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A PSICOLOGIA TOMISTA COMO

FUNDAMENTAÇÃO PSICOLÓGICA NA
DIREÇÃO ESPIRITUAL

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO


TEOLOGIA – DOUTRINA CATÓLICA

José Hamilton Ferreira

UNINTER – CENTRO UNIVERSITÁRIO UNINTER – Curitiba (PR)


Julho, 2020
A PSICOLOGIA TOMISTA COMO FUNDAMENTAÇÃO PSICOLÓGICA
NA DIREÇÃO ESPIRITUAL
Psychology, for Atistotle, is the study of de soul. (Brennan, 1952)

FERREIRA, José (aluno)


BARBOSA, Adenildo Godoy (professor)

RESUMO

O presente artigo apresenta um levantamento bibliográfico acerca dos aspectos


emocionais relacionados ao ministério da direção espiritual e quais são as
fundamentações psicológicas normalmente utilizadas pelos diretores espirituais.
Investigou-se se há relevância de temas emocionais ou psicológicos nas demandas
apresentadas pelos fiéis que buscam orientação. Constatada a relevância das
demandas emocionais, pesquisou-se o conteúdo formativo concernente à psicologia,
oferecido aos ministros da direção espiritual. Constatou-se que a literatura
destinada à formação dos diretores espirituais apresenta seus fundamentos na
psicologia moderna. Discutiu-se que esta psicologia é filha da filosofia e da ciência
contemporânea, cujas bases fundam-se no combate à doutrina, à moral, à ética e
aos valores cristãos. Demonstrou-se que as “pistas” psicológicas oferecidas neste
ministério podem ser contraditórias à fé cristã. Após uma breve apresentação da
“psicologia” tomista, este trabalho apresenta material bibliográfico que aponta esta
abordagem psicológica como a opção mais adequada ao exercício da direção
espiritual no âmbito católico nos dias atuais.

Palavras-chave: direção espiritual, psicologia da direção espiritual, psicologia


tomista.

1. INTRODUÇÃO

Direção Espiritual é um termo que atualmente está na moda. Se, por um lado,
o hedonismo reinante em nossos dias afasta multidões da autêntica busca espiritual,
por outro, o vazio existencial provocado pelo mesmo hedonismo aguça a busca dos
“fins últimos”. Essa reinvestida do ser em busca de si mesmo, quando honesta e
sincera, estimula leituras, vivências e a procura de orientação. Um considerável
número de pessoas busca suas respostas na direção espiritual.
Este ministério também é conhecido por outros nomes, como aconselhamento
espiritual, orientação espiritual ou outros. Utilizaremos indistintamente quaisquer
destes termos. Não é o caso, neste momento, de dedicar espaço para a escolha do
termo ideal. Há outros objetivos mais emergentes, relacionados ao conteúdo ou às
bases antropológicas, filosóficas, sociológicas e psicológicas desta prática. Quanto
ao conteúdo doutrinário não há o que discutir: no âmbito católico a doutrina é Jesus
Cristo, sua vida, morte e ressurreição, núcleo da História da Salvação.
Neste artigo realizou-se uma pesquisa bibliográfica com dois fins:
primeiramente, aferir se a literatura sobre direção espiritual dá relevância aos
aspectos emocionais, ou psicológicos, tema que foi abordado no item 2.2.1. Apurada
a importância da dimensão emocional na prática da direção espiritual, passou-se ao
estudo da finalidade principal deste artigo: buscar, na bibliografia, a fundamentação
teórica mais adequada para embasar as orientações no campo da vida emocional ou
psicológica dos orientandos.
No item 2.2.2, a partir da bibliografia sobre orientação espiritual, constatou-se
que a base conceitual psicológica utilizada atualmente na direção espiritual é a
psicologia moderna. Partiu-se da desconfiança de que esta psicologia não ofereceria
as respostas mais adequadas em consonância com a fé católica. As psicologias
hodiernas foram formadas sobre fundamentações modernistas, caracterizadas por
uma postura anticristã desde a sua origem. A filosofia, a psicologia e as ciências
modernas são frutos do renascimento, do iluminismo, do positivismo, do marxismo e
de outros “ismos” que buscam superar os valores cristãos que fundaram a
sociedade ocidental (Echavarria, 2005).
Verteu-se, então, a pesquisa para um conhecimento anterior ao
renascimento: idade média e período clássico. Não foi encontrado em vernáculo
literatura adequada que indicasse outros caminhos. As principais fontes sobre a
“psicologia” anterior ao renascimento foram encontradas nos idiomas inglês e
espanhol, notadamente em Brennan e Echavarria. Alguns textos bem recentes
contribuíram para a compreensão do tema, mas não fizeram acréscimos a estes dois
autores. O item 2.2.3 apresenta, em linhas muito sintéticas, a “psicologia” tomista.
O termo psicologia é colocado entre aspas porque na época de Santo Tomás
e de Aristóteles o termo ainda não havia sido cunhado com o sentido atual. Falava-
se em estudo da alma ou psyque.
Nas considerações finais, fez-se um comparativo breve entre a psicologia
aristotélico-tomista e as psicologias modernas. Opinou-se sobre qual seria o sistema
mais adequado para a direção espiritual no âmbito católico.

2. A PSICOLOGIA TOMISTA E O ACONSELHAMENTO ESPIRITUAL

Este artigo tem como finalidade principal averiguar se a Psicologia Tomista


pode contribuir como subsídio ao ministério do aconselhamento espiritual.
Enunciando desta forma, parece que se defrontam objetos muito grandiosos, pois
duas razões. Primeiro porque a psicologia tomista, embora pudesse ser óbvia no
meio clerical, não o é. Ver-se-ão os motivos disso no decorrer do texto. Segundo,
porque o ministério do aconselhamento espiritual contempla muitas dimensões do
humano, é um tema vasto. Sendo assim, vamos às necessárias delimitações.

2.1. Delimitação do tema


O aconselhamento espiritual abrange diversas áreas da pessoa: espiritual,
religiosa, comunitária, familiar, emocional, econômica, dentre outras. Será aqui feito
um recorte. A presente pesquisa bibliográfica focará as questões emocionais, isto é,
a dimensão psicológica do aconselhamento espiritual. Será lançado um olhar crítico
sobre o embasamento teórico-filosófico que embasa a dimensão psicológica da
direção espiritual. Também está no escopo deste trabalho estabelecer um
comparativo entre as abordagens psicológicas modernas e a psicologia tomista, com
vistas a aferir a adequabilidade à fé católica.

