que em 1kg de grãos ou vegetais. O frango requer o uso de 2kg de grãos para
produzir 1kg de frango vivo, mas quando abatido e aproveitado apenas sua carne,
calcula-se o gasto de 2,5kg de grãos para a produção de 1,5kg de carne (SINGER, 2007,
p. 257). Neste processo de produção acaba-se gastando mais proteínas do que a
quantidade produzida.
Através deste modelo de “fábrica de proteína invertida”, gasta-se, por exemplo, na
criação de um bezerro, 19 Kg de proteínas em ração, para produzir menos de 1 kg de
proteína animal. Menos de 5% é recuperado do que foi gasto. Se utilizarmos 0,04 hectare
de terra para produzir alimentos como ervilhas ou feijão, obtém-se entre 136 e 227 kg de
proteínas. Esta mesma área utilizada para a produção de carne renderia apenas 18 a 20
kg de proteínas. As estimativas concluem que os produtos de origem vegetal rendem dez
a vinte vezes mais proteínas por hectare do que os produtos de origem animal. Levando-
se em consideração outros nutrientes, como o ferro, ainda assim a quantidade produzida
pelos vegetais é maior do que a da carne. Em um hectare de brócolis, se obtém vinte e
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quatro vezes mais ferro do que a quantidade produzida neste mesmo hectare com a
carne de gado (SINGER, 2004, p. 187-188).
Lappé calculou que somente no ano de 1979, 145 milhões de toneladas de grãos
eram utilizados para a alimentação bovina, suína e avícola, o que rendeu em forma de
carne apenas 21 toneladas. (LAPPÉ, 1985, p. 88). Isto expressa que apenas naquele ano,
124 toneladas de alimentos foram literalmente desperdiçados, ou seja, se tornaram
inacessíveis para o consumo humano em função de que tal quantidade de carne fosse
produzida. A diversidade de alimentos que estes grãos poderiam derivar supera em muito
a quantidade de carne produzida através de seu consumo.
A produção de carne cada vez mais tem exigido a necessidade de terras para
produzir colheitas de grãos e cereais cujo destino final é a alimentação animal, e deste
modo cada vez maiores áreas de florestas tem sido derrubadas. Toda essa demanda de
grãos para alimentar este animais, tem sido responsável pelo consumo de mais de 70 %
da produção mundial de alimentos apenas com fins de produção de carne. E cada vez
mais a produção de alimentos tem tomando uma dimensão monocultural a fim de produzir
alimentos destinados à nutrição animal. Neste fato destaca-se a produção de soja, que
tem 79% de sua produção mundial destinada para a alimentação de animais (SÔNIA,
2003b, p2). Assim, progressivamente se tem deixado de plantar uma grande variedade de
alimentos para se plantar soja – o que é mais lucrativo – a fim de alimentar animais em
confinamento.
Se a produção de carne à base de grãos se mostra absurda em virtude do
desperdício de alimentos que são destinados aos animais ao invés de serem consumidos
diretamente pelos seres humanos. A produção de carne em áreas de pastagens também
se mostra abusiva.
Esta prática, muito comum no Brasil, tem como principal conseqüência, como já
observamos, a constante derrubada de florestas. Segundo os dados do IMAZON,
baseados no IBGE de 2007, 77% das áreas desmatadas irregularmente da Amazônia
estão ocupadas por gado (MEIRELES, 2007, p 160). E sempre que uma área se torna
improdutiva, o pequeno, médio ou grande produtor opta por desmatar novas áreas de
floresta de sua propriedade, já que isto e mais barato de que a recuperação de suas
pastagens. Portanto, uma significativa parcela da devastação da Amazônia se dá em
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virtude do consumo de carne. A taxa anual de desmatamento na Amazônia para a criação
de gado e plantio de soja é de 25.000km2, ou, 2,5 milhões de hectares (SINGER, 2007, p.
253). A relação entre o consumo de carne e o desmatamento da Amazônia, tanto devido
às áreas de pastagens, quanto da soja amazônica que tem 75% de sua quantidade
produzida destinada para alimentar animais, é um fator que indubitavelmente deve pesar
nas nossas decisões e escolhas dos hábitos alimentares, uma vez que “uma dieta
baseada em produtos derivados de animais contribuirá mias para a destruição das
florestas tropicais do que uma dieta baseada diretamente em grãos” (SINGER, p. 2007, p.
254).
Segundo Christófodis, 1/3 dos solos para a produção de alimentos vegetais são
consumidos diretamente por seres humanos. Os outros 2/3 dos solos cultiváveis tem
como objetivo resultar em alimentos destinados a produção de rações para os animais.
(CHISTÓFODIS, 2003, p. 376).
Outro fator a ser considerado refere-se à quantidade de alimento produzido nestas
terras destinadas para pastagens ao gado (não apenas na Amazônia, mas em qualquer
região). Atualmente o rebanho bovino no Brasil contabiliza 200 milhões de cabeças, ou
seja, no Brasil já há mais gado do que pessoas. Cada bovino necessita de um a quatro
hectares, ou seja, 10 mil m2, de pasto para engordar, o que faz então com que apenas
esta atividade já ocupe 250 milhões de hectares, o que significa praticamente mais de um
terço do território da União. Segundo o Instituto CEPA, um boi produz em média 210kg de
carne no período de quatro a cinco anos utilizando de um a quatro hectares. Esta mesma
área destinada a agricultura, é capaz de produzir em média em cada safra, 8 toneladas de
feijão, 23 toneladas de trigo, 35 toneladas de cenouras, 19 toneladas de arroz, 32
toneladas de soja, 44 toneladas de batata, 34 toneladas de milho. Levando em
consideração que muitas destas culturas podem ter varias colheitas no período de um
ano, tal produtividade conseqüentemente é ainda maior.
Analisados a partir do ponto de vista ético, estes fatos demonstram que nossas
escolhas alimentares são injustificáveis. Uma vez que, como conclui Lappé, nosso
sistema de produção de alimentos centrados no consumo de carnes “não apenas reduz a
abundância como realmente solapa os verdadeiros recursos sobre os quais repousa
nossa segurança alimentar futura” (LAPPÉ, 1985, p. 83) a alimentação deve então
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urgentemente estar mais presente nas discussões éticas e ambientais, uma vez que
estamos degradando amplamente o meio ambiente e produzindo, em contrapartida, uma
quantidade limitada de alimentos e desperdiçando outra grande parte. Além do que, isto
tudo ainda constitui uma ameaça a segurança alimentar futura que depende de condições
ambientais favoráveis para a produção de alimentos.
Frente aos fatos de que a dieta vegetariana exige uma menor quantidade do uso
de água e de terras, e rendendo uma maior produção de alimentos, ela se torna uma
prática que vai ao encontro da necessidade de se produzir mais alimentos utilizando
menos os já esgotados recursos naturais. Como concluiu o economista Paul Roberts,
autor do livro The End of Food, a perspectiva é de que até o ano de 2050, a população
mundial se torne obrigada a adotar uma dieta vegetariana, uma vez que se estima que a
população mundial esteja em torno de 9 ou 10 bilhões de pessoas, o que exigirá então
uma quantidade maior de alimentos e água, o que não se tornará possível se
continuarmos com o atual padrão de “proteína invertida”, isto é, desperdiçando toneladas
de alimentos, terras e água para produzir uma pouca quantidade de carnes. (ROBERTS,
2008, p. 157).

