Você está na página 1de 4

FICHA: CONCEITOS DA FILOSOFIA ALEMÃ

MARCONDES, Danilo. Iniciação à historia da filosofia


DURANT, Wil. A História Da Filosofia.
REALE, Giovanni. História da Filosofia

Quadro sinótico

KANT
 Crítica da razão pura: problema do saber
 Critica da razão prática: problema do agir
 Critica do Juízo: problema do prazer

FICHTE. Desenvolve o idealismo ético inspirado na segunda Crítica


SCHELLING. Desenvolve o idealismo estético inspirado na terceira Crítica
HEGEL. Desenvolve o idealismo lógico inspirado na primeira Crítica

HEGEL

A CRÍTICA DE HEGELA KANT

Hegel, por sua vez, critica a concepção kantiana de um sujeito transcendental


como excessivamente formal, a consciência considerada como dada, como originária,
sem que Kant jamais se pergunte pela sua origem, pelo processo de formação da
subjetividade. Questiona também a dicotomia kantiana entre razão teórica e razão prática.
A esse propósito, diz Hegel,

Hegel pretende substituir o problema epistemológico da fundamentação do


conhecimento pela autorreflexão fenomenológica da mente, entendendo a fenomenologia
como a “ciência dos atos da consciência”. Segundo a tradição racionalista de Descartes e
Kant, só a partir de critérios seguros sobre a validade de nossos juízos é que podemos
determinar se temos certeza de nosso conhecimento. Mas, diz Hegel, esta crítica deve
ser ela própria conhecimento. Como podemos investigar criticamente a faculdade
cognitiva anteriormente ao conhecimento? É como querer nadar antes de cair n’água. A
investigação da faculdade cognitiva é ela própria conhecimento, e não se pode chegar a
este objetivo porque este objetivo já é pressuposto desde o início. Questiona assim a
visão da filosofia crítica como propedêutica, i.e., como introdução, como preparação. A
filosofia não pode ser entendida pura e simplesmente como um órganon que trata do
instrumento do saber antes do saber, nem um amor à verdade que não é a própria posse
da verdade.
Hegel considera que Kant identifica conhecimento com ciência, a partir do
paradigma das ciências naturais, sobretudo da física de Newton, que Kant admirava 2 e
que toma como ideal normativo de conhecimento, derivando dela um critério da ciência
possível em geral. Hegel é contrário a esse privilégio da ciência, que considera um
pressuposto não justificado. A ciência é uma manifestação do conhecimento como
qualquer outra. A concepção kantiana da teoria do conhecimento como um órganon da
razão (Crítica da razão pura, Analítica Transcendental), i.e., como um exame dos meios
de conhecimento, parte de um modelo de conhecimento que enfatiza ou a atividade do
sujeito conhecedor ou a passividade do processo cognitivo, ou seja, do instrumento
através do qual constituímos objetos e do meio pelo qual “a luz do mundo penetra em
nós”. O instrumento supõe sujeito e objeto como separados, enquanto o meio altera o
objeto segundo a própria natureza do meio intermediário; com isso não há possibilidade
de um saber absoluto, o que Hegel defende como objetivo último. Para Hegel, a crítica do
conhecimento deve abandonar este pressuposto, deixando que o critério da crítica emerja
da própria experiência da reflexão. A consciência crítica deve portanto se autorrefletir,
reconstruindo seu processo de formação.
Hegel questiona igualmente a separação kantiana entre razão teórica e razão
prática. Segundo esse questionamento, a Crítica da razão pura pressuporia uma
concepção de “eu” diferente da encontrada na Crítica da razão prática. Na primeira, o “eu”
se caracterizaria pela unidade da autoconsciência; na segunda, pela vontade livre (ver III.
6).

CONSCIÊNCIA E HISTÓRIA

Se a razão fosse apenas um resultado da mente humana, não poderíamos explicar


como corresponde aos fatos, a menos que ambos fossem criados por uma divindade
transcendente, como ocorre afinal em Descartes. A explicação para a historicidade no
pensamento de Hegel consiste em que é apenas ao traçar o caminho pelo qual a razão
humana se desenvolveu que podemos entender o que somos hoje. Explicitamos assim o
sentido da história, sua direção.

Já nas Lições de Iena, que contêm material posteriormente desenvolvido e


reelaborado na Fenomenologia do espírito, Hegel formula sua concepção do processo de
formação da consciência. Trata-se de um tríplice processo, ou de uma tríplice dialética,
consistindo em três elementos básicos:
1) as “relações morais”, isto é, a família, ou a vida social;
2) a linguagem, ou os processos de simbolização; e
3) o trabalho, ou a maneira como o homem interage com a natureza para dela
extrair seus meios de subsistência, elemento que será valorizado fundamentalmente por
Marx.

A questão do processo histórico de formação da consciência terá seu tratamento


mais elaborado na Fenomenologia do espírito, que pretende ser, conforme diz seu próprio
subtítulo. “Uma ciência da experiência da consciência”. 6 Essa obra se propõe a ser uma
teoria universal do conhecimento, uma descrição do fenômeno tal como aparece à
consciência. Trata-se assim da autoapreensão da consciência em suas transformações a
partir da apreensão das transformações do objeto da mesma consciência. As formas
fenomênicas do objeto são ao mesmo tempo formas fenomênicas do sujeito. Hegel visa
assim acompanhar o sujeito em seus diversos graus de captação do objeto, considerando
toda e qualquer experiência que o sujeito tem de seu objeto e, por isso, também de si
mesmo. A experiência que a consciência tem de si mesma corresponde à existência, na
marcha da própria consciência, de uma lei interna do progresso em direção a um novo
conhecimento e ao fato de ela seguir esta lei ao transformar-se a si mesma para se dirigir
ao objeto.