2.2. Estratégia de trabalho


Estabelecidos os limites da pesquisa, há que se estabelecer uma estratégia
para considerar se a psicologia tomista pode ou não ser um subsídio adequado e
conveniente para o exercício do ministério do aconselhamento espiritual. Para isso
serão necessários quatro passos.
O primeiro será investigar se é relevante a presença de aspectos psicológicos
nos atendimentos de aconselhamento espiritual. Ora, uma pesquisa só se justifica
se o tema for relevante.
O segundo passo será examinar quais são as abordagens teóricas em
psicologia que fundamentam os atendimentos em aconselhamento pastoral nos dias
atuais. Serão buscadas respostas para duas questões: quais são as abordagens
utilizadas e quais são os seus pressupostos filosóficos.
O terceiro passo consistirá em apresentar, embora de forma sintética a
psicologia tomista.
Por último, será lançado um olhar comparativo entre a Psicologia Tomista e
as abordagens teóricas em psicologia utilizadas nos atendimentos pastorais, com o
fim de avaliar a adequação aos valores da fé católica.
2.2.1. A Dimensão psicológica do Aconselhamento Espiritual
O que se entende por aconselhamento espiritual? Barry e Connoly (1999) a
definem de uma forma bem estrita, limitando-a à ajuda direta que se dá quanto ao
relacionamento do orientando com Deus:
“Definimos, portanto, a direção espiritual cristã como a ajuda dada por um
cristão a outro, ajuda essa que capacita este outro a prestar atenção à
comunicação pessoal de Deus com ele, a responder a esse Deus
pessoalmente comunicante, a aumentar a sua intimidade com ele e a viver
as consequências desse relacionamento.” (BARRY e CONNOLY, 1999,
p.22)

A essa clássica e respeitável definição, emitida em 1982, com base em


experiências dos anos 1970, contrapõe-se a percepção de Szentmártoni (2006), que
observa uma nova fase da direção espiritual, iniciada em meados da década de
1980, caracterizada por um reflorescimento e renovação, motivada pelas angústias
decorrentes de fatores familiares, sociais, existenciais e religiosos. Aqui a direção ou
aconselhamento espiritual ampliou o escopo dos relacionamentos: à verticalidade
Deus-homem, incluiu-se a horizontalidade dos relacionamentos interpessoais.
Consoante a essa visão, Renato Corti também relata a fase de transição
complexa e delicada que está vivendo a direção espiritual, que agora trata não de
fatos objetivos, mas ao gênero de fatos da vida cristã que “pertencem às leis da
apropriação subjetiva e pessoal da existência humana”, (Corti, Moioli e Serenthá,
2005).
Estas três fontes acima identificam o fenômeno da queda dos paradigmas
modernos e a substituição por novos parâmetros, chamados pós-modernos,
caracterizados pela perda de credibilidade e do valor referencial das instituições e a
predominância da subjetividade. As instituições diretamente relacionadas a este
trabalho que foram afetadas são a igreja, a religião e a direção espiritual.
O mesmo indivíduo que é afetado pela “modernidade líquida”, Bauman
(2001), e que vive em meio ao descrédito institucional, apresenta os sintomas
angustiantes de uma certa orfandade, pois o apoio predominante na subjetividade
individual ou intersubjetiva, que geralmente é rápida e superficial, não dá conta de
responder às demandas do ser. Este indivíduo procura aconselhamento espiritual e
é atendido por agentes, clérigos ou leigos, que também vivem imersos nessa
mesma dinâmica transformacional. Estamos todos sujeitos à imediatez, à urgência
por respostas rápidas, à superficialidade das respostas, ao pluralismo, à falta de
valores referenciais, ao descrédito das instituições e todas as demais características
da contemporaneidade.
Ora, se o indivíduo sofre porque vive este dilema, é natural que busque ajuda.
Os autores fazem constantes referências à psicologia aplicada, especialmente a
psicoterapia e a psicanálise, mas referem que estas angústias batem às portas da
direção espiritual.
Szentmártoni (2006) assevera que a existência da psicologia pastoral, como
disciplina setorial da teologia pastoral, nos dá notícias da relevância da dimensão
emocional na prática pastoral e que “a psicologia pastoral é um ramo da psicologia
que estuda os processos psicológicos inerentes às situações pastorais.” O autor
defende que os objetivos da psicologia pastoral “são diferentes em relação aos da
teologia aplicada: de fato, ela deve, antes de tudo, descobrir os processos
psicológicos em determinada situação, explicar sua natureza (...) e elaborar os
meios de ajuda e mudança”.
A produção científica da Psicologia Pastoral tem como objeto os temas da
vida emocional de uma forma mais focal. A literatura que trata da direção espiritual
traz, geralmente, em seu bojo a dimensão espiritual como tema principal, e,
invariavelmente introduz temas relacionados à vida psíquica. Corti et ali (2005)
asseveram que a literatura faz referências aos dados psicológicos e sociológicos.
Szentmártoni (2006) considera que a psicologia “é de considerável ajuda para
diagnosticar quais eventuais fatores psicológicos que interagem no caminho de
crescimento espiritual do homem moderno”.
Com base neste brevíssimo levantamento bibliográfico já é possível constatar
que a dimensão psicológica possui relevância na prática pastoral da direção
espiritual. A seguir será apresentado o que se encontrou como base conceitual que
embasa os atendimentos.