2.4 Solo e Ar: Aquecimento Global

Segundo a Word Resources Institute, “o excesso da utilização de terra para o pasto


é a maior causa isolada para a degradação da terra, no mundo inteiro” (SINGER, 2007, p.
258) e como vimos, é também a maior causa de desperdício de terras cultiváveis, uma
vez que se esta área de pastagem fosse utilizada pela agricultura, seria capaz de produzir
uma maior diversidade e quantidade de alimentos, e enquanto que as populações
continuarem sendo incentivadas a consumirem carnes nos mesmos padrões dos países
desenvolvidos está demanda por aberturas de terras aumentará e assim necessitar-se-á
ainda 67% a mais de terras cultiváveis do que o planeta possui (SINGER, 2007, p. 253).
Consideração os resíduos derivados da produção agrícola, constata-se que eles
são muito mais aproveitáveis e menos poluentes do que aqueles advindos da produção
animal. Quando se planta milho ou soja, os resíduos deixados no solo são reaproveitados
890
como um composto para adubar o solo para as próximas plantações. Por outro lado, os
resíduos de origem animal, não possuem esta mesma utilidade. As causas desta extensa
degradação em virtude da criação de animais se devem, entre muitos fatores,
principalmente as grandes quantidades de esterco e urina que são gerados tanto da
produção intensiva de animais em confinamento, quanto dos criados em pastagens. A
maior quantidade destes resíduos acabam por serem despejados sem qualquer tipo
efetivo de tratamento no solo ou na água, e todo esse excesso de matéria orgânica que
chega aos rios tem causado a proliferação de algas e microorganismos que acabam por
competir com outros animais marinhos pelo oxigênio da água. Além disto, a contaminação
das águas com coliformes fecais e materiais tóxicos como hormônios e antibióticos tem
tomado proporções cada vez maiores, o que tem conseqüentemente comprometido a
qualidade das águas tornando-a imprópria para o consumo humano, e até mesmo para a
sobrevivência de animais marinhos.
Calcula-se que uma fazenda com um reganho de 5 mil bovinos, produz a
quantidade de excremento equivalente a uma população de 50 mil habitantes. O rebanho
suíno no Brasil no ano de 2006 foi de 35,2 milhões de animais 2. Isso equivale a uma
população humana de aproximadamente 160 milhões. A quantidade de esterco produzido
diariamente por uma vaca chega a 40 kg. Assim, apenas no Brasil, a quantidade de
animais criados já excedeu a quantidade de cidadãos já faz muito tempo.
Todos estes fatores e conseqüências, além de muitos outros fatores envolvendo a
produção de carnes, tem sido um dos principais fatores da poluição do meio ambiente.
Como apontou o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas do
ano de 2008, a produção de carnes, envolvendo todas as suas etapas, como derrubada
de florestas para a abertura de pastos, uso de fertilizantes, transporte, queima de
combustíveis fosseis, poluição das águas, é responsável por 18% a 25% do total de
emissão dos gases causadores do efeito estufa. Entre os principais gases advindos desta
prática está o metano, que é o segundo maior poluente presente na destruição da
camada de ozônio, sendo o primeiro o CO2, mas o metano, por sua vez, tem um potencial
poluente 20 vezes maior. Já a amônia, um outro poluente causador do aquecimento
global advêm 64% da criação de animais.

