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INCLUSÃO ESCOLAR: E O APOIO PSICOPEDAGÓGICO DENTRO DAS

INSTITUIÇÕES ESCOLARES

Amanda Gois Santos1


Advanusia S. Silva de Oliveira 2
Renildes de Melo Souza3

GT6 – Educação, Gênero e Diversidade

RESUMO
Este artigo tem como objetivo apresentar as atuais condições, e as dificuldades, vivenciadas pelas
pessoas com necessidade especiais, a partir de pesquisa bibliográfica, discutimos a importância de
incluir os alunos com necessidades especiais em sala regular é um direito de todos, observando as
necessidades básicas, as quais cada uma apresenta, onde poderá ser observado se a inclusão se propõe
de maneira coerente; é preciso buscar meios para a resolução de tais situações e problemas
apresentados, e como a ação do psicopedagogo pode atuar dentro dessas realidades. Esta discussão
está embasada nas ideias teóricas de Ferreira, na LDB e no ECA. Concluímos evidenciando as
conquistas das pessoas com necessidades especiais e as contribuições deste processo na figura do
psicopedagogo.

Palavras - chave: Inclusão. Aluno. Professor. Escola. Psicopedagogo.

ESCUELA DE INCLUSIÓN: PSICOPEDAGÓGICA DENTRO DE INSTITUCIONES


ESCOLARES
RESUMEN

Este artículo tiene como objetivo presentar las condiciones actuales y las dificultades que
experimentan las personas con necesidades especiales; la revisión de la literatura, se discute la
importancia de incluir a los estudiantes con necesidades especiales en la habitación es un derecho para
todos, la observación de las necesidades básicas , que cada uno presenta, donde se puede observar que
la inclusión se está haciendo de una manera consistente, debemos buscar formas de resolver este tipo
de situaciones y problemas que se presentan, y cómo la acción del psicólogo educativo podemos
actuar dentro de esas realidades. Esa discusión se basa en las ideas teóricas de Ferreira en la LDB y
ECA. Concluimos al destacar los logros de las personas con necesidades especiales y las
contribuciones de los estudiantes.

Palabras - Clave: Inclusión. Estudiante. Maestro. Escuela. Psicopedagogos.

1
Especialista em Psicopedagogia pela UNIT. Orientadora Pedagógica do CENAM. E-mail: mandrika
gois@hotmail.com
2
Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela FSLF. Prof. de Educação Básica da Rede
Pública Municipal de Ensino de Laranjeiras e Orientadora Pedagógica do CENAM. E-mail:
advanusiaplus@bol.com.br
3
Mestranda do curso de Mestrado em Educação da USAL - Buenos Aires; professora de Educação
Básica da Rede Pública Estadual de Ensino de Sergipe. E-mail: renildesmsouza@hotmail.com
1 INTRODUÇÃO