2.2.2. Base conceitual psicológica utilizada no Aconselhamento Espiritual


Foi visto que os atendimentos pastorais têm uma dimensão psicológica. As
respostas às demandas psicológicas são emitidas com base em alguma
fundamentação teórico-prática da psicologia, ou, na sua falta, com base no senso
comum do atendente. Neste trabalho será adotada a terminologia “abordagem
psicológica” para os diferentes corpos teórico-práticos da psicologia. São exemplos
de abordagens a psicanálise, a psicologia analítica de Jung, o behaviorismo, e a
psicologia humanista.
A partir do século XIX, a moderna psicologia passou a gozar de uma grande
notoriedade, tanto no campo da produção cultural, quanto na prática clínica,
institucional e social. Os conceitos dessa “nova” ciência foram se transformando em
termos de uso comum. Por exemplo, tornaram-se vocabulário popular palavras como
“inconsciente e ego”, “complexo e introversão”, “condicionamento e reforço”; duplas
conceituais oriundas de Freud, Jung e da psicologia comportamental,
respectivamente. A mídia difunde esses conceitos, gerando o seu uso de forma
adequada ou equívoca. Os que buscam e os responsáveis pelo aconselhamento
espiritual também estão sujeitos a essas influências e à insuficiência conceitual.
Este estudo constatou que existe literatura recomendando o uso das
abordagens psicológicas hodiernas na direção espiritual. Por exemplo, Szentmártoni
(2006) faz uma extensa apresentação das diversas abordagens psicoterapêuticas,
como forma de subsidiar o trabalho pastoral. O autor considera importante conhecer
as várias teorias para que o orientador possa se instrumentalizar para lidar com as
demandas e para que também possa avaliar o seu ponto de vista pessoal com um
certo distanciamento.
Nessa obra, o autor busca instrumentalizar os pastores com a base conceitual das
quatro grandes teorias da modernidade: 1) teorias psicodinâmicas (psicanálise e
suas derivadas), 2) teorias comportamentais, 3) teorias humanistas e 4) teorias
existenciais. Essas quatro teorias são espécies de guarda-chuvas que abarcam todo
o leque teórico-prático das abordagens psicológicas existentes na atualidade. A
psicologia tomista, que não foi citada pelo autor, não se enquadra nesta
categorização.
Em sua apresentação, ingenuamente o autor não analisa os fundamentos
filosóficos das abordagens, nem tampouco considera as suas dimensões
ideológicas. Ele pontua apenas os aspectos da teoria da personalidade que
embasam essas vertentes, destacando os benefícios de cada proposta para o
aconselhamento espiritual. Valida todas as abordagens e faz especiais elogios à
abordagem centrada na pessoa, de Carl Rogers, porque ela é empática. Elogia
também a logoterapia, de Victor Frankl, porque ela tem um olhar para a busca de
sentido.
As disciplinas relacionadas ao conhecimento foram objeto de estudo dos
clássicos e de Santo Tomás de Aquino. De uma forma simplificada, podemos dizer
que ele as hierarquizou da seguinte forma: por necessidade da salvação e porque o
homem é destinado a Deus, ele depende da Teologia Sagrada, que é a parte da
metafísica que não pode ser facilmente acessada pela razão humana. Abaixo dela
vem a parte da Metafísica, cujo conhecimento pode ser acessado pela simples
razão, neste campo situa-se a filosofia (Morais, Congiunti e Matos, 2014). Na “ordem
das disciplinas”, que por razões de simplificação omite-se detalhar aqui, está a física
que estuda as questões da alma, área do conhecimento que atualmente
corresponde ao campo da psicologia. Portanto, desde os seus primórdios a
psicologia está integrada à filosofia.
Fazendo uma genealogia da psicologia, isto é, sua linha do tempo, temos:
primeiro situa-se a teologia sagrada. Posteriormente, desta derivou-se a filosofia
como disciplina independente. Por necessidades históricas, principalmente por
razões da sua aplicação nos ambientes médicos e laboratórios experimentais, a
psicologia desligou-se da filosofia, tornando-se também uma disciplina independente
(Diniz, 2017). Assim, toda psicologia tem como base uma filosofia. As teorias que
deram origem às práticas psicológicas atuais, ou seja, às abordagens psicológicas,
possuem uma fundamentação filosófica e veiculam uma visão de homem e de
mundo.
Será apresentado, a seguir, um breve inventário do embasamento filosófico
das teorias psicológicas. Adotaremos a classificação acima, apresentada por
Szentmártoni (2006) das quatro grandes teorias que abarcam todas as correntes e
abordagens psicológicas atuais. Neste inventário, omitiremos os pormenores
teóricos e as técnicas empregadas por cada aplicação. Os esforços serão
direcionados para identificar as bases filosóficas. Para isso. Recorreu-se aos
pormenorizados estudos de Echavarria (2005 e 2013b), que apresentam uma visão
ampla e completa deste quadro, embora numa outra distribuição.

a) Base filosófica das teorias psicodinâmicas


As teorias psicodinâmicas têm origem nas obras de Freud, e fundamentam a
psicanálise. Sua base principal é o conceito de inconsciente. As dissidências dos
primeiros discípulos e dissidências posteriores, deram origem a diversas
abordagens: psicologia individual de Adler, psicologia analítica de Jung, abordagem
interpessoal de Sullivan, relações objetais de Melanie Klein, psicoterapia dinâmica
breve e muitas outras aplicações.
Nietzsche exerceu grande influência em vários níveis da cultura ocidental,
criando bases para “um projeto de uma nova moralidade e religiosidade pós-cristã”,
Echavarría (2005). Verifica-se que os princípios nietzscheanos estão presentes em
Freud: relativização do bem e do mal, em razão da malícia essencial do coração
humano; superação dos valores morais e culturais e substituição por uma
antropologia fantasiosa, substituindo símbolos consolidados na alma cristã por
imagens mitológicas que resultam na ideia de um super-homem, blindado das
influências controladoras dos mecanismos sociais. A psicanálise freudiana herdou e
transmitiu para o ideário psicoterapêutico o pessimismo de Nietzsche. O psicólogo
tomista canadense Brennan (1965) discorre sobre esse pessimismo, apresentado
resumidamente no quadro comparativo abaixo:

EM FREUD EM SANTO TOMÁS


Amor Impossível Possível
Liberdade Impossível Possível
Virtude Impossível (virtude é neurose)
Possível
Felicidade Absolutamente impossível Possível, é a posse estável de
“O mal-estar da civilização” bens reais
Moral Causadora das neuroses Ordenação pelo consenso
social
Cura É equívoco quanto à cura, se A cura da alma é possível, ao
considerar a aceitação das menos como pontapé inicial,
pulsões e repressões como nesta vida.
verdade.
Quadro 1 - O pessimismo freudiano frente à psicologia tomista, com base em Brennan
(1965).

De acordo com Echavarría (2013), é possível resumir os pressupostos


filosóficos da Psicanálise Freudiana em: materialismo, evolucionismo, determinismo,
mecanicismo, visão negativa da moral e religião. As principais influências de
Nietzsche resultaram em transvaloração, sublimação, e num racionalismo que
despreza a importância da fé; um pessimismo que leva ao niilismo, resultando numa
visão de homem similar à de animal, com forte atuação dos opostos eros/thanathos,
ou seja, prazer/agressividade ou vida/morte.
Segundo esta mesma fonte, outra abordagem psicodinâmica importante, a
Psicologia Analítica junguiana, pode ser resumida através dos seguintes
pressupostos filosóficos: racionalismo, imanentismo e evolucionismo. Para Jung, a
religiosidade é expressão de necessidades humanas ou uma função da mente
inconsciente humana. Despreza a realidade objetiva das coisas metafísicas,
considerando-as na dimensão do símbolo. Não existe o transcendente, apenas os
arquétipos na psique e no inconsciente coletivo.

b) Base filosófica das teorias comportamentais


A Abordagem behaviorista ou comportamentalista originou-se a partir dos
estudos de Watson, Thorndike e Skinner. Posteriormente a ela juntaram-se as
teorias cognitivistas de Albert Ellis e outros, gerando diversas abordagens, como por
exemplo a terapia racional e emotiva e a teoria cognitiva comportamental.
Os seus pressupostos filosóficos podem ser resumidos em: mecanicismo,
positivismo, funcionalismo, num evolucionismo que considera que o comportamento
tem causas apenas na biologia e nos condicionamentos e num imanentismo, onde a
alma e a mente não existem e num determinismo radical que nega o livre arbítrio,
Echavarría (2013).