2
Conferir em: http://www.zootecniabrasil.com.br/sistema/modules/news/article.php?storyid=1167).
891
Estes fatos têm colocado a produção de carnes e em geral os produtos de origem
animal como uma atividade cujos impactos ambientais já superam os causados pelos
meios de transportes, que correspondem a mais de 13% das emissões dos gases do
efeito estufa3.
Em contraposição a estes fatos, os procedimentos da produção de alimentos de
origem vegetal são mais econômicos do ponto de vista das suas conseqüências em
impactos ambientais, uma vez que a demanda sobre a água e terras cultiváveis é muito
menor do que a exigida para a produção de alimentos de origem animal, e tendo uma
quantidade de alimentos produzidos muito superior caso estas áreas fossem utilizadas
exclusivamente para pastagens.
Todas estas conseqüências derivadas do consumo de carnes, tem se mostrado
insustentável, o que então, se analisado do ponto de vista ético, “o mal causado é tal que
parece aniquilar qualquer benefício”(SÔNIA, 2003b, p. 3) e portanto, se mostra
injustificável preservar determinados hábitos a fim de satisfazer um interesse puramente
hedônico, cuja satisfação só se dá através do sofrimento dos animais, da poluição
ambiental e da negação de água e alimentos para uma grande parte da população
mundial, que a cada quilo de carne produzida tem sua segurança alimentar efetivamente
ameaçada em virtude das significativas quantidades de alimentos destinados à
alimentação animal.

3 SEGURANÇA ALIMENTAR E DIREITO À ALIMENTAÇÃO

A prática da alimentação é a atividade humana que mais produz efeitos colaterais


sobre o meio ambiente. Sua indústria adquiriu dimensões globais, e assim, as suas
conseqüências possuem as mesmas proporções, afetando em grande escala não apenas
o meio ambiente, mas também os indivíduos da geração presente e futura. A demanda de
recursos naturais, como água e solo para a produção de alimentos de origem animal,
supera em muito a demanda exigida para a produção de alimentos de origem vegetal. E

3
http://www.abril.com.br/noticia/diversao/no_299495.shtml

892
como visto anteriormente, o impacto desta produção para satisfazer o desejo por carne é
tão grande que já tem superado os impactos advindos de outras atividades humanas
como os meios de transporte.
Como observamos no decorrer deste artigo a produção dos alimentos de origem
animal faz um verdadeiro abuso dos limitados recursos naturais do planeta se comparado
com as conseqüências da produção de alimentos de origem vegetal. Além disto, a baixa
rentabilidade da produção de carne utiliza uma grande área de terra onde se poderia
produzir uma maior diversidade e quantidade de alimentos caso tal área fosse utilizada
para produção de alimentos vegetais ou se deixássemos de destinar alimentos como soja,
milho ou trigo para a criação de animais. Cada vez mais a indústria da carne tem
transformado grandes áreas cultiváveis em monoculturas para produção de alimentos
usados como rações. É neste sentido então, como observa Sônia Felipe, que o consumo
de carne tem feito os seres humanos passarem fome duas vezes:

“[...] primeiro quando lhes é subtraído o cereal para que animais possam ser
alimentados nas fábricas de carne, e quando esses animais mortos e
transformados em carne são vendidos. Os que nada têm para comer, comem,
obviamente, carne nenhuma”(SÔNIA, 2003b, p. 3).