Ao longo dos anos notamos que a educação vem passando por várias transformações;
uma delas é a inclusão de alunos com necessidades especiais em salas de aulas regulares. Não
somente as salas destinadas às pessoas portadoras de alguma necessidade, ou alguma
limitação, mas também as salas regulares. Esta realidade vem sendo vivenciada nas escolas
com mais recursos onde percebem que é preciso levar a inclusão a todos.
Mesmo assim essas crianças, algumas vezes, são recebidas sem que haja nenhuma
preparação do ambiente escolar, e principalmente dos profissionais que irão transmitir o
conhecimento a esses alunos. Sabemos que as maiorias dos profissionais se dedicam da
melhor maneira possível para que essas crianças portadoras de necessidades especiais possam
receber a mesma educação que as demais recebem em sala, sem causar-lhes algum transtorno
posteriormente.
Para que possa haver uma verdadeira inclusão sem discriminação, preconceitos e
rejeição por parte da escola e dos seus funcionários é preciso que haja um esclarecimento
sobre o assunto com toda a equipe que forma o ambiente escolar, e que sejam proporcionadas
capacitações para todos, tornando necessário o envolvimento e o comprometimento de todos
na busca dos mesmos objetivos.
Neste sentido, este artigo tem como objetivo apresentar as atuais condições, e as
dificuldades, vivenciadas pelas pessoas com necessidade especiais. Para um trabalho com inclusão
é preciso oferecer meios de qualificações adequadas para que as ações sejam desenvolvidas
com qualidade e um bom trabalho onde os resultados avancem e o aluno seja tratado de
maneira totalmente diferenciada, ou que não pareça inadequada por falta de recursos. Um dos
papéis do psicopedagogo é orientar o professor no desenvolvimento das atividades para que a
escola se adeque ao aluno, de maneira clara e objetiva sem mostrar diferença no tratar para
com o alunado.
A escola necessita produzir uma proposta de currículo interdisciplinar, um currículo
que seja viável dentro da realidade da escola e que ofereça flexibilidade e qualidade nas suas
práticas, pois estará valorizando todo o sentido de vida dos seus alunos, garantindo o respeito
das várias etnias existentes, as crenças religiosas, a cultura, e assim o aluno se sentirá bem
melhor valorizado, passará a se envolver nas propostas educacionais e com mais vontade de
praticar as atividades que lhes são propostas.
Algumas escolas oferecem aos seus alunos o atendimento educacional especializado o
AEE, que é oferecido preferencialmente nas escolas públicas e de ensino regular, onde os
alunos frequentam a sala de recursos multifuncionais, tendo ao seu alcance recursos
pedagógicos e tecnológicos, que estão dentro da sua realidade, sendo que esse atendimento é
um complemento do ensino regular, que tem como objetivo ajudar o aluno a ter sua
autonomia dentro e fora da unidade escolar, superando as limitações.
Neste caso, a escola e o professor do AEE, se mantêm unidos no processo de
elaboração de projetos pedagógicos; na observação de quando um aluno é encaminhado para a
sala de recursos, procurando saber o porquê o aluno está sendo encaminhado e estudando o
caso.
Nesse sentido, professores do ensino regular, o professor do AEE e os gestores
escolares mantêm-se unidos para a elaboração de planos e metas que possam ajudar no quadro
evolutivo do aluno, na utilização dos materiais didáticos adequados, no acompanhamento
evolutivo de sua aprendizagem. A sala proporciona uma ajuda fundamental tanto ao aluno
quanto aos professores, pois é repleta de recursos.
Sendo assim, quanto ao tipo de pesquisa opta-se neste artigo pela qualitativa do tipo
exploratório, através de observação, além das coletas de dados como: consultas a livros,
artigos e dissertações que fundamentam a inclusão escolar.

2 A ESCOLA

É notável que a inclusão escolar e o atendimento educacional aos alunos com


necessidades especiais vêm promovendo grandes avanços ao longo dos anos, além de que se
faz necessário que a sociedade esteja envolvida no processo de inclusão, e para que possa
acontecer verdadeiramente é preciso respeitar, reconhecer e valorizar a diversidade existente.
A diversidade humana é uma característica que acompanha qualquer sociedade, a qual todos
estão inseridos e que necessita de respeitos e da compreensão de toda esta parcela, desta
maneira a escola representa um papel fundamental nesse processo.

A escola comum se torna inclusiva quando reconhece as diferenças dos


alunos diante do processo educativo e busca a participação e o progresso de
todos, adotando novas práticas pedagógicas. (ROPOLI, 2010. p. 9 )
Diante desses avanços, percebemos que não foi nem está sendo fácil a introdução
dessas novas práticas pedagógicas, já que para elas acontecerem não depende somente da
comunidade escolar. São necessários avanços no sistema e a participação de todos para que
assim possam criar e desenvolver novas práticas pedagógicas, de forma que os alunos possam
estar incluídos numa perspectiva educacional que seja ideal para o desempenho e o
desenvolvimento na sua vida escolar.
O papel escolar no desenvolver das suas atividades para todos, precisam do
envolvimento de toda a comunidade escolar, incluindo os pais, alunos, gestores e todos os
profissionais que compõem o sistema educacional, pois a escola que faz a inclusão, ela
consegue melhorar a sua qualidade de ensino, já que estará procurando atingir as suas metas,
seus objetivos, e desenvolver um papel ao qual procurará valorizar as diferenças existentes
sendo positiva no que faz, no papel que desenvolve com respeito e qualidade ao seu público.