c) Base filosófica das teorias humanistas


Tem como principais iniciadores Abraham Maslow, Erick Fromm, Rollo May,
Karen Horney, Carl Rogers e outros. O conceito básico da psicologia humanista é a
autorrealização.
Echavarria (2013b) destaca nestas teorias os pressupostos: bondade da
natureza no sentido rousseauniano, onde a natureza é boa do jeito que está,
descarta a necessidade de qualquer ascese; visão negativa de influências
exteriores: moral, família, educação e cultura vigente; individualismo liberal, com o
intuito de liberar o indivíduo da família e da sociedade. Para a implantação desta
filosofia torna-se imprescindível o relativismo moral.

d) Base filosófica das teorias existenciais


Os psicólogos criaram as abordagens existenciais a partir das reflexões
filosóficas de Martin Heidegger e Edmund Husserl. São exemplos dessa vertente a
análise existencial, a daseinanálise, a logoterapia e outras.
Echavarría (2005) destaca como pressupostos das teorias existencialistas a
filosofia de Heidegger, Hegel, Kierkegaard, Nietzsche e Sartre. Geraram à psicologia
moderna frutos como a autenticidade e a liberdade como essência do homem;
autorrealização autônoma através de uma espécie de religião pessoal egocêntrica;
contraposição de uma ética humanista autonomista à ética das religiões
institucionalizadas, que classificam como ética autoritária.
Esta rápida exposição torna clara a constatação da oposição entre fé e razão
como um dos fundamentos constituintes da psicologia moderna, Echavarría (2005).
Esta oposição é característica da ruptura moderna com a tradição, movimento que
deu origem à modernidade, e que segundo Bacarji (2019) tem quatro raízes
fundamentais: humanismo renascentista, caracterizado pela imensa crítica à
tradição, ao poder papal e à filosofia clássica, implantou a ideia da autonomia do
homem mediante a razão e em detrimento da fé, incentivando o empirismo e o
individualismo; reforma protestante, que nasceu do humanismo renascentista,
apropriou-se da sua crítica e exerceu uma profunda crítica a tudo o que era inerente
à Igreja: sua estrutura hierárquica, suas práticas, sua exegese, eclesiologia, e tudo o
mais, sendo algumas críticas pertinentes e outras não; mercantilismo, movimento
que beneficiou-se das críticas de Lutero para praticar com liberdade a usura e suas
práticas comerciais, que eram refreadas pela ética cristã e, finalmente, a revolução
científica, que implantou a autonomia da razão em relação à fé, mediante o
empirismo e o racionalismo científico.

2.2.3. A psicologia tomista


For Aquinas, then and for those who follow in his tradition, psychology is a study of the acts, powers,
and habits of man. (Brennan, 1952)

A presente seção tem o objetivo de apresentar uma síntese minúscula da


Psicologia Tomista. Como tudo que foi tratado pelo Doutor Angélico é extenso e
profundo, também o é a sua psicologia. Por esta razão, aqui será possível
apresentar apenas um esboço, uma ideia geral.
Primeiro, há que se esclarecer que o termo psicologia tomista não indica que o
Aquinate tenha utilizado esta terminologia. O termo psicologia foi empregado pela
primeira vez em 1594, pelo filósofo alemão Goclenius, na capa de um livro de
filosofia, Diniz (2017) e Echavarría (2013). A psicologia de Santo Tomás é uma
síntese que inclui Aristóteles. Para este filósofo, psicologia é o estudo da alma. Sua
abordagem da psicologia é animista, isto é, considera que as entidades não
humanas também possuem alma. O doutor angélico a aborda sob o ponto de vista
holístico. Isto significa que ele trata a filosofia da natureza humana de uma forma
mais antropológica que psicológica (Brennan, 1952, p.48).
É necessário aqui uma definição do que é a Psicologia tomista: “Para Tomás
de Aquino e para todos que seguem sua tradição, psicologia é um estudo dos
atos, potências e hábitos do homem”, Brennan (1952, p.50, grifo no original,
tradução nossa). Este estudo precisa ser realizado nesta ordem, conforme se
declara: “Devemos primeiro analisar os atos do homem antes que possamos dizer
alguma coisa sobre suas potências; e devemos primeiro estudar suas potências
antes que possamos dizer algo sobre sua alma” Tomás de Aquino, apud Brennan,
(1952, p.50).
O que hoje chamamos de personalidade ou caráter, na abordagem tomasiana
era denominado estudo do comportamento e suas origens. Echavarría (2005)
destaca que na visão aristotélico-tomista o princípio do comportamento é o seu fim,
sendo o princípio fundamental o fim último. Todo ato se destina a um fim desejado, o
que está na base, o que atua como princípio do comportamento geral, portanto da
personalidade do indivíduo, é o que ele tem como fim último. A personalidade será
mais ou menos organizada quanto mais atua em direção ao fim último adequado,
aquele que responderá às reais necessidades e finalidades da vida humana.
O mesmo autor assevera que “segundo Aristóteles e Santo Tomás, o apetite
de felicidade é inato e a felicidade é querida como fim último necessariamente a todo
homem” (Ibidem, p.120). Se a felicidade é o fim último de todos, resta saber o que é
este fim último, pois o Aquinate indica que o fim último não é objeto de eleição
humana, ele é algo dado.
Aristóteles (1991) ensina que a felicidade é buscada através de três tipos de
vida: prazer, honra e contemplação. A maioria dos homens, ou seja, o homem
vulgar, busca o prazer, ama os gozos. No fim colhe dores e sofrimentos. O outro tipo
busca a honra e também está fadado ao fracasso, pois
“a honra é, em suma, a finalidade da vida política. No entanto, afigura-se
demasiado superficial para ser aquela que buscamos, visto que depende
mais de quem a confere que de quem a recebe (...) buscam a honra para
convencerem-se a si mesmos de que são bons.” (Ibidem p.5).
Aristóteles acreditava que a máxima felicidade que o homem poderia alcançar seria
através de uma vida contemplativa, o oposto de vida ativa. Sobre o fim último, ele
argumenta:
“Ora, se a um ser vivente retirarmos a ação, e ainda mais a ação produtiva,
que lhe restará a não ser a contemplação? Por conseguinte, a atividade de
Deus, que ultrapassa todas as outras pela bem-aventurança, deve ser
contemplativa; e das atividades humanas, a que mais afinidade tem com
esta é a que mais deve participar da felicidade.” (Ibidem, p. 235).
É necessário recordar que Aristóteles viveu antes da era cristã e não pode
conceber a vida após a morte como a concebemos, ou seja, a ressurreição. Com o
advento do cristianismo, contemplação passou a ser contemplação divina,
constituindo o fim que pode proporcionar maior felicidade ao ser humano. Este
objetivo foi o alvo de estudo de uma extensa obra do frei Maria Eugênio do Menino
Jesus (2015) que trata justamente da via contemplativa. Sendo um frade carmelita
descalço, este autor segue a trilha de Santa Teresa de Jesus e de São João da
Cruz, doutores da Igreja que deixaram uma rica doutrina sobre a vida da oração
contemplativa.
Os diversos autores consultados, (Brennan, 1952 e 1965; Cavalcanti Neto, 2012;
Diniz, 2017 e Echavarría, 2005) dissertam sobre a Psicologia Tomista apresentando,
com pouquíssimas variações, os seguintes temas: essências da alma – visão geral;
vida vegetativa; potências da alma (apreensiva sensitiva, apetitiva sensitiva,
apreensiva intelectiva e apetitiva intelectiva – a vontade); o ato voluntário; os
hábitos; as virtudes humanas; os vícios e os pecados; a alma humana - 11 paixões:
amor-ódio, desejo-aversão, alegria-tristeza, esperança-desespero, audácia-medo,
ira; a alma humana – as virtudes e os vícios contrários (temperança x intemperança;
fortaleza x temor, intrepidez e audácia; fé x infidelidade, heresia, apostasia,
blasfêmia; prudência x imprudência, astúcia, solicitude desordenada por bens
temporais; esperança x desespero, presunção; justiça x injustiça, discriminação de
pessoas, homicídio, mutilação, agressão, provação de liberdade, furto, rapina,
contumélia (palavras contra a honra de alguém), difamação, murmuração, zombaria,
maldição, fraude, usura; caridade x ódio, acídia, inveja, discórdia, disputa, cisma,
guerra, rixa, sedição, escândalo, síntese do eu (ego) e caráter (personalidade).
Com estes temas, os autores e o próprio Santo Tomás apresentam a alma
humana e a sua natureza e modo de atuação. Discorrendo sobre estes tópicos
apresenta-se com grande profundidade temas que a psicologia moderna trata sob os
termos personalidade, comportamento, emoções, psicopatologia, etc.
A matéria é extensa e não há espaço para sua apresentação pormenorizada.
Também há que se considerar que é desnecessário repetir tal apresentação, tendo
em vista a boa qualidade das sínteses realizadas pelos autores citados neste artigo.
Desta forma, discutir-se-á diretamente os seus pressupostos filosóficos, tópico
suficiente para realizar a comparação que se pretende no presente trabalho, entre a
psicologia tomista e a psicologia moderna.