Isto é evidente quando observamos que aproximadamente 1 bilhão de seres


humanos não tem suas necessidades nutricionais diárias satisfeitas devido à falta de
alimentos, enquanto que mais de 50 bilhões de animais são diariamente alimentados com
quantidades enormes de uma variedade de grãos e cereais 4, ou ocupam áreas de
pastagens que poderiam ser usadas para o plantio de uma variedade de alimentos e
tendo sua sede saciada com a água potável que a cada ano que passa está mais escassa
e limitada ao acesso humano.
Esta talvez seja a maior injustiça e irresponsabilidade que o ser humano vem
cometendo nas últimas décadas, violando o artigo XXV da aclamada Declaração
Universal Direitos Humanos, de 1945, que compreende que “Toda pessoa tem direito a
um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive
alimentação”, devendo ter assegurado o acesso a alimentação básica e de qualidade, a

4
Também é muito comum o uso de animais descartados pela indústria na composição de rações.
893
fim de garantir a segurança alimentar para todos, conforme apela a Declaração de Roma
Sobre a Segurança Alimentar Mundial, de 1996, elaborada a fim de assegurar que o
direito de todos os seres humanos a não sofrer a fome 5. Mas isto tem sido claramente
violado pela utilização de mais de 70% da produção de grãos e cereais para a
alimentação animal a fim de produzir carne cujo acesso é possível a uma parte restrita da
sociedade que tem seu apetite por carne satisfeito à custa da negação direta de alimentos
para seres humanos.
De fato, caso estes alimentos desperdiçados fossem adequadamente distribuídos
entre as populações famintas, a quantidade seria suficiente para acabar com a fome e a
desnutrição. A noção de que o mundo não produz alimento suficiente para toda a
população se tornou um mito. Se a indústria é capaz de alimentar diariamente 50 bilhões
de animais com as colheitas, evidentemente que é possível alimentar os 6 bilhões de
seres humanos. Evidentemente que a questão da fome passa pelo fator de como o
alimento é distribuído, mas o fato de sua quantidade ser suficiente para alimentar o
mundo não deve ser ignorada. É a barreira da economia política que dificulta acabar com
o problema da fome. Nas palavras de Lappé e Collins: “abundance, not scarcity, best
describes the supply of food in the word today” (LAPPÉ e COLLINS, 1998, p. 8)
Assim, o hábito de se consumir carne não é apenas uma escolha individual, cujas
conseqüências se restringem somente para o individuo que a esta consumindo. Os
impactos que estas escolhas têm sobre os outros é o que está em discussão, e em
virtude disto a alimentação é uma questão ética que deve ser refletida de um modo crítico,
superando os métodos de discussões meramente descritivos e destituídos de qualquer
juízo de valor. E a ética não se restringe apenas em refletir sobre as práticas humanas na
sociedade, mas também em propor novos princípios e ações, visando reformar as
tradições e práticas que se mostram prejudiciais a fim alcançar com o resultado das ações
as melhores conseqüências possíveis, e o vegetarianismo ético, adotado em virtude de
ser um hábito alimentar cujos impactos sobre o meio ambiente e sobre os animais são
muito menores do que o predominante hábito carnívoro, além de se mostrar mais eficiente
na produção e distribuição de alimentos, se apresenta então como uma ação que deve

5
Conferir em: http://www.fao.org/docrep/003/w3613p/w3613p00.htm
894
ser adotada pelos agentes morais em virtude das melhores conseqüências que apresenta
ter quando se discute a ética na alimentação.

CONCLUSÃO:

Portanto, analisando a alimentação através da perspectiva da ética


consequencialista observamos o quanto nossas escolhas alimentares possuem reflexos
em diversos âmbitos, dentre os quais aqui analisados, destacamos as conseqüências da
produção de alimentos baseada em produtos de origem animal, principalmente a carne, e
a degradação ambiental e a fome advinda de tal prática. Nesta análise, observamos ainda
o quanto a prática alimentar vegetariana significa um menor uso dos recursos naturais,
indo ao encontro da necessidade de produzirmos alimentos com um menor impacto
ambiental. Frente a estas possibilidades de escolhas que acarretam conseqüências
melhores ou piores, fica evidente o caráter de responsabilidade ética que pesa sobre o
sujeito moral nas suas alternativas alimentares cotidianas. Conclui-se, portanto, que a
diminuição do consumo de carne poderia sugerir soluções para os problemas ambientais
e da fome aqui discutidos.
Podemos fazer escolhas melhores.

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