2.2 AS MUDANÇAS NA INCLUSÃO AO LONGO DOS ANOS

A inclusão vem sendo um tema bastante abordado no meio social, pois os profissionais
de diversas áreas começaram a entender as pessoas com deficiência com outros olhos, cada
dia mais buscando valorizá-los e proporcionar meios para que eles possam demonstrar suas
potencialidades mesmo apresentando limitações.
Um grande desafio enfrentado por todos é fazer com que a sociedade enxergue esta
realidade, esses potenciais, dando a essas pessoas oportunidades de poder demonstrar suas
habilidades em varias áreas. Uma grande conquista foi à introdução de leis que defendem o
portador de alguma necessidade especial, a introdução deles nas salas de aulas regulares ou
cursos que possam qualificá-los para o mercado de trabalho.
Aos poucos vamos percebendo as transformações da sociedade mediante o tema, e a
valorização do deficiente, que através das suas conquistas estão se tornando cada vez mais
valorizados, bem como se tornando profissionais qualificados que atuam no mercado de
trabalho e provando mesma sociedade que os nega inserção, que a aparência física não traduz
a sua capacidade cognitiva.
Desta forma, sabemos que ao longo dos anos aconteceram muitas mudanças na
sociedade. O que era uma sociedade clássica, cheia de preconceitos, tornou-se uma sociedade
moderna onde se procura alcançar todos os direitos para com as pessoas que apresentam
alguma deficiência, já que na antiguidade era grande o desprezo, o abandono, e até mesmo
havia casos de morte para com as pessoas que apresentavam alguma deficiência.
A partir daí, iniciou-se grandes ciclos de estudos educacionais inclusivos e as pessoas
começaram a dar mais relevância aos casos, apresentando mais preocupações em garantir
direitos, para que houvesse a inclusão dessas pessoas. Uma das principais foi a de como esses
direitos seriam garantidos e de como criar leis que ajudassem essas pessoas para que assim
pudessem conseguir algum avanço dentro da situação. Entre os anos de 60 e 70 com o início
de conferências para a declaração dos direitos humanos, os países começaram a buscar
maneiras de poder ajudar essas pessoas, tendo a ideia de que a pessoa diferente poderia ser
capacitada para manter uma vida normal dentro da sociedade e dentro das suas limitações, e
assim a cada década que se passava começou a se preocupar cada vez mais em garantir meios
que pudessem fazer essas transformações e tentando mudar os conceitos sobre a deficiência.

Na década de 90, ainda à luz da defesa dos direitos humanos, pode se


constatar que a diversidade enriquece e humaniza a sociedade, quando
reconhecida, respeitada e atendida em suas peculiaridades. (Ministério da
Educação, Secretaria de Educação especial, 2004. p. 12)

Começando a ter a valorização e procurando adquirir o respeito para com os outros


dentro da sua diversidade, começou a se garantir alguns direitos e a observar a ideia de que se
fazia necessária à construção de espaços que pudessem fazer o atendimento humanizado sem
preconceito, atendendo as necessidades de todos os cidadãos, principalmente daqueles que
apresentam necessidades educacionais especiais buscando qualificá-los dentro das suas
próprias limitações.
Em 1994, aconteceu a Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais,
na qual o Brasil se fez presente e assinou a declaração comprometendo-se com as ações
educativas especiais em seu país. Acordo esse que ficou conhecido como Declaração de
Salamanca.

As pessoas com necessidades educacionais especiais devem ter acesso às


escolas comuns, que deverão integrá-las numa pedagogia centralizada na
criança, capaz de atender a essas necessidades. (Ministério da Educação,
Secretaria de Educação especial 2004. p. 16).

Com esta declaração ficou garantido o direito de todas as crianças às salas de aulas
comuns, ou seja, as salas regulares. Vários países estiveram presentes e se comprometeram
com os mesmos direitos garantidos na declaração. Além dessa, houveram outras declarações
que também garantiram e garantem direitos às pessoas com necessidades especiais. Uma delas
foi a Convenção da Guatemala, em 1999.
No Brasil, temos leis específicas que falam sobre esses direitos, como a ECA–
Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei Nº 8.069, de 13 de Julho de 1990, nos artigos 3º,
4º, e no artigo 54, no inciso III, afirma-se que:

Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais


inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata
esta lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as
oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico,
mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.
Art.4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder
público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos
referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária.
Art. 54º É dever do estado assegurar à criança e ao adolescente:
III – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência,
preferencialmente na rede regular de ensino... (ECA, 1990).