2.2.3.1 Pressupostos filosóficos da Psicologia Tomista


Nesta seção será utilizado principalmente o exposto no texto de Cavalcanti Neto
(2012), salvo outra indicação apontada.
a) Substância, potência e ato
Estes são três conceitos fundamentais de Aristóteles. Substância significa a
essência de um ente. Substância contrapõe-se a acidente, que se refere ao que
pode ser modificado num ente, sem que ele deixe de ser ele mesmo. Os acidentes
podem mudar, mas a substância permanece a mesma. Também este conceito se
estende às coisas dotadas de matéria, que possuem uma substância corpórea.
Potência é a capacidade de ser ou de não ser, enquanto que ato é a
realização de uma determinada potência. Por exemplo um indivíduo tem a potência
de ver o pôr do Sol. Esta potência se tornará ato quando ele sair de casa ao
entardecer e contemplar o sol poente. Potência é algo que pode ser posto ou
retirado do ser.
b) Doutrina hilemórfica de Aristóteles
Segundo esta doutrina, todos os seres viventes (animais e homens) ou não
viventes são constituídos de hyle, ou matéria, e morphe, forma. A matéria
corresponde à potência e a forma ao ato. É conveniente lembrar que o termo forma
é empregado por Aristóteles no seu sentido platônico e não no seu sentido vulgar.
Tanto a matéria quanto a forma são substanciais e transformam-se de modo
incompleto em ato. Disso resulta que o homem tem uma constituição hilemórfica,
tanto seu corpo quanto sua alma são incompletos quando separados um do outro. A
substância “ser humano” somente é completa com o corpo e a alma unidos.
c) Concepção Tomista de Alma
A alma é criada por Deus, é imaterial e incorruptível. Ela forma uma unidade
com o corpo, sendo a que tem a potência de viver, é a perfeição do corpo e a sua
forma. A alma é única para cada ser humano e possui três potências: intelectiva,
sensitiva e vegetativa. O que define a alma humana é a potência intelectiva, a qual
possui as perfeições sensitiva e vegetativa.
d) Substancialidade da alma
Ao afirmar que a alma humana é substância, nega-se que ela seja acidente.
Portanto a alma é capaz de existir por si mesma, sem depender de outros seres
criados para subsistir. Este pensamento é um dos alicerces da antropologia tomista,
que vê a materialidade do homem organizada por uma forma que é inteligente e
substancial, subsistente e transcendente. Esta concepção de homem traz
importantes consequências éticas.
e) Tipos de alma segundo a Psicologia Tomista
São Tomás apreciava uma hierarquia dos seres, apresentada por Arroyo Marin
(apud Cavalcanti Neto, 2012): 1) Minerais – sem forma de vida; 2) vegetais (e seres
microscópicos desconhecidos na Idade Média) – forma elementar de vida; 3)
animais irracionais – dotados de vida sensitiva; 4) homens (animais racionais) –
dotados de alma espiritual; 5) Anjos – seres puramente espirituais.
Considerando esta hierarquia, o doutor angélico atribui à ordem dos seres
criados, quatro tipos de alma: 1) Alma vegetativa – própria dos vegetais; 2) Alma
sensitiva – que informa os animais; 3) Alma espiritual – humana; 4) Alma espiritual
angélica – dos anjos.
f) Atualidade da concepção aristotélico-tomista sobre a alma
Cavalcanti Neto (2012) embasa a atualidade da concepção aristotélico-
tomista utilizando como exemplo a tecnologia atual, que foi construída sobre
conceitos aristotélicos: hardware e software, correspondentes de corpo e alma ou
matéria e forma; a linguagem binária, onde cada bit (zero ou um), correspondendo a
potência e ato. Do mesmo modo que as concepções da Psicologia Tomista
embasam as modernas tecnologias, ela está na base de nossa cultura e da arte:
exemplifica com a potência do barro que se transforma em ato pelas mãos do oleiro.
Podemos expandir para outros exemplos: a potência do metal se transforma no ato
do som do violão, as palavras em poesia. Essa ideia pode ser aplicada nos mais
diferentes campos do conhecimento.
2.2.3.2 Teoria da personalidade, psicopatologia e psicoterapia com base da
Psicologia Tomista
Esta seção fundamenta-se principalmente na contribuição de Brennan (1952
e 1965) e de Echavarria (2005 e 2013). A psicologia tomista, na mesma linha da
doutrina hilemórfica aristotélica, considera o homem como uma unidade
psicossomática: matéria e substância, potência e ato. São distintos, mas um não
pode existir sem o outro. Contudo, “sem dúvida, no homem, a alma pode subsistir
uma vez corrupto o corpo, pois tem o ser por si.” (Echavarría, 2005, p.129). Esta
unidade pode, didaticamente, ser estudada em seus vários aspectos, como se
apresenta adiante, em conformidade com esta última referência bibliográfica.
A referência tomasiana é a teoria das potências, esquematizada no quadro abaixo.
GÊNERO DE OBJETOS DE RELAÇÃO POTÊNCIAS
POTÊNCIAS
Vegetativas Corpo animado Nutrição, crescimento e reprodução
Sensitivas Todo o corpo (não só o corpo Conhecimento sensível (5 sentidos
animado) exteriores e os sentidos internos)
Apetitivas As coisas exteriores enquan- Apetites concupiscível e irascível
to fim
Motoras As coisas exteriores com o Capacidade motora
fim de operação
Intelectivas Todo o ente Inteligência e vontade
Quadro 2 – As potências e os objetos de relação