A experiência da consciência não é apenas uma experiência teórica, um saber


sobre o objeto, mas sim toda e qualquer experiência, a vida da consciência enquanto
conhece o mundo como objeto da ciência, enquanto conhece a si mesma como vida,
enquanto se propõe fins e objetivos. É este, segundo Hegel, o caminho da alma, o
percurso da série de etapas de sua formação (Bildung) prescritas por sua própria
natureza. A partir da experiência completa de si mesma, pode chegar ao conhecimento
daquilo que é em si mesma. A fenomenologia descreve o itinerário da alma que se eleva
a espírito por meio da consciência.

Podemos considerar que a Fenomenologia do espírito tem como objetivo traçar a


“história” do espírito humano, a elevação da consciência do conhecimento sensível ao
saber absoluto. O progresso da consciência é um produto da evolução histórica, cujo
sentido só será conhecido no “fim da história” pelo filósofo que interioriza este devir em
seu pensamento. Hegel estabelece um paralelo entre a consciência individual e o espírito
(Geist) que, em termos mais contemporâneos, poderíamos denominar “cultura”

A Fenomenologia do espírito examina assim as etapas do progresso da


consciência.
1. A primeira etapa é a consciência sensível, que pensa apreender o concreto na
sensação. Porém, atinge apenas um universal abstrato indeterminado, um aqui e
agora de qualidades que sempre se alteram. No entanto, segundo Hegel, que
assume uma posição racionalista, o objeto só pode ser apreendido na percepção a
partir do conceito, que permite identificar qualidades sensíveis como propriedades
de um objeto determinado.
2. A segunda etapa consiste no entendimento, que pretende chegar à essência
dos fenômenos, ao sistema de forças que constitui sua interioridade. O mundo
suprassensível, o reino das leis que governam essas forças, é, por sua vez, um
produto do entendimento. Diz Hegel: “Ao retirar o véu que cobre o real, procurando
penetrar nas coisas, encontramos apenas a nós mesmos.” A consciência torna-se,
com isso, consciência de si, descobrindo nela própria o ser que julgava encontrar
fora dela. Descobre portanto em si o desejo que a faz adquirir uma certeza de si,
opondo-se ao objeto, àquilo que é outro, destruindo-o se for preciso. Trata-se do
tema da alteridade, fundamental na explicação hegeliana do processo de formação
da consciência, a luta pelo reconhecimento. Não podemos entender a estruturação
da consciência apenas pela consideração da individualidade, mas sim como parte
de um processo de interação com o outro
3. Temos então a consciência infeliz. A infelicidade na tomada de consciência de si
é a expressão de um dilaceramento no interior do próprio ser. A consciência se vê
em luta contra a natureza, sente-se solitária, melancólica, devido à sua separação
da realidade, do objeto que vê como distante de si, a partir de uma dicotomia entre
o sujeito e o objeto. Eis o começo da filosofia: a insatisfação de uma consciência
dilacerada por seu estado de divisão interna. É preciso, no entanto, superar as
falsas oposições que produzem a infelicidade, o mal-estar, mas é também preciso
passar pela infelicidade para se chegar à felicidade. Passamos assim à razão
observadora e ativa que envolve uma mudança de atitude em relação ao mundo,
do qual não mais se afasta, mas busca observá-lo para atuar nele. É assim que o
conceito se estabelece a partir da natureza. É a ação que eleva a consciência do
em si ao para si, por meio da dialética do interior e do exterior. A consciência só
pode saber o que é após realizar-se efetivamente por seus atos

A DIALÉTICA DO SENHOR E DO ESCRAVO

Um dos textos mais fundamentais da análise hegeliana do processo de formação


da consciência é a dialética do senhor (Herr) e do escravo (Knecht), uma imagem que
Hegel faz da importância da relação com o outro na constituição da identidade.

OS FUNDAMENTOS DO SISTEMA

0s fundamentos do pensamento hegeliano

1. Espírito. A realidade enquanto tal é espírito infinito (onde, por "espirito", entende-
se algo que, ao mesmo tempo, assume e supera tudo o que os seus antecessores
haviam dito a esse respeito, especialmente Fichte e Schelling, como veremos);
2. Dialética. A estrutura, ou melhor, a pr6pria vida do espirito e, portanto, tambCm o
procedimento segundo o qua se desenvolve o saber filosófico, é a diale'tica (poder-
se-ia dizer também que a espiritualidade é dialeticidade);
3. Elemento especulativo. A peculiaridade dessa dialética, que a diferencia
claramente de todas as formas anteriores de dialética, é aquilo que Hegel chamou
(em terminologia técnica) de elemento "especulativo".

“A realidade não é substancia”, mas "sujeito" ou "espírito"

A afirmação fundamental da qual devemos partir para entender Hegel é que a


realidade e o verdadeiro não são "substância" (ou seja, um ser mais ou menos enrijecido,
como tradicionalmente era considerado no mais das vezes), e sim "sujeito", ou seja,
"pensamento", "espírito".

Dialética

Hegel se remete a dialética clbsica, mas conferindo movimento e dinamicidade as


essencias e aos conceitos universais que, ja descobertos pelos antigos, haviam porem
permanecido com eles em uma espécie de repouso rígido, quase solidificados. O coração
da dialética se torna assim o movimento, e precisamente o movimento circular ou em
espiral, com ritmo triádico. 0s três momentos do movimento dialético s%o:
1) a tese, que é o momento abstrato ou intelectivo;
2) a antitese, que e o momento dialetico (em sentido estrito) ou negativamente racional;
3) a sintese, que e o momento especulativo ou positivamente racional.

Você também pode gostar