Ainda de acordo com a LDB, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, lei nº
9.394 de 20 de dezembro de 1996:

Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de


liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno
desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e
sua qualificação para o trabalho.
Art. 58º. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a
modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular
de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais.
§ 1º. Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola
regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial.
§ 2º. O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços
especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos,
não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular.
§ 3º. A oferta de educação especial, dever constitucional do estado, tem
início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil. (LDB,
LEI N° 9.394, 1996)

Observamos que no contexto dessas leis, fica claro que a família possui um grande e
fundamental papel mediante a luta pelos direitos e as necessidades básicas que todas as
crianças possuem, seja ela especial ou não; é nítida que cabe também ao estado juntamente
com a sociedade, a escola, juntamente com a família, garantir os direitos como a saúde, o
crescimento, o desenvolvimento moral, o conhecimento, a educação entre outros.
2.3 DIANTE DA REALIDADE DA INCLUSÃO

Para que se possa ter uma educação de qualidade que ocorra uma inclusão sem a
existência do preconceito por parte de alunos, professores e demais componentes da
sociedade, para com aqueles alunos que apresentam alguma necessidade especial, e que estão
inseridos nas unidades escolares, é preciso vencer o preconceito que existe dentro do meio
educativo, romper as barreiras, superar as limitações buscando alcançar os objetivos
desejados, retirar de vez a existência de que essas crianças são as coitadinhas, que precisam
ser tratadas de maneira diferenciada. Deve-se lembrar de que elas possuem limitações que
necessitam de uma explicação com mais clareza, mais tranquilidade, uma vez que elas são
iguais a todas as outras crianças que ali existem, merecem respeito e toda a dedicação como é
dada a todos os outros alunos. É preciso que essas situações de expressões sejam revertidas,
evitando a discriminação e os constrangimentos futuros que poderão desagradar a todos os
envolvidos.
Para atender a todos e com qualidade, é preciso mudar o pensar pedagógico existente e
criar um novo caminho, ter uma nova visão diante desse processo. Sabemos que não é uma
tarefa fácil. É bastante árdua e que necessita de muitos esforços, por isso é necessário que os
professores procurem trabalhar as necessidades de todos os alunos, dando-lhes estímulos e
orientações para que eles possam superar seus próprios limites, vencer as suas próprias
barreiras, sabendo que todo esse desenvolver será feito com muita calma e cautela durante
muito tempo.
Entre tantos avanços tecnológicos que o mundo vem vivenciando, é necessário que o
sistema ofereça meio e recursos para a capacitação de professores e recursos tecnológicos
para um bom desempenho no desenvolvimento dentro da educação inclusiva. Sabe-se que a
vida escolar tem início na educação infantil, e a inclusão necessita ser feita desde esse
período, e assim possa ter uma boa concretização no empenho e no desenvolver de todas as
atividades. É preciso que haja suporte e apoio, tanto no contexto moral quanto no profissional,
pois é necessário o reconhecimento que o processo da educação inclusiva, educação especial,
não é fácil e enfrenta grandes dificuldades no sistema educacional. É preciso mais mudanças
em torno da visão que se tem atualmente sobre as práticas educativas no sistema educacional
brasileiro, onde ocorrem muitas falhas dentro do processo educativo, procurar superar,
desenvolver, transformar esses métodos em novas práticas transformadoras, lógicas e que
possam alcançar os objetivos e conteúdos utilizados; é uma boa maneira de se ter uma grande
mudança e assim promover o alcance dos métodos educativos e promover a essas pessoas
uma nova perspectiva de vida dentro da sociedade, criando alternativa onde a escola seja a
primeira a se transformar diante da causa de uma nova escola, um ideal pedagógico.