A dimensão cognitiva
Para o conhecimento de uma abordagem psicológica há que se considerar
em que teoria do conhecimento ela está ancorada. A Psicologia Tomista entende
que a essência do conhecimento humano é uma possessão imaterial da forma do
objeto conhecido. O conhecimento é construído com base no conhecimento sensível
e na inteligência.
O conhecimento sensível possui duas grandes fontes de coleta de dados:
os sentidos externos, compostos pelos cinco sentidos externos: tato, visão, audição,
gosto, olfato e os sentidos internos, os quais merecem uma pequena explanação:
sentido comum – é a fonte, a raiz dos sentidos externos, ele capta a sensação e
lhe dá sentido, por exemplo o olho vê mas não entende, o sentido comum junta
todas as percepções e consegue distinguir, por exemplo o branco, do amargo;
imaginação ou fantasia – recebe a percepção unificada pelo sentido comum, para
reter, conservar e formar uma imagem (ou fantasma) do que está sendo conhecido.
Estes dois são chamados sentidos formais, são os responsáveis pela captação das
formas sensíveis.
Os sentidos internos possuem ainda dois sentidos chamados intencionais: o
sentido cogitativo ou estimativo e a memória. A estimativa ou cogitativa é o sentido
responsável por ordenar as intenções, os valores de nocividade, inocuidade ou
capacidade de prazer da coisa percebida, que pode ser material ou imaterial. A
memória conserva os objetos e as suas intenções.
Inteligência é o segundo fator básico na teoria do conhecimento tomista.
Para Santo Tomás “o intelecto é a faculdade mais alta da alma humana” (Ibidem) e a
dimensão intelectual é a mais própria do homem. O autor considera que a
inteligência é profundamente incompreendida pela visão moderna, que a coloca
como subordinada a fatores biológicos, uma mera adaptação do indivíduo ao meio,
através dos mecanismos de assimilação e acomodação, como no modelo
construtivista de Piaget.
O entendimento é um ato que brota da plenitude. Através do intelecto ou
razão conhecemos a dimensão mais profunda da realidade. Este conhecimento no
homem é universal e prescinde da matéria, o homem transcende as necessidades
vitais de seu organismo e tem a capacidade de exercer um olhar desinteressado
sobre a realidade. A isso se chama contemplação, cujo objeto próprio é a essência
das coisas materiais.
O conhecimento começa pelos sentidos, o intelecto encontra seu objeto nas
imagens (fantasma), sobre as quais exercerão atividade a cogitativa, a memória, a
vontade, a prudência e todas as faculdades que se queira utilizar.
O intelecto é o centro da personalidade, o que proporciona a noção de “eu”, é
o que dirige a conduta e é a instância capaz de captar a razão final, que contém em
si todos os fins particulares e, em função do fim, ordenar a ação junto com a
vontade.

A dimensão afetiva
Santo Tomás fala em potências apetitivas, estas geram atos que a psicologia
moderna chama de emoções. Pode-se dizer que os apetites estão por detrás das
emoções, são as potências que as possibilitam. Apetites são a tendência para algo
motivado por um desejo. Há três grandes potências apetitivas: a natural, sensitiva e
a volitiva.
O apetite natural está ligado à vida vegetativa. O apetite sensitivo divide-se
em concupiscível, ou tendência para bens necessários e fáceis de obter; e
irascível, tende para bens de aquisição árdua. Por fim, a potência volitiva refere-se
ao exercício da vontade.
Os atos produzidos pelo apetite sensitivo produzem alterações corporais e
são denominados paixão. Em termos contemporâneos, sentimentos são os atos
que produzem menor alteração corporal e emoções os que produzem alterações
mais intensas.
Cavalcanti Neto (2012, pg.151), apresenta a seguinte classificação tomista das
emoções, com base na síntese de Brenan (1965):

Estímulo 1 – Amor: prazer produzido por objeto bom


Reações Favorável 2 – Desejo: inclinação afetiva ao bem.
(bom) 3 – Alegria: posse afetiva do bem.
Tranquilas
Estímulo 1 – Ódio: desprazer produzido por objeto mau.
(concupiscíveis) Desfavorável 2 – Aversão: repulsão afetiva do mal.
(mau) 3 – Tristeza: posse afetiva do mal.

Estímulo 1 – Esperança: inclinação afetiva a um bem obtení-


Reações favorável de vel, embora árduo.
difícil
obtenção 2 – Desespero: inclinação afetiva a um bem árduo,
de (bem árduo) considerado inalcançável.

emergência Estímulo 1 – Audácia: consciência afetiva de um mal árduo,


desfavorável mas vencível ou do qual se pode fugir.
(irascíveis) difícil 2 – Medo: consciência afetiva de um mal invencível,
de evitar ou do qual não se pode fugir.
(mal árduo) 3 – Ira: posse afetiva de um mal difícil de evitar.
Quadro 3 - Classificação tomista das emoções (paixões)
Essas são as paixões essencialmente diversas. Há as paixões
acidentalmente diversas, que por falta de espaço serão apenas citadas, em duas
categorias. As que se reduzem à mesma paixão: ciúme, abominação (ódio intenso),
exultação (gozo intenso), hilariedade (gozo intenso manifestado na face), jocosidade
(gozo intenso manifestado em palavras e atos), acédia (tristeza intensa
imobilizadora do corpo), taciturnidade (tristeza que impede a locução), presunção
(excesso de esperança), temeridade e furor (ira muito intensa). A segunda categoria
são as paixões cuja diferenciação se faz quanto ao objeto: misericórdia (tristeza pelo
mal alheio considerado como próprio), inveja, nêmesis ou indignação (tristeza pela
prosperidade dos maus), vergonha (temor pelos atos torpes), rubor (temor pelos
desprezos), lentidão ou desídia (temor da ação futura), admiração (temor ante
imaginação de coisas grandes), estupor (medo diante de coisas desacostumadas),
agonia (trepidação ou dúvida angustiosa face às incertezas do infortúnio).
Há contribuições importantes da psicologia tomista ao governo das paixões,
que modernamente correspondem ao controle emocional, aprendizagem ou
amadurecimento psicológico. O Doutor Angélico considera o papel do conhecimento
como diretivo, o da emoção como imperativo (ou ditatorial) e o do movimento
muscular como executivo. A perda do controle emocional acontece em razão da
preponderância ou da ditadura dos impulsos emocionais sobre a razão.
A vontade é a capacidade de eleger um ou outro bem. A isso se dá o nome
de livre arbítrio. A vontade governa os atos e as condutas humanas. Conjuntamente,
o intelecto e a vontade governam todas as potências cognoscitivas e apetitivas.