2.4 A ACESSIBILIDADE ESCOLAR E RECURSOS PEDAGÓGICOS

O Brasil, diante do tema inclusão, vem tentando vencer as barreiras e superar os


obstáculos que se encontram no meio educativo, pois não são todas as escolas que possuem
uma acessibilidade de locomoção ou de recursos pedagógicos em seus prédios. Mesmo diante
de todas as transformações que vem acontecendo, ainda se tem um grande desafio em mudar
as estruturas das unidades escolares que não apresentam a acessibilidade adequada para as
crianças que a necessitam.
Um ambiente bem estruturado, adequado para cada tipo de necessidade especial
ajudará posteriormente no desempenho e no desenvolvimento de cada aluno. Com o ambiente
que seja adequado, a criança se sentirá bem; se sentirá a vontade para ir e vir, estará
desenvolvendo a cada dia a sua autoestima, a sua vontade de retornar aquele ambiente, já que
ali ela consegue se movimentar, aprender e está dentro da sua realidade.

3 O psicopedagogo no processo educativo da inclusão

O psicopedagogo surgiu para ajudar no desenvolvimento dentro de uma perspectiva


que se possa conseguir ampliar as habilidades que estão retraídas dentro da criança. Para isso,
em primeira fase, ele precisa utilizar recursos como a entrevista com a família, fazendo uma
investigação para tentar descobrir o porquê do encaminhamento da criança ao atendimento,
buscar descobrir a história de vida delas, sendo possível através de recursos como a
Anamnese. Buscar identificar sua vivência, seu histórico escolar, quais dificuldades
apresentam no processo de aprendizagem; fazer o encaminhamento a outros profissionais
quando necessário. O auxílio e a intervenção do psicopedagogo no processo de aprendizagem
vêm contribuindo cada vez mais dentro das diversidades encontradas nas unidades escolares,
sendo que sua intenção é a de descobrir o que está prejudicando ou dificultando a
aprendizagem do aluno.
Entretanto, sabe-se que muitos são os fatores que podem estar interligados nessa
dificuldade, podendo ser um problema no meio social ou em suas funções cognitivas. No
afetivo, no psicológico, nas ações pedagógicas. Esses problemas podem definir se haverá o
fracasso ou o sucesso escolar e no desenvolvimento dessa criança. Assim, cabe ao
psicopedagogo ter um olhar amplo para descobrir qual fator está atingindo o aluno, e dentro
desse trabalho criar um planejamento adequado para que possa desenvolver todo o trabalho
dentro de cada necessidade e que essa intervenção possa ser feita juntamente com os outros
profissionais que estejam envolvidos no caso, para assim obter um maior conhecimento
dentro do processo evolutivo da aprendizagem desse aluno.
O que mais observamos na atualidade são as reclamações feitas por profissionais da
educação dentro da perspectiva do fracasso escolar do aluno, já que muitos deles não
conseguem demonstrar os seus sentimentos, não conseguem desenvolver a leitura e a escrita,
e assim o professor necessita de um auxílio para poder intervir nesse processo. Neste caso, é
muito importante que se ouça o aluno, os seus problemas. Desta maneira o profissional poderá
detectar a realidade do problema que está sendo enfrentado no processo da aprendizagem e no
desenvolvimento, já que esse problema pode ter sido adquirido antes ou no decorrer da sua
vida escolar.
Dentro deste processo investigativo é necessário um conhecimento mais amplo sobre a
vida escolar, e social do individuo, o psicopedagogo de tal forma consegue interferir e
interagir para a melhora das dificuldades enfrentadas pela criança. O psicopedagogo tem a
responsabilidade de trabalhar para alcançar os seus objetivos e para que a escola possa
acompanhar esse processo de desenvolvimento que a mesma está passando. Sabe-se que a
intervenção da psicopedagogia é um processo contínuo, que precisa do envolvimento familiar
e da comunidade escolar e de todos os outros profissionais que estiverem envolvidos no
processo de aprendizagem e no acompanhamento da criança. Essa ação não é desenvolvida
individualmente entre o psicopedagogo e o aluno, mas sim uma ação conjunta entre todos
para que a criança aprenda, sinta-se bem e possa levar uma vida normal sem discriminações.
A escola precisa estar atenta a cada dificuldade de aprendizagem, trabalhar com novas
possibilidades e não deixar sua docência ser cômoda e reflexo da apatia institucionalizada.
É preciso observar os comportamentos de cada criança tentando ajudá-la, é necessário
saber se ela apresenta dificuldade no seu perfil neuro-sensório-motor.