Estrutura da personalidade: o eu e o inconsciente


O enfoque tomista é ontológico, voltado para a substância, para a pessoa e
não para a dinâmica das relações. Daí que não se encontra diretamente nas obras
do Doutor Angélico uma teoria da personalidade, como a entendemos atualmente.
As teorias da personalidade atuais foram concebidas em bases
constitucionalistas ou psicológicas, dualidade que não existe na concepção tomista,
que é hilemórfica, considera a constituição biológica e a psicológica como uma
unidade inseparável.
Brennan (1965) propõe uma teoria da personalidade em base tomista, onde
define o eu como “a consciência individual do si mesmo como um princípio de ação”,
constituído por três componentes:
Eu psicológico, ou personalidade: integração de todas as potências, hábitos e
atos, organizados de forma única em cada indivíduo.
Eu moral, ou caráter: aspectos ético-morais dos atos e hábitos, provenientes dos
apetites e da vontade. O caráter expressa os princípios dos atos moralmente
controlados. Uma pessoa equilibrada demonstra harmonia entre a personalidade e o
caráter, mas estes aspectos podem estar dissociados, como no caso de um
criminoso (mau caráter), que apresenta uma personalidade sociável.
Eu ontológico, ou pessoa: É a substância, corpo e alma, capaz de pensar e querer
e que dá suporte e fundamento às potências, atos, hábitos, personalidade e caráter
e dá origem a tudo o que acontece na vida interior.
Santo Tomás adota a definição de pessoa expressa por Boécio nos termos
“pessoa é a substância individual de natureza racional”, Boécio, apud Cavalcanti
Neto (2012). Pessoa é o que é distinto dos outros: é indivíduo, indiviso em si. Desse
conceito de pessoa resultam importantes implicações éticas, de fundamental
aplicação à direção espiritual.
O conceito de inconsciente parece muito caro à psicologia moderna e está
incorporado à linguagem popular. Este é um conceito claramente trabalhado por
Santo Tomás. Brentano, que fora professor de Freud, afirma que “santo Tomás seria
o único filósofo importante que aceita a hipótese de atividades psíquicas
inconscientes.” (Echavarria, 2005).
Há outra base terminológica. A filosofia atual considera consciência como
conhecimento direto, ao passo que para o Aquinate “consciência” não é uma
potência, mas um ato, mais parecido com o que se chama atualmente de
consciência moral. O que hoje se chama consciência, Santo Tomás denominava
reflexão.
A consciência por excelência é a consciência de si, não a de algum processo
ou atividade em particular. Há aspectos que são irreflexionáveis (inconscientes)
entre os sentidos internos e entre estes e o intelecto. Dentre estes há os
movimentos orgânicos que não são percebidos pelo intelecto.
O que propriamente se chamaria inconsciente são os atos ou operações
psíquicas não deliberadas, como por exemplo o motorista experiente que não
delibera sobre pisar no freio ou trocar de marchas, age pelos automatismos
provenientes da avançada experiência de dirigir. Também são exemplos o roçar a
barba com os dedos, balançar as pernas, etc. Estas operações não deliberadas pelo
intelecto não são consideradas propriamente humanas. Há ações semelhantes a
estas que provêm do apetite sensitivo, dos sentidos interiores ou dos sentidos
exteriores.
Não há espaço para construir o raciocínio, mas a concepção tomista dá conta
de explicar a conduta neurótica e até mesmo o inconsciente reprimido, que é tratado
como “caecitas mentis”, cegueira da mente. Esta é uma disposição contrária à
verdade, presente na afetividade, que torna a mente cega a essa verdade. Esse
fenômeno é similar aos mecanismos de defesa propostos pela psicanálise.

A personalidade normal e Psicopatologia ou doenças da alma


Em sentido lato, “normal” é somente o virtuoso. A psicologia moderna é alheia
à moral, ao passo que na psicologia tomista existe uma conexão profunda entre
ética, moral e psicologia. A psicologia sozinha não pode definir o que seja uma
pessoa sã, normal ou madura. Há que recorrer a outras disciplinas para definir o que
é saúde, normalidade e maturidade. Estas noções necessitarão de embasamento,
inclusive na ética e na moral, sob pena de imprecisão terminológica.
Segundo a concepção tomista, normalidade é um estado de virtude,
caracterizado por atos realizados segundo a reta razão, um estado de equilíbrio. O
virtuoso não é um medíocre, mas uma pessoa excelente ou plena, que atualiza as
suas potências, transformando-as em atos. Para Aristóteles e Santo Tomás, a
medida do gênero humano é o homem virtuoso.
As enfermidades da alma, ou psicopatologias, são consideradas desde os
sentidos, pois os órgãos dos sentidos dão sustento à vida anímica. Contudo, estas
são enfermidades impropriamente psíquicas.
O oposto das virtudes são os vícios, ou hábitos operativos maus, que podem
ser classificados como incontinência, malícia ou bestialidade. Os vícios ou estados
mórbidos são instalados por natureza ou por costume.
Não é possível, no âmbito deste artigo, detalhar tal psicopatologia. Ela é
minuciosamente descrita pelos autores, deste Aristóteles e Santo Tomás, até os
contemporâneos, de sorte que é possível distinguir as enfermidades caracterizadas
pelo não uso ou pelo uso desordenado da razão. Isto ocorre nas incontinências e
malícias. Há aquelas enfermidades da alma em que a razão não pode ser acessada
por motivos peculiares a cada enfermidade, as doenças chamadas de bestialidades,
pois descaracterizam o que é próprio do homem: o uso da razão.

Dimensão sobrenatural da personalidade


Segundo o Doutor Angélico, em razão do estado de corrupção da natureza
humana, o homem não consegue realizar plenamente o bem. A ação humana
virtuosa é parcialmente boa, não atinge a integralidade da sua potência. Portanto,
em algum grau, todo ser humano apresenta enfermidades da alma. Não seria o caso
se botar uma lupa sobre esta tendência, e considerar todo ser humano um neurótico,
como o faz Freud e a psicanálise, mas compreender, que por razões
transcendentes, existem limitações ontológicas à plena realização humana na
presente vida.

A cura da alma ou psicoterapia


É evidente que não se encontra no Aquinate uma psicoterapia sistemática, ao
modo contemporâneo. Encontra-se, contudo, no tomismo princípios de como “cuidar
da alma”. A tarefa de transformar os princípios tomistas em uma psicoterapia
aplicável aos costumes atuais foi desenvolvida pelos psicólogos tomistas
contemporâneos.
Embora não haja espaço para descrever tal processo, podemos ressaltar
alguns dos seus princípios. Psicoterapia é abordada como uma pedagogia moral,
como uma ação que percebe a ação da Graça. Os critérios diagnósticos e princípios
terapêuticos tomistas na arte de curar a alma são o conhecimento do indivíduo, a
empatia e a misericórdia. O fim desejado é o encontro com o homem pleno.

2.2.4. Considerações sobre a adequação da fundamentação psicológica nos


atendimentos

As abordagens teórico-práticas da psicologia hodierna estão no contexto do


que se chama modernidade e “pós-modernidade”. Este momento histórico tem suas
origens no movimento renascentista, de onde se derivaram diversas correntes
filosóficas, hipóteses e teorias. Neste “caldo” há produções com grau de ciência e
outras com status científico duvidoso.
Esses movimentos e produções culturais apresentam a tendência imanentista
como triunfante, embora não unívoca. A interpretação iluminista está na base desse
universo cultural, que rompeu com a tradição e trouxe algumas oposições: razão x
fé, moral x psicologia e separação entre razão e experiência (Echavarria, 2005).
A psicanálise exerce o papel de precursora das abordagens atuais, papel que
compartilha com a psicologia experimental, que está na base das abordagens
comportamentais e cognitivistas. Os conceitos psicanalíticos, bem ou mal
compreendidos, gozam de uma considerável popularidade e circulam através de
uma ampla literatura e também por meio de outras mídias.
A psicanálise teve sua origem em ambiente médico, talvez em razão disso
introduziu uma metodologia de intervenção clínica. Seus fundamentos filosóficos são
nietzscheanos, por isso são antitéticos diante da moral então vigente. Buscam a
superação da tradição e da moral. Nietzsche (1999) considera o cristianismo um
adoecimento da vontade.
Szentmártoni (2006) considera que “em toda situação pastoral é preciso levar
em consideração os elementos psicológicos” e que “nenhuma das teorias abarca
toda a verdade sobre o homem” ele também constata uma expulsão do espírito na
psicologia e clama pela necessidade de transcendência. Aqui o autor fecha o
raciocínio conclusivo de que as abordagens da moderna psicologia não são
adequadas às demandas da direção espiritual.

3. METODOLOGIA

Este artigo foi escrito com base em pesquisa bibliográfica. Buscou-se apresentar
suscintamente os princípios filosóficos das psicologias modernas e da psicologia
aristotélico-tomista e traçar alguns marcos comparativos entre elas.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

À guisa de fechamento, apresentam-se as considerações finais. Não se as


apresentam como conclusões, mas meramente como opiniões. Um pequeno artigo
como este não oferece espaço argumentativo suficiente para concluir. Contudo, é
possível introduzir o tema e emitir uma opinião favorável ou desfavorável à proposição
inicial.
A pergunta inicial “a Psicologia Tomista pode contribuir como subsídio ao
ministério do aconselhamento espiritual?” deve ser respondida com base em um
pressuposto fundamental: adequação do conteúdo do conselho à doutrina e à fé
professadas. Qual a razão da eleição deste pressuposto? Está a se referir ao
aconselhamento espiritual como um ministério no contexto de uma doutrina religiosa e
de uma religião, a saber: a doutrina cristã e a religião Católica Apostólica Romana.
Há que se destacar que a formação universitária atual é fundamentalmente
marxista ou positivista (Oliveira Neto e Silva, 2017). É com base nestes pressupostos
que os professores aprenderam e é nessas bases que ensinam. O ápice do
conhecimento humano, atingido pela concepção aristotélico-tomista em sua
profundidade filosófico-antropológica, é desconhecido pela maioria dos acadêmicos
atuais. Nos currículos dos cursos de filosofia atuais prevalecem os estudos de filósofos
modernos, a partir de Descartes. A filosofia clássica e a medieval são vistas apenas
superficialmente.
Ora, o conhecimento moderno estabeleceu uma luta para a prevalência do
imanente, resultando prejuízos à compreensão do homem integral. Este vive na
imanência que subsiste através de causas e fins transcendentes.
O resultado desta formação deficiente resulta teorias e práticas baseadas numa
antropologia manca e parcial. Foi demonstrado nesta pesquisa a importância do aspecto
psicológico no exercício do ministério do aconselhamento espiritual. Dessa forma é
importante escolher criteriosamente qual a base filosófico-antropológica da abordagem
ou teoria psicológica que dará suporte ao aconselhamento.
Os autores consultados demonstram que as psicologias hodiernas são
fundamentadas no positivismo, no marxismo, no nietchienismo e em outras ideias com
fundamentos anticristãos.
Por outro lado, o mundo católico conhece a profundidade e a adequação da
doutrina de São Tomás de Aquino. Os autores consultados nesta pesquisa demonstram
o valor atual da psicologia de Aristóteles, a qual foi aproveitada e enriquecida pelos
conteúdos da revelação pelo Doutor Angélico. O resultado é uma psicologia profunda,
rigorosamente descritiva, que inclui e considera o que é rigorosamente científico do
conhecimento atual. Tal psicologia possui uma superior precisão terminológica em
comparação com a psicologia moderna e o principal: ela é totalmente adequada à
doutrina e à fé católica.
Em consonância com as conclusões de Cavalcanti Neto (2010), é possível emitir
a opinião de que a base psicológica do aconselhamento ou direção espiritual é
amplamente enriquecida e torna-se totalmente adequada à fé católica quando substitui a
contribuição das correntes da psicologia moderna pela psicologia tomista.
Os ganhos são significativos, pois em lugar de uma psicologia amoral, toma lugar
uma psicologia que leva em consideração a moral, a ética e a estética. No lugar do
pessimismo e desesperança, coloca-se uma antropologia da esperança, da fé e da
Graça. Em vez do nihilismo, coloca-se a busca da realização do homem integral,
imagem e semelhança do Criador. Em lugar de uma psicologia sexualmente centrada,
entra uma psicologia centrada no ser e com a compreensão de que a existência e a
realização humanas subsistem como dons e não como aquisições pessoais.
Assim, vê-se que quando a direção espiritual adota os princípios da psicologia
moderna ela está, mesmo sem o perceber, adotando princípios que são contrários à fé
cristã. Está dando conselhos que são contraditórios às homilias, está correndo o risco
de disseminar mais dúvidas que certezas aos fiéis que buscam orientação. Isso é
orientação ou desorientação? Cabe a pergunta.
Resta asseverar que a psicologia tomista é totalmente adequada ao aconselhamento
espiritual. Embora seja matéria extensa e um árduo caminho de estudo, é uma ideia que
deveria ser seriamente considerada pelos estudiosos e formadores de opinião no campo
do ministério do aconselhamento espiritual.

REFERÊNCIAS

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