Avaliar o perfil neuro-sensório-motor é perceber como está o


desenvolvimento, do sistema nervoso, do sistema sensorial, do sistema
motor,.. Para avaliá-lo, precisa-se conhecer os elementos que o compõem: o
esquema corporal, a lateralidade, a interação espacial, a orientação temporal,
a coordenação dinâmico-manual, a coordenação visual-motora, o
desenvolvimento da linguagem, o desenvolvimento sensorial. (FERREIRA,
2001. pag. 15).

Desta maneira, o professor tem um papel muito importante, pois é o primeiro a


observar as dificuldades, as necessidades que cada aluno apresenta, pois assim poderá passar
essas informações adiante e dentro desse contexto de observações poderá buscar meios que
possam dar o suporte adequado para que assim possa vir a ocorrer um melhoramento na
unidade escolar, na sala de aula, no professor, na equipe escolar como também no aluno.
Assim, o professor necessita avaliar como está o desenvolvimento de cada aluno, e para que
essa avaliação possa vir acontecer, o primeiro passo é a observação individualmente de cada
atividade, do comportamento, do envolvimento de cada educando.
O psicopedagogo tem como interagir dentro dos problemas enfrentados nas unidades
escolares, no contexto de exclusão que acontece no meio educativo, e para evitar isso ele pode
ajudar dentro de uma inclusão, apresentando meios e propostas pedagógicas como:
 Proporcionar meios pedagógicos adequados com a situação;
 Criar meios de reflexão sobre o tema, entre a equipe;
 Observar atentamente as dificuldades apresentadas por cada aluno;
 Observar principalmente o potencial que cada criança apresenta,
procurando ajudá-la;
 Não observar a doença que a criança apresenta e sim as suas qualidades e
potencialidades.
Entre outros meios pedagógicos que podem ser utilizados como recursos para uma
inclusão satisfatória, na qual todos são valorizados por igual. O psicopedagogo tem esse papel
de juntamente com a escola tentar criar caminhos adequados para o desenvolvimento do saber
do aluno, de forma que a escola possa ser uma escola transformadora a qual todos apresentam
direitos e deveres, sem descriminação, ou preconceitos.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Podemos afirmar que durante muito tempo as pessoas com necessidades especiais
passaram por grandes dificuldades de aceitação pela sociedade e com o passar do tempo esta
realidade começou a ser transformada, a partir dos estudos e do conhecimento que o homem
foi adquirindo.
As pessoas com alguma necessidade especial passaram a garantir seus direitos dentro
da lei, perante uma sociedade preconceituosa e cheia de inadequações, hoje é possível que
mesmo enfrentando dificuldades os portadores de alguma deficiência possam frequentar
lugares, escolas e também trabalhar, pois com os estudos garantidos muitos conseguem obter
sua autonomia pessoal e dentro do seu trabalho desenvolver grandes potenciais.
O psicopedagogo dentro das unidades escolares representa um papel fundamental
diante do processo educativo, ajudando os gestores e professores no desenvolvimento e na
aceitação das crianças especiais e nos desenvolvimentos e sugestões de atividades, para que
não ocorra a exclusão desses alunos e sim o envolvimento de todos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARANHA, Maria Salete Fábio. Educação Inclusiva: a fundamentação filosófica. Brasília:


Ministério da Educação, Secretária da educação especial, 2004.

ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei NºLei Nº 8.069, de 13 de julho de 1990.


Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm> Acesso em: 10 de
fev.2015.

FERREIRA, Márcia. Ação psicopedagógica na sala de aula: Uma questão de Inclusão. São
Paulo: Paulus, 2001.

LDB, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de


1996. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf> Acesso em: 10 de
fev.2015.

MANTOAN, Maria Teresa Egler; PIETRO, Rosangela Gavioli. Inclusão Escolar: pontos e
contrapontos. São Paulo: Summus, 2006.

REPOLI, Edilene Aparecida et al. A educação especial na perspectiva da inclusão escolar:


a escola comum Inclusiva. Brasília: Ministério da educação, secretaria de educação especial:
Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2010.